0 O Pacto e a Predestinação

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Por Rev. Herman Hoeksema


A reprovação está imediatamente conectada com a eleição, mas não pode ser colocada a par com a eleição. A reprovação segue a eleição, e a reprovação serve à eleição. A reprovação tem o seu motivo na vontade divina de realizar o pacto na forma antitética de pecado e graça. A plenitude da deidade habita no Cristo ressurreto. Da profundeza de miséria e morte, Cristo entra na glória da plena vida pactual de Deus. Esse caminho do sofrimento à glória, do pecado à justiça do reino dos céus, da morte para a vida, a igreja deve seguir. À medida que a igreja segue esse caminho, a casca réproba do organismo humano serve à igreja em Cristo. Na casca da reprovação o núcleo eleito se torna maduro. Por essa razão, a reprovação não pode ser colocada na mesma linha da eleição. 

A eleição é a pré-ordenação divina da igreja, com seus milhões de eleitos, para a salvação da vida do pacto de Deus em Cristo. A igreja serve a Cristo. A igreja eleita é dada a Cristo como o seu corpo. Ela deve servir para manifestar e radiar numa forma multiforme a glória que está em Cristo Jesus, que é a glória de Deus. Por essa razão, os eleitos são aqueles que são dados pelo Pai a Cristo. Aqueles que são dados formam uma unidade. Todo aquele (no singular) que o Pai me dá, esse virá a mim; e aqueles (no plural) que vêm a mim, de modo nenhum os lançarei fora (João 6:37, versão do autor). 

Esse é o ensino da Escritura. Novamente, essa apresentação tem sido objetada que a palavra eleição é uma tradução do grego ἐκλογή, que na verdade significa “escolher dentre”. Disso é argumentado que se é possível falar de eleição ou escolha dentre, então a multidão da qual a escolha é feita deve ser pressuposta existir. Aplicado à eleição eterna, isso significaria que no decreto de Deus a multidão de homens dentre a qual Deus elege seu povo deve preceder a própria eleição. Conclui-se então que no conselho de Deus o decreto de criação e a permissão da queda certamente devem preceder o decreto de predestinação. Por conseguinte, Deus escolheu dentre uma multidão de homens caídos. 

Por detrás dessa apresentação reside indubitavelmente a boa intenção de não fazer de Deus o autor do pecado. Podemos observar, primeiro, que de fato deve estar longe de nós o fazer de Deus o autor do pecado. Contudo, é uma questão inteiramente diferente se Deus deve ou não ser apresentado como a causa decretadora do fato da queda e do fato do pecado. Se não queremos destronar Deus e apresentar Deus e o pecado como um dualismo, certamente devemos manter que Deus é a causa decretadora do fato do pecado. 

Segundo, o infralapsariano, a despeito de todas as suas boas intenções, não resolve no final das contas o problema do pecado em relação a Deus mais que o supralapsariano o faz. O infralapsariano também terá que dar ao pecado um lugar no decreto de Deus. 

Com respeito à argumentação a partir da palavra ἐκλογή (eleger), podemos dizer que ela reside num mau entendimento. Esse equívoco é que a pessoa aplica a Deus o que é aplicável somente aos homens. Quando os homens elegem, nada vem à existência por causa disso. Os homens podem apenas fazer distinção e separação. Por conseguinte, quando os homens escolhem, aquilo dentre o qual a escolha é feita deve existir primeiro. Mas com Deus é exatamente o oposto. Com ele a eleição é causal, criativa e divina. 

Essa distinção é a mesma daquela entre a palavra divina e a palavra humana. A palavra de Deus é criativa. Essa palavra vem primeiro. A coisa que vem à existência por meio da palavra vem em seguida. A palavra do homem pode ser apenas uma imitação da palavra de Deus. Antes que o homem possa falar, a coisa criada deve primeiro ter vindo à existência pela palavra de Deus. O mesmo é verdade da eleição. Quando Deus em seu decreto escolhe dentre, então por meio desse decreto a diferenciação ou a multidão diferenciada vem à existência. Em outras palavras, a eleição de Deus é primeiro de tudo pré-ordenado para a salvação e para a glória da vida pactual em Cristo. 

