Evangelismo moderno: tem algo errado nesta receita

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Imagine que um grupo de pessoas começa um novo empreendimento na área alimentícia. A produção vai de vento em popa e os resultados financeiros que foram programados em longo prazo começam a serem vistos em curto tempo. O grupo se encontra extasiado com o sucesso e só falam em prosseguir com a produção e as vendas. Porém, um imprevisto ocorre. Pessoas começam adoecer ao ingerir aquele alimento produzido, passar mal e muitos começam a dar entrada em hospitais diversos. O caos é notório. Qual deveria ser o procedimento daquele referido grupo de empreendedores em relação à sua produção? temos três alternativas:

1) Continuar a todo vapor as vendas, mesmo sabendo que seus clientes vão passar mal e correr risco de morte. 
2) Parar a produção e refletir sobre os ingredientes da receita, encontrar os possíveis erros, pois antes não ocorria este tipo de problema, corrigi-los e retornar às atividades de venda. 
3) Abandonar tudo e decretar falência.

Qual você escolheria?


Nossa opinião recai sobre a alternativa de número 2. Pois, a partir de uma base reflexiva se encontraria o problema e este seria corrigido. Com isso as vendas regressariam e, consequentemente, todo o sucesso anterior seria retomado.

A grande pergunta que vos faço a partir desta pequena analogia é a seguinte: Por que não se age assim em relação à prática do Evangelismo moderno? O produto está sendo fornecido com algum erro na receita que tem levado muitos a adoecerem. O Evangelismo contemporâneo tem sido marcado muito pelo aspecto emocional e não pelo aspecto teológico-reflexivo. É preciso sentir menos a presença de Deus e vivê-la mais. Quem sente, logo logo não sente mais, é igual a dor de dente, às vezes demora, mas passa. A presença de Deus precisa ser vivida, pois viver é diferente de sentir. 

Os clichês e jargões têm permeado todo o ambiente do evangelho brasileiro, com isso, a prática do evangelismo moderno também é afetada. Um dos clichês mais utilizados na evangelização moderna é este: “Deus tem um grande plano para realizar na sua vida”. Meus irmãos, bem possível seja que quem profira estas palavras em direção a alguém na evangelização esteja repleto de boa vontade e até com o coração puro – boas intenções. Porém, boa vontade, boa intenção e coração puro só são de bom proveito no reino de Deus quando se coadunam com a vontade de Deus expressa nas Sagradas Escrituras. Será que Davi não estava cheio de boas intenções e com o coração puro quando carregou a Arca da Aliança sobre bois, em festejo pelo regresso da Arca que estava sob domínio filisteu (1º Crônicas 13: 6-8)? Será que Uzá não estava repleto de boa vontade e de coração puro quando tentou livrar da queda a Arca da Aliança a segurando (1º Crônicas 13: 9-10)? A resposta é sim, mas a Arca da Aliança não era nem para ser carregada por bois (e Davi conhecia o preceito divino [1º Crônicas 15: 1-2]), nem muito menos ser tocada por mãos humanas. As consequências destes atos foram trágicas, mesmo mediante a boa intenção, boa vontade e coração puro dos personagens em questão. Parece-nos que o ambiente de festa suprime todo e qualquer senso reflexivo, como já mencionamos; Davi e seu séquito estava festejando o regresso da Arca do Senhor do domínio dos filisteus para o domínio israelita, motivo suficiente para comemoração, mas comemorar não significa deixar a emoção sobrepujar à razão, mas é o que mais ocorre. Não quero aqui colocar a razão no trono e vê-la como a rainha soberana. Mas um bom senso reflexivo em todas as áreas da vida, juntamente canja de galinha, não faz mal a ninguém – e isso faltou a Davi na ocasião mencionada.

O Evangelismo moderno, sobre tudo aquele que envolve os jovens, é marcado por uma verdadeira festa nas ruas, mais parece um carnaval fora de época. Grupos de jovens nos semáforos, muitos deles com a face pintada, outros até segurando faixas com dizeres cristãos enquanto o semáforo está vermelho, outros entregando literaturas etc. Sabe-se de igrejas que formam grupos e estipulam metas evangelísticas para estes grupos; quem entregar mais panfletos e quem conseguir maior número de conversões é o campeão, e no final do dia, ainda rola um lanchinho para o grupo vencedor enquanto o grupo perdedor vai servir os campeões. Deva ser por este ambiente festivo que envolve a evangelização moderna, sobre tudo a que se utiliza de pessoas jovens sem o devido treinamento, que muitos pontos principais do evangelho em si, e a capacidade reflexiva, são suprimidos. Se, se erra no início, tudo mais que vier após isso, estará errado também. Ou seja, aparentes conversões, aparentes novos cristãos e um aparente “Evangelho” sendo alimentado. Um “Evangelho do Falso”: falsas conversões, que gera falsos cristãos, que gera falsa adoração, que gera uma falsa compreensão da genuína Fé Cristã. Como dizíamos anteriormente, o clichê que “Deus tem um plano para realizar na sua vida” é grande prova disso. Está carregado de emocionalismo de festejo, mas de pouco senso de reflexão bíblico-teológica. Na realidade, Deus não tem plano nenhum para realizar na vida de seu ninguém. Sabe por quê? Porque Ele já realizou! O plano redentivo da salvação já fora realizado por Deus na vida de sua igreja e esta notícia é muito mais atrativa do que àquela anterior (de que o plano ainda estar por ser feito). É muito melhor saber que alguém já fez algo de bom para nós do que saber que ainda vai fazer.

Parafraseando o professor Leandro Karnal, “o maior desafio dos cristãos modernos é cristianizar os próprios cristãos”. Entendemos que é muito melhor propagar uma fé bem digerida do que propagar uma fé inacabada ou com uma falha na receita principal que adoece pessoas. Uma fé bem digerida, ruminada e processada gerará frutos com sementes, e não frutos ocos sem conteúdos. Algumas alas cristãs de nosso país precisam, de fato, cessar com a propagação de uma fé mal digerida, que mais adoece do que faz bem. Parar com a propagação de um evangelho que se distingue da receita principal. Precisam regressar ao ambiente interno, rever o que está errado, corrigir, e depois voltar às ruas propagando uma fé bem digerida e que gera saúde espiritual. Não se pode continuar fornecendo um alimento que faz mal por tempo prolongado! Os consumidores correm risco eminente de morte! E em muitos casos, o óbito já fora atestado!
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Autor: Thiago Azevedo
Divulgação: Bereianos
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O exegeta da reforma e seu zelo pelas Escrituras Sagradas

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João Calvino ainda é um personagem na história do cristianismo muito mal interpretado. Por muito, João Calvino tem caído no tão famigerado método interpretativo que classifico como “Histórico Auditivo”, é aquele que a pessoa interpreta um personagem a partir do que se fala dele, mas nunca do que o próprio personagem deixou registrado. Calvino, além de seus comentários Bíblicos, nos deixou outras obras que são de suma importância para quem quiser lhe compreender – Assim são suas cartas, seus sermões e As Institutas ou Tratado da Religião Cristã, esta última figurando como sua obra magna. Além disso, Calvino confeccionou um vasto material litúrgico, por exemplo, um manual de culto que publicou entre o final de 1539 e início de 1540, completo em língua francesa e contendo diversos salmos e versos acompanhados de suas respectivas melodias para o canto congregacional.

