Halloween: uma tradição de mau gosto

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Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põem o amargo por doce e o doce, por amargo!” Isaías 5:20

Em torno do dia 31 de outubro, anualmente, em diversas partes do mundo, é realizada uma festividade denominada Halloween, mais conhecida no Brasil como o “Dia das Bruxas”. Muitos colégios, centros comunitários e até igrejas protestantes reproduzem cenários, fantasias, brincadeiras e até defendem a inocência cultural de tal ocasião.

Esta breve reflexão pretende, objetivamente, destacar a história do Halloweenseu significado, bem como apresentar uma resposta bíblica que auxilie sua aplicação.

Cinco séculos antes de Cristo, os celtas irlandeses começaram a comemorar o fim do verão e início de ano novo para a agricultura. Na ocasião, homenageavam todos que, durante aquele ano, haviam morrido. Esta homenagem envolvia a consagração dos seus mortos ao Sol, conhecida como Samhain (“fim de verão”). Os druidas (magos celtas) acreditavam que nesta data os mortos voltavam para se relacionar com suas famílias, mas para afastar os maus, era preciso deixar doces e comidas na porta dos seus antigos lares.

Para associar-se com tal tradição, em 741 d.C. o Papa Gregório III transferiu a data 13 de maio para 1º de novembro, a fim de comemorar a “Festa de Todos os Santos” ou “Finados” (culto prestado a favor de fiéis católicos mortos). No dia anterior era realizada uma importante vigília, chamada All Hallows Eve: All (todos), Hallows (santos) e Eve ou e’en que é uma contração de evening (fim do dia ou noite), posteriormente adotada como Halloween. Portanto, o significado é “noite de todos os santos”, cujo contexto envolve culto aos mortos. Com o passar dos anos, esta festividade essencialmente religiosa e pagã, tornou-se numa prática folclórica enfatizada por figuras demoníacas, bruxas, caveiras, abóboras com espíritos, zumbis, vampiros, monstros, etc., contrariando a perspectiva de culto aos santos católicos. Por isto, o Vaticano chegou ao ponto de chamar o Halloween de “manifestação contracultural”¹ e, no seu jornal mais conhecido, L'Osservatore Romanocriticou tais práticas por seu pano de fundo ocultista e absolutamente anticristão.²

A prática de cultuar os mortos começou com os egípcios e lentamente seduziu facções do povo de Israel, sendo posteriormente proibido por Deus. Qualquer culto que não seja dedicado exclusivamente a Deus, é idólatra. Deus exige adoração exclusiva e condena qualquer envolvimento com ocultismo pagão (Lv 19:31, 20:6-8, 27; Dt 18:10-12; Sl 106:28, 36-38; Pv 8:36; Is 8:19; Mt 4:10; Jo 4:24; Rm 12:2; 1 Co 10:20; 2 Co 2:11; Ef 5:8-12; 2 Tm 1:7; Hb 9:27; 1 Jo 4:4; Ap 22:15).

Embora muitos permitam e até participem destas festividades alegando folclore inocente e sem intenção de cultuar mortos ou demônios, tais práticas demonstram aceitação e/ou admiração por aquilo que é condenável aos olhos de Deus, independente da intenção, mas da sua prática em si. Por trás da suposta inocência, especialmente por causa do uso tradicional de crianças e doces, há significados tenebrosos relacionados com demônios, medo, idolatria e feitiçaria.

Portanto, não se envolva ou permita a seus filhos se envolverem com festas temáticas do Halloween.
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Notas:
¹http://www.vatican.va: The Salesian Center for Faith and Culture.
²http://the-american-catholic.com: Vatican Condemnation of Halloween is False

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Autor: Rev. Ericson Martins

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Prevenir é melhor que remediar

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Tesouro desejável e azeite há na casa do sábio, mas o homem insensato os desperdiça” Provérbios 21:20

Você já ouviu o provérbio popular que diz: “Prevenir é melhor que remediar”? Pois bem, ele diz que ao sabermos de riscos iminentes, devemos antecipá-los com ações sabiamente firmes e preparatórias, suficientes para evitarmos o que ameaça a segurança do que é importante para nós.

As recentes estatísticas econômicas brasileiras, veiculadas frequentemente pelos órgãos de comunicações, afirmam que o Brasil está vivendo os índices mais pessimistas, desde a década de 1990 (The Economist apud UOL Economia). Não se pode subestimar o potencial que Brasil reserva para se levantar em meio a todo o cenário que a atual gestão pública tem conduzido o país, mas também não se pode ignorar que este momento requer, de cada um, sensível observação e cautela financeira, se quisermos evitar que a crise instalada cause maiores danos às nossas contas do que podemos evitar.

Como poderíamos lidar com as nossas finanças, especialmente nesse final e início de novo ano? Abaixo, gostaríamos de sugerir algumas medidas preventivas que, certamente, exigirão muito menos que os resultados indesejados por ignorá-las.

01. Fiquemos atentos aos perigos que se escondem por detrás das ofertas.

É impressionante o quanto setor do comércio pressiona a população a desacreditar na realidade da crise. São propagandas exaustivas de ofertas em todo tempo e por todos os meios. Apelando para a compra, a obtenção, provocando o materialismo e a cobiça desenfreadamente. Tais propostas parecem ser interessantes, mas não nos esqueçamos que ao aceitá-las estamos assumindo também dívidas em tempos incertos para o emprego e para o rendimento familiar. Avaliemos bem o preço a ser pago ao nos permitir ser seduzidos por um sistema comercial que é egoísta, organizado para tirar o máximo de vantagem de cada um, independente do dano que causará às necessidades mais importantes, além de ainda incluir, impiedosamente, nossos nomes em instituições de cobranças como mau pagadores.

