Thalles é o menor problema da igreja brasileira

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Esses dias o feed do Facebook da maioria dos evangélicos brasileiros foi tomado por críticas e mais críticas ao cantor Thalles Roberto, devido a sua decisão de "ir" para o mundo cantar para ser "luz", depois de receber uma "revelação" direta de "deus", vulgo seu próprio ego. Não vou aqui perder tempo falando sobre sua arrogância, prepotência, sua cosmovisão totalmente errada, suas loucuras e histerias ou sobre o mal cheiro que sinto quando este homem abre a boca. Isso muitos já estão fazendo.

E realmente muitos estão fazendo mesmo! É quase unânime. Quase todos estão falando da mesma coisa, como se estivessem todos no mesmo time ou pensassem da mesma forma (e graças a Deus que pelo menos nisso, pensamos igual). É exatamente esse o ponto no qual quero chegar: O Thalles Roberto é o menor problema da igreja evangélica brasileira atual. Não me preocupo tanto com o que o Thalles diz ou deixa de dizer. Não me preocupo tanto com o que o Bispo Macedo diz ou deixa de dizer, dentre outros... Acredito que há coisas muito mais preocupantes em nosso meio. Não adianta levar palhaços a sério. Deixemos eles em seus circos divertindo suas crianças, pois é isso mesmo que elas querem. Não estou dizendo que não devemos nos importar, mas às vezes tapamos nossos olhos para problemas bem mais sérios porque estamos nos divertindo em criticar outras crianças.

O meu ponto é que tem gente que crê numa graça barata, gente que desmerece a pregação do evangelho trazendo um olhar totalmente marxista para o cristianismo, gente que odeia o estudo teológico aprofundado das Escrituras, gente que não se satisfaz somente com a Palavra de Deus também está criticando o Thalles. E é isso que é o mais preocupante. A Bíblia tem saído das igrejas há muito tempo, mas só conseguem se importar com a saída do Thalles. Me preocupo com tanta igreja cedendo ao liberalismo teológico, aceitando ordenação de pastoras, abrindo espaço cada vez mais pra Teologia da Missão Integral e daqui a um tempo (como aconteceu nos EUA) tornando a presença de pastores gays cada vez mais hegemônica. Isso tudo devido à desvalorização de algo "simples": a Bíblia. A Bíblia tem sido atacada, mas ninguém se importa. Muitos jovens cristãos que estão criticando o Thalles são os mesmos que criticam outros jovens que se empenham no estudo teológico. 

Até quando vamos viver assim? Nos escandalizando quando um cantorzinho que prega mais a si mesmo do que a Cristo deixa de ser gospel, enquanto muitos estão fugindo veementemente da centralidade das Escrituras e nem sentimos falta? O pecado latente no evangelicalismo brasileiro, a escassez doutrinária, a onda marxista e a libertinagem da "graça" andam tão impunes e nem mesmo notamos! Quando alguns gritam para alertar as demais ovelhas, são rejeitados. "Quanta besteira", dizem. "Isso não é nada". Desculpem-me, mas antes de chamarem o Thalles de antibíblico, deveriam ao menos procurarem ser bíblicos. Veja o que A. W. Tozer disse a respeito disso:

"Não é uma coisa esquisita e um espanto que, com a sombra da destruição atômica pendendo sobre o mundo e com a vinda de Cristo estando próxima, os seguidores professos do Senhor se entreguem a divertimentos religiosos? Que numa hora em que há tão desesperada necessidade de santos amadurecidos, numerosos crentes voltem para a criancice espiritual e clamem por brinquedos religiosos?"

Parabéns aos pastores, líderes e membros de igrejas que são fieis à Palavra de Deus e a estimam tanto quanto ao próprio Deus. Estes sim podem olhar para problemas infantis e criticarem com toda propriedade, por tanto lutarem para que problemas muito mais graves deixem de existir nas nossas igrejas. Encerro com as palavras do apóstolo Paulo aos Coríntios, que ao ver tanta impureza, percebia que não havia nem lamento por isso:

"Geralmente se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios se nomeia, como é haver quem possua a mulher de seu pai. Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação". - 1 Coríntios 5:1,2

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Autor: Richardson Gomes
Fonte: Electus
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Por que não canto Raridade do Anderson Freire

image from google

Não coincidentemente, a música mais tocada dos últimos dias é ela, “Raridade”, campeã de solicitações nas rádios e de quantidade de vezes que é cantada nas igrejas. Feita por Anderson Freire, essa música conseguiu atingir a todo o Brasil, “impactando” os corações até de quem não professa a fé cristã. Eis aqui os motivos, frase por frase, pelos quais EU não canto essa música.

"Não consigo ir além do teu olhar, tudo que eu consigo é imaginar a riqueza que existe dentro de você."

A música começa com uma daquelas frases poéticas que você não entende o porquê dela estar ali, mas ela dá um efeito bonito – e até romântico – na música. Não me surpreendo com isso vindo de uma música feita para vender. Além disso, notamos a presença da velha e boa sacada de músicas de rádio: exaltação do homem. Sim, caro leitor, a primeira frase já começa com uma boa massagem no ego de qualquer um que a escute. E quem não gosta disso, não é verdade? E a Bíblia? O que ela diz sobre o que há dentro de nós? A Bíblia diz que o homem natural é inútil, impossibilitado de fazer o bem, pecador, e não tem temor a Deus (Is 64:6; Jo 6:44, 65; Rm 1:21-32; Rm 3:10-18, 23) Porém, você pode dizer: “Essa música foi feita para o cristão. O que há dentro dele é Jesus.” Primeiro que se fosse mesmo Jesus nesta frase, o autor não diria “tudo que eu consigo é imaginar”, a não ser que ele não saiba que Jesus pode ser conhecido na Bíblia que nos foi revelada. Segundo que o fato de Jesus habitar em mim nunca deve ser motivo para que eu me ache raro. O evangelho é tesouro em VASOS DE BARRO, para que a excelência do poder seja de Deus e NÃO DE NÓS (2 Co 4:8).

"O ouro eu consigo só admirar, mas te olhando eu posso a Deus adorar, sua alma é um bem que nunca envelhecerá."

Como se já não bastasse o fato dessa música ser totalmente antropocêntrica, muitos ainda fazem questão de colocá-la no culto congregacional (é até engraçado como alguns esquecem que o culto é PARA DEUS e não para o homem). O ouro realmente é algo raro, algo valioso. O ouro é raro justamente por ser ouro. O metal não é como o ouro. O cobre não é como o ouro. O bronze não é ouro. Ouro é raro porque é ouro. O ser humano, em si, é valioso. É a única criatura que possui a imagem e a semelhança de Deus. Nenhuma outra ganhou esse privilégio. Nem os anjos!

Mas pense comigo: se o ouro começa a deixar de ser ouro puro, ele vai perder o valor, não é? A grande questão é que o ser humano, por causa do pecado, contaminou completamente a imagem e semelhança que ele tinha de Deus. Se a ideia dessa frase é mostrar o valor que o ser humano tem por ser humano, conseguiu. Mas ela tem um probleminha crucial: Ela se refere a mim e a você: PECADORES. Ainda que regenerados, mas ainda assim pecadores. E por isso não podemos, de maneira alguma, ser intermediadores de ligação alguma do homem para com Deus. O grande e único intermediador, o único ser humano que foi PERFEITAMENTE humano, o humano que deveríamos ser foi Jesus Cristo. Nós falhamos todos os dias em sermos humanos, mas alguém venceu. É por essa vitória que podemos olhar para Ele e adorarmos a Deus. Ele sim é uma raridade. JESUS é o grande centro do Evangelho.

