Deus no tempo

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No Natal, nós celebramos algo maravilhoso: Deus adentrando em nosso tempo e espaço. O eterno torna-se temporal; o infinito, finito; a Palavra que criou todas as coisas tornou-se carne.

Encarnação 

Oh, quão misterioso é tudo isto! Aquele que sabe todas as coisas (João 16:30, 21:17) “cresceu em sabedoria” (Lucas 2:52). O Autossuficiente teve fome e sede (Mt. 4:2, João 19:28).  O Criador de tudo não tinha casa (Mt. 8:20). O Senhor da vida padeceu e morreu. Deus encarnado foi desamparado por Deus Pai (Mt. 27:46).

A intercessão de Cristo, o pacto da redenção e a nossa felicidade eterna

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Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (Hb 7.25).

Eu fico impressionado com quão pouco paramos para meditar a respeito da maravilhosa verdade da continuidade da obra sacerdotal de Jesus Cristo, no céu, em nosso benefício. Durante o seu ministério terreno, como sacerdote, Jesus foi o sumo sacerdote perfeito, que ofereceu a si mesmo como sacrifício todo-suficiente para a nossa salvação. Após a sua ascensão, o Senhor continua a desempenhar o ofício sacerdotal, nas palavras do autor aos Hebreus, “vivendo sempre para interceder” por aqueles por quem entregou a sua vida como sacrifício agradável a Deus.

Em Hebreus 4.14-15, o autor diz: “Tendo, pois, a Jesus, o Filho de Deus, como grande sumo sacerdote que penetrou os céus, conservemos firmes a nossa confissão. Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado”. Por volta de 1645 algumas pessoas chegavam até o puritano Thomas Goodwin e diziam: “Esse texto coloca um problema diante de nós. Ele diz que Cristo penetrou os céus. Ele está exaltado no lugar mais alto e distante. Como é possível que ainda lembre de nós?” A resposta de Goodwin era que esse texto também apresenta a solução, a resposta, pois esse que penetrou os céus se compadece de nossas fraquezas. Goodwin afirmava que essa passagem “por assim dizer, pega as nossas mãos e as coloca no peito de Cristo, e nos deixa sentir como o seu coração bate e suas afeições anseiam por nós” (The Heart of Christ. p. 48).

Assim, de acordo com Goodwin, as nossas fraquezas inspiram a compaixão de Cristo. E ao trabalhar a passagem, ele argumentou que o termo “fraquezas” envolve tanto o mal das aflições quanto o mal dos nossos pecados, pois Hebreus 5.2 diz que Jesus “é capaz de condoer-se dos ignorantes e dos que erram”. Assim, mesmo a nossa tolice e nossas escolhas pecaminosas despertam a compaixão do nosso meigo e doce Redentor.

Quando o autor aos Hebreus nos diz que Jesus, estando á destra do Pai, vive sempre para interceder pelos seus, precisamos compreender que essa intercessão tem como alvo as nossas fraquezas, o que envolve, as nossas dores e também os nossos pecados.

Muitas vezes entendemos errado o que significa a intercessão de Jesus. É como se ele se colocasse diante do Pai e começasse a argumentar, a nos defender, a tentar convencer um Pai indisposto que não deseja nos perdoar. Não! Jesus não argumenta com base em nosso esforço. Ele não tenta lembrar ao Pai que, mesmo ainda cometendo pecados, temos nos esforçado para fazer o que é correto (Rm 7.21). Como afirma Richard D. Phillips: “Jesus não precisa falar nada disso. Ele só precisa identificar você como um daqueles que pertencem a ele” (Reformed Expository Commentary: Hebrews. Posição 3168. Edição Kindle).

A intercessão de Jesus é feita a partir da sua obra em nosso benefício, não do nosso esforço. O apóstolo João nos dá um vislumbre dessa verdade: “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 2.1). O nosso advogado é o Justo. Sua intercessão em nosso benefício é feita com base na sua morte na cruz.

Tente imaginar o Filho apresentando ao Pai as marcas nas suas mãos, nos seus pés e no lado do seu corpo, e dizendo: “Foi por ele! Ele é meu!” Não há outra consequência senão perdão e desfrute prático do amor trinitário que é derramado em nossos corações.

Mas, como Jesus pode se dirigir ao Pai, dizendo: “Ele é meu!”?

João, em seu Evangelho, registrou a mais bela oração já feita, a oração sacerdotal do Senhor. E nessa oração, várias vezes Jesus afirma que lhe fomos dados pelo Pai: “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua palavra […] É por eles que eu rogo; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus” (vv. 6,9). Além disso, no famoso cântico do Servo Sofredor, nós encontramos a seguinte declaração: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu” (Is 53.11-12). Percebam: o Servo, o Senhor Jesus Cristo, como recompensa da sua obra perfeita, da sua obediência perfeita recebeu “muitos”.

A passagem acima e muitas outras nas Escrituras nos falam de um acordo prévio entre o Pai e o Filho, não de forma explícita, é verdade, mas, ainda assim, de forma muito clara. Quando fomos dados pelo Pai ao Filho? Quando foi que muitos foram prometidos pelo Pai ao seu Servo como a sua parte na obra da Redenção? Pense também nas várias passagens em que o Filho declara que veio tão somente para fazer a vontade daquele que o enviou (Jo 4.34; 5.30; 6.38,39).

Considere, por exemplo, Lucas 22.29: “Assim como meu Pai me confiou um reino, eu vo-lo confio”. As palavras de Jesus aos seus discípulos são uma espécie de testamento. Por duas vezes neste versículo Jesus usa um verbo cujo significado é “fazer um pacto”. Literalmente, o Senhor Jesus afirmou: “Assim como meu Pai me confiou, por meio de um pacto, um reino, eu o confio a vocês também por meio de um pacto”. O Filho fala de um Pacto feito entre ele e o Pai. Quando tal Pacto foi feito? Com toda certeza, Jesus está se referindo àquilo que na teologia é chamado de “Pacto da Redenção”, a aliança entre Pai e Filho, na qual todos os detalhes da nossa salvação são acertados. Nesse pacto o Pai, representando a Trindade, apresenta todas as exigências da lei e toda a penalidade que o Filho deveria assumir sobre si. Por sua vez, o Filho recebe as promessas em caso de obediência perfeita. Uma dessas promessas foi um povo, uma Noiva, um rebanho.

