Desmistificando o conceito de fé e profecias do neopentecostalismo

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Por Lucas Rosalem


2.4 TAMANHO DA FÉ

Em Mateus 13:32, Jesus diz que o reino de Deus é semelhante a uma semente de mostarda, que, apesar de pequena se transforma em uma grande árvore. Olhando essa passagem o ensino de Jesus fica mais claro: o reino de Deus parecia ser insignificante, mas assim como a semente de mostarda cresce e se transforma em uma planta que pode atingir 3 metros de altura, assim aconteceria com o reino de Cristo. Há 5 passagens onde Jesus cita o grão de mostarda, 3 delas são uma comparação com o reino e 2 com fé, mas em nenhuma delas existe a palavra “tamanho”.

Apesar de algumas traduções trazerem “tamanho do grão de mostarda” (NVI e NTLH), a Bíblia não diz que a nossa fé tem que ter tamanho, muito menos compara o tamanho da fé com o tamanho da mostarda. Tanto o texto de Lucas 17:6, quanto a de Mateus 17:20 no Grego (o idioma em que foram escritas) trazem o seguinte:

ει (Se) ειχετε (tiverdes) πιστιν (fé) ως (como) κοκκον (grão) σιναπεως (mostarda).
Se tiverdes fé como grão de mostarda.

Nas passagens sobre fé Jesus comparou o próprio grão de mostarda com a fé, não o tamanho dele. Jesus estava ensinando sobre a semelhança da fé e uma pequena semente. A semente parece pequena, parece pouca coisa, mas é só disso que precisamos para plantar e assim é a nossa fé!

Os discípulos pediram a Jesus para que Ele aumentasse a fé deles. Jesus dá uma resposta que deixa claro a irrelevância do tamanho da fé. Ele usa como exemplo comparativo uma pequena semente de mostarda. O poder da operação do milagre não está na fé, mas em quem a fé é depositada: Deus! Você pode ter uma fé do tamanho de um caroço de abacate; mas, se a sua fé está firmada no saci-pererê, ela não valerá de nada! Não terá efeito, porque o saci-pererê nada pode fazer por você. Se a sua pequenina fé, tão pequena quando um grão de mostarda, está firmada no Deus vivo, a história é outra. Deus tem poder para operar o milagre independente de sua fé. Vou repetir: Quem opera o milagre é Ele, não a sua fé! (André R. Fonseca) [1]

É comum vermos pessoas dizendo que estão orando com muita fé, enquanto na verdade estão apenas pedindo com muita vontade. Ao invés de pedirem pela vontade de Deus, imploram ao vento que suas vontades sejam satisfeitas. Afinal, orar com muita vontade é orar com fé? Isso nos leva ao próximo item.

2.5 ORAR COM FÉ

A Bíblia diz que a oração eficaz é a oração feita com fé. Mas o que é orar com fé?

Irmão, não confunda fé com pensamento positivo. Pensar positivo é algo ótimo, aliás, otimismo é ótimo! Mas isso no máximo é sobre esperança e não sobre fé. Orar com otimismo não é orar com fé! Na verdade o otimismo confundido com fé é algo muito prejudicial à vida de um cristão, isso se chama Confissão Positiva e é uma confusão antibíblica que vamos falar um pouco mais à frente, mas grave essa expressão e pesquise melhor sobre ela quando puder. Continuando:

Deus requer fé da parte dos que oram (Hb 3:12; 11:6; Jer 29:12-14; Tg 1:5-8; 5:15). Esta fé é uma simples confiança de que Deus existe, que ele nos aceitou plenamente em Cristo e que é poderoso para nos dar aquilo que pedimos, ou então, nos dar muito mais do que imaginamos (Hb 4:14-16). Orar com fé é trazer diante de Deus nossas necessidades e descansar nele, confiantes que ele responderá de acordo com o que for melhor para nós (1 Jo 5:14-15). Orar com fé não significa determinar a Deus que cumpra nossos pedidos, ou decretar, como se a oração tivesse um poder próprio, que estes pedidos aconteçam. Orações não geram realidades espirituais e nem engravidam a história. É Deus quem ouve as orações e é Ele quem decide se vai respondê-las ou não, e isto de acordo com sua vontade e propósito de sempre nos fazer bem. (Rev. Augustus Nicodemus Lopes).[2]

A fé que a oração precisa ter está tão somente relacionada ao poder e à vontade do Pai, jamais ao desejo do coração do homem, independente de ser um desejo bom ou ruim. Ou seja, quando a Bíblia fala sobre orar com fé, ela está dizendo que a oração deve ser fundamentada no alcance do poder de Deus, mas não está dizendo que essa oração vai obrigar Deus te obedecer. Portanto, oremos com fé no poder de Deus e esperança de que Ele nos conceda a graça que precisamos!

A oração não muda as coisas, Deus é que muda as coisas através da oração. É nisso que você precisa crer: que Deus pode mudar as coisas conforme Ele deseje. Assim como a Graça é o meio pelo qual somos salvos, a oração é o meio pelo qual Deus opera certas bênçãos, e ambos os meios são eficazes mediante a fé.

Já sabemos que: 1) nossas palavras não tem poder especial; 2) gritar frases de efeito como “eu determino” ou “eu tomo posse” não tem força espiritual; 3) repetir as frases é vão; 4) pensar positivo não é ter fé; 5) orar com muita vontade de ser atendido não é orar com fé. Falta falarmos sobre profetizar.

2.6 PROFETIZAR

O que é profetizar? Será que estamos profetizando quando declaramos algo com vontade, desejo e força ou será que esse é um entendimento equivocado sobre profecia? Estamos levando em conta o que Deus disse sobre “profetizar falsamente em meu nome”?

A ideia de profetizar as coisas que queremos ao invés de batalhar por elas ou de simplesmente orar é algo tentador, mas antes vamos ler algumas passagens bíblicas para ponderarmos a respeito:

"Eu não os enviei!", declara o Senhor. "Eles profetizam mentiras em meu nome. Por isso, eu banirei vocês, e vocês perecerão juntamente com os profetas que lhes estão profetizando". Jeremias 27:15
Muitos me dirão naquele dia: 'Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?' Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês que praticam o mal! (Mateus 7:22-23)
Pois tais homens são falsos apóstolos, obreiros enganosos, fingindo-se apóstolos de Cristo. Isso não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz. Portanto, não é surpresa que os seus servos finjam ser servos da justiça. O fim deles será o que as suas ações merecem. (2 Coríntios 11:13-15)
Mas o profeta que ousar falar em meu nome alguma coisa que não lhe ordenei, ou que falar em nome de outros deuses, terá que ser morto". Mas vocês perguntem a si mesmos: "Como saberemos se uma mensagem não vem do Senhor?" Se o que o profeta proclamar em nome do Senhor não acontecer nem se cumprir, essa mensagem não vem do Senhor. Aquele profeta falou com presunção. Não tenham medo dele. (Deuteronômio 18:20-22)

Por favor, me diga que leu com atenção esses versículos! Se não leu direito, leia-os novamente, amado!

