O nome de Jesus

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Por Thiago Oliveira


Existe um movimento judaizante que adora criar modismos e apelar para a legitimidade dos escritos hebraicos. Segundo os mesmos, o nome Jesus é uma perversão da Igreja Católica, uma tentativa de blasfemar o Salvador realizada por Jerônimo em sua tradução latina das Escrituras, a Vulgata. Então a cristandade está mergulhada num equívoco milenar ao citar Jesus e não Yeshuah? Certa vez um bispo de uma igreja G12 me falou que o Jesus que conhecemos não é o Yeshuah da Bíblia. Quanta confusão! De onde eles tiraram isso?

Segundo os judaizantes nomes próprios não são traduzidos. Isso é bem verdade. Ninguém sai por aí chamado Francis Bacon de Chico Toicinho. Contudo, há de se salientar que Jesus não é tradução, mas sim, transliteração do nome hebraico.

A transliteração é um recurso utilizado para facilitar a fonética de uma língua para outra, ela nada mais é que uma versão de letras, pois, nem todas as letras estão em todos os alfabetos. Existem muitos idiomas que tem caracteres diferentes e emitem sons diferentes. O grego moderno, por exemplo, escreve Dabid e Eba. Isso porque B (o antigo beta “β”) tem som de V. Esse procedimento é tão comum que até mesmo a Bíblia utiliza.

O Novo Testamento, escrito em grego “koiné” faz a transliteração de diversos nomes. Tomemos por exemplo Jacó, um dos patriarcas. No hebraico seu nome é Yaacov, mas os redatores neotestamentários usaram Iacobo, que no português tornou-se Tiago, ou seja, Jacó e Tiago possuem o mesmo significado, que é enganador – literalmente aquele que pega pelo calcanhar. O mesmo se dá com Jesus, que é o equivalente grego para Josué. O Novo Testamento original não faz nenhuma distinção entre as nomenclaturas Jesus e Josué, apenas o contexto diferencia o sucessor de Moisés e o Messias, Filho do Deus Vivo.

De igual modo, os escritores da Septuaginta (LXX), que eram mestres judeus, quando escreveram o Velho Testamento em grego para alcançarem os seus patrícios que estavam dispersos, traduziram Josué (Yehôshua ou abreviado Yeshuah) para Jesus (Iesous).

Com isso, fica claro de que essa turma parece não ter o que fazer e fica inventando todo o tipo de bobagem. A falta de critério é tanta que se fosse pra seguir a risca, Moisés seria Moshe, João seria Yohanan e por aí vai. Nem Deus seria pronunciado dessa forma, ao invés disso falaríamos todos Elohin. São exatamente tolices como esta que invadem o cenário evangélico brasileiro e que devem ser combatidas para que a pureza da Sã Doutrina nos seja suficiente. Voltemos ao Evangelho!

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Sobre o autor: Thiago S. Oliveira, Recifense, Noivo, Cristão Reformado... um notório pecador remido pela Graça!

Quer expulsar Satanás? Ensine doutrina!

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Assista a pregação completa aqui!

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Fonte: Igreja Presbiteriana de Santo Amaro/SP
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A Importância de Falar a Sã Doutrina

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Por Clodoaldo Machado

Paulo escreveu a Tito: "Tu, porém, fala o que convém à sã doutrina" (Tito 2.1). Ao dar esta ordem, Paulo nos ensina sobre o que a igreja deve falar. Falar a sã doutrina é responsabilidade da igreja, ela deve ser conhecida por isso. A sã doutrina é a sua voz. É por isso que ela está neste mundo. Pedro escreveu que a igreja é a propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamar as virtudes daquele que a chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. (1Pe.2.9, ênfase acrescentada). A igreja tem a responsabilidade de tornar o caráter de Deus conhecido. É preciso proclamar as virtudes de Deus e a igreja faz isso quando fala o que convém à sã doutrina. Falar a sã doutrina é a responsabilidade da igreja.

