O uso da apologética numa perspectiva reformada

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O presente artigo trata da necessidade de se usar de argumentos apologéticos de uma perspectiva reformada na apresentação da fé cristã. Após cinco séculos do movimento reformacional, percebe-se hoje em dia a necessidade de se partir dos pontos da ortodoxia bíblica para o diálogo com a cultura. A apologética pode servir para que a Igreja continue se reformando e possa reformar sua sociedade.

No ano que marca 500 anos de Reforma Protestante, é salutar a reflexão sobre esse movimento que mudou o curso da história mundial. Considerando que muito já foi escrito sobre esse momento da história, este artigo busca defender a natureza da Reforma como sendo apologética, em defesa da fé cristã esposada na Bíblia, e sua contribuição para a reflexão atual por parte dos cristãos que dialogam com a cultura.

É notável que as Escrituras Sagradas podem alcançar homens e mulheres, e transformar toda uma sociedade. Por isso, nesses tempos, marcados por crises institucionais e eclesiásticas, o resgate do Evangelho e a reflexão sobre o mesmo podem contribuir para a teoria e ação cristã.

A Reforma Protestante foi um movimento de defesa da fé cristã, seus princípios e sua cosmovisão bíblica, de modo a oferecer aos crentes em Cristo um caminho interpretativo reformado e relevante para uma constante busca de se reformar, como cristão individual e como Igreja local, assim como transformar a cultura que esses estão inseridos.

A Reforma Protestante: um movimento apologético

Os séculos anteriores ao XVI foram tempos, minimamente, instáveis. Doenças, a exemplo da Peste Negra, instabilidade política e social, radicais mudanças nas concepções filosóficas, crises de governabilidade pela Europa, e desencontro religioso.

Nessa última esfera, emergiram algumas tentativas de Reforma interna à Igreja Católica: John Hus e John Wycliffe, por exemplo, tornaram-se proponentes de mudanças radicais. Além disso, como explica George (1993, p. 26), “essa sensação de mal-estar, essa expressão de que o tempo estava fora dos eixos, aliada à crescente onda das expectativas religiosas, produziu uma época de excepcional ansiedade”. De modo ilustrativo, as obras de arte da época refletiam o anseio do povo.

Para além disso, havia o movimento escolástico que buscava uma síntese intelectual entre o pensamento aristotélico e o ensino bíblico, o que gerava interpretações mais filosóficas do que escriturísticas. George (1993) ainda aponta a presença de interpretações estritamente místicas da Bíblia, assim como, humanísticas.

Diante desse quadro, o pensamento dos reformadores protestantes tinha uma natureza de uma crítica externa à instituição Católica Romana e às sínteses filosóficas seculares com a Bíblia, ou seja, tais teólogos, entendendo a doutrina das Escrituras à parte da pregação eclesiástica institucionalizada e ouvindo à ansiedade do povo, apontaram incoerências presentes nos discursos dos domínios filosóficos e romano-religioso.

Com isso, a natureza da Reforma Protestante foi apologética. Buscou defender a doutrina das Escrituras a partir de um método crítico-gramatical que interpreta a Bíblia pela Bíblia, pressupondo um ensino todo e coerente. Em sua essência, esse movimento reformacional defendia a verdadeira fé e a tradição escriturística, constituindo-se, segundo George (1993, p. 34), como “uma continuação da busca pela igreja verdadeira que havia começado muito antes que Lutero, Calvino ou os padres de Trento entrassem na lista”.

A importância e a necessidade de uma apologética reformada

Segundo McGrath (2013, p. 13), o termo apologia “se refere a uma ‘defesa’, um arrazoado que prova a inocência de um acusado no tribunal, bem como a demonstração de que uma crença ou argumento é correto”. Nesse sentido, na teologia cristã, a apologética busca apresentar uma explicação razoável e racional para as verdades cristãs.

Nas palavras de McGrath (2013, p. 9), “a apologética tem por objetivo converter crentes em pensadores e pensadores em crentes”. Nesse sentido, o mesmo autor elucida que o exercício apologético abrange: o conhecimento das doutrinas e cosmovisão bíblica, e a transmissão eficaz desse saber.

Com efeito, é importante que o cristão aprenda a defender sua fé para demonstrar a amplitude e a profundidade intelectual, moral, imaginativa e relacional de sua crença para os fiéis de dentro da Igreja, e para os incrédulos de dentro dela e de fora. Ajuda, com isso, como coloca Craig (2012, p. 17), a “criar e manter um ambiente cultural em que o Evangelho possa ser ouvido como uma opção intelectualmente viável”.

Uma salutar observação a ser feita é que “o Evangelho só deve causar dificuldades por sua natureza e conteúdo intrínseco, não pela maneira em que é anunciado” (MCGRATH, 2013, p. 14). Isso quer dizer que a reflexão e exercício apologético deve ser feito de modo respeitoso, paciente, generoso, inteligente e simpático (I Pe 3:15-16), a fim de evidenciar o conteúdo da mensagem cristã, e não a suposta superioridade do cristão que debate.

A maior dificuldade nesse sentido, por vezes, é a correta tomada de um ponto de partida relevante e bíblico. Para tanto, a tradição reformada contribui no estabelecimento de uma reflexão e cosmovisão que busca coordenar uma fiel exegese bíblica em diálogo com a cultura a seu redor, ressaltando pontos positivos e contraditando os negativos.

Nessa esteira, a apologética reformada busca questionar ideias falsas sobre o Evangelho e a realidade, e apontar para a Revelação das Escrituras como uma via razoável e digna de confiança, sempre consciente de que os argumentos não podem converter, mas podem preparar um ambiente para a pregação do Evangelho.

Desse modo, a tradição reformada pode servir como um Organon, conjunto de ferramentas de interpretação e reflexão lógico-filosófica, para que o cristão extraia da Bíblia princípios, regras, aplicações para o debate que se apresente. Ou seja, o resgate de doutrinas bíblicas feito pelos reformadores são o fundamento a ser defendido por meio da argumentação lógico-racional.

A necessidade de uma Reforma permanentemente apologética

A Reforma Protestante do século XVI possui um significado permanente para a Igreja de Cristo. “Ela desafia a igreja a ouvir reverente e obedientemente aquilo que Deus disse de uma vez por todas (Deus dixit) e de uma vez por todas fez em Jesus Cristo” (GEORGE, 1993, p. 307).

Nesse caminho, a Igreja deve sempre estar se reformando, já que, composta por pecadores, nunca ficará perfeita até a volta de Cristo. Essa noção é estritamente apologética, no sentido de estar sempre voltando às Escrituras, defendendo-a e se desprendendo das ideias e práticas que lhe ameaçam constantemente.

Ideologias, filosofias seculares, Estadolatria, engenharia social, esfacelamento da linguagem, relativização dos valores, secularismo, ingerência estatal nos assuntos eclesiásticos, ceticismo, teologias liberais são algumas das principais ameaças contra a Igreja hodierna. Contra tais investidas, os cristãos, a exemplo dos Reformadores, devem refletir e sempre voltar: à Bíblia como a revelação fidedigna de Deus ao homem, aos atributos de Deus e a sua imanência na história, à doutrina da criação do homem e de sua queda, à obra, à morte e à ressurreição de Cristo, ao papel e chamado da Igreja, e à esperança de um novo céu e nova terra.