Assim é na Escritura. Em outra conexão já apontamos o fato que a Escritura fala de uma eleição antes da fundação do mundo: “Nos elegeu nele antes da fundação do mundo” (Ef. 1:4). Isso não significa que esse “antes da fundação do mundo” é simplesmente antes do mundo ou da fundação do mundo no tempo. A eternidade, na qual reside o decreto de Deus, não precede o tempo, mas está muito acima do tempo; ela não é tempo. 

Além disso, a Escritura frequentemente fala do fato que Deus conhece o seu povo: 

Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou (Rm. 8:29, 30). 

Em 1 Pedro 1:2 lemos: “Eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo”. 

Esse pré-conhecimento de Deus não pode e não deve ser explicado de uma forma humana, como o arminiano deseja explicá-lo. Então pegamos a ideia de uma presciência de Deus, de um ver desde a eternidade quem irá e que não irá crer em Cristo e perseverar até o fim, e de uma eleição baseada sobre esse pré-conhecimento. De acordo com tal apresentação, o que é aplicável somente ao conhecimento humano é aplicado a Deus. Antes, esse pré-conhecimento de Deus é um conhecer criativo de amor, pelo qual o objeto vem a estar diante de Deus, e a corrente de amor soberano jorra dele. Somente nessa luz podemos entender uma passagem como Isaías 43:4 (ARA): “Visto que foste precioso aos meus olhos, digno de honra, e eu te amei, darei homens por ti e os povos, pela tua vida”. Devemos ver na mesma luz Isaías 49:16: “Eis que, na palma das minhas mãos, te tenho gravado; os teus muros estão continuamente perante mim”. 

Essa, então, é a conclusão do assunto concernente ao pacto de Deus: Deus quer revelar sua vida pactual gloriosa a nós; como o Deus triúno ele ordena seu Filho para ser Cristo e Senhor, o primogênito de toda a criação, o primogênito dentre os mortos, o glorificado, em quem habita toda a plenitude da divindade; para esse fim ele ordena a igreja e lhe dá a Cristo, e ele elege por seu nome todos aqueles que na igreja terão um lugar para sempre, para que a plenitude (πλήρωμα) de Cristo possa cintilar numa variação multiforme na igreja para o louvor de sua glória. Ao redor desse Cristo e sua igreja e desse propósito da revelação da glória da vida pactual de Deus, todas as coisas no tempo e na eternidade duradoura se concentram. O fim disso tudo é que nos prostremos em adoração perante esse glorioso Deus soberano e exclamemos, 

Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Porque quem compreendeu o intento do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém! (Rm. 11:33-36). 

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Fonte: Reformed Dogmatics – Volume 1, Herman Hoeksema, Reformed Free Publishing Association, pg. 477-80.
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
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0 Jerusalém é a Terra Santa?

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Por Thiago Oliveira


Todos os anos, milhões de pessoas viajam para Jerusalém com o objetivo de conhecer os locais considerados sacros. Muitas igrejas evangélicas tentam ir, ao menos uma vez por ano, para Israel e dizem que a experiência mística é completamente diferente. Existem agências de viagem especializadas no turismo religioso para a “Terra Santa”. É um mercado bem explorado e rentável. Não nego que deve ser emocionante pisar nos mesmos lugares que Jesus e os Doze pisaram. Localidades que lemos sobre elas nos Evangelhos. Todavia, devemos ter o cuidado de não deixar que a emoção sobreponha a razão e negue algo que está claro nas Escrituras: Jerusalém não é uma terra santa.

Não existe respaldo bíblico para afirmarmos que exista um território físico, hoje, mais santo do que qualquer outra parte do planeta. Tal conclusão é um equívoco de uma promessa de Deus feita para seu povo. Quando olhamos para o conceito da “terra prometida” na Bíblia, temos que observá-la na perspectiva da redenção. Quando o pecado entrou no mundo, através do primeiro casal, não apenas o homem foi infectado, toda a terra foi. Deus disse a Adão: “Maldita é a terra por tua causa” Gn 3.17.

