0 O mandato espiritual, social e cultural em Efésios

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Por Denis Monteiro


Antes da Queda, Deus deu algumas ordenanças a Adão e Eva o qual chamamos de ordenanças da criação. Deus ordenou ao primeiro casal: Que se casassem e procriassem para encher a terra, exercessem domínio sobre as criaturas, o trabalho e o descanso semanal – claro, sabemos que Deus ordenou que o casal não poderia comer da árvore do conhecimento do bem e do mal, mas essa não é geralmente considerada uma ordenança da criação, pois Deus deu apenas para aquela ocasião e não uma ordenança perpétua. Chamamos estas ordenanças de mandatos. Mandato espiritual, social e cultural.

Mandato Espiritual: Este mandato envolve um relacionamento com o Deus que nos deu a Sua imagem (Gn 1.26). Uma paz entre Ele e suas criaturas, o qual, também, estabeleceu um dia de descanso de nossas obras para dedicarmos inteiramente a Ele em santidade. 

Mandato Social: Este mandato que envolve um relacionamento, não só com Deus, envolve com a família que por Deus fora criada. Este mandato envolve a liderança dos pais em saber guiar as suas famílias, segundo a ordem de Deus. 

Mandato Cultural: Este terceiro, e ultimo mandato, é um envolvimento com a sociedade. Você, assim como eu, já deve ter ouvido falar de que todos os nossos relacionamentos com aspectos culturais fossem seculares e nosso relacionamento com Deus espiritual. Este mandato envolve questões políticas, educação, artes, lazer, tecnologia, indústria, e quaisquer outras áreas. 

As consequências do pecado nas ordenanças da criação.

No mandato espiritual, o pecado fez separação entre Deus e Sua criação. Até os animais e natureza ficou sujeita à servidão (Rm 8.20). O Homem já nasce alienado de Deus proferindo mentiras (Sl 58.3), mortos espiritualmente, pelo pecado, como diz Jean Diodati: “de onde provêm miséria e incapacidade de fazer o bem”.[1] 

No mandato social, além do pecado afetar o nosso relacionamento com Deus, ele afetou nosso relacionamento social entre os familiares. Após a entrada do pecado no mundo o relacionamento perdido, com Deus, afeta as bases da família causando até vergonha sexual entre o homem e a mulher. Desde o quarto capitulo do Gênesis o efeito de pecado se mostra claro, com a morte causada pelo irmão – Caim matando Abel. Filhos não respeitando os pais, desobedecendo-os, ou como o próprio Gênesis mostra, Jacó enganando seu pai com a ajuda de sua mãe (Gn 25). 

Assim como, o pecado afetou o relacionamento com Deus, ele afetou nosso relacionamento familiar, também, afetou o nosso relacionamento na sociedade – Mandato Cultural. John Frame diz: “indivíduos pecaminosos contaminam as instituições que formam, e estas instituições tornam o efeito do pecado ainda piores. Quando pecadores se juntam, eles alcançam impiedade maior do que conseguiriam individualmente”.[2] Desde o Gênesis já nos é dito que este mandato estava sendo impiamente desenvolvido. Em Genesis 4.17-24 os descendentes de Caim já desenvolviam certo tipo inicial de cultura.[3] Esses desenvolvimentos, em si não são maus, mas o uso dos mesmos voltados para a glória humana são, como podemos ver nas músicas de hoje, as quais faltam beleza, bondade e verdade. Vemos a Torre de Babel sendo erguida para chegar aos céus e a confusão que Deus faz com as línguas para que ninguém entenda ninguém, pois não queriam ser espalhados por toda a terra (Gn 11.4) desobedecendo à ordem de Deus de se espalhar (Gn 1.28). 

Então, a pergunta é: Como cumprir estes mandatos para a glória de Deus, conforme Sua vontade? [4]

Novo relacionamento com Deus (Efésios 4.17 – 5.1-21)

Nesta divisão Paulo nos mostra como devemos ser e o porquê viver de forma digna, por exemplo: Quanto à antiga maneira de viver, vocês foram ensinados a despir-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, a serem renovados no modo de pensar e a revestir-se do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e em santidade provenientes da verdade. Efésios 4.22-24.