02. Não somos obrigados!

Sim, não somos obrigados a atendermos as exigências da nossa cultura, quando elas nos induzem à imprudência financeira. Ainda não entendemos porque muitos, em circunstâncias do Natal e Ano Novo, não se libertam da pressão de decorar a casa, prédios residenciais, instituições, etc., com lâmpadas que consomem imoderadamente, dia após dia, a energia elétrica e elevam o seu custo. Só neste ano, em algumas cidades brasileiras, o aumento das contas de energia chegou a 70% (www.valor.com.br). Também, não somos obrigados a gastar o que não “temos” com aquilo que não necessitamos porque todos trocam presentes no final do ano. E quem disse que somente com presentes demonstramos o carinho e a consideração por quem amamos? Nenhum deles é capaz de construir ou substituir o valor de relacionamentos saudáveis, baseados no amor e respeito. O melhor presente não é comprado por dinheiro algum, mas conquistado pela presença constante, apoio mútuo, mensagens carinhosas, confraternização com familiares e amigos, abraços verdadeiros e cooperação nos interesses pessoais.

03. Cuidado com as fraudes.

Com a renda extra no final do ano, proveniente do 13o. salário e férias, o brasileiro se torna alvo obstinado de criminosos virtuais, os quais agem com inteligência para invadir contas bancárias, instalar malwares em computadores que extraiam informações confidenciais, enviar e-mails fraudulentos em nome de instituições bancárias e lojas virtuais, websites falsamente desenvolvidos para capturar dados de cartões de crédito, mensagens para celulares, ligações maliciosas de pessoas/instituições de caridade que não se pode conferir a identidade e a legitimidade de tal ação por este meio, etc., tudo planejado para tirar vantagem de pessoas ignorantes ou distraídas da segurança eletrônica. Nunca atendamos a tais contatos sem antes verificarmos a origem e sermos assistidos por alguém que entende, no mínimo possível, os cuidados nestes casos. Não custa dizermos o quanto devemos evitar acesso a caixas eletrônicos a noite ou em regiões que apresentam pouco movimento de pessoas, e ainda sozinhos. Os bandidos andam a cada dia mais ousados, mas, em geral, atuam com a cautela por medo de serem presos, linchados e até mortos por suas iniciativas, por isso, tais conselhos nos previnem de perdermos o que tanto trabalhamos, honestamente, para conseguirmos.

04. O quanto podemos gastar no final do ano?

Bem, esta questão cada um de nós precisa pegar uma calculadora e começar fazer cálculos. Para começar, façamos um orçamento comparando receitas e despesas (fixas e variáveis) previstas, anotando com particular atenção todas as despesas que, anualmente, o nosso orçamento não suporta, fazendo-nos entrar em dívidas. Por exemplo: material escolar, IPVA (quem paga no primeiro semestre), IPTU, IRPF/IRPJ, regularização de dívidas contraídas no decorrer do ano... são algumas das prioridades que merecem atenção, antes de comprometermos a renda extra de final de ano com viagens, festas, presentes e decorações. Se quisermos evitar a angústia das dívidas e privações nas necessidades familiares básicas, precisaremos fazer economia no final do ano para não termos de viver em dívidas o ano todo. A renda extra pode ser a solução para um círculo viciado de contas que nunca se “fecham”.

05. Sem exageros.

A situação atual requer de cada brasileiro lucidez no uso das finanças, mais que em tempos passados. É claro que isso não significa dizer que devemos ser pessimistas, mas cautelosos. Não há necessidade de pânico e sim de prudência. Muitas autoridades políticas administraram muito mal, por corrupções das suas legítimas funções, as contas públicas e agora querem obrigar o cidadão de bem, o trabalhador incansável e honesto, que tanto já sofre com o descaso dos seus direitos, a pagar mais sob a imposição do aumento de impostos e juros. É muito triste toda esta experiência que estamos sendo submetidos, mas jamais podemos nos entregar deixando de curtir com a família aqueles momentos preciosos no final do ano e nas férias, acompanhados por algumas regalias que só podem ser experimentadas neste período. Não seria imprudente fazer alguns investimentos neste sentido, desde que não haja exageros por falta de consideração do momento em que vivemos e das exigências que ele nos impõe. O melhor a fazermos é nos contentarmos com o que temos, gastar somente dentro dos limites que possuímos e exercer paciência para alcançar o que pretendemos em médio e longo prazos.

Estes princípios se baseiam na sabedoria bíblica e são capazes de nos proteger de problemas financeiros que podem ser evitados previamente. A prioridade na vida daquele que considera a Palavra de Deus autoridade para guiar a sua vida, não é acumular riquezas e carregar o fardo das insatisfações (Ec 5:12), mas trabalhar honestamente, ganhar o que é justo por seu esforço e administrar seus proventos com equidade. Lembrando-se sempre que o Senhor é Aquele que nos dá o sustento!

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Autor: Rev. Ericson Martins
Fonte: Reflexões do Cotidiano
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O que a Bíblia diz sobre a vida eterna?

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Todos os crentes em Jesus Cristo recebem a promessa da vida eterna, a qual é uma dádiva de Deus (Jo 10:28; Rm 6:23; 1 Jo 5:11). Mas o que é a “vida eterna” e como a Bíblia a descreve?

Falar sobre eternidade é difícil, primeiramente porque compreendemos a vida dentro dos limites do tempo, em segundo lugar, porque não a conhecemos enquanto estamos dentro de tais limites. Entretanto, o ensino bíblico sobre a vida eterna nos faz pensar além e nos ajuda entender esse que é um assunto fundamental para a fé cristã.

Todo ser humano tem vida física, mas a vida eterna é descrita por uma qualidade diferente dessa, por estar relacionada diretamente com a vida do próprio Deus (2 Pd 1:3-4). A Bíblia diz que Deus é eterno (Dt 33:27), Rocha eterna (Is 26:4), Rei eterno (Sl 10:16), que a Sua Palavra é eterna (Sl 119:89) e que o Seu reino e domínio são eternos (Dn 4:3), como as demais virtudes exclusivas do Seu nome (Sl 135:13). A vida eterna, portanto, é uma vida de absoluta dependência do ser de Deus (Nm 27:16). Todos os homens existirão eternamente, mas somente aqueles que forem reconciliados com Deus, pela obra de Cristo, viverão eternamente (Dn 12:2). 

