O Calvinismo e o Conceito de Cultura - Uma Antítese ao Marxismo Cultural

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"Nossas críticas à cultura não terão poder de persuasão a menos que estejam baseadas em algo que possamos endossar nas crenças e nos valores dessa cultura". - Timothy Keller

Cultura é uma palavra bem gasta, com muitas conotações e nuances em cada contexto que é aplicada. Vemos um florescer benéfico do interesse de muitos cristãos brasileiros pela cultura, de como a igreja pode engajar-se nela e entende-la. Será que tudo na cultura é ruim? Ou a igreja deve enxergar a cultura como bênção de Deus e desfrutá-la sem medida? Ou será que deveríamos nos afastar definitivamente da cultura popular e termos realmente uma cultura evangélica? Quem nunca ouviu: “Devemos apenas evangelizar, nada de nos envolvermos com política ou com arte”; “um crente músico somente pode tocar seu instrumento na igreja ou com músicas cristãs, ele não deve envolver-se com coisas desse 'mundo', o mundo jaz no maligno”. Essas são afirmações que ainda ouvimos muito. Lembro na época em que fui para o seminário (que ainda era tolerável porque se ia estudar a Palavra de Deus), mas o jovem que queria ir a faculdade era imediatamente repreendido por alguns irmãos da igreja – cuidado para não se desviar! Quando comecei minha graduação em jornalismo, um irmão me exortou: cuidado para não virar ateu! E por aí vai...

É notório, e não preciso dar muitos exemplos aqui, de que o cristianismo na história sempre foi tendente a se reclusar e se isolar da sociedade. Um exemplo disso foi a criação dos conventos e monastérios, que para se ter um ambiente de maior concentração para os serviços espirituais, aparta-se da convivência social por conta das inclinações imorais, partindo para uma vida de retiro espiritual. Ao olharmos, mesmo que de relance, como a reforma encarou a cultura, veremos que principalmente Calvino deu importância a essa questão e como a igreja deveria responder a essa demanda, na realidade a reforma do século dezesseis trouxe uma Reformissão. Lendo o excelente livro de André Bièler – O Pensamento Econômico e Social de Calvino, podemos notar a importante contribuição que a reforma trouxe para o desenvolvimento da humanidade, para a educação, política, artes, tecnologia e ciência.

A reforma valorizava a doutrina da vocação dos crentes e seu sacerdócio, isso estimulava a igreja engajar-se na cultura para levar todo pensamento cativo a Cristo. A afirmação de Paulo em suas epístolas que Cristo era o Senhor, era também uma reivindicação do Senhorio de Jesus sobre a cultura, sobre tudo era uma ousada afronta, porque somente o César era chamado de senhor, mas Paulo em suas epístolas dizia, não, Cristo é que é o Senhor. Isso é maravilhoso! Isso é o Senhorio de Cristo sobre todas as coisas. Vejamos o que é cultura:

[...] É a atividade do homem, como portador da imagem de seu Criador, de dar forma à natureza para o seus propósitos. O homem é uma criatura cultural e a civilização é apenas o lado externo da cultura.
[...] Cultura não é algo neutro, sem conotação ética ou religiosa. As realizações humanas não são sem propósito, mas buscam alcançar determinados fins, que são tanto bons quanto maus. Sendo o homem um ser moral, sua cultura não pode ser amoral. Sendo o homem um ser religioso, sua cultura, também, deve ter orientação religiosa. Não há cultura pura, no sentido de ser neutra quanto à religião, ou sem valores éticos positivos e negativos.[i]

Notamos que nenhuma cultura está eivada de erros e dissociada de pressupostos religiosos. O homem é um ser religioso, ontologicamente isso é inevitável, então onde o homem estiver, ali estará algum tipo de manifestação religiosa. A depravação total nos dá um melhor entendimento dessa condição caída do homem e que consequentemente afeta seu habitat, sua forma de ver o mundo, suas lentes são escuras - como dizia Cornelius Van Til. Para que ele enxergue então com lentes corretas é necessário a intervenção cirúrgica do evangelho, a operação da graça eficaz. Somente lendo o mundo com as lentes das Escrituras é que o homem pode compreender seu papel na ordem da criação e cumprir seu mandato cultural para a glória de Deus.

Existe um fluxo que forma a cultura, esse fluxo provém daqueles que são agentes culturais, ou seja, o homem, e prolifera-se dentro dele mesmo. Schaeffer nos diz que:

Existe um fluxo para a História e para a Cultura. E o modo de pensar das pessoas é o fundamento e a fonte deste fluxo. As pessoas são únicas no mundo interior da mente – o que elas são em seu mundo de pensamentos determina como elas agem. Isso é verdade tanto para o seu conjunto de valores quanto o é para a sua criatividade. É verdade para as suas ações coletivas, tais como suas decisões políticas, e é verdade para sua vida pessoal. As consequências da sua visão de mundo fluem por entre os seus dedos ou por meio da sua língua em direção ao mundo de fora. É verdade tanto para o formão de Michelangelo quanto para a espada de um ditador.[ii]

O que Schaeffer nos diz é de grande valia. O que interiormente idealizamos será o motor de nossas ações, de nossa linguagem, de nosso trabalho, de nossa visão de mundo. Seus pensamentos resultarão muitas vezes em suas ações e isso faz parte de sua cosmovisão, de suas convicções, e as convicções estão intimamente ligadas a sua vida religiosa, seja transcendente ou materialista. Mas, no fim das contas, seu telos é espiritual. Existe uma finalidade em nossa visão de mundo, ela nunca está dissociada de nossas certezas ou incertezas espirituais. Nem o materialismo está eivado de espiritualidade.

Este processo de formação, correto ou não em relação à cultura, deve ser medido, sondado e julgado. Mas, que luz seria necessária para iluminar o fundo da caverna e do submundo das intenções? Claro que a questão filosófica por trás da cortina do discurso é muito importante porque não podemos tratar meramente como um salto, para que não incorramos diretamente na síntese da questão debatida. O posicionamento da filosofia reformada está amparada pelas Escrituras, logo a Revelação bíblica sempre nos encaminha em relação à questão cultural, a antítese e não a uma síntese. O filósofo holandês Herman Dooyeweerd comenta que:

O desenvolvimento da cultura ocidental tem sido controlado por vários motivos religiosos básicos. Os mais importantes desses poderes foram o espirito da civilização antiga (Grécia e Roma), o cristianismo e o moderno humanismo. Uma vez que cada um desses entrou na História, permaneceu em tensão com os outros. Essa tensão nunca foi resolvida por um tipo de “equilíbrio de poderes”, porque o desenvolvimento cultural, para que possa se ininterrupto, sempre exige um poder predominante.[iii]

É muito interessante o que Dooyeweed fala acerca das tensões culturais. Sempre existiu uma guerra cultural, literalmente uma ânsia pelo cultivo de valores socializadores, e sempre com uma perspectiva hegemônica. Toda cultura, em certa medida, é fruto da graça comum de Deus, mas em outra medida afetada pela queda e é aqui o ponto de tensão no estudo da cultura. Porque esse predomínio com intenções hegemônicas como lemos na História, trará sentimentos e desejos totalitários também. Todos os que não professarem uma fé cristã, terão sua cosmovisão desembocada em cultura não cristã, ou pós-cristã, ou até mesmo anticristã. Ao lermos os teólogos holandeses vemos a preocupação em formular uma teologia que atenda a uma apologética cultural, como em Abraham Kuyper e Herman Dooyeweerd, por exemplo. O historiador da arte Hans Rookmaaker nos diz:

