Devem os cristãos comemorar a páscoa usando os tipos cerimoniais do Antigo Testamento?

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Por Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima


Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gálatas 1.6-9).

I – INTRODUÇÃO

Estamos no período comumente conhecido como “Semana Santa”, uma data promovida, a princípio, pelo Catolicismo Romano, mas que em virtude da “alma católica dos evangélicos brasileiros”[1], foi assimilada pelo evangelicalismo e até mesmo pelas denominações protestantes reformadas. Em 2010 postei aqui, no Cristão Reformado, o meu posicionamento e o que entendo ser a postura do presbiterianismo histórico em relação à Páscoa (aqui, aqui e aqui).

Apesar do meu posicionamento, convivo bem com irmãos amados que não possuem o mesmo entendimento que eu. Não brigo, não crio um clima beligerante com aqueles que desejam celebrar a Páscoa em suas igrejas, culminando com a celebração do chamado “culto da ressurreição” no domingo pela manhã. Não obstante, não consigo admitir que pastores, homens incumbidos de ensinar a Palavra de Deus em sua inteireza à igreja local entregue aos seus cuidados, levem as ovelhas do Senhor de volta às sombras veterotestamentárias, e que, para tentar justificar isso, apelem para decisões conciliares claramente discutíveis. Não consigo ficar calmo quando vejo igrejas desprezando o sacrifício de Cristo na cruz do Calvário, por celebrarem o que chamam de Páscoa se reunindo no dia do Senhor, no domingo, para juntos comerem um cordeiro assado, pães sem fermento e ervas amargas (alface). E o mais aberrante é que, logo depois celebram a Ceia do Senhor, resultando assim, num sincretismo pernicioso.

II – “FUNDAMENTAÇÃO” DA PRÁTICA

Três justificativas são apresentadas:

1) Trata-se de uma simples lembrança da primeira páscoa, em Êxodo 12, quando os israelitas receberam o mandamento referente à instituição da Sêder, a páscoa veterotestamentária. Argumenta-se que é um simples memorial de um dos grandes eventos da História da Redenção, quando o Senhor, com mão poderosa, libertou o seu povo do jugo egípcio;
2) Os adeptos dessa prática dizem que, além de ser uma simples lembrança da primeira páscoa, o fato de a igreja se reunir para comer um cordeiro assado, pães sem fermento e alface se constitui numa simples encenação, ou seja, uma simples representação teatral da primeira páscoa. Diz-se que a igreja não está sendo ensinada a celebrar a Páscoa. Na verdade, a igreja está apenas apresentando uma peça; e
3) Há afirmação de que seja apenas um recurso didático, uma forma de ensino. Diz-se que a igreja não está sendo ensinada a celebrar a páscoa nos moldes veterotestamentários, mas está sendo ensinada, simplesmente acerca de como se deu a primeira páscoa, em Êxodo 12.

Gostaria de fazer alguns comentários pontuais a respeito das três justificativas apresentadas em favor daquilo que, escrituristicamente, é uma abominação:

1) Em Mateus 28.19-20, encontramos Jesus dizendo o seguinte aos seus doze discípulos: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século”. Os discípulos deveriam fazer com que a Igreja praticasse tudo aquilo que foi ordenado pelo Senhor Jesus Cristo. Apenas isso! Encontramos alguma ordem de Jesus referente à observância da páscoa? Sim e não. Em Lucas 22.19, Jesus, estando reunido com os Doze, ordena o seguinte: “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: Isto é o meu corpo oferecido por vós; fazei isto em memória de mim”. Jesus não ordenou, em absoluto, que os seus discípulos organizassem um memorial ou uma lembrança da páscoa judaica. A partir daquele instante, os discípulos deveriam lembrar a sua morte através da celebração da Ceia do Senhor, o que é confirmado pelo apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 11.23-25: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim. Por semelhante modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim”. A razão para tal descontinuidade entre a celebração pascoalina veterotestamentária e a Ceia da Nova Aliança é apontada pelo mesmo apóstolo Paulo, em 1 Coríntios 5.7: “Lançai fora o velho fermento, para que sejais nova massa, como sois, de fato, sem fermento. Pois também Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado”. Jesus Cristo é o cumprimento da páscoa do Antigo Testamento. O Dr. John Sittema diz o seguinte a este respeito: “Jesus, um rabino do século 1º, celebrou a festa do modo como foi transmitida à sua geração, uma comemoração envolta em séculos de costumes. Honrou todos os requisitos de uma celebração pascal tradicional. Sua ‘Última Ceia’ foi, evidentemente, uma refeição Sêder. Porém, Jesus fez mais do que celebrar a Páscoa. Ele a encarnou”.[2] Interessantemente, apesar de a refeição de Jesus ter sido uma Sêder, ele não ordenou que os discípulos se reunissem para comer um cordeiro assado, porém, apenas pão e vinho. Nada mais que isso.

2) A afirmação de que se trata simplesmente de uma lembrança da primeira páscoa é falaciosa, visto que a primeira páscoa foi caracterizada por ser uma celebração familiar. Cada família deveria providenciar e imolar o seu próprio cordeiro. Cada família deveria se reunir em seu lar para comer o cordeiro, os pães asmos e as ervas amargas. Cada família deveria espalhar o sangue nos umbrais das portas e janelas de sua própria casa. É o que diz Êxodo 12.3-4: “Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família. Mas, se a família for pequena para um cordeiro, então, convidará ele o seu vizinho mais próximo, conforme o número das almas; conforme o que cada um puder comer, por aí calculareis quantos bastem para o cordeiro”. Reunir a igreja para comer cordeiro, pão e alface em nada lembra a primeira páscoa – a não ser nos alimentos oferecidos. Tal prática lembra, sim, a páscoa celebrada no tabernáculo e no templo, já na terra de Canaã, a partir de Deuteronômio 16.1-8, particularmente o versículo 2: “Então, sacrificarás como oferta de Páscoa ao SENHOR, teu Deus, do rebanho e do gado, no lugar que o SENHOR escolher para ali fazer habitar o seu nome”. Tal celebração era parte inextricável do que ficou conhecido como “lei cerimonial”. Sobre o caráter da primeira páscoa, as palavras do Dr. John Sittema são pertinentes: “Os participantes pertenciam ao círculo íntimo: tratava-se de uma celebração familiar e cada homem deveria escolher um cordeiro para a sua casa e só compartilhá-lo com o vizinho se sua família fosse pequena demais para consumir o cordeiro inteiro”.[3] Ele diz ainda que, a mudança para o tabernáculo e, posteriormente, para o templo “transformou a Páscoa na primeira das ‘festas peregrinação’ para as quais os israelitas deviam se deslocar até a casa do Senhor”.[4] O Pr. Moisés Bezerril, respeitado teólogo, afirma ainda que: “A Santa Ceia tem aspectos característicos da Nova Aliança. A páscoa era somente para Israel e alguns peregrinos estrangeiros que deveriam ser circuncidados para participarem daquele sacramento. Certamente que a páscoa era o sacramento familiar, daquela família com exclusividade, mas a santa ceia é o sacramento de todas as famílias juntas ao mesmo tempo”.[5] Isto posto, os adeptos da celebração pascoalina judaizante deveriam ser sinceros a respeito de seu apego às sombras do Antigo Testamento e do seu descaso para a com a viva realidade que é Jesus Cristo.

