Meu herege de estimação

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Gostos pessoais nunca deveriam ser colocados em pé de igualdade ao Evangelho. Quando a subjetividade dos gostos pessoais se infiltra no contexto da igreja, a possibilidade de problemas é tão certa como o fulgor do sol do meio-dia. O Evangelho deveria ser o norteador de absolutamente tudo que acontece na igreja, justamente porque a igreja deveria estar sendo conduzida sob a direção do Evangelho. O grande problema que pode ser observado e que se torna um desafio para nossos dias é que os falsos ensinos e falsos mestres estão se multiplicando como fogo em palha, justamente pelo clamor e anseio de gostos pessoais.

O Areópago nosso de cada dia

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A forma como a Bíblia Sagrada narra a passagem de Paulo por Atenas nos ensina muito sobre a relação entre o anúncio do Evangelho e a apologética. Atos dos Apóstolos, capítulo 17, expõem detalhadamente como a apresentação do Evangelho em um ambiente hostil é possível e necessária, bem como apresenta um proclamador devidamente instruído e capacitado pelas ferramentas do conhecimento humano e a sensibilidade de evangelizar diante de pontos de contato.

A cidade de Atenas já não tinha mais a mesma glória de tempos passados, porém como grande cidade dominada pelo Império Romano, era tida como um centro referencial de cultura. Era um polo intelectual – em especial no quesito filosófico – e cidade de passagem obrigatória para universitários. Localizada em posição estratégica na cidade estava a Acrópole, com imponentes templos dedicados aos mais variados deuses do nada modesto panteão grego.

Paulo, diante de seu contexto missionário, havia passado – com a companhia de outros irmãos – pelas cidades de Tessalônica (At 17.1) e Beréia (At 17.11). Entretanto, ao ingressar na idólatra Atenas fez tal empreitada sozinho – leia todo o contexto em At 17.16-34.

Chegando a Atenas, as Escrituras mostram que Paulo não se impressiona com a cultura local ou mesmo com a grandeza das edificações, algo que possivelmente impressionaria a muitos em nossos dias, mas pelo contrário, “se comoveu vendo a cidade entregue a idolatria” At 17.16 (KJA e A21 traduzem como “indignado”). A idolatria era tamanha que Paulo não podia se conter em si e esta indignação o levou a imediata proclamação do Evangelho. Afirma-se que algo em torno de 30 mil estátuas de deuses-ídolos povoavam a cidade de Atenas [1]:

Alguns historiadores antigos escreveram que era possível encontrar em Atenas, nessa época, mais esculturas em louvor a deuses mitológicos do que em toda a Grécia. Pausânio estimava que houvesse mais de 30.000 dessas imagens espalhadas pela cidade. Petrônio afirmou, ironicamente, que em Atenas era mais fácil encontrar-se com um deus do que com outro ser humano.

Em termos gerais os atenienses eram extremamente religiosos e supersticiosos, porém ainda não conheciam Aquele que careciam conhecer. Contexto não muito diferente de nossos dias em que observamos a multidão correndo atrás de todo tipo de idolatrias (estátuas, patuás, ícones, pessoas mortas ou vivas) em detrimento ao relacionamento direto e exclusivo com Deus. E mais que isso, os atenienses além de muito religiosos e mesmo supersticiosos, eram do tipo ávido por novidades (At 17.21) – esta postura é algo estranho ao que podemos ver em cada esquina em nossos dias?

Vivemos num tempo que mistura a antipatia pela crença em nível de completa rejeição (ateísmo), bem como aqueles que estão compromissados com a religiosidade cheia de superstição ao ponto de abraçar qualquer coisa que se apresente como novidade.

Como de costume Paulo passa a ensinar em lugares públicos na cidade, tanto na sinagoga como em praça pública. Desta forma chamou a atenção de um público ainda mais “exigente”: duas correntes filosóficas presentes naquele tempo, sendo uma os Epicureus e a outra os Estóicos.

Os Epicureus eram uma escola filosófica que seguia os ensinos de Epicuro (341-270 a.C.). Por sua vez os Estóicos eram os seguidores de Zeno (ou Zenão, 340-265 a.C.). Sendo assim caracterizados [2]:

Os epicureus eram seguidores do filósofo Epícuro, de acordo com o qual o fim supremo da vida era o prazer, e não a busca pelo conhecimento. Os estóicos eram panteístas e acreditavam que uma pessoa só podia obter sabedoria ao se libertar das emoções intensas, permanecer indiferente à alegria e à tristeza e sujeitar-se voluntariamente à lei natural.

Enquanto falava sobre Jesus e a ressurreição, Paulo era taxado com palavras que variam entre tagarela, paroleiro, repetidor, bicador de sementes e até mesmo vadio e vagabundo. Como não respeitavam a doutrina ensinada pelo apóstolo, o levaram ao Areópago. Este nome designa tanto o local como o conselho ali reunido. Na ocasião, o público veio a entender que estava sendo proclamado um casal de deuses: “Jesus” e “Ressurreição” (anaistasis – palavra grega de gênero feminino).