Muitos pensam em doutrinas como assuntos para serem tratados em livros de teologia sistemática, ou classes onde se ensinam os pilares do pensamento cristão. Certamente envolve isso, porém a sã doutrina lida também diretamente com o dia a dia das pessoas. Quando Paulo pensava em sã doutrina, ele pensava em como as pessoas estavam vivendo. Na carta de Paulo a Tito, encontramos algumas razões pelas quais é importante que a igreja se concentre nesta tarefa.

Primeiro, a sã doutrina expõe o falso ensino. Paulo escreveu: "Porque existem muitos insubordinados, palradores frívolos e enganadores, especialmente os da circuncisão. É preciso fazê-los calar, porque andam pervertendo casas inteiras, ensinando o que não devem, por torpe ganância" (Tt.1.10,11). Paulo afirma que o ensino destes homens para nada era proveitoso. Suas palavras eram vazias e nada acrescentavam aos que ouviam. Ao contrário, tais palavras eram prejudiciais. Paulo diz que eles pervertiam casas inteiras. O ensino destes homens estava destruindo famílias. A má doutrina, sorrateiramente, ataca a família e a perverte. É preciso calar estas vozes destruidoras. Como, porém, fazemos isso? Falando corajosa e abertamente a sã doutrina.

Quando falamos a sã doutrina, consequentemente expomos o que é falso. Não podemos nos envergonhar do que cremos e devemos falar e continuar falando a sã doutrina. Por medo da impopularidade a igreja é tentada a parar de falar o que convém e falar o que as pessoas desejam ouvir. Isto abre espaço para que o ensino falso entre na igreja e, em consequência, a família seja degradada. Não é sem motivo que temos visto tantos pais separados e filhos sendo criados sem a presença deles. Quando a sã doutrina não é falada, o falso ensino ocupa o seu lugar e as dolorosas consequências são percebidas na família.

A segunda razão importante para que a sã doutrina seja falada é que ela expõe a falsa profissão de fé. Paulo escreve que aqueles homens no tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras; é por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra (Tt.1.16). Em Creta, havia pessoas que professavam crer em Deus, no entanto suas atitudes demonstravam o contrário. Elas não eram de fato convertidas ao Senhor, ainda que dissessem ser. Este é o efeito do falso ensino, ele gera uma falsa profissão de fé. Quando a má doutrina é ensinada, as pessoas são enganadas. Elas dizem que conhecem a Deus, falam coisas a respeito de Deus, cantam músicas sobre Deus, mas de fato não O conhecem.

Pessoas estão sendo enganadas, estão crendo que são salvas, professando conhecer a Deus, sem nunca de fato O terem conhecido. Jesus disse que elas o chamam de Senhor, mas Ele nunca as conheceu (Mt.7.21,22). Somente a sã doutrina pode desfazer o engano e ajudar as pessoas a entenderem o que é conhecer a Deus. A igreja deve falar a sã doutrina, assim os que são salvos serão confirmados; os enganados, ou serão transformados ou se retirarão por não suportarem a sã doutrina. Alguém disse que o evangelho ruim é pior do que evangelho nenhum.

A terceira razão para se falar a sã doutrina é que ela lida com o comportamento das pessoas. Paulo, em Tito 2.1-10, deixou claro como a sã doutrina é algo prático.

Ela ensina ao homem o que é ser homem. Paulo escreveu: "Quanto aos homens idosos, que sejam temperantes, respeitáveis, sensatos, sadios na fé, no amor e na constância" (Tt.2.2).

Vivemos num mundo em que os jovens querem sempre ser jovens. Querem prolongar sua adolescência, desejam que a juventude não passe nunca. O mundo deseja que a vida seja uma grande brincadeira cheia de diversão. Entretanto, Deus nos fez para sermos adultos. A juventude é apenas uma pequena etapa da vida. A maior parte da vida é para ser vivida como adulto. Os conselhos deste mundo, porém, são contrários a isso e querem fazer das pessoas, eternos jovens. É preciso falar o que é ser homem, alguém moderado, respeitável, sensato e sadio na fé. Não temos visto as pessoas sendo respeitáveis por serem mais velhas, uma das razões é porque não querem parecer adultas e respeitáveis. Assim, a sociedade se degrada em larga escala. Só a igreja pode apresentar a solução para isso: Falar a Sã Doutrina.

