A arca da ganância

.

Por Rev. Leandro Lima


Após a conclusão do Templo de Salomão (que deveria ser chamado Templo de Mamon), surge mais um objeto espantoso: uma réplica revestida de ouro da Arca da Aliança. O objeto era o mais sagrado do antigo templo de Israel, representava a presença de Deus na Velha Aliança. Com a primeira destruição do templo no século 6 a.C., a arca se perdeu, talvez tenha sido levada para Babilônia e derretida. Só o Indiana Jones no cinema conseguiu encontrá-la.

No meu post anterior sobre o templo que teve milhares de compartilhamentos (muito mais do que eu esperava) também recebi algumas críticas. As principais foram: inveja e escândalo para os incrédulos. O velho argumento do “pare de criticar e vá trabalhar” também foi evocado. Sobre “inveja" não vou perder tempo respondendo. Sobre “escândalo”, creio que a acusação está invertida. Não sou eu quem está escandalizando os incrédulos. Segundo a Escritura, os desvios do verdadeiro Evangelho é que são “escândalos”. Além do mais, o mundo precisa saber que há muitos cristãos que não concordam com essas loucuras e megalomanias do Macedo e similares. Sobre “pare de criticar e vá trabalhar”, penso que uma coisa não elimina a outra. Devemos trabalhar, pregar o Evangelho, mas, ao mesmo tempo, temos a responsabilidade bíblica de apontar os desvios que deturpam e envergonham o verdadeiro Evangelho (Gal 1.6-9, Col 3.8, 16-19, 1Tm 4.1-2, 2Tm 4.-5, 2Ped 2.1-3).

Fica cada vez mais explícita a intenção mercadológica de todos esses empreendimentos. Num video que circula na internet, o Macedo chamou os empresários que haviam dado dinheiro para a obra à frente e lhes disse: “agora, Deus fica na obrigação de abençoar você, é uma troca”.


Se chamei o templo do Macedo de “aberração”, preciso chamar essa arca de “abominação” (Is 44.19). Sim, pois trata-se de um objeto da mais pura e terrível idolatria. As pessoas simples, sem discernimento, olharão para esse objeto pensando que encontrarão ali o seu milagre. Mais uma vez, o grande problema é justamente abandonar o verdadeiro Cristo por objetos feitos por mãos. Deixar de lado a pura e límpida mensagem da Cruz, poderosa para salvar todos os arrependidos, por uma mensagem poluída, gananciosa, que torna os seguidores nada mais do que avarentos em busca de bens materiais.

E nesse caso, há um curioso fator adicional: Em Jeremias 3.16, a Escritura diz: Sucederá que, quando vos multiplicardes e vos tornardes fecundos na terra, então, diz o SENHOR, nunca mais se exclamará: A arca da Aliança do SENHOR! Ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra. O Edir Macedo fez.

***
Fonte: Perfil do autor no Facebook
.

Conforto a pais cujos filhos não foram convertidos

.

Por Jim Elliff

O Desejo de todos os pais cristãos é que Deus mostre algo que pudéssemos fazer para assegurar a salvação de nossos filhos, então “nós faríamos isso com todas as nossas forças” porque amamos muito os nossos filhos. Entretanto, Deus não fez com que a salvação fosse consequência da fé de terceiros; nossos filhos e filhas devem vir a Cristo por conta própria. João nos mostra que todos os cristãos são nascidos na família de Deus, “não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (João 1.13).

Embora a salvação seja trabalho de Deus e não algo que nós possamos fazer por nossos filhos, há esperança. Considere o seguinte:

1. Uma verdadeira “batalha” de oração por seu filho é um dom de Deus. Uma batalha persistente pode ser um indicativo de que Deus pretende dar a nosso filho a vida eterna, pois orações autênticas sempre partem de Deus. Mesmo que não possamos ter certeza absoluta do que Deus está fazendo, devemos ser otimistas caso a batalha continue.

2. O milagre do novo nascimento não é menos possível para Deus se os nossos filhos estão atentos a Ele ou se estão correndo Dele. Nosso filho é como os demais com relação à graça de Deus. Ele está morto espiritualmente, esteja ele na igreja ou não, ouça ele as verdades que nós estamos tentando ensiná-lo ou não, tenha ele, agora, algum interesse em Deus ou tenha nenhum sequer. Ele pode ser convertido no chiqueiro ou no banco da igreja. Nós não sabemos, nesse caso, a preferência de Deus.

3. Deus ouve nossas orações. Embora Deus nos ensine que ele escolheu os dele antes da fundação do mundo, Ele também nos ensina que devemos orar, e não somente isso, que devemos aguardar a resposta para as nossas orações. É verdade que Deus é soberano e também o é que Ele responde às orações. Na verdade, ele não poderia responder às preces se ele não estivesse no controle de tudo.

4. Nós devemos ter esperança, pois Deus elege aqueles que serão seus. Todo filho está a caminho do inferno, a não ser que Deus o impeça. A eleição de Deus é nossa amiga. Nós não teríamos esperança pela salvação de nossos filhos sem isso, pois nenhum filho se voltaria a Cristo se fosse deixado em sua depravação (Romanos 3.9-11). Mas por Deus eleger um povo por si mesmo, nós podemos ser encorajados.

5. Seu filho tem um certo conhecimento do que significa ser um verdadeiro cristão. O Espírito certamente poderá usar isso se esse for o método escolhido. Não é menos miraculoso a conversão de um filho bem informado do que a de um com pouco conhecimento. Em todas as conversões, Deus sempre usa a semente do evangelho.

6. A sua desobediência no passado, no final das contas, não será o que impedirá seu filho de crer. É sem sentido repreender-se por algum comportamento errado de sua parte como se isso fosse a razão pela qual seu filho não tem a Cristo. Isso não significa que, como pais, não devamos nos arrepender e fazer melhor; ou até mesmo admitir o erro para os nossos filhos. Mas a razão pela qual seu filho está sem Cristo está, em última análise, relacionada ao pecado dele ou dela. Todo pai cristão é inconsistente de alguma forma, e está no processo de santificação, o que os deixa aquém da perfeição. Isso nunca foi uma barreira para Deus desejar salvar seu filho. São vários os exemplos de filhos que vieram de famílias bem menos piedosas e que acabaram sendo convertidos a Cristo. Na verdade, talvez esse tenha sido o seu caso.