A religiosidade profunda deste povo – traduzida também por superstição – era tamanha que o significado para a palavra (no grego “deisidaimonia”), remete a “piedoso, supersticiosos ou religiosos”, porém havendo um significado ainda mais profundo cujo sentido é “temor aos demônios, aos espíritos malignos ou as divindades pagãs”. Portanto, o vocábulo “superstição” designa um sentimento religioso fundamentado na ignorância. Tamanha ignorância que erigiram altares destinados “AO DEUS DESCONHECIDO”. Veja o que Alan Myatt acrescenta [3]:

Era muito comum eles terem altares aos deuses desconhecidos, para o caso de um deus ficar irado por não ter recebido sacrifícios. Paulo não identificou o Deus verdadeiro com nenhum dos deuses gregos, mas com franqueza disse que eles estavam ignorantes desse Deus. O propósito de Paulo foi anunciar este Deus. O que segue, pois, deve ser entendido como uma exposição do verdadeiro Deus. Paulo não adaptou o seu conceito de Deus às ideias dos filósofos, mas colocou perante eles a antítese completa entre o paganismo e o cristianismo.

Não devemos, portanto, cair no erro de imaginar que o Deus adorado pelos judeus e cristãos estava sendo proclamado e cultuado naqueles altares gregos, mas Paulo em sua inteligência, perspicácia e direção pelo Espírito Santo, conduz a proclamação por este ponto de contato, anunciando a Cristo Jesus aos gregos, usando até mesmo citações de poetas e intelectuais (Epimênides, Arato e Cleanto) para dizer que Aquele que eles não conheciam estava ali, sendo anunciado por Paulo, e que poderia ser adorado e conhecido por todo aquele que crê.

Por fim, ao concluir sua explanação aos membros do Areópago, Paulo sofre o deboche de muitos que ignoram e rejeitam a mensagem, muito embora a Palavra tenha alcançado corações, como Dionísio (membro do conselho do Areópago), Dâmaris e algumas outras pessoas (At 17.34).

Uma realidade também em nossos dias

A verdade é que o encontro de Paulo com a cidade e os moradores de Atenas fala muito aos nossos dias e a realidade de nossa missão como igreja e cristãos espalhados nas mais variadas esferas sociais. A igreja está presente através de seus membros em variados locais que são verdadeiros “Areópagos de nossos dias”.

A religiosidade, a superstição, a idolatria e o “medo de demônios” se apresentam em todos os lugares e das mais variadas formas. O hedonismo e o panteísmo das correntes filosóficas gregas também estão por todos os lugares. Este ambiente cria a facilidade em apegar-se em variados tipos de crenças e isso não é exclusividade do meio não cristão, pois mesmo dentre aqueles que professam a “fé evangélica” é possível encontrar valores tortos e desviados do Evangelho (assim como os estóicos e os epicureus) que não enxergam a vida a não ser pela busca do prazer ou que não conseguem entender ou buscar a Deus. O cardápio é variado neste meio, e a proclamação da mensagem da cruz é urgente.

Os atenienses tinham os altares “AO DEUS DESCONHECIDO” como um meio de prevenção, ou seja, tomavam medidas religiosas para evitar a punição por alguma divindade que estive esquecida e não chamada pelo nome. Para muitos hoje em dia é o medo de Deus e do diabo que os movem, fazendo do ditado uma máxima: “vamos acender uma vela para Deus e outra pro diabo”. É o medo que os move, a esperança cega, o tatear na escuridão – ainda que Deus não esteja longe (At 17.27)!

Deus é grande em paciência – Salmos 90.1-4; Rm 3.25 – e através da mensagem poderosa do Evangelho é possível alcançar vidas sedentas pela Verdade. Somente pela pregação do Evangelho e pela mensagem da Graça de Deus é que vidas podem ser alcançadas e transformadas.

Em Jesus, verdadeiro Deus, o Filho do Homem – Dn 7.13;  Mt 25.31-46; At 10.42; Ap 20.12-15 – o coração idólatra, religioso e supersticioso pode ser curado. O proclamador desta mensagem coloca-se num campo que exige capacitação, estudo, dedicação e comunhão com Deus. A proclamação da Verdade tem seu preço, e muitos somos expostos ao ridículo por tal postura, mas se o Mestre foi perseguido, se a igreja primitiva foi afligida e martirizada, se ao longo dos séculos hereges e oponentes resistem, por que nos daríamos ao luxo de pensar que em nossos dias seria diferente?

Renove suas esperanças hoje na mensagem da ressurreição (At 17.32-34), valorize o estudo teológico e apologético e pregue a mensagem quando for oportuno e proveitoso, pois mesmo diante dos Aréopagos e resistências deste tempo, haverá Dionísio, Dâmaris e alguns outros que ouvindo, crerão.

Soli Deo Gloria!

