Um conselho aos teólogos acadêmicos

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Por Thiago Azevedo


Constantemente tenho me debruçado na leitura de muitos artigos de cunho cristão. Louvo a Deus pela safra de pessoas comprometidas com as escrituras e com o verdadeiro evangelho que tem surgido em tempos atuais em Pernambuco e em toda parte do Brasil. Além destes, existem muitos outros homens de Deus espalhados por todo o mundo, ao que seria possível listá-los neste pequeno texto, mas não terminaria este mero texto com menos de vinte laudas, sendo quinze destas só para os cristãos de Pernambuco (brincadeira à parte). Estes estudiosos contemplam aqueles que gostam de uma boa leitura com estudos minuciosos e com requintes de detalhes acerca de vários assuntos teológicos. Porém, há um mal no texto de alguns destes homens que se torna mais que frequente nas suas publicações: A Bíblia não figura na lista das fontes pesquisadas. Fico a me perguntar como as Escrituras têm sido cada vez menos usadas – ao menos é o que aparenta – nestes estudos e pesquisas. Recentemente li um artigo de um teólogo internacional e muito badalado que trazia na sua lista de fontes utilizadas para pesquisa mais de dez obras. Porém, a Bíblia não constava naquela relação. 

O objetivo deste mero texto não é incitar à proibição da leitura destas obras e nem alegar que estas não possam servir de apoio às Escrituras e ao seu entendimento, mas o principal a ser explorado para este fim é o Espírito Santo, bem como a própria Bíblia. Há de fato uma porção de obras literárias que estão em consonância com a Bíblia e com sua tradição – a Confissão de Fé de Westminster, Catecismo de Heidelberg, Cânones de Dort e o próprio Catecismo Maior e Menor de Westminster – que corroboram para uma fortificação da fé. Mas, por mais que tudo isso seja de fato importante, nunca estarão no mesmo patamar que as Escrituras Sagradas. Todos estes documentos foram tecidos com fim apologético, mas deve ficar entendido a quem se debruça e ler estes referidos artigos – escritos por teólogos – que a Bíblia é a principal fonte destes – isso, infelizmente, não tem sido notório em certos artigos. Certo dia conversando com um jovem teólogo, muito estudioso por sinal, o mesmo me confessou que ia fazer mais de dois anos que não lia a Bíblia, mas já tinha lido as Institutas de Calvino, uma gama exagerada de confissões, diversos livros de apologética... Em amor, lhe disse que estava errado. Seu erro não era ler estas obras, mas sim ler apenas estas obras deixando de lado a Bíblia Sagrada. Seja em quaisquer planos de leituras, principalmente do cristão, a Bíblia deve constar na lista. 

Por fim, pontuo que uma vasta leitura de obras teológicas é de suma importância para o arcabouço do conhecimento teológico e robustez da fé, mas a principal destas obras chama-se Bíblia Sagrada, devendo esta constar na lista de fontes pesquisadas, de quaisquer teólogos, como a principal de todas as fontes utilizadas. Infelizmente, não generalizando, esta postura – a de esquecer a Bíblia na citação das fontes usadas para composição de artigos e estudos teológicos – é a mesma que diversos teólogos acadêmicos aderem para suas vidas, àquilo que eu considero como a síndrome de Nicodemos Jo 3 – conhecem e sabem de tudo, menos do principal. 

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Sobre o autor: Thiago Azevedo além de ser pecador e não merecedor da graça divina, mora em Recife - PE. Crê nas sagradas escrituras como sendo sua única regra de fé e prática, adere os princípios da reforma protestante. Casado com Mercia Litian há 7 anos, formado em teologia pelo STPC, graduando em teologia pela Universidade Metodista de São Paulo (EAD), graduando em Filosofia pela UNICAP Congrega na Igreja Evangélica Livre de Olinda-PE. 

Divulgação: Bereianos
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Academia em Debate 42 - Escatologia

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Neste vídeo o Rev. Augustus Nicodemus Lopes Entrevista o Rev. Leandro Lima e o Rev. Heber Carlos de Campos Jr. sobre o Fim do Mundo (Escatologia). Assista:



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Fonte: Academia em Debate - TV Mackenzie
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Últimas palavras, por enquanto...

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Por Rev. Filipe Fontes


Tenho optado por não entrar em debates pela internet. Além da falta de tempo que assola a todos nós, me sinto incomodado pelo fato de que debates teológico-acadêmicos se transformam muito rapidamente em troca de acusações neste veículo. Lamentavelmente, já tenho visto isto acontecer neste debate também, embora não generalizadamente. A carta aberta escrita pelo Pr. Ariovaldo Ramos – a quem agradeço pela maneira tão gentil e fraterna com que escreveu – apresenta, por exemplo, um tom bem diferente. 

Este post não é, definitivamente, uma mudança de postura. Não pretendo desenvolver um debate virtual. Não por que não seria agradável participar de uma conversa gentil, mas por que o tempo e esforço exigido, e as brigas que provoco sem querer me cansam em demasia para as atividades ministeriais. Se eu continuar entendendo ser relevante, publicarei sobre o assunto no futuro em algum lugar – é assim que concebo o debate acadêmico. Este post tem apenas o objetivo de fazer considerações que gostaria de ter feito no programa, mas que não pude fazer pela exiguidade de tempo e pelas limitações do veículo. Possivelmente serão minhas últimas no momento.

1) Há um esforço por relacionar a ideia de “Missão Integral” com uma teologia ortodoxa. Mas, na prática teólogos de várias tendências diferentes se apropriaram e fazem uso dela no Brasil atualmente; desde teólogos que defendem a inspiração, inerrância e infalibilidade da Bíblia, até aqueles que duvidam da possibilidade de qualquer conhecimento objetivo de Deus, reputando-o como autobiográfico, o que é próprio do liberalismo clássico. Por isso, creio que definir MI é hoje uma tarefa bastante difícil.

2) Esta apropriação por parte de tendências teológicas tão diferentes somente é possível pela falta de comprometimento radical da MI com uma tradição teológica de pensamento. Guilherme de Carvalho, no artigo intitulado A missão integral na encruzilhada: Reconsiderando a tensão no pensamento teológico de Lausanne, na obra Fé cristã e cultura contemporânea, publicada em 2009 pela Ultimato, já denunciou esse problema. Ao que parece, a MI parece ser uma postura prática que tem recebido conteúdo teológico a posteriori. Ou seja, ao invés de caminhar da teologia para a prática, promove um movimento inverso. 

3) Embora carregue o adjetivo integral, a MI tem se mostrado pragmaticamente reducionista. Até mesmo alguns de seus proponentes no Brasil reconhecem isso, ao mesmo tempo em que procuram defender que esse reducionismo seria uma espécie de desvio. Para mim ele parece ser consequência natural de seu método dialético (apontado por Ricardo Gondim em sua tese de doutoramento publicada em 2010 pela Fonte editorial, com o título: Missão Integral: Em busca de uma identidade evangélica), sobretudo da escolha do materialismo histórico como parceira de diálogo. 

