Expiação Limitada – J. I. Packer

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Por J. I. Packer

“Você falou em redescobrir o evangelho”, diz nosso questionador, “e isso não significa apenas que você quer que todos nós nos tornemos calvinistas”?

Essa indagação presumivelmente gira não em torno da palavra calvinista, mas da coisa em si. Pouco importa se nos chamamos calvinistas ou não; o que importa é que compreendamos biblicamente o evangelho. Mas, isso, conforme pensamos, na realidade significa compreendê-lo conforme o tem feito o calvinismo histórico. A alternativa consiste em compreendê-lo mal e distorcê-lo. Dissemos antes que o evangelicalismo moderno, a grosso modo, tem deixado de pregar o evangelho à moda antiga; e francamente admitimos que o novo evangelho, naquilo em que se desvia do antigo, parece-nos ser uma distorção da mensagem da Bíblia. E agora podemos perceber o que tem sido erroneamente exposto. Nossa moeda teológica tem sido depreciada. Nossas mentes têm sido condicionadas a pensar sobre a cruz como uma redenção que faz menos do que redimir, e a pensar sobre Cristo como um salvador que faz menos do que salvar, e a pensar sobre a fé como a ajuda humana de que Deus necessita para cumprir os seus propósitos. Em resultado disso, não mais somos livres para acreditar no evangelho bíblico ou para anuncia-lo. Não podemos acreditar no mesmo, porque os nossos pensamentos são arrebatados nas circunvoluções do sinergismo. Somos perseguidos pela noção arminiana de que se a fé e a incredulidade tiverem de ser atos responsáveis, terão de ser atos exclusivamente humanos. E, daí deriva-se a ideia que não somos livres para crer que somos salvos inteiramente pela graça divina, através de uma fé que é dom de Deus e que chega até nós por meio do Calvário. Ao invés disso, ficamos envolvidos em uma estranha maneira de dúbio pensar, acerca da salvação, pois, em um momento, dizemos a nós mesmos, que tudo depende de Deus, para, no momento seguinte, dizermos que tudo depende de nós. A confusão mental daí resultante priva Deus de grande parte da glória que lhe deveríamos atribuir como autor e consumador da salvação, e a nós mesmos do consolo que poderíamos extrair do conhecimento daquilo que Deus fez por nós.

E então, quando passamos a pregar o evangelho, nossos falsos preconceitos nos fazem dizer exatamente o oposto daquilo que tencionávamos. Queremos (e com toda a razão) proclamar Cristo como nosso Salvador. Não obstante, terminamos dizendo que Cristo, após ter tornado possível a nossa salvação, deixou que fôssemos nossos próprios salvadores. E tudo termina dessa maneira. Queremos magnificar a graça salvadora de Deus, bem como o poder salvador de Cristo. E assim declaramos que o amor remidor de Deus abarca todos os homens, e que Cristo morreu para salvar todo homem, e proclamamos que a glória da misericórdia divina deve ser medida através desses fatos. Mas então, a fim de evitarmos o universalismo, somos forçados a depreciar tudo aquilo quanto vínhamos exaltando, passando a explicar que, afinal de contas, nada daquilo que Deus e Cristo fizeram pode salvar-nos, a menos que acrescentemos algo – o fator decisivo que realmente nos salva é o nosso próprio ato de crer. O que dizemos, portanto, resume-se nisto: Cristo salva-nos com a nossa ajuda. E o que isso significa, depois de passar pelo crivo de nosso raciocínio, é o seguinte: salvamo-nos a nós mesmos, com a ajuda de Cristo.

Esse é um anticlímax vazio de significado. Porém, se começarmos afirmando que Deus tem um amor salvífico para todos, e que Cristo morreu para salvar todos, ao mesmo tempo em que repudiamos tornarmo-nos universalistas, nada mais restará para dizermos. Portanto, sejamos claros sobre o que temos feito, após ter exposto a questão dessa maneira. Não temos exaltado a graça divina e nem a cruz de Cristo; antes, temo-las tornado baratas. Teremos limitado a expiação muito mais drasticamente do que o faz o calvinismo. Pois, ao passo que o calvinismo, assevera que a morte de Cristo salva a todos quantos foram predestinados para a salvação, teremos negado que a morte de Cristo, como tal, seja suficiente para salvar qualquer pessoa ímpios e impenitentes pecadores, ao assegurar-lhes que eles têm a capacidade de arrependerem-se a crer, embora Deus não possa dar-lhes essa capacidade. Talvez também tenhamos transformado em coisas triviais o arrependimento e a fé, a fim de tornar-se plausível essa certeza (“é tudo muito simples – apenas abra o seu coração para o Senhor…”). Por certo, teremos negado da maneira mais eficaz a soberania de Deus, além de havermos solapado a convicção básica da religião cristã – o fato que o homem está sempre nas mãos de Deus. Na verdade, teremos perdido muita coisa. Assim sendo, não admira que a nossa pregação tanto se ressinta de falta de reverência e humildade, e que os nossos professores convertidos mostrem-se tão autoconfiantes e tão deficientes quanto ao conhecimento de si mesmos, bem como nas boas obras que as Escrituras consideram fruto do verdadeiro arrependimento.

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Trecho do livreto: “O Antigo Evangelho”, reeditado pela Editora Fiel em Julho de 2013
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Como a apologética pressuposicionalista pode ajudar um jovem na faculdade?

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Fonte: Editora Fiel
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O Pecado para a Morte e a Blasfêmia contra o Espírito Santo

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Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes


Não são poucos os pregadores de linha pentecostal que ameaçam os críticos das atuais "manifestações espirituais" de cometerem o pecado sem perdão, a blasfêmia contra o Espírito Santo. Mas, será? O pecado para a morte é mencionado por João em sua primeira carta: 

"Há pecado para morte, e por esse não digo que rogue (5.16c)".