A cultura é o resultado da atividade criativa do homem dentro das estruturas dadas por Deus. Portanto, ela nunca pode ser algo à parte da nossa fé. Toda a nossa obra é, por fim, controlada por nossa resposta para a pergunta sobre quem – ou o que – é nosso Deus, e onde se encontra, para nós a fonte suprema de toda realidade e vida. Assim a nossa “cultura”, por consequência, nunca pode ser algo à parte da nossa fé. Isso se aplica também àqueles que não reconhecem o verdadeiro Deus, o Criador: sua atividade cultural está influenciada por sua fé basicamente não cristã.[iv]

Em seu livro, Igreja Centrada, Timothy Keller nos diz que [...] Nossas críticas à cultura não terão poder de persuasão a menos que estejam baseadas em algo que possamos endossar nas crenças e nos valores dessa cultura.[v] Fica claro na fala de Keller que a questão não é somente identificarmos os valores errados de uma cultura, mas de como a igreja, e através da pregação do evangelho, reformá-los.

Mas a questão labora sobre algumas discussões em relação a qual deve ser o posicionamento da igreja frente a cultura de hoje, vejamos algumas correntes apontadas no livro de Keller, que cita Richard Niebuhr.[vi] Temos, então, basicamente cinco posicionamentos cristãos sobre a cultura:

Cristo contra a cultura – Modelo de afastamento, em que se dá um distanciamento em relação à cultura e um mergulho a comunidade da igreja.
O Cristo da cultura – Modelo de acomodação que reconhece Deus trabalhando a cultura e busca maneiras de ratificar esse fato.
Cristo acima da cultura – Modelo sintético que defende, por meio de Cristo, a complementação do que há de bom na cultura e uma construção em cima desses aspectos positivos da cultura.
Cristo e cultura em paradoxo – Modelo dualista que vê os cristãos como cidadãos de dois reinos diferentes, um sagrado e o outro secular.
Cristo transformando a cultura – Modelo conservacionista que busca transformar cada parte da cultura por meio de Cristo.[vii]

Ao lidarmos com os cinco posicionamentos precedentes, fica clarividente o entendimento aliancista das Escrituras. O último ponto é o posicionamento da teologia reformada – Cristo transformando a cultura – é o que melhor se enquadra no mandato cultural descrito em Gênesis 1.26-30, que é o texto clássico para o tratamento dos três mandatos dados a Adão e Eva. Portanto, o cristão não deve viver de forma alienada do mundo que o cerca, o mundo é de Deus, mas por efeitos da queda a cultura corrompeu-se e a igreja recebeu de Deus a missão de transformar as mais variadas culturas, não desprezando-as em sua totalidade. Como já vimos, existem elementos culturais influenciados pela graça comum de Deus. 

A igreja deve engajar-se culturalmente na sociedade, sem abrir mão dos princípios bíblicos da missão e do culto. Mas, também é importante dizer que quando o âmbito cultural resiste as Escrituras isso resulta num conflito de visões que, impreterivelmente, estão fundados em pressupostos que precisam ser combatidos pelas Escrituras Sagradas, não com um sentimento de política totalitária, mas influenciando a cultura, seja na arte, na política, na imprensa e na educação.


Sem sombra de dúvida, o campo da batalha cultural está nessas quatro frentes que predominam na formação, manutenção e difusão da cultura. No nosso contexto brasileiro existe uma ideologia política que tem instaurado uma infusão filosófica totalitária nesses âmbitos de poder de construção cultural que é o marxismo cultural.

A manipulação e instrumentalização da grande mídia está, em grande medida, nas mãos do Estado que manipula a mídia e admite e demite jornalistas e editores. Como se dá esse poder? Através da manutenção de tais veículos, o capital do governo é quem banca sua própria promoção midiática e por isso é perigoso o controle da mídia, esse é um artifício totalitário para frear as críticas ao governo, é uma manha da ideologia socialista para fechar as possibilidades de ataques dos inimigos oposicionistas. 

A ideologia política não governa somente a mídia ou imprensa, mas, estende-se a educação que versa no Brasil em uma filosofia do marxismo cultural de Antonio Gramsci e na filosofia sócio-construtivista que altera todo o sentido de educação intelectual de crianças e jovens, causando uma intervenção estatal extremada, legislando sobre moral, sexualidade, religião, política e família. Isso implanta na mente de crianças e jovens uma ideologia e o papel de educar que é dos pais, passa a ser do Estado. Isso é muito perigoso e maléfico! Quando esse ideário é refratado na sociedade, sem dúvida também desemboca nas manifestações artísticas que beiram e chegam à irracionalidade, a banalidade e amputação da estética, a beleza é rechaçada e se promove um novo conceito marxista de gênero que aflora em todas as camadas da sociedade.

Tais fatores devem ter uma resposta da Igreja, não somente em âmbito comunitário, mas em âmbito público. A Igreja cumpre a missão de Deus na terra e prega a verdade; verdade essa que não é somente cativa aos assuntos espirituais, pois para o reformado não existe dicotomia entre secular e sagrado, tudo é de Deus e nossa missão vai além do evangelismo. Missões e evangelismo fazem parte da missão, mas, não é toda a missão. Como pregoeiros da verdade, devemos falar em todos os âmbitos. E essa verdade está calcada única e exclusivamente em Deus, revelada em sua Palavra.

Não há um centímetro deste universo acerca do qual JESUS CRISTO não diga: É meu!” - Abraham Kuyper

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Notas:
- Este artigo serve como introdução a série 
do autor que analisa o fator do marxismo cultural na imprensa, arte, educação e política.
[i] Henry R. Van Til - O Conceito Calvinista de Cultura, vide pp.27-39. Ed. Cultura Cristã
[ii] Como Viveremos, p.7. Ed. Cultura Cristã.
[iii] Raízes da Cultura Ocidental, p. 23. Ed. Cultura Cristã.
[iv] A Arte Moderna e a Morte de uma Cultura, p.46. Ed. Ultimato.
[v] Igreja Centrada, p.150. Ed. Vida Nova.
[vi] Ibid, p.230.
[vii] Meu objetivo aqui não é fazer uma análise de cada ponto mencionado, mas, posicionar o leitor sobre o debate na história da teologia sobre a cultura. Recomendo a leitura do Livro Igreja Centrada de Timothy Keller para uma profunda análise do autor sobre o diálogo e o engajamento da igreja na cultura de hoje.

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Autor: Thomas Magnum
Fonte: Electus
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Martyn Lloyd-Jones sobre o dom de profecia

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O Dr. Eryl Davies faz a seguinte afirmação em seu artigo publicado no jornal Themelios, intitulado Dr. Martyn Lloyd-Jones: Uma Introdução: “Embora carismáticos e pentecostais o reivindiquem como defensor dos seus pontos de vista, uma leitura cuidadosa dos escritos de M. L-J deixa claro que eles o entenderam mal”.