Se você vive dizendo “eu profetizo” sempre que quer muito alguma coisa, me diga: o que você profetiza sempre se cumpre? Pense comigo, se alguma vez na vida você já profetizou algo que não se cumpriu com exatidão, você nessa situação foi um falso profeta. A Bíblia declara que quem profetiza falsamente merece a morte. Isso é muito sério. Se for seu caso, se arrependa e peça perdão ao nosso Deus, pois ele é fiel e justo para perdoar pecados.

Se você lê as passagens bíblicas sobre os profetas e pensa que tudo acontecia pela força da palavra deles, você está muito enganado.

Quando um profeta fala algo em nome de Deus, só pode ser duas coisas: 1) Ordem direta de Deus (palavras que o próprio Deus o mandou dizer); 2) Mentira do falso profeta (vontades do coração do homem);

Quando lemos uma profecia nas Escrituras, sabemos que cada palavra que o profeta falava tinha de proceder de Deus, ou ele seria um falso profeta (Nm 22:38; Dt 18:18-20; Jr 1:9; 14:14; 23:16-22; 29:31,32; Ez 2:7; 13:1-16). Alguns leem a passagens como 1 Reis 17:1 e não compreendem o texto, acham que o poder está na palavra do profeta ao invés da profecia ser um simples comunicado de Deus pela boca de um homem. Veja a passagem que mais confundem: “Vive o SENHOR Deus de Israel, perante cuja face estou, que nestes anos nem orvalho nem chuva haverá, senão segundo a minha palavra” (1 Reis 17:1).

Será que Elias tinha poder? Eram realmente as palavras dele que compunham uma profecia e que dava valor espiritual a ela? Vamos ler uma outra passagem de uma ocasião que ocorreu depois dessa e ver como as profecias aconteciam e de onde vinha realmente o poder e a decisão, atenção ao meu grifo:

"O SENHOR Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, manifeste-se hoje que tu és Deus em Israel, e que eu sou teu servo, e que conforme a tua Palavra fiz todas estas coisas” (1 Reis 18:36).

Se até Elias afirmou que tudo que profetizava era conforme o que Deus o orientava diretamente, imagine só nós, meros humanos, achando que profetizamos o que queremos. Elias sempre agiu em conformidade com a ordem direta de Deus, não com pensamento positivo. Desejar não é profetizar. O fato de você usar a palavra "profetizo" numa frase não faz de você um profeta e muito menos faz da sua prece uma profecia. Isso no máximo, como já vimos, seria uma falsa profecia e faria de você um falso profeta. Tenhamos temor de Deus.

Talvez não seja seu caso, mas sabemos que muitos mal-intencionados se trajam de pastores com palavras de vitória e satisfação pessoal pra falar em nome de Deus, que eles não conhecem e que não os reconhecerá no Dia do Juízo (Mateus 7:22). A Bíblia ainda diz que falsos profetas fariam sinais e maravilhas enganando até os eleitos se possível! Se não acredita, leia Mateus 24:24.

Algumas pessoas talvez não acreditem mesmo nisso, pois hoje é algo tão frequente que parece não as incomodar. Será que a igreja está se acostumando com falsas profecias? As falsas profecias dão consolo momentâneo e com os dias as pessoas se esquecem delas, mas mesmo quando se lembram e percebem que foi uma falsa profecia, as pessoas não se manifestam mais!

Jamais aceite uma profecia que tenha origem na vontade humana. Profetizar não é declarar "em nome de Jesus" algo que Ele não disse (2 Pedro 1:21). Se o povo de Deus começasse ler mais a Bíblia veria o que realmente Deus está te dizendo e jamais ficaria sem resposta!

A fonte de toda profecia verdadeira na história nunca foi a decisão ou desejo do homem a respeito do que ele queria, mas os desígnios do próprio Deus.

Profecia a esmo, jogada ao vento não é profecia! As profecias bíblicas são específicas, e não o que normalmente vemos por aí! Querem ver profecias? Leiam as suas Bíblias, encham a cabeça com o Evangelho, se saturem de Cristo, e depois (se é que vão precisar) pensem em profecias extrabíblicas. (Jackson Jacques).[3]

“Quer ser um profeta de Deus? Cave a fundo as Escrituras Sagradas e proclame fielmente a mensagem de Deus!” (Roberto de Carvalho). [4]

2.7 CURAS E MILAGRES

Poderia escrever vastamente sobre esse assunto, mas o livro não é sobre isso, então vou fazer considerações básicas e óbvias a partir dos itens anteriores.

Profetizar, decretar, determinar ou ordenar uma cura é uma das formas de percebemos que não temos realmente nenhuma autoridade espiritual que não venha da decisão e vontade de Deus. Quando uma pessoa não é curada em sua igreja, mesmo com várias pessoas tendo "profetizado" a cura ou “determinado” e “tomado posse”, o que você pensa ter sido o problema? O cristão que não tem uma boa compreensão da Palavra sempre clamará pela bênção da forma errada, como se Deus tivesse alguma obrigação para com ele, mas quando não receber a bênção, vai sempre procurar um motivo para justificar essa espécie de derrota. Há cristãos que oram pensando de uma forma e depois se justificam de outra. Oram exigindo, mas ao não receberem, arranjam desculpas ao invés de se voltarem para a Bíblia e ver o que exatamente ela diz e quais são as promessas legítimas de Deus para nós.

Afinal, podemos orar por cura? Sim, devemos! A oração é um meio pelo qual Deus concede misericórdia mediante a fé de quem ora. Então fica a dúvida: por que a maioria das curas não acontece, mesmo com muita oração? Por que essa dúvida sempre aparece na mente do cristão, se a Bíblia tem tantas evidências claras? Será que esquecemos que Deus disse a Paulo que a Sua Graça lhe era suficiente depois dele orar para que Deus lhe tirasse um espinho na carne? Se não estiver nos planos de Deus, a cura não vem e pronto. Não sabemos os propósitos do Senhor. Eliseu, ainda depois de morto, ressuscitou um homem que caiu em cima de seu corpo! É lindo isso, mas parece que ninguém percebe o texto anterior que fala que Eliseu morreu de doença (2 Rs 13:14).

