O compatibilismo 4/4

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Por Rev. Heber Carlos de Campos


Compatibilismo defendido

Não podemos entender exatamente as relações entre as duas grandes verdades até aqui ensinadas. Não conhecemos bem a Deus, porque a sua essência escapa ao nosso entendimento, pois ele é supremamente transcendente, indo além das limitações do espaço e do tempo, que são eminentemente categorias da criação. Todavia, quando ensinamos o compatibilismo nós reduzimos em muito a dificuldade de tentar explicar o inexplicável em Deus, porque não podemos compreender Deus. Não sabemos explicar como um Deus bom usa as suas criaturas, ou causas secundárias, para fazer as coisas moralmente más. Não cabe a nós explicar essas coisas no seu sentido mais profundo, mas cabe-nos afirmar a necessidade do compatibilismo, pois ele está evidente nas Escrituras. Ele nos ajuda a conciliar verdades que são irreconciliáveis porque não podemos compreender a natureza divina.

Todavia, o compatibilismo é negado em vários círculos de pensamento. Freqüentemente são sinergistas os que negam o compatibilismo porque este tenta juntar duas coisas que por si mesmas, na conta dos sinergistas, não podem ser juntadas.

Os que crêem no chamado “livre arbítrio” não vêem possibilidade de compatibilismo, justamente por causa do seu conceito de liberdade, que implica necessariamente na possibilidade que todos os homens ainda possuem de escolha contrária, não importando a natureza que possuem. A soberania divina ensinada pelos reformados, segundo eles, torna os seres humanos marionetes, eliminando o livre-arbítrio que tem a ver com o poder de escolha contrária, isto é, com a capacidade de fazer algo que é contrário à natureza do homem. Quem crê no livre arbítrio se opõe ao compatibilismo, porque o conceito de liberdade ensinado pelos sinergistas impõe limitação à soberania divina do modo como a entendemos.

Os que crêem no chamado “livre arbítrio” não aceitam o compatibilismo por causa do seu conceito de presciência. A presciência, segundo eles, é a capacidade que Deus tem de antever os atos futuros que os seres humanos farão e, com base nesse conhecimento antecipado, faz as suas determinações. Portanto, a escolha divina está baseada no conhecimento que ele tem das cousas futuras que os seres humanos farão livremente. Eles tomam o texto de Romanos 8.29 e fazem com que Deus seja conhecedor de antemão dos atos dos homens, quando o texto diz que Deus conhece de antemão pessoas, não coisas que elas haveriam de fazer, como fé ou arrependimento. Esse tipo presciência tira de Deus a absoluta soberania dele, porque ele fica dependendo dos atos futuros dos homens para selar o destino deles. Uma soberania condicionada à vontade futura do homem. Neste caso, o compatibilismo cai por terra porque afirma a liberdade que o homem tem de escolher livremente no futuro, mas nega a determinação soberana dos atos divinos.

O compatibilismo deve ser defendido por todos os genuínos cristãos porque ele está contido nas Escrituras nos muitos exemplos que ainda vamos estudar. Carson afirma de maneira firme que devemos ver “não somente que o compatibilismo em si mesmo é ensinado na Bíblia, mas que ele está ligado intimamente à natureza de Deus; por outro lado, sou direcionado a ver que minha ignorância a respeito de muitos aspectos da natureza de Deus é precisamente a mesma ignorância que me instrui a não seguir os caprichos de muitos filósofos contemporâneos que negam que o compatibilismo seja possível.”

Compatibilismo exemplificado

O aspecto mais notável dos textos que vamos analisar abaixo, é que eles mostram evidentemente que em nenhum ponto o agente humano é descartado de sua responsabilidade pelo fato de Deus estar por detrás de cada ato do homem. Não há como fugir de um compatibilismo sadio, que faz justiça aos textos da Escritura.

Há uma tremenda base bíblica para o compatibilismo que estuda a ação cooperativa de Deus com os homens, em todos os atos, obedecendo a seguinte ordem:

          Atos bons dos homens bons
          Atos bons dos homens maus
          Atos maus dos homens bons
          Atos maus dos homens maus

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Fonte: O Ser de Deus e as suas obras: A Providência e a sua realização histórica. Heber Carlos de Campos. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, págs. 205-206.

Leia também: 
O compatibilismo - 3/4

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O compatibilismo 3/4

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Por Heber Carlos de Campos


O Compatibilismo Justificado

1) Assumindo que o compatibilismo é uma realidade ensinada nas Escrituras, vamos tentar mostrar, até onde isso é possível, como ele se processa. A primeira afirmação nesta parte do capítulo é que não sabemos exatamente como as duas grandes verdades ensinadas acima se encaixam perfeitamente, devido à limitação de nossa visão de Deus e por causa da dificuldade de definição de termos usados, especialmente a idéia de liberdade. Essas duas verdades não se excluem e nem são contraditórias entre si. Todavia, a despeito de serem compatíveis entre si, permanece um elemento misterioso que não podemos explicar porque a parte mais profunda dessa matéria foge à nossa capacidade de entendimento.

 2) Assumindo que o compatibilismo é uma realidade nas Escrituras, temos que aceitar que, mesmo sendo o sumo bem, Deus está por detrás do bem e do mal, mas de um modo diferente em cada um deles. Deus não está por detrás do mal do mesmo modo que está por detrás do bem. A Escritura afirma que Deus está por detrás do bem dando o desejo de coisas santas e realizando as coisas santas nos cristãos. Paulo chama isso “querer e realizar” (Fp 2.13).

Todavia, Deus não está por detrás do mal da mesma forma. Para que o mal seja executado, Deus usa a instrumentalidade das causas secundárias. Deus decreta a existência do mal, excita os seres racionais para que o mal aconteça, mas a execução do mal não é uma obra feita pela Causa Primária. Deus não pode ser acusado de praticar o mal. Somente as causas secundárias é que devem ser acusadas pelo mal, pois são elas que o praticam. Todavia, temos que nos lembrar de que o mal não foge da esfera da soberania humana. O próprio Deus assume a responsabilidade pela presença do mal no universo, embora os seres racionais sejam responsabilizados pela prática dos atos maus, pois eles são livres agentes. Este é o compatibilismo de que estamos falando.

Carson sumariza este ponto da seguinte forma:

“Se eu peco, talvez eu não possa pecar fora dos limites da soberania divina (ou os muitos textos citados não têm sentido algum), mas eu sozinho sou responsável por aquele pecado — ou talvez eu e aqueles que me tentaram... Deus não deve ser culpado. Mas se eu faço o bem, é Deus operando em mim o querer e o fazer segundo a sua boa vontade. A graça de Deus foi manifesta neste caso, e ele deve ser louvado.” [Carson, How Long, O Lord?, 213.]

