Por que cristãos precisam de confissões

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Por Carl Trueman


Ao contrário do que se diz, o mundo cristão não é dividido entre aqueles que têm credos e confissões e aqueles que têm apenas a Bíblia. É, na verdade, dividido entre aqueles que têm credos e confissões e as tornam públicas, abertas ao escrutínio público e à correção, e aqueles que os têm porém não os tornam públicos. A razão é simples: toda igreja (e, na verdade, todo cristão) acredita que a Bíblia significa algo, e aquilo que se crê que a Bíblia significa é seu credo e sua confissão, quer escolha escrever e formalizar suas crenças ou não.

É claro que aqueles que afirmam não ter credo algum a não ser Cristo e livro algum a não ser a Bíblia estão, geralmente, tentando proteger algo importante e bíblico: a suprema autoridade das Escrituras em todos os assuntos de fé e prática cristãs. Há um temor correto em relação a permitir que ideias e tradições não bíblicas impactem a substância daquilo em que a igreja crê. Mas mesmo com todas as boas intenções que eles provavelmente têm, eu acredito que o que querem proteger – o status único das Escrituras – é, na verdade, melhor protegido por meio de documentos confessionais explícitos, conectados à uma forma cuidadosamente pensada de governo da igreja.

De fato, e até ironicamente, são aqueles que não expressam sua confissão em forma de um documento escrito que estão em perigo de elevar sua tradição acima das Escrituras de maneira que a primeira pode nunca ser controlada pela segunda. Se uma igreja tem um documento dizendo que é dispensacionalista em relação à escatologia, então todos nós sabemos qual é a posição dela em relação ao fim dos tempos, e podemos fazer como os crentes de Beréia e testar a posição dessa igreja de acordo com as Escrituras e ver se é isso mesmo. A igreja que simplesmente fala que a posição dela em relação ao fim dos tempos é a mesma que é ensinada na Bíblia parece estar falando tudo, mas, na verdade, não está falando nada.

Em resumo, credos e confissões, ligados à política eclesiástica bíblica, são uma parte vital da manutenção da vida saudável da igreja do Novo Testamento. Aqui estão sete razões pelas quais toda igreja deveria tê-los.

1) Confissões delimitam o poder da igreja

Numa era em que as palavras, especialmente palavras de afirmações reivindicando a verdade, sempre são tidas como suspeitas de fazerem parte de algum jogo manipulador de poder, então é contra-intuitivo pensar que confissões delimitam o poder da igreja. Porém, um pouco de reflexão torna claro que é exatamente isso que elas fazem. Os oficiais da igreja têm autoridade apenas em relação aos assuntos que a confissão define. Dessa forma, se alguém na igreja declara que a trindade é uma bobagem ou comete adultério, os oficiais tem tanto o direito quanto o dever de intervir. Os dois pontos são tratados nos Padrões de Westminster. Porém, se alguém quiser aparecer na igreja com um terno amarelo fluorescente ou decidir se tornar vegetariano, os oficiais não têm o direito de intervir. Eles talvez tenham reservas pessoais quanto à forma apropriada das pessoas se vestirem ou podem se questionar como alguém poderia viver sem um hambúrguer de vez em quando, mas não é dever da igreja abordar nenhuma dessas questões. De fato, isso é o que impede a igreja de se tornar seita: afirmações claras e abertas sobre onde a autoridade da igreja começa e termina, conectada à processos transparentes de exercitar essa autoridade.

2) Confissões oferecem resumos sucintos da fé

Se você tem em sua estante ou em seu bolso uma cópia dos Padrões de Westminster, então você tem mais teologia de qualidade por página do que qualquer outra coisa a não ser a Bíblia. Tomos teológicos parecem muitas vezes vastos e hostis, e poucos tem tempo para lê-los. O Breve Catecismo de Westminster, entretanto, pode ser carregado no seu bolso, lido em poucos minutos, e facilmente memorizado. É todo um currículo teológico numa forma de fácil digestão. É claro que existem outros livros por aí que fazem a mesma coisa. Mas existe algum que faça isso de forma tão eficiente e de fácil digestão? A igreja que possui uma boa confissão e um bom catecismo já tem uma ferramenta de ensino pronta para ensinar pouco a pouco a verdade para seu povo.

