0 De religioso e louco, todo mundo tem um pouco

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Por: Eudes Alencar

O artigo no jornal falava sobre os dramas de religiosos muçulmanos, imigrantes nos EUA que, para sobreviver, tinham que vender produtos haram (proibidos pela religião, tais como bebida alcoólica, carne de porco). O drama de consciência de alguns, a indiferença de outros e no meio de tudo o depoimento de um imã que era uma pérola do lavar as mãos: "Neste país, todo o mundo tem de fazer alguma coisa. Eu faço meu discurso diante das pessoas, depende da opção delas" E arremata: "Alá dará as punições no dia do julgamento; eu não tenho autoridade para isso."

Um jovem muçulmano confessou, queria vender apenas produtos halal, aqueles permitidos pela religião. Mas excluiria o público não religioso, reduziria sua freguesia, assim se conformava rezando, cheio de culpa pelas coisas ruins que dizia fazer, para que Alá o perdoasse. Isso é a tradução do ser religioso, no sentido mórbido da palavra.

O ser humano tem uma atração atávica pela tutela, ainda que, contraditoriamente, se rebele contra o mando, caso este lhe chegue à colher na boca, o teto frouxo, os molambos com que se veste. A maioria clama pelas cebolas e melões quando tem que, na hora fatal, assumir seu próprio destino. Nestas horas, as escravidões, da alma e do corpo, parecem pequenas, apenas um diminuto efeito colateral do luxo que é ter quem se preocupe, quem assuma as responsabilidades e no final, nos diga o que é halal e o que é haram.

Lidamos muito mal com a liberdade. Primeiro porque ela nos retira caminhos andados, circuitos fechados, marcos quase eternos com os quais nos acostumamos e os defendemos com ardor apaixonado: sempre foi feito assim, consolamo-nos. E isto é tudo que basta para não ter que enfrentar o peso de que, no final de tudo, cada um dará conta de si mesmo.

Que seja, a religião é boa. Preserva a saúde. Livra dos vícios. Conserva a família, ainda que a troco da dor dos que são subjugados nas ordens hierárquicas que cria. Ajuda a administrar o dinheiro – menos quando ele se torna “sacrifício” para agradar um demiurgo dono de banca. Um seu Nonô da vida, um Ebenezer Scrooge nunca antes visitado pelos espíritos.

Toda religião tem vocação para o legalismo, efeito de nossa permanente necessidade de ter tudo muito bem explicadinho e de não conseguir viver muito tempo no “vale da sombra da morte” sozinhos. Assim, para facilitar as inúmeras situações de encarar aquilo que não há explicação ou qualquer sentido, inventamos regras, leis, ritos que nos ajudam a substituir Deus que, por algum motivo insondável, calou-se, ignorou solenemente nossa petição por escape.

A questão é, novamente, a dificuldade de pensar só, se assumir. Concluir nossos próprios sentidos sem recorrer a Deus em sua explicação. Às vezes, simplesmente, Ele não está lá. Que dizer, está, mas alheia-se de propósito. Perdoem a licença poética em dizer que ele não está quando, afirmamos cheios de certeza, repetindo sua Palavra: Ele enche os céus e a terra, está em toda parte como descobre assombrado o salmista (Sl 139).

A religião se aproveita de nossa preguiça de pensar ou de conferir o falado com o escrito. Haverá sempre uma interpretação disponível, desde que um se alije de lutar com o texto que, na maioria das vezes, pede apenas interpretação textual simples, mesmo que não se saiba nada da língua nativa em que foi escrito. Quer dizer, basta saber ler e ter um pouco de bom senso.

A religião tem dificuldade em promover a paz. Padece de um mal recorrente, está sempre comparando seu séquito de dogmas com os outros e dizendo: estão errados. Antes da guerra com o outro, ela nos faz capitular ou permanecer em guerra contra nós mesmos. Ela fará tudo para sobreviver, ainda que a troco de sua morte mental ou física.

A única coisa sagrada para ela é ela mesma. Deus não é sagrado para a religião, ele é meio.

A religião explica Deus especialmente quando Ele, aparentemente, não valida aquilo que é o entendimento comum de sua Palavra. Ele parece não gostar do senso comum, pois, suspeito, Ele é Deus novo em cada relação que estabelece. Ela media Deus/Jesus e deixa o fiel com a versão que cria.