3) Ainda no que tange à afirmação de que reunir a igreja para comer cordeiro assado, pães sem fermento e alface é um simples memorial da primeira páscoa, podemos afirmar que, isso se constitui em um retorno ao cerimonialismo judaico, o qual deveria ser repetido todos os anos. Com a celebração da primeira páscoa, em Êxodo 12, foi estabelecida também a cerimônia anual da Pêsah: “Este dia vos será por memorial, e o celebrareis como solenidade ao SENHOR; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo” (v. 14). Sobre isso, o comentário de L. S. Chafer é interessante: “Tão profunda foi esta redenção que de Israel era exigido que, em reconhecimento dela, fosse estabelecida a Páscoa por todas as gerações – não como uma renovação da redenção, mas como um memorial”.[6] Devemos compreender que, aqueles que estavam debaixo das sombras do Antigo Testamento é quem deveriam celebrar a primeira páscoa. Os israelitas tinham o dever de lembrar a libertação ocorrida naquela noite extraordinária. Então, como deve ser entendida a ação de reunir a igreja, no dia do Senhor, para relembrar a primeira páscoa? Não seria essa uma prática judaizante? E não foi justamente contra esse tipo de prática que o apóstolo Paulo lançou os seus anátemas (Gálatas 1.8-9)?

4) Dizer que reunir a igreja, no domingo, para comer cordeiro assado, pães asmos e alface se trata, apenas de uma simples e inofensiva encenação e que a igreja não está sendo ensinada a celebrar a páscoa judaica é um argumento extremamente débil e falacioso. Quando alguém argumenta dessa maneira, a intenção é descaracterizar o cerimonialismo inerente ao ritual judaico e, assim, não ser acusado de fazer de tal ritual um ato de culto. Apesar desse esforço, tal tentativa é ineficaz, pois essa “encenação”, quando repetida ano após ano, adquire, sim, um caráter ritualístico e cerimonial. Essa “encenação”, quando repetida ano após ano, acaba por se constituir em uma tradição vista como correta e, daí por diante, como legítima expressão cúltica. À medida que a “Semana Santa” se aproxima, os membros da igreja criam uma grande expectativa a respeito do cordeiro que será comido pela igreja reunida no domingo. Com isso, estabelece-se um perigoso e maléfico misticismo no seio da igreja. Além disso, se é necessário que exista alguma encenação acerca do sofrimento do Redentor, creio que a Ceia do Senhor é a melhor e mais apropriada encenação pascal (1 Coríntios 5.7). Sendo assim, quando um pastor “encena” ano após ano a páscoa judaica, reunindo a igreja sob seus auspícios para comer um cordeiro assado e os demais alimentos, ele está, sim, ensinando a sua igreja a fazer aquilo. Ele está fazendo com que a sua igreja se devote às sombras cerimoniais. Sem saber, ele faz com que sua igreja despreze o sacrifício perfeito de nosso Senhor Jesus Cristo.

5) Sobre o argumento de que se trata apenas de um recurso didático, o mesmo nada mais é do que uma tentativa de eufemizar a prática, pois a execução da mesma mostra que se trata, sim, de um ritual. Quando isso acontece, é comum vermos os presbíteros postados à mesa, os membros da igreja em fila no corredor central da nave, prontos e ávidos por receberem uma porção da carne do cordeiro, do pão sem fermento e da hortaliça. Além disso, o pastor está no púlpito, dando a palavra de ordem para que os membros se dirijam até à mesa. Pra tornar o caso ainda mais sério, logo após celebra-se a Ceia do Senhor, na mesma mesa onde o cordeiro foi servido à congregação, e no mesmo serviço litúrgico. Creio que, se a intenção fosse simplesmente a de ensinar à igreja como se processou a primeira páscoa de Êxodo 12, uma ocasião excelente seria a realização de um almoço logo após à Escola Dominical.

O que pode ser percebido nos argumentos apresentados em favor da prática abominável de celebrar a páscoa nos moldes veterotestamentários, é que os mesmos carecem de fundamentação escriturística. Não é apresentada sequer uma passagem que justifique a inserção do cerimonialismo judaico em um culto segundo os princípios da Nova Aliança. Quando muito, apresenta-se uma resolução conciliar que, numa leitura distorcida, apóia a prática.

III – SOBRE O APEGO AOS TIPOS E O DESPREZO PELO ANTÍTIPO

Etimologicamente, a palavra grega tipos “significa uma estampa que pode servir como um molde ou padrão, e que é típica no Antigo Testamento como um molde ou padrão do que é antitípico no Novo Testamento”.[7] Um tipo pode ser definido como: “um modelo ou exemplo que antecipa ou precede uma realização última”.[8] Nesse sentido, pessoas, lugares, coisas, rituais, fatos e animais podem aparecer nas Sagradas Escrituras como tipos. O Dr. Heber Carlos de Campos define “tipo” da seguinte maneira: “Um tipo diz respeito a uma pessoa, a uma ação, a um evento, a uma cerimônia, etc., mencionado no Antigo Testamento, que prefigura um Antítipo da mesma natureza no Novo Testamento”.[9] O scholar Louis Berkhof afirma que, “a ideia fundamental [do tipo] é a da ‘relação representativa preordenada que certas pessoas, eventos, e instituições do Antigo Testamento têm com pessoas, eventos, e instituições correspondentes do Novo’”.[10] Chafer diz que, “um tipo é uma descrição estruturada que retrata o seu antítipo. Ele é a própria ilustração que Deus dá de sua verdade desenhada por sua própria mão”.[11]

Assim, objetos como a arca que livrou Noé e seus familiares do dilúvio, a serpente de bronze, o tabernáculo e o templo são claramente tipológicos. Eles funcionam nas Sagradas Escrituras como tipos de Jesus Cristo, aquele que livrou o povo de Deus do derramamento de Sua ira, que pendurado no madeiro trouxe salvação àqueles que olham com confiança para Ele e que é a perfeita habitação de Deus entre o seu povo. Homens como Abraão, José, Moisés, Josué também serviram como tipos de Jesus, por retratarem aspectos da obra que seria realizada e consumada futuramente por Jesus Cristo, em sua encarnação e ministério terreno.

Claramente, o cordeiro pascal de Êxodo 12 é um tipo de Jesus Cristo. Na verdade, todos os sacrifícios realizados durante a administração pactual do Antigo Testamento apontavam, prefiguravam o sacrifício perfeito de nosso Senhor Jesus. O Dr. Gerard van Groningen afirma que, “o relato sobre o cordeiro pascal em Êx 12.3-11 é o ponto de partida para todas as outras referências a esse cordeiro”.[12] Esse cordeiro pascal era um tipo do Cordeiro que seria revelado plenamente no Novo Testamento. Ele era um tipo de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus: “No dia seguinte, viu João a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!” (João 1.29). Em Atos dos Apóstolos 8.32, somos informados de que, “a passagem da Escritura que estava lendo era esta: Foi levado como ovelha ao matadouro; e, como um cordeiro mudo perante o seu tosquiador, assim ele não abriu a boca”. Filipe disse ao Eunuco etíope que, a passagem de Isaías 53.7-8 estava falando a respeito de Jesus Cristo, o Cordeiro de Deus. O fator central relativo ao cordeiro de Êxodo 12 é o sangue marcado nos umbrais das portas dos israelitas:

O sangue foi o meio que Yahweh empregou para poupar os primogênitos de Israel. O cordeiro, para que seu sangue fosse útil, tinha de morrer. Assim, o cordeiro tornou-se um substituto para todos os primogênitos em Israel. Sem que o sangue do cordeiro fosse derramado, recolhido e aplicado, não haveria nenhuma libertação, nenhuma redenção para o povo escolhido de Yahweh. O sangue do cordeiro usado no tempo do êxodo apontava, como um tipo, para o sangue de Cristo derramado, sem o qual não há redenção do cativeiro do pecado (Hb 9.22). O sangue do cordeiro funcionava redentivamente e, portanto, tem um significado messiânico definido.[13]

Algo que não deve ser esquecido a respeito dos tipos, é que, por natureza, eles são imperfeitos, isto é, “o Antítipo é superior e maior em significado do que Tipo”.[14] A imperfeição dos tipos é claramente afirmada em Hebreus 9.9-11: “É isto uma parábola para a época presente; e, segundo esta, se oferecem tanto dons como sacrifícios, embora estes, no tocante à consciência, sejam ineficazes para aperfeiçoar aquele que presta culto, os quais não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções, impostas até ao tempo oportuno de reforma. Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação”. No Antigo Testamento, os cordeiros oferecidos eram imperfeitos no sentido de não serem, em si mesmos, a razão pela qual Deus perdoava os pecados do povo. O perdão concedido tinha por base o sangue derramado do Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. Apenas o seu sangue é eficaz para a remissão dos pecados do povo de Deus. A morte do cordeiro pascal de Êxodo 12, em si mesma, era ineficaz.

