Os “sonhos” de Deus jamais vão morrer

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É comum ouvirmos que o Senhor está comprometido em “restaurar” nossos sonhos e, ao mesmo tempo, que “os sonhos de Deus jamais vão morrer”. Dedicarei este post para ponderar sobre esse assunto. Inicio fornecendo alguns significados do vocábulo “sonho”, a relação entre sonho e revelação e a evidência bíblica de que somente os seres humanos sonham. Em 2012 eu já avaliei o uso da palavra “sonho” no cântico Arde Outra Vez, de Thalles Roberto.

Algumas acepções da palavra “sonho”

Como podemos entender o vocábulo “sonho”? Sem entrar na abordagem psicanalítica, simplesmente consultando um dicionário, lemos que sonho é “um conjunto de imagens, de pensamentos ou de fantasias que se apresentam à mente durante o sono”.[1] Esta acepção apresenta o sonho como experiência ocorrida enquanto dormimos, algo meramente fisiológico e neutro.

Um segundo modo de entender define sonho como uma “sequência de ideias soltas ou incoerentes às quais o espírito se entrega, devaneio, fantasia […]; plano ou desejo absurdo, sem fundamento”.[2] Aqui o sonho é um fluxo de impulsos desconexos e nem sempre edificantes. Um “sonhador”, por esta ótica, é um tolo, alguém que não segue um caminho responsável e racional. É sobre esse tipo de sonho que se pronuncia o sábio em Eclesiastes 5.3 e 7.

O sonho pode ser entendido ainda como um “desejo vivo, intenso e constante, anseio”.[3] Não se trata aqui de algo sem fundamento, mas de uma expectativa até legítima, um objetivo que almejamos alcançar e que é precedido, via de regra, por um plantio: “Estudo porque meu sonho é tornar-me um profissional qualificado”, ou “estou guardando dinheiro para realizar o sonho de adquirir um imóvel”.

Sonho e revelação

Na Escritura, com exceção do exemplo citado acima, extraído de Eclesiastes, o sonho, juntamente com a visão, é normalmente um meio de divina revelação: “Então, disse: Ouvi, agora, as minhas palavras; se entre vós há profeta, eu, o Senhor, em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos” (Números 12.6 — grifo nosso). Esse padrão se repete no restante do AT, que se encerra com a empolgante promessa proferida por Joel. O Espírito seria derramado de tal forma sobre o povo que os “filhos” e “filhas” profetizariam, os “velhos” sonhariam e os “jovens” teriam “visões” (Jl 2.28-29). O que se diz nesta profecia é simples: Nos últimos dias Deus concederia a plenitude de revelação sobre a vida e obra de Jesus — o Senhor daria a seu povo a revelação do NT (At 2.16-20; Hb 1.1-2).

Somente os seres humanos sonham

Sempre que sonhos são mencionados na Escritura, estão relacionados a uma atividade humana. Mesmo que, no caso de revelação, Deus seja o agente que revela mediante o sonho, o ser humano é quem sonha — sempre. Não há uma ocasião sequer em que Deus seja descrito sonhando. Se do ponto de vista fisiológico o sonho é uma atividade que ocorre enquanto dormimos, Deus não dorme (Sl 121.4). Se do ponto de vista psicológico o sonho é um anseio da alma, Deus tem “pensamentos”, “vontade” e um “propósito” para conosco (Jr 29.11; Sl 40.8; Rm 8.28). No entanto, a Bíblia evita com cuidado o uso de qualquer palavra que possa ser interpretada como “sonho” da parte de Deus. O uso de uma linguagem bíblica exige que abandonemos o uso da palavra sonho referindo-se a Deus e passemos a utilizar os termos bíblicos pertinentes — “plano”, “propósito” ou “vontade”. O Senhor não trabalha com possibilidades e sim com o cumprimento de seu decreto soberano (Is 46.9-11).

A redenção e os nossos sonhos

Depois de conhecer alguns significados do vocábulo “sonho”, a relação entre sonho e revelação e a evidência bíblica de que somente os seres humanos sonham, temos de pensar sobre a implicação da redenção para os nossos sonhos.

A obra de Jesus consiste em restaurar nossos sonhos? Essa é uma questão pertinente porque temos ouvido exatamente isso. Uma música evangélica muito tocada convoca-nos à confiança em Deus afirmando:

       Não desista, não pare de lutar, não pare de adorar;
       Levanta teus olhos e vê,
       Deus está restaurando teus sonhos e a tua visão.[4]


Eis o vídeo:



O que isso significa?

O ponto é: Não sabemos ao certo. Faça o teste; converse com dez pessoas sobre esta estrofe e prepare-se para receber uma dezena de respostas que, ainda que diferentes, revelam a absorção de uma interessante mensagem, algo como “não estou derrotado; Deus acredita em mim”, ou “posso levantar a cabeça e tocar em frente”, ou ainda “a coisa está feia, mas, vai melhorar!” e coisas semelhantes. O apresentador Faustão (no vídeo lincado nas notas) entendeu que se trata de uma mensagem sobre fraternidade entre as diferentes religiões e pessoas! O fato é que, sem um construto doutrinário sólido, afirma-se uma palavra de autoajuda, uma bênção psicológica de autoafirmação.

Entenda-se isso não como crítica maldosa, mas como convite a uma avaliação teológica respeitosa da música em questão. Eu mesmo, dado à melancolia, já me peguei chorando ouvindo esta canção; ela é indubitavelmente boa para elevar nosso ânimo e nos empurrar para o enfrentamento de desafios.

Observe-se que são unidos “sonho” e “visão”, dois vocábulos da profecia de Joel 2.28-29. O problema é que, como expliquei anteriormente, o sentido da profecia de Joel não é “Deus vai restaurar seus sonhos e visão” e sim “cumpriu-se a antiga promessa; chegou a hora de Deus descortinar plenamente o evangelho, a totalidade da revelação do NT”.

O propósito de Deus e os nossos sonhos

E o que diz o evangelho aos nossos sonhos?

Primeiro, o evangelho mata os sonhos como “sequência de ideias soltas ou incoerentes às quais o espírito se entrega, devaneio, fantasia […]; plano ou desejo absurdo, sem fundamento”.[5] A obra de Cristo produz a derrocada de nossas inconsistências psicológicas, existenciais, morais e volitivas. O processo que o Espírito Santo usa para produzir isso é denominado santidade prática. Um exemplo bíblico disso é encontrado no pedido de Tiago e João, registrado em Marcos 10.35-40. Ambos queriam desfrutar da honra de assentar-se à direita e esquerda do Redentor, por ocasião da manifestação definitiva de seu reino (reconheçamos que era um belo sonho!). Jesus afirmou-lhes que não era possível prometer-lhes isso e terminou por confirmá-los na comunhão de seu sofrimento. Deus nos ajuda a compreender o quão tolas e até mesmo perigosas são nossas fantasias e coloca-nos sob o seu governo, destruindo tudo aquilo que é danoso ao nosso bem-estar espiritual. Nesses termos, Deus não restaura nossos sonhos e sim os extingue.