A religião fabrica gente com medo, suscetível, como os jovens muçulmanos que sofrem porque vendem produtos haram. As regras e a ameaça de inferno, caso quebradas, tornam as pessoas maleáveis para toda sorte de manipulação vil. Transformá-los em homens-bomba desesperados por virgens e rios de leite e mel, por exemplo.

No caso cristão, a religião os torna apáticos, alienados, primitivos dualistas que odeiam o corpo ou simplesmente em tolos cujo Deus parece-se mais com um gênio da lâmpada. Vestem roupas de marca, anseiam pelas riquezas e glória efêmeras e não sabem a menor diferença entre o halal e o haram. Para tudo isso, não se enganem, tem sempre um imã/pastor de plantão, mas lavará as mãos na primeira oportunidade porque, afinal, você é quem não tem fé suficiente.

A liberdade (Exousia), que pressupõe um poder de escolha, fazer o que é agradável, poder físico ou mental, capacidade ou força com que um é dotado, esta pede um radical abandono, um desprendimento do eu possessivo, uma submissão à lei do amor que temos em Cristo a fonte e a inspiração da vida.

Autor: Eudes Alencar
São Luis-MA
Fonte: [ Ultimato ]
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0 A morte da pregação (parte3):Pregação ou Palestra motivacional

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E segue o enterro da pregação, sem pompa nem circunstancia, mas já acharam substitutos: as palestras motivacionais, que infestam os pulpitos com promessas vazias de vitórias e conquistas, feito tirinhas de horóscopo nos jornais....papagaios de realejo de terno e gravata, toalhinha, voz esganiçada e cara-de-pau...banquinha de cd e apostila na porta, conta gorda e anel de doutor..."livrin chupinhado", frases "de(e)feito", mulher que canta e ar de intelectual...multidões fascinadas, encantadas e enganadas...bíblias customizadas, agendas cheias e festividade todo fim de semana...rajadas, barulho, e efeito de voz...Martinho Lutero, Spurgeon e cia., são chamados para dar aval e como não podem dizer "não" são trazidos à força...a Bíblia é citada ou lida por pretexto...no final de tudo uma chamada, um apêlo e uma oração e podem descer o caixão...

Autor: Francisco Jr.
Fonte: [ Adoração e Pregação ]

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0 Cientistas se comunicam com paciente em estado vegetativo

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Um grupo de cientistas europeus conseguiu estabelecer uma comunicação com um paciente em estado vegetativo, em que este respondia mentalmente "sim" ou "não" às perguntas dos estudiosos. A pesquisa publicada no New England Journal of Medicine na quarta-feira explica que o paciente está nessa condição vegetativa há sete anos, quando sofreu um acidente de trânsito.

Os médicos das universidades de Cambridge, na Inglaterra, e de Liège, na Bélgica, pediram ao paciente belga que imaginasse atividades motoras, como jogar tênis, para responder "sim", e imagens espaciais, como ruas, para indicar "não".

Os especialistas sabiam que cada tipo de pensamento ativaria uma área diferente de seu cérebro. Portanto, por meio de uma técnica de Imagem por Ressonância Magnética Funcional (IRMF, na sigla em inglês), que monitora a atividade cerebral do paciente em tempo real, eles puderam identificar suas respostas.

O paciente respondeu corretamente a cinco das seis perguntas sobre sua vida pessoal. Ele confirmou, por exemplo, que seu pai se chamava Alexander.

"Nós ficamos atônitos quando vimos os resultados do exame do paciente. Ele foi capaz de responder corretamente às questões que fizemos simplesmente alterando seus pensamentos", disse Adrian Owen, professor de neurologia da Universidade de Cambridge e um dos coordenadores da pesquisa.

A pesquisa

No total, o grupo trabalhou com 54 pacientes que sofrem de desordem de consciência, dos quais 23 estão em estado vegetativo. Eles também usaram a técnica com voluntários saudáveis, para efeito de comparação.