Dito isso, passaremos agora a destacar algumas das descrições que a Bíblia faz sobre a vida eterna com Deus. Embora alguns dizem que a Bíblia não a descreve, enquanto outros dizem que ela é friamente discreta quando trata do assunto, o que encontramos de descrições nela sobre a vida eterna surpreende essas posições!

A Bíblia descreve a vida eterna como uma condição de vida e não de morte, ou seja, de acolhimento e não de banimento da presença de Deus (Jo 5:24-29); de infinito conhecimento de Deus (Jo 17:3); de segura e permanente comunhão com Deus (Lc 23:43; Jo 14:1-3), onde os crentes desfrutarão completa satisfação (Fl 1:23); uma condição totalmente livre do domínio e dos efeitos do pecado (Ap 21:3-6), inclusive do luto, do pranto e da dor; descanso das fadigas (Hb 4:9-10; Ap 14:13); estado de imortalidade (Rm 5:12, 17; 1 Co 15:50-57; 2 Tm 1:9-10), visto que é vida sem fim, sem interrupção determinada pela morte; condição de perfeição superior ao estado de Adão, pois não haverá qualquer possibilidade de queda no pecado, uma vez que Cristo, como representante da nova criação, é o perfeito Adão (1 Co 15:22-28 e 45-49; Ap 21:27). E mais, o lugar dessa vivência, é lugar de santidade, onde resplandece a glória do Pai e do Seu Filho, lugar de adoração (Ap 21:22-26).

Está claro, pelo testemunho da Bíblia, que a vida eterna é uma promessa de Deus aos que creem em Jesus e que ela é amplamente descrita, não como um sentimento ou uma expectativa vaga, mas como uma realidade concreta e segura aos que ouvem e confiam no Evangelho, pela graça, que lhes é anunciado (Jo 20:31). 

Como a vida eterna não é uma promessa à todos, indistintamente, apenas aos que creem verdadeiramente em Jesus (Jo 3:15-16, 36), como devemos lidar com esse assunto no mundo em que vivemos? Fortaleça a sua convicção de fé nessa verdade, alimentando-a com a confiança na Bíblia, nesses que são tempos de relativismo moral e religioso. A promessa da vida eterna é dada aos que se arrependem dos seus pecados, por crerem em Jesus, portanto, compartilhe o Evangelho às pessoas em sua volta. Ninguém pode se fazer merecedor da vida eterna, por ser uma dádiva de Deus, não do homem. Por isso, o Evangelho deve ser pregado a fim de que sejam chamados pelo Espírito Santo à crerem em Jesus!

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Autor: Rev. Ericson Martins
Fonte: Reflexões e Cotidiano

Leia também: A condenação eterna
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A condenação eterna

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Aqui está um assunto que poucos evitam. Falar sobre a vida eterna com Deus e de todos os seus benefícios, parece ser mais encorajador do que falar sobre a condenação eterna, reservada para os que rejeitam a Cristo. Porém, pretendemos que ao ler este texto, se veja encorajado à seguir os passos de Jesus, pois somente Ele pode te reconciliar com o Pai e te livrar desta terrível condenação.

Antes de tudo, precisamos compreender que a natureza de Deus é perfeitamente justa e santa e que, por não tolerar o pecado pune os que vivem na sua prática. Seria imprudente obscurecermos esta verdade nas Escrituras.

1. A realidade. É certo que alguns tentam negar a realidade dessa futura condenação, argumentando à favor da virtude do amor de Deus, como se ele negasse qualquer ação contra o que lhe é ofensivo. Esses ensinam que um Deus amoroso nunca condenaria pessoas para um eterno tormento. Porém, o amor e a justiça estão unidos na Pessoa de Jesus, salvando os crentes e condenando os incrédulos (Mt 3:11-12, 25:46; 2 Pd 2:9). Deus é amor (1 Jo 4:8), mas o amor não é Deus. Ele condena os pecadores e tal juízo revela o perfeito caráter justo e santo do Seu ser (2 Ts 1:6-10).

2. O estado. As Escrituras indubitavelmente não apenas admitem a realidade dessa condenação, como também a descreve claramente, como um estado da existência humana, sob profundas e intermináveis angústias (ranger de dentes, Mt 25:30). Também, como banimento da presença de Deus (Mt 25:41), onde há densas trevas (Mt 25:30). A ideia transmitida por esta fria realidade tenebrosa, não é meramente de um lugar sem luz, mas de tristeza, de melancolia, de horrível opressão (2 Pd 2:17; Jd 13), semelhante a um confinamento. Não há qualquer sinal de bondade, de amor, de prazer ou de alegria, pois não existe qualquer relação com a fonte Divina.

3. O lugar. As Escrituras descrevem que os incrédulos são destinados para um lugar onde sofrem esses eternos flagelos da ira de Deus. A descrição mais conhecida é do inferno (tartaroó, 2 Pd 2:4), tendo referência a “morte” (seol, Sl 16:10; hades, At 2:27), como indicação de uma sepultura espiritual e profunda (Pv 5:5, 9:18, 15:26). O inferno é claramente um lugar para castigo (Sl 9:17), abismos de trevas (2 Pd 2:4), onde há tormentos eternos (Lc 16:23) e apodrecimento (Mt 10:28). Lugar de penalidade irrevogável (2 Ts 1:9), onde o choro é interminável (Mt 13:42 e 50), onde o fogo é inextinguível (Mc 9:43) e o verme não morre (Mc 9:44). Os crentes estão sujeitos ao sofrimento desta vida terrena, e este é o motivo do seu choro, mas Deus lhes enxugará toda lágrima na vinda de Jesus (Sl 30:5; Jr 31:16; Ap 7:17); porém, os incrédulos lamentarão por toda a eternidade. Mais terrível lugar que este é o que a Escritura chama “lago de fogo” (Ap 20:14), onde o próprio inferno e o diabo serão lançados, no dia em que Jesus voltar para julgar os incrédulos e rebeldes (Ap 20:15). As nossas palavras são incapazes para descreverem quão profundo sofrimento está reservado, para estes, neste lugar, onde o clamor não é ouvido e não é previsto perdão!

