Refutando a luterana abortista com 11 argumentos

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No dia 06/08 a pastora Lusmarina Campos, representando o Instituto de Estudos da Religião (ISER) do Rio de Janeiro, defendeu a descriminalização do aborto no Brasil na Audiência pública do STF. Impregnada de teologia liberal, ela distorceu totalmente o ensino bíblico a fim de validar sua posição favorável ao aborto. Alisto abaixo 11 argumentos em refutação ao seu discurso.

1. Ela disse que “os principais argumentos levantados contra a descriminalização do aborto são religiosos”. De fato, para um cristão verdadeiro, o principal argumento contrário ao aborto é que a vida é sagrada, porque não pertence a nós, mas a Deus. Porém, é falacioso dizer que os melhores argumentos são religiosos, como se fosse uma discussão restrita a este campo. É conhecido e divulgado que juristas, biólogos, médicos e cientistas em geral se opõem ao aborto por questões humanitárias, de defesa da vida e dos direitos do nascituro.

Refutando a “pastora” do aborto

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Neste vídeo o Pr. Yago Martins refuta os argumentos utilizados pela "Pastora" Lusmarina Campos, da Igreja de Confissão Luterana, utilizados na audiência pública do Supremo Tribunal Federal, sobre a questão da descriminalização do aborto, onde ela defendeu que a Bíblia não condena o aborto. Assista: 


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Autor: Pr. Yago Martins
Fonte: Dois Dedos de Teologia
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Batismo e Circuncisão: uma breve apologia ao pedobatismo

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Tendo estabelecido os elementos da circuncisão, e seu propósito de inclusão na aliança, temos que ver como isso é transmitido para o Novo Testamento. Está pressuposta a essa aula o princípio hermenêutico de que a Aliança é a religião da Bíblia. O que temos é a alteração de administração, i. e., de formas de se observar os mesmos elementos. Talvez o argumento mais rápido para se observar isso seja o da própria expressão lucana ‘Nova Aliança’, usando o termo καινὴ¹ que não significa ‘novo’ de inédito, mas algo que não está usado, fresco… e coisas do tipo. Jesus estava dizendo, pois, que tínhamos uma renovação da aliança, e que uma nova etapa administrativa seria iniciada. Tal como nas ocasiões anteriores, isso não significava a supressão dos elementos anteriores, mas algumas coisas poderiam mudar.

Já foi visto que a Páscoa é substituída pela Santa Ceia. O Batismo é, por sua vez, substituto da Circuncisão². Para entender muito bem a isso, temos que tentar entender a instituição desses dois rituais com a perspectiva dos crentes da época, i.e., temos que adotar uma perspectiva exegética.

Um crente, então, acreditava que Deus havia instituído dois Sacramentos. Um memorial tinha sido estabelecido e deveria ser constantemente celebrado. Agora, novamente, um memorial estava sendo estabelecido. Era preciso que eles lembrassem o evento que inaugura a ‘nova’ aliança. Jesus, então, no próprio dia da Páscoa estabelece a Santa Ceia. Qualquer judeu ali entenderia que o novo memorial estava estabelecido. Sem esse recurso dedutivo não há como proibir ou mesmo não observar normativamente a Páscoa. Ela teria valor obrigatório para nós.

O raciocínio para o batismo é muito semelhante. Os crentes estão entendendo que o sinal para a inclusão de um indivíduo ao povo de Deus era a circuncisão. Agora, após alguém se unir ao povo de Deus deveriam ser batizados. O recado foi captado - ou deveria ser. Mais tarde, o Novo Testamento condenará explicitamente a circuncisão como ato de abandono da Nova Aliança³. O batismo é até mesmo chamado de ‘Circuncisão de Cristo’⁴! Paulo também diz que nós, os cristãos, somos a Circuncisão.⁵

Estabelecido esse ponto inaugural, é hora de observarmos quem são os indivíduos que deveriam ser circuncidados. A Páscoa exigia, como memorial, que toda a família celebrasse o memorial. A criança, é claro, comia sem uma compreensão adequada do que era o memorial, mas em breve seria instruída e comeria com fé. Igualmente, na circuncisão a criança não cria, mas logo deveria confirmar a fé dos pais. E o batismo? Não teria a mesma característica?

Pois bem, assim seria entendido pelo judeu que se convertesse. Tal como ele circuncidava seus filhos, batizaria os mesmos, naturalmente. “A referida exclusão [da criança ao rito neotestamentário] por certo exigiria uma declaração muito explícita a respeito”⁶. Todavia, há algumas objeções normalmente levantadas por nossos irmãos batistas para negar esse raciocínio⁷. Pretendemos analisá-las. 

1) Primeiro, alguns observam que o Novo Testamento apresenta o batismo como algo a ser recebido com fé, de modo que alguém que não entende não poderá ser batizado. Nós, porém, respondemos que a fé apresentada como condição para o batismo diz respeito a convertidos não nascidos na aliança, i. e., nascidos fora da Igreja. O mesmo acontecia no Antigo Testamento. De fato, é o próprio Paulo que nota ser a circuncisão um sinal que funcionava como sinal da justiça da fé entregue para Abraão quando ele ainda não havia se convertido⁸. Precisamos notar com cautela o que está sendo afirmado aqui. Abraão, quando creu, foi justificado pela fé.

Então recebe o sinal da circuncisão, firmando a aliança. Ele é, pois, circuncidado quando adulto, quando se converteu. A partir daí, a situação natural seria que os filhos não mais fossem circuncidados quando grandes. Mas e se alguém viesse a crer quando mais velho? Ele não era circuncidado novamente. Valia a circuncisão já recebida, funcionando novamente como ‘sinal da justiça da fé’. Confirmava-se, pois, a circuncisão.

2) Mas não é forçado pensar numa noção de confirmação da fé? A circuncisão exigia tal confirmação? Em Deuteronômio 10:16⁹, Jeremias 4:4¹⁰ e Ezequiel 44:7 é dito que os judeus deveriam circuncidar seus corações. O ensino de Paulo é justamente esse, i. e., que os judeus que se arrogavam mestres da lei e circuncisos só poderiam gozar de algum louvor se fossem circuncidados de coração. Essa é a circuncisão que vale a pena¹¹. Mas essa circuncisão de coração, que era a de valor, só poderia ser exercida pela fé, quando alguém cresse. Não obstante, não implicava em proibição da circuncisão enquanto não houvesse fé.

3) Mas não vemos nenhum exemplo [explícito]¹² de batismos infantis no Novo Testamento. Como, pois, sustentar que esse tipo de prática é lícita? Na verdade, embora isso seja respondido de uma forma simples, não é tão facilmente notado. Entretanto, faça esse simples exercício exegético: observa que não há qualquer narração a respeito da continuidade da vida comunitária cristã no único livro narrativo após os Evangelho: Atos. Temos, ali, o registro das viagens missionárias. Seria de se esperar que encontrássemos pessoas batizando seus filhos onde as pessoas nem mesmo eram crentes? Não, evidentemente. Como Hodge diz: 

A Igreja expandiu-se grande rapidez, mas suas adesões vinham de fora; adultos convertidos dentre os judeus e gentios que, ao se tornarem cristãos, traziam consigo, naturalmente, seus filhos para o rebanho de Cristo. Portanto, durante esse período, pouco se ouviu do batismo de crianças.¹³

Berkhof dá explicação muito semelhante:“Mas não há necessidade de ninguém se surpreender com o fato de não haver menção direta do batismo de crianças, pois num período missionário como o da era apostólica, naturalmente a ênfase recai sobre o batismo de adultos”¹⁴.