A história provou isso várias vezes. Aqui temos, por exemplo, a afirmação de B. B. Warfield em 1909:

Qual é “a marca indelével do Breve Catecismo”? Nós temos a seguir fragmentos da experiência pessoal de um general oficial do exército dos EUA. Ele estava em uma grande cidade do ocidente num tempo de muita excitação e de revoltas violentas. As ruas eram invadidas diariamente por uma multidão perigosa. Um dia, ele observou que se aproximava dele um homem com uma singular combinação de calma e firmeza no semblante, cujo comportamento inspirava confiança. Ele estava tão impressionado com o porte desse homem em meio ao alvoroço que, quando o homem passou por ele, ele se virou para olhá-lo, apenas para ver que o estranho fez a mesma coisa. Por observar que ele se virou, o estranho veio ao seu encontro, e tocou o seu peito com o dedo indicador, exigiu uma resposta, sem precedentes: “Qual o fim principal do homem?”, e  ao perceber o código, o oficial respondeu: “O fim principal do homem é glorificar a Deus, e gozá-lo para sempre.” – “Ah!”, o homem disse, “eu sabia que você era um garoto do Breve Catecismo só pelo seu olhar!”, “Uau! Isso era justamente o que eu estava pensando de você!”, foi a resposta. (Selecionado de “Shorter Writings”, vol. 1, 383-84).

E o comentário lacônico de Warfield posterior a essa história é: “Vale a pena ser um garoto do Breve Catecismo. Eles crescem para ser homens. E melhor do que isso, eles estão extremamente aptos a crescerem para ser homens de Deus”. A razão, claro, é que o Breve Catecismo é, indiscutivelmente, uma excelente e concisa declaração de todo o conselho de Deus.

3) Confissões permitem uma distinção apropriada entre membros e oficiais da igreja

Há um debate dentro dos círculos reformados sobre qual deve ser exatamente a quantidade de conhecimento doutrinário exigida para se tornar membro de uma igreja. Para mim, acredito que Romanos 10 indica que o limite deve ser ajustado de acordo com o padrão mais baixo e não o mais alto do espectro. Uma confissão básica, a medida que é combinada com espírito humilde e que aceita a repreensão, é o bastante.

Mesmo que alguns discordem que o limite deve ser baixo, todos devem concordar que deve haver diferença entre o nível de conhecimento requerido de um oficial da igreja e de um novo membro. O nível em que alguém começa sua vida cristã não pode ser o mesmo daquele em que se estará no fim dessa vida. Deve haver crescimento em maturidade, e um aspecto disso é o crescimento do conhecimento doutrinário, e os documentos confessionais de uma igreja oferecem um roteiro ou uma lista de requerimentos daquilo que dá densidade e estrutura a esse crescimento. A igreja sem confissão, ou apenas com o mínimo de afirmações sobre sua doutrina, tem a desvantagem de não ser capaz de, perante  o povo, estabelecer qualquer visão bíblica do que a teologia de um cristão maduro deve ser.

4) Confissões enfatizam o que é mais importante

Talvez fosse possível expressar esse ponto de forma negativa: se não estiver na confissão, vai ser difícil defender que é um ponto de muita importância. Essa é uma das razões pelas quais as confissões devem ser um tanto elaboradas. Se, por exemplo, uma igreja tem uma base doutrinária ou uma confissão de 10 pontos, o problema que os oficiais terão que enfrentar é como convencer o povo de que um décimo primeiro ponto doutrinário é realmente importante. Se algo não está na confissão, então a igreja está funcionalmente permitindo a liberdade de consciência nesse ponto. Por exemplo, se a confissão não faz referência ao batismo, permitem que tanto pedobatistas quanto credobatistas ocupem o cargo de oficial, então o batismo é transformado em um assunto de indiferença prática. O mesmo se aplica para qualquer doutrina – perseverança, santificação, escatologia: se não é mencionado, então a igreja não tem uma posição oficial nisso e é relegado a ser um assunto de menor importância.

Novamente, para voltar ao ponto anterior: o novo convertido ou novo membro não saberá, necessariamente, no momento em que se junta à igreja, o que é importante e o que é indiferente. Uma boa e elaborada confissão provê à igreja não só um ótimo mapa pedagógico, mas também uma boa fonte de ensino para as pessoas sobre aquilo que realmente importa e sobre o porquê.