4) Se a MI nasce marxista, eu não estou totalmente à vontade para afirmar. Se a MI é toda marxista, também não. Mas que há traços de marxismo em seu desenvolvimento e que o que temos recebido mais recentemente no Brasil e tem se tornado mais popular está marcado por tal influência, creio ser facilmente perceptível. Como eu afirmei no programa, vejo 4 relações entre as duas coisas:

a) Semelhança histórica: A MI surgiu no período de profundo florescimento do pensamento esquerdista na América Latina e foi desenvolvida no seio de movimentos e organizações que forjaram também perspectivas teológicas claramente comprometidas com um ideário materialista histórico, como a Teologia da Libertação. Por exemplo: FTL (Fraternidade Teológica Latino Americana) e ISAL (Igreja e Sociedade na América Latina).
b) Semelhança metodológica: Constantemente se ouve, atrelado à MI o discurso da necessidade de uma teologia regional, brasileira, tupiniquim, à parte da tradição teológica europeia-norte americana que recebemos. Esse discurso antitradicionalista de rompimento com a tradição é muito semelhante ao do próprio Marx, que nas Teses contra Feuerbach, incluídas depois na Ideologia Alemã, afirma que os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; enquanto o que importa é transformá-lo.
c) Semelhança terminológica: Proponentes da MI no Brasil costumam aplicar ao Novo Testamento, de maneira mais direta ao ministério de Cristo, termos academicamente cristalizados como marxistas, como alienação, revolução, ideologia, subversão, dentre outros.
d) Semelhança de ênfase conceitual: Não é incomum também encontrarmos em textos e falas dos proponentes mais conhecidos da MI no Brasil atualmente, uma ênfase nos impactos econômicos da obra de Cristo e de seu reino. Em algumas ocasiões a ideia de que o Reino produz transformações de cunho econômico é quase que uma constante exclusiva.

5) Embora eu não negue momentos de verdade no marxismo, ele é fundamentalmente antagônico ao cristianismo, enquanto cosmovisão. Primeiramente, por que é materialista. Isto é, ignora qualquer dimensão transcendente. Segundo, por que sendo materialista, reduz a dinâmica da vida humana às suas relações socioeconômicas, localizando nesse nível: criação, queda, e redenção. Correndo o risco de imprecisões: enquanto o cristianismo localiza a origem do homem em Deus, o marxismo a localiza na produção. Enquanto o cristianismo localiza a queda na quebra da relação do homem com Deus, o marxismo a localiza na opressão de um modelo econômico. Enquanto o cristianismo localiza a redenção na reconciliação com Deus por meio de Cristo, o marxismo a concebe como a instauração revolucionária de um modelo econômico. Qualquer tentativa de síntese do cristianismo com uma perspectiva tão religiosamente comprometida, dificilmente passa ilesa. É aqui que, na minha opinião, nasce o reducionismo.

6) Criticar um determinado paradigma não significa ignorar eventuais problemas que ele tenha levantado, nem mesmo eventuais contribuições que ele tenha a oferecer. Creio que a MI levanta um problema real: precisamos de uma concepção de missão que tenha um impacto mais abrangente. Creio também que a MI tem uma contribuição efetiva: chamar nossa atenção para a necessidade de considerar dentro dessa concepção de missão o papel social da igreja e a preocupação com o pobre – isto é legítimo. Mas, pela razão apresentada acima, não creio que ela poderá nos fornecer uma concepção efetivamente integral, pelo menos nos caminhos trilhados mais recentemente no Brasil. 

7) Creio que nós, cristãos tradicionais, devemos ser não apenas reativos, mas também propositivos. Sendo assim, defendo que precisamos pensar numa alternativa para essa questão da missão da igreja e seu impacto cultural. Primeiramente, precisamos de uma perspectiva evangélica, ou seja, que considere a centralidade do evangelho na missão da igreja. Em segundo lugar, precisamos fazer isso dentro de um escopo teológico mais amplo. Precisamos da tradição! Por fim, precisamos de criatividade. Creio que não daremos respostas satisfatórias simplesmente reproduzindo modelos. Nossa realidade é muito específica, e requer que façamos um exercício criativo de aplicação dos princípios do evangelho e de uma tradição de pensamento. Minha sugestão é de que bons insights podem ser encontrados no neocalvinismo holandês – movimento liderado por Abraham Kuyper no fim do século XIX. Creio que ele conjuga bem tradição e aplicação criativa e pode ser muito útil enquanto inspiração pra nós. 

8) Dentre as perguntas que recebi ontem, alguém mais prático me perguntou: você acha que uma igreja deve abrir uma creche? Segue a resposta:

Para mim, nenhuma igreja (comunidade local) deve sentir-se tão culpada por não ter aberto uma, quanto por não preparar bem seus membros no poder do Evangelho para viver a vida cristã de modo impactante em todas as esferas da vida. E nenhuma igreja deve sentir-se satisfeita simplesmente por ter uma, se esta não estiver a serviço de sua tarefa primeira: a de proclamação do evangelho de Cristo. Uma igreja deve fazer mais do que abrir uma creche. Ela deve fazer assistência social evidenciando por que faz e transformando o modo de fazer. Deve mais que abrir uma escola. Deve usar sua escola como meio de submeter a educação ao senhorio de Cristo. Deve mais que ter um grupo de teatro. Deve transformar o modo como a arte é feita e experimentada no lugar onde ela está inserida. 

A todos os leitores, meu grande abraço.

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Fonte: Perfil do autor no Facebook

Leia também a resposta do Pastor Jonas Madureira sobre a questão (aqui!) e também a resposta do Rev. Augustus Nicodemus (aqui!).
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Academia em Debate discute a "Teologia de Missão Integral"

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Rev. Augustus Nicodemus Lopes entrevista Rev. Jonas Moreira Madureira e Rev. Filipe Costa Fontes sobre "Teologia de Missão Integral". Assista:



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Fonte: Academia em Debate - TV Mackenzie
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Deus não está morto

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“Deus não está morto na academia. Ele está vivo e bem em sua última fortaleza acadêmica: departamentos de filosofia”. – Quentin Smith, filósofo ateu.

Assista o vídeo feito pelo Dr. Vince Vitale, professor de Filosofia da Universidade de Oxford, tutor sênior do The Oxford for Christian Apologetics:


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Fonte: Ravi Zacharias International Ministries
Legendas e tradução: Felipe Aranha - Tuporém

Entrevista com o Rev. Ageu Magalhães

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Por Luciano Sena


O reverendo Ageu é ministro presbiteriano desde 1998, recebeu de Deus uma família (esposa e três filhos), pastoreia uma Igreja Presbiteriana na capital paulista, e é presidente de Sínodo. Também tem o privilégio de ser diretor do reconhecidíssmo Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, o JMC.

As perguntas ao Reverendo Ageu são indagações de um ponto de vista leigo, a um pastor presbiteriano que responderá tendo suas perspectivas sobre cada aspecto, levando em consideração seu conhecimento das interpretações da IPB a respeito de cada tema. A voz dele não é a voz da IPB, que se pronúncia por meio da sua Presidência e Comissão Executiva.

1. Reverendo Ageu, desde quando o Sr. é presbiteriano?

R: Eu tive o privilégio de nascer em um lar presbiteriano. Meu Tataravô, Joaquim Cândido de Sena, católico praticante, no sertão do Ceará, começou a ler uma Bíblia na biblioteca do padre e converteu-se ao protestantismo. A história inteira desta conversão é maravilhosa, mas, resumindo, desde esta conversão, pela graça de Deus, eu sou o oitavo pastor da família.