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NOTAS:
[1] Bíblia King James – Edição de Estudo – Novo Testamento. São Paulo: Abba Press. p. 315
[2] MACDONALD, William. Comentário Bíblico Popular do Novo Testamento. São Paulo: Mundo Cristão, 2008. p. 385
[3] MYATT, Alan. Apologética Cristã V: Paulo em Atenas. Site Monergismo, consulta em 01 de agosto de 2015: http://www.monergismo.com/textos/apologetica/Alan_Myatt_Apologetica5.pdf

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Autor: João Rodrigo Weronka
Fonte: NAPEC

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Nuvens escuras na vida cristã

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A caminhada cristã não é fácil. É interessante que na medida em que os anos passam, vamos descobrindo que nem todas as coisas na vida são tão simples e divertidas como pensávamos quando éramos crianças. Na jornada cristã este movimento não é muito diferente. Nem tudo é doce e brilhante como aparenta e nem só de dias ensolarados se faz a vida. Mas nas adversidades (e diante das nuvens) podemos enxergar a graça de Deus e seu zelo, aprender muito com aquilo que se opõem e descobrir o que realmente tem – ou deveria ser reconhecido como tendo – valor para nossas vidas.


O livro de Atos dos Apóstolos apresenta diversos episódios cuja fé dos cristãos em geral e dos apóstolos em específico eram moldadas pelas adversidades. Neste estudo vamos nos ater ao relato de At 16.12-40. Paulo e Silas estavam em Missão conforme textos anteriores (junto com Lucas e Timóteo) e alguns fatos anteriores mostram conversões acontecendo, através da pregação do Evangelho e pela obra do Santo Espírito (At 16.13-15). Deus estava com seus servos assim como permanece com os Seus nos dias de hoje. Talvez para muitos a sequência de fatos que foram se desenrolando podem soar como injustas para quem estava tão somente fazendo a obra de Deus. Vejamos.

A falsa religião como fonte de lucro

Passando pela maravilhosa experiência de compartilhar o Evangelho e ver corações – como o de Lídia, v.14 – se prostrando ao Senhor, encontramos mais uma vez a forma impressionante como a religiosidade pode engordar os bolsos de líderes nefastos. Tal prática não nasceu ontem, ela está enraizada na humanidade como um culto paralelo cujo fim é a riqueza e o bem-estar momentâneo. Enquanto Paulo e Silas avançavam na pregação do Evangelho e na comunhão com os novos crentes, uma jovem possessa “que tinha um espírito adivinhador” os seguia gritando uma suposta glorificação ao nome de Deus (v.17), porém tal glória era falsa e tal jovem servia tão somente como fonte de lucro aos seus senhores. A jovem estava possessa por um espírito mau e era explorada por seus senhores.

Outras passagens nos mostram – ainda em Atos – a luta da Igreja contra estas investidas. Veja por exemplo Pedro contra Simão em At 8.14 e Paulo com Bar-Jesus em At 13.4. No caso de Simão, seu ato pecaminoso passou a nomear a prática de aferir lucro no comércio das coisas sagradas: “Simonia”. Pela narrativa da história da igreja encontra-se na obra “Apologia” de Justino Mártir – datada de 150 a.D. que posteriormente Simão passou a ser seguido por muitos e se autodenominava como “Manifestação do Deus Supremo”.

Segundo os versículos de At 16.16-19 diante de uma perturbação diária gerada pela jovem possessa, pois poderia com sua “glorificação” levar as pessoas a desacreditar o Evangelho, associando-o ao ocultismo [1], Paulo se aborreceu e ordenou que o espírito saísse da jovem, ao que pela ordem e sujeito ao nome de Jesus tal espírito foi expulso. Deus foi verdadeiramente glorificado, enquanto a fonte de lucro de homens perversos secou. Não houve júbilo a estes homens, mas tal decepção que denunciaram Paulo e Silas às autoridades, e em praça pública foram acusados e espancados sem chances de defesa.

Muitos de nós se indignariam diante de Deus com perguntas do tipo “Por que? Qual o motivo, oh Deus!”. Paulo e Silas estavam fazendo a obra de Deus e ainda assim foram injustamente condenados.

A Verdade não trouxe alegria aos ímpios. Muito tem a ensinar o texto de At 16.20-24. Por mais que a jovem estivesse livre, o que realmente interessava era o lucro perdido. Além disso, aprendemos que todo aquele que defende a fé cristã e está comprometido com o Evangelho deve estar atento, em alerta constante em relação às amizades falsas e interesseiras, pois para muitos a glorificação da jovem poderia inflar o ego do pregador quando na verdade visava desviar o culto. E ainda: estar preparado para ferrenha oposição e “revolta dos magistrados” que declaram guerra contra Paulo e Silas.

Paulo cura a menina; no entanto, o bem, em vez de trazer-lhe glória e gratidão, trouxe-lhe açoitamento e prisão. Há um dito popular que diz: ‘Não há mal que não traga algum bem’. Talvez também devêssemos dizer o oposto: ‘Não há bem que não traga algum mal’. Talvez isso seja um tanto exagerado, mas, com frequência, é verdade. Vivemos em um mundo caído que, por essa razão, é dominado pelas estruturas do pecado. Por isso, quando nos opomos ao pecado, estamos nos opondo aos interesses de alguém. Paulo cura a menina; mas ao fazer isso, ele prejudica os interesses econômicos dos donos dela, que, portanto, acusam-no e conseguem que seja açoitado e preso. [2]

Um costume maligno foi destronado e a fé dos servos de Deus estava posta a prova.