7. Talvez alguns filhos precisem da experiência de estar longe do cuidado de Deus para que percebam a necessidade de se achegarem a Cristo. O sentimento de necessidade em muitos talvez só seja descoberto em um contexto de dificuldades. Não deveríamos nos surpreender se isso requerer um voo solo antes de o filho ou filha aprender que ele ou ela realmente necessita de outro piloto.

8. Lembre-se de que há várias pessoas que são gratas pela história que tiveram antes de virem a Cristo. Não estou dizendo que essas pessoas não desejariam terem sido convertidas antes, mas a dor de sua história pré-conversão deu-lhes compaixão, entendimento, conhecimento, testemunho e uma bagagem  que talvez eles não adquirissem de outra forma.  Eles viram a sabedoria de Deus no momento em que foram convertidos. Talvez seja assim também com seu filho. Paulo disse que houve uma razão pela qual ele foi escolhido, mesmo ele tendo sido assassino, blasfemo e um agressor violento – para que aquelas pessoas viessem e tivessem a esperança de que Deus pode salvar a qualquer um. Deus tem uma jornada única para cada filho.

9. Você não pode salvar seu filho por si próprio, não importa o quanto você tente. Você está numa posição de apenas confiar. Isso é bom, pois é a única forma de agradar a Deus (Heb. 11.6). Descansar em Deus enquanto, simultaneamente, você ora ao Deus que atende a preces será um encorajamento a outras pessoas na mesma situação. Isso também vai ajudá-lo a responder de forma mais positiva ao seu filho, e fará a sua vida bem mais prazerosa do que ansiedade faria.

10. Finalmente, lembre-se que Deus tem um propósito em todos os seus feitos. Nós um dia iremos nos regozijar por Deus ter feito um trabalho perfeito em comandar o universo. Quando entendermos isso e colocarmos Deus acima de nossos filhos, nós vamos realmente demonstrar a eles como um cristão deve viver.

***
Fonte: Christian Communicators
Tradução: Victor Bimbato
.

Deus habita no Templo de Salomão, só que não!

.

Por Renato César


Já era esperado que grande parcela dos evangélicos discordasse da edificação do Templo de Edir Macedo Salomão, visto que este custou mais de R$ 600 milhões e ainda por cima terá um custo anual de manutenção em torno de R$ 10 milhões. Além disso, o templo acabará por ser mais visado por turistas do que propriamente por pessoas preocupadas em adorar a Deus diante da arca do Edir Macedo da aliança.

Mas eu me pergunto se todos que têm criticado a megalomaníaca construção do agora "Rabispo" Macedo têm prestado atenção em seus calcanhares. Digo isso pois não podemos deixar de pensar em termos proporcionais, ou seja levar em conta se no lugar dele, com toda a dinheirama que o Rabispo tem, muitos não fariam a mesmíssima coisa, ainda que preferindo investir em ilhas em vez de templos.

Há quem estime o faturamento anual da Igreja Universal em mais de R$ 1 bilhão. A revista Forbes avaliou o patrimônio de Macedo em mais de R$ 2 bi. Assim, o Templo de Edir Macedo Salomão, no máximo, teve um custo razoável para a Universal, e sua despesa de manutenção será em boa parte amenizada pela receita oriunda do turismo em torno do mega-templo e, é claro, das ofertas "volotárias", vindo a representar uma ninharia no orçamento total da Universal.

Se pensarmos em termos proporcionais, muitas igrejas têm gastado até uma parcela maior de seu orçamento com construção de seus templos. Quantas catedrais não existem no meio evangélico? Quantas igrejas não possuem piso de primeira, decoração luxuosa e aparatos supérfluos para supostamente dar um upgrade no culto? Já tive o desprazer de visitar igrejas que estão há mais de uma década em obras, preocupadas com a pedra de mármore a ser colocada ali, uns vitrais acolá e o que mais for desnecessário, mas belo e requintado, para melhorar a aparência do templo.

A hipocrisia é um dos pecados mais irritantes que existem, porque ela faz parecer que existem dois pesos distintos com os quais as pessoas são julgadas. É como ver um malandro indignado com os políticos de seu país. As críticas feitas ao Rabispo são em geral corretas, mas deveriam ser direcionadas a uma massa bem maior de líderes evangélicos, e não estou falando apenas dos neopentecostais que aparecem na TV. Muitos têm investido pesadamente em seus templos sob a justificativa de estar fazendo da casa do Senhor um palácio para Deus, mas tudo não passa de vaidade, como bem diz o autor de Eclesiastes: "Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas... E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol" (Ec 2:3,11).

Infelizmente, existe uma obsessão por templos suntuosos entre muitos cristãos, como se fosse antibíblico congregar-se em um espaço simples quando se tem dinheiro para um templo à altura de Deus. O que o Macedo fez, lamentavelmente, não está fora dos padrões da cristandade como um todo. Vide o Vaticano.

É realmente triste que ao longo de toda sua história a Igreja Cristã tenha sido marcada por obras similares a esta da Universal, que não servem para nada além de abrigar muitas cabeças em dias chuvosos ou de sol escaldante e de servir como local de visitação para turistas ou para gerar empregos (pergunto-me quantas pessoas serão necessárias nessa tarefa). No final das contas, ao menos São Paulo saiu beneficiada, pois tem agora mais uma atração turística e alguns desempregados a menos.

Vale aqui lembrar o que diz Atos 17:24:

O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens”.

***
Fonte: Bereianos
.

O compatibilismo - 1/4

.

Por Rev. Heber Carlos de Campos


O compatibilismo do concursus

Não obstante a dificuldade patente que existe de compatibilizar a soberania de Deus e a liberdade humana, podemos ter certeza de que as duas coisas coexistem e podem ser compatibilizadas. Elas não são mutuamente excludentes. Mesmo que não expliquemos todas as relações existentes entre essas duas verdades, elas são claras na Escritura. Todavia, afim de clarearmos um pouco essa difícil matéria, vamos a um procedimento que R. C. Sproul usou no tratamento desse assunto.