Dado o caráter imperfeito dos tipos e o caráter perfeito do Antítipo, é pertinente a observação do Dr. Heber Carlos de Campos: “A revelação é progressiva porque ela parte do imperfeito para o perfeito. Por essa razão, quando o Cordeiro veio, não mais precisamos de outros cordeiros. Quando o antítipo chega, os tipos cessam. Quando perfeito chega, o imperfeito desaparece”.[15] Hebreus 10.1-4 afirma de forma inequívoca a imperfeição dos sacrifícios veterotestamentários:

Ora, visto que a lei tem sombra dos bens vindouros, não a imagem real das coisas, nunca jamais pode tornar perfeitos os ofertantes, com os mesmos sacrifícios que, ano após ano, perpetuamente, eles oferecem. Doutra sorte, não teriam cessado de ser oferecidos, porquanto os que prestam culto, tendo sido purificados uma vez por todas, não mais teriam consciência de pecados? Entretanto, nesses sacrifícios faz-se recordação de pecados todos os anos, porque é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados.

Já o versículo 12 assevera a perfeição inerente ao sacrifício de Jesus Cristo na cruz do Calvário: “Jesus, porém, tendo oferecido,para sempre, um único sacrifício pelos pecados, assentou-se à destra de Deus”.

Com a vinda de Jesus Cristo, seu sofrimento e morte na cruz, os tipos cessaram. As sombras cerimoniais e sacrificiais do Antigo Testamento foram banidas com a obra expiatória de Jesus. Depois da chegada da realidade, Cristo, as sombras tipológicas cessaram, perderam a sua razão de ser, de maneira que, os cristãos devem se alegrar pela realidade de Cristo Jesus, e não devem, de forma alguma, retornar às sombras veterotestamentárias. Os crentes, hoje, desfrutam de uma bênção maravilhosa que é poder relembrar a morte substitutiva de Jesus na Ceia instituída pelo próprio Cordeiro de Deus. Por conseguinte, inserir no culto o que é chamado de “rememoração da primeira páscoa” é inserir um elemento estranho à realidade da Nova Aliança e uma abominação aos olhos da tradição apostólica legada pelo apóstolo Paulo: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gálatas 1.8-9).

Já disse em outra ocasião: NOSSA PÁSCOA É A CEIA DO SENHOR! Trata-se de uma grande abominação, um culto sincrético, colocar no mesmo culto uma “lembrança” da páscoa cerimonial veterotestamentária e a Ceia do Senhor. É necessário que haja arrependimento, pois maldito é aquele que ensina outro evangelho que não aquele recebido por Paulo do próprio Senhor Jesus Cristo.

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Notas:
[1] Esta frase é o título de um artigo escrito pelo Dr. Augustus Nicodemus Lopes. Ele identifica cinco características dessa alma católica: 1) o gosto por bispos e apóstolos; 2) a ideia que pastores são mediadores entre Deus e os homens; 3) o misticismo supersticioso no apego a objetos sagrados; 4) a separação entre sagrado e profano; e 5) somente pecados sexuais são realmente graves. Disponível em http://tempora-mores.blogspot.com.br/2006/11/alma-catlica-dos-evanglicos-no-brasil.html. Particularmente, creio que o apego às festividades do calendário litúrgico da Igreja de Roma seja a sexta característica.
[2] John Sittema. Encontrei Jesus numa Festa de Israel: Os Festivais do Antigo Testamento à Luz do Evangelho de Jesus Cristo. São Paulo: Cultura Cristã, 2010. p. 37.
[3] Ibid. p. 33.
[4] Ibid. p. 34.
[5] Moisés C. Bezerril. Sacramentos e Clericalismo. Artigo disponível em: http://www.monergismo.com/textos/sacramentos/sacramentos_moises_bezerril.htm. Acessado em 21 Abr 2011.
[6] Lewis Sperry Chafer. Teologia Sistemática. Volume 1 & 2. São Paulo: Hagnos, 2008. p.
[7] Lewis Sperry Chafer. Teologia Sistemática. Volume 1 & 2. São Paulo: Hagnos, 2008. p. 27.
[8] Louw-Nida Greek Lexicon (58.63) in BIBLEWORKS 7.0. Minha tradução.
[9] Heber Carlos de Campos. Teologia da Revelação. Apostila do curso de TST 301 – Teologia da Revelação. São Paulo: Andrew Jumper, 2011. p. 90.
[10] Louis Berkhof. Princípios de Interpretação Bíblica. São Paulo: Cultura Cristã, 2000. p. 142.
[11] Lewis Sperry Chafer. Teologia Sistemática. Volume 1 & 2. p. 72.
[12] Gerard van Groningen. Revelação Messiânica no Antigo Testamento. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. p. 214.
[13] Ibid. p. 216.
[14] Heber Carlos de Campos. Teologia da Revelação. p. 91.
[15] Ibid. p. 94.

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Fonte: Cristão Reformado
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Como o movimento apostólico atual afeta a igreja?

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Existem apóstolos hoje? Após um cuidadoso estudo, o Dr. Augustus Nicodemus investiga biblicamente o papel, as marcas e os limites do ministério apostólico. Uma obra inédita e extremamente urgente para a igreja de nossos dias.

Nestes vídeos abaixo, o Rev. Augustus Nicodemus Lopes fala sobre o movimento apostólico atual, como ele afeta a igreja. Uma breve introdução ao seu mais novo livro, Apóstolos - verdade bíblica sobre o apostolado, recém lançado pela Editora Fiel. Assista:





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Fonte: Editora Fiel
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O Evangelho para Todas as Nações

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Por O. Palmer Robertson


E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim” (Mt 24:14)

Estamos gratos ao Senhor porque Ele está levantando pregadores da Palavra de Deus na África. Não há outra forma pela qual a salvação chegue às nações, senão a que Deus instituiu que é a pregação do Evangelho. O Evangelho é para todas as nações!

Quando será o fim do mundo? Quando se realizará o clímax da História? Será que podemos ver acontecendo hoje alguma coisa daquilo que Jesus descreve no capítulo 24 de Mateus? Será que hoje há nação se levantando contra nação e reino contra reino? Será que hoje há fome e terremotos em vários lugares? Estes são princípios das dores do “parto” quando o reino de Deus está nascendo. Muitas pessoas são perseguidas por causa da fé e muitos são odiados em todas as nações; muitos falsos profetas têm surgido e a fé de muitos, a fé da grande maioria está se esfriando. Mas a Bíblia diz que “aquele que perseverar até o fim será salvo”.

O Evangelho precisa ser pregado e anunciado publicamente; precisa ser proclamado com autoridade. Este evangelho das BOAS NOVAS precisa ser pregado em todas as nações. Jesus afirmou que o Evangelho precisa ser pregado a todas as nações e somente assim virá o fim ― “E será pregado este evangelho do reino por todo o mundo, para testemunho a todas as nações. Então, virá o fim”.

O que é este Evangelho? Nós sabemos o que é: Jesus é o Cristo prometido que redime judeus e gentios que NELE confiam, através de Sua morte e ressurreição. Estas são as Boas Novas! Jesus é o Messias prometido! Ele é a consumação de todos os propósitos de Deus na história; por Sua morte e ressurreição Ele redime, liberta da culpa e do poder do pecado a todos os que NELE crêem e que confiam, judeus e gentios, em todas as nações do mundo. Estas são as Boas Novas! Podemos crer ou não crer, mas isso é o Evangelho!