Davies fundamenta a sua afirmação (em parte) apontando para uma seção da obra Unidade Cristã, de Lloyd-Jones, na qual o Doutor (como ele era frequentemente chamado) discute a natureza da profecia do Novo Testamento.

Aqui está o que Lloyd-Jones afirmou:

“Podemos dizer, contudo, que o profeta era uma pessoa a quem a verdade era dada pelo Espírito Santo [...] Vinha-lhes uma revelação ou mensagem ou algum discernimento da verdade e, cheios do Espírito, podiam fazer declarações benéficas e proveitosas para a igreja. Certamente está claro que também isto era temporário, e por esta boa razão, que naqueles primeiros dias da Igreja não havia Escrituras do Novo Testamento, a verdade ainda não tinha sido exposta em palavras escritas. Tente imaginar a nossa posição se não possuíssemos estas cartas do Novo Testamento, mas apenas o Antigo Testamento. Era essa a posição da igreja primitiva. A verdade foi dada a ela, principalmente pelo ensino e pregação dos apóstolos, mas ela foi suplementada pelo ensino dos profetas aos quais foi dada a verdade e também a capacidade de falar com clareza e poder na demonstração e autoridade do Espírito. Mas uma vez que estes documentos do Novo Testamento foram escritos, o ofício de um profeta não era mais necessário. Por isso, nas Epístolas Pastorais, que se aplicam a uma etapa posterior na história da Igreja, quando as coisas haviam se tornado mais estáveis e fixas, não há nenhuma menção aos profetas. É evidente que mesmo o ofício de profeta não sendo mais necessário, a chamada foi para os mestres, pastores e outros exporem as Escrituras e transmitirem o conhecimento da verdade. Mais uma vez temos que observar que muitas vezes na história da Igreja o problema surgiu porque as pessoas pensavam que eram profetas no sentido do Novo Testamento, e que tinham recebido revelações especiais da verdade. A resposta para isso é que, na perspectiva das Escrituras do Novo Testamento, não há necessidade de verdades adicionais. Essa é uma proposição absoluta. Nós temos toda a verdade no Novo Testamento, e não temos necessidade de quaisquer outras revelações. Tudo foi dado, tudo o que é necessário para nós está disponível. Portanto, se alguém alega ter recebido uma revelação de alguma nova verdade, devemos suspeitar dele imediatamente [...] A resposta para tudo isso é que a necessidade de profetas terminou uma vez que temos o cânon do Novo Testamento. Não precisamos mais de revelações diretas da verdade; a verdade está na Bíblia. Nunca devemos separar o Espírito da Palavra. O Espírito nos fala através da Palavra, por isso, devemos sempre duvidar e consultar qualquer suposta revelação que não seja completamente consistente com a Palavra de Deus. Na verdade, a essência da sabedoria é rejeitar completamente o termo ‘revelação’, no que nos diz respeito, e só falar de ‘iluminação’. A revelação foi dada de uma vez por todas, e o que precisamos e o que pela graça de Deus podemos ter, e temos, é a iluminação do Espírito para entender a Palavra” (D. Martyn Lloyd-Jones. Christian Unity. Grand Rapids: Baker, 1987. pp. 189-91).[i]

Claramente, a explicação de Lloyd-Jones acerca da profecia do Novo Testamento é contrária à posição continuísta.


Porque o seu nome é levantado muitas vezes por aqueles que defendem uma posição continuísta, a sua descrição de profecia se torna especialmente pertinente na atual discussão sobre os dons.

UPDATE: Alguns comentaristas têm sugerido que Lloyd-Jones estava se referindo apenas à profecia escriturada e, portanto, suas declarações acima não se aplicam à posição continuísta contemporânea. No entanto, este não é o caso. Num parágrafo da introdução da discussão acima, Lloyd-Jones descreveu o tipo de profecia do Novo Testamento ao qual ele estava se referindo:

“No Novo Testamento os profetas geralmente são unidos aos apóstolos, como no segundo capítulo desta epístola: ‘Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele próprio a pedra angular, Jesus Cristo’ (Ef 2.20). Mas, embora estejam junto dos apóstolos, os profetas são obviamente diferentes. Por exemplo, não era necessário que um profeta tivesse visto o Senhor ressuscitado. Na verdade, em geral, ele não precisava ter muitas das qualificações do apóstolo. Essencialmente, um profeta era um homem que falava sob a inspiração direta do Espírito Santo. É claro que, algumas vezes, um profeta era uma mulher. Somos informados no segundo capítulo de Lucas, que Ana era uma ‘profetisa’. De igual modo, é dito em Atos que Filipe, o evangelista, tinha quatro filhas que ‘profetizavam’ (21.9). Existem muitas referências a profetas no Novo Testamento. Por exemplo, em Atos nos é dito que havia vários profetas na igreja de Antioquia, alguns dos quais tinham vindo de Jerusalém (11.27; 13.1). Um deles, chamado Ágabo, profetizou que uma grande fome estava para vir sobre a terra, e ele exortou os cristãos sobre isso. Há um ensino específico sobre os profetas no capítulo catorze da Primeira Epístola aos Coríntios” (D. Martyn Lloyd-Jones. Christian Unity. Grand Rapids: Baker, 1987. p. 188).[ii]

Observe que Lloyd-Jones vê uma distinção entre apóstolos e profetas em Efésios 2.20. Isto vai contra a comum interpretação continuísta desta passagem. Além disso, observe que Lloyd-Jones inclui as filhas de Filipe, Ágabo e até mesmo os profetas congregacionais de 1Coríntios 14 sob a égide da profecia do Novo Testamento que ele está discutindo.


Nada nos comentários de Lloyd-Jones (ao menos nesta seção em particular) sugere que ele abraçou a visão dos dois níveis da profecia do Novo Testamento, que caracteriza a posição continuísta contemporânea.

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Notas:
[i] Publicada no Brasil pela editora PES: D. Martyn Lloyd-Jones. A Unidade Cristã: Exposição sobre Efésios 4:1-16. São Paulo: PES, 1994. pp. 163-166.
[ii] Ibid. p. 163.

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Autor: Nathan Nusenitz
Fonte: The Cripplegate
Tradução: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima
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Tempo perdido: cuidado para não estragar sua vida

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Imagine um banco que credita na sua conta R$86.400 à meia-noite, logo na virada de um dia para outro. Você tem todo esse dinheiro para gastar, mas no fim do dia a conta é zerada. O saldo não passa para o dia seguinte. O que você faria? Deixaria o dinheiro no banco, ou iria à boca do caixa e retiraria até o último centavo assim que o banco abrisse? Acontece que esse banco existe, todos os habitantes do planeta têm essa conta, mas o crédito é feito a cada dia em segundos. Você tem diariamente exatamente 86.400 segundos para usar a cada 24 horas e o saldo não é transferido para o dia seguinte. Ricos, pobres, americanos, brasileiros, europeus, árabes, eslavos, asiáticos – todas as pessoas de todas as nacionalidades e de todas as classes sociais têm exatamente a mesma quantidade de tempo, dia após dia para as atividades da vida. E não é uma conta especial – a conta não admite ir além do saldo. O único investimento válido é aquele que é produtivo para a sua vida, de alguma forma. Você tem que aplicar esses segundos em algo que valha alguma coisa, que faça diferença em sua vida. E você também, nessa conta, não pode tomar emprestado de outra pessoa.