Posteriormente, em meados de 1536 – 1537, Calvino elabora uma espécie de Catecismo que posteriormente receberia o nome de “Instrução e Confissão de Fé, Segundo o Uso da Igreja de Genebra”. Segundo muitos estudiosos do pensamento calvinista, essa obra possuía um caráter mais didático em relação a outros catecismos, pois a mesma não era composta de perguntas e respostas, mas sim de um modo que Calvino julgou acessível aos fiéis. Ainda em 1539, João Calvino elabora aquele que seria conhecido como o Saltério de Genebra, onde traduzira alguns salmos (19 inicialmente). Esta obra fora iniciada por Calvino, mas concluída por Thèodore de Bèze e outros expoentes da cultura musical francesa desse período. O Saltério de Genebra “tornou-se um dos livros mais importantes da reforma” LEITH (1997, apud MAIA, 2000, p. 59). Esta obra teve “um verdadeiro ‘dom de línguas’, já que foi traduzido para o alemão, holandês, italiano, espanhol, boêmio, polonês, latim, hebraico, malaio, tamis, inglês etc., e usado por católicos, luteranos e outras denominações” LEITH (1997, apud MAIA, 2000, p. 60)

Com estas obras, Calvino não só nos mostra sua preocupação com a correta liturgia cristã, mas também seu zelo e cuidado no manuseio para com as Escrituras Sagradas. Assim o faz por conta da pesada herança litúrgica medieval cuja qual estava recebendo. Este corpus litúrgico produzido por João Calvino circulou nas igrejas de Genebra e de Estrasburgo guiando suas respectivas liturgias. Calvino era um homem que tinha receio que as atenções humanas no decorrer da liturgia do culto cristão fossem desviadas do que realmente é mais importante, a saber: as Escrituras Sagradas. A salmodia exclusiva é outro bom exemplo do cuidado e zelo bíblico-litúrgico deste reformador; entendia que o livro de salmos era uma espécie de anatomia de todas as partes da alma, uma espécie de compêndio teológico mais que salutar à igreja. Nada mais justo que cantá-los de forma congregacional. Calvino era um apreciador da harpa (instrumento musical), mas optava pela liturgia da antiga sinagoga judaica. Ou seja, sem o acompanhamento instrumental. Possuía o receio de que quaisquer outras cousas, que não fosse a essência das Sagradas Escrituras, atraísse mais atenção de quem estava cultuando. Assim, imaginemos que se um salmo era cantado com muito floreio musical, ênfase harmônica ou vocal etc., e a beleza de sua harmonia melódica chamasse mais atenção que sua letra em específico, isso seria um pecado grave para com as Escrituras Sagradas no entendimento deste reformador. Calvino nos fala sobre isso:

“Nem contudo, aqui condenamos a voz ou o canto, se não que antes, muito os recomendamos, desde que acompanhem o afeto da alma. Ora, assim exercitam a mente na cogitação de Deus e a retêm atenta, a qual, como é escorregadia e versátil, facilmente se afrouxa e a variadas direções se distrai, a menos que seja de variados adminículos sustentada. Ademais, como em cada parte de nosso corpo, uma a uma, deve luzir, de certo modo, a glória de Deus, convém especialmente seja a língua, que foi criada peculiarmente para declarar e proclamar o louvor de Deus, adjudicada e devotada a este ministério, quer cantando quer falando [...]” (CALVINO, As Institutas da Religião Cristã, III.20.31.)

Para Calvino havia um “elemento central no culto” e este não podia ser outro que não fosse a Palavra de Deus. Esta ideia fora propagada até na organização e na construção das igrejas reformadas na Europa: “As igrejas Reformadas simbolizaram isso nos edifícios que ergueram durante a Reforma, ao colocar o púlpito à frente e no centro do templo” REID (1976, apud MAIA, 2000, p 57). Um bom material para se saber com mais detalhes e informações acerca do culto histórico dos reformados, a expansão do Saltério Genebrino nas mais diversas línguas que fora traduzido, e até a possibilidade de fazer downloads dos salmos cantados, encontra-se no site Westminster hoje (em espanhol) cujo link está disponível aqui. O site reproduziu uma série de sete Artigos do Pastor John Sawtelle sobre o tema.

Conhecido como o “exegeta da reforma”, assim pela riqueza hermenêutica vista em seus comentários, como também por sua forma peculiar de expor as Escrituras Sagradas, Calvino possuía um zelo admirável pela Bíblia. Havia em seu entendimento uma regra sacra: “Que esta seja nossa regra sacra: não procurar saber nada mais se não o que as Escrituras nos ensinam. Onde o Senhor fecha seus próprios lábios, que nós igualmente impeçamos nossa mente de avançar sequer um passo a mais" (CALVINO, Exposição de Romanos (9.14), p. 330). Assim como o salmista no Salmo 139:6, João Calvino entendia que o homem possui um limite intelectual no que tange à interpretação das Escrituras Sagradas e do Deus ali revelado. Ou seja, o limite é justamente até onde Deus quis se revelar. Após isso, a mente humana, além de não ter como, não deve querer avançar. João Calvino conseguia transitar entre a erudição e a espiritualidade sem se manter polarizado em um dos dois de forma extremada. Conseguia entregar às suas ovelhas um alimento sólido, consubstanciado e extraído dos mais finos recursos exegéticos, mas com o compromisso de que todos pudessem compreendê-lo. Afinal, esta deve ser a função principal de todo e qualquer teólogo – traduzir a teologia para a linguagem popular sem que esta sofra mutilações. Não era em vão que lhe recaía outro epíteto, a saber: “Príncipe dos Expositores”. De certa forma, Calvino: “Fugia [...] e de certos refinamentos exegéticos que quando muito só servem para revelar erudição, mas não contribuem para esclarecer o texto e edificar o povo de Deus” CALVINO (1959, apud MAIA, 2000, p. 39). 

É muito importante que se destaque a real preocupação dos reformadores como um todo no que concerne à ênfase do “Sola Scriptura”, bem como a disponibilização das Escrituras Sagradas para a população em geral. Por isso a forte atividade de tradução da Bíblia para os respectivos e diversos idiomas dos países em que a reforma se deu com maior ênfase. Logo, essa era uma preocupação de todos os reformadores, uma vez que a Bíblia fora oculta por muitos anos dos olhares do povo em geral. 

A teologia de João Calvino pode, de fato, ser reconhecida como sistemática, mas também bíblica ao mesmo tempo. Tendo em vista que o trabalho do “Exegeta da Reforma” se concentrou mais em comentar o Livro Sagrado, sua teologia é bíblica. Porém, Calvino também é conhecido como um grande sistematizador das Escrituras Sagradas. Não adentraremos aqui nas nuances da complexidade da expressão “Teologia Bíblica”, uma vez que tudo que se extraí da Bíblia é bíblico, logo a Teologia Sistemática também é bíblica, pois fora extraída da Bíblia. Acreditamos que a expressão de Geerhardus vos, em seu livro “Teologia Bíblica; Antigo e Novo Testamento”, direcionada às Escrituras Sagradas como sendo “A História da Revelação Especial” seja mais adequada. Mas, discussões à parte, queremos destacar que, como poucos, Calvino consegue unir em sua teologia pontos aparentemente opostos e marcados pela tensão – Teologia Bíblica e Teologia Sistemática é um deles. 