Mistério

Porém existe um mistério no Evangelho. Que mistério é esse? O Evangelho é muito simples e claro, no entanto, mesmo assim há um mistério. Onde está esse mistério? O mistério está exatamente na forma como se dá o crescimento deste Evangelho. Como este Evangelho, que era algo judaico, limitado a uma pequena parte do mundo (Israel) pode se tornar algo mundial envolvendo todas as nações do mundo? Este é o mistério do Evangelho!

Em várias parábolas Jesus menciona o mistério do crescimento deste Evangelho. Eu passei quase nove horas voando a quase mil quilômetros por hora para chegar ao Brasil vindo da Holanda depois que saí de Uganda na África. Da Holanda para a Palestina se leva quase cinco horas voando nesta velocidade. Mas eu venho ao Brasil e aqui encontro muitos crentes e uma multidão de pregadores. Como isto aconteceu? Venho de Uganda, um país no meio da África com uma população de mais ou menos 24 milhões de pessoas, com mais ou menos 18 milhões confessando Jesus como Salvador. É, talvez, 70 a 80% dos habitantes de Uganda. Como isto aconteceu? O crescimento do Evangelho tem um aspecto misterioso.

Relacionado a esse crescimento Jesus conta algumas parábolas. Ele disse que um homem planta uma semente na terra e dia e noite se levanta com uma luz para ver o que está acontecendo. Este homem não consegue compreender o que acontece: ele coloca uma pequena semente na terra imunda, mas ela germina e cresce. Este homem não sabe como isso acontece “automaticamente” (“Disse ainda: O reino de Deus é assim como se um homem lançasse a semente à terra;depois, dormisse e se levantasse, de noite e de dia, e a semente germinasse e crescesse, não sabendo ele como” ― Mc 4:26-27). A palavra usada no grego é exatamente “automaticamente”. A semente cresce automaticamente. Como isso acontece? É um mistério!

Jesus conta outra parábola (Mt 13:24-30, 36-43). Um homem semeia uma semente boa no campo e diz que o campo é o mundo e que a boa semente são os filhos do reino (v. 38). O campo seria a Palestina? Jesus não era um homem judeu? Sim, mas o Evangelho não é para os judeus somente, pois Jesus diz que o campo é o mundo e os filhos do reino são a semente semeada no mundo inteiro. Como isso pode acontecer?

Jesus disse ainda que o Evangelho é como um grão de mostarda (Mt 13:31-32), o menor de todos os grãos. Essa pequena semente é colocada na terra e morre fora do alcance da visão das pessoas, mas chega a crescer e se torna uma imensa planta e todo tipo de pássaro vem a fazer ninho nesta árvore que cresceu daquele pequeno grão. Quem são estes diferentes tipos de pássaros? Eu sou um pássaro escocês e o meu intérprete é um pássaro australiano 9 (Pr. Kenneth Wiesk) e ali está um pássaro americano (Dr. Richard Bacon), e ali está outro pássaro brasileiro (um ouvinte). Como aconteceu isto? É um mistério. Vemos pessoas pecadoras de todas as partes do mundo que acham abrigo dentro dos limites do reino do Messias. Não é isto que está acontecendo nas igrejas hoje? Pessoas de todas as nações do mundo estão vindo e encontrando refúgio e segurança no Evangelho. Esse é o mistério do crescimento do Evangelho, mas não sabemos como acontece. Esta é a época de “festa” para vocês, pois celebram a colheita do milho.

Quando era jovem, em Mississipi, nos Estados Unidos, eu pregava em pequenas igrejas no campo na época da ceifa e tínhamos uma colheita muito grande de milho. Sentávamos na varanda da casa e ficávamos sentados em cadeiras de balanço, mas ninguém desejava falar. Ficávamos em silêncio ouvindo o milho crescer. Já ouviram o milho crescer? Isto é um mistério. O mistério do reino crescendo.

Na África, no início do século XX só 1% da população era de cristãos e no final do século XX, 70% das pessoas confessavam Cristo como Senhor e Salvador. Não digo que todos eram realmente nascidos de novo, mas mesmo assim é um mistério muito grande pessoas se dizerem cristãs. O crescimento do Evangelho é um mistério!

Os profetas previram isto. Lendo os profetas do VT podemos ver que quase todos eles estavam sempre falando no crescimento do Evangelho em todos os recantos do mundo. Oséias diz: “e a Não-Meu-Povo direi: Tu és o meu povo! Ele dirá: Tu és o meu Deus!” (Os 2:23). Amós diz: “e todas as nações que são chamadas pelo meu nome, diz o SENHOR” (Am 9:12). O livro de Jonas trata da conversão dos assírios. Mas foi o profeta Isaías que, de forma especial, se colocou entre as duas nações que durante séculos se opuseram contra Israel: Egito, no sul e a Assíria no norte. Ele viu a chegada dos assírios e a devastação que causaram à Damasco, a capital do Norte; Isaías viu eles colocarem um montão de cabeças humanas fora dos portões de Samaria. Os assírios eram “experts” em tirar a pele das pessoas e mantê-las vivas durante o maior tempo possível para que sofressem mais; eles eram cruéis.

Os Egípcios no sul continuamente atormentavam a Israel. Mas Isaías no capítulo 19:23, diz: “Naquele dia, haverá estrada do Egito até à Assíria, os assírios irão ao Egito, e os egípcios, à Assíria; e os egípcios adorarão com os assírios”. Os egípcios não passarão por Jerusalém e no meio da terra do Egito haverá um altar ao Senhor (v. 19). Assim os egípcios viajarão até a Assíria para cultuar a Deus. Da mesma forma procederão os assírios indo até o Egito: “Naquele dia, haverá estrada do Egito até à Assíria, os assírios irão ao Egito, e os egípcios, à Assíria; e os egípcios adorarão com os assírios. Naquele dia, Israel será o terceiro com os egípcios e os assírios, uma bênção no meio da terra; porque o SENHOR dos Exércitos os abençoará, dizendo: Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança” (Is 19:23-25). Vemos aqui que Israel será uma bênção como um terceiro país junto com Egito e Assíria. Deus diz que o Egito será uma bênção e a Assíria será obra das Suas mãos juntamente com Israel, sua herança. Foi muita ousadia o profeta falar desta forma porque estas nações sempre oprimiram a Israel. Mas o profeta diz que elas serão povo de Deus.

Já que a inclusão dos gentios no povo de Deus foi profetizada há mais de 780 anos antes de Cristo, onde está o mistério? Por que devemos ficar surpresos com tudo isso? Onde está o mistério do crescimento do Reino se isso já havia sido profetizado de uma forma tão regular e clara? Paulo explica este mistério na epístola aos Efésios no capítulo 3. Paulo fala do “meu evangelho” em II Tm 2:8, porque apresentava o Evangelho de uma forma muito distinta das demais pessoas. Não era outro Evangelho, e sim algo distinto que o apóstolo destaca e enfoca no chamado “meu Evangelho”. Vejamos em Efésios 3:2-6:

... se é que tendes ouvido a respeito da dispensação da graça de Deus a mim confiada para vós outros; pois, segundo uma revelação, me foi dado conhecer o mistério, conforme escrevi há pouco, resumidamente” (v. 2-3). Ou seja, é um mistério: “me foi dado conhecer o mistério”. “Pelo que, quando ledes, podeis compreender o meu discernimento do mistério de Cristo” (v. 4). Aqui existe o mistério do Evangelho. “... o qual, em outras gerações, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, como, agora, foi revelado aos seus santos apóstolos e profetas, no Espírito” (v. 5). Paulo diz que o mistério do Evangelho é algo que os profetas do VT não conheciam. Já que eles não conheciam este mistério, então concluímos que ele não é a inclusão dos gentios, pois todos os profetas do Velho Testamento falam claramente desta inclusão dos gentios no povo de Deus. Isso não era um mistério! O que é este mistério? Vejamos o versículo 6: “... a saber, que os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus por meio do evangelho”. Será que entendemos bem isto? Será que “captamos” o mistério aqui? O que é o mistério? Já vimos que não é a inclusão dos gentios, então o que é? Paulo repete três vezes para ter certeza de que nós estamos entendendo que este mistério tem tudo a ver com os gentios. Afinal, o que é o mistério? Temos de ver mais uma vez: “[por meio do evangelho], os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus” (v.6). Será que agora você “captou” o que é o mistério? O que é? Bem, o texto diz que os gentios são (1) co-herdeiros, (2) co-participantes, (3) membros do mesmo corpo com Israel e de todas as promessas de Deus. Isto é o mistério! Os gentios são IGUAIS! São IGUAIS com os judeus confessando e participando de todas as promessas de Deus. Os gentios não são cidadãos de segundo grau no Reino de Deus. Não há promessas especiais para Israel que também não sejam nossas, que também não sejam para nós gentios.

