0 Uma breve História do Movimento Reformado

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Neste vídeo o Rev. Dorisvan Cunha faz uma breve palestra a respeito da História do Movimento Reformado, ou Calvinista. Ao contrário do que alguns pensam, o movimento não começou com João Calvino. Na realidade, começou com Zuínglio, em Zurique, na Suíça. Assista:


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Fonte: Guerra pela Verdade
Divulgação: Bereianos
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0 Pastores, líderes e editoras: precisamos de uma teologia apologética tupiniquim

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Por Leonardo Gonçalves


A apologética cristã – um discurso em defesa das doutrinas cristas - é talvez um dos tópicos mais negligenciados pelos nossos estudiosos. Raramente consta no currículo de algum seminário e comumente se confunde com a heresiologia. No entanto, o atual quadro do cristianismo me faz pensar que poucas vezes ela foi tão necessária. Em tempos difíceis como os nossos, em que evangélicos estão dando as mãos aos católicos, espíritas e budistas em nome do “diálogo inter-religioso” e em que despontam novas espiritualidades, algumas estranhas e avessas ao evangelho de Jesus, é preciso que a liderança séria do nosso país se desperte para a necessidade de elaborarmos uma sólida apologética com a qual possamos combater as doutrinas modernas, geralmente diluídas entre filosofias ocas e relativizantes.

Uma das razões porque defendo que a teologia brasileira deve ter ênfase apologética, vem do nosso contexto histórico-cultural. Os portugueses trouxeram o catolicismo romano. Os africanos arribaram suas crenças em espíritos orixás. Os nativos contribuíram com suas crenças animistas. Isso sem falar no êxodo que houve por ocasião das guerras mundiais, quando japoneses, italianos, poloneses, alemães aportaram por aqui, cada grupo trazendo sua própria cultura religiosa, a qual se misturaria com as crenças já diluídas dos brasileiros. A verdade é que vivemos em uma nação continental onde credos e raças se confundem e exercem influência sobre a sociedade e a religião, demandando dos pastores e pesquisadores um constante raciocínio apologético.

A segunda razão porque defendo a tese de que a teologia brasileira deve ser apologética, é a nossa obstinação em importar tendências. Historicamente acostumados a toda sorte de crenças estrangeiras, o povo brasileiro tem como praxe a “tolerância”. Na verdade, a nossa cultura se parece mais com uma grande esponja, a qual tudo absorve e incorpora, e esta tendência também pode ser vista nas igrejas. Assim, em um mesmo segmento evangélico é possível encontrar conceitos que variam da Teologia da Prosperidade ao Teísmo Aberto, e do Neopentecostalismo ao Liberalismo Teológico. É necessário que a liderança séria do nosso país seja revestida de uma percepção apologética e através de meditação e submissão à Palavra, comece a separar os alhos dos bugalhos.

A terceira razão porque defendo a elaboração de uma teologia apologética nacional é que ninguém conhece melhor a igreja brasileira do que os crentes brasileiros. Obviamente que, como muito do que acontece no cenário teológico é um déjà vu de alguma teologia que surgiu lá fora, a produção de apologistas estrangeiros é de grande importância para nós. Não podemos, porém, negligenciar o fato de que nosso país tem uma problemática própria e muitas das nossas inquietudes não perturbam os grandes mestres da apologia internacional. Lá, fala-se muito em ateísmo e evidências da ressurreição, mas aqui no Brasil o numero de ateus e de pessoas que não creem na ressurreição é consideravelmente menor, sendo este assunto, em certo sentido, menos relevante para nós. Por outro lado, o brasileiro convive com espiritismo, reencarnacionismo e ritos africanos que se misturam com crenças cristãs, mas pouca gente lá fora está preocupada com isso. Assim, ao importar todos os livros de apologética estrangeira, memorizar seus jargões e despejar aquele “grande conhecimento” sobre nossos ouvintes, corremos o risco de ser supérfluos ao ponto de responder perguntas que ninguém está fazendo.

Creio que o momento é oportuno para implantar a apologética em nossas escolas teológicas, dando a ela não um papel secundário, mas essencial na formação dos nossos teólogos e líderes eclesiásticos. Também penso que as editoras evangélicas não perderiam em investir em apologistas nacionais tanto ou até mais do que investem na tradução de obras estrangeiras, pois o que percebo é uma grande carência de estudos especializados voltados para nossa realidade nacional. Penso ainda que a popularidade dos blogs e sites que se dedicam à defesa do cristianismo em um contexto tupiniquim é a prova cabal de que jamais houve momento melhor para se investir nos apologistas nacionais.

