Atos 2-5 ensina o socialismo?

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Dois artigos no blog “Sobre Fé”, da The Washington Post, explicitamente declaram que o cristianismo é socialista e anticapitalista. O argumento central fornecido por parte de ambos os autores é que a descrição da comunidade cristã primitiva em Atos 2-5, tendo “todas as coisas em comum”, ordena o socialismo (ou o comunismo). Isso é verdade? O que pode ser dito a tal declaração?

Alguns eruditos oferecem um argumento alternativo: que os princípios centrais da Bíblia são consistentes com uma economia de mercado (comumente chamado de capitalismo) e contradizem uma economia centralmente planejada (comumente chamada de socialismo). Para começar, definamos o capitalismo e o socialismo. Ambos são sistemas econômicos, ambos afirmam que estão melhor preparados para avançar a prosperidade humana, mas eles fazem afirmações diferentes sobre como os recursos deveriam e podem ser racionados.

O capitalismo é um sistema econômico que primariamente permite mercados a alocar recursos escassos por meio de preços, direito de propriedade e sinais de lucro/perda. O socialismo é um sistema sob o qual o governo é o dono dos meios de produção e por meio de tributação coerciva e redistribuição de riqueza aloca recursos e toma decisões sobre propriedade, preços e produção. Incidentemente, o comunismo, uma progressão do socialismo, é ambos um sistema político e econômico que aboliria a propriedade privada e daria aos indivíduos com base em necessidade. 

Mas e quanto a essa declaração que Atos 2-5 ensina o socialismo (ou o comunismo)? Em primeiro lugar, o que dizem as passagens? Atos 2:44-45 diz que imediatamente após o Pentecostes “todos aqueles os quais creram estavam juntos e tinham todas as coisas em comum; e eles vendiam as suas propriedades e bens e as compartilhavam com todos, à medida que alguém tinha necessidade”. Atos 4:32-35 fala sobre a congregação primitiva que “ninguém dizia que coisa alguma que possuía era sua própria; mas todas as coisas eram propriedade comum a eles [...] Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que eram donos de terras ou casas vendiam-nas e traziam o dinheiro do que fora vendido e o depositavam aos pés dos apóstolos; e distribuía-se a cada um segundo a necessidade que cada um tinha”. Parece que um pouco da linguagem do socialismo está aqui, então como poderia alguém argumentar o contrário?

Entretanto, uma leitura superficial como tal pode não detectar aquilo que um exame mais de perto ao texto revela.

1. OS CRENTES PRIMITIVOS NÃO VENDERAM TODAS AS SUAS POSSES.

Embora possa parecer que as frases “tinha todas as coisas em comum” ou “vendiam as suas propriedades” ou “todas as coisas eram propriedade comum” significam que os crentes primitivos venderam tudo e tinham um fundo comum, o contexto imediatamente qualifica essas declarações gerais. Os crentes continuaram a viver e a se encontrar em suas próprias casas. Craig Blomberg diz em seu estudo Neither Poverty nor Riches:

[Capítulo 2] Os versículos 43-47 estão dominados por tempos verbais altamente imperfeitos, enquanto alguém normalmente espera por aoristos [ações uma-vez-por-todas] em narrativa histórica. Não existe alienação, uma-vez-por-todas, de bens em vista aqui, mas sim atos periódicos de caridade conforme necessidades surgiam.[1]

Isso é ainda mais claro em Atos 4-5. A tradução NVI de Atos 4:34b-35 diz: “De tempos em tempos, os que eram donos de terras ou casas as vendiam, traziam o dinheiro das vendas e o colocava aos pés dos apóstolos....”. Bomberg comenta:

Novamente temos uma série de verbos imperfeitos aqui, desta vez explicitamente refletido na ‘de tempos em tempos’ da NVI. A venda periódica de propriedade confirma a nossa interpretação de Atos 2:44 acima. Isso não era uma alienação única de todas as posses de alguém. O tema “conforme a sua necessidade” reaparece também. Interessantemente, o que não aparece nesse parágrafo é qualquer declaração de igualdade total entre os crentes. Presumivelmente, existia bastante espectro, variando desde aqueles os quais ainda possuíam propriedade que ainda não vendera ... até àqueles os quais ainda estavam morando no nível mais básico. [2]

John Stott afirma a conclusão de Blomberg sobre propriedade na igreja primitiva, também enfatizando o tempo imperfeito: “Nem Jesus, nem os seus apóstolos proibiram propriedade privada a todos os cristãos ... É importante observar que até mesmo em Jerusalém o compartilhamento de propriedade e posses era voluntário ... É também digno de atenção que o tempo de ambos os verbos no versículo 45 é imperfeito, o que indica que a venda e a dádiva eram ocasionais, em resposta às necessidades particulares, não uma vez por todas”.[3] N.T. Wright concorda que propriedade privada não foi abandonada: “Esses crentes primitivos parecem não terem vendido as casas nas quais eles viviam, já que eles continuaram a encontrarem-se em casas individuais (2:46). Em vez disso, eles venderam propriedade extra que possuíam”.[4] Note o exemplo positivo de Barnabé (Atos 4) e o exemplo negativo de Ananias e Safira (Atos 5). Barnabé “possuía um pedaço de terra, vendeu-o e trouxe o dinheiro e o colocou aos pés dos apóstolos”. O versículo não diz que esse dadivar incluía todas as posses dele ou que era o único pedaço de terra que ele possuía. O mesmo fornece um exemplo positivo do que estava acontecendo em Atos 2-4. Quando Barnabé viu que havia necessidades que ele poderia suprir, ele foi generoso com o que ele possuía. Talvez, alguns têm especulado, ele foi a primeira pessoa de grande riqueza a doar para a causa.

