1 Louvor e teologia: uma união inseparável

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Por Fabio Correia


1 - Quando cantamos cânticos de louvor e adoração a Deus, qual nossa intenção? Reconhecemos seus atributos, sua divindade; dizemos o quanto Ele é grande e majestoso. Em fim, o que queremos, em última análise, AGRADAR a DEUS. Agradar a Deus: esse é o objetivo do louvor.

2 - Conseguiremos agradar a Deus dizendo ou cantando coisas que são contrárias ao que Ele diz sobre Si mesmo, sobre o homem e sobre o mundo, nas Escrituras?

3 - Há pelo menos três grandes cosmovisões acerca do entendimento sobre Deus, sobre o homem e sobre o mundo, que influenciará, necessariamente, no que se dirá a Deus nos louvores, sempre com a intenção de AGRADÁ-LO. São elas: a) Calvinismo; b) Arminianismo; c) Pentecostalismo e suas variantes neopentecostais.

4 - Esses pressupostos teológicos se contradizem em muitos pontos. Ou seja, não existe possibilidade lógica de todos eles estarem certos, ao mesmo tempo, em determinados assuntos, pois são opiniões autoexcludentes. Por exemplo: o arminiano diz que o homem tem livre-arbítrio. O Calvinismo diz que o homem não tem mais livre-arbítrio. O pentecostal, que é arminiano por natureza, acredita em novas revelações, sonhos, dons de línguas, etc, os calvinistas e arminianos tradicionais, não.

5 - Então, como Calvinistas, Arminianos e Pentecostais podem AGRADAR a Deus com seus louvores? Dizendo ou cantando aquilo que consideram correto acerca de Deus, do mundo e do homem. Ora, se o arminiano entende que a doutrina da eleição é errada, como poderá cantar louvores que ensinam essa doutrina? Se o calvinista entende que a doutrina do livre-arbítrio é errada, como poderá cantar louvores que tenham essa conotação? Se tanto arminianos tradicionais quanto calvinistas entendem que os dons revelacionais cessaram, como poderão cantar louvores que falam e sugerem a existência de novas revelações?

6 - Não existe neutralidade em louvores ou afirmações religiosas. Necessariamente elas estarão defendendo uma dessas três grandes cosmovisões, em suas características peculiares;

7 - Cantar louvores é cantar doutrina, inevitavelmente, como sugeria Lutero.

8 - Se o objetivo do louvor congregacional é AGRADAR a Deus, sua igreja só pode cantar aquilo que, no entendimento dela, representa a interpretação correta do que Deus disse acerca de Si mesmo, do homem e do mundo;

9 - Todos que são diretamente ligados ao louvor da igreja, especialmente os líderes, devem conhecer, de forma muito clara, qual é o entendimento doutrinário da sua igreja, sob pena de estar levando a congregação a cantar coisas que DESAGRADAM a Deus, do ponto de vista da cosmovisão doutrinária assumida por esta igreja. Por isso, os responsáveis pelo louvor no VT eram, via de regra, sacerdotes; portanto, conhecedores do entendimento doutrinário.

10 - Igrejas Calvinistas não devem cantar louvores com ensinamentos Arminianos. Igrejas Arminianas não devem cantar louvores com ensinamentos Calvinstas. Igrejas Calvinistas e Arminianas tradicionais não devem cantar louvores com ensinamentos Pentecostais. Igrejas pentecostais não devem cantar louvores com ensinamentos calvinistas e/ou tradicionais.

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Fonte: Filosofia Calvinista
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0 Alimentando ovelhas ou divertindo bodes?

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Por Thiago Azevedo

Em dias atuais esta é a pergunta que não quer calar. Ela não é recente, Charles Spurgeon, mais conhecido como o príncipe dos pregadores, teceu-a em um artigo disponível no site Monergismo (acessado em 22/09/2014). Nunca se viu a igreja entretendo tanto o povo ao invés de pregar o evangelho, nunca se viu “pastores” que mais parecem animadores de auditórios ou comediantes de stand up comedy divertindo a massa. Nunca se viu tanta artimanha para atrair os bodes, e, enquanto isso, as ovelhas ficam numa dieta forçada, com pouco alimento consubstanciado e nutritivo – e em alguns casos, nem alimento tem. Estes líderes precisam entender conforme o velho jargão que há nos círculos cristãos “Comida de ovelha todo bode come, mas comida de bode, ovelha não come”.

