O problema teológico com a tal justiça social de Tim Keller

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A Igreja começou a abraçar amplamente a chamada justiça social, e muito disso é graças ao livro de Tim Keller, Generous Justice: How God’s Grace Makes Us Just.[1]

Certamente há muitas coisas boas no livro de Keller – a maior delas é o seu chamado para que a Igreja busque a justiça. No entanto, acho que Keller comete alguns erros graves quando se trata de identificar o que é a justiça, e como se deve buscá-la. Isso é mais óbvio em sua discussão sobre os aspectos econômicos da justiça social (às vezes chamada de “justiça econômica”).

Uma palavra de advertência acerca de Tim Keller

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Por John Hendryx


Tim Keller é uma pessoa muito complicada teologicamente, assim, por favor, preste atenção enquanto explico. Sou um grande admirador do Cristocentrismo de Keller e sua clara explicação do evangelho. De fato, a apresentação do evangelho por parte de Keller é uma das melhores que jamais escutei. Seu entendimento da somente a graça em Cristo somente numa perspectiva Reformada é verdadeiramente magnífico... até mesmo profundo. Proclama em voz alta que "o evangelho NÃO é o que fazemos para Cristo, senão acerca do que Cristo fez por nós" o que é algo que se acha longe da RCC e do Movimento Emergente como se possa imaginar. Pessoalmente sou grandemente abençoado por seu ministério. Promovemos-lhe porque o seu ensino, em geral, é MUITO bom.

Mas, sempre fui um admirador crítico de Tim Keller. Permita-me explicar. Por um lado, ele ama a Jonathan Edwards e aos Puritanos, bem como o experiencialismo Calvinista e o evangelho de somente a graça em Cristo somente. Por outro lado, integra algumas ideias de fora da tradição reformada. E isso nem sempre é algo ruim, pois podemos aprender de outras tradições. Todavia, neste caso, discordo profundamente de algumas de suas posições. 1) É um evolucionista teísta. 2) Às vezes, tende a ter uma ênfase desequilibrada em temas como a justiça social e a renovação cultural (o que tem levado a muitas igrejas locais influenciadas por ele a se envolver nas políticas de esquerda ou direita, cuja "ala" dependendo da localização da igreja), e (3) recentemente tem chamado minha atenção que sua igreja pratica a oração contemplativa, ou o misticismo católico, o que potencialmente poderia conduzir as pessoas a abraçar os perigosos ensinos da Contrarreforma de Ignácio de Loyola, San Juan de la Cruz, Santa Teresa de Ávila (místicos católicos) que ensinam (entre outras coisas) as ideias extra-bíblicas da perfeição cristã, visões e guia mística divina. Em minha opinião, algumas destas acomodações tendem a ser inconsistentes com o evangelho que de outra forma comunica tão poderosamente.

De modo que, uma palavra de precaução aos jovens cristãos que se emocionam demasiadamente com o seu material. Quase há um culto entre os ministros de a RUF e outros jovens que recentemente estão entrando na PCA. Isto poderia ser, potencialmente, algo pouco saudável. Somente quero que os leitores deem um passo à atrás por um segundo, e tomem em consideração estas coisas antes de sinceramente submergirem. Uma vez mais, seus livros sobre a idolatria, o matrimônio, a apologética, e especialmente seus livros sobre o evangelho, etc., são geralmente muito úteis, e essa é a razão pela qual os vendemos sem reservas. Amo seu Cristocentrismo, a sua ênfase na experiência e penso que comunica coisas de uma maneira muito útil, mas aponto com aguda exceção a sua evolução teísta, o seu ecumenismo e sua desequilibrada ênfase na justiça social. E jamais venderíamos, ou promoveríamos conscientemente nenhum recurso que promovesse especificamente estas ideias ou práticas errôneas.

Podemos estar em desacordo com um homem em muitas coisas e ainda assim pensar que as pessoas podem se beneficiar de seu ministério do evangelho. Sei que há um grupo de pessoas que preferiria que o retirássemos totalmente de nossa venda. Eu lhes agradeço por chamar a minha atenção para algumas destas coisas. Mas, depois de buscar conselho sobre isto da parte de outros pastores, sinto que uma advertência deste tipo é a melhor maneira de seguir adiante. Se estas advertências forem consideradas, então, creio que vocês serão abençoados pelo útil ministério do Dr. Tim Keller.