2. O que mais te impressiona nesse sistema teológico chamado presbiteriano, ou Reformado?

R: A fidelidade às Escrituras. Tudo no sistema reformado tem de ter base bíblica. É certo que há denominações que também advogam ter esta base, mas estão por caminhos estranhos. Creio que isso se deve a uma forma equivocada de interpretar as Escrituras. No nosso sistema, até o método de interpretação (hermenêutica) está submisso à Palavra. A regra principal é que as próprias Escrituras interpretam as Escrituras.

3. O presbiterianismo brasileiro, pela graça de Deus, não caiu no liberalismo teológico. O que mais Deus tem usado para nos manter firmes na ortodoxia cristã?

R: Sem dúvida alguma a subscrição confessional. Denominações que se desvincularam de Confissões de Fé reformadas ou relativizaram sua importância, aos poucos caíram no liberalismo.

4. Isso não significa que não existam ameaças nessa direção. O liberalismo teológico sempre ‘ronda os seminários’. A IPB toma decisões enérgicas a respeito?

R: Sim. Sempre que sobem documentos ao Supremo Concílio com denúncias de liberalismo, providências são tomadas. O problema é a omissão dos concílios que, muitas vezes, não querem se envolver no problema.

5. O movimento de ‘Falar em línguas’ já foi um assunto febril no ceio presbiteriano, até que os neopentecostais cresceram vertiginosamente, sem a ênfase de falar em línguas, o que levou os da ‘renovação carismática’ a perderem o discurso de que precisamos de “poder”. Depois veio o movimento da Batalha Espiritual, que foi solapado, especialmente, pelo Rev. Nicodemus, entre outros. Hoje, são os movimentos das “Comunidades Presbiterianas”. Por qual motivo muitos não confiam na sua identidade Reformada e sempre ficam contrabandeando métodos questionáveis?

R: É muito louvável o impulso evangelístico das comunidades presbiterianas. É piedoso o desejo de ver igrejas crescendo e mais gente recebendo a Cristo como Salvador. O equivocado, a meu ver, é a confiança em métodos. Estes irmãos, ao buscarem crescimento de suas igrejas importando métodos norte-americanos, acabam desconsiderando o poder do Evangelho. Como disse o Rev. Hernandes Dias Lopes, citando E. M. Bounds, “Nós estamos procurando melhores métodos. Deus está procurando melhores homens. Deus não unge métodos, Deus unge homens." Além disso, a metodologia empregada é antropocêntrica. A eclesiologia é remodelada. O culto, por exemplo, deixa de ter o objetivo principal de reunir o corpo de Cristo para comunhão e passa a ser um encontro que visa atingir o não crente, com linguagem e tema voltados para ele. Não é isso o que a Bíblia nos ensina. A igreja deve equipar os crentes para buscarem os perdidos fora da igreja e não dentro dela. E aquele que se converte verdadeiramente a Jesus Cristo, seja em um grupo nos lares ou em um discipulado, quando chega à igreja, pouco se importa se ela tem arquitetura do século 16 ou do século atual. Ele não estará ali pela estética, mas porque foi salvo pela graça de Deus e precisa de Cristo.

6. O que acha desse meu ‘sonho’: disponibilizar os Símbolos de Fé de Westminster, em formato de revista da EBD a todo presbiteriano?

R: Acho muito boa a ideia. A Confissão de Fé e os Catecismos são verdadeiros tesouros. Todo crente deveria tê-los em mãos.

7. Os pastores presbiterianos passam de 4 a 5 anos sendo ‘ensinados e examinados’, até serem ordenados. Já não passou da hora dos outros ‘pastores’, os presbíteros, serem sabatinados com alguma orientação teológica, como pressupõem a Constituição da IPB?

R: Sim. É isso o que prescreve o Art. 28 da Constituição. Tanto presbíteros quanto diáconos devem crer nas Escrituras como Palavra de Deus e nos Símbolos de Fé como sistema expositivo de doutrina e prática.

8. Não temos uma voz de reconhecimento público, no contexto político e da mídia. Obviamente, não significa que não temos locutor com tal calibre. Grandes questões sociais que nos interessam dogmaticamente estão, pela graça de Deus, sendo defendidas pelo Dep. e Pr. Marcos Feliciano e Silas Malafaia. Por quais motivos o calvinismo não mostrou sua força nessas áreas aqui no Brasil?

R: Não sei responder. No passado o Caio Fábio foi um calvinista ouvido pela sociedade, mas foi sabotado pela política e sua vida pessoal deixou de ser modelo de piedade. Hoje o Marcos Feliciano e o Malafaia aparecem mais pela polêmica do que pela fidelidade às Escrituras. Quando comparados a John Newton, William Wilberforce e a Abraham Kuyper percebemos o quão distantes estamos de um homem de fé com influência real na sociedade.

9. Reverendo, o acumulo de pastores presbiterianos em grandes centros, e a necessidade sempre premente de obreiros em campos missionários, não revela-nos que estamos tendo na IPB uma crise vocacional? Entre os vários motivos, concorda com muitos irmãos que o “academicismo” tem sido um dos fatores contribuintes para esse cenário?

R: Eu creio que os seminários são responsáveis em incutir na mente do candidato, contra a tendência do século, que ele deve ir aonde Deus enviar. O pastor não deve buscar conforto para si, mas ser fiel ao chamado de Deus. De fato, o academicismo pode representar um perigo para a igreja. Os títulos acadêmicos devem ser utilizados para o benefício do Reino e o aperfeiçoamento das ovelhas de Cristo. Se usados para envaidecimento, se tornam uma maldição.

10. EBD é instrumento de ensino eficaz no contexto presbiteriano, não apenas pela viabilidade, mas por princípios de fé, já que é no Dia do Senhor. Existe algo que podemos fazer para que essa bendita escola continue forte [e seja resgatada em algumas igrejas]?

R: O treinamento dos professores da Escola Dominical é essencial. Material de qualidade tem sido produzido pela nossa Editora Cultura Cristã, porém, um professor que ministra a aula apenas lendo a revista, terá dificuldades no processo de ensino. O ideal é que as Escolas Dominicais tenham bom material didático, com linha teológica sadia, e professores dedicados, criativos e tementes a Deus, para que o processo todo seja abençoado.

11. Por falar em Domingo, a editora lançou uma recente edição com notas da Constituição da IPB. Não existe nenhum apontamento a respeito desse assunto, como que se não fosse um assunto largamente desobedecido na IPB. Eu sei que a maioria dos pastores conscientes desse assunto é mais ‘calvinista’ do que ‘puritana’. Até quando a IPB vai omitir-se de debater a respeito?

R: Eu fiz parte da comissão que produziu o Manual Presbiteriano com Notas Remissivas e o foco da comissão não foi teológico, mas legal. Nossa missão foi restaurar os diplomas legais da IPB e inserir notas relacionando decisões do Digesto Presbiteriano aos artigos do Manual. De fato, o 4º mandamento talvez seja o mais esquecido em nossos dias. Quanto aos pastores que discordam dos Símbolos de Fé neste ponto, apelando para Calvino, eu recomendaria a leitura do artigo “Os Puritanos e o Dia do Senhor” de J.I. Packer, no livro “Entre os Gigantes de Deus”, Editora Fiel. Packer analisa os dois pensamentos.

