Educar na Disciplina do Senhor

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Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo... E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor. (Efésios 6.1,4)

O filho está debaixo da autoridade dos pais e lhe deve obediência. O filho deve ser obediente aos pais porque Deus mandou e porque é justo. Ser pai, segundo os versos 2 e 3 significa ter o direito a ser honrado, portanto ser pai é um privilégio também. E mais, Deus também prometeu abençoar o filho que honrasse a seus pais.

Há dois ensinamentos claros nesse texto sobre como podemos educar nossos filhos na disciplina do Senhor:

I. NÃO PROVOCAR NOSSOS FILHOS À IRA.

Quando é que provocamos nossos filhos à ira? (1) Exigir mais do que pode fazer. (2) Brigar com eles na frente dos outros. (3) Não reconhecer o seu trabalho quando bem feito. (4) Compará-los com outros, diminuindo-os. (5) Não deixá-los escolher, mas escolher sempre por eles. (6) Desconsiderar as suas opiniões. (7) praticar disciplina com violência humilhante em vez da disciplina bíblica.

II. EDUCÁ-LOS NOS PRINCÍPIOS DE DEUS.

a) Ensinar e aplicar a disciplina.

A disciplina é positiva no ensinamento quando nosso filho é nosso discípulo (aluno) dentro de casa e negativa na aplicação de castigos. O ensino acerca do que é certo e do que se espera precisa vir sempre antes e após o castigo para surtir efeito duradouro. Instruir de como fazer certo e cumprir o discipulado da criança evita o castigo.

Para crianças, o método da disciplina negativa é a vara. Contudo a própria Bíblia nos diz como usa-la a fim de que não haja violência, mas apenas disciplina educativa. “Tu a fustigarás com a vara...”. Fustigar é bater com uma vara fina de forma a doer, mas não a machucar. Mesmo assim, a vara só deve ser usada em casos de desobediência deliberada, da rebeldia e da teimosia. Atos de irresponsabilidade e falta de destreza devem ser tratados de outra maneira.

b) Corrigir segundo a verdade e não por capricho.

Admoestar é trazer à memória da criança o que é certo para voltar a praticar o que é correto e abandonar o que é errado. A Admoestação pressupõe a aplicação de ensino prévio. Não se admoesta sem se ter a consciência de como deveria ter sido feito.

As crianças devem aprender assentadas em casa, andando pelo caminho, quando se deitam e quando se levantam (Dt 6.7). Por isso, devemos ensinar e encorajar nossos filhos a lerem a Bíblia todos os dias. Devemos ensiná-los e encorajá-los a orar sempre. Devemos orar com eles e por eles cotidianamente. Devemos deixar que vejam o nosso exemplo, porque os filhos imitam primeiro os pais. Uma verdade que tem de estar estampada em nossos corações firmemente é: Nossos filhos precisam de Deus porque são pecadores como nós (Sl 51.5).

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Autor: Rev. Hélio de Oliveira Silva
Fonte: Anunciando Todo o Desígnio de Deus
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John Knox: O Reformador da Escócia

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Sinopse Histórica e Obras.

1513-1515 (?) = A data e o local de nascimento de John Knox são incertos, sendo aceita a data de 1513 como a mais provável. É possível que Knox tenha nascido no povoado de Haddington, às margens do rio Tyne, distrito de Lothian Oriental, cerca de 30 Km a leste de Edinburgo(2). Seu pai, William Knox era homem do campo e sua mãe era membro da família Sinclair. Sua mãe faleceu quando ainda era criança. Foi educado por sua madrasta, que era carinhosa e compreensiva.

Recebeu boa educação, aprendendo latim nos estudos regulares. A seguir matriculou-se na Universidade de Saint Andrews(3), para a formação acadêmica.

Waldyr Carvalho Luz descreve Knox como um homem comum e de aparência atarracada. Ombros largos, altura abaixo da média; possuindo um olhar brilhante e penetrante; saúde razoável; de temperamento impetuoso e disposição férrea(4). Lloyd-Jones comenta que “havia algo que lhe vinha aos olhos uma vez ou outra, que, literalmente, punha o temor de Deus dentro das pessoas”(5). Cairns nos diz que ele “era um homem corajoso, ríspido até, às vezes, que a ninguém temia, exceto a Deus”(6). 

1528 = As idéias luteranas do jovem pastor Patrick Hamilton, que estudara em Marburg e Wittenberg, com Lutero, foram uma causa positiva do início da reforma na Escócia. Ele ensinava a justificação pela fé e chamou o Papa de anticristo. A morte prematura de Patrick Hamilton, queimado de forma desumana lentamente na fogueira como herege, marcou profundamente John Knox, que tinha por volta de 15 anos nessa época.