A Reforma permanente deve ser sempre apologética, defendendo a fé e apresentando-a como mais razoável que as propostas seculares. A dizer, os temas principais e basilares do movimento reformacional devem sempre ser preservados, defendidos, ensinados e pregados na Igreja e fora dela.

A atual crise, em várias esferas sociais, vivenciada nos dias de hoje cristaliza o anseio por novas mudanças. Após 500 anos de Reforma, é preciso que se note a necessidade de se reformar de modo razoável e bíblico, oferecendo respostas aos anseios do povo de Deus que sofre nesse mundo, e a uma sociedade que não tem identidade. “Ecclesia reformata semper reformanda”: “Igreja reformada, sempre se reformando”, e reformando ao seu redor.

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Referências bibliográficas
CRAIG, William Lane. Apologética contemporânea: a veracidade da fé cristã. – 2. Ed. – São Paulo: Vida Nova, 2012.
GEORGE, Timothy. Teologia dos reformadores. São Paulo: Vida Nova, 1993.
MCGRATH, Alister. Apologética pura e simples: como levar os que buscam e os que duvidam a encontrar a fé. São Paulo: Vida Nova, 2013.

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Sobre o autor: Anderson Barbosa Paz é seminarista do Seminário Teológico Betel Brasileiro. Bacharelando em Direito pela Universidade Federal da Paraíba. Congrega na Igreja Presbiteriana do Bairro dos Estados em João Pessoa-PB. Atua na área de Apologética Cristã, debatendo e ensinando.
Divulgação: Bereianos
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Série Credo Apostólico - Parte 9: A Remissão dos Pecados

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INTRODUÇÃO

“Creio... na remissão dos pecados”

A mensagem de Cristo é boa nova por nos comunicar que somos perdoados por Deus. Mas, a grande questão é: porque precisamos ser perdoados?

Precisamos receber perdão porque somos transgressores da Lei de Deus. Nosso estado de rebeldia teve inicio quando Adão e Eva decaíram do estado de graça, desobedecendo uma ordem expressa do SENHOR. Depois da Queda, a humanidade continuou sendo a imagem de Deus, só que manchada pelo pecado. Como uma folha em branco que depois de amassada ela continua branca, só que toda amarrotada, perdeu sua originalidade, a sua beleza. Em Tiago 3.9 diz sobre a imagem de Deus, e o “Homem” ali no grego é anthropos que quer mostrar que toda a humanidade – logo, toda a humanidade tem a imagem de Deus só que manchada pelo pecado.

Quando obtemos o perdão pelos nossos pecados, isso é uma preciosa dádiva, pois, não éramos bons ou amáveis aos olhos do Pai, ao invés disso, nosso estado era de depravação total: Ef 2:3; Rm 3:12; Jo 8:34. Nossa consciência estava cativa aos desejos carnais. Vivíamos acorrentados pelos prazeres mundanos e não dávamos um passo sequer na direção de Deus. Estávamos imundos e nos sujávamos ainda mais.

O objetivo deste texto é demonstrar a preciosidade da remissão de nossa pecaminosidade.

SOMOS TODOS DEPRAVADOS

Na era do politicamente correto, falar que o homem é pecador soa agressivo e ofende os ouvidos sensíveis de uma geração mimada e que tem “fé em si mesma”. Mas devemos ser bíblicos e demonstrar que ninguém é bom. Como diz o texto sagrado: Não há um justo sequer (Rm 3:12).

A teologia reformada cunhou o termo Depravação Total para expressar o miserável estado de pecaminosidade. Todo homem caído é depravado desde o nascimento, e o termo total não quer dizer que ele chegou ao limite desta depravação, acreditem, o poço da iniquidade é bem fundo. A totalidade desta depravação é ensinada pelo apóstolo Paulo em sua, digamos, antropologia.

Paulo utilizou sete termos para descrever os aspectos do homem natural/decaído, são eles: alma (psychç); espírito (pneuma); carne (sarx); corpo (sôma); coração (kardia); mente (nous); e consciência (syneidçsis). Veremos abaixo a forma pela qual o pecado afeta cada uma dessas partes, fazendo com que o ser humano, em sua totalidade, seja depravado ao ponto de ser controlado pela intensa e vibrante vontade de pecar.

- Alma (psych): este é o termo antropológico menos citado por Paulo; existem 13 menções, apenas. Quando usado, psych refere-se à vida humana. Em Romanos 2:9, Paulo vincula a alma humana à prática do mal. No entanto, isto não quer dizer que a alma humana seja má em si mesma, mas, por fazer parte do ser humano, está diretamente envolvida na condição geral pecaminosa do homem. Já em 1 Coríntios 2.14, o termo psychikos (material, natural) é utilizado como referência ao homem não regenerado, contrastando com pneumáticos (espiritual).

- Espírito (pneuma): embora seu uso mais comum seja referente ao Espírito Santo, pneuma, na teologia paulina, também é parte inerente ao ser humano. Quando, em 1 Coríntios 2:11, o apóstolo fala no “espírito do homem”, fica difícil de aceitar que o homem recebe o pneuma após a conversão. Mais coerente, é considerar que o pneuma está desativado pela degeneração, e quem o reativa é o Espírito de Deus, no processo de conversão/regeneração. Assim, podemos entender pneuma como sendo a mais elevada representação da natureza humana. Por si mesma, essa natureza não é boa nem má; ela torna-se boa ou má através da influência dominante. Sendo assim, o cristão regenerado tem a natureza sob influência do Espírito Santo, tornando-se, por fim, bom. Em contrapartida, o não regenerado continua escravo do pecado, sendo mal em sua essência depravada.

- Coração (kardia): Paulo utiliza kardia para descrever o local onde nasce a concupiscência dos homens e sua insensatez (Romanos 1:21 e 24). Não é o coração que é insensato, é o homem, com a sua degeneração moral, que o faz proceder deste modo. Para Paulo, em alguns casos, o coração é o centro das emoções, e, em outros, significa a pessoa, em sua totalidade. Ele dirá, ainda, que é no coração que recebemos a iluminação para enxergarmos, através de Cristo, a glória de Deus (2 Coríntios 2:6 e Efésios 1:18).

- Mente (nous): este termo é sempre associado, nos escritos paulinos, ao homem. Diferentemente dos gregos, que faziam separação entre a mente e o restante do corpo como se ela fosse uma faculdade especial. Paulo utiliza nous de acordo com a tradição hebraica, abrangendo o homem como um todo, sem destacar o intelecto das demais partes. Novamente, nous não é boa e nem má em si mesma; seu posicionamento moral vai sofrer a influência do que for predominante – a carne ou o Espírito Santo. No caso dos crentes, suas mentes não são mais vis e cegas como a dos incrédulos (2 Coríntios 4:4), mas, sim, iluminadas e renovadas (Romanos 12:2 e 2 Coríntios 4:6).

