Falsos Mestres, um “Câncer” Dentro da Igreja

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Zelo espiritual é uma qualidade indispensável ao verdadeiro pregador da Palavra de Deus. No entanto, esse mesmo zelo tem sido usado por falsos mestres moralistas e farisaicos com fins espúrios. É por isso que os falsos líderes são tão amados e admirados. Eles exercem suas funções eclesiásticas levantando a bandeira do zelo pelas coisas sagradas, quando na verdade, são lobos vorazes em pele de cordeiros. 

Sábado e o Pentecostes

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Uma coisa que muitas vezes nos escapa na narrativa de Atos sobre o derramamento do Espírito Santo é que isso aconteceu em um domingo. Pentecostes era um sábado celebrado em uma santa convocação no primeiro dia da Semana. Lembrando que o termo Shabbath, traduzido muitas vezes por sábado, significa descanso. Em Lv 23.15-22 encontramos a instituição da festa das semanas ou pentecostes (cf. Dt 16.9-12). Os judeus precisariam contar sete sábados (sétimo dia) após a páscoa, totalizando 49 dias, e contar o dia seguinte, necessariamente um domingo, para celebrar o sábado (descanso) de pentecostes. Em Atos 2 nós encontramos a igreja reunida no dia de pentecostes, 49 dias após a páscoa de Jesus Cristo, portanto sete vezes sete, mais um dia, assim, sete semanas após a ressureição de Cristo! Isso não parece ser aleatório, mas aponta para a completitude da obra da Redenção.


A igreja estava reunida no domingo, sete semanas após a ressureição, mantendo a tradição das aparições do próprio Cristo ressurreto (Jo 20.1;19; 26). E neste domingo, Jesus aparece mais uma vez para derramar o Espírito Santo cumprindo a profecia de Joel 2.28-32. Essa profecia anuncia o grande dia do Senhor (ἡμέραν κυρίου), que é anunciado pelo derramar do Espírito Santo no dia do Senhor (κυριακῇ ἡμέρα), o domingo. Portanto, nesta narrativa nós temos o domingo, dia do Senhor, como o completar da obra de Redenção e capacitação de Cristo, e também o anúncio da vinda de Cristo no grande Dia do Senhor, quando ele virá julgar o mundo e buscar sua noiva para o Eterno Sábado (descanso) que ele tem preparado para a igreja.

Adoremos ao Senhor neste santo dia que ele separou de forma tão maravilhosa e descansemos, como ele descansou, para aguardar aquele grande dia que descansaremos num eterno Shabbath. Maranata!

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Autor: Rev. Ronaldo Vasconcelos
Fonte: Perfil do autor no Facebook
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Sobre a “ADO 26 - Criminalização da Homofobia”

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Neste vídeo os advogados Thiago Vieira e Jean Regina, especializados em Direito Religioso, discorrem sobre a equivocada decisão do STF em relação a criminalização da homofobia (ADO 26). Tal conclusão da mais alta corte coloca em risco os direitos e garantias constitucionais fundamentais da grande maioria dos brasileiros os quais professam a fé cristã, bem como todos aqueles que se posicionarem discordando das práticas homossexuais e até mesmo as pesquisas acadêmicas que contestem a homossexualidade de alguma forma. Assista!

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Notas:
1 - Leia, na íntegra, a decisão do STF - ADO26, aqui!
2 - Pesquisa que refuta os dados do Grupo Gay da Bahia em relação aos assassinatos de gays no Brasil, veja aqui!
3 - Sobre o processo que visa restringir a liberdade de pesquisa acadêmica, veja aqui!

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Autores: Thiago Vieira e Jean Regina
Fonte: Direito Religioso
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Encontrando a Cristo nos Dez Mandamentos: Não terás outros deuses

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Nota do editor: Nesta série refletiremos nos Dez Mandamentos à luz da obra de Cristo Jesus.

A tarefa de encontrar a Cristo em cada texto bíblico é um requisito inevitável para uma pregação fiel ao mandato bíblico, mas é uma tarefa muito complexa. Há formas legítimas e ilegítimas de conectar um texto com Cristo.

