0 1Co 13.1 (Línguas de anjos) - você entende esse versículo?

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Em 1Co 13:1 está escrito: "Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa...". Você entende esse versículo? Assista:



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Animação: Leandro Boer
Narração: Sofia Granconato
Texto: Marcos Granconato
Realização: Igreja Batista Redenção
Fonte: Thomas tronco, canal Youtube
Arte do artigo: Ilustração de Leandro Boer, adaptada ao Blog Bereianos


Confira os outros vídeos da série aqui!

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0 Predestinação sem sentido

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Por Peter Pike


Ao considerar o Arminianismo, há muita coisa que eu acho que simplesmente não faz qualquer sentido sobre ele. Na verdade, se eu tivesse quaisquer inclinações arminianas à esquerda, eu acho que eu seria um teísta aberto porque eu não considero muito o arminianismo como um todo consistente. Eu irei tratar apenas de uma área aqui: a predestinação absoluta no arminianismo.

Agora, para o crédito deles, a maioria dos arminianos reconhecem a predestinação. É difícil negar dado as passagens como Romanos 8.29 e Efésios 1.5, 11 que na verdade usam a palavra “predestinados”. Mas eu tenho descoberto que arminianos de internet com quem eu tenho discutido tendem a fracassar em dois campos quando vem à tona a predestinação. O primeiro campo acredita que a predestinação é o que Deus faz quando Ele examina o que o futuro será e então decide fazê-lo assim. O segundo campo acredita que a predestinação é quando Deus seleciona por grupos (não indivíduos) para serem apontados para a salvação.

Mas em nenhum caso a predestinação é de fato necessária ou útil. Por que Deus precisaria olhar através do tempo para declarar: “o que vai acontecer é o que vai acontecer” quando o que vai acontecer vai acontecer ainda que ele não olhe através do tempo? Aqueles que têm apresentado esta visão para mim estão decididos de que Deus não está executando nenhuma mudança ao predestinar o que acontecerá. Afinal de contas, o ponto todo de tal conceito de predestinação é evitar Deus de ser o fator determinante de quem é salvo e quem é condenado. Mas na verdade, este ponto de vista torna a predestinação como equivalente à presciência (pelo qual eu quero dizer a presciência da qual os arminianos tipicamente falam, não a visão reformada que leva junto ao aspecto do “conhecimento” a ideia de amor de Deus). Em resumo, o arminiano está dizendo que Deus prevê o que acontecerá e então predestina o que ele prevê, mas sua predestinação é simplesmente uma atualização de sua presciência. Isto é totalmente sem sentido aqui.

Mas e quanto ao segundo campo que defende que o que Deus predestina são os grupos ou classes de pessoas? Uma vez mais, isto torna a predestinação desnecessária. Primeiramente, não há vantagem de predestinar uma classe de pessoas se você não está também predestinando os membros daquela classe. Por um lado, sem predestinar os membros você nem mesmo sabe se haverá quaisquer membros até que depois o tempo se desenrole (assim para preencher a classe, a versão arminiana de Deus vai ter de recorrer aos procedimentos desnecessários discutidos nos parágrafos anteriores a respeito da presciência). Por outro lado, o conteúdo do decreto não afeta as escolhas de ninguém (isto é crítico no arminianismo, pois Deus absolutamente não pode violar a liberdade sem destruir a responsabilidade, etc) e portanto este decreto pode simplesmente tão facilmente vir no final do tempo em vez de antemão. Finalmente, se tudo que a predestinação é resume-se a Deus dizer: “Eu vou tratar as pessoas que se encontram nesta condição específica nesta maneira específica” então qual é a diferença entre predestinação e a clara lei antiga? As leis de Deus especificamente dizem coisas como “Todo animal que tem unhas fendidas, mas cuja fenda não as divide em duas, e que não rumina, será para vós imundo; qualquer que tocar neles será imundo.” (Levítico 11.26). Isto é predestinação? E qual é a diferença entre dizer: “Se alguém tocar em animal impuro ele será impuro” e “se alguém crê em Cristo será salvo” em termos de estrutura de classe e grupos de pessoas?