- Consciência (syneidçsis): esta palavra pode ser definida como o conhecimento de uma ação acompanhado de uma reflexão. É uma palavra que apresenta o homem como um ser racional. A consciência sabe o que é certo. Todo homem, então, é extremamente ciente de seus atos. Em 1 Timóteo 4:2, Paulo fala da consciência “cauterizada” entre aqueles que são enganados pelos que ensinam doutrina de demônios. O fato de o homem saber o que é certo e não fazê-lo explicita a sua natureza degenerada.

- Carne (sarx): este é o termo mais empregado pelo apóstolo Paulo, e, também, o mais variado em seu sentido. Contudo, queremos frisar apenas o conceito antropológico, que remonta à fraqueza humana, devido à sua natureza terrena. Sarx e pecado estão ligados na teologia paulina ao ponto de o apóstolo a definir como fonte dos maus desejos (Gálatas 5:16). Indo mais além, a carne é uma produtora de pecados; e, em Gálatas 5:19, temos ideia dos seus produtos. Num contexto não cristão, sarx é predominante e conduz à morte (Romanos 7:5).

- Corpo (soma): finalizamos essa análise da antropologia paulina com soma. Aqui, deve-se fazer distinção entre corpo e carne. Sarx não sofre transformação; o corpo, sim, sendo liberto em Cristo da sua influência carnal. Este é o sentido da santificação na vida do cristão. A finalidade de soma é ser morada do Espírito Santo (1 Coríntios 6:19). A mudança de um corpo carnal para um corpo glorificado é progressiva, do mesmo modo que ocorre com a mente. Todavia, o corpo daquele que não for regenerado por Cristo será destinado à morte. Como está escrito: “Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24). Por conseguinte, segundo Paulo, o homem natural não é espiritual. Essa é uma deficiência que só pode ser suprida pelo poder e atuação do Espírito Santo. Não há nada em nenhuma das epístolas paulinas - ou em algum outro ensino bíblico -, que destoe da DT.

PERDÃO VISÍVEL

Ao nos depararmos com esta realidade, passamos a valorizar mais a remissão dos pecados. Até porque ela nos foi oferecida gratuitamente. Não pagamos o preço, mas Cristo sim. Na cruz do calvário, Ele despachou de uma vez por todas o nosso estado de pecaminosidade e rasgou nossa dívida para com o nosso Criador.

“Quando vocês estavam mortos em pecados e na incircuncisão da sua carne, Deus os vivificou juntamente com Cristo. Ele nos perdoou todas as transgressões, e cancelou a escrita de dívida, que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz”. - Colossenses 2:13,14

Louvado seja Deus, pois por mérito do Cordeiro pascoal nós fomos reconciliados consigo. Ao nos contemplar, Deus nos enxerga lavados e remidos pelo sangue de seu Filho. Isto é uma realidade na qual todos os crentes que compõem a comunhão dos santos vivenciam. Este perdão é real. Devemos com júbilo repetir as palavras de Paulo aos crentes de Roma: “Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).

Sempre que a Igreja se reúne, este perdão é celebrado. Devemos então lembrar, que agora temos acesso ao trono da graça e fazer de cada culto uma festa solene, em louvor ao nosso amável Remidor. Além disto, Deus nos deixou dois meios de graça, que são os sacramentos da Ceia e do Batismo, para nos servir como sinais visíveis de nossa redenção. O Batismo, que é o rito de entrada para a Igreja nos comunica que somos lavados, e assim, nosso velho homem morre para que o novo reine por meio do Santo Espírito que habita em nós. Já a Ceia nos faz lembrar do sacrifício que nos conferiu a remissão de nossos pecados.

Ainda sobre os sacramentos, eles não são simples memoriais, vão além disso, nos auxiliando em nossa fé, nutrindo as nossas almas com a presença espiritual de Cristo e nos dando a vívida imagem do perdão que alcançamos pela bendita graça que vem de Deus.

CONCLUSÃO

Mesmo a nossa carne ainda prevalecendo em alguns momentos, devemos ter a noção de que nada muda o nosso status – adquirido por Cristo – perante o SENHOR. Na cruz, nossos pecados passados, presentes e futuros foram remidos. Todavia, isso não quer dizer que não necessitamos de constante confissão.

Nós não confessamos nossos pecados por medo de perder a salvação, pois não a conquistamos por nós mesmos. A confissão é resultado de uma pessoa que está em processo de santificação, e que reconhece, ao pecar contra Deus, que precisa estar em Sua dependência para vencer as tentações e vivenciar uma vida santa em gratidão a Cristo, para o louvor de Sua glória.

O Catecismo de Heidelberg (resposta a questão 56) elucida bem a questão. É com ele que finalizamos:

“Creio que Deus, por causa da satisfação em Cristo, jamais quer lembrar-se de meus pecados e de minha natureza pecaminosa, que devo combater durante toda a minha vida. Mas Ele me dá a justiça de Cristo pela graça, e assim nunca mais serei condenado por Deus”.

Soli Deo Gloria

***
Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos


Leia também:
Série Credo Apostólico - Parte 1: Um Símbolo da Fé Cristã
Série Credo Apostólico - Parte 2: Pai, Todo Poderoso, Criador
Série Credo Apostólico - Parte 3: Jesus Cristo é o Senhor
Série Credo Apostólico - Parte 4: O Redentor no Espaço-Tempo
Série Credo Apostólico - Parte 5: O Padecimento do Cristo
Série Credo Apostólico - Parte 6: A Vitória do Cristo
Série Credo Apostólico - Parte 7: O Espírito Santo em Ação
Série Credo Apostólico - Parte 8: A Santa Igreja Universal 

Não tomemos o nome de Deus em vão

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Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” Êxodo 20:7. [i]

Eu sei que muitos cristãos se sentem constrangidos quando ouvem ou veem piadas que vão de encontro à fé que professam ou ao Deus que seguem. Neste texto nossa intenção é abordar a falta de observância de muitos cristãos que quebram constantemente o 3º mandamento sem observar a seriedade, severidade e exigência do mesmo. A observância e a obediência deste mandamento estão ligados estritamente ao nosso relacionamento correto com Deus, é o verdadeiro testemunho da santidade de Deus e, também, está relacionado ao nosso culto pessoal ao Deus triúno.

Neste 3º mandamento aprendemos sobre a santidade de Deus e que o mau uso do nome de Deus é irreverência. Todo cristão sério deve pensar e se expressar levando em consideração a devida sobriedade e reverência. Não se deve difamar o nome de Deus ou jurar falsamente em nome de Deus, nem muito menos usar piadas levianas levando o nome do Deus Santo. Somos instados pelas Escrituras a cultuar a Deus com a disposição de espirito que seja compatível com a dignidade e solenidade de tal exercício, levando em consideração a majestade de Deus com sinceridade, humildade e reverência. “Para temeres este nome glorioso e temível, o Senhor teu Deus” (Deuteronômio 28.58).