Este é o primeiro de uma série de artigos que apresentam formas legítimas de conectar cada um dos Dez Mandamentos com Jesus Cristo. O método expositivo se enfoca primariamente em apresentar o significado original de cada mandamento e logo ver como a Bíblia mesma continua desenvolvendo o propósito do dito mandamento através da história redentora de Deus em Cristo. Este é o que em termos técnicos é chamado de teologia bíblica.

Um mandato à devoção exclusiva de Yahveh

"Não terás outros deuses diante de mim." (Ex 20:1-3)

O primeiro mandamento exige uma adoração exclusiva ao único Deus verdadeiro. Este mandamento busca criar uma unidade inquebrantável entre Deus e Seu povo. Deus não quer compartilhar a adoração que corresponde somente a Ele com outros deuses. Tal como dito em Isaías: "A minha glória, pois, não darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura." (Is 42:8). Deus está aproximando-se de Seu povo através destes mandamentos e nos chama a um amor marcado por lealdade: Não terás deuses estranhos diante de mim.

A devoção exclusiva se faz mais específica em Cristo

Como, então, podemos chegar a ligar este primeiro mandamento com a pessoa e obra de Jesus Cristo? A chave está em sustentar este tema bíblico (a exclusividade na adoração) e persegui-lo em seu desenvolvimento orgânico na revelação bíblica até chegar ao Novo Testamento.

Antes de Cristo, a obediência a este mandamento para Israel significou abster-se de toda lealdade, devoção ou confiança em deuses estranhos a Yahveh. Mas com a chegada do Messias, Deus foi revelado mais claramente como o Deus Trino e Cristo como verdadeiro homem e verdadeiro Deus, digno de toda a adoração.

Pensemos seriamente nisto. Desde o princípio os discípulos de Jesus Cristo o adoraram de forma explícita. Por exemplo, Pedro (Mt 16:16; 1Pe 3:15), Tomé (Jo 20:28), João (1Jo 5:20), Paulo (Fp 2:6-11) e muito mais (Mt 2:11). Como bons judeus, os discípulos de Jesus sabiam que esta adoração constituiria uma transgressão clara do primeiro mandamento, tal como os fariseus expressaram: "Não é por obra boa que te apedrejamos, e sim por causa da blasfêmia, pois sendo tu homem, te fazes a Deus a ti mesmo." (Jo 10:33).

Mas claramente tanto Jesus como os discípulos estavam convencidos de que adorar ao Filho de Deus não violava o primeiro mandamento e mais, eles estavam convencidos de que as mesmas Escrituras os guiavam à adoração do Messias. Os fariseus que se apegavam a uma visão de Deus que excluía a adoração a Cristo foram confrontados diretamente. Jesus lhes disse: "Não me conheceis a mim nem a meu Pai; se conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai." (Jo 8:19).

Com o progresso da revelação bíblica "Não terás deuses estranhos diante de mim" chegou a significar mais especificamente que só podemos adorar a Deus através de Cristo: "Ninguém vem ao Pai senão por mim." (Jo 14:6).

Um mandato à devoção exclusiva de Cristo

Em conclusão, o Novo Testamento claramente ensina que a devoção exclusiva de Deus (o primeiro mandamento) é expressada de maneira final em uma devoção exclusiva a Jesus Cristo, Deus Filho feito Homem.

De fato, qualquer que não adora exclusivamente a Cristo não está adorando a Deus "Todo aquele que nega o Filho, esse não tem o Pai; aquele que confessa o Filho tem igualmente o Pai." (1Jo 2:23). Se adoramos a Cristo, adoramos a esse Deus que nos ordenou uma devoção exclusiva e que nos comprou com Seu sangue para sermos seus por toda a eternidade (At 20:28).

A consumação do plano redentor de Deus culmina em uma canção de adoração em que toda a criação adora ao Cordeiro de Deus que foi imolado, a dizer, Jesus (Ap 5:9-13). Neste dia final se obedecerá perfeitamente ao primeiro mandamento e tal obediência será cristocêntrica, portanto, sejamos no dia de hoje zelosos na adoração exclusiva de Deus em Cristo e afastemo-nos dos ídolos.