Em seguida, temos o exemplo negativo de Ananias e Safira em Atos 5. Ananias vendeu “um pedaço de propriedade” (Atos 5:1) (de forma semelhante a Barnabé) e, com o conhecimento de sua esposa, reteve parte do dinheiro para si mesmo. O problema com isso (como veremos) não era que eles não tinham vendido todas as suas posses ou que eles precisavam dar todo o dinheiro de sua terra aos apóstolos, mas que eles mentiram sobre isso. Eles fingiram ser mais generosos do que realmente eram. Ananias, e depois Safira, vem perante Pedro e morre (presumivelmente como uma condenação divina). Pedro explicitamente diz que “a propriedade pertencia a você antes de ser vendida” e depois de ser vendida, ela estava “sob o seu poder” (vs. 4). O problema, como Pedro assinala, era que Ananias tinha “mentido ao Espírito Santo” (vs. 3). Ele tinha “mentido para Deus” e não “aos homens” (vs. 4).

Então há uma boa razão para crer que os crentes primitivos não venderam tudo o que tinham, mas eram generosos e, como a ocasião demonstrou, eles venderam parte de suas posses e deu o dinheiro aos apóstolos para distribuição. Mas mesmo se nós, para fins de ilustração, concedamos que todos os crentes venderam todas as suas posses e redistribuíram-nas entre a comunidade, isso prova que o socialismo ou o comunismo é Bíblico? Não, teria que haver uma tomada, coagida pelo Estado, de propriedade e distribuição forçada dela.

Mas o estado não é o que está, nesse contexto, vendendo (ou doando) propriedade àqueles que tinham necessidade.

2. O COMPARTILHAMENTO DOS CRISTÃOS PRIMITIVOS ERA TOTALMENTE VOLUNTÁRIO.

Karl Marx, o autor de O Manifesto Comunista, vê a posse de propriedade privada como opressiva. Ele queria que os trabalhadores se revoltassem contra os donos dos meios de produção e tomasse controle da propriedade privada. Ele queria que o Estado fosse o dono dos meios de produção e que a propriedade privada fosse abolida. De novo, nessa passagem, não há nenhuma menção do Estado. Esses crentes primitivos contribuíram seus bens de forma livre, sem coerção, voluntariamente. Em outro lugar na escritura vemos que os cristãos são até mesmo instruídos a darem precisamente dessa maneira, livremente, pois “Deus ama que dá com alegria” (2 Coríntios 9:8). Existe bastante indicação que os direitos de propriedade privada ainda estavam em vigor (lembre-se de Barnabé, Ananias e Safira). Isso não é nem comunismo (abolição de propriedade privada) nem socialismo (propriedade estatal dos meios de produção). Isso não era nem mesmo socialismo definido como um sistema de propriedade da comunidade ou regulado. Mas mesmo se concedamos, para fins de ilustração, que isso era socialismo (de algum tipo), por que isso está somente aqui (em Atos 2-4) e não visto por todo o restante do Novo Testamento?

3. ISSO NÃO ERA UMA PRÁTICA PERMANENTE, MAS UMA MEDIDA TEMPORÁRIA.

Como temos visto, esse compartilhamento da igreja primitiva era voluntário, sem coerção do Estado, e não necessitou que os crentes renunciassem seus direitos à propriedade privada. Certamente, esse compartilhamento primitivo era nobre, indicando uma generosidade de espírito. É um lindo exemplo de amor. Enquanto esse tipo de dádiva generosa é uma norma permanente, a situação específica em Atos 2-4 parece ter sido uma resposta temporária a uma necessidade particular. Nós não vemos uma recorrência desse cenário por todo o restante de Atos, nas cartas de Paulo, nem no restante do Novo Testamento. Então o que está acontecendo aqui? Pentecostes tinha acabado de acontecer. Pessoas de várias nações estavam presentes (daí a necessidade de falar em línguas). Após a pregação inicial por parte de Pedro e outros, havia, naquele primeiro dia, três mil novos convertidos (Atos 2:41). Mais e mais estavam sendo acrescentados a seu número a cada dia (vs. 47). Deveria esses novos convertidos retornarem imediatamente a seus domicílios em outras partes de Israel ou em algum outro lugar? Não quereriam eles continuar no ensino, adoração, comunhão e oração dos apóstolos (vs. 42-46)? Mas, então, como esses visitantes poderiam sustentar a si mesmos? Como eles teriam o suficiente para comer e um lugar para ficar por um período extenso de tempo?

A resposta é que aqueles que tiveram, deram àqueles que não tinham. Eventualmente, a maioria desses novos convertidos voltaram para casa. Não mais havia essa necessidade extraordinária por comida e abrigo.

A atitude de “o que é meu é teu se tu precisares” continuou. Em Atos 6, as viúvas estavam sendo negligenciadas na “distribuição diária de comida” e sete homens foram designados para supervisionar aquele processo. Houve, posteriormente, um esforço de socorro para a fome por parte dos discípulos em Atos 11:27-30. Havia sempre uma preocupação que as necessidades dos pobres fossem supridas (Gal. 2:10).

Havia frequentemente refeições comunais (1 Cor. 11:20). Havia também muitos que eram ricos e davam generosamente (mas não tinham dado tudo): José, chamado Barnabé (Atos 4:36-37), Dorcas (Atos 9:36), Cornélio (Atos 10:1), Sérgio Paulo (Atos 13:6-12), Lídia (Atos 16:14-15), Jasom (Atos 17:5-9), Áquila e Priscila (Atos 18:2-3), Mnasom de Chipre (Atos 21:16), Filemom (Filemom 1), e muitos outros. O espírito de Atos 2-5 permaneceu, mas não havia nenhuma pressão para abolir a propriedade privada e estabelecer o socialismo em qualquer forma. Havia uma preocupação para a distribuição equitativa de bens aos pobres (2 Cor. 8:13-15 – a palavra grega isotes significa equitativo ou justo) mas não um comunismo igualitário. De qualquer forma, o compartilhamento comunal (enquanto retiveram alguma medida de propriedade privada) em Atos 2-5 não foi a prática da igreja primitiva no restante do Novo Testamento. Mas mesmo se você acredita que o modelo de Atos 2-5 era socialista (o que não era), você ainda deve ir adiante para provar o seu ponto. Você deve mostrar que o exemplo primitivo constitui um mandamento obrigatório. Existe um problema fundamental com essa argumentação.