Assim, me parece que não há propósito para a predestinação no Arminianismo, embora haja versos usando este termo. Por que Deus faria algo totalmente sem sentido e irrelevante? Por que ele em vez disso não teria uma razão para a predestinação, assim como o calvinista vê?

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Fonte: Triablogue
Tradução: Francisco Alison Silva Aquino
Via: Pelo Calvinismo

Um dos melhores blogs sobre calvinismo em português, assim definimos o blog Pelo Calvinismo. São várias traduções de textos excelentes, feitas pelo irmão Alison Aquino. Recomendamos!
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0 As nossas certezas

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Por Denis Monteiro


O cantor cristão Stênio Marcius compôs uma música sobre um episódio da Bíblia, o qual relata o diálogo entre Pedro e Jesus, quando Cristo pede que os discípulos, depois de passarem a noite inteira pescando sem nenhum sucesso, lançassem as redes ao lago. Pedro, por sua vez, responde a Jesus se justificando que eles já tinham tentado a mesma coisa a noite inteira, e a música do Stênio mostra um Pedro, baseado na narrativa de Lucas (Lc 5.5), cheio de certezas de alguém que já nasceu na beira do mar, sempre pescando por ser ele filho de pescador. E a música mostra Jesus, filho de um carpinteiro, dizendo: 


          Filho de pescador eu nasci e aqui me criei
          Conheço o mar há tanto tempo que já nem me lembro mais
          Trabalhei noite inteira, e nada foi tudo que ganhei
          E agora vens, queres me ensinar aquilo que na vida eu mais sei


No relato bíblico, Pedro, cheio de certezas e confiança, age da mesma forma quando Jesus o avisa de sua traição na ocasião da prisão de JesusDisse também o Senhor: Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu para vos cirandar como trigo; Mas eu roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; e tu, quando te converteres, confirma teus irmãos. E ele lhe disse: Senhor, estou pronto a ir contigo até à prisão e à morte. (Lc 22.31-33)

Nos dois relatos acima, vemos a confiança de um pecador nele mesmo ante a Palavra do Mestre. No primeiro caso este pecador pensava entender daquilo que ele não criou, no segundo caso ele pensava entender sobre si mesmo, como num famoso dito popular: “eu me conheço, sei até onde eu posso ir. 

O problema não é o “ser confiante”, mas quando a confiança é um orgulho torna-se pecado. Portanto, quando Pedro não confia nas palavras do Senhor Jesus, ele peca. Isso nos mostra que, assim como Pedro foi orgulhoso, nós podemos ser igual a ele quando não cremos no que a Palavra de Deus nos mostra. 

A graça de Deus

Um dos sinais da graça de Deus na vida de um pecador regenerado que age desta maneira é o fato do Espirito Santo fazer lembrar daquilo que Jesus disse (Jo 14.26). Veja quando Pedro nega a Cristo ao ser reconhecido por uma criada, Jesus se volta para ele e Pedro se lembra das palavras de Jesus:

E, virando-se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Antes que o galo cante hoje, me negarás três vezes.” (Lc 22.61)

O fato de Pedro se lembrar do que Jesus havia lhe dito, é o que produziu um verdadeiro arrependimento. Remorso produz morte, mas arrependimento produz vida. Como por exemplo, o caso de Pedro e Judas; os dois foram avisados que eles iriam trair a Jesus, eles traíram, porém um se arrepende e o outro sente remorso, um se enforca, o outro chora amargamente e se volta para o mestre. Jesus tinha dito que escolheu doze e um deles era o diabo (Jo 6.70). Pedro, da mesma forma, foi chamado de Diabo (Mt 16.23). Por que um se arrepende e o outro não? 

Satanás, por permissão de Deus, entrou em Judas e em Pedro. Porém, observe que Jesus roga ao Pai para que preservasse somente a fé de Pedro (Lc 22.31,32b). A graça de Deus fez com que estes dois discípulos servissem a Cristo e fizessem a obra que Ele os designou, mas a graça salvadora de Deus fez com que somente Pedro fosse preservado diante da tentação. 

Essa escolha de Deus em preservar um e outro não, não é baseado nos que eles fizeram, pois os dois negaram a Cristo – os dois pecaram. Mas a escolha que Deus já havia feito foi baseada em Sua própria vontade. 