Pense nas implicações dessa verdade gloriosa!

Na eternidade passada teu nome foi pronunciado pelo Pai como fazendo parte daqueles que foram dados ao Filho. O Pai se dirige ao Filho, o fiador da Nova Aliança e diz algo como: “O Alan será teu”. Hoje, no tempo presente, teu nome continua a ser pronunciado pelo Filho em sua intercessão. O Filho se dirige ao Pai e diz: “O Alan é meu! Tu mo deste!”. E teu nome continuará a ser pronunciado no céu até à eternidade futura, pelos séculos dos séculos, como alguém que é amado pelo Filho, mas não apenas por ele, mas também pelo Pai e pelo Espírito Santo.

Nossos pecados são tratados completamente por nosso Senhor Jesus Cristo, que morreu por nós e por nós intercede. Nossas aflições também são alvo da intercessão do Senhor. É por causa dele que temos recebido bênção sobre bênção. É por causa dos seus méritos que somos abençoados com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais (Ef 1.3).

De nenhum modo tais conceitos devem nos lançar à inércia na busca pelo crescimento na piedade. Muito pelo contrário, como expressão de nossa gratidão, não nos resta outra coisa a fazer senão lutar, pelo Espírito, para mortificarmos os feitos do corpo (Rm 8.13).

Somos fracos, é verdade. Mas, uma vez que ele é tudo aquilo de que necessitamos, podemos bradar com Richard Sibbes: “Somos fracos, mas somos dele” (The Bruised Reed. p. 62). Somos vacilantes, fracos, tímidos, mas pertencemos a ele; fomos comprados com o seu sangue precioso, puro, sem mácula. Por esta razão, aborreçamos toda dúvida, toda incerteza, todo pensamento que nos leve a imaginar que não há mais esperança, sejam quais forem os nossos problemas e pecados.

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Autor: Rev. Alan Rennê
Fonte: Jovem Reformado
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Série Credo Apostólico - Parte 10: A Esperança no Porvir

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INTRODUÇÃO

Creio... na ressurreição do corpo e na vida eterna. Amém”.

O Cristianismo professa um credo enraizado na vida após a morte. E esta vida tem dois destinos: comunhão com o Deus triuno ou exclusão de sua presença. Trocando em miúdos, salvação e condenação eterna são as duas realidades possíveis, de forma que há um abismo intransponível entre os dois.

Na parábola contada por Jesus sobre O Rico e Lázaro (Lc 16. 19-31), fica claro que não há nenhum tipo de passagem do inferno para o paraíso. Os destinos estão definidos e o ensino de que é possível mudar sua condição eterna é uma mentira, pois, não encontra nenhuma base bíblica. Assim sendo, crenças como a reencarnação, ensinada pelo Espiritismo, devem ser rejeitadas, assim como a crença da Igreja Católica Romana no purgatório - local de penitência para alguns que podem chegar ao céu após um período expurgando seus pecados. Há também um ensino que permeia os círculos da teologia liberal que se chama “universalismo” (Também faz parte do corpo doutrinário do catolicismo romano). Este ensino diz que no fim, toda a humanidade será salva. Mas será isso mesmo o que a Escritura diz? A resposta é um sonoro não. Do Antigo ao Novo Testamento vemos a dualidade que divide a raça humana em salvos e não salvos. E como disse o saudoso pastor Russell Shedd:

Sem nascer de novo não há esperança de ver o Reino de Deus. Achar que o amor de Deus é tão extenso que ninguém pode cair fora dele, é uma crença muito conveniente para os que rejeitam o teor de todo o ensino da Bíblia. Não convém se arriscar em tão fraca esperança”.

Se todos conhecem bem João 3.16, a sequência não é tanto conhecida, ou pelo menos, não tão recitada: “
Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio dele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus”. - João 3:17,18

A realidade bíblica pode não ser tão doce como gostaríamos, mas a verdade consiste no que o texto diz, e florear o texto é macular as palavras que são divinas, em outras palavras, é se colocar no lugar de Deus, ou até mesmo, uma tentativa pretenciosa de co-escrever o que Deus já decretou. Mas, passemos para a palavra de esperança que o Credo trás para a Igreja de Cristo, pois n’Ele temos a esperança de vida plena, e para entendermos esta plenitude, é preciso atentar para a doutrina da ressurreição corpórea.

UMA REMISSÃO COMPLETA

Vimos no texto anterior que Cristo nos redime e é por causa de sua obra redentora que temos acesso ao Reino dos Céus. Não conquistamos a salvação por nossos méritos, mas pela graça (Ef 2.8). E esta obra da graça, executada pela Trindade no espaço e no tempo é uma obra completa. Somos redimidos por inteiros e isso incluirá também os nossos corpos. O Catecismo de Heidelberg trata dessa questão como sendo um consolo:

Meu consolo é que depois desta vida minha alma será imediatamente elevada para Cristo, seu Cabeça. E que também esta minha carne, ressuscitada pelo poder de Cristo, será unida novamente à minha alma e se tornará semelhante ao corpo glorioso de Cristo”.

Há diversos textos que abordam a questão do nosso corpo ressurreto (Jó 19:25-27; 1Co 15:53,54; Fp 3:21; 1Jo 3:2), o espanto de muitos a respeito deste assunto atesta que há pouca leitura bíblica em boa parte dos arraiais evangélicos. A melhor maneira de reverter este déficit doutrinário é ensinar, ensinar e ensinar, demonstrando claramente que as Escrituras tratam deste assunto de maneira clara. Além do mais, a crença de que a carne é inerentemente má, é uma heresia antiga, combatida pelos apóstolos, sobretudo Paulo, em suas epístolas. Devemos lembrar que Cristo veio a este mundo em carne e subiu aos céus corporalmente, todavia, sem ter nenhuma relação com o pecado. Sempre que recorremos aos documentos confessionais, como os credos e confissões, temos um ótimo portifólio para aprendermos corretamente, por isso, o
Catecismo Maior de Westminster (CMW) é recomendado para um bom entendimento acerca da ressurreição. Vejamos o que ele diz em resposta à pergunta 87:

Devemos crer que no último dia haverá uma ressurreição geral dos mortos, dos justos e dos injustos; então os que se acharem vivos serão mudados em um momento, e os mesmos corpos dos mortos, que têm jazido na sepultura, estando então novamente unidos às suas almas para sempre, serão ressuscitados pelo poder de Cristo. Os corpos dos justos, pelo Espírito e em virtude da ressurreição de Cristo, como cabeça deles, serão ressuscitados em poder, espirituais e incorruptíveis, e feitos semelhantes ao corpo glorioso dEle; e os corpos dos ímpios serão por Ele ressuscitados para vergonha, como por um juiz ofendido”.