E a questão é tão pueril que, como coloca Berkhof, atesta contra os próprios batistas, i. e., não lemos em qualquer lugar uma menção ao batismo de filhos de crentes quando se tornam mais velhos, adultos. Ou seja, a prática batista encontra igualmente nenhuma referência:

A ausência de referências definidas ao batismo de crianças tem explicação, ao menos em boa medida, no fato de que a Escritura nos dá um registro histórico da obra missionária dos apóstolos, e não da obra empreendida nas igrejas organizadas. Aí também o feitiço vira contra o feiticeiro, quanto aos batistas. Poderão mostrar eles algum exemplo de batismo de um adulto nascido e criado num lar cristão? Não há risco nenhum de que algum dia o façam.¹⁵

4) Mas não há qualquer registro de que os crentes deveriam confirmar sua fé quando amadurecessem. Isso não deveria estar na instrução de alguma das epístolas? Não pelo simples fato de que essa já era a prática corrente. Não é dito que deveriam evitar a adoração por meio de imagens, mas essa já era a prática vigente e certamente a adoração pública demonstraria os ensinos implícitos.

5) Não há ordem para que crianças sejam batizadas. Antes, se diz que a condição para o batismo é a fé. Como explicar textos como Marcos 16:15-16? Aqui é dito, claramente, que apenas quem cresse deveria ser batizado.

Primeiro, é preciso observar que não há lugar algum dizendo que as crianças não deveriam ser batizadas. Nenhuma ressalva do tipo: ‘batizem, mas não as crianças’.

Por isso, Hodge coloca: 

O ‘onus probandi’ repousa sobre aqueles que assumem a negativa sobre este tema. Se os filhos devem ser privados de um direito nato do qual têm desfrutado desde quando houve Igreja sobre a terra, é preciso haver algum mandamento positivo para sua exclusão, ou alguma mudança claramente revelada nas condições de membresia que façam tal exclusão necessário. Quase nem é preciso dizer que Cristo não deu nenhum mandamento de não se considerar mais as crianças dos crentes como membros da Igreja…¹⁶

Em segundo lugar, é preciso observar as condições em que tal orientação está inserida, a saber, num contexto evangelístico. ‘Preguem o Evangelho’ é dito antes.

Além disso, ele seria pregado não na igreja, nesse arranjo, mas fora, e no mundo todo. O contexto é evidentemente missionário. E, sendo assim, permanece a situação descrita no ponto 3, i. e., aquela perspectiva missionária que certamente apontaria para convertidos fora da aliança. Esses só seriam batizados, evidentemente, depois de crer.

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Notas:
[1] Lucas 22:20. É o mesmo termo usado em 1 Coríntios 11:25. Apesar do uso de νέας em Hebreus 12:24, o argumento na sequência permanece o mesmo. Afinal, se algo é renovado, podemos chamá-lo de novo, mas não o contrário.
[2] O artigo foi feito como material para uma aula dada no curso de Teologia ministrado nas EBDs da Igreja Presbiteriana Confessional. Nesta etapa do curso já foi ensinada a transição da Páscoa para a Santa Ceia. Quem precisar compreender melhor esse ponto deve buscá-lo em outras fontes. Sugerimos as próprias Teologias Sistemáticas reformadas, como a de L. Berkhof, Charles Hodge, Françoi Turretini e etc.
[3] Um dos episódios mais claros é o da controvérsia em Jerusalém, em Atos 15. Ali Paulo e Barnabé confrontavam claramente os farizeus que haviam crido exigiam que os irmão observassem a circuncisão para serem salvos (cf. 1-5). Curiosamente, não houve controvérsia em relação à Páscoa, e não ouvimos qualquer relato de que alguém a tenha observado.
[4] Colossenses 2:11-12, que diz: ‘Nele [em Cristo], também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados, juntamente com ele no batismo…” Fomos circuncidados por Cristo, não por intermédio de mãos, mas no ato de despojar-se do corpo da carne. Isso foi feito tendo havido o batismo. Portanto, no batismo somos circuncidados por Cristo.
[5] Filipenses 3:3.
[6] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática, 3 ed., 2007, p. 585.
[7] Isso quando são aliancistas, como Charles Haddon Spurgeon ou Franklin Ferreira, para ficarmos nos nomes mais célebres. Os que advogam a Teologia da Nova Aliança, por exemplo, ou os dispensacionalistas, argumenta contrariamente a tal noção justamente fazendo uma cisão, uma ruptura mais abrupta entre as alianças.
[8] Romanos 4:11.
[9] Vale a pena ler a partir do verso 12. A instrução é clara: deveriam temer a Deus, obedecer seus mandamentos e circuncidar o coração.
[10] cf. 9:25-26.
[11] Romanos 2:25-29.
[12] Alguns admitem a possibilidade do batismo da casa de Lídia (Atos 16:15), e da do carcereiro (Atos 16:32-33 incluírem crianças. Todavia, vociferam que isso é especulativo, e que não há menção 
explícita a crianças. Se não se deve admitir batismo a elas, então se houvesse crianças, foram  omitidas.
[13] HODGE, Charles. Teologia Sistemática, p. 1432.
[14] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática, p. 586.
[15] Ibid, p. 588, itálico nosso.
[16] HODGE, Charles. Teologia Sistemática, p. 1431.

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Autor: Lucio Antônio de Oliveira
Divulgação: Bereianos
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Porque não falamos em línguas

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A resposta? Simplesmente esta: Nós não falamos em línguas porque não é bíblico assim fazer.

“Mas, no Novo Testamento as pessoas não falavam em línguas? Isto não faz dela uma prática bíblica?”

Não. Algumas coisas na Bíblia pertencem a pessoas e tempos especiais; não a nós. Jesus ressuscitou dos mortos e os apóstolos manejaram miraculosamente serpentes mortais sem dano algum; mas nós não podemos fazer estas coisas hoje.

O Que as Línguas Eram

A palavra línguas, na Bíblia, significa idiomas. Falar em outras línguas (note o plural; a Escritura não está falando de algum idioma celestial) é a capacidade de pregar em idiomas estrangeiros sem ter estudado ou aprendido os mesmos (At 2:8-11). Os dons miraculosos do Espírito Santo capacitaram os apóstolos, em seus dias, a ensinarem pessoas de muitas nações. Você pode ver, então, como Paulo claramente disse, que as línguas tinham um propósito evangelístico: “as línguas são um sinal, não para aqueles que creem, mas para os incrédulos” (1 Co 14:22).