Segundo, quanto aos sonhos como “desejo vivo, intenso e constante, anseio”, Deus os alinha ao seu propósito. Isso implica em profunda transformação. Certamente Pedro, como pescador, tinha suas aspirações. É possível que Paulo tivesse sonhos relacionados à sua carreira no judaísmo como fariseu respeitável e, pensando na história da igreja, lemos sobre um jovem, João Calvino, que viajava com destino a Estrasburgo, tencionando dedicar-se aos estudos e que foi forçado pela Providência a comprometer-se com o serviço divino em Genebra, até o fim de seus dias. E esses são apenas poucos exemplos. Uma olhada ainda que rápida na galeria dos crentes listados em Hebreus 11 ou nos anais da história evangélica revela um dado comum: Deus não “restaurou” os sonhos daqueles homens, mas alinhou-os ao seu querer.

Sendo assim, o que o evangelho faz? Sem dúvida, com base nas promessas de Deus, podemos dizer que o Senhor nos anima, nos levanta do pó, nos motiva a prosseguir com uma vida produtiva na qual constem projetos e boas realizações (Sl 113.7; cf. Sl 1.3, 37.3-6). Entendamos, porém, que o evangelho diz a cada um de nossos sonhos: Submeta-se a Deus ou morra, ou, nas palavras de Jesus, “[…] se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me. Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha causa, esse a salvará” (Lc 9.23-24; cf. Pv 16.1).

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Notas:
[1] HOUAISS, Antônio; VILLAR, Mauro de Sales. (Ed.). Sonho. In: Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa. Versão 1.0. Editora Objetiva Ltda., 2009. CD-ROM).
[2] HOUAISS, op. cit., loc. cit.
[3] Ibid., loc. cit.
[4] FERBER, Ludmila. Recebe a Cura. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=aUeOLYonanY>. Acesso em: 21 mai. 2015. Grifo nosso.
[5] HOUAISS, op. cit., loc. cit.

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Autor: Rev. Misael nascimento
Fonte: Somente pela graça
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Projeto Sola - musicalidade reformada de qualidade

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OS 5 SOLAS


O que são os cinco solas? O que eles representam? Por que colocamos o nome do nosso trabalho de "Sola"? É realmente necessário falar sobre isso nos dias atuais ou estamos tratando apenas de uma maneira cool de voltar às origens da reforma através de uma linguagem retrô ou um modismo hipster?

Os cinco solas foi o meio que a igreja reformada encontrou para determinar suas bases. Com o estabelecimento dos cinco solas a reforma rompeu com a hierarquia católica romana, com as heresias daquela época, e fez um vibrante e robusto caminho de volta à ortodoxia bíblica. São cinco estacas bem firmadas da fé cristã, baseadas na história de Deus revelada a nós, que servem de farol até hoje para a Igreja Cristã como um todo. Sola, em latim, significa somente, apenas. Os solas são:

        • Sola fide – Somente a fé
        • Sola scriptura – Somente a escritura
        • Solus Christus – Somente Cristo
        • Sola gratia – Somente a graça
        • Soli Deo gloria – Somente a Deus a glória

Somente a Deus toda a glória, que nos traz a redenção pela da graça mediante a fé. Fé esta somente em Cristo Jesus, a expressão exata de Deus, Verbo Vivo feito em carne, revelado somente na Escritura que o próprio Deus nos deixou. Pelo Espírito podemos entender tudo isso, e como Filhos do Pai, somos incluídos em seu Reino de amor, que é hoje e para sempre.

O Projeto Sola procura se firmar nessa fé ortodoxa, cada vez mais antiga e ainda assim nova a cada manhã. Procuramos uma fé bíblica no Filho do Amor. Sabemos que Ele é infinitamente maior que nós, o Deus poderoso, capaz de nos livrar de nós mesmos para uma nova vida plena de alegria nEle. Cremos que Ele e tão somente Ele, nos trouxe a redenção, e assim temos a esperança viva, e em vida. Cremos nEle, estamos firmados nEle, e em Sua graça podemos sempre descansar. 

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Autor: Guilherme Iamarino
Revisão: Lucas Freitas
Divulgação: Bereianos

Músicas que glorificam a Deus, são fieis às Escrituras e edificam a Igreja, nós recomendamos! O Projeto Sola é o encontro de dois Guilhermes (Guilherme Andrade e Guilherme Iamarino).

Veja abaixo o clipe da música Redenção:


Outra música, por sinal lindíssima, é Isaias 53:


Você pode baixar na íntegra e gratuitamente o EP Sola - Vol. 1, aqui!

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Carta Aberta aos Grupos de Louvor

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Querido Grupo de Louvor,

Eu aprecio muito a sua disponibilidade e desejo de oferecer seus dons a Deus em adoração. Aprecio sua devoção e celebro sua fidelidade — arrastando-se para a igreja cedo, domingo após domingo, separando tempo para ensaiar durante a semana, aprendendo e escrevendo novas canções, e tantas coisas mais. Assim como aqueles artistas e artesãos que Deus usou para criar o tabernáculo (Êxodo 36), vocês são dispostos a dispor seus dons artísticos a serviço do Deus Triuno.

Portanto, por favor, recebam esta pequena carta no espírito que ela carrega: como um encorajamento a refletir sobre a prática de “conduzir a adoração”. A mim parece que vocês frequentemente simplesmente optaram por uma prática sem serem encorajados a refletir em sua lógica, sua “razão de ser”. Em outras palavras, a mim parece que vocês são frequentemente recrutados a “conduzir a adoração” sem muita oportunidade de parar e refletir na natureza da “adoração” e o que significaria “conduzir”.

Especificamente, minha preocupação é que nós, a igreja, tenhamos involuntariamente encorajado vocês a simplesmente importar práticas musicais para a adoração cristã que — ainda que elas possam ser apropriadas em outro lugar — sejam prejudiciais à adoração congregacional. Mais enfaticamente, usando a linguagem que eu empreguei primeiramente em Desiring the Kingdom¹, às vezes me preocupo de que tenhamos involuntariamente encorajado vocês a importar certas formas de execução que são, efetivamente, “liturgias seculares” e não apenas “métodos” neutros. Sem perceber, as práticas dominantes de execução nos treinam a relacionar com a música (e os músicos) de certa maneira: como algo para o nosso prazer, como entretenimento, como uma experiência predominantemente passiva. A função e o objetivo da música nestas “liturgias seculares” é bem diferente da função e o objetivo da música na adoração cristã.