5) Confissões relativizam o presente e nos conectam ao passado

Todos sabemos que o cristianismo não é reinventado a cada domingo. Todos nós nos firmamos em uma base que foi construída para nós por muito irmãos e irmãs em Cristo que se foram antes de nós. Entretanto, frequentemente somos tentados a viver como se isso não fosse verdade. Isso dificilmente é surpresa, já que vivemos numa era onde as forças anti-históricas da cultura geral são poderosas e invasivas. Seja um comercial nos dizendo que a próxima aquisição irá nos trazer felicidade ou a ciência prometendo algum avanço que irá tornar nossas vidas mais fáceis, tudo a nossa volta aponta para o futuro como o que é mais importante e, certamente, vastamente superior ao passado.

Em contraste, o cristianismo é uma religião enraizada na história. Ele é constituído pelas ações históricas de Deus culminando em Cristo, e ele vem a nós pela articulação fiel e preservação de sua mensagem pela igreja de Deus durante os séculos. Isso é profundamente contracultural e algo do qual precisamos ser constantemente relembrados. Ironicamente, pode ser que aqueles que afirmam não ter credo algum a não ser a Bíblia estejam, na verdade, meramente refletindo o espírito da nossa geração com todo o seu triunfalismo anti-histórico.

Nesse contexto, o uso dos credos e confissões é um dos meios intencionais para nos conectarmos com o passado, nos identificarmos com a igreja das gerações passadas, e, assim, relativizar nosso próprio significado no grande propósito de tudo que existe. Recitar os antigos credos no culto é um exemplo prático disso. A afirmação dos documentos confessionais históricos, como uma expressão dos compromissos dos oficiais da igreja e o conteúdo das ambições pedagógicas da igreja para sua membresia é outro exemplo prático.

6) Confissões refletem a essência da nossa adoração

Quando eu ministro minha disciplina de Igreja Primitiva, sempre enfatizo que a dinâmica dos debates trinitarianos e cristológicos primitivos era doxológica e intrinsecamente conectada à adoração cristã. De forma simples, a afirmação da igreja primitiva “Jesus é o Senhor!” e a conjunção do Pai, do Filho e do Espírito Santo nos dizeres do batismo apontam diretamente para uma fundação de teologia profunda. Eles proveram o contexto para as discussões que acabariam por constituir o Credo Niceno e a Definição de Fé de Calcedônia. A tradição confessional da igreja começou com a reflexão a cerca do significado dos atos de adoração.

Por dois milênios, a adoração da igreja não mudou em seus pontos fundamentais – isto é, a declaração que Jesus é o Senhor e que a salvação é uma ação do Deus triúno: Pai, Filho e Espírito Santo – e nossas confissões explicam o conteúdo desses pontos.

Portanto, não devemos pensar que as confissões e doutrinas são contrárias à adoração vibrante. A posse de uma confissão, é claro, não se igualará à adoração vibrante, nem mesmo a garante, tanto quanto a mera existência de um código legal garante uma sociedade civilizada. Entretanto, as confissões são pré-requisitos para a adoração vibrante e consciente, são o sentido do que fazemos como cristãos.

Essa função confessional provavelmente se tornará mais visivelmente importante nos anos que estão por vir. À medida que outras religiões colidem com o cristianismo e, especialmente, algumas dessas religiões usam o mesmo tipo de vocabulário bíblico que usamos, será mais e mais crucial que entendamos não apenas as palavras que usamos, mas também o que essas palavras realmente significam. O seu amigável vizinho mórmon poderá muito bem concordar com você que Jesus é o Senhor e pode até cantar alguns dos mesmos hinos que você no culto. Assim, você terá que saber exatamente o que sua igreja quer dizer com “Jesus é o Senhor” ou com o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Boas confissões te possibilitam fazer isso com mais facilidade do que qualquer outra coisa.

7) Confissões são uma parte vital do plano de Paulo para a igreja pós-apostólica

Quando Paulo escreveu, quando estava preso, para seu aprendiz, Timóteo, sua mente estava focada em como a igreja iria se virar quando ele e os outros apóstolos saíssem de cena. A resposta dele é composta por duas partes: uma estrutura na qual o governo da igreja fosse colocado nas mãos de homens ordinários, porém fiéis, e a forma de sãs palavras. Ambas eram necessárias. Sem a estrutura, a igreja não teria liderança; sem a forma de sãs palavras, ela iria se desviar por ventos de doutrina, perdendo contato com seu passado e com outras congregações no presente. Uma forma de sãs palavras, uma confissão, era crucial para manter tanto a continuidade com os apóstolos quanto a unidade entre os cristãos do presente. E isso é o que nossos documentos confessionais fazem hoje: eles nos ligam aos nossos irmãos e irmãs crentes do passado e aos do presente.