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Sobre o autor: Luis David Marín é pastor da Iglesia Bautista Highview em espanhol. Ele está felizmente casado com Emma. Obteve uma Licenciatura em Estudos Bíblicos no Seminário Bíblico Río Grande e está terminando um Mestrado em Divindades no Seminario Teológico Bautista del Sur. Anteriormente se desempenhou como plantador de igrejas com a Convencion Bautista del Sur e também serviu vários anos em ministérios universitários.
Tradução: Rafael Corrêa
Divulgação: Bereianos
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O problema teológico com a tal justiça social de Tim Keller

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A Igreja começou a abraçar amplamente a chamada justiça social, e muito disso é graças ao livro de Tim Keller, Generous Justice: How God’s Grace Makes Us Just.[1]

Certamente há muitas coisas boas no livro de Keller – a maior delas é o seu chamado para que a Igreja busque a justiça. No entanto, acho que Keller comete alguns erros graves quando se trata de identificar o que é a justiça, e como se deve buscá-la. Isso é mais óbvio em sua discussão sobre os aspectos econômicos da justiça social (às vezes chamada de “justiça econômica”).

Deus no tempo

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No Natal, nós celebramos algo maravilhoso: Deus adentrando em nosso tempo e espaço. O eterno torna-se temporal; o infinito, finito; a Palavra que criou todas as coisas tornou-se carne.

Encarnação 

Oh, quão misterioso é tudo isto! Aquele que sabe todas as coisas (João 16:30, 21:17) “cresceu em sabedoria” (Lucas 2:52). O Autossuficiente teve fome e sede (Mt. 4:2, João 19:28).  O Criador de tudo não tinha casa (Mt. 8:20). O Senhor da vida padeceu e morreu. Deus encarnado foi desamparado por Deus Pai (Mt. 27:46).

Deixando “R.I.P.” descansar em paz

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Eu tenho grande admiração pelos não cristãos que contribuíram para a melhoria da sociedade através das suas invenções, produção, liderança, literatura e arte. Recentemente, minha esposa e eu estávamos refletindo a respeito das notáveis maneiras pelas quais os trabalhos de Steve Jobs ajudaram a mudar o mundo em que vivemos. Eu amo muitas das belas obras de arte e música que foram produzidas por artistas seculares e, eu não quero, nem por um segundo, crer que devemos nos isolar do uso e desfrute das contribuições dos autodeclarados descrentes no mundo que nos cerca. Caso contrário, como declarou o apóstolo Paulo, teríamos “de sair do mundo” (1Co 5.10). Existe um princípio de graça comum em ação no mundo, pelo qual Deus permite que homens beneficiem uns aos outros, tornando a vida neste mundo caído um pouco menos dolorosa do que, de outra forma, ela seria.

Dito isto, tenho notado uma tendência preocupante nos últimos anos. Trata-se da maneira pela qual os crentes falam a respeito dos indivíduos que causam impacto na cultura com as suas mortes. Em vez de simplesmente expressarem apreço por suas vidas e realizações, tornou-se lugar-comum para os cristãos usar nas redes sociais a abreviatura R.I.P (“Rest In Peace”), ao falar sobre a morte desses indivíduos – em cujas vidas não houve evidência de graça salvífica. Correndo o risco de parecer mal-humorado, gostaria de expor algumas razões pelas quais estou preocupado com essa tendência.

Primeiro, quando empregamos a abreviatura R.I.P., estamos, inevitavelmente, admitindo uma condição ou estado inseparavelmente ligado à ideia de vida após a morte. Não estamos falando de algo indiferente à verdade do porvir. Alguém poderia retroceder neste ponto, sugerindo que R.I.P. nada mais é do que uma maneira de expressar apreço pelas realizações de uma pessoa. Contudo, enquanto certas palavras e frases podem ser fluidas em seu significado (por exemplo, “adeus” assumiu um significado diferente do seu antigo sentido em inglês: “Deus esteja com você”), “descanse em paz” dá a sensação de que o falecido está “num lugar melhor” – um lugar de descanso e paz. Se nos preocupamos com a salvação eterna dos homens, e se eles estão ou não confiando em Cristo somente para a vida eterna, então, devemos evitar, cuidadosamente, dar a impressão de que acreditamos em qualquer forma de universalismo.

Segundo, como cristãos, devemos nos revoltar com a ideia de “orar pelos mortos”, uma vez que não há uma única gota de apoio bíblico para tal ideia. Quando dizemos “descanse em paz”, corremos o risco de dar a impressão de que estamos orando pelo falecido – seja por autodenominados incrédulos ou por crentes autodeclarados. Por si só, isso deveria nos fazer dar uma pausa para decidirmos abandonar a prática.