A nossa alma nunca envelhecerá, mas ela poderá ter dois eternos caminhos. O de morte ou o de vida. Minha alma "rara porque nunca envelhecerá", por merecimento, deveria "não envelhecer" no inferno. Somente por causa de vida de Cristo, do que Ele fez por nós, é que podemos ter vida e vida em abundância. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. (1 Coríntios 15:57)

"O pecado não consegue esconder a marca de Jesus que existe em você. O que você fez o deixou de fazer não mudou o inicio, Deus escolheu você."

Como disse o Rev. Francisco Macena: “Em boa parte das músicas evangélicas dos nossos dias canta-se demasiadamente sobre a centralidade do homem. Em nome da necessidade de levantar a autoestima, conceitos teológicos são invertidos e adaptados para fins psicológicos. Um exemplo dessa inversão pode ser visto na canção “Raridade” interpretada por Anderson Freire.”

Existe um problema e não podemos deixar que ele ganhe espaços quando falamos de música cristã. Achamos que falar verdades já é o suficiente. Quando na verdade, deveríamos analisar uma música como um todo e que mensagem realmente ela quer passar – mesmo que contenha algumas verdades. Dito isso, eu diria que a única parte que eu cantaria em toda a música seria essa. Mas, meu convite é que façamos os que os profetas faziam: Ainda diante de boas ações, eles analisavam as MOTIVAÇÕES! Por exemplo, é verdade que o pecado não consegue esconder a marca de Jesus em nós. Uma vez justificados, nenhuma condenação pode cair sobre nós. É Deus quem nos justifica (Rm 8:1; 33-34). Mas é isso mesmo que a música quer passar?

Li um artigo do pastor Aaron Menikoff sobre letras de músicas e logo após o primeiro questionamento “A letra é verdadeira?” surge este: "A letra é verdadeira, porém, enganosa?" Diante de uma música antropocêntrica, onde a raridade do homem é exaltada, demonstrando merecimento na graça de Deus, será mesmo que essa frase corresponde à verdade bíblica de que “onde abundou o pecado superabundou a graça”? A frase da música não seria um conforto para se viver no pecado? Isoladamente, tal frase seria até boa para pregarmos o evangelho a um não crente (ainda que seja bem perigoso afirmar a eleição de um ainda não convertido). Mas diante de uma música sem identidade, sem público definido, feita para vender, tão subjetiva, acho muito estranho afirmar coerência teológica nessa frase sobre a eleição em uma música que carrega o título “Raridade” direcionada ao HOMEM. É simples: troque “Deus escolheu você” por “Deus predestinou você” e o número de pessoas a cantar tal música diminuirá significativamente. As pessoas querem ser escolhidas, mas não predestinadas. Elas querem ser escolhidas por ALGO. Ainda que a letra afirme que o que eu fiz ou deixei de fazer não mudou o inicio (que é uma verdade), ela afirma que o que eu sou me fez ser escolhido. E a Bíblia rejeita isso. Deus rejeita isso. Logo, pois, [Deus] compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer” (Romanos 9:18). Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de DEUS.” (Efésios 2:8)

"Sua raridade não está naquilo que você possui ou que sabe fazer. Isso é mistério de Deus com você."

Novamente, aparece mais uma daquelas frases poéticas que são difíceis de entender e explicar. Sabemos que existem coisas sobre Deus que realmente não estão disponíveis para o homem, por pertencerem somente ao Senhor (Dt 29:29). Geralmente, chamamos isso de mistério, pois não nos foi revelado nas Escrituras Sagradas. Mas alguns vêm utilizando este termo quando não encontram base bíblica para sustentar posicionamentos de assuntos que, muitas vezes, estão claros na Bíblia. Talvez seja isso o que está acontecendo nesta parte da letra. A Bíblia é clara que é pela misericórdia de Deus que fomos salvos, não dependendo de alguma coisa eu faço (Rm 9:11), mas NÃO porque somos raros. Portanto, numa tentativa de mostrar que nossa raridade não é meritória, é dito que é um mistério de Deus. Oh, se fosse trocada a palavra "raridade" por "eleição" Desta forma, sim, seria bíblico. E pra piorar, dentro do que estamos vendo durante toda a letra, o autor talvez pense desta forma: "sua raridade não está naquilo que você possui ou que sabe fazer, mas sim no que você é." E como não enxergar méritos nisso?" Não sei e nem me pergunte, "isso é mistério de Deus com você".

"Você é um espelho que reflete a imagem do Senhor. Não chore se o mundo ainda não notou. Já é o bastante Deus reconhecer o seu valor."

Continuando o antropocentrismo e a exaltação humana, o refrão nos chama de espelho que reflete a imagem do Senhor. Sim, somos à imagem e semelhança de Deus, mas depois da queda, NÃO somos a perfeita imagem de Deus. Se somos um tipo de espelho, somos do tipo QUEBRADO. É evidente que devemos refletir à glória de Deus. Mas nem tudo que fazemos reflete, pois pecamos. Devemos, em tudo que fizermos, procurarmos refletir Sua imagem, enquanto somos moldados à imagem de Cristo, mas, infelizmente, não é isso que a música diz. E aí vem a pergunta: Pra quê devemos refletir a imagem do Senhor? A Bíblia nos responde: Assim resplandeça a vossa luz diante dos HOMENS, para que VEJAM as vossas boas obras e GLORIFIQUEM a vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5:16). É o mundo que devemos iluminar. Se o mundo não notou que somos diferentes, que não somos como ele, se as pessoas sem Cristo acham que somos como eles, se elas não percebem, e nem se incomodam com a santidade que estamos buscando, devemos sim chorar.

Quando a Bíblia diz que devemos falar não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações (1 Ts 2:4), não é sobre os homens não notarem, é sobre NÃO AGRADÁ-LOS, pois ao homem natural, a palavra do Evangelho sempre será dura e confrontadora, como se fosse loucura. O ser humano tem um grande valor pra Deus, e sua Igreja Gloriosa ainda mais. Mas você? Suas obras? Sua raridade? Deixe Deus medir o valor de suas obras, o valor sua vida longe do sacrifício de Cristo, sem a santidade que Ele, por graça dá, e veja o quão certa será sua CONDENAÇÃO (Is 64:6)!

"Você é precioso, mais raro que o ouro puro de ofir. Se você desistiu, Deus não vai desistir. Ele está aqui pra te levantar se o mundo te fizer cair."

Propositalmente, vou deixar a primeira parte da frase para o final. Como toda música "gospel", a letra termina com um daqueles jargões que quase todo artista "gospel" diz para soar espiritual e comovedor: "Se você desistiu, Deus não vai desistir." E então eu me lembro de uma célebre frase do Paul Washer: "Deus nunca desistiu de você porque ele não pôs esperança em você." O problema é que dentro do contexto da música, podemos inferir que "se você está cansado de buscar a santidade, se você está cansado de lutar, não tem problema... Se você desistiu, Deus não vai desistir".