4. VOCÊ NÃO PODE OBTER “DEVE” DE “É”.

Você não pode obter o imperativo de o indicativo. Em seu Tratado sobre filosofia moral, David Hume famosamente argumenta que “uma transição desapercebida a partir de premissas cujas partes estão ligadas apenas por ‘é’ a conclusões cujas partes estão ligadas por ‘deve’... [é] completamente inconcebível”.[5] Da mesma forma, você precisa mostrar que o precedente histórico em Atos 2-5 é uma prescrição obrigatória para todos os cristãos posteriores. Você consegue obter o imperativo (todos os cristãos deveriam fazer isso) a partir de o indicativo (alguns cristãos primitivos fizeram isso)? Você pode tentar com toda a sua força, mas você nunca atravessará a divisão. O fato de que alguns cristãos “compartilharam todas as coisas” (com algumas qualificações) não constitui uma ordem que todos os cristãos deveriam seguir o exemplo deles. C.S. Lewis delineia essa distinção na The Abolition of Man:

De proposições a respeito de fatos somente, nenhuma conclusão jamais pode ser tirada. Isso preservará a sociedade não pode levar ao faça isso, exceto por meio da mediação: a sociedade deve ser preservada. Isso custará a sua vida não pode levar diretamente a não faça isso: aquele pode levar a este somente por meio de um desejo ou um dever reconhecido de autopreservação. O Inovador está tentando obter uma conclusão no modo imperativo; e embora ele continue tentando por toda a eternidade, ele não consegue, pois, a coisa é impossível.[6] A única forma que você poderia atravessar essa divisão é mostrando que outras passagens bíblicas ordenam o socialismo.

5. INTERPRETANDO NARRATIVA POR MEIO DE PASSAGENS DIDÁTICAS É UM PRINCÍPIO SÁBIO DE HERMENÊUTICA (INTERPRETAÇÃO).

Você não pode criar uma ordem universal a partir de algo que era praticado no primeiro século, a menos que o mesmo esteja ensinado em outras passagens claras da Escritura. Por exemplo, o fato que Jesus vestiu uma túnica sem costura não significa que todos os futuros crentes devem fazer o mesmo (a menos que isso seja ordenado em outro lugar). Ou o fato que Jesus não tinha “nenhum lugar onde repousar sua cabeça” (não tinha domicílio) significa que todos os crentes dali em diante devem ser sem-teto? R.C. Sproul explica como os cristãos devem interpretar narrativas bíblicas por meio das lentes de ensino cristão mais amplo: “Nós devemos interpretar as passagens narrativas da Escritura por meio das porções didáticas ou ‘instrutivas’. Se tentarmos encontrar muita teologia nas passagens narrativas, podemos facilmente ir além do ponto da narrativa caindo em erros sérios”.[7] A menos que exista um ensinamento claro que torna obrigatório (uma ordem) um precedente histórico na vida de Jesus ou na igreja primitiva, então isso não é vinculante nos cristãos posteriores. Portanto, mesmo se Atos 2-5 fosse socialismo (o que não é), o mesmo não teria nada além de interesse histórico para crentes posteriores. O mesmo não teria nenhum poder vinculativo na igreja mais tarde.

CONCLUSÃO

Portanto, para mostrar que Atos 2-5 ensina o socialismo, você precisa mostrar que Atos 2-5 ensina que: 

1. Todos os crentes em Jerusalém venderam todas as suas posses e colocaram-nas num fundo comunal que era, naquela época, controlado por parte do Estado (a marca distintiva do socialismo);

2. Os direitos de propriedade privada (defendido por todo o restante da Escritura) foram abolidos ou desencorajados por meio dessa passagem;

3. O dadivar voluntário demonstrado por parte dos indivíduos nessa passagem dá, ao Estado, o direito de coagir as pessoas a renunciarem a propriedade delas (socialismo);

4. O padrão mostrado aqui não era temporário, mas permanente. O mesmo era a regra no restante do Novo Testamento;

5. Que você pode obter um “deve” de “é”, o imperativo a partir de o indicativo, uma obrigação necessária a partir de um exemplo histórico;

6. Há um ensinamento claro que implica a propriedade governamental dos meios de produção, tributação coercitiva e redistribuição de riqueza (socialismo) no restante da Escritura.

Professores sábios têm defendido que não é bom basear uma doutrina importante numa única passagem da Escritura. Mas se você fizer isso, certamente nessa passagem a doutrina deveria ser ensinada. O socialismo não somente não é ensinado em Atos 2-5, é impossível (sem satisfazer as condições acima) mostrar que o mesmo é ensinado.

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Notas:
[1] Craig L. Blomberg, Neither Poverty nor Riches (Downers Grove, IL, Intervarsity Press, 1999), p. 162, p. 165.
[2] Ron Sider também analisa os tempos verbais gregos e tira uma conclusão parecida a respeito da igreja primitiva: A igreja mais primitiva não insistia sobre igualdade econômica absoluta. Eles também não aboliram a propriedade privada ... O tempo das palavras gregas confirma essa interpretação. Em ambos 2:45 e 4:34, os verbos denotam ação contínua e repetitiva ao longo de um período de tempo estendido. Portanto o significado é “eles frequentemente vendiam posses”, ou “eles tinham o hábito de regularmente trazer os produtos do que estava sendo vendido”. O texto não sugere que a comunidade aboliu toda propriedade privada ou que todos imediatamente venderam tudo. O mesmo sugere, ao invés, que ao longo de um período de tempo, sempre que havia necessidade, os crentes vendiam terras e casas para ajudar os necessitados. Rich Christians in an Age of Hunger (Nashville: Thomas Nelson, 2005), p. 78-79
[3] John Stott, The Message of Acts (Downers Grove, IL, InterVarsity Press Academic, 1994), p. 83-84.
[4] N.T. Wright, Acts: 24 Studies for Individuals and Groups (Downers Grove, IL: InterVarsity Press, 2010), p. 23.
[5] Cohon, Rachel, “Hume’s Moral Philosophy,” The Stanford Encyclopedia of Philosophy (Fall 2010 Edition), ed.
Edward N. Zalta, http://plato.stanford.edu/archives/fall2010/entries/hume-moral/.
[6] C.S. Lewis, The Abolition of Man; or, Reflections on Education with Special Reference to the Teaching of English in the Upper Forms of School (Oxford: Collier, 1947), p. 42.
[7] R.C. Sproul. Discovering the God who Is: His Character and Being, His Power and Personality (Ventura, CA: Gospel Light Publications, 2008), p. 116.