A sã doutrina também ensina à mulher o que é ser mulher. Paulo escreveu que as mulheres mais velhas devem ensinar as mais jovens a amarem seus maridos e seus filhos (Tt.2.3-5). Os conselhos deste mundo têm ensinado as mulheres a agirem como homens, a pensarem como homens, a fazerem atividades de homens. Até mesmo quanto à sexualidade, as mulheres têm sido levadas a pensarem como homens. Achando-se livres e emancipadas fazem, cada vez mais, o que homens egoístas querem que façam. Existe o lado feminino da sexualidade e ele parece estar sendo cada vez mais desconsiderado. Mais lamentável ainda é ver estes pensamentos seculares sobre a mulher sendo seguidos por aqueles que dizem crer na Bíblia. A sã doutrina ensina a mulher a ser mulher dentro dos propósitos de Deus. Aqui é mais um lugar onde a vergonha tem dominado a igreja. Muitos se envergonham deste ensino, acham-no ultrapassado e sem relevância e por isso não o falam.

Temos deixado o pensamento secular nos dizer o que é ser mulher. Deus, que é quem criou a mulher, sabe o que é melhor e satisfatório para ela, e sua Palavra nos ensina isso. Ela tem um papel nobre, exaltado e digno na família, na igreja e na sociedade. Porém este mundo tem diminuído este papel e feito com que tenhamos vergonha dele. Assim, temos mulheres abandonando a feminilidade que Deus designou para elas. O resultado tem sido percebido na sociedade. Falar a sã doutrina é ensinar a mulher a ser mulher.

A sã doutrina ensina o jovem a ser criterioso. Paulo escreveu: "Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os para que, em todas as coisas, sejam criteriosos" (Tt.2.6). Em todas as coisas os jovens devem ter critério. Ter critério fala de ter uma mente sadia.

Jovens são facilmente corrompidos pelos maus conselhos deste mundo, basta conferir o número de ordenanças que a Bíblia dá quanto a isso. O livro de Provérbios, por exemplo, é intenso em falar a eles. Para muitos jovens, o que a maioria está fazendo não parece ser errado. Não é sem motivo que Paulo os ordena a serem criteriosos em todas as coisas. A sã doutrina os ajuda a ter critérios, a fim de que suas decisões sejam sábias. A juventude é um período curto da vida, porém nele são tomadas decisões que trazem consequências para a vida toda. Por isso é importante que a sã doutrina seja falada.

Davi escreveu no Salmo 19.7 que o testemunho do Senhor é fiel e dá sabedoria aos símplices. Símplices é tradução de uma palavra hebraica que traz a ideia de uma porta aberta. A ideia é que o testemunho do Senhor faz com que o crente aprenda a fechar sua mente. Ter a mente aberta é um conselho deste mundo e não da Palavra de Deus. A Palavra de Deus dá sabedoria de maneira que não sejamos mais símplices, isto é, que não sejamos mais aqueles que aceitam tudo o que nos é oferecido sem qualquer resistência. É por meio da sã doutrina que ensinamos os jovens a não serem símplices, de mente aberta. Por meio dela, eles aprendem a ser criteriosos. Quando a Palavra de Deus está na mente, ela é o filtro que impedirá os maus conselhos de entrar. Jovens precisam da sã doutrina.  

A igreja tem esta grande responsabilidade. São razões importantes para não fugirmos dela. Não podemos nos contentar com menos que isso. Não podemos ser condescendentes e permitirmos que assuntos que não convêm à sã doutrina sejam assuntos dominantes na igreja. Cada membro da igreja do Senhor Jesus Cristo é responsável por isso, uns por falarem, outros por ouvirem. Não podemos nos furtar desta grande responsabilidade: falar a sã doutrina.

- Sobre o autor: Pastor Clodoaldo Machado pastoreia a Igreja Batista Parque Industrial em São José dos Campos - SP desde o ano 2000. É bacharel em teologia pelo Cetevap - Centro de Estudos Teológicos do Vale do Paraíba, e pós graduado em aconselhamento bíblico pela Faculdade Teológica Batista de Campinas e Southeaster Baptist Seminary (EUA). Pr.Clodoaldo é casado com Patrícia e tem dois filhos, Nathan e Nathalia.