3) Assumindo que o compatibilismo é uma realidade ensinada nas Escrituras, então temos que enfatizar a responsabilidade moral dos homens. A tendência dos adversários do compatibilismo é esta: Se Deus é soberano absoluto, o homem não pode ser responsável pelos seus atos. Esse raciocínio, de ranço arminiano, é nascido no conceito de liberdade de autonomia ou de independência. Esta liberdade é incompatível com a soberania absoluta de Deus. Todavia, não é desta liberdade que estamos tratando. O conceito de liberdade é um dos mais difíceis de serem definidos.

O espaço aqui é pequeno para um tratado sobre a matéria.

Daremos atenção a este assunto de forma resumida, mas a mais clara possível, dentro de nossas limitações.

A responsabilidade dos homens é resultante do fato de Deus criá-los com liberdade de agência, como já afirmamos anteriormente. Os seres humanos fazem escolhas o tempo todo: eles obedecem, rebelam-se, crêem, permanecem incrédulos, mas sempre são contados por Deus como responsáveis pelos seus atos, mas isto nunca acontece fazendo com que Deus seja contingente dos atos humanos.

Deus é apresentado na Escritura com soberano e, ao mesmo tempo, como Deus de bondade. Carson nos adverte muito sabiamente de um perigo: "Deus nunca é apresentado como cúmplice do mal, ou como secretamente malicioso, ou como permanecendo por detrás do mal como exatamente ele permanece por detrás do bem." [D. A. Carson, How Long, O Lord?, (Grand Rapids: Baker Book House, 1990), p. 205.] A grande dificuldade é colocar estas duas coisas juntas, sem fazer injustiça ao Deus da Palavra. Mas isto que Carson disse é absolutamente a expressão da verdade.

Ninguém pode negar estas duas verdades apresentadas na Escritura com vários exemplos que serão analisados logo abaixo. Essas duas verdades são absolutamente compatíveis. Todos os teólogos que sustentam que estas duas verdades podem estar perfeitamente juntas, são chamados "compatibilistas".

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Fonte: O Ser de Deus e as suas obras: A Providência e a sua realização histórica. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, págs. 203-205.


Leia também: 
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O compatibilismo 2/4

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Por Heber Carlos de Campos


O Compatibilismo definido

A ideia da coexistência da soberania divina e da liberdade responsável do seres humanos é regularmente chamada de compatibilismo. Essas duas grandes verdades não se excluem. A Bíblia as ensina e delas não podemos escapar, mesmo que não as entendamos completamente: 

A Verdade de que Deus é soberano 

A soberania de Deus atinge todos os níveis e todas as suas criaturas. Ela é extremamente abrangente nos ensinos da Escritura. Portanto, não é de se estranhar que encontremos nas páginas da Escritura Deus participando claramente nos atos maus dos homens e relacionado com coisas que nunca imaginaríamos que um Deus como o nosso pudesse estar. 

Deus faz vir desgraças sobre as famílias. Assim entendeu com razão Noemi, pois foi uma mulher que sofreu muito da parte do Senhor (Rt 1.13, 20); o profeta Amós faz uma pergunta que, ao mesmo tempo, é uma expressão da sua fé: “Sucederá algum mal à cidade, sem que o Senhor o tenha feito?” (Am 3.6); Mesmo que não seja com alegria no seu coração Deus entristece os filhos dos homens (Lm 3.33); tudo o que acontece no mundo, seja mal ou bem, procede de Deus (Lm 3.37-38); o mesmo Jeremias entendeu muito claramente que os caminhos dos homens, sejam retos ou tortuosos, não são governados nem determinados, nem dirigidos pelos próprios homens (Jr 10.23); um salmista afirmou categoricamente que Deus mudou o coração dos egípcios para que eles odiassem o povo de Israel (Sl 105.25). Deus faz todas as coisas, mesmo as mais espantosas como o mal (Is 45.6-7), afirmou Isaías. Ele endurece o coração das pessoas conforme lhe apraz (Rm 9.18) e pode incliná-lo para o mal, porque o coração das pessoas está nas suas mãos (Pv 21.1). É por isso que Paulo diz que Deus mandou a operação do erro para que os homens não cressem na verdade de Deus (2 Ts 2.11). 

Esse é o Deus das Escrituras Sagradas, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Ele não é o deus da imaginação das pessoas, nem aquele que é projeção dos próprios homens. Ele possui o controle sobre todas as coisas, porque ele reina sobre o seu universo, faz sempre e inalteravelmente a sua vontade. 

Essa é a primeira grande verdade e uma das mais importantes pressuposições da Escritura — Deus é soberano. 

A verdade de que o homem é um agente livre. 

A segunda grande verdade é que a soberania de Deus nunca exclui ou minimiza a liberdade responsável dos seres racionais. Estas duas verdades andam juntas e nem sempre podemos abarcar a totalidade desta verdade, e também porque pensamos que as duas coisas são excludentes. Nos textos citados logo acima os seres humanos têm participação ativa. Eles não são excluídos porque Deus é soberano. 

Definição de Liberdade de agência 

A liberdade da qual vamos tratar aqui não inclui a idéia comum de escolha contrária, que é comum nos círculos humanistas, semi-pelagianos e arminianos, nem a idéia de uma liberdade de autonomia. A liberdade dos seres humanos que a fé reformada ensina não é fictícia ou ilusória. Ela é real e verdadeira. Ela diz respeito aos atos voluntários que os seres humanos praticam. A liberdade da qual falamos tem a ver com a capacidade que os seres humanos possuem de fazer qualquer coisa que quiserem, de fazer o que lhes agrada, de fazer as coisas pelas quais eles têm predileção. Todavia, nunca eles haverão de fazer nada que seja contrário à sua natureza. Berkhof chama essa liberdade de livre agência, que é a capacidade de fazer qualquer coisa “de acordo com as disposições dominantes da natureza”.

Eles são livres para fazerem as coisas conforme as disposições morais e espirituais dos seus corações. Eles agem obedecendo os seus impulsos interiores. É importante observar que esses impulsos interiores são os impulsos que os levam a participar dos atos que foram iniciados decretivamente por Deus. 

Ilustração de Liberdade de agência 

Sobre a relação entre a soberania de Deus e a liberdade humana vamos falar quando tratarmos da Primeira Causa e das causas secundárias, mas daremos apenas um exemplo como ilustração da ação livres e voluntárias dos homens.

Tome o texto de Atos 4.23-28 e leia-o cuidadosamente. Então, você vai perceber que todas as pessoas mencionadas no verso 27 – Herodes, Pilatos, gentios e povos de Israel fizeram exatamente o que queriam fazer. Alguns detalhes da traição de Cristo foram até planejados cuidadosamente, como é o caso da ação dos fariseus e membros do Sinédrio. Nenhum deles fez coisa alguma contrária à sua natureza. Eles fizeram tudo o que estava de acordo com as disposições dominantes da alma deles. O prazer deles foi cuspir em Jesus, dar-lhe bofetadas, zombar dele, prendê-lo, açoitá-lo, sentenciá-lo à morte e, por fim, serem os instrumentos malignos da sua execução na cruz. Além disso, zombavam de sua divindade, dizendo: “Se tu és Filho de Deus, desce da cruz”. Todas essas coisas foram feitas voluntariamente, sem serem forçados por nada de fora a fazerem o que fizeram. Simplesmente, eles deram ouvidos à sua própria natureza. 