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John Hendryx
Monergism Books

Extraído DAQUI em 17/10/2013.
Tradução: Rev. Ewerton B. Tokashiki
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Razões para o envolvimento cristão nas questões de justiça social



Por Tim Keller


A razão bíblica para a eliminação da desigualdade social encontra-se na origem e destino potencial do homem, assim como no amor universal de Deus pelo mundo (Jo 3.16; Mt 5.43-48). As raízes da civilização ocidental acham-se profundamente arraigadas na revelação bíblica de que o homem descende de um único casal (pai e mãe) e foi criado à imagem de Deus.[1] A participação comum de toda a humanidade na imago dei significa que todos os homens são herdeiros dos direitos inalienáveis da dignidade e significado intencional. Concordar com Lincoln sobre o axioma de que todos os homens foram criados iguais, mas negar a participação na imago dei significa que, em análise final, não há razão para uma responsabilidade comum entre os homens.

Em vista de o humanismo socialista ter alcançado poder, embora negando a criação do homem à imagem divina, a dignidade e igualdade humanas transformaram-se em simples slogans, muito úteis com fins de propaganda. George Orwell satirizou as consequências do socialismo, rejeitando o fundamento da igualdade em seu livro Animal Farm,[2] Djilas e, mais recentemente, A. Solzhenitsyn, descreveram as consequências históricas da sociedade ideal carente de uma base na criação divina.[3]

A relevância de longo alcance da verdade sobre as origens humanas é resumida no mandamento bíblico de amar ao próximo como a si mesmo (Lv 19.18; Mt 22.39). Todavia, o fracasso dos homens em viver como irmãos, embora a criação os tenha feito para isso, é devido ao egoísmo inerente que o pecado tornou universal. A substituição de estruturas injustas por outras mais equitativas só pode, em análise final, ser coroada de fracasso, a não ser que uma transformação bem mais profunda seja operada nos homens que as estabelecem e controlam o seu poder. Por essa razão, os evangélicos devem sempre contender que a primeira responsabilidade da igreja é a proclamação do evangelho e depender da modificação espiritual subsequente operada pelo Espírito Santo, a fim de criar uma comunidade em que o não convertido possa ver um modelo do reino de Deus.

Os interesses da justiça social devem, portanto, ser sempre mantidos numa relação subordinada ao evangelismo, que é o meio utilizado por Deus para restaurar a imagem divina através da habitação interior de Cristo (Cl 3.10). Podemos afirmar com propriedade que o alvo da humanidade é a “perfeição comunitária”[4] daqueles que se tornaram um Corpo mediante a ação incorporadora do Espírito Santo (1Co 12.13). O Deus que deu aos pecadores o seu dom mais precioso, o Filho, não pode aprovar a indiferença à matéria em que um número incontável de pessoas arrasta sua torturada existência, aguardando sem esperança que o Reino lhes seja oferecido. Por essa razão, Jesus Cristo ordena a seus seguidores que vão ao mundo inteiro e façam discípulos de todas as nações, ensinando-os a obedecerem a todos os mandamentos que lhes deu (Mt 28.19,20). Enquanto os liberais socialistas classificam as desigualdades sociais como criminosos, um insulto ao homem e a Deus,[5] os evangélicos de modo incongruente parecem aceitar com grande tranquilidade o fato de grande parte desse mesmo mundo não ter ouvido ainda a mensagem da salvação. Por outro lado, onde o evangelho foi proclamado e aceito, nova alegria e esperança substituíram o desespero predominante.[6] Os traços da imagem de Deus começaram a surgir (cf. Rm 8.28s com 2Co 3.2,18).

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Notas:

[1] A teoria da evolução explica o crescimento do homem pela sobrevivência ocasional dos mais fortes e aptos. Torna-se absolutamente impossível argumentar a favor da justiça social humana, caso essa teoria seja aceita. O conceito do homem proposto por Marx, que negou qualquer essência no ser humano, foi cuidadosamente analisado por J. Andrew KIRK: “Se Marx tivesse feito uso de categorias bíblicas para se expressar, ele teria negado que o homem foi feito à imagem de um Deus pessoal e infinito [...]; o Homem pertence exclusivamente à matéria”, em “Significado do homem no debate entre o cristianismo e Marx”, Theological Fraternity Bulletin, 1974, n. 2. Segundo Marx, o homem é o agregado de seus relacionamentos sociais (ibid, p. 5), capaz de reflexão e autorrealização por meio do trabalho e fazendo a história. O homem é então verdadeiramente homem quando está transformando o mundo natural (ibid).  Reinhold Niebuhr interpretou o “mito” da criação do homem à imagem de Deus como o paradoxo fundamental da finitude e liberdade. V. Dennis P. McCANN, Christian Realism and Liberation Theology, Maryknoll: Orbis, 1981, p. 56.
[2] New York: Signet, 1954. [Edição em português: A revolução dos bichos, trad. Heitor Aquino Ferreira, São Paulo: Companhia das Letras, 2007]
[3] M. DJILAS, The New Class: An Analysis of the Communist System, New York: Praeger, 1957, 1976, p. 26. Este livro e lançamentos mais recentes, tais como os livros de A. Solzhenitsyn mostram que um sistema idealista não é incentivo suficiente para garantir a justiça na sociedade. Foi agora verificado historicamente que os líderes das sociedades comunistas têm cometido atrocidades inomináveis na ânsia de atingir o seu ideal superior. V. ainda, J. A. KIRK, “The Meaning of Man in the Debate Between Christianity and Marxism” Themelios 1.2, Spring 1976, p. 41-49; 1.3, Summer 1976, p. 85-93.
[4] Emil BRUNNER, Justice and the Social Order, New York: Harper, 1945, p. 45. Brunner salienta de modo positivo que a comunidade só pode existir quando há uma diferença. Sem diferença pode haver unidade, mas não comunidade, a qual pressupõe reciprocidade em dar e receber.
[5] V. Gustavo GUTIÉRREZ, A Theology of Liberation, Maryknoll: Orbis, 1973, p. 291ss. [Edição em português: Teologia da libertação, São Paulo: Loyola, 2000]
[6] A imprensa secular no Brasil relatou esse fenômeno com respeito aos pentecostais em editoriais nas revistas Manchete e Veja.

Por Tim Keller, trecho do 1º capítulo do livro “Justiça Generosa”, lançamento das Edições Vida nova.

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Tim Keller – Como o Evangelho muda a nossa apologética (Parte 2)

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Por Tim Keller


No meu último post, eu construí um argumento a fim de demonstrar por que nós ainda precisamos da apologética. Crer envolve tanto um aspecto da mente quanto um do coração, então, enquanto alguns não-cristãos precisarão de ajuda mais em um aspecto do que em outro, nós não podemos ignorar nenhum dos dois.

Então o que nós podemos dizer quando somos chamados a apresentar as razões pelas quais nós cremos?

Primeiro, eu tento mostrar que é necessário fé para duvidar do Cristianismo, pois qualquer cosmovisão (incluindo o secularismo e o ceticismo) é baseada em suposições. Por exemplo, o indivíduo que diz: “Eu só posso crer em algo que possa ser racional ou empiricamente provado” deve perceber que isso, por si só, é uma declaração de fé. Esse “princípio verificador” não pode ser de fato provado racional ou empiricamente, o que o torna uma afirmativa ou alegação, não um argumento. Além disso, há toda sorte de coisas que você não pode provar racional ou empiricamente. Você não pode me provar que você não é, na verdade, uma borboleta sonhando ser uma pessoa. (Você não assistiu a Matrix?) Você não pode provar a maior parte das coisas em que crê, então ao menos reconheça que você tem fé.

Eu normalmente construo esse ponto considerando uma objeção ao Cristianismo, para mostrar que no coração dela já algum tipo de suposição de fé. Tomemos o exemplo do sofrimento. Alguém dirá: “Eu não posso crer em Deus, pois como poderia um Deus bom permitir tanto sofrimento?”.

Posto de outra maneira, eles estão dizendo: “Eu sei com certeza que não pode haver qualquer boa razão para um Deus bom permitir que essa coisa específica acontecesse”. Sério? Poderia haver toda sorte de boas razões pelas quais Deus permitira acontecer algo que provocasse sofrimento, apesar da nossa inabilidade de entendê-las. Se você tem um Deus infinito grande o suficiente para irar-se com o sofrimento que há no mundo, então você também tem um Deus infinito grande o suficiente para ter razões para tanto que estão acima do seu entendimento. Você deve mostrar às pessoas que é necessário fé para duvidar do Cristianismo. Antes de sua conversão, o argumento de C.S. Lewis contra Deus era que o universo parecia cruel e injusto demais. Mas então ele perguntou a si mesmo: “Mas como eu poderia ter essa ideia do justo e do injusto? Com o que eu estava comparando este universo ao chamá-lo de injusto? [...] O ateísmo revela ser simplório demais” (Cristianismo Puro e Simples, Livro 2, Parte 1). No mundo natural, o forte alimenta-se do fraco, e não há nada de errado com a violência. De onde você extrai o padrão para dizer que o mundo humano não deve funcionar assim, que o mundo natural está errado? Você só pode julgar o sofrimento como algo ruim se estiver usando um padrão mais elevado do que este mundo, um padrão sobrenatural. Se não há Deus, você não tem qualquer razão para estar incomodado com o sofrimento deste mundo. Simplesmente é assim que ele é. É necessário fé para ficar irado com este mundo.