Fonte: Editora Fiel
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Padrão para a Pregação

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por Vincent Cheung


Retenha, com fé e amor em Cristo Jesus, o modelo da sã doutrina que você ouviu de mim. Quanto ao que lhe foi confiado, guarde-o por meio do Espírito Santo que habita em nós. (2 Timóteo 1.13-14)

Paulo tinha estabelecido um “modelo da sã doutrina” para Timóteo seguir. Visto que esse padrão é autoritativo por proceder da inspiração do Espírito Santo, o que podemos dizer com respeito a ele também se aplica aos ensinamentos dos profetas e dos apóstolos, visto que eles também ensinaram por inspiração divina.


A Bíblia fornece um padrão ou modelo de sã doutrina. Ela diz a todos os crentes e especialmente aos ministros para pregar a palavra. Por definição, a pregação da Escritura é distinta da própria Escritura. Portanto, pregar a mensagem da Bíblia não é o mesmo que citar a Bíblia, e pregar um sermão não é apenas ler a Bíblia para uma audiência. Um sermão não é um arranjo de citações da Escritura; antes, o pregador produz a mensagem sobre a base do que ele aprendeu da Escritura. A comunicação fiel do evangelho não consiste de uma repetição verbatim da Bíblia, pois se esse fosse o caso, mesmo conversações ordinárias sobre as coisas de Deus seriam eliminadas.


A ideia bíblica de pregação deixa certa liberdade de variação em termos de expressão, ênfase e coisas semelhantes. Não existe nenhuma base bíblica para fazer do chamado método expositivo de pregação uma prescrição para o que deveria ser um sermão, embora ele represente o que um sermão poderia ser, precisamente devido à liberdade que a Escritura concede nessa área. Todas as tentativas de estabelecer um caso bíblico em favor do método expositivo que examinei inferem muito mais dos textos da Escritura do que eles realmente dizem.


Além disso, juntamente com essas tentativas, uma razão dada pela qual esse método é preferido é que ele é a melhor forma de permanecer fiel à Escritura em nossa pregação. Isso é aceitável como uma opinião, e é de fato uma forma de permanecer fiel à Escritura. Contudo, se usar o método expositivo torna-se uma regra quanto ao que um sermão deve ser, e que outras formas são inferiores ou mesmo erradas, então essa preferência pelo método expositivo tornou-se uma tradição humana antibíblica. Os fariseus também adicionaram regras humanas à palavra de Deus e alegavam que elas eram úteis ou mesmo necessárias, mas Jesus disse que elas tinham o efeito oposto. É verdade que algumas formas de sermão são de fato inferiores e errôneas, mas elas fracassam por seus próprios defeitos, e não por serem diferentes do método expositivo.


Outras razões têm sido promovidas para recomendar o método expositivo. Por exemplo, é dito que sermões expositivos, e especialmente exposições de livros bíblicos inteiros, expõe os ouvintes diretamente a passagens completas da Escritura no contexto apropriado, e dessa forma aumenta a familiaridade deles com a Bíblia, e capacita-os a conhecer e compreendê-la melhor. Esse é um benefício prático, e o pregador poderia preferir o método por causa disso. Contudo, isso ainda não requer que ele use o método. É de fato responsabilidade do pregador aumentar a familiaridade com a Escritura em seus ouvintes, mas nada na própria Escritura requer que ele o faça dessa forma.


O pregador não deve se prender a opiniões e tradições de homens, não importa quão bem intencionadas sejam elas. Se ele usa o método expositivo, é porque ele prefere este por suas próprias razões e baseado em seu próprio julgamento ao pensar que pode cumprir melhor o seu ministério com ele, e não porque é pressionado a fazê-lo. E se ele não pode seguir ou descobrir um método que lhe seja adequado e que siga o padrão da sã doutrina, então ele nem mesmo deveria ser um pregador.


