Batismo e Circuncisão: uma breve apologia ao pedobatismo

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Tendo estabelecido os elementos da circuncisão, e seu propósito de inclusão na aliança, temos que ver como isso é transmitido para o Novo Testamento. Está pressuposta a essa aula o princípio hermenêutico de que a Aliança é a religião da Bíblia. O que temos é a alteração de administração, i. e., de formas de se observar os mesmos elementos. Talvez o argumento mais rápido para se observar isso seja o da própria expressão lucana ‘Nova Aliança’, usando o termo καινὴ¹ que não significa ‘novo’ de inédito, mas algo que não está usado, fresco… e coisas do tipo. Jesus estava dizendo, pois, que tínhamos uma renovação da aliança, e que uma nova etapa administrativa seria iniciada. Tal como nas ocasiões anteriores, isso não significava a supressão dos elementos anteriores, mas algumas coisas poderiam mudar.

Já foi visto que a Páscoa é substituída pela Santa Ceia. O Batismo é, por sua vez, substituto da Circuncisão². Para entender muito bem a isso, temos que tentar entender a instituição desses dois rituais com a perspectiva dos crentes da época, i.e., temos que adotar uma perspectiva exegética.

Um crente, então, acreditava que Deus havia instituído dois Sacramentos. Um memorial tinha sido estabelecido e deveria ser constantemente celebrado. Agora, novamente, um memorial estava sendo estabelecido. Era preciso que eles lembrassem o evento que inaugura a ‘nova’ aliança. Jesus, então, no próprio dia da Páscoa estabelece a Santa Ceia. Qualquer judeu ali entenderia que o novo memorial estava estabelecido. Sem esse recurso dedutivo não há como proibir ou mesmo não observar normativamente a Páscoa. Ela teria valor obrigatório para nós.

O raciocínio para o batismo é muito semelhante. Os crentes estão entendendo que o sinal para a inclusão de um indivíduo ao povo de Deus era a circuncisão. Agora, após alguém se unir ao povo de Deus deveriam ser batizados. O recado foi captado - ou deveria ser. Mais tarde, o Novo Testamento condenará explicitamente a circuncisão como ato de abandono da Nova Aliança³. O batismo é até mesmo chamado de ‘Circuncisão de Cristo’⁴! Paulo também diz que nós, os cristãos, somos a Circuncisão.⁵

Estabelecido esse ponto inaugural, é hora de observarmos quem são os indivíduos que deveriam ser circuncidados. A Páscoa exigia, como memorial, que toda a família celebrasse o memorial. A criança, é claro, comia sem uma compreensão adequada do que era o memorial, mas em breve seria instruída e comeria com fé. Igualmente, na circuncisão a criança não cria, mas logo deveria confirmar a fé dos pais. E o batismo? Não teria a mesma característica?

Pois bem, assim seria entendido pelo judeu que se convertesse. Tal como ele circuncidava seus filhos, batizaria os mesmos, naturalmente. “A referida exclusão [da criança ao rito neotestamentário] por certo exigiria uma declaração muito explícita a respeito”⁶. Todavia, há algumas objeções normalmente levantadas por nossos irmãos batistas para negar esse raciocínio⁷. Pretendemos analisá-las. 

1) Primeiro, alguns observam que o Novo Testamento apresenta o batismo como algo a ser recebido com fé, de modo que alguém que não entende não poderá ser batizado. Nós, porém, respondemos que a fé apresentada como condição para o batismo diz respeito a convertidos não nascidos na aliança, i. e., nascidos fora da Igreja. O mesmo acontecia no Antigo Testamento. De fato, é o próprio Paulo que nota ser a circuncisão um sinal que funcionava como sinal da justiça da fé entregue para Abraão quando ele ainda não havia se convertido⁸. Precisamos notar com cautela o que está sendo afirmado aqui. Abraão, quando creu, foi justificado pela fé.

Então recebe o sinal da circuncisão, firmando a aliança. Ele é, pois, circuncidado quando adulto, quando se converteu. A partir daí, a situação natural seria que os filhos não mais fossem circuncidados quando grandes. Mas e se alguém viesse a crer quando mais velho? Ele não era circuncidado novamente. Valia a circuncisão já recebida, funcionando novamente como ‘sinal da justiça da fé’. Confirmava-se, pois, a circuncisão.

2) Mas não é forçado pensar numa noção de confirmação da fé? A circuncisão exigia tal confirmação? Em Deuteronômio 10:16⁹, Jeremias 4:4¹⁰ e Ezequiel 44:7 é dito que os judeus deveriam circuncidar seus corações. O ensino de Paulo é justamente esse, i. e., que os judeus que se arrogavam mestres da lei e circuncisos só poderiam gozar de algum louvor se fossem circuncidados de coração. Essa é a circuncisão que vale a pena¹¹. Mas essa circuncisão de coração, que era a de valor, só poderia ser exercida pela fé, quando alguém cresse. Não obstante, não implicava em proibição da circuncisão enquanto não houvesse fé.

3) Mas não vemos nenhum exemplo [explícito]¹² de batismos infantis no Novo Testamento. Como, pois, sustentar que esse tipo de prática é lícita? Na verdade, embora isso seja respondido de uma forma simples, não é tão facilmente notado. Entretanto, faça esse simples exercício exegético: observa que não há qualquer narração a respeito da continuidade da vida comunitária cristã no único livro narrativo após os Evangelho: Atos. Temos, ali, o registro das viagens missionárias. Seria de se esperar que encontrássemos pessoas batizando seus filhos onde as pessoas nem mesmo eram crentes? Não, evidentemente. Como Hodge diz: 

A Igreja expandiu-se grande rapidez, mas suas adesões vinham de fora; adultos convertidos dentre os judeus e gentios que, ao se tornarem cristãos, traziam consigo, naturalmente, seus filhos para o rebanho de Cristo. Portanto, durante esse período, pouco se ouviu do batismo de crianças.¹³

Berkhof dá explicação muito semelhante:“Mas não há necessidade de ninguém se surpreender com o fato de não haver menção direta do batismo de crianças, pois num período missionário como o da era apostólica, naturalmente a ênfase recai sobre o batismo de adultos”¹⁴.

E a questão é tão pueril que, como coloca Berkhof, atesta contra os próprios batistas, i. e., não lemos em qualquer lugar uma menção ao batismo de filhos de crentes quando se tornam mais velhos, adultos. Ou seja, a prática batista encontra igualmente nenhuma referência:

A ausência de referências definidas ao batismo de crianças tem explicação, ao menos em boa medida, no fato de que a Escritura nos dá um registro histórico da obra missionária dos apóstolos, e não da obra empreendida nas igrejas organizadas. Aí também o feitiço vira contra o feiticeiro, quanto aos batistas. Poderão mostrar eles algum exemplo de batismo de um adulto nascido e criado num lar cristão? Não há risco nenhum de que algum dia o façam.¹⁵

4) Mas não há qualquer registro de que os crentes deveriam confirmar sua fé quando amadurecessem. Isso não deveria estar na instrução de alguma das epístolas? Não pelo simples fato de que essa já era a prática corrente. Não é dito que deveriam evitar a adoração por meio de imagens, mas essa já era a prática vigente e certamente a adoração pública demonstraria os ensinos implícitos.