1530 = Ordenado sacerdote católico, tornou-se discípulo de George Wishart, que introduzira os ideais da reforma zuingliana na Escócia. Wishart traduziu para o inglês em 1536, a Confissão Suíça. O pensamento de Wishart influenciou fortemente a vida espiritual de Knox. Pouco depois se tornou tutor de filhos de nobres favoráveis à reforma.

1544-46 = Knox serve a Wishart como seu guarda-costas entre 1544-46(7). Wishart foi queimado em uma estaca em Edimburgo, em 1546.

1546 = Pregou aos soldados protestantes no acampamento de Saint Andrews até ser capturado pelo exército francês, por ter participado de uma revolta em prol da reforma (31/07/1547). Trabalhou por 19 meses(8) como escravo nas galés de um navio militar francês até sua libertação na troca de prisioneiros. Nas galés sofreu, não só os rigores desse tipo de vida, como também muita crueldade, debilitando sua saúde(9). 

1549-51 = Retornando à Escócia, como a situação não era favorável, mudou-se para a Inglaterra, sendo designado ministro e pregador em Berwick, na fronteira com a Escócia, e posteriormente Newcastle. Nesse período firmou-se como grande pregador.

1552 = Transferindo-se para Londres, serviu como um dos capelães reais e um dos pregadores da corte, pregando várias vezes na presença do rei. 

Em setembro, poucas semanas antes da publicação dos 45 Artigos, que dariam origem aos 39 Artigos, pregou perante o rei um sermão contra o artigo 38, que obrigava a recepção da ceia (hóstia) de joelhos. Knox afirmou que o ajoelhar-se era idolátrico e pecaminoso. Isso levou Cranmer a inserir, às pressas, uma observação ao artigo, publicado em uma folha em separado, que ficou conhecido como “o Artigo Negro”(10). 

1553-54 = Quando Eduardo VI ofereceu-lhe o bispado de Rochester, Knox o recusou desprendidamente, porque entendeu que esse oferecimento era uma tentativa do regente real Northumberland de silencia-lo e neutralizar sua influencia na corte real(11). 

Com a ascensão de Maria Tudor ao poder na Inglaterra, teve de fugir para a Europa (03/1554). Indo para a Suíça, onde passou algum tempo com Calvino, em Genebra e Bullinger, em Zurique. Também fez visitas a Escócia, a fim de animar a fé dos que deixara no país(12). 

1554-1559 = Nesse período esteve em Genebra e tornou-se aluno de Calvino, o qual considerava “o notável servo de Deus”(13). Sob a persuasão de Calvino aceitou pastorear exilados religiosos ingleses em Frankfurt, na Alemanha. Após algum tempo ali, devido a vários problemas, especialmente devido a disputas com o anglicano Richard Cox, que queria que a igreja de refugiados em Frankfurt tivesse “um rosto inglês”(14). A resposta de Knox refletiria o ponto central das controvérsias que se seguiriam na Inglaterra posterior entre os puritanos e a igreja Anglicana: “O Senhor permita que ela tenha a face da igreja de Cristo”. Por influência e incitação de Cox, Knox foi expulso de Frankfurt e teve de retornar a Genebra, sendo acompanhado por vários dos refugiados que pastoreava. Ali tornou-se novamente pastor da igreja inglesa (1555-59). 

Casou-se com Marjorie Bowes em 1555, numa rápida visita à Escócia. Em 1556 escreveu A Forma de Orações, como diretório de culto.

1557 = Em dezembro de 1557, os nobres escoceses fizeram um pacto de usar suas vidas e bens para estabelecer “a Palavra de Deus” na Escócia. Nessa conjuntura, Knox iria voltar à Escócia para implantar o calvinismo e fundar a igreja presbiteriana escocesa.

1558 = Publica o Primeiro Clarim Contra o Monstruoso Governo de Mulheres, dirigido a Maria Tudor(16), em que ele dizia ser contra a natureza, Deus, e sua palavra, uma mulher governar, pois isso era “a subversão da boa ordem, de toda justiça e equidade”. Seu livro foi publicado em má hora, pois teve de se desculpar com a rainha da Inglaterra (Elizabeth I) por causa disso. A rainha Elizabeth nunca o perdoou por causa desse livro. Ainda nesse ano publicou Supplication (Rogativa), dirigida à regente escocesa; Appellation (Apelação), dirigida à nobreza da Escócia; e por último: Letter to The Commonality of Scotland (Carta ao Povo em Geral da Escócia)(17) .

1559 = A pedido de Calvino, escreveu seu único tratado teológico; Treatise on Predestination (Tratado Sobre a Predestinação). Vendo a atitude da rainha Elizabeth I para com a reforma inglesa, escreveu uma Breve Exortação à Inglaterra a Abraçar Rapidamente o Evangelho de Cristo Doravante, à Supressão e ao Banimento da Tirania de Maria(18). A rainha da Inglaterra fez-lhe forte objeção, por considerá-lo uma intromissão de um escocês nos negócios da Inglaterra; também porque Knox usara de uma linguagem muito forte. Pregava contra os bispados ingleses e afirmava que o reinado de Maria Tudor fora um juízo de Deus sobre a Inglaterra por esta não levar adiante a reforma da igreja(19). 