Como devemos lidar com estas verdades das Escrituras? Primeiramente, crendo em Jesus como o nosso único e suficiente Salvador (Sl 102:18-22; Lc 12:8-9; At 4:12) dessa terrível condenação, a qual justamente recebemos por nossos pecados (Rm 3:21-26). Em segundo lugar, advertindo esta geração, pregando a Cristo como Salvador, para que creia Nele e se arrependa dos seus pecados, a fim de que todos os que crerem, sejam salvos da condenação eterna.

Que Deus encha os nossos corações de temor, para nos convertermos dos nossos maus caminhos e vivermos uma vida dedicada à Sua vontade.

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Autor: Rev. Ericson Martins
Fonte: Reflexões e Cotidiano
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Pai à pais

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Por Rev. Ericson Martins


E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Ef 6:4)

Está mais que comprovado: um dos maiores desafios que enfrentamos na vida é a educação dos nossos filhos, e educá-los para que andem nos caminhos do Senhor! Pais responsáveis não medem esforços para esse fim, no entanto, muitos ainda sofrem a fria dor ao verem os seus filhos crescendo e escolhendo caminhos errados, aqueles que os distanciam da comunhão com Deus. É nesse contexto que reservamos aqui alguns conselhos aos pais, para que ajam de forma justa, firme e amorosa. 

Primeiramente, é preciso entendermos e agirmos preventivamente (Hb 12:9). A prevenção é sempre melhor que o resultado indesejado. Custa, mas não menos que termos de lidar com os resultados da omissão ou da negligência na educação. Naturalmente, a melhor solução é ensinarmos o que é bom aos olhos de Deus e sermos os maiores exemplos do que ensinamos. Eles aprendem mais observando as nossas condutas, do que meramente pela exigência das nossas palavras.

O comportamento desobediente dos filhos aos seus pais tem uma causa natural: o pecado! O filho que resiste andar nos caminhos do Senhor não significa, unicamente, que os seus pais foram péssimos educadores cristãos, pois a rebeldia não é uma herança genética, e nem sempre é resultado do ambiente familiar. E sim, uma conduta interna, orientada pelo pecado, de se opor a autoridade, seja de quem for. Os pais precisam fazer o que lhes cabem na educação, isso inclui orar por seus filhos, suplicando à favor da conversão genuína deles (1 Cr 29:18-19). A conversão não depende do que os pais fazem, mas do que Deus faz (Ef 2:8-9) para neutralizar o pecado no coração, mediante a justificação em Cristo!

É importante também observar a personalidade dos filhos. Os pais podem lidar melhor com eles compreendendo o perfil emocional de cada um. Essa observação é um importante regulador de relacionamento e de disciplina, e ainda ajuda a medir o nível de determinadas exigências na educação. Nesse sentido, ouvi-los e acompanhá-los discretamente, é crucial.

Amá-los requer preveni-los dos maus caminhos, mas nem sempre é possível impedi-los de sofrerem as consequências das escolhas erradas que fazem (Lc 15:11-24). Há lições que só aprenderão na experiência da perda ou da dor. Justificando-se pelo amor, muitos pais tentam impedir que os seus filhos experimentem o sabor amargo da desobediência e acabam criando outros problemas: incentivo ao erro pela impunidade e falsa sensação de segurança. A punição (disciplina), por vezes, se mostra eficaz para a santificação dos nossos filhos (Hb 12:10-11).

Lembrem-se: peçam ajuda! Educar filhos exige ação conjunta do pai e da mãe, mas nem sempre é suficiente. É justamente aí que precisamos do apoio de professores, familiares, pastores conselheiros, e etc, que estejam interessados pelo bem dos nossos filhos e comprometidos com a Palavra de Deus.

Que Deus nos dê sabedoria para honrá-Lo através da educação dos nossos filhos!

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Fonte: Reflexões e Cotidiano



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Navigium Isidis - Origem do Carnaval

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Por Rev. Ericson Martins


A expressão latim Navigium Isidis significa: “Navegação de Isis”, nome dado a uma festividade romana, anual, dedicada a Isis. Ela era uma deusa egípcia. Apesar de ser uma entidade egípcia, tornou-se popular entre os gregos e chegou a Roma, no período helenístico, com seu culto e festividade, os quais integravam religiões de mistério. As festas incluíam uso de máscaras para ocultar a identidade dos participantes, orgia pública em nome do amor, bebedices, mutilação de genitais, simbologias pagãs e, dentre outras práticas, uso de grandes carros, em forma de navios, que tomavam as ruas da cidade anunciando a chegada de Osíris (esposo de Isis na Mitologia Egípcia).¹ Tal festividade sobreviveu a grandes perseguições, em Roma, em razão da sua característica religiosamente sincrética e tolerante, ao contrário do Cristianismo primitivo, motivo pelo qual foi rigidamente perseguido.

Esta celebração prevaleceu no Panteão Romano até o IV Século quando o Cristianismo foi declarado religião oficial do Império. Daí em diante, Navigium Isidis tornou-se uma prática proibida, porém, clandestinamente, perpetuou-se até ser incorporada, pela Igreja Católica Romana, na Idade Média (após adaptações) e renomeada como carnis valles (latim: “prazeres da carne”) que deu origem à palavra carnaval em Português. O carnaval era um período, de sete dias, antes da carnis levare (sem carne) ou Quaresma (40 dias antes da Páscoa sem contar os domingos). Autorizadas pela Igreja, as pessoas poderiam explorar nestes sete dias de carnaval incessantes prazeres da carne, porém a Quaresma, iniciada pela Quarta-Feira de Cinzas (1º dia), deveria ser respeitada com jejum, período este em que a carne vermelha estaria proibida.

O carnaval chegou ao Brasil através dos portugueses e rapidamente foi aceito, tornando-o, séculos depois, conhecido em todo o mundo por tais festividades repletas de criatividade artesanal, carros alegóricos e coloridos, mulheres seminuas e danças sensuais.