Precisamos entender que o nome de Deus diz muito a respeito de sua natureza e seus atributos. O nome de Deus é tomado em vão quando o usamos sem a devida consideração e reverência, quando lemos a Bíblia podemos observar que os serafins velam seus rostos diante da infinita majestade e glória de Deus. A.W Pink [ii] nos diz:

Existem apenas duas finalidades que podem autorizar o nosso uso de qualquer um de seus nomes, títulos e atributos: para a sua glória e para a nossa própria edificação e de outros. Qualquer coisa além disso é frívolo e perverso, não fornecendo base suficiente para fazermos menção de tão grande e santo nome, que é cheio de glória e majestade.

A citação acima aponta a seriedade e profundidade deste mandamento, precisamos afastar de nós toda hipocrisia. Precisamos destacar que é pecado seríssimo quando professamos hipocritamente em relação ao nome de Deus. O pecado do povo de Israel muitas vezes foi usar o nome de Deus e não obedecer à revelação contida neste nome, assim violava o mandamento.


O cristão deve levar em consideração a solenidade do nome santo de Deus, assim evitaríamos sermos chamados de levianos, irreverentes e praticantes do crime de perjúrio. R. Alan Cole [iii] comentando a passagem de Exôdo 20.7, nos diz o seguinte:

Não tomarás... em vão. No judaísmo mais recente, esta proibição envolvia qualquer uso impensado e irreverente do nome YHWH. Este só era pronunciado uma vez por ano, pelo sumo-sacerdote, ao abençoar o povo no grande Dia da Expiação (Lv 23:27). Em sua forma original, o mandamento parece ter-se referido a jurar falsamente pelo nome de YHWH (Levítico 19:12). Este parece ser o verdadeiro sentido do texto hebraico.

Ao voltarmos para o texto bíblico somos exortados a pensar seriamente e solenemente sobre nosso Deus e como nos relacionamos com Ele e com as pessoas em nosso dia a dia. É quase impossível andar nas ruas e não ouvir o nome de Deus sendo tratado com desprezo blasfemo. As novelas, programas televisivos e redes sociais são terríveis detratores do nome de Deus. Cabe a nós como povo de Deus, eleitos em Cristo, honrar e cultuar o nome santo do nosso Deus. Cessem todas as piadas e brincadeiras inoportunas usando o nome santo de Deus.


Portanto, a finalidade do 3º mandamento é afirmar a santidade de Deus. Não devemos profana-lo nem trata-lo irreverentemente. Este mandamento proíbe qualquer uso do nome de Deus de forma leviana, blasfema e insincera. Devemos reverenciar o nome divino porque tal nome revela o próprio caráter de Deus.

Soli Deo Gloria!

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Notas:
[i] https://www.bibliaonline.com.br/acf/ex/20
[ii] Pink, Artur Walkington, 1986-1952. Os Dez Mandamentos; Tradução Claudino Batista Marra e Felipe Sabino de Araújo Neto – Brasília, DF: Publicações Monergismo, 2009. p.36.
[iii] R. Alan Cole, Exôdo. Ed. Vida Nova, 1981, p. 151.

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Autor: Samuel Alves
Fonte: Electus
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A Importância da Teologia Sistemática Para o Aconselhamento Bíblico

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Introdução

A prática do aconselhamento Pastoral¹ tem sido estudada por muitos teólogos como uma atividade pastoral e cristã. O aconselhamento bíblico é ensinado nas Sagradas Escrituras e é também um meio de ensino da Palavra. Ao tratarmos do aconselhamento pastoral, no entanto, precisamos partir de algum lugar. Esse ponto inicial deve ser, de fato, alicerçado na rocha e não em areia. Ao observarmos todo o conteúdo das epístolas no NT notaremos que a estrutura que encontramos em parte teológica (teórica) e em parte prática, se bem que essa divisão se dá por uma necessidade pedagógica, mas, toda teologia de fato redunda em doxologia. Ao tratar teologicamente, por exemplo, no início de Colossenses sobre a divindade do Filho e o conhecimento de Deus, isso é a base, o fundamento para se tratar de questões práticas que virão na epístola, a seguir nos capítulos posteriores.

Série Credo Apostólico - Parte 8: A Santa Igreja Universal

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INTRODUÇÃO

“Creio... Na santa Igreja universal, a comunhão dos santos”.

Depois de firmar o credo na Trindade, o símbolo de fé passa então a falar da obra do Deus triúno, começando por afirmar a crença de que a Igreja é universal, palavra que passamos a usar para substituir o termo “católica”. Mas, embora muitos evangélicos torçam o nariz para a palavra, devemos reafirmar o conceito de catolicidade, algo que os próprios reformadores reafirmaram. Assim sendo, o que devemos ter em mente quando dizemos crer na Igreja católica ou universal?

O conceito de catolicidade evoca a união da igreja que transcende o tempo e a geografia. Esta Igreja por quem Cristo morreu é composta de pessoas de todos os tempos e vindas de muitos lugares distintos, vinculadas uns aos outros pelo sangue de Jesus. Nesta massa de gerações e culturas diferentes, por uma ação sobrenatural do Espírito, existe unidade, que devemos nos esforçar para preservar, como nos diz o texto sagrado:

Façam todo o esforço para conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz. Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos”. - Efésios 4:3-6

Outro aspecto da catolicidade - ou universalidade – da Igreja é que a sua membresia é diversificada no que diz respeito a idade, gênero e posição socioeconômica, mesmo assim, o Espírito de Cristo produz unidade na diversidade, operando em nós a fé salvífica depositada no Filho de Deus. “Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus” (Gálatas 3.28). Portanto, é de extrema importância pôr em prática este postulado do Credo, pois, a Igreja é o povo de Deus, comprado e remido por Cristo, que se ajunta solenemente em adoração ao seu SENHOR. É neste ajuntamento que Deus se manifesta, e por meio dele opera neste mundo caído.

DESIGREJADO, ISSO PODE?

Existe um movimento que está crescendo nos últimos anos. São os desigrejados, ou os “sem-igreja”. Estes saíram da Igreja por focarem nos problemas institucionais, por terem sido machucados em alguma congregação e até mesmo por nutrir uma visão romântica (e deturpada) da igreja primitiva. Eles parecem não se dar conta de que uma igreja como a que havia em Corinto também faz parte deste período, e nem por isso estava isenta de problemas.

Não devemos deixar de congregar (Hb 10:25). Como disse o teólogo Michael Horton: “A igreja não é apenas para onde vão os discípulos; é o lugar onde são feitos os discípulos”. É na convivência com pessoas diferentes – e algumas delas até não cristãs, embora pareçam ser (lembre-se da parábola do joio e do trigo), que exercitamos a ética do reino: amando o próximo, servindo-o com nossos dons, perdoando quando somos ofendidos e confessando nossos pecados uns aos outros, na disposição de sermos mentoriados. Também é na igreja que recebemos os sacramentos (batismo e ceia) e a partir deles somos identificados como o povo da aliança, desfrutando da fidelidade do Senhor, estando debaixo de suas bênçãos pactuais.

