Batismo é por imersão ou aspersão?

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Aproveitando a Semana Teológica do Seminário JMC, neste vídeo George Lucas do Canal Geolê entrevista o Rev. Leandro Lima sobre o batismo - imersão ou aspersão? Assista:


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Fonte: Geolê
Palestra completa do Rev. Leandro Lima, disponível aqui!
Livro citado: Batismo cristão - imersão ou aspersão? - Charles Hodge
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Reformado sim! Deformado não!

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Por Rev. Leandro Lima


A fé reformada, aquela que desde o Sec. 16 proclama a exclusividade da Bíblia como regra de fé e prática, que busca conduzir todos os aspectos da vida para a glória de Deus, tem sido redescoberta nesses tempos pós-modernos. Em grupos de compartilhamento em redes sociais se multiplicam todos os dias os admiradores (e também os críticos) dessa visão teológica. Mas será que há um genuíno reflorescimento da fé reformada nos dias atuais? Apesar do meu desejo pessoal de acenar positivamente, algumas coisas têm me feito ficar menos empolgado. Identifico inicialmente dois problemas com o único objetivo de promover reflexão e amadurecimento.

Resumo o primeiro problema como "muita discussão, pouca santidade". Espanta-me ver o modo como muitos crentes ditos reformados se comportam em redes sociais. O baixo nível do linguajar, a ira e animosidade diante do pensamento contrário, a absoluta falta de respeito. Ou seja, o problema é a falta de um verdadeiro testemunho de humildade e piedade que foi o estilo de vida dos grandes reformadores do passado. Outro dia, num fórum as pessoas estavam perguntando a opinião dos demais sobre um pregador brasileiro. Espantou-me ver o modo desrespeitoso como a maioria se referiu, mesmo o homem sendo reconhecido como um fiel expositor da Bíblia. “Ele é cópia do fulano” disse alguém. “Ele é exagerado naquilo” disse outro. Até críticas ao modo de se vestir e outras que eu teria vergonha de relatar aqui. Que é feito do respeito? Onde foi parar a polidez? Se não respeitam mais os próprios pastores, a quem respeitarão? De fato, a internet, às vezes, parece mesmo um grande “rebanho sem pastor”. Também se podem ver na internet fotos de pessoas fumando e bebendo ao lado de imagens de Spurgeon ou de Calvino. E a preocupação com o testemunho? Sei de “defensores” de doutrinas calvinistas que, infelizmente, dividem a mesma tela do computador com o grupo de discussão e sites pornográficos.

Em segundo lugar, identifico também “muita discussão, pouco conteúdo”. Ou seja, há um conhecimento superficial das doutrinas, levando muitos a tomar o todo pelas partes. Pessoas jovens demais, com conhecimento bem relativo, que fazem leituras apressadas dos textos dos reformadores (como lêem posts do facebook), sem a devida maturação, acabam tendo impressões muito equivocadas da teologia reformada. Nesse sentido, muitos escolhem suas "doutrinas favoritas” das quais fazem o "cavalo de batalha”, e tentam se promover defendendo pontos de vista polêmicos e complexos, deixando de tratar desses temas com o cuidado e a reverência que os reformadores trataram no passado. Predestinação e a origem do mal estão entre as doutrinas mais abusadas dos dias atuais.

Meu conselho é o seguinte: se queremos ser reformados, precisamos entender que a teologia reformada não é meramente a defesa dessa ou daquela particularidade doutrinária, antes é um modo de vida consistente, que engloba o conhecimento profundo das Escrituras, o exercício intenso da piedade individual, a proclamação inteligente do Evangelho, e a consagração de todos os aspectos da vida diária para a glória de Deus. Do contrário, ela será deformada e não reformada.

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Fonte: Perfil do autor no Facebook
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A arca da ganância

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Por Rev. Leandro Lima


Após a conclusão do Templo de Salomão (que deveria ser chamado Templo de Mamon), surge mais um objeto espantoso: uma réplica revestida de ouro da Arca da Aliança. O objeto era o mais sagrado do antigo templo de Israel, representava a presença de Deus na Velha Aliança. Com a primeira destruição do templo no século 6 a.C., a arca se perdeu, talvez tenha sido levada para Babilônia e derretida. Só o Indiana Jones no cinema conseguiu encontrá-la.

No meu post anterior sobre o templo que teve milhares de compartilhamentos (muito mais do que eu esperava) também recebi algumas críticas. As principais foram: inveja e escândalo para os incrédulos. O velho argumento do “pare de criticar e vá trabalhar” também foi evocado. Sobre “inveja" não vou perder tempo respondendo. Sobre “escândalo”, creio que a acusação está invertida. Não sou eu quem está escandalizando os incrédulos. Segundo a Escritura, os desvios do verdadeiro Evangelho é que são “escândalos”. Além do mais, o mundo precisa saber que há muitos cristãos que não concordam com essas loucuras e megalomanias do Macedo e similares. Sobre “pare de criticar e vá trabalhar”, penso que uma coisa não elimina a outra. Devemos trabalhar, pregar o Evangelho, mas, ao mesmo tempo, temos a responsabilidade bíblica de apontar os desvios que deturpam e envergonham o verdadeiro Evangelho (Gal 1.6-9, Col 3.8, 16-19, 1Tm 4.1-2, 2Tm 4.-5, 2Ped 2.1-3).

Fica cada vez mais explícita a intenção mercadológica de todos esses empreendimentos. Num video que circula na internet, o Macedo chamou os empresários que haviam dado dinheiro para a obra à frente e lhes disse: “agora, Deus fica na obrigação de abençoar você, é uma troca”.


Se chamei o templo do Macedo de “aberração”, preciso chamar essa arca de “abominação” (Is 44.19). Sim, pois trata-se de um objeto da mais pura e terrível idolatria. As pessoas simples, sem discernimento, olharão para esse objeto pensando que encontrarão ali o seu milagre. Mais uma vez, o grande problema é justamente abandonar o verdadeiro Cristo por objetos feitos por mãos. Deixar de lado a pura e límpida mensagem da Cruz, poderosa para salvar todos os arrependidos, por uma mensagem poluída, gananciosa, que torna os seguidores nada mais do que avarentos em busca de bens materiais.

E nesse caso, há um curioso fator adicional: Em Jeremias 3.16, a Escritura diz: Sucederá que, quando vos multiplicardes e vos tornardes fecundos na terra, então, diz o SENHOR, nunca mais se exclamará: A arca da Aliança do SENHOR! Ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem dela sentirão falta; e não se fará outra. O Edir Macedo fez.

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Fonte: Perfil do autor no Facebook
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Templo de Salomão ou Templo da Enganação?

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Por Rev. Leandro Lima


Algumas considerações me vêm a mente sobre a inauguração do “templo de Salomão” por Edir Macedo e a Igreja Universal. Antes de tudo é preciso “admirar” a capacidade administrativa e empreendedora deste homem. Ele, provavelmente, enriqueceria vendendo qualquer produto. Pena que escolheu vender a fé…

A grande habilidade do Macedo é saber aproveitar os “filões” do “mercado” religioso. Ele fez a Universal avançar nadando nas águas do sincretismo religioso brasileiro, especialmente na relação com as religiões afro-brasileiras e com o catolicismo popular. Se aproveitou dos símbolos, superstições e temores próprios dessas religiões para construir seu império baseado no slogan “pare de sofrer”, e na suposta vitória sobre os espíritos que produzem sofrimento. Ao invés de “sacrifícios físicos”, passou a exigir “sacrifícios financeiros”, no que se deu muito bem. Agora, mais uma vez, imitando o catolicismo e outras religiões sacramentais, ele estabelece um “santuário” com o objetivo de atrair multidões, e especialmente, contribuições.


Foto: Templo de Salomão? - IURD/SP
Em poucas palavras, entretanto, posso dizer que essa construção é uma aberração. Antes de tudo é uma aberração arquitetônica, pois tenta recriar algo de uma época que já passou e que não faz mais sentido no mundo atual. Além de ser um equívoco histórico, pois trata-se de uma cópia mal feita do templo de Herodes, aquele que foi reconstruído um pouco antes do tempo de Cristo. Por isso, em vez de Templo de Salomão, deveria ser chamado de “réplica do Templo de Herodes”. Mas nesse caso, não daria muito “marketing”…

Acima de tudo é uma aberração teológica. Imagino que ele não tenha ido tão longe ao ponto de fazer as divisões internas do templo (santo lugar, santo dos santos), até porque isso limitaria o número de pessoas lá dentro e, consequentemente, de ofertas. A menos que ele quisesse se entronizar lá dentro do Santo dos Santos… (a vantagem é que só um homem o veria uma vez por ano).

De qualquer maneira, é uma aberração teológica, pois tenta recriar, mesmo que em termos ilustrativos e comerciais, algo que o próprio Deus autorizou a destruição. Foi o Senhor Jesus quem disse, sobre aquele templo de Israel, que seria destruído e não sobraria pedra sobre pedra (Mt 24.1ss). De certo modo, ao reconstruir o simbolismo, ele está erguendo novamente algo que Deus quis que terminasse. E a razão é simples: Jesus é tudo aquilo que o Templo de Israel prefigurava. Jesus cumpre em sua pessoa todas as promessas e realizações do antigo Templo. Reconstrui-lo, mesmo que apenas como uma homenagem ou dedicação, é uma forma de praticar tudo aquilo que o livro de Hebreus condena, é um modo de rejeitar a Cristo e a tudo o que ele fez.

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Fonte: Perfil do autor no Facebook
Via: Reformers
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Academia em Debate 42 - Escatologia

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Neste vídeo o Rev. Augustus Nicodemus Lopes Entrevista o Rev. Leandro Lima e o Rev. Heber Carlos de Campos Jr. sobre o Fim do Mundo (Escatologia). Assista:



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Fonte: Academia em Debate - TV Mackenzie
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Os Falsos Apóstolos

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O Rev. Leandro Lima ensina um critério bem simples para desmascarar os falsos apóstolos que se multiplicam a cada dia em nossa nação. 

Como identificar um "verdadeiro apóstolo"? Assista:


Caso não consiga visualizar o vídeo acima, clique aqui!

Esse vídeo é um trecho da série de exposições do livro do Apocalipse ministrada pelo Rev. Leandro Lima, um dos maiores especialistas em Escatologia da atualidade. Assista a pregação completa aqui!

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Via: Reformers BR

Sobre o assunto, veja também: "Porque eu não creio em apóstolos contemporâneos".
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Satanás não é o Chefe do Inferno!


Neste vídeo o Rev. Leandro Lima mostra aonde está Satanás e se ele possui alguma jurisdição no Inferno, assista: 



Assista o sermão completo aqui!
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Fonte: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro/SP

Para onde vão as almas?

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Por Rev. Leandro Lima


Para onde vão as almas das pessoas que morreram? Ao longo da História várias possibilidades têm sido levantadas.

Classicamente, o cristianismo  tem defendido que, após a morte, enquanto o corpo vai para a sepultura, o espírito vai para o chamado "Estado Intermediário". Esse local diz respeito a onde estão, por um lado, os que foram salvos em Cristo, no caso do céu, e por outro, os que foram condenados por seus pecados, no caso o inferno. Surgiram outras interpretações. Testemunhas de Jeová e Adventistas defendem o chamado "sono da alma", ou seja, que todas as almas, quer de ímpios quer de crentes ficam dormindo até o dia da ressurreição.

Os Católicos sustentam que as almas ficam num local de "purgação", podendo entrar no céu, depois que tiverem feito satisfação por seus pecados. E os Espíritas dizem que é possível até mesmo se comunicar com as almas dos mortos.

O "sono" da alma é defendido por muitos por causa de expressões usadas no Novo Testamento, como por exemplo, o fato de Jesus ter dito que Lázaro dormia, significando que estava morto (Jo 11.11,14; Ver Mt 9.24; At 7.60; 1Co 15.51; 1Ts 4.13-14). Apela-se também para aqueles textos do Antigo Testamento que descrevem a morte como um estado de inatividade (Ver Sl 6.5; 115.17; 146.4; Dn 12.2). Porém, esses textos descrevem o morto apenas do ponto de vista humano. Além do mais, o que está sendo enfatizado nestes textos é o destino do corpo das pessoas e não da alma.

Há suficiente ensino na Escritura, especialmente por causa do Novo Testamento, para que entendamos para onde a alma vai depois da morte. Jesus contou uma parábola (as parábolas são compostas de elementos reais) em que há explicações suficientes sobre o lugar das almas depois da morte (Lc 16.19-31). Lázaro foi para o seio de Abraão e o rico para o inferno. Eles permaneceram num estado consciente, um está no lugar de punição e o outro no lugar de recompensa, e não há possibilidade de saírem de onde estão. Essa parábola elimina tanto a questão do sono da alma quanto do purgatório. Depois da morte as almas dos salvos vão para o paraíso, enquanto que as almas dos perdidos vão para o inferno. Só existem esses dois lugares e quem foi para um deles não pode mais sair. O Espiritismo também leva um golpe decisivo, pois os mortos não são autorizados a voltarem. E finalmente, Jesus deixa bem claro que o anúncio da salvação somente é possível através da Bíblia (Lc 16.31).

Há muitos outros textos que demonstram o estado consciente dos crentes após a morte. Jesus disse ao ladrão que se converteu na cruz: "Hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23.43). Embora os Testemunhas de Jeová tenham até mesmo mudado a tradução desta frase (para: em verdade te digo hoje, estarás comigo no Paraíso), todo o sentido da frase de Jesus depende do "hoje", pois o ladrão pediu que Jesus lembrasse dele no futuro, e Jesus disse que não seria preciso esperar. Outro texto claro, nesse sentido, é o da cena da transfiguração, em que Moisés e Elias foram vistos conversando com Jesus (Mt 17.1-8). Eles não estavam dormindo. Paulo também dizia que o cristão, após a morte estaria imediatamente na presença do Senhor (Fp 1.21-23). Ele disse que ao deixar o corpo, o crente passa a habitar com o Senhor (2Co 5.6-8). E ele sabia do que estava falando, pois esteve pessoalmente no paraíso (2Co 12.4). Há mais dois textos da Escritura que demonstram claramente que as almas dos salvos estão no céu e num estado de consciência diante de Deus. Em Apocalipse 6.9-11, e Apocalipse 7.14-15, João viu as almas dos crentes mortos no céu. Elas estão lá conscientes, descansando e esperando o último dia. Não faz sentido pensar que estivessem dormindo na sepultura.

As almas dos que já morreram estão no céu ou no inferno, e estão lá conscientes. Um dado interessante quanto a isso, é que elas estão nesses dois lugares temporariamente. O estado em que estão as almas depois da morte, seja o céu ou o inferno, é chamado de intermediário porque não corresponde ao local definitivo onde, tanto os salvos quanto os condenados, habitarão eternamente. As almas dos salvos no céu e as almas dos condenados no inferno aguardam pelo último dia, o dia da ressurreição. Naquele dia, de acordo com a Bíblia, todos ressuscitarão (Dn 12.2; Ver 1Co 15.52; 1Ts 4.16). Após a ressurreição os perdidos que estavam no inferno irão para o lago de fogo (Ap 20.15), e os salvos que estavam no céu para o novo céu e a nova terra (Ap 21.1). O motivo é simples: Deus não criou o ser humano para viver sem corpo. Atualmente, tanto no céu como no inferno, as almas estão despidas de seus corpos, o futuro lhes assegura que um dia se reunirão a seus corpos.

Para o crente, a doutrina bíblica do Estado Intermediário é uma grande benção. Ela nos assegura que o crente não precisará ficar dormindo, esperando pelo consolo. Ele não precisará esperar o dia em que o Senhor voltar no seu reino para desfrutar das recompensas, pois já estará naquele mesmo dia no paraíso com o Senhor. Para o perdido, por outro lado, a doutrina do Estado Intermediário é a certeza de que seus pecados não passarão impunes. É a certeza de que a justiça pode parecer demorada, mas não falhará. As pessoas que não querem compromisso com Deus imaginam que o túmulo seja o fim de tudo, mas terão uma surpresa terrível quando perceberem que estavam enganadas. A doutrina do Estado Intermediário demonstra que a salvação é possível apenas nessa vida. Isso demonstra a importância central do evangelho, a necessidade de conhecê-lo plenamente e proclamá-lo urgentemente.

- Sobre o autor: Rev. Leandro Antônio de Lima é pastor da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro/SP, e membro do conselho editorial do Jornal Brasil Presbiteriano.

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Fonte: Jornal Brasil Presbiteriano, edição Maio/2013, pág. 3
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Por que é tão difícil para nós aceitar que o menino matou os pais?

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Por Rev. Leandro Lima


Desde o primeiro dia que a televisão deu a notícia da chacina na zona norte de São Paulo, eu não consegui acreditar que o garoto de treze anos poderia ser o assassino da família. Hoje, a mídia começa a especular outras possibilidades, falando sobre possíveis denúncias feitas pela mãe do garoto (que é policial) a respeito de policiais corruptos, o que poderia conduzir a investigação para outros rumos. Todos nós, de certo modo, ansiamos para que haja outra explicação para o caso, e talvez possa haver mesmo. Porém, meditando nesse terrível assunto, a pergunta acima começou a se tornar importante para mim. Ela é reveladora de anseios profundos que habitam nossa alma, e infelizmente, muitos desses anseios são completamente infundados e mentirosos.

Em primeiro lugar é difícil para nós aceitar que um garoto de treze anos possa fazer algo assim tão terrível porque alimentamos a ilusória esperança de que o ser humano não seja tão perverso quanto é. É uma ilusão romântica que, apesar de todos os desmentidos da mídia a nos mostrar diariamente o que o ser humano é capaz de fazer, ainda assim, lutamos desesperadamente para crer que resta algo de bom nessa raça que a Bíblia chama de decaída, pervertida e corrupta (Fp 2.15; Jr 17.9; Rm 3.10-12,23).

Em segundo lugar, há uma ilusão ainda mais arraigada em nosso coração a respeito da bondade inerente dos infantes. Queremos acreditar que o terrível mal do pecado não os atingiu, ou que só os atinge a partir de certa idade, ignorando o ensino bíblico de que todos já nascem pecadores (Rm 5.12, Sl 51.5).

No entanto, todo esse caso também nos ensina algo importante que, se for considerado atentamente, poderá trazer grande benefício para a vida das pessoas. A primeira lição é que todas as pessoas (inclusive nós) são capazes de realizar os atos mais terríveis. Há potencial em cada ser humano para ser o pior dos criminosos. Deus refreia a pecaminosidade humana a fim de impedir que esse mundo se torne um verdadeiro inferno. No entanto, de tempos em tempos, ele solta os freios de algumas pessoas, que ficam como testemunhos perante nossos olhos do verdadeiro mal que habita em todos nós. Até porque, somente quando o ser humano compreende sua condição, seu estado deplorável, sua absoluta inaptidão para ser justo, é que ele está preparado para receber o maior dos presentes de Deus: a salvação. Quando toma consciência de sua pecaminosidade, de seu terrível e completo estado de perdição, o homem pode compreender o amor de Deus que enviou seu próprio Filho para sofrer a maior das violências na cruz, e assim conduzir os perdidos aos braços do Pai (Jo 3.16, Rm 5.8).

Talvez o garoto não tenha realizado o que estão atribuindo a ele. Mas há algo que não podemos ignorar: ele pode ter feito isso. Não devemos acompanhar esse tipo de caso com um sentimento mórbido por ver o mal dos outros, e, às vezes, alimentar um senso inócuo de superioridade por não estar em situação semelhante; antes, humilhados diante de Deus, reconhecendo toda a falência espiritual do gênero humano, suplicar sua misericórdia para nosso mundo; ansiar e contribuir para que o Evangelho alcance e transforme mais vidas; e que o Reino vindouro venha depressa. Maranata!

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Uma resposta a um irmão descontente com o calvinismo

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Por Rev. Leandro Lima


Prezado irmão em Cristo
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Graça e Paz

Normalmente não tenho condições de elaborar uma resposta a todos os emails que recebo, mas o seu me chamou atenção, pelo seu esforço e cordialidade, e por isso, encontrei uma maneira de respondê-lo. Farei colocações no seu próprio email em resposta às suas demandas.

Prezado irmão em Cristo

Reverendo Leandro Lima,
Graça e paz.
tenho acompanhado suas aparições no programa Vejam Só, e tive a oportunidade de ouvi-lo, por duas vezes, no podcast do BiboTalk.
Duas coisas ficaram notórias para mim: seu conhecimento e sua simplicidade, por estas razões tomei a liberdade de escrever-lhe, caso não possa responder-me, entenderei pois sei que o Sr. deve ser um Pastor muito requisitado.

A simplicidade precisa ser resultado da auto-compreensão, até porque sempre é inútil tentar disfarçar a falta de conhecimento com estilo suntuoso de escrever e, ou, falar. Em mim, isso não é mérito, é necessidade.

Sobre sua participação no programa que versou sobre a árvore do Bem e do Mal houve uma concordância entre o Senhor e o outro pastor de que Adão tinha o livre-arbítrio, e o senhor comentou que após a queda o homem perdeu a capacidade de escolha em relação às coisas de Deus, mas no capítulo 4 de Gênesis nos versos de 1 a 7 a palavra do SENHOR mostra justamente o contrário, o dialogo de Deus com Caim deixa claro Deus colocando diante de Caim a escolha de fazer o certo para aceitação e o errado para a condenação. A escolha errada o levaria ao pecado e conseqüentemente à morte, o que o levaria a perda da vida eterna.

Uma coisa não elimina a outra. O fato de não termos "livre-arbítrio" não significa que não somos responsáveis por nossos atos. Aqui, na verdade, já está o cerne de todo o problema e da dificuldade que os arminianos têm em entender o calvinismo, pois geralmente confundem "calvinismo" com "hiper-calvinismo". O calvinismo não é fatalista, não vê Deus como o autor do mal, nem faz do ser humano uma máquina programada para pecar. O calvinismo tenta fazer justiça à Bíblia como um todo. E a Bíblia mostra duas verdades complementares: Deus é soberano e decretou todas as ações dos homens, porém, ao mesmo tempo, decretou que o homem é livre e responsável por seus atos. Isso é muito difícil de ser aceito por pessoas racionalistas. Tanto os arminianos quanto os hiper-calvinistas são racionalistas. Eles pensam assim: "só pode haver uma verdade, então, ou Deus decretou todas as coisas ou o homem é livre". Com base nesse pensamento racionalista, os arminianos ficam com a última e os hiper-calvinistas com a primeira. Mas ambos decepam a Bíblia.

Os calvinistas não concordam com o livre-arbítrio que é uma capacidade de agir de maneira contrária à sua própria natureza. Pessoas que estão “mortas em seus delitos e pecados” (Ef 2.1), de fato só conseguiriam mudar a situação, como disse Jeremias, no dia em que o etíope mudasse sua cor ou o leopardo eliminasse suas manchas (Jr 13.23). No entanto, os calvinistas entendem que o homem é livre para agir dentro dos limites de sua própria natureza decaída.

Quanto a Caim, ele já nasceu sem a vida eterna. Já nasceu condenado à morte. Romanos 5.12 diz: "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram". Esse homem, como mostra o verso 14 era Adão, o pai de Caim. Logo, quando Caim nasceu, o pecado e a condenação à morte já haviam entrado no mundo. Note que o verso não diz que e o pecado e a morte passou apenas para alguns homens, mas a todos os homens.

No verso 7 o SENHOR fala do domínio do homem sobre o pecado, isto esta em nossas mãos. Ora se temos domínio sobre o pecado, não podemos estar totalmente caídos., mas não tenho problema com a queda total do homem, logo a frente falaremos dela.

O texto citado não fala do "domínio" do homem sobre o pecado, mas da "responsabilidade" do homem em dominá-lo. A soberania de Deus não elimina a responsabilidade humana.

Concordamos que tudo começou com DEUS e começou antes da fundação do mundo. Com relação ao homem podemos dizer que:
a) Deus criou todos os homens já com sua história pronta;
b) Deus criou o homem com processo de livre escolha;
c) Deus criou homens para honra e desonra;
Se Deus criou todos com sua história já definidas, Judas não seria um traidor, pois estaria cumprindo apenas o papel que lhe foi determinado na história. O mal não teria entrado no mundo por satanás, mas pelo próprio Deus.

Veja que essa é uma dedução "racional" sua. Você eleva sua razão acima da Bíblia. Agora veja o que o próprio Cristo disse a respeito do ato de Judas: "Todavia, a mão do traidor está comigo à mesa. Porque o Filho do Homem, na verdade, vai segundo o que está determinado, mas ai daquele por intermédio de quem ele está sendo traído!" (Lc 22.21-22). O Senhor sabia exatamente quem era o traidor. Disse que ele estava à mesa. E disse algo ainda mais impressionante: tudo estava determinado. Sim, meu caro irmão, o pecado do traidor estava determinado! Mas isso tornava o traidor desculpável? Um mero homem fazendo uso de sua limitada razão sempre achará que sim! Mas Jesus diz que não! Isso não o torna desculpável. O "ai" de Jesus direcionado a Judas não deixa dúvidas disso. Porém, Judas estava destinado à perdição, e Jesus disse isso noutro texto: "Quando eu estava com eles, guardava-os no teu nome, que me deste, e protegi-os, e nenhum deles se perdeu, exceto o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura" (Jo 17.12). Nesse texto, Jesus chama Judas de o "filho da perdição" e disse que não "guardou" Judas do pecado para que se cumprisse a Escritura.

Se Deus criou homens para honra e desonra Deus seria um ser extremamente cruel, pois ELE estaria trazendo a existência pessoas más, totalmente ruins, ou estaria trazendo ao mundo pessoas que jamais teriam a chance de salvação, mesmo não sendo boas e nem más.

Novamente, seu argumento é meramente humanista, baseado num raciocínio anti-bíblico. Veja o que a Bíblia diz com todas a letras sobre esse ponto: "Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna" (At 14.48).

Mas, a principal passagem, nesse sentido, está em Romanos 9, e agora terei que mencioná-la com alguns detalhes, pois curiosamente, os questionamentos que você levanta são exatamente aqueles que Paulo previu que as pessoas levantariam quando lessem o que ele escreveu. Explicando a razão pela qual nem todos os judeus creram no Messias, apesar de serem filhos de Abraão, Paulo revela um dado extraordinário a respeito do modo de agir de Deus. Uma coisa os judeus tinham muito claro para si: eles eram o povo escolhido. Isso era evidente, pois dentre todas as nações do AT, apenas Israel foi beneficiada com a Revelação de Deus e a Aliança. E Israel não fez nada para merecer isso, Deus simplesmente chamou um homem de Ur dos Caldeus, e disse que dele faria uma grande nação (Gn 12.1-2). Por mais que Israel tivesse a tendência de se achar especial por algum valor inerente, Deus fazia questão de lhes lembrar algo essencial: "Não vos teve o SENHOR afeição, nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que qualquer povo, pois éreis o menor de todos os povos, mas porque o SENHOR vos amava e, para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão poderosa e vos resgatou da casa da servidão, do poder de Faraó, rei do Egito" (Dt 7.7-8).

Pois bem, fica evidente que o amor incondicional de Deus pela nação de Israel era algo que partia do próprio Deus. No entanto, os judeus pensavam que isso se aplicava "a todos os judeus". É aí que Paulo começa a mostrar algo diferente. Ele revela a ignorada verdade de que nem todos os descendentes de Abraão foram "amados" por Deus, nem fizeram parte do "povo escolhido". O primeiro rejeitado foi Ismael, filho de Abraão com a escrava. Porém, nesse caso, os judeus diriam: "não era um filho legítimo!". Então, Paulo mostra um caso mais contundente: Esaú e Jacó. Veja as palavras de Paulo: "E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: O mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú" (Rm 9.11-13). Antes de os gêmeos nascerem seus destinos estavam traçados. Como é que alguém pode negar isso lendo esse texto? Agora veja: qual é a razão da escolha divina em relação à Jacó? Algum bem inerente nele? Óbvio que não. Jacó foi um pecador igual ou pior do que Esaú. A razão divina é seu inexplicável amor. E note que a respeito de Esaú ele diz que o "odiou". Sim, pois a tradução literal do texto não é "aborreci", mas "odiei".

É evidente que para homens dominados pelo pensamento humanista-racionalista, este tipo de declaração é inaceitável. A primeira coisa que imaginam é que Deus seja, como você dirá abaixo, um DEUS ABOMINÁVEL, um Deus injusto. Mas Paulo já previu este tipo de reação. Veja o que ele diz em seguida: "Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus?" (Rm 9.14). Curioso, não? Paulo sabia muito bem das implicações daquilo que estava escrevendo. Sabia que os homens veriam isso como algo injusto da parte de Deus. Porém, qual é a resposta de Paulo? É um contundente "de modo nenhum!". E qual é a explicação paulina para justificar esse "de modo nenhum"? É a misericórdia de Deus: "Pois ele diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão. Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia. Porque a Escritura diz a Faraó: Para isto mesmo te levantei, para mostrar em ti o meu poder e para que o meu nome seja anunciado por toda a terra. Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz" (Rm 9.15-18). Ou seja, todos os homens são pecadores, e, por conseguinte, condenados. Quando Deus salva alguém, ele está apenas usando sua misericórdia com essa pessoa. Quando ele deixa de salvar alguém, está apenas usando sua justiça. Ele poderia deixar todos se perderem, mas escolheu salvar alguns por misericórdia. Isso não o torna injusto, antes o torna misericordioso. Isso é o que a Bíblia diz! Eu sei que é difícil para nós aceitarmos algo assim, mas é o que a Bíblia diz!

No entanto, mais uma vez Paulo está consciente de que suas palavras serão recebidas com animosidade: "Tu, porém, me dirás: De que se queixa ele ainda? Pois quem jamais resistiu à sua vontade?" (Rm 9.19). Sim, esse é o pensamento comum: "Então, toda a culpa deve ser atribuída a Deus! Então, Deus é um falsário, pois manda que se pregue o Evangelho a toda criatura, no entanto, salvará apenas os eleitos!". Nesse ponto, parece que Paulo perdeu a paciência com seu "oponente invisível". E atalha: "Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?! Porventura, pode o objeto perguntar a quem o fez: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro direito sobre a massa, para do mesmo barro fazer um vaso para honra e outro, para desonra? Que diremos, pois, se Deus, querendo mostrar a sua ira e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, preparados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão, os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?" (Rm 9.20-24). Aí está meu irmão, aquilo que você mais teme. No entanto, o Apóstolo Paulo não teve receio de expor. Sim, Deus é o soberano, e isso significa que, por misericórdia, de uma mesma "massa pecadora", Deus predestinou vasos de honra. E por outro lado, da mesma "massa decaída" ele preordenou vasos de desonra, no sentido de que os "preteriu", os abandonou aos seus próprios pecados.
Se Deus criou o homem com direito a escolha, vocês reformados acreditam que a soberania de Deus fica abalada, e para não abalar a soberania de Deus, você criaram um tirano chamado JEOVÁ. Um DEUS ABOMINÁVEL , um DEUS cruel que diz: “VINDE A MIM VOS QUE ESTAI CANSADOS...” apenas frases vazias e de efeito, pois um DEUS que pensa que já que são todos pecadores o que eu salvar é lucro.

Essa visão tacanha de Deus está muito longe da visão exposta no texto acima. Mais uma vez é um pensamento guiado pelo racionalismo, sem fundamento bíblico.

Imagine reverendo, DEUS concede ao senhor o direito de salvar uma pessoa, já que todos são pecadores e lhe dá 3 opções: ou você salva sua esposa, ou você salva seu filho, ou você salva sua mãe. Se você que é um trapo de imundice pediria misericórdia a DEUS que tirasse esta responsabilidade de você, imagina DEUS escolhendo aleatoriamente pessoas para a vida eterna e pessoas para a segunda morte.

Reverendo sei que não estou sendo original, mas pense num jogo de xadrez entre as duas maiores autoridades mundiais em xadrez. O primeiro jogador pensa: posso mexer com meu peão, ou que sabe com minha torre, mas se eu mover meu peão para a casa 5 ele pode mover sua dama para casa 8 e eu ficaria sem jogada e seria um cheque-mate.

Exemplos interessantes, porém não bíblicos.

Reverendo Deus não tem que predestinar minha pessoa, isto seria muito simples e fácil para ELE. Ele pode e predestina todas as minhas ações, todas as minhas escolhas, todas as direção que eu tomar, nada pega DEUS desprevenido pois ELE sabe tudo, controla tudo, mesmo nós fazendo milhares e milhares de escolhas erradas simultaneamente ELE tem o controle de tudo. Nós escolhas não afetam a soberania de DEUS porque não existe a menor possibilidade disto acontecer. Pensar que DEUS não é soberano é uma tremenda infantilidade, soberania de DEUS não é coisa a ser discutida, o que deve ser objeto não de discussão, mas de estudo é como ele consegue controlar tudo ao mesmo tempo.

Opa, nesse ponto concordamos. E se você se lembrar que a Bíblia ensina as duas coisas simultaneamente, provavelmente se tornará um calvinista. 

Deus atua até mesmo nos atos maus dos próprios homens maus. Quando vemos o que a Bíblia fala sobre o caso de Nabucodonozor, o ímpio rei da Babilônia, percebemos que a soberania divina não tem limites. Nabucodonozor invadiu Judá e cometeu todo tipo de atrocidades, porém, a Bíblia diz que Deus é quem o trouxe e determinou que fizesse aquilo (Jr 25.9-11). Nabucodonozor agiu em conformidade com sua iniquidade, ele queria saciar sua sede de conquistas, entretanto, Deus determinou que aquilo acontecesse, usando Babilônia, império de Nabucodonozor, segundo seus propósitos. Deus declarou a respeito de Babilônia: “Tu, Babilônia, eras meu martelo e minhas armas de guerra; por meio de ti, despedacei nações e destruí reis; por meio de ti, despedacei o cavalo e o seu cavaleiro; despedacei o carro e o seu cocheiro; por meio de ti, despedacei o homem e a mulher, despedacei o velho e o moço, despedacei o jovem e a virgem; por meio de ti, despedacei o pastor e o seu rebanho, despedacei o lavrador e a sua junta de bois, despedacei governadores e vice-reis” (Jr 51.20-23). Deus disse que ele fez toda aquela destruição, porém, Babilônia pagaria, pois havia agido conforme ela própria desejava: “Pagarei, ante os vossos próprios olhos, à Babilônia e a todos os moradores da Caldéia toda a maldade que fizeram em Sião, diz o Senhor” (Jr 51.24). Babilônia agiu conforme sua cobiça e deu vazão à sua própria maldade, entretanto, em última análise, agiu como Deus havia determinado. Ao mesmo tempo, Babilônia e seu imperador seriam castigados por Deus por causa disto.

Muitos outros casos podem ser considerados , como por exemplo, o caso de Jeroboão (1Rs 14.10; 15.27-30); de Roboão (1Rs 12.13-15; 22-24); do rei da Assíria (Is 10.5-15); de Absalão (2Sm 16.20-23; 12.11-12; 17.14) e de tantos outros que demonstram o mesmo que aconteceu com Nabucodonozor. Em todos eles, os homens ímpios agiram conforme seus desejos pecaminosos e são culpados por isto, porém, ao agir daquela forma, estavam fazendo o que a vontade decretiva de Deus havia determinado, pois estavam cumprindo propósitos divinos. Isso nos leva a entender que tudo o que acontece nesse mundo, acontece debaixo do olhar e do comando eficaz de Deus. Nada foge ao controle divino, porém, tudo o que o homem faz, faz de acordo com sua própria vontade. É claro que a "mera razão" jamais aceitará isso. Mas não somos salvos pela razão. Somos salvos pela fé. Resta, portanto, aceitar pela fé que de fato é assim, ainda que não possamos conciliar tudo em nossas mentes. Precisamos aceitar porque esse é o ensino bíblico, e a Bíblia é a verdade.

Reverendo DEUS controla um universo que seria caótico se não fosse pela força do seu poder, existem mais estrelas sobre nossas cabeças do que todos os grãos de areia das praias e dos desertos deste planeta, existe um Sol 3000 vezes maior que o nosso, existem bilhões de galáxias no universo, e vocês, reformados, ainda pensam que uma simples tomada de decisão do homem afeta a soberania de DEUS.

Foi o próprio Cristo quem disse que até os "cabelos de nossa cabeça estão contados" e que não cai um pardal em terra sem o sentimento de nosso Senhor (Mt 10.29-30). Controlar apenas as grandes coisas, mas deixar as pequenas correrem soltas elimina completamente a soberania.

Contra a queda do homem o gatilhos já foi armado é graça da salvação que há de manifestar-se a todos(Tito 2.11). Logo a morte de cruz foi 100% de aproveitamento, pois ela foi a graça que se manifestou a todos, ou melhor para todos, mas cada um que faça sua escolha.

O anúncio do Evangelho a toda criatura não contraria a eleição.

Somos únicos pastor, fomos criados com arcada dentária diferenciada, Iris diferenciada, digitais diferenciadas, DNA diferenciados, dá pra perceber que não fomos feitos em série, não somos produtos de um linha de montagem, não somos robôs, mas cada um com sua individualidade.