5) Não há ordem para que crianças sejam batizadas. Antes, se diz que a condição para o batismo é a fé. Como explicar textos como Marcos 16:15-16? Aqui é dito, claramente, que apenas quem cresse deveria ser batizado.

Primeiro, é preciso observar que não há lugar algum dizendo que as crianças não deveriam ser batizadas. Nenhuma ressalva do tipo: ‘batizem, mas não as crianças’.

Por isso, Hodge coloca: 

O ‘onus probandi’ repousa sobre aqueles que assumem a negativa sobre este tema. Se os filhos devem ser privados de um direito nato do qual têm desfrutado desde quando houve Igreja sobre a terra, é preciso haver algum mandamento positivo para sua exclusão, ou alguma mudança claramente revelada nas condições de membresia que façam tal exclusão necessário. Quase nem é preciso dizer que Cristo não deu nenhum mandamento de não se considerar mais as crianças dos crentes como membros da Igreja…¹⁶

Em segundo lugar, é preciso observar as condições em que tal orientação está inserida, a saber, num contexto evangelístico. ‘Preguem o Evangelho’ é dito antes.

Além disso, ele seria pregado não na igreja, nesse arranjo, mas fora, e no mundo todo. O contexto é evidentemente missionário. E, sendo assim, permanece a situação descrita no ponto 3, i. e., aquela perspectiva missionária que certamente apontaria para convertidos fora da aliança. Esses só seriam batizados, evidentemente, depois de crer.

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Notas:
[1] Lucas 22:20. É o mesmo termo usado em 1 Coríntios 11:25. Apesar do uso de νέας em Hebreus 12:24, o argumento na sequência permanece o mesmo. Afinal, se algo é renovado, podemos chamá-lo de novo, mas não o contrário.
[2] O artigo foi feito como material para uma aula dada no curso de Teologia ministrado nas EBDs da Igreja Presbiteriana Confessional. Nesta etapa do curso já foi ensinada a transição da Páscoa para a Santa Ceia. Quem precisar compreender melhor esse ponto deve buscá-lo em outras fontes. Sugerimos as próprias Teologias Sistemáticas reformadas, como a de L. Berkhof, Charles Hodge, Françoi Turretini e etc.
[3] Um dos episódios mais claros é o da controvérsia em Jerusalém, em Atos 15. Ali Paulo e Barnabé confrontavam claramente os farizeus que haviam crido exigiam que os irmão observassem a circuncisão para serem salvos (cf. 1-5). Curiosamente, não houve controvérsia em relação à Páscoa, e não ouvimos qualquer relato de que alguém a tenha observado.
[4] Colossenses 2:11-12, que diz: ‘Nele [em Cristo], também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo, tendo sido sepultados, juntamente com ele no batismo…” Fomos circuncidados por Cristo, não por intermédio de mãos, mas no ato de despojar-se do corpo da carne. Isso foi feito tendo havido o batismo. Portanto, no batismo somos circuncidados por Cristo.
[5] Filipenses 3:3.
[6] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática, 3 ed., 2007, p. 585.
[7] Isso quando são aliancistas, como Charles Haddon Spurgeon ou Franklin Ferreira, para ficarmos nos nomes mais célebres. Os que advogam a Teologia da Nova Aliança, por exemplo, ou os dispensacionalistas, argumenta contrariamente a tal noção justamente fazendo uma cisão, uma ruptura mais abrupta entre as alianças.
[8] Romanos 4:11.
[9] Vale a pena ler a partir do verso 12. A instrução é clara: deveriam temer a Deus, obedecer seus mandamentos e circuncidar o coração.
[10] cf. 9:25-26.
[11] Romanos 2:25-29.
[12] Alguns admitem a possibilidade do batismo da casa de Lídia (Atos 16:15), e da do carcereiro (Atos 16:32-33 incluírem crianças. Todavia, vociferam que isso é especulativo, e que não há menção 
explícita a crianças. Se não se deve admitir batismo a elas, então se houvesse crianças, foram  omitidas.
[13] HODGE, Charles. Teologia Sistemática, p. 1432.
[14] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática, p. 586.
[15] Ibid, p. 588, itálico nosso.
[16] HODGE, Charles. Teologia Sistemática, p. 1431.

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Autor: Lucio Antônio de Oliveira
Divulgação: Bereianos
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A Teologia do Pacto e os Sacramentos

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“Mas, uma vez que certos espíritos frenéticos excitaram graves perturbações na Igreja em nosso tempo por causa do pedobatismo, mesmo agora não deixam de produzir tumultos, nada posso fazer senão adicionar aqui um apêndice com o fim de coibir-lhes as fúrias...” (João Calvino)

Pois bem, parece que não foi somente nos tempos de Calvino que pessoas tem se levantado contra o verdadeiro entendimento dos sinais da aliança dada por Deus como estatuto perpétuo a Abraão e posteriormente a Moisés. E que permanecerão essencialmente e eternamente através do Novo testamento.

Tentarei fazer um breve resumo desta tão vasta doutrina, interligada a tantas e tantas outras, para que de uma forma bem simples possa ser entendida até pelos mais indoutos.

Não vou me ater ao período anterior a Abraão, até porque quanto mais extenso o texto, menos pessoas o lerão. E aqui começa nossa odisseia dentro do pacto da graça e seus símbolos em distintas dispensações.

Aprouve a Deus chamar um Homem, chamado Abrão e fazer com ele um Pacto, que serviria para ele e toda sua posteridade como estatuto perpétuo:

“... e falou Deus com ele, dizendo: Quanto a mim, eis a minha aliança contigo: serás o pai de muitas nações; E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto; E te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti; E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti. E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu Deus. Disse mais Deus a Abraão: Tu, porém, guardarás a minha aliança, tu, e a tua descendência depois de ti, nas suas gerações. Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti: Que todo o homem entre vós será circuncidado. E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal da aliança entre mim e vós. (Gênesis 17:3-11)

Antes de discorrer sobre tal doutrina, é importante que eu já abra um parêntese para dizer que, da mesma maneira como o povo da circuncisão (os judeus) no antigo pacto eram conhecidos como Filhos de Abraão por manterem a aliança dada ao seu Pai, assim também no Novo Pacto (não Novo no sentido de algo realmente iniciado do nada, mas no sentido de renovação, do grego kainós), Deus enxertou aos Filhos de Abraão os gentios, e deu a eles o direito de serem feitos coerdeiros da aliança filhos do novo pacto: “Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão.” (Gálatas 3:7).

Logo, confiados em Deus e nas Escrituras, podemos dizer que somos filhos de Abraão tão quanto os Judeus no Antigo Pacto o eram.