A Teologia Exegética era, de fato, uma marca na vida de Calvino, mas que de forma única conseguia unir isso à sua teologia prática. Ele não era um teólogo puramente teórico e sem a parte prática da coisa em si. Ele conseguia converter teoria em prática e prática em teoria. E, como já falamos, conseguia transitar entre o erudito e o espiritual, e o produto disso era visto na sua teologia prática. Um bom exemplo sobre este caráter minimizador de tensões visto na teologia de Calvino é sua posição acerca da Ceia do Senhor junto aos oficiais de sua Igreja em Genebra. É sabido que na alta idade média havia o costume de se celebrar a Ceia do Senhor apenas em caráter anual – uma única vez –, mas João Calvino combate essa ideia com ênfase no costume primitivo da igreja cristã que corriqueiramente desfrutavam de momentos de comunhão “junto à mesa” (Atos 2: 44-47). O epicentro da tensão na Igreja de Genebra recai entre Calvino, que entende que a Ceia do Senhor deve ser semanalmente realizada, e os oficiais da igreja que entendem que a Ceia do Senhor deveria ser ministrada apenas quatro vezes por ano e em datas específicas. Esta tensão, se fosse em dias atuais, com toda convicção, teríamos o assunto resolvido pelo víeis da tirania ou do terrorismo proféticos que são realizados por alguns líderes que fazem de suas igrejas verdadeiros quartéis militares. Porém, a tensão entre João Calvino e seus oficiais na Igreja de Genebra foi resolvida por meio da condução do Espírito Santo, que concedeu a Calvino uma estratégia salutar para resolução da problemática. O “Exegeta da Reforma” fez acordos entre as mais diversas igrejas vizinhas em relação à data da Ceia do Senhor, conseguiu variar estas datas entre cada igreja da cidade e proporcionar que houvesse culto de Ceia semanalmente – não na sua igreja em específico –, mas entre as igrejas da cidade. Com isso, avisava aos membros de sua própria igreja que eles deveriam visitar as outras igrejas nos cultos de Ceia especificamente, e assim estimular a comunhão entre os irmãos e as igrejas vizinhas junto à mesa de Cristo. Com isso, João Calvino conseguiu estabelecer seu ideal de que a Ceia do Senhor fosse ministrada semanalmente, sem desavenças ou perseguições. Seu trabalho sempre foi em prol do crescimento harmônico do corpo de Cristo.

Percebemos em tudo isso que João Calvino era, de fato, um servo de Deus no sentido mais estrito da palavra. Um homem que possuía um zelo imenso pelas Escrituras Sagradas. Um homem a ser estudado e entendido, um exemplo de erudição e espiritualidade isento de polarizações e extremismos nessas áreas. Um reformador que transitava entre os mais refinados recursos exegéticos, mas que tudo isso desembocava numa teologia prática piedosa e que sempre apontava para um alvo cristocêntrico. Dizem que reformar dar mais trabalho que construir. Com certeza, reformar a igreja foi um trabalho árduo, mas também exitoso e que custou tempo, dedicação e a vida de muitos homens comprometidos com Deus. As bases foram refeitas e postas – Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Sola Deo Glória – devemos permanecer sempre sobre o alicerce desta tradição. 

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Bibliografia:
CALVINO, João. As Institutas ou Tratado da Religião Cristã. São Paulo, CEP, 1985
 CALVINO, João. Comentário de Romanos, Editora Fiel, Edição Virtual Autorizada (Biblioteca de Calvino)
 MAIA; LEMBO; QUADROS; GOUVEIA. O Pensamento de João Calvino. São Paulo, Mackenzie, 2000
 MCGRATH, Alister. A vida de João Calvino. São Paulo, Cultura Cristã, 2004

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Autor: Thiago Azevedo
Divulgação: Bereianos
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Fatores que evidenciam uma Crise Pastoral

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Em dias de crise econômica e escassez ética, nada melhor que refletir sobre as motivações que podem gerar uma situação igual a que estamos vivendo no contexto político de nossa pátria. Refletir sobre o tema específico é proveitoso. É justamente isso que iremos fazer neste conteúdo. Porém, não direcionaremos nossa reflexão à crise político-econômica de nossos dias. Pois, ao abordar esse tema, necessariamente, outros temas viriam à baila. E se fizermos uma busca pelo ponto cerne de tudo, sem sombra de dúvidas, chegaríamos ao pecado como causa. Mas, a crise a ser abordada aqui, bem como suas causas, é na realidade outra, e que tem se instaurado em outro ambiente, a saber, no ministério pastoral. 

Há anos que temos instaurado no cenário religioso tupiniquim uma verdadeira “crise pastoral”. Em primeiro lugar, precisamos definir termos; Poimen, este que é o termo utilizado para pastor em grego e que significa supervisionar o rebanho – cuidado contínuo, zelo, preocupação com bem-estar e saúde das ovelhas. Observando o significado do termo em si, logo nos vem algumas dúvidas, a saber: Por que tantas pessoas que se aventuram no ministério pastoral não possuem essas características? Por que tantos que se aventuram neste ofício realizam a lógica contrária, a saber, obter vantagens próprias por meio das “ovelhas” ao invés de ampará-las? Na realidade, vivemos uma grande “Crise Pastoral” sem precedentes. Neste texto, tentarei destacar alguns dos principais motivos de tal crise.

O primeiro e mais grave motivo pelo qual vivemos em dias atuais, uma verdadeira “Crise Pastoral” é a falta de conhecimento bíblico que norteia o cenário religioso cristão da atualidade. O profeta Oseias já alertava no seu tempo (Oseias 4:6). Na atualidade há uma baixa cultura literária em nossa nação, e dentro deste índice, A Bíblia figura. O problema aumenta quando entendemos que todo e qualquer cristão deva ter o mínimo de conhecimento dos idiomas originais da Bíblia, isso porque vivemos uma época onde cada vez mais pessoas combatem os pressupostos cristãos se utilizando da própria Bíblia e de recursos exegéticos (na grande maioria das vezes fazem “eixegese” ao invés de exegese) – um bom exemplo é a Teologia Inclusiva que tenta usar argumentos bíblicos para legitimar-se. Quando se figura num cenário, cristãos que leem e conhecem pouco o livro que regulamente suas regras de fé e prática – A Bíblia – e pessoas que a estudam com intenções tendenciosas e ideológicas, sempre com intuito de refutá-la, temos um ambiente favorável para o surgimento de várias aberrações da fé. Este é o pano de fundo da “Crise Pastoral” que anunciamos aqui. Vejamos as palavras do profeta Oseias:

O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos”. (Oseias 4:6)

O interessante é ver nisso tudo que o próprio Deus rejeita aqueles que rejeitam o conhecimento, Deus os rejeitou como sacerdotes. O conhecimento pode ser entendido aqui como a lei de Deus, e quem a rejeita, Deus os rejeita. Podemos perceber que há uma grande possibilidade de haver no cenário religioso atual uma quantidade elevada de pessoas que rejeitam e negligenciam à Bíblia, e, por isso, são rejeitados por Deus. Mas, estas pessoas, se intitulam pastores aptos a conduzir o rebanho. Estas pessoas estão lançadas às suas próprias sortes. Deus os rejeitou como sacerdotes, líderes e pastores, por negligência da Palavra de Deus. Imagine agora como será um ambiente onde o líder fora desprezado por Deus, mas ele se julga apto a liderar o rebanho? É justamente nesses ambientes onde vemos as maiores aberrações da fé. Assim como Israel caminhou em direção da destruição por ter negligenciado a Lei de Deus, muitos caminham em direção de um precipício e de olhos vendados, sendo guiados por um líder que também não enxerga nada. Falsos pastores conduzindo falsas ovelhas, pois as verdadeiras ovelhas reconhecem a voz de seu verdadeiro pastor (João 10). 