Se observarmos para os efeitos noéticos que o pecado causou em toda a terra, entenderemos melhor a promessa feita à Abraão (Gn 12.1). Um lugar especial entregue para os descendentes do patriarca hebreu foi reafirmado para Moisés, responsável por conduzir os hebreus do cativeiro Egípcio para Canaã (mas não entrou com eles), terra que mana leite e mel (Ex 3.8). Todavia, este local não era o único em que o Senhor habitava, não podemos restringir Deus a um pedacinho do mundo criado e governado por Ele. Afinal: “Ao Senhor, ao seu Deus, pertencem os céus e até os mais altos céus, a terra e tudo o que nela existe.” Dt 10:14.

Temos que entender que a posse desta terra dada aos hebreus, serve como mais uma das tipologias da antiga aliança. Abraão não seria apenas herdeiro de um pedaço de chão na Palestina, ele seria herdeiro do mundo (Rm 4.13). E assim ele se torna pai de muitas nações (Rm 4.16-17) e não apenas dos judeus. Canaã, e mais especificamente Jerusalém, cumpriu um papel de “sombra” para aquilo que na nova aliança se tornaria realidade. Da mesma forma que o tabernáculo, a lei, o sacerdócio e os sacrifícios não tinham um fim em si mesmo, mas apontavam para a plenitude da pessoa e do ministério de Cristo, assim também devemos entender a questão da terra. O próprio Abraão entendeu que embora a posse da terra fosse algo que aconteceria de maneira factível, ele já havia compreendido que empossar-se dela era um indicativo de que herdaria algo maior. Além de antever a Jerusalém terrena, ele anteviu, creu e ansiou pela Jerusalém celestial (Hb 11.16). 

Em Isaías 19:18-25 temos uma predição de futuro que abraça a ideia da redenção do mundo  e qual o papel de Israel nisso. A Salvação chegará ao Egito e lá será um centro de adoração a Deus (vs. 18 e 19). Isto é uma representação da salvação do mundo gentílico. Israel será mediador deste plano, pois vem dela o Salvador (Jo 4.22). O profeta fala de uma estrada que será construída do Egito até a Assíria (v. 23). Tal estrada é um caminho que corta Jerusalém, e os egípcios passarão para a Assíria e os assírios passarão para o Egito para cultuarem juntos. Reparem que Jerusalém não é tida como o centro da adoração. Os dois povos representando o mundo gentio ganham o status que pertencem a Israel “benção” e “obras de minhas mãos” (v.25). Assim Israel cumpriu o seu propósito de que por meio dela, seriam abençoadas todas as famílias da terra (Gn 22.18). Assim todos que estavam distantes agora estão perto (Ef 2.14-17).

Atualmente vemos o cenário de guerra em que vive a nação de Israel. Eles reclamam para si aquele território físico e fazem dele o objeto final da promessa que Deus fez lá no passado para Abraão. Isto é uma demonstração do endurecimento em que ainda vivem muitos judeus, os quais negam que Cristo seja o Messias que as Escrituras apontavam. Tal como no tempo dos Macabeus ou no tempo dos Zelotes, os israelenses querem um Messias político que reine com eles na Palestina. Esta negação é um retrocesso, pois exige a continuação da antiga e limitada aliança. Estar debaixo de uma ordenança da antiga aliança é desprezar a obra de Cristo. Paulo exemplifica isso ao tratar da circuncisão, outra “sombra” da antiga aliança: “Ouçam bem o que eu, Paulo, lhes digo: Caso se deixem circuncidar, Cristo de nada lhes servirá” Gl 5.2.

Ademais, a aliança é condicional (Ex 19.5). A terra não é um presente de Deus para os ímpios, mas para os justos (vide Sl 37), a justificação veio por meio da fé em Cristo, então apenas os crentes no Senhor Jesus são, mediante a graça divina, considerados justos (Rm 3.21-26). Também devemos alertar para o que o apóstolo Paulo falou acerca de Jerusalém, quando traçou o comparativo entre os dois filhos de Abraão: Ismael, o filho da escrava Hagar e Isaque, o filho da livre, que é Sara: “Hagar representa o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à atual cidade de Jerusalém, que está escravizada com os seus filhos. Mas a Jerusalém do alto é livre, e essa é a nossa mãe” Gl 4.25-26. 

