Calvino e a Prosperidade

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A FÉ NÃO CONTEMPLA A PROSPERIDADE TERRENA, MAS A SALVAÇÃO E A VIDA ETERNA.

Ora, na benevolência divina, à qual dizemos que a fé contempla, entendemos que se obtém a posse da salvação e da vida eterna. Ora, se não pode faltar-nos bem algum quando Deus nos acolhe sob sua proteção, é suficiente segurança de nossa salvação que ele nos testifique o amor que nos tem. "Mostre ele sua face", diz o Profeta, "e seremos salvos" [Sl 80.3,7,19].

Do quê as Escrituras formulam esta síntese de nossa salvação: que, uma vez abolidas todas as inimizades, ele nos recebeu em sua graça [Ef 2.14,15]. Com isto dão evidentemente a entender que, uma vez que Deus esteja reconciliado conosco, não resta o menor perigo de que todas as coisas não nos sucedam bem. Portanto, a fé, aprendendo o amor de Deus, tem as promessas da vida presente e da vida futura [1 Tm 4,8], bem como a firme certeza de todas as coisas boas, a qual, porém, pode ser depreendida da Palavra.

Ora, por certo a fé não promete longevidade, nem honra, nem riquezas nesta presente vida, uma vez que nada destas coisas o Senhor quis que nos fosse destinado; pelo contrário, vivemos contentes com esta certeza: por mais que nos faltem muitas coisas que dizem respeito ao sustento desta vida, Deus, no entanto, jamais nos haverá de faltar. Mas, sua primordial certeza reside na expectação da vida futura que, pela Palavra de Deus, foi posta além de toda dúvida. Entretanto, quaisquer que sejam na terra as misérias e calamidades que esperem aqueles a quem Deus já abraçou com seu amor, não podem impedir que sua benevolência lhes seja a plena felicidade. Daí, quando queríamos exprimir a suma da bem-aventurança, mencionamos a graça de Deus, de cuja fonte nos emanam todas as espécies de bênçãos. E isto, a cada passo, se pode observar nas Escrituras: que somos encaminhados ao amor do Senhor que, vezes sem conta, trata não só da salvação eterna, mas até de qualquer outro bem nosso. Razão por que Davi canta: a bondade divina, quando é sentida no coração piedoso, é mais doce e mais desejável do que a própria vida [Sl 63,3].

Enfim, se tivéssemos tudo, segundo nosso desejo, mas vivêssemos incertos quanto ao amor ou ao ódio de Deus, nossa felicidade seria maldita, e por isso desditosa. Mas se Deus nos mostra seu rosto de Pai, até as próprias misérias nos serão para felicidade, pois se converterão em auxílio para a salvação.

Assim é que Paulo, enfeixando todas as coisas adversas, entretanto se gloria de que não somos por elas separados do amor de Cristo [Rm 8.34-39], e em suas preces sempre parte da graça de Deus, da qual emana toda prosperidade. De maneira semelhante, Davi contrapõe o favor de Deus a todos os temores que nos conturbam. "Se porventura eu andar em meio à sombra da morte, não temerei males, porque tu estás comigo" [Sl 23,4]. E sentimos sempre vacilar-nos o espírito, a não ser que, contentes com a graça de Deus, nela busquemos sua paz, profundamente arraigados no que lemos no Salmo: "Feliz é o povo cujo Deus é o Senhor, e a nação a quem ele elegeu por sua herança" [Sl 33,12].

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Autor: João Calvino
Fonte: CALVINO, João. As Institutas, Edição Clássica, Ed. Cultura Cristã, 2ª ed., 2006, vol. III, pp. 52-53.
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Meu herege de estimação

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Gostos pessoais nunca deveriam ser colocados em pé de igualdade ao Evangelho. Quando a subjetividade dos gostos pessoais se infiltra no contexto da igreja, a possibilidade de problemas é tão certa como o fulgor do sol do meio-dia. O Evangelho deveria ser o norteador de absolutamente tudo que acontece na igreja, justamente porque a igreja deveria estar sendo conduzida sob a direção do Evangelho. O grande problema que pode ser observado e que se torna um desafio para nossos dias é que os falsos ensinos e falsos mestres estão se multiplicando como fogo em palha, justamente pelo clamor e anseio de gostos pessoais.

O fogo estranho do movimento carismático

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Salmo 69:9 - "Pois o zelo da tua casa me consumiu, e as injúrias que te ultrajam caem sobre mim".  

Davi consumia-se de tristeza e indignação diante da afronta à santidade de Deus. Jesus, como narrado em João 2:17, também sentiu o mesmo. Depois de o verem expulsar os mercadores a chicotadas, "seus discípulos se lembraram do que está escrito: O zelo de tua casa me consumirá". Cito duas breves passagens bíblicas que exemplificam fortemente o sentimento de indignação e ira de que deveria ser tomado todo cristão ante a profanação do culto a Deus em tempos atuais.

O sacrilégio e a ofensa a Deus tornaram-se normais em grande parte das igrejas, principalmente nas pentecostais e neopentecostais. Não desqualifico, todavia, a fé e a integridade dos meus irmãos que bebem da fonte carismática; apenas penso o movimento como aquilo que ele é, um movimento. Não há nenhum juízo de valor feito sobre indivíduos, mesmo porque não seria honesto imputar ao pentecostalismo e suas variações todos os males do evangelicalismo moderno. Visto que no meio tradicional também se espalham heresias, marcadamente associadas ao liberalismo teológico e ao que chamo de teologia da luta de classes (o falso e herético diálogo entre cristianismo e marxismo). 

Entretanto, é sob a égide do movimento carismático que as maiores e mais bizarras heresias têm se manifestado. Mas, de qualquer maneira, não é minha intenção aprofundar um debate sobre dons espirituais e sua continuidade. Primeiro, não é o objetivo do texto; segundo, faltaria espaço. Não obstante, deixo claro que sou cessacionista, pois, para mim, alguns dons espirituais extinguiram-se após o período apostólico da Igreja. Isto posto, me atenho ao que julgo ser mais importante no momento, a saber, o apontamento do prejuízo causado pela perniciosa, irracional e autoindulgente "adoração" a Deus prestada pelo fenômeno carismático. 

No século XVI, quando se levantou o estandarte da Reforma Protestante, o brado de “Sola Scriptura” e “Tota Scriptura” soavam na terra como um eco do brado de Deus exigindo sua primazia. Homens movidos pelo Espírito Santo reivindicaram a verdade, a suficiência e a inerrância da Palavra de Deus sob um custo de milhões de vidas. Deus, soberanamente, intervinha na História e recolocava no lugar a adoração que lhe era devida, da forma que lhe apraz.

O movimento carismático, inaugurado no início do século passado, a pretexto de ser escriturístico deslocou novamente, como já haviam feito os romanistas, o centro da verdadeira adoração. Sua ênfase no papel da terceira pessoa da trindade em detrimento das outras duas, de certa maneira, ataca a doutrina da Trindade ao sobrepor o Espírito Santo sobre Deus e Cristo Jesus. A fixação quase doentia nas "manifestações" do Espírito Santo o transformam em uma espécie de entidade que deve ser adorada à parte do Deus Triúno. 