Terceiro, as Escrituras ensinam, de maneira muito clara, a natureza onerosa tanto da paz como do descanso. A narrativa bíblica é sobre o descanso redentivo que Deus prometeu conceder através da vida, morte, ressurreição, ascensão, intercessão e retorno de Cristo (Mt 11.28-30; Hb 4.1-10). O descanso escatológico que Jesus adquiriu para os crentes lhe custou o preço do seu sangue (1Co 6.20; 1Pe 1.19). Além disso, as Escrituras são claras sobre não haver paz para os perversos (Is 48.22; 57.21). O Senhor advertiu através dos profetas, a respeito da mensagem dos falsos profetas: “Paz, paz; quando não há paz” (Jr 6.14; 8.11). As Escrituras deixam bem claro que Deus comprou a paz apenas “pelo sangue da sua cruz” (Cl 1.20). O descanso e a paz pelos quais devemos passar – tanto para nós como para os que nos rodeiam – estão fundamentados na natureza da Pessoa e morte expiatória de Jesus. Se os homens passaram a vida rejeitando o Evangelho e não professaram a fé em Jesus, não deveríamos lhes oferecer paz e descanso póstumos. Isso coloca em risco a natureza da exclusividade de Jesus e do Evangelho – mesmo que esta não seja a nossa intenção.

Isto não quer dizer que os crentes devem ser apressados ou sem caridade na maneira como falam da morte daqueles que, provavelmente, morreram em incredulidade – ou que devemos falar de tal maneira que indique que sabemos com certeza aonde alguém foi quando morreu. Seguramente, temos consolo e alegria quando alguém que professou fé em Cristo – e em cuja vida houve fruto de que ele estava em Cristo (Mt 7.16,20), deixou esta vida. É o grande conforto dos crentes saber que os seus irmãos estão agora “descansando em paz”, que eles “descansam em Jesus” (1Ts 4.14). O Antigo Testamento fala dos crentes como sendo “reunidos ao seu povo” na hora da morte (Gn 25.8,17; 35.29; 49.29,33). Isto é reservado apenas para os crentes. Isto está em contraste com o modo como as Escrituras falam dos incrédulos em suas mortes. No entanto, quando perguntados sobre aqueles que nunca professaram fé em Cristo – alguém que passou a maior parte de sua vida aderindo a alguma religião falsa em particular – devemos lembrar que nenhum de nós conhece o que Deus, o Espírito Santo, faz nos corações de homens e mulheres momentos antes das suas mortes. Nenhum de nós sabe se a graça regeneradora de Deus veio no momento final; e, portanto, devemos apenas procurar, agora, alertar os vivos a respeito da ira, com o objetivo de manter a esperança da graça redentiva em Cristo.

Em dias nos quais a doutrina bíblica do inferno desapareceu virtualmente dos púlpitos em todo lugar, e as convenções sociais do nosso tempo exigem uma linguagem aparentemente mais agradável do que aquela que as Escrituras exemplificam e exigem, devemos proceder com um grande exame pessoal do que estamos dizendo e a razão de estarmos dizendo o que estamos dizendo. Devemos pesar as implicações do nosso discurso, tanto na forma verbal e escrita, lembrando que o mesmo Jesus que disse “vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma” (Mt 11.28-29), também disse, “que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo” (Mt 12.36).

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Autor: Nick Batzig
Fonte: Reformation 21
Tradução: Rev. Alan Rennê
Divulgação: Bereianos
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Antônio Carlos Costa: um protestante em convulsão

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O pastor Antônio Carlos Costa, pastor presbiteriano no Rio de Janeiro, fundador e presidente da ONG Rio de Paz, publicou na manhã de hoje [30/10] um vídeo no qual afirma que as igrejas evangélicas brasileiras necessitam de uma nova Reforma. Abaixo farei um breve resumo do vídeo, seguido de uma crítica às afirmações de Costa.

O amor e o ódio: quem ama, odeia

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Foi realizado hoje, 25/10, um "culto de oração", organizado por um grupo de evangélicos de orientação esquerdista, apoiadores de Fernando Haddad. A programação teve como tema "O Amor Vence o Ódio".