Sabendo agora que pertencemos ao mesmo pacto que Abraão foi chamado, devemos manter-se cumprindo dentro desse RENOVADO Pacto os sinais de nossa Aliança com Deus, a saber, o Batismo que aponta exatamente para as mesmas coisas que a Circuncisão apontava no seio da antiga aliança.

Sabemos que o conceito de Sacramento, segundo nossa Teologia Reformada é: “Os sacramentos são santos sinais e selos do pacto da graça, imediatamente instituídos por Deus para representar Cristo e os seus benefícios e confirmar o nosso interesse nele, bem como para fazer uma diferença visível entre os que pertencem à Igreja e o resto do mundo, e solenemente obrigá-los ao serviço de Deus em Cristo, segundo a sua palavra.” (CFW)

O Reformador John Knox sabiamente escreveu:

Assim como os patriarcas sob a Lei, além da realidade dos sacrifícios, tinham dois sacramentos principais, isto é, a circuncisão e a páscoa, e aqueles que os desprezavam e negligenciavam não eram contados entre o povo de Deus, assim nós também reconhecemos e confessamos que agora, na era do Evangelho, só temos dois sacramentos principais, instituídos por Cristo e ordenados para uso de todos os que desejam ser considerados membros de seu corpo, isto é, o Batismo e a Ceia ou Mesa do Senhor, também chamada popularmente Comunhão do seu Corpo e do seu Sangue.

John Knox afirma sabiamente o que claramente é visto na Escritura, que ambos os sacramentos, de forma comparativa, tanto a Circuncisão quanto a Pascoa apontam exatamente para as mesmas coisas que o Batismo e a Santa Ceia. Duas Grandes Ordenanças de Deus ao Povo, tanto do antigo pacto, como no Novo Pacto.

Um dos Pilares da chamada Teologia do Pacto, é que pertencemos a mesma Igreja do Antigo Testamento, e que em ambos os momentos estamos sob a Graça de Deus. Outra coisa é que no Pacto Renovado (Novo - kainós), permaneceu toda a essência do antigo, sem, no entanto, permanecer as formas, isso se da no culto, nos sacramentos e em outros aspectos.

Apesar da Renovação ter mudado a forma visível dos dois grandes sinais do antigo pacto, como eu já disse, os significados continuam os mesmos... (me aterei apenas a questão do Batismo).

Muitos alegam que a Circuncisão no Novo testamento não aponta para o Batismo, pois a circuncisão do crente é dentro do coração, mas esquecem de que a verdadeira circuncisão do Judeu dentro do antigo pacto também era dentro do coração.

Moises disse: “Tão-somente o SENHOR se agradou de teus pais para os amar; e a vós, descendência deles, escolheu, depois deles, de todos os povos como neste dia se vê. Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz. (Deuteronômio 10:15-16).

É justamente isso que o Apostolo Paulo fala em Romanos: Mas é Judeu o que o é no interior, e circuncisão a que é do coração, no espírito, não na letra (Romanos 2:29).

Paulo (assim como Moisés) fala que a verdadeira circuncisão acontece no coração do Judeu. Isso indica que mesmo no tempo em que o sinal visível era a circuncisão na carne do prepúcio, ela não passava de um meio de Graça que indicava um sinal externo de uma graça interna. Assim como o Batismo aponta um sinal externo de uma graça interna, porque verdadeiramente é batizado quem o é interiormente, aquele que foi lavado pelo sangue, mortificado com Cristo e purificado de seus pecados.

Por isso o Apostolo Paulo é categórico em afirmar que nós, gentios, estamos também circuncidados porque fomos sepultados com Cristo pelo Batismo: “No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos. (Colossenses 2:11-12)

Mas isso gera a grande dúvida, mas se eles apontam para isso, não é necessário ter fé para participar? E as crianças? Porque as Batizamos então?

Oras, porque como disse bem Calvino:

“Quando o Senhor manda Abraão observar a circuncisão [Gn 17.1-10], ele prefacia que será o Deus dele e de sua semente, acrescentando que nele estavam a afluência e a suficiência de todas as coisas, para que Abraão tivesse consciência de que sua mão haveria de ser-lhe a fonte de todo bem. 

E diz mais...

Os filhos dos judeus, sendo também feitos herdeiros desse pacto, uma vez que se distinguiam dos filhos dos ímpios eram chamados semente santa [Es 9.2; Is 6.13]; pela mesma razão, ainda agora, os filhos dos cristãos são considerados santos, ainda que nascidos só de um genitor fiel; e, segundo o testemunho do Apóstolo [1Co 1.14], eles diferem da semente imunda dos idólatras.
Ora, quando o Senhor, imediatamente após ser firmado o pacto com Abraão, preceituou que nas crianças fosse assinalado um sacramento exterior [Gn 17.12], que justificativa, pois, podem os cristãos alegar para não atestarem e selarem hoje também em seus filhos?
O pacto é comum; comum é a razão de confirmá-lo. Só o modo de confirmar é diverso, porque àqueles era a circuncisão, a qual foi substituída pelo batismo. porque o sinal de Deus, comunicado à criança como um selo impresso, confirma a promessa dada ao pai piedoso e declara ter sido ratificado que o Senhor há de ser por Deus não só a ele, mas também à sua semente; nem quer que sua bondade e graça sejam acompanhadas não só por ele, mas ainda por sua posteridade até a milésima geração [Ex 20.6; Dt 5.19]. No qual primeiramente brilha a bondade de Deus para glorificar e enaltecer seu nome; e, segundo, para consolar ao homem fiel e dar-lhe maior ânimo para entregar-se totalmente a Deus, ao ver que não só se preocupa com ele, mas também com seus filhos e sua posteridade.

Com isso não há desculpa para a ausência dos filhos dos crentes no Batismo, pois são igualmente santos, como os filhos dos judeus eram santos, no antigo pacto.

Se deveras afirmamos que pertencemos à descendência de Abraão e que fomos incluídos a esse pacto, que somos corpo de Cristo e membros da mesma Igreja, negar todas essas verdades bíblicas é jogar todo o antigo pacto numa dispensação morta que pra nada serve a não ser o que foi escrito diretamente sobre as paginas do Novo testamento.

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Autor: Atila Calumby
Fonte: Mensagem Reformada
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O que a circuncisão tem a ver com batismo?

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Gravado na Semana Teológica do Seminário JMC, neste vídeo George Lucas do Canal Geolê entrevista o Rev. Daniel Piva sobre a seguintes questões: Batismo é para nós o que foi a Circuncisão para os Judeus? Como se dá essa relação? Crianças devem ser batizadas? Assista:


Transcrição:

Geolê: Reverendo, por que estudar sobre circuncisão? Isso não é coisa do Antigo Testamento e atualmente apenas uma preocupação de judeu? 

Daniel Piva: Essa é uma pergunta importante. Parece só uma questão cultural ou talvez história para curiosidade, mas na verdade não. 