Diante disso, vemos que as nossas certezas (orgulho) não são nada diante da graça de Deus, pois se nós não confiarmos naquilo que a Bíblia nos diz, estaremos sendo arrogantes confiando em nós mesmos, sendo nós mesmos os nossos deuses e senhores. Mas Deus, por sua infinita graça, quebra esse nosso orgulho mediante as tentações que nos fazem ficar mais dependentes d'Ele, mostrando que não somos nada. 

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Fonte: Bereianos
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0 Hipocrisia: uma falsa devoção



Por Leonardo Dâmaso


Texto base: Lucas 12.1-3

Introdução

No capítulo anterior do Evangelho de Lucas (11.14-54), a multidão e, especialmente os fariseus e escribas foram o alvo do discurso de Jesus. Agora, no capítulo 12, os apóstolos [ainda discípulos] (vs.1, 22) e a multidão (vs.54) são o alvo do discurso de Jesus. Se no capítulo anterior Jesus falou para a multidão e os líderes religiosos, no capítulo em voga Ele fala da multidão e dos líderes religiosos para os discípulos e a multidão.  

          
A primeira parte do discurso de Jesus, ainda que proferida perante uma numerosa multidão, após ele ter saído da casa de um fariseu, onde fora convidado por ele para comer (11.37-53), é dirigida especialmente aos seus discípulos (12.1-2). A segunda parte, por sua vez, é dirigida à multidão (para mais detalhes, veja os versículos 13-14,16, 22,54). 

O extenso discurso de Jesus relatado neste capítulo é uma série de discursos diferentes para públicos diferentes. Jesus falava tanto em particular com os seus discípulos quanto de maneira geral às vastas multidões que o seguiam. Este discurso continua até o versículo 12.   

  
É bem provável que todo o conteúdo do capítulo 12 seja um discurso sucessivo de Jesus, porém, com duas interpelações quando ele deixava de falar por instantes (12.13-15,41). A primeira delas foi feita por um homem que estava na multidão. 

Ele queria que Jesus o apoiasse numa disputa de herança familiar (12.13-15). A segunda foi feita por Pedro, visto que ele queria saber se a parábola proferida por Jesus era dirigida aos discípulos ou a todos (12.41). Portanto, o tema do discurso inicial de Jesus aqui é uma advertência contra a hipocrisia religiosa.


O esboço analítico desta perícope pode ser dividido em 3 pontos:

Primeiro, vemos um solene conselho de Jesus aos seus discípulos – apóstolos (vs.1); segundo, ele afirma terminantemente que toda hipocrisia praticada em secreto será um dia revelada (vs.2-3); e, finalmente, Jesus tece um conselho para todos (vs.3).



Explanação

1) Um conselho imprescindível (12.1) 


O confronto intelectual de Jesus com os fariseus, descrito em Lucas 11.14-36, concernente ao seu ministério na Galiléia, não está em foco aqui. Após cessar o seu discurso que refutava os fariseus, um deles convidou Jesus para comer em sua casa (11.37). Sendo assim, temos, agora, outro evento a lume. 


O conselho de Jesus para a abstenção do “fermento dos fariseus”, registrado em Marcus 8.15 refere-se a um fato ocorrido durante o seu ministério do retiro. Desse modo, não temos aqui, em Lucas 12.1-3, um paralelo do mesmo acontecimento. Lucas relata o que talvez tenha ocorrido mais tarde durante o ministério de Jesus na Peréia. 


Logo, a situação presente é uma continuação de um novo fato que começou em Lucas 11.37. Jesus e os discípulos não estão mais na casa do fariseu que o convidou para comer. Senão vejamos as lições que Jesus nos ensina através desta seção:


Um exemplo de hipocrisia 


1 - Posto que miríades de pessoas se aglomeraram, a ponto de uns aos outros se atropelarem, passou Jesus a dizer, antes de tudo, aos seus discípulos: Acautelai-vos do fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. 


Já do lado de fora da casa do fariseu, é dito que uma multidão de pessoas estava reunida para ouvir Jesus. Naquela época não havia o equipamento de som que temos hoje, o qual nos permite ouvir perfeitamente o pregador mesmo que estejamos longe dele. Por isso as pessoas chegavam a pisar por cima das outras para ver e ouvir Jesus mais de perto. 