Esta resposta do CMW resume de maneira esplendida todo o conteúdo bíblico como se dará esta ressurreição futura. E ela também apresenta aquilo que de fato é uma mensagem de esperança para a Igreja de Cristo. Atente: “Os corpos dos justos, pelo Espírito e em virtude da ressurreição de Cristo, como cabeça deles, serão ressuscitados em poder, espirituais e incorruptíveis, e feitos semelhantes ao corpo glorioso dEle”.

Não fazemos ideia de como será este corpo glorificado, mas podemos exultar no fato de que os efeitos do pecado desaparecerão e nossas limitações derivadas do pecado não vão mais existir. Isso nos dá uma gama de possibilidades, todavia, é apenas na glória que experimentaremos o que de fato será este corpo renovado por completo.

PLENITUDE DE VIDA

A vida eterna muitas vezes é assimilada apenas no quesito de ser um período de tempo que não finda. E de fato, a eternidade é a ausência do tempo cronológico. Mas, se não focarmos na qualidade deste “tempo sem tempo”, perderemos a noção da maravilha que será viver para sempre com Cristo e com todos os remidos no Céu de Glória. A obra do Triuno Deus em redimir os pecadores, que estavam em estado decaído desde o pecado de Adão, possibilitou que os seus santos obtivessem, por meio de Cristo, as condições necessárias para gozar do paraíso que fora perdido quando o pecado entrou no mundo.

Quando o primeiro casal caiu do estado de graça, Deus os expulsou do Éden para que não comecem da árvore da vida naquelas condições, tendo a imagem divina desfigurada dentro de si (Gn 3.22-24). Usando uma frase de Aslam, personagem criado por C.S. Lewis nas famosas Crônicas de Nárnia: “a eternidade com um coração mau é a perpetuidade da desgraça”.

O desdobramento da História foi a execução da redenção que a Trindade já tinha firmado na eternidade, com Cristo assumindo o papel de fiador de uma aliança que nos reconciliaria com o Divino. A linearidade da história tem seu clímax na cruz, embora seu desfecho seja o dia da segunda vinda de Jesus. E então, os que são o seu rebanho, ao serem reunidos com seu Pastor supremo, poderão gozar de todas as benesses do Paraíso, incluindo, desfrutar do delicioso fruto da árvore da vida (Ap 2.2).

Louvado seja Cristo por nos conceder tamanha benção! Novamente recorrendo ao Catecismo de Heidelberg, vemos que esta promessa nos consola, nos enchendo de esperança e alegria indescritível:

Meu consolo é que, como já percebo no meu coração o início da alegria eterna, depois desta vida terei a salvação perfeita. Esta salvação nenhum olho jamais viu, nenhum ouvido ouviu e jamais surgiu no coração de alguém. Então louvarei a Deus eternamente”.

Vejamos a beleza nesta obra encabeçada por Cristo. A vida eterna é uma realidade do provir, todavia, podemos sentir nuances desta vida, pois temos o selo da promessa que é o Espírito Santo. Não devemos perder a perspectiva na vida eterna. A Confissão Belga nos exorta: “Por isso, esperamos este grande dia com grande anseio para usufruirmos plenamente das promessas de Deus em Jesus Cristo, nosso Senhor”.

CONCLUSÃO

O Credo termina com “Amém”. Esta palavra de origem hebraica, usada no fim de nossas orações é um termo de assentimento, indicando que aquilo que foi dito anteriormente é tido por verdadeiro, gerando concordância, derivada da firmeza do que se disse

O “amém” faz do Credo uma oração, nos lembrando que temos o dever de exercitar a nossa vida piedosa com base nestes postulados centrais da fé. A crença que praticamos em nosso dia a dia precisa de uma base doutrinária. Logo, o Credo nos dá a base necessária para fazermos de nossas vidas uma caminhada de oração, nos colocando na dependência de nosso SENHOR. Buscando louvar a beleza de Sua majestade ainda nesta era, confiantes de que no porvir, continuaremos o louvor, todavia, o veremos face a face, sentado em seu trono de graça. Aquilo que em parte conhecemos, será revelado de maneira plena.

E diante de tamanha glória, talvez, expressaremos algo semelhante ao que Jó falou diante do Soberano:

"Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Tu perguntaste: ‘Quem é esse que obscurece o meu conselho sem conhecimento? ’ Certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas tão maravilhosas que eu não poderia saber. Tu disseste: ‘Agora escute, e eu falarei; vou fazer-lhe perguntas, e você me responderá’. Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram”. Jó 42:2-5

Soli Deo Gloria

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos

Leia também:
Série Credo Apostólico - Parte 1: Um Símbolo da Fé Cristã
Série Credo Apostólico - Parte 2: Pai, Todo Poderoso, Criador
Série Credo Apostólico - Parte 3: Jesus Cristo é o Senhor
Série Credo Apostólico - Parte 4: O Redentor no Espaço-Tempo
Série Credo Apostólico - Parte 5: O Padecimento do Cristo
Série Credo Apostólico - Parte 6: A Vitória do Cristo
Série Credo Apostólico - Parte 7: O Espírito Santo em Ação
Série Credo Apostólico - Parte 8: A Santa Igreja Universal 
Série Credo Apostólico - Parte 9: A Remissão dos Pecados

Série Credo Apostólico - Parte 9: A Remissão dos Pecados

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INTRODUÇÃO

“Creio... na remissão dos pecados”

A mensagem de Cristo é boa nova por nos comunicar que somos perdoados por Deus. Mas, a grande questão é: porque precisamos ser perdoados?

Precisamos receber perdão porque somos transgressores da Lei de Deus. Nosso estado de rebeldia teve inicio quando Adão e Eva decaíram do estado de graça, desobedecendo uma ordem expressa do SENHOR. Depois da Queda, a humanidade continuou sendo a imagem de Deus, só que manchada pelo pecado. Como uma folha em branco que depois de amassada ela continua branca, só que toda amarrotada, perdeu sua originalidade, a sua beleza. Em Tiago 3.9 diz sobre a imagem de Deus, e o “Homem” ali no grego é anthropos que quer mostrar que toda a humanidade – logo, toda a humanidade tem a imagem de Deus só que manchada pelo pecado.