Lembro-me de uma pregação do John Piper na qual ele fazia uma pergunta: "Você treme diante do fato de que Deus está agindo em sua vida?" Porque a grande verdade, meu amigo, é que se não há fome por santidade em você, não há ação de Deus em sua vida. E isso é um perigo, pois a justiça dEle (e não Sua misericórdia) está sobre sua vida. Se você não quer mais lutar, se você está desistindo da vida cristã, por que você diria Não sou eu quem vivo, mas Cristo vive em mim (Gl 2:20)? Cuidado! Essa frase pode gerar uma grande margem para uma vida em pecado com o pensamento de que "Deus não vai desistir". Deus não nos predestina para viver em pecado, Deus nos escolheu nele antes da Criação do Mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença (Ef 1:4). Quando caímos, Deus nos levanta. Sim, Ele nos preserva! Até o fim. Mas não é por isso que devemos viver caindo ou e nem nos conformarmos com nossas falhas. Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde? De modo nenhum. Nós, que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele? (Rm 6:1-2). Ele não está só para nos levantar. Ele está aqui para ser devidamente glorificado!

E para terminar essa análise, deixo-vos esta passagem:

Clamai, pois, o dia do Senhor está perto; vem do Todo-Poderoso como assolação. Portanto, todas as mãos se debilitarão, e o coração de todos os homens se desanimará. E assombrar-se-ão, e apoderar-se-ão deles dores e ais, e se angustiarão, como a mulher com dores de parto; cada um se espantará do seu próximo; os seus rostos serão rostos flamejantes. Eis que vem o dia do Senhor, horrendo, com furor e ira ardente, para pôr a terra em assolação, e dela destruir os pecadores. Porque as estrelas dos céus e as suas constelações não darão a sua luz; o sol se escurecerá ao nascer, e a lua não resplandecerá com a sua luz. E visitarei sobre o mundo a maldade, e sobre os ímpios a sua iniqüidade; e farei cessar a arrogância dos atrevidos, e abaterei a soberba dos tiranos. Farei que o homem seja mais precioso do que o ouro puro, e mais raro do que o ouro fino de Ofir. - Isaías 13:6-12

Graça e Paz.

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Autor: Richardson Gomes
Divulgação: Bereianos
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Reforma evangélica urgente em solo brasileiro

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Por Pr. Marcos Sampaio


Ao olharmos para a história recente da igreja evangélica no Brasil, podemos perceber que houve avanços sem precedentes do evangelicalismo por boa parte do país. Entretanto, a igreja evangélica brasileira tem sofrido também sérias transformações estranhas ao cristianismo bíblico, devastando muitas congregações, até mesmo aquelas que no passado eram conservadoras dos fundamentos da fé cristã.

Uma tendência pragmática e humanista tem silenciosamente minado os princípios do cristianismo bíblico. A experiência e a opinião popular têm sido mais autoritárias do que a Bíblia para determinar o que muitos crentes acreditam e praticam hoje. A psicologia secular, por exemplo, está praticamente superando a Palavra de Deus em muitos púlpitos evangélicos brasileiros, não oferecendo mais do que experiências de auto-ajuda, em vez de respostas sólidas a partir da Bíblia. Tornou-se modismo renunciar o ensino da Palavra nos cultos dominicais. Em vez disso, muitas igrejas têm investido em teatros com seus dramas e novelas, músicas extravagantes e outras formas de entretenimento para atrair as grandes multidões.

Cristo não é mais o foco da mensagem do evangelho tão banalizado em nossa época. Podemos até ouvir o seu Nome ao longo de uma reunião, mas o foco real são as coisas desta vida. As pessoas são incitadas a olhar para dentro de si mesmas para tentar se entender, para vir a enfrentar seus problemas e dilemas, suas dores, seus desapontamentos, ter suas necessidades atendidas e os seus desejos cumpridos. Quase que todas as versões desse tipo de cristianismo popular são incentivar e legitimar uma perspectiva de auto-satisfação e nada mais do que isso. Podemos ainda citar as mazelas da teologia da prosperidade, o mercantilismo gospel e a banalização da graça.

Não podemos ficar calados diante desta dura realidade do cenário evangélico, no Brasil.

Como vamos sustentar a ideia de um evangelho ao gosto do freguês, onde carregar a cruz para muitos é apenas uma opção e não uma exigência cristã? O que falar das igrejas que transformaram seus templos em um lugar de show e entretenimento religioso? E a mensagem diluída que cada vez mais ocupa os púlpitos de muitas igrejas evangélicas e com isso a verdade bíblica já não é mais absoluta e a regra de fé e prática?

Que Deus nos conceda uma reforma profunda em solo brasileiro, para que de fato aconteça uma redescoberta da beleza do cristianismo bíblico centrado em Deus.

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Sobre o autor: Marcos Sampaio é teólogo e pastor da Igreja Batista da Caputera, Angra dos Reis-RJ.

Divulgação: Bereianos
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O evangelho caquético do deus defeituoso

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Por Jorge Fernandes Isah


Por que as pessoas querem excluir da natureza divina a ira e a justiça? Por que os textos bíblicos onde esses atributos são manifestados encontram-se reclusos, como se não fizessem parte do Evangelho e fosse proibido exibi-los?

Por que limitar Deus àquilo que mais agrada o coração do homem, de forma que lhe traga um falso consolo? Por que Cristo é muitas vezes estigmatizado como se fosse um molenga, não-viril, um “maria-vai-com-as-outras” que aceita tudo de todos? Por que querem que Ele negue-se a Si mesmo em favor do homem? Por quê? Por quê?... Compartimentá-lO, desagregá-lO de Si mesmo é uma tática maligna de desprezar e rejeitar aquilo que Ele é.

Infelizmente, entre os cristãos, não parece haver uma unidade quanto ao verdadeiro Deus, quanto ao entendimento da sua natureza, quanto ao que nos foi revelado na Escritura; e a maioria se sente constrangida quando tem de dar explicação a uma passagem em que Deus pune, disciplina, condena.

É como se tivéssemos arrancado páginas e mais páginas da Bíblia a fim de não sermos incomodados com situações violentas, mas que revelam o poder soberano e justo dEle. Não é essa atitude uma violação à natureza divina? O arrogante desprezo de não reconhecer a superioridade da Sua revelação em detrimento da nossa reles concepção? Acontece que cristãos fracos têm pregado doutrinas fracas em que um deus fraco é incapaz de atitudes soberanas; ao contrário, esses cristãos raquíticos proclamam um evangelho caquético de um deus defeituoso e imperfeito que não ultrapassa a extensão da mente obliterada pelas trevas.

Como Marcião e tantos outros heréticos, os pseudocristãos estão mais preocupados em não se envolverem em dificuldades, em facilitarem o seu trabalho, em adequarem a mensagem do evangelho ao estado servil, ao utilitarismo em que muitos ministérios reduziram a Escritura, como o meio de se atingir os seus objetivos iníquos e fraudulentos. No fundo, é um evangelho covarde e bajulador, seguido por uma turba de tolos e impenitentes que, não ingenuamente, estão preocupados em atender os seus próprios interesses, crendo que a pregação espúria de um falso cristianismo será a sua “tábua de salvação” financeira, emocional e espiritual. São cegos guiando cegos até o precipício mais tenebroso da ignorância, da desfaçatez, da estupidez, e da malícia diabólica. Não há inocentes, são todos culpados dos piores pecados contra Deus, enquanto mantêm bilhões manietados por uma discursividade cativa ao impudor satânico.

