O que é Heresia?

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Por Antônio Pereira Jr.


“Tende cuidado para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo”. Colossenses 2.8

Para a maioria das pessoas os termos: seita, heresia, apologética etc, é de difícil elucidação e trazem, na maioria das vezes, confusões e discrepâncias. Talvez por falta de informação e formação teológica, muitos líderes estão ministrando heresias destruidoras no seio da igreja cristã. Isso é deveras preocupante. Termos como: conversão, arrependimento, regeneração, justificação, propiciação, dentre outros, estão sendo substituídos por: decretar, maldição, reivindicar, apossar-se, tomar posse da bênção etc.

Urge a necessidade de, mais do que nunca, o líder estar de acordo com 1Tm 3.2 que diz: “é necessário, pois, que o bispo seja… apto para ensinar”. Mas a aptidão ao ensino só vem com esmero estudo das Escrituras Sagradas, o que muitos não querem. Preferem copiar a moda vigente. A “Teologia do Momento” é muito mais atraente e fácil. Traz satisfação ao ego, massageia a nossa alma narcisista. O evangelho do aplauso é mais vistoso do que o evangelho da cruz. Dá mais status.

Amados, devemos lembrar-nos do que diz o apóstolo Paulo: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Tu , porém, sê sóbrio em tudo , sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério”. 2Tm 4.3-5

Enquanto muitos estão embriagando-se com os sistemas hodiernos de uma eclesiologia doente, somos advertidos para sermos sóbrios no meio dos bêbados-hereges. Paulo diz-nos que para cumprirmos o nosso ministério não é preciso tomar um porre de pseudodoutrinas. Basta sermos fieis aquele que nos chamou.

Mas, afinal, o que significa as palavras seita e heresia? Ambas derivam da palavra grega “háiresis” , que significa escolha, partido tomado, corrente de pensamento, divisão, escola etc. A palavra heresia é adaptação de “háiresis”. Quando passada para o latim, “háiresis” virou “secta” . Foi do latim que veio a palavra seita. Originalmente, a palavra não tinha sentido pejorativo. Quando o Cristianismo foi chamado de seita (At 24.5), não foi em sentido depreciativo. Os líderes judaicos viam os cristãos como mais um grupo, uma facção dentro do judaísmo. Com o tempo, “háiresis” também assumiu conotação negativa, como em 1Co 11.19; Gl 5.20; 1Pe 1.1-2.

Em termos teológicos, podemos dizer que seita refere-se a um grupo de pessoas e que heresia indica as doutrinas antibíblicas defendidas pelo grupo. Baseando-se nessa explicação, podemos dizer que um cristão imaturo pode estar ensinando alguma heresia, sem, contudo, fazer parte de uma seita.

Vejamos ainda algumas definições de apologistas famosos:

1ª “um grupo de indivíduos reunidos em torno de uma interpretação errônea da Bíblia, feita por uma ou mais pessoas”. Dr. Walter Martin.

2ª “é uma perversão, uma distorção do Cristianismo bíblico e/ou a rejeição dos ensinos históricos da Igreja Cristã”. Josh McDoweell e Don Stewart.

3ª “Qualquer religião tida por heterodoxa ou mesmo espúria”. J. K. Van Baalen.

A palavra doutrina vem do latim “doctrina”, que significa ensino. Referindo-se a qualquer tipo de ensino ou a algum ensino específico. Algumas pessoas confundem doutrina com a questão de usos e costumes. Alguns falam: “a minha igreja tem doutrina”. Quando, possivelmente, lá existam na realidade muitas heresias. O verdadeiro ensino bíblico e teológico é que constitui a verdadeira doutrina.

Apologia significa defesa. Algumas pessoas fazem apologia às drogas, ao crime etc, mas dentro da heresiologia, apologia significa fazer uma defesa da fé cristã ortodoxa. Defender a igreja contra ensinos de demônios e de homens cujo deus é o ventre. É defender a fé que “de uma vez por todas foi entregue aos santos”. (Jd 3). O trabalho do apologista é difícil e, muitas vezes, incompreendido até mesmo dentro de sua denominação.

Quando o apóstolo Pedro nos pede para “…estar sempre preparados para responder com mansidão e temor a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1Pe 3.15); a palavra “responder”, é apologia. Ou seja, Pedro nos diz que devemos estar preparados para fazer uma defesa segura de nossa fé. Como alguém que está sendo acusado em um júri. Será que todos nós, líderes, ovelhas e pastores, temos esta condição de sermos apologistas da fé cristã? Ou estamos descendo de ladeira abaixo rumo às falácias de homens incautos e arrogantes, que “não sabem o que dizem sem as coisas sobre as quais fazem ousadas asseverações?” Pois são pessoas que “resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé”. 2Tm 3.8b.