E AS DENOMINAÇÕES?

Dando uma volta a pé ou de carro pela avenida de qualquer cidade grande no Brasil, veremos mais de uma igreja, algumas quase coladas umas às outras. E cada uma portando um nome diferente. A pergunta é: o denominacionalismo não fere a catolicidade da Igreja?

Em algum sentido, as muitas denominações demonstram mais divisão do que união, e isso deve ser lamentado. Pois, as explosões de novas igrejas surgiram de questões que são secundárias (isso entre os séculos XVII e XIX), e o espírito sectário fez com que o caminho mais fácil, queé a divisão ao invés da reconciliação, promovesse esta enxurrada de igrejas distintas. Mas não advoguemos o fim das denominações. Ao invés disso, vejamos como pode ser possível manter a unidade em meio desta miscelânea de igrejas que pensam diferente em algumas questões.

VISÍVEL E INVISÍVEL

A Igreja católica, que é una, geralmente é chamada de igreja invisível. Este termo reflete a questão de que somente Deus conhece aqueles que são seus e os mantém perseverantes até o dia final. Desta igreja há gente de toda língua, tribo e nação (Ap 5.9), todos arrebanhados por Cristo, ligados uns aos outros como membros de um só corpo. Veremos esta igreja, tal como ela é, apenas no Reino dos Céus, após a volta de Cristo que vem para julgar as nações, mas também buscar a sua amada igreja para estar com ele na eternidade.

Já o que chamamos de igreja visível é esta que vemos atuando na terra. As congregações locais e as várias denominações contêm pessoas que são verdadeiramente cristãs e outras não. Lembremos da advertência de Jesus ao dizer que "Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus” (Mt 7:21). Na parábola do trigo e do joio, ambos crescem juntos e serão separados apenas na colheita. Quando Jesus explica a parábola, vemos que a colheita refere-se ao dia do juízo final, assim, só neste evento que serão separados os verdadeiros dos falsos membros da Igreja.

Na presente era, a igreja será imperfeita e as pessoas vão se deparar com pessoas dentro dela que nem regeneradas são. E até mesmo os cristãos, ainda em processo de santificação irão falhar nas relações interpessoais. Mas lembremos que o laço que nos une vem do SENHOR. Por isso podemos superar as nossas diferenças e, mesmo com nossas particularidades, alcançamos a unidade por estarmos debaixo do mesmo pacto.

Engraçado é que olhando para a história, vemos que todo o grupo que se levantou contra as denominações acabou criando uma nova, logo, não é a abolição do denominacionalismo que vai nos garantir unidade, mas podemos nos aproximarmos cientes de que aquilo que nos une é maior do que o que nos separa. Batistas, Presbiterianos, Anglicanos, Congregacionais, Livres e outros podem somar esforços para promover os valores cristãos que são inegociáveis, evitando que questões secundárias sirvam de empecilho para trabalharmos juntos na promoção do Reino.

BASTA DE IGREJAS SEGMENTADAS

Outra frente de batalha para manter firme a catolicidade da Igreja de Cristo é evitar segmenta-la. Recentemente, influenciados pelo modelo de mercado, muitos líderes acabam desmembrando suas igrejas, focalizando determinados nichos para tentar alavancar o número de membros. Com isso surgiram diversas igrejas que focalizam os jovens e fazem com que a sua agenda gravite em torno de muito entretenimento para seduzir o seu público alvo. Outros segmentam o que já está segmentado, e daí temos a igreja dos surfistas, dos skatistas, dos universitários, dos tatuados, dos solteiros e etc.

A Igreja é a composição de velhos e novos, ricos e pobres, homens e mulheres, com tantas diferenças que se não fosse obra divina, seria impossível de se conviver. Todavia, é assim que Deus quer que nos ajuntemos para adorá-lo. Basta de igrejas segmentadas, sejamos unidos em meio as nossas peculiaridades.

UM POVO SANTO

Um dos papéis distintivos da Igreja nesse mundo é que ela remete a santidade de Deus. A Igreja é santa e esta santidade não é propriamente nossa. Assim como a luz que faz a lua brilhar vem do sol, somos santos porque o Deus que nos arregimentou é santo. Pedro nos diz, em carta:

Vocês, porém, são geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo exclusivo de Deus, para anunciar as grandezas daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. - 1 Pedro 2:9

Portanto, é necessário nos portarmos de maneira digna, como requer a nossa vocação para a santidade. A Igreja precisa manter a distinção do mundo e deve perseverar para manter-se pura em meio a uma geração corrompida. A santidade aqui não significa perfeição, ela é gradativa, embora, posicionalmente, já somos santos em Cristo, pois Ele nos santificou quando nos lavou com seu sangue na cruz.

Deus em sua infinita sabedoria, fez da Igreja o local ideal para o desenvolvimento de nossa santificação. Os meios de graça, que são a pregação da Palavra mais a administração dos sacramentos, nos santificam. E na administração destes meios, o nosso Sumo Pastor separou co-pastores para servir as suas ovelhas diligentemente. É dever destes pastores inculcar nos fiéis, pela pregação e pelo exemplo, o estilo de vida santificado. Daí a importância de fazer parte de uma igreja local, se submetendo a liderança que o próprio SENHOR instituiu para dar conta da disciplina na Igreja.

CONCLUSÃO

A Igreja é o Israel de Deus, seu povo santo, que não é mais uma etnia, como na antiga aliança. As fronteiras foram enlanguescidas e não há mais a distinção entre judeus e gentios, pois dos dois povos o Senhor fez um só rebanho (Ef 2.14).

Por sermos povo, não caiamos na tentação da individualidade. A igreja é como se fosse o ecossistema de Deus. É preciso uma relação de interdependência, de modo que todo cristão individualmente precisa estar inserido numa igreja local para desenvolver a sua fé. Assim como determinados seres não se reproduziriam se não houvesse os elementos que compõem o seu ecossistema, não há desenvolvimento de fé no cristão que se exclui - por vontade própria - do ajuntamento dos santos.

O reformador João Calvino costumava dizer que a Igreja é a mãe de todos os crentes, visto que pela Palavra de Deus, ela nos conduz ao novo nascimento, nos educando e nutrindo, através no ministério pastoral ordinário. A Igreja é a coluna da verdade (1 Tm 3.15), pois por meio de seu trabalho evangelístico no mundo, chegamos a conhecer a Cristo, verdadeiro Deus e salvador dos que nele depositam sua fé.

Soli Deo Gloria

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Autor: Pr. Thiago Oliveira
Divulgação: Bereianos


Leia também:
Série Credo Apostólico - Parte 1: Um Símbolo da Fé Cristã
Série Credo Apostólico - Parte 2: Pai, Todo Poderoso, Criador
Série Credo Apostólico - Parte 3: Jesus Cristo é o Senhor
Série Credo Apostólico - Parte 4: O Redentor no Espaço-Tempo
Série Credo Apostólico - Parte 5: O Padecimento do Cristo
Série Credo Apostólico - Parte 6: A Vitória do Cristo
Série Credo Apostólico - Parte 7: O Espírito Santo em Ação
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Como lutar contra o pecado sexual - Parte 1

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Percebo que muitos jovens, mais precisamente os rapazes cristãos, tem tido medo de entender sua própria sexualidade e desejo, rejeitando a existência deste ou o rotulando como algo perverso que deve ser combatido a todo custo. Nisso, muitos têm criado métodos para suprimir os próprios desejos e buscar, assim, o que seria uma santidade perfeita.