O repórter da BBC Fergus Walsh também passou pelo teste do IRMF. "Eu passei aos cientistas os nomes de duas mulheres, sendo uma delas a minha mãe. Eu me imaginei jogando tênis quando disseram o nome dela. Em um minuto eles sabiam qual das duas era a minha mãe. Eles também foram capazes de acertar se eu tinha filhos", narrou Walsh.

A pesquisa concluiu que dos 54 pacientes envolvidos, cinco foram capazes de voluntariamente alterar sua atividade cerebral. Três deles demonstraram inclusive algum grau de consciência, mas os outros dois não necessariamente mudaram seus pensamentos conscientemente.

Owen diz que o estudo abre o caminho para que o paciente em estado vegetativo possa tomar decisões quanto ao seu tratamento. "Você poderia perguntar se os pacientes sentem dor e então prescrever algum analgésico, e você poderia ir além e perguntar a eles sobre seu estado emocional", explicou.

O uso dessa técnica pode levantar questões éticas, como por exemplo, se é correto desativar os aparelhos para deixar um paciente em estado vegetativo morrer, já que ele pode ter algum grau de consciência e até capacidade de manifestar vontade própria.

Fonte: [ Terra ]
Via: Eis Nosso Tempo! ] / [ Blog dos Eleitos ]

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0 Amanuenses modernos

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Por: Yago Martins

“Por Silvano, vosso fiel irmão, como cuido, escrevi abreviadamente, exortando e testificando que esta é a verdadeira graça de Deus, na qual estais firmes.” (I Pedro 5.12)

Os Amanuenses na Roma clássica, eram pessoas (quase sempre escravos) dotadas do dom da escrita, por isso, dedicavam-se a copiar livros. Outro trabalho desses homens era escrever cartas, as quais eram ditadas por outros que não tinham a habilidade de escrita. Não é difícil perceber como a vida desses homens foi importante para a história, já que eles foram responsáveis por escrever várias obras na antiguidade.

Agora, imagine a importância deles para o Cristianismo. Quantas informações preciosas existem hoje por conta da existência de tais homens. Quão digna de honra foi a existência dos monges copistas, os quais foram usados por Deus para manter as sagradas escrituras sobre a terra. É conhecido de todos que Paulo ditava quase todas suas cartas para que algum amanuense escrevesse. Quantas verdades preciosas teríamos perdido se Deus não tivesse provido tais homens na vida do apostolo. Até mesmo Pedro, como no texto citado, usou esses homens na composição de suas epístolas.

Enquanto eu oro ao Senhor agradecendo pela existência dessas pessoas no longo da história, oro também para que Deus levante amanuenses modernos sobre a terra. Não falo de pessoas que se dediquem a escrever, mas falo de homens e mulheres de Deus, cheios do Espírito Santo, que entreguem a sua vida a propagar a mensagem de Cristo pregada por outros, assim como faziam os amanuenses antigos.

Não precisamos apenas de grandes pregadores, mas também de pessoas dispostas a levar essa mensagem o mais longe possível usando seus dons particulares. Quem sabe o dom de falar outro idioma não sirva para traduzir um bom livro? Quem sabe o dom de sincronizar legendas não sirva para fazer com que alguma pregação possa ser vista por deficientes auditivos? Porque não dedicar o dom de editar vídeos para melhorar o visual das pregações de algum bom teólogo?

Algumas pessoas podem estranhar o fato de eu chamar essas capacitações pessoais de ‘dons’, mas é isso que eles são. Uma das grandes perdas do Cristianismo é a ideia de que homens de Deus só podem servir para a obra quando seguram um microfone diante da congregação. Grande parte dos cristãos vive esperando algum cargo, para, a partir daí, se dedicarem à Obra do Senhor. Devemos sempre aprender com o que Deus disse para Moisés sobre Bezalel, quando escolhiam os artesãos para o tabernáculo:
“E o enchi do Espírito de Deus, de sabedoria, e de entendimento, e de ciência, em todo o lavor, para elaborar projetos, e trabalhar em ouro, em prata, e em cobre, e em lapidar pedras para engastar, e em entalhes de madeira, para trabalhar em todo o lavor.” (Ex 31.3-5)
Leia atentamente o que o texto diz. O próprio Deus está dizendo que encheu Bezalel com o Espírito Santo, com sabedoria, com entendimento e com ciência. Tudo isso com um único propósito: Elaborar projetos e esculpir em vários materiais. Será que nós podemos ter esse mesmo espírito nos dias de hoje? Deus, assim como nos tempos do Êxodo, ainda nos capacita com talentos humanos para usar tais habilidades para seu Reino. Indiscutivelmente, os talentos pessoais são instrumentos que devemos usar para propagar o Evangelho do Reino.