Tempo, o grande equalizador. Assim é o tempo: o único ativo que é igual para todos na face da terra. Algumas pessoas têm mais beleza do que outras; outros têm talento acima da média; alguns têm mais oportunidade ou condição social melhor do que outros – mas o tempo nos nivela a todos. Ninguém tem mais tempo por dia do que a pessoa ao seu lado. Por isso ele deve ser utilizado com sabedoria e é exatamente ele que pode significar a nossa ascensão, ou o nosso declínio nas nossas jornadas, quer seja na vida estudantil, quer seja em nossas carreiras, ou até em nossos relacionamentos. É dentro do tempo que recebemos que definimos também os nossos destinos últimos, na vida – a nossa eternidade. Uma das expressões mais comuns é: “não tenho tempo”, mas a realidade é que todos nós temos tempo, o mesmo tempo. Por que uns conseguem utilizá-lo adequadamente e outros não?

O tempo não pode ser desperdiçado, não deve ser perdido. E isso é uma realidade na vida de todos. Você mesmo, com certeza, já utilizou outra expressão: “Perdi o meu tempo” – quando avaliou alguma experiência na qual julgou que o investimento do seu tempo, de sua vida, não contribuiu em nada, não valeu a pena. Percebe como essa situação revela uma equação incontestável? Tempo = Vida. 

Benjamin Franklin escreveu: “Tempo perdido, nunca é achado”. Ou seja, o sentimento é sempre de frustração, de nostalgia, de perda, mesmo. Por mais que você se esforce para recuperar “horas perdidas”, não conseguirá, pois terá de aplicar mais horas para realizar o que deixou de fazer, enquanto “perdia o seu tempo” com algo que “não valeu a pena”. Perda, nessa questão do tempo, é perda irreparável, para a vida toda, o  tempo não é reciclável e simplesmente some de sua vida.

Normalmente não damos muito valor ao tempo, ou aos seus marcadores: segundos, minutos, horas, dias, meses, anos. Vamos levando a vida sem pensar nessa questão, até como se fôssemos viver para sempre. Mas cada intervalo de tempo tem um valor inestimável. Reflita:

Para aferir o valor de um ano – pergunte a um colega seu que foi reprovado – ou pode ser até que essa sensação faça parte de sua vida. Tudo que aconteceu durante todo um ano que passou, terá que ser repetido, para que a vida estudantil continue, mas o tempo aplicado não será recuperado.
 Para aferir o valor de um mês – pergunte a uma mãe de um bebê que nasceu prematuramente. Quanta diferença nos cuidados e apreensões faria mais um mês de gestação, tanto para a mãe como para a criança.
 Para aferir o valor de uma semana – fale com o editor de uma revista semanal. Note como ele valoriza cada fração de tempo daquela semana, pois o ciclo se fecha e se repete com uma enormidade de trabalho a ser realizado dentro de tão pouco tempo.
 Para aferir o valor de um dia – fale com uma diarista que depende do salário daquele dia para colocar comida na boca dos filhos. Se ela perde aquele dia, não recebe o seu pagamento.
 Para aferir o valor de uma hora – pense como ela passa rápido quando você está com a sua namorada, ou como ela demora a chegar, quando você a está esperando em um encontro marcado.
 Para aferir o valor de um minuto – pergunte a alguém que perdeu um voo porque chegou “apenas” um minuto após a porta de embarque ter fechado.
 Para aferir o valor de um segundo – pergunte a algum atleta que deixou de ganhar o primeiro lugar por que o oponente chegou “apenas” um segundo na frente dele, ou até com uma fração decimal, centesimal, ou milésima de um segundo. 

A preciosidade do tempo.
A realidade é que o tempo é tão precioso que uma vida que dura quatro minutos pode ter um impacto fenomenal em inúmeras pessoas. Isso aconteceu com o bebê Isaac Joseph Schmall, que nasceu em 10 de novembro de 2008. Seus pais sabiam que a gravidez era problemática. O bebê Isaac tinha uma doença rara chamada Trissomia 18, ou Síndrome de Edwards. Isso quer dizer que em cada célula do seu corpo ele tinha uma cópia extra do 18º cromossomo. Três cromossomos, em vez dos dois existentes em uma concepção e desenvolvimento normal. Bebês com essa deficiência geralmente não sobrevivem o período de gestação, alguns falecem após o parto.


Isaac morreu 4 minutos após o nascimento. Seus pais o tiveram em seus braços nesse curto período de tempo. John Schmall, o pai, descreveu o impacto da notícia, as agruras do acompanhamento da gravidez, e, principalmente, a emoção de tê-lo nos braços por aquele pequeno espaço de tempo em um texto que tem rodado a Internet: “Quatro minutos que mudaram a minha vida para sempre”! John descreveu como esses quatro minutos mudaram a sua perspectiva de vida dali em diante. Mais recentemente, em 2013, sua esposa indicou o efeito causado nela por aqueles minutos e por aquela pequena vida, com um longo texto, publicado no blog do esposo. Nele ela escreveu:

Isaac viveu por quatro minutos, mas o impacto que ele causou nesse espaço de tempo é palpável.  Deus me deu 35 anos de vida. Isso faz com que eu queira extrair o máximo desses anos. Desperto todos os dias agora e agradeço a Deus por me dar mais um dia de vida, no qual posso desfrutar de minha família, do meu trabalho, da minha igreja, de minha cidade e, principalmente, do meu relacionamento com Ele.

O relato dos pais de Isaac tem tocado vidas ao longo dos anos e canalizado recursos e esforços para a Fundação Trissomia 18, que estuda a enfermidade. O valor que eles conseguiram enxergar nesses 4 minutos de vida é um testemunho à preciosidade do tempo.


Tempo perdido, oportunidades perdidas. Ao longo da vida encontramos muitas oportunidades e portas que se abrem. Elas podem ser ganhas com tempo aplicado adequadamente, ou perdidas, com tempo desperdiçado em coisas inúteis. Essa é uma realidade especialmente na vida de estudantes universitários. Quantas oportunidades existem! Muito a aprender nos cursos da carreira escolhida; amigos novos, vários com interesses comuns aos seus; eventos culturais; feiras e eventos, de recrutamento, estágios; “empresas júnior” e incubadoras, nas quais eles já podem começar os primeiros passos na profissão; locais de descanso e de estudo, alguns bem aprazíveis, no meio da metrópole de concreto. Mas na realidade, as oportunidades existem também para desperdiçarmos tempo, e elas parecem brotar do solo a todo instante.

Se tivéssemos sempre os pés bem firmados em princípios e valores eternos e conseguíssemos compreender bem que o que fazemos no presente afeta o nosso futuro, saberíamos que podemos também criar oportunidades, com nossa atitude (não é só esperar que elas surjam à nossa frente). Mas, especialmente, que nunca deveríamos perder tempo. Cada minuto conta, cada hora é valiosa, mas parece que somos especialistas em desperdiçá-las. E nesse processo podemos ser tão intensos que corremos o risco de estragar a vida inteira. Veja a seguir algumas situações em forma de depoimentos que refletem situações nas quais perdemos tempo – Você se vê em alguma dessas situações?

