Deus, ateísmo e a ciência

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Ateus afirmam que a ciência favorece a posição deles. Eles vão argumentar que a ciência tem refutado muitas das reivindicações centrais do cristianismo: por exemplo, que a teoria da evolução tem desacreditado o relato bíblico das origens. É importante que o cristão enfrente esses desafios. E o que eu pretendo fazer aqui é cavar abaixo da superfície destas objeções nos fundamentos da própria ciência. Vou argumentar que a ciência só é possível porque Deus existe. E o avanço científico cada vez mais tem favorecido a visão de mundo cristã.

Raramente é reconhecido que a ciência repousa sobre uma série de pressupostos filosóficos sobre o universo e os seres humanos que a própria ciência não pode justificar. Sem esses pressupostos, a ciência seria fútil.

A investigação científica baseia-se em duas suposições: primeiro, que o universo é um lugar ordenado e racional, e segundo, que a racionalidade do universo se alinha com a racionalidade de nossas mentes. A ideia de que as nossas mentes estão equipadas para descobrir e compreender as leis básicas do universo depende de ambos pressupostos.

Pense nas leis da natureza por exemplo. Quando formulamos a lei da gravidade, presumimos que essas leis se aplicam da mesma forma em todo espaço e tempo. Presumimos que essas leis vão ser o mesmo no futuro como eles foram no passado. Presumimos que essas leis operam em outras galáxias, da mesma forma que eles operam em nossa própria galáxia. Em suma, supomos que a natureza é basicamente ordenada e uniforme, visto que podemos descobrir leis gerais da natureza.

Porém, é impossível que a ciência prove que a natureza é ordenada e uniforme. É impossível o ser humano observar todo o universo em cada ponto do espaço e tempo. Só Deus pode criar o universo de maneira racional e uniforme. Pois se o universo é um gigantesco acidente metafísico, com nenhuma mente racional dirigindo – como os ateus creem – por que supomos que a terra funciona de maneira ordenada e racional? E por que nós devemos assumir que nossas mentes estão equipadas com precisão para entender a realidade?

A visão cristã de mundo, em oposição ao ateísmo naturalista, fornece uma base sólida para a ciência. Se o universo é a criação de um Deus pessoal, cuja mente é extremamente racional e ordenada, e se nossas mentes são projetadas e equipadas por Deus para descobrir verdades sobre o mundo natural, então faz todo sentido exercer a ciência – e temos uma explicação de por que a ciência tem sido tão bem sucedida.

Nenhuma outra espécie neste planeta tem a capacidade de compreender o mundo como nós. Nós somos capazes de raciocinar, somos capazes de reconhecer e refletir sobre nossa habilidade de raciocinar. Nós podemos raciocinar sobre a própria razão, como estamos fazendo agora. Mas de onde veio essa capacidade de compreender o mundo?

A cosmovisão ateísta enfrenta grandes dificuldades para explicar a existência da razão. O problema central pode ser facilmente percebido: o ateísmo está comprometido com a ideia de que a razão veio da não-razão. O universo físico não tem nenhuma mente. Não tem um intelecto ou quaisquer faculdades racionais. O naturalista tem que acreditar que a racionalidade dos seres surgiu de processos materiais inteiramente não-racionais.

A explicação que um evolucionista poderia oferecer é: “Nós humanos gradualmente desenvolvemos a capacidade de raciocinar durante milhões de anos por um processo de seleção natural. Nossa razão nos dá uma vantagem de sobrevivência.” Essa explicação enfrenta várias objeções notáveis.

Podemos facilmente notar que a maioria dos organismos neste planeta sobrevivem e se reproduzem perfeitamente sem a menor capacidade de razão. Sob uma perspectiva evolucionista, não importa se um organismo tem crenças verdadeiras ou crenças falsas.

Se a evolução não é dirigido para nossa mente atingir a verdade, então não temos base para supor que as nossas faculdades intelectuais podem ser confiáveis para guiar-nos para a verdade. Nesse caso, devemos duvidar da verdade de nossas próprias crenças – incluindo a crença no naturalismo. No final, a questão é: qual visão de mundo nos dá o relato mais razoável da própria razão. Uma em que a nossa razão tem sua origem em uma Razão Maior, ou uma em que nossa razão tem sua origem na não-razão? Se nossa capacidade de atingir a verdade depende de Deus, nada pode ser mais incoerente que negar Deus.

Além disso, a cosmovisão cristã fornece a estrutura moral, dentro do qual a ciência pode promover o bem comum. Acreditar que a moral veio da não-moral é tão desastroso quanto pensar que a razão veio da não-razão.

Então se a ciência depende de Deus, quanto mais aprendemos sobre o universo natural mais evidências encontramos para uma cosmovisão bíblica. Por exemplo, aprendemos com as leis da termodinâmica que o universo não existiu sempre. O universo passou a existir. Então, ele simplesmente veio a existência sem motivo ou explicação, ou foi trazido a existência por alguma causa transcendente.

Nós também aprendemos que o universo como um todo e o nosso próprio sistema solar em particular, parece ser afinado em inúmeras formas para possibilitar a existência de vida orgânica. Se as leis da natureza tivessem sido, mesmo que ligeiramente, diferentes do que são, planetas habitáveis ou sistemas solares nunca teriam se formado. A evidência indica que nosso sistema solar é afinado não apenas para oferecer suporte a vida orgânica, mas para acomodar organismos conscientes e para promover a investigação científica por esses organismos conscientes. E a probabilidade disso tudo acontecer por pura sorte é tão minúscula que a hipótese é descartada como uma explicação séria.