Fomos resgatados para despirmos do velho homem, pois somos a imagem de Deus. Em Cristo este relacionamento foi reconciliado por intermédio de Seu sangue derramado na cruz em favor de Seu povo. O pecado que fazia separação fora pago por Cristo, logo, Deus não está mais irado conosco. Por isso que Paulo admoesta aos crentes que vivamos antiteticamente: deixe a mentira mas fale a verdade; Irai-vos e não pequeis; se furtava não furte mais mas trabalhe; não saia palavra torpes da boca mas só boas para a edificação.” (4.25-29). E como imagem de Deus, devemos imitar a Deus, como filhos amados (5.1), produzindo frutos que provem de Deus ao contrário das obras das trevas, vivendo cheio do Espirito Santo, como diz Erasmus Sarcerius: Ser cheio do Espirito Santo é uma forma particular e uma manifestação do andar prudente, pelo qual a salvação, juntamente com as obras da luz, é preservada (...).”[5] Sendo assim, somente após a redenção e reconciliação que Cristo fez, podemos ter paz com Deus e tentar cumprir o Seu mandato, nos separando para servi-lo a cada dia e guardando o Dia do Senhor, como um dia santo dedicado totalmente a Ele. 

Novo relacionamento com nossa família (5.22- 6.1-4)

Aquilo que foi perdido na Queda no Éden, Paulo admoesta que deve voltar ativa no casal cristão. A mulher deve ser submissa ao marido porque ele é o cabeça constituído por Deus desde o Éden, oficio este que o homem não exerceu deixando a mulher ser enganada, e assim, pecando (1 Tm 2.14). Assim como Cristo é o cabeça da Igreja o marido deve ser o da esposa. O esposo deve amar sua esposa como Cristo amou a igreja se entregando por ela e amando como se fosse o próprio corpo. Pois, o que as crianças aprenderão ou descobrirão num casamento desestruturado? Um casamento desestruturado é aquele em que há disputas e lutas sobre quem está no poder, e assim, nenhum dos cônjuges cumpre o seu papel. Por isso que Paulo diz: Portanto, cada um de vocês também ame a sua mulher como a si mesmo, e a mulher trate o marido com todo o respeito. Efésios 5.33 (ênfase acrescentada). 

Os filhos devem obedecer a seus pais de forma justa, no Senhor, pois isto é obedecer ao quinto mandamento que é o primeiro mandamento como promessa: honra teu pai e tua mãe” (6.2; cf. Êx 20.12). Os pais devem amar seus filhos, mas não se esquecer da disciplina aplicada com amor e ensinando a temer a Deus e ensinados a rejeitar suas inclinações naturais.

Novo relacionamento cultural (6.5-9)

O fato de Cristo ser o nosso cabeça isso não quer dizer que não devemos obedecer outra autoridade. Paulo nos mostra que o servo cristão deve ser obediente aos seus senhores que são segundo a carne, em sinceridade de coração como se obedecesse diretamente a Cristo. O servo cristão deve servir ao seu senhor não com o fim principal de agradar aos homens, mas como servos de Cristo servindo de boa vontade. A ambição (pecaminosa) que permeava a edificação da torre de babel não deve existir entre o servo cristão e seu senhor, pois o servo deve trabalhar para a glória de Deus. Assim, o senhor deve respeitar ao seu servo não como respeitando à vista, deixando as ameaças de lado. Pois acima deste senhor há um Senhor que tem um nome que é acima de todo nome, o qual não faz acepção de pessoas. 

Conclusão


Só em Cristo podemos restabelecer aquilo que Deus ordenou às suas criaturas, podendo ter um relacionamento sincero com Deus. E assim, tendo um relacionamento com Deus, os outros tendem a ser restabelecidos: Uma família que serve a Deus em seus relacionamentos, bem como os servos que glorificam a Deus servindo ao seu senhor como se fosse a Cristo, pois não podemos ter em mente este dualismo: Sagrado e secular. Sagrado é tudo aquilo que é espiritual e secular aquilo que não é espiritual. Mas não é isso que a Bíblia nos diz, pois em tudo que fomos fazer, fazemos para a glória de Deus Pai. 

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Notas:
[1] BRAY, Gerald L. Comentário Bíblico da Reforma – Gálatas e Efésios. São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 304. 
[2] FRAME, John M. A doutrina da vida cristã. São Paulo: Cultura Cristã, p. 257.
[3] Cf.: Ibid.
[4] Eu mostrarei nestes três capítulos de Aos Efésios, somente o que Paulo lista. Não tratarei de toda questão que envolve os mandatos.
[5] BRAY, Gerald L. Comentário Bíblico da Reforma – Gálatas e Efésios. São Paulo: Cultura Cristã, 2013, p. 397. 