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Autor: Art Lindsley, PhD. É Vice-Presidente de Iniciativas Teológicas no Instituto para Fé, Obras & Economia, uma organização de pesquisa e defesa a qual equipa os cristãos com uma teologia bíblica de obras e economia. Para mais informações, visite www.tifwe.org.
Fonte: Institute for Faith, Work & Economics
Tradução: Nathan Cazé
Divulgação: Bereianos
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O problema teológico com a tal justiça social de Tim Keller

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A Igreja começou a abraçar amplamente a chamada justiça social, e muito disso é graças ao livro de Tim Keller, Generous Justice: How God’s Grace Makes Us Just.[1]

Certamente há muitas coisas boas no livro de Keller – a maior delas é o seu chamado para que a Igreja busque a justiça. No entanto, acho que Keller comete alguns erros graves quando se trata de identificar o que é a justiça, e como se deve buscá-la. Isso é mais óbvio em sua discussão sobre os aspectos econômicos da justiça social (às vezes chamada de “justiça econômica”).

Desfazendo Alguns Discursos Progressistas (Parte 4)

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Uma resposta ao artigo: Dez Coisas Que Você Jamais Poderia Votar a Favor Enquanto Segue a Jesus, partes 3, 4, 6 e 7.

Como explicitado na introdução, ficou sob minha responsabilidade responder os itens três (3), quatro (4), seis (6) e sete (7).[1] Não obstante, antes de fazer uma análise acurada dos pontos destacados, permita-nos, caro leitor, apresentar-lhe, grosso modo, um conceito reformado presente em Abraham Kuyper[2] e desenvolvido por Dooyeweerd[3] sobre a soberania das esferas[4]. A visão reformada da sociedade não se centraliza no indivíduo ou em qualquer instituição, mas na soberania de Deus sobre todas as esferas da criação. Em síntese, cada esfera instituída por Deus (a família, a escola, o Estado) possui sua própria autoridade. No entanto, isso não significa que tais esferas sejam independentes. Ora, se todas as esferas são criadas por Deus, cada uma deve responder somente a Ele. Assim, todas as esferas estão submetidas à soberania de Deus.

Desfazendo Alguns Discursos Progressistas (Parte 3)

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Depois de nosso primeiro artigo respondendo ao artigo ‘Dez Coisas Que Você Jamais Poderia Votar a Favor Enquanto Segue a Jesus’, do blog Evangelho Social, recebemos uma ‘resposta’[1]. Este texto é uma réplica a ela.

CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES

Antes de mais nada, há coisas a serem esclarecidas. Algumas confusões foram feitas e precisam ser aclaradas. A primeira coisa a ser dita é que o autor do Evangelho Social[2] lisonjeou-se pela referência que o Bereianos fez a ele e a seu site, e ficamos com a impressão de que ele entendeu que os proprietários do blog ou mesmo nós, o autor do artigo em resposta a seu texto, fôssemos ávidos leitores ou tivéssemos dado alguma relevância para o artigo que ele escreveu. Como colocamos no início da primeira resposta, só consideramos seu texto por servir como ótimo catálogo para as falácias do chamado ‘progressismo cristão’[3] e por ter sido amplamente divulgado por amigos e conhecidos cristãos[4]. Por isso, se for o caso, take it easy, companheiro!

O desafio da juventude cristã brasileira

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Não é preciso grande capacidade intelectual para se observar que o Brasil está longe de ser um “país cristão”. Por mais que muitos hoje se declarem cristãos, há pouca (ou nenhuma) evidência de mudança por aqui. Na verdade, é justamente o contrário. Infelizmente, em nossa nação impera uma forte cultura anticristã. Continuamos sendo um povo imoral, dominado pela lascívia, dado à imoralidade. Em nosso sangue está impregnado o “jeitinho brasileiro”; e em muitos corações tupiniquins Deus é negado veementemente. Penso que o Brasil vive um pouco do que Agostinho relatou no passado:

Aquele nosso inimigo era leão quando se enfurecia abertamente; agora é dragão quando ocultamente arma ciladas.[...] Como a nossos pais era necessária a paciência no combate contra o leão, assim precisamos da vigilância contra o dragão. No entanto, a perseguição, seja do leão, seja do dragão, nunca cessa para a Igreja; e é mais temível quando engana do que quando se enfurece. Naquele tempo queria forçar os cristãos a negarem a Cristo; agora ensina os cristãos a negarem a Cristo; então coagia, agora ensina. Então introduzia violências; agora, insídias. Aparecia então furioso, agora mostra-se insinuante e dificilmente aparenta o erro.” [1]

Assim como na época descrita, as pessoas hoje são ensinadas a negarem a Cristo. Parece que em todas as esferas da sociedade foi criada uma aversão à fé cristã. Por exemplo, nossa política deposita suas esperanças de salvação no Estado, dando a ele a soberania sobre as demais esferas da sociedade, papel esse que deveria ser de Deus.[2] E o mais incrível é que essa insistência cega permanece frente as diversas provas da falibilidade dessa visão, o que evidencia, ainda, um paradoxo estranho: sabemos que boa parte de nossos políticos são corruptos, mas insistimos em esperar que eles resolvam nossos problemas, como se fossem verdadeiros agentes messiânicos.[3] Nossas escolas, por sua vez, parecem mais preocupadas em formar militantes do que indivíduos de boa formação intelectual. E, ao fazerem isso, frequentemente defendem bandeiras que não estão alinhadas com a fé cristã, como a desvalorização do casamento, a ideologia de gênero, a abolição da família, entre outros. 
Outra esfera afetada pela aversão ao cristianismo é a ciência, que  é dominada pelo materialismo filosófico. Este, parte do pressuposto da inexistência de Deus para assim afastar completamente a possibilidade de diálogo entre a “razão” e a fé.[4] Nossa cultura é composta de uma complexa mistura religiosa envolvendo ocultismo, panteísmo e gnosticismo, revelando, na verdade,  uma ausência de identidade que somente encontra sua unidade na rebelião contra Deus e a fé cristã.[5] E, infelizmente, mesmo em algumas igrejas (ou seitas que são chamadas de igrejas), o Cristo é negado. 