Vemos também o amigo de Paulo, que andava por todo canto com ele, vendo curas e talvez até as ministrando junto com o apóstolo (2 Tm 4:20 / 2 Co 12:9), no entanto, também não recebeu e obviamente eles tinham fé, ainda mais que nós hoje. Cristo orou “Pai não seja a minha, mas a tua vontade” (Lc 22:42); Paulo pediu cura e, quando não recebeu, conformou-se e glorificou a Deus, entendendo que o problema era exatamente para mantê-lo forte em Deus (2 Co 12:9).

Veja esse outra passagem: “Não bebas mais água só, mas usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades.” (1 Timóteo 5:23)

É um claro exemplo bíblico para nós de que muitos não serão curados, mas ainda assim alguns lobos, falsos mestres que saqueiam a noiva de Cristo, continuarão dizendo que todo cristão deve ser curado, e quando a cura não vem, logo colocam a culpa na falta de fé do doente. Poderiam dizer isso de Paulo, Timóteo e Eliseu?

Alguns maus ministros ensinam "exigir, determinar, decretar e ordenar a bênção", enquanto a Jesus, Paulo, Tiago e todo o restante da Bíblia ensinam a pedir. A Bíblia mostra ainda alguns casos em que a pessoa curada nem fé exercia! O cego do tanque de Betesda foi curado por Jesus sem ter fé e sem ao menos conhecê-lo; leia João 5: 8-13.

O cristão deve buscar em Deus a cura, deve clamar pelas bênçãos do Pai, deve perseverar, assim como Davi, homem segundo oração de Deus (Atos 13:22) e assim também compreender que o milagre que tanto queremos, mesmo clamando com persistência, pode não acontecer, pois em 2 Samuel 12 vemos o drama do rei Davi que clamou em jejum durante dias para que Deus curasse seu filho recém nascido, mas a cura não veio e a criança morreu.

O pastor Lécio Contu escreveu: “Deus não é o gênio da lâmpada, não somos o Aladim e oração não é magia!” [5]

Podemos orar por milagres, claro! Mas não podemos ignorar fatos que sabemos sobre profetas, apóstolos e outros homens santos da Bíblia; não podemos ser egocêntricos, achando que os planos de Deus estão baseados em nossos caprichos; não faz sentido ter tanto orgulho a ponto de pensar que Deus está em dívida e tem dia marcado pra se apresentar prontamente a curar e tampouco devemos deixar falsos profetas enganarem irmãos fracos na fé e no conhecimento, que são levados em roda por todo vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente.” (Efésios 4:14).

Há curas, há milagres, jamais desacredite! Mas os milagres são pra exaltar o nome de Deus, não pra fazer nossa vontade. É por isso que Cristo orientou na oração do Pai Nosso: Seja feita a Sua vontade. Se é no Deus da Bíblia que nós acreditamos, então devemos, sim, pedir por cura, mas assim como na Bíblia, a cura pode não vir, ainda assim glorificaremos ao Deus de João 3:16, Romanos 3:24, Efésios 1:5, Romanos 5:8 e 1 João 4:16. Amém!

SOBRE FÉ

A fé não é um sentimento ou uma sensação. Ter fé não consiste em esperar, mas em ter fundamento para o que se espera. Ter fé é crer confiantemente que Deus é poderoso para intervir a seu favor.

A fé cristã é confundida por alguns com convencimento mental: “eu estou convencido disto, logo Deus está obrigado a agir”. Isso pode até ser fé em si próprio, mas não em Deus, não nas promessas, não na Sagrada Escritura. É preciso salientar que a fé cristã não está em insistir com Deus em nossos desejos pessoais, mas clamar a Ele que cumpra em nós Sua vontade.

Um dos enganos que as pessoas têm atualmente é colocar fé na fé e não fé em Deus. Fé é confiar em Deus, no Seu poder e na Sua vontade e não em nossa própria capacidade de confiar em Deus. Orar com fé não é orar com poder, é orar confiante no poder de Deus. (Vinicius Musselmann).[6]

Alguém irá perguntar: mas fé não é a certeza daquilo que nós esperamos?

Fé não é só isso. Isso é uma característica da fé. O versículo é uma descrição sobre quem tem fé e não um conceito sobre fé. A fé é o alicerce da vida cristã e é disso que o versículo trata. Entende a diferença? Vamos ver o versículo: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem.” (Hebreus 11:1). O versículo está dizendo que a fé é o que sustenta e fundamenta o que nós pedimos e esperamos. Não é uma definição de fé, ou seja, ele não está dizendo o que significa fé, mas diz que esperar está baseado na fé.

Outro detalhe é que “esperar” tem mais a ver com esperança. O versículo, em outras palavras, diz: “Quando você tem certeza de algo que está esperando, isso é fé”. No entanto, não temos como ter certeza de algo que nunca foi prometido a nós (como coisas corriqueiras do dia-a-dia), então oramos com esperança, como sugere o texto de Romanos 8:24-25: “Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos.”

A fé não consegue tudo. Isso porque ter fé é acreditar que Deus tem poder, mas não que Ele de fato fará o que eu quero, pois isso é outra coisa: esperança. E essa é a maior confusão que costumamos fazer. A fé cristã é basicamente crer sem dúvidas nas promessas bíblicas. Assim como nossa esperança está fundamentada na fé, nossa fé deve estar firmemente fundamentada e se você é cristão, seu único fundamento é a própria Bíblia, não suas necessidades, objetivos e vontades pessoais. Um entendimento equivocado da fé bíblica fará com que sua oração seja egoísta, arrogante, hipócrita e sem fundamento. Aliás, fundamentada em você mesmo ao invés da Palavra.

Mas apenas conhecer a visão teológica sobre o assunto não nos tornará cristãos de oração. A condição de quem ora é fator crucial para a eficácia da oração. 

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Notas:
[1] André Fonseca. Disponível em: < www.andrerfonseca.com/2012/10/resposta-ao-leitor-ungir-com-oleo.html > Acesso em: 18 maio 2014.
[2] Disponível em:
< www.facebook.com/AugustusNicodemusLopes/posts/621380551247693 > Acesso em: 21 junho 2014.
[3] Disponível em: < http://goo.gl/cXMgUJ > Acesso em: 27 julho 2014.
[4] Disponível em: Acesso em: 27 julho 2014.
[5] Fonte: A oração dos filhos de Deus, Lécio Contu, p.44.
[6] Disponível em: < http://voltemosaoevangelho.com/blog/2011/05/pve-devemos-ungir-com-oleo/ > Acesso em: 20 julho 2014. 