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Fonte: Bereianos
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0 O perigo da engenharia social

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Por Luciana Barbosa

Os valores éticos, morais e espirituais na atualidade estão sendo negligenciados de forma tal que quando olhamos para quatro ou cinco anos atrás nos escandalizaríamos ao presenciarmos o que hoje está diante de nós. Essa falta de valores, moralidade e espiritualidade se dão por um processo que chamamos de engenharia social; e o que seria isso?

É um termo utilizado para descrever um método de ataque, onde alguém faz uso da persuasão, abusando da ingenuidade ou confiança do usuário impondo inconscientemente seus valores. Ao vermos essa tendência na nossa sociedade não podemos falar em lavagem cerebral, mas sim, em engenharia social a qual tem a capacidade de mudar o que você acredita em apenas meses ou máximo de cinco anos, isto é, o que para você hoje é errado com o passar desse tempo, será como se você tivesse acreditado naquilo a vida inteira.

O que não pode ser ignorado é o fato de que qualquer instrumento de comunicação não é apenas um meio de comunicação, lazer, entretenimento ou até mesmo cultura, mas um instrumento ideológico que manipula a opinião pública propagando novas vertentes comportamentais visando um novo sistema de população e governo. Um dos mais frutíferos instrumentos são as novelas com sua capacidade alienatória, que através do seu conceito pode influenciar toda uma geração em curtíssimo prazo.

A resposta para isso é que tudo obedece a fins objetivos de engenharia comportamental/ideológico/social; Tudo que é pecado, abominável aos olhos de Deus passa a ser aceito no meio do seu povo, e por quê? Porque essa engenharia chega de forma tão sútil que nem percebemos e ao notarmos já estamos concordando com vários pecados que são imorais diante de Deus, tais como: divórcio, homossexualismo, sexo antes do casamento, pois, é só isso que as novelas ensinam como se fosse a verdade. Quantos “evangélicos não estavam torcendo pela lésbica do big brother Brasil ganhar, 1,5 milhões dizendo para si mesmos inconscientemente ou conscientemente que ela merecia, pois é uma ótima pessoa e que o fato dela ser homossexual é normal e, que Deus a ama, afinal, “Deus ama o pecador e aborrece o pecado”. Cuidado isso já é fruto de engenharia social.

O fim último dessa engenharia é a implantação de um sistema de governo sem classes, sem conceito espiritual, sem valores tradicionais e principalmente sem moral. Nossa cultura hoje é de menos filhos e mais divórcio, pois, é isso que é ensinado nas novelas. Isto, é observado no comportamento das mulheres que outrora uniam famílias, sonhavam em ter família, a juventude de hoje não pensa em casar, construir família. São essas coisas que são inculcadas nas nossas mentes através dessas novelas e ao contrário do que muitos dizem que tudo é relativo e que somos forçados a aceitar essa “tal verdade” que nos é imposta, nossa tarefa é denunciar o pecado e só conseguiremos fazer isto, se sairmos da nossa zona de conforto e pregar o evangelho genuíno das Escrituras que nos ensina que Deus aborrece o pecado e o pecador e que quem não se arrepender dos seus maus caminhos já está condenado: “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus. Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más.” (Jo3.18,19)

Quando falamos de casamento a Escritura também é bem clara: “Criou Deus o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Deus os abençoou, e lhes disse: Sejam férteis e multipliquem-se! Encham e subjuguem a terra! Dominem sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem pela terra. (Gn.1.27,28)

Então o Senhor Deus fez o homem cair em profundo sono e, enquanto este dormia, tirou-lhe uma das costelas, fechando o lugar com carne. Com a costela que havia tirado do homem, o Senhor Deus fez uma mulher e a trouxe a ele. Disse então o homem: ‘Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada’Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne. O homem e sua mulher viviam nus e não sentiam vergonha”. (Gn 2.21-25).

ISTO SERÁ SEMPRE VERDADE!

Conclusão: Que tenhamos discernimento a tudo aquilo que assistimos e que nossos filhos assistem; A palavra de Deus nunca muda e nunca irá passar, permanecerá sempre sendo a vontade de Deus para nós. Para nossa meditação Romanos 12.2 que diz: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

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Sobre a autora: Luciana Barbosa é Pernambucana, mora em Recife, casada com Robert Sherlock. Cursa o 7° período em educação Teológica com ênfase em missões no STCN. Reformada, faz parte da Igreja Evangélica Congregacional da Macaxeira.