Sim, o cenário é caótico e desanimador, mas eu acredito sinceramente que Deus pode mudar essa situação, se Ele assim desejar. Acredito ainda que podemos, pela graça e providência de Deus, ser instrumentos do Soberano para transformar a nossa nação em todas as esferas. E só faremos isso se em todos os aspectos de nossas vidas, nós dermos a primazia ao Eterno; se, de fato, nós vivermos para a honra e glória Dele.

No meu último texto escrevi sobre o que os jovens cristãos podem fazer para enfrentar o ambiente hostil de uma universidade anticristã. Dessa vez, pretendo explorar 5 pontos nos quais os jovens cristãos, em minha opinião, deveriam investir para que tenhamos um futuro mais promissor para o nosso país.

1) Ao invés de ser um “treteiro” de Facebook, procure conhecer e sistematizar a sua fé

Como a grande maioria dos jovens de minha geração, eu me considero uma pessoa conectada. Isso quer dizer que acompanho com frequência as redes sociais, sobretudo o Facebook, a fim de me informar a respeito do que anda acontecendo no Brasil e no mundo.

Não nego a importância da internet em nosso tempo e, por isso, não acredito que devamos negligenciá-la. No entanto, tenho visto uma postura crescente, principalmente em meio aos jovens cristãos, de resumir a fé reformada a “tretas” e “memes”, que mais parecem ter o intuito de chamar atenção do que contribuir de alguma forma para a edificação do reino de Deus. Veja bem, reconheço o poder que um “meme” tem de “viralizar” uma mensagem, mas me preocupo quando ele é o principal meio para que muitos formem suas opiniões. De igual forma, me preocupo com os “debates” virtuais, que muitas vezes são marcados por mera troca de ofensas e pouquíssima argumentação séria. Uma fé baseada em  “memes” e “tretas” do Facebook é uma fé superficial e frágil.

A respeito disso, considere comigo um ponto importante. A forma como vemos e interpretamos a realidade ao nosso redor é baseada em nossos pressupostos. Esses são verdades tão óbvias a ponto de não serem passíveis de questionamento. Ou como Ferreira & Myatt (2007) escrevem:

“Pressupostos são as proposições básicas, tomadas como verdade, sem prova anterior, que formam a base para determinar todas as demais proposições que fazem parte da interpretação de mundo daquela cosmovisão.” [6]

Por exemplo, qualquer pessoa que vá interpretar um texto bíblico considera seus pressupostos ao fazê-lo. Se esses pressupostos não são firmados em boa teologia, há uma chance considerável de má interpretação, principalmente se o contexto e a ideia central do texto forem ignorados. De igual forma, é deveras inocente acreditar que alguém consegue interpretar qualquer coisa nessa vida em posição de total neutralidade.


Ora, se os nossos pressupostos são importantes ao ponto de impactarem fortemente nossas conclusões, é fundamental que os conheçamos bem e estejamos bem firmados neles. Caso contrário, cairemos no problema que Ferreira e Myatt (2007) também destacam:

“...não seria exagero dizer que a maioria das pessoas não tem consciência de seus próprios pressupostos e, por isso, são controladas por ideias que nunca chegaram a entender. O resultado é que as pessoas fundamentam a sua interpretação da vida sobre um alicerce equivocado, sem ter a menor noção de que há algo errado.”[7]

Esse cenário pode ser visto com grande clareza no Brasil em vários temas. Podemos observar, por exemplo,
crentes socialistas, feminismo evangélico, teologia da libertação e teologia da missão integral e universalismo cada vez mais presentes, em maior ou menor escala, em nossas igrejas, até mesmo nas mais tradicionais, o que mostra um desconhecimento dos pressupostos básicos da fé cristã reformada.

Enfim, precisamos resgatar uma cosmovisão cristã sólida e estarmos bem firmados nela. É fundamental que, ao invés de buscar aprender teologia por meio do Facebook, busquemos estudar com seriedade essas doutrinas fundamentais da fé cristã e da tradição reformada, a fim de que possamos nos proteger dessas heresias. Como nos alerta D.A. Carson, não podemos cair na mentira de que o dogma não importa.

“...é pior que inútil os crentes falarem sobre a importância da moralidade cristã, a não ser sobre os fundamentos da teologia cristã. É mentira dizer que dogma não importa; importa tremendamente. É fatal deixarmos que as pessoas tenham a impressão de que o cristianismo é apenas um modo de sentir; é virtualmente necessário insistir que é primeira e principalmente uma explicação racional do universo. É inútil oferecer o cristianismo como uma aspiração vagamente idealista da natureza simples e consoladora; muito pelo contrário, é uma doutrina dura, firme, exigente e complexa, calcada num realismo drástico e intransigente. É fatal imaginar que todo mundo sabe muito bem o que o cristianismo é e que só precisa de um pouquinho de estímulo para pô-lo em prática. O fato brutal é que neste país cristão nem uma pessoa em cada cem faz a mais nebulosa ideia do que a Igreja ensina sobre Deus, ou o homem, ou a sociedade, ou a pessoa de Jesus Cristo.” [8]

2) Tenha um relacionamento real com Deus


Já falei um pouco sobre isso aqui. Por isso, me limitarei a comentar brevemente um excelente parágrafo do Dr. Lloyd-Jones onde ele aborda a relação entre oração e conhecimento de Deus, que são, a meu ver, os dois pilares de um relacionamento real com Deus.