Então deixe-me oferecer apenas alguns breves conceitos com a esperança de encorajar uma nova reflexão na prática da “condução da adoração”:

1. Se nós, a congregação, não conseguimos ouvir a nós mesmos, não é adoração. A adoração cristã não é um concerto. Em um concerto (uma particular “forma de execução”), nós frequentemente esperamos ser sobrepujados pelo som, particularmente em certos estilos de música. Em um concerto, nós acabamos esperando aquele estranho tipo de privação dos sentidos que acontece com a sobrecarga sensorial, quando o golpe do grave em nosso peito e o fluir da música sobre a multidão nos deixa com a sensação de uma certa vertigem auditiva. E não há nada de errado com concertos! Só que a adoração cristã não é um concerto. A adoração cristã é uma prática coletiva, pública e congregacional — e o som e a harmonia reunidos de uma congregação cantando em uníssono é essencial à prática da adoração. É uma maneira “desempenhar” a realidade de que, em Cristo, nós somos um corpo. Mas isso requer que nós na verdade sejamos capazes de ouvir a nós mesmos, e ouvir nossas irmãs e irmãos cantando ao nosso lado. Quando o som ampliado do grupo de louvor sobrepuja às vozes congregacionais, não podemos ouvir a nós mesmos cantando — então perdemos aquele aspecto de comunhão da congregação e somos encorajados a efetivamente nos tornarmos adoradores “privados” e passivos.

2. Se nós, a congregação, não podemos cantar juntos, não é adoração. Em outras formas de execução musical, os músicos e as bandas irão querer improvisar e “serem criativos”, oferecendo novas execuções e exibindo sua virtuosidade com todo tipo de diferentes trills e pausas e improvisações na melodia recebida. Novamente, isso pode ser um aspecto prazeroso de um concerto, mas na adoração cristã isso significa apenas que nós, a congregação, não conseguimos cantar junto. Então sua virtuosidade desperta nossa passividade; sua criatividade simplesmente encoraja nosso silêncio. E enquanto vocês possam estar adorando com sua criatividade, a mesma criatividade na verdade desliga a canção congregacional.

3. Se vocês, o grupo de louvor, são o centro da atenção, não é adoração. Eu sei que geralmente não é sua culpa que os tenhamos colocado na frente da igreja. E eu sei que vocês querem modelar a adoração para que nós imitemos. Mas por termos encorajado vocês a basicamente importar formas de execução do local do concerto para o santuário, podemos não perceber que também involuntariamente encorajamos a sensação de que vocês são o centro das atenções. E quando sua performance se torna uma exibição de sua virtuosidade — mesmo com as melhores das intenções — é difícil opor-se à tentação de fazer do grupo de louvor o foco de nossa atenção. Quando o grupo de louvor executa longos riffs, ainda que sua intenção seja “ofertá-los a Deus”, nós na congregação nos tornamos completamente passivos, e por termos adotado o hábito de relacionar a música com os Grammys e o local de concerto, nós involuntariamente fazemos de vocês o centro das atenções. Me pergunto se há alguma ligação intencional na localização (ao lado? conduzir de trás?) e na execução que possa nos ajudar a opor-nos contra estes hábitos que trazemos conosco para a adoração.

Por favor, considerem estes pontos com atenção e reconheçam o que eu não estou dizendo. Este não é apenas algum apelo pela adoração “tradicional” e uma crítica à adoração “contemporânea”. Não pense que isto é uma defesa aos órgãos de tubos e uma crítica às guitarras e baterias (ou banjos e bandolins). Minha preocupação não é com o estilo, mas com a forma: O que estamos tentando fazer quando “conduzimos a adoração?” Se temos a intenção que a adoração seja uma prática congregacional de comunhão que nos traz a um encontro dialógico com o Deus vivo — em que a adoração não seja meramente expressiva, mas também formativa² — então podemos fazer isso com violoncelos, guitarras, órgãos de tubos ou tambores africanos.

Muito, muito mais poderia ser dito. Mas deixe-me parar por aqui, e por favor receba esta carta como o encorajamento que ela foi feita para ser. Eu adoraria vê-los continuar a oferecer seus dons artísticos ao Deus Triuno que está nos ensinando uma nova canção.

Sinceramente,

Jamie

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Notas:
¹Desiring the Kingdom – Worship, Worldview, and Cultural Formation (Desejando o Reino – Adoração, Cosmovisão e Formação Cultural) [N. do T.]
² De acordo com o The Colossian Forum, a despeito de a adoração ser encarada hoje em dia apenas como algo que se vai em direção a Deus (expressão), ao longo da história ela sempre foi encarada também como a causadora de algo em nós (formação). “A adoração cristã é também uma prática formativa justamente porque a adoração também é um encontro ‘descendente’ no qual Deus é o atuante primário” (Fonte: http://www.colossianforum.org/2011/11/09/glossary-worship-expression-and-formation/). [N. do T.]

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Autor: James K.A. Smith
Fonte: Fors Clavigera
Tradução: Equipe Cante as Escrituras
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A gnose no contexto eclesiástico brasileiro

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Estou certo de que muito já se comentou e analisou acerca da relação quase simbiótica entre o movimento pentecostal e sua cria teratológica denominada “neopentecostalismo”. Com efeito, há textos excelentes que versam magistralmente sobre essa temática, por exemplo, “O gnosticismo e os pentecostais”, de Michael Horton, e “O pentecostalismo e seus danos à Igreja”, do Pr. Marcos Granconato, de modo que quase se torna desnecessária nossa presente tarefa de radiografar a presença viral do gnosticismo no contexto eclesiástico brasileiro.

A busca cada vez mais ávida por experiências extáticas, transes, teofanias, arcanos e mistérios tornou-se efetivamente a chave hermenêutica para se compreender a caoticidade de alguns segmentos carismáticos – e, de fato, seríamos intelectualmente desonestos caso não afirmássemos que não poucas linhas dentro do pentecostalismo têm realizado um importante trabalho evangelístico, acompanhado de uma capacitação ministerial mais profunda e de uma liturgia mais ordenada. Todavia, o que ainda infelizmente impera é a exacerbação mística, a catarse emocional e a tentativa de ressignificar a “liberdade do Espírito” (Gl 5:1), transformando-a em desordem carnal. Conforme já disse John McArthur, em seu livro Caos carismático, é possível, por vezes, atribuir a certos grupos pentecostais a alcunha de “neo-montanistas” – gnósticos que dualizam os cristãos em duas categorias, espirituais (pneumáticos) e carnais (sárquicos), conforme era costume entre os coríntios, e que reivindicam uma suposta superioridade espiritual mediante um conhecimento (gnosis) exclusivo (na maioria das vezes o domínio da “língua dos anjos”).

No entanto, a gnose não é simplesmente uma heresia deslocada, facilmente erradicável e diagnosticável. Pelo contrário, já nos dizia Charles Hodge que a história da igreja é a constante luta entre a gnose e o que podemos chamar anacronicamente de “calvinismo”, ou dito de outro modo, o eterno embate entre a autonomia e autosoteria humana e heteronomia e heterosoteria provenientes de Deus. Desse modo, a gnose sempre ressurgiu ao longo da igreja, sempre reerguendo-se após ter sido mortalmente ferida; basta, pois, contemplar panoramicamente a história para se deparar com os já citados montanistas, os cátaros ou albigenses, a Cabala no século XII em Provença, e, mais hodiernamente, as modernas ideologias, especialmente o marxismo. Ora, a afirmação de que modernas ideologias e cosmovisões seculares que deliberadamente buscaram esvair os princípios religiosos são, na verdade, movimentos gnósticos chocam, num primeiro momento, a sensibilidade e a racionalidade do homem atual. Entretanto, como já vários cientistas políticos analisaram, as ideologias, em especial os movimentos revolucionários, nada mais são do que heresias gnósticas com um fundo religioso mascarado.