Outro motivo que poderia figurar na lista das causas da “Crise Pastoral” que vislumbramos em nossos dias, seria cometido por aquelas pessoas que escolhem ser pastor. Certo dia ouvi uma pessoa dizer que desde pequeno sonhava em ser pastor. Ela não queria realizar outra coisa em sua vida. Ao ouvirmos isso, aparentemente, soa como algo lindo. Porém, precisamos refletir biblicamente sobre esta alegação. Moisés foi um dos homens chamados por Deus que relutou contra isso (Êxodo 4:1-17), ele não se sentia preparado para executar tamanha tarefa, nem muito menos queria ser líder desde pequeno. O próprio Jeremias relutou quando Deus o chamou (Jeremias 1:6) como se não se avaliasse preparado. Inclusive, é o próprio profeta quem escreve em seu livro que os pastores serão dados exclusivamente por Deus (Jeremias 3:15). Jeremias também não sonhava em exercer uma liderança desde criança. Nestes dois casos, nenhum dos personagens bíblicos escolhe ser líder do povo, mas Deus os chama mesmo assim. Numa outra passagem das Escrituras Sagradas, outro dado interessante é quando o Profeta Samuel vai até a casa de Jessé escolher o novo rei de Israel em sucessão de Saul (I Samuel 16), Deus dá uma ordem ao profeta:

Porém o Senhor disse a Samuel: Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (I Samuel 16:7)

Aqui vemos uma concatenação entre  os dois textos mencionados, a saber, o de I Samuel 16:7 e o de Jeremias 3:15. Mas, mais que isso, estas palavras foram ditas por Deus quando Samuel tinha olhado para um dos filhos de Jessé (Eliabe) e o havia avaliado como sendo o futuro rei de Israel. Mas Deus alerta Samuel para não se iludir com a aparência. Hoje sabemos que as aparências enganam. Deve ser por isso que só Deus pode conceder pastores, porque só Ele pode sondar os corações. E como o próprio homem não conhece de fato seu próprio coração e nem o coração alheio, é melhor que Deus confirme e escolha aqueles que devem conduzir o rebanho. 

Podemos mencionar também o apóstolo Paulo como sendo importante expoente dentro desta lista e tema, pois o mesmo fora chamado por Deus de uma forma bem específica. Sua conversão, sobrenatural, na estrada de Damasco, aponta para um homem que não escolhe Deus, mas que Deus o escolhe. Ao avaliarmos o processo que Deus executa em chamar aqueles que Ele mesmo escolhe para a realização de sua obra, não vemos nenhum homem que escolhe, desde pequeno, servir a Deus. Vemos homens que foram chamados, em determinados momentos de suas respectivas vidas, alguns ainda com pouca idade (o rei Josias que foi levantado por Deus aos oito anos de idade), outros já de idade adulta, mas independente disso, homens que nem se quer pensavam em desenvolver uma função dada por Deus. Com isso, devemos atentar para algo, a saber, precisa-se ter muito cuidado quando alguém abre a boca e diz que desde pequeno sonhava e queria ser pastor. Essas palavras podem ser verdadeiras, mas a Bíblia não dá ênfase a tal regra, muito pelo contrário, a grande maioria dos chamados de Deus em direção ao homem se dá quando este mesmo homem já possui uma idade adulta e nem se quer fazia planos para seguir a Deus. Talvez este seja um dos principais motivos cujo qual sofremos uma grande “Crise Pastoral” na atualidade – pessoas que escolhem ser pastor, e todo bom pastor não escolhe ser, mas Deus o escolhe. 

Outro motivo recairia na omissão e falta de coragem por parte de muitos homens em realizar tanto sua função pastoral, como também seu próprio papel de homem. Entendemos que antes de tudo, um bom pastor precisa ser “Homem” – com H maiúsculo. Vivemos uma “Crise Pastoral” porque muitos homens se esquecem disso. Quando me refiro ser homem, não me refiro aos aspectos masculinos, mas sim à personalidade e caráter. Refiro-me ao que de fato é masculinidade. E dentro deste conceito sabemos que existem dois tipos de masculinidade; a verdadeira e a falsificada. Nas palavras de Douglas Wilson, seria desta forma:

“A masculinidade falsificada se destaca por criar desculpas; porque essa ‘masculinidade’ é uma questão de orgulho, e não a humilde aceitação da responsabilidade. Assim, qualquer coisa que ameace esse orgulho deve ser rejeitada. Uma das coisas que sempre ameaçam o orgulho é qualquer tipo de falha, e a maneira como homens inseguros lidam com isso é dando desculpas. A verdadeira masculinidade assume a responsabilidade, e ponto final. Já a falsa masculinidade irá querer aceitar a responsabilidade apenas por aquilo que deu certo.” (WILSON, 2012, p. 24)

Um dos principais motivos por vivermos na atualidade uma “Crise Pastoral” é nada mais nada menos que ausência de uma masculinidade verdadeira e a presença de uma masculinidade falsificada nos homens envolvidos com a obra de Deus. Homens de masculinidade falsa, que não assumem suas responsabilidades pastorais. Assumir responsabilidades é a maior característica presente no caráter de um “Homem”, e é justamente esta característica que evidencia os homens de masculinidade verdadeira, àqueles com H maiúsculo. Como este tipo de homem está em extinção no cenário religioso do Brasil, figurando mais os homens de masculinidade falsificada, este segundo grupo de “homens” dão margem para surgir várias aberrações nos púlpitos. Infelizmente, muitas mulheres assumem a postura que devia ser vista nos homens. O surgimento do fenômeno da ordenação feminina no seio da liturgia cristã contemporânea, não se dá apenas por falta de conhecimento bíblico-exegético – mesmo entendendo que este é o principal motivo deste fenômeno –, mas também por termos na atualidade uma geração de homens de masculinidade falsificada que não assumem suas respectivas responsabilidades pastorais. Sempre que uma mulher é ordenada pastora, há por trás disso um homem de masculinidade falsificada. Sua masculinidade é tão falsificada que uma mulher assume seu lugar. É como se ela estivesse dizendo em alto e bom tom: “Aqui tem homem!”, e infelizmente, o papel do homem é realizado por ela mesma. Este é mais um dos principais motivos por estarmos vivendo na atualidade uma “Crise Pastoral”.

Por fim, entendemos que todo o processo do chamado de Deus em direção aos verdadeiros pastores e líderes atende uma ordem monérgica. Ou seja, é o próprio Deus quem a executa de forma plena e autônoma. Quando o homem se julga preparado para exercer tamanha função, já é um mau sinal. Pois, como o Próprio Deus é quem chama, Ele mesmo preparará o indivíduo gradativamente. E uma das características dos homens chamados e levantados por Deus é justamente nunca se sentir preparado. O preparo além de ser gradativo, não possui um estágio final, e é contínuo. É por nunca se sentir preparado que aqueles que Deus realmente levantou como pastores acreditam ser de tamanha responsabilidade este título – pastor. Por outro lado, há aqueles que se avaliam como sendo totalmente aptos e preparados a exercer as funções pastorais. Eles se avaliam como sendo tão aptos e preparados que não aceitam, nem sequer, serem chamados mais de pastores, pois este título rebaixa suas condições elevadas de homens preparados. O título de pastor provoca comichão e incômodo na alma, provoca inquietação e insatisfação – “paipóstolo”, “mãepóstola”, “apóstolo” etc., conforta mais uma alma megalomaníaca e sedenta por uma subida incessante na escadaria do poder. 

Daqui uns dias o título de demiurgo estará sendo utilizado por alguns destes homens. Deve ser justamente estes a quem Oseias nos alerta. Estes que rejeitaram o Senhor e que foram rejeitados e esquecidos de forma recíproca. Estes que caminham por caminhos que não conhecem e levam consigo uma grande multidão que juntos estabelecem em nossos dias uma profunda, funesta e amarga “Crise Pastoral”. 

Falsos pastores se estabelecem por si próprio, mas o verdadeiro pastor é Deus quem levanta, e as verdadeiras ovelhas, não as falsas, conhecem a sua voz.