Um exemplo de como se portar diante da adversidade e o milagre da salvação

Não vamos nos ater a pensar no que a maioria faria diante de tudo que estava sobrevindo naquele momento de humilhação. Vamos focar nosso olhar para o exemplo de Paulo e Silas. Trancafiados injustamente, acoitados, pés presos ao tronco, entoavam louvor a Deus orando e cantando hinos. Deus respondeu rompendo as cadeias e colocando o injustiçado em liberdade.

Interessante que a resposta de Deus não era um fim em si própria, mas um meio de fazer um obra ainda maior e trazer glória ao nome dEle!

A liberdade que Deus proporcionou aos Seus servos foi o bálsamo em relação ao injusto castigo que lhes foi afligido sem a menor possibilidade de defesa.

Diante de tantos feitos maravilhosos e miraculosos, o maior dos milagres chega à casa do carcereiro. Aquele que estava outrora separado e apartado pode se achegar à graça salvadora de Jesus: “Senhores, que é necessário que eu faça para me salvar?” pergunta este homem no verso 30. Perceba que somente àquele cujo Espírito de Deus colocou a consciência de perda e condenação pode clamar para ser salvo. Somente o perdido pode clamar pela salvação.

Naquela mesma noite não somente o carcereiro como todos os seus foram alcançados. Era Deus – ao Seu tempo – produzindo o bem das circunstâncias que apenas registravam o mal e a injustiça.

Não há nada de mágico neste contexto e neste versículo em específico (“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa.” Atos 16:31) uma vez que a salvação de um indivíduo não depende da crença de outrem. Foi pela ação de Deus e pelo poder de Sua palavra que o Evangelho pregado alcançou morada e a contemplação da misericórdia divina.

Concluindo

Depois de toda a luta enfrentada, mesmo fazendo aquilo que estava certo e que era para Deus e Seu Reino, ainda que diante da injustiça dos homens, Paulo e Silas não esmoreceram na fé. Pelo contrário, houve ainda tempo de retornarem aos irmãos recém-convertidos e os encorajarem. Deus deu a estes homens a oportunidade de ver o fruto de seu trabalho:

Esta é nossa luta constante. Ainda que sob o céu nublado das adversidades é possível ver a graça de Deus presente, e ainda que tudo possa parecer desfavorável, o Senhor pode fazer daquilo que é mal, o bem. Confiança é algo que se constrói na certeza de estarmos com Deus em nosso dia-a-dia, e mesmo que tudo pareça difícil, sempre haverá oportunidade para consolar e encorajar o próximo, ainda que muitas adversidades nos possam parecer injustas.

Vamos prosseguir, sempre olhando para o Alvo!

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NOTAS:
[1] STOTT, John R.W. A Mensagem de Atos. ABU Editora. São Paulo: 1994. p. 298
[2] GONZÁLEZ, Justo. Atos. Hagnos. São Paulo: 2011. p.232

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Autor: 
João Rodrigo Weronka
Fonte: NAPEC
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Perseverando no Caminho: uma advertência em relação aos falsos mestres

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Por João Rodrigo Weronka


Sempre existiram falsos mestres. Sempre. O Novo Testamento está repleto de advertências sobre o assunto. As advertências – bíblicas e históricas – são tantas que preocupa como os cristãos de nossos dias ainda conseguem ser tão tolerantes com aquilo que a Bíblia condena. Seja por ignorância ou na conivência com o erro, os falsos mestres e seus falsos ensinos encontram morada na mente e coração de muitos nesta geração.

Mas e então? Como encarar e como se posicionar diante da necessidade de ser firme em tempos de frouxidão? Como tratar a Verdade numa era em que temos vários conceitos e várias ‘verdades’ diluídas na sopa do pluralismo pós-moderno? Acredito que nossa apologética e pregação devam ser humildes e gentis, mas sem perder a firmeza doutrinária que a Bíblia manda e que a história da igreja preservou e onde perseverou. Vejamos a advertência:

"Assim como, no passado, surgiram falsos profetas entre o povo, da mesma forma, haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao cúmulo de negarem o Soberano que os resgatou, atraindo sobre si mesmos repentina destruição. Muitos seguirão seus falsos ensinos e práticas libertinas, e por causa dessas pessoas, haverá difamação contra o Caminho da Verdade. Movidos por sórdida ganância, tais mestres os explorarão com suas lendas e artimanhas. Todavia, sua condenação desde há muito tempo paira sobre eles, e a sua destruição já está em processo." 2Pe 2.1-3 – (Bíblia King James Atualizada – KJA)

Muito bem, a advertência é clara, no contexto o apóstolo Pedro fala que os falsos mestres viriam e o cumprimento profético mostra que eles vieram e estão por aí, queira você admitir ou não. Para melhor esclarecimento do contexto bíblico, leia também Judas 4-18.