12. Outro assunto espinhoso – dízimo ao Supremo Concílio. Por qual motivo presbitérios e igrejas ainda mostram-se desobedientes, constitucionalmente, e não enviam o que devem enviar ao SC? Tais ministros que estão na presidência desses Concílios não percebem o mal que fazem e a incoerência que vivem, já que é esta mesma Constituição lhes dá a proteção necessária?

R: Realmente trata-se de desobediência à Constituição da IPB, uma quebra do pacto federativo. Como podem estes Conselhos instar os membros da Igreja a serem fiéis nos dízimos e ofertas se o próprio Conselho não cumpre suas obrigações conciliares?

13. Deus é dono da IPB. Ano que vem teremos eleição, independentemente do acontecer, quais desafios a IPB tem pela frente?

R: Na minha limitada visão, os desafios são grandes. Muitas igrejas têm enfraquecido por desconsiderar os meios de graça. É preciso um esforço nacional para que os crentes voltem a ler a Bíblia, a orar e a evangelizar. A partir desta mudança, as demais áreas da denominação seriam impactadas.

14. Só uma curiosidade, qual seu autor preferido?

R: Permita-me citar alguns: Agostinho, Calvino, Pink, Packer, MacArthur e Joel Beeke.

15. No currículo dos Seminários da IPB, não tem heresiologia? Sei que com o ensino de uma boa teologia sistemática, obviamente as heresias serão identificadas, mas não acredita que conhecer as seitas principais seria uma proteção para o ministério pastoral?

R: Com certeza este estudo é necessário. No currículo atual, na grade de disciplinas eletivas, temos Apologética, Neopentecostalismo, Catolicismo Popular e Culto Afro-brasileiro e Denominações e Seitas.

16. Deixe uma mensagem para causa apologética:

Os apologistas têm sido usados por Deus no decorrer da história. A atuação deles nos primeiros séculos da Igreja, produzindo credos e confissões, foi vital para a condenação das heresias, e o fortalecimento e expansão da Igreja. Minha mensagem a vocês que lidam nesta área é de encorajamento. Não se intimidem com as pressões e continuem denunciando o erro. Há eleitos de Deus, neste momento, sendo enganados pelas seitas. Um dia Deus abrirá seus olhos conduzindo-os à verdade. Os institutos apologéticos podem ajudar muito neste processo. Que Deus os abençoe.

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A importância de uma boa biblioteca Pastoral

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Por Eliseo Vila


Nenhum ser humano é capaz de armazenar em sua mente cada detalhe necessário para exercer uma profissão intelectual ou analisar a fundo um determinado tema. O cérebro humano retém os recursos básicos, o esqueleto da informação recebida durante o período de estudos. No entanto, para aprofundar o assunto e atualizar os conhecimentos adquiridos, é necessário recorrer aos livros. Portanto, todo profissional que se orgulha do seu trabalho, necessariamente, tem que dispor de uma biblioteca. Quanto mais ampla, melhor.

Esta máxima, aplicada ao pastor, adquire uma maior dimensão. O ofício de pastor é, sem dúvida, o mais versátil e complexo dentre todos os outros. Desde a preparação de um sermão à organização de um acampamento de jovens; de encorajar os idosos a disciplinar as crianças; de consolar os enfermos a tratar conflitos conjugais. Deve lidar com todas as classes de seres humanos: pobres, ricos, intelectuais, analfabetos, depressivos e otimistas. E precisa saber de tudo: teologia, história, ciência, literatura, geografia, pedagogia, sociologia, psicologia. Poucos profissionais têm de enfrentar um labor tão diversificado, e veem a necessidade de responder a perguntas tão díspares e vão exigir conhecimentos tão variados, como os pastores.

Podemos imaginar que qualquer homem, por mais sólida que tenha sido a sua formação ou anos de experiência acumulada, pode enfrentar um labor tão amplo e minucioso, sem a ajuda de uma boa biblioteca para lhe proporcionar informações detalhadas sobre o tema específico na hora certa?

Todos os grandes profissionais confiam boa parte do seu êxito à sua biblioteca. Médicos, advogados, engenheiros, arquitetos. Todos eles consideram como prioridade básica manter atualizada a sua biblioteca, o principal apoio para o seu trabalho diário. E a utilizam constantemente. Para consultar, para contrastar, para ampliar e reforçar os conhecimentos adquiridos. Para informar-se de novas técnicas, novas leis ou de novas descobertas. Para comparar umas teorias com as outras e, assim, chegar às melhores conclusões. Se isto é assim nas profissões seculares, o que diremos do ministério pastoral? Acaso o pastor não precisa fazer o mesmo?

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Fonte: Eliseo Vila Vila. La Biblioteca Pastoral: Consejos Prácticos sobre su Importancia, Formación, Organización y Utilización. Barcelona, ES: Editorial CLIE, s/d. p. 5.
Tradução: Rev. Alan Rennê
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O Pré-requisito para Educação Teológica de Acordo com John Owen

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Por Rev. Charles Bradley


John Owen é, às vezes, citado como “o grande teólogo Britânico de todos os tempos.” Ele viveu na Inglaterra no século dezessete quando o Puritanismo estava no seu auge, morrendo com a idade de sessenta e sete anos em 1683. Ele foi um escritor prolífico e profundo. Tamanha foi sua influência que muitos de seus trabalhos continuam a ser reimpressos hoje em dia.

Alguns podem levar a questão, “Por que considerar os pensamentos de alguém tão distante do cenário contemporâneo na educação teológica, afinal?”.  Há uma razão importante para levar em conta o que Owen tem a dizer seriamente: Existe uma falha crescente e separação entre teólogos e ministros no pastorado. Teologia, na prática, é cada vez mais a província do seminário e da classe de aula é cada vez menos do que o pastor na igreja local. John Owen, em contraste, foi tanto teólogo quanto pastor.  Além disso, ele é típico desses Reformadores ambos no Continente e na Inglaterra que, como Merle d’ Aubigné observou, “… sempre combinavam atividades aprendidas com seus trabalhos práticos: estes trabalhos eram seus objetivos, seus estudos foram seus recursos” [História da Reforma, 2:362]. Grande parte do trágico desperdício e fraqueza na igreja contemporânea pode ser delineada pelo divórcio da teologia e do ministério prático. Parece lógico voltar e examinar o que era essencial na educação teológica nas mentes dos pastores-teólogos da grande Reforma—dos quais Owen é um exemplo notável. Talvez tal exame fornecerá uma correção necessária.

Antes de alguém poder entender os pré-requisitos essenciais para educação teológica de Owen, deve familiarizar-se com a posição de Owen pertinente aos objetivos da educação teológica. Para Owen, a busca por conhecimento era seu principal objetivo e propósito primário, primeiro “viver aceitavelmente diante de Deus” [Biblical Theology 668] e, segundo, “o cultivo da mais santa e doce comunhão com Deus, onde reside a verdadeira felicidade da humanidade” [Biblical Theology 618]. Que ele manteve este propósito como fundamental para o estudo teológico não é necessário dizer. Ele esperava que ministros fossem afetados pela palavra de Deus num nível pessoal antes de seu avanço no ministério público. Apenas, então, ele considerava os homens qualificados para buscar o desenvolvimento de capacidade e habilidade nas áreas práticas de serviço [Works of John Owen 9:455-463].