Nós, reformados, entendemos que o Cânon Bíblico é composto de Antigo e Novo testamento, não como uma mera aproximação; eles são uma unidade orgânica! Para eu entender o AT eu preciso olhar para o NT e perceber como aquelas coisas se ampliaram, plenificaram e aplicaram. E quando estou no NT e quero saber as bases (e não é porque é base que é menor. Afinal, sem base as coisas não funcionam), então me reporto ao AT, e entendo muito melhor. Isso também se chama Hermenêutica Canônica, isto é, eu caminho entre os dois Testamentos e entendo a Verdade Bíblica, que é uma só. 

Então para se falar de batismo, necessariamente eu preciso falar de circuncisão, pois entendemos que é uma em decorrência da outra. Eu também não poderia, por outro lado, estudar apenas circuncisão e não olhar para o NT e como ela foi ampliada, plenificada e aplicada. 

Geolê: E agora olhando para o NT, nós não temos não texto que traga expressamente “Batize crianças”. Então porque a gente entende que crianças, e de maneira mais específica os filhos dos crentes, devem ser batizadas? 

Daniel Piva: Está mais uma vez relacionada com a questão do AT e do NT. Se nós entendemos que é o mesmo Deus, o criador da Aliança; o mesmo Mediador, Cristo; e ainda as mesmas pessoas de todos os tempos, isto é, não apenas do povo judeu, mas dos eleitos, nós entendemos que as coisas não mudaram. Tanto os participantes quanto as alianças, todos vão se complementando, e não se anulando, conforme a nova chega; elas vão se ampliando.

Então é necessária toda essa transposição do AT para o NT para eu entender essa decorrência. Sim, de fato não há nenhum texto no NT que diga para batizar crianças, assim como há tantas coisas no NT que não extinguiram as coisas do AT, mas continuam em decorrência essencial mudando apenas a forma. O mais clássico que os evangélicos conhecem é o sacrifício. No NT temos os sacrifícios, no NT temos O Sacrifício, Cristo. Então a circuncisão vem, mas em um momento ela cessa, mas a Aliança não cessou, o Mediador não cessou, Deus não mudou. Então aquela marca tem de continuar. Como? De nova forma com o batismo. Circuncisão nas crianças, então batismo nas crianças. 

Geolê: E para quem quiser se aprofundar e entender um pouco mais sobre esse assunto, que bibliografia o senhor recomenda? 

Daniel Piva: Existem as literaturas específicas, mas para porta de entrada o melhor seriam as literaturas básicas. Confissão de Fé de Westminster, Catecismo Maior de Westminster, Breve Catecismo de Westminster, e dois teólogos bastante conhecidos no meio reformado. O principal, obviamente, João Calvino que em suas Institutas tem uma parte para sacramentos, uma parte específica para ceia, uma parte específica para batismo, e nesta ele fala desta questão das crianças. Ele mesmo faz uma espécie de debate consigo mesmo respondendo às perguntas que normalmente surgem. E em Teologia Sistemática, Louis Berkhorf. 

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Fonte: Geolê
Palestra completa do Rev. Daniel Piva, disponível aqui!

Livros Citados: 

Confissão de Fé de Westminster - Editora Cultura Cristã. (Não encontrado)
Catecismo Maior de Westminster - Editora Cultura Cristã
Breve Catecismo - Editora Cultura Cristã. (Não encontrado)
As Institutas - João Calvino. Editora Cultura Cristã
Teologia Sistemática - Louis berckof. Editora Cultura Cristã
What is Baptism? - R. C. Sproul
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4 perguntas sobre o Batismo Infantil

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Neste vídeo o Rev. Dorisvan Cunha responde a quatro perguntas cruciais sobre o Batismo Infantil. 
1 - Qual a relação entre batismo e circuncisão, considerando que o Novo Testamento é uma nova aliança? 2 - O batismo não é somente para quem crer? 3 - Há mandamento ordenando que crianças sejam batizadas? 4 - Há exemplo de batismo infantil no Novo Testamento? Assista:


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Autor: Rev. Dorisvan Cunha
Fonte: Guerra pela Verdade

Assista também: A verdade sobre o Batismo Infantil
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Se mulheres não eram circuncidadas por que devem ser batizadas?

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Por Frank Brito


Em outra postagem deste blog foi defendido que os infantes, filhos de pais que professam a fé cristã, devem ser batizados. Nesta outra postagem foi argumentado que:

1. Deus estabeleceu um pacto por meio de Abraão.

2. Este pacto foi feito com aqueles que professam a fé no Deus verdadeiro junto com seus filhos infantes.

3. A promessa de Deus, desde o princípio, era que este pacto seria firmado com “todas as famílias da terra” (Gn 12:3), que é o mesmo que “todas as nações da terra” (Gn 18:18).

4. A primeira família ou nação chamada por Deus para firmar Seu pacto foi “a casa de Israel” (cf. Gn 17:1-14; Ex 19:5-6; Dt 4:7-8; Sl 147:19-20; Am 3:2; Ef 2:11-12).

5. Mediante a vinda de Jesus Cristo, Deus finalmente firmou Seu pacto com todos aqueles a quem a promessa foi originalmente feita (cf. Mt 8:11; Rm 3:29; 4:9-14; 15:8-12; II Co 1:20; Gl 3:27-29; Ef 2:11-14; 3:1-6), isto é, com “todas as famílias da terra” (Gn 12:3), que é o mesmo que “todas as nações da terra” (Gn 18:18).

6. Na era do Antigo Testamento, o sinal e selo deste pacto era a circuncisão (cf. Gn 17:1-14) e na era do Novo Testamento o sinal e selo deste pacto é o batismo (cf. Mt 28:19-20; Gl 3:27-29; Cl 2:11-13).

7. Todos os membros do pacto devem receber o sinal e selo do pacto, isto é, todos aqueles que professam a fé no Deus verdadeiro junto com seus filhos infantes.

O propósito do presente estudo não é demonstrar que todos estes pontos são verdadeiros. Isso já foi feito em outra postagem. O propósito deste estudo é demonstrar porque na era do Novo Testamento as mulheres (incluindo meninas) devem ser batizadas, ainda que na era do Antigo Testamento elas não eram circuncidadas.

A primeira coisa que precisamos observar aqui é que há um importante elemento de descontinuidade entre a promessa original de Deus feita a Abraão em Gênesis 12 e os membros do pacto em Gênesis 17 quando a circuncisão foi instituída. A promessa original era que este pacto seria firmado com “todas as famílias da terra” (Gn 12:3), que é o mesmo que “todas as nações da terra” (Gn 18:18), mas os membros do pacto em Gênesis 17 são a família que daria origem a nação de Israel. Ou seja, o sinal da circuncisão apontava para o cumprimento da primeira parte da promessa que Deus fez à Abraão: “E multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e darei à tua descendência todas estas terras” (Gn 26:4; cf. 12:3). Mas ainda ficaria faltando a segunda parte: “e por meio dela serão benditas todas as nações da terra” (Gn 26.4; cf. Gn 12:3).