O movimento carismático ensejou outras implicações. Refiro-me, aqui, a ideia nociva de que avivamento espiritual significa estar "cheio" do Espírito Santo, isto é, quanto mais manifestações irracionais, emocionais e catárticas, mais poder tem o crente. Na verdade, tal visão é um complemento à desordem irracional do culto e a importância dada por eles a experiência em lugar da sã doutrina, ambas marcas do movimento carismático. Estar "cheio" do poder é uma obsessão pentecostal ocasionada pela confusão que fazem com o que é denominado de um segundo batismo, porém um batismo com o Espírito Santo; uma espécie de segunda benção que revestiria o crente de poder, cujo sinal seria a glossolalia (aliás, um fenômeno presente em cultos ocultistas das mais variadas épocas). Um pequeno esforço de exegese seria suficiente para entendermos que o homem, ao ser regenerado, recebe o Espírito de Deus que o capacita a observar as ordenanças divinas, como posto em Ezequiel 36:26. Não há dificuldade em compreender que todo crente, todo homem regenerado é batizado com o Espírito Santo. Não há necessidade de um segundo batismo, muito menos de estabelecer duas castas de crentes, os "super crentes" batizados no Espírito e os carnais que ainda "buscam" tal benção.

No entanto, a pior manifestação do movimento carismático é sua vertente mais "trash": o neopentecostalismo. Digo, sem receio, que é a forma mais nociva e perniciosa assumida pelo "evangelho" moderno. Esta aberração doutrinária não só carrega os vícios e heresias do pentecostalismo, mas as potencializa. Ao torná-las ativas, traz um enorme prejuízo à causa da Igreja. É do neopentecostalismo, que se alimenta e se robustece a famigerada Teologia da Prosperidade. Sua ação maligna se impregnou nas igrejas que confessam o neopentecostalismo. Líderes desonestos e abjetos são formados todos os dias. Estelionatários da fé com seus programas diários na TV enganam milhões em seus cultos caracterizados pela ganância, pela desordem, pela irracionalidade, pelo sincretismo, pela mistificação e pela experimentação catártica. Enganam deliberadamente as multidões que, carentes de tudo, procuram desesperadamente uma redenção de suas misérias materiais e emocionais.   

Multidões seguiam Jesus atrás de solução para suas vidas. Porém, poucos eram os discípulos. Hoje, multidões se aglomeram nos cultos das "super-igrejas"; multidões ouvem e se jogam aos pés dos falsos pastores. O engano é patente. Um falso culto é prestado a um falso deus. Homens e mulheres, enlouquecidos, ousam levar ao Deus da Bíblia um fogo estranho. Por quanto tempo? Por outro lado, existem homens e mulheres que também ousam se levantar, contra tudo e contra todos, para corajosamente bradar: "O zelo de tua casa me consumirá"!

SOLI DEO GLORIA!

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Por Davi Peixoto
Fonte: Bereianos
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Falso profeta sim; ai de quem achar ruim!

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Neste vídeo aqui, o Edir Macedo, que dispensa apresentações, diz com todas as letras que Deus tem a obrigação de abençoar aquele que oferta em "sua obra". Ele se orgulha deste ensino, diz que ninguém verá isso ser dito em outra igreja evangélica. Ele ainda fala que não é para a pessoa orar pelo favor divino, pois isto é falta de fé. O negócio é ofertar e colocar Deus contra a parede dizendo: "ta aqui a oferta agora me dá a resposta". Macedo chega a caçoar dos que oram pedindo pela "misericórdia de Deus". Realmente a sua teologia pode ser resumida na máxima "ou dá ou desce".


Se você assiste a esse vídeo e não sente nojo, então você precisa reavaliar o seu Cristianismo. Pois, o que este homem faz é pregar as teses de Satanás e não a Fé que nos foi transmitida por Cristo e seus apóstolos. A barganha descrita por Edir Macedo é a mesma que Satanás usou com Jesus. Leia Lucas 4.1-13 e veja que os métodos satânicos ao tentar Jesus são os mesmos que usam os falsos profetas dos nossos tempos, dos quais o Macedo é um dos maiores. A nossa vontade terrena clama por ser alimentada e é isso que Satanás propõe logo de cara pedindo para Jesus transformar as pedras em pães. Continuando a sua investida maléfica, Satanás mostra os reinos do mundo e oferece caso Jesus o adore. O Messias diante de todo o esplendor sabia muito bem que, como disse o teólogo Abraham Kuyper, não há um centímetro quadrado do Universo que o Senhor não declare seu. Essa barganha é típica do Inimigo e não pertence a Deus. Por isso que a pregação “toma lá da cá” é herética e obscura. Deus age por graça e misericórdia, quem faz trocas é o Demônio. 

Jesus não cai nas ciladas do inimigo. Nas duas respostas que Cristo deu usou as Escrituras (Deuteronômio 8:3 e 6:13). Satanás ousa guerrear com a “mesma arma” e usa o Salmo 91. Em que consiste o elemento da terceira tentação? Exacerbação da fé. O ato de Jesus se lançar do Templo para que os anjos viessem ao seu favor ao invés de glorificar a Deus O coagiria. O Diabo com isso queria simplesmente que o Filho desafiasse o Pai. Não é exatamente o que o Macedo propôs no vídeo? E quantos e quantos não estão por aí agora colocando “Deus contra a parede” querendo que Ele realize um conveniente milagre? As igrejas neopentecostais, dentre elas a Universal, estão cheias disso. Gente que sobe no púlpito e decreta, declara, determina e diz que se Deus é Deus mesmo ele tem que fazer e ponto. Afinal, quem é servo e quem é senhor? Jesus sabia de sua condição servil e não inverteu a ordem. Seu papel seria obedecer e não ordenar e novamente citando Deuteronômio (6:16) ele faz o diabo partir em retirada. 

Macedo é um falso profeta sim, e ai de quem achar ruim! Não falo isso por mero achismo. O nosso Senhor nos instruiu dizendo que devemos nos precaver e discernir quem são os picaretas da fé pelos seus frutos (Mateus 7:15 e 16). É a Escritura, e não eu, quem afirma que quem prega outro Evangelho, diferente do apostólico, é maldito (Gálatas 1:8). Este lobo e inimigo da Igreja zomba da oração de Jesus, pois foi Cristo quem nos ensinou a orar rogando pela graça de Deus-Pai e quem orava dizendo "seja feita a tua vontade". Será que isso não significa nada para você? 