Porque isto é verdade, um idioma não deve ser usado numa congregação que fala outro idioma. Aparte da interpretação, o falar em línguas estrangeiras não edifica. E o propósito principal de Paulo nestes capítulos é enfatizar que todas as coisas devem ser feitas para edificar (ou fortalecer) os outros – 1 Co 14:26b. Usá-las na igreja era inadequado e inconveniente, visto que elas deviam ser interpretadas.

Porque as Línguas Cessaram

Deus nunca intentou que o falar em línguas continuasse indefinidamente. Paulo expressamente escreveu: “as línguas cessarão” (1 Co 13:8). O esforço evangelístico que estabeleceu a igreja primitiva em todo o mundo Mediterrâneo, foi realizado sob a liderança dos apóstolos. Os ofícios apostólicos e proféticos eram revelacionais (Ef 3:5). Isto é o mesmo que dizer que, durante o período no qual o Novo Testamento estava sendo escrito, ambos recebiam a verdade diretamente de Deus. Os apóstolos foram enviados com o evangelho, enquanto os profetas pareciam ter sido assistentes apostólicos. A revelação que eles receberam foi registrada nos livros que chamamos o Novo Testamento.

Não somente os dons miraculosos capacitaram os apóstolos a pregarem em muitos idiomas que eles não conheciam, mas estes dons também atestaram sua comissão apostólica (2 Co 12:12), assim como os feitos miraculosos atestaram a obra evangelística de Jesus (At 2:2). Além do mais, pelos dons extraordinários, Deus confirmou os escritos dos apóstolos (Hb 2:2-4). Quando a escrita das Escrituras se completou, sua autoria não necessitava de confirmação adicional.

Foi somente durante o lançamento dos fundamentos da igreja que os dons miraculosos eram necessários. Os ofícios de apóstolo e profeta, sobre quem Deus depositou estes dons, cessaram quando este fundamento foi lançado. Isto é claro a partir de Ef 2:20. Um fundamento é lançado somente no princípio; ele não se estende até às paredes ou ao texto!

Quando Paulo disse que os dons especiais eram “os sinais de um verdadeiro apóstolo” (2 Co 12:12), ele certamente implicou que nem todos os cristãos os possuem. Era somente os apóstolos, e aqueles a quem eles transmitiram (At 19:6,7; Rm 1:11), que possuíram estes dons.

Suponha que eu dissesse “Nossa igreja se reúne numa casa, no bloco 200, da Avenida Central – você não pode deixar de encontrar; simplesmente olhe para o sinal”. Mas, quando você chega, cada casa parece semelhante e todas têm sinais similares! Este sinal seria inútil; ele não mais seria um sinal. Se após o Pentecostes judeu e o Pentecostes gentio (At 2:10), quando o Espírito Santo veio diretamente, os dons eram mediados somente pelos apóstolos (At 8:17,18; 19:6,7), então, eles deveriam ser deveras um sinal dos verdadeiros apóstolos (2 Co 12:12). Mas somente assim. Se alguém pudesse, de si mesmo, obter dons de Deus, aparte dos apóstolos, então, as línguas seriam um sinal para ajudar a identificar um verdadeiro apóstolo, tanto quanto os sinais na Avenida Central.

Não, os sinais e maravilhas pertenceram ao período fundacional da igreja – um período, presumidamente, que aqueles que ensinam outra coisa parecem não reconhecer (embora o próprio Paulo faça alusão a isso em Ef 2:20). Eles não têm mais lugar na igreja hoje do que a continuação da escrita da Bíblia. Você pode assumir, portanto, que não importa quão bem-intencionadas as pessoas que reivindicam o dom de línguas possam ser, elas têm enganado a si mesmas sobre o assunto. Não importa a sinceridade delas ou o “balbuciar celestial” que elas possam parecer falar.

Não busque, ore ou espere dons miraculosos hoje. Não há garantia para assim o fazer. Foque sua atenção, ao invés disso, nas Escrituras e n'Aquele de Quem elas falam. Nele (Jesus Cristo) somente, está o majestoso poder de Deus, depositado e demonstrado.

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Autor: Jay E. Adams
Fonte: Monergismo
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
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Subscrição Confessional

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Uma afirmação credal ou confessional é uma afirmação daquilo que um indivíduo ou uma denominação confessa ser sua crença. Que afirmações credais são bíblicas é visto nas fiéis palavras que o apóstolo cita nas Epístolas Pastorais. Por exemplo: “Fiel é a palavra e digna de toda aceitação: que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1Timóteo 1.15). A PCA [Presbyterian Church of America], logo quando surgiu, declarou-se comprometida com a Confissão e os Catecismos de Westminster, como sustentados pelas igrejas presbiterianas americanas desde 1789.

A ideia de subscrição é a do compromisso formal de si mesmo com aquilo que subscreve. O segundo voto de ordenação da PCA é um voto no qual o ordenando afirma a sua fé. Envolve a sua subscrição à Confissão e aos Catecismos de Westminster como a sua confissão de fé. Ele diz:

Você recebe e adota, sinceramente, a Confissão de Fé e os Catecismos dessa Igreja, como contendo o sistema de doutrina ensinado nas Sagradas Escrituras; e você promete também que, se em qualquer época você se encontrar em desacordo com qualquer dos fundamentos desse sistema de doutrina, por sua própria iniciativa fará conhecida ao seu presbitério a mudança ocorrida em suas opiniões, a partir do momento em que você assume este voto de ordenação? (BCO 21-5, 24-5) 

Antes de prosseguir, seria bom definir como entendemos os termos subscrição “estrita” e “ampla” significam. Em primeiro lugar, as duas palavras “estrita” e “ampla” não são os melhores termos pata descrever as duas visões em jogo no “debate sobre subscrição”. Essa terminologia remonta ao século XIX. De certa forma, os dois termos são caricaturas das posições que levam esses nomes. Em vez de “subscrição estrita”, a melhor descrição é “subscrição integral”. Podemos substituir a expressão “subscrição ampla” por “subscrição do sistema de teologia”, que será abreviada como “subscrição do sistema” ao longo deste texto.

Subscrição estrita ou integral leva em conta a pergunta citada acima: “Você recebe e adota, sinceramente, a Confissão de Fé e os Catecismos dessa Igreja, como contendo o sistema de doutrina ensinado nas Sagradas Escrituras...”. Ela sustenta que o ordenando está subscrevendo nada mais nada menos que a inteireza da Confissão e dos Catecismos como contendo o sistema de doutrina ensinado nas Escrituras. Não significa dizer que aquele que subscreve integralmente uma confissão não reconhece que alguns ensinamentos da Confissão e dos catecismos são mais fundamentais que outros, mas, sim, que ele acredita que ao professar que a Confissão e os Catecismos da sua igreja são a sua confissão, ele está subscrevendo todas as doutrinas na Confissão e nos Catecismos. Todas elas são parte do sistema de doutrina, embora, admitidamente, algumas sejam mais essenciais que outras. Note que subscrição integral não exige subscrição em termos de adotar cada palavra da Confissão e dos Catecismos, mas, sim, em termos de cada doutrina ou ensinamento da Confissão e dos Catecismos.