Quando obtemos o perdão pelos nossos pecados, isso é uma preciosa dádiva, pois, não éramos bons ou amáveis aos olhos do Pai, ao invés disso, nosso estado era de depravação total: Ef 2:3; Rm 3:12; Jo 8:34. Nossa consciência estava cativa aos desejos carnais. Vivíamos acorrentados pelos prazeres mundanos e não dávamos um passo sequer na direção de Deus. Estávamos imundos e nos sujávamos ainda mais.

O objetivo deste texto é demonstrar a preciosidade da remissão de nossa pecaminosidade.

SOMOS TODOS DEPRAVADOS

Na era do politicamente correto, falar que o homem é pecador soa agressivo e ofende os ouvidos sensíveis de uma geração mimada e que tem “fé em si mesma”. Mas devemos ser bíblicos e demonstrar que ninguém é bom. Como diz o texto sagrado: Não há um justo sequer (Rm 3:12).

A teologia reformada cunhou o termo Depravação Total para expressar o miserável estado de pecaminosidade. Todo homem caído é depravado desde o nascimento, e o termo total não quer dizer que ele chegou ao limite desta depravação, acreditem, o poço da iniquidade é bem fundo. A totalidade desta depravação é ensinada pelo apóstolo Paulo em sua, digamos, antropologia.

Paulo utilizou sete termos para descrever os aspectos do homem natural/decaído, são eles: alma (psychç); espírito (pneuma); carne (sarx); corpo (sôma); coração (kardia); mente (nous); e consciência (syneidçsis). Veremos abaixo a forma pela qual o pecado afeta cada uma dessas partes, fazendo com que o ser humano, em sua totalidade, seja depravado ao ponto de ser controlado pela intensa e vibrante vontade de pecar.

- Alma (psych): este é o termo antropológico menos citado por Paulo; existem 13 menções, apenas. Quando usado, psych refere-se à vida humana. Em Romanos 2:9, Paulo vincula a alma humana à prática do mal. No entanto, isto não quer dizer que a alma humana seja má em si mesma, mas, por fazer parte do ser humano, está diretamente envolvida na condição geral pecaminosa do homem. Já em 1 Coríntios 2.14, o termo psychikos (material, natural) é utilizado como referência ao homem não regenerado, contrastando com pneumáticos (espiritual).

- Espírito (pneuma): embora seu uso mais comum seja referente ao Espírito Santo, pneuma, na teologia paulina, também é parte inerente ao ser humano. Quando, em 1 Coríntios 2:11, o apóstolo fala no “espírito do homem”, fica difícil de aceitar que o homem recebe o pneuma após a conversão. Mais coerente, é considerar que o pneuma está desativado pela degeneração, e quem o reativa é o Espírito de Deus, no processo de conversão/regeneração. Assim, podemos entender pneuma como sendo a mais elevada representação da natureza humana. Por si mesma, essa natureza não é boa nem má; ela torna-se boa ou má através da influência dominante. Sendo assim, o cristão regenerado tem a natureza sob influência do Espírito Santo, tornando-se, por fim, bom. Em contrapartida, o não regenerado continua escravo do pecado, sendo mal em sua essência depravada.

- Coração (kardia): Paulo utiliza kardia para descrever o local onde nasce a concupiscência dos homens e sua insensatez (Romanos 1:21 e 24). Não é o coração que é insensato, é o homem, com a sua degeneração moral, que o faz proceder deste modo. Para Paulo, em alguns casos, o coração é o centro das emoções, e, em outros, significa a pessoa, em sua totalidade. Ele dirá, ainda, que é no coração que recebemos a iluminação para enxergarmos, através de Cristo, a glória de Deus (2 Coríntios 2:6 e Efésios 1:18).

- Mente (nous): este termo é sempre associado, nos escritos paulinos, ao homem. Diferentemente dos gregos, que faziam separação entre a mente e o restante do corpo como se ela fosse uma faculdade especial. Paulo utiliza nous de acordo com a tradição hebraica, abrangendo o homem como um todo, sem destacar o intelecto das demais partes. Novamente, nous não é boa e nem má em si mesma; seu posicionamento moral vai sofrer a influência do que for predominante – a carne ou o Espírito Santo. No caso dos crentes, suas mentes não são mais vis e cegas como a dos incrédulos (2 Coríntios 4:4), mas, sim, iluminadas e renovadas (Romanos 12:2 e 2 Coríntios 4:6).

- Consciência (syneidçsis): esta palavra pode ser definida como o conhecimento de uma ação acompanhado de uma reflexão. É uma palavra que apresenta o homem como um ser racional. A consciência sabe o que é certo. Todo homem, então, é extremamente ciente de seus atos. Em 1 Timóteo 4:2, Paulo fala da consciência “cauterizada” entre aqueles que são enganados pelos que ensinam doutrina de demônios. O fato de o homem saber o que é certo e não fazê-lo explicita a sua natureza degenerada.

- Carne (sarx): este é o termo mais empregado pelo apóstolo Paulo, e, também, o mais variado em seu sentido. Contudo, queremos frisar apenas o conceito antropológico, que remonta à fraqueza humana, devido à sua natureza terrena. Sarx e pecado estão ligados na teologia paulina ao ponto de o apóstolo a definir como fonte dos maus desejos (Gálatas 5:16). Indo mais além, a carne é uma produtora de pecados; e, em Gálatas 5:19, temos ideia dos seus produtos. Num contexto não cristão, sarx é predominante e conduz à morte (Romanos 7:5).

- Corpo (soma): finalizamos essa análise da antropologia paulina com soma. Aqui, deve-se fazer distinção entre corpo e carne. Sarx não sofre transformação; o corpo, sim, sendo liberto em Cristo da sua influência carnal. Este é o sentido da santificação na vida do cristão. A finalidade de soma é ser morada do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19). A mudança de um corpo carnal para um corpo glorificado é progressiva, do mesmo modo que ocorre com a mente. Todavia, o corpo daquele que não for regenerado por Cristo será destinado à morte. Como está escrito: “Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24). Por conseguinte, segundo Paulo, o homem natural não é espiritual. Essa é uma deficiência que só pode ser suprida pelo poder e atuação do Espírito Santo. Não há nada em nenhuma das epístolas paulinas - ou em algum outro ensino bíblico -, que destoe da DT.