É tempo de investir numa teologia com sotaque nordestino, mineiro, paulista e paraibana; uma teologia verde-amarela, indígena, mameluca, curiboca, teologia mulata, robusta, com cara de Brasil.

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Fonte: Púlpito Cristão
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0 Os sonhos de Deus?

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Por Thomas Magnum


Uma pergunta dessas no século dezesseis seria absurda. Nos anais da reforma protestante encontramos discursos, tratados, sermões, confissões, catecismos e declarações de fé que vão dizer que Deus é soberano e que é o governador absoluto do universo. No entanto, vivemos momentos estreitos nas terras tupiniquins onde Deus leva porta na cara, como diz a música de uma celebridade do gospel nacional, Deus pede permissão para operar na vida de alguém. Esse não é o Deus das Escrituras! A frouxidão doutrinaria no ranço da musicalidade evangélica brasileira é repleto de heresias, desvios doutrinários e sorrateiras doses de liberalismo, libertinagem, pluralismo, hedonismo e blasfêmias a sã doutrina.

Tive o desprazer de ver algumas vezes os surtos de modinhas na música gospel no Brasil. Um tempo desses, todos cantavam sobre chuva, tudo era chuva. Depois, apaixonados por Deus, aí todo mundo cantava que estava apaixonado. E dentre tantas modas musicais no meio gospel, surge os sonhos de Deus. Eu pergunto: onde está escrito que Deus sonha? Alguém que sonha é porque não tem perspectiva do futuro, não tem domínio sobre a história, tal afirmativa diminui a soberania de Deus e o coloca como um Deus frustrado que não pode agir na criação, invalida a doutrina da providência que é o cumprimento histórico dos decretos de Deus. Se Deus sonha, então o cumprimento de seu sonho depende de quem para se cumprir? Alguém que sonha não tem poder em si mesmo desamparado por causas externas para cumprir o fato. Sei que quem tem cantado isso não acredita que existe um Deus acima de Deus, mas muitas vezes em nome da licença poética se ultrapassa os ensinos da sã doutrina, isso é muito perigoso.

A Confissão Fé de Westminster diz sobre os decretos de Deus:

Desde de toda a eternidade e pelo mui sábio e santo conselho de sua própria vontade, Deus ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece. ¹

A confissão de fé Belga nos diz:


Cremos que o Bom Deus, depois de ter criado a todas as coisas, não as abandonou nem as entregou ao acaso ou à sorte, mas as dirige e governa conforme sua santa vontade de tal maneira que, neste mundo, nada acontece sem a sua determinação. ²

É interessante notarmos aqui que o emprego da palavra
sonho carrega nessas músicas um aparato semântico, ou seja, o significado de sonho aqui é idealização, aspiração por algo bom para o futuro. Vemos na Bíblia, principalmente no Antigo Testamento, alguns sonhos; o copeiro de Faraó, o próprio Faraó, Nabucodonosor. Notamos, no entanto, que os sonhos foram dados por Deus e também sua interpretação, os sonhos ali tinham um porque, Deus deu aqueles sonhos e deu a interpretação, por quê? Simplesmente porque ele domina a história, ele diz o que irá acontecer.

Vejamos alguns textos bíblicos:

"Para que se saiba desde o nascente do sol, e desde o poente, que fora de mim não há outro; eu sou o SENHOR, e não há outro. Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas. " - Isaías 45.6,7

"Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!" - Romanos 11.33

"A sorte se lança no regaço, mas do SENHOR procede toda a determinação."Provérbios 16.33 

Portanto, Deus não tem sonhos, porque sonhar é algo puramente humano, Deus tem decretos e planos. E a Bíblia nos diz que nenhum dos seus planos pode ser frustrado (Jó 42.2). A teologia esboçada no gospel infelizmente está cheia de erros e problemas doutrinários. Infelizmente vivemos na geração que mais canta nas igrejas, mas também a mais analfabeta de Bíblia. Shows, eventos e entretenimento tomaram o lugar da meditação, do estudo, da leitura e da pregação da Palavra. Não sou contra todas as formas de entretenimento, devemos ter momentos de recreação e relaxamento, isso é bom e é bíblico, mas a verdade das Escrituras não pode ser negociada, o Senhorio de Cristo deve ser a tônica do culto, das canções e de tudo que fizermos em nossa vida. Que Deus nos ajude, minha oração é que Ele levante uma geração que ama as Escrituras Sagradas e não os prazeres que as vãs filosofias oferecem.

Sola Scriptura,  Solus Crhistus, Sola Gratia, Sola Fide, Soli Deo Gloria!