Saiba que, sobre os impostores do Evangelho, a Bíblia nos dá as seguintes recomendações:


       a) Devemos nota-los e evita-los (Romanos 16:17)
       b) Devemos repreendê-los (Tito 1:9-13)
       c) Devemos nos apartar deles (2Tessalonicenses 3:6)
       d) Não devemos ter comunhão com eles (2João 9-11)
       e) Devemos rejeitá-los (Tito 3:10)


Então não venha com aquele papinho de que só Deus pode julgar. Isso é ser conivente com as heresias que ofendem ao SENHOR. Também não diga que é antiético citar o nome dos heréticos. Balela! Observando os apóstolos veremos: João fala mal (com razão) de Diótrefes (3 João 1:9). Paulo dizendo a Timóteo que entregou a Satanás os blasfemadores Himiteu e Alexandre (1 Timóteo 1:20). Possivelmente, o mesmo Alexandre é citado na segunda carta enviada a Timóteo. Paulo diz que ele foi causador de diversos males e roga para que Deus o julgue segundo as suas obras (2 Timóteo 4:14). Na mesma carta, cita Figelo e Hermógenes como líderes dissidentes da Ásia (2 Timóteo 1:15).

O cerne do Evangelho é a Graça. Nada merecíamos e nem merecemos. Tudo de bom que temos vem do caráter benevolente do SENHOR. Macedo reduz Deus a um capacho do homem. Uma gritante afronta ao Soberano. Muitos ainda o defendem por conta da identidade evangélica e o título de Bispo. Isso não quer dizer absolutamente nada. Vejam o que Paulo diz aos Filipenses:

Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas.” (Filipenses 3:18 e 19)

O apóstolo Paulo é taxativo: o fim desses que se dizem cristãos quando na verdade são inimigos da cruz é a perdição eterna. E o escritor aos Hebreus corrobora dizendo que “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:31). Por isso tome cuidado ao tentar defender lobos como o Edir Macedo. Você pode estar tomando o partido de quem é inimigo da cruz e padecer por isso. Seja bíblico. Seja coerente. Fuja dos falsos profetas!

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Autor: Thiago Oliveira
Fonte: Electus
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O Fracasso Espiritual da Teologia da Prosperidade

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Por Rev. Helio de Oliveira Silva


Essa semana assistimos com os jovens da igreja ao filme evangélico “Pregando o Amor”. Conta a história de um ex-traficante que é convertido a Cristo através do testemunho de sua namorada. É uma boa história de como a conversão a Cristo acontece com vários tipos de pessoas. Todavia, do ponto de vista pastoral e teológico a trama torna explícito muitos equívocos cometidos por cristãos, membros de igreja, quando o assunto é namoro, evangelização e vida cristã.

A tolerância e o incentivo ao namoro com incrédulos como estratégia evangelística da igreja é tomada com muita naturalidade. A conduta da personagem é tratada quase como um manual com os passos a serem seguidos quando esse for o caso.

Em nenhum momento há uma apresentação explícita de Jesus Cristo e seu sacrifício pelos nossos pecados como o fundamento da evangelização cristã. O arrependimento aparece no filme de forma bem superficial e o conceito de perdão exclui qualquer idéia de restituição. A experiência do jovem que enriqueceu com o tráfico e depois mudou de vida é bem diferente da experiência de Zaqueu que enriqueceu com a cobrança ilícita de impostos, mas que a sua conversão implicou em restituir a quem defraudou (Lc 10).

No filme, os cristãos não gostam de ser chamados de cristãos, mas apenas de “homens e mulheres de fé”, como acontece no caso das igrejas emergentes. Ainda há um toque explícito justificador da teologia da prosperidade, quando o pastor auxiliar da igreja estaciona sua belíssima Lamborguine branca no estacionamento da mega-igreja que os personagens freqüentam. Questionado sobre sua opulência, respondeu com ironia: “_Da última vez que li a Bíblia, ela não disse que era pecado ter estilo”.

Valores cristãos bíblicos como singeleza, simplicidade, frugalidade (relativo a frutos, sóbrio, comedido, simples, modesto) parecem não fazer parte do ensino bíblico sobre a vida cristã. Por isso, a obra missionária mundial definha em muitos lugares à medida em que a teologia da prosperidade avança nos países de maioria cristã. Igrejas grandes, carros caros, casas grandes e luxuosas vão tomando o lugar da fé simples em nossos corações. A secularidade avança sobre nós e nos seduz dizendo o tempo todo: _ Por que não usufruir? Por que não se permitir?! Enquanto em nossos olhos brilham reluzentemente os cifrões do Tio Patinhas.

Filmes como esse nos mostram claramente o fracasso espiritual da Teologia da Prosperidade, que embora seja pintada e filmada com glamour num enredo de vitória e sucesso, na verdade subverte a honra e a glória que são devidas unicamente a Cristo. O caminho da glória da Teologia da Prosperidade não é o caminho da cruz do Evangelho de Cristo, porque o primeiro busca a aprovação dos homens, enquanto o segundo serve unicamente à glória de Deus.

Com amor, Pr. Hélio.

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Fonte: Blog do autor
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Malafaia e Feliciano disputam quem é o mais herege

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Por Thiago Oliveira


Quão triste é ter que escrever sobre tais coisas. Novamente sei que muitos que são adeptos do “não julguem” irão me julgar e dizer que eu não deveria criticar estes (pseudos) pastores. Mas como me calar quando a Sã Doutrina é vilipendiada grosseira e cinicamente? Primeiro, o Silas Malaia não satisfeito com os hereges que aqui estão, convida um dos Estados Unidos para mercadejar na cara dura uma “unção misteriosa”. Sábado, dia 02/05/2015, Morris Cerullo, apresentado como um homem de Deus e portador de bênçãos, diz que é necessário ter fé, ou seja, ofertar dinheiro para ver os milagres acontecerem. 

Cerullo diz que as bênçãos de Deuteronômio 28 serão liberadas aos que doarem as quantias nos valores estipulados de R$ 500, R$ 1.000, R$ 5.000 e RS 10.000. Usa o texto bíblico para pregar a vitória financeira, destruindo com todo e qualquer princípio hermenêutico no intento de faturar mais grana. Como tais homens tem feito mal a causa do Evangelho. Como tem zombado de Deus e de sua revelação. Cegos pela influência de Mamon, tais homens tem arrastado milhares de milhares para o Inferno, pois não é a graça que eles oferecem. Eles ensinam as mesmas teses de Satanás quando tentou Jesus, oferecendo materialismo explícito.

O texto de Deuteronômio 28 é o relato dos hebreus prestes a entrar na terra prometida. Eles estavam acampados na planície de Moabe, de lá podiam avistar Canaã. Moisés já velho faz o seu último discurso para aqueles que herdariam a terra que seus pais não puderam herdar, pois foram mortos no deserto por causa de sua incredulidade e rebelião. Analisando o texto numa perspectiva aliancista, em que aquele é o povo de Deus, vemos que a condição de prosperarem na terra que mana leite e mel seria obedecer ao SENHOR, andar segundo os seus mandamentos e não prestar culto a nenhuma outra divindade. Não existe barganha financeira. Deus não diz que seriam prósperos se dizimassem ou dessem uma oferta especial. Há apenas o óbvio preceito de que a fidelidade ao SENHOR faria com que o povo gozasse de suas bênçãos. Sabemos que Canaã é uma ilustração da Canaã celestial. A passagem do Egito para Terra Prometida alude a passagem do cativeiro para a liberdade, isto é, da condenação do pecado para a liberdade através de Cristo, nos permitindo morarmos com ele em seu reino.