Outras descobertas como em química e biologia estão apontando na mesma direção que a física e a astronomia. A origem do DNA é desconcertante para os ateus, porque o DNA carrega informação codificada complexa análogo ao software de computador. Informações só podem ser geradas por fontes inteligentes, não por processos naturais irracionais. Como fazer um software sem um programador? Com o progresso do conhecimento científico, perdeu-se a credibilidade do ateísmo.

O ateu tem promovido um conflito entre ciência e a crença em Deus, mas o conflito é ilusório. O verdadeiro conflito situa-se entre a ciência e a descrença em Deus. A visão de mundo ateísta não pode fornecer qualquer justificação racional para os pressupostos fundamentais da ciência. Ironicamente os cientistas ateus precisam viver pela fé! Estão dependendo de uma visão de mundo centrada em Deus sempre quando se envolvem em seu trabalho científico.

Não é nenhuma surpresa que os pioneiros da ciência moderna como Johannes Kepler, Robert Boyle, Isaac Newton e Michael Faraday eram crentes em Deus, que olharam para o mundo natural através da lente de uma cosmovisão bíblica. A ideia de que o cristianismo é anti-ciência não podia estar mais errada. Quando buscamos ver mais profundamente qual visão de mundo sobre qual a ciência repousa, podemos ver que o oposto é verdadeiro. A própria ciência depende de Deus.

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Autor: Gabriel Reis
Fonte: Gospel Prime
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A difusão do evangelho: o uso de Gênesis 1.28 em Colossenses 1.6

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Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós, desde que ouvimos falar da vossa fé em Cristo Jesus, e do amor que tendes a todos os santos, por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho, que já chegou a vós, como também está em todo o mundo, frutificando e crescendo, assim como entre vós desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade” (Cl 1. 3-6).

Introdução

“A melhor defesa é um bom ataque”, é o que alguns dizem, e é certamente o que Paulo fez nessa carta. Um de seus propósitos era encorajar a igreja em Colossos a resistir ao falso ensino que se propagava entre eles. Pelo fato de ser ocasional, a carta aos Colossenses possui uma Cristologia elevada, por causa da redução funcional e menosprezo ontológico de Jesus Cristo que aquela heresia ensinava. Paulo a combate com veemência, e como é característico em suas cartas, o apóstolo deixa ecoar logo nas saudações e orações iniciais de suas cartas vários temas que irá desenvolver no corpo epistolar.    

Como podemos notar em 1.6, ao contrário daquele falso ensino, possivelmente circunscrito apenas em Colossos, a verdade do evangelho apostólico crescia e se multiplicava em todo o mundo.

O propósito deste artigo é tentar descortinar o significado das palavras “frutificar e crescer” (v.6). Através do desdobramento da revelação da redenção na história, iremos investigar esse “motif” ao longo das Escrituras, para nos aproximarmos com a maior precisão possível do que Paulo tinha em mente quando descreveu a atuação do evangelho nesses termos.

Frutificando e crescendo

Esta perícope possui uma estrutura concêntrica onde Paulo elabora a experiência dos Colossenses no evangelho, refletindo as circunstâncias em que eles ouviram o evangelho pela primeira vez (v. 7-8), e o poder transformador que opera não somente neles, mas em todo o “mundo” (v.6), este último consiste no centro dessa ação de graças (v. 3-8).

A linguagem de “frutificar e crescer” é uma reminiscência alusiva à história da criação em Gênesis. Deus ordena que a raça humana “frutifique e se multiplique” (Gn 1.28; cf. 1.22).

Gênesis 1.28
Colossenses 1.6

Crescei [auxanõ] e multiplicai-vos [plêthyno] e enchei a terra [...] e dominai sobre [...] toda a terra [pasês tês gês]” (LXX).

Frutificai [pârã] e multiplicai-vos [rãbâ] e enchei a terra [...] e dominai [...] a terra” (TM)

Em todo o mundo [panti tõ kosmõ], ela [a palavra da verdade, o evangelho] está frutificando [karpophoreõ] e crescendo [auxanõ]”.

Parece que Paulo se foca no texto hebraico (TM), ainda que a tradução da Septuaginta (LXX) seja viável. Dando um sentido mais literal, Paulo traduz “pãrâ” por “karpophoreõ” (frutificando) e “rãbâ” (multiplicar) por “auxanõ”. 
Podemos notar ainda que Paulo usa uma tradução própria, independente da LXX, reproduzindo a expressão “em toda a terra” por “em todo o mundo”.

Tendo definido os paralelos textuais, passamos agora a ver como esse “tema” de “frutificar e crescer” se desenvolve no Antigo Testamento.

“Frutificar e crescer” no Antigo Testamento

Analisaremos o uso e desenvolvimento de Gn 1.28 no Antigo Testamento, e perceberemos que esse é um tema Bíblico-teológico. 

Após o dilúvio esse mandato é reiterado a Noé e sua família:

“...povoem abundantemente a terra e frutifiquem, e se multipliquem sobre a terra” (cf. 9.1, 7).

A mesma linguagem é usada posteriormente na promessa de Deus a Abraão e aos patriarcas:


E Deus Todo-Poderoso te abençoe, e te faça frutificar, e te multiplique, para que sejas uma multidão de povos; E te dê a bênção de Abraão, a ti e à tua descendência contigo, para que em herança possuas a terra de tuas peregrinações, que Deus deu a Abraão” (Gn 28.3-4).
Disse-lhe mais Deus: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação, sim, uma multidão de nações sairá de ti, e reis procederão dos teus lombos” (Gn 35.11).