Uma coisa permanece clara nos escritos de Owen: Nem teologia, nem ministério prático, nem sequer o processo de educação sempre serviram como fins em si mesmos. Seu objetivo sempre foi que a glória de Deus fosse exibida através da vida do ministro-estudante, e que a presença de Deus fosse manifesta em sua vida e ministério. Ambos são derivados da comunhão com Deus a nível pessoal.  É um eufemismo dizer que os paradigmas modernos da educação teológica, com suas ênfases nos processos e resultados, não edificam o ministro-estudante ou aumentam sua própria comunhão com Deus.  Apenas um olhar para o nível de frustração e desapontamento experimentado por ministros para perceber que o objetivo de Owen não é estimado atualmente, e é raramente alcançado.

Neste ponto muitos leitores podem ser tentados a parar de ler. Para a mente moderna, os pré-requisitos essenciais para educação teológica de Owen são simples ao ponto de ser absurdo: O estudante de teologia deve ser totalmente convertido a Cristo. Porém, apenas na história recente da igreja a conversão a Cristo tornou-se de fato, um caso, uma matéria, um simples assunto. Em tempos de avivamento e reforma genuína, o que a igreja moderna toma apenas como informação (que a salvação é um assunto rápido e fácil) é o elemento central na vida da igreja. Isto certamente foi verdade nos dias de Owen. A conversão da alma era de importância vital.

Deixar de examinar a questão da necessidade de regeneração na educação teológica é fazer um pouco mais do que admitir que a reforma genuína da igreja não vale a pena ser buscada. Talvez devêssemos ouvir o que Owen tem a dizer.

Primeiro, Owen afirma que a disciplina da teologia é única. É o oposto da ciência natural, na qual não é baseada sobre observação, mas sim sobre a revelação de Deus nas Escrituras. O teólogo deve, necessariamente, ser estudante do “o livro.” Ainda, na mente de Owen, mero reconhecimento da autoridade e verdade das Escrituras não é suficiente para assegurar o sucesso na busca por teologia.  A Bíblia não pode ser abordada da mesma maneira que os estudantes estudiosos, em outras disciplinas, procuram textos relacionados à sua própria área. Para Owen, a razão é simples o bastante: A Bíblia é o livro de Deus, revelando a verdade que não pode ser descoberta de outra maneira, senão por sua revelação. As verdades da Escritura cobrem os assuntos mais importantes que podem ocupar os pensamentos do homem: Caráter de Deus, a pecaminosidade humana, incapacidade humana, e a gloriosa obra de redenção em Cristo. Para Owen, as Escrituras devem ser abordadas com a mesma reverência devida a Deus, pois nelas Deus tem falado. Estudantes de teologia devem, portanto, entender que a natureza das Escrituras exigem mais do que a razão humana sem ajuda pode fornecer. Isto deve ser entendido e corrigido antes que qualquer benefício possa ser obtido em seus estudos. Formulando este ponto Owen exclama:

“Oh, que Deus abra os olhos dos estudiosos para ver que as questões da teologia são totalmente diferentes dos objetivos da filosofia, e que o seu estudo necessita de uma atitude diferente da mente, outra disposição de caráter, um novo coração, do que aqueles que eles estão acostumados a abordar “na roda de aprendizagem humana”! Ele também afirmou que “ninguém pode compreender ou corretamente entender teologia evangélica pela força humana ou confiança no intelecto, usando a assistência externa ele vai…” [Biblical Theology 592].

Assim, para Owen, teologia não pode ser um trabalho estritamente humano. Nem Deus, nem as Escrituras podem ser estudados da mesma maneira que um biologista, por exemplo, se aproxima de uma dissecção. O estudante de teologia deve ter uma atitude diferente para com esse assunto—uma mente diferente; pois este é o mais nobre dos objetivos. Seu campo de trabalho demanda muito mais daquilo que ele é capaz de fazer. Seu assunto ordena respeito e adoração. Seu método insiste num novo coração e disciplina rigorosa. Seu objetivo não é tanto catalogar e classificar; mas tornar-se um adorador e servo. Da mesma forma que Deus é a fonte da Escritura, Ele também é a fonte de um coração regenerado. O ministro-estudante deve reconhecer isso e responder ao consagrar sua vida, a fim de atingir esse objetivo. Com estas coisas em vista, não vem como surpresa que Owen dogmaticamente afirma que Deus deve ser um participante ativo no estudo da teologia; e sem a Sua participação, nada de importância duradoura será ganho. Ele comentou: “Da minha parte, se eu trouxer para este estudo qualquer entendimento que Deus graciosamente tem o prazer de conceder-me, e se Ele abençoou meu propósito e oração por tal, e por meu labor os piedosos são beneficiados, então, Eu considero que, entre muitas bênçãos, recebi somente da graça soberana” [Biblical Theology 592]. Algo essencial para o estudo teológico é que a pessoa embarcando em tal objetivo seja completamente nascida de novo “num caminho salvífico e benéfico.” O corolário necessário para a regeneração do estudante é que aqueles ensinando teologia devem ser também, recipientes de um coração regenerado, antes que eles possam levar o título de teólogos, no sentido pleno e adequado da palavra. Como Owen observa, “Nunca vamos conceder o título de teólogo a qualquer um que não é discípulo de Cristo, ou qualquer que não seja Cristão, ou os que são incapazes de fazer as coisas comandadas por Cristo” [Biblical Theology 616].

É indispensável, a consideração que normalmente é ignorada como um dado, porque, sem ela, o homem não tem a capacidade de entender e se beneficiar das Escrituras.  Ele também é impotente para resistir a grande tentação da qual muitos teólogos e escolas teológicas sucumbem: incorporar os objetivos e métodos de outras disciplinas para os alunos na educação teológica, para ganhar a atenção e respeito dos acadêmicos do lado de fora da igreja. Owen reconheceu esta tentação para a corrupção do estudo das Escrituras como existente na igreja primitiva, citando a defesa de Paulo de seu ministério a Igreja dos Coríntios e seus escritos de Efésios 1:8-9,17,19 e Colossenses 1:27-28, 2:2, 8-9. Owen corretamente identificou a fonte dessa corrupção, como um desejo dos teólogos não-regenerados de fazer sua própria teologia em conformidade com o método dos não-regenerados, estes, afim de elevar a teologia à respeitabilidade do mundo, e ganhar o louvor dos homens.

A desvantagem de tal conduta, é que a verdade do evangelho é prejudicada por qualquer empreendimento desse tipo. Consequentemente, a mensagem do evangelho, ao invés de ser o soar claro de uma trombeta, assume a forma de uma confusa conversa de três vias que ninguém compreende, e que poucos ouvem. O ministro-estudante inconscientemente desce do ar puro da montanha de seu Deus, e sua teologia de Deus para chafurdar na lama do carisma religioso e manipulação. Naquele lugar, ele acaba – na melhor das hipóteses, com um coração vazio, técnicas de um intelecto inútil fazendo seu dever profissional por causa de seus deuses. Se John Owen fosse avaliar a educação teológica hoje, ele poderia muito bem concluir que os grandes problemas não são com os métodos ou com as instituições, mas com Adão raramente desafiando o reinado de ambos.

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Sobre o autor: Rev. Charles Bradley é pastor da Hopewell Associate Reformed Presbyterian Church em Culleoka, Tennessee.