Por que tanta preocupação em agradar os bodes, em atrair os incrédulos e em fazer o evangelho parecer algo divertido e pitoresco ao invés de alimentar as ovelhas em pastos verdejantes? Na atualidade, as igrejas realizam tantas festividades voltadas para o incrédulo que acabam se esquecendo das ovelhas que estão em seu ambiente. Em certa ocasião, tive acesso ao calendário anual de uma determinada igreja e lá constava mais cultos e festas voltadas para o lado de fora da igreja do que algo voltado para os fiéis daquela instituição. Não estou querendo dizer com isso que estas atividades externas não devam existir, mas a atenção maior, sem dúvida, deve ser dada aqueles que estão no lado de dentro da igreja, isso conforme o próprio texto bíblico de 1Tm 5:8. Deve haver uma preocupação primária com os da família da fé. A proposta-mor destes líderes do evangelho humorístico e banalizado, voltado apenas para o incrédulo é a aliança com o mundo. Eles baixam o nível do evangelho para que este seja visto como acessível, retiram a exclusividade de Cristo da pregação, entendendo que isso cria uma barreira para os incrédulos. Omitem preciosas doutrinas bíblicas só para que o evangelho pareça algo diferente daquele que foi pregado pelos apóstolos e pais da igreja.

O reverendo Renato Vargens, em seu livro “Reforma agora”, mostra a gama de falsos apóstolos que proferem interpretações bíblicas, se gabando destas interpretações particulares serem mais valiosas que os ensinos dos próprios apóstolos. Recentemente, um líder religioso de uma dessas igrejas, que mais parece um grande picadeiro, teceu a seguinte frase: “Paulo não compreendeu o que Deus quis dizer nesta passagem, e eu irei mostrar a todos o que de fato Deus queria aqui”. Perceba o tom de superioridade e a carga maligna destas palavras. Comportamento bem distinto dos apóstolos de Cristo do primeiro século que, além de humildes, tinham as Escrituras como sendo sua base Jo 3:30 / 2Tm 4:2. Por sinal, no texto citado de Timóteo a recomendação de Paulo é a pregação da palavra e não para contar piadas ou para entreter o povo. Inclusive, Paulo alerta o jovem pastor Timóteo dos tempos que surgiriam homens que iriam repudiar a sã doutrina e com coceiras no ouvido, segundo seus próprios desejos, juntarão mestres para si mesmos (2Tm 4:3).

A gama acachapante de homens que desejam que os holofotes e todas as atenções estejam voltadas para eles é realmente surpreendente. O princípio de Jo 3:30 cai por terra. Em Ef. 4:11 as Escrituras relatam que Deus deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores. A Bíblia, em lugar nenhum, diz que Deus levantou um ministério do entretenimento ou da comédia, dando este dom a alguém – isso não passa de invenção do homem. Em certa ocasião, certo “pastor” pregou mais de 40 minutos e nem sequer a Bíblia abriu. Este homem contou toda sua história e trajetória de vida, aliando risadagem e contos engraçados. A plateia se deleitava enquanto eu voltava para casa – e eu ainda fiquei com fama de herege. Em outra ocasião, conversando com um amigo, este me disse que o verdadeiro pastor é aquele que abre a Bíblia, lê um texto, e depois disso fecha a Bíblia e prega com ela fechada. Em amor, lhe expliquei que isso não procede. A omissão da Bíblia é uma estratégia para que não se compare ou se avalie o que está sendo dito. Durante mil anos a humanidade sofreu com isso. O que muitas vezes contribui com este panorama é a própria falta de entendimento e ignorância do povo (Os 4:6). Pois, pautados pela a ideia de que julgar não é dever nosso, e este entendimento provém de uma interpretação pobre de Mt 7:1.