Mediante a vinda de Jesus Cristo, Deus finalmente firmou Seu pacto com todos aqueles a quem a promessa foi originalmente feita:

Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém”. (II Coríntios 1:20)

Digo pois que Cristo foi feito ministro da circuncisão, por causa da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos pais; e para que os gentios glorifiquem a Deus pela sua misericórdia, como está escrito: Portanto eu te louvarei entre os gentios, e cantarei ao teu nome. E outra vez diz: Alegrai-vos, gentios, juntamente com o povo. E ainda: Louvai ao Senhor, todos os gentios, e louvem-no, todos os povos. E outra vez, diz também Isaías: Haverá a raiz de Jessé, aquele que se levanta para reger os gentios; nele os gentios esperarão. (Romanos 15:8-12)

Portanto, lembrai-vos de que vós noutro tempo éreis gentios na carne… Naquele tempo estáveis sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, já pelo sangue de Cristo chegastes perto… Por esta razão eu, Paulo, o prisioneiro de Cristo Jesus por amor de vós gentios. Se é que tendes ouvido a dispensação da graça de Deus, que para convosco me foi dada; como pela revelação me foi manifestado o mistério, conforme acima em poucas palavras vos escrevi, pelo que, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, o qual em outras gerações não foi manifestado aos filhos dos homens, como se revelou agora no Espírito aos seus santos apóstolos e profetas, a saber, que os gentios são co-herdeiros e membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho. (Efésios 2:11-13; 3:1-6)

Deus, então, não anulou Suas promessas. Elas foram reafirmadas em Jesus Cristo. As nações precisam ser ensinadas, como Jesus mandou fazer antes de subir ao Céu, porque Deus prometeu a Abraão: “Em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.1-3) e “em tua descendência serão benditas todas as nações da terra” (Gn 22.18). Deus começou a cumprir essa promessa quando, da descendência de Abraão, formou Israel. Com sinal da promessa, Deus deu a circuncisão. Para cumprir o restante da promessa, Jesus Cristo, na Grande Comissão, mandou que as demais nações também pactuassem com Deus, para que fossem co-herdeiras da mesma promessa. O Novo Pacto não é uma anulação do que foi anteriormente estabelecido, mas é o pacto, conforme Gênesis 12, sendo ampliado para que incluísse todos aqueles a quem o pacto foi originalmente prometido. O Novo Pacto, então, não excluiu Israel (Rm 11:1) com quem Deus já havia firmado o Seu pacto, mas inclui as demais nações, além de Israel, já que “os dons e a vocação de Deus são irretratáveis” (Rm 11:29). É por isso que, tendo sido firmado com todas as famílias da terra, esperamos pelo dia em que “todos os limites da terra se lembrarão e se converterão ao Senhor, e diante dele adorarão todas as famílias das nações” (Sl 22:27). É por isso também que o pacto de Deus que já havia sido firmado com os infantes (cf. Ez 16:20-21; Ml 2:15) não poderia ter sido anulado por Jesus Cristo. Para que Deus anulasse seu pacto com os infantes, ele teria que anular o pacto abraâmico que incluia os infantes. Mas Deus não anulou o pacto abraâmico. Pelo contrário, o pacto foi confirmado ainda mais, pois passou a incluir as nações gentílicas como “co-herdeiros da mesma promessas” (Ef 3:6) e, portanto, inclui também os infantes dentre os gentios (cf. I Co 7:14).

Os judeus incrédulos do primeiro século queriam a primeira parte da promessa, mas não a segunda. Eles gostavam de saber que Israel foi chamado por Deus, mas não queriam que as outras nações fossem chamadas da mesma maneira.Paulo perguntou: “É porventura Deus somente dos judeus? E não o é também dos gentios?” (Rom 3:29). Essa era a substância do pacto estabelecido com Abraão: “estabelecerei o meu pacto contigo e com a tua descendência depois de ti em suas gerações, como pacto perpétuo, para te ser por Deus a ti e à tua descendência depois de ti” (Gênesis 17:7). E se os gentios “co-herdeiros da mesma promessas” (Ef 3:6), conforme a promessa original de Gênesis 12 diz que seriam, isso significa que Deus o é também das nações gentílicas e de sua descendência. Mas os judaizantes respondiam: “Não, não o é também dos gentios. É somente dos judeus”. Por isso eles exigiam que os gentios, caso quisessem ser salvos, fossem naturalizados e “vivessem como judeus” (Gl 2:14).

A carta aos Gálatas foi escrita para refutar estes judeus que queriam negar o direito das nações gentílicas serem admitidas como co-herdeiras do pacto instituído com Abraão. A questão crucial da carta aos Gálatas, e de toda controversa em torno da circuncisão no Novo Testamento, é o seguinte: Deus estava ampliando o seu pacto para que também incluísse os gentios além dos judeus que já faziam parte? Em outras palavras, Deus cumpriria só a primeira parte da promessa, “E multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e darei à tua descendência todas estas terras” (Gn 26:4; cf. 12:3), mas não cumpriria a segunda parte, “e por meio dela serão benditas todas as nações da terra” (Gn 26.4; cf. Gn 12:3)?

Se o Novo Pacto não é uma anulação do que foi anteriormente estabelecido, mas é o pacto, conforme Gênesis 12, sendo ampliado para que incluísse todos aqueles a quem o pacto foi originalmente prometido, isso significa que o mesmo que fora dito para Israel teria que ser verdade para os gentios, “para te ser por Deus a ti e à tua descendência depois de ti”. Como está escrito também:

Todos os limites da terra se lembrarão e se converterão ao Senhor, e diante dele adorarão todas as famílias das nações. (Salmo 22:27)

Tributai ao Senhor, ó famílias dos povos, tributai ao Senhor glória e força”. (Salmo 96:7)

É por isso que Paulo escreveu aos Gálatas:

Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo. Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então sois descendência de Abraão, e herdeiros conforme a promessa”. (Gálatas 3:27-29)

Mediante a vinda de Jesus Cristo, Deus finalmente firmou Seu pacto com todos aqueles a quem a promessa foi originalmente feita, conforme Gênesis 12 (e textos paralelos) e não somente com aqueles com quem o pacto foi estabelecido em Gênesis 17. O batismo é o sinal e selo deste pacto. É por isso que o Apóstolo diz que agora “não há judeu nem grego” e também “não há macho nem fêmea. O pacto foi ampliado para que incluísse todos os herdeiros conforme a promessa. Por isso, diferente de Gênesis 17, além de incluir os gentios, inclui também as mulheres. Os gentios e as mulheres foram incluídos como pleno herdeiros da promessa e por isso devem ser batizados. Não há, portanto, uma mudança arbitrária. A mudança condiz com as promessas de Deus.