Você percebe, uma apologética moldada pelo evangelho começa não dizendo às pessoas em que crer, mas mostrando-lhes o seu real problema. Neste caso, nós estamos mostrando a indivíduos seculares que eles possuem menos garantias para as suas suposições de fé do que nós temos para as nossas. Nós precisamos mostrar que é preciso fé até mesmo para duvidar.

O crítico britânico A.N. Wilson, outrora ateu, escreveu acerca da perda de sua fé quando jovem, influenciado pela sociedade intelectual britânica, a qual aceitava quase unanimemente que apenas pessoas idiotas podiam de fato acreditar no Cristianismo. “Na realidade, porém,” ele argumenta, “é o ateísmo materialista que é não apenas um credo enfadonho, mas totalmente irracional. O ateísmo materialista afirma que nós somos apenas um conjunto de elementos químicos; ele não possui qualquer resposta à questão sobre como nós podemos ser capazes para o amor, o heroísmo ou a poesia, se nós somos apenas pedaços de carne ambulantes”.

Um evangelista de universidades que eu ouvi certa vez, durante os protestos contra a Guerra do Vietnã, pressionava os estudantes ateus a reconhecerem o conflito entre o seu relativismo moral em questões sexuais e o seu absolutismo moral no tocante ao genocídio internacional. Eles não tinham respostas. Se não há Deus, tudo é permitido. Sem Deus, nós somos deixados sem um fundamento para tudo o que é mais importante em nossa vida: a dignidade humana, a compaixão, a justiça. Isso é um problema.

O que nos leva ao último ponto, a solução para o nosso problema. Em algum momento, você precisa contar a história cristã de um modo que aborde as coisas que as pessoas mais desejam para a sua própria vida, as coisas que elas estão tentando encontrar fora do Cristianismo, e mostrar como o Cristianismo pode lhes dar essas coisas. Alasdair MacIntyre disse isto acerca da apologética narrativa: “Prevalecerá sobre seus rivais a narrativa que for capaz de englobar em si os seus rivais, não apenas para recontar as histórias deles como episódios dentro de sua própria história, mas para contar a história do ato de contar as histórias deles como tais episódios”. Leia essa frase de novo.

Há um modo de contar o evangelho que faz as pessoas dizerem: “Eu não creio que seja verdade, mas eu gostaria que fosse”. Você precisa mostrar a beleza dele, e então retornar às razões para ele. Somente então, quando você mostrar-lhes que é necessário mais fé para duvidar do que para crer nele; quando as coisas que você observa no mundo são melhor explicadas pelo relato cristão das coisas do que pelo relato secular; e quando elas experimentam uma comunidade na qual elas efetivamente vêem o Cristianismo encarnado em vidas cristãs saudáveis e em uma comunidade cristã sólida, muitas pessoas irão crer.

Por Tim Keller. © 2012, Redeemer City to City. Website: www.redeemercitytocity.com. Original: How the Gospel Changes our Apologetics, Part 1
Tradução: VoltemosAoEvangelho.com

Fonte: Voltemos ao Evangelho
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A religião é a raiz de todos os males?

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Por Tim Keller

"Os regimes comunistas da Rússia, da China e da Camboja no século XX rejeitaram toda e qualquer religião e crença em Deus... Essas sociedades eram racionais e laicas, mas todas produziram uma violência maciça contra a população mesmo sem influência da religião. Por que?... quando desaparece a noção de Deus, a sociedade 'transcendentaliza' outra coisa, outro conceito, a fim de parecer moral e espiritualmente superior. Os marxistas transformaram o Estado em um ente absoluto, enquanto os nazistas fizeram o mesmo com a raça e o sangue. Mesmo os ideais de liberdade e igualdade podem ser usados dessa forma para justificar a violência contra os oponentes...

As sociedades que se despojaram de todo tipo de religião foram tão opressoras quanto as que se embeberam dela. Só nos resta concluir que existe um impulso violento tão profundamente enraizado no coração humano que ele se expressa independentemente das crenças presentes em qualquer sociedade, seja ela socialista ou capitalista, religiosa ou laica, individualista ou hierárquica. No final das contas, a existência de violência e espírito belicoso em uma sociedade não refuta, obrigatoriamente, as crenças prevalentes em tal sociedade."