Eric Voegelin dedicou grande parte de sua obra à análise dos elementos ordenadores da História e da sociedade, chegando, por fim, à conclusão de que a “ordem da história (nome inclusive de sua magnífica pentalogia) é a história da ordem”, isto é, a tentativa do homem de alcançar a harmonia entre quatro princípios: Deus, cosmos, homem e civilização. Nesse sentido, Voegelin afirma que a escatologia proposta pelos movimentos revolucionários nada mais é do que uma “imanentização do eschaton”, ou seja, uma tentativa de “terrestralizar” a consumação final cristã, uma busca por criar, aqui e agora, os novos céus e nova terra. Portanto, os movimentos revolucionários são apenas a versão atual da antiga torre de Babel, como já disse Dietrich von Hildebrand em sua obra The New Tower of Babel: modern man’s flight from God [A Nova Torre de Babel: o homem moderno fugindo de Deus]:

O emblema da presente crise é justamente a tentativa por parte do homem de se libertar de sua condição de criatura, de negar sua situação metafísica e de se desembaraçar de todos os laços que o ligam a algo que é maior do que ele. Ora, o homem moderno busca construir uma nova Torre de Babel [Tradução nossa]  

As ideologias revolucionárias negam, portanto, toda forma de transcendência, mutilando, assim, a natureza espiritual do homem. Entretanto, como já disse Herman Dooyweerd – seguindo o pensamento de Calvino, o homem é um ser congenitamente religioso; a Queda não eliminou o sensus divinitatis (o senso da divindade) e a semen religionis (a semente da religião), antes, a obscureceu, corrompendo-a a ponto de transformá-la num impulso idolátrico. Desse modo, as modernas ideologias não são antirreligiosas (embora a maioria seja anticristã), mas, sim, religiões distorcidas, idólatras e que, acima de tudo, depravam a Revelação.


Destarte, todas as ideologias invariavelmente usurpam símbolos transcendentais e escatológicos cristãos para, em seguida, imanentizá-los. Ora, a escatologia marxista, sob o governo de um proletariado abstrato, na qual todas as desigualdades econômicas e sociais desaparecerão – ao mesmo tempo em que todas as potencialidades humanas aflorarão plenamente (nos dizeres de Marx e Engels, um indivíduo pode caçar pela manhã, pescar pela tarde e fazer crítica literária à noite, sem no entanto ser pescador, caçador ou crítico); tal escatologia configura-se como uma versão imanentizada da nova terra. Ou podemos citar ainda a ideia sustentada por alguns vegetarianos radicais, segundo a qual a raça humana eventualmente deixará de consumir carne, adotando uma dieta essencialmente herbívora; tal concepção nada mais é do que uma secularização, um esvaziamento simbólico da descrição feita por Isaías a respeito do novo estado inaugurado pelo Messias: “O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará” (Is 11:6).

Portanto, não há neutralidade neste ponto: é impossível ao homem escapar de sua condição inerentemente religiosa; as ideologias se sustentam sobre um fundo inegavelmente religioso; e tal constatação parte inclusive de ateus confessos, como John Gray – em seu livro Missa Negra: Religião Apocalíptica e o Fim das Utopias. Assim, a gnose é um elemento muito mais sutil do que primeiramente pode se pensar, até porque não se trata de um ponto isolado na mentalidade secular, mas, sim, uma cosmovisão integral, um modo de contemplar e interpretar a realidade. Nas palavras de David Koyzis, em seu livro Visões e ilusões políticas: uma análise & crítica cristã das ideologias contemporâneas: “[...] as diversas ideologias se baseiam numa visão gnóstica da realidade, atribuindo a origem do mal a algum elemento da criação de Deus e buscando a redenção num outro aspecto da criação” (p. 82).

Em suma, a gnose é uma espécie de inversão da ordem da criação, é a rejeição absoluta da estrutura da realidade tal como criada por Deus. Semelhantemente ao grito de Mefistófeles, no Fausto de Goethe, o gnóstico cria para si mesmo uma espécie de realidade postiça, com uma estrutura engendrada segundo suas próprias preferências, e não segundo as leis eternas de Deus:


       O Gênio sou que sempre nega!
       E com razão; tudo o que vem a ser
       É digno só de perecer;
       Seria, pois, melhor, nada vir a ser mais.
       Por isso, tudo a que chamais
       De destruição, pecado, o mal,
       Meu elemento é integral (GOETHE, Fausto, 2010, p.139, Editora 34).


Porém, alguém pode presentemente indagar-se acerca da relação entre ideologia, pentecostalismo e gnose, bem como a razão desse périplo acima nas várias teorias religiosas e políticas. Ora, nesse momento adentramos num domínio já vislumbrado por alguns, comentado por poucos e raramente criticado, a saber, a presença de  ideologias marxistas dentro de igrejas históricas e formalmente reformadas. Todos são prestos em criticar a gnose descarada nos cultos e práticas pentecostais, mas muito ciosos em apontar os famosos “cristãos esquerdistas” e pastores marxistas dentro das Presbiterianas, Batistas e igrejas reformadas independentes.

Com efeito, ao passo que Roma tem sido assolada pela chamada Teologia da Libertação, nós, protestantes, dado que Deus é hábil para desenvolver cruzes para seus seguidores (A.W. Tozer), somos açoitados pela Teologia da Missão Integral. No entanto, esta corrente é deveras popular somente nos meios teológicos acadêmicos, de forma que, na sua vida prática, nossa eclesiologia se vê afligida por outro flagelo, dissimulado sobre uma máscara de neocalvinismo de Kuyper, a saber, a execrável “liturgia aberta” (assim denominada pelos seus “teóricos”) organicamente unida ao não menos nefando “louvor contemporâneo” (epíteto para canções de teor massivamente sentimentalista emolduradas por melodias homogêneas e simplórias).

Em outras palavras, já é habitual participarmos de cultos presbiterianos e batistas que são regidos não mais por um princípio regulador, mas pela supremacia do sentimentalismo barato; mas não apenas isso – argumentando estarem pondo em prática os princípios de redenção da cultura e graça comum propostos por Kuyper, Bavinck e mais recentemente Richard Mouw, alguns pastores inserem em seus cultos e comunidades versões “samba” ou “reggae” de hinos tradicionais, afirmando que, mediante a redenção realizada por Cristo, até mesmo esses ritmos populares se tornam pertinentes ao culto. Ora, não é nossa intenção presentemente discutir sobre a neutralidade ou não dos ritmos musicais (Michael Horton já tratou disso no seu artigo “Is style neutral?” [O estilo musical é neutro?]), mas sim, analisar se esse era efetivamente o pensamento dos neocalvinistas.