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Fonte: Resistir e Construir
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O Batismo da Aliança

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O título deste estudo foi escolhido de propósito. Muitas palavras inúteis têm sido trocadas entre presbiterianos e batistas tratando de assuntos que são secundários, como “batismo infantil” e “batismo de crentes”. Ninguém deveria se satisfazer com estes títulos - eles não descrevem aquilo que qualquer desses grupos deseja defender. O presbiteriano não quer defender o batismo de crianças: ele quer defender o batismo de algumas crianças (i.e., as crianças da Aliança). O batista não quer defender o batismo só de crentes (pois, ele nunca poderia estar seguro de que o são); ele quer, isto sim, defender o batismo de crentes professos; i.e., esses que, por uma profissão de fé digna de crédito, pertencem à Aliança. Assim, ambos estão, na verdade, falando de um mesmo assunto, ou seja, da Aliança e do Batismo da Aliança. Abrindo esta questão, há três áreas importantes:

          1. A Continuidade da Aliança.
          2. A Continuidade da Igreja.
          3. A Continuidade do Sinal.

1. A Continuidade da Aliança

Em todos os tempos só tem havido uma única Aliança salvadora entre Deus e os pecadores. É chamada Aliança da Graça (ou Pacto da Graça), ou, Aliança Abraâmica (ou Pacto Abraâmico). Nós lemos sobre sua origem em Gen. 17. Deus, em Sua misericórdia, veio a Abraão (um homem pecador como todos os demais; caldeu, de origem pagã idólatra) e lhe deu uma promessa. Abraão creu em Deus crendo em Sua palavra e Deus o declarou justo. Qual era a essência dessa promessa pactual em que Abraão creu? Era uma promessa de união e comunhão com Deus para Abraão e para os seus descendentes, depois dele. “Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, como aliança perpétua, para ser o teu Deus, e da tua descendência depois de ti” (Gen. 17:7). Todos que pertenceram a esta Aliança tiveram Deus como o seu Deus, e se tornaram o Seu povo por aliança. É dito que ela é uma aliança perpétua. Isto é digno de nota. Significa que se qualquer um, em qualquer ponto na história, entrar em união e comunhão com o Deus vivo, então a mesma Aliança Abraâmica estará em vigor. Ninguém é filho de Deus a não ser por adoção e o meio dessa adoção é a única e exclusiva Aliança pela qual Deus adotou Abraão como Seu filho, juntamente com a sua posteridade. Portanto, não é nenhuma surpresa, mas sim o que se espera, quando encontramos o Novo Testamento dizendo:

Ele nos resgatou para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebêssemos a promessa do Espírito” (Gal. 3:14) e “...se sois de Cristo, então sois descendentes de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” (i.e., a promessa da Aliança) (Gal. 3:29).

Assim, enfatizo o ponto apresentado na Bíblia: há uma continuidade da Aliança desde Abraão até agora. Não há tal coisa como uma Aliança da Graça do Velho Testamento e uma Aliança da Graça do Novo Testamento. Não há distinção entre a Aliança Abraâmica e a Aliança Cristã. Elas são uma e a mesma coisa. Isto não é posto em nenhuma parte mais claramente do que em Gal. 3: 16: “Ora, as promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz: e aos descendentes, como se falando de muitos, porém como de um só: e ao teu descendente, que é Cristo”. Assim a Aliança Abraâmica incluía Cristo... de fato significava preeminentemente Cristo. Ele é a semente de Abraão - Ele é o único que fielmente guardou a Aliança. Se uma pessoa está em Cristo está na Aliança com Abraão, não apenas porque Abraão creu em Deus (e viu a Cristo pela fé, João 8:56) mas principalmente porque Cristo é a bênção prometida na Aliança, “se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão”. Nós não devemos pensar que Abraão foi salvo por uma aliança diferente ou creu num evangelho diferente. Só há uma aliança que salva porque só há um evangelho que salva. Foi este evangelho que foi pregado a Abraão e no qual ele creu. “E a Escritura ... preanunciou o evangelho a Abraão” (Gal. 3:8) Abraão creu e foi salvo por esta fé,  “de modo que os da fé são abençoados com o crente Abraão” ( Gal. 3:9). Há continuidade na Aliança.

Nós vamos um pouco mais adiante. Tanto naquela época quanto agora sempre houve uma forma externa e outra interna da Aliança - uma forma visível e outra invisível. Esta é uma observação da maior importância. Os homens só podem lidar com a forma externa e visível. É Deus quem trata da forma interna e invisível. Foi assim no tempo de Abraão, desde o começo da Aliança. Todos que pertenceram aos descendentes de Abraão eram considerados membros da Aliança (visível) e receberam o sinal da Aliança (circuncisão). Isto incluía os estrangeiros e qualquer que quisesse união e comunhão com o Deus de Abraão (i.e., prosélitos) (Gen. 17:14). Todavia, nem todos que pertenciam à forma visível ou externa da Aliança estavam verdadeiramente em união e comunhão com Deus. Nem todos eram espirituais. Desta forma, Deus declara que não é com os filhos da carne (Ismael) mas com os filhos da promessa (Isaque) que Ele internamente estabelece uma aliança (Gen. 17:18-21). De igual forma, mesmo hoje a Igreja só pode administrar a forma exterior da Aliança. Os batistas, de boa vontade, admitem isso. Eles só podem batizar na base da profissão externa e visível. Nunca podem estar seguros de que todos que admitem ao batismo, como crentes, estão verdadeiramente arrependidos. Eles reconhecem que há membros da Igreja que são hipócritas.

Assim, quando qualquer igreja cristã batiza alguém, ela não está dizendo (ou não deveria estar) que tal pessoa é definidamente um crente. Somente Deus pode realizar um batismo que faz infalivelmente de alguém um crente, o qual é chamado de Batismo do Espírito Santo, ou a lavagem da regeneração (1 Cor. 12:13). A água do batismo é um sinal externo e visível aplicado pela Igreja externa e visível àqueles que pertencem à comunidade externa e visível da Aliança. O batismo do Espírito Santo é o sinal invisível aplicado pelo Deus invisível para unir uma pessoa à comunidade invisível da Aliança (i.e., o corpo de Cristo). O batismo da água significa o batismo do Espírito. A Confissão de Fé de Westminster sumariza tudo isso de modo claro no Capítulo 28:1: “O batismo é um sacramento do Novo Testamento, instituído por Jesus Cristo, não só para solenemente admitir na IGREJA VISÍVEL a pessoa batizada, mas também para servir-lhe de sinal e selo do pacto da graça...”. Notem que ele é um sinal e selo do pacto da graça (i.e., da operação interna de Deus).

SINAL: significa que ele aponta para a graça oferecida na promessa de Deus. Como qualquer “SINAL”, ele nos leva a olhar para outra direção... para Deus, Sua misericórdia e Sua prontidão para salvar qualquer que, como Abraão, tome Deus pela Sua palavra e creia nEle.

SELO: uma marca para nosso próprio benefício, para nos mostrar que a coisa selada é autêntica. Os reis costumavam SELAR uma carta com uma estampa de cera de seus próprios sinetes. Esse selo era para o bem daquele a quem a carta era enviada, para mostrar que era genuína. Não é o selo que faz a carta genuína: é a carta do rei, quer ele a sele ou não. Mas o selo a confirma à nossa mente. É uma confirmação visível de uma realidade invisível.