A morte a que João se refere é a morte espiritual eterna, a condenação final e irrevogável determinada por Deus, tendo como castigo o sofrimento eterno no inferno. Todos os demais pecados podem ser perdoados, mas o “pecado para morte” acarreta de forma inexorável a condenação eterna de quem o comete, a ponto do apóstolo dizer: "e por esse não digo que rogue". E o apóstolo continua:

"Toda injustiça é pecado, e há pecado não para a morte (5.17; cf. 3.4)".

João não está sugerindo que a distinção entre pecado mortal e pecado não mortal implique na existência de pecados que não sejam tão graves assim. Todo pecado é contra o Deus justo, contra a sua justiça. Portanto, todo pecado traz a morte, que é a penalidade imposta por Deus contra o pecado. Mas, para que seus leitores não fiquem aterrorizados, João repete: há pecado não para morte (5.17b). Nem todo pecado é o pecado mortal. Há perdão e vida para os que não pecam para a morte. O Senhor mesmo convida seu povo a buscar o perdão que ele concede (Is 1.18).

O que, então, é o pecado para a morte? O apóstolo João não declara explicitamente a que tipo de pecado se refere. Através dos séculos, estudiosos cristãos têm procurado responder a esta pergunta. Alguns têm entendido que João se refere à morte física, e têm sugerido que se trata de pecados que eram punidos com a pena de morte conforme está no Antigo Testamento (Lv 20.1-27; Nm 18.22). Não adiantaria orar pelos que cometeram pecados punidos com a morte, pois seriam executados de qualquer forma pela autoridade civil. Ou então, trata-se de pecados que o próprio Deus puniria com a morte aqui neste mundo, como ele fez com os filhos de Eli (2Sm 2.25), com Ananias e Safira (At 5.1-11) e com alguns membros da igreja de Corinto que profanavam a Ceia (1Co 11.30; cf. Rm 1.32).

A Igreja Católica fez uma classificação de pecados veniais e pecados mortais, incluindo nos últimos os famosos sete pecados capitais, como assassinato, adultério, glutonaria, mentira, blasfêmia, idolatria, entre outros. Este tipo de classificação é totalmente arbitrário e não tem apoio nas Escrituras.

A interpretação que nos parece mais correta é que João está se referindo à apostasia, que no contexto de seus leitores, significaria abandonar a doutrina apostólica que tinham ouvido e recebido e seguir o ensinamento dos falsos mestres, que negava a encarnação e a divindade do Senhor Jesus. “Pode-se inferir do contexto que este pecado não é uma queda parcial ou a transgressão de um determinado mandamento, mas apostasia, pela qual as pessoas se alienam completamente de Deus” (Calvino).

Trata-se, portanto, de um pecado doutrinário, cometido de forma voluntária e consciente, similar ao pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo, cometido pelos fariseus, e que o Senhor Jesus declarou que não haveria de ter perdão nem aqui nem no mundo vindouro (cf. Mt 12.32; Mc 3.29; Lc 12.10). Em ambos os casos, há uma rejeição consciente e voluntária da verdade que foi claramente exposta.

No caso dos leitores de João, a apostasia seria mais profunda, pois teriam participado das igrejas cristãs, como se fossem cristãos, participado das ordenanças do batismo e da Ceia, participado dos meios de graça. À semelhança dos falsos mestres que também, antes, tinham sido membros das igrejas, apostatar seria sair delas (2.19), e se juntar aos pregadores gnósticos e abraçar a doutrina deles, que consistia numa negação de Cristo.

Tal pecado era “para a morte” por sua própria natureza, que é a rejeição final e decidida daquele único que pode salvar, Jesus Cristo. “Este pecado leva quem o comete inexoravelmente a um estado de incorrigível embotamento moral e espiritual, porque pecou voluntariamente contra a própria consciência” (J. Stott).

É provavelmente sobre pessoas que apostataram desta forma que o autor de Hebreus escreveu, dizendo que “é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia” (Hb 6.4-6). Ele descreve essa situação como sendo um viver deliberado no pecado após o recebimento do pleno conhecimento da verdade. Neste caso, “já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários” (Hb 10.26-27). Este pecado é descrito como calcar aos pés o Filho de Deus, profanar o sangue da aliança com que foi santificado e ultrajar o Espírito da graça (Hb 10.29), uma linguagem que claramente aponta para a blasfêmia contra o Espírito e a negação de Jesus como Senhor e Cristo (ver também 2Pd 2.20-22, onde o apóstolo Pedro se refere aos falsos mestres).

Não é sem razão que o apóstolo João desaconselha pedirmos por quem pecou dessa forma.

Alguém pode perguntar se Deus fecharia a porta do perdão se pessoas que pecaram para a morte se arrependessem. Tais pessoas, porém, não poderão se arrepender. Elas não o desejam. E além disto, o Senhor determinou sua condenação, a ponto de João não aconselhar que oremos por elas. “Tais pessoas foram entregues a um estado mental reprovável, estão destituída do Espírito Santo, e não podem fazer outra coisa senão, com suas mentes obstinadas, se tornarem piores e piores, acrescentando mais pecado ao seu pecado” (Calvino).

Notemos que nestes versículos João não chama de “irmão” aquele que peca para a morte. Apenas declara que há pecado para a morte e que não recomenda orar pelos que o cometem. É evidente que os nascidos de Deus jamais poderão cometer este pecado.

Portanto, não se impressione com as ameaças de pastores do tipo "você está blasfemando contra o Espírito Santo" se o que você estiver fazendo é simplesmente perguntando qual a base bíblica para cair no Espírito, rir no Espírito, a unção da leoa, e outras "manifestações" atribuídas ao Espírito Santo.

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Confissões de um ex-neopentecostal

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Excelente vídeo de Jackson Jacques sobre a sua trágica experiência com o neopentecostalismo. É cômico, porém trágico... mas no fim, libertador! Assista:


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Fonte: Vlog do autor
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O que é Molinismo?

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por Paul Helm


Nos últimos meses e anos, uma antiga controvérsia sobre a natureza do conhecimento de Deus tem sido reacesa em certos círculos cristãos. A doutrina no centro dessa controvérsia é chamada de "conhecimento médio" - também conhecida como Molinismo. Com o objetivo de auxiliar os nossos leitores a entender melhor os assuntos em jogo, convidamos o Dr. Paul Helm para escrever uma introdução a este assunto importante.