Eu não posso dizer que eles eram absolutamente livres, ou que a liberdade deles era de autonomia, porque eles não podiam fazer nada contrário ao que fizeram. Por que? Porque, ao fazerem voluntariamente o que fizeram, eles estavam cumprindo um decreto divino determinado de antemão. O verso 28 diz que as pessoas mencionadas acima fizeram tudo “o que a tua mão e o teu propósito predeterminaram”. A liberdade de independência não existe nos seres humanos. Existe, sim, a liberdade de agência, mencionada acima, porque fizeram exatamente o que queriam fazer, mas não possuíam a liberdade de autonomia, justamente porque estavam debaixo de um plano previamente determinado. A soberania divina estava sobre eles e fazendo o que fizeram acabaram cumprindo um decreto divino. 

Relação de Liberdade de Agência com Responsabilidade

Os seres humanos não são eximidos de responsabilidade porque Deus age soberanamente em suas vidas. Deus não anula a responsabilidade dos homens porque ele os criou agentes livres. A responsabilidade de um ser humano está vinculada à sua liberdade de agência. Os seres humanos são considerados culpados pelas transgressões que cometem contra a lei de Deus porque eles fazem todas as coisas conforme eles querem, porque agem voluntariamente como livres-agentes que são, sem serem forçados por nada externamente.  

Veja o exemplo de Davi quando decidiu fazer o censo de Israel. Ele o fez porque quis fazer e, por isso, se tornou responsável por ele, vindo a pedir perdão a Deus por ter feito o que fez e do modo como o fez (2 Sm 24.10). Todavia, ele fez despertado pela soberania de Deus, que se irou contra os israelitas (2 Sm 24.1). Davi fez o quis fazer, foi culpado pelo que fez e pela forma como fez, mas por detrás do seu ato estava a soberania divina. Este é apenas um exemplo de tantos outros que veremos à frente. Todos os exemplos que se seguirão neste livro evidenciam a noção compatibilista que a Escritura apresenta das duas grandes verdades operando juntas: a soberania divina e a liberdade responsável dos seres humanos.
 


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Fonte: O Ser de Deus e as suas obras: A Providência e a sua realização histórica. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2001, págs.. 201-203

O compatibilismo - 1/4

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Por Rev. Heber Carlos de Campos


O compatibilismo do concursus

Não obstante a dificuldade patente que existe de compatibilizar a soberania de Deus e a liberdade humana, podemos ter certeza de que as duas coisas coexistem e podem ser compatibilizadas. Elas não são mutuamente excludentes. Mesmo que não expliquemos todas as relações existentes entre essas duas verdades, elas são claras na Escritura. Todavia, afim de clarearmos um pouco essa difícil matéria, vamos a um procedimento que R. C. Sproul usou no tratamento desse assunto.

Segundo esse grande escritor reformado, uma das maiores dificuldades da teologia cristã é a solução do mistério que existe entre a obra soberana providencial de Deus e aquilo que realmente a criatura faz livremente. Antes de entrar no tratamento dessa relação, temos que distinguir dois termos muito importantes: mistério e contradição.

Uma contradição é entendida pela simples aplicação do uso das regras básicas da lógica. Algo que existe não pode ser ao mesmo tempo não existente. Isso é uma contradição. Quando afirmamos que Deus é soberano e que o homem é livre, não estamos tratando de uma contradição. Ambas as coisas podem coexistir perfeitamente. Todavia, se eu afirmo que Deus é soberano e o homem é um ser autônomo, então estou afirmando uma contradição. Estas duas coisas são excludentes. Se Deus é soberano, nada escapa ao seu controle e os seres humanos não poder ser autônomos. Se, entretanto, os homens são autônomos, a soberania de Deus é deixada de lado. A existência de um anula ou outro.

Pode-se conceber a ideia de um Deus absolutamente soberano. Os calvinistas creem assim. Pode-se conceber a ideia de seres humanos como autônomos. Os humanistas em geral creem assim. Todavia é impossível concebê-los como coexistindo simultaneamente. É impossível conceber o relacionamento da providência soberana de Deus com a autonomia humana. Ou aceitamos uma ou outra. Quem afirma uma nega o outra. É uma impossibilidade lógica aceitar ambas.

A razão pela qual existe uma impossibilidade lógica entre a soberania absoluta e a liberdade de autonomia é porque este último termo significa liberdade absoluta. Soberania absoluta e liberdade absoluta podem existir num mesmo ser. Deus pode ser tanto soberano como autônomo, mas isto não pode ser dito das criaturas, porque não pode haver dois soberanos, nem dois autônomos.

Para ser honesto, a liberdade absoluta não existe nem para Deus, porque ele não pode fazer nada contrário à sua natureza. Contudo, ele é livre no sentido de fazer qualquer coisa sem ter que dar satisfação a quem quer que seja. Ele não está sob a autoridade de ninguém. Nesse sentido ele tem liberdade de autonomia, mas não liberdade absoluta. Apenas age de acordo com a sua própria natureza.

Os seres humanos possuem liberdade, mas não a liberdade de autonomia. É uma liberdade limitada às suas condições de finitude, que são agravadas pela presença do pecado na raça humana. Não podemos permitir que a liberdade do homem diminua a soberania divina. Entretanto, é perfeitamente correto aceitar que a soberania divina limite a liberdade humana. É dessa liberdade dentro de limites que vamos tratar ainda neste capítulo. Ela será chamada de liberdade natural ou liberdade de agência.

A palavra mistério deve ser distinta da ideia de contradição. Não existe contradição entre a soberania absoluta de Deus e a liberdade de agência dos homens. Elas podem coexistir pacificamente porque elas não são excludentes. Todavia, não podemos penetrar todos os meandros dessa coexistência. Como Deus age soberanamente ao mesmo tempo em que o homem faz o seu trabalho realmente, é difícil de entender. “Um mistério pode ser definido como alguma coisa que é verdadeira que não podemos entender.” A soberania absoluta de Deus é verdadeira. A liberdade do homem (da forma como vamos apresentá-la) também é verdadeira. Contudo, não podemos compreender a maneira como essas duas verdades podem ser relacionadas. Permanece um mistério o fato de que, ao mesmo tempo, num ato praticado, Deus se manifesta soberano e o homem livre e responsável. Todavia, é possível a coexistência dessas duas verdades. Os que a defendem são chamados de compatibilistas.


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O ambiente teológico Arminiano nos dias de Edwards

Atualizado em 23/09/2013, às 22:10hs.   