O objetivo é um só: glorificar o homem, e usar o nome do Senhor como uma espécie de muleta na qual os seus infames propósitos de poder, glória e riquezas realizar-se-ão. Não há nada de espiritual neles, apenas a carne gritando como louca, seduzindo a si mesma, na manifestação mais doentiamente possível da corrupção, rebeldia e irregeneração mental do homem caído.

Mesmo servos fiéis, mentes brilhantes, teólogos, pastores, missionários e outros trabalhadores dedicados à seara de Cristo, são apanhados na teia maligna de distinguir os atributos divinos em dois grupos: os facilmente detectáveis, e com os quais se tornará menos difícil manter um discurso agradável aos ouvidos impuros (questões como o amor, a bondade e benignidade divinas são reciclados de maneira tão antagônicas à revelação escriturística que se tornam em distorções da Sua natureza), e aqueles com os quais se deve manter distância, quando muito citá-los rapidamente a fim de não serem notados pelo ouvinte, e nem seja necessário dar explicações que denunciarão a inclinação viciosa da pregação. Poder-se-ia chamar de negligência, omissão, se não fosse um estratagema maroto e cínico de se ocultar a verdade.

É por isso que se está a criar uma geração de crentes fracos, incapazes de responder ao mundo a razão da fé cristã. Assim, se limitam a ecoar os ditames seculares da tolerância, da contemporização, quando a sociedade é completamente intolerante e intransigente quanto a Cristo e Sua palavra.

Por isso, eles não aceitam Cristo como a única verdade, como o único caminho, como a única vida. Por isso, não aceitam o Cristo irado, vingador, que julgará e condenará os pecadores impenitentes. Por isso, não aceitam Cristo como único Rei, Senhor e Salvador, porque, desta forma, teriam de se sujeitar ao Seu reinado e senhorio. Por isso, se criou uma imagem de um Cristo subserviente, adocicado, meigo até ao nível da mais pavorosa demência. Por isso, não querem ser confrontados pela Palavra, mas criaram a sua própria interpretação falaciosa, conduzindo-a até aquele cantinho onde o homem jaz morto; onde a última pá de terra é jogada sobre o seu cadáver.

Alguns gnósticos retrataram Cristo assim, como um ser espiritual neutro, inofensivo, abestalhado. Católicos e espíritas descrevem-no quase como se fosse uma donzela indefesa; outros, como um lunático. Há os que O pintam como um homem comum, sujeito às fraquezas e passível de erros. Há os que ainda O vêem como um perigoso potencial, um revolucionário temível. Há os que simplesmente O ignoram, e ainda aqueles que O desdenham. Contudo, Paulo alerta: Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará (Gl 6.7); mas os tolos não ouvem avisos nem os consideram. São rebeldes obstinados, aos quais está destinada a condenação eterna, e, ainda assim, mesmo no inferno, considerar-se-ão certos em sua inútil revolta.

A verdade é que Cristo é o Senhor de todas as coisas, o Deus Vivo em que “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9); o Senhor dos Exércitos (Sl 84.3), o Guerreiro (Ap 19.13-16) , o Justo (Tg 5.6), o Unigênito Filho Amado de Deus (Jo 1.18), o Criador de todas as coisas sem o qual nada existiria (Jo 1.3), o Salvador (Tt 3.6) e Juiz (At 10.42). Será que estas qualidades anulam o Seu amor, bondade, benignidade, santidade e retidão? NÃO! Todas elas são atributos divinos, e não podem ser repartidas como se possível fosse setorizá-lO. Qualquer tentativa de separar a unidade divina, puxando-a para um lado ou outro, é desqualificá-lO, reduzi-lO a um arremedo daquilo que Ele mesmo revelou-nos. É o pecado supremo de não glorificá-lO; de esquecer, não temer, nem servi-lO como Deus zeloso, cuja ira se acende contra todo o rebelde. Nenhum profeta ou apóstolo teve a audácia e insolência de minimizá-lO, antes foram guiados pelo Espírito Santo na coragem e obediência em descrevê-lO assim como Ele é, assim como se deixou mostrar e quis se revelar.

Como sempre digo, a verdade não precisa ser defendida, mas proclamada (porque anunciar a verdade é a forma de melhor defendê-la do embuste, ao revelar-lhe a artimanha e o seu artificioso ardil). Deus não precisa que o defendamos de supostos ataques humanistas e das investidas diabólicas, mas Ele precisa ser proclamado como a Bíblia O revela: Deus Todo-Poderoso, soberano e Senhor de tudo e todos, não uma bijuteria sobre a mesa da qual nos lembramos apenas quando se vai tirar o pó. De outra forma, como os eleitos serão regenerados e abandonarão as falsas doutrinas? E como os santos serão feitos à imagem perfeita de Cristo?

Ocultar ou rejeitar partes da revelação divina em nada afeta a Sua natureza e glória, mas nos coloca em “maus-lençóis”, ao tornar-nos odiosos diante dEle, que não tem por inocente aquele que tomar o Seu nome em vão (Ex 20.7).

Que se pregue o Evangelho da verdade, em sua totalidade, não aquilo que pode ser conveniente e falsamente interpretado como a completude da revelação, quando não passa de um fragmento descontextualizado em que uma mínima parte verdadeira é reunida a uma maioria mentirosa e, assim, utilizada para construir e validar um complexo falacioso.

Deus é Todo-Poderoso, e não há nada n'Ele que O envergonhe, porque é santo, justo e o único Senhor. Da mesma forma, não pode haver nada que nos escandalize na Escritura (refiro-me a Deus, Sua natureza, propósitos e ações, pois, o diabo, seus anjos e os homens são completamente reprováveis e escandalosos), antes rendamos honra e glória ao Deus que está diante de nós, e pelo qual somos chamados a confiar no Evangelho como a Sua fiel revelação.

E livremo-nos definitivamente do evangelho capenga do deus falseado, para se viver a verdade santa e objetiva da Palavra do Deus Vivo.

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Fonte: Kálamos
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Como se tornar um cristão nominal?

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Por Rev. Jôer Corrêa Batista


Primeiro, vá à igreja apenas uma vez por semana. Se você for ao culto matutino, não vá ao noturno, se for ao culto noturno ignore o matutino. Escolha um dia da semana, os domingos são os preferíveis, mas pode-se optar por outro trabalho durante a semana, o importante é não ir mais que uma vez. Ao longo de sua carreira cristã nominal você conseguirá passar semanas ou talvez meses sem frequentar os cultos, perceberá que eles se tornarão cada vez menos necessários à sua fé nominal.

Em segundo lugar, abandone o hábito de orar sempre. Ore nos cultos, nas reuniões da igreja, ore quando alguém estiver perto de você, ore nos momentos de aflições e principalmente nas reuniões de oração, quando ocasionalmente você participar de uma delas. Mas abandone o hábito de orar em secreto e orar diariamente. A oração gera em nós um senso de dependência, nos leva a considerar a presença invisível e real de Deus, e esta concepção de uma realidade espiritual prejudica a carreira de um cristão nominal.