Subscrição ampla – ou do sistema –, por outro lado, sustenta que subscrevemos
um sistema de doutrina que não é definido especificamente, mas que está contido na Confissão e nos Catecismos da igreja. A subscrição do sistema sustenta a adoção de todas as doutrinas fundamentais e essenciais do sistema. Outras expressões das confissões e catecismos, que são julgadas como não essenciais ao sistema de doutrina são uma questão de indiferença, quer o ordenando as adote ou não. 

Envolvido em ambas as visões está o conceito de “doutrina”. Essencialmente, a palavra significa um ensinamento. Quando alguém que subscreve uma confissão de maneira integral insiste no fato de que a nossa subscrição inclui todas as doutrinas  nos Padrões Confessionais, ele não está insistindo em cada afirmação a respeito de cada uma daquelas doutrinas, mas, em vez disso, que cada uma das áreas do ensinamento tratado pelos Padrões está incluída em sua subscrição. Por outro lado, aquele que subscreve o sistema afirma que apenas as doutrinas que compõem o sistema são ordenadas na subscrição. Aquelas proposições ou expressões, e mesmo aquelas doutrinas que não são uma parte do sistema, não estão incluídas. A definição do que está incluído no sistema é algo que deve ser determinado pelos tribunais da igreja, na medida em que a ocasião surge.

Vamos ilustrar os tipos de diferenças que surgem. Aquele que subscreve uma confissão integralmente acredita que está comprometido todas as posições doutrinárias elencadas na Confissão e nos Catecismos. Ele está assim comprometido com a visão de casamento e divórcio ensinada na Confissão. Se um membro da sua igreja deseja casar com um católico romano, contra quem a Confissão fala de modo bem específico, aquele que subscreve integralmente a Confissão não sente que tem liberdade para realizar tal casamento. Em vez disso, deve advertir o seu paroquiano contra o mesmo. Aquele que subscreve o sistema de doutrina pode entender que parte do capítulo sobre casamento não faz parte do sistema, e pode sentir que possui perfeita liberdade para realizar tal casamento.

Um número de outras ilustrações poderia ser apresentado, tais como: visões a respeito do Sabbath, da condução dos serviços de culto, etc. Quem subscreve a Confissão de maneira integral defende o Sabbath como está expresso nos catecismos, enquanto quem subscreve o sistema pode sentir que tem liberdade para fazer um número de coisas proibidas pelos Catecismos. Tal é o caso com o Princípio Regulador do Culto. O subscritor integral enxerga isso como a posição da Igreja Presbiteriana, e não quer cruzes ou imagens de Cristo, no lugar do culto. Ele também deseja ser capaz de apontar diretamente, a partir da Escritura, tudo aquilo que é feito no serviço de culto.

O subscritor do sistema pode achar que o uso de cruzes, ou mesmo de imagens de Cristo, é permitido. Ele julga essa parte do Catecismo como uma a respeito da qual uma exceção pode ser tomada, uma vez que ele pode sentir que o sistema de doutrina bíblico não a exige. Quando observamos como as nossas visões da subscrição se aplicam à nossa prática pública, vemos o porquê de existir tanta tensão entre os dois grupos.

A pergunta que deve ser respondida é como as exceções devem ser tratadas. Vamos agora tentar estabelecer as implicações de cada um desses pontos de vista.

Primeiro, pode-se afirmar que nenhuma exceção deve ser permitida. Quando alguém subscreve a Confissão de uma igreja, ele adota aquela confissão como a sua própria, e não ensinará ou praticará o que é contrário a essa confissão. Ele decide, com a ajuda de Deus, que procurará ser verdadeiro à essa Fé tanto em seu ensino como em sua vida. Essa é a posição que o subscritor integral prefere. Entretanto, ela não é a única posição compatível com a posição da subscrição integral.

Do primeiro Ato de Adoção da Igreja Presbiteriana Americana (1729), foi feita provisão para homens afirmarem os seus escrúpulos diante do presbitério que os examinava. Então, o presbitério tinha o dever de determinar se o ponto de exceção era de natureza tal que excluía o candidato do ministério presbiteriano ou não. A pergunta acerca do que essa aprovação permitia permanecia para aqueles aprovados para ordenação com exceções. Era permitido que ele ensinasse essa visão, contrária aos Padrões da Igreja, ou era exigido que ele ensinasse a posição da Igreja?

O subscritor integral defende que a aprovação da exceção não é um acordo para
o indivíduo ensinar contra as doutrinas da Igreja. Se o candidato deseja ser um ministro presbiteriano, de boa vontade, ele deve se submeter aos irmãos, e ensinar apenas o que a Igreja adotou como sua posição. Se ele não pode fazer isso com boa consciência, então, ele deve buscar uma comunhão onde ele não esteja debaixo de tal restrição. Samuel Miller (1769-1850) escreveu a respeito dessa questão:

Definindo, então, como um primeiro princípio de honestidade, bem como da verdade cristã, essa subscrição dos Artigos de Fé é uma transação de peso, que realmente significa o que ela professa significar; que nenhum homem tem a liberdade de subscrever artigos nos quais não acredita verdadeira e plenamente; e que, ao subscrever, ele se coloca debaixo de um compromisso solene e pactual com a igreja em que entra, para andar com ela ‘em unidade de fé’, e ‘no vínculo da paz e do amor’. Se ele não pode fazer isso de maneira honesta, não permita que ele professe isso de maneira alguma.¹

O ordenando que toma exceções a um ensinamento particular da Confissão ou dos Catecismos, pode ser ordenado pelo presbitério, se este achar que a exceção não afeta o sistema básico de doutrina contido nos Padrões. Ele não está autorizado a ensinar de modo contrário aos Padrões. Ele deve ensinar a visão dos Padrões, a fim de não perturbar a Igreja por ensinar contrários aos padrões dela. Se não puder se submeter aos irmãos, ele deve buscar outra comunhão, onde ele tenha maior liberdade.

A Confissão e os Catecismos da Igreja são seu credo, não algum indefinido sistema de doutrina – nem mesmo um indefinido sistema reformado de doutrina.

Teólogos liberais na principal Igreja Presbiteriana no início do século XX, todos os quais eram subscritores amplos, afirmavam sustentar o sistema de doutrina, mas não a Confissão e os Catecismos em si. Por não definirem o sistema, eles eram capazes de afirmar isso, e não serem disciplinados quando ensinavam algo contrário à Confissão ou aos Catecismos. Se permitirmos que homens tomem exceções à Confissão e aos Catecismos e, então, permitirmos que ensinem essas exceções, a Igreja se tornará cada vez menos unificada em sua posição doutrinária. E se tornará cada vez mais difícil disciplinar aqueles que ensinam o erro. Em seu credo, a Igreja declara o que ela crê ser a interpretação correta de várias doutrinas contidas ali. Essa é a visão que a Igreja espera que o seu ministro ensine e defenda. Se um homem deseja ser um ministro numa denominação confessional, de boa vontade ele deve submeter o seu ensino e práticas pessoais à Igreja, mesmo que ele sinta que a Igreja não está correta naquele ponto em particular. Se ele não puder fazer isso, então, ele deve procurar outra comunhão.