Alguns dão campo para atuação destes falsos mestres e, com isso, permitem que a igreja se torne um circo e uma fonte de entretenimento, direcionada mais para quem se encontra fora dos portões dela. A Bíblia nos traz vários textos que alertam acerca de falsos prodígios e sinais, mentiras e falsidade, são eles: (Mateus 24:4; 2 Coríntios 11:13-15; 2 Timóteo 3:13; Apocalipse 13:13-14; 16:13-14). Se acreditarmos na Bíblia, podemos esperar uma abundância de falsos milagres. Logo, como se deve avaliar se tudo isso é verdadeiro ou como se deve avaliar a postura de um líder? A resposta é JULGANDO DE ACORDO COM AS ESCRITURAS! João adverte para testar os espíritos em 1Jo 4:1. Também adverte acerca daqueles que não são de Deus (1 Jo 4:6). Era mais ou menos o comportamento dos cristãos de Bereia (At 17:10-11) que examinavam o ensinamento de Paulo e de quaisquer outros pela Escritura. As Escrituras são o crivo, e não se o sujeito é ou não cômico ou promove entretenimento. O final do versículo 11 do texto supracitado diz que os cristãos de Bereia examinavam diariamente as Escrituras para ver se os ensinos procediam. Deve ser por isso que cada vez mais as igrejas estão se tornando verdadeiros parques de diversão e as ovelhas estão famintas e desnutridas, em paralelo, os bodes estão cada vez mais robustos e cevados pelo fato de serem alimentados constantemente.

Não há mais o costume de examinar as Escrituras e confrontar o que está sendo dito e o que está errado. De certa forma, há um regresso aos tempos medievais, vive-se na atualidade uma nova idade média, onde a Bíblia tem - cada vez mais caído no esquecimento e na omissão. Isso é fruto da estratégia maligna de alguns líderes tendenciosos. Em Gálatas 1:8-9 Paulo diz que ainda que ele ou um anjo que venha do céu pregue algo diferente, seja este amaldiçoado. Como saberá se é diferente ou não? Por meio das Escrituras Sagradas. Em outras palavras, é como se Paulo estivesse dizendo que ele mesmo, o seu ensino, devia ser confrontado para ver se era ou não verdadeiro. Por que, na atualidade, não vemos os líderes fazendo esta proposta? Por que os pastores atuais não pedem para os fiéis procurarem na Bíblia onde constam estes tipos de ensino como: ungir objetos, dízimos astronômicos, correntes de fé, copo com água santificada ou vendas de objetos santos que transmitem graça? Ou ainda, por que os líderes da atualidade não pedem para os fiéis procurarem nas Escrituras onde existe o ensino de que é preciso fazer algo para alcançar a salvação? Muitos até têm atribuído graça salvífica a certos objetos. Ou seja, ou adquire e vai para o céu ou não adquire e vai para o inferno. É ou não é um medievo contemporâneo? Sim.

A resposta para as demais perguntas é a seguinte: Os “líderes e pastores” contemporâneos não pedem que os fiéis consultem a Bíblia à procura destas aberrações porque não há nenhuma passagem bíblica que corrobore com estes sacrilégios heréticos. Isso tudo não passa de ração para bodes, e este tipo de alimento ovelha não come. Na atualidade não se deve avaliar os líderes religiosos pelo o que os mesmos proferem, eles são adeptos de uma verborragia clássica, ou seja, dizem que amam as Escrituras, que creem na graça salvífica, que creem na justificação pela fé e na soberania de Deus na salvação. Mas, as práticas e as atitudes destes líderes os denunciam veementemente.

Há um dito puritano que se deve fazer uso no ambiente eclesiástico tupiniquim: “Aquilo que alguém faz fala mais alto que suas próprias palavras”. Alguns líderes têm um discurso bonito quanto às verdades bíblicas, mas os seus atos mostram que são filhos do Diabo. Estes líderes realizam campanha para que se alcance graça salvadora, uns ainda dizem que quem não contribui não vai para o céu e outros líderes chegam até a vender lugar no céu. Outros colocam um óleo perfumado em um patamar mais elevado que a própria oração etc. Estes líderes são, de fato, muito habilidosos quando o assunto é alimentar seus bodes e desprezar as ovelhas. Portanto, a convivência entre bodes e ovelhas não cessará tão cedo, os bodes podem muito bem se alimentar na comida das ovelhas – eles até gostam –, mas, infelizmente, alguns falsos pastores preferem privar as ovelhas de um bom alimento e alimentar tão somente os seus cabritos.

É por isso que as ovelhas andam desnutridas. Mas, com toda convicção, há pastos saudáveis e verdadeiros pastores que ainda se preocupam em alimentar suas ovelhas com alimento nutritivo, como fez o pastor do Salmo 23. Como ovelha, aconselho que haja uma procura por pastos saudáveis e por pastores comprometidos em alimentar primariamente seu rebanho, e, ao encontrá-los, possa de fato usufruir e se deleitar numa boa alimentação e num bom pastoreio, sobretudo, no Pastor dos pastores que se encontra na pessoa de Deus.