- Tim Keller em A Fé na Era do Ceticismo, respondendo a acusação de que "a religião é a raiz de todos os males".

Fonte: Sandro Baggio, via Facebook
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Tim Keller – Como o Evangelho muda a nossa apologética (Parte 1)

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Por Tim Keller


A apologética é uma resposta à pergunta “Por quê?”, depois que você já deu às pessoas uma resposta à pergunta “O quê?”. A pergunta o que, obviamente, é “O que é o evangelho?”. Mas, quando você chama as pessoas a crerem no evangelho e elas perguntam “Por que eu deveria crer nele?”, então você precisa da apologética.

Eu tenho ouvido muitos cristãos tentarem responder à pergunta por que voltando para o que. “Você deve crer porque Jesus é o Filho de Deus”. Mas isso é responder ao porquê com mais do quê. Cada vez mais nós vivemos em um tempo no qual você não pode evitar a pergunta por que. Apenas fornecer o quê (por exemplo, uma apresentação vívida do evangelho) funcionava nos dias em que as instituições culturais criavam uma atmosfera na qual o Cristianismo comumente era reconhecido como verdadeiro ou, pelo menos, honroso. Porém, em uma sociedade pós-Cristandade, no mercado de ideias você precisa explicar por que é verdadeiro, ou as pessoas irão simplesmente deixá-lo de lado.

Apesar disso, há muitos cristãos atualmente que dizem: “Não faça apologética, simplesmente exponha a Palavra de Deus – pregue, e o poder da Palavra irá impactar as pessoas”. Outros argumentam que “pertencer vem antes de crer”. Eles dizem que a apologética é uma abordagem racional, iluminista, e não uma abordagem bíblica. As pessoas devem ser trazidas para dentro de uma comunidade onde elas podem ver o nosso amor e as nossas obras, experimentar o culto, ter as suas imaginações capturadas, e a fé se tornará confiável para elas.

Há um certo mérito nesses argumentos. Seria de fato excessivamente racionalista afirmar que nós podemos provar o Cristianismo de tal maneira que qualquer pessoa racional teria de crer nele. Na verdade, tal afirmação desonra a soberania de Deus ao reverenciar a nossa razão humana autônoma. A comunidade e o culto são importantes, porque as pessoas chegam à convicção através de uma combinação de coração e mente, um senso de necessidade, refletindo intelectualmente e observando a comunidade.  Todavia, eu também já vi muitos céticos serem trazidos a uma calorosa comunidade cristã e, ainda assim, questionarem: “Por que eu deveria crer em você e não em um ateu ou muçulmano?”. Nós precisamos ser cautelosos antes de dizer “Simplesmente creia”, porque o que nós estamos de fato afirmando é: “Creia porque eu estou dizendo”. Isso soa como um jogo de poder nietzchiano. É muito diferente de Paulo, que arrazoava, argumentava e provava no livro de Atos, e de Pedro, que nos chamou a dar razão da nossa esperança em 2Pedro 3.15. Se a nossa resposta é: “Nossas crenças podem parecer totalmente irracionais para você, mas, se você ver o quanto nós amamos uns aos outros, você desejará crer também”, então nós iremos soar como uma seita. Então nós de fato precisamos fazer apologética e responder à pergunta por quê.

Contudo, o problema com uma apologética exclusivamente racionalista (“Eu vou provar a você que Deus existe, que Jesus é o Filho de Deus, que a Bíblia é verdadeira etc.”) é que isso, em um sentido, põe Deus no banco dos réus para ser julgado por pessoas supostamente neutras, perfeitamente racionais, objetivamente sentadas no trono da Razão. Isso não se encaixa com o que a Bíblia diz acerca da realidade do pecado e do pensamento sempre prejudicado e distorcido produzido pela incredulidade. Por outro lado, uma apologética exclusivamente subjetivista (“Convide Jesus para entrar na sua vida e Ele irá resolver todos os seus problemas, mas eu não posso dar-lhe quaisquer boas razões, simplesmente creia com seu coração”) também falha em produzir convicção verdadeira do pecado e da necessidade.