Segundo esse grande escritor reformado, uma das maiores dificuldades da teologia cristã é a solução do mistério que existe entre a obra soberana providencial de Deus e aquilo que realmente a criatura faz livremente. Antes de entrar no tratamento dessa relação, temos que distinguir dois termos muito importantes: mistério e contradição.

Uma contradição é entendida pela simples aplicação do uso das regras básicas da lógica. Algo que existe não pode ser ao mesmo tempo não existente. Isso é uma contradição. Quando afirmamos que Deus é soberano e que o homem é livre, não estamos tratando de uma contradição. Ambas as coisas podem coexistir perfeitamente. Todavia, se eu afirmo que Deus é soberano e o homem é um ser autônomo, então estou afirmando uma contradição. Estas duas coisas são excludentes. Se Deus é soberano, nada escapa ao seu controle e os seres humanos não poder ser autônomos. Se, entretanto, os homens são autônomos, a soberania de Deus é deixada de lado. A existência de um anula ou outro.

Pode-se conceber a ideia de um Deus absolutamente soberano. Os calvinistas creem assim. Pode-se conceber a ideia de seres humanos como autônomos. Os humanistas em geral creem assim. Todavia é impossível concebê-los como coexistindo simultaneamente. É impossível conceber o relacionamento da providência soberana de Deus com a autonomia humana. Ou aceitamos uma ou outra. Quem afirma uma nega o outra. É uma impossibilidade lógica aceitar ambas.

A razão pela qual existe uma impossibilidade lógica entre a soberania absoluta e a liberdade de autonomia é porque este último termo significa liberdade absoluta. Soberania absoluta e liberdade absoluta podem existir num mesmo ser. Deus pode ser tanto soberano como autônomo, mas isto não pode ser dito das criaturas, porque não pode haver dois soberanos, nem dois autônomos.

Para ser honesto, a liberdade absoluta não existe nem para Deus, porque ele não pode fazer nada contrário à sua natureza. Contudo, ele é livre no sentido de fazer qualquer coisa sem ter que dar satisfação a quem quer que seja. Ele não está sob a autoridade de ninguém. Nesse sentido ele tem liberdade de autonomia, mas não liberdade absoluta. Apenas age de acordo com a sua própria natureza.

Os seres humanos possuem liberdade, mas não a liberdade de autonomia. É uma liberdade limitada às suas condições de finitude, que são agravadas pela presença do pecado na raça humana. Não podemos permitir que a liberdade do homem diminua a soberania divina. Entretanto, é perfeitamente correto aceitar que a soberania divina limite a liberdade humana. É dessa liberdade dentro de limites que vamos tratar ainda neste capítulo. Ela será chamada de liberdade natural ou liberdade de agência.

A palavra mistério deve ser distinta da ideia de contradição. Não existe contradição entre a soberania absoluta de Deus e a liberdade de agência dos homens. Elas podem coexistir pacificamente porque elas não são excludentes. Todavia, não podemos penetrar todos os meandros dessa coexistência. Como Deus age soberanamente ao mesmo tempo em que o homem faz o seu trabalho realmente, é difícil de entender. “Um mistério pode ser definido como alguma coisa que é verdadeira que não podemos entender.” A soberania absoluta de Deus é verdadeira. A liberdade do homem (da forma como vamos apresentá-la) também é verdadeira. Contudo, não podemos compreender a maneira como essas duas verdades podem ser relacionadas. Permanece um mistério o fato de que, ao mesmo tempo, num ato praticado, Deus se manifesta soberano e o homem livre e responsável. Todavia, é possível a coexistência dessas duas verdades. Os que a defendem são chamados de compatibilistas.


_______________________
Continua nos próximos dias...

***

O exercício físico é de pouco proveito?

.

Por Filipe Luiz C. Machado


"Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir" (1Tm 4.8).

O versículo acima tem confundido muitos cristãos sinceros, os quais, em uma primeira leitura, entendem que o apóstolo está contrastando o exercício físico (nadar, pedalar, correr...) com a busca pela piedade, como se ele estivesse dizendo que o crente devesse praticar o mínimo possível, afinal, "o exercício corporal para pouco aproveita". Todavia, a verdade é diferente do que este primeiro entendimento gerado pela conjunção adversativa "mas", que exprime a ideia de Paulo estar opondo o exercício à piedade. 

Tudo se resolve quando lemos os primeiros versículos do capítulo 4 da presente carta:

"Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; Proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças; Porque toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças. Porque pela palavra de Deus e pela oração é santificada. Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Jesus Cristo, criado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido. Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas, e exercita-te a ti mesmo em piedade" (1Tm 4.1-7).

Observemos que o apóstolo, em verdade, está lidando com aqueles que se apostatariam da fé, falariam mentiras e chegariam a proibir "o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis". Daí, então, Paulo continuar dizendo que "toda a criatura de Deus é boa, e não há nada que rejeitar, sendo recebido com ações de graças", de modo que não haveria necessidade de se deixar de comer determinados alimentos, "Porque pela palavra de Deus e pela oração é santificada" - não existindo qualquer comida proibida aos cristãos.

Após isso, o apóstolo prescreve que Timóteo deveria rejeitar "as fábulas profanas e de velhas, e exercita-te a ti mesmo em piedade" e, finalmente, com um motivo: "Porque o exercício corporal para pouco aproveita". Mas de qual exercício o apóstolo está falando? A resposta é clara: do exercício corporal de se abster do casamento e abstinência de alimentos. Este entendimento fica muito claro quando vamos ao texto original (em grego) e lá percebemos que a palavra usada para exercício, já transliterada, é "gumnasiva" e significa "o exercício do corpo na arena ou escola de atletas; qualquer exercício; o exercício de conscientização do corpo com respeito à característica dos ascetas e que consiste na abstinência do matrimônio e certos tipos de comida" [1].

Aqui, o que a Escritura nos ensina, longe de ser uma repreensão ao exercício físico, pois, noutro lugar disse ele, se valendo da analogia do mesmo, "Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis" (1Co 9.24), é que devemos receber todas as coisas com ações de graça, inclusive o casamento e todos os alimentos, nada adiantando sofrermos no corpo (abstenção sexual e de certos de comida), porque isso pouco proveito terá à piedade (entendimento com prática cristã).