Percebemos agora porque Paulo foi um missionário tão dinâmico. Ele até insistiu em ir à Ibéria [Espanha-Portugal]— Rm 15:24,28. O que é a Ibéria? A região da Espanha e Portugal, os antepassados dos brasileiros. Paulo disse que tinha de ir para a Ibéria e até aos confins da terra levando o Evangelho. Por que? Por que o apóstolo tinha essa compulsão? Porque os gentios da Ibéria são iguais participantes de todas as promessas de Deus. Mas é muito difícil de aceitar, dizem alguns. Esse é um mistério que ainda hoje a Igreja não entendeu e por isso tem passado por tantos problemas. Mas lembramos do quanto Pedro achou difícil este mistério. Ele viu o céu aberto e descer um grande lençol que continha todo tipo de animal imundo. Uma voz se ouviu dizendo: “Levanta-te, Pedro! Mata e come” (At 10:13). Pedro disse: “De modo nenhum, Senhor! Porque jamais comi cousa alguma comum ou imunda”. Mas a voz se ouviu mais duas vezes: “Pedro, mata e come”. Por três vezes a voz de Deus se fez ouvir aos ouvidos daquele homem teimoso. Pedro tinha vontade própria e quando ouvia pela última vez a voz dizer, “Pedro, mata e come”, ele percebeu alguém batendo à porta. Eram os enviados do gentio Cornélio e que lhe disseram: “Vem Pedro, mostra-nos o Evangelho!”. Pedro responde: “Não, nunca entrei em casa de gentio algum!”. Mas Deus o mandou e ele foi e entrou na casa de Cornélio. O que aconteceu? O próprio Pedro nos diz o que aconteceu em Atos 15:7-11, quando os apóstolos e presbíteros debatiam o que fazer com os gentios convertidos. Pedro conta sua experiência na casa de Cornélio dizendo: “O Espírito Santo desceu sobre estes gentios sujos que nada sabiam sobre a Lei, exatamente da mesma forma que desceu sobre nós no dia de Pentecostes”.

Se nós temos o Espírito Santo hoje vivendo em nós, esta é a coroa de todas as bênçãos de Deus. O que pode ser maior do que ter o Espírito Santo habitando em nós para sempre? Logo no início de seus ministérios os apóstolos receberam gentios. Pedro dá seu testemunho e a Igreja toma a decisão: Os gentios seriam recebidos da mesma forma que os judeus. Não haveria necessidade de se tornar judeu, de ser circuncidado, não precisaria fazer nada do que a Lei dizia para reivindicar todas as promessas de Deus.

Posteriormente, Pedro está em uma refeição na igreja gozando da comunhão com os gentios novos convertidos e alguns irmãos judeus aparecem. O que aquele pescador tão grande e forte faz? Ele procura se esconder para não ser visto com os gentios. Então chega um pequeno homem, o apóstolo Paulo. O que ele diz a Pedro? Paulo o exortou na presença de todos: “Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível” (Gl 2:11). Por que Paulo fez isso? Porque Pedro negou o Evangelho, porque o Evangelho é livre e para todos, é uma obra da graça para os gentios da mesma forma que é para os judeus.

Podemos ver agora como é difícil entender este mistério do Reino de Deus? Se vocês de fato entendessem o Evangelho, creio, iriam fazer as malas e correr logo para Moçambique porque o povo desse país fala português como vocês e muitos nunca ouviram o Evangelho; muitos nunca ouviram falar no nome de Jesus. Centenas de milhares de pessoas, num período de quinhentos anos, foram impedidas de ouvir o Evangelho pelos portugueses. Havia uma luta muito grande entre dois grupos comunistas, mas finalmente a paz chegou e o novo governo comunista disse: “As portas estão abertas, os crentes evangélicos estão convidados”. Vocês entendem que no interior de Moçambique há pessoas que podem herdar também a plenitude das bênçãos de Deus? Como podem ficar aqui no Brasil quando muitos em Moçambique nunca ouviram falar de Cristo? Eles podem herdar a plenitude das promessas de Deus!

Este mistério é manifesto de forma plena e clara quando o homem entende que a essência do Evangelho é salvação pela graça, pela fé somente, quando ele entende que é uma boa dádiva de Deus, e que ele não precisa fazer nada, que somente precisa estender a mão vazia, a mão vazia do arrependimento dos pecados, a mão vazia da fé, e Deus lhe dará a vida eterna por meio do Evangelho da graça de Deus; lhe dará a vida eterna por meio da graça somente e da fé somente!

Qual a manifestação clara de que o Evangelho é pela graça e pela fé somente? Vejamos meus antepassados. Eram escoceses bravos, rudes, lobos, bárbaros, não sabiam ler, não sabiam falar outra língua além da língua esquisita deles. Os escoceses foram salvos pela graça e não precisaram se tornar judeus. Deus deu-lhes a dádiva da fé. Quando vemos os gentios que vivem no pecado não vemos também a nós mesmos quando vivíamos no pecado? Éramos assassinos, ladrões, imorais, avarentos, homens que desrespeitavam as autoridades, mas que herdaram todas as bênçãos de Deus apenas estendendo as mãos vazias. Esses gentios bravos que não sabiam nada da Lei de Deus e que viviam em superstição se tornaram filhos de Deus. Isso não é um sinal da graça de Deus?

Uma segunda evidência clara que a salvação é por meio da graça somente e pela fé somente é que, o fato de ser um judeu não significa absolutamente nada quando se trata da possessão das promessas de Deus. Absolutamente nada! Oportunidade para ter possessão, sim. Porque a eles foram dados os pactos e a Lei, mas o fato de serem judeus não os torna de forma alguma pessoas que herdam as promessas de Deus. Não é isso que o apóstolo Paulo diz? Ele diz: “Olhem para mim, eu sou hebreu de hebreus; quanto à Lei sou fariseu, estudei aos pés de Gamaliel, o maior dos estudiosos do Antigo Testamento, sou da linhagem da tribo de Benjamim, a tribo do Rei Saul, e com respeito à justiça pela Lei eu sou sem culpa, mas a tudo isso trato como se fosso esterco”. Será que vocês entendem tudo isso que Paulo está falando? Ele está dizendo que ser judeu não significa nada quando se trata da possessão das promessas de Deus. Se este princípio é verdadeiro com relação à religião judaica, o que dizer das outras religiões? Não valem nada! Vocês entendem o Evangelho da graça de Deus?

Mas do outro lado, se pensarmos que alguém pode ser judeu apenas por ser ter nascido judeu (Israelita), então estaremos remando contra a correnteza. Não estou sendo anti-semítico na minha linguagem, mas para entendermos corretamente o Evangelho nós diríamos: Se para se ser judeu ― apenas por ter nascido judeu (Israelita) ― houver a necessidade de se ter alguma promessa especial diferente daquela para o gentio, então, o Evangelho da graça somente e da fé somente fica comprometido. De repente este Evangelho se torna um Evangelho não só pela graça, mas pela raça, também. Seria um Evangelho da graça somente e da fé somente, mas da raça também, um evangelho de uma etnia. Não seria graça somente, mas graça e religião.