Em sua primeira carta (leia 1 Pedro), Pedro trabalha no sentido de encorajamento espiritual, ensino doutrinário fundamental e muitos conselhos para o dia-a-dia do cristão. Ele tratou na primeira carta sobre orientações pastorais para que a igreja naquele momento pudesse enfrentar a perseguição que afligia os irmãos da igreja primitiva.

Já nesta segunda carta, também conhecida por “Epístola da Verdade”, Pedro trabalha sobre o problema dos falsos mestres e suas heresias e a necessidade de alerta e combate ao erro. A sabedoria e conhecimento de Deus tratada nesta carta nos leva a reflexão sobre a necessidade de termos uma práxis cristã sadia entrelaçada a uma teologia profundamente bíblica e ortodoxa. Diante deste cenário perigoso, o porto seguro é o conhecimento de Deus. Estar firme no conhecimento da Verdade é o que faz toda a diferença, como diz Hodge:

Os crentes são filhos da luz. Do povo diz-se que perece por falta de conhecimento. Nada é mais característico da Bíblia do que a importância que ela dá ao conhecimento da verdade. Diz-se que somos gerados por intermédio da verdade; que somos santificados pela verdade; e dos ministros e mestres afirma-se que todo o seu dever é manter a palavra da vida. É por essa crença dos protestantes no essencial do conhecimento para a fé que eles insistiam tão energicamente na circulação das Escrituras e na instrução do povo. [1]

Voltando ao foco da análise bíblica de 2Pe 2.1-3, percebe-se que a sagacidade dos falsos mestres e seu falso e destruidor ensino está caracterizado por diversos pontos expostos.

V. 1 – Assim como no passado os falsos profetas (AT) estavam presentes no meio do povo de Deus, a igreja também presenciaria (e presencia) a existência dos falsos ensinos. São traiçoeiros, pois agem de forma dissimulada, lobos com vestes de cordeiro que introduzem heresias destruidoras, assolando a si mesmos e trazendo a ruína espiritual a todos os que os seguem. O cúmulo deste processo é que ao agir dissimuladamente tais falsários negam o Soberano (neste texto aplicado a Jesus Cristo, assim como em Judas 4). Nas palavras de Lloyd-Jones:

As forças do mal mobilizadas contra nós nunca são tão perigosas como quando nos falam como falsos profetas, ou falsos mestres. As forças do mal têm uma quase interminável variedade de maneiras de lidar conosco; mas, de acordo com o Novo Testamento, elas nunca são tão sutis e perigosas como quando aparecem entre nós como profetas, falsos profetas, que se nos apresentam como fiéis e capazes de guiar-nos e de mostrar-nos o caminho do livramento e do escape. [2]

V. 2 – Oferta e procura religiosa. Eis o âmbito deste versículo, pois na mesma medida que os falsos mestres ampliam o alcance das suas heresias, a massa de incautos os segue e recebem tais ensinos como verdade absoluta, mesmo que tais ensinos entrem em choque com as Escrituras. Falando em massa humana, Lloyd-Jones comenta sobre “volumes” de pessoas como algo que “não se pode avaliar verdade espiritual pelos róis; contagem de cabeças não é um método bíblico de verificar se um ensino é certo ou errado”[3]. Por outro lado vemos alguns que encaram a graça como um artifício para mergulhar no pecado, confundindo liberdade com libertinagem e transformando a graça salvadora de Cristo numa “graça barata”. Caminho perigoso e espinhoso este, que além de flagelar o causador, escandaliza o Caminho (“Caminho”, nome antigo da fé cristã, veja Atos 9.2);

V. 3 – Hereges de seitas gerais e falsos mestres de grupos pseudocristãos tem em comum a sórdida ganância, o impulso por explorar seguidores e a ânsia por dinheiro sobre dinheiro. Se a tribuna, púlpito ou altar do local onde você busca a Deus oferece e dedica mais tempo a falar sobre dinheiro e as eventuais bençãos meramente terrenas e materiais, se o líder/pastor deste local procura mais enfatizar este aspecto que a proclamação do Evangelho e o ensino de uma vida voltada para glória de Deus, cuide-se! Você pode estar sendo tragado por heresias destruidoras, conduzido por uma pessoa gananciosa, exploradora, herege e que por maior que seja sua aparência de piedade tão somente nega a Cristo.