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Autor: Thiago Azevedo
Via: Electus
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Cuidado com o antropopatismo e o antropomorfismo exagerado

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Por Thiago Azevedo


Sabemos que a Bíblia está repleta de trechos que possuem uma linguajem antropomórfica e antropopática. Ou seja, respectivamente falando, textos que visam dar a pessoa divina um atributo físico (mãos, olhos, pés) ou um sentimental (zelo, amor, raiva) do homem. Antropomorfismo é a junção de duas palavras gregas antropos = homem e morfê = forma, logo, se tem o significado de forma de homem. Antropopatismo segue neste mesmo vácuo, a saber; antropos = homem e pathos = sentimentos, logo, se tem o significado de sentimento do homem. Estes textos são de caráter pedagógico para que a compreensão da Bíblia se torne mais acessível, pois se não houvesse esses recursos literários no bojo das Sagradas Escrituras, sua compreensão seria muito mais complexa do que já é. Imaginemos a possibilidade de Deus – um ser perfeito e puro – nos comunicar a sua revelação na sua linguajem restrita. Se isso ocorresse, de fato, o homem jamais o compreenderia. 

Há na Bíblia diversos textos com essas características, os termos estarão em negrito para facilitar seu reconhecimento. Há a possibilidade também de um termo antropomórfico vir oculto no texto, neste caso, colocaremos entre parênteses, são eles:

Exemplos de antropomorfismo:

Gênesis 8:21 – “E o Senhor sentiu o suave cheiro (nariz), e o Senhor disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz”. (Aqui temos as palavras nariz de forma implícita no texto, pois Deus sentiu o cheiro de algo. E temos a palavra coração, todas em negrito). 

I Pedro 5:6 – “Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que há seu tempo vos exalte” (Aqui temos a palavra mão em destaque).

Provérbios 15:3 – “Os olhos do Senhor estão em todo lugar, contemplando os maus e os bons” (Aqui se tem a palavra olhos em destaque)

Ezequiel 13:5 – “Porventura não tivestes visão de vaidade, e não falastes adivinhação mentirosa, quando dissestes: O Senhor diz, sendo que eu tal não falei?” (Aqui temos a palavra boca subtendido, pois Deus alega que não falou).

O próprio Jesus em João 4:24 diz que Deus é espirito, logo, sendo espírito, não possui forma ou partes do corpo humano. Essas passagens funcionam como recurso pedagógico para a compreensão daquele que é perfeito e santo. Pois, caso contrário, nem sequer teríamos uma noção da compreensão divina. 

Exemplos de antropopatismo:

Gênesis 6:6 – “Então se arrependeu o Senhor de haver feito o homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração”. (Aqui se tem a palavra arrependeu)

I João 4:8 - “Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor”. (Aqui se tem a palavra amor)

Provérbios 6:16 – “Estas seis coisas o Senhor odeia, e a sétima a sua alma abomina”: (Aqui se tem a palavra odeia) 

Ezequiel 13:13 – “Portanto assim diz o Senhor DEUS: Fendê-la-ei no meu furor com vento tempestuoso, e chuva de inundar haverá na minha ira, e grandes pedras de saraiva na minha indignação, para a consumir”. (Aqui se tem as palavras furor e ira)

O próprio Deus revela que Ele não é filho do homem para que minta ou que volte atrás com sua palavra (Nm 23:19). Ou seja, Deus não volta atrás com Sua palavra, portanto, não se arrepende. Tudo isso não passa de uma linguagem antropopata para que o homem entenda a revelação divina. A melhor tradução para a palavra nacham não seria o verbo arrepender, como ocorre nas Bíblias em geral, mas sim o verbo confortar ou tranquilizar. Nessas passagens a melhor tradução seria que Deus confortou-se ou tranquilizou-se em realizar tal evento ou exercer seu juízo sobre alguém. O que enfatiza mais ainda o caráter antropopata do texto.

O grande problema da atualidade é que as pessoas têm exagerado nessas linguagens, algumas têm tentado humanizar Deus ao extremo, atribuindo atitudes, posturas e até sentimentos cada vez mais comuns do cotidiano do ser humano. Temos bons exemplos, principalmente nas canções ditas cristãs: “Deus marcou na agenda”, “minha audiência ele já marcou”, “Deus assina com caneta que a tinta não se acaba”, “o martelo de Deus quando bate ninguém revoga”, “Deus fica doente quando nós pecamos” etc. Existe até uma canção de um determinado grupo “evangélico” que a letra possui expressões do tipo: “vou esconder as sandálias de cristo para ele não ir em bora”, “eu quero vestir tuas camisas com as mangas maiores que meus braços” etc. 

O uso exacerbado dessas linguagens acaba banalizando a pessoa divina, tornando-o um homem comum como qualquer outro. Precisamos retornar às Escrituras e perceber que, por mais que Deus tenha amado sua igreja e tenha elaborado um plano para sua salvação, Ele é santo – e o significado de santo é separado – e distinto totalmente do homem (a arca da aliança sendo carregada à distância dos sacerdotes por meio dos varais, o tabernáculo tendo um local específico para Deus pousar e Jesus quando proíbe Maria de Magdala de lhe tocar ao se mostrar ressurreto a mesma são bons exemplos). Essa postura de reduzir Deus ao nosso ambiente humano é só mais uma característica dos tempos de crise que o evangelho vive, dos tempos de desprezo às Escrituras Sagradas e do apego aos ensinamentos humanos e as experiências místicas – essas práticas, na atualidade, vale mais que o conteúdo bíblico. 

Deus possui um padrão elevado e muitos tentam rebaixá-lo para o parecer mais fácil e acessível. Alguns até “conseguem” enganar quanto a isso, mas é justamente por ter esta impressão – de Deus como uma pessoa comum como qualquer outra – que as pessoas não o honram como Ele merece. Os recursos literários citados neste texto foram, nada mais, nada menos, utilizados pelos autores bíblicos com um fim específico, a saber: proporcionar um entendimento melhor da pessoa divina aos olhos humanos por meio de suas revelações, pois como poderia um ser perfeito caber na mente de um ser imperfeito, caído e completamente limitado como o homem? 

Agora que já se conhece o plano salvífico de Deus em direção à sua igreja, isso por meio da Sagrada Escritura, agora que toda soberania divina é notada na história da humanidade, tomemos cuidado com o uso do antropomorfismo e do antropopatismo exagerado para falar da pessoa divina, pois isso pode ofuscar a verdadeira posição que Deus ocupa na história e obscurecer a distinta diferença entre Deus e os homens. 

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Divulgação: Bereianos
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Será que o melhor de Deus ainda está por vir?

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Por Thiago Azevedo


“O melhor de Deus ainda está por vir” é só mais uma frase que adentra no âmbito do evangelho brasileiro por meio de uma canção. Na maioria das vezes a situação se repete. Sabemos que a música possui uma característica diferencial no que diz respeito à fixação de um conteúdo na mente, além de ser um excelente recurso pedagógico. Mas, isso tem seu lado negativo, pois uma frase cantada pode muito bem trazer uma inverdade e esta inverdade ser tão propagada, exposta e divulgada que passa a ser uma verdade na mente das pessoas. Além do mais, tais pessoas passam a defender esta inverdade de forma bélica, e ai de quem questioná-los. 

Talvez algum crítico pós-moderno leia este texto e deduza que há uma pretensão demasiada nas seguintes afirmações: inverdade e verdade. O que deve ser levado em consideração às palavras mencionadas anteriormente é o escopo literário que se encontra na Bíblia sagrada, esta é a regra de fé e prática de todo cristão, ou ao menos deveria ser. Neste escopo há diversas informações de que a verdade existe. Mas não só isso, a verdade se fez carne e esteve entre nós (João 1:14 / 14:6). 

É justamente o fato de esta verdade existir, e de Deus ter nos concedido o conhecimento da mesma, que nos leva a refletir sobre a frase inicial deste texto, a saber: “O melhor de Deus ainda está por vir”. Algumas perguntas precisam ser feitas, são elas: Existe algo na atualidade que Deus possa fazer que seja mais importante do que a morte de Cristo na cruz do calvário? Qual benção que alguém possa receber na atualidade é mais importante do que o sacrifício de Cristo? As respostas, de acordo com o escopo bíblico, são as seguintes: não há nada mais importante que o sacrifício de Cristo na cruz e não há nenhuma benção que possa superar a importância de tal ato. Por maior que seja uma benção que alguém recebeu, por maior que seja o feito divino na vida de alguém, nada disso supera em importância o sacrifício de Cristo na cruz do calvário. Logo, o melhor de Deus não está por vir, mas já veio há muito tempo. 