O tema foi escolhido em função do atual clima político do Brasil, e parte do pressuposto que os eleitores de Jair Bolsonaro são apoiadores de alguém que pratica o que, hoje em dia, é chamado de "discurso de ódio". Qualquer afirmação que contrarie o que a agenda esquerdista propõe é, imediatamente, rotulada como "discurso de ódio". Como bem observou o Pr. Augustus Nicodemus, "aquilo em que acreditamos começa a ser rotulado de ódio. Se afirmarmos a família, temos ódio contra os homossexuais; se afirmarmos a vida, somos contra a mulher que tem o direito do aborto; se afirmarmos a defesa própria, é discurso de ódio contra os criminosos, porque deve haver direitos iguais" (Caminhos da Fé. p. 41).

A incoerência do discurso dos evangélicos progressistas está em que, sua mensagem é a de que o ódio é, intrínseca e moralmente, errado. Se alguém diz ser discípulo de Jesus, então, a única coisa que lhe cabe é o amor. Não obstante, qual é o sentimento que, na prática, é nutrido e posto em obras da parte dos progressistas para com aqueles que, de acordo com eles, praticam o "discurso de ódio"? Amor? Tolerância? Não. Longe disso! É ódio! E o ódio se traduz, de modo claro, em agressões, insultos e até mesmo espancamentos. Hoje mesmo, aqui em São Luís, ao tentar apresentar uma palestra sobre o que é o fascismo, um católico conservador foi objeto do ódio de universitários esquerdistas, que o xingaram, cuspiram e pouco faltou para que o agredissem fisicamente.

Um segundo problema com o discurso progressista de que "o amor vence o ódio" é o pressuposto de que amor e ódio são mutuamente excludentes. Quem ama não odeia. E quem odeia não ama. Alguém cheio de ódio é alguém vazio de amor, e vice-versa. Se eu me coloco de modo contrário à ideologia de gênero, é porque eu não amo gays, lésbicas, transsexuais etc. Pelo contrário, eu os odeio. Esta é a lógica da esquerda evangélica.

Há um dito atribuído a Érico Veríssimo, que diz assim: "O oposto do amor não é o ódio, mas a indiferença". Eu sou inclinado a concordar com a afirmação inicial. O oposto do amor não é o ódio. De modo bem interessante, em 1 Coríntios 13, não encontramos a declaração de que o amor não odeia. O apóstolo Paulo diz sobre o amor: "O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (vv. 4-7). Perceba, o ódio não figura entre as posturas e sentimentos incompatíveis com o amor.

Existem algumas passagens nas quais amor e ódio são mencionados e, aparentemente, figuram como antagônicos entre si. No Salmo 109.5 está escrito: "Pagaram-me o bem com o mal; o amor, com ódio". Esta passagem é suficientemente clara. Amor e ódio não são antagônicos um ao outro. O que está sendo afirmado aqui é apenas o princípio por trás da conhecida regra de ouro: Faça aos outros aquilo que você quer que façam a você. Se você tem sido beneficiado com o amor de alguém, então, retribua com amor. Se alguém te faz o bem, retribua com o bem, não com mal. Em Provérbios 10.12 está escrito: "O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões". Nesta passagem, amor e ódio também não devem ser vistos como inimigos. O que o autor está afirmando é o princípio envolvido no ódio pecaminoso, gratuito. Para poder interpretar esta passagem como que ensinando que amor e ódio são absolutamente incompatíveis, eu necessito partir do pressuposto que todo e qualquer ódio é, por necessidade, pecaminoso, mal, vil, perverso, maligno. No entanto, as Escrituras não me permitem fazer isso.