“A nossa posição fundamental como cristãos é provada pelo caráter da nossa vida de oração. É mais importante que conhecimento e entendimento. Não fiquem imaginando que estou diminuindo a importância do conhecimento. Passo a maior parte da minha vida procurando mostrar a importância de se ter conhecimento e entendimento da verdade. Isso é vitalmente importante. Há só uma coisa mais importante, a oração. Como a teologia é, em última análise, o conhecimento de Deus, quanto mais teologia eu conhecer, mais ela me levará a buscar conhecer a Deus. Não apenas saber algo 'sobre' Ele, mas conhecê-lo! O grande objetivo da salvação é levar-me ao conhecimento de Deus. Posso falar doutamente acerca da regeneração, todavia, que é a vida eterna? É 'que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste' (João 17:3). Se todo o meu conhecimento não me leva à oração, há algo errado nalgum lugar. É o que lhe cabe fazer. O valor do conhecimento é que me dá tal entendimento do valor da oração que eu dedico tempo à oração, e o faço com prazer. Se o conhecimento não produz estes resultados em minha vida, há algo errado e espúrio em torno disso, ou então eu o estou conduzindo erradamente.” [9]

Se, por um lado, acusei acima que nosso conhecimento da fé reformada é muito superficial e deveríamos nos preocupar com isso a ponto de estudarmos (muito!) mais, por outro preciso reiterar que o real conhecimento nos aproxima de Deus e não nos faz cair em uma postura arrogante e altiva. Portanto, se você está descobrindo agora a fé reformada e/ou o calvinismo, não se porte como se você fosse um doutor em todos os assuntos ou como se você tivesse autoridade de juiz para condenar quem pensa diferente de você só porque você leu um punhado de livros. A nossa intelectualidade também pode se transformar em um ídolo. Lembre-se que o verdadeiro conhecimento de Deus te aproxima d'Ele e vem sempre acompanhado de humildade.

3) Vá além do estudo teológico

Francis Schaeffer, no seu clássico livro O Deus que intervém, explica logo no primeiro capítulo como chegamos ao mundo bizarro de hoje. De acordo com ele, mudanças graduais nos levaram ao estágio atual, iniciando-se com a filosofia e atingindo, por fim, a teologia. Ele nos apresenta uma escada, um passo a passo chamado por ele de “linha do desespero”, para mostrar como isso se sucede:

Figura 1: a famosa linha do desespero de Schaeffer. [10]

Você já parou para se perguntar por que as obras de arte da atualidade são horrendas, salvo raras exceções? Ou, por que a música atual tem qualidade, tanto poética quanto harmônica, cada vez menor? Ou, ainda, por que nosso país se torna cada vez mais imoral? Por que a ciência se rebelou contra Deus? Por que a teologia liberal, em todas as suas vertentes, conquistou o coração das massas com tanta facilidade em nossa nação? Tudo isso tem a ver com os pressupostos. Se negarmos, por exemplo, a existência de Deus e fizermos disso um pressuposto, poderemos negar também a existência de absolutos, o que significa que não há mais padrão objetivo para a beleza de uma obra de arte ou música, não há mais um padrão objetivo para julgar a moralidade, a Bíblia e os dogmas centrais da fé cristã perdem a sua força e qualquer um pode crer no deus que bem entender, até mesmo em um deus que vai salvar todo mundo, pois a verdade já não existe mais. 

Penso que uma boa formação cristã precisa abordar todos esses pontos citados por Schaeffer, principalmente a filosofia, e relacioná-los com a teologia. Isso é relevante, tanto para a defesa de nossa fé, quanto para a formação de uma sociedade calcada em uma cosmovisão cristã. Quem sabe se começarmos a investir em nossa cultura hoje, poderemos, no futuro, servir a Deus com boa literatura, boa música, boa poesia, boa política, boa ciência? Não podemos nos omitir em nenhum desses setores.

4) Se preocupe com ação social

A ação social é um valor importantíssimo para os cidadãos e para a igreja. Bem diferente do que diz o marxismo, que faz do Estado o grande benfeitor social, a palavra de Deus nos estimula a termos o protagonismo nessa área, fazendo “o bem a todos, principalmente aos da família da fé” (Gl 6.10).

Dessa forma, atribuir ao Estado essa função é simplesmente deixar de cumprir uma ordenança bíblica. O descuido nesta área, inclusive, abre ainda mais espaço para o avanço da ideologia marxista, visto que a igreja e os cristãos não tem cumprido o seu papel como deveriam.

Falando sobre como os puritanos viam a ação social, Ryken escreve:

“A ação social puritana era baseada numa teologia do pacto, que requeria das pessoas que buscassem o bem comum da comunidade e que via as boas obras como um ato inevitável de gratidão pela salvação de Deus... A ação social puritana era principalmente voluntária e pessoal, em vez de governamental ou institucional.” [11] (grifo meu)

Os puritanos viam a ação social sob a ótica do que chamavam bem comum. Isso incluía, além da caridade direta, a geração de empregos e a capacitação do mais pobre. Richard Baxter, por exemplo, empreendeu com sucesso um programa para capacitação dos mais pobres ao trabalho têxtil [12] e Richard Stock afirmou:

“Esta é a melhor caridade, aliviar os pobres ao fornecer-lhes trabalho. Beneficia ao doador tê-los a trabalhar; beneficia a comunidade, que não sofre parasitismos, nem nutre qualquer ociosidade; beneficia aos próprios pobres.” [13]

Dessa forma, seja prestando auxílio direto (financeiro ou material), na geração de empregos ou na capacitação dos mais pobres, a ação social é nossa responsabilidade, enquanto indivíduos e enquanto igreja. Não devemos terceirizar isso ao Estado.


5) Seja um exemplo de dedicação e honestidade em seu trabalho

Jovens estão, no geral, ingressando no mercado de trabalho. E é bem provável que enfrentemos situações que nos pressionarão ao erro, ao famoso “jeitinho brasileiro”. O cristão deve ter postura santa também no seu trabalho (e em todas as esferas de sua vida), executando bem a sua função e procedendo com honestidade e honra. Veja o que dizem, respectivamente, Cotton Mather e John Cotton a respeito disso:

“Um cristão deveria ser capaz de prestar boa conta não somente do que é sua ocupação, mas também do que é na sua ocupação. Não é bastante um crente ter uma ocupação; ele deve cuidar de sua ocupação como convém a um crente.” [14] (grifo meu)
“Um homem, portanto, que serve a Deus no serviço aos homens... faz seu trabalho como na presença de Deus, como quem tem uma ocupação celestial em mãos, e, por isso, confortavelmente, sabendo que Deus aprova seu caminho e trabalho.” [15]

Precisamos resgatar essa visão puritana a respeito do trabalho e coloca-la em prática em nossa nação. Ser um funcionário (ou patrão) honesto, honrado e que dá o seu melhor é também uma forma de glorificar e honrar a Deus.