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Artigo gentilmente cedido pelo autor ao blog Bereianos. O texto faz parte do livro "400 Metros de Oração" o qual recomendamos.

Fonte: 400 Metros de Oração
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Palavras: a vida e a morte na ponta da língua

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Por Leonardo Dâmaso

Texto base: Provérbios 18.21

Introdução

A palavra provérbio significa “ser como”. Basicamente, um provérbio é uma sentença em poucas palavras que expressa grandes verdades. Os provérbios são declarações (ou ilustrações) morais simples que ressaltam e ensinam a realidade da vida.

Todavia, o livro de Provérbios retrata em forma de comparações a vida cotidiana com suas verdades mais profundas. Os provérbios são diretrizes práticas, ou seja, princípios básicos de Deus para que o homem os observe. Em outras palavras, são “ditos práticos” criados para levar os homens a refletir sobre o temor de Deus e viver a vida estabelecida pelo padrão da sabedoria divina.

Não obstante, duas características comuns no livro de Provérbios é o emprego da linguagem figurada e o uso extensivo de paralelismos. Os assuntos incutidos em provérbios não costumam seguir uma ordem sequencial em seções como é usualmente no Novo Testamento. Por vezes, um mesmo assunto não é trado apenas em um capítulo ou trecho, mas em outros capítulos em diversos trechos. Por isso, 5 cuidados devem ser tomados ao interpretar o livro de Provérbios:

1) Traçar o paralelismo, ou seja, encontrar o assunto tratado em outros capítulos do livro. 2) Identificar as figuras de linguagem e parafrasear o pensamento ali contido sem as figuras para que haja o entendimento correto. 3) Resumir a lição transmitida pelo provérbio em poucas palavras. 4) Descrever a orientação ensinada. 5) Encontrar outros exemplos do provérbio em voga em outras partes da Escritura.

De forma breve, senão vejamos algumas informações necessárias sobre o livro de provérbios que devem ser ressaltadas.   
       
1. O autor do livro de Provérbios

O título de provérbios na bíblia hebraica e na septuaginta [versão grega do Antigo Testamento] é “Provérbios de Salomão”. Esta expressão não afirma absolutamente a autoria, mas define especificamente o título do livro.

Todavia, Salomão foi um dos reis de Israel. Ele sucedeu o seu pai Davi no trono, após sua morte. Salomão governou Israel de 971 a 931 a.C.. É mencionado na Escritura que ele recebeu grande sabedoria de Deus (veja 1Rs 4.29-34), sendo o homem mais sábio que já existiu em toda a história.

Uma vez que Salomão é indubitavelmente o autor da seção didática que abrange os capítulos 1–22.16, por outro lado, é bem provável que ele seja apenas o compilador “das orientações dos sábios”, que abarca os capítulos 22.17–24.34, que pertencem a uma data incerta anterior ao reinado de Salomão.

A compilação dos capítulos 25–29 foi escrita por Salomão (25.1), porém copiada e incluída mais tarde pelos homens de Ezequias, o rei de Judá (715-686 a.C.). Os provérbios de Salomão foram escritos antes dele se afastar de Deus (1Rs 11.1-11), e reunidos em sua forma final na época do rei Ezequias ou pouco depois, os quais foram preservados pelo ensinamento oral. 

2. A data em que o livro de Provérbios foi escrito

A maior parte do livro de provérbios reporta ao século 10 a.C., no período da monarquia em Israel. A paz e a prosperidade que caracterizaram o período eram bem adequadas para o desenvolvimento da sabedoria reflexiva e para a produção de obras literárias. De acordo com vários estudiosos, os ditados dos sábios, em 22.17–24.22, têm semelhanças com as 30 seções da Sabedoria de Amenemope, obra sapiencial egípcia mais ou menos da mesma época de Salomão.

De igual forma, a personificação da sabedoria, tão realçada nos capítulos 1–9, pode ser comparada com a personificação de ideias abstratas contidas na literatura da Mesopotânia e do Egito no segundo milênio a.C.. Tais obras eram bastante conhecidas pelo povo de Israel. Assim, várias seções de provérbios foram compiladas e editadas entre 715 e 686 a.C.  
          
3. O público do livro de Provérbios

Conforme é dito no prólogo 1.1-5, o livro de provérbios não foi escrito e designado somente aos simples, aos jovens da corte do rei e aos sábios. Antes, o livro de Provérbios foi endereçado a todos os crentes de todas as épocas.  

4. O propósito do livro de Provérbios

A razão do livro de provérbios é ensinar a prudência aos simples, transmitir conhecimento e bom senso aos jovens inexperientes e aperfeiçoar o conhecimento dos sábios. Tudo isso através de inúmeras orientações positivas e negativas que devem ser praticadas no dia a dia (veja, como exemplo, 1.8,10; 2.1; 3.1,5; 4.1; 5.1).  

5. O tema do livro de Provérbios

Vários temas importantes são destacados em provérbios. Estes temas são apresentados aleatoriamente e tratados em diferentes tópicos. Assim, vemos no livro de provérbios assuntos que envolvem:

    a) O nosso relacionamento com Deus, o qual é caracterizado pela nossa confiança (22.19); pela nossa humildade (3.34); pelo temor a Deus (1.7); pelo nosso pecado pessoal (28.13); pelas provações que passamos (17.3), etc.

     b) O nosso relacionamento individual, o qual é marcado pelo nosso caráter (20.11); por nossas palavras (18.21); pelo nosso autocontrole (6.9-11); pelo nosso orgulho (27.1); pela nossa ira (29.11); pela nossa preguiça (13.4), etc.

      c) O nosso relacionamento com os outros, o qual é demonstrado pelas nossas amizades (17.17); pelos nossos inimigos (16.7); pela nossa honestidade (23.23); como pai que somos (20.7; 31.2-9); como mãe que as mulheres são (31.10-31); como filho que somos (3.1-3); na educação de nossos filhos (4.1-4); na disciplina deles (22.16), etc.