O Conhecimento de Deus

Na discussão teológica sobre o conhecimento de Deus, fora comum por anos, até a chegada da Reforma e inclusive nela, distinguir entre o conhecimento necessário de Deus e Seu conhecimento livre. A distinção é óbvia e natural. O conhecimento necessário de Deus inclui muitos tipos de verdades. Este é o conhecimento de matérias como as verdades da matemática - por exemplo: 2 + 2 = 4.  Este também é o conhecimento de verdades como, o todo é maior do que a parte, e nenhum círculo é um quadrado. O conhecimento necessário de Deus também inclui o conhecimento de todas as possibilidades, tais como pessoas possíveis, as possíveis vidas que elas poderiam ter e toda a gama de mundos possíveis. Deus conhece estas coisas de forma imediata e intuitiva.

O conhecimento livre de Deus, por outro lado, é o Seu conhecimento do Seu decreto - daquilo que, em Sua sabedoria, Deus, de forma livre e imutável, ordenou que acontecesse. Aquilo que Deus decreta é obviamente um subconjunto de todas as possibilidades que Ele conhece. Seu decreto também tem sua fonte exclusivamente em Sua mente e vontade.

Conhecimento Médio

No final do séc. XVI, um novo tipo de conhecimento foi proposto por dois pensadores jesuítas ibéricos, Luis de Molina (1535-1600) e Pedro da Fonseca (1528-1599). O conhecimento médio - ou 'Molinismo' como veio a ser chamado mais tarde - foi a sua contribuição a uma controvérsia na igreja Católica Romana sobre graça, livre arbítrio e predestinação. Em nosso próprio tempo, o Molinismo tem sido proposto por Alvin Plantinga e por outros com respeito a relação de Deus com o mal. Creio que é justo dizer que ao passo que teólogos católicos romanos têm discutido por muito tempo o conhecimento médio em seus livros, o interesse atual nele é devido a Plantinga e sua discução do tópico em seu livro Deus, a Liberdade e o Mal.

O que é o conhecimento médio? No centro deste interesse atual está o conhecimento de Deus das possibilidades envolvendo a escolha humana - as "contingências da liberdade" como têm sido chamadas. Porque esta inovação? O seus proponentes estão preocupados em preservar o que consideram ser duas crenças vitais. A primeira é a providência e total presciência de Deus. A segunda é a ideia que os seres humanos têm, em um sentido indeterminista, uma liberdade que não pode ser suprimida. Quando falamos de liberdade indeterminista, queremos dizer que qualquer ser humano, em um dado conjunto de circunstâncias, tem o poder para escolher A ou para escolher não-A. O problema é óbvio. Como isto pode ser consistente com o governo providencial universal de Deus e seus propósitos de redenção?

A forma dos Molinistas tentarem manter a coesão entre todas estas doutrinas foi sugerir que existia, ao lado do conhecimento natural de Deus e seu conhecimento livre, um terceiro tipo de conhecimento. Eles argumentaram que Deus também tinha "conhecimento médio" - entre os outros dois. O que isto significa pode ser brevemente explicado. Dado todo um conjunto de mundos possíveis - os quais Deus conhece -, dados mundos nos quais homens e mulheres fossem livres no sentido indeterminista apropriado, Deus saberia o que eles livremente escolheriam em toda circunstância possível. Deus tem conhecimento de todas estas consequências possíveis. Se for colocado em um conjunto de circunstâncias, Deus sabe o que Jonas iria livremente escolher. Isto é verdade em relação a todas as pessoas possíveis e todas as circunstâncias possíveis. Deus tem este conhecimento médio por examinar todas as possibilidades que o livre arbítrio que cada pessoa pode escolher.

Em Seu poder e sabedoria, Ele escolhe aquele mundo possível, aquela combinação total de indivíduos e circunstâncias, cujas expressões de livre arbítrio irão melhor servir Seus propósitos. Assim, a onisciência de Deus é preservada e o livre arbítrio humano é preservado. O mal moral que acontece neste mundo escolhido não é a direta responsibilidade de Deus mas daquelas criaturas que exercitam suas escolhas de uma forma malevolente.

Quais São as Implicações do Molinismo?

Precisamos enfatizar que a visão de livre arbítrio sustentada pelos molinistas tanto antigos quanto modernos é frequentemente chamada de "libertarianismo" ou "indeterminismo". Em contraste seus oponentes, na Igreja Católica Romana e nas igrejas da Reforma, têm sustentado visões da liberdade humana que são deliberadamente consistentes com o decreto divino em relação a todas as coisas que acontecem e com a irresistibilidade de Sua graça.

Há Argumentos Bíblicos para o Molinismo?

À medida que seus proponentes buscaram suporte bíblico evidente para o conhecimento médio, eles usaram o exemplo de Davi em Queila registrado em 1 Samuel 23. A este ponto na narrativa bíblica, os Filisteus estavam atacando Queila. Davi perguntou ao Senhor se deveria ir à Queila para guerrear com os Filisteus e o Senhor disse que ele deveria. Os companheiros de Davi estavam com medo e então Davi perguntou uma segunda vez. Em Queila, com medo de que Saul o atacaria lá, Davi perguntou ao Senhor se Saul iria à Queila. A esta altura, lemos a seguinte conversa: "E o Senhor lhe disse: 'Ele virá'. E Davi, novamente, perguntou: 'Será que os cidadãos de Queila entregarão a mim e a meus soldados a Saul?' E o Senhor respondeu: 'Entregarão'. Então Davi e seus soldados, que eram cerca de seiscentos, partiram de Queila, e ficaram andando sem direção definida'" - 1Sm 23v11-13.