Knox retornou à Escócia, em abril desse ano, pregando na igreja de S. Giles, em Edimburgo.

1560 = Knox e os Lordes da Congregação iniciam a Reforma na Escócia. Participou da composição da Confissão Escocesa e ajudou a esboçar o Primeiro Livro de Disciplina.

  • Pôs-se fim do domínio papal na igreja escocesa.
  • A missa é declarada ilegal.
  • Revogação de todos os decretos contra os hereges (protestantes).
  • Aceitação da Confissão de Fé dos Seis Johns (Confissão Escocesa), escrita em quatro dias, a pedido do parlamento. Essa confissão, de inspiração notadamente calvinista foi a principal confissão de fé escocesa até a adoção da Confissão de Fé de Westminster em 1647.
  • Organização da igreja em presbitérios, sínodos e uma assembléia geral, semelhantes aos de Genebra. Nesse mesmo ano reuniu-se pela primeira vez a Assembléia Geral da Igreja da Escócia. Foram formalmente implantados em 1567.

Apesar disso, Knox teve muitos problemas com os lordes da congregação, que desejavam apossar-se das terras católicas. Knox insistia que deveriam ser utilizadas para o alívio da pobreza no país, estabelecer um sistema de educação universal e sustentar a igreja escocesa(20). 

Em dezembro desse ano, faleceu sua esposa, deixando-lhe dois filhos pequenos: Nathanael (3 anos e meio) e Eleazer (dois anos). Calvino lhe escreveu uma carta demonstrando a sua solicitude e condolências.

1561 = Maria Stuart assume o trono escocês, segundo Gonzalez, a convite dos lordes da congregação(21). Era uma mulher bela e inteligente. Ela teve vários encontros duros e francos com Knox, que não cedeu frente às suas lágrimas e lisonjas, tentando levar a igreja escocesa de volta ao catolicismo(22). 

1564 = Publicação do Livro de Ordem Comum.

1567/68 = Maria Stuart, abdica ao trono escocês e refugia-se na Inglaterra, sob a tutela de Elizabeth I. Após a abdicação de Maria Stuart, Knox pregou na coroação do filho dela, James I, como rei da Escócia(23). 

1572 = Próximo à data que marcou a noite de S. Bartolomeu, na França (24de agosto) Knox teve um ataque de paralisia e retirou-se da liderança da reforma. Mesmo assim, ao saber dos eventos dessa noite, fez um grande esforço para retornar ao púlpito, avisando a seus compatriotas que igual destino lhes cairia se fraquejassem na luta(24). 

24/11/1572. Na manhã desse dia pediu à sua esposa que lesse dois textos bíblicos para ele; I Coríntios 15, que fala da ressurreição; e João 17, a oração sacerdotal de Cristo, sobre o qual comentou; “Aqui lancei a minha primeira âncora”(25). Por volta das 22 horas, seu médico perguntou-lhe se ouvira as orações dos presentes a seu favor, ao que respondeu: “Quisera Deus que vocês e todos os homens as ouvissem como eu as ouvi; e a Deus louvo por este som celestial... Agora chegou”. Foram as suas últimas palavras, então faleceu.

Ainda neste ano, tentou-se restabelecer o sistema episcopal na igreja escocesa, contudo, Andrew Melville (1545-1622), reitor da Universidade de Glasgow, conduziu a luta pela restauração do sistema presbiteriano. 

Em 1581, foram restabelecidos os presbitérios e em 1592, debaixo de forte oposição real (James VI) o presbiterianismo tornou-se a religião oficial dos escoceses. A vitória final, porém, só seria definitiva em 1690(26). 

Apanhado Teológico.

Não é correto afirmar que o pensamento de John Knox não tinha originalidade e que foi um mero repetidor das idéias de Calvino. Lloyd Jones(27) aponta dois pontos de seu pensamento em que isso fica claro. Primeiro na questão da relação entre Igreja e Estado; segundo na atitude para com diversas cerimônias religiosas da Igreja Anglicana, exemplificadas em seu livro “O Primeiro Toque da trombeta Contra o Governo Monstruoso das Mulheres” de 1558.

Knox via a si mesmo como um pregador e não como um teólogo acadêmico. Entendia que sua função era a de “tocar a trombeta do seu mestre”(28). Seus sermões eram caracterizados pela exposição bíblica e pela preferência pelo Antigo Testamento(29), atacando a idolatria e a corrupção do culto cristão.. Knox seguia à risca o princípio da sola Scriptura, tendo a Bíblia como a única base autorizada em que a doutrina pode ser fundamentada. Afirmou, seguindo Lutero e Wishart a justificação pela fé somente (sola fide).