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Divulgação: Bereianos
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1 Arminianismo e o seu circo soteriológico

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Por Jailson Serafim


Contradições nos Cinco Pontos do Arminianismo

(1) A piada do livre arbítrio

Não só o dogma do livre arbítrio é falso e blasfemo, como também contraditório. Ele entra em contradição com o segundo ponto do arminianismo - a eleição condicional. Os arminianos dizem que "desde a fundação do mundo, Deus sabia quem iria crer ou não crer em Cristo, e que, com base nessa presciência, elegeu os que iriam crer para a salvação, e da mesma forma, predestinou, designou, recusou ou reprovou de antemão [desde a eternidade] os que não iriam crer, para a condenação" (Pr. Raimundo Ferreira de Oliveira; Lições Bíblicas [CPAD], Quarto Trimestre de 1987, pp.32-33). Ora, com base nisto, perguntamos: aqueles que, pela presciência de Deus, não crerão em Cristo e que foram de antemão por Deus predestinados, designados e reprovados para a condenação, tem a capacidade para escolherem a Deus??? Se têm essa capacidade, onde fica então a presciência de Deus?

(2) A piada da eleição condicional

Não só este dogma é blasfemo e antibíblico, como também contraria o terceiro ponto do arminianismo. Ora, se em sua presciência, Deus já sabia quem vai crer e quem não vai crer em Cristo, elegendo os futuros crentes em Cristo para a salvação, bem como predestinando, designando, recusando ou reprovando de antemão os que não crerão em Cristo, como então Cristo poderia morrer por aqueles que de antemão Ele próprio havia predestinado, designado, recusado e reprovado para a condenação? Poderia Cristo morrer por aqueles que de antemão sabia que jamais creriam nEle? Morreria Cristo em vão? E onde estaria a sua presciência?

(3) A piada da expiação geral

Agora, não só o dogma arminiano (expiação geral) é blasfemo e antibíblico, como entra em contradição com o quarto ponto do arminianismo. Ora, o quarto ponto do arminianismo (resistibilidade da graça divina) ensina que a graça de Deus pode ser resistida não só por uma parte da raça humana (os eleitos), mas por toda as duas partes (eleitos e não eleitos [reprovados]). Neste sentido, se Cristo morreu por toda a raça humana para dar-lhe a vida eterna, e se qualquer uma das partes da humanidade (os eleitos ou os reprovados) pode lhe resistir (ao seu chamado interno), isto faria com que o Salvador morresse em vão!

(4) A piada da graça resistível

Todavia, este dogma arminiano não só é blasfemo e antibíblico, mas também contraria o segundo ponto do arminianismo. Ora, se é verdade que desde a eternidade, Deus já sabia quem iria crer em Cristo, e que com base nesta presciência, elegeu estes para a salvação, como então estes podem resistir ao chamado interno do Espírito Santo? Este dogma resultaria em negar a presciência de Deus, bem como todo o dogma da eleição condicional para a salvação!

(5) A piada da perda da salvação

Este dogma arminiano, não só é falso e blasfemo, como também entra em contradição com o segundo ponto do arminianismo. Ora, se desde a eternidade Deus sabia quem ia crer nele e perseverar até o fim, e que, com base nesta presciência, os elegeu para a salvação, como é possível eles se perderem? Este dogma resultaria tanto em negar a presciência de Deus, como também a negar o dogma arminiano da eleição condicional!

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Fonte: Perfil do autor no Facebook

Leia também o artigo em sua versão integral, "Os Cinco Contraditórios Pontos do Arminianismo".
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0 O propósito da salvação em 1 Pedro - 2/5



Por Leonardo Dâmaso


b) A razão do imperativo à santidade.


1.15 ... pelo contrário, segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também a vós mesmos em todo o vosso procedimento.

Após instar os cristãos a sempre se manterem como filhos obedientes e não se amoldarem ao antigo esquema de vida norteado pelo pecado que outrora eles faziam parte antes da conversão, Pedro, dessa vez, salienta por qual motivo os cristãos devem viver em santidade. O apóstolo realça que assim como Deus, que é santo, chamou os cristãos de uma vida outrora em trevas para a sua maravilhosa luz (2.9), os cristãos, em vista disso, também devem ser santos em tudo o que fizerem na vida. Se no versículo 14 Pedro exortou o que os cristãos “não devem fazer” (imperativo negativo), isto é, “não se amoldar” ao esquema de uma vida pecaminosa, aqui, mais uma vez, há outro imperativo – tornai-vos santos.