PERDÃO VISÍVEL

Ao nos depararmos com esta realidade, passamos a valorizar mais a remissão dos pecados. Até porque ela nos foi oferecida gratuitamente. Não pagamos o preço, mas Cristo sim. Na cruz do calvário, Ele despachou de uma vez por todas o nosso estado de pecaminosidade e rasgou nossa dívida para com o nosso Criador.

“Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou juntamente com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões, e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz”. - Colossenses 2:13,14

Louvado seja Deus, pois por mérito do Cordeiro pascoal nós fomos reconciliados consigo. Ao nos contemplar, Deus nos enxerga lavados e remidos pelo sangue de seu Filho. Isto é uma realidade na qual todos os crentes que compõem a comunhão dos santos vivenciam. Este perdão é real. Devemos com júbilo repetir as palavras de Paulo aos crentes de Roma: “Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).

Sempre que a Igreja se reúne, este perdão é celebrado. Devemos então lembrar, que agora temos acesso ao trono da graça e fazer de cada culto uma festa solene, em louvor ao nosso amável Remidor. Além disto, Deus nos deixou dois meios de graça, que são os sacramentos da Ceia e do Batismo, para nos servir como sinais visíveis de nossa redenção. O Batismo, que é o rito de entrada para a Igreja nos comunica que somos lavados, e assim, nosso velho homem morre para que o novo reine por meio do Santo Espírito que habita em nós. Já a Ceia nos faz lembrar do sacrifício que nos conferiu a remissão de nossos pecados.

Ainda sobre os sacramentos, eles não são simples memoriais, vão além disso, nos auxiliando em nossa fé, nutrindo as nossas almas com a presença espiritual de Cristo e nos dando a vívida imagem do perdão que alcançamos pela bendita graça que vem de Deus.

CONCLUSÃO

Mesmo a nossa carne ainda prevalecendo em alguns momentos, devemos ter a noção de que nada muda o nosso status – adquirido por Cristo – perante o SENHOR. Na cruz, nossos pecados passados, presentes e futuros foram remidos. Todavia, isso não quer dizer que não necessitamos de constante confissão.

Nós não confessamos nossos pecados por medo de perder a salvação, pois não a conquistamos por nós mesmos. A confissão é resultado de uma pessoa que está em processo de santificação, e que reconhece, ao pecar contra Deus, que precisa estar em Sua dependência para vencer as tentações e vivenciar uma vida santa em gratidão a Cristo, para o louvor de Sua glória.

O Catecismo de Heidelberg (resposta a questão 56) elucida bem a questão. É com ele que finalizamos:

“Creio que Deus, por causa da satisfação em Cristo, jamais quer lembrar-se de meus pecados e de minha natureza pecaminosa, que devo combater durante toda a minha vida. Mas Ele me dá a justiça de Cristo pela graça, e assim nunca mais serei condenado por Deus”.

Soli Deo Gloria

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos


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Série Credo Apostólico - Parte 1: Um Símbolo da Fé Cristã
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Série Credo Apostólico - Parte 6: A Vitória do Cristo
Série Credo Apostólico - Parte 7: O Espírito Santo em Ação
Série Credo Apostólico - Parte 8: A Santa Igreja Universal 

Série Credo Apostólico - Parte 6: A Vitória do Cristo

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INTRODUÇÃO  

...ressuscitou no terceiro dia, subiu ao céu, e está sentado à direita de Deus Pai, todo-poderoso, de onde virá para julgar os vivos e os mortos”.

Chegamos à última lição acerca do Cristo, vendo após o seu padecimento, a sua grandiosíssima vitória. Vitória esta que começa quando ele venceu a morte e ressuscitou corporalmente. A ressurreição e a ascensão de Cristo são pilares da fé cristã: Jesus Cristo vive. Logicamente, os inimigos da cristandade não aceitam tal fato e fazem troça do nosso credo. Mas seria tão improvável mesmo que Cristo tenha ressuscitado? Teríamos argumentos que validassem a ressurreição? E acerca da ascensão? O que será que a subida corpórea do Cristo aos céus tem a dizer para nós hoje?

Além disso, o Credo nos lembra sobre a segunda vinda de Jesus, no qual virá para julgar as nações e estabelecer o seu Reino de forma definitiva. Novamente é preciso frisar que não crer em algum destes postulados é não crer naquilo que ensina a Escritura, portanto, não podemos considerar um autêntico cristão alguém que nega a veracidade destes fatos. Assim como o nascimento e a morte de Cristo se deu na História, o que se seguiu após o seu sepultamento, segundo nos diz as Escrituras, também foram acontecimentos históricos.

O TÚMULO VAZIO

A principal forma de desmentir a ressurreição de Cristo seria abrir o seu túmulo e nele ver o seu cadáver ou a sua ossada. Bastava isso e pronto, o cristianismo teria seus dias contados e seus discípulos seriam desmascarados como farsantes. Jesus foi sepultado e isso é inegável, pois documentos históricos atestam isso. Os próprios evangelhos, incluindo os apócrifos, relatam que Cristo foi sepultado na tumba de José de Arimatéia, um membro do Sinédrio. Devemos lembrar que o Sinédrio condenou o Messias e seus líderes não tinham a simpatia dos cristãos. Sendo assim, porque raios iriam inventar que uma pessoa que participou do julgamento condenatório de Cristo, cedeu-lhe um túmulo?

Ademais, o registro do túmulo vazio também se faz presente nos evangelhos e em discursos apostólicos (Atos 2.29 e 13.36). E quem descobriu que a tumba estava vazia? Um grupo de mulheres. É sabido que na cultura judaica, o testemunho feminino não tinha validade. Se os evangelistas intencionassem inventar que Cristo havia ressuscitado dentre os mortos, com certeza, iriam relatar que os apóstolos, talvez Pedro ou João, foram as primeiras testemunhas da ressurreição. Os fariseus, os saduceus e até Roma poderiam facilmente desmentir a ressurreição, e até aparecer com o corpo do Nazareno, no entanto, mediante ao fato inconteste, apenas inventaram que o corpo havia sido roubado.