Lembre-se do que aconteceu em Atos 6, quando os gregos murmuraram contra os hebreus porque as suas viúvas estavam sendo desprezadas no ministério cotidiano. Devido a tais circunstâncias, os apóstolos se reuniram e disseram:
“Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério da palavra.” (At 6.2-4)
Veja quão gloriosa foi a resposta dos apóstolos. Eles expressam que servir as mesas era um importante negócio, pois iria ajudá-los a se dedicar unicamente ao ministério da palavra. Poucos são os homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria que querem servir mesas em meio ao evangelicalismo atual. Isso por um único motivo: Ninguém lembra os nomes dos que servem as mesas. Ninguém lembra a face de um amanuense do passado. Não existem biografias de escultores de templos.

Apenas quando nos desprendermos dessa busca satânica por reconhecimento é que iremos entender realmente a diversidade de ministérios. Leitor, você precisa entender que, talvez, você não seja chamado para ensinar, mas você pode ser chamado para dar suporte para aqueles que ensinam. Ore ao Senhor e analise a si mesmo para que Deus possa guiá-lo. Quem sabe você não é chamado para ser um amanuense moderno?

Fonte: [ Voltemos ao Evangelho ]
Via: [ Ministério Batista Beréia ]

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0 O que são as experiências de crise?

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Por: Heitor Alves

Existem crentes que dão muita ênfase às experiências pós-conversão, principalmente aquelas experiências advindas do batismo do Espírito Santo. Por outro lado, há muitos crentes (entre eles alguns reformados) que não dão a mínima às experiências de crise, e ainda criticam aqueles que passam ou já passaram por algo semelhante.

Não temos o direito de tirar ou minimizar as experiências de alguém. Não podemos incentivar as pessoas que rejeitem quaisquer experiências de crise que estão tendo ou venham a ter. Ninguém pode fazer isso. Somente a pessoa que passa por uma experiência sabe o que sentiu, e isso por si só nos impede que procedamos de maneira legalista, opinando, criticando e julgando experiências espirituais individualistas.

Nossa crença, como crentes calvinistas reformados, é que a Bíblia é o nosso único guia na doutrina, na prática e na experiência. De acordo com as Sagradas Escrituras, nenhuma experiência pós-conversão é prometida, ou apresentada, aos crentes. Mesmo assim, há crentes que fazem questão de afirmarem terem tido uma experiência de crise, porém, que tipo de experiência tiveram? O que causou esta experiência?

Talvez tiveram uma experiência de fortalecimento, ou uma experiência santificadora. Talvez as pessoas tenham tido apenas uma experiência de segurança. Ou talvez alguém tenha tido uma experiência de muita tristeza por ocasião de algum pecado não confessado, ou por ocasião de pecado constante na vida. Ou podem ter uma experiência de crise relacionada com vida espiritual morna, que deveria ser mais atuante.

As Escrituras nos encorajam a ter uma experiência específica, a da própria conversão. Isso equivale ao crescimento na graça e no conhecimento. Regeneração, conversão, justificação são os únicos fundamentos experimentais sobre os quais somos encorajados a construir.

1. Em alguns casos, a experiência de crise é a experiência da conversão.

A situação calamitosa do clima evangélico em nosso meio está tornando a conversão como uma experiência simples, fácil e sem deixar "marcas". Multidões têm "decididos" por Jesus em várias reuniões; são trazidas às igrejas com uma falsa segurança. E de uma hora pra outra, as pessoas se "tornam vivas" através de palavras "mágicas" do pastor. Das duas, uma: ou essa "palavra mágica" pode ser alguma promessa material para esta vida. Aliás, tudo se resume ao "aqui e agora". Ou pode ser o pronunciamento de algumas palavras, sem nexo e sem sentido, para estimular a emoção da pessoa e "forçar" que essas palavras sejam pronunciadas rapidamente, produzindo êxtase e um descontrole mental significante, ao ponto de fervilharem as emoções. Tudo isso para a pessoa acreditar que foi "movida", ou "enchida" pelo Espírito.