Este é o aspecto misterioso do Evangelho que nunca foi entendido pelo judaísmo e pela vasta maioria dos cristãos evangélicos dos nossos dias. Nada nos é dito nas Escrituras para oferecermos alguma coisa especial aos judeus pelo simples fato de eles serem judeus. Se fizermos isso estaremos dizendo que tudo é pela graça e também pela raça. Seria um Evangelho da graça somado a uma etnia. Se a Igreja pensar assim não chegará a entender de uma forma plena o mistério do Evangelho e por isso não usará seu potencial pleno para levar o Evangelho da graça a todas as nações ― judeus e gentios. Quantas vezes vemos crentes indo a Israel e colocando o Evangelho no “bolso” porque falam e tratam os incrédulos judeus como se fossem irmãos em Cristo e os encorajam a ficarem tranqüilos, pois supostamente já estão salvos somente porque são judeus, mesmo que não tenham fé em Jesus como O Messias. Será que esse tipo de crente está ajudando aos judeus? Isso é de fato uma ajuda? Não, isso é um engano!

Agora podemos entender porque Deus escolheu a Paulo para ser o apóstolo entre os gentios. O lógico seria pensar que Deus escolheria Paulo para ser missionário entre os judeus, porque ele era o mais preparado na Lei mosaica, o mais respeitado entre os judeus por causa do seu preparo. Por que não mandar Paulo para os judeus e deixar Pedro ficar com os gentios, até porque, este era um simples pescador e seu evangelho simples atingiria os gentios ignorantes. Não! Deus queria que os gentios entendessem todas as promessas de Deus da forma mais profunda possível para que pudessem apreciar as maravilhas da salvação que eles têm no Messias Jesus Cristo. Isso impulsionou o apóstolo Paulo e lhe deu o ímpeto missionário. Por isso ele disse aos romanos que iria passar por Roma, mas que de fato estaria indo para a Ibéria ou para os confins da terra para que os gentios entendessem as promessas de Deus.

Implicações Práticas do Mistério do Evangelho

Agora estamos entendendo o aspecto distinto do Evangelho de Paulo. Há pouco tempo quando terminei uma aula no Bible College, na África, e depois de ter falado destas coisas, perguntei aos alunos: “Digam-me, qual é o Evangelho de Paulo”. Ninguém respondia. Eu disse: Vocês estão reprovados! Vocês só entendem o Evangelho de forma parcial. Perguntei novamente: “Vocês podem me dizer o que é ‘o mistério’ do Evangelho?”. Eu mesmo respondi: “A resposta está em uma só palavra que está em Efésios 3:6 ― ‘os gentios são co-herdeiros, membros do mesmo corpo e co-participantes da promessa em Cristo Jesus’”. Ou seja: Está unicamente em uma palavra: “IGUAIS”. Os gentios crentes são iguais aos judeus crentes, pois igualmente possuem todas as promessas de Deus. Qual a aplicação prática disso?

Você como estudante da Escola já ouviu falar destas promessas feitas a Abraão? Quais são estas promessas? Podemos resumir em três coisas:

a) Terra, b) Semente, c) Bênção

(a) A terra é sua; (b) você terá uma descendência como as estrelas do céu e como a areia da praia e (c) será uma bênção para todas as nações da terra.

Estas são as promessas dadas a Abraão. E os gentios, igualmente com os judeus, também são herdeiros destas promessas, pois são filhos de Abraão. Os judeus crentes e gentios crentes:

1) Serão uma BÊNÇÃO ― Eu falei para meus alunos da África: Vocês entenderam que Deus ordenou e decretou que cada um de vocês, cada comunidade de gentios, seriam uma bênção para todas as nações da terra? Entenderam que cada um de vocês é filho de Abraão pela fé? Entenderam que são herdeiros das promessas de Abraão? Vocês brasileiros não pensem que estão apenas trabalhando nesta terra do Brasil, não, não. Vocês têm seus representantes na Alemanha que mostrarão as grandezas do Brasil e vão ganhar a Copa do mundo de Futebol(*). Mas vocês podem fazer coisas melhores; podem ser bênçãos para todas as nações da terra levando o Evangelho para elas. A África tem sido desprezada por muito tempo. Há muitos crentes na África que se converteram e que podem ser uma bênção para todas as nações da terra. Mas porque não temos sido abençoados através deles? Porque somos orgulhosos. Quem pode sequer imaginar sermos abençoados pela África! Nós pensamos: “A população africana é formada por tribos, eles não têm a educação e a sofisticação que temos no ocidente, não podem nunca ser bênção para”.

Faz mais ou menos seis anos que a Igreja Anglicana estava debatendo se devia ordenar ou não homossexuais. Havia um debate conciliar entre os bispos daquela igreja. No meio destes bispos havia alguns que eram africanos. Vi pela TV um bispo africano que estava colocando sua mão na cabeça de um ativista que promovia a ordenação de pastores homossexuais. Um jornalista colocou o microfone em frente a este bispo e perguntou-lhe: “O que está fazendo?”. O bispo africano explicou que não estava ordenando aquele homossexual, mas estava “expulsando o demônio da homossexualidade”. Ali os bispos africanos foram uma bênção para a Igreja Anglicana. E nós, não podemos ser uma bênção para todas as nações da terra?

Semente

Em Romanos 4:11-12 o apóstolo Paulo fala com respeito à bênção de Abraão na sua descendência, na sua semente. Ele diz que Abraão tem dois tipos de semente. Na metade do v. 11 lemos: “para vir a ser o pai de todos os que crêem, embora não circuncidados”. Quem são estes “não circuncidados”? Somos nós os gentios. Abraão é nosso pai e somos seus herdeiros. A nós foi-nos imputada a justiça de Cristo: “a fim de que lhes fosse imputada a justiça”. Mas Abraão tem uma outra linha de descendência e a vemos no v.12: “[Abraão] e pai da circuncisão, isto é, daqueles que não são apenas circuncisos, mas também andam nas pisadas da fé que teve Abraão, nosso pai, antes de ser circuncidado”. Abraão não é visto aqui apenas como pai dos judeus, mas ele é o pai dos judeus crentes. Abraão creu em Deus e isso lhe foi imputado para a justiça. Dessa forma, ele tem filhos como as estrelas do céu e a areia da praia; isso inclui tanto crentes judeus como gentios. Todos nós que somos crentes em Cristo somos pequenos “Abraões”; temos as mesmas promessas; teremos também tão grande descendência como as estrelas do céu e a areia da praia. Essa semente inclui nossa descendência natural, descendência física, nossos filhos naturais que se tornam crentes e mesmo aqueles que não são descendência natural. Temos a alegria de ter todos estes filhos da mesma forma que Abraão teve. É bênção para os gentios, bênção para o mundo inteiro, será semente para nós gentios. Teremos uma descendência como a de Abraão.

Terra

Que terra é essa? Essa terra pertence aos judeus? Nós que somos gentios não podemos reivindicar a terra? Sim, pois somos iguais aos judeus. Ou não somos? Paulo insiste em que nós somos iguais aos judeus e que somos herdeiros de todas as promessas. Mas, e a terra? Israel não já foi restaurado à terra prometida? E eles não têm a promessa perpétua de que a terra sempre será deles? Como nós gentios ousamos dizer que somos iguais com os judeus quanto à promessa da terra? Podemos fazer isso porque Paulo diz em Romanos 4.13: “Não foi por intermédio da lei que a Abraão ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo, e sim mediante a justiça da fé”. Ele havia dito antes que nós somos herdeiros da promessa e filhos de Abraão. Agora novamente ele diz que somos a descendência de Abraão: Os judeus crentes e nós gentios crentes! O texto não diz: “... a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro da Palestina”. Paulo não disse isso! Mas ele disse: “herdeiro do mundo”!! Mundo aqui é “cosmos” em grego. Não foi prometido a Abraão que ele seria herdeiro apenas da Palestina, mas lhe foi prometido que seria herdeiro do “cosmos”.