A conjunção “mas”, no grego αλλα (alla), traduzido pela a ARA como pelo contrário, estabelece um contraste com o versículo 14b. Portanto, o versículo 15 é a continuação do versículo 14b, o qual amplia o tema da santidade na vida cristã. Era como se Pedro dissesse: “Não façam aquilo de novo” – vos amoldar às paixões que tínheis anteriormente, “mas façam isso” – sejam santos também em tudo o que fizerem. (NVI) Não obstante duas proposições são destacadas aqui:

i. O caráter daquele que chama os cristãos à santidade.14 A palavra “santo” possui diferentes conotações de significado no Antigo e no Novo Testamento. Santo, no hebraico קדוש (qadosh), significa “ser separado do uso comum para o uso exclusivo de Deus”. No Antigo Testamento, todos os objetos que eram utilizados para Deus eram santos. As vestes sacerdotais eram santas (Êx 28.2), o lugar específico para a preparação das ofertas de sacrifício era santo (Êx 29.31), os vasos usados no templo eram santos (1Rs 8.4).   

Por outro lado, a mesma ideia de “separado” que a palavra קדוש (qadosh) transmite no Antigo Testamento é aplicada no Novo Testamento com a palavra grega άγιον (hagios). Contudo, é importante frisar, para melhor compreensão, que a santidade de Deus possui uma dupla conotação. Assim, destacamos a santidade “singular” e a santidade “moral” de Deus.  Senão vejamos:

1. A santidade singular de Deus. De modo restrito, por ser completamente distinto, separado e adorado pela sua igreja em virtude da sua magnífica grandeza inacessível e ao mesmo tempo acessível mediante Cristo Jesus (Jo 1.14), somente Deus possui esta santidade peculiar. Mesmo quando estiverem com os corpos glorificados vivendo eternamente na terra restaurada, os cristãos não serão santos nesse aspecto como Deus é, pois ainda continuarão sendo seres finitos. Desse prisma, a santidade de Deus é única, sendo um atributo incomunicável aos homens (veja Êx 15.11; Is 57.15; Ap 4.8).    

2. A santidade moral de Deus. Proveniente de sua santidade singular, Deus também possui uma santidade moral. As leis estabelecidas por Deus nas Escrituras revelam o seu caráter santo e demonstram que ele é absolutamente livre de qualquer deformidade ética. Deus é separado do pecado e do mal moral (veja Jó 34.10; Hc 1.13). Portanto, diferente da santidade singular, que é exclusiva em Deus, a santidade moral é comunicável aos homens, o que veremos a seguir.

ii. A santidade deve abarcar todas as áreas da vida dos cristãos. Pedro sublinha que, assim como Deus, o nosso pai espiritual (2Cor 6.18; Hb 12.9; Gl 3.26) é santo, nós, cristãos, como filhos obedientes (vs.14; Rm 8.13-16) também devemos ser santos em toda a nossa conduta moral15 (2.12; 3.1, 3, 13; 2Pe 2.7; 3.11). O Deus que exige santidade é, sobretudo, o modelo para que o imitemos em santidade (Ef 5.1). “Nenhum aspecto da nossa vida está excluído desse imperativo divino. Todo o nosso procedimento deve resplandecer o caráter de Deus, a santidade daquele que nos chamou do pecado para a salvação”.16           

c) A santidade é um imperativo porque é confirmada nas Escrituras.

1.16 Porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo.

Pedro, agora, ratifica sua exortação aos cristãos sobre a necessidade de conduzirem suas vidas em santidade recorrendo às Escrituras, afirmando que está escrito que eles devem ser santos.

A expressão está escrito γέγραπται (gegraptai), no grego, “era usada em relação a documentos legais cuja validade ainda permanecia”.17 Sendo assim, Pedro não baseia a sua exortação em suas convicções particulares em como os cristãos devem se portar, mas, sobretudo, lança mão da autoridade das Escrituras do Antigo Testamento citando Levítico 11.44-45 para confirmar o seu argumento.