Desta forma, pratique exercícios, se case (caso seja chamado para isso) e coma tudo o que o Senhor lhe der, fazendo todas as coisas para a Sua glória (1Co 10.31).

________
Nota: 
[1] - http://www.biblestudytools.com/lexicons/greek/kjv/gumnasia.html

***
Fonte: 2Timóteo 3.16
.

O quinto mandamento e a desigualdade econômica

.

Por Frank Brito


Honra a teu pai e a tua mãe”. (Êxodo 20:12)

O homem de bem deixa uma herança aos filhos de seus filhos, mas a riqueza do pecador é depositada para o justo”. (Provérbios 13:22)

“… porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos”. (II Coríntios 12:14)

Por que políticos socialistas costumam ser hostis à estrutura familiar cristã tradicional? Um dentre muitos motivos é que a estrutura familiar inevitavelmente estabelece e perpetua a desigualdade econômica. Não há como haver igualdade econômica e, ao mesmo tempo, haver a família cristã. As duas coisas são, por natureza, opostas. Manipuladores socialistas já entenderam isso bem. Infelizmente, muitos cristãos, alvos dos manipuladores, continuam a acreditar que a igualdade econômica seja algo de alguma forma desejável ou virtuoso.

Como o Catecismo Maior de Westminster corretamente identifica, “o alcance geral do quinto mandamento é o cumprimento dos deveres que mutuamente temos uns para com os outros em nossas diversas relações como inferiores, superiores ou iguais” (CMW, P. 126). Em outras palavras, o quinto mandamento da Lei de Deus, “Honra a teu pai e a tua mãe”, rege as relações entre pais e filhos, o que inclui não somente as obrigações e responsabilidades dos filhos em relação aos pais, mas também as obrigações e responsabilidades dos pais em relação aos filhos, como S. Paulo deixa claro quando comentou esse mandamento:

Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor”. (Efésios 6:1-4)

Ou seja, os filhos têm determinadas obrigações e responsabilidades em relação aos seus pais pelo fato de serem seus pais. Da mesma forma, os pais têm determinadas obrigações e responsabilidades em relação aos seus filhos pelo fato de serem seus filhos. São obrigações e responsabilidades derivadas da estrutura familiar que não existiriam se não houvessem esses laços familiares. Então, vamos supor que você tenha uma filha de dois anos e o seu vizinho tem uma filha de três. Quem é responsável por determinar o que sua filha vai comer? É você ou o seu vizinho? E a filha dele, é você quem tem que dizer a hora que ela vai dormir? Ou seja, a relação que existe entre você e sua filha determina as obrigações e responsabilidades que você tem em relação a ela que não existiriam caso ela não fosse sua filha.

Dentre as responsabilidades dos pais em relação os filhos está a obrigação de sustentá-los economicamente, pelo menos enquanto são incapazes de ganhar o próprio sustento. Quando os pais envelhecem e não podem mais sustentar a si mesmos, os filhos passam a ter essa obrigação em relação aos pais (Mt 15:4-6). “Mas, se alguém não tem cuidado… dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel” (I Tm 5:8). Novamente, são obrigações e responsabilidades derivadas da estrutura familiar que não existiriam se não houvessem esses laços familiares. Como Paulo escreve à Timóteo: “Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorra-as, e não se sobrecarregue a igreja, para que se possam sustentar as que deveras são viúvas” (I Tm 5:16). Ou seja, a responsabilidade de sustentar uma mãe viúva é primeiro do próprio filho e família e só depois da Igreja. A relação filial estabelece um nível de responsabilidade que outros não tem pelo mero fato de que os outros não são seus filhos.

Isso significa que, no contexto da família, os pais devem amar e, consequentemente, favorecer seus filhos mais do que as crianças que não são seus filhos. Da mesma forma, um marido deve amar sua esposa mais do que qualquer outra mulher. Mais do que isso, há um tipo específico de amor e favor que o marido só pode ter em relação a sua própria esposa e não pode ter por mais nenhuma outra mulher. E nisso está incluído a relação econômica. Um homem tem a obrigação de sustentar todas as mulheres igualmente? Ou ele tem uma obrigação especial em relação a sua própria esposa pelo mero fato de ser sua esposa? Da mesma forma, ele tem uma obrigação especial de sustentar e favorecer economicamente os seus próprios filhos de uma maneira que ele não tem com os filhos do vizinho.

Daí se deriva o direito à herança, ou seja, à transferência inter-geracional de propriedade. S. Paulo diz que “não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos” (II Co 12:14). Aqui há uma responsabilidade dos pais em relação aos filhos, mas que não existe dos filhos em relação aos pais. Ou seja, é uma responsabilidade derivada exclusivamente da paternidade. Os filhos têm direito à herança de seus pais porque estes são seus pais e, portanto, se estes não fossem seus pais, o direito não existiria. Se João é filho de Carlos e Filipe não é, João tem o direito de ser economicamente favorecido pela herança de Carlos de uma maneira que Filipe não tem. Como diz Provérbios, é virtuoso um homem deixar herança para seus filhos.

Estes princípios, por si só, estabelecem a desigualdade econômica na sociedade. Se um homem tem uma obrigação maior de favorecer sua própria esposa e seus próprios filhos economicamente, isso significa que ele, obviamente, não deve favorecer a todos igualmente. Esse tipo de igualdade seria, antes de mais nada, desonrar terrivelmente a sua esposa, ao tratá-la como todas as outras mulheres, inclusive tendo as mesmas obrigações em relação a qualquer prostituta. O amor que ele deve à sua própria esposa tem que estar acima ao amor por qualquer outra mulher. Além disso, o direito de seus filhos à herança significa que se ele trabalhou mais e ganhou mais do que o seu vizinho, os seus filhos têm o direito de herdar e usufruir de mais do que os filhos de seu vizinho. O direito de seus filhos à herança significa que, pela mera relação filial, seus filhos tem direitos de ser mais beneficiados economicamente pelos pais. Mais do que isso, porque os pais têm a obrigação de favorecer seus filhos economicamente mais do que os outros filhos, se os seus pais trabalham mais e e ganham mais, os filhos têm o direito moral, derivado dessa relação familiar, de já começar a vida sendo mais beneficiado economicamente do que os filhos daqueles que trabalharam menos e ganharam menos. E se cada geração for como o homem de bem de Provérbios 13:22, a tendência é que, em cada geração, o capital só irá aumentar, com cada filho dando continuidade ao capital pelo qual ele próprio não trabalhou, mas que, por direito, herdou de seus pais.