O que chamam de "segunda bênção" ou "consagração" é, na verdade, a primeira e grande bênção do novo nascimento. É muito comum notarmos em nosso meio a prática de induzir falsas profissões de fé, utilizando chamadas do púlpito ou instando as pessoas a vir para a frente, pressionando-as a tomar uma decisão. A teoria de uma misteriosa e súbita transição do crente para um estado de bem-aventurança, é algo que não encontramos base bíblica para isso.

Outra situação bastante comum entre os evangélicos é a prática de aceitar muitas pessoas espiritualmente sem vida como cristãos, baseado no testemunho de que aceitaram a Jesus como Salvador, mas não como Senhor. São pessoas que estão indispostas a "aceitarem" a Jesus como Senhor e vivendo vidas deploráveis. Os falsos profetas asseguram a essas pessoas que somente o testemunho verbal garante a salvação, e lá na frente, se quiserem, podem aceitá-lO como Senhor.

Mas não podemos negar que exista uma experiência de crise real e verdadeira nas pessoas que ficam despertadas pela primeira vez e se arrependem pela primeira vez. Esta é a conversão, a primeira bênção, e não a segunda. Não podemos dizer que um homem se converteu a Cristo sem que ele se consagre para Deus.

2. Em alguns casos, a experiência de crise é a experiência do viver santificado.

Encontramos em nossos dias inúmeras igrejas que dão pouca ou nenhuma instrução doutrinária e muito menos instrução prática sobre o viver santificado. Quando crentes, pobres na doutrina, se deparam com reuniões ou conferências onde são poderosamente “movidos” pelo Senhor, subitamente encontram poder e resolução para deixar hábitos pecaminosos, arrepender-se da preguiça e da indiferença, e daí para frente avançam na vida cristã.

Muitos acham que essa santificação “instantânea” (perfeita santificação) é baseada em alguns textos bíblicos. Mas o que eles não sabem é que esses textos fazem parte da categoria que os estudiosos chamam de santificação definitiva, ou seja, na conversão, o ato de ser separado por Deus é final e de uma vez por todas.

A referência é ao significado básico da palavra grega santificar, isto é, separar (1Co 1.2,6,11; Rm 6.2). Logo após terem sido separados, segue-se a obra interna e progressiva da santificação (Rm 8.13; Cl 3.5; 2Co 3.18; 7.1; 2Pe 3.18; 1Ts 5.23). A idéia de que por um poderoso ato de consagração se possa atingir perfeita santidade é errada e antibíblica.

Pode surgir um momento em nossas vidas que estamos tão distantes de Deus, que logo somos levados a reconhecer a necessidade de nos voltarmos para Deus com nossas vidas inteiramente dedicadas a Ele. Não devemos transformar esse impulso como algo sobrenatural e místico. Não há nada de “espetáculo” nisso. Isso nada mais é do que um comportamento natural daquele que foi nascido de novo e regenerado por Deus, desejando viver uma vida de santidade adequada aos padrões de Deus após um período de negligência na vida cristã.

A conversão e a consagração são simultâneas, no sentido de que nenhuma conversão realmente acontece se não significar uma verdadeira consagração a Deus. A consagração não é um avanço a outro estágio de experiência, e sim, um retorno a um estágio anterior. Esta é a vida do cristão: cheios de altos e baixos.

3. Em alguns casos, a experiência de crise é nada mais do que emoções e sentimentalismo.

A prova da realidade espiritual é a evidência dos frutos do Espírito, e não meramente profissões de fé exterior. Do que adianta exibir todo um sentimentalismo e emoções em cultos públicos, se não mostram melhorias inerentes na qualidade de vida em casa, no trabalho ou na igreja.

As igrejas estão cheias de pessoas sentimentalistas. Bastam algumas palavras do pastor que elas logo manifestam suas tendências ao emocionalismo, com atitudes e palavras fora do controle. E chamam isso de “ação” do Espírito!