A exclamação “Nenhum credo, exceto Cristo, e nenhum livro, exceto a Bíblia!” tem uma aparência ilusoriamente piedosa e bíblica, mas não deveríamos nos envergonhar de sermos cristãos confessionais, pois as confissões nos capacitam a manter determinadas prioridades bíblicas. Nós deveríamos ser gratos por isso e, da mesma forma, tentar mostrar aos nossos irmãos e irmãs não confessionais um caminho melhor para preservar as coisas que são valiosas para todos os cristãos.

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Fonte: The Orthodox presbyterian Church
Tradução: Fernanda Vilela
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O que é preciso para adorar a Deus?

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Por Filipe Castelo Branco


Introdução

Sabemos que o fim principal do homem é "glorificar a Deus e gozá-lo para sempre" (BCW p.1). É muito claro para nós, ao lermos as Escrituras, que este é o motivo de nossa existência. Por isso fomos criados, para darmos louvores e glórias ao nome do Cordeiro (Ap 5.13). É tanto que, mesmo no comer e no beber devemos glorificá-Lo (1Co 10.31). Por que não dizer, no deitar e no levantar? Mas, o que é preciso para adorar a Deus? O que é extremamente necessário? Restringindo aqui ao culto público, seria os instrumentos? Ou um grupo de louvor? Então, se estivermos num lugar sem instrumentos musicais, como ficaria? Conseguiríamos louvar ao Senhor nesta situação? Sabemos que sim. A adoração parte do coração, os instrumentos servem de auxílio para o cântico ao Senhor. Mas, o que realmente é necessário para louvar a Deus? Pois sabemos que podemos louvar sem instrumentos, até mesmo em silêncio! 

Listarei abaixo 7 coisas essenciais para a adoração. Coisas que, ao contrário dos instrumentos, não podem faltar durante o culto particular, familiar e público. São básicas!

1. Fé

Lemos em Hebreus 11.6 o seguinte:

"De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam."

O texto é claro: sem fé É IMPOSSÍVEL agradar a Deus. A palavra agradar na "parte a" do versículo é claramente subtendido que significa glorificar a Deus. Nós apenas agradamos a Deus quando O glorificamos, cumprindo e vivendo de acordo com a Sua palavra. Consequentemente, louvamos e glorificamos ao Senhor quando vivemos uma vida cristã piedosa. Assim sendo, O louvamos quando O agradamos. 

Vemos que não há chances de existir adoração sem fé. A fé precede a adoração. O culto de adoração é um ato de fé, que apenas é possível por causa da Graça de Deus que aos eleitos imputou a fé, abrindo assim os olhos destes para que compreendessem do porquê adorá-lo e como adorá-lo. Este é o motivo pelo qual os ímpios não desejam e nem conseguem adorar a Deus, pois não existe fé neles, não havendo nada em suas vidas que agradem ao Senhor. Eles estão mortos em seus delitos e pecados, sendo assim escravos, filhos do Diabo e FILHOS DA IRA de Deus (Ef 2.23). Como mortos podem adorar a um Deus vivo? Herminsten Maia coloca da seguinte maneira sobre a fé: "Sem a genuína fé, procedente da Palavra e direcionada para o Deus Trino, todos os nossos atos de culto são vazios e abomináveis a Deus." Nos achegamos a Deus para adorá-lo por causa da fé. Nós apenas conseguimos nos aproximar de Deus porque um dia Deus se aproximou de nós e nos salvou, imputando-nos a fé. É impossível cultuar a Deus sem fé!

2. Inteligência

Calma, pelo tópico você pode estar achando que os burros (não o animal, gente burra mesmo) não são capazes de adorarem a Deus. Não é bem assim. A palavra inteligência aqui está no sentido lato da palavra. Sentido este que digo ser necessário inteligência e raciocínio na adoração. O culto não é regado simples e puramente de emoção, mas a própria emoção no momento do culto provém do nosso intelecto. E ela conta para a nossa adoração, o nosso culto a Deus. 