• Vivo conectado o tempo todo, surfando na Internet, em mídias sociais. Na realidade, não consigo parar dois minutos sem pegar meu smartphone, e quando percebo, já passei 20 minutos trocando mensagens bobas.
 Tenho umas amizades que não são lá muito boas e como elas sugam meu tempo! Não consigo dizer não e indicar que tenho coisas realmente importantes para fazer, e passo horas só batendo papo, que não tem nada a ver com o que eu deveria estar envolvido.
 Não consigo dormir cedo. Acho que estou até “ganhando tempo”, não dormindo, mas na realidade fico inventando coisas para ver ou fazer e estou mesmo é roubando tempo do descanso. No dia seguinte, perco tempo com a sonolência constante e fico meio “desligado” por um bom tempo, quando deveria estar com o corpo descansado e a mente aguçada, para absorver conhecimento – afinal, estou na escola!
 Sei que tenho deveres, tarefas, trabalhos de escola, mas fico empurrando tudo para frente (adiando), achando que “vou conseguir dar um jeito” e terminar tudo a tempo. Perco tempo com coisas sem foco nos meus trabalhos e fico agoniado, pois sei que o professor não vai adiar o prazo.
 Não consigo me organizar ou sistematizar minha rotina e dar prioridade às coisas que tenho de fazer. Porque sou desorganizado, levo mais tempo achando as coisas, os lugares, as pessoas, perco compromissos. No fim do dia acho que não fiz nada de útil. Vivo fazendo só o que é urgente, mas no final,  tudo vira urgente!
 Adoro festas, companhia barulhenta, os barzinhos da redondeza. Às vezes mato a primeira aula – afinal todos chegam atrasados, não é? Ou saio antes do final, mas vou, junto com a “turma” para o bar. Bebo demais. Lá em casa nem sabem que estou usando algumas drogas. No dia seguinte estou um lixo – nem consegui dormir, “vidrado”. Nem sei o que fiz, ou que deixei que fizessem comigo enquanto eu estava chapado. Estou moído e nem sei quem me bateu. Não consigo me concentrar em nada. Até quando estou na classe estou perdendo o que está sendo dito. O que vou fazer na prova final?
 Sou vidrado em videogames. Só penso nisso; todo o meu tempo livre, acho uma maneira de jogar. Não vou bem na classe, não encontro tempo para estudar.

Cada uma dessas situações significa perda de tempo, e assim você vai desperdiçando a vida, mesmo se se enquadra minimamente em alguma delas. Você pode ir até se enganando, achando que está aproveitando o tempo, aproveitando a vida, em coisas que não constroem, mas antes que você se aperceba, pode esbarrar na expressão inevitável e imutável: Game Over”! A brincadeira um dia termina e a conta do pedágio pode ser alta demais e impagável.


Algumas filosofias, como o existencialismo, ensinam que o que importa é o aqui e o agora. Mas será? Esse pensamento sempre esteve presente na história da humanidade, e muitos, realmente, acham que a postura de vida deve ser: “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos!”. Quem pensa assim realmente compreende que a vida é curta. No entanto, acha que “aproveitar a vida” não é sorvê-la cuidadosamente, com as prioridades bem aguçadas, prosseguindo avante com um propósito bem definido, mas é exatamente o contrário. “Viver intensamente” para algumas pessoas significa desperdiçar a vida com as coisas que, aparentemente, satisfazem as sensações e trazem prazer – sem quaisquer referências éticas, mas que nos levam a gastá-la com o aqui e agora. É a atitude que nos levará, no futuro, a lamentar o “tempo perdido”, as oportunidades jogadas fora, o desperdício da própria vida.

Quando falamos de “não perder tempo”, não queremos dizer que todo lazer é perda de tempo. Deus nos fez criaturas que precisam do descanso e do lazer. Não devemos ser escravos do relógio, mas ele é o grande aliado para que tracemos a proporção correta entre os diversos aspectos de nossa vida. Precisamos de tempo para o cuidado pessoal, para a família, para os relacionamentos, para os estudos, para adoração; enfim, tudo na proporção e prioridade corretas. Devemos, também, ter a consciência de que, nas diferentes fases da vida, alguns aspectos devem receber a prioridade. Por exemplo, estudantes têm que priorizar os estudos, pois ele é fundamental para as fases seguintes da vida. A questão é que não podemos transformar a diversão na prioridade de nossas vidas e muito menos nos deixarmos levar pela dissolução social e moral.

O conselho de um grande acadêmico, sobre o tempo. O grande filósofo, erudito e pregador Jonathan Edwards – fundador da Universidade de Yale –, escreveu sobre o tempo,[1] em dezembro de 1734. Seus pensamentos seguem, a seguir, resumidos. Ele coloca quatro razões por que o tempo é precioso:

1. Porque é neste tempo que ajustamos nossa vida para a eternidade, com o Criador.
2. Porque ele é curto. É uma comodidade escassa. Quando comparado não somente à eternidade, mas à própria história da humanidade, nossa vida é apenas uma pequena marca nela. (o que é a vossa vida?)
3. Porque é impossível termos certeza de sua continuidade. Podemos perder a nossa vida repentinamente, por mais jovens que sejamos.
4. Porque depois que ele passa não pode ser recuperado. Muitas coisas que temos, se perdidas, podem ser recuperadas, mas não o tempo perdido.

Por isso ele conclama aos seus leitores que reflitam sobre tempo que passou. Em como ele foi desperdiçado e que coisas poderiam ter sido realizadas. O que você fez com todos os anos e dias que você recebeu de Deus? Ele termina indicando que, em geral, não prestamos muita atenção à preciosidade do tempo. Não damos muito valor a isso. Edwards continua dizendo que essa valorização só vem tardiamente e pergunta: quanto poderíamos aproveitar se tivéssemos essa percepção aguçada o tempo todo? Ele indica várias formas de como perdemos tempo e desperdiçamos a vida:


1. Muitos desperdiçam o tempo fazendo nada, acometidos de uma preguiça renitente.
2. Outros desperdiçam o seu tempo em bebedeiras, em bares, abusando de seus corpos em atividades que lamentarão consideravelmente anos após, se sobreviverem aos próprios desmandos a que se submetem, angariando para si pobreza, em todos os sentidos...
3. Alguns desperdiçam o tempo fazendo o que é mau, o que é reprovável, o que prejudica o próximo. Passam o tempo sugados pela dissolução moral, maquinando corrupção, fraude; afundando-se na ilusão de que poderão levar vantagem em tudo.
4. Por último, um grande número desperdiça o tempo e a vida tentando “ganhar o mundo”, progredir na carreira, avançar na vida, angariar mais e mais bens e coisas materiais, mas esquecidos das questões eternas e da nossa própria eternidade. Negligenciando as coisas de Deus, a nossa vida espiritual, a nossa necessidade de Salvação do pecado que nos rodeia e que está em nós, e que só é encontrada em Cristo Jesus.