Os pastores são verdadeiros psicólogos, pois “estudam” suas ovelhas para saberem quais são mais propícias ao sentimentalismo. Logo, o resultado esperado é sempre alcançado. As pessoas são levadas a crer que, de fato, foram movidas pelo Espírito, pois a “prova” disso e que elas não se lembram de nada. De fato, a emoção toma conta da mente de tal forma que qualquer raciocínio, razão ou percepção do lugar e das coisas, é anulada. As pessoas não se lembram do que fizeram, ou do que falaram.

4. Em alguns casos, a experiência de crise representa recuperação de declínio espiritual.

Todos concordamos que existem crentes que caem gravemente. E isso é testemunhado pelas Escrituras em vários lugares. Apenas para citar, temos o Salmo 51. Este salmo poderia ser descrito como uma experiência de crise na vida de Davi. No Novo Testamento, temos o caso de Pedro que, ao negar o Senhor por três vezes, falhou miseravelmente a ponto dele sentir o terrível peso do seu pecado. Ele fraquejou na fé e estava necessitado de recuperação ou restauração especial.

A restauração dos que caem é uma realidade. Que o declínio espiritual leva à apostasia é atestado pelas Escrituras. Isso é uma grande crise espiritual. Mas a restauração é possível, acompanhada por um profundo arrependimento e tristeza (2Co 7.11).

Todos nós somos passíveis a um período de fraqueza espiritual tal, que pode até fazer-nos abandonar a fé. Mas os que são eleitos de Deus sempre voltam ao primeiro amor. O verdadeiro crente pode até cair, mas jamais apostatar definitivamente da fé.

Conclusão

Não podemos negar as experiências de crise. O que, de fato, precisamos é identificar corretamente essas experiências à luz das Escrituras. Não há nada de espetacular ou especial nestas crises. Não podemos imaginar que seja a ação do Espírito se movendo sobre a pessoa, tornando sua vida espiritual mais elevada do que antes.

Tais experiências não têm, necessariamente, qualquer ligação com a santidade de vida. Tampouco as experiências devem ser tomadas como normas. As experiências de crise de alguns personagens bíblicos, ou até mesmo de algumas pessoas de dentro da igreja, são registradas para o nosso encorajamento apenas.

O erro de muitos crentes é acharem que se uma pessoa experimentou algum tipo de experiência, essa mesma experiência deve ser sentida por outros crentes. Isso é um erro! Ninguém pode, obrigatoriamente, buscar a mesma sensação espiritual ou experiência de crise que eu tive. Eu não posso me esforçar para sentir essas mesmas sensações que outra pessoa sentiu.

As experiências são individuais. A experiência que senti é minha somente. Ela não deve ser tratada como norma na igreja, ou mesmo doutrina. Mesmo com essa individualidade, as experiências não significam um avanço em algum “estágio” na santificação.

Ressalto que toda e qualquer experiência de crise deve ser analisada pelas Escrituras. Qualquer experiência que não encontrar apoio na Palavra de Deus deve ser desconsiderada e rejeitada.

Soli Deo Gloria

Autor: Heitor Alves
Fonte: [ Eleitos de Deus ]

2 O homem foi criado para pensar

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Começo com a criação. Deus fez o homem à sua própria imagem, e um dos aspectos mais nobres da semelhança de Deus no homem é a capacidade de pensar. É verdade que todas as criaturas infra-humanas têm cérebro, alguns rudimentos, outros mais desenvolvidos. O Sr. W.S. Anthony, do Instituto de Psicologia Experimental de Oxford, apresentou um trabalho perante a Associação Britânica, em setembro de 1957, no qual descreveu algumas experiências com ratos. Ele pôs obstáculos às entradas que continham alimento e água, frustrando-lhes as tentativas de encontrar o caminho naquele labirinto. Descobriu que, diante do labirinto mais complicado, seus ratos demonstraram o que ele denominou de “dúvidas intelectual primitiva”! Isso bem pode ser verdade. Todavia, mesmo que algumas criaturas tenham dúvidas, somente o homem tem o que a Bíblia chama de “entendimento”.