Notemos, agora, que, enquanto o batismo da água é o selo da forma externa da Aliança, o próprio Espírito Santo é o selo da forma interna.

Efésios 1:13: “...tendo nele também crido, fostes selados com o Santo Espírito da promessa”.

Efésios 4:30: “...não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção”.

Este é o ponto em que devemos, respeitosa mas energicamente, apontar o erro de nossos irmãos batistas. Eles afirmam que o batismo da água é o selo da fé. Quando uma pessoa crê, então ela é batizada e este é um selo de sua fé. A Bíblia nega isto - O Espírito Santo, que é derramado nos nossos corações, é o selo da nossa fé. A razão é simples: somente o Espírito pode selar algo que Ele próprio fez. Somente Ele pode nos assegurar que nos deu o novo nascimento, que somos renascidos do Espírito. Isto é o que Paulo quer dizer em Romanos 8:16: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus”. A Igreja visível adota pessoas no seu rol de membros através de um sinal e selo visíveis. O Deus invisível adota pessoas como membros de Cristo através de um sinal e selo invisíveis.

Portanto, todo presbiteriano e todo batista devem negar juntos que o batismo da água salva alguém. Nós todos rejeitamos integralmente a expressão “cristenizar” (designação que, na língua inglesa [“christening”], é dada ao batismo pelos católicos romanos). Esta expressão é uma herança da superstição católico-romana que supõe que o batismo da água lava pecados e “cristianiza” (“cristeniza”) alguém.

2.  A Continuidade da Igreja

A Igreja de Deus tem continuado através dos tempos, tanto do Velho  quanto do Novo Testamento. É errado pensar que a “Igreja” começou com Jesus. Isto, todavia, subjaz na raiz de muito pensamento batista. Porém, antes dos dias de Abraão, Deus tinha um povo-chamado (uma Igreja) no mundo (os Setes, os Noés e os Enoques). A partir dos dias de Abraão esse povo ficou praticamente confinado a uma nação - os judeus. Mas mesmo na peregrinação do deserto no Êxodo, muito antes dos judeus terem uma terra prometida, um sacerdócio e um cerimonial de culto, foram chamados de “IGREJA”. Atos 7:38 refere-se a eles como “a igreja no deserto” (ekklesia).

Novamente, Romanos 11 nos diz que os gentios que crêem em Cristo não são uma Igreja diferente dos crentes do Velho Testamento. Nós somos enxertados na mesma oliveira. A Igreja é descrita como uma oliveira crescendo através de todas as épocas.

Tanto este é o caso que Pedro descreve a Igreja cristã do Novo Testamento com a rica linguagem judaica do Velho Testamento - “vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus” (1Pedro 2:9). Os crentes do Novo Testamento são, claramente, parte da ininterrupta Igreja de Deus.

Há judeus que são realmente gentios e gentios que são realmente judeus: “... porque nem todos os de Israel são de fato israelitas; nem por serem descendentes de Abraão são todos seus filhos; ...estes filhos de Deus  não são propriamente os da carne ...” (Romanos 9:6-8). De sorte que Paulo diz: “se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão” (Gal. 3:29). Isto só pode fazer sentido se tiver havido continuidade da Igreja em todas as épocas. Assim, não nos surpreende encontrar que na era por vir a Igreja única é descrita em termos de “gentios sentando à mesa com Abraão, Isaque e Jacó”. A Igreja visível hoje é uma continuação do que o Israel visível era no passado. Nós temos hipócritas hoje e eles também tinham. Nós podemos extirpá-los hoje e eles também podiam. De igual forma, a Igreja invisível hoje é a continuação do que o Israel invisível era então.

Ora, dada essa continuidade tanto da ALIANÇA quanto da IGREJA (comunidade da Aliança), chegamos a uma observação vital. A Igreja visível tem sempre incluído os filhos dos crentes. Vemos isso em Gen. 17:7. Porque o crente Abraão e todos os seus filhos faziam parte da forma externa da Aliança, então deviam todos receber o sinal externo da Aliança - A CIRCUNCISÃO. Sabemos que alguns eram como Esaú, incrédulos, e não incluídos na forma interna da Aliança. Mas é somente Deus quem opera este outro lado. Mesmo os Esaús devem ser recebidos como membros da Aliança e tratados como tais, até que cometam apostasia declarada.            

Desde que a Igreja visível e o sinal visível têm sempre incluído os filhos dos crentes, então também os incluem agora. Por qual processo de raciocínio devemos excluir hoje as crianças da Igreja visível, à qual elas sempre pertenceram? Ambos os lados concordam que a era neotestamentária da Aliança é até mais graciosa do que a antiga. Então, como podem os filhos dos crentes ter perdido esse gracioso privilégio que gozavam numa época muito mais estrita, nas escuras sombras da lei e do cerimonial?

Se a Igreja inclui APENAS os crentes hoje, então a prova disso está para ser apresentada há muito tempo. Notem que quando Paulo escreve suas cartas às várias igrejas, ele fala não só aos adultos, mas também aos seus filhos. “Filhos, obedecei a vossos pais” (Ef. 6:1). É uma carta a uma igreja com uma palavra aos filhos, porque a Igreja inclui os filhos. Filhos de crentes ainda são membros da forma visível da Aliança. Eles devem ainda receber o sinal visível do batismo. Não há mandamento explícito para batizar crianças no Novo Testamento exatamente porque tal mandamento não é necessário.

As condições da Aliança, uma vez estabelecidas por Deus, são totalmente invioláveis. Ninguém pode revogar suas condições nem acrescentar outras. Este é o argumento de Paulo em Gálatas 3, que, embora não se refira à Aliança de Deus, ainda é verdade mesmo a respeito de uma aliança (ou testamento) feita pelo homem; “... falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada, ninguém a revoga, ou lhe acrescenta alguma coisa” (Gal. 3:15).

Os batistas estão, na verdade, acrescentando condições. Eles dizem que você precisa primeiro ser crente antes de ser membro da Aliança. Uma criança é muito nova para crer; portanto, as crianças não recebem o sinal da Aliança nem são admitidas como membros dela. Ora, além da séria violação da Aliança de Deus neste ponto (i.e., a exclusão dos filhos, a quem Deus uma vez admitiu) isto envolve algo muito triste. Quando você encontra um crente batista sincero, cujo filho morreu ainda criança, você o vê compreensivelmente triste. Mas sua tristeza não é como a dos que não têm esperança. Ele tem conforto e esperança em Deus. Se você lhe perguntar onde está o pequenino, ele lhe dirá, confiantemente, que o seu filhinho está com Jesus, no céu. Ele responde como um pai da Aliança em favor de um filho da Aliança. Mas em que base está a criança segura? Ela é muito nova para arrepender-se e crer. Claro que ele sabe que, na verdade, isso é devido a uma fidelidade pactual de Deus. Por que é então que, “quando as coisas apertam”, o batista confessa que seu filho pertence a Deus por aliança? Suspeito que é porque a única aliança encorajadora é a original, mantida em sua forma inalterada, como Deus a deu. Quem é o mais consistente, então: o presbiteriano (que admite que seu filho é filho da aliança enquanto vive) ou o batista (que apenas o admite chorosamente quando ele morre)?