Os escritores da Confissão e dos catecismos foram bastante sábios ao não estabelecerem todas as possíveis questões teológicas a respeito das quais a Bíblia não é explícita. Por exemplo, os Padrões não estabelecem as questões em torno do supra ou infralapsarianismo, ou da natureza da imputação do pecado de Adão, ou do milenialismo. Felizmente, os teólogos de Westminster deixaram essas questões para a consciência individual, e não estamos vinculados a uma visão em particular sobre essas por ocasião da nossa subscrição aos Padrões.

O espírito da nossa subscrição é aquele de submissão aos nossos irmãos, e muito mais aquele de submissão à Palavra de Deus. Historicamente, esse tem sido o espírito expresso nas confissões reformadas e presbiterianas. A Confissão Escocesa de 1560 declara em seu prefácio:

Se qualquer homem notar em nossa Confissão qualquer capítulo ou sentença contrária à Santa Palavra de Deus, ele deve, por gentileza e por amor da caridade cristã, informar-nos por escrito; e nós, por nossa honra, prometemos que pela graça de Deus daremos satisfação a partir da boca de Deus, isto é, pela Sagrada Escritura, ou então, alteraremos o que ele provar estar errado.

Para encerrar, cabe a nós aprender as lições da história, e procurar resolver esse problema que tem causado não pouca perturbação da “paz e da unidade” da Igreja Presbiteriana Americana.

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Nota:
[1] Samuel Miller. The Utility and Importance of Creeds and Confessions: addressed particularly to candidates for the ministry. (Greenville, SC: 1987), 102.

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Autor: Morton H. Smith
Fonte: Morton H. Smith. “Confessional Subscription”. In: Zachary Groff (Ed.). Equipping Preachers, Pastors, & Churchmen: Selected Articles by the Faculty of Greenville Presbyterian Theological Seminary. Taylors, SC: Presbyterian Press, 2017. pp. 77-82.
Tradução: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima 
Via: Seminário JMC
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Reformado & Pentecostal?

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James K. A. Smith tem uma interessante postagem na Christianity Today:
Teaching a Calvinist to Dance.[1] Neste texto ele diz que anseia por um “tipo de espiritualidade reformada ‘pentecostalizada’”. Ele continua a vincular a sua busca com a de Edwards. Isso pode surpreender alguns leitores, mas Smith está, pelo menos parcialmente, correto. Ele está exatamente certo em vincular o seu desejo por uma experiência imediata do Cristo ressuscitado e por fenômenos extraordinários como em Edwards. Esse é o pequeno segredo sujo da história moderna da teologia, da piedade e da prática reformada. Nós não podemos incluir Edwards e D. Martyn Lloyd-Jones inequivocamente como "um de nós" e dizer a Jamie Smith que ele não pode ter a mesma piedade que eles tiveram ou procuraram.

Em segundo lugar, o texto de Jamie ilustra o estado da definição das palavras “calvinista” e “reformado”. Jamie menciona algumas figuras reformadas modernas (Bavinck e Kuyper), mas ele não menciona (se bem me lembro) pessoas como Calvino e DeBres. Os nossos teólogos mais antigos, que escreveram nossas confissões, confrontaram o tipo de espiritualidade que Jamie defende e procura, e eles a rejeitaram. Não é bem conhecido agora, mas os anabatistas do século XVI eram proto-pentecostais. De fato, todo ano no curso da Reforma Medieval, quando descrevo a teologia, a piedade e a prática dos anabatistas, muitos estudantes observam que isso se parece muito com a piedade na qual eles foram criados.

Guido DeBres, principal autor da Confissão Belga (1561), uma das confissões reformadas adotadas pelas igrejas reformadas, como parte das “Três Formas de Unidade” (incluindo o Catecismo de Heidelberg e os Cânones de Dordt) escreveu um tratado contra os Anabatistas, em que ele se empenhou exatamente nas questões colocadas pelo pentecostalismo moderno: a tentativa de replicar os fenômenos apostólicos, línguas, curas, etc. Ele enfrentou a Thomas Muntzer, que acusou os protestantes de estarem "mortos", e repudiou a piedade de Munzter em favor de uma piedade da Palavra e dos sacramentos. Para DeBres a espiritualidade reformada é antitética ao que hoje é chamado de pentecostalismo.

O ponto é que, desde o início, os reformados sempre estiveram cientes de que uma piedade da Palavra e dos sacramentos não seria satisfatória para todos, mas essa é a nossa piedade. Nós entendemos que a era canônica passou. Não vivemos na história da redenção. Os apóstolos estão mortos. O Espírito não está dando a ninguém o poder de ressuscitar os mortos ou de matar os vivos. Não estamos falando em línguas estrangeiras de nativos pelo poder do Espírito e não estamos recebendo revelações canônicas ou extra-canônicas.

Buscar essas coisas é buscar o que Lutero chamou de “uma teologia da glória” e é antitético à piedade reformada. Eu percebo que isso nos faz parecer "ortodoxos mortos" para os reavivalistas e restauracionistas, mas eu posso viver com isso. Eu passei muito tempo questionando a “voz pequena e imóvel” e vivendo com a decepção de que eu parecia ser o único a não receber a revelação contínua - até que percebi que meus amigos pentecostais simplesmente redescreveriam todas as coisas comuns que acontecem em categorias extraordinárias, apostólicas e sobrenaturais. Quando fiz a exegese bíblica, percebi que muito do que os pentecostais buscam nem sequer é bíblico. “Línguas de anjos” não tem nada a ver com idiomas falados por anjos e pentecostais. É apenas uma hipérbole paulina para enfatizar um ponto moral.

Terceiro, não há dúvida de que Deus poderia fazer o tipo de coisas que Jamie (e a tradição predestinacionista reavivalista) quer. A questão é se Deus prometeu fazê-lo ou, se devemos esperar por isso. Aqui vou para Dt 29.29. Eu vou para a teologia da cruz de Lutero. Eu vou para a “piedade comum” das Três Formas de Unidade e dos Padrões de Westminster. Nós vemos milagres regularmente. Deus opera soberanamente através do evangelho pregado (1Co 1-2) para tornar vivos os pecadores mortos, para dar-lhes fé, para uni-los a Cristo. A cada Sabbath ele confirma essa fé e fortalece essa união através do uso dos santos sacramentos. Isso é mistério. Esse é o poder do Espírito. Não, eu não falei a língua Swahili no culto,[3] mas eu ouvi o Evangelho e Deus o Espírito pairou sobre a congregação (1 Pe 4) e os anjos estavam presentes (1 Co 11). Isso é o suficiente para mim.

Tudo isso é para dizer que eu entendo o que Jamie quer, mas que ele está errado. Você não pode colocar João Calvino no mesmo saco que Thomas Muntzer, Hans Hut, Denck ou a irmã Aimee, Cane Ridge ou qualquer um dos outros restauracionistas e continuistas. Porque essas coisas são mutuamente exclusivas. Existe uma piedade reformada. Ela não carece de ser aumentada ou corrigida. Precisa ser experimentada.