No Brasil, existe a tendência de tratar com desdém o dinheiro e os bens que alguém tem sem que tenha trabalhado por si mesmo, mas que tenha simplesmente recebido por herança e benefício de seus pais. A verdade é que essa é uma mentalidade pecaminosa. O direito à herança é parte da essência da própria estrutura familiar, é parte da obrigação dos pais de favorecerem os próprios filhos economicamente. Os filhos têm direito à herança porque são filhos e desprezar o uso desse direito é desprezar a própria estrutura familiar, como se de alguma forma o dinheiro e os bens herdados fossem ilegítimos, como se de alguma forma não fosse verdade que “o homem de bem deixa uma herança aos filhos” (Pv 13:22) ou que “os pais devem entesourar para os filhos” (II Co 12:14).

É por isso que não há como haver igualdade econômica e, ao mesmo tempo, haver a família cristã e é por isso que o socialismo é hostil à estrutura familiar cristã tradicional e trabalha para subvertê-la. A estrutura familiar estabelece obrigações e responsabilidades econômicas, nas quais cada membro da família é obrigado a favorecer a própria família economicamente de maneira diferenciada de todas as demais famílias. “Os pais devem entesourar para os filhos” (II Co 12:14), os maridos devem favorecer as esposas acima de todas as mulheres (Ef 5:23-33) e os filhos são os maiores responsáveis pelo sustento dos pais na velhice (Mt 15:4-6; I Tm 5:8). E se cada membro da família deve favorecer os próprios membros, antes de favorecer os outros, segue-se, obviamente, que ele estará tratando os outros de maneira desigual. Sendo assim, a igualdade econômica entre todos não será uma possibilidade.

***
Fonte: Resistir e Construir
.

As seis principais faltas do evangélico neopentecostal



Por Pr. Marcos Granconato


O que distingue o "evangélico" moderno do crente verdadeiro? O que é, ou como é, o evangélico neopentecostal?

Falta de senso crítico. O neopentecostal dá crédito fácil à mentira. Ele aceita com facilidade qualquer invenção que aparece sem questionar nada, bastando apenas que o líder diga tudo com ares de autoridade e com alguns "aleluias". (At 17.11; Ef 4.14-15)

Falta de disposição para aceitar a correção. É inútil mostrar biblicamente ao neopentecostal que ele está errado. Ele dirá que a Bíblia pode ser interpretada das mais variadas maneiras e desprezará todas as evidências da Palavra de Deus que militem contra suas crendices (2 Tm 3.8; 4.3-4)

Falta de interesse no estudo bíblico sério e profundo. O neopentecostal é um grande ignorante da Palavra de Deus. Ele não vê o estudo teológico como algo importante. Geralmente ele diz que estudar a Bíblia ou a teologia é uma prática carnal. Para fundamentar essa crença, é usado 2 Coríntios 3.6 (entendem que a frase "a letra mata" é uma censura de Paulo contra o estudo!!!). O que existe na verdade é uma imensa preguiça intelectual e uma falta absoluta de interesse pelo que Deus ensina em sua Palavra. Assim, não há ênfase na pregação e no estudo sério das Escrituras no meio neopentecostal. A ênfase maior é no louvor, nas supostas curas, nas expulsões de demônios, nos cultos de libertação e coisas do tipo. (1 Co 1.21; 1 Tm 3.15; 2 Tm 2.15)

Falta de história de conversão. Os neopentecostais não têm uma história de conversão (1 Co 6.9-11; 1 Ts 1.9-10). Se forem questionados sobre como ou quando se converteram, dirão geralmente que foram numa determinada comunidade e ali viram curas ou alguma outra coisa que os impressionou; dirão que o pastor adivinhou algo sobre a vida deles ou que os problemas que tinham começaram a desaparecer, levando-os a se firmar na igreja. Nada dizem sobre arrependimento pessoal, confissão de pecados, perdão, novo nascimento ou outras coisas próprias da conversão. Talvez o maior problema do neopentecostal é o fato dele não ser um crente verdadeiro (2 Co 13.5;).

Falta de vida cristã exemplar. O neopentecostal tem um testemunho de vida moral horrível. Ele não se preocupa com a santidade, o viver separado do mundo ou o imitar Cristo. Aliás, é exatamente o contrário disso que é estimulado, sob a justificativa de que igualar-se ao mundo vai atrair os descrentes para a igreja (é por isso que os cultos neopentecostais são mais parecidos com shows (Veja Hb 12.28-29). Essa falta de preocupação com o viver cristão é substituída pela preocupação com o bem estar físico e financeiro e com a busca de experiências místicas, fortes emoções e entretenimento (veja Tg 4.9-10) como espetáculos musicais, shows e passeatas. (2 Co 6.14-15; Tg 4.4; 1 Jo 2.3-6)

Falta de compromisso com a igreja local. As reuniões neopentecostais são marcadas por um constante vai-e-vem de centenas e até milhares de pessoas. A cada dia o auditório muda. Não há membrezia. A maior parte dos freqüentadores não se conhece devido à grande rotatividade de gente que entra e sai. O pastor não tem um rebanho em que ele conhece cada uma das ovelhas, acompanha-as, disciplina-as quando necessário e se sente responsável por elas. Isso faz com que as igrejas neopentecostais se tornem o paraíso daqueles "crentes" que não dão certo em igreja nenhuma e que não querem ter compromisso com nada. (Hb 10.25; 1Jo 1.7).

Como Deus tem usado o movimento neopentecostal para atingir seus propósitos?