Na concepção dos Molinistas, o incidente demonstrou o conhecimento médio na prática, pois mostra que o Senhor sabia o que aconteceria se certa ação livre acontecesse - eles suporam que Davi e os outros participantes estavam agindo com livre arbítrio no sentido libertariano. Deus sabia que se Davi escolhesse ficar em Queila, então os cidadãos de Queila escolheriam o entregar. Então Davi escolheu tomar uma ação evasiva e Saul escolheu desistir da expedição contra Davi quando soube o que Davi tinha feito. Deus sabia de tudo isso - e também muito mais - por Sua presciência.

O Que Há de Errado com o Molinismo?

Dado que os reformados sustentavam que tudo o que acontece é decretado por Deus de forma incondicional e que os homens e mulheres são responsáveis por suas ações, eles não viam como necessário um terceiro tipo de conhecimento divino, um conhecimento médio, que dependesse da previsão divina do que possíveis pessoas fariam de forma livre em certas circunstâncias. Os reformados interpretavam o incidente de Queila de forma diferente. Deus não apenas viu que Saul faria. Ele ordenou que Saul desceria à Queila se Davi permanecesse lá. Ele ordenou que Davi sairia de Queila depois de ouvir o que Saul faria. E Ele ordenou que Saul mudaria de idea.

O conhecimento médio não é apenas desnecessário para um Deus que tudo conhece e decreta, mas a concepção molinista de livre arbítrio torna impossível que Deus exerça controle providencial sobre sua criação. Porquê? Porque os homens e mulheres seriam livres para resistir o Seu decreto. Deus apenas pode fazer com que as ações de agentes livres aconteçam através do seu conhecimento médio daquilo que eles livremente fariam se...

Além disso, tendo em mente a visão molinista de liberdade, é impossível que Deus cause a conversão de certa pessoa pelo exercício de Seu chamado efetivo, pois na opinião dos Molinistas um indivíduo tem sempre a possibilidade de resistir a graça de Deus. Homens e mulheres têm que cooperar de forma livre com aquilo que Deus diz e faz se querem tornarem-se cristãos. A graça de Deus é sempre resistível. Cristãos reformados não têm razão alguma para aceitar o conceito especulativo de conhecimento médio e têm fortes razões para rejeitá-lo.

Conclusão

Concluindo, podemos dizer que há algo de interessante e enigmático em relação ao Molinismo, mas a resposta reformada tem sido – e deveria continuar sendo – que não há apenas dificuldades sem resolução na ideia do próprio conhecimento médio, mas que este também é uma especulação desnecessária. A Escritura quase nunca menciona algo que possa ser usado para dar suporte ao Molinismo, ao passo que ensina de forma perfeitamente clara que Deus age em todas as coisas, até mesmo as ações más de pessoas que agem com completa responsabilidade, de acordo com o conselho de Sua própria vontade.

Para saber mais sobre Molinismo, leia a seção relevante no livro do Dr. Helm, A providência de Deus.

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Fonte: 
Ligonier Ministries
Tradução: David Cecilio
Via: Fireland, sob o título: Molinismo Para Iniciantes.
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O que é Heresia?

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Por Antônio Pereira Jr.


“Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”. Colossenses 2.8

Para a maioria das pessoas os termos: seita, heresia, apologética etc, é de difícil elucidação e trazem, na maioria das vezes, confusões e discrepâncias. Talvez por falta de informação e formação teológica, muitos líderes estão ministrando heresias destruidoras no seio da igreja cristã. Isso é deveras preocupante. Termos como: conversão, arrependimento, regeneração, justificação, propiciação, dentre outros, estão sendo substituídos por: decretar, maldição, reivindicar, apossar-se, tomar posse da bênção etc.

Urge a necessidade de, mais do que nunca, o líder estar de acordo com 1Tm 3.2 que diz: “é necessário, pois, que o bispo seja… apto para ensinar”. Mas a aptidão ao ensino só vem com esmero estudo das Escrituras Sagradas, o que muitos não querem. Preferem copiar a moda vigente. A “Teologia do Momento” é muito mais atraente e fácil. Traz satisfação ao ego, massageia a nossa alma narcisista. O evangelho do aplauso é mais vistoso do que o evangelho da cruz. Dá mais status.

Amados, devemos lembrar-nos do que diz o apóstolo Paulo: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Tu , porém, sê sóbrio em tudo , sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério”. 2Tm 4.3-5

Enquanto muitos estão embriagando-se com os sistemas hodiernos de uma eclesiologia doente, somos advertidos para sermos sóbrios no meio dos bêbados-hereges. Paulo diz-nos que para cumprirmos o nosso ministério não é preciso tomar um porre de pseudodoutrinas. Basta sermos fieis aquele que nos chamou.

Mas, afinal, o que significa as palavras seita e heresia? Ambas derivam da palavra grega “háiresis” , que significa escolha, partido tomado, corrente de pensamento, divisão, escola etc. A palavra heresia é adaptação de “háiresis”. Quando passada para o latim, “háiresis” virou “secta” . Foi do latim que veio a palavra seita. Originalmente, a palavra não tinha sentido pejorativo. Quando o Cristianismo foi chamado de seita (At 24.5), não foi em sentido depreciativo. Os líderes judaicos viam os cristãos como mais um grupo, uma facção dentro do judaísmo. Com o tempo, “háiresis” também assumiu conotação negativa, como em 1Co 11.19; Gl 5.20; 1Pe 1.1-2.

Em termos teológicos, podemos dizer que seita refere-se a um grupo de pessoas e que heresia indica as doutrinas antibíblicas defendidas pelo grupo. Baseando-se nessa explicação, podemos dizer que um cristão imaturo pode estar ensinando alguma heresia, sem, contudo, fazer parte de uma seita.

Vejamos ainda algumas definições de apologistas famosos:

1ª “um grupo de indivíduos reunidos em torno de uma interpretação errônea da Bíblia, feita por uma ou mais pessoas”. Dr. Walter Martin.

2ª “é uma perversão, uma distorção do Cristianismo bíblico e/ou a rejeição dos ensinos históricos da Igreja Cristã”. Josh McDoweell e Don Stewart.

3ª “Qualquer religião tida por heterodoxa ou mesmo espúria”. J. K. Van Baalen.