Em Apocalipse 2.6, um dos elogios que Jesus faz à igreja de Éfeso foi o seguinte: "Tens, contudo, a teu favor que odeias as obras dos nicolaítas, as quais eu também odeio". De antemão afirmo que o versículo está traduzido da maneira correta. O verbo grego miséô significa mesmo "odiar". Existem algumas passagens neotestamentárias em que o verbo assume o significado de "amar menos", como em Lucas 14.26. No caso, o verbo faz uma comparação entre nossa afeição a Deus, que deve estar acima de tudo e de todos, e nossa afeição aos nossos pais, irmãos, filhos etc. Mas em Apocalipse 2.6 o objeto do verbo é o pecado. No caso, "as obras dos nicolaítas", que nada mais eram do que a imoralidade, a idolatria e a perversão da verdade, como nos diz Simon Kistemaker (Apocalipse. p. 159). G. K. Beale faz o seguinte comentário sobre "as obras dos nicolaítas": "Provavelmente os nicolaítas ensinavam que os cristãos poderiam participar da cultura idólatra de Éfeso. A cidade fora dominada pelo culto à deusa Artemis, deusa da fertilidade, e seu templo tinha milhares de sacerdotes e sacerdotisas com pesado envolvimento na prostituição" (Revelation: A Shorter Commentary. p. 57). Dessa forma, Jesus não está elogiando a igreja de Éfeso por "amar menos" aquilo que é pecaminoso. Em vez disso, Jesus aprova que aqueles cristão, de modo ativo e intenso, detestem o pecado ensinado e promovido pelos nicolaítas. Ademais, que os evangélicos esquerdistas atentem bem para isto: Jesus diz: "eu também odeio". Jesus odeia. E nem preciso dizer que em Jesus não existe pecado, não é mesmo?

Em 1 João 4.20 a Palavra de Deus diz: "Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê". O princípio é óbvio: quem ama a Deus também ama a seu irmão. Quem odeia a seu irmão, não ama a Deus. Quem odeia a seu irmão também odeia a Deus. A pergunta é: quem é o meu irmão? Não vou entrar na questão da paternidade de Deus, pois aqui já temos informação suficiente para que os evangélicos esquerdistas rilhem os seus dentes por longos anos.

O fato é que o ódio também pode ser compreendido como uma função do amor. Sim, é isto mesmo que você leu. O ódio é uma função do amor. Ora, qualquer coisa que coloque sob ameaça aquilo que é o objeto da minha afeição mais elevada, do meu amor mais intenso, será, automaticamente, objeto do meu ódio, da minha repulsa mais intensa. De igual modo, se eu amo a pureza, então, eu também odiarei a impureza. Se eu amo a santidade, odiarei a iniquidade. Se amo a justiça, odiarei a injustiça. Por amar a Deus acima de todas as coisas, qualquer coisa que ofenda ao objeto do meu amor será objeto do meu ódio. Como Davi, no Salmo 139, pôde dizer que odiava com ódio consumado determinadas pessoas? Ele explica: "Não aborreço eu, SENHOR, os que te aborrecem? E não abomino os que contra ti se levantam? Aborreço-os com ódio consumado; para mim são inimigos de fato" (vv. 21-22). Davi não odiava quem o odiava. Davi odiava quem odiava aquele a quem ele amava de todo o seu coração. Mas nem por isso ele se dava por justificado. Ele, sabendo da inclinação do seu coração, ainda pediu a Deus o sondasse e o livrasse de todo e qualquer caminho mau (vv. 23-24).

O nosso grande perigo é odiarmos aquilo que deve ser objeto do nosso amor e amarmos aquilo que devemos odiar. Quando o Senhor inicia em nós o processo de santificação, ele está nos moldando segundo a imagem de Jesus (Romanos 8.29), a fim de amarmos cada vez mais aquilo que é amável e odiarmos cada vez mais aquilo que é odioso. Por amarem tanto uma ideologia, esquerdistas odeiam aqueles que defendem a fé cristã histórica.

Quem ama a Deus, odeia o pecado.

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Autor: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima
Fonte: Perfil do autor no Facebook
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Uma agenda para o voto consciente

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“Eu tenho ouvido: ‘Não traga a religião [cristã] para a política’. É precisamente para este lugar que ela deveria ser trazida e colocada ali na frente de todos os homens como um candelabro” (C. H. Spurgeon).

Como se costuma dizer, “a política é o espaço do bem comum”, frase que pode ser entendida como uma forma de praticar o amor cristão. Afinal, é pela ação política que muitas pessoas no país podem ser beneficiadas pelo bem e pela justiça. Mas para que isso aconteça, é necessário que a prática política esteja fundamentada em valores éticos. Além disso, a transformação da conjuntura social de acordo com a cosmovisão cristã é, também, uma forma de evangelizar. Portanto, com o objetivo de propor o voto consciente e responsável aos cristãos, sugerimos alguns elementos que deverão ser considerados na hora da sua escolha eleitoral: