Batismo e Circuncisão: uma breve apologia ao pedobatismo

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Tendo estabelecido os elementos da circuncisão, e seu propósito de inclusão na aliança, temos que ver como isso é transmitido para o Novo Testamento. Está pressuposta a essa aula o princípio hermenêutico de que a Aliança é a religião da Bíblia. O que temos é a alteração de administração, i. e., de formas de se observar os mesmos elementos. Talvez o argumento mais rápido para se observar isso seja o da própria expressão lucana ‘Nova Aliança’, usando o termo καινὴ¹ que não significa ‘novo’ de inédito, mas algo que não está usado, fresco… e coisas do tipo. Jesus estava dizendo, pois, que tínhamos uma renovação da aliança, e que uma nova etapa administrativa seria iniciada. Tal como nas ocasiões anteriores, isso não significava a supressão dos elementos anteriores, mas algumas coisas poderiam mudar.

Já foi visto que a Páscoa é substituída pela Santa Ceia. O Batismo é, por sua vez, substituto da Circuncisão². Para entender muito bem a isso, temos que tentar entender a instituição desses dois rituais com a perspectiva dos crentes da época, i.e., temos que adotar uma perspectiva exegética.

Um crente, então, acreditava que Deus havia instituído dois Sacramentos. Um memorial tinha sido estabelecido e deveria ser constantemente celebrado. Agora, novamente, um memorial estava sendo estabelecido. Era preciso que eles lembrassem o evento que inaugura a ‘nova’ aliança. Jesus, então, no próprio dia da Páscoa estabelece a Santa Ceia. Qualquer judeu ali entenderia que o novo memorial estava estabelecido. Sem esse recurso dedutivo não há como proibir ou mesmo não observar normativamente a Páscoa. Ela teria valor obrigatório para nós.

O raciocínio para o batismo é muito semelhante. Os crentes estão entendendo que o sinal para a inclusão de um indivíduo ao povo de Deus era a circuncisão. Agora, após alguém se unir ao povo de Deus deveriam ser batizados. O recado foi captado - ou deveria ser. Mais tarde, o Novo Testamento condenará explicitamente a circuncisão como ato de abandono da Nova Aliança³. O batismo é até mesmo chamado de ‘Circuncisão de Cristo’⁴! Paulo também diz que nós, os cristãos, somos a Circuncisão.⁵

Estabelecido esse ponto inaugural, é hora de observarmos quem são os indivíduos que deveriam ser circuncidados. A Páscoa exigia, como memorial, que toda a família celebrasse o memorial. A criança, é claro, comia sem uma compreensão adequada do que era o memorial, mas em breve seria instruída e comeria com fé. Igualmente, na circuncisão a criança não cria, mas logo deveria confirmar a fé dos pais. E o batismo? Não teria a mesma característica?

Pois bem, assim seria entendido pelo judeu que se convertesse. Tal como ele circuncidava seus filhos, batizaria os mesmos, naturalmente. “A referida exclusão [da criança ao rito neotestamentário] por certo exigiria uma declaração muito explícita a respeito”⁶. Todavia, há algumas objeções normalmente levantadas por nossos irmãos batistas para negar esse raciocínio⁷. Pretendemos analisá-las. 

1) Primeiro, alguns observam que o Novo Testamento apresenta o batismo como algo a ser recebido com fé, de modo que alguém que não entende não poderá ser batizado. Nós, porém, respondemos que a fé apresentada como condição para o batismo diz respeito a convertidos não nascidos na aliança, i. e., nascidos fora da Igreja. O mesmo acontecia no Antigo Testamento. De fato, é o próprio Paulo que nota ser a circuncisão um sinal que funcionava como sinal da justiça da fé entregue para Abraão quando ele ainda não havia se convertido⁸. Precisamos notar com cautela o que está sendo afirmado aqui. Abraão, quando creu, foi justificado pela fé.

Então recebe o sinal da circuncisão, firmando a aliança. Ele é, pois, circuncidado quando adulto, quando se converteu. A partir daí, a situação natural seria que os filhos não mais fossem circuncidados quando grandes. Mas e se alguém viesse a crer quando mais velho? Ele não era circuncidado novamente. Valia a circuncisão já recebida, funcionando novamente como ‘sinal da justiça da fé’. Confirmava-se, pois, a circuncisão.

2) Mas não é forçado pensar numa noção de confirmação da fé? A circuncisão exigia tal confirmação? Em Deuteronômio 10:16⁹, Jeremias 4:4¹⁰ e Ezequiel 44:7 é dito que os judeus deveriam circuncidar seus corações. O ensino de Paulo é justamente esse, i. e., que os judeus que se arrogavam mestres da lei e circuncisos só poderiam gozar de algum louvor se fossem circuncidados de coração. Essa é a circuncisão que vale a pena¹¹. Mas essa circuncisão de coração, que era a de valor, só poderia ser exercida pela fé, quando alguém cresse. Não obstante, não implicava em proibição da circuncisão enquanto não houvesse fé.

3) Mas não vemos nenhum exemplo [explícito]¹² de batismos infantis no Novo Testamento. Como, pois, sustentar que esse tipo de prática é lícita? Na verdade, embora isso seja respondido de uma forma simples, não é tão facilmente notado. Entretanto, faça esse simples exercício exegético: observa que não há qualquer narração a respeito da continuidade da vida comunitária cristã no único livro narrativo após os Evangelho: Atos. Temos, ali, o registro das viagens missionárias. Seria de se esperar que encontrássemos pessoas batizando seus filhos onde as pessoas nem mesmo eram crentes? Não, evidentemente. Como Hodge diz: 

A Igreja expandiu-se grande rapidez, mas suas adesões vinham de fora; adultos convertidos dentre os judeus e gentios que, ao se tornarem cristãos, traziam consigo, naturalmente, seus filhos para o rebanho de Cristo. Portanto, durante esse período, pouco se ouviu do batismo de crianças.¹³

Berkhof dá explicação muito semelhante:“Mas não há necessidade de ninguém se surpreender com o fato de não haver menção direta do batismo de crianças, pois num período missionário como o da era apostólica, naturalmente a ênfase recai sobre o batismo de adultos”¹⁴.

E a questão é tão pueril que, como coloca Berkhof, atesta contra os próprios batistas, i. e., não lemos em qualquer lugar uma menção ao batismo de filhos de crentes quando se tornam mais velhos, adultos. Ou seja, a prática batista encontra igualmente nenhuma referência:

A ausência de referências definidas ao batismo de crianças tem explicação, ao menos em boa medida, no fato de que a Escritura nos dá um registro histórico da obra missionária dos apóstolos, e não da obra empreendida nas igrejas organizadas. Aí também o feitiço vira contra o feiticeiro, quanto aos batistas. Poderão mostrar eles algum exemplo de batismo de um adulto nascido e criado num lar cristão? Não há risco nenhum de que algum dia o façam.¹⁵

4) Mas não há qualquer registro de que os crentes deveriam confirmar sua fé quando amadurecessem. Isso não deveria estar na instrução de alguma das epístolas? Não pelo simples fato de que essa já era a prática corrente. Não é dito que deveriam evitar a adoração por meio de imagens, mas essa já era a prática vigente e certamente a adoração pública demonstraria os ensinos implícitos.

5) Não há ordem para que crianças sejam batizadas. Antes, se diz que a condição para o batismo é a fé. Como explicar textos como Marcos 16:15-16? Aqui é dito, claramente, que apenas quem cresse deveria ser batizado.

Primeiro, é preciso observar que não há lugar algum dizendo que as crianças não deveriam ser batizadas. Nenhuma ressalva do tipo: ‘batizem, mas não as crianças’.

Por isso, Hodge coloca: 

O ‘onus probandi’ repousa sobre aqueles que assumem a negativa sobre este tema. Se os filhos devem ser privados de um direito nato do qual têm desfrutado desde quando houve Igreja sobre a terra, é preciso haver algum mandamento positivo para sua exclusão, ou alguma mudança claramente revelada nas condições de membresia que façam tal exclusão necessário. Quase nem é preciso dizer que Cristo não deu nenhum mandamento de não se considerar mais as crianças dos crentes como membros da Igreja…¹⁶

Em segundo lugar, é preciso observar as condições em que tal orientação está inserida, a saber, num contexto evangelístico. ‘Preguem o Evangelho’ é dito antes.

Além disso, ele seria pregado não na igreja, nesse arranjo, mas fora, e no mundo todo. O contexto é evidentemente missionário. E, sendo assim, permanece a situação descrita no ponto 3, i. e., aquela perspectiva missionária que certamente apontaria para convertidos fora da aliança. Esses só seriam batizados, evidentemente, depois de crer.

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Notas:
[1] Lucas 22:20. É o mesmo termo usado em 1 Coríntios 11:25. Apesar do uso de νέας em Hebreus 12:24, o argumento na sequência permanece o mesmo. Afinal, se algo é renovado, podemos chamá-lo de novo, mas não o contrário.
[2] O artigo foi feito como material para uma aula dada no curso de Teologia ministrado nas EBDs da Igreja Presbiteriana Confessional. Nesta etapa do curso já foi ensinada a transição da Páscoa para a Santa Ceia. Quem precisar compreender melhor esse ponto deve buscá-lo em outras fontes. Sugerimos as próprias Teologias Sistemáticas reformadas, como a de L. Berkhof, Charles Hodge, Françoi Turretini e etc.
[3] Um dos episódios mais claros é o da controvérsia em Jerusalém, em Atos 15. Ali Paulo e Barnabé confrontavam claramente os farizeus que haviam crido exigiam que os irmão observassem a circuncisão para serem salvos (cf. 1-5). Curiosamente, não houve controvérsia em relação à Páscoa, e não ouvimos qualquer relato de que alguém a tenha observado.
[4] Colossenses 2:11-12, que diz: ‘Nele [em Cristo], também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados, juntamente com ele no batismo…” Fomos circuncidados por Cristo, não por intermédio de mãos, mas no ato de despojar-se do corpo da carne. Isso foi feito tendo havido o batismo. Portanto, no batismo somos circuncidados por Cristo.
[5] Filipenses 3:3.
[6] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática, 3 ed., 2007, p. 585.
[7] Isso quando são aliancistas, como Charles Haddon Spurgeon ou Franklin Ferreira, para ficarmos nos nomes mais célebres. Os que advogam a Teologia da Nova Aliança, por exemplo, ou os dispensacionalistas, argumenta contrariamente a tal noção justamente fazendo uma cisão, uma ruptura mais abrupta entre as alianças.
[8] Romanos 4:11.
[9] Vale a pena ler a partir do verso 12. A instrução é clara: deveriam temer a Deus, obedecer seus mandamentos e circuncidar o coração.
[10] cf. 9:25-26.
[11] Romanos 2:25-29.
[12] Alguns admitem a possibilidade do batismo da casa de Lídia (Atos 16:15), e da do carcereiro (Atos 16:32-33 incluírem crianças. Todavia, vociferam que isso é especulativo, e que não há menção 
explícita a crianças. Se não se deve admitir batismo a elas, então se houvesse crianças, foram  omitidas.
[13] HODGE, Charles. Teologia Sistemática, p. 1432.
[14] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática, p. 586.
[15] Ibid, p. 588, itálico nosso.
[16] HODGE, Charles. Teologia Sistemática, p. 1431.

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Autor: Lucio Antônio de Oliveira
Divulgação: Bereianos
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A Teologia do Pacto e os Sacramentos

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“Mas, uma vez que certos espíritos frenéticos excitaram graves perturbações na Igreja em nosso tempo por causa do pedobatismo, mesmo agora não deixam de produzir tumultos, nada posso fazer senão adicionar aqui um apêndice com o fim de coibir-lhes as fúrias...” (João Calvino)

Pois bem, parece que não foi somente nos tempos de Calvino que pessoas tem se levantado contra o verdadeiro entendimento dos sinais da aliança dada por Deus como estatuto perpétuo a Abraão e posteriormente a Moisés. E que permanecerão essencialmente e eternamente através do Novo testamento.

Tentarei fazer um breve resumo desta tão vasta doutrina, interligada a tantas e tantas outras, para que de uma forma bem simples possa ser entendida até pelos mais indoutos.

Não vou me ater ao período anterior a Abraão, até porque quanto mais extenso o texto, menos pessoas o lerão. E aqui começa nossa odisseia dentro do pacto da graça e seus símbolos em distintas dispensações.

Aprouve a Deus chamar um Homem, chamado Abrão e fazer com ele um Pacto, que serviria para ele e toda sua posteridade como estatuto perpétuo:

“... e falou Deus com ele, dizendo: Quanto a mim, eis a minha aliança contigo: serás o pai de muitas nações; E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto; E te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti; E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti. E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu Deus. Disse mais Deus a Abraão: Tu, porém, guardarás a minha aliança, tu, e a tua descendência depois de ti, nas suas gerações. Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti: Que todo o homem entre vós será circuncidado. E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal da aliança entre mim e vós. (Gênesis 17:3-11)

Antes de discorrer sobre tal doutrina, é importante que eu já abra um parêntese para dizer que, da mesma maneira como o povo da circuncisão (os judeus) no antigo pacto eram conhecidos como Filhos de Abraão por manterem a aliança dada ao seu Pai, assim também no Novo Pacto (não Novo no sentido de algo realmente iniciado do nada, mas no sentido de renovação, do grego kainós), Deus enxertou aos Filhos de Abraão os gentios, e deu a eles o direito de serem feitos coerdeiros da aliança filhos do novo pacto: “Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão.” (Gálatas 3:7).

Logo, confiados em Deus e nas Escrituras, podemos dizer que somos filhos de Abraão tão quanto os Judeus no Antigo Pacto o eram.

Sabendo agora que pertencemos ao mesmo pacto que Abraão foi chamado, devemos manter-se cumprindo dentro desse RENOVADO Pacto os sinais de nossa Aliança com Deus, a saber, o Batismo que aponta exatamente para as mesmas coisas que a Circuncisão apontava no seio da antiga aliança.

Sabemos que o conceito de Sacramento, segundo nossa Teologia Reformada é: “Os sacramentos são santos sinais e selos do pacto da graça, imediatamente instituídos por Deus para representar Cristo e os seus benefícios e confirmar o nosso interesse nele, bem como para fazer uma diferença visível entre os que pertencem à Igreja e o resto do mundo, e solenemente obrigá-los ao serviço de Deus em Cristo, segundo a sua palavra.” (CFW)

O Reformador John Knox sabiamente escreveu:

Assim como os patriarcas sob a Lei, além da realidade dos sacrifícios, tinham dois sacramentos principais, isto é, a circuncisão e a páscoa, e aqueles que os desprezavam e negligenciavam não eram contados entre o povo de Deus, assim nós também reconhecemos e confessamos que agora, na era do Evangelho, só temos dois sacramentos principais, instituídos por Cristo e ordenados para uso de todos os que desejam ser considerados membros de seu corpo, isto é, o Batismo e a Ceia ou Mesa do Senhor, também chamada popularmente Comunhão do seu Corpo e do seu Sangue.

John Knox afirma sabiamente o que claramente é visto na Escritura, que ambos os sacramentos, de forma comparativa, tanto a Circuncisão quanto a Pascoa apontam exatamente para as mesmas coisas que o Batismo e a Santa Ceia. Duas Grandes Ordenanças de Deus ao Povo, tanto do antigo pacto, como no Novo Pacto.

Um dos Pilares da chamada Teologia do Pacto, é que pertencemos a mesma Igreja do Antigo Testamento, e que em ambos os momentos estamos sob a Graça de Deus. Outra coisa é que no Pacto Renovado (Novo - kainós), permaneceu toda a essência do antigo, sem, no entanto, permanecer as formas, isso se da no culto, nos sacramentos e em outros aspectos.

Apesar da Renovação ter mudado a forma visível dos dois grandes sinais do antigo pacto, como eu já disse, os significados continuam os mesmos... (me aterei apenas a questão do Batismo).

Muitos alegam que a Circuncisão no Novo testamento não aponta para o Batismo, pois a circuncisão do crente é dentro do coração, mas esquecem de que a verdadeira circuncisão do Judeu dentro do antigo pacto também era dentro do coração.

Moises disse: “Tão-somente o SENHOR se agradou de teus pais para os amar; e a vós, descendência deles, escolheu, depois deles, de todos os povos como neste dia se vê. Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz. (Deuteronômio 10:15-16).

É justamente isso que o Apostolo Paulo fala em Romanos: Mas é Judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra (Romanos 2:29).

Paulo (assim como Moisés) fala que a verdadeira circuncisão acontece no coração do Judeu. Isso indica que mesmo no tempo em que o sinal visível era a circuncisão na carne do prepúcio, ela não passava de um meio de Graça que indicava um sinal externo de uma graça interna. Assim como o Batismo aponta um sinal externo de uma graça interna, porque verdadeiramente é batizado quem o é interiormente, aquele que foi lavado pelo sangue, mortificado com Cristo e purificado de seus pecados.

Por isso o Apostolo Paulo é categórico em afirmar que nós, gentios, estamos também circuncidados porque fomos sepultados com Cristo pelo Batismo: “No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. (Colossenses 2:11-12)

Mas isso gera a grande dúvida, mas se eles apontam para isso, não é necessário ter fé para participar? E as crianças? Porque as Batizamos então?

Oras, porque como disse bem Calvino:

“Quando o Senhor manda Abraão observar a circuncisão [Gn 17.1-10], ele prefacia que será o Deus dele e de sua semente, acrescentando que nele estavam a afluência e a suficiência de todas as coisas, para que Abraão tivesse consciência de que sua mão haveria de ser-lhe a fonte de todo bem. 

E diz mais...

Os filhos dos judeus, sendo também feitos herdeiros desse pacto, uma vez que se distinguiam dos filhos dos ímpios eram chamados semente santa [Es 9.2; Is 6.13]; pela mesma razão, ainda agora, os filhos dos cristãos são considerados santos, ainda que nascidos só de um genitor fiel; e, segundo o testemunho do Apóstolo [1Co 1.14], eles diferem da semente imunda dos idólatras.
Ora, quando o Senhor, imediatamente após ser firmado o pacto com Abraão, preceituou que nas crianças fosse assinalado um sacramento exterior [Gn 17.12], que justificativa, pois, podem os cristãos alegar para não atestarem e selarem hoje também em seus filhos?
O pacto é comum; comum é a razão de confirmá-lo. Só o modo de confirmar é diverso, porque àqueles era a circuncisão, a qual foi substituída pelo batismo. porque o sinal de Deus, comunicado à criança como um selo impresso, confirma a promessa dada ao pai piedoso e declara ter sido ratificado que o Senhor há de ser por Deus não só a ele, mas também à sua semente; nem quer que sua bondade e graça sejam acompanhadas não só por ele, mas ainda por sua posteridade até a milésima geração [Ex 20.6; Dt 5.19]. No qual primeiramente brilha a bondade de Deus para glorificar e enaltecer seu nome; e, segundo, para consolar ao homem fiel e dar-lhe maior ânimo para entregar-se totalmente a Deus, ao ver que não só se preocupa com ele, mas também com seus filhos e sua posteridade.

Com isso não há desculpa para a ausência dos filhos dos crentes no Batismo, pois são igualmente santos, como os filhos dos judeus eram santos, no antigo pacto.

Se deveras afirmamos que pertencemos à descendência de Abraão e que fomos incluídos a esse pacto, que somos corpo de Cristo e membros da mesma Igreja, negar todas essas verdades bíblicas é jogar todo o antigo pacto numa dispensação morta que pra nada serve a não ser o que foi escrito diretamente sobre as paginas do Novo testamento.

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Autor: Atila Calumby
Fonte: Mensagem Reformada
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O que a circuncisão tem a ver com batismo?

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Gravado na Semana Teológica do Seminário JMC, neste vídeo George Lucas do Canal Geolê entrevista o Rev. Daniel Piva sobre a seguintes questões: Batismo é para nós o que foi a Circuncisão para os Judeus? Como se dá essa relação? Crianças devem ser batizadas? Assista:


Transcrição:

Geolê: Reverendo, por que estudar sobre circuncisão? Isso não é coisa do Antigo Testamento e atualmente apenas uma preocupação de judeu? 

Daniel Piva: Essa é uma pergunta importante. Parece só uma questão cultural ou talvez história para curiosidade, mas na verdade não. 

Nós, reformados, entendemos que o Cânon Bíblico é composto de Antigo e Novo testamento, não como uma mera aproximação; eles são uma unidade orgânica! Para eu entender o AT eu preciso olhar para o NT e perceber como aquelas coisas se ampliaram, plenificaram e aplicaram. E quando estou no NT e quero saber as bases (e não é porque é base que é menor. Afinal, sem base as coisas não funcionam), então me reporto ao AT, e entendo muito melhor. Isso também se chama Hermenêutica Canônica, isto é, eu caminho entre os dois Testamentos e entendo a Verdade Bíblica, que é uma só. 

Então para se falar de batismo, necessariamente eu preciso falar de circuncisão, pois entendemos que é uma em decorrência da outra. Eu também não poderia, por outro lado, estudar apenas circuncisão e não olhar para o NT e como ela foi ampliada, plenificada e aplicada. 

Geolê: E agora olhando para o NT, nós não temos não texto que traga expressamente “Batize crianças”. Então porque a gente entende que crianças, e de maneira mais específica os filhos dos crentes, devem ser batizadas? 

Daniel Piva: Está mais uma vez relacionada com a questão do AT e do NT. Se nós entendemos que é o mesmo Deus, o criador da Aliança; o mesmo Mediador, Cristo; e ainda as mesmas pessoas de todos os tempos, isto é, não apenas do povo judeu, mas dos eleitos, nós entendemos que as coisas não mudaram. Tanto os participantes quanto as alianças, todos vão se complementando, e não se anulando, conforme a nova chega; elas vão se ampliando.

Então é necessária toda essa transposição do AT para o NT para eu entender essa decorrência. Sim, de fato não há nenhum texto no NT que diga para batizar crianças, assim como há tantas coisas no NT que não extinguiram as coisas do AT, mas continuam em decorrência essencial mudando apenas a forma. O mais clássico que os evangélicos conhecem é o sacrifício. No NT temos os sacrifícios, no NT temos O Sacrifício, Cristo. Então a circuncisão vem, mas em um momento ela cessa, mas a Aliança não cessou, o Mediador não cessou, Deus não mudou. Então aquela marca tem de continuar. Como? De nova forma com o batismo. Circuncisão nas crianças, então batismo nas crianças. 

Geolê: E para quem quiser se aprofundar e entender um pouco mais sobre esse assunto, que bibliografia o senhor recomenda? 

Daniel Piva: Existem as literaturas específicas, mas para porta de entrada o melhor seriam as literaturas básicas. Confissão de Fé de Westminster, Catecismo Maior de Westminster, Breve Catecismo de Westminster, e dois teólogos bastante conhecidos no meio reformado. O principal, obviamente, João Calvino que em suas Institutas tem uma parte para sacramentos, uma parte específica para ceia, uma parte específica para batismo, e nesta ele fala desta questão das crianças. Ele mesmo faz uma espécie de debate consigo mesmo respondendo às perguntas que normalmente surgem. E em Teologia Sistemática, Louis Berkhorf. 

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Fonte: Geolê
Palestra completa do Rev. Daniel Piva, disponível aqui!

Livros Citados: 

Confissão de Fé de Westminster - Editora Cultura Cristã. (Não encontrado)
Catecismo Maior de Westminster - Editora Cultura Cristã
Breve Catecismo - Editora Cultura Cristã. (Não encontrado)
As Institutas - João Calvino. Editora Cultura Cristã
Teologia Sistemática - Louis berckof. Editora Cultura Cristã
What is Baptism? - R. C. Sproul
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Batismo é por imersão ou aspersão?

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Aproveitando a Semana Teológica do Seminário JMC, neste vídeo George Lucas do Canal Geolê entrevista o Rev. Leandro Lima sobre o batismo - imersão ou aspersão? Assista:


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Fonte: Geolê
Palestra completa do Rev. Leandro Lima, disponível aqui!
Livro citado: Batismo cristão - imersão ou aspersão? - Charles Hodge
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As Marcas da Verdadeira Igreja

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Textos: Mt 18.15-17; Rm 11.13-24; 1 Co 1.10-31; Ef 1.22,23; 1 Pe 2.9,10.

Visto que o mundo se acha semeado de milhares de instituições distintas chamadas igrejas e visto ser possível que instituições, assim como indivíduos, se tornem apóstatas, é importante sermos capazes de discernir as marcas essenciais de uma verdadeira e legítima igreja visível. Nenhuma igreja está isenta de erros ou pecados. A igreja só será perfeita no céu. Há, porém, uma importante diferença entre corrupção - que afeta todas as instituições - e apostasia. Portanto, para proteger o bem-estar e crescimento do povo de Deus, é importante definir as marcas da verdadeira igreja.

Historicamente, as marcas da verdadeira igreja têm sido definidas assim:

  1. a genuína pregação da Palavra de Deus, 
  2. o uso dos sacramentos de acordo com sua instituição e 
  3. a prática da disciplina eclesiástica.

(1) A pregação da Palavra de Deus.
Embora as igrejas difiram em detalhes teológicos e em níveis de pureza doutrinária, a verdadeira igreja afirma tudo aquilo que é essencial à vida cristã. Semelhantemente, uma igreja é falsa ou apóstata quando nega oficialmente um princípio essencial da fé cristã, tal como a divindade de Cristo, a Trindade, a justificação pela fé, a expiação ou outras doutrinas essenciais à salvação. A Reforma, por exemplo, não moveu uma guerra sobre trivialidades, mas sobre uma doutrina fundamental da 
salvação. 

(2) A administração dos sacramentos. Negar ou difamar os sacramentos instituídos por Cristo é falsificar a igreja. A profanação da Ceia do Senhor ou o oferecimento deliberado dos sacramentos a pessoas notoriamente não-crentes desqualificaria a igreja de ser reconhecida como igreja verdadeira.

(3) A disciplina eclesiástica. Embora o exercício da disciplina na igreja às vezes erre na direção ou da complacência ou da severidade, ele pode tornar-se tão pervertida a ponto de não mais ser reconhecida como legítima. Por exemplo, se uma igreja - pública e impenitentemente - endossa, pratica ou se recusa a disciplinar pecados grosseiros e hediondos, ela deixa de exibir esta marca de verdadeira igreja.

Embora os cristãos devem ser solenemente advertidos a não nutrirem um espírito cismático ou fomentarem divisões e conflitos, devem ser também advertidos quanto à obrigação de se separarem da falsa comunhão e da apostasia. Toda igreja verdadeira exibe as genuínas marcas de uma igreja, em grau maior ou menor.

A reforma da igreja é uma tarefa interminável. Buscamos mais ser fiéis à vocação bíblica para pregar, ministrar os sacramentos e a disciplina eclesiástica.

Sumário
  1. A verdadeira igreja tem marcas visíveis que a distinguem de uma igreja falsa ou apóstata. 
  2. A pregação do evangelho é necessária para que uma igreja seja legítima. 
  3. A administração correta dos sacramentos, sem profanação, é uma marca da igreja.
  4. Disciplina contra heresias e pecados grosseiros é uma tarefa necessária da Igreja. 
  5. A igreja é sempre carente de reforma de acordo com a Palavra de Deus.

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Autor: R. C. Sproul 
Fonte: 3º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã.

Nota do editor: Para uma leitura complementar, leia também: 

4 perguntas sobre o Batismo Infantil

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Neste vídeo o Rev. Dorisvan Cunha responde a quatro perguntas cruciais sobre o Batismo Infantil. 
1 - Qual a relação entre batismo e circuncisão, considerando que o Novo Testamento é uma nova aliança? 2 - O batismo não é somente para quem crer? 3 - Há mandamento ordenando que crianças sejam batizadas? 4 - Há exemplo de batismo infantil no Novo Testamento? Assista:


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Autor: Rev. Dorisvan Cunha
Fonte: Guerra pela Verdade

Assista também: A verdade sobre o Batismo Infantil
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A Santa Ceia na Liturgia Cristã Reformada

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Resumo

Este artigo tem a intenção de fomentar a análise do momento apropriado para a celebração da Santa Ceia na igreja. Visa também tratar do modo incomum da celebração da Santa Ceia somente nas Escolas Bíblicas Dominicais, mostrando seus prejuízos aos membros, à igreja local e à proclamação do Evangelho aos visitantes da igreja. Por razão de não ser este modo claramente fiel ao que a História da Igreja nos mostra, também quanto às doutrinas bíblicas e teológicas reformadas, quanto a nossa Constituição Presbiteriana, nossos Princípios de Liturgia, Confissão de Fé (CFW), Catecismo Maior e Breve Catecismo etc., busco levar a liderança da igreja a uma análise mais aprofundada do tema, demonstrando que a Ceia deve estar presente em Culto Solene a Deus, sendo esta a correta ocasião para sua celebração, assim como o Sacramento do Batismo.

1. Introdução

Do Culto Religioso:

[...]“A leitura das Escrituras com o temor divino, a sã pregação da palavra e a consciente atenção a ela, em obediência a Deus, com inteligência, fé e reverência; o cantar salmos, com graças no coração, bem como a devida administração e digna recepção dos sacramentos instituídos por Cristo - são partes do culto comum oferecido a Deus, além dos juramentos religiosos; votos, jejuns solenes e ações de graças em ocasiões especiais, tudo o que, em seus vários tempos e ocasiões próprias, devem ser usados de um modo santo e religioso.”[2]

A Santa Ceia é uma parte importantíssima do culto cristão e é tido pelas igrejas reformadas como sendo um dos dois Sacramentos da igreja. Deste modo, ele é vital na doutrina cristã. Temos visto isso desde os tempos da reforma protestante com as grandes controvérsias, debates e confissões que têm sido desenvolvidas quanto a eucaristia. Por sua centralidade, não podemos deixar de lado tão grande doutrina na Igreja, e lidar com ela de modo impróprio no culto a Deus.

O Culto a Deus não é uma inovação, como muitas igrejas contemporâneas tem o tratado, modificando sua liturgia de acordo com suas vontades e concupiscências para agradar o maior número possível de pessoas. Deus mesmo é quem instituiu como deve ser feito o Culto e Adoração a Ele, não só no período neotestamentário, mas desde a Igreja no Éden[3]. As inovações e mudanças da ortodoxia da liturgia na Igreja devem ser fundamentadas profundamente na palavra de Deus, pois é a Deus que rendemos culto. Assim sendo, devemos tomar muito cuidado com as inovações que têm tomado lugar quanto a celebração da Ceia nos cultos de diversas igrejas no Brasil.

2. Memória do Sacrifício no Culto

O culto, como instituído por Deus, é memória do sacrifício vicário de Cristo, e nele o momento oportuno de louvor e adoração. Os sacrifícios no Antigo Testamento foram devidamente regulados por Deus na Antiga Aliança, assim como o é na Nova, em Cristo, sendo Jesus o verdadeiro e único sacrifício por nossos pecados. Seu corpo e sangue, na Santa Ceia do Senhor, como representação ou sinal, é parte integrante do Culto Solene a Deus e explícito nos Princípios de Liturgia da IPB:

O sacrifício no culto. Sem sacrifício não havia culto em Israel. O mesmo acontece com a Igreja e nela: A ideia de que o povo de Deus é fruto do sacrifício vicário de Cristo tem de, necessariamente, estar presente na liturgia comunitária, não somente na celebração da Santa Ceia, mas no culto em geral, mesmo quando não houver o ritual eucarístico. O culto existe porque, pelo derramamento de seu sangue expiador, o Cordeiro rasgou o véu do velho templo, dando acesso a todos os seus eleitos resgatados ao Santo dos santos, isto é, à adoração direta, sem intermediação, de seu augusto e inefável nome. Em nenhuma reunião cúltica autenticamente cristã o adorador pode olvidar a presença do efeito eficaz da imolação do Cordeiro imaculado em seu lugar e, como resultado desse reconhecimento, confessar os seus pecados. Culto sem contrição e confissão é incompleto e ineficaz como meio da graça. [...] [4]

Deste modo, a celebração da Ceia do Senhor não pode ser feita sem que seja em forma de Culto Solene a Deus, separando os elementos do vinho e do pão do uso comum, como comida ordinária, para o uso sagrado em Culto ao Senhor, em memória de Cristo e anunciando sua morte até que Ele volte:

“Nesta ordenança o Senhor Jesus constituiu seus ministros para declarar ao povo a sua palavra de instituição, orar, abençoar os elementos, pão e vinho, e assim separá-los do comum para um uso sagrado, tomar e partir o pão, tomar o cálice dele participando também e dar ambos os elementos aos comungantes e tão somente aos que se acharem presentes na congregação. Ref. Mar. 14:22-24; At. 20:7; I Cor. 11:20.”[5]

Assim sendo, a Santa Ceia deve ser um momento solene e sagrado, tendo sua devida explicação e compreensão daqueles que estão participando da mesa do Senhor. O pão e vinho não podem ser mal compreendidos, por exemplo, como sendo fisicamente o corpo e sangue de Cristo, como é feito na Igreja Romana. Tendo nosso país uma maioria Católica Romana, esta heresia é muito comum entre o povo, e se não for devidamente explicada e extirpada, leva a condenação divina e a contaminação da igreja de Deus. Do mesmo modo, a banalização da Santa Ceia é também condenável. Quando este Sacramento toma parte em ocasião qualquer sem a devida solenidade, ou tendo-a em pouca frequência, concedendo a Ceia do Senhor ao povo sem o devido culto a Deus, ou sem o devido caráter sagrado do sacramento, sem a compreensão de todo o seu caráter especial, também não é desejável na igreja.

Em nosso Culto a Deus na IPB, temos elementos que são essenciais e devem estar sempre presentes, como nos mostra os Princípios de Liturgia e o Catecismo Maior de Westminster. Entre eles está claramente delineado a presença “essencial” da Santa Ceia no Culto a Deus:

Elementos do culto. O culto tem elementos essenciais, estruturais, e constitutivos.
Elementos essenciais: A) - Palavra de Deus: lida e proclamada com autenticidade e fidelidade. B) - Oração comunitária, [...] C) - Santa Ceia, celebrada conforme instituída por Cristo Jesus, sem acréscimos e sem inovações. [...]” [6]
“P. 108. Quais são os deveres exigidos no segundo mandamento? R. Os deveres exigidos no segundo mandamento são - o receber, observar e guardar, puros e inalterados, todo o culto e todas as ordenanças religiosas que Deus instituiu na sua Palavra, especialmente a oração e ações de graças em nome de Cristo; a leitura, a prédica, e o ouvir da Palavra; a administração e a recepção dos sacramentos; [...]” [7]

Assim, o Culto Solene, como sacrifício agradável a Deus, tem como parte essencial e integrante a Santa Ceia, a qual deve ser celebrada com toda reverencia no Culto, e somente extraordinariamente em outras reuniões:

“Resumo: Todo culto deve conter basicamente:
[...] c - Sacrifício, memorizado e recapitulado cerimonialmente na Santa Ceia. [...]” [8]


3. A Importância da Ceia do Senhor

A Santa Ceia. A Santa Ceia deve ser celebrada com simplicidade, mas reverência. Ao pastor compete levar a Igreja a um estado de contrição e introspecção, para que haja ambiente propício ao pleno entendimento do seu conteúdo e significado. O ritual da Ceia do Senhor emana da sua instituição por Jesus Cristo, conforme narrada nos evangelhos. Nada de inovação, de querer “melhorar” o que o divino Mestre deixou em atos e termos claríssimos. O pão previamente partido e o vinho distribuído em cálices individuais, atendendo às necessidades atuais de higiene e praticidade, não devem levar a Igreja ao entendimento de que a Ceia de Cristo seja individualizada. Ela é uma “refeição espiritual comunitária” tanto quanto sua antecessora, a Páscoa, o foi: uma comunhão da família de Cristo. No contexto da comunidade ou corpo de Cristo, cada comungante recebe das mãos de um presbítero o pão, deglutindo-o reflexiva e reverentemente, com a mente voltada para o Calvário, onde Cristo foi sacrificado por ele. O mesmo fazendo com o cálice, contendo o vinho, ingerindo-o com o pensamento voltado para o pacto da graça, realizado pelo Cordeiro mediante o derramamento de seu sangue.” [9]

A importância a Santa Ceia é indiscutível em todo o cristianismo e presente em toda sua história, e principalmente em nossa igreja. Mas seu significado para cada membro e visitante da igreja é muitas vezes superestimado.

A Ceia do Senhor tem grande significado e importância, como vimos, não sendo simples sua compreensão. Dada sua grande importância espiritual para cada participante da mesa, não se pode esquecer da grande oportunidade de, por meio da pregação da Palavra e da explicação do sacramento, declarar e expor detalhadamente o caráter e doutrinas presentes neste sacramento. Como por exemplo a morte de Cristo; o novo pacto em Seu sangue; os beneficiários desta expiação; a nova aliança; a operação do Espirito Santo sobre os crentes para sua salvação. Todas estas doutrinas são importantíssimas e vitais ao crente e inerentes à este sacramento, e devem ser pregadas, não só para os que participam da mesa do Senhor, (para que não participem indignamente), mas também para os não-crentes e visitantes. Assim neste sacramento pastor tem ocasião oportuna e devida de pregar o evangelho em sua completude.

Vemos também que por meio dos Sacramentos, o Senhor Jesus nos deixou novas leis cerimoniais que substituem antigas leis para a Igreja de Cristo. Eles são símbolos valiosos que exteriormente mostram os que são da família da fé e também anunciam a fé em Cristo Jesus e sua morte até Ele volte. Assim sendo, todos estes símbolos servem não somente à Igreja de Cristo, mas também ao mundo todo, à todas as pessoas, como testemunho. Assim sendo eles não devem ser celebrados em secreto, vetando a presença de pessoas de fora, (a não ser em caso de perseguição que impossibilitem sua realização), mas antes devem ser meios da pregação do Evangelho de Cristo ao mundo. Sua importância é evidente e declarada em nosso Princípio de Liturgia quanto a Santa Ceia:

Importância da Santa Ceia. A Ceia do Senhor é um poderoso “meio de graça”, quando entendida e avaliada corretamente. Ela representa, rememora ou revive os dois fundamentos mais importantes da fé cristã: A morte vicária de Cristo (o pão partido), e o novo pacto selado pelo imaculado sangue do Cordeiro (o cálice de vinho). Quem é beneficiário da expiação e da nova aliança tem de, necessariamente, estar à Mesa do Senhor, não por imposição do Conselho, mas por impulso do Espírito Santo. Deus não afasta da Mesa Eucarística o verdadeiro crente, pois a sua “alimentação espiritual” é imprescindível ao crescimento na fé e na graça.” [10]

Fica clara a importância da Ceia do Senhor na vida dos crentes, e como é essencial para o conselho assegurar que ninguém seja omitido neste Sacramento. É aconselhado que a Ceia esteja disponível aos enfermos e idosos, levando da Ceia celebrada no Culto anterior a eles.


3.1. A Solenidade da Ceia e do Culto

Na distribuição da Santa Ceia é necessária solenidade, que aqui é relacionada diretamente a própria solenidade do Culto a Deus. Sem a necessária solenidade, perde-se facilmente o foco da importância da Santa Ceia, o que incorre necessariamente em uma possível banalização do Sacramento, que deve rigorosamente ser evitado. Para isso se requer a exortação pastoral, que está presente no Culto a Deus pela pregação da Palavra, e em seguida havendo a distribuição solene dos elementos da Ceia, de modo que não faça perder o grande valor teológico e significativo deste Sacramento, como fica claro na Constituição da IPB:

Distribuição da Ceia. Um dos momentos mais sublimes e de maior visibilidade do Presbítero é o da distribuição da Santa Ceia. O pastor ministra e o presbítero distribui, devendo cumprir tal ato ministerial com solenidade, reverência, dignidade e respeito. A Igreja precisa sentir o valor teológico, o peso significativo e o sentido místico da eucaristia.” [11]

3.2. Participação na Ceia do Senhor

“Art. 14 - O Conselho deve cuidar de que os membros professos da Igreja não se ausentem da Mesa do Senhor e velar para que não participem dela os que se encontram sob disciplina.” [12]

Neste artigo 14 do Princípio de Liturgia da IPB, vemos que o Conselho deve assegurar que os membros em plena comunhão não se ausentem da Ceia do Senhor. Fica também implícito que o conselho não pode dificultar ou negar esse Sacramento aos membros professos e que não estão sob disciplina e que tem comunhão no Culto Solene a Deus. Deste modo, um possível argumento de tentar usar a Santa Ceia como meio de “coagir” os membros a participarem de reuniões (EBD), que não o próprio Culto Solene[13] a Deus na Igreja, não é correto. Esta ação acaba sendo puramente pragmática, não tendo base bíblica, teológica, nem mesmo em nossa Constituição, Princípio de Liturgia e Símbolos de fé da IPB, mas aparentemente visaria somente números, prejudicando a devida celebração do Sacramento.


Em nosso Catecismo temos as exigências para que um crente participe da mesa da Ceia do Senhor, e o modo que ele deve ser celebrado. Também nos mostra a importância da correta administração do Sacramento e da necessidade da exposição da Palavra de Deus quanto às implicações da Ceia. Tendo em vista a vastidão das doutrinas presentes nela e a compreensão dos ouvintes, não se pode negligenciar a ponto de que a Ceia e as doutrinas não sejam Pregadas Expositivamente pelo Ministro do Evangelho pelo menos na ocasião de sua celebração, uma vez ao mês, educando assim o povo de Deus e evitando que a Ceia seja tomada indignamente:

“P. 97. Que se exige para participar dignamente da Ceia do Senhor?
R. Exige-se daqueles que desejam participar dignamente da Ceia do Senhor que se examine sobre o seu conhecimento em discernir o corpo do Senhor, sobre a sua fé para se alimentarem dele, sobre o seu arrependimento, amor e nova obediência; para não suceder que, vindo indignamente, comam e bebam para si a condenação. Ref. 1Co 11.27; 31-32; Rm 6.17-18.”[14]

Já quanto aos visitantes, e quanto ao argumento de que eles possivelmente não podem participar da Ceia do Senhor, tendo no Brasil várias seitas que doutrinariamente diferem de nossa igreja, o pastor deve ser prudente em oferecer a estes a Ceia, mas de forma alguma significa que o pastor ou o conselho deva evitar que a Santa Ceia seja celebrada no Culto Solene, (pensando haver no culto alguns visitantes não-crentes, o que não é caso comum na EBD), simplesmente pela presença de visitantes. O Santa Ceia deve sim ser celebrada no Culto Solene; e o pastor deve levar a igreja a um estado de contrição e introspecção, para que assim não incorra o pastor, a igreja e os visitantes em pecado. Não por meio da limitação da Ceia do Senhor para que ocorra somente na EBD:

Ceia a visitantes. Diante da promiscuidade de seitas supostamente evangélicas, o mais prudente é o pastor não oferecer a Ceia a visitantes de outras igrejas, para não correr o risco da oferta a indignos, que não saibam distinguir o verdadeiro significado comunitário e espiritual, não apenas ritual, da Ceia do Senhor. Além do mais, a Ceia é comunitária, não individual. Visitante, embora membro de outra denominação, não se integra na comunidade, não se arrola na família comungante específica. ‘Plena comunhão’ em outra denominação, qualquer delas com divergências doutrinárias com a nossa, não equivale à ‘plena comunhão’ na Igreja Presbiteriana do Brasil. Se o visitante estender a mão, apropriando-se da Ceia, a responsabilidade é dele, não do ministro oficiante ou do presbítero distribuidor. Se o faz indignamente, responderá por sua indignidade, segundo 1 Co 11. 27-29).” [15]

4. As Origens da EBD


A EBD é uma inovação da Igreja Protestante, não tendo sido parte da vida da Igreja por mais de 17 séculos. [16] Sua função principal é educar o povo e em seus primórdios tinha intenção de ensinar crianças a ler e escrever junto com instruções bíblicas. No modelo atual, há somente a intenção de preparar os neófitos no conhecimento das verdades bíblicas, tanto doutrinárias como teológicas, para que possam conhecer a Deus por meio das Escrituras, e estarem aptos para fazerem a boa confissão de fé, pura e verdadeira, e para adorarem a Deus de modo aceitável.

Em tudo isto podemos ver uma boa atitude da igreja, buscando educar o povo para serem fieis e sãos na fé ortodoxa. Mas fica claro também que a EBD de forma alguma substitui o Culto Solene a Deus ou pode ser igualado a ele, pois os dois têm funções totalmente diferentes. Assim sendo, uma pessoa não pode deixar de ter comunhão no Culto Solene tendo em vistas que participou da EBD anteriormente. Antes, deve participar do Culto Solene pois participou também da EBD, e entendeu a importância do Culto a Deus. O que as Escrituras claramente nos ensinam é a importância do Culto Solene a Deus, em comunhão com os santos, para louvor e adoração a Deus, proclamação da Palavra de Deus e seus Sacramentos.

Rev. Alderi Souza de Matos deixa muito claro as origens da EBD, seu foco principal inicial, tirando qualquer dúvida de que a EBD tenha a mesma importância solene do Culto a Deus ou que possa ser tida como meio principal de celebração da Santa Ceia:

“A moderna instituição conhecida como “escola dominical” teve como seu principal fundador o jornalista inglês Robert Raikes (1735-1811). Ele era natural da cidade de Gloucester e em 1757, aos vinte e dois anos, sucedeu o pai como editor do Gloucester Journal, um periódico voltado para a reforma das prisões. Nessa época, estava ocorrendo na Inglaterra o extraordinário avivamento evangélico, com sua forte ênfase social. Inspirado por outras pessoas, Raikes iniciou uma escola em sua paróquia em 1780. Ele ensinava crianças pobres de 6 a 14 anos a ler e escrever e dava-lhes instrução bíblica. [...]”. “Os primeiros dirigentes em geral eram leigos e líderes comunitários; o texto usado era a Bíblia e as matérias incluíam leitura, redação e valores cívicos e morais. Essas escolas dominicais prepararam o caminho para a criação de escolas públicas. [...]”. “A partir de 1800, os propósitos das escolas dominicais americanas passaram a ser instrução e evangelismo; elas transmitiam valores cristãos e o espírito democrático da nova nação. Era um trabalho não-denominacional ou, como se dizia na época, uma “associação voluntária”, reunindo pessoas de diferentes igrejas. [...]”. “Um evento comum em muitas igrejas presbiterianas brasileiras nas primeiras décadas do século 20 era o ‘Dia do rumo à escola dominical’, quando se fazia um esforço especial para trazer um grande número de visitantes. [...]” [17]

5. Conclusão – Momento Apropriado para Celebração da Santa Ceia


Depois de tudo isso, não se pode ver qualquer outra razão para a celebração da Santa Ceia do Senhor, se não em caráter extraordinário, em reuniões, EBDs etc., que não no próprio Culto Solene a Deus. Ocasião esta a mais correta para a sua celebração, pois a Ceia é parte integrante do Culto a Deus.

Assim, argumentos que sejam somente pragmáticos, que visem somente obter resultados numéricos em reuniões na igreja, ou somente motivados pelo número de presentes na Escola Bíblica, ou mesmo para fazer com que os crentes participem mais das atividades, não pode de forma alguma ocorrer por meio de coação, principalmente usando-se do Sacramento da Santa Ceia.

A igreja não pode se deixar seduzir, buscando inovações e métodos pragmáticos, comuns em muitas igrejas evangélicas, para obter seus resultados. O resultado vem de Deus; cabe a nós sermos fieis a Deus e à Sua obra. Pois como é óbvio a todos nós que estamos em Cristo, não se pode haver coação pragmática sobre os membros da igreja em nenhum sentido, mas antes oração e o convencimento do coração dos crentes que vem como obra do próprio Espirito Santo, operando também pela pregação do evangelho e pela admoestação. Além disso, nosso Princípio de Liturgia também deixa bem definida a ocasião correta para a celebração da Santa Ceia:

Quando celebrar. O Conselho determinará um domingo fixo do mês para a celebração da Ceia do Senhor, que tanto pode ser no culto público matinal como no vespertino. Algumas igrejas das grandes metrópoles celebram-na duas vezes por mês, uma de manhã e outra à noite, porque muitos irmãos, que podem frequentar os cultos matinais, não podem estar presentes nos vespertinos.”[18]

Logo, a Ceia do Senhor deve ser parte integrante do Culto Solene, não só por seu simbolismo e espiritualidade; sua solenidade, sacralidade e importância; mas também por ela ser inseparável do Culto a Deus, símbolo da morte vicária de Cristo, que nos deu vida, e um poderoso “meio de graça”[19] ao povo de Deus, (assim como para os visitantes, que não tomando parte na mesa, ainda assim podem ver Cristo neste Sacramento), pois em Cristo nos tornamos aptos a render Culto que agrade a Deus.


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Bibliografia:
• SANTOS, Daniel. A Plantação da Igreja no Éden, FIDES REFORMATA, v. XIX, No. 1, p. 49, Editora Mackenzie, 2014.
Confissão de Fé de Westminster, Cap. XXVIII, parágrafo III., Capítulo XXI, parágrafo V.
Catecismo Maior de Westminster, pergunta 108.
• Catecismo Breve de Westminster, pergunta 97.
• IPB, Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, p. 40, Art. 31, a)., p. 71, Art. 54, a).
• IPB, Princípios de Liturgia, Cap. 7, Art. 14., Art. 17., Art. 13, Cap. 3 (Culto Público) Art. 8, p. 
• 165., Apêndice (Praticas Ministeriais), Pastoreio da Igreja, XV. 15.
• Sunday School, Autor: Anônimo. Disponível em:
<http://en.wikipedia.org/wiki/Sunday_school>. Acessado em: 9 de dez. 2014.
• Pequena História da Escola Dominical. Autor: Rev. Alderi Souza de Matos. 
Disponível em: <http://www.mackenzie.br/6980.html>. Acesso em: 30 de nov. 2014.

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Notas:
[1] Escola Bíblica Dominical, o mesmo para todas as outras siglas EBD.
[2] Confissão de Fé de Westminster, Capítulo XXI, V. (Ênfase minha)
[3] Cf. SANTOS, Daniel. A Plantação da Igreja no Éden, FIDES REFORMATA, v. XIX, No. 1, p. 49, Editora Mackenzie, 2014.
[4] IPB, Princípios de Liturgia, Cap. 3 (Culto Público) Art. 8, p. 165.
[5] Confissão de Fé de Westminster, Cap. 28, parágrafo III. (Ênfase minha)
[6] IPB, Princípios de Liturgia, Cap. 3 (Culto Público) Art. 8, p. 165. (Ênfase minha)
[7] Catecismo Maior de Westminster, pergunta 108.
[8] IPB, Princípios de Liturgia, Apêndice (Praticas Ministeriais), Pastoreio da Igreja, XV. 15.
[9] IPB, Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, p. 40, Art. 31, a).
[10] IPB, Princípios de Liturgia, Cap. 7, Art. 13, p. 174.
[11] IPB, Constituição da Igreja Presbiteriana do Brasil, p. 71, Art. 54, a).
[12] IPB, Princípios de Liturgia, Cap. 7, Art. 14.
[13] IPB, Princípios de Liturgia, p. 175, Art. 17.
[14] Catecismo Breve de Westminster, pergunta 97.
[15] IPB, Princípios de Liturgia, Cap. 7, Art. 13, p. 175
[16] Sunday School, Autor: Anônimo. Disponível em:
<http://en.wikipedia.org/wiki/Sunday_school>. Acessado em: 9 de dez. 2014.
[17] Pequena História da Escola Dominical. Autor: Rev. Alderi Souza de Matos. Disponível em: <http://www.mackenzie.br/6980.html>. Acesso em: 30 de nov. 2014.
[18] IPB, Princípios de Liturgia, p. 175, Art. 17.
[19] IPB, Princípios de Liturgia, Cap. 7, Art. 13, p. 174.

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Autor: Bruno Luiz Silva Rodrighero é Seminarista pela Igreja Presbiteriana do Brasil, no Seminário Presbiteriano Brasil Central – Extensão Rondônia. Está cursando seu segundo ano e faz estágio na 2ª IPB de Ji-Paraná, RO.
Divulgação: Bereianos
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