A palavra “carne”, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento possui 262 ocorrências (basar ou sarx) e seus principais significados são a carne como alimento, constituição física do homem ou animal, semelhança ou parentesco humano; contudo, sobressai, especialmente no Novo Testamento, o sentido de desejo e práticas pecaminosas, como existência humana em oposição à santidade de Deus e por ele exigida, como destaca o apóstolo Paulo em Romanos 7:5, 8:7-8, 13:14 e Gálatas 5:19-21, e a Confissão de Fé de Westminster.² Os prazeres da carne, neste sentido, nunca foram aceitos pelas Escrituras como prática dos verdadeiros cristãos.

Por que, como Igreja, não incentivamos ou celebramos o carnaval apenas como festividade em si, sem conotação religiosa?

Primeiro, porque é uma festividade de natureza historicamente religiosa, segundo a qual promove idolatria. Sem o aspecto religioso, não é carnaval.

Segundo, porque, como Igreja, honramos única e exclusivamente o Deus Trino, ou seja: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.

Terceiro, porque os desejos pecaminosos inerentes à raça humana são intensamente provocados na prática que envolve obras contrárias à santificação. Alguém poderia interpretá-la como uma festa ingênua e sem motivação idólatra, mas isto não muda a sua realidade.

À semelhança do carnaval, qualquer festividade que promova a idolatria e a licenciosidade moral ou social, é claramente desautorizada pelas Escrituras. Não somos contra festas ou contra a promoção de alegria, mas sim a qualquer meio festivo que desobedeça ao ensino bíblico de honrar somente a Deus por meio de Jesus Cristo, bem como de desenvolver a santificação da sua Igreja. Leia também 1 Tessalonicenses 4:3-8. 

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Notas:
[1] BAILE, 2006, p. 13-22 e 39; GONZÁLES, 2007, p. 27
[2] Confissão de Fé de Westminster, I-1, XIII-2

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Fonte: PIPG - Primeira Igreja Presbiteriana de Goiânia
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Pregue o Evangelho com confiança

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Por Rev. Ericson Martins


Disse-lhe Jesus: Porque me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.” (Jo 20:29)

Não foram poucas as oportunidades que ouvimos a declaração de que a fé e a ciência são incompatíveis, porque a fé se preocupa com a natureza espiritual do homem enquanto a ciência com a física. Porém, a Bíblia não exige da ciência a abstenção da fé, e da fé a privação da ciência.

Jesus nunca exigiu das pessoas que acreditassem nele negando qualquer evidência natural de que era verdadeiramente o Filho de Deus, o Messias prometido. O que Jesus recusou foi o condicionamento da fé às ciências, por elas serem limitadas à compreensão do homem. Se ele não consegue a total compreensão do universo, quanto mais difícil será entender plenamente a Divindade. E também, porque se a ciência fosse a fonte determinante do conhecimento de Deus, se tornaria maior que o próprio Deus e objeto de devoção. Somente Jesus é a fonte absoluta desse conhecimento (Jo 14:9).

Quando João (Batista) ouviu falar das obras de Cristo, enviou os seus discípulos para perguntar-lhe: “És tu aquele que estava para vir ou havemos de esperar outro?” (Mt 11:3). Então, Jesus deu a seguinte resposta: “Ide e anunciai a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho” (Mt 11:4-5).

Notemos que Jesus apelou para as evidências naturais daquilo que estavam ouvindo e vendo, quanto a ocorrências consideradas impossíveis de serem alteradas pela ciência, inclusive a morte. Todas elas serviram como provas incontestáveis, de acordo com as profecias (Is 35:1-6, 61:1-3), de que o Operador de tais sinais era o messias e que por ele o reino de Deus havia chegado. Por isso, o anúncio à João carregava a confiança para crer, mesmo impedido, por estar preso, de ouvir com os seus ouvidos e de ver com os seus olhos, de que Jesus era o enviado por Deus para aliviar os “cansados e sobrecarregados” (Mt 11:28) pelo pecado. A fé, nesse sentido, não se opõe à ciência, mas é servida por ela e se encontra em mais elevado nível de excelência.

Os sinais e maravilhas realizados por Jesus diante do povo culminaram em seu sacrifício na cruz e na ressurreição. Esses eventos deveriam ser divulgados em todo o mundo (Mc 16:15-16) para que, ouvindo o Evangelho, cressem em Jesus todos aqueles que foram destinados à salvação (At 13:48, 15:7).

A inigualável e insubstituível prova que possuímos hoje de Jesus e sua missão não é medida pelo grau de prosperidade material, curas ou “revelações”, e sim pelo testemunho da Palavra de Deus, a Bíblia. Esse testemunho necessita ser compartilhado com os nossos familiares, amigos e colegas de profissão, mesmo se recebido com desconfiança, pessimismo, sarcasmo ou incredulidade. Felizes, para sempre, serão todos aqueles que, ouvindo, crerem em Jesus como Redentor e se arrependerem dos seus pecados. Esses serão justificados e receberão gratuitamente de Deus a vida eterna.

Portanto, pregue fielmente o Evangelho, mesmo que seja com simplicidade, na confiança de que o Espírito Santo o assistirá com poder, nessa missão!

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Fonte: PIPG - Boletim Semanal, Ano XIX - Nº 06
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O Natal é de Jesus

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Por Rev. Ericson Martins


A cada ano, ao aproximar-nos das festividades do Natal, nos deparamos com diversas polêmicas, das mais variadas, quanto ao seu real significado.  