O problema da maioria dos cristãos de igrejas emergentes é a "emoção a flor da pele", quando a emoção é tão forte, mas tão forte, que eles deixam de usar a inteligência e esquecem que estão adorando a Deus, passando a agir como se estivessem numa piscina de bolinhas (se jogando para um lado e para o outro) ou até mesmo numa casa de shows. Do mesmo modo que a emoção não pode se exceder, o ritual também não pode. Pois do que adianta um culto extremamente formalístico, 100% de acordo com a Escritura se é algo sem vida, monótono e cansativo? Foi disto que o Senhor Jesus falou acerca da adoração israelita, pois eles honravam a Deus com os lábios e com as mais perfeitas formas de culto, seguindo todo o manual, mas os seus corações estavam distantes de Deus. Não havia uma emoção genuína, um puro louvor (Mc 7.9). Tudo é equilíbrio! Tanto a emoção como o ritual devem andar juntos! E ambos exigem inteligência. Muitos agem como animais, sem qualquer resquício de inteligência. Deus nos adverte para que não sejamos como os animais, cavalos e mulas especificamente ( Sl 32.9), mas para que usemos a inteligência dada por Ele para prestar o louvor que Lhe é devido. Como usar a inteligência? Lendo a Escritura, aprendendo por ela princípios de como adorar de forma inteligente e equilibrada ao Deus que nos chama a não O adorarmos como animais, mas como seres criados a Sua imagem e semelhança (Gn 1.26), providos de inteligência.

3. Visão espiritual

Os verdadeiros adoradores, chamados por Deus para que O adorem em espírito e em verdade (Jo 4.23), não adoram apenas quando estão entre quatro paredes. Andrew Murray diz que: "O grande propósito para o qual o Espírito Santo está dentro de nós é para que adoremos em espírito e em verdade." A visão de culto é abrangente, não restrita. Se é em espírito, vai muito mais além de algo material. Como dito na introdução, os adoradores entendem que a vida, quando vivida de forma piedosa, é um culto a Deus. Entendem que ao terminar a liturgia do culto, inicia-se a liturgia da vida. "A verdadeira adoração", diz Herminsten Maia, "vem do coração, sendo efetuada de forma consciente para Deus (Cl 3.23)." Compreendendo isto, vemos que a visão espiritual é essencial para a verdadeira adoração, pois desta forma o nosso culto não estará confinado apenas a um lugar específico, mas a todo e qualquer lugar que estivermos (Jo 4.10-24).

4. Experiência espiritual

No primeiro ponto foi visto que a fé precede a adoração. Ou seja, apenas os salvos pela Graça adoram. Vimos também que os não-regenerados não adoram por serem inimigos de Deus e mortos, pois mortos não adoram. Mas também há outro motivo. É claro que, antes de tudo, devemos louvar a Deus por Ele ser simplesmente Deus. Mesmo que Deus não tivesse decidido salvar a raça humana de Sua condenação, escolhendo um povo para Si, Ele por si só, simplesmente por ser quem é, merece a nossa adoração. Como no Salmo 105.3, adorar é gloriar-se "no seu [de Deus] santo nome." Mas nós, regenerados pelo Santo Espírito, louvamos a Deus não apenas por Sua grandeza e santidade, mas por nos alegrarmos na Sua salvação (Sl 9.14). Louvor, basicamente, significa elogio. Por isso as músicas na igreja, durante o culto público, devem ser cristocêntricas, pois devem elogiar a Deus e Seus feitos, não aos homens e seus pequenos feitos. Gosto de uma frase de Agostinho que diz: "As melhores ações do homem natural são apenas pecados espetaculares." Esta é a situação de um não-regenerado. Como uma pessoa, que não teve nenhuma experiência espiritual, a experiência de ter nascido de novo em Cristo, pode louvar/elogiar a Deus? É certo que não podemos louvar a Deus sem primeiro sermos salvos. Mas quando salvos, não há nada mais prioritário do que entoarmos louvores a Deus, dando glórias a Ele por Sua grande Graça e Misericórdia em nos salvar e livra-nos da ira vindoura.

5. Confiança

No culto, para se aproximar de Deus, é necessário confiança. Como ficar diante de um Deus Santo se, mesmo salvos, ainda temos o pecado habitando em nós? Em Hebreus 4.16 lemos: "Cheguemo-nos, pois, confiadamente ao trono da graça, para que recebamos misericórdia e achemos graça, a fim de sermos socorridos no momento oportuno." Isto é perfeito! Deus diz que podemos nos achegar confiadamente perante o Seu trono, trono este que emana Graça, Misericórdia e auxílio! Nós só temos confiança, pois Cristo nos concede esta confiança tornando-nos filhos de Deus. Cristo é a lente pela qual Deus nos vê, enxergando nós como: justos, santos e sábios. É apenas por isso que nos aproximamos confiantes. Pois antes éramos inimigos, hoje somos filhos. Timothy Keller, na última conferência do The Gospel Coalition, expôs isto de forma fantástica: "A única pessoa que se atreve em acordar um rei às 3 horas AM para um copo de água é o filho. Temos este tipo de acesso." Tudo isto por causa de Cristo! Ele nos tornou filhos de Deus! Aleluia! "Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus;" (João 1.12). Por isto, tenhamos confiança!