O apóstolo extrai como base para o seu ensino aos cristãos uma exortação proferida diretamente da boca de Deus a Moisés e a Arão, para que estes instruíssem o povo de Israel a serem santos em toda a sua conduta moral assim como Deus é santo (uma vez que a santidade é um dos temas que permeia Levíticos, veja também 19.2; 20.7, 26; 21.8, 15; 22.9, 16, 32).18 Parafraseando, era como se Pedro dissesse: Deus é santo, logo, ele exige que nós, também, sejamos santos, porque ele próprio corrobora em Levítico 11.44-45 e 19.2 para que sejamos santos assim como ele é santo! A conjunção porque διότι (dióti) remonta a expressão está escrito, a qual alega que o imperativo à santidade foi extraído das Escrituras.

Aplicação prática

Não somos santificados pela obediência aos preceitos de Deus estabelecidos nas Escrituras; obedecemos aos preceitos de Deus porque fomos santificados [aspecto posicional dos cristãos] na união com Cristo Jesus pela regeneração. Por outro lado, como pessoas que foram (Hb 10.10; 1Cor 6.9-11), são (Hb 2.11) e estão sendo santificadas pelo Espírito Santo (Hb 10.14), os cristãos, todavia, são chamados a manifestar santidade [aspecto colaborativo na santificação], isto é, o caráter do Deus santo em suas vidas “interiormente” quando estão sozinhos e ninguém os vê, somente Deus, e “externamente” na maneira de viver (ARC) com os outros pelos relacionamentos sociais (para mais detalhes sobre a santificação, veja o meu comentário do versículo 2b).  
  
William Barclay escreve:

O cristão é um homem de Deus por eleição de Deus. É eleito para uma tarefa no mundo e para um destino na eternidade. É eleito para viver para Deus no tempo e para viver com Deus na eternidade. No mundo tem que obedecer a lei de Deus e reproduzir a vida de Deus. O cristão foi eleito por Deus, e, portanto, em sua vida tem que haver algo da pureza de Deus e em sua ação tem que manifestar-se algo do amor de Deus. O cristão recebeu a tarefa de ser diferente.19  


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Notas:
[14] A expressão “segundo é santo aquele que vos chamou”, traduzida literalmente do grego κατά τόν καλέσαντα υμας άγιον – “assim como o santo que vos chamou” é incompleta, embora esteja correta. Porém, quando acrescentamos na tradução o verbo auxiliar (tempo presente do modo indicativo) εστιν (estin) “é”, o sentido da expressão fica mais claro – “assim como “é” santo aquele que vos chamou”. (Almeida Século 21) No entanto, prefiro a tradução desse trecho da seguinte forma: “Conforme o exemplo do Santo que vos chamou” (veja um exemplo similar em 2Pe 2.1).
[15] No grego, o substantivo αναστροφη (anastrophe), literalmente “conduta”, traduzido pela a ARA por “procedimento”, e pela a ARC por “maneira de viver”, enfatiza o estilo de vida moral que uma pessoa tem no seu relacionamento com outras pessoas. Desse modo, prefiro a tradução literal do grego ou a tradução da ARC.     
[16] Hernandes Dias Lopes. 1 Pedro, pág 50.   
[17] Fritz Rienecker e Cleon Rogers. Chave Linguística do Novo Testamento Grego, pág 554-555.
[18] a religião judaica promovida e distorcida pelos fariseus e líderes religiosos ensinava que os homens poderiam alcançar a santificação pelos seus próprios atos simplesmente se cumprissem os preceitos descritos na “lei”. Tais preceitos de santidade tinham conotações legalistas porque eram baseados numa interpretação equivocada das Escrituras (Mc 7.1-13; Hb 13.9). Contudo, tanto a lei no Antigo Testamento quanto o evangelho enfatiza o contrário. Assim como a salvação é e sempre foi pela graça mediante a fé, a santificação (progressiva), por sua vez, também é desfrutada pela fé (At 26.18).  
[19] William Barclay. 1 Pedro, pág 64-65.

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Fonte: Trecho extraído do Comentário Expositivo de 1 Pedro do autor. 
Divulgação: Bereianos

Leia também:
O propósito da salvação em 1 Pedro - 3/5 (em breve)
O propósito da salvação em 1 Pedro - 4/5 (em breve)
O propósito da salvação em 1 Pedro - 5/5 (em breve)
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