Algumas pessoas, aquelas que passam a defender uma inverdade como uma verdade, tentam justificar suas errôneas conclusões com as seguintes alegações: “O melhor de Deus será quando todos estivermos no céu”! Perceba que este é um típico caso de alguém que, além de não conhecer a Bíblia, se deixa levar sempre pelo argumento da força e não pela força do argumento. Pergunto: Se cristo não tivesse morrido, se não fosse seu suficiente sacrifício, seria possível habitar no céu um dia? A resposta é não. Logo, a morte de Cristo foi e é o melhor de Deus para seu povo. 

Portanto, com a morte de Cristo é que fomos lavados e comprados com o seu sangue, isso nos dará a credencial de adentrarmos no céu e desfrutarmos de uma eternidade numa perene paz. É pela morte de Cristo que temos condições de lutar contra o pecado, e se não fosse isso não teríamos chance alguma, e muito menos esperanças. 

O melhor de Deus na sua vida e na minha vida não está por vir, mas já veio, chama-se Jesus Cristo!!!

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Divulgação: Bereianos
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Alimentando ovelhas ou divertindo bodes?

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Por Thiago Azevedo

Em dias atuais esta é a pergunta que não quer calar. Ela não é recente, Charles Spurgeon, mais conhecido como o príncipe dos pregadores, teceu-a em um artigo disponível no site Monergismo (acessado em 22/09/2014). Nunca se viu a igreja entretendo tanto o povo ao invés de pregar o evangelho, nunca se viu “pastores” que mais parecem animadores de auditórios ou comediantes de stand up comedy divertindo a massa. Nunca se viu tanta artimanha para atrair os bodes, e, enquanto isso, as ovelhas ficam numa dieta forçada, com pouco alimento consubstanciado e nutritivo – e em alguns casos, nem alimento tem. Estes líderes precisam entender conforme o velho jargão que há nos círculos cristãos “Comida de ovelha todo bode come, mas comida de bode, ovelha não come”.

Por que tanta preocupação em agradar os bodes, em atrair os incrédulos e em fazer o evangelho parecer algo divertido e pitoresco ao invés de alimentar as ovelhas em pastos verdejantes? Na atualidade, as igrejas realizam tantas festividades voltadas para o incrédulo que acabam se esquecendo das ovelhas que estão em seu ambiente. Em certa ocasião, tive acesso ao calendário anual de uma determinada igreja e lá constava mais cultos e festas voltadas para o lado de fora da igreja do que algo voltado para os fiéis daquela instituição. Não estou querendo dizer com isso que estas atividades externas não devam existir, mas a atenção maior, sem dúvida, deve ser dada aqueles que estão no lado de dentro da igreja, isso conforme o próprio texto bíblico de 1Tm 5:8. Deve haver uma preocupação primária com os da família da fé. A proposta-mor destes líderes do evangelho humorístico e banalizado, voltado apenas para o incrédulo é a aliança com o mundo. Eles baixam o nível do evangelho para que este seja visto como acessível, retiram a exclusividade de Cristo da pregação, entendendo que isso cria uma barreira para os incrédulos. Omitem preciosas doutrinas bíblicas só para que o evangelho pareça algo diferente daquele que foi pregado pelos apóstolos e pais da igreja.

O reverendo Renato Vargens, em seu livro “Reforma agora”, mostra a gama de falsos apóstolos que proferem interpretações bíblicas, se gabando destas interpretações particulares serem mais valiosas que os ensinos dos próprios apóstolos. Recentemente, um líder religioso de uma dessas igrejas, que mais parece um grande picadeiro, teceu a seguinte frase: “Paulo não compreendeu o que Deus quis dizer nesta passagem, e eu irei mostrar a todos o que de fato Deus queria aqui”. Perceba o tom de superioridade e a carga maligna destas palavras. Comportamento bem distinto dos apóstolos de Cristo do primeiro século que, além de humildes, tinham as Escrituras como sendo sua base Jo 3:30 / 2Tm 4:2. Por sinal, no texto citado de Timóteo a recomendação de Paulo é a pregação da palavra e não para contar piadas ou para entreter o povo. Inclusive, Paulo alerta o jovem pastor Timóteo dos tempos que surgiriam homens que iriam repudiar a sã doutrina e com coceiras no ouvido, segundo seus próprios desejos, juntarão mestres para si mesmos (2Tm 4:3).

A gama acachapante de homens que desejam que os holofotes e todas as atenções estejam voltadas para eles é realmente surpreendente. O princípio de Jo 3:30 cai por terra. Em Ef. 4:11 as Escrituras relatam que Deus deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores. A Bíblia, em lugar nenhum, diz que Deus levantou um ministério do entretenimento ou da comédia, dando este dom a alguém – isso não passa de invenção do homem. Em certa ocasião, certo “pastor” pregou mais de 40 minutos e nem sequer a Bíblia abriu. Este homem contou toda sua história e trajetória de vida, aliando risadagem e contos engraçados. A plateia se deleitava enquanto eu voltava para casa – e eu ainda fiquei com fama de herege. Em outra ocasião, conversando com um amigo, este me disse que o verdadeiro pastor é aquele que abre a Bíblia, lê um texto, e depois disso fecha a Bíblia e prega com ela fechada. Em amor, lhe expliquei que isso não procede. A omissão da Bíblia é uma estratégia para que não se compare ou se avalie o que está sendo dito. Durante mil anos a humanidade sofreu com isso. O que muitas vezes contribui com este panorama é a própria falta de entendimento e ignorância do povo (Os 4:6). Pois, pautados pela a ideia de que julgar não é dever nosso, e este entendimento provém de uma interpretação pobre de Mt 7:1.

Alguns dão campo para atuação destes falsos mestres e, com isso, permitem que a igreja se torne um circo e uma fonte de entretenimento, direcionada mais para quem se encontra fora dos portões dela. A Bíblia nos traz vários textos que alertam acerca de falsos prodígios e sinais, mentiras e falsidade, são eles: (Mateus 24:4; 2 Coríntios 11:13-15; 2 Timóteo 3:13; Apocalipse 13:13-14; 16:13-14). Se acreditarmos na Bíblia, podemos esperar uma abundância de falsos milagres. Logo, como se deve avaliar se tudo isso é verdadeiro ou como se deve avaliar a postura de um líder? A resposta é JULGANDO DE ACORDO COM AS ESCRITURAS! João adverte para testar os espíritos em 1Jo 4:1. Também adverte acerca daqueles que não são de Deus (1 Jo 4:6). Era mais ou menos o comportamento dos cristãos de Bereia (At 17:10-11) que examinavam o ensinamento de Paulo e de quaisquer outros pela Escritura. As Escrituras são o crivo, e não se o sujeito é ou não cômico ou promove entretenimento. O final do versículo 11 do texto supracitado diz que os cristãos de Bereia examinavam diariamente as Escrituras para ver se os ensinos procediam. Deve ser por isso que cada vez mais as igrejas estão se tornando verdadeiros parques de diversão e as ovelhas estão famintas e desnutridas, em paralelo, os bodes estão cada vez mais robustos e cevados pelo fato de serem alimentados constantemente.

