O cativeiro intelectual e a “Cultura de Gueto”

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Há poucos dias estava escutando uma mensagem do Ed. Rene Kivitz, e uma frase que foi citada durante a mensagem me chamaram a atenção, Onde ele disse não ler livros sem bibliografia, pois acreditava que para formular idéias validas ninguém pensa sozinho. Esta frase ficou por semanas em minha cabeça, e ela veio a desencadear uma série de reflexões referentes à formação do pensamento evangélico e à metodologia de formação dos seus pensadores.

Desde muito cedo em nossa caminhada dentro de ambientes “evangélicos” somos ensinados e condicionados a termos um perfil de leitura, onde as nossas bibliografias são indicadas de acordo com o perfil doutrinário de nossas denominações. Preconceituosamente todas as leituras que não se enquadram com o perfil da doutrina da denominação ao qual freqüentamos, logo são caracterizadas como diabólicas e invalidas para nossa formação espiritual.

Grande maioria das leituras que encontramos em livrarias evangélicas é escrita por autores sensacionalistas que escrevem seus compêndios baseados em suas experiências pessoais e astrais, criando uma “orgia religiosa” em um misto de espiritismo e cristianismo, onde não se sabe no final quem é quem ou o que” [vide qualquer livraria evangélica]. São poucos os autores que podemos afirmar serem confiáveis como leitura qualificada e equilibrada. Destes poucos a que me referi, podemos citar menos ainda “autores nacionais” de confiança, que não sejam meros plágios de “teólogos americanizados”, ou divulgadores de doutrinas e filosofias pessoais.

Dentro disso a formação intelectual “evangélica” acaba por se tornar pobre e destituída de intelectualidade e inteligência, caminhando sempre em direção a uma espiritualidade sensitiva desprovida de base e quase sempre descontextualizada. Nisto podemos ter explicação para uma série de barbáries e distorções teológicas que presenciamos todos os dias em nossas comunidades, pois não havendo um limite determinado de forma coerente, damos espaço para os megalomaníacos assumirem a frente e definindo limites a seu próprio gosto e propósitos.

Creio que o “povo Evangélico” nestes dias precisa urgentemente ser revolucionado na formação de seu pensamento, e isso se faz necessário para que se consiga sair do cativeiro intelectual, desenvolvendo uma maturidade maior que com certeza vai acrescer e permitir , que cresçam não só como indivíduos, mas adquiriam uma verdadeira identidade de Filhos de Deus, em uma identidade integral.

“Maturidade, também é a capacidade de analisar os desafios, e dentre eles obter as melhores escolhas e decisões.”

O cativeiro intelectual a que foram submetidos (“que a meu ver se torna interessante para lideres e pastores de perfil ditatorial”), é uma forma de domínio silencioso, onde se detém a informação com intuito de se aprisionar o povo na ignorância, e apartir desta ignorância se nutrir, transformando a ignorância em benefícios pessoais.

A formação intelectual precisa de uma mudança radical com certeza, mas esta mudança implica não só em uma mudança bibliográfica, mas também em banir algumas culturas evangélicas, em principal as herdadas da cultura religiosa judaica. Uma das que quero citar é a que chamo de: “Cultura de Gueto”

Os guetos eram lugares onde minorias se reuniam, e acabavam se aparatando do convívio social com outras culturas, era um lugar onde se criava grupos separados com culturas e costumes aparte das outras sociedades vizinhas. A princípio se vermos do ponto de vista “evangélico” a “Cultura de Gueto” parece ser positiva, principalmente partindo de um sentimento “exclusivista”, coisa que é muito incentivada dentro de nossas congregações, e que vemos freqüentemente sendo ensinadas e citadas como o “não ter comunhão com o mundo” , tudo isso com um propósito de consagração e separação, pressupostos de uma falsa “Santidade” que só gera segregação.

Este sentimento exclusivista nos impede de ver e viver o mundo de uma forma integral, nos separando e fazendo verdadeira a clássica frase “sal dentro do Saleiro não tem serventia” nos tornando em cristão nominais e insípidos, e esta relação esta diretamente ligada a o sentimento ignorante e descontextualizado a que me referi a principio.

Creio que a reformulação e solução destes problemas da “Cultura de Gueto” seria uma das principais e efetivas respostas para a libertação do cativeiro intelectual a que o povo evangélico esta submetido. Esta libertação resultaria no surgimento de novos pensadores que com certeza teriam extrema relevância dentro do contexto da religião evangélica, tornando o cristianismo evangélico menos preconceituoso e mais integrado, aumentando em muitas vezes a eficiência de sua mensagem, potencializando o “poder do sal” de nosso cristianismo.

Creio que chegamos a um ponto onde a cultura e a informação está a empurrar o cristianismo em novas direções, onde cada vez mais se farão necessários os valores que são as bases da verdadeira fé cristã, e que serão ressaltados não só por sua importância, mas urgente necessidade. Penso que talvez a tão falada e temida secularização, não seja nada mais do que um desafio a nos convidar a sair de nossos casulos prisionais, para uma visão cristã com suas bases na integralidade. “Detalhe” quando falo em integralidade, logo penso em Cristãos efetivos e importantes dentro da sociedade.

Autor: Leandro Barbosa
Fonte: [ Emeurgência ]

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1 comentários:

Excelente esse texto do Leandro,por ser uma crente que penso sinto-me um
ser de outro planeta ao falar que não
sou edificada por cultos via DVDs,dentre outros veículos de comunicação que nos empurram.Estou a ver uma teologia de fundo de quintal ou da ante sala do inferno.


Homens egóicos usando o púlpito pra nada.


Je

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