A NOVA RELIGIÃO

A adesão ao Cristianismo foi crescente, e isso implica numa troca de religião de judeus devotos. A unidade cultural e religiosa do judaísmo é tão forte, que mesmo na diáspora, eles conseguiram manter sua identidade como povo. Paulo, um fariseu renomado e zeloso pela tradição judaica não iria abandonar seu status para viver, padecer e morrer, senão tivesse plena certeza de seu chamado. Ele viu a Jesus ressuscitado, como nos diz o texto de 1 Coríntios 15. Ele e muitos outros foram testemunhas oculares da ressurreição. Um judeu do primeiro século não iria trair a revelação de Iavé, pois isso acarretaria em arriscar a sua salvação. Seria o equivalente a mentir contra o Deus de Israel.

A ideia de um corpo ressuscitado era tão absurda para a cultura judaica como a cultura helenística (1Coríntios 1:23). Era um conceito novo, não tão bem compreendido e tinha tudo para ser impopular, como foi para muitos e ainda é. Mas, este é um fundamento do cristianismo e importa ser pregado.

COM CRISTO VENCEREMOS

Embora tenhamos esses e outros argumentos em defesa da ressureição de Cristo, devemos ter ciência de que é a fé e não a razão que nos inclina para reconhecermos, e aceitarmos, essa verdade contida nas Escrituras. Por ser a fé um dom divino, faz-se necessário que o Salvador primeiramente se revele ao homem, para que este possa adorá-lo e afirmar tal como disse o apóstolo Pedro: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16:16).

A fé é necessária para compreendermos que a ressurreição foi um ato da Trindade, e esta demonstração de poder atesta a veracidade do ministério de Cristo. Ele de fato é o Filho de Deus. Sua vitória sobre a morte assegura para todo o que nele deposita a sua fé que com ele viveremos. Sua ressurreição indica que também ressuscitaremos e teremos este nosso corpo corruptível transformado. Vejamos o que diz a Confissão de Fé de Westminster:

“No último dia, os que estiverem vivos não morrerão, mas serão mudados; todos os mortos serão ressuscitados com os seus mesmos corpos e não outros, posto que com qualidades diferentes, e ficarão reunidos às suas almas para sempre”.
I Tess. 4:17; I Cor. 15:51-52, e 15:42-44.

Se não cremos nisso, nossa pregação é vã, como disse o apóstolo Paulo aos coríntios (1 Co 15.12-20). Mas o mesmo apóstolo testifica que Cristo ressurgiu dos mortos, e ao vencer a morte, como o segundo Adão, nos legou o direito a vida. Como o próprio Jesus disse a irmã de Lázaro:

Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso?” - João 11:25,26

A DESTRA DE DEUS

A ascensão de Cristo é o cumprimento da profecia de Daniel 7.13-14. O próprio Jesus falou acerca dela (Mt 26. 64). Este evento é a última etapa da sua primeira vinda, onde exaltado acima de todo o nome após sua humilhação e padecimento (Fl 2. 5-11), Ele agora se encontra a destra do Pai, numa posição de autoridade, sendo o regente que o mundo reconhecerá e se curvará após o seu eminente retorno.

O fato de Cristo ter sido assunto aos céus é de vital importância para nós. Como dito aos doze, Ele foi preparar o nosso lugar no seu Reino de Glória. E quando voltar nos levará, isto é, seu povo, para habitar com Ele em sua eterna morada. (Jo 14. 1-3). E enquanto Ele não vem, ficamos na companhia do Espírito Santo, o consolador enviado pelo Pai em nome de Cristo, que ilumina nossos corações nos fazendo entender e crer no Evangelho (Jo 14.26). Logo, esta partida de Cristo é também boa-nova e foi idealizada para o bem dos seus seguidores.

Na revelação que Deus concedeu ao apóstolo João, que viu o Senhor exaltado em seu trono (Ap 1.13-18), há um capítulo que resume a história da redenção. Este capítulo fala do nascimento do Messias e revela que Deus-Pai o arrebatou para si, colocando junto ao seu trono (Ap 12.5). A partir desse evento, desencadeia-se uma guerra celestial na qual o Diabo, que tinha o papel de ser nosso acusador, é lançado fora, tendo Cristo vencido o seu oponente. Com a autoridade que lhe cabe, foi declarado seu senhorio sobre o Reino de Deus (Ap 12.10).

O papel que Cristo ocupa no céu é o de Senhor absoluto do cosmos. O cordeiro imolado é também um leão que ruge com poder e glória, reivindicando para si todas as coisas que estão na terra e no céu. Com sua força vence os seus adversários e subjuga a todos debaixo dos seus pés. Além disso, Cristo nos céus é o nosso intercessor, que por nós roga diante de seu Pai. Ele é o sacerdote que entrou no tabernáculo celestial (Hb 4.14) uma vez por todas, nos redimindo em definitivo, para que entremos no seu descanso. O autor de Hebreus conclui dizendo:

Assim sendo, aproximemo-nos do trono da graça com toda a confiança, a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade”. - Hebreus 4:16

CONCLUSÃO

Ao findar a seção que trata de Cristo, o Credo nos lembra de que Ele irá voltar. A segunda vinda do Messias é o desfecho da História, o fim do concurso dos nossos dias num mundo caído. Estamos nos “últimos dias” que são aqueles vividos entre a primeira e a segunda vinda de Jesus, e devemos aguardar o seu retorno, vivendo como se fôssemos a última geração da terra - mesmo que não sejamos e o Senhor se prolongue por mais algumas gerações.

É verdade que muitos zombam da segunda vinda do Cristo e dizem que Ele está se demorando. Afinal, passaram-se 20 séculos e nada dele ter voltado. Mas como diz o apóstolo Pedro:

Não se esqueçam disto, amados: para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos como um dia. O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Pelo contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento”. - 2 Pedro 3:8,9

Cristo retornará e virá para os que o esperam e para os que não o esperam. O dia e a hora ninguém sabe, mas devemos viver de maneira santa e piedosa esperando o grande dia (2 Pedro 3.11,12). Como soldados em uma trincheira, devemos estar sempre vigilantes e preparados. E a nossa pregação não deve omitir que acreditamos no retorno de Jesus que virá buscar a sua igreja.