Por Heber Carlos Campos


Em 1737, Jonathan Edwards escreveu que "neste tempo [referindo-se ao outono de 1737] começou um grande ruído, nesta parte do país, a respeito do Arminianismo, que se parecia com um aspecto muito ameaçador com respeito ao interesse da religião."1
Geralmente, "Arminianismo" era um nome da Nova Inglaterra para uma espécie de religião que aparece em todos os tempos e lugares da igreja, e tem sido outras vezes conhecido como "semi-Pelagianismo", "sinergismo".2
Os arminianos lutam para sustentar uma espécie de liberdade humana que pode igualmente, e com o mesmo poder, rejeitar ou aceitar a misericórdia de Deus, oferecida em Jesus Cristo.
A Nova Inglaterra, por muito tempo, ficou consistentemente calvinista devido à forte influência dos puritanos, ao menos até o tempo dos grandes reavivamentos no tempo de Jonathan Edwards (1734 e 1740). Todavia, a despeito da influência dos despertamentos espirituais, começou a existir uma ação penetrante do Iluminismo europeu em alguns setores religiosos da Nova Inglaterra. Smith escreve sobre o dilúvio de influência que haveria de mudar algumas coisas na igreja da Nova Inglaterra.
Dentro da Inglaterra os elementos do Iluminismo tinham penetrado em ambos, no pensamento não-conformista e no anglicano, por todo o século dezessete. No começo do século dezoito, as tendências arianas, socinianas e pelagianas tinham todas ganho considerável raiz. Por causa do crescente contato comercial e cultural entre Boston e Londres, a parte oriental de Massachusetts foi diretamente exposta aos modos do pensamento liberal. Os dois ingleses liberais que se tornaram influentes naquela região foram Daniel Whitby (1638-1726) e John Taylor (1694-1761).3 Além deles, Thomas Chub, foi um terceiro nome importante nas controvérsias antropológicas com Edwards.
Por volta de 1740 o Arminianismo tinha prevalecido tanto em Harvard como em Yale entre os professores.4
Vejamos alguns expoentes do Arminianismo no tempo de Edwards:

John Taylor (1694-1761)

Taylor começou a rejeitar a idéia do pecado original e eventualmente escreveu seu tratado Scripture-doctrine of Original Sin.5

Taylor era contra a imputação do pecado

Nesse tratado ele atacou bíblica e filosoficamente essa doutrina cardeal do pensamento calvinista. Suas palavras são muito fortes contra a imputação do pecado original. Ele escreve:

Um representante de ação moral é o que eu não posso, de modo algum, digerir. Um representante, a culpa de quem a conduta será imputa a nós, e cujos pecados corromperão e perverterão a nossa natureza, é um dos maiores absurdos em todo o sistema para corromper a religião... Que qualquer homem sem meu conhecimento e consentimento, me represente, que quando ele é culpado eu devo ser reputado como culpado, e quando ele transgride eu sou responsável e punível por sua transgressão, e, por causa disso, sujeito à ira e maldição de Deus, não! Além disso, que por sua impiedade me seja dada uma natureza pecaminosa, e tudo antes de eu ser nascido, e consequentemente enquanto estou sem capacidade de conhecer, ajudar ou impedir o que ele fez; certamente qualquer um que se atreve a usar seu entendimento, deve claramente ver isto como não-razoável, e totalmente inconsistente com a verdade e a bondade de Deus.6

Esse tratado contra o pecado original foi recebido muito calorosamente e a sua influência se espalhou na Nova Inglaterra e foi recebido calorosamente por muitas pessoas. David Weddle escreve:

Muitos pregadores (de gerações mais jovens, e principalmente os graduados de Harvard) foram encorajados em sua apostasia do Calvinismo Puritano por esta expressão sofisticada do Arminianismo continental.7

Após a publicação do Scripture-doctrine of Original Sin, de Taylor, passou a existir um debate entre ele e Edwards. Edwards disparou o gatilho de sua obra The Great Christian Doctrine of Original Sin. Nessa obra, Edwards defendeu corajosa e veementemente a imputação do pecado de Adão à raça, usando a analogia da árvore e seus ramos.8

Taylor tinha uma visão superficial do pecado

O debate entre Taylor e Edwards foi sobre a idéia da necessidade. Smith afirma que:

Edwards já havia tratado com a questão da necessidade em Freedom of the Will e em seus debates com Whitby, e, portanto, ele estava totalmente preparado para tratar com os argumentos de Taylor. Semelhantemente a Whitby, Taylor argumentou que o pecado necessário não é pecado digno de culpa.9

Taylor sustenta que o pecado de Adão resultava subjetivamente em culpa, vergonha e temor e que ele caía numa sujeição à tristeza, penoso labor e morte. Esta morte, contudo, deve ser entendida simplesmente como morte física. A ruína do homem não parecia para ele ser muito grande, como pode ser visto na seguinte afirmação:

Nós somos nascidos como esvaziados de real conhecimento como os próprios animais. Somos nascidos com muitos apetites lascivos, e consequentemente, sujeitos à tentação e pecado. Mas isto não é uma falha de nossa natureza, mas a vontade de Deus, sábia e boa. Porque cada uma de nossas paixões e apetites naturais são, em si mesmos, bons; de grande uso e vantagem em nossas presentes circunstâncias; e nossa natureza seria defeituosa, preguiçosa ou indefesa sem eles. Nem há qualquer um deles que possamos dispensar no presente. Nossas paixões e apetites são, em si mesmos, sabia e bondosamente implantados em nossa natureza. Eles são bons, e se tornam maus somente pelo excesso anatural, ou por abuso ímpio. A possibilidade desse excesso e abuso é também sabiamente permitido para nossa provação. Porque sem tais apetites, a nossa razão não teria nada contra o que lutar e, consequentemente, a nossa virtude não poderia ser devidamente exercida e provada a fim de ser recompensada. E os apetites que temos, Deus tem julgado muito próprios, tanto para o nosso uso como provação.10

É muito estranha essa concepção de pecado produzida por Taylor. As inclinações que temos para o pecado, no pensamento de Taylor, são dons divinos, produto de sua generosidade, para nos provar e nos fazer melhores. Deus nos deu essas inclinações para podermos exercitar os nossos poderes racionais. Do contrário, eles ficariam inativos. Esses são os propósitos dos apetites sensuais.
Era dessa maneira superficial e distorcida que Taylor via a doutrina do pecado original no arminianismo de sua época. Edwards lutou contra Taylor para preservar a verdadeira doutrina calvinista sobre o pecado: (1) Adão foi tornado o cabeça federal da raça; (2) seu pecado foi imputado à sua progênie; (3) a corrupção da natureza visitou a totalidade da raça; (4) o pecado atual é uma consequência. Esta era a doutrina da "imputação imediata" que teve muita importância na teologia Reformada subsequente.

Daniel Whitby (1638-1726)

Whitby, o principal objeto da crítica de Edwards, expressava grande insatisfação com a doutrina do pecado original e considerava inaceitável a idéia da imputação defendida por Agostinho.11

Juntamente com Taylor, Whitby "argumentava que as pessoas não mereciam corretamente o louvor ou a desaprovação, se as ações delas fossem desempenhadas por necessidade. Em outras palavras, se não fazemos livremente escolhas, como pode Deus corretamente recompensar ou punir-nos por nossas decisões?"12 A acusação dos arminianos da época (e de hoje também!) era de que os calvinistas acabam tornando Deus o autor do pecado, se é verdade que tudo o que acontece decorre de uma necessidade.