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Traduzido por César Augusto Vargas Américo
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A quem honra, honra: honremos nossos pais

Assembleia de Westminster
Por Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa


Introdução: O tesouro paterno

“Não devem os filhos entesourar1 para os pais, mas os pais, para os filhos” (2Co 12.14). Paulo entendia que como pai na fé dos crentes coríntios (1Co 4.14-15; 2Co 6.13/1Co 3.6,10; 9.1)2 deveria alimentá-los e fortalecê-los em sua fé. Esta analogia fala-nos, portanto, da responsabilidade do pastor em buscar o suprimento necessário, por intermédio da Palavra, para o progresso espiritual de seu rebanho. Por isso é que “a infidelidade ou negligência de um pastor é fatal à Igreja”.3

Curiosamente a nossa palavra patrimônio (patrimonium) está associada etimologicamente à palavra pai. Recebemos nosso patrimônio de nossos pais. De fato, de modo especial na infância, com raríssimas exceções, dificilmente podemos contribuir para o aumento dos bens de nossos pais; nós apenas os recebemos. No futuro, possivelmente nossos filhos receberão os nossos bens, muito ou pouco; contudo, certamente entesourados por nós e pelos nossos pais. Salomão, inspirado por Deus, escrevera: “A casa e os bens vêm como herança dos pais....” (Pv 19.14a).

1. Com os nossos Pais


O designativo “Pais” foi aplicado aos bispos da Igreja no segundo século. A obra anônima, O Martírio de Policarpo, escrita por uma testemunha ocular do ocorrido, por volta do ano 155 AD, relata que “a turba pagã e judia desejando matar Policarpo, por ser cristão, vociferou: ‘Eis o doutor da Ásia, o pai dos cristãos, o destruidor dos deuses, que com seu ensino, afasta os homens dos sacrifícios e da adoração’.”.4 (Destaque meu). Isto indica que na época era comum referir-se aos bispos cristãos como “Pais” (no sentido acima descrito, tinha uma conotação pejorativa, como “pai de uma heresia” ou “pai dos hereges”). O emprego dessa expressão disseminou-se de tal forma que, no quarto século, todos os pastores e mestres que haviam participado do Concílio de Niceia (325) eram chamados de “Pais da Igreja”.5

Entre os cristãos, a expressão aplicada aos bispos assume uma conotação carinhosa, indicando também a sua responsabilidade: “O conceito de ‘Padre da Igreja’ evidencia um aspecto da rica figura paterna: o bispo como autêntico transmissor e garante (sic) da verdadeira fé, aquele que vela pela sucessão ininterrupta da fé desde os apóstolos bem como pela continuidade e unidade da fé na comunhão com a igreja. Ele é o fiel mestre da fé, ao qual se pode recorrer nas dúvidas da fé. Essa autoridade na verdade não torna o Padre da Igreja individualmente inerrante em todos os pormenores – ele deve se ater à Sagrada Escritura e à regula fidei da igreja universal – mas, em sintonia com elas, ele é testemunha autêntica da fé e da doutrina da Igreja”.6

Etienne Gilson (1884-1978), seguindo uma compreensão clássica, diz que um “Pai” deveria apresentar quatro características: “ortodoxia doutrinal, santidade de vida, aprovação da Igreja, relativa Antiguidade (até fins do século III aproximadamente)”.7

Curiosamente, na única carta escrita por Calvino a Lutero (25/01/1545), a qual este, ao que parece, jamais recebeu, Calvino se dirige a Lutero como “meu respeitadíssimo pai”, “respeitadíssimo pai no Senhor” e “meu pai sempre honorável”.8

2. Nós e os nossos Pais 


Os documentos da Igreja que recebemos não são infalíveis (nem mesmo naquilo que é consensual), nem jamais pretenderam isso; contudo, são os tesouros históricos e teológicos que nos foram legados. A sua autoridade é relativa.9 No entanto, a Igreja não pode sobreviver sem a consciência de seu passado, de suas lutas, dificuldades, fracassos e, certamente, por graça, de suas vitórias. Esta consciência deve gerar em nós um espírito de gratidão, humildade e desafio diante da magnitude da Revelação de Deus.

Muitas vezes em nossas lutas presentes somos terrivelmente dominados pela sensação delas serem únicas ou as mais violentas. A história de nossos pais pode ser fonte de grande estímulo e consolo para nós. Por meio da história de sua vida e testemunho podemos descobrir – às vezes para vergonha nossa –, o quanto nossos irmãos do passado lutaram bravamente pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos e da qual somos herdeiros. O nosso presente tende a assumir dentro de alguns contextos o caráter de onipresença, como se fosse um presente contínuo,10 assim, pensamos estar sozinhos em nossa empreitada, nos esquecendo da ação abençoadora e preservadora de Deus ao longo da história que hoje, cabe ser escrita por nós. Crer no Deus Triúno é uma declaração de que não estamos sozinhos; o Pai, o Filho e o Espírito Santo estão conosco; Deus veio a nós criando a nossa fé.11 E mais: todos estamos irmanados pela mesma fé ao longo da história. O Deus em quem cremos é o meu Deus e o Deus de muitíssimos irmãos que ao longo da história têm vivenciado e testemunhado a mesma fé.

Veith escreve com propriedade:
Os cristãos modernos são os herdeiros de uma grande tradição intelectual cristã. Essa tradição de pensamento ativo e solução prática de problemas é uma aliada vital dos cristãos que lutam contra as tendências intelectuais do mundo contemporâneo. O uso das perspectivas do passado pode fornecer uma perspectiva valiosa sobre as questões atuais. Podemos, assim, livrar-nos da tirania do presente, a suposição de que a maneira que as pessoas pensam hoje é o único modo possível de pensar.12

Na Reforma Protestante do século XVI, o uso de Catecismos e Confissões, foi de grande valia para a educação dos crentes, partindo sempre do princípio da necessidade da fé explícita, de que todos os cristãos devem conhecer a sua fé, sabendo no que creem e porque creem. No Brasil, quando o presbiterianismo foi iniciado (1859), o ensino dos símbolos de Westminster teve papel decisivo na consolidação de sua identidade como Igreja Reformada. Hoje, em nome de um suposto “pluralismo” pretensamente acadêmico, o que podemos perceber, é um enfraquecimento desta ênfase, mesmo nos Seminários ditos Reformados, acarretando um desfiguramento doutrinário por parte de muitos de seus pastores e consequentemente, dos membros da igreja. Por trás de todo pluralismo há o mito da neutralidade acadêmica,13 como se fosse possível alguém ensinar sem seus pressupostos que conduzem a sua perspectiva da realidade. A nossa percepção e ação fundamentam-se em nossos pressupostos14 os quais são reforçados, transformados, lapidados ou abandonados em prol de outros, conforme a nossa percepção dos “fatos”. Os pressupostos se constituem na janela (quadro de referência) por meio da qual vejo a realidade; o difícil é identificar a nossa janela, ainda que sem ela nada enxerguemos.15 Assim, falar sobre a nossa cosmovisão, além de ser difícil verbalizá-la, é paradoxalmente desnecessário. Parece que há um pacto involuntário de silêncio o qual aponta para um suposto conhecimento comum: todos sabemos a nossa cosmovisão. Deste modo, só falamos, se falamos e quando falamos de nossa cosmovisão, é para os outros, os estranhos, não iniciados em nossa forma de pensar.16

Tenho observado que se você sustentar uma posição teológica “histórica”, independentemente de sua tradição e de sua argumentação, ela tenderá a ser considerada radical e limitada. Contudo, se você simplesmente se limitar a fazer críticas às tradições teológicas, valendo-se de clichês repetidos e mesmo já abandonados, sem propor nenhuma alternativa bíblica e historicamente viáveis, você será considerado um intelectual profundo, com grande argúcia e capacidade crítica. Talvez até ouça a seu respeito: “aquele cara é meio liberal, mas, é uma capacidade; ele nos faz pensar...”. Esta é uma das falácias do chamado “academicismo” moderno.