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Notas:
[1] CFW, cap 3
[2] Confissão Belga, artigo 13

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Divulgação: Bereianos
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1 A Igreja, de fato, habitará no Céu?

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Por Roberto de Carvalho Forte


É comum, nos dias de hoje, em grande parte das igrejas, ao tratarem sobre a escatologia, afirmarem que quando Cristo vier, a igreja irá morar no céu. Há até mesmo muitas canções que declaram isto, e pelo fato de muitos não examinarem as Escrituras quanto a tudo o que ouvem, lêem ou cantam, acabam formando sua “teologia” baseada apenas em alguns clichês ou canções, e também por conta de uma forte influência do dispensacionalismo. O cantor Lázaro, em sua música “Morar No Céu”, declara enfaticamente: “Ainda bem que eu vou morar no céu”.

Anthony Hoekema, comenta: “A partir de certos hinos, temos a impressão de que os crentes glorificados passarão a eternidade em algum céu etéreo, em algum lugar no espaço, bem longe da terra”. [1]

Mas, afinal de contas, onde a igreja habitará?

O termo “morar no céu” certamente é citado por muitos por causa da passagem em João 14, que diz: Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar. (v.2). Seria essa “morada de Deus” o céu, neste contexto? O versículo 23, deste mesmo capítulo, responde: “Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.”. O substantivo grego no singular μονή, e no plural μοναὶ, aparecem apenas duas vezes no NT, que correspondem à “morada” e “moradas”, respectivamente, e só são encontradas neste capítulo. Jesus disse aqui aos discípulos que subiria ao céu, mas não os deixariam órfãos, pois os enviariam o Consolador (v.16), e que faria morada nos crentes (v.23), e esta promessa já se cumpriu com a vinda do Espírito Santo. (Para um entendimento mais amplo sobre isto, sugiro a leitura de um artigo no site da Mackenzie, fonte no rodapé [2])

Mas o que vemos nas Escrituras são textos bíblicos que apontam para novo céu e nova terra, que é o caso de 2 Pe 3:13, que diz: “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça.”. Jesus disse em Mateus 5: “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” (v.5). E ainda em Apocalipse 21, referindo à eternidade: E vi um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.” (v.1). No AT, temos esta promessa em Isaías 65: “Porque, eis que eu crio novos céus e nova terra; e não haverá mais lembrança das coisas passadas, nem mais se recordarão.” (v.17), e em Isaías 66: “Porque, como os novos céus, e a nova terra, que hei de fazer, estarão diante da minha face, diz o Senhor, assim também há de estar a vossa posteridade e o vosso nome.” (v.22). 

Hoekema, comenta: “Existe uma passagem no livro de Apocalipse que fala acerca de nosso reinado sobre a terra: ‘Digno és [Cristo] de tomar o livro e de abrir-lhe os selos, porque foste morto e com teu sangue compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação e para o nosso Deus os constituíste reino e sacerdotes; e reinarão sobre a terra’ (Ap 5:9-10). Embora alguns manuscritos tragam o verbo ‘reinarão’ no tempo presente, os melhores textos trazem o tempo no futuro. O reinado sobre a terra dessa grande multidão redimida é representado aqui como a culminação da obra redentora de Cristo por seu povo.” [3]

A terra que hoje vivemos será restaurada, e não aniquilada. Como escreveu William Hendriksen: “Os céus e a terra que agora existem foram reservados para o fogo, de forma que logo os céus estarão queimando [..] serão dissolvidos e os elementos derreterão com calor fervente” [4]. E ele conclui: “O fogo não anulará o universo. Depois do fogo ainda existirão os mesmos ‘céus e terra’, mas gloriosamente renovados, como explicado em 2 Pe 3.13; Apocalipse 21:1-5.” [4]

Pedro, o apóstolo, escreve: “Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios. Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão [...] em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão?”  (2 Pe 3:7,10,11,12). 

Depois dessa restauração, a nova Jerusalém (símbolo da Igreja de Cristo) descerá do céu à nova terra, “adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido” (Ap 21:2) e reinará eternamente com Cristo.

Podemos afirmar, portanto, que não só teremos o céu na eternidade, mas habitaremos no Novo Céu e na Nova Terra, e Cristo será eternamente o Rei: “Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.” (Apocalipse 21:3)

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Notas:
1 – A Bíblia e o Futuro, Anthony A. Hoekema, pág. 292.
2  Jesus e as moradas na casa do Pai: interpretando monai em João 14
3 – A Bíblia e o Futuro, Anthony A. Hoekema, pág. 300.
4 – A Vida Futura Segundo a Bíblia, William Hendriksen, pág. 257.

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Fonte: Bereianos
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