A palavra doutrina vem do latim “doctrina”, que significa ensino. Referindo-se a qualquer tipo de ensino ou a algum ensino específico. Algumas pessoas confundem doutrina com a questão de usos e costumes. Alguns falam: “a minha igreja tem doutrina”. Quando, possivelmente, lá existam na realidade muitas heresias. O verdadeiro ensino bíblico e teológico é que constitui a verdadeira doutrina.

Apologia significa defesa. Algumas pessoas fazem apologia às drogas, ao crime etc, mas dentro da heresiologia, apologia significa fazer uma defesa da fé cristã ortodoxa. Defender a igreja contra ensinos de demônios e de homens cujo deus é o ventre. É defender a fé que “de uma vez por todas foi entregue aos santos”. (Jd 3). O trabalho do apologista é difícil e, muitas vezes, incompreendido até mesmo dentro de sua denominação.

Quando o apóstolo Pedro nos pede para “…estar sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1Pe 3.15); a palavra “responder”, é apologia. Ou seja, Pedro nos diz que devemos estar preparados para fazer uma defesa segura de nossa fé. Como alguém que está sendo acusado em um júri. Será que todos nós, líderes, ovelhas e pastores, temos esta condição de sermos apologistas da fé cristã? Ou estamos descendo de ladeira abaixo rumo às falácias de homens incautos e arrogantes, que “não sabem o que dizem sem as coisas sobre as quais fazem ousadas asseverações?” Pois são pessoas que “resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé”. 2Tm 3.8b.

Portanto, as heresias podem ser encontradas em vários lugares. Muitos se enganam por pensarem que heresias existem apenas nas seitas conhecidas. Existem heresias destruidoras nas mais diversas igrejas, inclusive nas que se proclamam cristãs ou evangélicas. Que Deus nos dê a Sua graça, e nos ajude. Parafraseando Lutero: que a nossa mente esteja cativa à Palavra de Deus.

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Fonte: NAPEC
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Não ser claro é estratégia do engano!

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Por Josemar Bessa


A centralidade fundamental de “Cristo e este crucificado”, e os motivos pelos quais isso é essencial no plano eterno de Deus, é de importância fundamental para aferir se a Verdade está sendo proclamada ao mundo.

A missão do evangelismo na busca de uma apresentação do evangelho que vai convencer os ouvintes é equivocada. Se o fato da morte de Jesus na cruz e o SIGNIFICADO claro desta morte não são CENTRAIS na mensagem proclamada. Se não ficar claro que Deus não se adapta ao mundo e a cultura, mas que a mesma cruz nos mata para o mundo e o mundo para nós: “...a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo.” - Gálatas 6:14

Se não fica claro que Deus não se adapta a nós, nossas preferências, gostos e opiniões... mas que tudo isso também vai para a cruz, nos capacitando a não vivermos para nós mesmos mas para Deus: “Ele morreu por todos, para os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” – 2 Coríntios 5.15

Se não ficar claro que Cristo morreu levando sobre si a essência de todo pecado, que é não glorificar a Deus, para que em sua morte fôssemos livres de nós mesmos, a mensagem foi terrivelmente alterada.

Se não ficar claro que Cristo morreu para nos livrar deste presente mundo mau: “Ele se entregou a si mesmo pelos nossos pecados, para nos desarraigar deste mundo perverso, segundo a vontade de nosso Deus e Pai” – Gálatas 1.4 – Se não acordamos para entender a tenebrosa condição espiritual do mundo e dá sociedade, tentaremos viver de alguma forma sincronizados com “este mundo perverso”, achando que a morte de Cristo não foi para nos libertar disso, mas para aproveitarmos isso de maneira melhor.

Se na proclamação não ficar claro o “outrora” que a mensagem da cruz traz: “Nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência” (Ef 2.2) – se isso não fica claro na proclamação, não é a cruz que está sendo proclamada, mas uma falsificação.

Se não fica claro que o viver mundano não era liberdade, mas escravidão, e que nossa liberdade é a liberdade da obediência, e que o evangelho nos transforma pela cruz de “filhos da desobediência” ( Ef 2.2) em homens com a “mente de Cristo” que diz: “A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra.” João 4:34 – então o que é pregado é uma falsificação e a mensagem foi alterada.

O grito de liberdade da Bíblia é:  “...não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” - (Rm 12.1) – Isso é ser livre! Não ser mais como o mundo, não ser enganado pelos gurus da cultura... se isto não está claro na proclamação, a mensagem foi corrompida e mudada.

A cruz sempre desmascara a fraude do diabo sobre o que é viver, fraude que é graficamente expressa na vida do mundo, da cultura a nossa volta.

A cruz tem sido e sempre será considerada um escândalo e absurdo intelectual num mundo escravizado pelo pecado, composto por “filhos da desobediência... filhos da ira...”, como diz Paulo. A busca por uma mensagem que é mais facilmente compreensível, deve deixar tudo isso mais claro, todo esse escândalo, e não eliminar a natureza provocadora da notícia de que Cristo morreu por que a ira de Deus estava e está sobre este mundo “sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.” - Romanos 1:18

Paulo sabe, e nós devíamos saber também,  que é apenas o poder de Deus, o poder soberano do Espírito de Deus trabalhando nas pessoas,  que convence homens incrédulos a verdade, notícia (que nestes se torna boa notícia)  de Jesus e este crucificado, e que os leva à fé em Jesus, o Messias e Salvador.

Esta geração tem mudado não apenas a abordagem, mas o evangelho... com a tola estratégia de esvaziar a mensagem da cruz de sua loucura e escândalo para o homem natural.

Muitos dizem: “Estamos mudando a abordagem mas não a mensagem”. Mas não é esta a verdade que aparece quando você olha o foco do que é pregado.

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Onde na Bíblia a expressão Sola Scriptura é ensinada?

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por Dr. Joe Mizzi


A doutrina da Sola Scriptura, como a doutrina da Trindade, não é baseada em um texto prova específico. A passagem bíblica abaixo é uma de muitas escrituras que sustentam a suficiência da Bíblia como a única norma infalível da fé cristã. O apóstolo Paulo escreve para Timóteo:

"e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra." (2 Timóteo 3:15-17).