Dessa forma, a Bíblia fornece um padrão ou modelo de sã doutrina, e isso deixa lugar para certa liberdade de variação no método e expressão. Dito isso, o padrão é muito mais que um esboço. É muito mais que um esqueleto – os detalhes sendo preenchidos. Ele é um padrão altamente desenvolvido e um modelo plenamente suficiente. Portanto, embora permita certa medida de fluidez na apresentação, e embora seja adaptável a todos os tipos de conversações, não há espaço para variação, adição ou subtração em sua substância. Isto é, seguir o padrão bíblico de sã doutrina é conformar-se exatamente às suas ideias. Há flexibilidade somente na apresentação.


Para ilustrar. Pedro disse: “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Atos 4.12). Podemos comunicar essa ideia citando o versículo, mas é aceitável também dizer: “A Bíblia ensina que Jesus Cristo é o único caminho para a salvação”. E permanecemos fiéis ao padrão que esse versículo estabeleceu quando afirmamos: “Maomé não pode te salvar. Buda não pode te salvar. Maria não pode te salvar. Somente Jesus Cristo pode te salvar da condenação eterna”. Essas declarações não são encontradas na Escritura, mas se conformam às ideias exatas da Escritura, e não adicionam ou subtraem a substância do que a Escritura ensina.


Visto que a pregação envolve nossa própria expressão de ideias bíblicas, é ainda mais importante que aprendamos essas ideias com precisão, e que cuidemos para preservá-las e promovê-las sem contaminação, guardando-as com vigilância zelosa. Se a pregação é mera leitura da Bíblia ou se envolve apenas exegese rígida, então até mesmo não cristãos podem realizá-la. O que a Bíblia diz sobre as qualificações do ministro não fariam sentido então. Contudo, a qualidade da pregação de fato depende da qualidade do pregador, e isso é verdade porque pregar o evangelho não é apenas ler a Bíblia, mas digerir suas ideias e então transmitir e aplicá-las de uma forma que seja moldada pela formação, personalidade e competência do pregador, bem como pela audiência e a situação a qual ele se dirige. Na pregação, a Escritura não é simplesmente lida, mas “manejada” (2 Timóteo 2.15). Suas ideias são processadas, organizadas, reformuladas e aplicadas pelo pregador. E esse é o motivo pelo qual o pregador deve constantemente se purificar e se esforçar para crescer.


Algumas instruções sobre homilética sugerem que a melhor pregação ocorre quando o ministro sai do caminho o máximo possível e permite que a Bíblia “fale por si mesma”. O método expositivo é então recomendado. Mas a melhor forma de alcançar esse efeito é fazer o ministro ler a Bíblia à sua audiência sem nenhum comentário. Isso, contudo, é ler e não pregar. A Bíblia ordena que preguemos. O ministro deve fazer contribuições decisivas para a forma e conteúdo do seu sermão. Pregar não é sair do caminho, mas sim estar bastante nele.


Nesse sentido, pregar não é deixar a Bíblia falar por si mesma, mas falar por ela. Muitos cristãos se sentem desconfortáveis com isso, mas na extensão em que nossa definição de pregação enfraquecer o papel humano, nessa mesma extensão ela também destrói a própria pregação, e também reduz a nossa responsabilidade na questão. Talvez esse seja o motivo pelo qual muitas pessoas favorecem tal definição em nome de permitir que a Bíblia fale por si mesma: faz-nos sentir como campeões da ortodoxia sem ter que assumir a responsabilidade.

Fonte: Reflections on Second Timothy
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto, julho/2010
Fonte: Monergismo
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Proclame a Sã Doutrina

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Por Vicent Cheung

Pregue a palavra, esteja preparado a tempo e fora de tempo, repreenda, corrija, exorte com toda a paciência e doutrina. Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, juntarão mestres para si mesmos, segundo os seus próprios desejos. Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. (2 Timóteo 4.2-4)

As principais preocupações de Paulo são a honra de Deus e o progresso do evangeho. Visto ter alcançado o final de sua vida e ministério, ele agora ordena, diante de Deus e de Jesus Cristo, que Timóteo continue a obra.