Foi para responder aos livros de Whitby (e o de alguns outros) que Edwards compôs o seu livro The Freedom of the Will.

Whitby tinha uma visão da vontade bem diferente da de Edwards:

A vontade, de acordo com Whitby, é livre não somente no sentido de ser a faculdade de escolha, mas como não tendo nenhuma determinação seja para o mal ou para o bem. Sua liberdade ele define assim: "um poder de agir a partir de nós próprios, ou de fazer o que queremos". Assim, ela é livre, não somente de uma "coação", mas daquilo que, em distinção disso, era chamado "necessidade". Numa citação de um certo Mr. Thorndike a palavra "indiferença" é usada para descrever esta liberdade.13

No entendimento de Whitby os homens possuem motivos (como promessas e ameaças) que exercem influências, mas quando os motivos são apresentados, a decisão ainda repousa na vontade. Ela possui independência. Mesmo a despeito dos motivos, não existe determinação deles. A vontade escolhe como escolhe por "auto-determinação". Embora Whitby não use a palavra "auto-determinação" esse é o seu conceito no coração de suas obras. A vontade determina-se a si mesma. A conclusão do pensamento de Whitby é a seguinte:

Não há, evidentemente, nenhuma base racional para conhecer de antemão qual deverá ser a ação da vontade, mesmo quando todos os motivos operantes são supostamente conhecidos. A onisciência de Deus, que abarca sua presciência, é, portanto, um atributo inteiramente misterioso. Segue-se também que o homem na conversão não é passivo e que a graça de Deus não é irresistível.14

No pensamento de Whitby era essencial que a vontade devesse ser livre da "necessidade" assim como da "coação", e então a vontade do homem, mesmo no estado de queda, não seria diferente da vontade no estado edênico. Nada teria qualquer determinação sobre a vontade.

A resposta de Edwards a Whitby baseada em Locke

Edwards tinha todas as respostas para combater Whitby com os argumentos já proporcionados por John Locke. A base filosófica e lógica da sua argumentação para refutar Whitby Locke já havia levantado antes dele. Edwards já tinha lido o Essay on Human Understanding, especialmente o da primeira edição, escrito por Locke. A impressão que essa obra lhe causou em sua adolescência foi muito marcante!

O significado de Liberdade em Locke

A idéia de liberdade é a "idéia de um poder em qualquer agente para fazer ou omitir qualquer ação específica de acordo com a determinação ou pensamento da mente pelo qual qualquer uma delas é preferida em relação à outra".15 A liberdade é sempre uma liberdade externa, o poder de fazer como alguém deseja.

A liberdade, que é apenas um poder, pertence somente a agentes, e não pode ser um atributo ou modificação da vontade que é também apenas um poder... Perguntar se a vontade tem liberdade é o mesmo que perguntar se um poder tem um outro poder, uma capacidade tem uma outra capacidade... Raramente podemos imaginar qualquer ser mais livre do que ser capaz de fazer o que ele deseja.16

Rebatendo à pergunta, "Se um homem está em liberdade para querer qual dos dois lhe agrada, movimento ou repouso?", ele diz:

Esta questão carrega consigo o absurdo dela tão manifestamente em si mesma que uma pessoa poderia, por meio disso, suficientemente ser convencido de que liberdade não diz respeito à vontade." O ser humano faz somente o que lhe agrada ou convém.

"O que determina a vontade?"

Locke responde:

Parece assim estabelecida uma máxima pelo consenso geral de toda a raça de que bem, o bem maior, determina a vontade, e de forma alguma eu me espanto que, quando eu publiquei meus pensamentos primeiros sobre este assunto, tomei como certo, e eu imagino que por muitos eu serei considerado como desculpado por ter, então, feito assim.... Mas todavia, .... sou forçado a concluir que o bem, o bem maior, embora apreendido e reconhecido ser assim, não determina a vontade até o nosso desejo, levantado proporcionalmente a ele, mas faz-nos apreensivos no querer dele."17

Em ambas as edições do Essay on the Human Understanding, Locke tem opiniões diferentes sobre a resposta à pergunta: "O que determina a vontade?"

Em ambas as edições ele responde: "O motivo que está diante dela". Mas na primeira edição, onde a vontade não tinha sido agudamente distinguida do desejo, foi o motivo objetivo, o bem, enquanto que agora é o motivo subjetivo, ou o desejo excitado pelo bem apresentado na mente. Esta distinção dependeu da nova concepção que Locke tinha adquirido da "perfeita distinção" da vontade do desejo, que ele diz, "não devem ser confundidas".18

"O que move o desejo?" Locke responde: "A alegria", "o que tem uma aptidão de produzir prazer em nós, é o que chamamos bem". Mas um bem deve ser colocado para excitar o desejo, ou ela nunca influenciará a ação. Um bem ausente, por exemplo, é menos eficaz do que algum desconforto presente."19

Resumo da disputa entre Edwards e Whitby

Cada ato da vontade é um ato de escolha e envolve alternativas. Entre a escolha de duas alternativas, a pergunta é a seguinte: O que determina a vontade a escolher um ao invés de outro? Os arminianos diziam que a vontade determina a si mesma. Edwards diziam que a vontade é determinada pelo motivo mais forte.

Aos motivos são atribuídos, entretanto, um poder positivo. Eles são causas, e, assim, enquanto uma tendência ao ocasionalismo de Malebranche, que é evidente em seus escritos seguintes, Edwards atribuiu a eles uma causação eficiente. Eles poderiam ser calculados, e sobre um perfeito conhecimento da natureza e potência deles, a ação futura de um ser influenciado por eles poderia ser predita. Nisto, as condições subjetivas que determinam a influência dos motivos não foram negligenciadas, mas ainda o poder positivo foi deixado ao motivo objetivo.20

Portanto, o motivo dominante, ou o motivo mais forte, é que determina a ação da vontade. Esse motivo mais forte é determinante porque possui um certo poder de atração ou porque é um bem aparente. Os mandamentos e as ameaças são motivos que podem ser empregados, mas o que quer que sejam os motivos, como um homem escolhe, assim é ele. Na verdade, o poder de escolha está no homem e não na sua vontade. A vontade não possui independência em relação aos fatores internos e externos que há no homem.

Thomas Chubb (1679-1747)

Thomas Chubb, um deísta e ariano inglês, teve treinamento informal em geografia, matemática e teologia, enquanto trabalhava como aprendiz na  fabricação de luvas.

Ele começou sua fé na fase primitiva do Arminianismo, mas sempre tentou reconciliar Jeová com o conceito racionalista de um Ser Supremo. No entanto, ele se tornou e permaneceu um cristão deísta. Ele comparou abertamente a propagação do cristianismo primitivo com a difusão do metodismo em sua época, e, por meio disso, rejeitou as alegações de poder sobrenatural associados com a igreja primitiva. Ele defendeu uma espécie de cristianismo racionalista. Ele considerava a revelação, não como divina, mas como a obra de homens honestos que fizeram uma narrativa justa e fiel dos acontecimentos. Ele era dúbio a respeito de uma providência particular, portanto, da oração. Ele argumentava contra a profecia e milagre e cria na dignidade da natureza humana e no livre arbítrio.