Concordo. E isso não invalida a eleição, a soberania de Deus ou a liberdade humana. Porém, nas entrelinhas, provavelmente você revelou a causa do erro de seu pensamento: o humanismo. A vontade do homem de ser “único”, “especial”, “fora de série” é a razão de sua queda, de seu antagonismo em relação a Deus. É uma recusa em atribuir a Deus o valor e o louvor que lhe é de direito, e, de certo modo, ficar com isso para si mesmo. Sabe meu irmão, você poderá passar a vida inteira discutindo com Deus, negando o direito dele de escolha, mas só perderá tempo com isso, e acumulará sofrimento para sua vida. Veja como Paulo, no final de toda essa seção sobre a predestinação, conclui seu pensamento no final do capítulo 11: “Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!” (Rm 11.33-36). Percebe? Há um caminho melhor do que o de amargurar a alma por causa dos questionamentos humanistas, é se render à gloriosa soberania de Deus e louvá-lo por tudo o que ele é e tem feito, ainda que tudo isso esteja muito acima de nossa capacidade de compreender.

Faça suas releituras da Bíblia não na ótica de Calvino ou de Agostinho, ou de Armínio, Pelágio ou qualquer outro teólogo.

Obrigado pelo Conselho. Vou continuar fazendo isso e permitindo que a Bíblia continue reformando meu modo de pensar. Mas acredito que o irmão também precise fazer isso, até porque seus argumentos acima foram reduzidamente bíblicos, muito mais fruto de um racionalismo humanista.

Eles tinha menos recursos do que nós numa teologia sistemática temos muito mais agrupamentos para estudar do que tinha Agostinho e Calvino.

Isso, em respeito ao irmão, prefiro não comentar.

A PAZ de CRISTO.

XXXXX XXXXXXX.

A paz.
Leandro.

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Como se cumprirá a profecia de Isaías 65:17-25?

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Programa "Vejam Só" veiculado pela emissora RIT no dia 04/06/2013 com a participação do Rev. Leandro Lima.


Fonte: Vejam Só
Via: Amilenismo
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#BTCast 054 – Arrebatamento!

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Muito bem moçada, mais um #BTCast hemorrágico no ar! O time completo recebe o Rev. Leandro Lima que nos conduz aos bastidores do arrebatamento. De antemão já alertamos: não nos responsabilizamos pelos danos cerebrais e escatológicos que com certeza você sofrerá ao ouvir esse episódio da série: Plenitude dos Tempos!

O que é o arrebatamento? Seria o arrebatamento um livramento da ira de Satanás? A igreja passará pela tribulação? Viveremos no céu? onde é o céu? Qual o texto base para a doutrina do arrebatamento? É possível fazermos uma cronologia dos fatos que cercam esse grande evento? Isso e muito mais, agora, no #BTCast!

Fonte: BTCast

  • Para ouvir o BTCast, bem como para mais informações, clique aqui!

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O Reino Milenar

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Por Rev. Leandro Lima


No momento da vinda de Jesus, ele estabelecerá um reino de mil anos ou o reino eterno? Esse assunto divide os cristãos evangélicos. Nenhum assunto é tão controvertido em teologia do que o Milênio, e nenhum texto causa mais discussão do que Apocalipse 20.1-10.

Entraremos nessa discussão acalorada, porém, não querendo aqui imprimir uma posição intransigente, e até quase fanática, sobre um assunto que diz respeito ao futuro, e do qual ninguém tem certeza absoluta. Há tanta controvérsia sobre este assunto que talvez não consigamos achar duas pessoas que pensem exatamente igual sobre a questão. Há tanta especulação também, que faz com que seja um dos assuntos mais ingratos a se tratar em escatologia.

Trataremos do assunto como precisa ser tratado, ou seja, abordando as principais visões, e emitindo algumas opiniões sobre cada uma delas, e até mesmo assumindo uma posição. No entanto, entendemos que é um assunto que não deveria dividir os cristãos. No final, todos creem que Jesus virá e estabelecerá um reino eterno. A esperança deste reino não deve diminuir, quer exista um reino intermediário, quer não.

Correntes Milenistas

Há basicamente quatro posições em relação ao milênio. São elas: Amilenismo, Pós-Milenismo, Pré-Milenismo Histórico e Pré-Milenismo Dispensacionalista.

O termo “Amilenismo”, como diz Hoekema, “não é muito feliz”[1], porque sugere que não exista um Milênio. Os amilenistas acreditam no milênio de Apocalipse 20, porém, não acham que diga respeito a um reino de mil anos literais que Cristo estabelecerá na terra depois da sua vinda. O Amilenismo entende que o milênio de Apocalipse 20 já está em atividade nesse momento, pois começou com a primeira vinda de Jesus e terminará na segunda vinda com a instauração dos novos céus e nova terra. Por isso, para o Amilenismo, o Milênio não é literal, mas espiritual.

O Pós-Milenismo defende que o Milênio também é antes da segunda vinda, porém, acha que será um tempo de prosperidade e paz advinda da pregação do Evangelho em todo o mundo. Para o Pós-Milenismo, o mundo ser tornará gradativamente um lugar muito bom, onde o mal será reduzido ao mínimo e as nações cooperarão entre si, cristianizando o mundo todo. No final desta era gloriosa, Satanás será solto, e então, Jesus voltará e o destruirá.

O Pré-Milenismo Histórico interpreta literalmente o texto de Apocalipse 20.1-10, e entende que o Milênio será estabelecido na segunda vinda de Jesus, e será um reino de mil anos sobre a terra, onde o Senhor regerá as nações com cetro de ferro, minimizará o mal existente, e estabelecerá uma era de ouro, reinando a partir de Jerusalém. Ao final do Milênio Satanás será solto e convencerá as nações a fazerem guerra contra Jerusalém. Então, descerá fogo do céu e consumirá as nações rebeldes. Em seguida o Senhor estabelecerá o Juízo e o tempo eterno.

O Pré-Milenismo Dispensacionalista se parece com o Pré-Milenismo Histórico em sua expectativa por um milênio futuro e literal, porém, se difere em detalhes específicos. O Dispensacionalismo distingue pelo menos duas vindas de Jesus, a primeira para o arrebatamento dos salvos, e a segunda depois de sete anos de tribulação para o estabelecimento do Milênio. No Dispensacionalismo há um tratamento diferente entre a igreja e Israel. Mesmo no Milênio estes dois grupos serão distinguidos. O Dispensacionalismo entende que a igreja é uma espécie de parêntesis na história de Deus com Israel. Na primeira vinda de Jesus, o Evangelho foi oferecido aos judeus, mas como eles o rejeitaram, Deus o ofereceu aos gentios e formou a igreja, porém no fim, voltará a tratar com Israel. Uma das características principais do Pré-Milenismo, seja Histórico ou Dispensacionalista é a interpretação literal das passagens do Antigo Testamento sobre a restauração de Israel, e também do livro do Apocalipse.

O seguinte quadro nos ajuda a entender as diferenças entre esses quatro sistemas[2]:


Todas as quatro posições acima têm encontrado defensores capacitados, e qual é a verdadeira é uma coisa que só saberemos depois da vinda de Jesus. De qualquer forma, o que pode ser dito brevemente sobre cada uma delas é que o Pós-Milenismo que esteve muito em voga nos séculos passados, depois das guerras mundiais e do avanço da fome e das doenças pelo mundo, caiu em descrédito, uma vez que a sonhada prosperidade parece estar muito longe. O Pré-Milenismo Dispensacionalista é bastante recente, e bastante complicado de se explicar. O maior problema dele é a distinção radical que faz entre Israel e igreja, dividindo a volta de Jesus e a ressurreição em duas ou três etapas. O Pré-Milenismo Histórico é mais sóbrio em sua visão, entendendo que haverá apenas uma vinda de Jesus. O problema desse sistema é o excesso de literalismo. O Amilenismo é, na nossa opinião, o que faz mais justiça ao ensino bíblico.

O Aprisionamento de Satanás

O texto de Apocalipse 20.1-3 descreve o aprisionamento de Satanás. O texto diz: “Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo”. Primeiramente devemos lembrar que este texto foi escrito para cristãos no primeiro século. O que significava para eles? Significava que as coisas não eram como pareciam ser. Enquanto os cristãos morriam diariamente nos circos e anfiteatros romanos, parecia realmente que Satanás estava vencendo, mas João escreve para mostrar que as coisas não são bem assim, elas não são o que parecem ser.

O valente amarrado[3]

Para entendermos o significado de Apocalipse 20.1-3, precisamos voltar ao início do ministério de Jesus. Os fariseus acusavam Jesus de expulsar demônios com o poder do próprio Satanás, por isso Jesus respondeu: “Como pode alguém entrar na casa do valente e roubar-lhe os bens sem primeiro amarrá-lo? E, então, lhe saqueará a casa” (Mt 12.29). A palavra “amarrar” aqui é exatamente a mesma na língua grega usada em Apocalipse 20.2 para “segurar”.

Esta tarefa de “amarrar” ou “segurar” Satanás começou na primeira vinda de Cristo. Quando Jesus enviou os 70 discípulos para pregar o Evangelho, eles voltaram radiantes porque até os demônios lhe eram submissos, então Jesus disse: “Eu via a Satanás caindo do céu como um relâmpago” (Lc 10.17-18). Note que a queda de Satanás é associada à pregação do Evangelho. Do mesmo modo, quando alguns gregos vieram para conversar com Jesus, ele disse: “Chegou o momento de ser julgado este mundo, e agora o seu príncipe será expulso. E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo” (Jo 12.31-32).