1. Há aqueles que duvidam da legitimidade dessas festividades porque, possivelmente, o mês do nascimento de Jesus não poderia ser considerando o mês de Dezembro em nosso calendário. Duvidam, inclusive, da necessidade de comemorar essa data para a fé cristã;

2. Outros rejeitam veementemente o Natal representado por um simbolismo que, em geral, combina a figura da criança divina com as conhecidas “árvores de Natal”, presentes, velas, guirlandas, neves, ursos polares, sinos, e até com a figura do “Papai Noel”;

3. Também, há aqueles que são simplesmente indiferentes por assumirem que essas festividades fazem parte de um grande esquema comercial alimentado pelo consumismo e pela ignorância quanto ao significado do natal de Jesus, o qual independe de festas e compras;

4. Pelo fato do Natal ser uma data comemorativa essencialmente cristã, muitos simplesmente a ignora por pertencerem à outras religiões, por serem ateus ou mesmo agnósticos; 

5. Mas há ainda um grupo de pessoas que encara o Natal apenas como uma grande oportunidade para reunir a família e se fartar de alimentos preparados especialmente para a ocasião. Nesse sentido, pensa ser necessária a exigência meramente ocasional de cobrir as mágoas familiares, as infidelidades conjugais, a omissão da responsabilidade na educação dos filhos, etc, para que o Natal encontre o seu significado em tal reunião. Embora o encontro da família seja altamente positivo, definitivamente ele não dá significado bíblico ao Natal.

O Natal diz respeito à Jesus Cristo, o Filho de Deus, o qual veio como Homem resgatar o seu povo da eterna condenação do pecado, reconciliando-o definitivamente com Deus, visto que o seu nascimento pressupôs a sua missão. Aliás, as festividades do Natal só encontram a sua verdadeira e mais significativa razão nos resultados da missão de Jesus, iniciadas por seu nascimento virginal, sofrimento, sacrifício, ressurreição ao terceiro dia, ascensão aos céus e pelo seu testemunho transformador em todo o mundo, chamando pessoas ao arrependimento para viverem nova vida, pelo Espírito, diante de Deus. 

Celebrar o Natal sem a experiência de gratidão por tamanho plano de salvação que Deus bondosamente executou por seu Filho Jesus, é apenas uma atividade social, vazia da adoração àquele que é unicamente digno de atenção: JESUS CRISTO.

O Natal é de Jesus, portanto, comemore-o pelo o que ele é e pela salvação que ele oferece, mesmo que não tenha familiares em sua volta, mesmo que não tenha presentes para compartilhar, mesmo que não esteja cercando uma mesa farta de alimentos,... porque Deus está com você se você está com Jesus!

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Fonte: PIPG - Boletim Semanal, Ano XXIII - Nº 103
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Uma Reforma Urgente

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Por Rev. Ericson Martins


Não é difícil contemplar os rumos para os quais o evangelicalismo brasileiro tem se guiado sem nos sentirmos preocupados; não tanto pelos frequentes escândalos financeiros nos quais se envolvem certas lideranças ditas cristãs, nem pelos notórios desvios da ortodoxia doutrinária. Mas, especialmente, pela falta de temor do Senhor. Esse sim é uma causa fundamental para a evolução dos problemas até aqui mencionados, como também para com o descrédito moral de inúmeras igrejas na sociedade por parte daqueles que, desiludidos e frustrados, negam retornarem à elas.

A muito se fala sobre a necessidade de uma nova reforma, uma reforma séria que inclua não somente o retorno à suficiência da Palavra de Deus e da obra de Cristo, mas também à uma conduta ética que eleve os atuais padrões de transparência quanto aos interesses que movem a relação da Igreja com este mundo.

No dia 31 de outubro é comemorado em todo o mundo o “Dia da Reforma Protestante” por seus 497 anos de história (1517-2014). Essa data relembra o dia em que o monge agostiniano Martinho Lutero protestou publicamente contra as condutas institucionais e dogmáticas da Igreja Católica da sua época, ao fixar 95 teses na porta da Igreja de Wittenberg (Alemanha). Naquele contexto, Lutero denunciou a corrupção generalizada do clero, a infalibilidade papal e a venda das indulgências com a primeira tese: “Ao dizer: ‘Arrependei-vos’, etc (Mt 4:17), o nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse de arrependimento”. Para ele nenhuma reforma ocorreria e nenhum avivamento seria experimentado sem arrependimento!

Sem o temor do Senhor igrejas e líderes negociam a guerra contra o pecado para ser mais atraente ao pecador, homens reivindicam falsamente a autoridade apostólica em busca de exaltação na hierarquia do poder eclesiástico e recursos financeiros são explorados ilicitamente dos crentes pelos discursos do medo, da culpa e das expectativas em promessas infundadas da Palavra de Deus. Lutero viveu em um contexto assim; porém, não podendo mais conter a indignação que crescia em seu coração, tomou para si a primeira resolução, antes das suas 95 teses, de protestar contra a mentira e o engano, e de se tornar um agente de reflexão e transformação, pela Escritura, das imoralidades que permeavam a fé e a conduta cristã dos seus dias.

Diante desse exemplo, o Dia da Reforma Protestante deve ser comemorado resgatando do testemunho de Lutero e de outros reformadores do século XVI, o compromisso de nos pautar na suficiência da Palavra de Deus e da obra de Cristo, arrependendo-nos e chamando todos ao arrependimento diante de Deus. Se isso ocorrer, uma profunda reforma será realizada em cada um de nós e nos tornaremos agentes de transformação, da parte de Deus, onde já nos encontramos.

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Fonte: Reflexões e Cotidiano
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Legalismo

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Por Rev. Ericson Martins


Durante uma viagem missionária no interior do Pará, fomos abordados por um dos membros da equipe que perguntou qual o significado do legalismo? Em resposta, dissemos ser um sistema de crenças falaciosas que convence e induz o homem a cumprir, com esforço excessivo, a lei de Deus ou as leis civis. Depois disso, passamos a pensar por alguns dias sobre outra pergunta: Não é legitimamente bíblico lutar contra a natureza pecaminosa, esforçando-se para viver em fidelidade aos conselhos de Deus?

Embora essa última pergunta pareça defender o legalismo, tal como fora descrito, o propósito deste texto é apresentar a perspectiva bíblica sobre o tema, visando dirimir a confusão que muitas vezes fazemos quanto ao legalismo e a confiança na graça de Deus, afetando negativamente certos aspectos da vida cristã. A salvação não pode ser obtida por obras, mas as obras é uma exigência da fé verdadeira (Tg 2:18).