Sua teologia era profundamente calvinista. Sua obra, Tratado Sobre a Predestinação (1559) segue de perto as formulações de Calvino e Beza, quando ensina que Deus escolheu soberanamente alguns para a salvação e outros para a condenação eterna, afirmando que a salvação do homem depende exclusivamente da graça divina.

Participou da confecção da Confissão Escocesa, caracterizada “pela centralidade de Cristo em cada um de seus vários tópicos, bem como pela riqueza da espiritualidade e o calor de expressão”(30). 

Knox também percebeu que como a Igreja estava mudando de uma forma para outra completamente, seria necessário a composição de um Livro de Disciplina, onde fosse elaborado um plano para a vida eclesiástica e social da nação. É no Livro de Disciplina, seguindo a Confissão Escocesa, que ficam definidas como marcas da verdadeira igreja: a pregação correta da Palavra de Deus, a administração correta dos sacramentos (batismo e ceia) e o exercício correto da disciplina eclesiástica(31). 

As marcas, sinais e símbolos seguros pelos quais a imaculada noiva de Cristo é distinguida da horrível meretriz, a falsa igreja, nós afirmamos, não são nem antigüidade, nem título usurpado, sucessão linear, lugar indicado, número de homens que provocam o erro... As marcas da verdadeira Igreja, portanto, nós cremos, confessamos e admitimos ser: primeiro, a pregação da verdadeira Palavra de Deus, na qual Deus tem nos revelado a si mesmo, como os escritos dos profetas e dos apóstolos declaram; segundo, a correta ministração dos sacramentos de Cristo Jesus, com os quais devem ser associados a palavra de Deus e a promessa de Deus para selá-las e confirmá-las em nossos corações; e por último, disciplina eclesiástica corretamente ministrada, como a Palavra de Deus prescreve, com a qual a imoralidade é reprimida e a virtude é alimentada. (Confissão Escocesa 18)(32) .

A inclusão da disciplina como terceira marca da igreja o distingue de Calvino, que embora tivesse a disciplina em alta conta, nunca afirmou ser ela a terceira característica da igreja verdadeira. É exatamente nesse ponto que se percebe a influência de Bullinger em seu pensamento, pois é na Confissão Belga de 1536, que essa distinção aparece pela primeira vez. Também sua visão da disciplina, não pode ser entendida legalisticamente, mas deve ser vista à luz da participação do crente no sacramento da ceia, que não deveria “ser profanada com a permissão de que os negligentes e os deliberadamente iníquos se aproximassem da Santa Mesa no momento sagrado em que o Senhor e os participantes estivessem (como diz Knox) ‘unidos simultaneamente’”(33). 

O Livro de Disciplina também orientava sobre o culto. Nele ficava claro que a exposição das Escrituras é a parte central do culto verdadeiro. Em Knox, mais do que em qualquer outro reformador fica clara a aplicação do princípio regulador do culto, pois ensinava, seguindo Zuínglio e John Hooper, que nenhuma prática era legítima no culto público, a não ser que especificamente ordenada nas Escrituras. Sua compreensão sobre a Ceia era semelhante a de Calvino e Bucer, ou seja, cria numa presença espiritual de Cristo na ceia, sendo recebida somente pela fé. H. Griffith(34), argumenta que o Primeiro Livro de Disciplina não era rigorosamente presbiteriano, mas já continha a sua semente.

A contribuição mais importante de Knox para a teologia protestante foi o seu conceito do relacionamento entre Igreja e Estado. Ele cria que Igreja e Estado perfaziam a mesma comunidade. A reforma religiosa não se imporia sem uma reforma política. A religião verdadeira deveria transformar tanto o indivíduo como a sociedade. Seu modelo para o governo civil foi retirado dos conceitos do Antigo Testamento. Na época da Reforma, a religião do príncipe era a religião do povo. Como Knox lutava contra o governo das rainhas católicas, achou um precedente no Antigo Testamento, para a desobediência civil quando as autoridades do povo contradiziam a Lei superior das Escrituras. Seu pensamento a respeito consta de sua obra: An Admonition or Warning (Uma Admoestação ou Advertência - 1554). Por fim, propôs que os cristãos são obrigados a derrubar um monarca idólatra (The First Blast of the Trumpet Against the monstrous Regiment of Women – O Primeiro Toque da trombeta Contra o Governo Monstruoso das Mulheres - 1558). Os ensinos de Knox contribuíram para o crescimento do conceito de liberdade religiosa.

Mesmo não sendo um revolucionário social, Knox também desenvolveu uma visão social bem clara para a Igreja. “Ele afirmou a obrigação de cada cristão cuidar dos pobres e elaborou um sistema mediante o qual cada igreja sustentaria seus próprios necessitados e administraria escolas de catequese para todas as crianças, ricas e pobres”(35). 