Não há mais o costume de examinar as Escrituras e confrontar o que está sendo dito e o que está errado. De certa forma, há um regresso aos tempos medievais, vive-se na atualidade uma nova idade média, onde a Bíblia tem - cada vez mais caído no esquecimento e na omissão. Isso é fruto da estratégia maligna de alguns líderes tendenciosos. Em Gálatas 1:8-9 Paulo diz que ainda que ele ou um anjo que venha do céu pregue algo diferente, seja este amaldiçoado. Como saberá se é diferente ou não? Por meio das Escrituras Sagradas. Em outras palavras, é como se Paulo estivesse dizendo que ele mesmo, o seu ensino, devia ser confrontado para ver se era ou não verdadeiro. Por que, na atualidade, não vemos os líderes fazendo esta proposta? Por que os pastores atuais não pedem para os fiéis procurarem na Bíblia onde constam estes tipos de ensino como: ungir objetos, dízimos astronômicos, correntes de fé, copo com água santificada ou vendas de objetos santos que transmitem graça? Ou ainda, por que os líderes da atualidade não pedem para os fiéis procurarem nas Escrituras onde existe o ensino de que é preciso fazer algo para alcançar a salvação? Muitos até têm atribuído graça salvífica a certos objetos. Ou seja, ou adquire e vai para o céu ou não adquire e vai para o inferno. É ou não é um medievo contemporâneo? Sim.

A resposta para as demais perguntas é a seguinte: Os “líderes e pastores” contemporâneos não pedem que os fiéis consultem a Bíblia à procura destas aberrações porque não há nenhuma passagem bíblica que corrobore com estes sacrilégios heréticos. Isso tudo não passa de ração para bodes, e este tipo de alimento ovelha não come. Na atualidade não se deve avaliar os líderes religiosos pelo o que os mesmos proferem, eles são adeptos de uma verborragia clássica, ou seja, dizem que amam as Escrituras, que creem na graça salvífica, que creem na justificação pela fé e na soberania de Deus na salvação. Mas, as práticas e as atitudes destes líderes os denunciam veementemente.

Há um dito puritano que se deve fazer uso no ambiente eclesiástico tupiniquim: “Aquilo que alguém faz fala mais alto que suas próprias palavras”. Alguns líderes têm um discurso bonito quanto às verdades bíblicas, mas os seus atos mostram que são filhos do Diabo. Estes líderes realizam campanha para que se alcance graça salvadora, uns ainda dizem que quem não contribui não vai para o céu e outros líderes chegam até a vender lugar no céu. Outros colocam um óleo perfumado em um patamar mais elevado que a própria oração etc. Estes líderes são, de fato, muito habilidosos quando o assunto é alimentar seus bodes e desprezar as ovelhas. Portanto, a convivência entre bodes e ovelhas não cessará tão cedo, os bodes podem muito bem se alimentar na comida das ovelhas – eles até gostam –, mas, infelizmente, alguns falsos pastores preferem privar as ovelhas de um bom alimento e alimentar tão somente os seus cabritos.

É por isso que as ovelhas andam desnutridas. Mas, com toda convicção, há pastos saudáveis e verdadeiros pastores que ainda se preocupam em alimentar suas ovelhas com alimento nutritivo, como fez o pastor do Salmo 23. Como ovelha, aconselho que haja uma procura por pastos saudáveis e por pastores comprometidos em alimentar primariamente seu rebanho, e, ao encontrá-los, possa de fato usufruir e se deleitar numa boa alimentação e num bom pastoreio, sobretudo, no Pastor dos pastores que se encontra na pessoa de Deus.

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A Doutrina da Eleição na História de Jó

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Por Thiago Azevedo


Não é de se esconder de ninguém que estes temas, Livre-Arbítrio e Eleição têm andado juntos por longas décadas. Mas, o que é notório, é que estes temas são muito mais antigos do que se pensa. Analisando de forma atenta a história de Jó, nota-se que a realidade acerca dos dois temas já estava presente ali. Acerca do Livro de Jó em si, há um consenso entre os estudiosos, que os relatos ali apresentados são os mais antigos das Escrituras Sagradas. Por sinal, a Bíblia não segue uma ordem cronológica e sim uma ordem teológica. É por isso que o livro de Jó não encabeça a ordem dos livros canônicos. Também é um consenso entre os estudiosos que a história do Livro de Jó tenha ocorrido numa datação bem próxima do Pentateuco. Assim, este livro possui algo peculiar, os fatos ali narrados não foram contemporâneos ao autor. Ou seja, quem escreveu Jó escreveu coisas que haviam ocorrido muito antes daquele período em que fora escrito. Diferentemente dos livros proféticos que possuem – em grande parte – fatos contemporâneos ao período de seu registro. O estilo literário de Jó é muito próximo do estilo literário do Pentateuco, paralelo a isso, a antiga ocorrência dos fatos ali narrados faz com que as suspeitas de sua autoria recaiam sobre Moisés – a cidade de Uz ficava bem próxima de Midiã, cidade onde Moisés passou boa parte de sua vida, a saber, 40 anos.

Explorando alguns textos do Livro de Jó, é nítido que a Eleição predomina sobre a falácia do livre-arbítrio: 

PRIMEIRO TEXTO - Disse então o Senhor a Satanás: Reparou em meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal. Jó 1:8

Deus começa falando de Jó e o adjetiva como Seu servo. Aqui Deus faz questão de dizer que Jó é dEle. Não foi ninguém que escolheu Jó para Deus, e sim o próprio Deus. Aspectos da soberania divina são vistos em todo o livro e principalmente quando Deus interroga Jó perguntando onde ele estava quando Ele lançou os fundamentos da terra e do mundo (Jó 38). Outros textos da Sagrada Escritura corroboram com esta ideia (veja Jo 5:19 e 1º Jo 4:19). Deus ainda diz que não há ninguém como Jó em toda a terra. Evidentemente que Deus fala de Jó, mas o diferencia sobre toda a terra. É assim que os eleitos aos céus devem ser notados – distintos – e não se assemelham com os néscios e os ignóbeis – destinados ao inferno. É preciso que se entenda que há dois grupos de eleitos, um ao céu e outro ao inferno. Cada grupo evidencia as características de seus senhores. No texto, ainda é possível ver que os eleitos ao céu possuem algumas características marcantes – integridade, retidão, temor a Deus e se desviam do mal – Estas são as características de um verdadeiro eleito ao céu.

SEGUNDO TEXTO - Porventura tu não cercaste de sebe, a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado se tem aumentado na terra. Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face.” Jó 1:10-11

A alegria do eleito não está nos seus bens materiais e nem nas bênçãos, e sim, na certeza e na convicção de sua salvação. Satanás se engana, pois pensa que a ausência de bens materiais é motivo para abdicar da fé. Por sinal, não há nada que faça o eleito abdicar de sua fé (Rm 8:37-39). Aqui é possível enxergar que Satanás traz o conceito do livre arbítrio para dentro de sua lógica, pois ele diz a Deus que se Jó perder seus bens ele se arrependerá de ser fiel e escolherá blasfemar. O eleito aos céus não comete blasfêmia, não se arrepende de ser fiel, o eleito ao inferno faz isso numa constante.

TERCEIRO TEXTO - E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor. Jó 1:12. / E disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está na tua mão; porém guarda a sua vida. Jó 2:6

Os textos selecionados mostram que há limites na ação satânica, ou seja, isso mostra que nossas histórias foram confeccionadas sob medida e que as vicissitudes que por ventura venhamos passar na vida já estão sob os cuidados divinos, e Este, aprouve em seus decretos. Não há nada mais confortável que isso – ter a plena convicção que Deus já planejou e moldou nossas vidas e tudo que vamos enfrentar no plano terreno. Com isso, nota-se que nossas histórias têm um autor cuidadoso e justo. 