Em terceiro lugar, não leia a Bíblia. Esqueça esse hábito de preservar horas tranquilas compostas de oração e leitura bíblica. Leia a Bíblia nos cultos, a quantidade de leitura que temos nos cultos deve ser suficiente para manter o sentimento de que somos cristãos. Deixe sua Bíblia no carro, assim você não terá o trabalho de levá-la para casa durante a semana. Lembre-se que seu alvo é chegar ao ideal do nominalismo cristão, que é a capacidade de cultuar a Deus sem Bíblia. Com o passar do tempo e persistência você conseguirá e muitos admirarão a sua memória.

Em quarto lugar, não evangelize. Assuma uma postura neutra, assim você não sofrerá oposição dos ímpios, pelo contrário, eles aprovarão seu comportamento e acharão você uma pessoa legal por ser igual a eles e fazer as coisas que eles fazem. Isso é bom, principalmente porque você não terá a necessidade de dar testemunho através de seu comportamento estando, assim, livre para viver a vida cristã do seu jeito.

Em quinto lugar, não frequente a Escola Dominical. Matricule-se para manter seu nome no rol dos cristãos, mas não freqüente. Aproveite o domingo com outras programações mais importantes que a fé cristã. Passeios, viagens, baladas de sábado à noite e até estudos como o vestibular são boas justificativas para você não se sentir culpado. Não se preocupe com a necessidade indicada pelos seus líderes de se ter conhecimento bíblico e doutrinário. Você pode até aprender algumas doutrinas, o que você não deve fazer é praticá-las. Encha seu intelecto de verdades da Escritura, mas lembre-se são apenas idéias, convença-se que são teorias, e que na prática não funcionam.

Em sexto lugar, não desenvolva relacionamento com outros membros da igreja. Saia logo do culto assim que ele terminar. Não se demore conversando com os irmãos ou algum visitante. Eles chamam isso de comunhão, e você pode achar esses momentos muito agradáveis. Se for obrigado a ficar, não aprofunde seu relacionamento e mantenha distância dos grupos de serviços da igreja.

Em sétimo lugar, batize-se e participe da ceia regularmente. Nada melhor que os sacramentos para nos fazer sentir cristãos. Professe sua fé, mas lembre-se que os compromissos assumidos naquele dia, são meros atos religiosos. Não tome a ceia com fé, nem envolva a fé nessas cerimônias, caso contrário elas poderão se tornar mais que cerimônias, podendo até mesmo ser meio de graça em sua vida, e isto é nocivo para a carreira de um cristão que quer se tornar nominal.

Acima de tudo, se você realmente pretende se tornar um cristão nominal, considere que a grande diferença entre os nominais e os cristãos verdadeiros é a fé. Não a fé qualquer, mas aquela que, segundo uma definição de um autor cristão... é o que se recebe de Deus; não uma mera aceitação do que é revelado em Sua Palavra, mas um princípio sobrenatural de graça que existe no Deus das Escrituras. Devo dizer ainda que a fé é indispensável ''somente'' para ler a Palavra de Deus (Jo 20.31), para ouvir a pregação (Gl 3.2), para a oração (Tg 1.6), para a vida diária (2Co 5.7, Gl 2.20) e para a nossa partida deste mundo (Hb 11.13).

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Fonte: Igreja Cristã Reformada do Campo Belo
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O paganismo do evangelicalismo pós-moderno

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Por Thomas Magnun


"O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama." 2 Pedro 2:22

Ao observarmos todo desenvolvimento histórico da igreja cristã, é impossível não nos maravilharmos com o labor de homens e mulheres que dedicaram suas vidas ao Senhor da glória, e a ofereceram como sacrifício vivo ao Senhor. Quando nos debruçamos sobre a história dos mártires da fé e vibramos com o momento da reforma no século XVI, somos constrangidos a defendermos a fé que por herança nos foi dada. Mas, a situação do evangelicalismo moderno é completamente oposta.

No capitulo 2 da Segunda Epístola de Pedro observamos como o Apóstolo abordou o problema da heresia e dos falsos profetas na igreja primitiva. "E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade" (2 Pedro 2:1-2). O trecho que chama atenção principalmente por conta do nosso tempo é: "Introduzirão encobertamente heresias de perdição". O cristianismo moderno vive a mais absurda paganização já registrada na história, esse capítulo da segunda Epístola de Pedro nos leva a termos uma profunda certeza da palavra de Salomão: "O que foi, isso é o que há de ser; e o que se fez, isso se fará; de modo que nada há de novo debaixo do sol" (Eclesiastes 1:9).

Um evangelho misturado com budismo como o de David Yonggi Cho, ou com o induísmo de Benny Hinn, ou com as religiões afro de Edir Macedo, ou um evangelho psicologizado como o de Joyce Meyer ou o evangelho triunfalista de R.R Soares com suas bases em Kenneth Hagin, que esboçam tudo menos o evangelho da Escritura Sagrada. Claro que ouvimos muito por aí, mas, o Deus é um só, isso é o que importa, no entanto o Apóstolo Paulo não concorda com isso quando diz "Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema" (Gálatas 1:8-9). Ele simplesmente está dizendo que qualquer mensagem supostamente vinda de Deus que não é o evangelho da escritura, é amaldiçoado, isso mesmo, amaldiçoado!

Interessante notar que as igrejas evangélicas desprezaram não só a doutrina, mas a história e passaram a deleitarem-se em seus enganos, 2 Pedro 2:13. A riqueza desse mundo e suas cobiças são o alvo, a saúde, a prosperidade financeira, os milagres, as línguas, os dons. A igreja tem buscado tudo isso e soterrado o verdadeiro evangelho "Pois o que primeiramente lhes transmiti foi o que recebi: que Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras" (1 Coríntios 15:3-4). Pedro continua a nos exortar "Os quais, deixando o caminho direito, erraram seguindo o caminho de Balaão, filho de Beor, que amou o prêmio da injustiça" (2 Pedro 2:15). A cobiça de Balaão que recebia dinheiro para profetizar contra o povo de Deus, tem sido o retrato dos falsos profetas em toda a história. Trazendo uma mensagem de autoajuda, ou triunfo financeiro, dizendo que viver com Deus é ser rico, ou não sofrer, ou não adoecer, ou não passar por tragédias, no entanto a Bíblia diz "Estes são fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva. Porque, falando coisas mui arrogantes de vaidades, engodam com as concupiscências da carne, e com dissoluções, aqueles que se estavam afastando dos que andam em erro, Prometendo-lhes liberdade, sendo eles mesmos servos da corrupção. Porque de quem alguém é vencido, do tal faz-se também servo" (2 Pedro 2:17-19).

Técnicas de marketing, técnicas de comunicação institucional, indução psicológica, legalismo, libertinagem, juntamente com uma boa análise ambiental, levam a tais falsários do evangelho a terem todo um cronograma de alcance do público alvo, estudando as estratégias, as metas e objetivos a serem alcançados com o estilo de reunião, e apontamentos das principais necessidades dos seus clientes. Ao fazermos um rápido estudo das escolas de comunicação de massa, identificaremos tais manipulações, o uso das mídias digitais, os testemunhos de sucesso financeiro e familiar, as reuniões com fins puramente empresariais e muitas outras coisas que identificamos com um rápido olhar. O paganismo moderno está nas igrejas evangélicas, com suas superstições. Campanhas com rosas, sal grosso, óleo ungido, culto da unção, a judaização de muitas denominações evangélicas históricas, são características desse mar de heresias.