Portanto, as heresias podem ser encontradas em vários lugares. Muitos se enganam por pensarem que heresias existem apenas nas seitas conhecidas. Existem heresias destruidoras nas mais diversas igrejas, inclusive nas que se proclamam cristãs ou evangélicas. Que Deus nos dê a Sua graça, e nos ajude. Parafraseando Lutero: que a nossa mente esteja cativa à Palavra de Deus.

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Fonte: NAPEC
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A roupa nova do imperador e a igreja brasileira.

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Por Antônio Pereira Jr.


“Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles; e é o que deseja o meu povo. Porém, que fareis quando estas coisas chegarem ao seu fim?” Jeremias 5.30-31. Leia ainda Jeremias 23.9-33; 28.1-4; Ezequiel 13 e 14.

Você já ouviu falar de Hans Christian Andersen (1805 – 1875), autor de inúmeros contos infanto-juvenis? Não? Ele escreveu “A Roupa Nova do Imperador”, você lembra dessa história? Não? Tudo bem, eu sei que faz tempo que você deixou de ler histórias infantis. Vou tentar refrescar a sua memória. A história é mais ou menos esta:

Há muitos anos havia um Imperador que era apaixonado por roupas novas e gastava todo o dinheiro que possuía com elas. Tinha um traje para cada hora do dia. Certo dia chegou a sua província dois vigaristas. Fingiram-se de tecelões e disseram que possuíam um tecido especial. Esse tecido possuía a qualidade de ser invisível a todos que não seriam capazes de exercer as suas funções. Como também, distinguia os tolos dos inteligentes. Logo, o imperador entregou-lhes muitas sedas e ouro para a confecção do traje. Os vigaristas guardavam todo o material e sempre pediam mais ao monarca. No entanto, nem um só fio era colocado no tear, embora eles fingissem continuar trabalhando apressadamente. O Imperador mandou súditos para examinarem a roupa, e ele, embora não vendo nada, temiam relatar o que estava acontecendo, para não serem tachados de tolos e incapazes de exercerem as suas funções.

Sempre diziam: “Que traje maravilhoso, é de uma beleza fenomenal”. Quando ficou pronta o imperador foi participar de um cortejo onde queria exibir sua mais nova roupa – já que em toda a província a fama do suposto tecido havia se espalhado. De repente, alguém grita: “O imperador está sem roupa!” Houve o maior frisson no império. Só ai o monarca percebeu o quão tolo havia sido.

Mas o que isso tem a ver com a igreja brasileira? Há muito que aprender com esse conto. Muitas das inovações no seio da eclesiologia brasileira não passam de histórias fantasiosas. Seria até cômica se não fossem trágicas. Há muitas heresias e “espiritualismo” travestido de roupa nova. Vigaristas da fé estão espalhados aos borbotões. Pessoas, até mesmo sinceras, dizem estar vendo algo que não existe. Prega-se uma “espiritualidade sensitiva”, onde o sentir é mais importante que o saber. Isso é espantoso, é horrendo.

Jó disse: “bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido." – 42.2. Bem sei (hb yada‘), ou seja, conhecer por experiência, perceber, ver, descobrir e discernir. Infelizmente, os cristãos, hoje, não querem saber, querem sentir. Muitos, a semelhança dos súditos, continuam dizendo: “Que traje maravilhoso, é de uma beleza fenomenal”. O povo quer espetáculo? Vamos dá espetáculo! Como nos diria Jeremias: “… profetizam falsamente”. Prometem o que não podem cumprir.

Precisamos usar de honestidade ministerial. As tentações para transformar o nosso culto em “roupas novas” são muitas. Afinal, “… é o que deseja o meu povo”; diz o Senhor. Precisamos parar de ver espiritualidade onde, na realidade, só há carnalidade e culto narcisista. Deus é o único que merece toda a nossa honra, glória, louvor e adoração.

Quando Ele mandar, falemos, mas, se não mandar, é melhor ficar calado, pois seria muito perigoso desobedecer ao Senhor. Lembrem-se, somos embaixadores e como tal não podemos falar o que não nos foi ordenado – 2Co 5.20. Prefiro ser sincero com Deus e com as pessoas ao invés de “ver” o que os “sábios” e “inteligentes” querem. Não proclamemos o que Deus não mandou. “Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece”. – Jo 9.41. Finalmente, o Senhor nos alerta: “… que fareis quando estas coisas chegarem ao seu fim?” Sola Gratia!

Fonte: NAPEC
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