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Notas:
[1] https://heidelblog.net/2013/10/reformed-and-pentecostal/
[2] https://www.christianitytoday.com/ct/2008/may/25.42.html 
[3] A Swahili, Suaíli, Suaíle ou Kiswahili) é a língua banto com o maior de número de falantes. É uma das línguas oficiais do Quénia, da Tanzânia e de Uganda, embora os seus falantes nativos, os povos suaílis, sejam originários apenas das regiões costeiras do Oceano Índico.

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Autor: R. Scott Clark
Fonte: The Heidelblog - Recovering The Reformed Confession
Tradução: Ewerton B. Tokashiki
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Sobre a agressão que um grupo cristão sofreu na UFF por parte dos militantes progressistas

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Como alguns sabem participo de grupos cristãos em universidades públicas e buscamos trazer a estes espaços aulas de apologética para os jovens e palestras sobre temas variados segundo a cosmovisão cristã.

É de conhecimento que hoje o ambiente universitário é dominado por ideologias progressistas que são essencialmente contra o cristianismo, então sabendo que a universidade é justamente o local de pluralidade de ideias, buscamos marcar presença em tais locais para expormos nossa forma de pensar.

Semana passada a Sara Winter foi convidada pelo MCU (Movimento Cristão Universitário) sob o aval de um professor a palestrar sobre o feminismo e o papel da mulher segundo a cosmovisão cristã. Fomos impedidos de estar no local acordado uma vez que os militantes fizeram barricadas na entrada do prédio e, armados com barras de ferro e máscaras, nos ameaçavam. Fomos para outro local sendo seguidos pelos militantes que percebendo que a palestra ocorreria, nos atacaram quando adentramos no prédio. Eles destruíram a fachada para entrar e nos agredir, mas conseguimos impedi-los de entrar. Não havia escolha uma vez que estávamos em dez homens e precisávamos proteger nossas mulheres contra 250~300 agressores. (veja aqui)

Ficamos presos no prédio por aproximadamente 8 horas esperando a Polícia Federal chegar e nos escoltar para fora da universidade.

Hoje me deparo com uma matéria no jornal O Globo assinada por dois professores da UFF alegando que "grupos de extrema direita" (claramente acusando o Movimento Cristão Universitário) querem invadir o espaço público em favor de proselitismos religioso.

Quero esclarecer que nossa missão nunca foi o proselitismo, uma vez que a ninguém tentamos converter ou chamar para um igreja. O Movimento Cristão Universitário não é confessional, não defende uma igreja específica, sendo composto de membros católicos e reformados, nem estávamos ali "pregando". Ora, palestrar sobre um tema comum e fundamentar os argumentos segundo nossa cosmovisão não pode ser classificado, necessariamente, como proselitismo. E aqui fica claro a deslealdade intelectual do texto publicado.

E o argumento da matéria de um espaço laico não pode ser usado. Laico se refere que nenhuma religião sobrepujará a outra ou terá preferência, garantindo espaço para todas. Em momento algum um espaço laico será um espaço ateu, ou um espaço apenas contra o cristianismo, e é justamente isso que temos visto. Uma necessidade ideológica de banir o cristianismo (e seu pensamento) de todo debate público. O que é um contrassenso uma vez que as universidades como as conhecemos são uma criação cristã, e o pensamento cientifico nunca esteve contra o pensamento teísta. Basta vermos quantos "pais" de determinadas áreas eram teístas e cristãos, e em contra partida as "sociedades ateístas" nunca foram o berço de nenhuma descoberta científica significativa. E além disso posso citar alguns benefícios sociais que são oriundos da moral judaico-cristã como direitos humanos, tão alardeados pelos progressistas, são fruto do cristianismo do qual eles se apropriaram.

Um valor moral vale por si, não pela fonte a qual ele veio a se fundamentar, o que inclui até mesmo um religioso. Se um cristão busca uma lei de ajuda aos necessitados porque compreende ser essa a vontades Deus, tal lei é tão válida quanto se fosse proposta por um indivíduo ateu que se baseia unicamente numa visão humanista/naturalista. Por isso o debate público pertence também ao cristão e pedir para que ele deixe sua fé de lado é impossível, uma vez que a concepção religiosa faz parte do indivíduo, sendo impossível sua desassociação. Seria o mesmo que retirar desse indivíduo parte de sua essência em favor de um preconceito contra sua fé e seus valores.

Então o que foi feito na UFF por parte dos militantes de esquerda contra nosso grupo representa justamente o cercear da livre expressão que a todos contempla, e com o agravo de ser por meio de agressões físicas. Uma sociedade em que apenas uma ideologia possui direito de se expressar é, nada além, de uma ditadura de opinião.

E rotular nosso posicionamento como fascista e discurso de ódio é justamente uma forma de desqualificar o argumento proposto por, antes, desqualificar o argumentador. Nada além de falácias usadas contra os cristãos.

Buscamos essencialmente que os espaços públicos sejam um local de debate de ideias sem agressões contra quem for, e as ideias devem ser debatidas e refutadas intelectualmente, nunca fisicamente.

Que o Senhor abençoe a nossa nação.

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Autor: Felippe Chaves
Divulgação: Bereianos

Veja também: A intolerância e o ódio da esquerda nas universidades. Texto do Pr. Franklin Ferreira sobre o fato ocorrido.
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O Calvinismo Torna Deus o Autor do Mal/Pecado?

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A Confissão de Fé de Westminster nega explicitamente que Deus é "o autor ou aprova o pecado", contudo, ela também afirma explicitamente que Deus predestina todos os eventos, incluindo atos humanos pecaminosos. Segundo a doutrina da providência calvinista, tudo o que existe ou acontece está decretado por Deus. Nada acontece ou existe à parte da ordem de Deus de que isso aconteça ou exista.

Dado essa compreensão acerca da soberania de Deus, os críticos objetam dizendo que o calvinismo torna Deus o autor do mal. A questão não é se Deus é todo-bondoso e todo-poderoso, como pode haver mal no mundo. Mas como pode Deus causar pelo seu decreto tudo o que acontece e não ser culpado pelas ações malignas de suas criaturas? A ação de Deus, dessa maneira, estaria sendo contaminada pelo pecado. Porém, isso é uma conclusão teologicamente inaceitável, e, portanto, o calvinismo é falso.

Uma resposta proeminente a este tipo de objeção que os calvinistas têm oferecido é o que eu irei chamar de Modelo de Autoria. A estratégia basilar é entender o que se quer dizer por “causa”. Quando Deus decreta algo, ele causa a ocorrência deste algo. Entretanto, o modo de causar de Deus é único e diferente do modo de causar de suas criaturas.

À luz da distinção Criador-criatura em que há dois níveis de realidade completamente diferentes, o do Criador e da criatura, devemos reconhecer que a causalidade divina é de uma ordem totalmente diferente da causalidade das criaturas.