6. O reflexo do livro de provérbios no Novo Testamento 

Há evidências de que o Senhor Jesus, Pedro e Paulo fizeram alusões e extraíram citações de provérbios para seus ensinos práticos.

     a) A influência do livro de provérbios nos ensinos de Jesus

As palavras de Jesus censurando os fariseus e escribas que desejavam por vaidade os primeiros lugares nos banquetes e nas sinagogas, em Mateus 23.6-7 e Lucas 20.46-47 estão intimamente relacionadas com Provérbios 25-6-7.      
      
A parábola do rico insensato, descrita em Lucas 12.15-20, está retratada em Provérbios 27.1. A parábola dos dois construtores, em Mateus 7.24-27, têm como base Provérbios 14.11. É importante salientar que toda a sabedoria contida no livro de Provérbios está personificada e escondida no Senhor Jesus (1Co 1.30; Cl 2.3); ou seja, Jesus é a própria sabedoria divina! 

     b) A influência do livro de provérbios nas cartas de Pedro

Ao que parece, Pedro foi o escritor do Novo Testamento que mais fez alusões ao livro de provérbios em suas cartas. Podemos notar isso comparando 1 Pedro 2.17 com Provérbios 24.21; 1 Pedro 3.13 com Provérbios 16.17; 1 Pedro 4.8 com Provérbios 10.12; 2 Pedro 2.22 com Provérbios 26.11.

     c) A influência do livro de Provérbios nas cartas de Paulo

Paulo também fez uso de Provérbios, citando o capítulo 25.21-22 em sua carta aos Romanos 12.20, e provérbios 8 em 1 Coríntios 1.24. 


Explanação

1. As palavras são um dom inefável de Deus

As palavras, além de ser um meio de comunicação, é, sobretudo, um dom de Deus. A linguagem não é um produto da cultura que as pessoas adquirem da mesma forma que distinguem as demais coisas no mundo, como entender a política, o método de se administrar uma empresa, como é feita a pintura de um carro, dentre outras coisas.

Antes, as palavras ou a capacidade da fala é uma parte distinta da constituição biológica do cérebro criada por Deus para os homens e mulheres fazerem uso de modo apropriado. Portanto, as figuras aplicadas às palavras no livro de provérbios demonstram o valor desse dom divino que não apenas deixamos de utilizá-lo como é devido, como também desperdiçamos e abusamos dele constantemente.

2. O poder das palavras

Aquilo que dizemos às pessoas ao nosso redor pode causar efeitos positivos e negativos. O conteúdo de nossas palavras pode fazer bem ou mau àqueles que nos ouvem. Acerca disso, Provérbios 18.21 ressalta: A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto.

Segundo os adeptos da confissão positiva triunfalista ou do ato de profetizar e determinar bênçãos, isto é, os pentecostais e neopentecostais, este texto faz alusão ao poder que existe na palavra, na declaração verbal. Se alguém profere palavras negativas para si mesmo e para os outros, ambos irão obter efeitos negativos na vida.

Da mesma forma, se alguém profere palavras positivas para si mesmo e para os outros, ambos irão obter efeitos positivos na vida. Contudo, esta não é a interpretação adequada. Este segundo provérbio do bloco maior (18.12-21) que, além de fazer par com o primeiro (18.20), o complementa. Os dois provérbios acentuam a cautela no falar e os efeitos saudáveis e prejudiciais de cada palavra proferida. O discurso benéfico produz resultados que favorecem quem fala; o discurso nocivo produz resultados que prejudicam quem fala.    
       
Nessa mesma linha de pensamento, Antônio Pereira da Costa Junior escreve:

Este versículo explica que devemos ter o cuidado de que nossas palavras não venham a nos trazer situações embaraçosas. Temos que saber como dizer as coisas, pois certamente colheremos situações que são causadas por nós mesmos. No entanto, este versículo não dá margem para dizer que são as palavras em si que nos dá o controle das circunstâncias da nossa vida. São situações específicas e não o destino do ser humano que é traçado pela verbalização dos nossos desejos interiores. 

Senão vejamos dois conceitos de vital importância acerca do poder que as palavras possuem no livro de Provérbios.    

       
a) As palavras têm o poder de expressar o mal

     i. As más palavras divulgam a mentira

A mentira é a transgressão do nono mandamento descrito em Êxodo 20.16. Provérbios 12.22 declara: Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor. Mas o que agem fielmente são o seu prazer. De modo mais claro – O Senhor Deus detesta os mentirosos, porém ama os que dizem a verdade. (NTLH)

Portanto, Salomão, aqui, censura à mentira. Quando não se pode mais confiar nas palavras por causa da mentira, a sociedade começa a se desintegrar. Os contratos são inúteis, as promessas são vazias, o sistema judiciário se torna uma farsa e todos os relacionamentos pessoais são suspeitos (Ef 4.25). 

     ii. As más palavras são promotoras de fofocas

Em Levítico 19.16, Deus ordena ao seu povo para que não ande com mexeriqueiros, isto é, pessoas que propagam fofocas. O termo mexeriqueiro (popularmente fofoqueiro) é uma tradução da palavra hebraica que significa andar por toda parte, provavelmente derivada de uma palavra que traz a ideia de um “comerciante” ou “mascate”.

O mexeriqueiro refere-se a alguém que divulga escândalos, que profere palavras com a deliberada intenção de ferir ou magoar, e não apenas como quem fala sem pensar. Assim, não é bom que tenhamos laços de amizade com pessoas ardilosas (Pv 20.19).  

Todavia, o “fofoqueiro” é uma pessoa maliciosa que anda por toda parte propagando intrigas. Provérbios 11.13 diz: O mexeriqueiro descobre o segredo, mas o fiel de espírito o encobre.

O “fofoqueiro” é alguém que fala demais! Por isso, ele acaba descobrindo segredos alheios. Pessoas ingênuas costumam confiar demais nas pessoas. Não é bom confiar em uma pessoa sem que ela tenha demonstrado que seja alguém de confiança. A pessoa de bom senso (ou discreta) evita revelar seus segredos e planos para qualquer um. Desse modo, devemos ter cuidado com os “fofoqueiros”, pois são pessoas que podem fazer grandes estragos com suas intrigas.  

     iii As más palavras despertam a ira

Provérbios 29.22 – O iracundo levanta contendas, e o furioso multiplica as transgressões.” Ou seja, o homem irado provoca brigas, e o de gênio violento comete muitos pecados. (NBV)

Ao invés de tentar resolver de maneira pacífica uma situação prestes a gerar uma briga, a pessoa colérica, isto é, irada, coloca lenha na fogueira para que aconteça a briga, quer seja de natureza verbal ou corporal (Pv 26.21; 29.22; 15.1). Muita gente tem o coração eivado pela raiva, mas exteriormente finge estar em paz com as pessoas ao redor encobrindo sua raiva com palavras hipócritas (Pv 26.23).