No Dia do Juízo, Cristo vem como Rei e em seu trono julgará todas as nações. Este dia será de alegria para os que creram em seu nome e por Ele foram redimidos pelo sangue vertido na cruz do calvário. Mas, os incrédulos serão declarados culpados por todos os seus pecados e terão que pagar pelos mesmos. Aos que não creem, este dia será de dor e de remorso.

Mas saber que o Rei dos Reis julgará com equidade e justiça é um alívio para quem nele deposita a esperança. Toda injustiça não ficará impune. Toda opressão se desfará. As mazelas deste mundo não serão mais vistas na consumação do Reino e com o ausente efeito do pecado sobre nós, poderemos gozar de paz perfeita na presença do Deus triúno. Louvado seja Cristo, que encarnou, foi crucificado, sepultado, ressurreto, assunto aos Céus e que em breve voltará trazendo consigo – em definitivo – o seu Reino.

Soli Deo Gloria

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos

Leia também:
Série Credo Apostólico - Parte 1: Um Símbolo da Fé Cristã
Série Credo Apostólico - Parte 2: Pai, Todo Poderoso, Criador
Série Credo Apostólico - Parte 3: Jesus Cristo é o Senhor
Série Credo Apostólico - Parte 4: O Redentor no Espaço-Tempo
Série Credo Apostólico - Parte 5: O Padecimento do Cristo
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Série Credo Apostólico - Parte 5: O Padecimento do Cristo

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INTRODUÇÃO

“...foi crucificado, morto, sepultado, desceu ao mundo dos mortos”.

A crucificação é um episódio doloroso e que muitos conhecem por sua brutalidade. O filme “Paixão de Cristo”, dirigido por Mel Gibson foi uma das encenações do martírio de Jesus que mais se aproximou do espetáculo horrendo que aconteceu há dois milênios atrás. Mas o que passa despercebido para alguns é que as dores físicas e o horripilante rito de matar um homem pendurando-o num madeiro não foram o pior que aconteceu ao Cristo. Seu padecimento extrapola o que é visível para a plateia que vê o Filho de Deus apregoado na cruz. O que nosso Senhor sentiu foi o peso de carregar sobre si os pecados de muitos e com isso, sentiu a ira e o abandono de Deus Pai, pois ali, de maneira substitutiva, aquele que não tinha pecado representava (de modo vicário) a soma da vileza dos piores pecadores possíveis. E ele sentiu a agonia infernal de ser punido para satisfazer a justa ira divina.

Logo, devemos compreender que a crucificação não evidencia apenas o altruísmo de um homem que deu a vida para deixar de herança um belo exemplo às gerações posteriores. A cruz pode ser vista como um episódio de amor e misericórdia, porém, mais que isso ela foi o desfecho de uma dívida que era preciso ser paga. O credor não podia simplesmente perdoar, alguém deveria derramar seu sangue para que a justiça fosse feita. Citando John Stott, é correto dizer que “Na Cruz, a misericórdia e a justiça divina foram igualmente expressas e eternamente reconciliadas”.

Para uma melhor compreensão do que disse Stott, é preciso recorrer a um texto paulino.

O SUBSTITUTO

Paulo vai iniciar a sua exposição doutrinária aos Romanos afirmando que as pessoas sem Lei são culpadas diante de Deus (Rm 1.18-2.16). Em seguida, o apóstolo afirma que os possuidores da Lei também são culpados (Rm 2.17-3.8). Enfim, o mundo inteiro é culpado diante de Deus (Rm 3. 9-20). A culpa é proveniente do pecado: “todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus” (Rm 3.23).

Ao falar sobre a natureza culpada do ser humano, que o torna réu no Tribunal de Deus, Paulo está introduzindo a boa nova. O Evangelho, para ser bem compreendido, precisa partir desse ponto. O que se segue na explanação paulina é que Deus não nos retribuirá segundo os nossos pecados, pois em Cristo, através da morte na cruz, nós fomos justificados, isto quer dizer que nossos pecados não mais serão levados em conta, foi Cristo quem pagou por eles com seu sangue. Eis a boa notícia que leva o nome de Evangelho. Então, não é preciso fazer nada na tentativa de aplacarmos a ira de Deus. Jesus já fez tudo por nós, sua obra é completa e já foi consumada. Basta crer somente nele.
A fé nos justifica e não nossas obras, pois somos incapazes de guardar a Lei de Deus. Jesus foi aquele que não pecou e se deu por sacrifício em nosso favor. Nossos pecados foram remidos pelo sangue de Cristo. Judeus e gentios, ambos declarados justos graças aos méritos do Salvador. O que Paulo ensina aqui é o cerne da doutrina cristã, e em ambos os testamentos temos o desenvolvimento da história da redenção até chegarmos até o Cristo.

Em Gênesis 1, lemos Deus criando o mundo e o homem. Tudo o que Ele criou é bom. Mas, no capítulo 3 já vemos que o homem decide quebrar sua aliança com Deus e através da instrumentalidade de Satanás, o pecado entra no mundo e macula o espírito do homem, colocando-o na condição de inimigo do SENHOR, separado de Sua santa presença. Todavia, em Gênesis 3.15 existe uma promessa de que da descendência da mulher – Eva – viria àquele que iria destruir Satanás e sua obra perversa. E o desenrolar do Antigo Testamento nos mostra Deus suscitando uma semente até que chegue a plenitude dos tempos (Gl 4.4) e a profecia se cumpra ao nascer Jesus, nascido de uma mulher e debaixo da lei.

Como o ser humano se tornou incapaz de se achegar a Deus, por conta do pecado, foi preciso que Deus estabelecesse o resgate. E para isso um inocente assumiu o lugar dos pecadores. Jesus Cristo é um substituto legal que em si suportou toda a ira dos pecados sendo expurgados. Por Deus ser santo, não pode conviver com o pecado, e por isso não poderia simplesmente perdoar e deixa-lo impune. A misericórdia do Senhor não acontece a despeito de sua justiça. O pecado deveria ser punido e seus efeitos no homem derrotado para que pudéssemos ter reconciliação.

O autor da carta aos Hebreus nos diz que sem derramamento de sangue não há remissão de pecados (Hb 9. 22). Falando de todo o sistema sacrificial da antiga aliança, o autor mostra que eram apontamentos ao sacrifício definitivo de Cristo, por isso que ele é chamado de Cordeiro de Deus, e foi imolado antes da fundação do mundo (Ap 13.8 e 1 Pd 1.19-20). Como o animal do sacrifício, e, ao mesmo tempo, sacerdote que estava mediando nossa relação com o Pai, Cristo foi nosso substituto, o segundo Adão que através de sua obediência perfeita, atendeu os critérios para receber o pagamento de nossos pecados e assim nos justificar.