6. Unidade

A unidade é uma das grandes marcas do cristianismo. No livro de Atos vemos não só a igreja adorando em unidade ao Senhor (Atos 4.24) como sendo unida em sua vida cotidiana (Atos 4.32), compartilhando tudo o que tinham, tendo assim tudo em comum. Deus une também nações, tribos, povos e línguas (Ap 7.9) para que sejam Seus filhos e O adorem. Dentre estas especificações do versículo 9 de Apocalipse, podemos incluir também a cultura. São pessoas de costumes, vestimentas e gírias diferentes. São negros, pardos, morenos e brancos. Deus tem uma diversidade enorme de filhos, que são amados da mesma forma, e chamados a adorarem da mesma forma. Existe maior exemplo de unidade do que a igreja? A adoração do culto público deve ser também em unidade. Lloyd-Jones, fazendo uma aplicação acerca do culto público, comenta:

"Louvor cristão é isso, e nos envolve a todos. Portanto, Paulo não pode estar falando sobre a congregação ficar sentada e ouvindo o belo cântico de um coral. Isso é quase diretamente o oposto do que ele está dizendo. Todavia, é a isso que chegamos. É pior quando o canto é executado por um coral pago, e pior ainda quando os membros do coral pago ou do quarteto especial nem cristãos são, mas são introduzidos na igreja porque têm boa voz. Às vezes, neste país, e mais frequentemente noutros, eles chegam ao culto justo na hora de cantar, e logo depois se retiram!"

Lloyd-Jones não comentou nenhuma novidade sobre não-cristãos que são convidados para conduzirem ou apresentarem louvores ao Senhor na igreja. Existem dois problemas bastante sérios nesta realidade. Primeiro: filhos de Deus se unindo aos filhos do Diabo para em uma só voz entoarem louvores a Deus? É quase que uma traição! Segundo: como ímpios louvam a Alguém que têm como inimigo? Eles cantam diante do trono do próprio Deus, fingindo estarem louvando com suas belas vozes e seus semblantes alterados pela emoção da melodia, enquanto têm seus bolsos cheios de dinheiro em troca desta adoração hipócrita. Que afronta! Mal sabem que Deus rejeita a adoração do ímpio e todos os falsos louvores e que os castigará severamente por causa disso! Então, isto é a unidade na igreja: É o POVO DE DEUS (apenas o salvos pela Graça), reunidos em UMA SÓ VOZ (de toda nação, tribo, povo, língua e de todas as idades), entoando louvores ao Deus que é UNO EM SUA ESSÊNCIA (Trindade).

7. Carência

Vemos em Romanos 3.23, na Nova Versão Internacional (NVI) que "todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus". Mas na João Ferreira de Almeida lemos que "todos pecaram e CARECEM da glória de Deus." O sentido é o mesmo, pois, estar destituído de algo, ou como outras vezes colocam, privado, é estar CARENTE desta coisa. Então, o homem está distante de Deus, apartado, privado, carente da Glória dEle. 

Sabemos que este versículo aplica-se ao não-regenerado. Mas ao mesmo tempo ele se aplica a nós também, Sua igreja. Pois quando foi que, mesmo salvos, deixamos de carecer de Cristo para sobreviver? A própria oração é uma prova de que mesmo não estando nós mais afastados de Deus, nós ainda (e SEMPRE) precisamos de Deus para ter vida. R. C. Sproul, em minha opinião o maior teólogo presbiteriano vivo, diz que "A oração é para o cristão o que a respiração é para a vida, mas nenhum outro dever é tão negligenciado." Em média, o ser humano consegue ficar sem respirar por uns 25 segundos - quando mergulhamos por exemplo. O maior recorde até então foi de um dinamarquês que ficou 22 minutos sem respirar. Com este tempo, eu estaria morto faz muito tempo. Mas a conclusão que chegamos é que mesmo que alguém consiga em algum momento ficar um dia sem respirar, não importa o recorde: ninguém consegue ficar sem respirar por toda a vida. Por isto Paulo nos ordena a orar sem cessar (1 Ts 5.17), viver em espírito de oração, pois nós não conseguimos viver sem falar, sem estar em comunhão com o Deus vivo. Somos totalmente carentes da Glória, do Amor e da Graça de nosso Senhor Jesus. Não há vida fora de Cristo, pois Ele mesmo diz ser o caminho, a verdade e a vida, ficando assim claro do porquê que todos que não tem Cristo, por não crerem no Autor da vida, estão mortos!