A criação de uma forte insatisfação nos convertidos verdadeiros. Como as igrejas neopentecostais não oferecem nada que realmente dê vigor espiritual, os verdadeiros convertidos dentro dessas igrejas, depois de algum tempo, começam a se sentir famintos de algo mais sólido e verdadeiro. Essa fome geralmente é acompanhada de comparações entre o que a Bíblia diz e o que os líderes falam, o que geralmente faz com que esses crentes comecem a ser desprezados e perseguidos. Diante disso tudo, tais pessoas se vêem forçadas a sair em busca de uma igreja séria. (Jo 10.2-5)

A oportunidade de purificação das igrejas genuínas. As igrejas neopentecostais têm oferecido tudo aquilo de que os falsos crentes gostam (paz com o mundo, superstições, promessas de prosperidade, falta de compromisso). Isso atrai para elas todo o "joio" que há nas igrejas bíblicas. Desse modo, tirando proveito das astúcias de Satanás, Deus tem trabalhado na edificação de uma igreja mais livre de lobos fantasiados de ovelha. (1 Jo 2.19).

***
Fonte: Escola Teológica Charles Spurgeon
.

Ninguém tem direito a salvação!



Por Abraham Booth

Humildade para com os nossos semelhantes, amor e gratidão para com Deus — são estes os frutos de uma compreensão da graça discriminativa de Deus. A eleição, portanto, influencia-nos para nos tornar melhores crentes.

Ao mesmo tempo, por mais cheia de auxílio que esta verdade possa parecer àqueles que já são crentes, será que ela não vai desencorajar os que ainda não o são? Os que buscam tornar-se crentes poderão arguir: "Se eu não estiver entre os eleitos de Deus, então não importa o quanto eu deseje ser salvo, pois jamais o serei".

Este pode parecer um argumento plausível, mas na verdade é um grande erro. Deixe-me ilustrar o que quero dizer. Suponhamos que um alimento é repentinamente apresentado a um homem faminto. Teria sentido ele dizer: "Não sei se Deus pretende que eu seja alimentado por este determinado alimento. Por isso, não importa o quanto eu o deseje, não posso comê-lo". Não seria muito mais sensato dizer: "Tenho um forte apetite. O alimento é o meio de satisfazer o meu apetite. Portanto, eu comerei este alimento".

Ora, Cristo é o pão da vida, o alimento das nossas almas. Este alimento celestial é provido pela graça oferecida no evangelho, e livremente apresentado a todos os que têm fome, sem exceção. Que tem de fazer, então, o pecador espiritualmente despertado senão, sendo habilitado pelo Senhor, tomar, comer e viver para sempre? Os pecadores não são encorajados a crer em Jesus em troca de saberem que são eleitos. Não, as novas da misericórdia de Deus são dirigidas aos pecadores considerados como prontos para perecerem.

Todos, sem exceção, que conhecem sua situação perigosa e sentem sua incapacidade, são convidados, sem demora, a aceitarem as bênçãos espirituais, antes mesmo de pensarem a respeito de sua eleição. Assim, esta verdade não deve aterrorizar um despertado ou qualquer pessoa que tenha consciência de seu pecado. Os que estão indiferentes a respeito de suas almas, ou têm elevada opinião sobre sua própria bondade, de qualquer maneira jamais se incomodarão com a eleição!

No entanto, não poderia alguém dizer: "Se eu estou entre os eleitos, então necessariamente serei salvo, não importa como eu me comporte". Por acaso este ensino das Escrituras referente à graça discriminativa não encoraja o crente a viver descuidadamente?

Às vezes, você pode encontrar pessoas que dizem crer na eleição e cujas vidas são cheias de impiedade. Tais pessoas, porém, estão enganando a si mesmas. A eleição não significa meramente que um certo número de pessoas irá, seguramente, para o céu. A razão da eleição é que o povo de Deus fosse santo e irrepreensível diante dEle (Ef. 1:4), ou seja, a eleição significa que um certo número de santos alcançará o céu.

Deus não indicou apenas o lugar (o céu) para onde os eleitos irão, porém, mostrou também o caminho pelo qual eles chegarão lá, Paulo escreve: "Devemos sempre dar graças a Deus... por vos ter elegido desde o princípio, para a salvação, pela santificação do Espírito, e fé na verdade" (2 Tess. 2:13). Assim, uma parte essencial da experiência espiritual dos eleitos deve ser a "santificação" e a "fé na verdade". Onde estes elementos não estiverem presentes, não há eleição.

Há um outro argumento semelhante a este último, o qual se costuma apresentar contra a verdade da eleição. É o seguinte: qual é a utilidade da pregação, da oração e da auto-negação? Se os eleitos já estão certamente escolhidos, não há necessidade destas coisas. A resposta a este argumento é a mesma que demos ao argumento anterior, ou seja, Deus usa deliberadamente a pregação, a oração e a autonegação para efetuar aquele viver santo para o qual Ele escolheu o Seu povo. Posso mostrar o absurdo desse argumento por meio de outra ilustração.

Vamos concordar que há um Deus que governa todos os nossos negócios humanos por Sua providência. Se Ele planejou tudo aquilo que fará, então a objeção de que "se alguém é eleito, esse alguém não precisa ser santo", também se aplica a todos os negócios da vida diária. Se Deus planejou todos os negócios humanos, então quer com saúde ou doentes, quer bem sucedidos ou falhos em nossos negócios, quer habilidosos ou não na execução de nossas tarefas, tudo é governado pela providência.

Contudo, quem será tão insensato para dizer: "Não importa se eu como, durmo ou estudo, desde que as circunstâncias de minha vida já foram determinadas pela providência!" Uma vez que não raciocinamos tão absurdamente em relação aos afazeres de nossa vida natural, por que o faríamos em relação aos interesses de nossa vida espiritual?

O perfeito conhecimento de Deus inclui todos os detalhes de nossas vidas, tanto quanto o nosso destino final. Não podemos separar os pormenores do fim. Deus prevê que chegarão aos céus somente aqueles que, segundo Sua previsão, se tornam santos por esforço espiritual diário; e ninguém Ele prevê no inferno, exceto aqueles pecadores que diariamente rejeitam Sua verdade.