Segundo Lloyd-Jones, Knox é o pai do puritanismo, apontando como razões a originalidade de seu pensamento e também porque apresentou com muita clareza os princípios normativos do puritanismo, quais sejam, a autoridade suprema das Escrituras; uma reforma que alcançasse mais do que a doutrina apenas, mas que também atingisse a vida prática de cada pessoa como cristão e como cidadão mais plenamente, uma reforma “de raiz e ramos”(36). 

Lançou as bases mais concretas do princípio regulador do culto, contra o cerimonialismo anglicano, ao defender que a Igreja deveria reformar suas cerimônias, na forma de conduzir o culto e na administração das ordenanças. Para ele, nada podia ser acrescentado ou diminuído ao ensinado expressamente nas Escrituras. Segundo interpreta Lloyd-Jones: “Diziam que ele afirmava que o homem não pode formar nem inventar uma religião aceitável a Deus, mas está obrigado a observar e a manter a religião que de Deus é recebida, sem trocas nem mudanças”(37). 

Knox também escreveu uma História da Reforma na Escócia(38), que foi publicada somente em 1587, na Inglaterra, após a sua morte. A publicação na íntegra apareceu somente em 1644.

O Que Podemos Aprender com Knox?

1. Sua firmeza na defesa daquilo em que acreditava.

Ele sobressai na sua conscienciosa aplicação daquilo que acreditava ser o modelo neotestamentário concernente à natureza da Igreja, às ordenanças e cerimônias, e ao exercício da disciplina(39). Ele é o pai do puritanismo no seu conceito de culto e do princípio regulador. Seus ensinos sobre a desobediência civil ao Estado forneceram “as diretrizes para uma doutrina da Igreja e do Estado desenvolvida pelos presbiterianos e pelos huguenotes franceses em tempos posteriores”(40). 

2. Sua paciência e perspicácia pastoral.

É sabido que em seu tempo em Newcastle e Berwick, sob a jurisdição da Igreja da Inglaterra, ele simplesmente deixava de lado a aplicação em sua congregação dos Livros de Oração Comum de 1548 e 1549. Ele não pregava contra, mesmo discordando deles, simplesmente não os aplicava. Lloyd-Jones chama a atenção para o fato de que não precisamos ficar dizendo o que vamos fazer e assim chamando a atenção para a questão e causando polêmica, pois muitas vezes na vida pastoral, fazer em silêncio é mais importante do que falar(41). 

Essa atitude sua milita contra as acusações freqüentes de que Knox era um fanático autoritário, movido por presunção e ambições. Mas a moderação, muitas vezes é encontrada na paciência de esperar a hora certa de agir. Para Knox essa hora veio quase vinte anos depois, Quando pastoreou refugiados ingleses em Genebra e quando implantou o presbiterianismo na Escócia, sem os ritos do Livro de Oração Comum, e na aprovação de seu Livro de Disciplina e na Ordem do Culto. Embora a Reforma escocesa acontecesse sem derramamento de sangue, Knox e seus amigos passaram por difíceis testes na sua fé antes que o ideal reformador se estabelecesse completamente. Em meio a todos eles perseveraram com paciência.

Esse ponto também fica claro em sua carta de 1567 aos pastores puritanos que estavam sendo perseguidos pelos bispos anglicanos. Knox argumentou com eles que não cortassem seus laços com a Igreja da Inglaterra, mas que “deveriam manter o acordo pela paz e pela unidade, por algum tempo”(42). Na verdade, Knox os aconselhava a serem mais pacientes e aguardarem uma oportunidade mais favorável às reformas puritanas, pois tinha esperança de mudanças.

3. Sua pregação fiel e ao mesmo tempo contextual.

Knox não hesitava em ir ao púlpito e pregar abertamente contra aquilo que não concordava, de acordo com as Escrituras. Também várias vezes usou da pregação para refrear a cobiça dos lordes pelas terras da Igreja católica desapropriadas na Escócia. Knox nos ensina que a pregação da palavra tem de ser a exposição bíblica e que essa exposição não pode estar alienada do mundo ao seu redor, antes deve falar a ele partindo da Escritura como única regra de fé e conduta.

Knox nos dá um exemplo primoroso do que seja uma teologia engajada, que busca aplicar os preceitos bíblicos em todas as áreas da vida cristã privada e pública. A rainha da Escócia declarou que temia mais as orações e pregações de John Knox, do que dos soldados e dos canhões da Inglaterra. Seu sermão tinha a capacidade de colocar o temor de Deus nas pessoas.

Seu senso da total dependência humana da graça divina, que compunha o seu pensamento e sua vida tornou-se “o centro da vida das igrejas reformadas durante toda a sua história”(43). 