Encerrando, você se caracteriza como um adorador segundo os padrões bíblicos? Perceba o quão necessários são estes pré-requisitos. Mas graças a Deus que nós, filhos de Deus, temos auxílio do Espírito Santo para que todas estas coisas sejam aprimoradas, dia após dia em nossas vidas. Busquemos ao Senhor, para que nos tornemos cada vez mais verdadeiros adoradores

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Sobre o autor: Filipe Castelo Branco prega o evangelho em ônibus e favelas. É membro da Igreja Presbiteriana da Aldeota (IPB) em Fortaleza/CE. Coordenador de Evangelismos na Academia de Formação em Missões Urbanas.

Fonte: Blog do autor
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Ensinando o Breve Catecismo de Westminster para Crianças

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Por Rev. Ewerton B. Tokashiki


Ensinar crianças é algo maravilhoso. É participar de sua formação. Penso que devemos estudar com elas o Breve Catecismo de Westminster, porque ele foi preparado para crianças, e elas são aptas para aprender o seu conteúdo. Aqui ofereço algumas sugestões bem práticas de como preparar uma simples aula para nossas crianças. Estas sugestões se aplicam para professores que lecionam para a faixa etária de 7 a 9 anos [a turminha do "eu já sei ler"]: 

1. Comece fazendo uma revisão da aula da anterior. Mesmo que quem lecionou seja outra pessoa, isso é necessário, por 2 motivos: 1) as perguntas do Breve Catecismo possuem sequência lógica e deve haver a construção didática na memória das crianças. 2) descubra o que eles aprenderam, e como a sua aula somará no conhecimento adquirido deles, progredindo com novas informações. 

2. Memorização da pergunta/resposta do Breve Catecismo que será o tema de estudo da aula. Eles conseguem e devem ser incentivados a memorizar a pergunta e resposta. Se cada um aluno tiver o seu próprio Breve Catecismo é o ideal, senão, escreva no quadro, ou numa cartolina, ou use de forma dinâmica o data show! 

3. Escolha sempre 1 versículo bíblico que resuma a sua aula. Veja que o próprio Breve Catecismo tem vários versículos chaves em cada pergunta/resposta. É só escolher 1 que melhor se encaixe com a sua aula. 

4. Elucidação da pergunta/resposta do Breve Catecismo. É aqui que entra a lição e explicação da perg/resp do BC. Você pode fazer isto: 

        4.1. Explicando cada parte da resposta do BC; 
        4.2. Contando uma história bíblica ou moral; 
        4.3. Assistindo um breve vídeo ou desenho [no máximo 15 minutos] e                 conversando sobre ele depois; 
        4.4. Fazendo uma atividade lúdica [boneco, recortes, pintura,                               artesanato, etc.] 

5. Aplicação da lição. Aqui algumas perguntas devem ser respondidas: 

        5.1. O que esta perg/resp quer dizer mesmo? Realmente entendi? 
        5.2. Como viverei esta verdade? 
        5.3. Como praticar esta verdade em casa? 
        5.4. Como praticar esta verdade na escola? 
        5.5. Como praticar esta verdade na igreja? 
        5.6. Como praticar esta verdade no esporte? 
        5.7. Como praticar esta verdade com meus amigos? 
        5.8. Como posso ensinar esta verdade pra outras pessoas? 
        5.9. O que não posso fazer que contradiz essa verdade? 
        5.10. O que posso fazer para ser melhor com o que aprendi? 

Espero que estas orientações ajudem a preparar a nossa aula com zelo pela verdade, fidelidade ao Senhor e amor aos nossos pequeninos.

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Fonte: IPB - Site Oficial
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Qual é o fim principal do Homem?

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Pergunta 01: Qual é o fim principal do homem?  

Resposta: 
O fim principal do homem é glorificar a Deus (Rm 11.36; I Co 10.31), e gozá-lo para sempre (Sl 73.24-26; Jo 17.22,24).

Glorificação permanente.