Jonathan Edwards foi um dos maiores opositores de Chubb, no seu livroThe Freedom of the Will, em 1754. Ali ele gastou cerca de 19 páginas para refutar a doutrina da vontade livre de Chubb. Chubb foi muito lido nos Estados Unidos em sua época.21

Em sua Freedom of the Will, Edwards atacou o conceito de Liberdade sustentado por Chubb, que afirmava que:

todo ato de escolha é ordenado por um ato de escolha separado. Assim, a liberdade de escolha, Edwards concluiu, é somente uma quimera, de acordo com o próprio raciocínio de Chubb - e é contraditado e, portanto, engolido pela escolha necessária.22

Edwards disse que a "sua noção de ato livre" era "uma pilha de contradições".23

Edwards também atacou o seu deísmo porque ele o considerava perigoso para a fé cristã.24 Edwards estava muito preocupado com o deísmo vigente na Nova Inglaterra. Num sermão pregado em 1743 ele referiu-se "aos roubadores, piratas e deístas".25 Edwards dizia que a nação estava sendo atacada pelo Deísmo de homens como Chubb. Ele menciona que o Deísmo "está fazendo um espantoso progresso em nossa nação", de forma que "grande parte da nação tem se tornado deísta".26

Foi num ambiente teológico de controvérsias libertárias como essa que Edwards escreveu o seu livro Freedom of the Will. Se Edwards não reagisse a esse libertarismo de Taylor, Whitby e Chubb, o Calvinismo seria banido da Nova Inglaterra. Toda estrutura teológica Reformada cairia em colapso. O libertarismo estava tomando conta de muitos redutos outrora Calvinistas da Nova Inglaterra. Winslow colocou de forma correta o problema:

Se a vontade do homem fosse livre, e ele pudesse aceitar a graça divina ou rejeitá-la, então sua eterna salvação não mais poderia ser preordenada por um poder fora de si mesmo: ele seria salvo por sua própria escolha, não pelo decreto imutável. E se isto fosse verdadeiro, então a soberania de Deus seria limitada, não absoluta... Se a vontade do homem fosse livre, a estrutura calvinista estaria arruinada.27

O calvinismo de Edwards, portanto, veio a negar a liberdade libertária ensinada pelos arminianos da época. Edwards não poderia ficar calado diante de perigo tão grande causado pelo libertarismo, para a fé calvinista. Por essa razão, em sua Freedom of the Will, Edwards atacou violentamente o arminianismo, fortalecendo, assim, novamente, o sistema calvinista de teologia na Nova Inglaterra.

Edwards procura, com todas as suas forças, eliminar a noção arminiana de Vontade Livre, mas não elimina a liberdade no homem. Ele passa a discorrer a respeito de um tipo diferente de liberdade, estranho aos arraiais arminianos. Winslow escreve:

Sua refutação da posição arminiana significa, em essência, uma nova definição de liberdade humana pela qual ele pensou numa pancada para salvar ambos, a dignidade do homem e a onipotência de Deus. Ele concede ao homem a liberdade de ação para levar a cabo suas próprias escolhas, mas insiste que essas escolhas são determinadas pelos motivos que repousam fora do controle do homem... A contribuição de Jonathan Edwards foi fazer da liberdade do homem um passo intermediário. Ele tinha qualificado antes do que negado a liberdade; ou, numa frase mais moderna, ele reproduzido a liberdade humana como 'condicionada'.28

É do combate à liberdade libertária do arminianismo e de sua nova definição de liberdade que o seu livro Freedom of the Will trata.

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- Para visualizar as notas, veja no final do artigo original, aqui.

- Sobre o autor: Heber Carlos Campos é ministro presbiteriano, professor de Teologia Sistemática no CPAJ e o coordenador do Jonathan Edwards Center no Brasil. Palestrante e autor de vários livros e artigos. É Doutor (PhD) em Teologia Sistemática no Concordia Theological Seminary, Saint Louis, Missouri, EUA.
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Vivendo "já" com vistas ao "ainda não"



por Rev. Heber Carlos de Campos Junior.


O cenário brasileiro tem experimentado um influxo impressionante de livros que abordam o tema da cosmovisão. Simplificando um assunto bastante complexo, cosmovisão diz respeito a pressuposições que todo o ser humano possui (esteja ele consciente ou não) que residem em nosso mais interior (coração) formando assim uma orientação de vida, um comprometimento com verdades pelas quais você vive e morre. Trata-se de um conjunto de motivações, crenças, certezas, valores e ideais que formam o instrumento interpretativo da realidade, além de ser a base de nossas ações e decisões.

Devido à tradição reformada refletir sobre esse assunto há mais tempo do que qualquer outro segmento da cristandade (com nomes como James Orr, Abraham Kuyper, Herman Dooyeweerd, Francis Schaeffer, etc.), os autores modernos tratam de certos marcos históricos do cristianismo como fundamentos da cosmovisão reformada: criação, queda e redenção. Esse tripé tem sido uma das características mais comuns entre os livros que tratam de cosmovisão. Não que outros cristãos não afirmem tais acontecimentos na história da humanidade, mas são os reformados que costumam enfatizar com maior frequência a importância de considerar a praticidade desses eventos para o nosso dia a dia.

Esses pilares históricos não devem ser vistos como meros conceitos ou categorias intelectuais. Não se tratam de proposições atemporais. A cosmovisão é uma história, a história da humanidade, a nossa história. Esse elemento existencial não pode ser esquecido no estudo de cosmovisões. Sendo assim, é quando encarnamos as verdades dessa história, e vivemos conscientes dessa história, que nossa cosmovisão se coaduna com a revelação bíblica. Viver à luz da criação significa, por exemplo, relacionar-se com as pessoas mais complicadas à luz do fato de ainda serem imagem e semelhança de Deus. Viver à luz da queda implica em não nutrir sonhos utópicos resultantes do esforço humano para construir uma sociedade melhor. Viver à luz da redenção envolve a noção de uma redenção tão abrangente que afeta pessoas não só em sua espiritualidade, mas em todas as áreas de sua vida, inclusive o seu habitat.

Na área da redenção é que calvinistas têm o perigo de comunicar uma mensagem indevida. Se por um lado, atacam corretamente o pessimismo do mundo evangélico em não integrar a fé às várias áreas de nossa atuação secular, por outro lado, correm o risco de criarem uma falsa expectativa de nossa atuação no reino de Deus. Desde a célebre obra de H. Richard Niebuhr,Cristo e Cultura, os calvinistas têm sido descritos como possuindo uma visão transformacionista da cultura. De acordo com Niebuhr, os calvinistas não são essencialmente contra a cultura, nem a recebem indiscriminadamente, não colocam a fé em um patamar acima da vida comum, nem mantém a fé e a vida comum em constante tensão. Eles se colocam como agentes transformadores da cultura. Autores modernos têm perpetuado essa leitura de Niebuhr e falado da importância de uma fé holítisca no engajamento cultural. Os proponentes dessa visão falam de ir além de envolvimento cultural. [1] Os cristãos devem trazer os efeitos da obra redentora de Cristo para as várias esferas da vida.