Alguns, porém, acrescentam o argumento: "Este ensino torna Deus injusto, desde que Ele é misericordioso para com alguns e não para com todos. Deus Se tornou desleal". Eu respondo: a injustiça só pode estar presente quando a recompensa proveniente de um compromisso assumido, deixa de ser dada. Se um magistrado aplica a lei rigorosamente, no caso de um pobre e, indulgentemente, no caso de um rico, ele é injusto. Todavia, se ele como um benfeitor é generoso para com os necessitados entre seus vizinhos, nunca diríamos que é obrigado a ser generoso para com todos os necessitados. Isto seria impertinência de nossa parte!

Se é apenas um problema de doação graciosa, não pode haver injustiça — mesmo que todos não recebam. E isto é ainda mais verdadeiro com relação a Deus, pois Ele é o Criador que tem o direito absoluto de fazer o que quiser com o que é Seu — e Sua natureza perfeita nos assegura que Ele nada faz de errado.

Deixe-me perguntar-te: todos os homens pecaram ou não? Se pecaram, então todos são culpados perante Deus. Se admitimos isso, então mesmo que todos perecessem Deus seria justo. E a eleição de alguns para a salvação não causa dano aos não eleitos. Assim, a "não-eleição" não é uma punição injusta.

Dizer que Deus não pode deixar ninguém perder-se, é dizer que todos têm direito à salvação. No entanto, ninguém tem direito à salvação. Ela é somente pela graça.

A verdade é que o argumento "Deus é injusto ao eleger alguns e não todos", procede da auto-estima que nós, erradamente, temos de nós mesmos e da visão míope que temos de Deus. Será o altíssimo e sublime Deus tão limitado que não possa fazer o que Lhe agrada?

Deixe-me, agora, mostrar-te o valor real e prático da eleição para nós. Primeiro, a verdade tem algo a dizer ao pecador descuidado. Você já viu que todos são culpados aos olhos de Deus, e que Ele escolheu alguns para a salvação, deixando outros sofrerem as justas consequências de seus pecados.

Como você pode saber que este não é o teu caso! Ser rejeitado por Deus é estar perdido para sempre. Você ainda está desinteressado? Ora, você está nas mãos de um Deus ofendido e, contudo, não tem idéia certa daquilo que Ele fará contigo! Se você teme a possibilidade do inferno, deve saber que é exatamente isso que merece. Você tem boas razões para tremer. Medite sobre estes fatos terríveis! Que o Senhor possa ajudar-te a "fugir da ira vindoura" (Mat. 3:7).

***
Sobre o autor: Abraham Booth (1734- 1806) nasceu em Blackwell, condado de Derbyshire, Inglaterra. Quando tinha vinte e quatro anos, casou-se com Elizabeth Bowmar, filha de um fazendeiro, e logo após abriu uma escola num subúrbio de Nottingham. A pregação de alguns Batistas levou-o a um senso religioso e, em 1755, ele foi batizado por imersão. Em 1760, Booth tornou-se superintendente da congregação em Kirby-Woodhouse. Até então ele era um arminiano convicto, porém a partir daí ele mudou de posição, passando para as doutrinas sustentadas pelos Batistas Particulares. Sua obra “O reinado da graça” foi escrita em 1768. Logo depois disso a Igreja Batista Particular em Little Prescot Street, Londres, convidou-o a ser seu pastor, e nela foi ordenado em 1769. Booth faleceu em 1806, tendo sido pastor por trinta e cinco anos. Durante seu pastorado, foi fundada uma academia que hoje está em Oxford, conhecida como Regents Park College, destinada ao treinamento ministerial. Seus vários escritos foram coligidos e publicados em três volumes em 1813. A atual Igreja Batista Church Hill em Walthamstow, Londres – descendente direta da igreja em Little Prescot Street – ainda possui placa memorial erigida em homenagem a Booth pelos membros daquela igreja.

Fonte: Igreja Batista Graça e Paz
.

A Doutrina da Eleição na História de Jó

.

Por Thiago Azevedo


Não é de se esconder de ninguém que estes temas, Livre-Arbítrio e Eleição têm andado juntos por longas décadas. Mas, o que é notório, é que estes temas são muito mais antigos do que se pensa. Analisando de forma atenta a história de Jó, nota-se que a realidade acerca dos dois temas já estava presente ali. Acerca do Livro de Jó em si, há um consenso entre os estudiosos, que os relatos ali apresentados são os mais antigos das Escrituras Sagradas. Por sinal, a Bíblia não segue uma ordem cronológica e sim uma ordem teológica. É por isso que o livro de Jó não encabeça a ordem dos livros canônicos. Também é um consenso entre os estudiosos que a história do Livro de Jó tenha ocorrido numa datação bem próxima do Pentateuco. Assim, este livro possui algo peculiar, os fatos ali narrados não foram contemporâneos ao autor. Ou seja, quem escreveu Jó escreveu coisas que haviam ocorrido muito antes daquele período em que fora escrito. Diferentemente dos livros proféticos que possuem – em grande parte – fatos contemporâneos ao período de seu registro. O estilo literário de Jó é muito próximo do estilo literário do Pentateuco, paralelo a isso, a antiga ocorrência dos fatos ali narrados faz com que as suspeitas de sua autoria recaiam sobre Moisés – a cidade de Uz ficava bem próxima de Midiã, cidade onde Moisés passou boa parte de sua vida, a saber, 40 anos.

Explorando alguns textos do Livro de Jó, é nítido que a Eleição predomina sobre a falácia do livre-arbítrio: 

PRIMEIRO TEXTO - Disse então o Senhor a Satanás: Reparou em meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal. Jó 1:8

Deus começa falando de Jó e o adjetiva como Seu servo. Aqui Deus faz questão de dizer que Jó é dEle. Não foi ninguém que escolheu Jó para Deus, e sim o próprio Deus. Aspectos da soberania divina são vistos em todo o livro e principalmente quando Deus interroga Jó perguntando onde ele estava quando Ele lançou os fundamentos da terra e do mundo (Jó 38). Outros textos da Sagrada Escritura corroboram com esta ideia (veja Jo 5:19 e 1º Jo 4:19). Deus ainda diz que não há ninguém como Jó em toda a terra. Evidentemente que Deus fala de Jó, mas o diferencia sobre toda a terra. É assim que os eleitos aos céus devem ser notados – distintos – e não se assemelham com os néscios e os ignóbeis – destinados ao inferno. É preciso que se entenda que há dois grupos de eleitos, um ao céu e outro ao inferno. Cada grupo evidencia as características de seus senhores. No texto, ainda é possível ver que os eleitos ao céu possuem algumas características marcantes – integridade, retidão, temor a Deus e se desviam do mal – Estas são as características de um verdadeiro eleito ao céu.