Portanto, podemos concluir que Jerusalém não é a terra santa e que este adjetivo não mais lhe cabe. Enquanto, nos moldes da antiga aliança, o Templo situado no centro da Cidade era o local em que estava a Shekinah, o título era adequado. Mas o Senhor tirou a Sua glória do Templo antes da chagada dos babilônicos (vide Ez 10) e mesmo após ter restaurado a glória da segunda casa (Ag 2.9), Jesus rasgou o véu do Templo (Mt 27.51) e este foi novamente destruído no ano 70 pelos romanos. Hoje a glória do Senhor está naqueles que O adoram, nem em Jerusalém e nem em Samaria, mas em Espírito e em Verdade (Jo 4.23-24). Deus, em Cristo, redimiu toda a terra que Adão maculou. Aguardemos então a verdadeira Jerusalém, santa e imaculada, no qual Jesus é o Senhor e que foi revelada a João, o apóstolo amado. Lá:

- Deus estará presente, habitando no meio do Seu povo (Ap 21.3).

- Não haverá morte, nem sofrimento, nem dor (Ap 21.4).

- Teremos acesso direto a fonte da vida (Ap 21.6).

- Não será preciso santuário, pois a glória do SENHOR iluminará todo o local (Ap 21. 22-24).

- Não terá nada contaminado pelo pecado (Ap 21.27).

- Nesse lugar, o fruto da árvore da vida, negado a Adão e Eva, enfim nos será dado (Ap 22. 2).

- A maldição será totalmente abolida do meio do povo remido (Ap 22.3).

Maranata! Ora, vem Senhor Jesus! (Ap 22.20)

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Fonte: Bereianos
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0 Como evangelizar seus colegas de trabalho?



Por Ashok Nachnani


Conforme cresce a oposição cultural ao cristianismo, qual é o efeito disso no evangelismo que você faz no trabalho? Você está mais fiel ou mais temeroso?

Você dificilmente poderia ser culpado por estar mais temeroso. O rápido avanço do liberalismo social e das políticas de recursos humanos promovendo “tolerância” no local de trabalho apenas exacerbam os dois medos que comumente citamos para o não compartilhamento do evangelho com nossos colegas de trabalho: medo de má reputação e medo de repercussões na carreira, como perda de emprego ou estagnação da carreira.

O evangelismo sempre foi difícil. Se existe qualquer coisa nova a respeito dos nossos desafios de hoje é quão fortalecida a oposição parece estar. Não cristãos costumavam dizer “cada um na sua”. Agora eles estão mais propensos a nos acusar de estupidez (“Sério, você não acredita na evolução?”) ou de fanatismo intolerante (“Como você ousa dizer que homossexualismo é um pecado?”). Empregadores cada vez mais pesquisam nas mídias sociais sobre a vida dos candidatos ou empregados antes de tomarem decisões de contratação ou promoção. Há quanto tempo empresas que temem assédio moral e discriminação no ambiente de trabalho trocam o cristão mais visível por alguém menos notável?

Apesar de tudo isso, eu sou muito grato pelos irmãos que temeram mais a Deus do que ao homem e compartilharam o evangelho comigo. Minha própria fé é fruto do evangelismo no local de trabalho.

Perdido e achado no local de trabalho

Doze anos trás, eu era um pesquisador em uma firma de consultoria de médio porte em Washington, DC. Eu era um hindu autoconfiante, autossuficiente e profissionalmente próspero. Você não diria que eu era espiritualmente inseguro. Francamente, eu não sabia que eu era espiritualmente inseguro. Eu realmente não era um cara que estava me esforçando para buscar Cristo.