O que o Cerullo faz - com o aval do Silas, que tem se mostrado mais calhorda a cada ano que passa - é o mesmo que fez o mago Simão. Este, um místico samaritano, ao ver que Pedro e João concediam o dom do Espírito Santo aos convertidos pela pregação de Filipe, ofereceu dinheiro aos apóstolos para receber o dom também. Eis o que Pedro lhe disse diante dessa proposta:

O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro. Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, dessa tua iniquidade, e ora a Deus, para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração; Pois vejo que estás em fel de amargura, e em laço de iniquidade”. - Atos 8:20-23

É, meus irmãos, não sou eu quem digo, mas a Palavra atesta que os que agem segundo Malafaia e sua corja estão em iniquidade e, a não ser que se arrependam, terão lugar cativo no inferno. Como diz o escritor aos Hebreus: “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hb 10.31).

E no domingo, dia 03/05/2015, pregando na Conferência dos Gideões Missionários, o bivocacional Marco Felicano diz com todas as letras que os cristãos são “deuses”. Num sermão interminável, Feliciano grita, abusa em pedir que os ouvintes repitam o que ele diz e faz até as pessoas chacoalharem uns aos outros. Além de revelar que suas pesquisas para consultar o hebraico são realizadas rapidamente (palavras dele) no Google. Um show de horrores!

Baseando-se no salmo que diz “Deus está na congregação dos poderosos; julga no meio dos deuses” (Salmos 82:1), Feliciano começa especulando que esses “deuses” não são os anjos. Daí ele segue uma linha de raciocínio do tipo que “enche linguiça” e com muita especulação diz que Deus funde a essência dos anjos com os animais racionais para formar o homem. E numa frase que dá nojo ele arremata que Deus não é soberano, pois vai dizer o seguinte: “(...) porque se Ele tivesse naquele momento a plena consciência do que estava fazendo eu não sei se ele teria continuado com o plano. Porque o que Deus faz agora é a raça mais incrível no universo. É uma raça que tem dentro dela o céu e a terra. É uma raça que tem a eternidade e a vida passageira”.

Após dizer tamanha barbaridade é possível ouvir brados de “glória a Deus” vindos da plateia. Como é possível tanta falta de discernimento? O homem acaba de atacar a soberania divina e o pessoal vibra. Como a igreja brasileira está longe dos princípios confessionais. Tal como está registrado na Confissão de Fé de Westminster (V-1): “Pela sua muito sábia providência, segundo a sua infalível presciência e o livre e imutável conselho da sua própria vontade, Deus, o grande Criador de todas as coisas, para o louvor da glória da sua sabedoria, poder, justiça, bondade e misericórdia, sustenta, dirige, dispõe e governa todas as suas criaturas, todas as ações e todas as coisas, desde a maior até a menor”.

Deus fez todas as coisas para sua glória, obviamente Ele sabia o que estava fazendo do princípio ao fim: “O Senhor fez todas as coisas para atender aos seus próprios desígnios, até o ímpio para o dia do mal”. Assim está escrito em Provérbios 16:4. Insinuar que Deus não tinha noção do que estava fazendo é negar-lhe o atributo da onisciência.

Continuando com sua heresia, Feliciano evoca que as irmãs orem e que espera não escandalizar os que estão ali presentes. Para respaldar sua doutrina espúria ele lê Êxodo 7.1: “Então disse o SENHOR a Moisés: Eis que te tenho posto por deus sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será o teu profeta”. Não precisa ser muito inteligente para reconhecer que o que está aqui presente é a ideia de que Moisés representaria Deus diante de faraó. Ademais, o termo deus também evoca autoridade temporal, o que provavelmente é o caso do Salmo 82. A relação entre a divindade e os príncipes pode ser vista em Êxodo 22, principalmente no verso 8. No Novo Testamento vemos que Paulo tem essa mesma compreensão (ler Rm 13.1-2). No caso, “ser posto por deus sobre Faraó” em hipótese alguma quer dizer que havia divindade em Moisés. O que havia era a incumbência de ser um representante divino, portando Sua mensagem com autoridade. O próprio Moisés dirá isso para o seu sogro – Êx 18.15,16).

Não somos divindades, somos criaturas portadoras da imagem de Deus. Isso é totalmente diferente. E essa imagem foi borrada quando Adão pecou no Éden. O Deus triúno é incomparável. Ele está acima de suas criaturas, tanto é que proíbe os homens de representá-lo com imagens. Podemos até pintar Deus como um homem com um corpo simetricamente ajustado, forte, de olhar imponente, sentado num trono, com boas vestes e cercado de joias. Mesmo assim, seria uma figura abaixo da Sua majestade e do seu poder.

Feliciano acaba sua mensagem da pior maneira possível. Ele canta, e ainda por cima escolhe "Raridade" para ser a música entoada. É a celebração do homem ao invés da auto humilhação. Que tipo de culto é esse? Que pregação é essa? Que Evangelho é esse? A resposta para as três indagações se resume numa só palavra: Antibíblico. Ou melhor, utilizando o termo paulino: Anátema!

Silas Malafaia e Marco Feliciano. Dois figurões do evangelicalismo brasileiro. Metidos na política. Presença constante na televisão. Basta eles aparecerem e muitos dizem que eles são seus representantes. Que são os defensores da família e blábláblá. Entendam de uma vez por todas que quem deve nos representar e quem defende a família realmente não pode distorcer a sã doutrina, não podem negociar a fé. Não podem ser essas figuras abomináveis. Quem nos representa é quem segue a Palavra, pois ela é a nossa única fonte autoritativa. Sejamos guiados somente pela Escritura. Que Deus se apiede desta nação!

P. S. Se você tiver estômago suficiente para conferir o que esses hereges falaram, aqui está o link do programa do Malafaia, e aqui vai também o link da pregação do Feliciano

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Fonte: Electus
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Desmistificando o conceito de fé e profecias do neopentecostalismo

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Por Lucas Rosalem


2.4 TAMANHO DA FÉ

Em Mateus 13:32, Jesus diz que o reino de Deus é semelhante a uma semente de mostarda, que, apesar de pequena se transforma em uma grande árvore. Olhando essa passagem o ensino de Jesus fica mais claro: o reino de Deus parecia ser insignificante, mas assim como a semente de mostarda cresce e se transforma em uma planta que pode atingir 3 metros de altura, assim aconteceria com o reino de Cristo. Há 5 passagens onde Jesus cita o grão de mostarda, 3 delas são uma comparação com o reino e 2 com fé, mas em nenhuma delas existe a palavra “tamanho”.

Apesar de algumas traduções trazerem “tamanho do grão de mostarda” (NVI e NTLH), a Bíblia não diz que a nossa fé tem que ter tamanho, muito menos compara o tamanho da fé com o tamanho da mostarda. Tanto o texto de Lucas 17:6, quanto a de Mateus 17:20 no Grego (o idioma em que foram escritas) trazem o seguinte:

ει (Se) ειχετε (tiverdes) πιστιν (fé) ως (como) κοκκον (grão) σιναπεως (mostarda).
Se tiverdes fé como grão de mostarda.