A Escritura assegura e evidencia isso a partir do momento da criação do homem. Em Gênesis 2 e 3 vemos Deus comunicando-se com o homem de um modo segundo o qual Ele não se comunica com os animais. Ele espera que o homem colabore consigo, consciente e inteligentemente, no cultivo e na conservação do jardim em que o colocara , e que saiba diferenciar- tanto racional como moralmente - entre o que lhe é permitido e o que lhe proibiu de fazer. Ainda mais, Deus chama o homem para dar nomes aos animais, simbolizando assim o senhorio que lhe dera sobre essas criaturas. E Deus cria a mulher de maneira tal que o homem imediatamente a reconhece como companheira idônea de sua vida, e então irrompe espontaneamente primeiro poema de amor da História!

Esta racionalidade básica do homem, por criação, é admitida em toda a Escritura. Na realidade, sobre esse fato se apóia o argumento normal que, sendo o homem diferente dos animais, ele deve comportar-se também diferentemente. “Não sejais como o cavalo ou a mula, sem entendimento”. Em conseqüência, o homem é escarnecido e repreendido quando o seu comportamento é mais bestial que humano (“eu estava embrutecido e ignorante; era como um irracional à tua presença”), e quando a conduta de animais é mais humana que a de alguns homens. Pois que às vezes os animais de fato superam os homens. As formigas são mais trabalhadoras e mais previdentes que o folgadão. Os bois e jumentos muitas vezes dão a seus donos um reconhecimento mais obediente do que o povo Deus ao Senhor. E os pássaros migratórios são melhores no arrependimento, já que quando partem em migração sempre retornam, enquanto que muitos homens que se desviam não conseguem voltar.

O tema é claro e desafiador. Há muitas semelhanças entre o homem e os animais. Mas os animais foram criados para se conduzirem por instinto, enquanto que os homens (apesar dos “behavioristas”), por escolha racional. Dessa forma os homens, ao deixarem de agir racionalmente, procedendo por instinto à semelhança dos animais, estão se contradizendo, contradizendo sua criação e sua diferenciação como seres humanos, e devem Ter vergonha de si próprios.

De fato é verdade que a mente do homem está afetada pelas devastadoras conseqüências da Queda. A “depravação total” do homem significa que cada parte constituinte da sua humanidade foi, até certo ponto, corrompida, inclusive sua mente, a qual a Escritura descreve como “obscurecida”. Com efeito, quanto mais os homens reprimem a verdade de Deus que reconhecem, mais “fúteis”, ou mesmo “insensatos” se tornam no seu pensar. Podem declarar-se sábios, mas são tolos. A mente deles é a “mente da carne”, a mentalidade de uma criatura decaída, e é basicamente hostil a deus e à sua lei.

Tudo isso é verdade. Mas o fato de que a mente do homem é decaída não nos pode servir de desculpa para batermos em retirada, passando do pensamento à emoção, já que o lado emocional da natureza humana está igualmente decaído. De fato, o pecado traz mais efeitos perigosos à nossa faculdade de sentir do que à nossa faculdade de pensar, porque nossas opiniões são mais facilmente controladas e reguladas pela verdade revelada do que nossas experiências.

Assim, pois, apesar do estado decaído da mente humana, ainda o homem lhe é ordenado pensar e usar sua mente, na condição de criatura humana que é. Deus convida o Israel rebelde. “Vinde, pois , e arrazoemos, diz o Senhor”. E Jesus acusou as multidões descrentes, inclusive os fariseus e saduceus, por poderem interpretar as condições meteorológicas e preverem o tempo, mas não poderem interpretar “os sinais dos tempos” nem preverem o julgamento de Deus. “Por que perguntou-lhes. Em outras palavras: por que não usais os vossos cérebros? Por que não aplicais ao campo moral e espiritual o sentido comum que empregais no físico?”