A OBRA DA CRUZ

Cristo sendo nosso substituto, e morrendo na cruz, realizou aquilo que não poderíamos. A Escritura usa quatro termos para falar sobre o que foi realizado através da morte vicária de nosso Salvador, vejamos agora o que eles querem dizer.

- Propiciação: É o sacrifício que serve para aplacar a ira de alguém que foi ofendido. No nosso caso, ofendemos ao Criador através de nossos pecados, por isso, a propiciação seria um fator apaziguador, pelo qual Deus não nos puniria por nossos pecados. O sacrifício de animais no Antigo Testamento tinha esse caráter, por isso que o local onde o sangue era aspergido chamava-se propiciatório. Cristo na cruz é a nossa propiciação (1 Jo 2.2 e 4.10).

- Expiação: É o ato que promove reconciliação, reaproximação, perdão e purificação mediante sacrifício. O sangue dos animais ilustrava o sangue de Cristo vertido no Calvário. Jesus expiou nossos pecados.

- Justificação: Ter a culpa removida e sermos declarados justos diante de Deus é um dos efeitos da expiação. Não somos considerados justos pelos nossos méritos. A justificação vem pelo derramamento de sangue inocente. O sacrifício de Cristo nos justifica (Rm 3.24-25), e de uma vez por todas (Hb 9), sem necessidade de continuar sacrificando.

- Santificação: Seguindo a justificação vem a santificação. Dentro da Arca estava a Lei (Dt 10.2 e Hb 9.5). Por cima da Lei havia o sangue da expiação, derramado sobre o propiciatório. Isso nos mostra que não é a obediência a Lei que me leva ao Cordeiro (Cristo). É o Cordeiro que me leva a obedecer a Lei. Guiados por Jesus, santidade é um caminho real, pois nele, somos separados para as boas obras.

Assim sendo, a obra de Cristo tem grande valor para nós, e sem ela não teríamos paz com Deus, continuaríamos mortos em nossos delitos e pecados, vivendo debaixo de sua ira. Mas foi por sua infinita misericórdia que Cristo nos foi dado, para que nele nós obtivéssemos a vida.

MORTE REAL

O Credo enfatiza que a morte de Cristo foi real e não figurativa. Ele foi sepultado, após morrer crucificado, que era uma ultrajante pena de morte aplicada no Império Romano aos mais vis criminosos. Isso está registrado nos quatro evangelhos, de forma que basta lê-los para nos certificarmos disso. Todavia, um grupo herético (gnósticos) negava que Jesus havia morrido, pois para eles, Cristo tinha apenas uma aparência corpórea, mas não tinha um corpo real. Ora, isso faz com que a morte de Cristo não seja real, logo, ele não seria o nosso substituto. Mas não é isso que a Escritura nos diz e precisamos afirmar categoricamente que o Verbo se fez carne (João 1).

Uma ênfase de que Cristo morreu de fato é a sentença “desceu ao mundo dos mortos” ou “desceu ao Hades”. Esta é uma frase que não constava primeiramente no Credo, mas foi acrescida a ele por volta do século 7. Antes disso, a expressão era usada como substituta da frase “foi sepultado”, mas o seu emprego sendo colocado após a frase que antes a substituía, tal como lemos hoje, gerou uma série de interpretações.

Hades é para os gregos o mundo dos mortos, onde estão todos que faleceram. Os bons ficam no lugar chamado Elísio e os maus no Tártaro, que seriam os dois compartimentos deste mundo. A cristianização desse termo o colocou como sendo o Inferno e daí houve uma corrente que começou a defender que após a sua morte, Cristo foi pregar aos cativos no Inferno ou foi lá para proclamar a sua vitória, como creem os luteranos.

No Antigo Testamento, Sheol era a designação do lugar dos mortos, mas também podia ser, dependendo do uso, sepultura. Hades foi muitas vezes usado como sinônimo de Sheol. Pedro usou a palavra em Atos 2:27, quando citou o Salmo 16:10 - que usa Sheol. Isto pode nos levar a concluir que “desceu ao Hades” sirva de ênfase ao sepultamento de Cristo.

A tradição reformada, a partir de Calvino, interpreta a frase como sendo enfática. Sobre o porquê desta sentença está no Credo (pergunta 44), o Catecismo de Heidelberg responde:

Porque meu Senhor Jesus Cristo sofreu, principalmente na cruz inexprimíveis angústias, dores e terrores. Por isso, até nas minhas mais duras tentações, tenho a certeza de que Ele me libertou da angústia e do tormento do inferno”.

O Catecismo Maior de Westminster (Resposta a pergunta 50) também diz que A humilhação de Cristo depois da sua morte consistiu em ser ele sepultado, em continuar no estado dos mortos e sob o poder da morte até ao terceiro dia; o que, aliás, tem sido exprimido nestas palavras: Ele desceu ao inferno (Hades)”.

CONCLUSÃO

Jesus sofreu não apenas na sua crucificação. Toda sua vida foi de aflição. Santo, teve que habitar num mundo corrompido pelo pecado, sendo tentado em tudo, mas sem pecar, como nos diz o texto sagrado (Hb 4.15). Experimentou o descrédito daqueles que eram o seu povo e lidou com o ódio de determinado grupo religioso. Jesus foi traído por um de seus discípulos e negado pelos outros ao ser preso. Homem de dores!

Na crucificação, apesar de toda dor física, havia a terrível angústia de ser punido e abandonado por seu Pai, pois ali estava representando a figura da vileza humana, mesmo sendo Ele alguém que obedeceu plenamente toda a lei. Aquela aflição sofrida na cruz era demais para nós, não suportaríamos, todavia, Ele a suportou em nosso lugar para que ficássemos livres. O fardo do pecado foi desatado de nossas costas e os que creem em seu sacrifício não sentirão os tormentos infernais, pois Cristo já suportou tais tormentos. Por isso regozijemo-nos na mensagem da cruz. Ela é boa nova para todo o que em Cristo Jesus depositar a sua fé.

Soli Deo Gloria

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos


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