QUARTO TEXTO - E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor. Jó 1:21

Estas palavras foram proferidas por Jó quando começou a ser assolado por todas as setas inflamadas propostas pelo diabo, mas sob a autorização divina. Nesta passagem é notório que o eleito não se atormenta com as perdas e prejuízos, pois Deus é quem dá e Deus é quem tira. Jó usa a nudez – sua situação atual por conta das chagas –chegando a mencionar seu nascimento e sua vinda do ventre da mãe de forma despida, e é assim que voltará ao pó da terra. Aqui Jó demonstra outra característica do eleito – simplicidade e não apego as coisas materiais. 

QUINTO TEXTO - Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre. Jó 2:9

Em resposta a sua esposa, Jó considera como sendo louca e diz que ela aceitou o bem de Deus, mas não aceita o mal Jó 2:10. Aqui repousa outra característica da ideia do livre arbítrio. A mulher de Jó, ao analisar a situação, acredita que não há mais motivos para Jó se manter íntegro em relação a Deus. Ela acredita que só deve haver integridade se houver riquezas e bênçãos – motivações – como não há, Jó deve escolher blasfemar contra Deus. A mulher de Jó não compreende que não é uma questão de escolhas e sim de decretos divinos – o eleito ao céu entende que não tem escolhas quanto aos decretos divinos e somente deve aceita-los. Aqui Jó demonstra uma lição eterna de que a fidelidade não deve ser só em tempos de fartura e de riquezas, mas em todas as circunstâncias. Paulo nos ensina algo parecido em Fp 4:13. O eleito ao céu não se deixa levar pela correnteza da maré herética, não se ilude com as influências nem com as propostas fajutas e ilusórias dos adeptos da ideia do livre arbítrio ou de quaisquer outros ventos de doutrinas. Os amigos de Jó também são adeptos dessa corrente – a ideia do livre arbítrio ¬– um deles avalia que o que Jó está passando não passa de um pecado cometido possivelmente em oculto Jó 11:14. Estas pessoas que se aproximavam de Jó com diagnósticos falsos e sem conhecimento desapertaram a ira de Deus Jó 38:1-2.

Será que na atualidade Deus também não se ira com falsos profetas que querem resolver os problemas dos outros de forma simples e com palavras sem conhecimento? Qualquer semelhança com o pano de fundo evangelical das igrejas no Brasil não é mera coincidência! 

O fato é que o eleito ao céu não precisa cometer algo para sofrer, basta apenas Deus ter decretado isso. Este eleito não escolhe a Deus, Deus é quem o escolhe. O eleito ao céu não rejeita Deus sob hipótese alguma, mesmo que esteja mergulhado em um transe agudo. Não se ilude com doutrinas frouxas, além disso, é integro, anda em retidão, é temente a Deus e se afasta do mal. Enfim, evidenciam as características de seu Senhor. O eleito ao céu não perverte a graça divina como fizeram os Nicolaítas, mas se apresenta apenas como um mero mordomo de Deus no plano terreno. O outro grupo de eleitos – eleitos ao inferno – faz justamente o oposto. Há de fato uma grande confusão com a palavra livre arbítrio e é preciso que se entenda o real sentido da mesma. 

Teologicamente falando, livre arbítrio é quem tem a capacidade e o poder de cometer e de não cometer pecados. Logo, como todos são pecadores e ninguém pode não pecar (Rm 3:23), logo, ninguém detém o livre arbítrio. Por sinal, esta foi a reportagem capa da revista Galileu de Abril de 2013 nº 261 que trazia o seguinte tema: “Você não decide - Cientistas dizem que livre arbítrio não existe. Uma parte de seu cérebro fora de seu controle é quem escolhe por você”. Esta parte do cérebro pende para o mal – bem como um carro desalinhado – e é esta parte quem decide por todos. Portanto, não só teologicamente, mas também cientificamente, não existe a possibilidade da existência do tão famoso e conhecido livre arbítrio. 

Muitos confundem o poder de tomar decisões e a livre agência que cada ser humano possui com o livre arbítrio, todavia, não são a mesma coisa. É por isso que neste pequeno insight, considera-se que este tão falado livre arbítrio não passa de uma mosca branca! Ou seja, ninguém vê, só se ouve falar!

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Um conselho aos teólogos acadêmicos

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Por Thiago Azevedo


Constantemente tenho me debruçado na leitura de muitos artigos de cunho cristão. Louvo a Deus pela safra de pessoas comprometidas com as escrituras e com o verdadeiro evangelho que tem surgido em tempos atuais em Pernambuco e em toda parte do Brasil. Além destes, existem muitos outros homens de Deus espalhados por todo o mundo, ao que seria possível listá-los neste pequeno texto, mas não terminaria este mero texto com menos de vinte laudas, sendo quinze destas só para os cristãos de Pernambuco (brincadeira à parte). Estes estudiosos contemplam aqueles que gostam de uma boa leitura com estudos minuciosos e com requintes de detalhes acerca de vários assuntos teológicos. Porém, há um mal no texto de alguns destes homens que se torna mais que frequente nas suas publicações: A Bíblia não figura na lista das fontes pesquisadas. Fico a me perguntar como as Escrituras têm sido cada vez menos usadas – ao menos é o que aparenta – nestes estudos e pesquisas. Recentemente li um artigo de um teólogo internacional e muito badalado que trazia na sua lista de fontes utilizadas para pesquisa mais de dez obras. Porém, a Bíblia não constava naquela relação. 

O objetivo deste mero texto não é incitar à proibição da leitura destas obras e nem alegar que estas não possam servir de apoio às Escrituras e ao seu entendimento, mas o principal a ser explorado para este fim é o Espírito Santo, bem como a própria Bíblia. Há de fato uma porção de obras literárias que estão em consonância com a Bíblia e com sua tradição – a Confissão de Fé de Westminster, Catecismo de Heidelberg, Cânones de Dort e o próprio Catecismo Maior e Menor de Westminster – que corroboram para uma fortificação da fé. Mas, por mais que tudo isso seja de fato importante, nunca estarão no mesmo patamar que as Escrituras Sagradas. Todos estes documentos foram tecidos com fim apologético, mas deve ficar entendido a quem se debruça e ler estes referidos artigos – escritos por teólogos – que a Bíblia é a principal fonte destes – isso, infelizmente, não tem sido notório em certos artigos. Certo dia conversando com um jovem teólogo, muito estudioso por sinal, o mesmo me confessou que ia fazer mais de dois anos que não lia a Bíblia, mas já tinha lido as Institutas de Calvino, uma gama exagerada de confissões, diversos livros de apologética... Em amor, lhe disse que estava errado. Seu erro não era ler estas obras, mas sim ler apenas estas obras deixando de lado a Bíblia Sagrada. Seja em quaisquer planos de leituras, principalmente do cristão, a Bíblia deve constar na lista. 

Por fim, pontuo que uma vasta leitura de obras teológicas é de suma importância para o arcabouço do conhecimento teológico e robustez da fé, mas a principal destas obras chama-se Bíblia Sagrada, devendo esta constar na lista de fontes pesquisadas, de quaisquer teólogos, como a principal de todas as fontes utilizadas. Infelizmente, não generalizando, esta postura – a de esquecer a Bíblia na citação das fontes usadas para composição de artigos e estudos teológicos – é a mesma que diversos teólogos acadêmicos aderem para suas vidas, àquilo que eu considero como a síndrome de Nicodemos Jo 3 – conhecem e sabem de tudo, menos do principal. 

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Sobre o autor: Thiago Azevedo além de ser pecador e não merecedor da graça divina, mora em Recife - PE. Crê nas sagradas escrituras como sendo sua única regra de fé e prática, adere os princípios da reforma protestante. Casado com Mercia Litian há 7 anos, formado em teologia pelo STPC, graduando em teologia pela Universidade Metodista de São Paulo (EAD), graduando em Filosofia pela UNICAP Congrega na Igreja Evangélica Livre de Olinda-PE. 

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