4. Seu amor pela Igreja de seu país.

Knox orava pela igreja escocesa; “Oh Deus! Dá-me a Escócia, senão eu morro”. Buscou de todas as formas que pode conceber, reformar a igreja de seu país, mesmo quando estava em Genebra, enviava-lhes seus livros, exortando-os à reforma. Por fim, no último dia de sua vida, pediu, segundo o relato de sua própria filha, que sua esposa lesse para ele João 17, dizendo: “Leia a parte onde eu lanço a minha primeira âncora”(44). 

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Notas de referência: 

[1] Apresentação do autor abaixo das notas de referência.
[2] Waldyr Carvalho Luz, John Knox, O Patriarca do Presbiterianismo, ECC, p.13.
[3] Cairns diz que foi em Glasgow (Earlie Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, Vida Nova, p. 260).
[4] Waldyr C. Luz, John Knox, O Patriarca do Presbiterianismo, p.14.15.
[5] D. Martin Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, PES, p.4,5.
[6] Earlie Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, p. 260.
[7] Waldyr Carvalho Luz, John Knox, O Patriarca do Presbiterianismo, p.32.
[8] Agosto de 1547 a Fevereiro de 1549. Ibid., p.57..
[9] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.2.
[10] Ibid., p.20.
[11] Waldyr Carvalho Luz, John Knox, O Patriarca do Presbiterianismo, p.63.
[12] Justo Gonzalez, A Era dos Reformadores, Vida Nova, p.138.
[13] Earlie Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, p.260.
[14] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.9.
[15] Tony Lane, Pensamento Cristão, Vol. II, Abba Press, p.42.
[16] As outras mulheres governantes eram as católicas Maria de Lorena, na Escócia; e Catarina de Médicis, na França. Justo Gonzalez, A Era dos Reformadores, vol. VI, p.139.
[17] Waldyr Carvalho Luz, John Knox, O Patriarca do Presbiterianismo, ECC, p.93.
[18] A Brief Exhortation to England for the Speed Embracing Christ’s Gospel Heretofore by Tyranny of Mary Suppressed and Baniished.
[20] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.24,25.
[21] Justo Gonzalez, A Era dos Reformadores, vol. VI, p.141.
[22] Ibid.
[23] Earlie Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, p.261. Veja um extrato de uma dessas conversas em: John Leith, A Tradição Reformada, Pendão Real, p.342.
[24] H. Griffith, “John Knox”, EHTIC (Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã) vol. II, Vida Nova, p.403.
[25] Justo Gonzalez, A Era dos Reformadores, p.143.
[26] F. F. Bruce, João, Introdução e Comentário, Vida Nova, p. 280. Lloyd Jones coloca de forma ligeiramente diferente: “Leia a parte onde eu lanço a minha primeira âncora” (Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.32).
[27] Earlie Cairns, O Cristianismo Através dos Séculos, p.262.
[28] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.9.
[29] H. Griffith, “John Knox”, EHTIC vol. II, Vida Nova, p.403.
[30] John Leith, A Tradição Reformada, p.211. Embora John Leith classifique os sermões de Knox com a expressão “literalismo bíblico”, preferimos a terminologia “exposição bíblica”, pois reflete melhor o método de Knox.
[31] H. Griffith, “John Knox”, EHTIC vol. II, Vida Nova, p.404.
[32] Ibid.
[33] Citada por Tony Lane, Pensamento Cristão, Vol. II, p.43.
[34] James S. Mcewen, citado por: John Leith, A Tradição Reformada, p.247.
[35] H. Griffith, “John Knox”, EHTIC vol. II, p.404.
[36] Ibid., p.405.
[37] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.13.
[38] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.14.
[39] O título completo é: História da Reforma de Religião Dentro do Reino da Escócia. A versão integral dessa obra apareceu somente em 1644, segundo Tony Lane (Pensamento Cristão, Vol. II, p.42).
[40] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.15.
[41] H. Griffith, “John Knox”, EHTIC vol. II, p.405.
[42] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.6,15.
[43] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.26. Itálicos meus.
[44] H. Griffith, “John Knox”, EHTIC vol. II, p.405.
[45] Lloyd-Jones, John Knox: O Fundador do Puritanismo, p.32.

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Autor: Rev. Hélio de Oliveira Silva, é Bacharel em Teologia (BTh-SPBC-1990). Mestre em Teologia Histórica (STM-CPPGAJ/2004). Bacharel em Teologia (Convalidação - FAIFA/2011). Pastor auxiliar na Igreja Presbiteriana do Jd. Goiás - Goiânia/GO. É professor no SPBC desde 1999, onde leciona dentre outras matérias, Literatura Patrística e Reformada e História da IPB.

Fonte: Anunciando Todo o Desígnio de Deus

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Sexo ou Gênero?

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Temos acompanhado uma grande discussão nacional em torno da inclusão da ideologia de gênero no ensino público brasileiro. Todavia, será que estamos por dentro do verdadeiro significado dessa proposta?