O povo de Israel alcançou parcialmente essa benção no Egito:

E me disse: Eis que te farei frutificar e multiplicar, e tornar-te-ei uma multidão de povos e darei esta terra à tua descendência depois de ti, em possessão perpétua.” (Gn 48.4)
E os filhos de Israel frutificaram, aumentaram muito, e multiplicaram-se, e foram fortalecidos grandemente; de maneira que a terra se encheu deles.” (Ex 1.7)

Entretanto, Israel pecou e continuou a pecar, e por causa disso sofreu o julgamento e a dispersão. E é no exílio que a fórmula reaparece e Deus promete reunir Seu povo novamente:

E eu mesmo recolherei o restante das minhas ovelhas, de todas as terras para onde as tiver afugentado, e as farei voltar aos seus apriscos; e frutificarão, e se multiplicarão” (Jr 23.3).

O uso de Gênesis 1.28 em Colossenses 1.6

Uma dúvida pode surgir quanto a essa alusão: Qual a relação entre os textos se Gn 1.28 se refere ao aumento dos seres humanos em “toda a terra” e ao domínio deles sobre ela, ao passo que Cl 1.6 refere-se a palavra do evangelho “frutificando e crescendo em todo o mundo” (Beale, 2014)? Paulo estaria apenas se utilizando do texto com fins retóricos sem se importar com o sentido e contexto original de Gn 1.28?

Para uma resposta satisfatória, precisamos adentrar com maior profundidade ao texto. Gn 1.26-28 é um mandato para Adão refletir a imagem de Deus, uma reflexão implicitamente ontológica e explicitamente funcional (Beale, 2014). Na criação de Adão e Eva, Deus os dotou com capacidades internas para que fossem capazes de sujeitar, dominar e encher a terra com a glória de Deus. Reproduzir filhos para se unirem nessa reflexão da imagem Divina fazia parte do mandato da sujeição/dominação.

De acordo com G. K. Beale, Adão, Eva e sua prole seriam vice-regentes que agiriam como filhos obedientes de Deus, refletindo seu glorioso e pleno reinado sobre a terra. O que se evidencia já em Gn 1 – 3, sendo também relevante para Colossenses 1.6 (e 10), é que a obediência à palavra de Deus era crucial para realizar a incumbência de Gn 1.26,28 (2014, p. 1042).

Adão, Eva e sua descendência deveriam refletir a imagem de Deus e espalhar Sua glória por toda a terra. Mas como sabemos, tanto o primeiro casal como sua descendência falhou miseravelmente.

Paulo se apropria de forma alusiva a um dos enredos mais importantes da história da redenção. O apóstolo foca na função da palavra de Deus em Gn 2-3 em relação ao cumprimento da comissão adâmica (ibid., p. 1043). A palavra da verdade finalmente começou sua expansão global, conforme Adão foi ordenado a fazer. Não somente no mundo, mas “nos” Colossenses, que foram “libertos do império das trevas” (1.13), o engano e domínio da antiga serpente já não opera em seus corações.

Assim vemos que Paulo não está forçando o texto de Gênesis, antes o interpreta de uma perspectiva histórico-salvífica, e da culminação do evento Cristo. De fato, Jesus é o novo e último Adão, o portador da imagem de Deus (Cl 1.15; 3.10), e os cristãos, pela fé n'Ele, são identificados com Ele através da união pessoal com Cristo.

O objetivo da comissão renovada em Cristo é espalhar a glória de Deus através de uma humanidade renovada (cf. N. T. Wright, 1986, p. 53-54). Como descendência espiritual do Adão escatológico, os fiéis, como participantes da nova criação inaugurada, dão inicio ao cumprimento do mandato outorgado ao primeiro Adão. 

Concluímos que o uso de Gn 1.28 em Cl 1.6 não é meramente analógico. Estamos diante de uma tipologia, pois a repetição da falha em cumprir a comissão de Gênesis apontava para uma humanidade escatológica que finalmente obedeceria ao mandato de Gênesis (Beale, ibid.). 

Conclusão

Concluo esse breve artigo com algumas aplicações práticas. Em primeiro lugar, será oportuno uma análise pessoal do leitor sobre sua própria fé, à luz do verdadeiro evangelho. A fé espúria que se propaga no meio evangélico é fruto do falso evangelho que domina várias denominações. Nada além e nada aquém do puro evangelho bíblico/apostólico deve ser crido. Somente ele é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). Porém crer num falso evangelho é correr em vão e por isso deve ser anátema mesmo se tiver uma suposta origem “angelical” (Gl 1.8). Em segundo lugar, devemos combater esses falsos evangelhos com o verdadeiro. Foi exatamente isso que Paulo fez. Quer fosse o falso evangelho destruindo os gálatas, ou a heresia corroendo Colossos, ou o triunfalismo dividindo Corinto, Paulo sempre estava lá, combatendo o engano da antiga serpente com a palavra da verdade. Ele mesmo diz que foi posto para defesa do evangelho (Fl 1.17). Todos nós temos esse mesmo dever que Paulo, e é por isso que Judas nos exorta a “batalhar pela fé que de uma vez por todas foi dada aos santos” (Jd 1.3). Em terceiro e último lugar, não devemos ficar apenas na defensiva, mas temos que partir para o ataque. E com isso quero chamar nossa atenção para o dever e responsabilidade de cada cristão em proclamar o evangelho em “todo o mundo”. Deus em Sua soberania usa meios para a difusão global de Sua Palavra. Paulo não poderia falar sobre o crescimento do evangelho se ele e os demais tivessem ficado quietos. Como vimos, somos o povo escatológico de Deus, novas criaturas nas quais a imagem de Deus se renova dia após dia em Cristo. E o propósito disso é espalhar a glória de Deus na face de Cristo, avançando o evangelho do reino neste mundo caído.  