Os profetas, os apóstolos e o próprio Senhor têm estabelecido a presença da fé cristã no mundo. O Senhor Jesus disse que essa é uma presença permanente, e que as forças do inferno não prevalecerão contra a igreja. A religião cristã nunca será exterminada, e suas doutrinas nunca podem ser refutadas ou destruídas. Contudo, de acordo com o plano de Deus, o cristianismo continuará a ter os seus inimigos. Haverá aqueles que resistem a ele e tentam aniquilá-lo. Haverá aqueles que recusam abraçar a única pessoa e mensagem que pode salvar as almas miseráveis dos homens, e que ainda tentar impedir que outros entrem na vida eterna. Embora nunca terão sucesso em seus esquemas perversos, seus esforços permanecerão mais que um simples aborrecimento aos seguidores de Jesus Cristo.

Paulo diz a Timóteo algo sobre o que a igreja enfrentará, incluindo as profundezas da depravação na qual os não cristãos se afundarão. Haverá tempos terríveis. As pessaos serão amantes de si mesmas, do dinheiro e do prazer, e não amantes de Deus. Elas serão ingratas, profanas, sem amor, implacáveis, caluniadoras, e assim por diante. Elas terão uma forma de religião, mas negarão o seu poder. Algumas alegarão ser religiosas, ou mesmo cristãos, mas na verdade irão se opor à verdade. Homens maus e impostores, ele escreve, irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.

Qual é a instrução de Paulo para a igreja que encara oposição de todo lado, e enfrenta problemas de todos os tipos? Tempos terríveis estão aqui e estão mais adiante, e o ministério do apóstolo está prestes a chegar ao fim. Se há uma arma potente, uma estratégia especial, um entendimento espetacular, agora é o tempo de falar sobre isso. Com uma solenidade quase ameaçadora que é insuperável em qualquer outro lugar, ele engarrega Timóteo: “Pregue a Palavra”. Devemos ter isso fixado em nossas mentes: quando diz respeito ao ministério, essa é a única prescrição apostólica que se aplica a todos os tempos e em todas as situações.

A fim de reduzir a reduzir a ofensa, mostrar respeito, demonstrar humildade, e incitar interesse, a pregação têm frequentemente sido remodelada em termos não autoritativos. Assim, em vez de “pregar”, o ministro com frequência diz “compartilhar” a palavra de Deus ou “discutir” com a congregação o que deveria ser crido e praticado. Embora seja inteiramente apropriado compartilhar e discutir os ensinos da Bíblia, aqui Paulo não diz compartilhar ou discutir, mas pregar. Há uma diferença. Pregar é afirmar, declarar e proclamar com conhecimento, convicção e autoridade. É entregar uma palavra da parte de Deus sobre algo de importância considerável.

Paulo diz que o conteúdo da pregação é “a Palavra”. Aqui ela é sinônimo daquilo que algumas pessoas recusariam ouvir, isto é, “sã doutrina”. Embora nossa pregação deva ser totalmente consistente com a Escritura, ela não é idêntica à Escritura. Pregar não é simplesmente ler a Bíblia em voz alta, pois se fosse esse o caso, não haveria na verdade nenhuma necessidade de algo como pregação, e uma pregação não seria boa ou ruim, correta ou incorreta. E não haveria nenhuma diferença entre um pregador bom e ruim. Todos seriam leitores. Nem deveria um pregador parecer um comentário. Antes, o pregador assimila a Escritura e então declara a sua mensagem.

Novamente, a pregação sempre deve ser bíblica no sentido que deve seguir “o modelo da sã doutrina” (2 Timóteo 1.13). Mas ela é um padrão, não um roteiro. É um modelo, não um esboço preparado. Peritos em homilética com frequência prescrevem métodos pelos quais o pregador pode realizar melhor a sua tarefa. O método expositivo, pelo qual tanto o título como o conteúdo dos sermões são derivados de uma passagem, é considerado por muitos como a abordagem preferida. Contudo, visto que a própria Bíblia não ordena nenhum método particular, e os peritos em homilética têm falhado em provar que ela o faça, ou mesmo provar que existe um a ser preferido, ninguém tem a autoridade para afirmar que um pregador é fiel, ou mais fiel, à sua comissão apenas se usar o método expositivo.