A sociedade secular, por esse mundo a fora, concorda com o ensino da Escritura acerca da racionalidade básica do homem, constituída em sua criação e não de todo destruída na Queda. Os propagandistas podem dirigir os seus apelos promocionais aos nossos apetites mais baixos, mas eles não têm nenhuma dúvida de que temos a capacidade de distinguir entre produtos: de fato, muitas vezes até mesmo chegam a lisonjear o consumidor que discrimina. Quando sai a primeira notícia de um crime, geralmente ela vem com a frase “o motivo ainda não foi descoberto”. Pressupõe-se, como se vê , que mesmo a ação criminosa tem uma motivação, seja ela qual for. E quando nossa conduta é mais emocional do que racional, ainda assim insistimos em “racionalizá-la”. O próprio processo chamado “racionalização” é significativo. Indica que o homem de tal forma se constituiu num ser racional que quando não tem razões para a sua conduta ele tem que inventar alguma para se satisfazer.
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Fonte: Crer é também Pensar, John W. Stott.

Via: [ Blog Eleitos de Deus ]

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1 Agora foi!!!! Ex-sensitiva responde

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Não, eles não estavam satisfeitos em moldar a Bíblia de acordo com as suas convicções e pensamentos. Não estavam satisfeitos em criar doutrinas baseadas em textos fora de contexto. Não estavam satisfeitos em criar uma galeria de amuletos e incentivar o povo a achar que eles são milagrosos...

Não estavam satisfeitos em benzer águas de todo tipo e atribuir a elas poderes mágicos. Não estavam satisfeitos em declarar a pobreza uma maldição. Não estavam satisfeitos em ordenar e determinar que Deus realize seus desejos. Não estavam satisfeitos em declarar que existe maldição hereditária...

Agora foi! Ex-sensitiva responde as perguntas "ocultistas" do povo. E a base das respostas é o próprio ocultismo. Não deveria ser a Bíblia?

Se você tem uma dor de cabeça chatinha, viu uma sombra estranha dia desses, está meio cansado ou desanimado, achou uma vela vermelha na porta de sua casa, tropeçou numa galinha preta no caminho do trampo, achou seu nome na boca do sapo, está com aquela dor de estômago insistente, seu chefe anda meu esquisito com você, sua mulher não está te dando muita bola ultimamente...

Seus problemas acabaram! A ex-sensitiva da universal desvenda os mistérios do mundo do cão. Ela sabe tudo! Conhece todos os caminhos do diabo e todas as artimanhas de seus "anjinhos". Conhece os demoninhos pelo nome e sabe como solucionar as estripulias do tinhoso e seus camaradas.

Não vá perguntar coisas bobas, tipo: Como alcançar a vida eterna? Como ser liberto por Jesus? O que faço para entregar a minha vida para Cristo? Por que Jesus morreu na cruz? Por que sou um pecador?

Infelizmente é para respostas [vazias] de uma ex-sensitiva que um horário caríssimo da TV tem sido usado. Palavra de Deus? Jesus? Cruz? Arrependimento? Novo nascimento? Justificação? Proclamar o evangelho?

Seria pedir demais que trocassem as respostas de uma ex-sensitiva por respostas bíblicas sobre os itens citados acima?

Autor: André Sanchez
Fonte: [ Esboçando ideias ]

0 A influência danosa da doutrina da prosperidade

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por: Marcos Sampaio

Creio profundamente que a mensagem da cruz, um sacrifício expiatório pelos pecados e os sofrimentos de Jesus, não condiz muito com a noção de que Deus garante saúde, riqueza e prosperidade para os justos. Nossa comunhão dos sofrimentos de Jesus [Filipenses 3:10] e o nosso dever de seguir seus passos [1 Pedro 2:20-23], também são contraditórios com os princípios fundamentais da doutrina da prosperidade. A mensagem de prosperidade é um evangelho diferente [cf. Gálatas 1:8-9].

E lamentavelmente esse conceito de fé tem sido realmente mais conhecido do que a doutrina da justificação pela fé. A mensagem de prosperidade está influenciando de maneira danosa as inúmeras pessoas como se o evangelho fosse simplesmente uma mensagem sobre a terra e riquezas materiais, algo temporal ao invés das bênçãos infinitamente maior como o perdão dos pecados e da bênção eterna da união espiritual do crente com o Filho de Deus.

Precisamos com ousadia renunciar e afastar de nós a loucura dessa doutrina, e se agarrar cada vez mais firmemente à Palavra de Deus e ao verdadeiro, glorioso e eterno evangelho de Cristo.

Pense nisso!

Marcos Sampaio
Fonte: [ Fé Reformada ]

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