Na verdade, basta uma análise superficial para notar que a aceitação indiscriminada de toda sorte de ritmos sob o pretexto de cumprimento do mandato cultural soa mais como Gramsci do que Kuyper. O receio de postular um parâmetro objetivo do belo e consequentemente uma hierarquia estética tem levado não somente os acadêmicos incrédulos a aceitarem como arte todo tipo de experimentalismo e obras disformes, mas também aos pastores e líderes cristãos a admitirem em suas congregações o relativismo estético marxista, que, como tudo o mais, repudia quaisquer padrões objetivos e imutáveis que possam determinar ou avaliar nosso comportamento ou feitos. E nesse sentido, portanto, são gnósticos ou, no mínimo, intelectualmente desonestos.

Kuyper, em seu livro Wisdom and Wonder: common grace in Science & Art, repudia qualquer forma de relativismo estético; e a redenção da cultura e da arte diz respeito, antes de tudo, à alta cultura (termo cada vez mais raro). Com isso não se pretende dizer que se descarta de antemão qualquer participação ou produção popular, afinal, era notório o cuidado e o empenho de Kuyper em trazer as camadas populares (kleine luyden, a "gente pequena") a uma maior participação política e social. Na verdade, como o próprio teólogo afirmou, para Deus devemos dedicar os melhores frutos de nosso trabalho, incluindo, pois, as mais sublimes produções estéticas. Ora, comparar Hillsong United ou "corinhos de fogo" com os Salmos metrificados de Goudimel ou as composições de Isaac Watts é, no mínimo, sinal de uma completa obnubilação do senso estético – isto para não dizer que se trata de uma depravação do gosto. A liturgia de igrejas que se dizem reformadas deve necessariamente seguir a linha histórica, pois qualquer tentativa de rompê-la, refazendo-a inteiramente, constitui-se antes como ato revolucionário (e, portanto, gnóstico) do que inovador. Nas palavras do teólogo holandês:

Na igreja de Cristo, Ele é o Rei, e é necessário que tudo O sirva. Um organista tocando seu instrumento apenas para si mesmo não compreende, por conta disso, seu chamado; e o cantor que não compõe suas letras segundo a linha histórica da tradição cultual não se santifica, mas peca, caso o som de sua voz sirva apenas para estimulá-lo, e caso, ao conduzir o canto, não se entregue completamente à adoração de seu Senhor e Rei.
Nada é mais irrisório do que coristas cantando como se fossem pássaros, e não pessoas; ou músicos que não sentem absolutamente nada daquilo que estão cantando, os quais estão simplesmente perdidos nas notas musicais. Mas, contanto que essa espécie de performance artística seja evitada, a arte da música e da canção permanecem indispensáveis para nossa adoração. Em Genebra, Calvino convergiu todo empenho para que o canto congregacional soasse cerimonioso, natural, animado e belo.
Todos que são suficientemente humildes hão de admitir com franqueza que ninguém, ao se assentar no santuário, possui o fervor apropriado para a adoração. Nesse momento, a arte da música e do canto devem ser os meios para içar a alma do adorador para fora do ordinário e do mecânico em direção à paixão e atividade. Canto e melodia devem falar ao coração humano na plenitude do culto de uma forma que o estimule à adoração. Tal objetivo não será atingindo caso falte ao canto o ardor santo, e à música, uma vivacidade mais imponente [Tradução nossa]

Naturalmente, alguns argumentarão que há necessidade de adaptarmos a liturgia à cultura ou que é imperativo atualizá-la, a fim de não nos transformamos em adoradores anacrônicos. Se Deus assim o permitir, trataremos futuramente dessas e outras argumentações.


Que Deus nos livre, pois, da gnose em suas mais diversas formas.

Soli Deo Gloria

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Autor: Fabrício Tavares
Fonte: Bereianos
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O que é preciso para adorar a Deus?

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Por Filipe Castelo Branco


Introdução

Sabemos que o fim principal do homem é "glorificar a Deus e gozá-lo para sempre" (BCW p.1). É muito claro para nós, ao lermos as Escrituras, que este é o motivo de nossa existência. Por isso fomos criados, para darmos louvores e glórias ao nome do Cordeiro (Ap 5.13). É tanto que, mesmo no comer e no beber devemos glorificá-Lo (1Co 10.31). Por que não dizer, no deitar e no levantar? Mas, o que é preciso para adorar a Deus? O que é extremamente necessário? Restringindo aqui ao culto público, seria os instrumentos? Ou um grupo de louvor? Então, se estivermos num lugar sem instrumentos musicais, como ficaria? Conseguiríamos louvar ao Senhor nesta situação? Sabemos que sim. A adoração parte do coração, os instrumentos servem de auxílio para o cântico ao Senhor. Mas, o que realmente é necessário para louvar a Deus? Pois sabemos que podemos louvar sem instrumentos, até mesmo em silêncio! 

Listarei abaixo 7 coisas essenciais para a adoração. Coisas que, ao contrário dos instrumentos, não podem faltar durante o culto particular, familiar e público. São básicas!

1. Fé

Lemos em Hebreus 11.6 o seguinte:

"De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam."

O texto é claro: sem fé É IMPOSSÍVEL agradar a Deus. A palavra agradar na "parte a" do versículo é claramente subtendido que significa glorificar a Deus. Nós apenas agradamos a Deus quando O glorificamos, cumprindo e vivendo de acordo com a Sua palavra. Consequentemente, louvamos e glorificamos ao Senhor quando vivemos uma vida cristã piedosa. Assim sendo, O louvamos quando O agradamos. 

Vemos que não há chances de existir adoração sem fé. A fé precede a adoração. O culto de adoração é um ato de fé, que apenas é possível por causa da Graça de Deus que aos eleitos imputou a fé, abrindo assim os olhos destes para que compreendessem do porquê adorá-lo e como adorá-lo. Este é o motivo pelo qual os ímpios não desejam e nem conseguem adorar a Deus, pois não existe fé neles, não havendo nada em suas vidas que agradem ao Senhor. Eles estão mortos em seus delitos e pecados, sendo assim escravos, filhos do Diabo e FILHOS DA IRA de Deus (Ef 2.23). Como mortos podem adorar a um Deus vivo? Herminsten Maia coloca da seguinte maneira sobre a fé: "Sem a genuína fé, procedente da Palavra e direcionada para o Deus Trino, todos os nossos atos de culto são vazios e abomináveis a Deus." Nos achegamos a Deus para adorá-lo por causa da fé. Nós apenas conseguimos nos aproximar de Deus porque um dia Deus se aproximou de nós e nos salvou, imputando-nos a fé. É impossível cultuar a Deus sem fé!