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Bibliografia:
Arnold, Clinton E. The Colossian Syncretism. WUNT 2/77. Tübingen: J. C. B. Mohr (Paul Siebeck), 1995.
Beale, G. K. Colossenses, em “O uso do Antigo Testamento no Novo Testamento”, org. D. A. Carson e G. K. Beale. Vida Nova, SP, 2014.
Bruce, F. F., The epistle to the Colossian, to philemon and to the ephesians. NICNT. Grand Rapids: Eerdmans, 1984.
Dunn, James D. G. Epistle to the Colossians and to philemon. A commentary on the greek text. NIGTC. Grand Rapids: Eerdmans, 1996.
Francis, F. O., and Wayne Meeks, eds. Conflict at Colossae. Sources for Biblical Study 4. Missoula: Society of Biblical Literature, 1973
Garland, David E. Colossians and philemon. NIVAC. Grand Rapids: Zondervan, 1998.
Lightfoot, J. B. Saint Paul’s Epistles to the Colossians and to Philemon. Grand Rapids: Zondervan, 1959 (da edição revisada de 1879).
Martin, Ralph P. Colossians and Philemon. NCB. London: Oliphants, 1974.
Moule, C. F. D. The Epistles to the Colossians and to Philemon. CGTC. Cambridge:Cambridge Univ. Press, 1968.
O’Brien, Peter T. Colossians, Philemon. WBC. Waco, Tex.: Word, 1982.
Wright, N. T. Colossians and Philemon. TNTC. Grand Rapids: Eerdmans, 1986.

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Autor: Willian Orlandi
Divulgação: Bereianos
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Mais que um espectador

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Eu amo ver futebol. Acredite ou não, isso é algo que me dá prazer. E antes que você goze de mim, lembre que bilhões de pessoas no mundo gostam também. Eu amo dizer ao técnico do meu time sobre as decisões erradas que ele está tomando. Eu amo compartilhar minha opinião com o juiz sobre suas habilidades de tomar decisões ou sua necessidade de ir ao oftalmologista o mais rápido possível. É muito difícil para mim ficar calado quando estou vendo meu time jogar. O único problema com isso tudo é que ninguém pode me ouvir. Bem, talvez meus vizinhos possam. Mas aqueles realmente envolvidos no jogo não conseguem. O técnico, os jogadores e o juiz não têm a menor ideia que existe um cara, a milhares de quilômetros de distância, gritando com eles por meio da tela da televisão.

Essa mentalidade de espectador é o que vemos muitas igrejas. Muitas pessoas aparecem pensando que a Igreja está lá para servi-las. Na verdade, se formos honestos, admitiremos que  todos nós pensamos assim naturalmente. Todos nós nascemos achando que o mundo existe por nossa causa. Muitos jovens pastores, como eu, realmente encorajam isso. Eles organizam a igreja para que ela pareça um show de rock, com um mini sermão ali no meio, que dificilmente durará mais que 20 minutos. A Bíblia é deixada de lado e o culto parece ter sido feito para que os não crentes se sentissem bem-vindos e confortáveis.

O autor de Hebreus pensava diferente. Ele estava convencido que ser parte da Igreja significa ser mais que um espectador. Na verdade, ele incentiva que todos os crentes sejam participantes ativos. Em Hebreus 10.24-25, nós achamos uma famosa passagem, a qual nós, usualmente, corremos para ela quando achamos alguém que se diz cristão, porém não frequenta a igreja. Apesar de ela ser, certamente, uma passagem que diz “não falte a igreja”, ela é muito mais. Em apenas dois versos curtos, nós temos cinco mandamentos, os quais podem mudar radicalmente o nosso domingo.

A primeira coisa que devemos fazer é nos PREPARAMOS para o domingo

Consideremos-nos…”

A palavra “considerar”, no verso 24, implica que nossa mente precisa estar engajada no domingo. Isso significa que nossas mentes precisam estar alertas. Isso significa que devemos estar em forma. Não acho que seja exagero dizer que nós não estaremos totalmente alertas no domingo de manhã, se não tivermos uma boa noite de sono. É por isso que dizem que o domingo de manhã começa no sábado à noite. Nós precisamos estar descansados. Não só para sermos bons ouvintes do sermão, mas porque estaremos mais alertas e dispostos a servir e a encorajar os outros. Isso implica que devemos estar preparados para a Igreja. Significa que nós não estamos lutando para que tudo esteja pronto na porta no domingo de manhã. Talvez deixar o almoço pronto, as roupas já escolhidas, as bíblias e computadores já no carro, no sábado à noite podem prevenir o drama de manhã. Outro aspecto chave é manter nossa mente pensando no Senhor e nos outros, em vez de pensar nas coisas mundanas. Fazer uma maratona na Netflix antes de ir para a igreja provavelmente não é uma boa escolha. Nós, provavelmente, iremos ficar pensando no que acontecerá com nossos personagens favoritos, em vez de pensarmos em como podemos servir nossos irmãos e irmãs.

Na palavra “considerar”, também está implicado o fato que não pensaremos no próximo naturalmente. Para isso, é preciso preparação. Precisamos nos lembrar de fazer isso. Devemos treinar nossas mentes a pensar sobre o próximo quando vamos à igreja. Isso significa em sobre como Deus pode nos usar. Enquanto estamos dirigindo para o culto, nós devemos pensar e nos relembrarmos de que estamos prestes a fazer algo muito importante. Talvez a coisa mais importante que devemos fazer. Devemos celebrar a ressurreição de Cristo, nos submeter à pregação da Palavra de Deus e participar do crescimento da igreja local. Você pensa em como você pode abençoar seus irmãos e irmãs, enquanto você se dirige à igreja?