Da mesma forma que deixar de pensar sobre uma dor passada não gera perdão, apenas o ato de fugir de uma tentação não tem poder eficaz de mortificar os desejos impuros.

Para o perdão devemos ter uma atitude consciente da vontade para gerá-lo ao encarar a dor e as consequências dos atos dos outros, da mesma forma, para mortificarmos uma reação pecaminosa deve-se agir contra ela ativamente.

Alguns dizem que o beijo, por exemplo, por poder despertar desejos antes da hora deveria ser abolido do namoro e só existir em um contexto de casamento, tal pensamento é errado e se prova ineficaz, uma vez que temos em países islâmicos mulheres que usam a burca que lhes cobre todo corpo, para impedir os desejos sexuais de quem as observam, e os homens dessa sociedade desenvolvem desejos sexuais e fantasias até pela forma que a burca balança ao andar destas mulheres, e se masturbam pensando nisso.

A expressão sexual se manifestará de qualquer forma quando você busca refreia-lá de modo artificial, pois assim poderá agir apenas em um ato, não no fator que o origina.

Quem nunca se excitou sexualmente ao ver a pessoa que ama ou mesmo ao falar com ela ao telefone? Se a intenção de não beijar antes do casamento é válida e eficaz em impedir o despertar sexual antecipado, todas as coisas que também possibilitam isso devem ser abolidas antes de se casar, o que nos levaria de volta aos casamentos onde os noivos só se conheciam no dia do casório, de modo semelhante ao que tínhamos nos tempos bíblicos e, que as famílias faziam a escolha para os noivos e estes apenas obedeciam. O simples contato físico de andar de mãos dadas ou abraçar de modo afetivo pode despertar o desejo no indivíduo. Então, criar esses "sistemas", "métodos" que tem por finalidade prevenir desenvolvimentos de desejos se mostram apenas arbitrários e parciais, nunca se direcionando ao cerne da questão: o coração do homem é impuro, e pode macular qualquer ação por melhor que seja. Tiro por exemplo o casamento que é uma criação de Deus, que disse que não era bom que o homem vivesse só, porém o coração corrompido transforma casamentos (e todos os relacionamentos) em ídolos, onde o "amor" pelo cônjuge se torna a primazia da vida do indivíduo, colocando-o no lugar de adoração que deveria pertencer unicamente a Deus. O casamento que era bom se torna em um problema para esta pessoa.

Chegamos a tal conclusão, de modo claro, ao examinar as Escrituras, onde temos na carta aos Colossenses:

"Já que vocês morreram com Cristo para os princípios elementares deste mundo, por que é que vocês, então, como se ainda pertencessem a ele, se submetem a regras: 'Não manuseie!' 'Não prove!' 'Não toque!'? Todas essas coisas estão destinadas a perecer pelo uso, pois se baseiam em mandamentos e ensinos humanos. Essas regras têm, de fato, aparência de sabedoria, com sua pretensa religiosidade, falsa humildade e severidade com o corpo, mas não têm valor algum para refrear os impulsos da carne." -Colossenses 2:20-23

Atentemos para o final:
"tais regras não possuem valor algum para refrear os impulsos da carne."

Esses métodos, como a ideia já citada de não beijar antes do casamento, não possuem a eficácia de impedir a impureza ou desejo errado, pois este encontrará uma forma de se manifestar. O que temos são regras tratando de uma atitude exterior, mas esquecendo do interior, do motivador que temos, exatamente o que os fariseus faziam, onde temos apenas uma formalidade com aparência de ética cristã e de novo viver, pois nada diante retira um hábito se o coração não for tratado. Uso "coração" aqui como forma livre de me referenciar aos desejos interiores do indivíduo.

Então, como agirmos sobre coisas que podem nos levar ao pecado? Mais uma vez, voltemos às escrituras:

"O Senhor disse a Caim: Por que você está furioso? Por que se transtornou o seu rosto? Se você fizer o bem, não será aceito? Mas se não o fizer, saiba que o pecado o ameaça à porta; ele deseja conquistá-lo, mas você deve dominá-lo." -Gênesis 4:6,7

Aqui vemos bem claro a indicação de como devemos lidar com os próprios desejos errados: mortifica-los como ato racional e ativo. A palavra nos manda mortificar os desejos errados.


Um erro que nós, cristãos, temos assumido é nos recusarmos a assumir que nos deixamos levar, facilmente, por conceitos que temos de nós mesmos, pois fica claro que para muitos basta não fazer algo para serem corretos.

Claro que apoiar-se apenas em nossa vontade contra a carne é um erro, por isso a vida de oração a Cristo e busca é tão importante.

"Pois se vocês viverem de acordo com a carne, morrerão; mas, se pelo Espírito fizerem morrer os atos do corpo, viverão" - Romanos 8:13

Pelo Espírito devemos fazer morrer os desejos. Não por métodos artificiais, não auto suficiência, mas pelo Espírito, e todo resto é vão. O que nos remete a uma vida de oração e luta contra o pecado que nos aflige tão constantemente. E, pelo Espírito, não permitimos que algo comum se torne pecado em nossas vidas.

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Autor: Felippe Chaves
Divulgação: Bereianos
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Aconselhamento cristão versus psicologia?

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Já passa do limite. Do jeito que a coisa vai, muitos psicólogos e conselheiros precisarão de ajuda para resolver problemas de ira e de maledicência. Digo isso entre jocoso e sério. A parte séria, pelo menos, merece uma resposta satisfatória. Mas como satisfazer ambos os lados? A única maneira que vejo, será por meio de romper a barreira e permitir uma boa conversa que provavelmente não convencerá quem não quiser entender, mas que esclarecerá qual seja o limite.

Primeiro, consideremos a relação entre a Bíblia e a psicologia. Explicando aos meus alunos, costumo perguntar: Entre a Bíblia e um livro de psicologia, qual você escolheria? A resposta dos cristãos, na maioria das vezes, é: A Bíblia, lógico! Por mais piedosas que pareçam, qualquer das escolhas é inadequada. Quem diz preferir a psicologia, terá exaltado o livro à altura da Bíblia; quem preferir a Bíblia terá rebaixado a Palavra de Deus à altura da psicologia. Isso é por que os dois são elementos de diferentes categorias. A psicologia é o estudo observacional do homem e a Bíblia é a revelação do criador sobre o conhecimento dele mesmo e da criatura, em uma relação essencial. A Bíblia foi dada ao homem para, entre outros usos decorrentes, ser o critério para interpretação da vontade de Deus, do homem e do mundo – incluindo o livro de psicologia. Não é fato que existem diversos tipos de aconselhamento (vocacional, profissional, legal, médico etc.)? Não existe a expressão aconselhamento psicológico? Poderíamos dizer aconselhamento aconselhar ou psicologia psicológica? Isso mostra que são termos diferentes.