A palavra miríades é uma hipérbole, e significa exatamente “dez mil pessoas”. Esta palavra era frequentemente usada de modo indefinido para designar um grande número de pessoas (At 19.19; 20.21). Logo, o número que compunha a multidão se aproximava ou ultrapassava dez mil pessoas; ou seja, eram muitas pessoas. Existem dois possíveis motivos pelo qual tantas pessoas estavam ali reunidas querendo ouvir Jesus: 


a) Interesse em Jesus como um tipo de “curandeiro ou milagreiro” e como um pregador fascinante. b) Curiosidade estimulada pelo debate de Jesus com os fariseus e os doutores da lei (11.37-54).   


Não obstante, Jesus direciona sua mensagem primeiramente aos seus discípulos. Lucas escreve que passou Jesus a dizer, antes de tudo, aos seus discípulos. 


A palavra discípulos não se restringe apenas aos doze. Além deles, Jesus tinha muitos outros seguidores que também eram considerados discípulos (veja, por exemplo, Jo 6.60,66). É bem provável que muitos deles estavam inseridos na multidão. Evidentemente, o discurso de Jesus também seria ouvido pela multidão em geral; ele sabia e queria isso, porém o seu foco era os discípulos. 


Todavia, Jesus inicia a sua mensagem utilizando a figura do fermento, que é algo maléfico para os judeus (Êx 12.15-20). Ele adverte os seus discípulos contra o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Essa advertência está intimamente relacionada com o que o Ele havia dito anteriormente na casa do fariseu (veja 11.39-44, 46). 

O “fermento se refere na verdade a levedura, que era uma porção retirada da massa de pão e deixada de lado para servir de fermento. As pessoas faziam seus próprios pães e estavam familiarizadas com a maneira na qual o fermento, ou a levedura, penetrava na massa vagarosamente e fazia com que esta aumentasse de volume”.[1]


A palavra fermento aparece outras vezes no Novo Testamento, porém sempre de forma negativa, com exceção da parábola registrada em Mateus 13.33. Paulo faz uso da figura do fermento para ilustrar o pecado (veja 1Co 5.6-8; Gl 5.9). A advertência que Jesus faz aos seus discípulos para absterem-se do fermento dos fariseus em Mateus 16.6,12, e seu paralelo em Marcus 8.15, com o acréscimo do fermento de Herodes, foi motivada por uma situação diferente da qual Lucas ressaltou. 

Lá, Jesus utiliza a figura do fermento para enfatizar o apego dos fariseus ao tradicionalismo religioso e condenar a doutrina deles como equivocada e herética. 

Fritz Rienecker afirma que Jesus acusa os fariseus de um tipo mais refinado de hipocrisia. Eles visavam envolver o povo em uma rede de formas religiosas, que carecia de qualquer cerne de devoção verdadeira. Havia uma contradição entre interior e exterior.[2] Sendo assim, os discípulos deveriam evitar o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia religiosa. 


Basicamente, a palavra hipocrisia denota “fingimento”, “falsidade”. William Hendriksen ressalta que hipocrisia refere-se ao mau hábito de alguém esconder sua verdadeira personalidade por trás de uma máscara. Equivale a insinceridade. Hipocrisia é desonestidade, engano.[3]  

William Barclay destaca que a palavra hipócrita teve como primeiro significado alguém que responde; assim, hipocrisia significa “responder”. Utilizava-se esta palavra para perguntas e respostas em um bate-papo ou diálogo; depois se aplicou às perguntas e respostas em uma peça de teatro. Dali ela se tornou relacionada à atuação. Portanto, hipocrisia é atuar, representar um papel.[4] 


Aqui em Lucas, “a hipocrisia era a principal iniquidade dos fariseus, e esconder um coração perverso era um sinal de santidade”.[5] 