Somos instruídos a constantemente PRATICAR o pensar sobre o próximo

consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras…”

O autor de Hebreus diz que devemos considerar como devemos estimular uns aos outros. A palavra “como” está carregada. Isso não é simplesmente aparecer na igreja e despejar o que aprendemos durante a semana em nosso tempo com o Senhor. É exatamente essa a consideração que nossos amigos precisam. Isso varia de pessoa para pessoa. Nós realmente devemos conhecer as pessoas ao nosso redor e saber como podemos encorajá-los. Quando o meu time de basquete no ensino médio se preparava para um jogo, nós assistíamos a um jogo gravado e tentávamos encontrar o ponto fraco dos outros times. Se eles eram muito rápidos, nós iríamos passar a bola para nossos jogadores altos. Se eles fossem altos, porém devagar, nós iríamos nos por em guarda e ditar o ritmo do jogo. Se eles fossem altos e rápidos, bem, aí seríamos esmagados. Mas você entendeu o ponto. Nós não tratávamos nossos oponentes da mesma forma. Muitas vezes, como cristãos, nós estamos tão focados em nós mesmos que não temos a menor ideia de como incentivar as pessoas em nossa volta à piedade. Tessalonicenses 5.14 capta essa ideia perfeitamente. Além de nos dizer que devemos ser pacientes sempre, ele também nos ensina a tratarmos as pessoas de maneira diferente, baseados em suas necessidades. Nós devemos estar ativamente estudando e cuidado das pessoas ao nosso redor, para que possamos cuidar apropriadamente de suas almas.

Devemos buscar uns aos outros

consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras…”

A palavra “estimular” é normalmente usada no negativo. É algo provocativo. É desafiar alguém a ir a algum lugar onde ele, naturalmente, não quer ir. Na carne, naturalmente nós não fazemos boas obras. Somos todos propensos a vaguear. Nós precisamos procurar uns aos outros e nos incentivarmos a sermos piedosos. Por conta própria, você pode aprender mais sobre Deus, você pode crescer em seu amor por Deus, mas, ao mesmo tempo, você precisa perceber que você não consegue ver tudo sozinho. Todos nós tempos pontos cego. É por isso que ser monge não funciona. Para crescermos na vida cristã, você não deve só gastar tempo com o Senhor, mas, também, estar envolto por crentes. Você precisa deles. E adivinha? Eles precisam de você! Eles precisam que você esteja em forma. Se estamos abrigando pecados em nossas vidas, mesmo em nossas vidas privadas, então, definitivamente, não estamos crescendo em nossa caminhada. E se não estamos crescendo em nossa caminhada, nós não seremos capazes de estimular  o nosso próximo a terem boas obras. Além disso, abrigar pecados faz com que sejamos egoístas e diminuamos as chances de nos apresentarmos prontos para nos reunirmos e servimos uns aos outros.

Somos ordenados a priorizar o encontro

Não deixemos de congregar-nos, como é de costume de alguns…”

Claro, nada disso importa, a não ser que saiamos de nossas camas para irmos à igreja. E parece que a igreja primitiva também lutava com isso. Mas, diferentemente de nós, o impedimento deles não era por besteira, mas por perseguição. Hebreus 10.33-34 nos diz que as pessoas a quem o autor estava escrevendo estavam sofrendo sérias perseguições. Alguns perderam suas casas, outros, a vida. Então a tentação de ficar em casa era algo muito forte. Ainda assim, com esse cenário, o autor de Hebreus os alerta para que não deixem de se congregar. A despeito do fato de estarem sofrendo sérias perseguições, eles eram menos propensos a faltarem a igreja do que a maioria dos americanos! Isso é incompreensível. Devemos lutar por nosso tempo com nossos irmãos e irmãs. É uma loucura faltar a igreja. Você tem um pastor que passou várias horas estudando a passagem da Escritura com o propósito de fazer você mais piedoso! E, espero, você possui vários irmãos indo à igreja considerando as formas pelas quais eles podem estimulá-lo e encorajá-lo a amar e obedecer mais a Cristo! Onde você prefere estar?

Somos chamados a ajudarmos uns aos outros

antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima

É muito interessante como o autor conclui com um chamado a encorajarmos uns aos outros. A palavra “incentivar” não deixa de lado a verdade. Mas ao falar a verdade, faça com mansidão, lembrando-vos uns aos outros sobre as promessas de Deus. É fascinante notar que isso deve crescer com o passar dos dias. É interessante que em Hebreus 10.25 ele conecta isso com a segunda vida. A cada dia que estamos mais perto do dia do retorno do Senhor, devemos crescer no nosso encorajamento mútuo.  O mundo está ficando cada vez mais hostil ao evangelho. A igreja deve ser um oásis para o crente. E nós devemos passar nosso tempo estimulando e exortando uns aos outros a buscarmos Cristo. É interessante como, além de sermos menos propensos a irmos à igreja que os cristãos primitivos, apesar de sofremos menos perseguições, somos menos propensos a pensarmos na volta do Senhor, apesar de estarmos 2 mil anos mais perto disso acontecer. Toda manhã que acordamos, não estamos apenas mais um dia perto de nossa morte, mas, também, estamos um dia mais perto da volta de Cristo.

O autor de Hebreus acredita que pensamos mais no próximo quando vamos à igreja. Ele acredita que se formos fiéis em nossa preparação, prática, busca, priorização e ajuda mútua, seremos fiéis a Cristo e participantes ativos no que Cristo tem feito por meio das igrejas locais de todos os lugares.

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Autor: Jordan Standridge
Fonte: The Cripplegate
Tradução: Victor Bimbato
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Politicamente correto ou vergonhosamente omisso?