É preciso notar que a palavra “expulsar” no texto grego é exatamente a mesma de Apocalipse 20.3 onde é traduzida como “lançou”. O mais importante, porém, é que com a morte de Cristo e a expulsão de Satanás, Jesus disse que atrairia a si todos os homens. Não apenas judeus, mas também gregos, romanos, chineses, portugueses, brasileiros, etc. Até a primeira vinda de Jesus, apenas Israel conhecia o Senhor, sendo que Satanás prendia as demais nações em ignorância praticamente absoluta.

Mas, com a vinda do Senhor, o poder do diabo foi drasticamente limitado e ele agora já não pode mais enganar as nações, pois não pode impedir a pregação do Evangelho em toda a terra[4]. A única restrição ao Diabo em Apocalipse 20.3 é que ele não pode mais enganar as nações, portanto, o amilenismo entende que Apocalipse 20.1-3 narra, não uma prisão futura de Satanás, mas a restrição que Deus impôs sobre ele com a primeira vinda e Jesus. Foi graças a este aprisionamento que alguns simples galileus do primeiro século, em algumas décadas, conseguiram levar o Evangelho a todo o mundo civilizado.

Hoje, não há um único país que não tenha algum missionário e muitos convertidos ao cristianismo. A Bíblia já foi traduzida em mais de mil línguas. Portanto, o milênio do Apocalipse 20 é a realidade do mundo atual. Ele começou com a primeira vinda de Cristo. Os 1000 anos do capítulo 20 correspondem aos 1260 dias das outras partes do livro, ou seja, o total de anos da dispensação cristã, e é apenas um número simbólico.

Alguém pode dizer: mas como Satanás está amarrado se o mundo está desse jeito? ele está amarrado, mas não completamente impossibilitado de atuar. O que ele não pode fazer, segundo Apocalipse 20.3 é enganar as nações. É dito que após o fim do Milênio ele reúne as nações para pelejar contra a igreja (Ap 20.8). No tempo presente, ele não consegue fazer esse tipo de movimentação de nações contra o povo de Deus[5], até porque, há nações que ainda são cristãs. Além disso, deve ser verificado que nosso Senhor e os Apóstolos empregaram palavras ainda mais fortes do que “prender” ou “expulsar” para descrever a derrota de Satanás que já aconteceu.

Além dos textos que já vimos acima, podemos citar Hebreus 2.14: “Visto, pois, que os filhos têm participação comum de carne e sangue, destes também ele (Jesus), igualmente, participou, para que, por sua morte, destruísse aquele que tem o poder da morte, a saber, o diabo”. Este texto está dizendo que Jesus destruiu Satanás com sua morte. Esta é uma expressão bem mais forte do que “prender” ou “lançar no abismo”. Diante deste texto, alguém pode negar que Satanás já está destruído? Mas então como ele continua agindo? ele está destruído porque já não tem qualquer chance de vitória.

Colossenses 2.15 também deixa bem claro que Satanás está totalmente derrotado: “E, despojando os principados e as potestades, publicamente os expôs ao desprezo, triunfando deles na cruz”. A linguagem deste texto é militar. Paulo está comparando o que Jesus fez com Satanás e suas hostes, com o que os exércitos romanos faziam com os vencidos. Naquele tempo, quando um exército vencia o outro, os perdedores eram despojados de todos os seus bens, e às vezes até das próprias roupas. Em seguida eram amarrados e obrigados a desfilar pelas ruas, numa humilhação pública. Jesus despojou Satanás e o humilhou perante todos com sua morte e ressurreição. Portanto, a expressão “prendeu por mil anos” pode significar perfeitamente a obra que Jesus realizou na cruz contra Satanás.

Sequência não-cronológica

Os Pré-Milenistas interpretam o texto de Apocalipse 20 como acontecendo depois da volta de Jesus, porque entendem que o capítulo 20 segue cronologicamente o capítulo 19. Porém, o Apocalipse não é um livro que deva ser lido em ordem cronológica. Narrando coisas que dizem respeito ao fim, João freqüentemente volta aos primórdios do Evangelho a fim de dar o entendimento global da batalha do mal contra o bem.

Ao chegarmos no capítulo 20 do Apocalipse, já fomos informados como praticamente todos os inimigos de Cristo encontrarão o seu fim. Mas, ainda resta um, o pior de todos, Satanás. Sua derrota já foi decretada e anunciada (12.12), mas não foi ainda explicada, pois João deixou esta explicação para o final. João já disse que Satanás perdeu seu lugar no céu, após a batalha com Miguel (Ap 12). O que ele está fazendo no capítulo 20 é demonstrar como foi realmente essa derrota.

Não podemos entender Apocalipse 20-22 como sendo uma continuação do capítulo 19.

Provavelmente a maneira mais correta de interpretar o Apocalipse é entendendo que são descritas sete seções paralelas. É como se João contasse a mesma história pelo menos sete vezes, porém, cada vez, ele acrescenta detalhes que não estavam nas descrições anteriores. É somente no último ciclo, ou seja, quando ele reconta a história pela última vez, que ela fica completa. A divisão que Hendriksen propõe é a seguinte:

A Primeira Seção: “Cristo no meio dos sete candeeiros” (Ap 1-3). 
A Segunda Seção: “A Visão do céu e dos Sete Selos” (Ap 4.1-7.17). 
A Terceira Seção: “As Sete Trombetas” (Ap 8-11). 
A Quarta Seção: “O Dragão Perseguidor” (Ap 12.2-14.20). 
A Quinta Seção: “As Sete Taças” (Ap 15.1-16.21). 
A Sexta Seção: “A queda da Babilônia” (Ap 17.1-19.21). 
A Sétima Seção: “A Grande Consumação” (Ap 20.1-22.21)[6].

De fato no capítulo 20 se inicia uma nova seção que vai descrever outra vez a dispensação cristã como um todo, desde a primeira vinda de Jesus até sua segunda vinda e o juízo final, como fizeram todas as seis seções ou ciclos anteriores. Repare que a segunda vinda de Cristo e o julgamento do mundo haviam sido anunciados em todas as seis seções anteriores.

Veja como o sexto selo na segunda seção descreve o fim do mundo em cores vívidas (6.12-17). Da mesma forma na sétima trombeta da terceira seção, a consumação de todas as coisas é claramente descrita (11.15-19). E este acontecimento é também descrito em 14.14-20 no final da quarta seção, com o acréscimo de detalhes de como será a separação entre os crentes e os ímpios.

Note que neste texto os crentes são ceifados e recolhidos no celeiro, enquanto que os ímpios são pisados como se fossem uvas. Assim também o sétimo flagelo da quinta seção descreve o fim de tudo, mas aqui é pela primeira vez descrita uma batalha antes do fim, a batalha do Armagedom (16.12-21). Mas, a explicação mais clara desta batalha está no final da sexta seção onde o cavaleiro montado no cavalo branco desce para destruir os exércitos do diabo e dos seus aliados. Portanto, João está recontando pela sétima e última vez como é a derrota do mal.

É muito difícil que Apocalipse 20 seja uma descrição do que acontece depois de Apocalipse 19, pois no capítulo 19 já aconteceu a consumação. Os ímpios foram vindimados na batalha do Armagedom e os homens rebeldes foram mortos (19.21). No capítulo 20 a história é recontada a fim de explicar como será destruído o último inimigo, Satanás, e assim, todos os detalhes se completam.

Em defesa desta posição Hendriksen mostra o paralelo que há entre os capítulos 11-14 e 20-22 [7]:


Os Santos reinam

Em seguida, Apocalipse 20.4-6 narra um reinado milenar. Aqueles que seguem uma abordagem cronológica do capítulo 20, dizem que todos estes acontecimentos seguem o 19. Então, na segunda vinda de Jesus, Satanás seria preso, e, em seguida, haveria a primeira ressurreição e os crentes reinariam com Cristo por mil anos na terra. Depois destes mil anos haveria a segunda ressurreição somente dos ímpios para o juízo. Nossa dificuldade com esta interpretação já foi descrita acima. Não cremos que o capítulo 20 seja uma seqüência do 19, mas que recomeça um novo ciclo. Vimos que a derrota e a prisão de Satanás já aconteceram na primeira vinda de Jesus.

Tronos no céu

Mas, há uma dificuldade ainda maior em pensar que o milênio começa com a ressurreição dos crentes. João não diz que vê corpos reinando com Cristo na terra, mas “almas” (Ap 20.4). Ele diz que viu tronos, e sentados nestes tronos aqueles que têm a autoridade de julgar. Quem estão assentados nestes tronos? São as almas que João viu. O texto grego não contém a expressão “vi ainda”, como se fosse um grupo diferente daquele que está assentado nos tronos. Diz simplesmente: “E as almas dos decapitados por causa do testemunho de Jesus e da Palavra de Deus, tantos quantos não adoraram a besta, nem tão pouco a sua imagem, e não receberam a marca na fronte e na mão; e viveram e reinaram com Cristo durante os mil anos” (Ap 20.4).