"Porquanto se, depois de terem escapado das corrupções do mundo, pelo conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, forem outra vez envolvidos nelas e vencidos, tornou-se-lhes o último estado pior do que o primeiro. Porque melhor lhes fora não conhecerem o caminho da justiça, do que, conhecendo-o, desviarem-se do santo mandamento que lhes fora dado; Deste modo sobreveio-lhes o que por um verdadeiro provérbio se diz: O cão voltou ao seu próprio vômito, e a porca lavada ao espojadouro de lama." 2 Pedro 2:20-22.

Ao desprezar os princípios da reforma, ao blasfemarem do Santo Evangelho de Cristo, blasfemam do que não entendem e perecem na sua corrupção. Ao estarem presos nas redes do pós-modernismo com sua relativização e pluralização levam muitos ao erro. A Santa Escritura nos adverte "E clamou fortemente com grande voz, dizendo: Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e coito de todo espírito imundo, e coito de toda ave imunda e odiável. Porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua fornicação, e os reis da terra fornicaram com ela; e os mercadores da terra se enriqueceram com a abundância de suas delícias. E ouvi outra voz do céu, que dizia: Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas. Porque já os seus pecados se acumularam até ao céu, e Deus se lembrou das iniquidades dela" (Apocalipse 18:2-5). A Babilônia simboliza a falsa religião e tudo que ela acarreta, destruição. Há alguns anos quando evangelizávamos alguém podíamos dizer procure uma igreja perto da sua casa, hoje isso não ocorre mais. Esteja em uma igreja saudável, com uma teologia reformada, que preze pela suficiência da Escritura.

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- Sobre o autor: Thomas Magnum é Batista reformado (calvinista), Amante da escritura sagrada, leitor apaixonado da literatura reformada calvinista, graduando em jornalismo, mora em Recife e é casado com Kelly Gleyssy.

Divulgação: Bereianos

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Bispo Crivella da IURD ministrando em uma IPB?

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Por Ev. Anderson Thiago David Rocha

Clique na figura p/ ampliar. Fonte: Fanpage da IP de Manguinhos.

Entrei em contanto com o Rev. Uziel Lima para saber de fato se aquilo era verdade ou uma pegadinha. O Reverendo me respondeu dizendo que não era pegadinha nenhuma, mas que era verdade e que seu Presbitério e Sínodo sabiam, inclusive Deus. Muitos irmãos ficaram tão assustados quanto eu. Eis os motivos do nosso susto:

1. Creio que todos vocês saibam quem é Marcelo Crivella. Se não, eis algumas informações: Ele é Bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, aquela mesma do famoso e controverso Bispo Edir Macedo. Ele também é senador (mandato 2011-2019) e, atualmente, é Ministro da Pesca e Aquicultura do governo Dilma.

2. A Igreja da qual Crivella faz parte é, assim como seu líder (Edir Macedo), marcada por controvérsias doutrinárias e financeiras. Os escândalos financeiros não são minha preocupação. Apenas desejo expor as doutrinas heréticas adotadas por esta suposta denominação evangélica:

a) Promessas de riqueza e saúde perfeita para todos;
b) Misticismo (rosa mística, oração dos 318 pastores, óleo ungido, entre outros).

Como membro da Igreja Universal, Crivella subscreve todas estas perversões doutrinárias. Ou seja, ele é tão herege quanto sua igreja. Poderia ele pregar numa igreja que vela pela sã doutrina?

3. Vejamos agora o posicionamento da IPB acerca da Igreja Universal:

SC - 2010 - DOC. XIX: Quanto ao documento 244 - Proposta de classificação da Igreja Universal Reino de Deus: O SC/IPB - 2010 RESOLVE:
1) com base no Relatório da Comissão Especial (CE-2007), determinada pela Resolução SC/IPB - 2006-006, enquadrar a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) como seita;
2) com base na resolução do SC/IPB - 2006-006, que reafirma a posição do SC/IPB - 1998-117 e no relatório especial CE-2007, determinar que os membros oriundos da IURD deverão ser aceitos mediante batismo e profissão de fé.

Diante desta resolução, algumas perguntas são necessárias: Como o Pastor da Igreja Presbiteriana de Manguinhos permite que um membro da Igreja Universal pregue numa Igreja Presbiteriana? Além disso, ele afirma que o Presbitério e o Sínodo estão cientes do evento. Como, portanto, Conselho, Presbitério e Sínodo toleram tal situação? Não seria isto desobediência às autoridades da Igreja, que elaboraram a resolução supracitada?

4. Sei que existem meios ordinários para fazer denúncias. Mas como a postagem foi pública e já há posicionamento oficial da IPB sobre o assunto, decidi, como membro, mostrar minha oposição publicamente também. Opiniões públicas podem ser rebatidas publicamente. Paulo, por exemplo, rebateu Pedro publicamente por falhas cometidas em público (Gálatas 2). O mesmo Paulo diz que os Presbíteros que laboram em erro devem ser repreendidos publicamente para temor dos demais (2 Timóteo 5.20).

5. Acerca dos irmãos que repudiaram minha posição, tenho algumas observações:

a) É dever dos Presbíteros (pastores) convencer os que se contradizem e calar os que se opõem à sã doutrina (Tito 1.9,11). O problema é que em vez de calá-los, eles se calam.

b) Homens, como o Reverendo Uziel Lima, existem pela falta de um presbiterato forte e que guarda a sã doutrina. Mas aqueles que devem combater o falso ensino, como verdadeiros guardiões da doutrina, tornaram-se omissos.

c) Muitos dizem que não serei ordenado em razão do meu posicionamento. Afirmam que farei o seminário e depois ficarei de molho. Que duas coisas sejam esclarecidas: Primeiro, tenho certeza da minha vocação pastoral; segundo, quem sustenta minha família é o Senhor. Por isso, não venderei minhas convicções para agradar a todos e não correr o risco de não ser ordenado.

6. Aos membros da Igreja Presbiteriana de Manguinhos, conforme a Constituição Interna da IPB:

Art.14 - São deveres dos membros da Igreja, conforme o ensino e o espírito de Nosso Senhor Jesus Cristo:
d) obedecer as autoridades da Igreja, enquanto estas permanecerem fiéis às Sagradas Escrituras.

Isso significa que os membros devem questionar a posição do Reverendo Uziel.

7. Ao Reverendo Uziel Lima, peço que reveja sua posição acerca do dia 23 de Novembro e a participação de Marcelo Crivella, membro de uma seita herege, num culto da IPB como pregador. Ou então, tenha humildade e honestidade para sair da IPB se não quiser obedecer as autoridades dela. Abra sua própria igreja e poderá convidar Crivella, Edir Macedo, Valdomiro Santiago, R. R. Soares, Benny Hinn, Valnice Milhomens e o Rev. Marcos Batista Amaral e isso não prejudicará uma denominação inteira.

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Anderson Thiago David Rocha é casado e serve ao Senhor como Evangelista na 5ª IPB de Montes Claros/MG

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Artigo enviado por e-mail.