Precisamos de cautela para não sermos nem pessimistas demais, nem otimistas demais. Aos cristãos cabe o redirecionamento da cultura numa direção redentiva que a restaure, o máximo possível, dos efeitos do pecado. Isto não significa que nossa postura é de "transformação", uma palavra otimista demais. Nossa atitude é de Reforma, participando dos movimentos de Deus em restaurar certas áreas da sociedade inclinada ao mal. Podemos ser instrumentos de Deus para frear a derrocada moral e espiritual como foram os reis de Judá que operaram Reforma após períodos de grande incredulidade e vileza (Ex: Asa, Ezequias, Josias). A Reforma Protestante do século 16, o Grande Despertamento na América colonial e Inglaterra do século 18, foram movimentos em que Deus freou a decadência de um povo e permitiu que certas áreas da sociedade fossem reformuladas segundo o padrão bíblico. A linguagem de Reforma impede que sejamos pessimistas quanto ao que Deus pode fazer neste mundo antes da segunda vinda de Jesus.

Todavia, para que não sejamos otimistas demais, faz-se necessário acrescentar ao tripé reformado um quarto pilar: o da consumação. Tal inclusão ajuda-nos a separar o "já" e o "ainda-não" da história da redenção. Isto é, a consumação é o completar da redenção, mas não é para esta vida e não é operada pela igreja. Se, por um lado, somos e devemos ser "sal da terra" (Mt 5.13) no sentido de contribuir para o retardamento da putrefação de nossa sociedade – esse aspecto está de acordo com a visão transformacionista –, por outro lado, a parábola do joio (Mt 13.24-30, 36-43) é uma demonstração de que a construção de uma sociedade com a consequente retirada do mal no mundo será uma realização de Deus por intermédio dos seus anjos (isto é, sem a participação do ser humano) e não ocorrerá nesta vida (como é o anseio de muitos seres humanos).

David VanDrunnen faz uma ressalva à visão transformacionista de representantes modernos como Henry R. Van Til (O Conceito Calvinista de Cultura), Cornelius Plantinga (O Crente no Mundo de Deus) e Albert M. Wolters (A Criação Restaurada). Ele chama atenção para um elemento preocupante da escatologia dos transformacionistas:

"Os autores transformacionistas tendem a colocar muita ênfase no caráter já manifesto do reino escatológico. Embora eles obviamente reconheçam que Cristo está voltando e que somente então é que todas as coisas serão perfeitamente restauradas, é curioso que a sua comum divisão tripartida da história em criação, queda, e redenção não inclua a quarta categoria de consumação. Lendo nas entrelinhas, eu sugiro que o relacionamento muito solto entre a transformação da cultura agora e a transformação final a ser realizada no retorno de Cristo contribua substancialmente para a ausência dessa quarta categoria... [Para eles] A obra de trazer a realização perfeita do reino escatológico na presente terra começa já nos esforços culturais do cristão aqui e agora. Consumação parece ser o clímax de um processo de redenção que já está a caminho ao invés de um evento único e radical na história." [2]

VanDrunnen acertadamente nos lembra do aspecto radical e único da consumação. Cristo não irá só completar o que começou. Ele irá mudar tudo radicalmente. Após o amor esfriar, a apostasia se alastrar, e este mundo ser permeado por um governo maligno, Deus irá eliminar todo o mal com fogo (2 Pe 3.10-13) e para o fogo (Ap 21.10) a fim de criar Novo Céu e Nova Terra.

A ênfase no envolvimento com a cultura, por parte dos transformacionistas, é positiva. Afinal, não fomos remidos para vivermos em um gueto cristão, nos relacionando somente com crentes, realizando tarefas eclesiásticas, criando uma cultura separatista. Porém, nós não fomos chamados para remir a cultura que, de acordo com a Escritura, tende a piorar devido à apostasia. Somos instrumentos para remir pessoas, isso sim. A mensagem de Paulo no Areópago não transformou a cultura de Atenas, mas alcançou pessoas. Só Deus, e isto na consumação, é que promoverá a extinção das culturas pecaminosas e a santificação dos costumes e do conhecimento humano. Só Deus conseguirá plena redenção da cultura.

Kevin DeYoung, avaliando a perspectiva missiológica da igreja moderna, afirma que o que "está faltando na maioria das conversas sobre o reino é alguma doutrina de conversão ou regeneração. O reino de Deus não é essencialmente uma nova ordem da sociedade. Isso era o que pensavam os judeus nos dias de Jesus... Creio que entendo o que as pessoas querem dizer quando falam sobre redimir a cultura ou ser parceiras de Deus na redenção do mundo, mas o fato é que precisamos encontrar outra palavra. A redenção já foi realizada na cruz. Não somos parceiros na redenção de nada. Somos chamados a servir, dar testemunho, proclamar, amar, fazer o bem a todos e embelezar o evangelho com boas obras, mas não somos parceiros de Deus na obra da redenção. De modo similar, não há um texto nas Escrituras que fale que os cristãos constroem o reino. Ao falar sobre o reino, o Novo Testamento usa verbos como entrar, buscar, anunciar, ver, receber, olhar e herdar... no Novo Testamento nunca somos aqueles que trazem o reino." [3]

Essa observação é muito perspicaz. O problema fundamental dessa tendência, de acordo com DeYoung, é que eles "estão repletos de 'já' e carentes de 'ainda não' em sua escatologia." [4]

Creio que o equilíbrio foi estabelecido pelo nosso Salvador nas parábolas do reino em Mateus 13. Se por um lado a parábola do joio nos apresenta uma redenção completada pelo Salvador sem a nossa participação, por outro lado temos as parábolas do grão de mostarda e do fermento (Mt 13.31-33) que falam do crescimento e da influência dos princípios do reino na sociedade. Não podemos ser extremados em nosso entendimento escatológico. Toda escatologia que enfatiza só o que Deus já fez, e está fazendo, produz uma cosmovisão ufanista demais. Toda escatologia que destaca o que Deus irá fazer na segunda vinda de seu Filho, sem levar em conta a redenção que se iniciou na primeira vinda, gera uma visão pessimista do crente no mundo. Precisamos de equilíbrio em nos sa cosmovisão. Precisamos viver o "já" com vistas ao "ainda não".