Aplicação prática

Assim como o fermento, a hipocrisia começa pequena, mas de forma rápida e silenciosa; e, ao crescer, contamina a pessoa inteira. A hipocrisia tem sobre o ego o mesmo efeito que o fermento tem sobre a massa do pão: ela o faz inchar (veja 1Co 4:6,18,19; 5.2). Logo, o orgulho toma conta, e o caráter deteriora-se rapidamente. Quem deseja ficar longe da hipocrisia deve evitar a primeira porção de "fermento", por menor que seja. Uma vez que se começa a fingir, o processo é rápido e, quanto mais esperamos, mais a situação piora.[6] 
  
Existem hipócritas em todas as esferas da vida. Eles são pessoas que tentam impressionar os outros refletindo aquilo que não são. O hipócrita esconde a sua verdadeira face através da máscara da falsidade. Hipocrisia é ausência de sinceridade.      
                                 
Na vida cristã, um hipócrita é alguém que tenta parecer mais piedoso do que é verdadeiramente. Na realidade, ele sabe que não é o que demonstra ser externamente. Sabe que está fingindo e não espera ser descoberto. A vida cristã dele é, indubitavelmente, uma farsa! O hipócrita nunca é verdadeiro; ele está sempre atuando, sendo alguém quem não é. 

2) A hipocrisia será exposta (12.2)


Os versículos 2-9 correspondem a Mateus 10.26-33. Lá, Jesus havia dito as mesmas palavras que Lucas escreveu no versículo 2. Entretanto, não temos aqui um paralelo com a descrição de Mateus; antes, Jesus reitera o mesmo ensinamento que havia transmitido aos discípulos em outra ocasião, especificamente no seu ministério na Galiléia, porém aplicado de modo diferente neste diálogo com os discípulos e a multidão. 


Por vezes, as diferenças de uso e aplicação dos ensinamentos de Jesus nos evangelhos são o que podemos chamar de “interpretação editorial” – ou seja, um dos escritores sacros observava, em uma declaração qualquer em outro evangelho, uma lição diferente que o outro escritor não relatou. Assim ele decidia [evidentemente inspirado pelo Espírito Santo] relatar a lição que observou em seu evangelho.  


Não obstante, tendo advertido sobre o pecado da hipocrisia, e o perigo de ser um hipócrita, Jesus, agora, salienta o motivo da advertência contra a hipocrisia religiosa. Senão vejamos: 

Um fato inelutável 


Ele afirma categoricamente:


2 - Nada há encoberto que não venha a ser revelado, e oculto que não venha a ser conhecido. 


A hipocrisia triunfa somente enquanto é escondida dos outros. Leon Morris ratifica que a arte de ser um hipócrita depende da capacidade de conservar algumas coisas ocultas. Quando o ocultamento já não é possível, o hipócrita é inevitavelmente desmascarado.[7]  



A hipocrisia de muitos é revelada e conhecida ainda nesta vida, enquanto a de outros permanece escondida. Porém, toda hipocrisia no dia do julgamento final será revelada e conhecida (veja Ec 12.14; Rm 2.16; 1Co 3.13; Ap 20.12). 


Aplicação prática

No fim dos tempos haverá uma manifestação geral de tudo que estava oculto. Esse princípio supremo do governo divino visa estimular-nos a desde já agir constante e permanentemente de acordo com a verdade, sem ceder (Mc 4.21-22). Pelo fato de que tudo será revelado à luz da verdade, cada discípulo de Cristo deve precaver-se contra a hipocrisia. Quando Deus trouxer à luz o motivo da conduta e do serviço, oculto nas sombras, então será manifesto se os servos da palavra de Deus foram hipócritas ou testemunhas da verdade. Por isso Jesus exorta os discípulos a exercer seu serviço visando o grande dia da revelação (Cl 3.3; 1Jo 3.2).[8]   

3) Um conselho geral (12.3)


Visto que Jesus advertiu primeiramente e especificamente os seus discípulos sobre a necessidade de evitar o pecado da hipocrisia, dessa vez, Jesus aconselha especificamente a multidão, embora o mesmo conselho se estenda também aos discípulos e cristãos em geral. Senão vejamos:  

  
Os segredos serão divulgados

Ele declara:


3 - Porque tudo o que disseste às escuras será ouvido em plena luz; e o que dissestes aos ouvidos no interior da casa será proclamado dos eirados. 