Note que estas almas estão “vivendo” com Cristo e reinando por mil anos. A expressão “e viveram” (no grego ezesan) não significa necessariamente “e ressuscitaram”, até porque a palavra grega “ressuscitaram” é outra (anastásei). O texto nos diz que as almas dos que morreram estão “vivendo” e reinando com Cristo por mil anos, que é o tempo inteiro da dispensação cristã, desde a primeira vinda de Cristo até a segunda vinda. Além disso, estes tronos certamente devem estar no céu, pois como diz W. J. Grier, “sempre que se faz referência a tronos, no Apocalipse, quer se trate do de Cristo, quer dos de Seu povo, são localizados no céu”[8]. (Ver Ap 4.4).E como diz Kistemaker, “o vocabulário de tronos, juízo e almas representa uma cena celestial”[9].

Quando João diz que os restantes dos mortos não reviveram “até que se completassem os mil anos” e chama o acontecimento de “viver” de primeira ressurreição, ele não está dizendo que isso vai acontecer depois do milênio. Aliás, a palavra “reviveram” é a mesma usada para “viveram” no verso anterior. O que João quer dizer é que os mortos sem Cristo continuaram mortos física e espiritualmente, e depois do milênio vão ressuscitar, mas para entrar na morte eterna. Portanto, a primeira ressurreição aqui é o “viver” com Cristo no céu.

Os ímpios não vão “viver” com Cristo no céu até o dia da ressurreição final. Aquele que tem parte na primeira ressurreição (espiritual) vai para o céu, e não precisa temer a segunda morte que é o Lago de Fogo. Nem seria preciso falar algo assim se os cristãos já estivessem com seu novo corpo aqui na terra. Num resumo: “Os que pertencem a Cristo morrem uma vez, porém ressurgem duas vezes (espiritual e fisicamente), enquanto os que o têm rejeitado ressurgem uma vez, porém morrem duas vezes (física e espiritualmente)”[10].

As pessoas que João viu no céu (decapitados como Paulo e João Batista) ascenderam espiritualmente ao céu (primeira ressurreição), e ressuscitarão fisicamente na vinda de Jesus. As pessoas que morrem sem Cristo não vão ao céu (não tem parte na primeira ressurreição), mas ressuscitarão na vinda de Jesus para o grande julgamento.

A situação dos mortos

Um argumento que reforça esta interpretação vem de outras partes do livro de Apocalipse. Devemos sempre lembrar que João está escrevendo para cristãos do primeiro século. Aqueles cristãos estavam sofrendo grandes perseguições. Muitos já haviam morrido por causa do Evangelho. Era natural que a igreja se perguntasse: O que aconteceu com os cristãos que foram martirizados? Deus não vai fazer nada para vingá-los? Em praticamente todas as seções, João dá informações sobre esses mortos.

No capítulo 6, ele diz que viu as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho que sustentavam. Essas almas estavam debaixo do altar de Deus, e clamavam por vingança. Foi lhes dito que deviam esperar, vestidas de vestiduras brancas, até que se completasse o número dos mártires (Ver Ap 6.9-11).

No capítulo 7, João dá mais informações sobre os mártires. Ele diz que “se acham diante do trono de Deus e o servem de dia e de noite no seu santuário. E aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles o seu tabernáculo. Jamais terão fome, nunca mais terão sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o Cordeiro que se encontra no meio do trono os apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima” (Ap 7.15-17). Ou seja, João está tentando consolar os amigos e parentes das vítimas, dizendo que elas estão numa posição privilegiada.

No capítulo 14, João diz que os mortos no Senhor são “bem-aventurados”, podem descansar de suas fadigas, pois suas obras os acompanham (Ap 14.13). No capítulo 20, ele torna a ver as almas destes mártires, e agora acrescenta que além de estarem num estado de bem-aventurança, estão reinando com Cristo e serão os próprios juízes de seus algozes (Ap 20.4).

Portanto, na sequência lógica do Apocalipse, este texto não está falando coisa alguma sobre um reino literal e terreno de Cristo sobre a terra durante mil anos, mas da situação dos mortos em Cristo no céu, durante todo o tempo da dispensação cristã.

Como já vimos, aqueles que reinam com Cristo por mil anos não são pessoas ressuscitadas fisicamente, mas almas que reinam no céu. Neste ponto, há mais uma dificuldade para a interpretação pré-milenista que é o fato de que o texto localiza apenas dois grupos de pessoas que reinam com Cristo, e são os “decapitados por causa do testemunho de Jesus e os que não adoraram a besta”. Cadê o resto dos crentes mortos?

Além disso, está falando apenas dos que morreram, e se eles ressuscitaram fisicamente, onde estão os vivos que serão transformados? Eles não participam do milênio? Como diz Hoekema, “não há nada dito aqui acerca de crentes que não morreram, mas ainda estavam vivos quando Cristo retornou”[11]. Mas quando lembramos que João está querendo explicar justamente a situação dos mártires, toda dificuldade desaparece.

Números não literais

A interpretação literal dos mil anos no texto não se justifica facilmente. Qualquer pré-milenista sabe, por exemplo, que a corrente que prende Satanás não é física, é espiritual. Portanto, ninguém interpreta isto literalmente. Então, por que o número 1000 deve ser interpretado literalmente? Além disso, porque nessa passagem este número deve ser interpretado de forma literal, se todos os outros números do Apocalipse não são? Por exemplo, será que há sete Espíritos Santos, ou apenas um? (Ap 3.1; 4.5). Será que Jesus é literalmente um Cordeiro que tem sete chifres e sete olhos? (Ap 5.6). Será que correu sangue pela morte dos ímpios por 1600 estádios (296 Km)? (Ap 14.20). Será que a Nova Jerusalém possui 12000 estádios (2219 Km)? (Ap 21.16). Evidentemente que ninguém interpreta estes números literalmente, pois são claramente simbólicos. Mas, então por que o número 1000 teria que ser literal em Apocalipse 20.3-4.

Ainda deve ser considerado que a existência de um milênio literal somente pode ser deduzida do texto de Apocalipse 20.1-4. Nenhum outro lugar na Escritura fala em algo parecido. E como já vimos, Apocalipse 20.1-4 não precisa ser interpretado literalmente. No restante das Escrituras não existe a menor indicação de um milênio intermediário entre a era atual e a era eterna. Jesus, nas parábolas (Mt 13.24-30, 36-43, 47-50; Lc 19.11-27; Mt 25.14-30), e na descrição do julgamento em Mateus 25, não falou de um reino intermediário depois da sua vinda. Ele disse que sua vinda traria o julgamento e o estado final dos homens. A mesma ideia pode ser vista em toda a Bíblia. Sempre que o Novo Testamento fala do futuro não diz que haverá um reino para Israel na Segunda Vinda de Jesus, mas que quando Jesus voltar, será estabelecido o Novo céu e a nova terra (2Pe 3.1-13).

A Última Batalha

Em Apocalipse 20.7-10 há a descrição da rebelião final, onde Satanás reúne as nações para pelejarem contra o Senhor. Que batalha é esta, se no capítulo 19 os inimigos de Cristo já foram destruídos? Que nações são estas cujo número é como a areia do mar, se os homens já foram mortos em Apocalipse 19.21? Na verdade, não são batalhas diferentes, mas duas descrições da mesma batalha. É dito que no fim do milênio, Satanás será solto. Solto de quê? De sua prisão que o incapacitava de enganar as nações a fim de reuni-las contra a igreja de Deus. Note que ele vai seduzir as nações nos quatro cantos da terra.

Que esta é a batalha do Armagedom podemos inferir por causa da referência a Gogue e Magogue. Gogue era o príncipe de Magogue. É dito em Ezequiel 38.2 que Gogue também é príncipe de Rôs, Meseque e Tubal. Estas três regiões ficavam em algum lugar onde hoje é a Turquia. E todo este território foi conquistado depois de Ezequiel pelos selêucidas, principalmente nos tempos de Antíoco Epifânes o mais cruel inimigo dos judeus, que foi governador da Síria. Este homem foi o mais perfeito tipo do Anticristo no Antigo Testamento. Portanto, a referência a Gogue, nesta última batalha, é uma referência novamente às forças do Anticristo que tentarão pelejar contra o Cordeiro.

João não descreve a derrota do Anticristo aqui, porque já a descreveu antes, e agora ele está interessado em descrever a derrota do Dragão, que na mesma batalha do Armagedom na única vinda de Cristo, foi também aprisionado no lago de fogo. O fato de João dizer que a besta e o falso profeta já estavam no lago de fogo (Ap 20.10) significa apenas que ele já havia narrado este acontecimento antes, até porque a besta e o falso profeta são o governo e a religião anticristã de Satanás. João deixou para narrar no fim, a maneira como o Dragão será destruído.

O Cumprimento das Profecias do AT

Talvez a maior razão porque os pré-milenistas insistem num reino literal e terreno de mil anos seja por causa de sua visão das profecias do Antigo Testamento. Como já dissemos, não há qualquer texto que fale em mil anos de reino, mas os pré-milenistas olham para as profecias de Isaías, Ezequiel, Amós, Zacarias e outros, que falam sobre um futuro glorioso para Israel, e imaginam que isto acontecerá numa volta futura de Israel das várias nações ao redor do mundo, para a terra da promessa. Pensam que isto precisa se cumprir literalmente. Nesse sentido, vêem o retorno de Israel para a Palestina após a Segunda Grande Guerra, como um indício do cumprimento histórico das
profecias.

A interpretação amilenista entende que estas profecias se cumpriram literalmente na volta de Israel do cativeiro da Babilônia, ou se cumprem espiritualmente na igreja que é o Israel no Novo Testamento, ou ainda se cumprem no Novo céu e nova terra. Não há a necessidade de um reino milenar para que elas se cumpram.