2. Inteligência

Calma, pelo tópico você pode estar achando que os burros (não o animal, gente burra mesmo) não são capazes de adorarem a Deus. Não é bem assim. A palavra inteligência aqui está no sentido lato da palavra. Sentido este que digo ser necessário inteligência e raciocínio na adoração. O culto não é regado simples e puramente de emoção, mas a própria emoção no momento do culto provém do nosso intelecto. E ela conta para a nossa adoração, o nosso culto a Deus. 

O problema da maioria dos cristãos de igrejas emergentes é a "emoção a flor da pele", quando a emoção é tão forte, mas tão forte, que eles deixam de usar a inteligência e esquecem que estão adorando a Deus, passando a agir como se estivessem numa piscina de bolinhas (se jogando para um lado e para o outro) ou até mesmo numa casa de shows. Do mesmo modo que a emoção não pode se exceder, o ritual também não pode. Pois do que adianta um culto extremamente formalístico, 100% de acordo com a Escritura se é algo sem vida, monótono e cansativo? Foi disto que o Senhor Jesus falou acerca da adoração israelita, pois eles honravam a Deus com os lábios e com as mais perfeitas formas de culto, seguindo todo o manual, mas os seus corações estavam distantes de Deus. Não havia uma emoção genuína, um puro louvor (Mc 7.9). Tudo é equilíbrio! Tanto a emoção como o ritual devem andar juntos! E ambos exigem inteligência. Muitos agem como animais, sem qualquer resquício de inteligência. Deus nos adverte para que não sejamos como os animais, cavalos e mulas especificamente ( Sl 32.9), mas para que usemos a inteligência dada por Ele para prestar o louvor que Lhe é devido. Como usar a inteligência? Lendo a Escritura, aprendendo por ela princípios de como adorar de forma inteligente e equilibrada ao Deus que nos chama a não O adorarmos como animais, mas como seres criados a Sua imagem e semelhança (Gn 1.26), providos de inteligência.

3. Visão espiritual

Os verdadeiros adoradores, chamados por Deus para que O adorem em espírito e em verdade (Jo 4.23), não adoram apenas quando estão entre quatro paredes. Andrew Murray diz que: "O grande propósito para o qual o Espírito Santo está dentro de nós é para que adoremos em espírito e em verdade." A visão de culto é abrangente, não restrita. Se é em espírito, vai muito mais além de algo material. Como dito na introdução, os adoradores entendem que a vida, quando vivida de forma piedosa, é um culto a Deus. Entendem que ao terminar a liturgia do culto, inicia-se a liturgia da vida. "A verdadeira adoração", diz Herminsten Maia, "vem do coração, sendo efetuada de forma consciente para Deus (Cl 3.23)." Compreendendo isto, vemos que a visão espiritual é essencial para a verdadeira adoração, pois desta forma o nosso culto não estará confinado apenas a um lugar específico, mas a todo e qualquer lugar que estivermos (Jo 4.10-24).

4. Experiência espiritual

No primeiro ponto foi visto que a fé precede a adoração. Ou seja, apenas os salvos pela Graça adoram. Vimos também que os não-regenerados não adoram por serem inimigos de Deus e mortos, pois mortos não adoram. Mas também há outro motivo. É claro que, antes de tudo, devemos louvar a Deus por Ele ser simplesmente Deus. Mesmo que Deus não tivesse decidido salvar a raça humana de Sua condenação, escolhendo um povo para Si, Ele por si só, simplesmente por ser quem é, merece a nossa adoração. Como no Salmo 105.3, adorar é gloriar-se "no seu [de Deus] santo nome." Mas nós, regenerados pelo Santo Espírito, louvamos a Deus não apenas por Sua grandeza e santidade, mas por nos alegrarmos na Sua salvação (Sl 9.14). Louvor, basicamente, significa elogio. Por isso as músicas na igreja, durante o culto público, devem ser cristocêntricas, pois devem elogiar a Deus e Seus feitos, não aos homens e seus pequenos feitos. Gosto de uma frase de Agostinho que diz: "As melhores ações do homem natural são apenas pecados espetaculares." Esta é a situação de um não-regenerado. Como uma pessoa, que não teve nenhuma experiência espiritual, a experiência de ter nascido de novo em Cristo, pode louvar/elogiar a Deus? É certo que não podemos louvar a Deus sem primeiro sermos salvos. Mas quando salvos, não há nada mais prioritário do que entoarmos louvores a Deus, dando glórias a Ele por Sua grande Graça e Misericórdia em nos salvar e livra-nos da ira vindoura.

5. Confiança

No culto, para se aproximar de Deus, é necessário confiança. Como ficar diante de um Deus Santo se, mesmo salvos, ainda temos o pecado habitando em nós? Em Hebreus 4.16 lemos: "Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno." Isto é perfeito! Deus diz que podemos nos achegar confiadamente perante o Seu trono, trono este que emana Graça, Misericórdia e auxílio! Nós só temos confiança, pois Cristo nos concede esta confiança tornando-nos filhos de Deus. Cristo é a lente pela qual Deus nos vê, enxergando nós como: justos, santos e sábios. É apenas por isso que nos aproximamos confiantes. Pois antes éramos inimigos, hoje somos filhos. Timothy Keller, na última conferência do The Gospel Coalition, expôs isto de forma fantástica: "A única pessoa que se atreve em acordar um rei às 3 horas AM para um copo de água é o filho. Temos este tipo de acesso." Tudo isto por causa de Cristo! Ele nos tornou filhos de Deus! Aleluia! "Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus;" (João 1.12). Por isto, tenhamos confiança!

6. Unidade

A unidade é uma das grandes marcas do cristianismo. No livro de Atos vemos não só a igreja adorando em unidade ao Senhor (Atos 4.24) como sendo unida em sua vida cotidiana (Atos 4.32), compartilhando tudo o que tinham, tendo assim tudo em comum. Deus une também nações, tribos, povos e línguas (Ap 7.9) para que sejam Seus filhos e O adorem. Dentre estas especificações do versículo 9 de Apocalipse, podemos incluir também a cultura. São pessoas de costumes, vestimentas e gírias diferentes. São negros, pardos, morenos e brancos. Deus tem uma diversidade enorme de filhos, que são amados da mesma forma, e chamados a adorarem da mesma forma. Existe maior exemplo de unidade do que a igreja? A adoração do culto público deve ser também em unidade. Lloyd-Jones, fazendo uma aplicação acerca do culto público, comenta:

"Louvor cristão é isso, e nos envolve a todos. Portanto, Paulo não pode estar falando sobre a congregação ficar sentada e ouvindo o belo cântico de um coral. Isso é quase diretamente o oposto do que ele está dizendo. Todavia, é a isso que chegamos. É pior quando o canto é executado por um coral pago, e pior ainda quando os membros do coral pago ou do quarteto especial nem cristãos são, mas são introduzidos na igreja porque têm boa voz. Às vezes, neste país, e mais frequentemente noutros, eles chegam ao culto justo na hora de cantar, e logo depois se retiram!"