Segundo, consideremos as psicologias. Estranho o uso do plural? Mas é isso mesmo. Cada teoria de psicologia expõe e defende interpretação e processo diferentes e, à vezes, antagônicos. Ora, há uma razão para isso. Deixe-me ilustrar. Imagine uma estrada plana e reta em que, onde a vista alcança, você enxerga algo como uma metade de uma esfera. Um besouro? Uma quenga (meia casca de coco)? Um capacete de soldado? Aproximando-se o objeto, você advinha mais. Uma tartaruga? Um tatu galinha? De repente, você percebe: é um fusca! Bem próximo, a satisfação do conhecimento enche os olhos. Mais perto, um metro, é uma raridade, sem amassado e com a cor original. Quase junto, dois centímetros, e tudo que você vê, agora, é o brilho de um pedaço bem pequeno de cor e luz, impossível de descobrir a natureza. Se existisse elefante polido e pintado, poderia ser um deles. Imagine, então, que diferentes observadores estejam olhando para estradas diferentes, tentando elaborar teorias sobre a natureza de objetos parecidos que se movem na direção deles? Certamente teríamos tantas teorias quantos fossem os observadores. Assim, temos tantas psicologias quantos são os estudiosos dos movimentos internos e externos dos homens. Isso é mau? Não por isso. O Dr. J. Adams, pioneiro da reabilitação do aconselhamento bíblico disse, em What About Nouthetic Counseling (Grand Rapids: Baker, 1976, p. 31), que ele mesmo tirou proveito de estudos psicológicos sobre o sono, e que não vê com maus olhos a psicologia observacional (método científico honestamente aplicado). Ele rejeita, sim, o uso impróprio de abstrações das psicologias como métodos de redenção do ser humano.

Essa perspectiva nos leva a uma terceira consideração: o que é que a Bíblia diz sobre aconselhamento e psicologia? Em 1Coríntios 2.9-16, o apóstolo Paulo disse que nem olhos viram nem ouvidos ouviram, nem o coração humano pode entender o que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Isso, ele disse sobre o conhecimento do homem pelo próprio homem, tanto do incrédulo quanto do crente, dando como referência o conhecimento do Criador. Os crentes, ele continua, recebem revelação do Espírito que a tudo perscruta – as profundezas de Deus e do homem. O método desse conhecimento é, portanto, espiritual e não natural. Aqui, Paulo estabelece a distinção feita acima: o espiritual não é paralelo ao natural nem somente uma questão de divisão interna do homem. Na verdade, espiritual e natural são conceitos que pertencem a categorias diferentes. Além disso, o espiritual é uma totalidade abrangente que compreende e deveria reger o natural. Hoje, tal como os observadores das estradas, vemos algo com forma de homem, mas não entendemos sua natureza nem sua condição. Se o Espírito não no-lo revelar, concluiremos qualquer coisa.

O fato é que o Espírito nos revela, na Palavra, que o homem foi criado bom, que presentemente se encontra decaído por causa do pecado, e que ele é passível de redenção. Ocorre que o homem decaído não entende nem discerne as coisas espirituais. Paulo disse que o homem espiritual escrutina todas as coisas e ele mesmo não é escrutinado por ninguém; o homem natural, por sua vez, não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. A palavra grega traduzida como natural, nesse texto, é psuchikos (psíquico). Você vê outra interpretação senão que o aspecto interior do homem sem Deus, a psique, é o objeto de estudo das psicologias? Não estou esbordoando os psicólogos, mas apenas, dizendo que a consideração do homem somente sob o critério psicológico é considerá-lo fora de sua natureza, descartando sua condição e sem possibilidade de tratar seu verdadeiro problema. Tudo o que as psicologias podem fazer, é tentar adivinhar. Muitas vezes, o gênio que Deus concedeu a todos, crentes e incrédulos, não pode evitar o reconhecimento de coisas verdadeiras no homem e no mundo. Contudo, se falha em considerar a Deus e sua revelação quanto ao homem e ao mundo, ele fica como quem imagina diferentes coisas a diferentes distâncias.

Nem toda a sabedoria deste mundo poderá entender a totalidade do que Deus tem para os seus. Nenhuma psicologia poderá resgatar o homem de seu problema básico. Só Deus, em Cristo, é Redentor e Senhor da humanidade. É certo que, uma vez conhecido o fusca, alguém poderá lavá-lo, consertar suas partes e dirigi-lo, mas jamais poderá lhe conceder vida, mente, vontade e sentimentos. Lembre-se do que Paulo também disse: Ninguém, senão Deus, no Espírito, poderá assegurar a salvação; ninguém, senão Deus Trino poderá assegurar o anseio último da alma, isto é, um senso de dignidade, pertencimento, uma imaginação interpretativa acurada e criativa, nem uma operação interior e exterior que reflita a razão de sua própria criação. Fomos criados para habitar em Deus, para pensar seus pensamentos e para atuar em verdade e amor sobre as obras de Deus.

Você percebe, então, que não se trata de uma rivalidade entre aconselhamento bíblico e psicologia secular? Como Paulo disse em outro lugar, nossa luta não é contra o sangue e a carne (Efésios 6.12). Deverá haver uma psicologia bíblica – biblicamente teológica, antropológica e soteriológica, – que não seja uma visão reduzida do homem de maneira secularmente antropológica, sociológica ou fisiológica. Antes ela deve vir de Deus, ser revelada na Bíblia e ser testemunhada ao coração pelo Espírito Santo. O aconselhamento cristão pretende ter essa noção, mas não está limitado ao homem interior ou exterior. Ele trabalha em todos os limites que Deus preparou e

...manifestou aos seus santos aos quais Deus quis dar a conhecer qual seja a riqueza da glória deste mistério entre os gentios, isto é, Cristo em vós, a esperança da glória; o qual nós anunciamos, advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, a fim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo... (Colossenses 1.26b-28).