Finalmente, Edwards nos relembra que todos nós teremos de prestar contas a Deus pelo tempo que recebemos dele. O que fizemos com ele? E, assim, conclama a que nos esforcemos para fazer cada segundo, minuto ou hora de nossas vidas, contar positivamente. Em vez de nos desencorajarmos pelo tempo perdido, ou ficarmos deprimidos por nossos desperdícios, aprendamos com os erros do passado, para darmos o rumo certo aos nossos passos futuros.


As palavras de Edwards não parecem ter sido escritas há 280 anos, não é mesmo? Na época dele não havia computador, nem baladas, nem raves, nem mídia social. O álcool já fazia os seus estragos, mas era a maior droga disponível (hoje temos drogas muito mais destrutivas do cérebro e da saúde em geral). No entanto, ele sabia bem o que era “perder tempo” e desperdiçar a vida. A natureza humana continua a mesma. Os alertas continuam válidos. Vamos parar de perder tempo e vamos cuidar bem da nossa vida, conscientes de nossos deveres para com Deus e para com os nossos semelhantes?

Resgatando o tempo. As pessoas falam muito sobre “falta de tempo”, “perder tempo”, “gastar tempo”, “passar o tempo”; mas você já ouviu falar de se resgatar o tempo? A primeira coisa a fazer é identificar quem ou o que está sequestrando o seu tempo e já colocamos uma boa relação de possibilidades. Você pode começar fazendo a sua própria relação – aquelas coisas que estão roubando o tempo de sua vida.

A expressão resgatar o tempo foi utilizada por uma pessoa que estava inocentemente presa, apenas pelas coisas que proclamava, e que sabia muito bem o valor do tempo e o quanto custava perdê-lo. Refiro-me ao apóstolo Paulo. Em uma das cartas que escreveu enquanto estava na prisão, ele disse: “[...] vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus”. (Efésios 5.15-16).

A palavra “remir” significa exatamente “resgatar”; o sentido é o de “comprar de volta o que antes nos pertencia”. É a mesma ideia de alguém, uma pessoa, que é sequestrada: a família fica desesperada. A pessoa preciosa e querida foi roubada e agora estão pedindo dinheiro por ela! Assim é com o tempo! Ele é nosso, mas estamos rodeados de salteadores que o roubam de nós. Sequestro implica em refém. Vimos que tempo é vida. Se alguém ou algo sequestra o seu tempo, tem você como refém. Preste atenção à sua vida. Veja quais são os “ladrões” do seu tempo; o preço do resgate é a sua conscientização da importância do tempo, a coragem para tomar decisões importantes, a adoção de uma perspectiva de vida fundamentada na verdade, a percepção de que a vida não pode ser desperdiçada. Paulo considerava essa questão de entesourarmos o nosso tempo algo tão importante, que repetiu a mesma expressão em outra carta que escreveu da prisão aos Colossenses.

Veja que o texto de Paulo começa com um apelo a andar prudentemente. Prudência é uma condição fundamental para não desperdiçarmos a nossa vida. Perder tempo é, portanto, uma grande imprudência. A palavra também pode ser traduzida como diligentemente ou precisamente. Essas duas últimas palavras têm tudo a ver com tempo, não é mesmo? Diligentemente = fazer as coisas com concentração e de forma rápida; precisamente = fazer com precisão cronométrica, ou na medida certa. O apelo é para andarmos como sábios e não como tolos (“néscios”). Quantas pessoas não estão nesse momento perdendo tempo, desperdiçando a vida, achando que estão “abafando”, que estão aproveitando a juventude? Mas estão apenas demonstrando irresponsabilidade, falta de inteligência e que são, na realidade, bobos.

A ideia é a de que o tempo naturalmente vai se esvaindo. Você tem que tomar as rédeas de sua vida; se a ela for vivida ao sabor das circunstâncias, o desperdício será o curso natural. O texto termina expressando uma realidade: “os dias são maus”. A maldade, a violência; a fragmentação dos costumes, da ordem, da responsabilidade para com o nosso próprio corpo e para com a vida dos outros estão em toda parte.

Você tem consciência disso? Cuidado para não estragar sua vida! Os dias são realmente maus! O sábio Salomão já alertava 1000 anos antes de Cristo, para que nos lembrássemos do nosso Criador nos dias da nossa mocidade (Eclesiastes 12.1). O alerta continua válido. Jesus Cristo é aquele que traz a mensagem do Criador. Por intermédio dele é que nos achegamos a Deus. Alicerçado nele, utilize bem o seu tempo, caminhe com segurança e com a certeza de que ele pode abençoar os seus passos e orientá-lo a uma vida proveitosa e plena, para você e para aqueles com quem você conviver.

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Nota:
[1] http://www.apuritansmind.com/puritan-favorites/jonathan-edwards/sermons/the-preciousness-of-time-and-the-importance-of-redeeming-it/ , acessado em 29.12.2015.

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Autor: Pb. Solano Portela
Fonte: Texto completo do livreto lançado em 01.02.2016, pela Chancelaria do Mackenzie, como parte de uma série, de vários autores, para jovens universitários, como parte do cerimonial para recepção de novos alunos.
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Instruções úteis para a leitura e pesquisa das Escrituras

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1. Siga um plano regular de leitura que você esteja familiarizado com o todo, faça essa leitura uma parte de suas devoções particulares. Não que você deva limitar-se apenas a um plano de conjunto, de modo a nunca ler por escolha, mas normalmente isso tende mais para edificação. Algumas partes da Bíblia são mais difíceis, algumas podem parecer muito enfadonhas para um leitor comum, mas se você olhar para elas como a Palavra de Deus, não para serem desprezadas, e lê-la com fé e reverência, sem dúvida, você encontrará vantagem.

2. Defina uma marca especial [versículo chave], no entanto, quando achar conveniente, naquelas passagens que você leu, o que você achar mais adequado ao seu caso, condição ou tentações, ou, como seu coração se mover mais em algumas passagens do que outras. E será rentável, muitas vezes, rever tais passagens.

3. Compare uma Escritura mais obscura com outra que é mais simples, 2 Pedro 1:20. Este é um excelente meio para descobrir o sentido das Escrituras, e é de bom uso se servir das notas marginais nas Bíblias. Mantenha Cristo no seu olho, pois as Escrituras do Antigo Testamento apontam para Ele (em suas genealogias, tipos e sacrifícios), bem como as do Novo Testamento.

4. Leia com atenção santa, decorrente da apreciação da majestade de Deus e a reverência devida a Ele. Isso deve ser feito com atenção, em primeiro lugar, as palavras, em segundo lugar, com o sentido e, em terceiro lugar, com a autoridade divina da Escritura, e a obrigação se estabelece na consciência para a obediência, 1 Ts. 2:13, "Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes."

5. Deixe o seu principal objetivo na leitura das Escrituras ser prático, e não o conhecimento descoberto, Tiago 1:22: "Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a voz mesmos." Leia o que você pode aprender e fazer, e que, sem qualquer limitação ou distinção, mas que tudo o que você vê que Deus requer, você pode estudar para a prática.