A partir desta passagem nós podemos deduzir:

Em primeiro lugar, as Escrituras nos dão o conhecimento necessário para a experiência da salvação – elas são "podem fazer-te sábio para a salvação, pela fé que há em Cristo Jesus." Em segundo lugar, a Bíblia também é proveitosa para a doutrina e orientação na vida cristã. Quem é conduzido pelas Escrituras é descrito como "perfeito, e perfeitamente instruído para toda a boa obra." A Bíblia é portanto, suficiente para mostrar aos filhos de Deus como ser salvo e viver para a Sua glória.

Eu concordo que a referência primária das "escrituras" neste contexto é o Antigo Testamento porque os escritos do Novo Testamento ainda não estavam completos, o cânon do NT ainda não era totalmente conhecido, e a Escritura que Timóteo tinha aprendido na sua infância era o Antigo Testamento.

Mas é possível que Timóteo estava consciente que outros livros inspirados estavam sendo adicionados? E que "desde a infância" ao tempo que ele recebeu as cartas de Paulo, Timóteo veio a saber de outros escritos inspirados em adição aos livros do Antigo Testamento? Por exemplo, 2 Pedro 3.16 classifica as epístolas de Paulo como "outras escrituras" – inferindo que as cartas paulinas já estavam sendo consideradas como divinamente inspiradas nas igrejas apostólicas e no mesmo nível como os livros do Antigo Testamento.

Em sua primeira carta a Timóteo, Paulo cita do Antigo Testamento (Deuteronômio 25:4) e de um livro do Novo Testamento (Lucas 10:7). 'Pois a Escritura declara: "Não amordaces o boi, quando pisa o trigo". E ainda: "O trabalhador é digno do seu salário."' (I Timóteo 5:18). É altamente significante que Paulo se refere ao Evangelho de Lucas como Escritura a par com o Antigo Testamento. Deste modo, Timóteo estava plenamente consciente que o Espírito Santo estava adicionando livros inspirados às Sagradas Escrituras. Portanto, é um absurdo limitar a declaração de Paulo em Segunda a Timóteo sobre o valor das Escrituras ao Antigo Testamento.

A declaração de Paulo sobre as perfeições das Escrituras do Antigo Testamento (santo, inspirado) é aplicável para todas as Sagradas Escrituras em geral. É como dizer, "Todos os cães latem." Latir não é somente a característica dos cães que estão vivendo agora, não é? Os cães que nasceriam no futuro farão o mesmo... porque são cães. Semelhantemente, o que Paulo disse sobre os livros do Antigo Testamento, certamente aplicaria ao Novo, porque como eles, eles tem o mesmo autor Divino.

Entretanto, você pode dizer, Paulo estava se referindo ao Antigo Testamento e não a Bíblia completa. Isto que eu chamo um problema ditoso! Porque se os livros do Antigo Testamento eram suficientes para tornar-nos sábios para a salvação e equipar-nos pra toda a boa obra, como muito mais a totalidade da Bíblia? Se o Antigo era suficiente, a totalidade é repleta de plenitude! Sim, a Bíblia é poderosa para fazer-nos sábios para a salvação, a qual é pela fé em Cristo Jesus. Não deixe qualquer um tirar esta verdade bendita ao afirmar que você precisa de alguma fonte adicional para dar a você alguma informação essencial que seja ausente da Escritura.

Timóteo, sua mãe, e sua avó de alguma maneira sabiam quais livros eram inspirados, mesmo que não existia um magistério infalível para dizê-los. Paulo não precisou explicitar um índice de conteúdos porque evidentemente Timóteo sabia que estes livros eram inspirados.

As Sagradas Escrituras são a propriedade e a herança do povo de Deus eles os passam de uma geração para outra. Como você aprendeu primeiro que os livros chamados "Bíblia Sagrada" é a Palavra de Deus? Isto não veio de seus pais ou do seu professor de Escola Dominical ou de seu pastor ou de algum outro cristão? Mesmo que eles não sejam infalíveis, o Senhor usou-os no lugar em suas mãos Seu livro e as doutrinas dessa maneira.

Se você insiste na necessidade de uma autoridade infalível para garantir quais livros são inspirados, bem, neste caso você não deveria parar por aqui também. Você então perguntaria, "Como eu faço para ter certeza que o magistério da igreja é infalível?" Você não pode dizer, "Porque a Bíblia diz assim"; e você igualmente não pode dizer, "Porque a igreja diz assim" (por que isto é empobrecer a questão).

Você pode surpreender-se com pessoas como Timóteo, você e eu, poderiam saber quais livros são inspirados à parte de uma igreja infalível. Nós não poderíamos confiar em Deus que inspirou a Bíblia em primeiro lugar? Ele deu as Escrituras para o Seu povo, e Ele poderia usá-los (fraco e falível como eles são) para reconhecer Sua Palavra, e passar isto para as gerações futuras. Eu estou convencido que isto é exatamente o que Deus fez.

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Tradução: Rafi Sevghenian
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Relativismo, Certeza e Agnosticismo em Teologia

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Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes


Tenho sempre me deparado com pastores e teólogos que acreditam que teologia boa é só aquela que está sendo feita agora. Algum tempo atrás encontrei mais um desses. Chamou-me de fundamentalista porque eu acredito que existe teologia certa e teologia errada, e porque incluo na primeira categoria os antigos credos cristãos e as confissões reformadas. Ensinou-me com aquela pachorra típica de quem é iluminado e se depara com um pobre fundamentalista obscurantista e tapado, que “a teologia é apenas um construto humano, limitado, provisório, subjetivo, que tem que ser feito por cada geração, pois não atende mais as necessidades da próxima”.

Era óbvio que eu estava diante, mais uma vez, daquela cena hilária em que o relativista declara com toda autoridade e convicção que “não existe verdade absoluta, tudo é relativo”.