A epistemologia antecede à lógica e esta, por mais coerente que seja, se partir de uma premissa equivocada nos conduzirá a conclusões erradas e, portanto, a uma ética com fundamentos duvidosos e inconsistentes. Portanto, a questão epistemológica antecede à práxis e em grande parte a determina.

Contudo, como nos aprofundar no campo intelectual se abandonamos as questões epistemológicas? As palavras de Machen (1881-1937) no início do século XX não se tornam ainda mais eloquentes nos dias de hoje?: “A igreja está hoje perecendo por falta de pensamento, não por excesso do mesmo”.17 

No início do século XIX, ouvia-se o clamor de determinados grupos independentes nos Estados Unidos, que diziam o seguinte: “Nenhum credo senão a Bíblia”.18 Atitude similar ainda hoje é observada em grupos ou pessoas, dentro de denominações chamadas históricas, que manifestam de forma clara o seu desprezo para com os Credos da Igreja ou, de modo velado, não se interessando por eles, como se os Credos fossem apenas uma série de pronunciamentos antiquados, sem nenhuma relevância para a igreja contemporânea ou como se eles pretendessem se constituir numa declaração de fé que rivalizasse com as Escrituras Sagradas, devendo, portanto, ser rejeitados por não estarem de acordo com o espírito da Reforma que, corretamente, enfatizou “Sola Scriptura”.

Quando tratamos deste tema, as questões que logo vêm à baila são: estariam tais grupos ou pessoas errados? Por outro lado, as denominações que têm as suas Confissões de Fé estariam incorrendo em erros? Neste caso, os Credos e as Confissões não estariam sendo colocados no mesmo nível das Escrituras, contrariando, assim, um dos princípios da Reforma, que diz: “Sola Scriptura”?

Consideramos oportuno realçar preliminarmente, que “Lutero e os reformadores não queriam dizer por Sola Scriptura que a Bíblia é a única autoridade da igreja. Pelo contrário, queriam dizer que a Bíblia é a única autoridade infalível dentro da Igreja”.19 A autoridade dos Credos era indiscutivelmente considerada pelos reformadores – tendo inclusive Lutero e Calvino elaborado Catecismos para a Igreja –; contudo, somente as Escrituras são incondicionalmente autoritativas. Um juízo adequado envolve a justa medida; portanto, nem subestimar, nem superestimar. Por isso, os documentos da Igreja devem ser lidos com reverência e proveito dentro dos limites de sua riqueza e falibilidade.20

Considerações Finais

“Deus permitiu aos heréticos fustigarem sua Igreja exatamente para despertar a mente pelo conflito e para levá-la a buscar a Palavra de Deus”, afirmou Abraham Kuyper.21

Ao refletir sobre este assunto, ainda que introdutoriamente, devemos ter um espírito de gratidão, tendo como desafio nos apropriar das contribuições de nossos pais (tradição) e, em submissão ao mesmo Espírito, partindo das Escrituras, única autoridade infalível, e deste patrimônio riquíssimo buscar respostas para as indagações e questionamentos contemporâneos.

“Ouvimos, ó Deus, com os nossos próprios ouvidos: Nossos pais nos têm contado....” (Sl 44.1). Como bons filhos devemos atender ao Mandamento de Deus honrando os nossos Pais.

Notas:
1 Mt 6.19,20; Lc 12.21; Rm 2.5; 1Co 16.2; 2Co 12.14; Tg 5.3; 2Pe 3.7.
2 Irineu (c. 120-202) usa a mesma expressão, dizendo: “Quem foi instruído por outro por meio da palavra é chamado filho de quem o instruiu e este pai daquele” (Irineu, Irineu de Lião, São Paulo: Paulus, 1995, IV.41.2. p. 513). Do mesmo modo Agostinho (Veja-se: Agostinho, Comentário aos Salmos, São Paulo: Paulus, 1997, Vol. 1, (Sl 44), p. 768).
3 João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 4.16), p. 126.
4 O Martírio de Policarpo, XII.2. In: H. Bettenson, Documentos da Igreja Cristã, São Paulo: ASTE., 1967, p. 39. Para um estudo crítico deste documento, inclusive no que se refere à data do martírio, veja-se: J.B. Lightfoot, The Apostolic Fathers, 2ª ed. Peabody Massachusetts: Hendrickson Publishers. © 1989, Vol. I, p. 646-722. Para uma visão abreviada desta discussão, ver: J.B. Lightfoot, The Apostolic Fathers, 10ª ed. Grand Rapids, Michigan: Baker, 1978, p. 103-106.
5 Agostinho (354-430) parece ter sido o primeiro a ampliar o conceito, incluindo São Jerônimo, um presbítero, entre os Pais (Cf. B. Altaner; A. Stuiber, Patrologia, 2ª ed. São Paulo: Paulinas, 1988, p. 19). Seguindo o exemplo de Agostinho, Vicente de Lérins em 434, aplicou o termo Pai a diversos escritores eclesiásticos sem nenhuma distinção hierárquica. (Ver: Vicente de Lérins, Commonitorium, 31 e 33. In: Philip Schaff; Henry Wace, eds. Nicene and Post-Nicene Fathers of Christian Church, Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, (reprinted). (Second Series), 1978, Vol. XI, p. 155 e 156. 
6 Hubertus R. Drobner, Manual de Patrologia, Petrópolis, RJ: Vozes, 2003, p. 11-12.
7 E. Gilson, A Filosofia na Idade Média, São Paulo: Martins Fontes, 1995, “Introdução”, p. XXI. Do mesmo modo: Hubertus R. Drobner, Manual de Patrologia, p. 12; B. Altaner; A. Stuiber, Patrologia, p. 20.
8 João Calvino, Cartas de João Calvino, São Paulo: Cultura Cristã, 2009, p. 53 e 54.
9 Vejam-se: Confissão Gaulesa, Cap. V; François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, Vol. 1, p. 228-234 (com valiosos documentos); Karl Barth, Esboço de uma Dogmática, São Paulo: Fonte Editorial, 2006, p. 13.
10 Dentro de outro contexto e abordagem, o historiador britânico contemporâneo, Eric Hobsbawn (1917-), num de seus livros, analisando a nossa presente era, diz que “quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem” (A Era dos Extremos, São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 13).
11 Veja-se: Karl Barth, Esboço de uma Dogmática, São Paulo: Fonte Editorial, 2006, p. 16-17.
12 Gene Edward Veith, Jr., De Todo o Teu Entendimento, São Paulo: Cultura Cristã, 2006, p. 97.
13 A “neutralidade” é impossível tal qual a “objetividade” completa, no entanto, deve ser buscada. Gilberto Freyre expressou bem isto, ao dizer: "A perfeição objetiva nas Ciências do homem ou nos Estudos Sociais talvez não exista. Mas o afã de objetividade pode existir. É a marca do historiador intelectualmente honesto. E sua ausência, o sinal do intelectualismo desonesto" (Gilberto Freyre, na Apresentação da obra de Davi Gueiros Vieira, O Protestantismo, A Maçonaria e a Questão Religiosa no Brasil, Brasília, Editora Universidade de Brasília, 1980, p. 9).
14 “As pressuposições ainda determinam nossos destinos, mesmo a despeito de alguma inconsistência no caminho” (R.K. McGregor Wright, A Soberania Banida: Redenção para a cultura pós-moderna, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1998, p. 15).
15 “Seria atenuar os fatos dizer que a cosmovisão ou visão de mundo é um tópico importante. Diria que compreender como são formadas as cosmovisões e como guiam ou limitam o pensamento é o passo essencial para entender tudo o mais. Compreender isso é algo como tentar ver o cristalino do próprio olho. Em geral, não vemos nossa própria cosmovisão, mas vemos tudo olhando por ela. Em outras palavras, é a janela pela qual percebemos o mundo e determinamos, quase sempre subconscientemente, o que é real e importante, ou irreal e sem importância” (Phillip E. Johnson no Prefácio à obra de Nancy Pearcey, A Verdade Absoluta: Libertando o Cristianismo de Seu Cativeiro Cultural, Rio de Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2006, p. 11).
16 Veja-se: James W. Sire, O Universo ao Lado, São Paulo: Hagnos, 2004, p. 21-22.
17 J.G. Machen, Cristianismo y Cultura, Barcelona: Asociación Cultural de Estudios de la Literatura Reformada, 1974, p. 19.
18 Cf. M.A. Noll, Confissões de Fé: In: Walter A. Elwell, ed. Enciclopédia Histórico-Teológica da Igreja Cristã, São Paulo: Vida Nova, 1988-1990, Vol. I, p. 340. Este tipo de declaração também tornou-se comum pelo menos, no início do século XX, quando alguns fundamentalistas além de repetirem a afirmação supra, também bradavam: “Nenhum ‘CREDO', senão Cristo” (Vejam-se:. R.B. Kuiper, El Cuerpo Glorioso de Cristo: La Santa Iglesia, Grand Rapids, Michigan: SLC., 1985, p. 100; L. Berkhof, Introduccion a la Teologia Sistematica, Grand Rapids, Michigan: T.E.L.L., c. 1973, p. 22; Gordon H. Clark, Em Defesa da Teologia, Brasília, DF.: Monergismo, 2010, p. 41). Entre o final dos anos 50 e início dos anos 60, Lloyd-Jones disse com tristeza: “No presente século há marcante aversão por credos, confissões e por definições precisas. O cristianismo tornou-se um vago e indefinido espírito de boa vontade e filantropia” (David M. Lloyd-Jones, A Unidade Cristã, São Paulo: PES, 1994, p. 213).
19 R. C. Sproul, Sola Scriptura: Crucial ao Evangelicalismo: In: J.M. Boice, ed. O Alicerce da Autoridade Bíblica, São Paulo: Vida Nova, 1982, p. 122.
20 Veja-se: François Turretini, Compêndio de Teologia Apologética, São Paulo: Cultura Cristã, 2011, Vol. 1, p. 234.
21 Abraham Kuyper, A Obra do Espírito Santo, São Paulo: Cultura Cristã, 2010, p. 57.