De onde veio esta promessa da terra e a quem foi dada pela primeira vez? Não foi a Abraão, mas foi dada primeiramente a Adão logo após sua queda. A Adão foi prometida uma semente, um descendente que esmagaria a cabeça da serpente. A implicação é que o mundo inteiro seria redimido; que o cosmos seria salvo. A promessa da terra a Abraão é o microcosmo do macrocosmo. Foi um pequeno retrato, uma pequena figura do propósito que Deus tem para restaurar o mundo inteiro, toda a terra. O sentido desta figura para aquele momento do passado apontava para algo que já aconteceu. Agora só serve como um modelo pedagógico da mesma forma que o tabernáculo ou o sistema sacerdotal serve. São pequenas figuras que já ficaram para trás. O mesmo podemos dizer da terra da Palestina, pois foi uma pequena figura daquilo que Deus estava propondo, ou seja, incluir toda a descendência de Abraão: escoceses, australianos, holandeses, americanos, africanos, brasileiros... para serem herdeiros do mundo.

Será que podemos entender tudo isso? É difícil enxergar o evangelho de Paulo? Que tragédia!! Que calamidade continuar falhando sem entender isso tudo!

No ano de 1989 foi estimado haver dois mil crentes em Cristo na terra de Israel e ao mesmo tempo foi estimado que havia 150 mil palestinos crentes em Cristo. Crentes palestinos?! Eles não são terroristas? Cento e cinqüenta crentes palestinos, como é possível?! Devemos dizer que os judeus incrédulos, judeus que rejeitam a Jesus como o Cristo, são herdeiros das promessas de Abraão? E os irmãos palestinos, que são descendência de Abraão pela fé, não têm direito de serem herdeiros das promessas da terra? Nós do ocidente colocamos uma barreira enorme entre o mundo árabe e o mundo cristão porque sempre aprendemos a favorecer a Israel, esteja ele correto ou não; temos alienado os árabes e não os evangelizamos porque não entendemos o evangelho de Paulo. Esse Evangelho deve ser pregado! É assim que deve ser espalhado! Alguns reinos podem crescer e se espalhar pela força militar, alguns crescem pela força econômica, mas Jesus disse: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus ministros se empenhariam por mim, para que não fosse eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui” (Jo 18:36). Esse Evangelho do Reino será pregado! Nunca minimize o significado daquilo que você faz como pregador. Não há nada mais importante que o pregador faz do que, semana após semana, se levantar para pregar e declarar a todos os homens que sua origem racial não é o importante, mas que o importante é que somente pela fé e somente pela graça os homens podem se tornar iguais e co-herdeiros com Abraão de todas as promessas de Deus. Somente então, depois desse Evangelho ter sido pregado por todo mundo, inclusive no interior de Moçambique, somente então, virá o fim.

Quem está interessado que este fim chegue? Vocês não parecem preocupados com as epidemias de AIDS na África; não têm os problemas que nós temos na África; vocês não têm tribos se destruindo umas às outras; vocês estão comprando e vendendo, casando e dando-se em casamento... Quem se interessa pelo fim? A verdade é que estamos ligados demasiadamente a este mundo. Mas se Deus está falando ao seu coração e colocando uma ansiedade para ver o fim da perseguição a este mundo, então você vai pregar este Evangelho. Ele precisa ser pregado no meio de todas as nações, para todo mundo habitado e assim virá a consumação, assim virá o fim!

Amém.

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- Palestra proferida por Dr. O. Palmer Robertson para pastores e líderes no Hotel 4 de Outubro, Recife, PE – 26 de junho de 2006, durante a Copa do Mundo de Futebol na Alemanha.

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Fonte: Os Puritanos
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Cuidado com os cães!

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Por Thiago Oliveira


Cuidado com os cães, cuidado com esses que praticam o mal, cuidado com a falsa circuncisão! - Filipenses 3:2 (NVI)

A tríplice advertência de Paulo (cuidado, cuidado, cuidado) é um alerta que nos serve até nesta era presente. A palavra no original grego é βλέπετε (blepete) e ocorre 33 em todo o Novo Testamento. Ela dá a ideia de que é preciso estar atento, de olhos bem abertos, vigiar e cuidar-se para não correr riscos. Daí você pergunta: Quais riscos? O que estaria ameaçando os irmãos em Filipos? A mesma coisa que tem ameaçado as igrejas brasileiras: um ensino falso que despreza a Graça e a suficiência de Cristo.

Os cães, os que praticam o mal (ou maus obreiros) e os da falsa circuncisão são referências ao mesmo tipo de pessoas e não à três tipos distintos. O Apóstolo fala aqui de um grupo que lhe deu muito trabalho: os seus próprios patrícios, os judeus. No encalce do ministério paulino estavam judeus e prosélitos, que com suas ações e ensino (as más obras) prejudicavam o crescimento espiritual das congregações, fazendo com que muitos se submetessem aos ritos da antiga aliança, na qual Jesus Cristo, já havia cumprido.

A Carta aos Gálatas é o grande tratado teológico e apologético contra os “judaizantes”, todavia, eles não estavam apenas na região da Galácia. Onde quer que Paulo fosse, encontrava um grupo que coagia os crentes para que estes aderissem a circuncisão. De uma maneira severa, Paulo os chama de cães. A figura canina para um oriental do primeiro século, estava bem longe da que temos hoje. O cão, naquele contexto, não era domesticado e nem era o amigo do homem. Tal animal era selvagem e andava em matilha em busca de alimentos. A ideia é a de que os judaizantes eram semelhantes, com seus “latidos moralistas” vagueando as cidades. Mas, a expressão também era usada pelos judeus de modo pejorativo para se referir aos gentios. E aqui a palavra cão ganha a conotação de “imundo”. Só que agora, o Apóstolo inverte o termo e afirma que os cães não são os gentios, mas sim os tais judeus.

A Graça é um conceito difícil de compreendermos, pois, temos uma cosmovisão meritocrática do mundo. Tudo ou quase tudo é recebido por algo que você se esforçou para realizar. O homem, a cada conquista, quer olhar para seu reflexo no espelho e dizer para si mesmo: “Eu consegui. Eu sou o cara”. É por isso que muitos questionam a eleição incondicional e desprezam a ideia de que não fizemos absolutamente nada para sermos salvos. Assim eram esses judeus. Eles queriam fazer por merecer a salvação. Precisavam demonstrar isso através da observância da lei. Queriam externalizar sua moralidade e por isso levantavam a bandeira da circuncisão. Cristo morreu na cruz para nos remir – pensavam - mas precisamos completar a sua obra nos circuncidando e guardando diversos rituais e regras.

Paulo em sua carta aos Gálatas (Gl 5.2) afirmou que caso os cristãos cedessem a pressão dos judaizantes e fossem circuncidados, eles estariam tornando inútil o sacrifício de Cristo Jesus. Precisamos entender de uma vez por todas que não fizemos e nunca iríamos fazer algo capaz de nos tirar da cegueira espiritual e nos dar uma visão perfeita do que é divino. Nunca teríamos saído da morte para a vida se Deus não nos vivificasse por meio do Seu Filho. Tomar alguma atitude na intenção de se tornar justo aos olhos do SENHOR é reduzir o evento da cruz a algo incompleto, quando na verdade ele é suficiente para nos purificar de toda e qualquer iniquidade.

Vemos hoje práticas judaizantes em toda a parte. O evangelicalismo brasileiro vive afogado nessas práticas. Quem aqui nunca viu uma réplica da bandeira do Estado israelense em algum gabinete pastoral? Pois é, e isso é o de menos. A coisa fica muito mais séria. Tem até um ramo da teologia que coloca Israel numa posição privilegiada em relação as outras nacionalidades. Só que Paulo deixa claro que o povo de Deus não são os judeus, simplesmente por serem judeus. Obviamente que alguns deles eram salvos, o próprio apóstolo vai citar a si próprio como exemplo. Todavia, a maioria, por ser hostil ao evangelho, foi chamada de falsa circuncisão. E se é falsa, isto quer dizer que existe uma verdadeira. E quem é? Eis a resposta:

Pois nós é que somos a circuncisão, nós que adoramos pelo Espírito de Deus, que nos gloriamos em Cristo Jesus e não temos confiança alguma na carne - Filipenses 3:3 (NVI).