No livro Sociologia em Movimento, Ed. Moderna, pags. 337ss. (distribuído pelo MEC para o ensino médio) consta que "O conceito de gênero não se fundamenta em um princípio evolutivo, biológico ou morfológico, e sim em uma construção social”, isto é, "uma construção cultural estabelecida socialmente através de símbolos e comportamentos, e não uma determinação de diferenças anatômicas entre os seres humanos" (p. 339).

Isso quer dizer que identidade de gênero é algo totalmente diferente de sexo, pois diz respeito a uma escolha do indivíduo quanto ao seu comportamento sexual e não à sua conformação sexual anatômica em si. A ideologia de gênero prega, na verdade, a formação de indivíduos sexualmente versáteis, que decidirão que tipos de comportamento sexual adotarão para a sua conduta pessoal.

Está em andamento uma apologia aberta ao fim da família como a conhecemos, com o propósito de se produzir a verdadeira igualdade e liberdade humana. Os proponentes da “identidade de gênero” acusam a sociedade patriarcal, da qual a igreja e a família estão no fundamento, como uma das principais explicações para a discriminação social, e que a forma de se reverter esse quadro social é por meio de uma reconstrução dos papéis sociais estabelecidos.

Nos escritos desses ideólogos sociais a “família burguesa” ou “família patriarcal” que precisa ser desconstruída é a família natural, formada por um pai-marido, uma mãe-esposa e por filhos, e substituída por uma “família” mais versátil, onde os papeis não sejam tão estruturalmente definidos.

Nas Escrituras, especialmente em Paulo, quando os problemas de relações humanas e familiares são tratados, os autores bíblicos remetem a base das relações para a criação (1 Co 7; Ef 5). Os papéis são definidos por Deus e organizados segundo o critério da ordem da criação.

As acusações de que todos os males sociais têm seu fundamento nessa ordem são falaciosas e grosseiras, pois o evangelho cristão sempre teve uma conotação libertadora dos indivíduos. Os erros apontados pelos críticos do modelo cristão ignoram que sua causa advém exatamente do pecado e suas conseqüências nefastas na vida das sociedades. Essa ousadia perniciosa em desobedecer e declarar maliciosamente a sua liberdade perante Deus.

A ideologia de gênero navega pelas mesmas águas que sempre navegaram as ideologias que negam a soberania divina sobre a criação. É um equívoco crer que a libertação dos sistemas cristãos promoverá mais igualdade entre as pessoas, pois a história sempre mostrou que o oposto é o que acontece: Mais opressão e mais totalitarismo.

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Autor: Rev. Helio de Oliveira Silva
Fonte: Anunciando Todo o Desígnio de Deus

Para saber mais sobre a ideologia de gênero, clique aqui!
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O Fracasso Espiritual da Teologia da Prosperidade

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Por Rev. Helio de Oliveira Silva


Essa semana assistimos com os jovens da igreja ao filme evangélico “Pregando o Amor”. Conta a história de um ex-traficante que é convertido a Cristo através do testemunho de sua namorada. É uma boa história de como a conversão a Cristo acontece com vários tipos de pessoas. Todavia, do ponto de vista pastoral e teológico a trama torna explícito muitos equívocos cometidos por cristãos, membros de igreja, quando o assunto é namoro, evangelização e vida cristã.

A tolerância e o incentivo ao namoro com incrédulos como estratégia evangelística da igreja é tomada com muita naturalidade. A conduta da personagem é tratada quase como um manual com os passos a serem seguidos quando esse for o caso.

Em nenhum momento há uma apresentação explícita de Jesus Cristo e seu sacrifício pelos nossos pecados como o fundamento da evangelização cristã. O arrependimento aparece no filme de forma bem superficial e o conceito de perdão exclui qualquer idéia de restituição. A experiência do jovem que enriqueceu com o tráfico e depois mudou de vida é bem diferente da experiência de Zaqueu que enriqueceu com a cobrança ilícita de impostos, mas que a sua conversão implicou em restituir a quem defraudou (Lc 10).

No filme, os cristãos não gostam de ser chamados de cristãos, mas apenas de “homens e mulheres de fé”, como acontece no caso das igrejas emergentes. Ainda há um toque explícito justificador da teologia da prosperidade, quando o pastor auxiliar da igreja estaciona sua belíssima Lamborguine branca no estacionamento da mega-igreja que os personagens freqüentam. Questionado sobre sua opulência, respondeu com ironia: “_Da última vez que li a Bíblia, ela não disse que era pecado ter estilo”.