Nas passagens sobre fé Jesus comparou o próprio grão de mostarda com a fé, não o tamanho dele. Jesus estava ensinando sobre a semelhança da fé e uma pequena semente. A semente parece pequena, parece pouca coisa, mas é só disso que precisamos para plantar e assim é a nossa fé!

Os discípulos pediram a Jesus para que Ele aumentasse a fé deles. Jesus dá uma resposta que deixa claro a irrelevância do tamanho da fé. Ele usa como exemplo comparativo uma pequena semente de mostarda. O poder da operação do milagre não está na fé, mas em quem a fé é depositada: Deus! Você pode ter uma fé do tamanho de um caroço de abacate; mas, se a sua fé está firmada no saci-pererê, ela não valerá de nada! Não terá efeito, porque o saci-pererê nada pode fazer por você. Se a sua pequenina fé, tão pequena quando um grão de mostarda, está firmada no Deus vivo, a história é outra. Deus tem poder para operar o milagre independente de sua fé. Vou repetir: Quem opera o milagre é Ele, não a sua fé! (André R. Fonseca) [1]

É comum vermos pessoas dizendo que estão orando com muita fé, enquanto na verdade estão apenas pedindo com muita vontade. Ao invés de pedirem pela vontade de Deus, imploram ao vento que suas vontades sejam satisfeitas. Afinal, orar com muita vontade é orar com fé? Isso nos leva ao próximo item.

2.5 ORAR COM FÉ

A Bíblia diz que a oração eficaz é a oração feita com fé. Mas o que é orar com fé?

Irmão, não confunda fé com pensamento positivo. Pensar positivo é algo ótimo, aliás, otimismo é ótimo! Mas isso no máximo é sobre esperança e não sobre fé. Orar com otimismo não é orar com fé! Na verdade o otimismo confundido com fé é algo muito prejudicial à vida de um cristão, isso se chama Confissão Positiva e é uma confusão antibíblica que vamos falar um pouco mais à frente, mas grave essa expressão e pesquise melhor sobre ela quando puder. Continuando:

Deus requer fé da parte dos que oram (Hb 3:12; 11:6; Jer 29:12-14; Tg 1:5-8; 5:15). Esta fé é uma simples confiança de que Deus existe, que ele nos aceitou plenamente em Cristo e que é poderoso para nos dar aquilo que pedimos, ou então, nos dar muito mais do que imaginamos (Hb 4:14-16). Orar com fé é trazer diante de Deus nossas necessidades e descansar nele, confiantes que ele responderá de acordo com o que for melhor para nós (1 Jo 5:14-15). Orar com fé não significa determinar a Deus que cumpra nossos pedidos, ou decretar, como se a oração tivesse um poder próprio, que estes pedidos aconteçam. Orações não geram realidades espirituais e nem engravidam a história. É Deus quem ouve as orações e é Ele quem decide se vai respondê-las ou não, e isto de acordo com sua vontade e propósito de sempre nos fazer bem. (Rev. Augustus Nicodemus Lopes).[2]

A fé que a oração precisa ter está tão somente relacionada ao poder e à vontade do Pai, jamais ao desejo do coração do homem, independente de ser um desejo bom ou ruim. Ou seja, quando a Bíblia fala sobre orar com fé, ela está dizendo que a oração deve ser fundamentada no alcance do poder de Deus, mas não está dizendo que essa oração vai obrigar Deus te obedecer. Portanto, oremos com fé no poder de Deus e esperança de que Ele nos conceda a graça que precisamos!

A oração não muda as coisas, Deus é que muda as coisas através da oração. É nisso que você precisa crer: que Deus pode mudar as coisas conforme Ele deseje. Assim como a Graça é o meio pelo qual somos salvos, a oração é o meio pelo qual Deus opera certas bênçãos, e ambos os meios são eficazes mediante a fé.

Já sabemos que: 1) nossas palavras não tem poder especial; 2) gritar frases de efeito como “eu determino” ou “eu tomo posse” não tem força espiritual; 3) repetir as frases é vão; 4) pensar positivo não é ter fé; 5) orar com muita vontade de ser atendido não é orar com fé. Falta falarmos sobre profetizar.

2.6 PROFETIZAR

O que é profetizar? Será que estamos profetizando quando declaramos algo com vontade, desejo e força ou será que esse é um entendimento equivocado sobre profecia? Estamos levando em conta o que Deus disse sobre “profetizar falsamente em meu nome”?

A ideia de profetizar as coisas que queremos ao invés de batalhar por elas ou de simplesmente orar é algo tentador, mas antes vamos ler algumas passagens bíblicas para ponderarmos a respeito:

"Eu não os enviei!", declara o Senhor. "Eles profetizam mentiras em meu nome. Por isso, eu banirei vocês, e vocês perecerão juntamente com os profetas que lhes estão profetizando". Jeremias 27:15
Muitos me dirão naquele dia: 'Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?' Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês que praticam o mal! (Mateus 7:22-23)
Pois tais homens são falsos apóstolos, obreiros enganosos, fingindo-se apóstolos de Cristo. Isso não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz. Portanto, não é surpresa que os seus servos finjam ser servos da justiça. O fim deles será o que as suas ações merecem. (2 Coríntios 11:13-15)
Mas o profeta que ousar falar em meu nome alguma coisa que não lhe ordenei, ou que falar em nome de outros deuses, terá que ser morto". Mas vocês perguntem a si mesmos: "Como saberemos se uma mensagem não vem do Senhor?" Se o que o profeta proclamar em nome do Senhor não acontecer nem se cumprir, essa mensagem não vem do Senhor. Aquele profeta falou com presunção. Não tenham medo dele. (Deuteronômio 18:20-22)

Por favor, me diga que leu com atenção esses versículos! Se não leu direito, leia-os novamente, amado!

Se você vive dizendo “eu profetizo” sempre que quer muito alguma coisa, me diga: o que você profetiza sempre se cumpre? Pense comigo, se alguma vez na vida você já profetizou algo que não se cumpriu com exatidão, você nessa situação foi um falso profeta. A Bíblia declara que quem profetiza falsamente merece a morte. Isso é muito sério. Se for seu caso, se arrependa e peça perdão ao nosso Deus, pois ele é fiel e justo para perdoar pecados.

Se você lê as passagens bíblicas sobre os profetas e pensa que tudo acontecia pela força da palavra deles, você está muito enganado.

Quando um profeta fala algo em nome de Deus, só pode ser duas coisas: 1) Ordem direta de Deus (palavras que o próprio Deus o mandou dizer); 2) Mentira do falso profeta (vontades do coração do homem);

Quando lemos uma profecia nas Escrituras, sabemos que cada palavra que o profeta falava tinha de proceder de Deus, ou ele seria um falso profeta (Nm 22:38; Dt 18:18-20; Jr 1:9; 14:14; 23:16-22; 29:31,32; Ez 2:7; 13:1-16). Alguns leem a passagens como 1 Reis 17:1 e não compreendem o texto, acham que o poder está na palavra do profeta ao invés da profecia ser um simples comunicado de Deus pela boca de um homem. Veja a passagem que mais confundem: “Vive o SENHOR Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra” (1 Reis 17:1).