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Em nome do “politicamente correto” os cristãos estão se tornando vergonhosamente omissos. A falta de coragem em falar a verdade é mascarada pelo “respeito” e pela “tolerância” que na realidade não é nem uma coisa nem outra, mas, sim, diante da omissão da mensagem que deve ser proclamada, custe o que custar, doa em quem doer.

Em nome do “politicamente correto”:

1) Noé teria visto sua família morrer no dilúvio, pois, anunciar o castigo de Deus ao mundo seria (hoje) uma propaganda terrorista;

2) Moisés teria ficado calado quando viu o egípcio matando aquele hebreu, afinal, seria loucura da parte dele se levantar contra o sistema estabelecido;

3) Ana, mãe de Samuel, hoje teria sido processada por “abandono de incapaz” quando cumpriu sua promessa a Deus de dedicar-Lhe o filho que Ele lhe desse;

4) Elias teria sido um intolerante, agitador e incitador de perseguição quando zombou dos sacerdotes de Baal e de seu culto idólatra, e depois mandou que fossem mortos todos aqueles prevaricadores idólatras;

5) Eliseu teria sido condenado tanto pelo IBAMA por ter usado duas ursas, e pelo MP pelo assassinato daqueles meninos que zombavam do ungido do Senhor;

6) Jeremias seria achincalhado por ser “do contra”, pois, onde já se viu um profeta profetizar “coisas ruins” quando todos os outros profetas só “profetizavam” coisas boas? Na verdade, os falsos profetas (assim como em nossos dias) sempre pregaram o que o povo quer ouvir e não o que Deus de fato manda, como o fez Jeremias;

7) E Ezequiel? Ah! Esse profeta boca suja que deveria passar por uma sessão de psicanálise na melhor linha freudiana, pois, ele só falava de sexo e órgãos genitais, sexo, e órgãos genitais… para repreender o povo.

8) Daniel e seus companheiros seriam condenados (e foram) por rebeldia contra o rei. Onde já se viu um servo de Deus se rebelar contra os governantes?

9) João Batista seria (e foi) chamado de endemoninhado, pois, somente quem tem o capeta no couro come gafanhotos com mel (ainda que em nossos dias algumas culturas saboreiem “iguarias” como essa, mas, aí, dessas culturas dizemos que é normal, e, criticá-las seria “etnocentrismo”);

10) E Jesus? Em nome do “politicamente correto” Ele seria chamado de agitador, perturbador da ordem estabelecida, megalomaníaco (se declara Deus!), absolutista, pois, Se declara como “a Verdade” e não como mais uma verdade.

11) Paulo, Pedro, João, Tiago e os demais apóstolos não passam de um bando de aproveitadores que “institucionalizaram” a Igreja de Cristo dando ensejo para que os muitos pilantras se aproveitassem da ganância travestida de ingenuidade de muitos.

Definitivamente, em nome do politicamente correto a omissão tem se instalado no coração dos cristãos que se acovardam, não têm coragem de chamarem de mal o mal, de denunciarem o pecado seja em quem e aonde for.

“A Igreja de Cristo não foi chamada para fazer relações públicas, mas, sim, dar um ultimato à sociedade” (Rev. Marcos Agripino).

Não fomos chamados para dialogar com o mundo, mas, sim, monologar, pois, pregação é monólogo (e muitas vezes ficamos sozinhos enquanto falamos).

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Autor: Rev. Olivar Alves Pereira
Fonte: Noutesia
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Dois Reinos, “Dois Amores”

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Esse é um dos reductio ad absurdums com os quais os teonomistas contrapõem seus críticos, particularmente os dispensacionalistas, mas também os proponentes da versão radical dos “dois reinos” (doravante R2R). Gary North chamou essa teologia [dos dois reinos] de “hermenêutica da bestialidade”. Respondendo à crítica de Dan McCartney acerca das sanções do Antigo Testamento, North escreveu:

“Em primeiro lugar, ele [McCartney] ignora a assertiva fundamental de Bahnsen: isto é, uma lei casuística que não foi revogada pelo Novo Testamento ainda se encontra em vigor. McCartney não se importa em mencionar essa tese; antes, assume justamente o oposto: se [uma lei] não é reinvocada, então não está mais em vigor. Denomino isto de “hermenêutica da bestialidade”: Jesus não condenou a bestialidade, nem exigiu a execução do indivíduo e da besta, conforme requeria a Antiga Aliança, de modo que hoje estamos livres para decidir se exaramos, ou não, leis quanto a isso[1].  

McCartney segue uma posição bastante típica da teologia dos dois reinos ao dizer que a ética bíblica se aplica somente no âmbito da igreja, de modo que o cristão não pode utilizá-la como base para a lei civil ou para sanções penais civis:

Conforme notamos, o Novo Testamento não apresenta indicação alguma das sanções legais como sendo aplicáveis a qualquer um, exceto Cristo e, por meio dele, seu povo... Com efeito, existe a possibilidade de punição para pessoas dentro da igreja (2 Coríntios 10:6), todavia, isto não envolve autoridade civil ou aqueles fora da igreja (1 Coríntio 5:12), e sua única forma são os graus variáveis de afastamento da comunhão (ser “cortado” do povo)[2].

Desse modo, para o adepto dos dois reinos, as leis civis do Antigo Testamento talvez possuem aplicabilidade somente aos membros da igreja, mas não àqueles que não são membros; mas ainda assim, as sanções penais veterotestamentárias não são aplicadas. Com efeito, eles não podem aplicá-las, visto que as sanções penais civis são, por definição, uma função do Estado civil – e não da igreja.