Se interiormente estamos com raiva de alguém, todas as nossas manifestações e declarações copiosas de amizade e amor não passam de um “verniz fino sobre barro comum”. Em outras palavras, estamos encobrindo o que há de pútrido dentro de nós com o veludo mais fino (tecido de seda, algodão ou lã macio).   
   
     iiii. As más palavras destroem vidas

Se as palavras são usadas de modo negativo, a consequência será negativa. As palavras, não usadas adequadamente para a glória de Deus, podem arruinar vidas ao nosso redor (veja Tg 3.5-12).

Tiago apresenta algumas analogias para descrever a natureza da língua. Primeiro, ele utiliza a analogia do fogo para enfatizar o poder destrutivo da língua (vs.5-8); segundo, ele compara a língua como um veneno de uma cobra peçonhenta que pode “matar” quem for atacado por ela (vs.8). No trecho composto pelos versículos 9-12, Tiago mostra a incongruência no uso da língua através de três ilustrações da natureza (um rio de água doce, árvores e o mar).

A pessoa que utiliza as palavras de forma indevida amaldiçoando ou praguejando o seu próximo peca contra Deus infringindo os preceitos das Escrituras. Embora seja um órgão pequeno, a língua tem o poder de controlar toda a vida da pessoa e influenciar todas as esferas da vida (Pv 11.9a).

b) As palavras têm o poder de expressar o bem

      i. As boas palavras promovem a paz

Provérbios 15.1a salienta que a resposta branda desvia o furor. Em outras palavras, a resposta delicada acalma o furor, mas a resposta dura aumenta a raiva.” (NTLH)

O versículo 1 dá prosseguimento ao que foi dito anteriormente no capítulo 14.35. Salomão instrui o servo a afastar a ira do rei através de uma resposta flexível e adverte o rei a não empregar palavras pungentes, ou seja, palavras permeadas de agressividade contra a incompetência do servo negligente, para que a ira que provoca infortúnios seja evitada. A resposta suave não distorce a verdade (vs.2); antes, embeleza a verdade ainda mais. A resposta dura, por sua vez, tende a divulgar a estupidez ao invés do conhecimento (vs.2). 

      ii. As boas palavras propagam a sabedoria de Deus

Provérbios 15.7 – A língua dos sábios derrama o conhecimento, mas o coração dos insensatos não procede assim.

Provérbios 16.21 – O sábio de coração é chamado prudente, e a doçura no falar aumenta o saber.

Apesar de haver muitas coisas boas e proveitosas para aprender na vida, a mais importante de todas é a sabedoria de Deus encontrada em sua Palavra (Pv 8.6-8). O principio da sabedoria é: Adquire a sabedoria; sim, com tudo o que possuis, adquire o entendimento” (Pv 4.7).

Depois de adquirirmos sabedoria, devemos compartilha-la com outros, pois - Nos lábios do prudente, se acha sabedoria” (Pv 10.13). Quer sejam pais ensinando seus filhos (Dt 6.1-13), mulheres mais velhas ensinando as mais jovens (Tt 2.3-5), ou os mestres da igreja ensinando os cristãos e a próxima geração que irá substituí-los (2Tm 2.2), a instrução correta é primordial (Pv 10.31a; 15.7a; 16.21).

Warren Wiersbe acentua com propriedade que varias pessoas que se dizem cristas são espiritualmente analfabetas quando se trata dos fundamentos da vida crista. Precisamos encarecidamente de homens que obedeçam a 2 Timóteo 2.2 e de mulheres que obedeçam a Tito 2.3-5; do contrario, teremos uma igreja ignorante.

      iii. As boas palavras colaboram para a restauração daqueles que pecaram

Provérbios 25.12 afirma: Como pendentes e joias de ouro puro, assim é o sábio repreensor para o ouvido atento.” Não é uma tarefa fácil exortar negativamente alguém que está equivocado. Devemos admoestar tal pessoa com mansidão e amor (Cl 6.1), e não com aspereza.

Adular os que estão sendo negligentes com suas responsabilidades na igreja e os que estão desobedecendo a Palavra de Deus vivendo na prática deliberada do pecado corrobora ainda mais o pecado e ainda nos torna cúmplices dos transgressores.

Provérbios 28.23 assevera: O que repreende ao homem achará, depois, mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua. Conforme traduziu a NVB: Quem repreende o próximo acabará ganhando um amigo, mas quem faz elogios mentirosos será desprezado. 

Em Mateus 18.15-20, Jesus explica o procedimento para ajudar a restaurar um irmão ou irmã que pecou. Em primeiro lugar, devemos ter uma conversa confidencial com o transgressor, confiando que Deus pode mudar o coração da pessoa. Se isso falhar, devemos tentar novamente, dessa vez, acompanhados de testemunhas.

Caso isso também falhe, aquilo que era confidencial deve se tornar público, e a igreja deve ser informada acerca da situação. Se o transgressor se recusar a dar ouvidos a igreja, deve ser excluído como se não fosse cristão. É evidente que, ao longo desse processo, devemos estar sempre em oração fervorosa, buscando o auxilio de Deus para nós e também para aqueles que estão tentando ajudar alguém na restauração. 

Provérbios 10.17 ratifica: O caminho para a vida é de quem guarda o ensino, mas o que abandona a repreensão anda errado. 

      iiii. As boas palavras ditas no momento oportuno podem solucionar inúmeros problemas

Quando proferimos palavras de consolo e ânimo no momento apropriado para quem está sofrendo, tais palavras produzem força e motivação para o fraco, abatido e desanimado.

Provérbios 12.25 – A ansiedade no coração do homem o abate, mas a boa palavra o alegra. 

Provérbios 25.11 – Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.  

Contudo, se dissermos aquilo que não deveria ser dito, por não ser o momento para tais palavras, serão apenas meras palavras de quem fala demais e não têm discernimento de quando deve falar!

Provérbios 15.23 – O homem se alegra em dar resposta adequada, e a palavra, a seu tempo, quão boa é!