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Conselhos aos pastores que buscam especializações acadêmicas

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"Por que Estudar?

Você precisará estar consciente de suas próprias motivações para o estudo. Muitos bons homens têm caído vítimas de falsas motivações, e assim acabaram perdendo o verdadeiro benefício de um estudo continuado. Em primeiro lugar, seu estudo continuado não deve ser motivado pelo desejo de ganhar algum status. Muitos renomados seminários e instituições de ensino atraem os pastores a fazerem um curso “avançado” que dificilmente seria considerado avançado em padrões reais, simplesmente porque oferecem um título de graduação ostentoso, possuindo na verdade um conteúdo inexpressivo. Não caia vítima deste “golpe”. O objetivo do aprendizado é o conhecimento, não o status.

Os britânicos têm uma atitude muito mais saudável que os americanos quanto aos títulos de graduação a acadêmica (embora eu creia que estamos tendo um efeito nocivo até mesmo sobre eles nesta área). O grande F.F. Bruce, por exemplo, tinha graduação equivalente á de universitário americano (ele tinha um Scottish MA) e ainda assim foi devidamente reconhecido como um grande erudito em seu campo de estudos. Sua falta de um doutorado não fez a menor diferença. Ele tinha mais conhecimento do que uma sala cheia de doutores. Eu, pessoalmente, não dou a menor importância ao título que o homem tem. Se ele não possui o conhecimento correto e útil, e um bom julgamento das coisas, é de pouco valor para a igreja como um ensinador.

Uma motivação que deve impelir seus estudos é simplesmente o desejo de aprender – aprender a verdade e adquirir o verdadeiro e útil conhecimento. Há pouquíssimas ocasiões na vida em que não há problema em ser ganancioso; no que concerne ao aprendizado, devemos ser “gananciosos” para aprender, porque a verdade vem de Deus e devemos ter o desejo de conhecê-la. Além disso, devemos ser motivados a aprender, a fim de sermos de alguma ajuda à igreja. Não é raro encontrar ministros cristãos que, pelo muito estudar, consideram-se extremamente sofisticados e “acima” da média dos frequentadores da igreja. Tal tipo de atitude é inapropriada ao extremo e, é interessante notar, geralmente não é vista naqueles que possuem mentes realmente brilhantes. O ministro estuda precisamente para poder ajudar o povo de Deus, por mais humilde que ele seja. Nós queremos aprender a fim de sermos úteis à igreja.

Você deve ser motivado a aprender para ser útil a outros pastores e igrejas. Torne-se um especialista em algo para que possa ajudar amigos pastores às voltas com determinada área de conhecimento que eles não conhecem tão bem quanto você. Talvez você se familiarize de tal maneira com a melhor literatura acadêmica sobre o Islamismo, que não somente poderá testemunhar como também ensinar seu povo. Também poderá ajudar outros pastores que não conhecem tanto quanto você sobre aquela que é a principal rival religiosa do cristianismo no mundo. Ou, talvez, você se torne um especialista nos puritanos, não apenas para ser edificado através daquele excelente material, mas, também, a fim de livrar outros da considerável e negativa mitologia que cerca este campo de estudos. Você entendeu o que quero dizer. Esteja motivado a aprender para que seu aprendizado possa abençoar a igreja como um todo.

Certamente, há muitas outras motivações para estudar além destas que eu listei. Dei apenas sugestões."

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Fonte: DUNCAN, Ligon. Continue Estudando. In: ASCOL, Thomas K. Amado Timóteo. Tradução de Maurício Fonseca S. Júnior. São José dos Campos: FIEL. 2005. p. 167-186.

Nota MCA: Quando critiquei o academicismo que seduziu muitos pastores de minha igreja, não fui corretamente compreendido. Muitos desses que me criticaram são fieis, outros, apenas defenderam o status. Fui tachado de perseguidor do ensino da IPB. Nada mais injusto.

Talvez, ao autor citado nesta postagem, quem sabe, darão crédito... na verdade, EU espero isso pelo menos dos que possuem amor pela Igreja de Cristo e estão engajados em alguma especialização acadêmica. Os amantes de ‘divisas’, continuarão orgulhosos e cegos. Prejuízo deles e do povo que eles ‘pastorearem’.

Deus nos ajude.

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