Lloyd-Jones não comentou nenhuma novidade sobre não-cristãos que são convidados para conduzirem ou apresentarem louvores ao Senhor na igreja. Existem dois problemas bastante sérios nesta realidade. Primeiro: filhos de Deus se unindo aos filhos do Diabo para em uma só voz entoarem louvores a Deus? É quase que uma traição! Segundo: como ímpios louvam a Alguém que têm como inimigo? Eles cantam diante do trono do próprio Deus, fingindo estarem louvando com suas belas vozes e seus semblantes alterados pela emoção da melodia, enquanto têm seus bolsos cheios de dinheiro em troca desta adoração hipócrita. Que afronta! Mal sabem que Deus rejeita a adoração do ímpio e todos os falsos louvores e que os castigará severamente por causa disso! Então, isto é a unidade na igreja: É o POVO DE DEUS (apenas o salvos pela Graça), reunidos em UMA SÓ VOZ (de toda nação, tribo, povo, língua e de todas as idades), entoando louvores ao Deus que é UNO EM SUA ESSÊNCIA (Trindade).

7. Carência

Vemos em Romanos 3.23, na Nova Versão Internacional (NVI) que "todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus". Mas na João Ferreira de Almeida lemos que "todos pecaram e CARECEM da glória de Deus." O sentido é o mesmo, pois, estar destituído de algo, ou como outras vezes colocam, privado, é estar CARENTE desta coisa. Então, o homem está distante de Deus, apartado, privado, carente da Glória dEle. 

Sabemos que este versículo aplica-se ao não-regenerado. Mas ao mesmo tempo ele se aplica a nós também, Sua igreja. Pois quando foi que, mesmo salvos, deixamos de carecer de Cristo para sobreviver? A própria oração é uma prova de que mesmo não estando nós mais afastados de Deus, nós ainda (e SEMPRE) precisamos de Deus para ter vida. R. C. Sproul, em minha opinião o maior teólogo presbiteriano vivo, diz que "A oração é para o cristão o que a respiração é para a vida, mas nenhum outro dever é tão negligenciado." Em média, o ser humano consegue ficar sem respirar por uns 25 segundos - quando mergulhamos por exemplo. O maior recorde até então foi de um dinamarquês que ficou 22 minutos sem respirar. Com este tempo, eu estaria morto faz muito tempo. Mas a conclusão que chegamos é que mesmo que alguém consiga em algum momento ficar um dia sem respirar, não importa o recorde: ninguém consegue ficar sem respirar por toda a vida. Por isto Paulo nos ordena a orar sem cessar (1 Ts 5.17), viver em espírito de oração, pois nós não conseguimos viver sem falar, sem estar em comunhão com o Deus vivo. Somos totalmente carentes da Glória, do Amor e da Graça de nosso Senhor Jesus. Não há vida fora de Cristo, pois Ele mesmo diz ser o caminho, a verdade e a vida, ficando assim claro do porquê que todos que não tem Cristo, por não crerem no Autor da vida, estão mortos!

Encerrando, você se caracteriza como um adorador segundo os padrões bíblicos? Perceba o quão necessários são estes pré-requisitos. Mas graças a Deus que nós, filhos de Deus, temos auxílio do Espírito Santo para que todas estas coisas sejam aprimoradas, dia após dia em nossas vidas. Busquemos ao Senhor, para que nos tornemos cada vez mais verdadeiros adoradores

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Sobre o autor: Filipe Castelo Branco prega o evangelho em ônibus e favelas. É membro da Igreja Presbiteriana da Aldeota (IPB) em Fortaleza/CE. Coordenador de Evangelismos na Academia de Formação em Missões Urbanas.

Fonte: Blog do autor
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7 razões para não chamar músicos de “levitas”

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Por Josaías Jr.


Sei que esse assunto já foi batido e rebatido várias vezes, por isso é possível que esse texto não apresente nenhuma novidade para alguns irmãos. Entretanto, gostaria de compilar aqui algumas das melhores razões para não usarmos a expressão levita para designar as pessoas que tocam e cantam no “período de louvor”. E mesmo que você não use o termo, proponho que leia pelo prazer de ver a história da salvação se desenrolando na figura do sacerdote.

Com isso, desejo não apenas levar irmãos a repensarem esse costume, mas também mostrar que a teologia por trás do sacerdócio levítico é muito mais bela, ampla e grandiosa do que parece. Quero deixar claro (antes que alguém objete) que uma igreja pode usar essa expressão e ainda realizar cultos de adoração verdadeira, e que ninguém será condenado pelo uso do termo. Entretanto, não há nenhuma boa razão para cometer esse erro deliberadamente. E, creio, qualquer desvio do ensino bíblico, mesmo os que parecem mais simples, podem ser portas para distorções perigosas. Por isso, sugiro que líderes e pastores levem em consideração o que está exposto aqui.

1) Nem todos os levitas eram músicos

A Bíblia relata, é verdade, que existiam levitas envolvidos com a música no antigo Israel. Vemos corais e bandas formados por membros da tribo de Levi e voltados exclusivamente para esse ministério. Entretanto, também lemos sobre levitas que cuidavam de outras atividades cultuais, como o sacrifício, e aqueles que se  envolviam  em tarefas  administrativas e operacionais.

Sei que alguns defensores da expressão “levita” sabem disso. (Por exemplo, o polêmico concurso “Promessas” admite isso em seu site oficial). Ainda assim, preferiu-se ignorar todas as outras funções associadas ao ministério levítico e concentrar-se apenas nessa. Por quê?

Alguns entendem que é por estrelismo dos músicos, mas prefiro pensar que há um motivo mais profundo – a valorização medieval de funções “sagradas” em detrimento de funções “seculares”. Varrer o chão, organizar culto, carregar coisas – qualquer um faz. Adorar, somente os crentes. Há um fundo de verdade aí, mas também há uma ignorância quanto ao chamado geral de Deus para humanidade. Tanto o administrador quanto o zelador podem glorificar a Deus em suas respectivas funções. Isso não é um culto público, mas é um culto.

Assim, alguém responsável por assuntos cotidianos como arrumar cortinas do templo poderia “ser tão adorador” quanto Asafe, o compositor. E um músico no culto público pode estar profanando o nome de Deus – se seu alvo não for a glória do Criador.

2) O chamado levítico originalmente envolvia toda a humanidade

Um dos assuntos mais interessantes da Bíblia é a teologia do local de adoração. Quando Adão e Eva foram criados, eles receberam um chamado de glorificar a Deus por meio do casamento e da procriação, do domínio sobre a natureza e do descanso no sétimo dia. E eles foram colocados em um Jardim, onde poderiam adorar o Criador e exercer a função de guardar e cuidar do Éden.