Vamos supor, ainda que por um momento, que esses teólogos – nem sei em que categoria enquadrá-los, pois nem liberais eles são (os liberais de verdade acreditavam em certo e errado) – estejam certos. Que cada geração entende Deus, a Bíblia e as grandes verdades do Cristianismo de uma maneira totalmente diferente de outra geração e de pessoas de outra cultura, a ponto de não podermos adotar as suas reflexões teológicas como verdadeiras e válidas para a nossa geração. Se levada às últimas conseqüências, essa perspectiva sobre a teologia criaria uma série de problemas, inclusive para os que a defendem.

1) Vamos começar pelo fato que cada nova geração teria de definir, de novo, o que é o Cristianismo. Explico. O Cristianismo, enquanto religião, foi definido e os seus limites estabelecidos durante os primeiros séculos depois de Cristo, quando os primeiros cristãos foram confrontados com explicações diferentes, contraditórias e alternativas da mensagem de Jesus e dos apóstolos, como o montanismo, as idéias de Marcião, os gnósticos, os docetistas e os ebionitas, para mencionar alguns.

Os grandes credos ecumênicos da Cristandade estabelecidos nas gerações posteriores nos deram de forma sintetizada a doutrina de Cristo, da Trindade, entre outras, as quais o Cristianismo histórico adota até hoje. A seguir o que esse pastor estava me dizendo, teríamos de jogar tudo isso fora e recomeçar, refazer, redefinir o Cristianismo a partir da nossa própria situação.

2) A segunda dificuldade é que essa perspectiva acaba pegando mal para seus próprios defensores. Pergunto: o que eles têm descoberto e oferecido mais recentemente que seja novo acerca do ser e das obras de Deus, da pessoa de Cristo e de sua morte e ressurreição? Quando não caem nas antigas heresias, repetem simplesmente o que já foi dito por outros em tempos passados. A “nova perspectiva sobre Paulo” não deixa de ser uma antiga perspectiva sobre o judaísmo. A nova “busca do Jesus histórico” não tem conseguido oferecer nenhuma reconstrução do Jesus da história que esteja em harmonia com o quadro dele que temos nos evangelhos. A teologia relacional não consegue ir adiante do Deus sociniano, que também desconhecia o futuro.

3) A terceira dificuldade é que essa perspectiva realmente acaba com a distinção entre teologia certa e teologia errada e anistia todas as heresias já surgidas na história da Igreja. Vamos tomar, por exemplo, a área de soteriologia, que trata da questão da salvação do homem. A doutrina de que o homem é justificado pela fé somente, sem as obras ou méritos humanos, foi estabelecida cedo na Igreja cristã e reafirmada na Reforma protestante. Depois de tantos séculos, nossos teólogos progressistas (ainda não gosto desse rótulo, vou acabar achando outro) têm algo de novo para nos dizer sobre esse ponto? Os que tentaram, caíram nas antigas heresias soteriológicas já discutidas e refutadas ad nauseam pelos Pais da Igreja e pelos Reformadores.

Não me entendam mal. Eu também acredito que a teologia é um construto humano, e como tal, imperfeito, incompleto e certamente relativo. Estou longe de adotar para com a teologia reformada uma postura similar àquela que considera a tradição aristotélica-tomista como a filosofia e/ou teologia “perene”. Eu também considero que a teologia é fruto da reflexão humana e, portanto, sempre sujeita às vulnerabilidades de nossa natureza humana decaída. Mas não ao ponto de não poder refletir com uma medida de veracidade e fidelidade a revelação de Deus nas Escrituras. O problema com essa postura relativista é que ela desistiu completamente da verdade. É agnóstica. Eu creio que a teologia, se feita “levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2Co 10.5), se for fiel à revelação bíblica, produzirá sínteses confiáveis que podem servir de referencial para as igrejas de todas as gerações, conforme, aliás, as confissões reformadas elaboradas nos sec. XVI e XVII vêm fazendo há alguns séculos.

Mas, os teólogos relativistas acreditam em que? Em tudo e, portanto, em nada. Eles tentam manter tudo fluido, em permanente devir, sempre abertos para todas as possibilidades. Mas, nesse caso, não teriam que, forçados pela própria lógica, de aceitar também a teologia conservadora como uma teologia legítima? Mas é aqui que a lógica relativista se quebra. Pois para eles, todas as opiniões estão corretas – menos aquela dos conservadores.

Um amigo meu que é teólogo me disse outro dia numa conversa, “a verdade é absoluta, mas minha percepção dela é sempre relativa”. Até hoje estou intrigado com essa declaração. Eu o conheço o suficiente para saber que ele não é relativista. Sou obrigado a reconhecer, por força do conhecimento da minha própria limitação e subjetividade, que ele está certo quanto à relatividade da nossa percepção teológica.

Mas, por outro lado, reluto em aceitar as conseqüências plenas dessa declaração. Primeiro, como podemos falar de verdade absoluta, se é que sempre temos uma percepção relativa dela? Se existe verdade absoluta, não seria teoricamente possível conhecê-la como tal? Segundo, porque embora pareça humildade, admitir o caráter sempre relativo da nossa percepção implica em admitir que ninguém tem a verdade, o que acaba com a possibilidade do certo e do errado, do verdadeiro e do falso como conceitos públicos, transformando cada indivíduo, ao final, no referencial último dessas coisas. Será que não poderíamos dizer que nós, mesmo enviesados por nossos pressupostos e preconceitos (horizontes), ainda somos capazes, em virtude na nossa humanidade básica compartilhada com as pessoas de todas as épocas – para não mencionar a graça comum e a ação do Espírito Santo –, de perceber a verdade da mesma forma que outras pessoas a perceberam em outros tempos e em outros lugares?