Conclusão

O caminho para uma transformação em nosso país passa, a meu ver, por esses cinco pontos. Há outros, claro, e você pode citá-los nos comentários, se desejar, mas acredito que honrar a Deus nesses cinco seja o grande desafio para nós, jovens cristãos brasileiros. 

Que Ele nos abençoe.

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Referências:
[1] Agostinho de Hipona, apud Ferreira (2016), Contra a idolatria do Estado, p. 125.
[2] Para maiores detalhes ver Dooyeweerd (2014), Estado e Soberania; e Koyzis (2014), Visões & Ilusões Políticas.
[3] Para maiores detalhes ver Garschagen (2015), Pare de acreditar no governo.
[4] Para maiores detalhes ver Dembski e Witt (2012), Design inteligente sem censura
[5] A obra de Ferreira e Myatt (2007), Teologia Sistemática, traz uma boa análise das várias religiões presentes na cultura brasileira.
[6] Ferreira e Myatt, Teologia Sistemática, p. 6, 2007, editora Vida Nova.
[7] Ferreira e Myatt, Teologia Sistemática, p. 7, 2007, editora Vida Nova.
[8] D.A. Carson, Teologia bíblica ou teologia sistemática?, p. 93-94, 2001, editora Vida Nova.
[9] Dr. D.M. Lloyd-Jones, Orando no espírito, p. 10.
[10] Francis Schaeffer, O Deus que intervém, p. 17.
[11] Leland Ryken, Santos no mundo, p. 308.
[12] Para maiores detalhes ver Ryken (2013), Santos no mundo.
[13] Leland Ryken, Santos no mundo, p. 302.
[14] Leland Ryken, Santos no mundo, p. 64.
[15] Leland Ryken, Santos no mundo, p. 66.

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Autor: Pedro Franco
Divulgação: Bereianos
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Pequena reflexão sobre a 'injustiça social'

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Andei lendo por aí, que a esquerda tem muito a dizer sobre injustiça social. Realmente, ela tem mesmo: justificar o porquê de, em nome da justiça social, cometer-se cada vez mais injustiça, ao invés de minimizá-la. Na verdade, eles precisam abandonar o "dizer", o discurso ideológico, e ver se fazem algo na prática, de fato. Um dos graves problemas da ideologia é colocar o homem no "mundo da lua", fora da realidade, como se o teletransportasse até um mundo mágico e irreal, aos moldes de Alice no País das Maravilhas. E, com isso, ele nunca entenderá o mundo real, e sonhará com um mundo utópico e impossível, onde acreditará fielmente (uma fé cega, diga-se de passagem) em contribuir com a injustiça aumentando-a sensivelmente. 

Quanto ao argumento de que a direita não se preocupa com a "injustiça social" e deveria fazê-lo politicamente, saliento que o objetivo do Estado não é paparicar grupo(s) ou indivíduo(s), mas sustentar a ordem institucional e legal de maneira que todos possam alcançar, pelo esforço e mérito próprios, seus objetivos, ao invés de distribuir privilégios aqui e acolá (normalmente aos alinhados ideologicamente com o governo). Acredito que a liberdade de mercado e o empreendedorismo são as melhores formas de se gerar "justiça social", seja lá o que isso represente, pois onde há uma economia forte e produtiva os níveis de pobreza e miséria são baixos, e onde cada vez mais há a mão forte do Estado, normalmente limitando a iniciativa privada e cobrando altos impostos, a proporção de pobreza e miséria aumenta em relação ao maior nível de intervencionismo. Um Estado menos interventor (e se levarmos em consideração que o governo administra mal e porcamente os recursos, a maioria dele servindo aos interesses do próprio governo) produz uma sociedade mais "justa", não no sentido de uma justiça igualitária, onde todos serão contemplados com os mesmos benefícios (algo utópico e irreal servindo apenas à manutenção hegemônica da ideologia, no caso, a marxista), mas onde as possibilidades do cidadão sair da indigência econômica são realmente factíveis. A história prova-o; e a mais recente... nem é preciso falar. 

Um detalhe: biblicamente, a responsabilidade de cuidar do próximo, dada pelo Senhor, foi à igreja e não as forças seculares, de maneira que há um desvirtuamento de propósitos quando a igreja transfere a sua prerrogativa bíblica para um Estado não-bíblico. É uma delegação invalidada pois está posto na incapacidade e desautorização da igreja em fazê-lo. Qualquer tentativa nesse sentido é desrespeitosa, negligente e insubordinada. Não compete à igreja subdelegar o que lhe foi expressamente incumbido pelo Senhor. Se uma igreja age assim, está em flagrante pecado. 

Ah!, apenas para não haver confusão, assim como na parábola do Bom Samaritano, há um dever individual de cada cristão no auxílio ao próximo, realizando-se concomitantemente com a sua participação na obra eclesial. Uma coisa não exclui a outra, e ambas fazem parte do mandato cristão.

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Autor: Jorge Fernandes Isah
Fonte: Kálamos
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O Esquerdismo e o Evangelho

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Recentemente [Algum tempo atrás], um conhecido líder evangélico definiu-se ideologicamente da seguinte maneira: “Sou um pensador independente, de esquerda. Não acredito no neoliberalismo capitalista. Ele produz os excluídos. O Evangelho defende os pobres e os marginalizados”. [veja aqui]

Causa-me espanto que um homem que se diz “de Deus” seja tão rápido em enfileirar-se nas trincheiras da teologia da libertação, como se ela se constituísse leitura fiel do Evangelho, sem, no entanto, aperceber-se das claras divergências entre ambos. Pelo menos foi o que ficou evidente.