Entra meu colega cristão, Hunter. Bem conhecido e querido no escritório, Hunter era um vendedor de alto desempenho com uma gama de interesses. Alguém me disse: “Ele é cristão, sabia?” Nenhum de nós sabia por certo o que isso significava, mas ambos acreditávamos que isso era relevante o suficiente para acrescentarmos um tendencioso “Hum...”.

Eu sabia que Hunter não se encaixava no molde de um cristão que eu tinha construído mentalmente. Cristãos eram “legaizinhos”, antiquados, hipócritas, monótonos. Hunter não era assim. Então comecei a observá-lo.

Nós nos tornamos amigos. Nós passávamos tempo juntos e conversávamos sobre diversos tópicos: Os Simpsons, O Senhor dos Anéis, Cristo, Krishna, café, trabalho. Enquanto o Senhor usava o Hunter para me buscar, eu nunca me senti como um projeto, mas sim um amigo. Como só Deus é capaz de fazer, ele providenciou que Hunter estivesse comigo no mesmo momento em que ele orquestrava uma crise espiritual na minha vida. E ele deu a Hunter a sabedoria e a ousadia para falar a verdade à minha vida quando eu mais precisava.

Comportamentos de um evangelista no local de trabalho

Embora ele mesmo fosse jovem na fé na época, há muito no exemplo de Hunter que qualquer crente pode aplicar no contexto do ambiente de trabalho.

1. Lance Cristo sobre a mesa

Primeiro, lance Cristo sobre a mesa. Visto que pode ser raro conhecer cristãos no local de trabalho, é essencial que as pessoas no seu escritório saibam que você é um seguidor de Cristo. Assim, você pode se disponibilizar para crentes mais fracos e ser um exemplo para incrédulos. Foi um colega não cristão que me disse sobre a fé de Hunter. Obviamente nós não devemos fazer isso de forma ofensiva ou irresponsável, mas falar sobre o fim de semana, descrever um estudo bíblico do qual participa ou compartilhar como você ora pelos outros fará com que as pessoas logo saibam que você é cristão.

2. Trabalhe com excelência

Segundo, trabalhe com excelência. Quando você lança Cristo sobre a mesa, espere ser estudado pelos seus colegas assim como eu estudei o Hunter. Trabalhe de uma maneira que reflita a criatividade, o propósito e a bondade de Deus. Demonstre fidelidade e integridade. Trabalhe “sem murmurações nem contendas” (Fp 2.14). Submeta-se àqueles em autoridade e sirva humildemente.

Isso, em si mesmo, não é evangelismo, mas o conteúdo das nossas vidas no trabalho deve reforçar, não enfraquecer, o conteúdo da mensagem do evangelho que compartilhamos.


3. Ame os seus colegas

Terceiro, ame os seus colegas. Invista em amizades com não cristãos no seu local de trabalho, não de forma superficial como “projetos”, mas amando-os como tendo sido feitos à imagem de Deus. Não subestime a importância da confiança. Considere que foi um ano e meio depois de Hunter e eu termos nos conhecido que nós estudamos a Bíblia juntos e Deus me deu ouvidos para o evangelho.

Use o seu horário de almoço estrategicamente. Quando possível, faça uso generoso da hospitalidade, onde você possa compartilhar a sua vida com um colega longe do escritório e das brincadeiras e conversinhas de escritório.

4. Prepare-se para evangelizar

Quarto, prepare-se para evangelizar. Por mais bobo que isso possa parecer, certifique-se de que você sabe facilmente explicar o evangelho. Pratique se for preciso.

Quando o Senhor fornece uma oportunidade, você não quer a sua voz interna gritando com você por não ser claro — você quer a sua mente livre para ouvir o seu colega e o que ele está lutando para entender. Afinal, é o evangelho que salva, não a nossa perspicácia e profundo conhecimento de apologética. Eu louvo a Deus pela clareza, ousadia e confiança no poder do evangelho que Hunter possuía.

5. Ore

Quinto, ore. Ore pelos seus colegas regularmente. Ore por boas oportunidades de compartilhar o evangelho. Ore para que você cresça em ousadia. Ore para que Deus seja grande e o homem seja pequeno — todos nós somos culpados de misturar os dois.