A posição de McCartney é, basicamente, a mesma defendida por Michael Horton, que analisei ao criticar sua visão sobre o casamento homossexual. Horton afirma:

Cristãos não deveriam buscar promover doutrinas e práticas distintamente cristãs por meio do legítimo poder coercitivo do Estado.

Essa visão extremada significa em essência que os cristãos não podem defender que valor bíblico algum seja promulgado como lei civil, a não ser que um grupo substancial de pagãos concordem com eles. Doutro modo, estaríamos advogando perspectivas “distintamente cristãs”. (Nota: nem mesmo Lutero e Melâncton foram tão longe. Ambos concordavam que o magistrado civil poderia efetivamente aplicar as leis mosaicas caso assim o desejasse, a fim de manter a paz e a ordem. Não se exige do Estado, mas também não se o proíbe de impor leis mosaicas. Evidentemente, embora seja superior em comparação à visão moderna mais radical, tal visão, em si, sujeita a lei revelada de Deus às determinações do homem).

Essa abordagem fornece aos liberais todo o arsenal que necessitam. No momento em que o cristão utiliza o argumento de Horton (e de McCartney), ele essencialmente está dizendo: “Não posso legislar minha moralidade”. Ainda que concorde que toda legislação é inevitavelmente uma expressão da moralidade de alguém – como creio que Horton o faz –, o cristão, todavia, deve (nessa perspectiva) se recusar a defender sua moralidade cristã caso esta seja impopular para com os descrentes na sociedade.

No entanto, isso neutraliza toda a influência cristã na legislação, mesmo que os cristãos constituam a maioria da população. Na verdade, eu diria: especialmente se constituem a maioria da população, visto que, então, eles poderiam ter uma maior influência política. No entanto, nossos proponentes dos dois reinos afirmam que, mesmo nesse caso acima citado, os cristãos deveriam permanecer em silêncio, a menos que os pagãos concordem com eles. Contudo, e no caso de os pagãos não somente não concordarem, mas, pelo contrário, defenderem práticas extremas e abomináveis? Novamente, os cristãos R2R devem permanecer mudos e sofrer o crescimento e prevalecimento dessa sorte de pecados ao seu redor, os quais, por sua vez, serão consagrados nos códigos da lei civil. E, com efeito, isto é o que de fato sucedeu na terra natal da doutrina dos R2R: a Alemanha.   

A hermenêutica da bestialidade na vida real

Devo admitir: até me deparar com um artigo jornalístico esta semana, não tinha conhecimento que a bestialidade havia sido legalizada na Alemanha desde 1969. E o que é mais chocante – é algo aparentemente popular. De acordo com um ativista que “vive com seu cachorro”, há mais de 100.000 zoófilos na Alemanha. Um grupo de interesse atualmente luta para estabelecer sanções penais sobre o ato: uma multa de €25.000 (R$ 93.000). Talvez o fato não nos surpreenda, mas esse grupo se opõe ao sexo com animais não porque tal prática seja iníqua, pervertida, doentia ou algo assim. Antes, é fruto de uma preocupação para com o “bem-estar animal”.

O Dr. Horton possivelmente ficará orgulhoso desse grupo de oposição, já que este não luta por uma posição “distintamente cristã”, porém, pelo contrário, apresenta um argumento “que pode apelar à consciência dos não-cristãos”. Por outro lado, há supostamente um “lobby” ativo a favor da permanência da bestialidade legalizada. Um “lobbyista” exprobou a emenda restritiva à “legislação de bem-estar animal” argumentando que... (bem, provavelmente tu já adivinhaste) ... é errado alguém impor sua moralidade sobre as demais pessoas por meio da lei civil. Conforme suas palavras: “A simples moralidade não tem lugar na lei”.

O mais ferrenho defensor do R2R não teria dito melhor. É quase como se os liberais e pagãos doentios aprendessem a doutrina dos dois reinos e, então, criassem estratégias para usá-la contra os cristãos. Horton e outros argumentam que, para o cristão, “o amor ao próximo” deve substituir as leis veterotestamentárias como a base a partir da qual os julgamentos acerca das questões civis modernas serão realizados. No entanto, também neste ponto a “zoofilia” está mais do que disposta a altercações. A própria organização do ativista, ZETA (Zoophiles for the Ethical Treatment of Animals, Zoófilos em Prol do Tratamento Ético dos Animais), adota a Regra de Ouro como um de seus “princípios”: “1º. Conceder aos animais a mesma bondade que se gostaria de receber”.

Isto nos faz retornar mais uma vez à necessidade para critérios objetivos para o “amor”, tanto no que diz respeito: 1) às ações que deverão ser consideradas como crimes civis; quanto 2) aqueles crimes civis que deverão ser punidos na sociedade. Nenhuma hermenêutica, a não ser a teonomia, pode responder essas questões objetivamente a partir do ponto de vista da Palavra de Deus. A recusa em consentir à própria possibilidade da teonomia permitiu, e justificou, que as maiores perversões e tiranias governassem no domínio civil desde a introdução das doutrinas do R2R na época da Reforma[3]. Voltaremos a isto num futuro artigo...

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Nota:
[1] Gary North, Westminster’s Confession: The Abandonment of Van Til’s Legacy (Tyler, TX: Institute for Christian Economics, 1991), página 211.
[2] Citado em: Gary North, Westminster’s Confession, página 213.
[3] Não levo em conta aqui as perspectivas precursoras à versão de Lutero, embora praticamente as mesmas objeções pudessem ser levantadas contra a maior parte delas (Nota do Autor).