Paulo pregou a sã doutrina tão fielmente aos atenienses em Atos 17, onde ele não citou nenhuma passagem bíblica, quanto Pedro, quando este usou uma abordagem “texto prova” em Atos 2. Mas pregar sem citar a Escritura, e citar passagens meramente como textos prova, são considerados como métodos inferiores ou mesmo inaceitáveis por muitos peritos em homilética terroristas. A verdade é que, embora o pregador deva sempre ser verdadeiro à Bíblia, a Bíblia permite muita liberdade e variedade na construção e apresentação do sermão. Ele deve pregar a sã doutrina, mas não deve deixar que os peritos em homilética digam como ele deve fazer isso.

De fato, se insistirmos que o próprio método deve vir da Escritura, parece que o método expositivo (onde tanto o título como o conteúdo são derivados de uma passagem) teriam o menor apoio escriturístico. Nenhum sermão na Bíblia segue este método como definido pelos peritos em homilética. Isso não o torna errado ou inferior. De fato, é discutível se o método expositivo é aquele que eu uso com maior frequência, embora por vezes vagamente. O ponto é que algumas pessoas têm alegado muito em favor dele, e têm imposto o mesmo sobre outros, ao passo que a Bíblia parece permitir certa liberdade nessa área. Assim, embora não haja nenhum método rígido, o conteúdo da pregação é definido e decidido, de forma que a ênfase essencial da mensagem é inegociável. E visto que a mensagem é baseada na revelação e na autoridade de Deus, ela obriga legitimamente a consciência dos homens.

O pregador aplica as doutrinas bíblicas de várias formas benéficas – ele deve instruir, repreender e encorajar. Instruir, ou anunciar e explicar a verdade, é o fundamento para os outros usos da palavra de Deus. O pregador então corrige e repreende aqueles que se desviam do padrão bíblico apresentado. É também sobre a mesma base da sã doutrina que o encorajamento significativo é possível. Deve haver uma proporção correta desses usos da palavra de Deus. Encorajamento sem uma base bíblica, sem o fundamento do ensino, é vazio ou mesmo enganoso. Correção é significativa somente quando o padrão correto é definido, de forma que possa ser mostrado que alguém se desviou dele, e de forma que possa ser conhecido que alguém deve retornar a ele. Então, se um pregador apenas instrui e encoraja, mas nunca repreende, aquele que se desvia da verdade nunca é confrontado com o seu erro, e o pregador não cumpriu o seu dever.

Paulo diz que haverá um tempo quando as pessoas não suportarão a sã doutrina. Elas rejeitarão a pregação como um método de ouvir da parte de Deus. E elas rejeitarão a mensagem que a pregação pretende comunicar. Em vez disso, elas desejam ouvir coisas que vão entretê-las, faciná-las e justificar seus erros e maus desejos. E elas exigem uma certa estimulação carnal e sensorial no método de apresentação. Alguns cristãos alegam que devemos acompanhar os tempos e adaptar nossa abordagem de acordo com as tendências culturais. Em outras palavras, deveríamos seguir os não cristãos e nos submeter aos seus desejos. Mas o apóstolo prescreve a pregação já com essa resistência em mente. Ele é quem menciona aqueles que não suportarão a sã doutrina. Ele é aquele que diz para pregar a palavra “a tempo e fora de tempo”, quer o tempo seja favorável ou não a esse método ou à nossa doutrina, e quer essa seja a coisa popular a se fazer ou não.

Portanto, aqueles que propõem alternativas à pregação, e aqueles que propõem alternativas à sã doutrina, estão na realidade propondo rendição ao pecado e à incredulidade. Ora, se as pessoas são desatentas e rebeldes, um rei não ordena ao seu arauto para que pare de declarar a sua mensagem, e que comece a dançar e fazer malabarismo, como um palhaço para atrair uma multidão. Não, se as pessoas não forem ouvir ao arauto, e se elas não concordarão com o rei, a próxima coisa que o rei faz, se assim o agrada, é enviar seus soldados para matá-los. O arauto não muda sua abordagem ou mensagem. Se um pregador muda sua abordagem ou sua mensagem para diminuir a distração e resistência, ele não é mais um pregador. Ele abandonou o seu ministério. Mas que os arautos do Rei insistam em cumprir o seu dever, suportar as dificuldades e manter a fé.

Fonte: Reflections on Second Timothy
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Extraído de: [ Monergismo ]

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