Nota do Blog Bereianos: Foi com muita preocupação que recebemos essa denúncia através do Ev. Anderson da IPB. Não é a primeira vez que uma IPB disponibiliza espaço litúrgico no púlpito para o Bispo da Igreja Universal, fato ocorrido também em 2012, na Catedral Presbiteriana do Rio:



Veja mais informações sobre este "sermão iurdiano" na Catedral Presbiteriana do Rio, aqui.

Tais fatos são injustificáveis! Espero que esta incompatibilidade não ocorra (novamente) em um púlpito reformado de nossa querida IPB.

Ruy Marinho
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O que a igreja teme perder?

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Por Josemar Bessa


Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e DEU também ao seu Marido, e ELE COMEU (Gn 3.6).

Amamos fazer parte da maioria, e isso tem se tornado o veneno mortal que destrói a igreja da nossa era. Nada mais difícil para nós em nos contentarmos em ser o que temos que ser para a glória de Deus, sabendo que o mundo, e com isso a maioria, jamais viverá para esse propósito.

A “igreja” de hoje é como Adão. Mesmo sabendo das conseqüências em desobedecer a Deus, já que Deus falara diretamente com ele, Adão depois de Eva ter comido o fruto proibido por Deus, tomou e comeu também. Quanto não foi perdido naquele momento. Por que ele não a deixou sozinha naquela loucura? Por que participar de algo que você sabe ser a morte e ruína inevitável? Talvez tenha começado aí a inclinação de preferirmos nos unir a maioria a sermos obedientes a Deus sozinhos. Adão ficou com medo de ficar só? Medo de perdê-la? O que a “Igreja” teme perder ao se unir ao mundo num culto antropocêntrico quando ela podia desfrutar da glória da Verdade de Deus?

Alargamos as portas e o mundo entrou. O mundo ao entrar, a atração da maioria fez seu trabalho e nos tornamos a imagem do mundo. Escolha tão louca quanto a escolha de Adão. Era melhor ficar só no Éden na companhia do Altíssimo (se é que isto é estar só) – do que ter Eva, e com isso perder tudo. Tudo pelo qual tinha sido criado – A GLÓRIA DE DEUS! Não é esta a louca história dessa geração que ENCHE templos VAZIOS de Deus e da Verdade? Escolhemos comer o fruto proibido por Deus junto com o Mundo do que perdê-lo. Perdemos Deus, perdemos a verdade, perdemos a glória da existência como homem e como igreja. Podemos ter ficado juntos com o Mundo como Adão conservou Eva, mas então iremos juntos em direção a MORTE. Depois de tanto tempo, já devíamos ter perdido o medo de sermos MINORIA na terra. Ter acreditado que a porta era estreita e o caminho apertado – mas que conduz a salvação.

A igreja quis construir pontes para o mundo – a intenção inicial podia ser até influenciar o mundo. Mas as pontes não tem uma mão única, mas mão dupla. Não foi a Igreja que invadiu o mundo através destas pontes, mas por essas pontes o mundo invadiu a igreja.

Por que insistimos se está claro que isso conduz tudo a perdição? Porque achamos que está tudo bem, afinal estamos nos tornando grande multidão. Se somos pragmáticos não há mais nada que possa nos interessar. Mas uma pergunta sempre ecoará sobre nossas cabeças. POR QUE CONTAR PESSOAS? Não há dúvidas de que um homem com Deus é a MAIORIA. Melhor um Jeremias do que toda a população de Jerusalém que está fadada por sua obstinação ao cativeiro babilônico. A Palavra de Deus nos diz: “UM SÓ HOMEM dentre vós perseguirá mil, pois o Senhor, vosso Deus, é quem peleja por vós, como já vos prometeu” (Jz 23.10).

Então por que contar pessoas? Por que mensurarmos o valor das coisas contando cabeças? Um homem com Deus se torna maioria, embora existam milhares do outro lado. Ficamos com a força da multidão e não percebemos que os muitos que nos ajudam podem ser muitos, e de fato são MUITOS, para que Deus possa nos ajudar. Esses muitos são nosso empecilho e não nossa benção. Deus disse a Gideão “É demais o povo que está contigo, para que eu possa entregar os medianitas nas suas mãos”. (Jz 7.2) – Deus desejou diminuir as fileiras. A vitória do Reino de Deus não depende delas. Conforme aconteceu com Gideão que não pôde fazer nada, até que FORTALECEU SEU EXÉRCITO, REDUZINDO O NÚMERO DE SOLDADOS. Teremos que perder a paixão pela maioria, parar de contar pessoas... Havia o perigo de Israel dizer que sua própria mão o livrou – e é nossa própria mão que tem transformado o igreja num monstro enorme, feita de pedaços de cadáveres, um FRANKENSTEIN – enorme, mais um monstro – fruto, como na história de Mary Shelley, de um homem querendo gerar vida e força a partir de pedaços mortos, que além de mortos não podem se encaixar – fruto do homem querendo fazer o que só Deus pode fazer, DAR VIDA. Deus quis que Gideão reduzisse o número de soldados. De trinta e dois mil, para trezentas pessoas – muitos diriam, que fracasso esse grupinho. Mas Deus diz: “Um só homem dentre vós perseguirá mil” – E Deus fortaleceu o exército o diminuindo. Mas as hostes de Deus são infinitas – Um perseguirá mil por quê? “Pois o Senhor, vosso Deus, é quem peleja por vós!

Se você desejasse criar uma nação poderosa para cumprir um propósito, como você começaria? Escolheria uma raça de homens fortes, organizados, constituídos por laços antigos? Quando DEUS FUNDOU a nação de Israel, Ele chamou apenas um homem. Um para Deus basta para formar uma grande nação – Ele chamou ABRAÃO. Chamou Abraão SOZINHO e o ABENÇOOU!! Aí está a diferença. Cremos nas escolhas de Deus. Cremos que de um ele faz uma nação? “Ele é quem peleja por vós, como já vos prometeu”.

Quatrocentos anos de cativeiro. Geração após geração nascida e acostumada com a vida de escravos. Escravos do maior Império que a terra conhecera até então. Como tirar aquele povo inteiro do cativeiro? Como enfrentar tão grande poder? Tão grande e temido exército? Ah! Se pudéssemos entender hoje. Quando Deus quis DERROTAR O ORGULHOSO Faraó, não recrutou um exército. Não preparou armas, arcos, bigas, lanças, multidão... Apenas chamou UM homem – Apenas Um! Moisés! Como podemos denominar isso? O MINISTÉRIO DE UM ÚNICO HOMEM. É isso que Deus tem utilizado por gerações e gerações. Então, porque continuamos contando pessoas? O exército, o ministério de UM HOMEM tem sido mais utilizado por Deus do que multidão de soldados treinados e comandados por grandes oficiais.

O filisteus eram uma nação poderosa. Trabalhava o ferro, criava armaduras e armas letais. Dominavam povos e os escravizavam. Entre estes povos estava Israel. Debaixo das garras mortais da força filistéia. Deus irá libertar seu povo de novo. Quantos ele levantará? Quantos ele treinará e dará armas mais poderosas para poderem fazer frente a tão grande poder dominador? Me responda: quantos israelitas seriam necessários para destruir o poder filisteu – que SANSÃO não pudesse, tendo sido levantado por Deus para fazer? Deus levanta um SANSÃO, e isso lhe basta!