Conclusão

Visto sobre o poder que as palavras possuem e que elas podem expressar bondade e maldade, e causar edificação e perturbação, como saber utilizar as palavras? Como fazemos o bom uso das palavras? Senão vejamos:

1) Pense antes de falar 

Analise primeiro o conteúdo de suas palavras antes de proferi-las. Não é bom falar tudo o que vem à mente. Fazendo isso, poderemos cometer muitos erros e causar muitos infortúnios a nós mesmos e ao nosso próximo.

Provérbios 15.28 – O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos perversos transborda maldade. 

2) Evite o excesso de palavras

O tagarela afasta as pessoas ao seu redor. Geralmente as pessoas não gostam de relacionar-se socialmente com pessoas que falam muito. Não é bom falarmos muito. Devemos ser moderados no falar. Quanto menos falamos, menos risco de pecar com as palavras. Há tempo de estar calado e tempo de falar (Ec 3.7), e os sábios percebem quando devem ficar quietos (Pv 17.28).

Provérbios 10.19 – No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente.

Provérbios 13.3 – O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína.

Salmo 141.3 – Põe guarda, Senhor, a minha boca; vigia a porta dos meus lábios.  

3) Evite as palavras impetuosas

As palavras precipitadas não apenas fazem mal a outros como também podem prejudicar aqueles que as proferem.

Provérbios 12.18 – Alguém há cuja tagarelice é como pontas de espada, mas a língua dos sábios é medicina.

Provérbios 29.20 – Tens visto um homem precipitado nas suas palavras? Maior esperança ha para o insensato do que para ele.

4) Fale com honestidade

Devemos falar palavras que promovem o que realmente somos por dentro. Jesus, censurando a hipocrisia dos líderes religiosos de seu tempo no falar coisas más, disse em Mateus 12.34 que a boca fala do que o coração está cheio. Assim como os líderes religiosos da época de Jesus, podemos falar algo de nós mesmos, o que somos e fazemos externamente, mas que interiormente não somos nada do que falamos.  

Através da sabedoria das Escrituras, saberemos utilizar as palavras certas e saberemos o momento propício para falarmos para a glória de Deus e para a promoção da bondade e da edificação do nosso próximo nos relacionamentos interpessoais.

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Fonte: Bereianos
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A séria alegria da oração cristã

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Por Richard T. Zuelch


De acordo com o falecido Herbert Lockyer, Sr. (1886-1984), em seu livro de 1959 Todas as Orações na Bíblia, há, excluindo os Salmos, 650 claras orações na Bíblia, 450 das quais têm claras respostas registradas a elas. Incluindo os Salmos (que são todas realmente orações) há um total de 800 orações nas Escrituras.

A Bíblia, portanto, está saturada de oração. As muitas pessoas piedosas que são achadas nas páginas dos Escritos Sagrados instintivamente olham para Deus a fim de suprir suas necessidades diárias, acalmar seus temores, vingá-los de seus inimigos e providenciar salvação do pecado. Isto acontece apenas pela graça de Deus o Pai, através do Senhor Jesus Cristo, no poder do Espírito Santo.

Como crentes, nós também deveríamos viver vidas impregnadas de oração. Contudo, nós, às vezes, oramos baseados em condições. Isto é algo que nosso Senhor, durante sua vida terrena, nunca fez. Nós freqüentemente esquecemos como é precioso o dom que Deus nos deu ao prometer aos seus filhos ouvir nossas orações. A fé deveria nos levar ao trono da graça em oração. Como Calvino escreveu uma vez, “a fé não é verdadeira, a menos que assevere e traga à mente o mais doce nome do Pai – e mais, a menos que abra nossa boca para livremente clamar: “Abba, Pai” (Gl 4:6; Rm 8:15) (Institutas 3:13:15).

Há vários princípios vitais que a Bíblia nos ensina a lembrar acerca da oração. Será produtivo que os lembremos.

Oração é algo ordenado por Deus para o crente

Oração não é uma atividade opcional na vida cristã. Ela é, juntamente com a própria Escritura, nosso elo com Deus. Assim como Deus nos fala através das páginas da Bíblia, ao lermos e estudarmos, assim Ele nos ordena a falar a Ele em oração. No Sermão do Monte (Mt 5:3-7:27) nosso Senhor presumiu que a oração deveria ser parte da vida do crente: “E quando orardes ...” (Mt 6:5-7, 9). O apóstolo Paulo nos diz que a oração constante é a ‘vontade’ de Deus para nós (1 Tss 5:17-18). O escritor aos hebreus pediu a seus leitores que orassem por ele (Hb 13: 18). Tiago nos informa que “a oração do justo” tem muita utilidade aos olhos de Deus (Tg 5:13, 16).

O cristão não pode viver sem oração mais do que pode viver ser respirar ou comer. Muitas vezes, nosso Senhor esteve acordado a noite inteira em oração diante do Pai. Se Ele mesmo achou que oração era uma necessidade vital em Sua vida, quão mais deveria um crente inclinar-se no peito de seu Pai celeste em oração? Deus nos convida a ter comunhão com Ele, a fim de que possa nos abençoar.

Nós dedicamos a oração a um Deus Santo

As Escrituras nos lembram que Deus é, acima de tudo, santo (Lv 11:45). Ele é inexplicavelmente santo em todos os Seus atributos e em todas as Suas ações. Do início da criação à consumação de todas as coisas, tudo que Deus é e faz demonstra a pureza de Sua absoluta santidade. “Profira a minha boca louvores ao Senhor, e toda carne louve o seu Santo nome para todo o sempre.” (Sl 145:21)

Conseqüentemente, as orações que Lhe dedicamos não devem ser expressas ligeiramente. O tempo que uma pessoa se prostra diante do trono da graça não é uma ocasião para leviandade. Nós devemos entrar na presença de Deus sabedores de que, conquanto Ele seja nosso Pai celeste que ama seus filhos encarecidamente, Ele também é o Todo-Poderoso Senhor do Universo, o qual exige ser tratado com o máximo respeito e dignidade. Isto não quer dizer que nós devamos nos aproximar dEle com temor acovardado, pois “o perfeito amor lança fora o medo” (1 Jo 4:18).

Entretanto, devemos nos lembrar que a oração é um rico privilégio dado a nós pela graça do Salvador que sofreu a morte por nós. Não podemos de forma alguma abusar dela ou ser frívolos com ela. O Deus santo espera que nos aproximemos com uma atitude de séria alegria em nossas orações.

A oração é, essencialmente, trinitariana

O cristão ora no poder habilitador de Deus o Santo Espírito, que torna apropriado, como é Seu privilégio, a obra expiatória de Deus o Filho, o qual, sozinho, lhe dá acesso ao trono de Deus o Pai.