A causalidade de Deus não é como se fosse um tipo de efeito dominó. Em que Deus cria o organiza um sistema complexo de dominós e inicia seu plano providencial com um peteleco. Conforme demonstrado na imagem a seguir. Esse modelo dominó da providência falha em refletir a realidade de que a causalidade divina opera em um nível fundamentalmente diferente da causalidade intramundana.


Um modelo muito mais adequado seria o que poderíamos chamar de Modelo de Autoria da Providência. Nesta maneira de pensar, os atos de criação e providência de Deus são análogos à criação humana de um romance. No nível fundamental, o autor determina tudo o que ocorre em seu romance. Ele cria o mundo, circunstâncias e personagens com determinadas personalidades e papéis no enredo geral. Alguns dos personagens podem cometer ações moralmente condenáveis, até perversas - ações que o próprio autor desaprova, mas que são necessárias para o objetivo da história e seu resultado. O Modelo de Autoria pode ser representado na imagem a seguir.


O modelo de autoria ensina que Deus é o autor de toda a história, incluindo das ações malignas de suas criaturas. Porém, ele é autor em um sentido moralmente inofensivo. Pois o autor desaprova e não prática atos malignos. A verdadeira questão é se o calvinismo implica que Deus é "o autor do pecado" em qualquer sentido moralmente condenável.


A partir das nossas distinções, podemos dizer que as criaturas, no sentido intramundano, causam o mal, mas Deus nunca, no sentido intramundano, causa o mal. Deus, no entanto, no sentido autoral, causa as criaturas que, no sentido intramundano, são causadoras do mal.

Mesmo que seja errado no sentido intramundano causar o mal ou causar outras pessoas causarem o mal, tal princípio não se aplica à causalidade divina. A causalidade divina é sui generis. Ela opera em um nível diferente da causalidade intramundana. Ela é única em vários aspectos. A causalidade divina cria coisas do nada, sustenta e destrói as coisas da existência. Além de serem atemporais e não-espaciais. Propriedades que a causalidade intramundana não exibe. Até que algum argumento seja dado contra isso, o calvinista está justificado a acreditar que a culpabilidade moral é mais um ponto de diferença entre causalidade intramundana e divina. Em que Deus, mesmo causando tudo o que acontece, a sua causalidade é de tal tipo que não o torna culpado num sentido moralmente condenável pelas ações malignas de suas criaturas.

Confira neste vídeo uma explicação mais abrangente:


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Autor:Gabriel Reis
Divulgação: Bereianos
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Objeções à doutrina da eleição soberana de Deus

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Esta edição de Sound of Grace lida com alguns dos argumentos usados por aqueles que discordam com a visão histórica de que a Bíblia fala sobre “eleição”. Uma das objeções mais comuns é algo parecido com isso:

“Eu concordo de coração que Deus ‘escolhe algumas pessoas para serem salvas’. Entretanto, Sua escolha é baseada inteiramente em Sua presciência. Como Deus vê o futuro e ‘prevê’ todas as coisas que acontecerão, Ele claramente pré-conhece aqueles que desejarão aceitar Jesus quando a oportunidade for apresentada. Deus, com base nessa ‘presciência’ (conhecimento prévio), escolhe aqueles que Ele ‘prevê’ que aceitarão a Cristo por seu próprio livre-arbítrio”.

Não é necessário pensar muito para ver que esta ideia nega completamente que Deus, no sentido que for, soberanamente escolhe homens para salvação. De forma simples, uma visão como esta, na verdade, diz o seguinte:

Sete marcas de um ministério do púlpito puritano

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Os membros da Assembleia em sua reforma do ministério da pregação na Inglaterra, concordaram com um rígido delineamento do que seria o perfil dos pregadores e a natureza da pregação. Este estudo final resume sete pontos de uma visão puritana dominante acerca do púlpito como articulado pela Assembleia de Westminster e seus membros.

1. Os embaixadores de Deus: pregadores ordenados

A primeira marca do púlpito puritano é que ele seja ocupado por um homem, ordenado para o Ministério do Evangelho, pela Igreja de Cristo. George Gillespie (1613-1648) teve a ordenação em mente quando recordou uma importante questão feita pelo apóstolo Paulo: “como eles pregarão, a menos que sejam enviados”? Com isso, ele inferiu que os pregadores recebem um chamado especial e um ofício especial. Nem toda ovelha é um pastor. Nem todo cidadão é um embaixador.

Gillespie estava respondendo aos contemporâneos que achavam que não havia “um chamado sagrado, nem a separação solene dos homens para o ministério”, uma visão que ele achava impraticável e não bíblica. Ele retrata o caos se todos fossem pregadores, e ele retorna à palavra do apóstolo Paulo: alguns são separados; apenas eles são “enviados”. Esse é o núcleo da doutrina da ordenação.

2. Pregadores treinados

Os ministros precisavam ser ordenados e igualmente serem treinados. John Lightfoot (1602-1675) argumentou que o estudo era necessário para que alguém fosse um pregador, pois ele foi necessário até mesmo para os apóstolos. Eles se comprometeram a “ouvir, estudar, conferir e meditar”, e estavam com o próprio Cristo por um ano inteiro, antes de serem enviados para pregar.

Alguns “criticam aprender e estudar”. Mas Thomas Goodwin (1600-1680) observa que se exigiu de Timóteo que estudasse. Goodwin argumenta que a pregação extemporânea apenas, sem estudo, é realmente contrária à Escritura. Ele também comenta (perceptivamente) que aqueles que argumentam contra o estudo ainda dependem muito do que ouviram e discutiram. Ninguém entra no púlpito como uma lousa em branco.

Mas isso não significava que a sua erudição sempre fosse exibida no púlpito. Em um longo debate na Assembleia de Westminster, alguns homens argumentaram contra citar autores ou usar frases estrangeiras no púlpito. John Arrowsmith (1602-1659) era daqueles que discordava. Exibições de aprendizagem seriam permitidas e ele não resistiria em citar Agostinho (em latim) para mostrar que esta não é uma nova opinião na igreja.

3. Pregadores piedosos

Os pregadores precisavam ser ordenados e treinados, mas também precisavam ser “piedosos”, uma palavra que resume muito do que se diz sobre os presbíteros em 1 Timóteo e Tito. Na verdade, à Assembleia de Westminster foi dada a responsabilidade de identificar os ministros envolvidos em escândalos para que fossem removidos dos púlpitos, e substituídos por ministros instruídos e piedosos.

Inicialmente, o Parlamento exigiu que a Assembleia examinasse os candidatos acerca da sua instrução e piedade. Na primavera de 1646, o parlamento mudou de opinião sobre o critério da piedade e exigiu que a Assembleia examinasse os pregadores somente se eram instruídos.

A Assembleia suspendeu a mudança da redação imediatamente e resolveu não aprovar novos ministros até que o problema fosse resolvido. Depois de alguns dias de deliberação, eles enviaram apenas o Dr. Peter Smith (1586-1653) para uma comissão do Parlamento para pressionar o caso da Assembleia. A Assembleia escolheu seu homem com sabedoria, pois ganhou a sua causa e retomaram a questionar os pregadores sobre a doutrina e a vida deles. A Palavra de Deus não deixa espaço para se comprometer a piedade.