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Autor: Rev. Wadislau Martins Gomes
Fonte: Coram Deo
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Sobre os “Iluminados” de Hebreus 6

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O texto em foco diz:

É impossível, pois, que aqueles que uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se tornaram participantes do Espírito Santo, e provaram a boa palavra de Deus e os poderes do mundo vindouro, e caíram, sim, é impossível outra vez renová-los para arrependimento, visto que, de novo, estão crucificando para si mesmos o Filho de Deus e expondo-o à ignomínia. Porque a terra que absorve a chuva que frequentemente cai sobre ela e produz erva útil para aqueles por quem é também cultivada recebe bênção da parte de Deus; mas, se produz espinhos e abrolhos, é rejeitada e perto está da maldição; e o seu fim é ser queimada.” (Hb 6.4-8)

A primeira observação que deve ser feita a respeito de Hebreus 6.4-8, é que, trata-se, nos dizeres de Geerhardus Vos, de uma “difícil e importante passagem” sobre a aliança de Deus com o seu povo.[1] A razão dessa dificuldade está no fato de o autor da epístola mencionar especificamente o aspecto fenomenológico da religião nessa perícope.[2]

Os “.” de Hebreus 6.4-8 eram pessoas que “abandonaram esta assembleia dos santos”.[3] Eram pessoas não-regeneradas, não-eleitas, incrédulas que durante algum tempo fizeram parte de uma igreja visível, mas que apostataram. Muito se questiona acerca de como pessoas ímpias puderam “provar” de vários benefícios, como por exemplo:

1) do dom celestial; 2) da participação comum do Espírito Santo; 3) da boa palavra de Deus; e 4) dos poderes do mundo vindouro. Como tais pessoas puderam desfrutar, em alguma medida, de bênçãos destinadas àqueles que foram os beneficiários diretos do sacrifício substitutivo de Cristo?

D. Mathewson, no seu artigo intitulado Reading Heb 6:4-6 in Light of the Old Testament, lança luz sobre esse questionamento, ao afirmar que, “a linguagem do autor em 6.4-6 é colorida por referências do AT que aludem e ecoam como citação direta”.[4] De forma específica, Mathewson sugere que a referência àqueles que foram “iluminados” lembra a coluna de fogo que alumiou os israelitas através do deserto.[5] Algumas passagens veterotestamentárias podem demonstrar o ponto. Neemias 9.12,19 diz o seguinte:

Guiaste-os, de dia, por uma coluna de nuvem e, de noite, por uma coluna de fogo, para lhes alumiar o caminho por onde haviam de ir [...] Todavia, tu, pela multidão das tuas misericórdias, não os deixaste no deserto. A coluna de nuvem nunca se apartou deles de dia, para os guiar pelo caminho, nem a coluna de fogo de noite, para lhes alumiar o caminho por onde haviam de ir.

O “dom celestial” lembra o dom celestial do maná, que foi dado por Deus ao seu povo quando este se encontrava no deserto (Êxodo 16.15). Em Neemias 9.15 é dito que o pão celestial foi dado aos israelitas “na sua fome”. Por sua vez, a referência àqueles que “se tornaram participantes do Espírito Santo” ecoa a experiência dos peregrinos do deserto, que “tinham extensiva interação com o Espírito de Deus”[6], como é testemunhado em Neemias 9.20: “E lhes concedeste o teu bom Espírito, para os ensinar; não lhes negaste para a boca o teu maná; e água lhes deste na sua sede”.

Após considerar os elementos descritos em Hebreus 6.4-6, Mathewson conclui:“O autor não está apenas aludindo a textos fragmentados e a vocabulário isolado para apresentar uma retórica colorida, mas por aludir a textos que pertencem a uma enorme matriz de idéias ele está evocando o contexto inteiro e história da experiência de Israel no deserto”.[7]

Quando se leva em consideração que os destinatários dessa epístola eram cristãos judeus, essa interpretação se mostra bastante plausível. O autor de Hebreus utiliza a linguagem do Antigo Testamento para descrever um abandono doloroso de uma congregação por parte de algumas pessoas.

Dessa forma, a iluminação recebida, o dom celestial provado e o Espírito compartilhado se mostram bênçãos da graça comum de Deus destinada a pessoas ímpias ou, nas palavras de Charles Hodge, “influências do Espírito concedidas a todos os homens”.[8] Tais pessoas, “tiveram um claro entendimento do juízo de Deus sobre o mundo, das promessas de Deus, o desvendar do mundo futuro; tiveram uma clara distinção do juízo, bem como provaram dos milagres da era apostólica”, afirma o teólogo genebrino Matthew Poole.[9]

No seu comentário a respeito do versículo 4, João Calvino endossa a opinião de que mesmo os réprobos recebem algumas chispas da luz divina:

Mas aqui surge uma nova questão, como pode que aqueles que fizeram tal progresso venham a apostatar depois de tudo? Pois Deus, isso pode ser dito, não chama ninguém eficazmente a não ser os seus eleitos, e Paulo testifica que eles realmente são seus filhos e que são guiados por seu Espírito (Romanos 8.14) e ele nos ensina que, é um seguro penhor de adoção quando Cristo nos faz participantes do seu Espírito. O eleito também está além do perigo da apostasia final; pois o Pai que o elegeu para ser preservado em Cristo é maior do que tudo, e Cristo promete vigiar por eles de maneira que nenhum pereça. A tudo isso, eu respondo que Deus, de fato, favorece apenas os seus eleitos com o Espírito de regeneração e que, por isso eles são distinguidos dos réprobos; pois eles são renovados segundo a sua imagem e recebem a seriedade do Espírito na esperança da herança futura, e pelo mesmo Espírito o Evangelho é selado em seus corações. Mas eu não posso admitir que tudo isso seja alguma razão pela qual Ele não conceda também aos réprobos algum sabor da sua graça, que Ele não irradie suas mentes com algumas chispas da sua luz, ou não lhes dê alguma percepção da sua bondade, e de alguma maneira grave sua palavra em seus corações. De outra forma, o que viria a ser a fé temporal mencionada em Marcos 4.17? Portanto, existe algum conhecimento mesmo nos réprobos, o qual posteriormente vem a desvanecer, porque não possui raízes suficientemente profundas, ou porque elas murcham ao serem sufocadas.[10]

O que pode ser apreendido a partir desse comentário é que, de acordo com Calvino, bênçãos fluidas da obra expiatória de Cristo e destinadas diretamente aos eleitos e salvos como, por exemplo, a iluminação, o dom celestial da Palavra e a comunhão no Espírito, podem ser destinadas, ainda que de forma indireta a pessoas ímpias e incrédulas. Como Grudem acertadamente frisa, “a graça especial, que Deus dá aos salvos, leva a maior parte das bênçãos da graça comum aos incrédulos que vivem no campo de influência da igreja”.[11]

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Notas:
[1] Geerhardus Vos. The Teaching of the Epistle to the Hebrews. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1956. p. 28.
[2] Ibid.
[3] Moisés Bezerril. A Queda dos Iluminados de Hebreus 6.4-6. p. 16. Acessado em 18/08/2011.
[4] D. Mathewson. “Reading Heb 6:4-6 in Light of the Old Testament”, In: Westminster Theological Journal. Ed. 61. 1999. p. 214.
[5] Ibid. p. 216.
[6] Ibid. p. 217.
[7] Ibid. p. 223.
[8] Charles Hodge. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2001. p. 981.
[9] Matthew Poole. A Commentary on the Whole Bible: Matthew – Revelation. Vol. 3. Edinburgh: The Banner of Truth Trust, 2003. p. 737.
[10] John Calvin. Commentary on Hebrews. Grand Rapids, MI: Christian Classics Ethereal Library, 2000. p. 94. Acessado em 25/Ago/2011. 
[11] Wayne Grudem. Teologia Sistemática. p. 554.

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Autor: Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima
Fonte: Electus
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