1 A salvação do fariseu

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No mundo religioso, fariseu é o hipócrita, aquele que promete e não cumpre; diz ser, mas não é; pede que façam, mas faz o contrário. Todos nós temos um pouco dele e ele está no meio de nós - arrisco dizer que dentro de nós.

Do alto de sua prepotência arrogante - com a licença do pleonasmo -, o fariseu acredita ser o dono da verdade absoluta; na dúvida, todos estão errados e só ele certo. Com o peito cheio, olha por cima das cabeças e não vê ninguém à sua frente. É imponente em si mesmo e não existem paradigmas além daqueles nos quais ele se propõe parametrizar.

O hipócrita nada mais é do que um parasita; com a alma atrofiada, o coração completamente seco e a mente cauterizada não contribui em nada com o próximo, tampouco a si mesmo. Sua vida é a mais pura morte.

Mas se existe salvação para o pior dos pecadores, não existirá para um hipócrita?

Algumas pessoas facilmente se incomodam com a crítica; dizem que não nos cabe o juízo, e ao faze-lo servimos de instrumentos da maldade. Esquecem, porém, que sem a crítica não existe análise ou critério - para aceitar, ou ao menos considerar, é inexorável a necessidade crítica -, e ao recriminar o crítico, pelas críticas, acabam criticando e caindo no mesmo (possível) erro.

Ao contrário do que pensam os avessos à crítica, existe salvação para o fariseu e esta se dá mediante um processo duro e doído, mas necessário: a crítica. É através do confronto de idéias e condutas que o fariseu encontra a salvação, inclusive a salvação de suas próprias idéias - inflexíveis na sua maioria. Ainda não encontrei nenhuma outra situação em que o adágio popular se dá com tanta plenitude: água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.

A crítica é essencial à vida e não existe vida fora dela. De tanto que ouve, o fariseu uma hora ou outra cai em si, desperta de seu egocentrismo e redescobre a vida. Abandona paradigmas, aderi a novos parâmetros e se torna essencialmente flexível.

Deve-se criticar até a própria crítica, posto que peneirar informações nunca será exageradamente demais, e é desse processo que nasce a verdade, que merece a credibilidade da fé.

Portanto, benditos são os que criticam, pois cumprem integralmente as recomendações do apóstolo Pedro, salvando o hipócrita de sua hipocrisia:

Meus irmãos, se algum de vocês se desviar da verdade e alguém o trouxer de volta, lembrem-se disso: Quem converte um pecador do erro do seu caminho salvará a vida dessa pessoa e fará que muitíssimos pecados sejam perdoados. ( I Pedro 5: 19,20 - NVI)

Em Cristo, o homem mais crítico que se viu por aqui,

Will

Fonte: [ Celebrai ]

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1 comentários:

Marco disse...

Se o esforço de fazer a crítica for feito com amor e moderação,dar-se-a que seu objetivo será alcançado.Se porém a critica for feita com linguajar mundano,recheado de ironias e cinísmo,tal crítica não passa de um empenho mundano.Pelo seu empenho em se justificar no artigo espero que você o faça com zelo.Embora seu conhecimento seja grande vale recomendar Romanos CAPÍTULO 14
1 ORA, quanto ao que está enfermo na fé, recebei-o, não em contendas sobre dúvidas.
2 Porque um crê que de tudo se pode comer, e outro, que é fraco, come legumes.
3 O que come não despreze o que não come; e o que não come, não julgue o que come; porque Deus o recebeu por seu.
4 Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio SENHOR ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar.
5 Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente.
6 Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o SENHOR não come, e dá graças a Deus.
7 Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si.
8 Porque, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, ou vivamos ou morramos, somos do Senhor.
9 Porque foi para isto que morreu Cristo, e ressurgiu, e tornou a viver, para ser Senhor, tanto dos mortos, como dos vivos.
10 Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo.
11 Porque está escrito: Como eu vivo, diz o Senhor, que todo o joelho se dobrará a mim, E toda a língua confessará a Deus.
12 De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus.
13 Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão.
14 Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda.
15 Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu.
16 Não seja, pois, blasfemado o vosso bem;
17 Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo.
18 Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens.
19 Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros.
20 Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo.
21 Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça.
22 Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova.
23 Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado.

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