Divulgação: Bereianos
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0 A incompatibilidade da Fé Cristã e o Marxismo

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Neste vídeo o Rev. Ewerton B. Tokashiki explica com muita propriedade sobre a incompatibilidade da Fé Cristã com o Marxismo. Em tempos de propagação marxista no Brasil, é importantíssimo que os cristãos se posicionem contra esse sistema. Assista, comente e compartilhe:



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Fonte: Rev. Ewerton, canal do Youtube
Divulgação: Bereianos
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0 João 3:16 contradiz a eleição incondicional?

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Por Álvaro Rodrigues


É comum a utilização de João 3:16 por grupos arminianos em uma tentativa frustrada de demostrar contradição entre o amor de Deus e a eleição incondicional. Para este grupo, não há como conciliar a expressão "Deus amou o mundo" com a crença de que Deus escolheu alguns para salvação e reprovou os demais. Mas o que pode ser dito como resposta à esses arminianos? O texto de Jo 3:16 contradiz a eleição incondicional? 

Demostrarei neste artigo duas possíveis interpretações (talvez existam outras) que calvinistas dão ao texto em análise, mostrando assim a compatibilidade entre João 3:16 e a eleição incondicional.

João 3:16 nos diz: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."

1 - Interpretação: Existem calvinistas que defendem que a expressão "Deus amou o mundo" é referente aos eleitos de Deus que estão em todas as partes da terra. Para este grupo de calvinistas, Jesus quis ressaltar a verdade de que a salvação não estava limitada aos crentes israelitas; mas que se aplicava a todos os eleitos de todo o mundo.

2 - Interpretação: Há outros calvinistas que admitem que a expressão "Deus amou o mundo" refere-se não somente a eleitos, mas a todas as pessoas sem exceção. Só que para este grupo de calvinistas, existe mais de um sentido quando se diz que "Deus amou o mundo". Eles definem que Deus ama os não-eleitos de forma "provisional", enquanto que ama de forma "salvífica" somente os eleitos. 

O amor provisional refere-se aos benefícios de ordens natural e material que são garantidos pelo sacrifício de Cristo e que são dados por Deus à todos os homens. Por exemplo, Deus, por conta do sacrifício de Cristo, tem "suportado com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição" (Rm 9:22). Isto é um tipo de amor, visto que, levando em conta que todos os homens neste momento mereciam estar no inferno, Deus os tem preservado com vida e sustento. (Mt 5:45, At 17:28)

O amor salvífico refere-se a intenção e desejo de Deus em salvar eternamente aqueles os quais elegeu. São os eleitos aqueles pelos quais Cristo garantiu a salvação. A expressão "deu o seu filho único, para que todo aquele que crê não pereça, mas tenha a vida eterna" é a garantia de que Deus só ama de forma salvífica os que tem fé, ou seja, os eleitos.

Então o texto ficaria assim: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira ( Amor salvífico e provisional aos eleitos/Amor provisional aos não-eleitos), que deu o seu filho unigênito, para que todo aquele que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna (Amor salvífico exclusivo aos que creem, ou seja, os eleitos)."

Deste raciocínio se entende que Deus enviou Jesus para que "os que cressem tivessem a vida eterna". Daí se conclui que Deus ama de forma salvífica somente os crentes, e não a todas as pessoas.

A interpretação arminiana:

Os arminianos defendem que o texto de Jo 3:16 nos quer transmitir a ideia de que Deus enviou Cristo para possibilitar a salvação de todos. Porém a escritura nos ensina que a salvação não é uma mera possibilidade, mas sim uma realidade para aqueles a quem o Pai entregou ao Filho (Jo 6:37). 

Mas, se como os arminianos eu digo que Cristo veio possibilitar a salvação, em outras palavras estaria dizendo que era real a possibilidade de não haver nenhuma salvação. Pois, o que poderia garantir a existência dos salvos se Deus não tivesse decretado a eleição de alguns para a salvação? O livre-arbítrio do homem? Claro que não! Afinal, se eu tenho livre arbítrio eu posso aceitar ou negar a salvação. E se cada pessoa tem o livre-arbítrio conclui-se que elas poderiam ou ter negado ou aceitado, o que quer dizer que existia a possibilidade real de que o plano da redenção fosse frustrado.

Assim sendo, torna-se impossível a interpretação de João 3:16 numa perspectiva arminiana. Logo, fica a critério do leitor escolher entre a primeira ou a segunda interpretação dada pelos calvinistas ao texto em análise. 

Soli Deo Gloria 

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Fonte: A suficiência das Escrituras
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