O motivo da heresia é a ‘avareza’ – o ganho financeiro (2.3). Basta apenas analisar as palavras e a fé contidas nas teologias de várias seitas nos dias de hoje, para se entender a relevância e a urgência das advertências de Pedro. Os falsos mestres ganham os cristãos com histórias engenhosas (1.16), um padrão diretamente oposto à verdade que Pedro e os demais apóstolos testemunharam. [4]

E ainda em resumo:

Os falsos profetas são perigosos por três razões: (1) o seu método é traiçoeiro e conduz a meios vergonhosos, levando a fé a ser difamada, (2) o seu ensino é uma completa negação da verdade e (3) o seu destino é causar destruição tanto a si mesmos quanto aos seus seguidores. [5]

O campo de batalha: a vida, a família, o dia-a-dia

À medida que se aproxima o tempo do fim, cresce a apostasia. As advertências são severas quanto a isso. Como dito a pouco, seria possível citar muitos e muitos textos bíblicos sobre o assunto, mas vamos chamar atenção para esta pequena cadeia de versículos:

Jesus nos advertiu sobre o assunto de modo bem claro:

"Então Jesus lhes revelou: Cuidado, que ninguém vos seduza. Pois muitos são os que virão em meu nome, proclamando: Eu sou o Cristo!, e desencaminharão muitas pessoas… Então, numerosos falsos profetas surgirão e enganarão a muitos."  Mt 24.4,5,11 – KJA

Paulo alertou sobre o tema:

"O Espírito Santo afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns se desviarão da fé e darão ouvidos a espíritos enganadores e à doutrina de demônios, sob a influência da hipocrisia de pessoas mentirosas, que têm a consciência cauterizada. São líderes que proíbem o casamento e ordenam a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ações de graças pelos que são fiéis e estão bem firmados na verdade." 1Tm 4.1-3 – KJA

João trata sobre movimentos que pervertem a Verdade:

"Entretanto, muitos enganadores têm saído pelo mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Esse é o modo de ser do mentiroso e do anticristo. Acautelai-vos, para não destruirdes a obra que realizamos com zelo, mas para que, pelo contrário, sejais recompensados regiamente. Todo aquele que não permanece no ensino de Cristo, mas acredita estar indo além dele, não tem Deus; porquanto, quem permanece na sã doutrina tem o Pai e também o Filho." 2Jo 7-9 – KJA

Judas nos “convoca” para a defesa da Verdade:

"Amados, enquanto me preparava com grande expectativa para vos escrever acerca da salvação que compartilhamos, senti que era necessário, antes de tudo, encorajar-vos a batalhar, dedicadamente, pela fé confiada aos santos de uma vez por todas. Porquanto, certos indivíduos, cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo, infiltraram-se em vossa congregação com toda espécie de falsidades. Essas pessoas são ímpias e adulteraram a graça de nosso Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor. A punição eterna dos ímpios." Jd 3-4 – KJA

É preciso admitir que o modo como a recente apologética foi promovida teve suas falhas. Talvez a pior de todas tenha sido apontar o erro e quase nunca apontar o caminho. Gritar e esbravejar sem apontar para Luz pouco ou nada ajuda quem está em trevas.

Nestes dias, onde pouco se lê e quase nada se medita nas Escrituras, não é de se estranhar que tantos cristãos tomem o texto da Bíblia a seu bel-prazer criando bizarrices icônicas! Por fim, acabam blindando a mente contra a teologia e contra a apologética, ignoram o contexto social e de decadência moral, não enxergam as mudanças no cenário cultural. Esta venda é cômoda ao passo que se sentem satisfeitos com suas vidas, com a prosperidade material (ou a busca desenfreada por tal), com a satisfação do ego, com as cócegas nos ouvidos (2Tm 4.3).

A firmeza em relação aos valores que Deus espera de seu povo é que faz toda a diferença. Olhando assim, ou estamos anunciando e proclamando o Evangelho de Cristo e sendo a sua igreja que o glorifica e adora, ou somos o contingente que está sendo levando “prá lá e prá cá” pelos ventos de doutrina (Ef 4.14).

A Graça é o caminho a ser sempre apontado e relembrado. Firmeza doutrinária, exposição bíblica, proclamar o Evangelho de Jesus e lembrar que o caminho do amor de Deus está escancarado, um caminho que Ele mesmo nos prepara a trilhar. Se apegue a Palavra. Se apegue a doutrina sadia. Confie em Deus e siga adiante, longe da sedução e engano destes falsos mestres.

Concluindo, pense no seguinte: os membros de sua casa, as pessoas a quem você ama: Cônjuge, filhos, netos, parentes. Estas pessoas precisam receber altas doses de esclarecimento bíblico e doutrinário. Deus conduzirá seu povo em caminho seguro, sua igreja não sucumbirá diante do inferno e seus falsos mestres, mas cabe a nós, embaixadores, proclamar, ensinar, viver para glória de Deus e defender a fé. E isso, como já foi dito, não é novidade, é a “velha verdade” ensinada pela Palavra de Deus.

Soli Deo gloria!