6. Implorar de Deus e olhar para Ele por seu Espírito. Pois é o Espírito que a inspirou, que deve ser entendido para salvação, 1 Coríntios 2:11: "Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus". E, portanto, antes de ler, é muito razoável que você peça uma bênção daquilo que você está prestes a ler.

7. Cuidado com uma mente carnal e mundana: pois pecados carnais cegam a mente das coisas de Deus, e o coração mundano não pode favorecê-los. Em um eclipse da lua, a terra fica entre o sol e a lua, e assim a luz do sol permanece sob a mesma. Assim, o mundo, no coração, vindo entre você e a luz da Palavra, mantém a luz divina afastada de você.

8. Trabalhe para ser disciplinado em direção à piedade, e observe suas circunstâncias espirituais. Pois uma atitude disciplinada ajuda poderosamente para compreendermos as Escrituras. Tal cristão vai encontrar suas circunstâncias na Palavra, e a Palavra vai dar luz a suas circunstâncias e as suas circunstâncias luz na Palavra.

9. O que quer que você aprenda com a Palavra, tenha o trabalho de colocar em prática. Pois aquilo que pedir, lhe será dado. Não admira que as pessoas tenham pouco conhecimento sobre a Bíblia, que não fazem nenhum esforço para praticar o que sabem. Mas, enquanto o córrego flui em uma vida santa, a fonte será mais livre.

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Autor: Thomas Boston (1676 - 1732)
Fonte: Puritan Sermons
Tradução: César Augustos Vargas Américo
Divulgação: Bereianos
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Um estilo para a vida eterna

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Quando tratamos de estilos vemos uma diversidade deles em nossa sociedade. Esses estilos, no entanto, não são vagos, eles querem transmitir alguma mensagem ou ideal. Não obstante, isso não foge à regra do cristianismo. Não estou dizendo que o crente deve vestir isso ou aquilo, mas que o seu estilo de vida, o qual vai além de vestimentas, deve transmitir quem você é realmente, mostrando que a ética do cristianismo não se reduz a coisas passageiras que mudam com o tempo.


E é isso que o apóstolo Paulo vai tratar em Gálatas 5.19-23, onde lemos sobre as obras da carne (19-21) e o fruto do Espírito (22-23). As obras da carne nós podemos dividi-las em quatro áreas ou em quatro direcionamentos: para com o sexo, para com o culto, para com os relacionamentos e para com a alimentação.

Sexo

A palavra prostituição pode ser traduzida como fornicação ou imoralidade sexual, o que dá a entender que se trata de relações sexuais fora do casamento ou entre pessoas não casadas. A palavra impureza expressa um comportamento anormal e a palavra lascívia entende-se por uma vida de imoralidade e libertinagem. Essas três palavras expressam claramente os pecados proibidos no Sétimo Mandamento (Êx 20.14), como nos mostra a Pergunta 139 do Catecismo Maior de Westminster:

Os pecados proibidos no sétimo mandamento, além da negligência dos deveres exigidos, são: adultério, fornicação, rapto, incesto, sodomia e todas as concupiscências desnaturais; todas as imaginações, pensamentos, propósitos e afetos impuros; todas as comunicações corruptas ou torpes, ou o ouvir as mesmas; os olhares lascivos, o comportamento impudente ou leviano; o vestuário imoderado; a proibição de casamentos lícitos e a permissão de casamentos ilícitos; o permitir, tolerar ou ter bordéis e a frequentação deles; os votos embaraçadores de celibato; a demora indevida de casamento; o ter mais que uma mulher ou mais que um marido ao mesmo tempo; o divórcio ou o abandono injusto; a ociosidade, a glutonaria, a bebedice, a sociedade impura; cânticos, livros, gravuras, danças, espetáculos lascivos e todas as demais provocações à impureza, ou atos de impureza, quer em nós mesmos, quer nos outros.

Culto


A palavra idolatria não expressa, somente, adoração de imagens. Mas idolatria é tudo aquilo que substitui a Deus. Algo que nos faz mais feliz ou aquilo que não conseguimos viver sem, se não for centrado em Deus, sendo algo criado, é idolatria. No entanto, o contexto que Paulo trata de idolatria incluía práticas pecaminosas e religiosas que envolvia carnes sacrificadas a ídolos e praticas sexuais, como os bacanais. A palavra feitiçaria pode ser entendida como bruxaria e isso também envolvia idolatria, como mostra Hendriksen:

Quando a fé na magia substitui a confiança em Deus, ela é desmascarada como outra forma de idolatria[1].

Portanto, idolatria e feitiçaria são pecados contra o primeiro mandamento - Não terás outros deuses (Êx 20.3) – apresentados como os pecados proibidos:


105. Quais são os pecados proibidos no primeiro mandamento?
Os pecados proibidos no primeiro mandamento são [...] a idolatria, ter ou adorar mais do que um Deus, ou qualquer outro juntamente com o verdadeiro Deus ou em lugar dÊle; [...] o orar ou prestar qualquer culto religioso a santos, anjos ou qualquer outra criatura; todos os pactos com o diabo; o consultar com ele e dar ouvidos às suas sugestões; (CMW, ênfase acrescentada).

Relacionamentos


A terceira área abordada pelo apóstolo é a mais longa, a qual se tratada uma a uma seria longo demais. No entanto, podemos ver a ordem lógica e relacional uma com a outra como causa e efeito. Assim como as outras áreas das obras da carne são quebras dos Mandamentos, essa área também não foge à regra. Ela é uma expressão clara da quebra do Quinto Mandamento, do Sexto, do Novo e do Décimo. E, mais uma vez, o Catecismo Maior de Westminster nos ajuda a entender melhor.

O Quinto Mandamento:
126. Qual é o alcance geral do quinto mandamento?
O alcance geral do quinto mandamento é o cumprimento dos deveres que mutuamente temos uns para com os outros em nossas diversas relações como inferiores, superiores ou iguais.
O Sexto Mandamento:
136. Quais são os pecados proibidos no sexto mandamento?
Os pecados proibidos no sexto mandamento são: o tirar a nossa vida ou a de outrem, exceto no caso de justiça pública, guerra legítima, ou defesa necessária; a negligência ou retirada dos meios lícitos ou necessários para a preservação da vida; a ira pecaminosa, o ódio, a inveja, o desejo de vingança; todas as paixões excessivas e cuidados demasiados; o uso imoderado de comida, bebida, trabalho e recreios; as palavras provocadoras; a opressão, a contenda, os espancamentos, os ferimentos e tudo o que tende à destruição da vida de alguém (Ênfase acrescentada).       
O Nono Mandamento
145. Quais são os pecados proibidos no nono mandamento?
Os pecados proibidos no nono mandamento são: [..] invejar ou sentir tristeza pelo crédito merecido de alguém; esforçar-se ou desejar o prejuízo de alguém; regozijar-se na desgraça ou na infâmia de alguém; a inveja ou tristeza pelo crédito merecido de outros; prejudicar; o desprezo escarnecedor; [...] (ênfase acrescentada).
O Décimo Mandamento
148. Quais são os pecados proibidos no décimo mandamento?
Os pecados proibidos no décimo mandamento são: o descontentamento com o nosso estado; a inveja e a tristeza pelo bem de nosso próximo, juntamente com todos os desejos e afetos desordenados para com qualquer coisa que lhe pertença.