Primeiramente devemos entender que interpretar literalmente todas as profecias do Antigo Testamento pode conduzir a absurdos. Como nota W. J. Grier, “a própria profecia do Velho Testamento contém uma advertência contra tal literalismo. Deus disse que falaria aos profetas do Antigo Testamento em sonhos e visões e em palavras obscuras (Nm 12.6-8; Os 12.10)”[12]. Por exemplo, quando Ezequiel diz que o povo retornará à sua terra diz que Davi reinará sobre os que voltarem (Ez 37.24). Se isso for interpretado de forma literal, Davi precisaria reencarnar para reinar sobre Israel. E além disso, o que não pode ser esquecido é que muitas profecias proferidas à nação de Israel eram condicionais.

Por exemplo, quando Deus chamou o povo de Israel do Egito lhes prometeu uma nova terra, porém, devido à desobediência deles, foram privados desse benefício (Nm 14.23). Com relação ao próprio reino eterno da descendência de Davi, a promessa era condicional. Davi entendeu isso, pois disse em seu leito de morte ao seu filho Salomão:

"Eu vou pelo caminho de todos os mortais. Coragem, pois, e sê homem! Guarda os preceitos do SENHOR, teu Deus, para andares nos seus caminhos, para guardares os seus estatutos, e os seus mandamentos, e os seus juízos, e os seus testemunhos, como está escrito na lei de Moisés, para que prosperes em tudo quanto fizeres e por onde quer que fores; para que o SENHOR confirme a palavra que falou de mim, dizendo: Se teus filhos guardarem o seu caminho, para andarem perante a minha face fielmente, de todo o seu coração e de toda a sua alma, nunca te faltará sucessor ao trono de Israel." (1Rs 2.2-4).

Do mesmo modo, as promessas de Deus de prosperidade para a nação de Israel estavam condicionadas à obediência. Uma vez que a nação não permaneceu em obediência, Deus não se viu obrigado a cumprir todas as promessas.

Ao considerar algumas das principais profecias do Antigo Testamento, as quais são geralmente usadas para a defesa de um Milênio literal e terrestre, podemos perceber que elas não exigem um cumprimento literal num Milênio. Uma das principais passagens do Antigo Testamento usadas para defender o Milênio é Isaías 65.17-25. Neste texto Isaías fala da restauração de todas as coisas: “Não haverá mais nela criança para viver poucos dias, nem velho que não cumpra os seus; porque morrer aos cem anos é morrer ainda jovem, e quem pecar só aos cem anos será amaldiçoado” (Is 65.20).

Diz que: “A longevidade do meu povo será como a da árvore, e os meus eleitos desfrutarão de todo as obras das suas próprias mãos” (Is 65.22). E diz que naquele tempo: “O lobo e o cordeiro pastarão juntos, e o leão comerá palha como o boi; pó será a comida da serpente. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, diz o SENHOR” (Is 65.25). Os pré-milenistas dizem que esta descrição não pode se referir ao tempo eterno porque há referência a morte e ao pecado. Porém deve ser entendido que Isaías usa figuras de coisas que os homens podem entender, mas está falando dos “novos céus e nova terra”, conforme ele deixa bem claro no verso 17.

E o Apocalipse diz que os novos céus e nova terra compõem o estado final do universo e não o Milênio. Isaías descreve os tempos eternos em linguagem que as pessoas daquele tempo podiam entender. Ele usa expressões que indicam longevidade e prosperidade em linguagem que deve ser entendida figurada e não literalmente.

Outro texto bastante usado para a defesa do Milênio é o capítulo 11 de Isaías. O texto diz que um rebento de Jessé será levantado (vs. 1), o qual terá sabedoria para reconduzir o povo (vs. 2-5). Neste tempo, “o lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará (...) A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar” (vs. 6-9). Esta também não é uma descrição do Milênio. Ela se parece bastante com a outra descrição que já vimos acima no capítulo 65, e que Isaías disse pertencer à nova terra e aos novos céus. Isaías está falando de um tempo de perfeição, onde a terra se encherá do conhecimento do Senhor. Isso é muito superior ao que teria que acontecer no Milênio onde ainda haveria povos dispostos a se rebelar contra o Senhor. Dos versos 10-16 Isaías fala da restauração de Israel.

Não podemos entender esta passagem sem lembrar que o povo de Israel foi levado cativo para a Assíria e o povo de Judá para a Babilônia. Isaías diz que o povo voltaria para sua terra. Isto de fato se cumpriu 70 anos depois do cativeiro, quando o povo retornou do Exílio. O verso 16 diz: “Haverá caminho plano para o restante do seu povo, que for deixado, da Assíria, como o houve para Israel no dia em que subiu da terra do Egito”. Este verso teve um cumprimento literal no dia em que Israel voltou do cativeiro.

É evidente que a profecia vai além disso, mas por que pensar num Milênio intermediário se a profecia pode se referir em linguagem figurada aos novos céus e nova terra? Como diz Hoekema, “na há razão obrigatória para entendermos este tipo de passagens do Velho Testamento, de modo a descrever um reino milenar futuro”13. Estas profecias se cumprem no retorno de Israel do cativeiro, na primeira vinda de Jesus, ou finalmente descrevem a nova terra que será estabelecida na segunda vinda de Jesus [14].

O próprio Novo Testamento interpreta profecias que descrevem a restauração de Israel como não literais. Um exemplo basta para perceber isso. Amós 9.11-12 diz: “Naquele dia, levantarei o tabernáculo caído de Davi, repararei as suas brechas; e, levantando-o das suas ruínas, restaurá-lo-ei como fora nos dias da antiguidade; para que possuam o restante de Edom e todas as nações que são chamadas pelo meu nome, diz o SENHOR, que faz estas coisas”. Em Atos 15.14-18 temos a interpretação do cumprimento figurado desta profecia. Tiago entende que se cumpriu quando Deus incluiu os gentios na comunidade do povo de Deus. Portanto, se o próprio Novo Testamento demonstra que as profecias do Antigo Testamento não precisam ser cumpridas literalmente, por que nós deveríamos insistir nisso?

Dificuldades adicionais

Falar num milênio terreno envolve algumas contradições adicionais: Por que razão, depois dos crentes terem ressuscitado ainda teriam que viver mil anos numa terra imperfeita? De certa forma, as coisas não seriam muito diferentes do que são hoje. Somos convertidos e desejamos uma nova era, porém ainda temos que sofrer com este mundo decaído. Imagine pessoas já ressuscitadas ainda tendo que viver numa terra decaída.

Outra coisa estranha é a idéia de que haverá pessoas com corpo glorificado vivendo junto com pessoas sem corpo glorificado. Que tipo de relacionamento poderia existir entre essas pessoas. Umas morrem, outras são eternas. E como podem as nações se rebelarem contra o Senhor depois do milênio na soltura de Satanás? Não terá adiantado nada os mil anos de prosperidade do Senhor na terra? Finalmente, é muito estranha a idéia de haver salvação depois da vinda do Senhor. Como serão salvos os ímpios durante o milênio? Eles terão que ouvir o Evangelho e crer?

A Bíblia diz que fé é acreditar no que não pode ser visto (Hb 11.1), mas naquele momento todos verão Jesus reinando dum trono terreno em Jerusalém. Isto seria injusto, se considerarmos que todos os demais que viveram antes do milênio tiveram que crer com bem menos evidência. Embora não possamos ser dogmáticos, porque o Senhor conduzirá a história segundo seu propósito, estas observações demonstram que a existência de um Milênio literal traz mais complicações do que soluções.

Concluindo, percebemos que há evidências de sobra para não interpretar o texto de Apocalipse 20.1-10 de forma literal. Mas insistimos na tese de que este assunto não deve dividir os cristãos. Ter expectativas diferentes em relação à segunda vinda é melhor do que não ter expectativa alguma. O que importa é que ele virá, e que haverá pessoas o aguardando. Quer naquele momento ele inaugure o milênio, quer inaugure o tempo eterno, de qualquer maneira, estaremos para sempre juntos com o Senhor.

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Notas:
1 Antony Hoekema. A Bíblia e o Futuro, p. 223.
2 O quadro é retirado de Paul Enns. The Moody Handbook of Theology, Tópico: “Amillennialism”.
3 A exposição a seguir segue em linhas gerais William Hendriksen. Mais Que Vencedores, p. 217-225.
4 Ver Simon Kistemaker. Apocalipse, p. 673-674.
5 Ver W. J. Grier. O Maior de Todos os Acontecimentos, p. 126-127.
6 Ver William Hendriksen. Mais Que Vencedores, p. 26-35.
7 William Hendriksen. Mais Que Vencedores, p. 218.
8 W. J. Grier. O Maior de Todos os Acontecimentos, p. 128.
9 Simon Kistemaker. Apocalipse, p. 675.
10 Simon Kistemaker. Apocalipse, p. 680.
11 Antony Hoekema. A Bíblia e o Futuro, p. 244.
12 W. J. Grier. O Maior de Todos os Acontecimentos, p. 36.
13 Antony Hoekema. A Bíblia e o Futuro, p. 274.
14 Outras passagens que podem ser interpretadas neste sentido sem sugerir a idéia do Milênio são: Jr 23.3-8; Ez 34.12-13; Ez 36.24; Zc 8.7-8; Am 9.14-15, etc.