E convide irmãos e irmãs da sua igreja para orar também. Hunter mais tarde me disse que seu grupo de estudo bíblico de homens estava orando por mim desde o momento em que eu perguntei a ele a respeito da fé cristã que ele tinha.

Um chamado à fidelidade

Conforme os locais de trabalho ficam cada vez mais hostis para o cristianismo, essas práticas básicas se tornam cada vez mais essenciais. O Senhor tem sido bom em responder minhas muitas orações por boas oportunidades e por palavras para falar. Ser conhecido como cristão, viver a minha fé profissionalmente e de forma interpessoal, e amar os meus colegas como portadores da imagem de Deus me deram oportunidades de falar abertamente sobre a minha fé. E, em sua maravilhosa graça, Deus escolheu me usar para trazer um colega à fé.

Nós devemos esperar que o Senhor responda as nossas orações e nos conceda oportunidades de falar de Cristo, então ore por ousadia. E esteja disposto a gastar seu “capital relacional”. Deus colocou você onde está por um propósito.


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Fonte: 9Marks
Tradução: Alan Cristie
Via: Ministério Fiel

0 A cosmovisão cristã, a cosmovisão ateísta e a lógica

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Por Matt Slick


Pode uma ateísta apresentar uma razão lógica de como sua cosmovisão pode dar satisfações para as abstratas leis da lógica? Eu penso que não. Mas, a cosmovisão Cristã pode. A cosmovisão cristã declara que Deus é o autor da verdade, lógica, leis físicas etc. Ateístas mantêm que leis físicas são propriedades da matéria, e que a verdade e lógica são convenções relativas (princípios consentidos). Isto é logicamente defensável? Apresento este esboço na esperança de esclarecer o assunto e apresentar, o que eu considero, um problema insuperável da cosmovisão ateísta. Eu hesito declarar que isto seja uma prova que Deus existe, mas eu creio isto seja uma evidência da absoluta natureza de Deus. Este argumento é adaptado do Argumento Transcendental defendido por Greg Bahnsen.

Como os cristãos descrevem as Leis da Lógica?

A cosmovisão cristã declara que Deus é absoluto e o padrão da verdade.

Então, as leis absolutas da lógica existem porque refletem a natureza absoluta de Deus. 

Deus não criou as leis da lógica. Elas não foram trazidas à existência, desde que elas refletem os pensamentos de Deus. Desde que Deus é eterno, as leis da lógica também são. [1]

O Homem, ser criado à imagem de Deus, é capaz de descobrir essas leis da lógica. Ele não as inventou.

Então, o Cristão pode declarar a existência das leis da lógica por reconhecer sua origem em Deus e que o Homem é único capaz de descobri-las.

Apesar disso, o Ateísta pode dizer que esta resposta é simplista e conveniente. Pode ser, porém, pelo menos a cosmovisão cristã pode explicar a existência da lógica e si mesma.

Exemplos da Leis da Lógicas

Lei da Identidade – algo é o que é. As coisas que existem tem uma natureza definida.
Lei da Não Contradição – algo não pode ser e não ser ao mesmo tempo, na mesma forma e no mesmo sentido.
Lei do Terceiro Excluído – uma proposição ou é verdadeira ou falsa. Assim, a declaração “uma proposição ou é verdadeira ou falsa” é verdadeira ou falsa.

Como o Ateísta descreve as Leis da Lógica.

Se o Ateísta declara que as leis da lógica são convenções (mutuamente combinada sob conclusão), então as leis da lógica não são absolutas porque elas são sujeitas ao “voto”.

As leis da Lógica não são dependentes das mentes de pessoas diferentes, desde que pessoas são diferentes. Então, elas não podem ser baseadas no pensamento do homem, pois os pensamentos dos homens são frequentemente contraditórios.

Se o Ateísta declara que as leis da lógica são derivadas por observar princípios naturais encontrados na natureza, então ele está confundindo a mente com o universo.

Nós descobrimos leis da física por observar e analisar o comportamento das coisas em nosso redor. As leis da lógicas não são resultados de comportamento observável dos objetos ou ações.