Será que Elias tinha poder? Eram realmente as palavras dele que compunham uma profecia e que dava valor espiritual a ela? Vamos ler uma outra passagem de uma ocasião que ocorreu depois dessa e ver como as profecias aconteciam e de onde vinha realmente o poder e a decisão, atenção ao meu grifo:

"O SENHOR Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, manifeste-se hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme a tua Palavra fiz todas estas coisas” (1 Reis 18:36).

Se até Elias afirmou que tudo que profetizava era conforme o que Deus o orientava diretamente, imagine só nós, meros humanos, achando que profetizamos o que queremos. Elias sempre agiu em conformidade com a ordem direta de Deus, não com pensamento positivo. Desejar não é profetizar. O fato de você usar a palavra "profetizo" numa frase não faz de você um profeta e muito menos faz da sua prece uma profecia. Isso no máximo, como já vimos, seria uma falsa profecia e faria de você um falso profeta. Tenhamos temor de Deus.

Talvez não seja seu caso, mas sabemos que muitos mal-intencionados se trajam de pastores com palavras de vitória e satisfação pessoal pra falar em nome de Deus, que eles não conhecem e que não os reconhecerá no Dia do Juízo (Mateus 7:22). A Bíblia ainda diz que falsos profetas fariam sinais e maravilhas enganando até os eleitos se possível! Se não acredita, leia Mateus 24:24.

Algumas pessoas talvez não acreditem mesmo nisso, pois hoje é algo tão frequente que parece não as incomodar. Será que a igreja está se acostumando com falsas profecias? As falsas profecias dão consolo momentâneo e com os dias as pessoas se esquecem delas, mas mesmo quando se lembram e percebem que foi uma falsa profecia, as pessoas não se manifestam mais!

Jamais aceite uma profecia que tenha origem na vontade humana. Profetizar não é declarar "em nome de Jesus" algo que Ele não disse (2 Pedro 1:21). Se o povo de Deus começasse ler mais a Bíblia veria o que realmente Deus está te dizendo e jamais ficaria sem resposta!

A fonte de toda profecia verdadeira na história nunca foi a decisão ou desejo do homem a respeito do que ele queria, mas os desígnios do próprio Deus.

Profecia a esmo, jogada ao vento não é profecia! As profecias bíblicas são específicas, e não o que normalmente vemos por aí! Querem ver profecias? Leiam as suas Bíblias, encham a cabeça com o Evangelho, se saturem de Cristo, e depois (se é que vão precisar) pensem em profecias extrabíblicas. (Jackson Jacques).[3]

“Quer ser um profeta de Deus? Cave a fundo as Escrituras Sagradas e proclame fielmente a mensagem de Deus!” (Roberto de Carvalho). [4]

2.7 CURAS E MILAGRES

Poderia escrever vastamente sobre esse assunto, mas o livro não é sobre isso, então vou fazer considerações básicas e óbvias a partir dos itens anteriores.

Profetizar, decretar, determinar ou ordenar uma cura é uma das formas de percebemos que não temos realmente nenhuma autoridade espiritual que não venha da decisão e vontade de Deus. Quando uma pessoa não é curada em sua igreja, mesmo com várias pessoas tendo "profetizado" a cura ou “determinado” e “tomado posse”, o que você pensa ter sido o problema? O cristão que não tem uma boa compreensão da Palavra sempre clamará pela bênção da forma errada, como se Deus tivesse alguma obrigação para com ele, mas quando não receber a bênção, vai sempre procurar um motivo para justificar essa espécie de derrota. Há cristãos que oram pensando de uma forma e depois se justificam de outra. Oram exigindo, mas ao não receberem, arranjam desculpas ao invés de se voltarem para a Bíblia e ver o que exatamente ela diz e quais são as promessas legítimas de Deus para nós.

Afinal, podemos orar por cura? Sim, devemos! A oração é um meio pelo qual Deus concede misericórdia mediante a fé de quem ora. Então fica a dúvida: por que a maioria das curas não acontece, mesmo com muita oração? Por que essa dúvida sempre aparece na mente do cristão, se a Bíblia tem tantas evidências claras? Será que esquecemos que Deus disse a Paulo que a Sua Graça lhe era suficiente depois dele orar para que Deus lhe tirasse um espinho na carne? Se não estiver nos planos de Deus, a cura não vem e pronto. Não sabemos os propósitos do Senhor. Eliseu, ainda depois de morto, ressuscitou um homem que caiu em cima de seu corpo! É lindo isso, mas parece que ninguém percebe o texto anterior que fala que Eliseu morreu de doença (2 Rs 13:14).

Vemos também o amigo de Paulo, que andava por todo canto com ele, vendo curas e talvez até as ministrando junto com o apóstolo (2 Tm 4:20 / 2 Co 12:9), no entanto, também não recebeu e obviamente eles tinham fé, ainda mais que nós hoje. Cristo orou “Pai não seja a minha, mas a tua vontade” (Lc 22:42); Paulo pediu cura e, quando não recebeu, conformou-se e glorificou a Deus, entendendo que o problema era exatamente para mantê-lo forte em Deus (2 Co 12:9).

Veja esse outra passagem: “Não bebas mais água só, mas usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades.” (1 Timóteo 5:23)

É um claro exemplo bíblico para nós de que muitos não serão curados, mas ainda assim alguns lobos, falsos mestres que saqueiam a noiva de Cristo, continuarão dizendo que todo cristão deve ser curado, e quando a cura não vem, logo colocam a culpa na falta de fé do doente. Poderiam dizer isso de Paulo, Timóteo e Eliseu?

Alguns maus ministros ensinam "exigir, determinar, decretar e ordenar a bênção", enquanto a Jesus, Paulo, Tiago e todo o restante da Bíblia ensinam a pedir. A Bíblia mostra ainda alguns casos em que a pessoa curada nem fé exercia! O cego do tanque de Betesda foi curado por Jesus sem ter fé e sem ao menos conhecê-lo; leia João 5: 8-13.

O cristão deve buscar em Deus a cura, deve clamar pelas bênçãos do Pai, deve perseverar, assim como Davi, homem segundo oração de Deus (Atos 13:22) e assim também compreender que o milagre que tanto queremos, mesmo clamando com persistência, pode não acontecer, pois em 2 Samuel 12 vemos o drama do rei Davi que clamou em jejum durante dias para que Deus curasse seu filho recém nascido, mas a cura não veio e a criança morreu.

O pastor Lécio Contu escreveu: “Deus não é o gênio da lâmpada, não somos o Aladim e oração não é magia!” [5]

Podemos orar por milagres, claro! Mas não podemos ignorar fatos que sabemos sobre profetas, apóstolos e outros homens santos da Bíblia; não podemos ser egocêntricos, achando que os planos de Deus estão baseados em nossos caprichos; não faz sentido ter tanto orgulho a ponto de pensar que Deus está em dívida e tem dia marcado pra se apresentar prontamente a curar e tampouco devemos deixar falsos profetas enganarem irmãos fracos na fé e no conhecimento, que são levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Efésios 4:14).