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Notas:
[1] HODGE, Charles. Teologia Sistemática. Hagnos. São Paulo, SP: 2001. p.1090-1091
[2] LLOYD-JONES, D.Martyn. 2 Pedro: Sermões Expositivos. PES. São Paulo, SP: 2009. p. 164-165
[3] LLOYD-JONES, D.Martyn. 2 Pedro: Sermões Expositivos. p. 168
[4] ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger. Comentário Bíblico Pentecostal do NT, vol 2. CPAD. Rio de Janeiro, RJ: 2009. p. 936
[5] CARSON, D.A. (org). Comentário Bíblico Vida Nova. Vida Nova. São Paulo, SP: 2009. p. 2086

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Fonte: NAPEC
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Uma vida de fidelidade e serviço a Deus



Por João Rodrigo Weronka

É muito comum ouvir da parte de muitos cristãos o jargão “olha ali, eis que vai um homem de Deus!”. Infelizmente, não são poucos os que tomam o aspecto externo, os jeitos e trejeitos, como medida para determinar quem é ou não é de Deus (leia-se usado por Deus). O que a Bíblia diz a respeito desse assunto?

Vejamos a recomendação bíblica:

Mas tu, ó homem de Deus, foge destas coisas, e segue a justiça, a piedade, a fé, o amor, a paciência, a mansidão. Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas. 1Tm 6.11-12

Tomando por base as reflexões que John Stott fez em cima do texto Bíblico, que podem ser encontradas no livro “A Bíblia toda, o ano todo”[1], chega-se a este ensaio.

No texto acima, o apóstolo Paulo escreve para Timóteo e lhe dá instruções para uma vida cristã. Vale lembrar que Timóteo era um discípulo de Paulo, um jovem pastor nascido em Listra (atual Turquia). Era filho e neto de mulheres piedosas e cristãs, instruído na fé desde pequeno (At 16.1; 2Tm 1.5; 3.15).

Traçando paralelo com o atual estado das coisas, nunca é demais relembrar que pautados pela cosmovisão cristã (bíblica), o povo de Deus deve estar separado do sistema dominado por satanás, não andando segundo a cultura deste século, mas vivendo e pensando biblicamente. Ou seja, navegamos nas águas turbulentas deste século, porém inseridos no barco do Mestre. Logo, todas as questões de ética, moral e prática cotidiana devem passar pelo crivo da Bíblia. Assim, homem e mulher de Deus é aquele tido como praticante das Escrituras, em desenvolvimento espiritual, buscando o amadurecimento constante, sustentado pela graça de Deus.

Voltando ao cenário bíblico em questão observa-se que Paulo estava numa viagem para região da Macedônia, e instruiu Timóteo através da epístola para que estivesse atento aos desafios da igreja na cidade de Éfeso (Timóteo ali estava pastoreando), desafios tais que confrontariam sua fé. Nas palavras de Frank Thielman:

Em diversos lugares da carta Paulo resume elementos fundamentais do ensino cristão como forma de recordar Timóteo, junto com a igreja que ouvirá esse mandato ser lido, desses elementos do evangelho. Timóteo recebera a comissão de permanecer fiel a esse ‘depósito’ da verdade quando ele foi separado para a obra do evangelho (6.12,20). O falso ensino desafia em vários pontos o ensino cristão tradicional, e Paulo deseja fazer Timóteo – seu oficial subordinado – recordas e a igreja sob seus cuidados desses pontos fundamentais nos quais o evangelho e o falso ensino se separam. [2]

A viagem de Paulo demoraria além do previsto, sendo necessária instrução específica ao pastor Timóteo. Quais eram elas?

Fuja disso! – um apelo ético

Timóteo deveria opor-se aos valores mundanos enraizados na cidade de Éfeso. Como cristãos, tanto Timóteo como nós andamos (ou deveríamos andar) não segundo o curso deste século, mas segundo o querer de Deus. Infelizmente muitos trilham – nestes dias – o caminho do mero nominalismo religioso, mergulhando no quadro exposto por Harry Blamires:

A colisão entre a mente cristã e uma cultura solidamente presa na terra deveria ser violenta. O fato é que o impacto não ocorre; pois o cristão, quando ele pisa fora da esfera da atividade especificamente religiosa ou da moralidade pessoal, põe de lado as pressuposições próprias a uma personalidade sobrenaturalmente orientada. Ele fala a linguagem do secularismo. [3]

O apelo que Paulo faz neste sentido é de cunho ético para um ajuste de mentalidade e valor cristão. Exortando ao longo de 1Tm 6 para que todo cristão comprometido com os valores do Reino de Deus não se venda a presunção (v.4), impureza (v.5), descontentamento e ingratidão para com Deus (v.6-8), concupiscências loucas (v.9), amor ao dinheiro (v.10).

Na contramão destes valores, a atitude cristã deve ser balizada naquilo que está registrado em 1Tm 6.11. Deve-se viver de modo justo, em justiça e integridade com o próximo; em piedade, com coração cheio de misericórdia como imitadores de Cristo; num rumo de fé, sendo fiel para com Deus e também sendo uma pessoa digna de confiança; no amor, afetuoso a Deus e ao próximo; de modo constante, tendo firmeza em Deus, mesmo diante dos problemas; com mansidão, sendo cordial, gentil e humilde.