Algo que passa despercebido pela maioria dos cristãos é que Moisés e outros autores bíblicos repetiram certas expressões e símbolos sobre o  Jardim do Éden quando falavam sobre o tabernáculo e o templo. Ou seja, o Éden era um “templo” que deveria ser guardado pelos primeiros levitas  – Adão e Eva. O termo “lavrar e guardar”  (Gn 2.15) é o mesmo usado para as funções dos levitas em Números 3.7-8, 8.26  e  18.5-6. O chamado de adoração e cuidado com o “templo” é um chamado geral, dado a nossos primeiros pais, assim como o casamento, a família, o trabalho e o descanso.

“Se o Éden é visto como um santuário ideal, então talvez Adão deva ser descrito como um Levita arquetípico”  (Gordon J. Wenham)¹

3) O levita tinha um papel de mediador, assumido por Cristo

Como ungidos do Senhor, os levitas tinham um papel de mediar a Aliança entre Yahweh e o povo de Israel. Eles não eram simplesmente pessoas que “ministravam a adoração” para a congregação. Muitos veem o povo realizando sacrifícios e entendem que aquilo era o paralelo de nossos momentos de louvor hoje. Há certa relação, mas os sacerdotes faziam muito mais.

Como mediadores, eles exerciam o papel de representar Deus para o povo e representar o povo para Deus. É por isso que esse era um cargo de extrema importância e perigo. Se o levita chegasse contaminado na presença de Deus, ele estava dizendo que a nação estava em pecado. Se ele chegasse maculado na presença de Israel, era uma blasfêmia – “Deus” estava corrompido. Eles não estavam simplesmente realizando cultos, eles tornavam o culto possível.

Hoje, esse papel é cumprido perfeitamente por nosso sacerdote e cordeiro Jesus. Como perfeito Deus e perfeito homem, ele pode posicionar-se como representante de Yahweh diante do povo e representante da igreja diante de Deus. Como afirma o Apóstolo, “há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Tm 2.5). Assim, o ministro de louvor hoje é meramente alguém dependente do verdadeiro mediador, aquele que torna o culto possível, o Senhor Jesus.

4) Jesus não é representante do sacerdócio levítico

Entretanto, apesar de sacerdote, Jesus não pode ser considerado um levita. Um motivo para isso é biológico – ele não é descendente de Levi, mas de Judá. Como ele poderia assumir a função sacerdotal? O segundo motivo é teológico. O autor de Hebreus ensina que Jesus é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque (Hb  5.10).

O Salmo 110 (não sem motivo o texto do Antigo Testamento mais citado no Novo) nos fala de um rei-sacerdote que se assenta no trono de Davi. De fato, o próprio Davi cumpriu certas funções sacerdotais sem ser realmente um levita. Como isso seria possível? Isso acontece porque esse sacerdote é da mesma ordem de um misterioso personagem de Gênesis 14, um rei de Salém (note as sílabas finais de uma tal Jerusalém) chamado Melquisedeque.

Esse personagem, por estar envolto em tanto mistério, é considerado uma figura de Cristo. Ele era “sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas sendo feito semelhante ao Filho de Deus”  (Hb 7.3) e tanto rei de justiça, quanto de paz (7.2). Assim, valorizar demais o sacerdócio levítico pode nos levar a renegar uma ordem superior, a de Melquisedeque, por quem vem a perfeição (Hb 7.11).

5) A Nova Aliança, da qual fazemos parte, tornou o sacerdócio levítico caduco

O autor de Hebreus vai mais além e diz que o sacerdócio da ordem de Arão foi revogado. Diante da superioridade de um sacerdote que é eterno (Hb 7.24), mediador de uma Aliança  superior (Hb 8.6), ele conclui que o sistema anterior era fraco e não podia aperfeiçoar (7.18,19).

Usando o relato sobre Abraão e Melquisedeque, o autor de Hebreus mostra que, quando o Patriarca entregou seus dízimos ao Rei de Salém, estava ali comprovado que o sacerdócio levítico era inferior ao sacerdócio de Jesus. Como assim? Ele explica que a tribo de Levi era responsável pelo recolhimento do dízimo no antigo Israel. Mas o que vemos em Gênesis? Um antepassado dos levitas entregando as ofertas e sendo abençoado por outro sacerdote! Levi, ainda nos lombos de Abraão (7.10), colocou-se debaixo da autoridade de Melquisedeque. Como sabemos, somente o maior abençoa o menor (7.7).

Assim, depois dessa interpretação pouco usual (mas inspirada), o autor de Hebreus conclui – a Nova Aliança envelheceu a primeira, que está velha e prestes a acabar (8.13). Assim, fazer referência a essa instituição em cultos neotestamentários é exaltar as sombras que passaram, que não aperfeiçoam (10.1) e são fundadas no que é terrestre e passageiro (8.2).

6) Em Cristo, todos somos sacerdotes

Unidos a Cristo, somos tratados como portadores de sua perfeita vida de obediência e, assim, podemos ser considerados sacerdotes. Um dos chamados de Israel era ser um reino de sacerdotes (Êx 19.6) – justamente a posição que Adão falhou em cumprir. O apóstolo Pedro aplica essa expressão à igreja e afirma que somos sacerdócio real (1 Pe 2.9).

Da mesma forma que a humanidade foi chamada, no primeiro Adão, para guardar o Éden, a nova humanidade, no último Adão, é chamada a ministrar na Nova Criação. Todos os crentes são chamados a adorar e oferecer sacrifícios (Rm 12.1), não apenas uma classe especial  de pessoas. É isso que chamamos de sacerdócio universal dos crentes.

7) Cria uma divisão entre crentes “levitas” e “não-levitas”

A última razão é mais prática que teológica. Em muitas igrejas, essa separação entre “ministros de louvor” e a congregação gera uma perigosa classificação de  espiritualidade.  É claro que pessoas que se colocam à frente da congregação (e, de certa forma, ensinam e lideram o rebanho) devem tomar um cuidado especial em relação a suas atitudes e serão responsabilizados mais rigorosamente.

Entretanto, isso não coloca necessariamente os cantores e  músicos em algum tipo de posição diferente, como alguém  mais consagrado, um foco maior de ataques do inimigo, imune à críticas, etc. Tanto  pastores, quanto músicos e “leigos” são aceitos por Deus por meio da fé em Cristo, porque ele viveu e morreu de forma perfeita por nós. Diante de Deus, todos têm 100% de aprovação.

Ao mesmo tempo em que músicos e cantores devem estar atentos para que não caiam, eles precisam se  lembrar de que a cruz nivela tudo – somos todos merecedores da ira eterna, somos todos considerados perfeitos por Deus. Em Cristo, não em Levi, todos somos templo,sacrifício e sacerdotes. Se Deus nos uniu assim, quem somos nós para separar?

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Nota:
1 Para uma tabela que mostra a ligação ente o Éden e o Templo/Tabernáculo, ver God’s Glory in Salvation through Judgment: a Biblical Theology, de James M. Hamilton. Boas informações também em From  Eden to  the New Jerusalem, de T. Desmond  Alexander.

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Fonte: Reforma21
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