Não haverá qualquer alegria na Graça de Jesus, a menos que as pessoas vejam que estão perdidas. Assim, uma apologética moldada segundo o evangelho deve não apenas apresentar o Cristianismo, mas também deve desafiar a cosmovisão dos incrédulos e mostrar onde ela (e eles) têm um problema real. Isso é o que eu geralmente tento fazer, e no próximo post eu mostrarei o que eu diria se tivesse uma hora para fazer uma defesa completa do Cristianismo.

Por Tim Keller. © 2012, Redeemer City to City. Website: www.redeemercitytocity.com. Original: How the Gospel Changes our Apologetics, Part 1
Tradução: VoltemosAoEvangelho.com.

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Os 2 caminhos terríveis pra quem namora/casa com um não cristão

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Por 
Tim Keller

"A Bíblia sempre pressupõe que cristãos devem se casar com outros cristãos. Em 1 Coríntios 7.39, por exemplo, Paulo diz: "A mulher está ligada ao seu marido enquanto ele viver. Mas, se o seu marido morrer, ela estará livre para se casar com quem quiser, contanto que ele pertença ao Senhor" (NVI). Outras passagens são usadas para corroborar esse princípio, e com razão. Em 2 Coríntios 6.14-15, lemos: "Não vos coloqueis em jugo desigual com os incrédulos; pois que sociedade tem a justiça com a injustiça? Que comunhão há entre luz e trevas? Que harmonia existe entre Cristo e Belial? Que parceria tem o crente com o incrédulo?" As muitas proibições no A.T. de que judeus se casassem com não judeus podem parecer, à primeira vista, exigir que a pessoa se case com alguém da mesma etnia, mas passagens como Números 12, em que Moisés se casa com uma mulher de outra etnia, indicam que a preocupação de Deus não era o casamento inter-racial, mas o casamento com alguém de outra fé. 

Muita gente considera que desestimular os cristãos a se casar com alguém que não compartilha da mesma fé é algo preconceituoso e bitolado, mas há fortes razões para essa regra bíblica. Se seu parceiro não compartilha de sua fé cristã, ele não entende da mesma forma que você, que tem uma experiência interior dessa fé. E se Jesus ocupa uma posição central em sua vida, isso significa que seu parceiro não entende você de fato. Não entende sua motivação principal, a base para tudo que você faz... Sabe-se que ninguém é capaz de conhecer seu parceiro perfeitamente antes de se casar. Mas, quando duas pessoas que têm em comum a fé em Cristo se casam, cada uma sabe algo importante à respeito das motivações fundamentais da outra pessoa e de como a outra encara a vida. Se, contudo, você se casa com alguém que não compartilha de suas convicções mais profundas e importantes, com frequência você tomará decisões que fugirão inteiramente à compreensão de seu cônjuge. Essa área de sua vida que, aliás, é a mais importante, será sempre obscura e misteriosa para seu cônjuge.

A essência da intimidade no casamento é que você finalmente tenha alguém que, com o tempo, virá a conhecê-lo e aceitá-lo como você é. Seu cônjuge deve ser alguém de quem você não precise se esconder, ou que você não precise "enrolar"; deve ser alguém que o entenda. Se, contudo, a pessoa não for cristã, não conseguirá compreender a essência de seu coração. 

Se você se casar com alguém que não compartilha de sua fé, há dois caminhos a seguir. No primeiro, você terá de se tornar cada vez mais transparente. Na vida cristã normal e saudável, você relaciona Cristo e o evangelho a todas as coisas. Você pensa em Cristo quando assiste a um filme. Você baseia suas decisões em princípios cristãos. Medita sobre aquilo que leu na Bíblia naquele dia. Se, contudo, você for natural e transparente sobre todos esses pensamentos, para seu cônjuge isso será entediante, irritante ou mesmo ofensivo. Ele dirá: "Não fazia ideia de que você era tão fanático(a)". E você terá de esconder isso tudo. 

No segundo caminho, a pior possibilidade, você removerá Cristo da posição central em seu consciente. Terá de deixar o fervor de seu coração por Cristo esfriar. Também terá de deixar intencionalmente de pensar na relação que há entre seu compromisso cristão e cada uma das áreas de sua vida. Rebaixará Cristo em sua mente e coração, pois, se continuar a mantê-Lo no centro, se sentirá isolado de seu cônjuge. 

Esse dois resultados possíveis são, obviamente, terríveis. Por isso, você não deve se casar com alguém que você sabe que não compartilha de sua fé cristã."

Fonte: KELLER, T.; KELLER, K. O significado do casamento. São Paulo: Vida Nova, p. 254-256, 2012.
Via: UMPCGYN
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