A expressão dissestes aos ouvidos traz a ideia de “sussurrar, falar cochichando aos ouvidos” para que ninguém saiba o que foi comunicado.


Já a expressão interior da casa, no grego ταμειοιξ (temeieion), é, literalmente, “quartos fechados”, ou conforme a ARC traduziu – gabinete. Esta expressão salienta um local restrito, onde assuntos secretos poderiam ser “sussurrados, cochichados” ou falados reservadamente (veja esta ideia em Mt 6.6; 24.26; Lc 12.24).    


Traz a ideia de despensa, que “são as salas de armazenagem que ficavam longe das paredes externas que facilmente poderiam ser escavadas.”[9] Champlin realça que, no oriente, os ladrões frequentemente invadiam uma casa arrombando uma das paredes. Por isso as despensas eram invioláveis por estarem afastadas da parede que dava para o exterior.[10] 


Por fim, Jesus afirma através de uma metáfora que tudo o que foi proferido em oculto será proclamado dos eirados. No oriente, muitas casas possuíam um pátio com telhado, isto é, casas com terraço. Esta cobertura era o lugar ideal onde alguém poderia discursar para outras pessoas que se encontravam na rua. Com esta metáfora, Jesus descreve a publicidade; em outras palavras, enfatiza o falar em público. 


No dia do julgamento final, Cristo, o justo juiz, irá revelar e proclamar tudo o que os homens [inclusive os seus discípulos ou os cristãos em geral não para a condenação deles, mas para o recebimento de galardões] tiverem dito em secreto, quer sejam coisas boas ou más (veja Rm 14.12; 2Co 5.10). 



Aplicação prática

Falar o que somos, fazemos e sentimos, mas na verdade falamos, fazemos e sentimos o contrário do que falamos, é hipocrisia! Os fariseus esboçavam piedade externa, mas internamente não eram nada do que demonstravam ser (veja Mt 23.25,28). 


Existem cristãos e pastores que pregam a plenos pulmões contra a mentira, o adultério, a prostituição, a maledicência, o roubo, a avareza e a falta de amor verdadeiro pelos irmãos, no entanto, praticam todos estes e outros pecados. Isto é hipocrisia, dissimulação! 


É inútil esconder a verdadeira identidade interna através de uma falsa identidade externa; ou seja, é hipocrisia demonstrarmos um comportamento perante os outros que destoa peremptoriamente do que realmente somos. 



Conclusão

Em outras palavras, podemos definir a hipocrisia como “viver uma vida dupla”! “Existe uma discrepância entre aquilo que a pessoa realmente é e a imagem que ela projeta de si mesma para os outros”.[11] Nesta advertência, Jesus não está condenando as falhas pessoais, pois todos nós falhamos; antes, Ele condena a hipocrisia “que nos faz assumir sermos melhores do que realmente somos”.[12] 

   
A hipocrisia endurece o coração, reprime a voz do Espírito Santo na consciência convidando ao arrependimento e cega os olhos para enxergar e reconhecer este pecado. A hipocrisia persistente é sinal de apostasia! Que venhamos através desta advertência de Jesus confessar e nos arrependermos de toda hipocrisia que praticamos, pois certamente o Senhor Deus perdoa e restaura o sincero de coração.   

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Notas:

1 Bíblia de Estudo Genebra. Notas de Rodapé, pág 1343.

2 Fritz Rienecker. Lucas, pág 175. 
3 William Hendriksen. Lucas, volume 2, pág 164. 
4 William Barclay. Lucas, pág 139.  
5 A.T. Robertson. Comentário de Lucas a luz do Novo Testamento Grego, pág 232. 
6 Warren Wiesrbe. Comentário Bíblico Expositivo do Novo Testamento, volume 1, pág 285. 
7 Leon Morris. Lucas – Introdução e Comentário, pág 196. 
8 Fritz Rienecker. Lucas, pág 176. 
9 Leon Morris. Lucas – Introdução e Comentário, pág 196. 
10 Russel Norman Champlin. Lucas, pág 124.
11 Comentário Bíblico Africano, pág 1257.
12 Ibid, pág 1258.      

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Fonte: Bereianos
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