Valores cristãos bíblicos como singeleza, simplicidade, frugalidade (relativo a frutos, sóbrio, comedido, simples, modesto) parecem não fazer parte do ensino bíblico sobre a vida cristã. Por isso, a obra missionária mundial definha em muitos lugares à medida em que a teologia da prosperidade avança nos países de maioria cristã. Igrejas grandes, carros caros, casas grandes e luxuosas vão tomando o lugar da fé simples em nossos corações. A secularidade avança sobre nós e nos seduz dizendo o tempo todo: _ Por que não usufruir? Por que não se permitir?! Enquanto em nossos olhos brilham reluzentemente os cifrões do Tio Patinhas.

Filmes como esse nos mostram claramente o fracasso espiritual da Teologia da Prosperidade, que embora seja pintada e filmada com glamour num enredo de vitória e sucesso, na verdade subverte a honra e a glória que são devidas unicamente a Cristo. O caminho da glória da Teologia da Prosperidade não é o caminho da cruz do Evangelho de Cristo, porque o primeiro busca a aprovação dos homens, enquanto o segundo serve unicamente à glória de Deus.

Com amor, Pr. Hélio.

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Fonte: Blog do autor
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Deus Absconditus ou deus "Agnósticus"?

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Por Rev. Hélio de Oliveira Silva


O redator-chefe, Gerard Biard, defendeu a publicação da nova edição do Charlie Hebdo no domingo 18/01 afirmando que “cada vez que desenhamos a caricatura de Maomé, de profetas, de Deus, defendemos a liberdade de religião”, disse. “Deus não deve ser uma figura política ou pública, mas sim privada.” (veja aqui, acesso em 21/01/2015). Esse comentário publicado pela Folha diz respeito à destruição de duas igrejas presbiterianas brasileiras na capital do Niger no sábado, dia 17/01, como represália muçulmana à nova edição do jornal.

Há duas incoerências contraditórias nessa dupla afirmação. Primeiramente, como a sátira irônica e ácida travestida de humor pode servir na defesa do que quer que seja, especialmente a religião? O único objetivo desse tipo de humor negro é denegrir o caricaturado! Em segundo, quando foi que Deus franqueou à humanidade o direito de lhe dizer como ele deve ser conhecido e adorado? O Deus absconditus (secreto, que vê em secreto) das Escrituras não é o deus “agnósticus” (que não pode ser conhecido) do secularismo.

Deus se deu a conhecer por meio da revelação que faz de si mesmo de forma geral na criação, pois os céus proclamam a sua glória e as suas obras (Salmo 19.1) como também de forma especial e específica nas Escrituras (2 Pe 1.20,21; 2 Tm 3.14-16) e plenamente em Jesus Cristo, que é a expressão exata de seu ser (Cl 1.15,19; Hb 1.3). Nunca pertenceu ao homem a prerrogativa de escolher como e quando conhecer a Deus, Ele simplesmente veio e vem a nós para revelar-se. Só pode conhecer o Pai aquele que o Pai deixar conhecê-lo e aquele a quem o Filho o quiser revelar (Mt 11.27; Lc 10.22).

Não cabe aos cristãos defender um conhecimento privativo de Deus e nem aceitar o conceito secularizado de uma religião privada, particular e sem expressão pública. Deus se revelou para que fosse conhecido e adorado por todas as nações que precisam conhecê-lo (Sl 100.1). A adoração ao seu nome é tanto particular quanto pública, aberta ao conhecimento de todos que precisam de sua graça e receber o seu convite para nos libertar de todos os tipos de escravidão, inclusive a escravidão de nossas consciências; seja por meio da intimidação das armas ou da ridicularização impressa de nossas crenças!

Com amor, Pr. Hélio.

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Sobre o autor: Rev. Hélio de Oliveira Silva é Bacharel em Teologia (BTh-SPBC-1990). Mestre em Teologia Histórica (STM-CPPGAJ/2004). Bacharel em Teologia (Convalidação - FAIFA/2011). Pastor em Uruaçu-GO (1991-94); Rubiataba-GO (1995-96); Goianésia-GO (1997-98); Aparecida de Goiânia-GO (1999-2001); Pastor auxiliar na Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia (2002-14 - C.P.Balneário Meia Ponte [2002-2007] e C.P.Jd. Goiás [2008-2010]). Pastor auxiliar na I.P.Jd. Goiás (2015...). Professor no SPBC desde 1999 onde leciona atualmente Homilética, Prática de Pregação, História do Pensamento Cristão, História da IPB, História das Missões. Membro da Assembléia da Agência Presbiteriana de Missões Transculturais (APMT/IPB - quadriênio 2010-2014) e Associação de Professores de Missões do Brasil (APMB) desde 2008. Co-autor do livro Interpretação e Pregação (Ed. Logos - 2005) e Números - O Juízo e a Graça de Deus na Peregrinação de Seu Povo (Ed. Primícias - 2012). Casado com Ednéia. Pai de Lívia Sally e Joice.

Fonte: Anunciando Todo o Desígnio de Deus
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