Há curas, há milagres, jamais desacredite! Mas os milagres são pra exaltar o nome de Deus, não pra fazer nossa vontade. É por isso que Cristo orientou na oração do Pai Nosso: Seja feita a Sua vontade. Se é no Deus da Bíblia que nós acreditamos, então devemos, sim, pedir por cura, mas assim como na Bíblia, a cura pode não vir, ainda assim glorificaremos ao Deus de João 3:16, Romanos 3:24, Efésios 1:5, Romanos 5:8 e 1 João 4:16. Amém!

SOBRE FÉ

A fé não é um sentimento ou uma sensação. Ter fé não consiste em esperar, mas em ter fundamento para o que se espera. Ter fé é crer confiantemente que Deus é poderoso para intervir a seu favor.

A fé cristã é confundida por alguns com convencimento mental: “eu estou convencido disto, logo Deus está obrigado a agir”. Isso pode até ser fé em si próprio, mas não em Deus, não nas promessas, não na Sagrada Escritura. É preciso salientar que a fé cristã não está em insistir com Deus em nossos desejos pessoais, mas clamar a Ele que cumpra em nós Sua vontade.

Um dos enganos que as pessoas têm atualmente é colocar fé na fé e não fé em Deus. Fé é confiar em Deus, no Seu poder e na Sua vontade e não em nossa própria capacidade de confiar em Deus. Orar com fé não é orar com poder, é orar confiante no poder de Deus. (Vinicius Musselmann).[6]

Alguém irá perguntar: mas fé não é a certeza daquilo que nós esperamos?

Fé não é só isso. Isso é uma característica da fé. O versículo é uma descrição sobre quem tem fé e não um conceito sobre fé. A fé é o alicerce da vida cristã e é disso que o versículo trata. Entende a diferença? Vamos ver o versículo: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem.” (Hebreus 11:1). O versículo está dizendo que a fé é o que sustenta e fundamenta o que nós pedimos e esperamos. Não é uma definição de fé, ou seja, ele não está dizendo o que significa fé, mas diz que esperar está baseado na fé.

Outro detalhe é que “esperar” tem mais a ver com esperança. O versículo, em outras palavras, diz: “Quando você tem certeza de algo que está esperando, isso é fé”. No entanto, não temos como ter certeza de algo que nunca foi prometido a nós (como coisas corriqueiras do dia-a-dia), então oramos com esperança, como sugere o texto de Romanos 8:24-25: “Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.”

A fé não consegue tudo. Isso porque ter fé é acreditar que Deus tem poder, mas não que Ele de fato fará o que eu quero, pois isso é outra coisa: esperança. E essa é a maior confusão que costumamos fazer. A fé cristã é basicamente crer sem dúvidas nas promessas bíblicas. Assim como nossa esperança está fundamentada na fé, nossa fé deve estar firmemente fundamentada e se você é cristão, seu único fundamento é a própria Bíblia, não suas necessidades, objetivos e vontades pessoais. Um entendimento equivocado da fé bíblica fará com que sua oração seja egoísta, arrogante, hipócrita e sem fundamento. Aliás, fundamentada em você mesmo ao invés da Palavra.

Mas apenas conhecer a visão teológica sobre o assunto não nos tornará cristãos de oração. A condição de quem ora é fator crucial para a eficácia da oração. 

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Notas:
[1] André Fonseca. Disponível em: < www.andrerfonseca.com/2012/10/resposta-ao-leitor-ungir-com-oleo.html > Acesso em: 18 maio 2014.
[2] Disponível em:
< www.facebook.com/AugustusNicodemusLopes/posts/621380551247693 > Acesso em: 21 junho 2014.
[3] Disponível em: < http://goo.gl/cXMgUJ > Acesso em: 27 julho 2014.
[4] Disponível em: Acesso em: 27 julho 2014.
[5] Fonte: A oração dos filhos de Deus, Lécio Contu, p.44.
[6] Disponível em: < http://voltemosaoevangelho.com/blog/2011/05/pve-devemos-ungir-com-oleo/ > Acesso em: 20 julho 2014. 

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Artigo gentilmente cedido pelo autor ao blog Bereianos. O texto faz parte do livro "400 Metros de Oração" o qual recomendamos.

Fonte: 400 Metros de Oração
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O gnosticismo e os pentecostais



Por Michael Horton


O pentecostalismo representa uma dependência ainda maior em relação às tendências gnósticas. "Assim como a fé que cura teve um lugar proeminente entre os gnósticos medievais do sul da França", observa Lee, "também tem sido um elemento significativo nas seitas mais extremas do Protestantismo... O Deus Salvador rivaliza com o Deus natural e, perante milhões de telespectadores o Deus Salvador prevalece". O livro do estudioso católico romano Ronald Knox, Enthusiasm [Entusiasmo] (Oxford, 1950), permanece como sendo um estudo clássico sobre esta matéria e ele cita esses reavivamentos do Gnosticismo em sua própria igreja como nas seitas protestantes.

Em seu recente trabalho, Fire From Heaven [Fogo do Céu], o teólogo de Harvard, Harvey Cox, que simpatiza com muitos dos grupos pentecostais que ele investigou para o seu livro, observa: "Há um ditado favorito entre os pentecostais: 'O homem com uma experiência nunca está à mercê do homem com uma doutrina". Fazendo uma crônica do enorme sucesso do Reavivamento da Rua Azuza em 1907, Cox encontra um grande número de afinidades entre os cultos pentecostais, a mitologia hindu, e a religião popular católica romana - "o realismo mágico", ele o chama. O reavivamento inclui transes, levitação e experiências de êxtase assim como as visões de uns e outros sendo consumidos por bolas de fogo. Assim como Bloom e Lee, Cox nota as afinidades entre a indiferença pentecostal pelos credos e doutrinas e os liberais, o que torna ambos os grupos um solo fértil para tipos distintos de espiritualidade gnóstica.

A aversão gnóstica a mediadores entre o Espírito puro do ser e o Espírito de Deus pode ser visto no pentecostalismo, que frequentemente enfatiza o Espírito Santo ao invés de Cristo como a figura central. "Tem havido persistência, eu creio, porque representa o âmago de toda a convicção pentecostal: que o Espírito de Deus não necessita de mediadores, mas está à disposição de qualquer um, de um modo intenso, imediato e, mesmo, interior". Cox até mesmo chega a notar (e comemorar) uma feminilização inerente da doutrina de Deus no pentecostalismo.

As fases extremas do pentecostalismo são bastante expressivas em suas ênfases gnósticas, como um número de estudos tem mostrado, incluindo The Agony of Deceit [A Agonia do Engano]. Salvação é conhecimento - "Conhecimento da Revelação" (Kenneth Copeland, Kenneth Hagin, Paul Crouch, e outros "professores da fé" usam uma letra maiúscula para distinguir esta da mera revelação escrita). O Verbo que verdadeiramente salva não é o texto escrito das Escrituras, que proclama a Cristo como Redentor, mas o Verbo "Rhema" que é falado diretamente ao espírito humano pelo espírito de Deus.