1. Introdução.

A palavra “legalismo” tem origem no Latim (legalis, relativo à “lei” + ismo como sufixo que dá forma ao substantivo e denota “sistema”). No Antigo Testamento a palavra “lei” é traduzida de towrah (hb.), carregando o sentido de “instrução” e “direção” (cf. Êx 12:48-51). Já no Novo Testamento é traduzida de nomos (gr.) e significa “norma” ou “regra de ação” (BW9, cf. Mt 5:17). Tanto para Grécia quanto para Roma, nomos era o deus Daemon/Gênius, guardião da justiça entre os homens que exigia fidelidade às normas de Zeus/Júpiter (SMITH, p. 174-175). Os leitores neotestamentários estavam familiarizados com o aspecto religiosamente pagão de nomos, mas muito mais com o seu significado legal na cultura teocrática de Israel. A lei de Deus, superior a todas as demais, fora estabelecida para ser cumprida rigorosamente em todas as dimensões da vida (Lv 26:12-18; Dt 11:26-8). 

A lei de Deus reflete a retidão do seu perfeito ser, que é soberanamente santo e justo (Dt 32:4). Ao violar a aliança de Deus, deixando de obedecer a sua lei, o homem se meteu no pecado (Ec 7:29 cf. Gn 3:17-19) e por ele foi corrompido quanto ao seu estado original, passando a viver os efeitos mortificantes da sua relação com o Criador. Desde então, ele tem sido chamado por Deus à santidade, através da obediência fiel aos seus preceitos (Lv 20:7).

A “fidelidade” é, por definição (“fé”), a “firme” ou “estável” confiança em Deus (Js 24:14; Tt 2:10) e, certamente, o seu propósito final encontra-se além do cumprimento externo de determinadas normas. A “justiça”, do mesmo modo, é o direito de cumprir a lei e ser aprovado (At 10:34-35; 1 Jo 3:7). Noé entendeu isso (Gn 6:9 e 7:1; Hb 11:7), bem como Abraão (Gn 26:4-5; Hb 11:8). Moisés reivindicou isso do povo (Dt 4:1-8). E Jesus veio para cumprir justamente toda a lei de Deus, a fim de salvar o homem (Mt 5:17) da condenação por causa do seu pecado.

Jesus disse que provamos amar a Deus quando conhecemos a sua palavra e a obedecemos (Jo 14:21). Ele quer que sejamos fiéis nesse compromisso de aplicar os seus ensinos para a nossa santificação! Entretanto, isso é impossível sem a operação do Espírito Santo, pois é ele quem nos ensina, aplicando eficazmente verdades que nos restauram e nos consolam (Jo 14:26) frente às pressões mundanas do nosso tempo, até que Cristo volte. Sem a obra do Espírito Santo que inicialmente nos revivifica e nos santifica, qualquer que seja o nosso esforço de santificação será improdutivo para a glória de Deus.

2. O legalismo, a salvação e a santificação.

O legalismo é distinto da fidelidade, pois o legalismo tem o seu foco nas normas, enquanto a fidelidade na pessoa que as estabeleceu. O legalismo, nesse sentido, despreza a graça divina e tenta conquistar o mérito de ser aceito por Deus mediante o seu pretenso esforço religioso. Isso pode inicialmente parecer nobre, contudo a Bíblia ensina que boas ações não podem fazer uma pessoa justa, visto que a condição humana está totalmente incapacitada para produzir qualquer justiça que altere a sua condição diante de Deus (Gl 2:16; Ef 2:1; Cl 2:13). A salvação é obra exclusiva da graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo. Submeter confiantemente a nossa vida à Deus, arrependidos dos nossos pecados, é o que a Bíblia exorta a fazer (At 17:30). Só fazemos isso quando recebemos a graça de Deus pelo mérito de Jesus, e o Espírito Santo nos concede a vida eterna, que é a garantia da salvação. Este é o princípio de uma vida de obediência.

O contrário dessa verdade bíblica ou a sua má compreensão, produz no homem um falso senso de auto-importância por sua suposta fidelidade a Deus (Pv 25:27; Lc 18:11-12; Rm 12:3), convencendo-o de que a salvação, bem como a santificação, é resultado do seu esforço e merecimento (Lc 17:10; Rm 3:9-12). Deus sempre condenou o orgulhoso, o que confia em sua própria bondade e o que espera receber a graça de Deus na base dos seus atos admirados pelos homens (Lc 18:9; Rm 9:30-33). 

Ademais, o legalismo sempre coloca a ênfase no externo em detrimento do interno (1 Sm 15:22). Ele despreza a graça de Deus e concentra os seus esforços para transformar primeiramente o homem exterior, ou seja, os seus comportamentos, os seus vícios, as suas palavras, os seus maus hábitos, as suas amizades, etc (Cl 2:20-23), mas negligencia o fato de que antes o Senhor vê o coração. Jesus confrontou os fariseus com o fato de que, embora eles tenham feito um grande esforço para limpar os seus copos e pratos, se esqueceram de limpar os seus corações, que eram cheios de rapina e perversidade (Lc 11:37-41). Por isso, o legalista tende a julgar os outros (Mt 7:1-5), pois pensa que a sua justiça, que é baseada em méritos pessoais (larga experiência, títulos acadêmicos, poder econômico, cargos elevados na hierarquia do poder) excede a dos demais.

É importante ressaltar que obedecer a Deus jamais tem denotação negativa e deve ser buscada constantemente. E ela, nem sempre, é interpretada como legalismo, pois a genuína evidência da fé verdadeiramente em Jesus se dá através das obras (Tg 2:18). Ao abalar esse alicerce estaríamos estimulando o relaxamento generalizado das responsabilidades pessoais que a própria santificação envolve.

Aquele que reconhece a sua dependência da graça de Deus a todo instante, é humilde em seus relacionamentos e tudo o que faz, faz acima de tudo para a glória do seu Senhor, não para se promover entre os homens.

3. O legalismo e a conduta moral.

Como já exposto, a graça não nos autoriza a pecar, libertando-nos da responsabilidade moral de observar e atender os conselhos de Deus (Rm 6:1-4). 