Com base nesta percepção, gostaria de fazer as seguintes considerações:

1. O Evangelho não está restrito a uma classe social

Uma das pessoas mais mal compreendidas do mundo é o Senhor Jesus. Em seu nome muitos abusos foram e ainda são praticados. Um deles é restringi-lo à pobreza e à miséria. Na verdade, o Evangelho não defende a pobreza, ele defende unicamente a glória de Deus e a vitória de seu Filho para a salvação dos eleitos, sejam eles riquíssimos, medianos, pobres ou miseráveis financeiramente. Nesse contexto há cinco considerações importantes. Em primeiro lugar, Jesus recebeu e conviveu com ricos, além de freqüentar a casa dos publicanos, indivíduos censuráveis, não por terem recursos financeiros, mas pela maneira como enriqueceram. Em segundo lugar, o próprio conceito de pobreza não está restrito às posses materiais. Mt 5: 3 menciona acerca dos pobres de espírito, enquanto o próprio rei Davi, em meio à sua fortuna, afirmou no Sl 40:17: “Eu sou pobre e necessitado, porém o Senhor cuida de mim; tu és o meu amparo e o meu libertador; não te detenhas, ó Deus meu!” Em terceiro lugar, a defesa bíblica dos pobres ocorre no contexto da Aliança de Deus com o seu povo, ou seja, é o pobre crente que recebe as promessas dos cuidados divinos para a sua penúria. Em quarto lugar, o problema levantado pelas Escrituras não estava na riqueza, mas no apego a ela que promovia o orgulho, o egoísmo e o desprezo pelos necessitados. Em quinto lugar, condicionar as Boas Novas aos pobres, portanto, é permitir que a falta de recursos seja, em si mesma, santificadora do homem. O Evangelho não defende os pobres nem os marginalizados, pois o pobre sem Cristo será condenado, assim como o rico com Cristo será salvo.

2. A esquerda é, em essência, contra a moralidade divina

A esquerda defende uma liberdade pecaminosa ao homem. Não importa se se trata do Democratic Party americano, do Bloco de Esquerda português, do Sozialdemokratische Partei Deutschlands alemão ou do PSOL brasileiro, o alvo principal é o mesmo. A luta em favor do aborto, do feminismo, do homossexualismo, do divórcio, da compartimentação radical da sociedade, do uso de células-tronco embrionárias etc. são claramente contra a Lei de Deus. Se, historicamente, alguns segmentos da direita cometeram abusos, os da esquerda, de igual modo, cometeram também. O que determina tal posição é o humanismo em detrimento do teísmo (o mesmo ocorre com a teologia relacional, o neopentecostalismo e, obviamente, a teologia da libertação).

3. Toda cúpula governamental é abastada

Este é outro ponto que os esquerdistas não entendem. Os líderes da esquerda clássica vivenciaram a opulência e o conforto financeiro diante da miséria social. O próprio Fidel Castro é um exemplo clássico disso, sem falar de Hugo Chávez ou Evo Morales. Todos estão encastelados devorando faisões enquanto seus patrícios morrem por migalhas. Mas não são apenas estes que vivenciam o usufruto de bens materiais, até mesmo os homens de Deus sérios que ocuparam cargos públicos gozaram da riqueza e do conforto como foi o caso de Davi, de Salomão, de José e de Daniel.

4. Cuidar dos pobres é uma parte do cumprimento da Lei

Há vários textos que alertam o crente quanto ao cuidado aos necessitados. Mas isto não ocorre para que haja uma transformação social radical. Isto é utopia. Aliás, “nunca deixará de haver pobres na terra” (Dt 15: 11). A responsabilidade do crente está em partilhar daquilo que Deus concede generosamente, pois nada é nosso, tudo é d'Ele. A riqueza não deve embrutecer ou criar a sensação de auto-suficiência, pois em tudo dependemos da graça. Por isso, somos obrigados a servir ao próximo, inclusive com o bolso. É nesse contexto que o Evangelho promove mudanças na sociedade, embora isso não seja o alvo principal.

Além de tudo o que acima foi exposto, é preciso ressaltar que o esquerdismo manifesto na Teologia da Libertação lê as Escrituras com um programa de mudança social, isto é, a interpretação que ela faz do Evangelho pretende ser apenas uma justificativa para as práticas políticas voltadas à sociedade. Afinal, para a Teologia da Libertação, a leitura é uma “produção de sentido” onde leitor constrói o significado do texto.

Concluo dizendo que “ser de esquerda” e “ser cristão” estabelece uma grande contradição, cuja síntese – se é que isso exista – sempre prejudicará o Evangelho e contribuirá maciçamente para com a esquerda. Ser cristão é não pertencer ao mundo, é ser peregrino, é ser louco para com os inteligentes deste mundo.

SOLA SCRIPTURA

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Autor: Rev. Alfredo de Souza é pastor presbiteriano e historiador social. Casado com Sandra e pai de dois filhos: João e Ana.
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1ª Semana Teológica de 2015 - JMC

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Aconteceu nos dias 18 a 22 de maio, na Igreja Presbiteriana Ebenézer em São Paulo, a 1ª Semana Teológica de 2015 do Seminário Teológico Presbiteriano Rev. José Manoel da Conceição, com o tema "O Evangelho e a Transformação Integral". Confira todas as palestras ministradas:


Palestra 1: A Justiça Social à luz da Escritura Sagrada - Rev. Gildásio Reis.



Palestra 2: Introdução à Ética Social de João Calvino - Rev. Hermisten M.P. Costa.



Palestra 3: Calvino e a Responsabilidade Transformadora do Cristão e dos Governantes na Esfera da Política. - Pb. Solano Portela.



Palestra 4: Abraham Kuyper e a Transformação Social - Rev. Heber Campos Jr.




Palestra 5: A Teologia da Missão Integral: Uma Reflexão Crítica à Luz da Teologia Reformada - Rev. Filipe Fontes.


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Fonte: Seminário JMC
Divulgação: Bereianos
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