Por exemplo, na natureza não se ver nada que seja e não-seja ao mesmo tempo.

Por que? Porque nós só podemos observar fenômenos que existem, não um que não existe. Se algo não é, então não existe. Como pode, então, as características de algo não existente serem observadas? Elas não podem.

Então, nós não descobrimos a lei da lógica pela observação, mas pelo pensamento.

Ou, onde na natureza nós observamos que alguma não pode trazer em si mesma à existência se ela não já existe?

Você não pode fazer observações sobre como alguma coisa que não ocorre se ela não existe. Você não deveria, principalmente, observar coisa alguma, e, como pode qualquer lei da lógica ser aplicada ou derivada, nada observando?

As leis da lógica são realidades conceituais. Elas apenas existem na mente e elas não descrevem o comportamento físico das coisas porque comportamento é ação, e leis da lógica não são descrições de ação, mas de verdade.

Em outras palavras, leis da lógica não são ações. Elas não são declarações sobre conceituais de pensamentos padrão. Embora alguém pudesse dizer que a lei da física (i.e, o anglo da reflexão é igual ao anglo da incidência) é uma declaração que seja conceitual, isto é uma declaração que descreve um ato físico e comportamento observável. Mas, lógica absoluta não é observável e não descreve comportamento ou ação das coisas, desde que ela reside completamente na mente.

Nós não observamos as leis da lógica ocorrerem na matéria. Você não observa um objeto trazendo à existência se ele não existe. Então, nenhuma lei da lógica pode ser observável por não vê-las.

Se o Ateísta apela para o método cientifico para explicar as leis da lógica, então ele está usando uma argumentação circular porque o método científico é dependente da lógica; ou seja, raciocinou pensando aplicar a observação.

Se a lógica não é absoluta, então nenhum argumento lógico para ou contra a existência de Deus pode ser levantado, e o Ateísta não tem nada a fazer com isso.

Se a lógica não é absoluta, então a lógica não pode ser usada para provar ou negar o que quer que seja.

Ateístas usarão a lógica para negar a existência de Deus, mas fazendo isto eles estão assumindo o absoluto das leis absolutas e emprestando da Cosmovisão Cristã.

A cosmovisão cristã mantém que as leis da lógica são absolutas porque elas vêm de Deus, que é absoluto em si mesmo.

Mas a cosmovisão ateísta não tem um Deus absoluto.

Então, perguntamos, “como pode leis absolutas, conceituais, abstratas serem derivadas de um universo de matéria, energia e movimento?”

Em outras palavras, “como pode um ateísta com uma pressuposição naturalista explicar a existência da lógica absoluta quando lógica absoluta é conceitual por natureza e não física, energia ou ação?”

Conclusão

A cosmovisão teísta cristã pode explicar as leis da lógica por afirmar que elas foram criadas por Deus.

Deus é transcendente; quer dizer, Ele está além do universo material, sendo seu criador.

Deus deu origem às leis da Lógica porque elas refletem sua natureza.

As leis da lógica são absolutas.

Elas são absolutas porque existe um Deus absoluto.

A cosmovisão ateísta não pode explicar as leis da lógica/absolutas, e deve pegar emprestado da cosmovisão cristã a fim de argumentar racionalmente.

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Nota:
[1] Há, entre os Apologetas e Filósofos Reformados, divergências quanto a esta questão. Alguns, de fato, acreditam que as Leis da Lógica são criadas por Deus(p.e. Herman Dooyeweerd). Aguarde a tradução do artigo do Richard Pratt “Does God Observe the Law of Contradiction? . . . Should We?” (Third Millenium Ministries). Também é preciso afirmar que há, entre os estudiosos da lógica, divergência acerca da Lei da Não-Contradição. Como demonstra Pratt, a visão de Aristóteles tem sido desafiada por inúmeros pensadores modernos como Frege, Ayers, Russell, Einstein, Whitehead, Heisenberg, Lukasiewicz, Zadeh e Kosko. Veja o post anterior.(Nota do tradutor)

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Tradução: Rev. Gaspar de Souza
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