Alimentação


Em todos os pecados que lutamos contra, quantas vezes lutamos e oramos a Deus pedindo que nos converta dos pecados praticados na área da alimentação? Se ao comermos e bebermos não cometemos pecados, Paulo não nos exortaria em mostrar que bebedices e glutonarias são pecados. Se olharmos para a Santa Ceia descrita em 1º Coríntios 11 vemos que esses pecados eram praticados em meio à celebração. E é por isso que Paulo diz em 1Co 10.31 “quer comais, quer bebais, ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus”.

Essa recomendação não se aplica somente a área da alimentação, mas em todas as áreas em que os pecados são manifestos. Se todas as nossas ações, tanto na área religiosa ou da alimentação, se for feita para a glória de Deus, creio que os pecados serão evitados ou teremos pura consciência de lutarmos contra. 

Se o estilo daquele que vive em pecado são as práticas das obras da carne, o apóstolo mostra que o estilo verdadeiro e que agrada a Deus são o Fruto do Espirito, onde que, quando praticados, podemos vê-los em três áreas ou em três direcionamentos: Deus, o próximo e um testemunho público.

Deus

O amor, alegria e paz podem ser entendidos como relacionadas a Deus por aquilo que toda a Escritura mostra. Nós devemos, como resultado de nossa salvação, amar a Deus sobre todas as coisas e esse amor a Deus faz com que tenhamos alegria n'Ele, mesmo quando tudo vá mau (Fp 4.10-20). E, por fim, como resultado dessa salvação trazido por Jesus Cristo, temos paz com Deus (Cl 1.20), pois Cristo sofreu em nosso lugar a condenação que era para nós. Sendo assim, como resultado visível dessa obra de salvação, o amor, a alegria e a paz deve ser mostrado em comunidade, pois ter um relacionamento em discórdia com os irmãos é abominável diante de Deus (Pv 6.16-19).

O próximo

Ao contrário de ira, Paulo mostra que devemos ser longânimos. Ao invés de ter uma explosão de ira contra aqueles que nos afrontam, devemos trata-los não somente com paz, mas com benignidade e bondade. Jerry Brides define benignidade e bondade como:

Um desejo sincero de felicidade para outros; bondade é a atividade calculada para antecipar essa felicidade[2].

Ou seja, não devemos somente nos esquivar das afrontas, mas desejar que aquele que nos afronta seja feliz e, da nossa parte prática, fazer o bem a ele.


Testemunho

E, por fim, terminando a lista do fruto, Paulo mostra que devemos dar um bom testemunho público. Parece entranho dizer isso nessa parte, sendo que, no tópico anterior tratamos dos nossos relacionamentos e alguém poderá perguntar: “Isso já não faz parte do nosso testemunho?”. Sim, faz! Mas podemos ver naquela parte, como também na primeira, como algo pessoal e, digamos, secreto. Por isso, creio eu, que essa parte seja uma expressão pública.

A palavra fidelidade pode ser traduzida por , mas também pode ser traduzida por lealdade. Baseando-se nisso podemos ver que Paulo instrui os gálatas a serem fieis, uma vez que eles foram infiéis (4.16). Mansidão e domínio próprio andam de mãos dadas e expressam a reação nossa perante as situações que nos constrangem, evitando a nossa reação com ira.

Todas essas características descritas pelo apóstolo apontam para Cristo, mostrando que aqueles que foram crucificados com Cristo, crucificaram a carne, suas paixões e concupiscência (5.24).

Portanto, a “moda” que Deus exige de nós não é andar como A ou B, parecido com aquele ou aquela. Mas é viver no Espirito e andar no Espirito (v.25).

Isto é ser verdadeiramente espiritual e viver dignamente na moda.

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Notas:
[1] HENDRIKSEN, William. Comentário do NT – Gálatas. São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p.263
[2] BRIDGES, Jerry. A vida frutífera. São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 95

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Autor: Denis Monteiro
Fonte: Bereianos
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6 motivos pelos quais o cristão não deveria curtir o Carnaval

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1. É espiritualmente danoso. Carnaval é festa da carnalidade. A sensualidade é exaltada nas ruas e a imoralidade sexual é praticada nos salões. O cristão é aquele que crucificou a carnalidade com suas paixões e desejos (Gl 5.24), foge dos pecados sexuais (2Tm 2.22) e, revestido por Cristo, não alimenta mais a sua carne (Rm 13.13,14). Nesse sentido, não há nada mais prejudicial à santificação do que o Carnaval.

2. É culturalmente pobre. A cultura musical no Brasil não anda bem há muito tempo, porém, no Carnaval piora. As marchinhas de duplo sentido, de conotação sexual, são prova disso. Os carnavalescos até tentam colocar um pouco de história do Brasil nas letras das músicas, para dar uma impressão de alta cultura, mas o resultado é patético: trechos da nossa história acompanhados por batuques e mulheres nuas.

3. É patrioticamente desastroso. Infelizmente, mundo afora, o Brasil é conhecido como o país do futebol e do Carnaval. As cenas de mulheres nuas dançando em carros alegóricos percorrem o mundo reforçando a imagem de sexo fácil e prostituição em nosso país. Não são poucas as ocorrências de mulheres que são tratadas como prostitutas quando, no exterior, se identificam como brasileiras. A culpa desta confusão vem, em grande medida, do Carnaval.

4. É politicamente indecente. Desde a antiguidade os governos distraem o povo com pão e circo. Neste sentido, o governo brasileiro conta com a ajuda do futebol e do Carnaval. Neste ano, a situação é ainda pior por causa da crise que se instalou em nossa nação. Inflação retornando, desemprego crescente, empresas fechando as portas e o povo fazendo festa. Como dizia a música: Vida de gado, povo marcado, povo feliz...

5. É economicamente injusto. Os milhões de reais aplicados pelo governo nesta festa poderiam ser utilizados em moradia, hospitais e escolas. As ambulâncias e os policiais que são deslocados para os desfiles poderiam estar à disposição da população. Em um país que ainda atende doentes em macas nos corredores de hospitais, definitivamente, Carnaval deveria ser a última opção para o governo investir o dinheiro do contribuinte.

6. É socialmente nefasto. O Carnaval não traz bem algum para a sociedade. Pelo contrário, a quantidade de jovens se drogando e se alcoolizando é gigantesca. Doenças como gripe, herpes, conjuntivite, hepatite e AIDS se multiplicam neste período e a promiscuidade gera milhares de gravidezes indesejadas e abortos. O número de acidentes automobilísticos aumenta. No ano passado foram registrados 2.785 acidentes, com 1.786 feridos e 120 mortes nos 4 dias da “festa”.

Por tudo isso, é inconcebível que um cristão, comprometido com Jesus Cristo, possa ter alguma admiração pelo Carnaval. Se porventura você sentir-se tentado por esta festa, lembre-se que “Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação” (1Ts 4.7) e que todo aquele que ama as coisas deste mundo torna-se inimigo de Deus (Tg 4.4).

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Autor: Rev. Ageu Magalhães
Fonte: Página do autor no Facebook
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