O “judeu legítimo” é todo aquele que deposita a sua fé exclusivamente em Cristo e em mais nada. Há muitos cães que se consideram limpos. Eles negam a graça e se acham merecedores do Reino dos Céus. Não reconhecem a sua imundície. Tais homens querem ousadamente completar o que já está completo. Por isso ao invés da cruz, a rosa ungida e tantos outros amuletos. Não pense você que este negócio na rosa está fora de moda. existe uma igreja em uma das mais movimentadas avenidas da cidade do Recife convidando as pessoas a irem para um culto de libertação pegar a sua rosinha. O alerta continua sendo o mesmo. Por isso fique bastante esperto para não ser abocanhado por um canino engravatado que presta um enorme desserviço à Igreja através de suas heresias. 

Cuidado! Cuidado! Cuidado!

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Fonte: Bereianos
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Deus habita no Templo de Salomão, só que não!

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Por Renato César


Já era esperado que grande parcela dos evangélicos discordasse da edificação do Templo de Edir Macedo Salomão, visto que este custou mais de R$ 600 milhões e ainda por cima terá um custo anual de manutenção em torno de R$ 10 milhões. Além disso, o templo acabará por ser mais visado por turistas do que propriamente por pessoas preocupadas em adorar a Deus diante da arca do Edir Macedo da aliança.

Mas eu me pergunto se todos que têm criticado a megalomaníaca construção do agora "Rabispo" Macedo têm prestado atenção em seus calcanhares. Digo isso pois não podemos deixar de pensar em termos proporcionais, ou seja levar em conta se no lugar dele, com toda a dinheirama que o Rabispo tem, muitos não fariam a mesmíssima coisa, ainda que preferindo investir em ilhas em vez de templos.

Há quem estime o faturamento anual da Igreja Universal em mais de R$ 1 bilhão. A revista Forbes avaliou o patrimônio de Macedo em mais de R$ 2 bi. Assim, o Templo de Edir Macedo Salomão, no máximo, teve um custo razoável para a Universal, e sua despesa de manutenção será em boa parte amenizada pela receita oriunda do turismo em torno do mega-templo e, é claro, das ofertas "volotárias", vindo a representar uma ninharia no orçamento total da Universal.

Se pensarmos em termos proporcionais, muitas igrejas têm gastado até uma parcela maior de seu orçamento com construção de seus templos. Quantas catedrais não existem no meio evangélico? Quantas igrejas não possuem piso de primeira, decoração luxuosa e aparatos supérfluos para supostamente dar um upgrade no culto? Já tive o desprazer de visitar igrejas que estão há mais de uma década em obras, preocupadas com a pedra de mármore a ser colocada ali, uns vitrais acolá e o que mais for desnecessário, mas belo e requintado, para melhorar a aparência do templo.

A hipocrisia é um dos pecados mais irritantes que existem, porque ela faz parecer que existem dois pesos distintos com os quais as pessoas são julgadas. É como ver um malandro indignado com os políticos de seu país. As críticas feitas ao Rabispo são em geral corretas, mas deveriam ser direcionadas a uma massa bem maior de líderes evangélicos, e não estou falando apenas dos neopentecostais que aparecem na TV. Muitos têm investido pesadamente em seus templos sob a justificativa de estar fazendo da casa do Senhor um palácio para Deus, mas tudo não passa de vaidade, como bem diz o autor de Eclesiastes: "Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas... E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol" (Ec 2:3,11).

Infelizmente, existe uma obsessão por templos suntuosos entre muitos cristãos, como se fosse antibíblico congregar-se em um espaço simples quando se tem dinheiro para um templo à altura de Deus. O que o Macedo fez, lamentavelmente, não está fora dos padrões da cristandade como um todo. Vide o Vaticano.

É realmente triste que ao longo de toda sua história a Igreja Cristã tenha sido marcada por obras similares a esta da Universal, que não servem para nada além de abrigar muitas cabeças em dias chuvosos ou de sol escaldante e de servir como local de visitação para turistas ou para gerar empregos (pergunto-me quantas pessoas serão necessárias nessa tarefa). No final das contas, ao menos São Paulo saiu beneficiada, pois tem agora mais uma atração turística e alguns desempregados a menos.

Vale aqui lembrar o que diz Atos 17:24:

O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens”.

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Fonte: Bereianos
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A verdade sobre o sábado em 10 minutos

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Neste vídeo o Rev. Dorisvan Cunha faz uma breve exposição sobre o Dia do Senhor... afinal, é sábado ou domingo? Veja e tire suas conclusões.




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Sobre o autor: Rev. Dorisvan Cunha é pastor da Igreja Presbiteriana em Parauapebas-PA. 
Fonte: A Verdade do Evangelho
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O nome de Jesus

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Por Thiago Oliveira


Existe um movimento judaizante que adora criar modismos e apelar para a legitimidade dos escritos hebraicos. Segundo os mesmos, o nome Jesus é uma perversão da Igreja Católica, uma tentativa de blasfemar o Salvador realizada por Jerônimo em sua tradução latina das Escrituras, a Vulgata. Então a cristandade está mergulhada num equívoco milenar ao citar Jesus e não Yeshuah? Certa vez um bispo de uma igreja G12 me falou que o Jesus que conhecemos não é o Yeshuah da Bíblia. Quanta confusão! De onde eles tiraram isso?

Segundo os judaizantes nomes próprios não são traduzidos. Isso é bem verdade. Ninguém sai por aí chamado Francis Bacon de Chico Toicinho. Contudo, há de se salientar que Jesus não é tradução, mas sim, transliteração do nome hebraico.

A transliteração é um recurso utilizado para facilitar a fonética de uma língua para outra, ela nada mais é que uma versão de letras, pois, nem todas as letras estão em todos os alfabetos. Existem muitos idiomas que tem caracteres diferentes e emitem sons diferentes. O grego moderno, por exemplo, escreve Dabid e Eba. Isso porque B (o antigo beta “β”) tem som de V. Esse procedimento é tão comum que até mesmo a Bíblia utiliza.

O Novo Testamento, escrito em grego “koiné” faz a transliteração de diversos nomes. Tomemos por exemplo Jacó, um dos patriarcas. No hebraico seu nome é Yaacov, mas os redatores neotestamentários usaram Iacobo, que no português tornou-se Tiago, ou seja, Jacó e Tiago possuem o mesmo significado, que é enganador – literalmente aquele que pega pelo calcanhar. O mesmo se dá com Jesus, que é o equivalente grego para Josué. O Novo Testamento original não faz nenhuma distinção entre as nomenclaturas Jesus e Josué, apenas o contexto diferencia o sucessor de Moisés e o Messias, Filho do Deus Vivo.

De igual modo, os escritores da Septuaginta (LXX), que eram mestres judeus, quando escreveram o Velho Testamento em grego para alcançarem os seus patrícios que estavam dispersos, traduziram Josué (Yehôshua ou abreviado Yeshuah) para Jesus (Iesous).

Com isso, fica claro de que essa turma parece não ter o que fazer e fica inventando todo o tipo de bobagem. A falta de critério é tanta que se fosse pra seguir a risca, Moisés seria Moshe, João seria Yohanan e por aí vai. Nem Deus seria pronunciado dessa forma, ao invés disso falaríamos todos Elohin. São exatamente tolices como esta que invadem o cenário evangélico brasileiro e que devem ser combatidas para que a pureza da Sã Doutrina nos seja suficiente. Voltemos ao Evangelho!

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Sobre o autor: Thiago S. Oliveira, Recifense, Noivo, Cristão Reformado... um notório pecador remido pela Graça!