Aqui as palavras de Anthony Thiselton são pertinentes:

"O que será da ética cristã se adotarmos uma perspectiva relativista da natureza humana? Se a experiência da dor, do sofrimento e da cura no mundo antigo não tem qualquer continuidade com qualquer conceito moderno, o que poderemos dizer acerca do amor, auto-sacrifício, santidade, fé, pecado, rebelião, etc.? Ninguém num departamento de línguas clássicas, literatura ou filosofia de uma universidade aceitaria as implicações de um relativismo tão radical. Nada poderíamos aprender sobre a vida, o pensamento, ou ética, dos escritores que viveram em culturas antigas. Com certeza, nenhum estudioso, se pressionado com essas implicações, defenderia até o fim esse tipo de relativismo".[1]

4) Uma última dificuldade que desejo mencionar é que essa visão, se levada às últimas conseqüências, acaba nos privando da Bíblia. Vejamos. Quem defende essa visão (há exceções, eu sei) geralmente tem dificuldades em aceitar que as Escrituras do Antigo Testamento e Novo Testamento foram dadas por inspiração divina e são, portanto, infalíveis. Nessa lógica, as Escrituras são apenas a reflexão teológica de Israel e da Igreja cristã primitiva. Consideremos as cartas de Paulo. Elas são a teologia do apóstolo, resultado da aplicação que ele fazia das boas novas às situações novas das igrejas nascentes no mundo helênico. Para ser coerente, quem defende que toda teologia é relativa, imperfeita e subjetiva, e que é válida somente dentro dos limites da cultura e da geração em que foi produzida, não poderia aceitar para hoje a teologia de Paulo, a de Pedro, a de João, a de Isaías. Teria de rejeitar as Escrituras como um todo, pois elas são a teologia de Israel e da Igreja, elaboradas em uma época e em uma cultura completamente diferente da nossa.

Para dizer a verdade, há quem faça isso mesmo. Os antigos liberais faziam. Para eles, a Bíblia nada mais era que a teologia (ultrapassada) dos seus autores. O Cristianismo se reduzia a valores éticos e morais, que eram as únicas coisas permanentes nesse mundo. Eu admiro e respeito os antigos liberais. Os de hoje, precisariam assumir o discurso relativista e levá-lo às últimas conseqüências. Pode ser que não conseguiriam absolutamente nada com isso, como acho que não vão conseguir. Mas, pelo menos, teriam o meu respeito – se é que isso vale alguma coisa.

Nota:
[1] THISELTON, Anthony C., The Two Horizons: New Testament Hermeneutics and Philosophical Description (Grand Rapids: Eerdmans, 1980).

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Ou Deus ou Mamom

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Por Renato César


O Senhor Jesus foi enfático ao fazer oposição entre o amor ao dinheiro e o serviço a Deus (Mt 6:24). Para ele, ambos são mutuamente excludentes. Entretanto, deve ficar claro que o Mestre não condenou em momento algum o uso do dinheiro. O ministério de Jesus foi apoiado financeiramente (Lc 8:3), de tal forma que havia um tesoureiro entre os discípulos (Jo 12:6). É importante frisar esse aspecto para que não se caia no extremo de condenar a utilização do dinheiro como meio de troca. Então, como já está evidente no próprio versículo, Jesus fazia referência ao “amor ao dinheiro”, que em outras palavras refere-se à centralidade que ele tem na vida de muitos homens, no lugar de Deus.

Como em quase tudo na vida, o que Deus leva em consideração não é o que fazemos, mas a motivação com que fazemos. Assim, não há nada de errado em se querer ganhar mais dinheiro. Contudo, Deus sonda nossos corações e sabe o porquê de querermos prosperar financeiramente. E é neste ponto em que está o cerne da mensagem que Cristo quis passar.

O amor ao dinheiro nada mais é que o amor a si mesmo. Ter mais dinheiro é, em geral, sinônimo de status, poder e conforto. Tudo isso, entretanto, está ligado ao desejo da carne, e não às aspirações de um cristão preocupado com o Reino de Deus. O dinheiro possibilita a satisfação de desejos e ambições que em um ser humano não regenerado nada têm a ver com a vontade de Deus.

Entretanto o que de fato me preocupa não é a forma como o ímpio faz uso de seu dinheiro, mas como cristãos, ou mais precisamente os evangélicos, o tem gasto. Eu fico intrigado ao ver carrões estacionados em frente às igrejas, muitas vezes trocados anualmente, enquanto alguns membros da mesma comunidade padecem com a falta do mínimo para viver. Pergunto-me se estou sendo radical ao me incomodar com o desfile de vestidos e joias a cada novo culto ou se só eu estou vendo que a vaidade parece gritar mais alto que as vozes que adoram a Deus durante o louvor. Não consigo ver coerência entre o discurso de priorizar o Reino de Deus sobre todas as coisas e o tratamento que muitos empresários cristãos dão a seus empregados, submetendo-os a um regime de trabalho quase escravista na ânsia de obter mais lucros.

A sensação que me vem ao conversar com alguns cristãos é de que o dízimo é uma taxa que permite a livre utilização dos outros 90% unicamente na satisfação de desejos egoístas. E aí vem os tablets e smartphones para todos os membros da família, além das roupas e calçados de marca, sem se esquecer dos óculos de grife e demais utensílios que possam adornar o corpo e tapar, ainda que só por um breve momento, o buraco existencial que existe na alma.

Como eu já disse anteriormente, as palavras de Jesus trazem um ensino bem mais profundo que uma leitura superficial do texto possa sugerir. O centro da questão está relacionado ao chamado feito a cada um de nós para negar a si mesmo e carregar a própria cruz (Lc 9:23). Alguém que ama o dinheiro ama muito mais a si próprio que a Deus e a seu próximo. Quem ama o dinheiro está preocupado em satisfazer a si mesmo muito mais que agradar a Deus ou ajudar a alguém necessitado. 

O amor ao dinheiro apenas revela o que há por trás da máscara que vestimos. Mas o que mais me entristece e preocupa é que eu e você podemos estar vestindo a máscara da religião, tentando maquiar com dízimos e ofertas o Mamom que pode estar reinando em nossos corações. Que Deus tenha misericórdia de nós!

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Sobre o autor: Cristão reformado, formado em administração de empresas e teologia, membro da IPB - Fortaleza/CE.
Artigo enviado por e-mail.
Contatos com o autor: renatocesarmg@hotmail.com