É difícil encontrar uma forma mais explícita de Gnosticismo nos movimentos religiosos atuais do que no círculo neopentecostal "Palavra da Fé". Não é de se admirar que Bloom escreva: "Paulo estava combatendo os entusiastas ou gnósticos coríntios e, ainda assim, eu tento entender por que suas censuras não têm desencorajado os pentecostais americanos mais do que parece ter acontecido... O pentecostalismo é o shamanismo americano". O autor mesmo, é bom que seja dito, aplaude a tendência gnóstica.

Neste ínterim, os princípios do Gnosticismo da "mente acima da matéria", naturalmente encontrados na Ciência Cristã e em grupos semelhantes, são evidentes em um programa popular da televisão cristã acerca de "segredos" da personalidade do "mundo invisível". Ele afirma que "o visível não se aproxima em poder ao que o invisível possui". A fé "pode colocar o visível sob controle, porque o invisível é infinitamente mais poderoso do que o visível".

Fé na Fé Somente

Deus, ao que parece, não é o soberano e pessoal, "Criador de todas as coisas, visível e invisível" como o Credo diz. De fato, Deus não parece tão necessário nesse esquema, conquanto o principiante conheça os segredos. Um fundador do movimento da fé ilustra a questão descrevendo o que ele afirma ter sido uma visão. Satanás interrompia periodicamente o diálogo dele com Deus. Ao pedir a Deus que silenciasse o diabo, Deus disse que não poderia, assim o "visionário" ordenou a Satanás que se calasse. "Jesus olhou para mim", escreveu ele, "e disse, 'Se você não tivesse feito nada acerca disso, eu não poderia".

Esse livreto do professor é intitulado adequadamente: How to Have Faith in Your Faith [Como Ter Fé em Sua Fé], pois Deus não é o objeto da fé nessa perspectiva gnóstica. Pode-se alcançar a salvação, não tanto pela revelação de Cristo como redentor pelo Seu sangue, mas pela revelação de segredos para o aproveitamento do reino espiritual. Até mesmo a oração não é tanto um meio de comunicar-se com a Divindade que pode mudar as coisas, mas um meio de empregar técnicas que, em si mesmas, asseguram os resultados. Ou, de forma mais sutil, a oração tornou-se mais uma terapia, um diálogo consigo mesmo, do que com um Deus que é distinto daquele que intercede.

Num sistema gnóstico, a fé é um talismã mágico ou uma senha secreta para assegurar a saúde, a riqueza e a felicidade. Em um ditado carismático popular, é a "habilidade de alcançar aquele mundo... além da linha divisória entre o visível e o invisível e trazer à luz milagres do mundo invisível". Um renomado pregador coreano chama este reino invisível de "A Quarta Dimensão", e seu contraparte americano sugere que "Deus quer que vivamos nesse mundo, que focalizemos nossa atenção sobre ele, que possamos entendê-lo".

Não é de se admirar que, após estudar a Igreja do Evangelho Pleno, do pastor coreano em Seul, na Coréia, Cox tenha concluído que havia ali semelhanças marcantes entre o pentecostalismo coreano e o shamanismo asiático. Embora ele mesmo não seja evangélico, e não seja um inimigo do misticismo, Cox adverte o pentecostalismo acerca de "um vazio 'culto da experiência', que excede em manter a celebração contemporânea dos 'sentimentos', e a busca incessante por novas fontes de estímulos e exultação", expressando a preocupação de que "o pentecostalismo venha a desaparecer absorvido pelo crescimento da Nova Era. A popularidade da teologia da prosperidade mostra com que rapidez isso pode acontecer". Seu "culto extático" equivale a "um tipo de misticismo popular".

Enquanto muitos pentecostais preferem a experiência em detrimento da teologia, eles desenvolveram um sistema teológico que compartilha muitas características básicas com o Gnosticismo. De fato, segundo um dos seus autores mais respeitados, na verdade não existe tal coisa chamada matéria. Tudo é espírito, ou o que ele chama de "energia". Seguimos a Jesus porque "ele transbordava fé sobrenatural". Em outras palavras, ele nos mostra, nos ensina os segredos do mundo invisível, bem como nos inicia neles.

Nem mesmo a oração é suficientemente espiritual, visto que ela parece descansar sobre a providência de um Deus pessoal ao invés de na convicção da própria autoridade decretatória. "A maior parte das pessoas pede a Deus por um milagre", diz o mesmo autor, "mas muitos omitem uma exigência-chave - a palavra falada. Deus tem nos dado autoridade sobre o mal, sobre os demônios, sobre as doenças, sobre as tempestades, sobre as finanças. Deve nos declarar essa autoridade em nome de Jesus... Devemos ordenar que o dinheiro venha a nós".

Geddes MacGregor, um profundo conhecedor do Gnosticismo antigo, observa que os gnósticos da Igreja primitiva "afirmavam possuir um tipo especial de conhecimento (gnosis) da química espiritual do universo e uma intuição esotérica em relação às obras da natureza divina. Esses sectários expunham suas perspectivas imensamente especulativas, repletas de fantasias e, algumas vezes, de interpretações grotescas das Escrituras. Alguns chegaram, até mesmo, a combinar fórmulas mágicas com seus ensinamentos". A esse respeito, existe um paralelo com os defensores do "evangelho da prosperidade", sua obsessão com respeito a um conhecimento secreto, que dita o modo como às leis espirituais operam no reino invisível, e sua visão da fé como uma forma de magia.

Um colunista de religião muito conhecido explica que o pentecostalismo "está rapidamente se dirigindo para dentro das sensibilidades religiosas da América assim como o fogo perpassa rapidamente por um arbusto seco... e pela mesma razão. O pentecostalismo é agressivo, extático, humilde, quebrantado, despretensioso, celebrante, ruidoso, alegre, triunfante, multiracial, uma proposição puramente espiritual de Deus como Espírito Santo ativo sobre pessoas físicas e as almas cognitivas dos seus amados...". Nosso eu real - "a porção motivadora do nosso ser" - é Espírito, o colunista assevera. "Até mesmo a mente se confunde diante da grandeza maior do espírito e da esperança que a sua presença evoca".

O crescimento do pentecostalismo como uma força, de acordo com esse escritor, é um indicador-chave para mostrar a direção para a qual a religião está voltada: "Esse lugar está no extático. Esse lugar está no estado elevado e celebrador de percepção em que o ser escapa de seus próprios limites na adoração e une-se a outros como a si mesmo em uma glória universal e inominável". Conquanto o pentecostalismo possa expressar as tendências gnósticas mais explicitamente, estaríamos errados se concluíssemos que este é um caso de "nós contra eles", típico de muitos críticos dos excessos dos carismáticos ou pentecostais. Estamos todos juntos nisso e teremos de nos ajudar mutuamente a nos desembaraçar dos tentáculos das perspectivas não-bíblicas acerca do mundo.
  
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Fonte: Michael Horton. A Face de Deus, Editora Cultura Cristã, páginas 32-35. 
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