3 - A Continuidade do Sinal

O que resta para considerar agora é a continuidade do sinal da Aliança. Isto pode parecer algo estranho porque todos sabem que há uma clara descontinuidade ... a circuncisão foi substituída pelo batismo. Não obstante, a continuidade é real, porque ambos representam a mesma verdade; ambos significam as mesmas graças espirituais. Assim como o sacramento cruento do Cordeiro Pascal é substituído pelo sacramento incruento da Ceia do Senhor, também o sacramento cruento da circuncisão é substituído pelo sacramento incruento do batismo. Antes de mostrar isto, há um ponto de vista (mantido pelos batistas) que deve ser tratado. Eles dizem que não havia uma, mas duas alianças, nos dias do Velho Testamento - uma espiritual e outra nacional. Dizem que a circuncisão refere-se apenas à nacional e não à espiritual; i.e., afirmam que a circuncisão era um tipo de “emblema nacional” para os israelitas. Ora, isto é uma tentativa de evitar o fato que o batismo substitui a circuncisão como sinal do pacto. Todavia, pode-se responder facilmente a esse ponto de vista com duas observações:

1 - A circuncisão não é um símbolo ou emblema nacional porque foi administrada 430 anos antes da nação de Israel existir. Israel só se tornou uma nação pactual distinta quando a Lei foi dada no Sinai.

2 - A circuncisão não era uma marca de descendência física porque foi administrada a todo gentio, e seus filhos do sexo masculino, que quisessem adorar a Jeová em Israel.

Primeiro: A Circuncisão

A circuncisão externa era  sinal e selo de uma circuncisão interna muito mais importante. O despojamento físico da carne significava o despojamento espiritual da carne do coração pecaminoso. A circuncisão feita pela Igreja do Velho Testamento apontava para uma circuncisão muito maior, que somente Deus poderia realizar. Isto é claramente posto por Paulo em Romanos 2:28-29: “Porque não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é somente na carne. Porém judeu é aquele que o é interiormente, e circuncisão a que é do coração, no espírito”.

Portanto, não nos surpreende ler o que Moisés diz aos judeus quando se dirige a eles, nas planícies de Moabe, pouco antes destes entrarem na terra prometida. Ele diz: “O Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, para amares ao Senhor teu Deus de todo o coração e de toda a tua alma, para que vivas” (Dt. 30:6).

Observem que Moisés está falando a homens que eram circuncidados exteriormente, mas que necessitavam de uma circuncisão interior. Eles tinham o sinal externo e visível, mas faltava-lhes a realidade interna e invisível. Além disso, o texto nos diz o que a verdadeira circuncisão (a circuncisão do coração) efetua: a remoção da incredulidade, resultando em amor a Deus e vida em vez de morte (“para que vivas”). A mesma coisa pode ser vista no mandamento de Moisés a Israel em Dt. 10:16: “Circuncidai, pois, o vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz”, i.e., Amai a Deus! Obedecei-O! Sede homens espirituais e não carnais! Todo esse assunto é resumido por Paulo em Romanos 4:11: “E recebeu (Abraão) o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé...” Aí está. A circuncisão não é meramente um emblema nacional. É um sinal externo da justiça da fé. O  significado da circuncisão é uma realidade espiritual.

Segundo: O Batismo

Muitos textos poderiam ser estudados para mostrar a conexão entre o batismo e a circuncisão, mas um só será suficiente. Em Col. 2:11-12 nós lemos: “Nele também fostes circuncidados, não por intermédio de mãos, mas no despojamento do corpo da carne, que é a circuncisão de Cristo; tendo sido sepultados juntamente com ele no batismo, no qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé no poder de Deus que o ressuscitou dentre os mortos”. Aqui a circuncisão é descrita como um batismo! Isto só é possível porque eles significam a mesma coisa. Enquanto Moisés disse aos judeus circuncidados que eles não eram realmente circuncidados, agora Paulo diz a esses gentios incircuncisos que eles foram realmente circuncidados. Paulo diz: vós fostes também circuncidados”. Que tipo de circuncisão era aquela? Uma circuncisão feita “não por intermédio de mãos”. Que significa isso? O “despojamento (remoção) do corpo da carne” (i.e., da natureza carnal, do espírito rebelde). Quem a fez? Cristo a fez ... pela “circuncisão de Cristo”. Como isso ocorreu? “Tendo sido sepultados juntamente com Ele no batismo”. O que isso efetuou? “No qual igualmente fostes ressuscitados mediante a fé”. Assim, fica claro que este batismo e esta circuncisão se referem à mesma obra interna de Deus. A circuncisão é feita sem mãos, i.e., a circuncisão de Cristo, e o batismo é a operação de Deus “que O ressuscitou dentre os mortos”. É essa circuncisão/batismo do coração que produz a fé num pecador ... ressuscitados com Ele MEDIANTE A FÉ.

Assim, claramente não é o batismo da água que é referido aqui. Isto se torna ainda mais claro no próximo versículo (v. 13) porque Paulo diz que tudo isso aconteceu enquanto a pessoa era ainda um pecador, um incrédulo. Isto tornou vivos homens mortos (espiritualmente), e lhes obteve o perdão dos pecados: “E a vós outros, que estáveis mortos pelas vossas transgressões, e pela incircuncisão da vossa carne, vos deu vida juntamente com ele, perdoando todos os nossos delitos”. Longe de ser o caso de “batismo de crentes” é exatamente o oposto - é o batismo/circuncisão de um incrédulo, que faz dele um crente. Não é o batismo da água realizado por homens, mas o batismo do Espírito realizado por Deus.

Não pode haver, portanto, dúvida de que o batismo e a circuncisão significam a mesma coisa. Há verdadeiramente uma continuidade do sinal da Aliança.

Conclusão


Em razão da continuidade da Aliança, da Igreja e do Sinal, nós admitimos ao batismo todos os que pertencem à Aliança. Estes têm sido sempre os crentes professos e seus filhos menores. A comunidade da Aliança nunca excluiu as crianças. O batismo desses infantes (e apenas desses) é a única prática bíblica consistente. Os que se recusam a batizar tais crianças devem explicar por que estão acrescentando condições à Aliança, as quais Deus nunca acrescentou. Também, os que batizam tais crianças devem defender essa prática puramente na base da Aliança, devem deixar de lado todas as invenções humanas (tais como “padrinhos”, que a Escritura não reconhece), devem fazer distinção entre as formas interna e externa da Aliança, e devem repudiar qualquer sugestão de que o batismo da água salva.

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Sobre o autor: Peter Bloomfield é ministro da Igreja Presbiteriana do Leste da Austrália.
Fonte: IPCB
Divulgação: Bereianos
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