4. A Palavra de Deus

A quarta característica de um ministério do púlpito puritano é frequentemente encontrada nas exortações aos ouvintes dos sermões, e não apenas aos pregadores. Os ministros precisavam ser ordenados, instruídos e piedosos, porque (citando Gillespie novamente) os ouvintes deveriam “receber a palavra da boca dos ministros, como Palavra de Deus”. De acordo com William Gouge (1575-1653), esta é a mensagem de Hebreus 13, que diz: “Lembrai-vos dos que dominam sobre vós, que vos falaram a Palavra de Deus”. Poderia “adequadamente o som da voz de um homem, naquilo que os verdadeiros ministros de Deus pregam, no exercício de seu ofício ministerial, é a Palavra de Deus”.

Jeremiah Burroughs pontuou vinculando à Isaías 66 – “e que tema a minha Palavra” – para promover um pouco de reverência entre seus ouvintes. Um homem, ou mulher, temente à Deus, diz ele, não vem “ouvir a Palavra do modo comum, simplesmente para passar o tempo, ou ouvir o que um homem pode lhe dizer”. Pelo contrário, a Palavra, “lida ou pregada”, é recebida “com reverência”. Ele examina a pregação, mas “não se sofisma contra ela”.

Burroughs apresenta o rei Eglom de Moabe como um exemplo a ser seguido pelos santos, é claro, que não em seus caminhos “pagãos”, nem em sua morte intempestiva e nojenta, mas como alguém que se levantou para receber Ehud como embaixador com “uma mensagem de Deus”. Burroughs então empurra a faca um pouco mais fundo, perguntando a seus ouvintes se seus “corações”... inundam contra a “pregação”, perguntando o que eles realmente pensam sobre a pregação e denunciando a ironia daqueles que pensam que escaparam do mundo, mas ainda mostram o pior orgulho de se rebelar contra a Palavra de Deus.

Essa discussão de irreverência e orgulho é a premissa básica, óbvia para Burroughs, de que a pregação fiel da Palavra de Deus é a Palavra de Deus. Porque a pregação é a Palavra de Deus, a irreverência e o orgulho são escandalosos.

5. Os meios de graça externos e ordinários: a pregação

Se a pregação da Palavra de Deus é a Palavra de Deus, então, qual é o seu lugar na vida e no culto cristão? Não surpreendente que os teólogos respondam que a pregação é o meio comum da graça para os cristãos, que é o meu quinto ponto. Anthony Burgess (falecido em 1664) afirma que o ministério fiel da Palavra é “o caminho certo e comum para a conversão dos homens de seus caminhos perversos”.

Ele afirma isso mais vigorosamente em sua exposição de 1 Co 3: “O ministério é o único caminho comum que Deus designou, quer para o começo ou o auge da graça”. Afinal, “fé é recebida pelo que se ouve”, e em seu próprio texto informa aos corintos que Paulo e Apolo eram os “ministros por meio de quem eles creram”.

Em 1649, William Greenhill (1597/8-1671) dedicou um prefácio a uma parte de seu comentário de Ezequiel para a defesa da primazia da pregação, pois “onde a Palavra de Deus não é exposta, pregada e aplicada” o povo “perece”.

Mas esse é sempre o caso? E se as pessoas não se beneficiarem dos sermões? Alexander Henderson (c. 1583-1646) admitiu em um sermão: “Conheço muitos de vocês que disseram, quando saíram da pregação... que suas almas não foram nada melhoradas por ela”. As pessoas eram, talvez, um pouco mais francas naqueles dias! Uma questão que muitos puritanos perguntariam aos pregadores quando surgisse o problema: eles estavam pregando à Cristo?

6. Pregação centrada no Cristo

Quando ele leu sobre a prática de Ezequiel de proclamar tudo o que o Senhor lhe mostrou, Greenhill teve pouca dificuldade em ver um imperativo aos ministros: eles devem somente pregar e pregar tudo o que eles aprendem na escola de Cristo.

Ecoando sentimentos semelhantes, Obadiah Sedgwick (1599/1600-1658) afirma que o sermão é “um trabalho inútil se expor qualquer coisa, se não for a Cristo”. Os ministros devem “fixar a convicção de pregarem a Cristo”. Novamente, “seus esforços na pregação, resultarão em pouco, talvez em nada, se não for Cristo, ou algo em referência a Cristo, no qual você insiste laboriosamente na pregação”.

Goodwin afirma que os pregadores “acrescentariam mais beleza aos seus próprios pés” se pregassem mais o evangelho e menos “verdades de momentos insignificantes”. Esses sentimentos são tão comuns nos escritos dos teólogos que eu considero a pregação centrada em Cristo como a sexta das sete marcas de um ministério do púlpito puritano.

Como Arrowsmith escreve, os verdadeiros ministros “confirmaram Cristo em seu ministério; eles se contentam em ficar na multidão e levantar Cristo sobre os ombros; conteúdo, não para ser visto, para que Cristo seja exaltado”.

7. “A obra do Espírito”

A última, mas não menos distinta marca de um ministério do púlpito puritano, é a dependência do Espírito Santo. Argumenta-se que a pregação dos puritanos estava sempre pronta para admitir que a pregação não parecia ser um meio sensato de avançar o evangelho. Mesmo no século XVII, a pregação era “muito desprezível e indesejável para a razão humana”.

Mas o chamado “problema” com a pregação é em si a resposta. Deus escolheu deliberadamente um meio humilde que ampliaria a sua própria grandeza e a obra do Espírito Santo. Burgess retoma a figura de 1 Coríntios 3, onde Paulo lembra aos leitores que o pregador pode semear e regar, mas Deus é quem dá o aumento. Como na administração dos sacramentos, a pregação não é automaticamente efetiva. A Palavra, seja visível ou audível, precisa ser recebida pela fé que é dada pelo Espírito. E assim, embora os pregadores sejam descritos como cooperadores da obra de Deus, Burgess nos lembra que mesmo um ministro sendo fiel, pode não ter sucesso porque “o sucesso é a obra de Deus, e não o dever dos ministros”.

Samuel Rutherford (1600-1661) diz o mesmo, e aplica essa verdade muito mais a pregação. Ele nos lembra que o benefício de tudo o que fazemos depende da “obra do Espírito”. E, assim como, às vezes, refletimos sobre nossos pecados e falhas como pregadores, lembremo-nos do poder do Espírito Santo e da graça de Deus através de Jesus Cristo – não apenas pelo bem de nossos ouvintes, mas também por nós mesmos.

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Autor: Chad Van Dixhoorn
Fonte: Reformation 21 | Este artigo é um extrato e adaptação do livro de Chad Van Dixhoorn, God’s Ambassadors: The Westminster Assembly and the reform of the English pulpit, 1643-1653. Nele são encontradas notas de rodapé, referências e discussões mais completas sobre este assunto.
Tradução: Rev. Ewerton B. Tokashiki
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