Em síntese, é ir contra o que é mal, discernindo de modo ético aquilo que Deus quer que façamos e o que não devemos fazer. É oportuno que o leitor examine o contexto lendo todo o texto de 1Tm 6. Ficará claro que Timóteo não deveria compactuar com valores que se opõem a fé cristã. Estamos sendo homens de Deus, fugindo do mal e lutando pela justiça e amor, valores do Reino?

Zelo doutrinário

É urgente o engajamento cristão em prol do Evangelho, sua proclamação e defesa. Devemos estudar e meditar profundamente na Bíblia e nas doutrinas cristãs para que sejamos defensores da fé – 1Tm 1.18; Estamos empenhados neste propósito?

Ao falar em defesa da fé, o cristão deve trazer a sua mente o benefício que trará a todo o perímetro que cerca sua vida, é um combate doutrinário que traz benefício a si próprio, a sua família, sua igreja local (e universal também) bem como a todo o Reino de Deus.

Muito já se falou sobre a importância e necessidade de ser comprometido com o estudo bíblico, com a reflexão nas matérias teológicas e com o engajamento apologético. Mas nunca é demais reiterar os princípios bíblicos que norteiam esta prática, afinal, como John Frame disse, “a apologética, corretamente entendida, não é ‘brincar de Deus’; é simplesmente praticar a vocação humana divinamente ordenada.” [4]

Ser um cidadão do Reino é ser poderoso na palavra, na doutrina (Tt 1.9), batalhando pela fé (Jd 3), para ter o discernimento bíblico e ético que gera respostas mansas e cheias de temor de Deus (1Pe 3.15).

É possível caminhar nesta vereda conhecendo a Escritura Santa e manejando bem esta espada deveras afiada (2Tm 2.15-16), estando assim apto a reconhecer o tempo de apostasia (1Tm 4.1). Lembre-se, a fé vem pelo ouvir a Palavra de Deus (Rm 10.17), logo não existe fé sem compromisso com a Palavra. Estamos neste mundo (Jo 17.15), as águas são escuras e a tempestade é forte, mas compromissados com a vontade de Deus em Sua Palavra, estaremos inabaláveis, exortando na doutrina, firmes sem se desviar da verdade (2Tm 4.1-4).

Os ‘profetas’ da era da modernidade bradaram que a era da razão lançaria uma pá de cal sobre a religião, que as crenças se dissolveriam e que Deus morreria. As religiões permanecem em pé. Logo, a pós-modernidade (ou hiper-modernidade para alguns) está ensopada de pluralismo religioso, vãs filosofias e relativismo que tenta embutir em cada ser humano ou núcleo social sua “própria verdade”. Os cristãos estão preparados para este desafio?

Vida Eterna

Como pode Paulo afirmar a Timóteo que ele “tome posse da vida eterna” (1Tm 6.12), sendo que já era um cristão?

A questão aqui é que muitos já possuem algo e não sabem aproveitar. Quantos são os que possuem um bom veículo, computador, ou qualquer outra coisa material e não faz uso do mesmo? Quantos são os cristãos, chamados por Deus, que vivem com medo, levando a vida longe do amparo do Pai, com mais medo do inferno que certeza da salvação? Certa vez ouvi um pregador falar que estamos com os dois pés mais perto do inferno que um deles do céu. Incoerência bíblica e ignorância: cego que conduz cego.

Estávamos mortos, Ele nos resgatou e presenteou em graça com a salvação (Ef 2.1-9), pelo amor incondicional de Deus (Jo 3.16), para sermos dEle (Jo 6.44-48).

Viva esta certeza todos os dias!

Diga não a experiências baratas e duvidosas. Muitos estão atrás de visões e profecias e ainda tem dúvidas acerca da salvação. Basta crer na Palavra! Somos salvos pelo dom de Deus. Desfrute da certeza absoluta de sua salvação nEle, não por sermos merecedores, mas sim pela Sua misericórdia.

Concluindo

Estes conselhos bíblicos e parâmetros para homens de mulheres de Deus são para hoje, amanhã e para toda nossa caminhada.

Uma fé madura e equilibrada nos garantirá uma caminha dentro do querer de Deus. Sempre lembrando que:

Combater pela fé sem justiça, nada vale. Sermos bons e mansos, mas sem interesse pela verdade resulta apenas em aparência de piedade. A negligência em relação à doutrina e ética cristã produz experiências místicas e rasas. Lancemos longe a aparência e sejamos enfim homens e mulheres de Deus.

Um resumo para tudo que foi lido até aqui: uma vida de fidelidade e serviço a Deus.

Sola scriptura!

Soli Deo Gloria!

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NOTAS:

[1] STOTT, John. A Bíblia toda, o ano todo. Ultimato. Viçosa, MG: 2006. p. 380.
[2] THIELMAN, Frank. Teologia do Novo Testamento. Shedd Publicações. São Paulo, SP: 2007. p. 495.
[3] BLAMIERES, Harry. A mente cristã. Shedd Publicações. São Paulo, SP: 2006. p. 79-80.
[4] FRAME, John. Apologética para glória de Deus. Cultura Cristã. São Paulo, SP: 2010. p. 22.

Fonte: NAPEC
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