Saul era um homem valente e grande guerreiro. Seu filho Jônatas também. Davi disse sobre eles quando morreram: A tua glória, ó Israel, foi morta sobre os altos! Como caíram os valentes!...” (2Sm 1.19) – Saul era valente, Jônatas era valente e com eles estava grande exército de valentes. Mas o quê é dito para nós? SAUL E SEUS EXÉRCITOS mataram os seus milhares, porém DAVI destruiu seus DEZ MILHARES!!

Então por quê continuar a contar pessoas? Por quê estreita é a porta e poucos entram por ela? Por quê o caminho é apertado...? Deus pode, Deus quer OFERECER GRANDE VANTAGEM AOS INIMIGOS e, apesar dessa grande vantagem, VENCÊ-LOS!! Por quê contar pessoas? Isso não te dá vontade de mandar a multidão para casa como Gideão?

Um só dentre vós perseguirá mil...” – Por quê??? “Porque Deus é quem peleja por vós, como vos prometeu!” – Por quê mercadejar o evangelho para atrair a multidão quanto temos essa promessa? Diante disso, O QUE SIGNIFICAM MULTIDÕES DE HOMENS? Se Deus envia um homem (Abraão, Moisés, Gideão, Sansão, Davi...) ou um pequeno povo, meu irmão – O PODER DELE REALIZARÁ O SEU PROPÓSITO.

O segredo para a pureza da igreja é acreditar na Palavra de Deus, não mercadejá-la. CONFIAR!! “O Senhor, vosso Deus, é quem peleja por vós, como já vos prometeu”. (Js 23.10) – Confiem na divina promessa. A mesma feita a Josué. Com essa promessa no coração Deus diz a nós: “Sê forte e corajoso, porque tu farás este povo herdar a terra...” (Js 1.6).

A igreja não precisa se mundanizar para que Deus realize o seu propósito. Então por que contar pessoas????

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Uma carta a Lutero

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Por André Albertini

Caro Lutero,

Por força do hábito ia começar perguntando se está tudo bem. Mas, lembrei que você está na Glória, com o Pai. Certamente está… Por aqui é 31 de outubro e estamos comemorando o Dia da Reforma. Por isso te escrevo, para agradecer sua coragem e determinação na luta pelo verdadeiro Evangelho. Sim, eu sei que nada disso ocorreria sem a Graça de Deus. É evidente que ele te escolheu, capacitou e iluminou para que fizesse isso. Evidentemente, também, outros homens, como Jan Huss, John Wycliff, Girolamo Savonarola e outros abriram o caminho para o que você iniciou lá em Wittenberg. Mas, não seja modesto; sua contribuição foi fundamental.

Bem, admito que não tenha notícias muito boas daqui. Alguns “protestantes” não entenderam bem o que você e os outros reformadores propuseram. Digamos que Johann Tetzel seria um amador perto deles… Voltaram a vender o Evangelho, amigo. Por bênçãos, cura, prosperidade… Muito tempo depois de sua partida inventaram a TV. Basicamente, é um aparelho que transmite som e imagem para qualquer lugar. Não tem ideia do que estes caras fazem para poder aparecer nela. Enquanto há irmãos sofrendo, passando necessidades, há líderes da igreja esbanjando muito dinheiro. Inventaram o trízimo! O nome indulgencia foi abolido, mas, o conceito não. E não estão muito interessados no tilintar da moeda. Querem muito mais que moeda. Muito triste.

Sei, também, que era um grande músico. Pois aí temos outro grande problema dos nossos tempos. É lamentável como a maioria das músicas ditas cristãs de hoje nada refletem da Graça de Deus. Só pedem. São músicas centradas no homem. Sei que teve uma discussão com Erasmo de Roterdã sobre o humanismo dele. Creia, perto do que temos hoje, ele nem era tão ruim assim. E a qualidade musical? Terrível! Inclusive o pessoal não tem gostado muito de seu lindo hino Castelo Forte. Primeiro acham muito “parado”. Não dá pra pular, pra dançar… Segundo, há um grande problema com aquele trecho que diz: “Se temos que perder; família, bens, poder. Embora a vida vá. Por nós Jesus está”. Dizem que isso não é um discurso de um cristão. É muito derrotismo. Dizem que você tinha é que ter declarado a vitória! Ter determinado que Deus te desse tudo. Afinal, crente que é crente não sofre… Sim, irmão Lutero, o pessoal tem cantado isso. Adoram pedir pra Deus restituir de volta o que era deles. Até acho que Deus deveria fazer isso mesmo. Restituir a perdição antes de Cristo. Sorte deles que o Pai é amoroso…

Lembro que lutava contra o fato do Papa ser um ser superior aos outros crentes. Pois bem, acredita que no meio “protestante” temos algo parecido com o Papa? Sim, temos apóstolo, paipóstolo, arcanjo… O que tem de homem tentando usurpar a glória de Deus é uma enormidade. Comportam-se como se fossem o único elo entre Deus e os fieis. Arrogam para si uma condição de infalibilidade. Sacerdócio universal dos crentes? Jamais! Eles querem fazer o povo pensar que sempre precisarão deles. São absolutamente autoritários e tirânicos. Ai de quem discordar deles. E estão em todas as denominações. Ah, me esqueci disso. Nos dividimos em várias denominações. O protestantismo não tem a menor unidade. Brigamos por forma de batizar, de tomar a ceia, de usar os dons.  É feia a coisa aqui, amigo.

Tenho, também, más notícias de sua terra natal e de sua igreja. Foi lá que surgiram os principais expoentes de um movimento que busca diminuir a autoridade da Palavra de Deus, transformar a Bíblia num mito, diminuir os milagres de Cristo e, acredite, diminuir até a importância do sacrifício vicário de Jesus. Segundo eles, nós que acreditamos na veracidade dos fatos bíblicos somos inocentes que não entendemos nada… Parece que este movimento perdeu força, mas sempre arruma algum jeito de voltar. Se aqui ainda estivesse, seria chamado de fundamentalista…

Porém, caro irmão, embora temos todos estes problemas, há muito que comemorar. Vemos muitos e muitos jovens se voltando à sã doutrina, querendo resgatar aquilo que você já havia resgatado no seu tempo: a verdadeira mensagem do Evangelho. Até em sua querida Igreja Católica (sim, sei que o que realmente queria não era uma separação e sim uma mudança de rumos) vemos pessoas buscando as doutrinas da Graça. Depois de você muitos homens e mulheres de Deus vieram e lutaram bravamente para que o Evangelho de Cristo fosse retomado. O invento de Gutemberg prosperou. Hoje é fácil achar livros sobre o nosso Deus. E a Bíblia, então? Fala-se que a temos em 2.250 idiomas! É o livro mais vendido na História. Seu sonho de coloca-la ao alcance de todos é uma realidade. Glórias sejam dadas a Deus!

Por enquanto é isso, amigo. Quem sabe logo te escreva contando novidades melhores. Um dia nos conheceremos pessoalmente. Espero que, no tempo aqui da Terra, demore um pouquinho… Mande um abraço para o pessoal aí. Pra Melanchton, Zwinglio, Calvino, Bucer, Beza, Farel, Knox, enfim, pra todos esses pedreiros da Reforma. Somos gratos ao Pai pela vida de vocês. Continuem com Deus!

Um grande abraço!

André

Soli Deo Gloria

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