Deus criou o homem à sua imagem e semelhança para que ele, por sua natureza, grandeza e virtudes, lhe fosse, naturalmente, perpétua glória na existência e na adoração. Arte do grande Artista, o homem destina-se às artes, à ciência, ao pensamento, à moral, à ética, à comunhão com o Criador e às relações interpessoais harmoniosas com seus semelhantes. A obra prima da criação deveria, por si mesma, ser, dentro de seus objetivos originais, sublime expressão de glória e exaltação do Pai eterno. O pecado prejudicou desgraçadamente o homem, corrompeu-o, mas Deus lhe preservou na essência princípios qualitativos da base original, ainda que rudimentarmente, de moralidade, de espiritualidade, de inteligência, de sensibilidade, de racionalidade, de criatividade, de poder regencial. Poucos seres humanos, porém, depois da queda, voltam-se para Deus. A maioria torna-se egocêntrica, materialista, hedonista e, parte considerável, satanista. Na massa caída e degenerada Deus introduziu o novo Adão, Jesus Cristo, de quem pode dizer o mesmo que diria do velho Adão: "Este é meu filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi" (Mt 17.5). Em Cristo, cabeça da nova humanidade, a glória está perfeita e exuberantemente visível: "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como a do unigênito do Pai" (Jo 1.14). O homem, em si mesmo, apesar da queda, é glória de Deus, pois é o único ser moral, intelectivo, volitivo e criativo. Os regenerados em Cristo Jesus, retirados da humanidade degenerada pela eleição da livre graça divina, recuperaram a espiritualidade e se reconciliaram com Deus, tornando-se imagens e semelhanças de Cristo, formando com ele um corpo interativo indissolúvel e, por meio dele, restabelecidos à comunhão do Pai celeste: "Que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste" (Jo 17.21 cf 17.24). O crente é, por sua natureza e vocação, um glorificador de Deus, um santificador de seu nome. No regenerado Cristo é glorificado (Jo 17.10). O conservo Paulo podia dizer:  "Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gl 2.20).

Glorificação por testemunho

O mundo toma conhecimento de Deus, de sua paternidade, santidade, poder, honra, misericórdia e glória pelo testemunho existencial e missionário de seu povo. O salvo em Cristo Jesus não deve ser, é: sal, fermento e luz: "Vós sois o sal da terra". "Vós sois a luz do mundo", disse Jesus; e acrescentou: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (Mt 5.13.14,16). Onde o redimido é colocado como boa semente, aí  florescem a dignidade, a honestidade, a sinceridade, a bondade e a paz. O crente modifica o ambiente em que vive ética, moral, social e espiritualmente. Enquanto o homem carnal é glória de si mesmo, de seu ego e do mundo, o verdadeiro crente é glória de Deus; para isso foi criado, eleito desde a eternidade, chamado em Jesus Cristo, colocado no corpo dos redimidos, sustentado e preservado pelo Santo Espírito da promessa. Por seu testemunho claro e forte a mensagem se torna poderosa, convincente e transformadora. O nome de Deus é santificado na vida de seus santos. Cristo administra os seus servos (douloi), jamais é administrado por eles. Ao renunciar as glórias do mundo, o salvo se transforma em glória de seu Salvador.

Gozá-lo para sempre

Imagine se você pudesse ter sua mãe, sadia, jovial, amorosa e dedicada, sempre ao seu lado. Que a doença, a velhice e morte jamais a atingissem. Seria um gozo ininterrupto e completo para os corações tanto do filho como da mãe. A paternidade divina, imensuravelmente mais profunda, mais significativa e mais construtura, nunca se apartará do regenerado. O filho estará eternamente com o seu Pai celeste numa interligação pessoal, fraternal e gozosa para a alegria do Criador e realização da criatura. A humanidade geral, porém, seduzida pelo maligno, afasta-se do Salvador e se entrega a si mesma e aos caprichos da carne. Corrompem-se no pecador irregenerado os laços da fraternidade e os vínculos de unidade; deturpa-se-lhe, e se lhe degenera o ser original. Cristo, no entanto, restaura, no eleito, a imagem danificada pela queda, restabelece-lhe o gozo permanente pelo consolo do Espírito, reata-lhe o elo de convergência espiritual  da indissolúvel ligação entre o Criador e a  criatura, feita para ser imagem, não caricatura.

O cristão regenerado glorifica o Salvador e vive no gozo de sua paternidade e proteção.

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Comentário do Rev. Onézio Figueiredo sobre a 1ª pergunta do Breve Catecismo de Westminster.

Fonte: Seminário JMC

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