SEGUNDO TEXTO - Porventura tu não cercaste de sebe, a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado se tem aumentado na terra. Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face.” Jó 1:10-11

A alegria do eleito não está nos seus bens materiais e nem nas bênçãos, e sim, na certeza e na convicção de sua salvação. Satanás se engana, pois pensa que a ausência de bens materiais é motivo para abdicar da fé. Por sinal, não há nada que faça o eleito abdicar de sua fé (Rm 8:37-39). Aqui é possível enxergar que Satanás traz o conceito do livre arbítrio para dentro de sua lógica, pois ele diz a Deus que se Jó perder seus bens ele se arrependerá de ser fiel e escolherá blasfemar. O eleito aos céus não comete blasfêmia, não se arrepende de ser fiel, o eleito ao inferno faz isso numa constante.

TERCEIRO TEXTO - E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor. Jó 1:12. / E disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está na tua mão; porém guarda a sua vida. Jó 2:6

Os textos selecionados mostram que há limites na ação satânica, ou seja, isso mostra que nossas histórias foram confeccionadas sob medida e que as vicissitudes que por ventura venhamos passar na vida já estão sob os cuidados divinos, e Este, aprouve em seus decretos. Não há nada mais confortável que isso – ter a plena convicção que Deus já planejou e moldou nossas vidas e tudo que vamos enfrentar no plano terreno. Com isso, nota-se que nossas histórias têm um autor cuidadoso e justo. 

QUARTO TEXTO - E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor. Jó 1:21

Estas palavras foram proferidas por Jó quando começou a ser assolado por todas as setas inflamadas propostas pelo diabo, mas sob a autorização divina. Nesta passagem é notório que o eleito não se atormenta com as perdas e prejuízos, pois Deus é quem dá e Deus é quem tira. Jó usa a nudez – sua situação atual por conta das chagas –chegando a mencionar seu nascimento e sua vinda do ventre da mãe de forma despida, e é assim que voltará ao pó da terra. Aqui Jó demonstra outra característica do eleito – simplicidade e não apego as coisas materiais. 

QUINTO TEXTO - Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre. Jó 2:9

Em resposta a sua esposa, Jó considera como sendo louca e diz que ela aceitou o bem de Deus, mas não aceita o mal Jó 2:10. Aqui repousa outra característica da ideia do livre arbítrio. A mulher de Jó, ao analisar a situação, acredita que não há mais motivos para Jó se manter íntegro em relação a Deus. Ela acredita que só deve haver integridade se houver riquezas e bênçãos – motivações – como não há, Jó deve escolher blasfemar contra Deus. A mulher de Jó não compreende que não é uma questão de escolhas e sim de decretos divinos – o eleito ao céu entende que não tem escolhas quanto aos decretos divinos e somente deve aceita-los. Aqui Jó demonstra uma lição eterna de que a fidelidade não deve ser só em tempos de fartura e de riquezas, mas em todas as circunstâncias. Paulo nos ensina algo parecido em Fp 4:13. O eleito ao céu não se deixa levar pela correnteza da maré herética, não se ilude com as influências nem com as propostas fajutas e ilusórias dos adeptos da ideia do livre arbítrio ou de quaisquer outros ventos de doutrinas. Os amigos de Jó também são adeptos dessa corrente – a ideia do livre arbítrio ¬– um deles avalia que o que Jó está passando não passa de um pecado cometido possivelmente em oculto Jó 11:14. Estas pessoas que se aproximavam de Jó com diagnósticos falsos e sem conhecimento desapertaram a ira de Deus Jó 38:1-2.

Será que na atualidade Deus também não se ira com falsos profetas que querem resolver os problemas dos outros de forma simples e com palavras sem conhecimento? Qualquer semelhança com o pano de fundo evangelical das igrejas no Brasil não é mera coincidência! 

O fato é que o eleito ao céu não precisa cometer algo para sofrer, basta apenas Deus ter decretado isso. Este eleito não escolhe a Deus, Deus é quem o escolhe. O eleito ao céu não rejeita Deus sob hipótese alguma, mesmo que esteja mergulhado em um transe agudo. Não se ilude com doutrinas frouxas, além disso, é integro, anda em retidão, é temente a Deus e se afasta do mal. Enfim, evidenciam as características de seu Senhor. O eleito ao céu não perverte a graça divina como fizeram os Nicolaítas, mas se apresenta apenas como um mero mordomo de Deus no plano terreno. O outro grupo de eleitos – eleitos ao inferno – faz justamente o oposto. Há de fato uma grande confusão com a palavra livre arbítrio e é preciso que se entenda o real sentido da mesma. 

Teologicamente falando, livre arbítrio é quem tem a capacidade e o poder de cometer e de não cometer pecados. Logo, como todos são pecadores e ninguém pode não pecar (Rm 3:23), logo, ninguém detém o livre arbítrio. Por sinal, esta foi a reportagem capa da revista Galileu de Abril de 2013 nº 261 que trazia o seguinte tema: “Você não decide - Cientistas dizem que livre arbítrio não existe. Uma parte de seu cérebro fora de seu controle é quem escolhe por você”. Esta parte do cérebro pende para o mal – bem como um carro desalinhado – e é esta parte quem decide por todos. Portanto, não só teologicamente, mas também cientificamente, não existe a possibilidade da existência do tão famoso e conhecido livre arbítrio. 

Muitos confundem o poder de tomar decisões e a livre agência que cada ser humano possui com o livre arbítrio, todavia, não são a mesma coisa. É por isso que neste pequeno insight, considera-se que este tão falado livre arbítrio não passa de uma mosca branca! Ou seja, ninguém vê, só se ouve falar!

***
Divulgação: Bereianos
.