A aproximação de Deus o Pai pode ser feita unicamente através de Deus o Filho, o Senhor Jesus Cristo (Jo 14:16). No mesmo capítulo do evangelho de João, Jesus enfatiza Sua unidade essencial com o Pai (7, 11). Logo depois, nós aprendemos que o Espírito Santo é dado aos crentes pelo Pai a pedido do Filho (16-17). Então, todas as três Pessoas da Trindade estão envolvidas na obra da oração.

Embora não haja nada nas Escrituras contra orar de forma particular a qualquer das Pessoas da Trindade, é geralmente conhecido que a oração é normalmente dirigida a Deus o Pai. Como autor do plano da salvação, é ao Seu trono que devemos nos aproximar em reverência e santo temor (Is 6). Por causa da expiação vicária efetuada por Seu Filho, Ele está sempre disposto a ouvir as orações fervorosas dos crentes aos aproximarem-se dEle em doce comunhão.

Nós podemos nos dirigir ao Pai através dos méritos de Seu Filho, e unicamente por Ele (Jo 14:6). Charles Haddon Spurgeon, em um sermão em Lucas 11:9-10 disse: “Nunca houve uma verdadeira oração dedicada a Ele que não foi ouvida. As orações mais aceitáveis em seu nível mais elevado chegam a Ele pelo caminho dos ferimentos de Cristo.”

Como a Pessoa que aplica a grande salvação de Deus aos eleitos em regeneração e conversão, o Espírito Santo energiza as orações a serem dedicadas. Em Sua onisciência, Ele é perfeitamente familiar com a profundidade de nossos espíritos e com a santa vontade de nosso Pai (Rm 8:26-27). Quando nos faltam palavras, Ele sabe imediatamente como orar por nós. Ele sabe como compor orações de modo que sejam aceitáveis ao Pai das luzes. Nós podemos descansar no conhecimento de que a oração sincera do coração do crente não será desprezada pelo Pai, que nos convida a que Lhe falemos.

Adoração é um elemento integral da oração

Louva, ó minha alma, ao Senhor. Louvarei ao Senhor durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus, enquanto eu viver” (Sl 146:1-2). “A minha alma engrandece ao Senhor, e o meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador” (Lucas 1:46-47).

Muitos cristãos, seja por ignorância da natureza da oração ou por egoísmo, presumem que o propósito da oração é “conseguir coisas de Deus”. Na verdade, encontramos um livro sobre oração , escrito por um americano, John Richard Rice [1895-1980], no qual ele proclama que oração é somente pedir coisas a Deus. Louvor, ações de graças, ou adoração, para ele, aparentemente não constituem a oração. Pedir nunca deve ser o foco único da oração. Adorar é um grande privilégio. O crente passará a eternidade empenhado na adoração a Deus. É necessário, portanto, que devotemos muito de nossa atenção na oração, seja individual ou corporativa, pensando na adoração e louvor devidos a Deus.

Nenhuma outra atividade engajada pelo cristão pode trazer tal bênção para nossas almas como a adoração. Nenhum outro exercício que o cristão possa experimentar tem igual efeito sobre seu entendimento do ser e natureza de Deus. É santificador estar na presença de Deus e glorificar Seu nome. Nada mais que o cristão possa fazer edifica sua mente e coração como curvar os joelhos diante de Deus e conhecer sua presença soberana. Quando a adoração a Deus é feita de forma reverente e espiritual, o crente conhece a comunhão com Deus de uma forma maravilhosa.

Nós com freqüência não sabemos sobre o que devemos orar e, mesmo quando sabemos, nós oramos com motivos mistos.

Um de nossos textos guias aqui é Deuteronômio 29:29: “As cousas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus; porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.” Se nós não entendemos as “coisas secretas” que são conhecidas apenas pelo Todo-Poderoso Deus, quão menos entendemos o próprio Deus? O Espírito Santo reside dentro dos crentes para nos ajudar a orar (Rm 8:26-27).

Nós precisamos da ajuda do Espírito para superar nossas tendências pecaminosas. Nós não oramos como deveríamos, em parte, por causa de nossos motivos mistos. Muito de nossas orações é egoísta e egocentricamente orientado, devido ao fato de nosso pecado ser constantemente insistente, mesmo quando fazemos nosso maior esforço para nos concentrarmos apenas em Deus durante nosso tempo de oração. Estamos sendo constantemente arrastados pelo pecado dentro de nós. O Espírito Santo nos ajuda aqui também.

Deus prometeu suprir todas as nossas necessidades, mas não necessariamente todos os nossos desejos. Escuta, ó Deus, a minha oração, dá ouvidos às palavras da minha boca. ... Eis que Deus é o meu ajudador, o Senhor é quem me sustenta a vida” (Sl 54:2,4). “Confia os teus cuidados ao Senhor, e ele te susterá: jamais permitirá que o justo seja abalado” (Sl 55:22).

Estas Escrituras testificam o fato de que Deus graciosamente sustenta seus necessitados filhos ao ser procurado por eles em oração. Entretanto, isto acontece quando procuramos as prioridades de Deus e não as nossas próprias. Nós temos que discordar daqueles que pertencem ao movimento da “confissão positiva”. Estes insistem que Deus é obrigado a dar aos cristãos qualquer coisa que Lhes peçam!

É ao nos humilharmos perante Ele que Ele prometeu suprir nossas necessidades. E, embora nossas necessidades, legítimas como criaturas, sejam graciosamente abastecidas por Deus, Ele está, em última instância, muito mais interessado em nossas necessidades e bem-estar espirituais. Pois nós precisamos principalmente de salvação e santificação. Nós precisamos aprender os caminhos de Deus e como segui-los. Nós precisamos nos preparar para a eternidade. Nós precisamos experimentar o perdão de Deus (João 13:10) e aquele íntimo relacionamento com Ele que a obediência à Sua Palavra fornecerá.

Muitos crentes têm testificado, ao olharem para trás em suas vidas desde a conversão, de que têm razão em agradecer a Deus por não ter Ele respondido muitas de suas orações egoístas. Eles têm visto, em retrospectiva, a sabedoria dos caminhos de Deus e têm aprendido como orar mais biblicamente de modo a glorificar a Deus e edificar os santos.

Vamos seguir seus exemplos, pedindo que nos seja dado mais do Espírito de Deus para nos dirigir, de modo a vermos nossas verdadeiras necessidades.

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Fonte: Os Puritanos

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