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Notas:
[1] - "De vez em quando os cristãos dizem que nosso alvo principal é mudar o indivíduo, não o sistema. O dualismo persiste: de algum modo nossa vida espiritual pode ser separada de nossa vida cultural, e isso significa que podemos trabalhar no sistema aceito." Walsh e Middleton, A Visão Transformadora, p. 89. Essa forma de colocar o problema demonstra o espírito revolucionário de subverter o sistema, o qual é próprio dos autores.
[2] - David Vandrunnen. "The Two Kindgoms: A Reassessment of the Transformationist Calvin", Calvin Theological Journal 40, no. 2 (nov 2005), p. 252.
[3] - Kevin DeYoung e Tedd Kluck, Por que amamos a igreja (São Paulo: Mundo Cristão, 2010), p. 50, 51.
[4] - DeYoung e Kluck, Por que amamos a igreja, p. 40.

Fonte: Editora Fiel
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A centralidade de Cristo em nossos pensamentos

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Por Heber Campos

Texto base: Marcos 12:28-30

Se compararmos o texto de Marcos com o texto original (Dt 6:5) perceberemos que Cristo adiciona o amar com “todo entendimento”. O ponto é deixar claro que temos que amar a Deus com todo nosso ser, inclusive nosso pensar. Mas pense sobre isso. Será que estamos acostumados a amar alguém com nossa mente? Falamos: “eu te amo de todo coração” ou “eu te amo de toda minha alma”, mas quem fala “eu te amo com todo meu cérebro”? Então, como amar a Deus com toda nossa mente, tendo nosso pensamento centrado em Cristo, principalmente fora da igreja?

Amar a Deus com todo o teu entendimento

Precisamos aprender a ter prazer tanto ao ler a Bíblia, quanto ao ler o livro da natureza, as coisas que Deus criou. E esse pensar faz com que nosso amor desperte. Quando você ama alguém você busca conhecê-la. Da mesma forma, quem ama a Deus irá buscar conhecê-lo; e quanto mais o conhecermos, mais glorioso Ele será aos nossos olhos.

Amar a Deus com todo o teu entendimento

Somos chamados para amar a Deus com o entendimento que já temos dele. Precisamos crescer em entendimento, mas isso não significa que para amar a Deus você precisa antes ser um PhD.

Amar a Deus com todo o teu entendimento

E este é o desafio: todo nosso pensamento, quer extensivamente (todo tipo de pensamento), como intensivamente (com todo empenho).

A primeira coisa que precisamos aprender disso é não dividir a mente, como se houvesse uma mentalidade para a igreja e outra para fora da igreja. A divisão não é se algo é de igreja (“gospel”) ou não, mas se Deus é honrado ou não – e isso pode acontecer tanto dentro como fora da igreja.

Em segundo lugar, será que pensamos como o mundo? Alguns exemplos:

  • O que é preciso para casar? Estabilidade financeira? Terminar a faculdade, mestrado, doutorado? Construir a casa própria? Não é assim que o mundo pensa? Será que temos, como o mundo, confiado no dinheiro ou temos confiado em Deus?
  • Tratamos fé e trabalho são coisas separadas? Será que um cristão pode trabalhar em qualquer coisa? Seu trabalho fere princípios morais da Escritura?
  • Somos seguidores ou criados de cultura? Será que estamos copiando as coisas do mundo e adicionado o termo “gospel” depois?

Se você pensa como o mundo, você será mundano mesmo que esteja dentro da igreja. Mas seja encorajado pelo exemplo de Daniel, que fez apesar de ter feito “a faculdade da Babilônia” (e você não precisa fugir da sua faculdade) não se contaminou com as coisas do mundo e manteve sua santidade e cosmovisão.


A centralidade de Cristo em nossas atitudes

Texto Base: Daniel 3

Eu comecei com o pensar e agora falarei de nossas atitudes, isso porque para a atitude ser correta, a mente tem que ser antes transformada.

Quero novamente deixar claro que mundanismo não é um local onde você possa estar, mas um vírus que pode contaminar tudo o que você faz, quer você esteja na igreja ou não. Deixe-me dar alguns exemplos de atitudes mundanas que nos infectam:

  • Quantos de nós, mesmo sendo cristãos, trabalhamos pensando no final de semana, dando graças a Deus que é sexta-feira? Isso porque pensamos que o trabalho é um fardo e que o bom é se divertir e gastar dinheiro. Essa é a forma que o mundo pensa. Um cristão entende que durante a semana, no trabalho, ele está em seu campo missionário e que no final de semana ele se recarrega e prepara para trabalhar de segunda a sexta.
  • Será que buscamos relacionamentos somente baseado em afinidade? Ou você busca amigos com o intuito de mostrar graça, como Jesus que andava com prostitutas, publicanos?

Saiba que o mundo impõe e pressiona um estilo de vida sobre todos, assim como Nabucodonosor impôs a adoração ao seu ídolo. E, infelizmente¸ muitos cristãos sedem a essa pressão. Por exemplo, você considera ter algumas dessas atitudes?

  • Imagina você escolher ter um namoro onde você escolhe ter pouco contato físico, porque você sabe que muito contato físico pode levá-lo ao pecado. Nós queremos namorar como o mundo namora, mas não queremos lidar com as consequências.
  • Imagina você optar por um emprego que paga menos, porque você pode passar mais tempo com sua família e sua igreja.
  • Imagina você jovem optar por não voltar tarde no sábado, porque depois é domingo e tem escola dominical. O mundo diz que sábado é o dia de passear e nós acabamos pensando e agindo dessa forma.
  • Imagina você deixar de assistir o jogo do seu time no domingo para praticar atos de misericórdia. O dia do Senhor para Jesus era o dia que Ele agia de forma redentiva.

Que tipo de pensamento e atitude tem dominado você?

Saiba também que o mundo não irá aceitar se você decidir seguir a Cristo. O mundo primeiro impõe seu estilo de vida e, se tentamos resistir, ele irá tentar nos persuadir e se, mesmo assim, permanecermos fiel, o mundo nos perseguirá. Não foi isso que Nabucodonosor fez a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego?

É por isso que Paulo diz que “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3:12). Se você viver piedosamente em Cristo ou as pessoas que vivem do seu lado irão se converter ou odiá-lo. Os três amigos não sabiam o fim da história, mas mesmo assim, ao custo da vida deles, não se dobraram ao mundo. Eles estavam dispostos a perder a vida por amor ao Deus deles.

Porém, no final da história, Deus honrou a fé dos três amigos. Perceba que Deus não tirou seus servos da tribulação, mas os livrou em meio da tribulação. Deus não livrou do fogo, mas no fogo (Isaías 43:1,2). Deus mostrou que estava com aqueles que creem nele. Quão importante é sabermos que Cristo está conosco. Não é fácil evangelizar neste mundo tão pagão, mas Cristo promete estar conosco (Mt 28:19,20). Não é fácil repreender um irmão em pecado, mas Cristo promete estar conosco (Mt 18:15-20). Receba isso do Senhor: Ele promete ser o centro de nossa vida se enfrentarmos a fornalha.

E, por fim, perceba que dois benefícios surgem quando somos provados e aprovados:

  • nossa fé cresce
  • testemunhamos ao mundo – assim como Nabucodonosor reconheceu o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego.

Que Deus nos dê coragem para confiar neste Deus mesmo no meio das provações e ter uma atitude livre

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