O conceito de liberdade do mundo gradualmente obscurece a percepção de que a liberdade é cercada de limites. O homem é livre para andar, mas não é livre para voar, porque a sua liberdade não lhe garante fazer tudo o que gostaria. Porque não existe liberdade sem lei. Não é de se estranhar o fato daqueles que exploram a liberdade pessoal, mas respeitando os limites estabelecidos pela família, pela sociedade e, especialmente pela Palavra de Deus, sejam rotulados de “legalistas” ou “fundamentalistas” por aqueles que defendem uma conduta moral sem regras ou preceitos que a oriente. Mas também, mesmo nos círculos cristãos, percebemos que existem legalistas. São pessoas mal resolvidas, guiadas pela obstinação da vaidade e desajustadas entre aquilo que ensinam e o que demonstram em suas próprias vidas. São religiosos pessimistas e incompassivos quando julgam os outros.

Jesus foi a única pessoa que usou a palavra “hipócrita” (hupokrites) no Novo Testamento (20x e apenas nos Sinóticos). Esta palavra tem origem na arte grega, especificamente no teatro, significando “autor”, “dissimulador” ou “jogador” (BW9). No contexto em que Jesus reagiu a uma tensão provocada pelos fariseus, ele respondeu: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros caiados, que, por fora, se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia!” (Mt 23:27). A ideia transmitida é de uma pessoa que “faz o jogo” da religiosidade pura por motivações impuras e repugnantes. Por isso, a característica que mais denunciava um hipócrita nos dias de Jesus era o excesso de autoconfiança, de orgulho e da pretensa tentativa de promover a aparência de santarrão. Esses, agiam como se fossem um padrão de fidelidade à Deus aos outros, mas estavam bem distantes dessa realidade!

Por que os fariseus podem ser classificados como legalistas?

Primeiro. Eles eram hipócritas. Eles fingiam ser dedicados, consagrados, observadores rigorosos da lei de Deus, altamente disciplinados, e assim demonstravam que eram justos e cheios de piedade; mas as suas motivações eram reprovadas e não viviam, no espírito da lei, o verdadeiro amor a Deus (Mt 23:4-7, 25-28). Eles não foram condenados porque eram demasiadamente zelosos, mas porque eram fingidos, falando e exigindo aquilo que não praticavam (Mc 23:3).

Segundo. Eles davam maior atenção para meios negociáveis de se expor a fé, que aos de caráter inegociáveis na lei (Mt 23:23; Lc 11:42). Jesus referiu-se a essa tendência como coar um mosquito e engolir um camelo em Mateus 23:24. Um legalista é como um fariseu nos dias de Jesus, ele se preocupa mais com picuinhas, com superficialidades e assuntos sem importância... como meios de chamar atenção para si e provar a sua exaltada razão entre os outros. Assim, demonstra-se estar perdido daquilo que é o mais importante no cumprimento da lei, que é a atitude voluntária e consciente da obediência (fé), e não meramente da obrigação em si (obras).

Terceiro. Eles interpretavam mal a lei de Deus (Mt 5:17-48), e foi por isso mesmo que fizeram interpretações falaciosas dela, elevando tradições e preferências humanas para o mesmo nível de autoridade das Escrituras (Mt 15:1-9; Mc 7:1-13). Jesus repreendeu repetidamente os fariseus por esse malícia, a qual sobrecarregava as pessoas com culpas injustificáveis, dívidas impagáveis e sacrifícios intermináveis. E ainda, seus falsos ensinos alimentavam o perverso sistema de arrecadações de recursos pelos serviços prestados no Templo e no Sinédrio. 

Conclusão.

O legalismo, portanto, negligencia a graça de Deus com base em legalidades e tradições despidas da fé e da misericórdia. E, portanto, não pode ser confundido com a obediência requerida por Deus, visto que ela é o princípio preeminente da salvação.

Embora a graça de Deus é, por muitas vezes, mal compreendida biblicamente, dando força para aqueles que estão decididos a pecar, ela produz a firme consciência da obra de Deus a nosso favor, conduzindo-nos a uma vida de obediência à sua Palavra. E quando pecamos, deixando de cumprir o que ela prescreve, podemos contar com o perdão divino e a renovação das forças para a devida perseverança da fé, sabendo que em nenhuma condição poderemos pagar a dívida dos nossos pecados, mas demonstrar o sincero desejo de se ver livre dele observando e obedecendo atentamente os conselhos de Deus, por submissão a ele.

O legalista não aceita isso por estar apegado a formas rigorosas de disciplina religiosa e vaidades. Ele pode ensinar corretamente verdades da Escritura, estando distante como referencial bíblico de vida cristã, por ausência de piedade e humildade.

Acreditamos na necessidade de cuidar, de zelar da nossa caminhada cristã, buscando a santificação das nossas vidas, obedecendo os ensinos da palavra de Deus. Contudo, reconhecemos o perigo de nos cegarmos pelo excesso de autoconfiança, tentando monitorar o nosso próprio pecado a ponto de criar um padrão de moralidade falacioso, e ainda usá-lo como base para julgar os outros por comparações insensíveis e impiedosas. 

Deus não nos julgará com base nas regras que podemos criar para estabelecer a nossa vida cristã, mas com base nas suas e elas são inalcançáveis em sua plenitude e perfeição. O único caminho de sermos justificados diante da lei de Deus é pela graciosa obra de redenção que ele efetivou por seu único Filho, Jesus Cristo. E uma vez redimidos por sua graça, mediante a fé, devemos viver obedientes a ele, mas sempre cientes que ainda sofremos os efeitos do pecado. Por isso, carecemos da constante misericórdia de Deus, assim como as pessoas a nossa volta esperam que também sejamos misericordiosos.

Com amor,

Rev. Ericson Martins

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Referências:
- BibleWorks - Focus on the text (software), v. 9.0: 2011
- Dicionário Eletrônico Houaiss da Língua Portuguesa (software). Editora Objetiva Ltda., v. 1.0: 200
- SMITH, William. A Smaller Classical Dictionary of Biography, Mythology and Geography [New York: Harper & Brother Publishers,1896], p. 174-175

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Fonte: Reflexões do Cotidiano
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