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Autor: Joel McDurmon
Fonte: American Vision
Tradução: Fabrício Tavares de Moraes
Divulgação: Bereianos
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A legitimidade da ordenação dos reformadores

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I. A principal causa eficiente deste chamado é Deus, quem chama o ministro internamente, e provendo-o com seus dons. O corpo que pode compor os ministros é toda a igreja, ou no mínimo a igreja representativa, pastores e presbíteros, ou o conjunto de pessoas da igreja [plebs], e não apenas bispo ou pastor. Os apóstolos não restringiram o privilégio de escolha somente a eles (At 1:23, 6;14:23).

II. Três atos são necessários para um legítimo chamado [para o ministério]: exame, eleição e confirmação.

III. O exame envolve tanto a vida como a doutrina. A vida precisa examinada antes da doutrina; se o comportamento é imoral, ele não pode ser admitido para um exame na doutrina.

IV. O procedimento para eleição é este: pessoas são nomeadas após sincera oração à Deus, do número daqueles que são escolhidos, e dentre eles é selecionado pelo voto da maioria, se votando por viva voz ou pelo levantar das mãos.

V. A confirmação é a indução da pessoa eleita, em que ele é designado para a igreja com oração pública, e seus chamado será confirmado pela imposição das mãos. Bispos não têm um poder superior e autoridade pelo direito divino.

VI. Os papistas ensinam falsamente que este chamado não é legítimo, se o último é feito pelos presbíteros e não pelo bispo.

VII. A igreja reformada aceitou o chamado dos que reformaram a igreja no tempo de nossos pais, não porque ele veio do papado, que foi um câncer na igreja, mas porque eles eram divinamente chamados por Deus e habitados com dons necessários. É objetado que eles eram chamados sob a autoridade papal, então, que deveriam ser rejeitados, pois o seu chamado expirou. Replicamos que é falso acusa-los de rejeição; eles não rejeitaram o evangelho, pelo qual foram chamados para pregar mesmo estando sob o papa, mas eles rejeitaram a corrupção do evangelho. Nem há alguma razão para afirmar que eles foram chamados para pregar a doutrina da igreja romana; se Roma coloca a sua doutrina sob o nome de evangelho, um ministro que encontrando contrária à real verdade do evangelho, poderia falar contra ela pelo privilégio de seu chamado. 

VIII. Nem podem apresentar algum fundamento sobre qual eles são capazes de desafiar o chamado dos nossos ministros de acordo com as regras acima. Antes de tudo respondemos àqueles que nos questionam por qual autoridade ensinamos no modo que Cristo respondeu a quem lhe perguntou: “o batismo de João, de onde vem, do céu ou da terra?” (Mt 21:25). Similarmente dizemos “a doutrina de nossos antepassados, que ouvimos entre nós até os dias de hoje, de onde procede? Se ela está em desacordo, deixamos que mostrem em que artigos; se ela está concordando, então eles não podem atacar o chamado de nossos ministros. Onde quer que a verdadeira doutrina seja encontrada, há ali verdadeiro chamado. E o chamado que corresponde ao exemplo dos apóstolos e a igreja primitiva é legítimo. É óbvio que o nosso chamado é desta natureza.

3. O direito de tomar decisões em matéria de doutrina é que, através dele, o entendimento da igreja em questões de doutrina e resolve controvérsias que perturbam a igreja.

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Autor: Johannes Wollebius
Fonte: Extraído de Texto de Johannes Wollebius, "Compendium Theologiciae Christianae" in: John W. Beardslee III, Reformed Dogmatics: seventeenth-century Reformed Theology through the Writings of Wollebius, Voetius, and Turretin (Grand Rapids, Baker Books, 1977), pp. 144-145.
Tradução: Rev. Ewerton B. Tokashiki, em 25 de Agosto de 2016.
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Todos os cristãos precisam de teologia

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É incrível, como existe no meio evangélico dos nossos dias, cristãos avessos ao labor teológico. Eis uma realidade que nem os reformadores gostariam de presenciar no nosso tempo. Nos últimos dias, percebi isso de forma mais aguda e acentuada. Há nos arraiais evangélicos pessoas que de tal forma rejeitam a teologia, não seria isso um grande contrassenso? Me parece que o discurso do amor é uma antítese ao labor teológico. 

Dificilmente um texto como esse resolveria a questão, dificilmente um sermão pregado no púlpito dia de domingo conseguiria destruir essa fortaleza que existe no coração de muitos. Acredito que, uma clareza de conceitos, processo de ensino e advertência sobre a importância da teologia, provocariam um passo no longo percurso da quebra de paradigmas. 

Não se deve negar que, durante muito tempo, a teologia esteve confinada num mundo acadêmico, toda a questão que envolve a teologia sempre distanciou o público leigo desse privilégio bíblico. Talvez sua linguagem técnica, sua rigorosidade científica, seu aspecto erudito, construíram muros ao invés de pontes para com o público cristão leigo. É possível que, certa "distinção clerical", tenha gerado ao longo do tempo um abismo entre a teologia e os iniciantes no caminho do saber bíblico. 

No entanto, a Escritura afirma e direciona o caminho do sacerdócio universal, não apenas a liderança eclesiástica deve vivenciar o labor teológico, mas, todo aquele que professa ser cristão (1Pe 2.9). Todos os cristãos, a Escritura afirma, devem crescer não apenas na graça, mas também no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2Pe 3.18). Retomemos o ensino bíblico do sacerdócio de todos os crentes! É verdade que entre abismos e muros, o trabalho de criar pontes será bem maior. Lembro-me, várias vezes, em aulas do seminário, professores repetirem: "somos chamados como construtores de pontes e não de muros". 

A ideia que Deus capacita apenas alguns e outros ficam somente como expectadores existe, e tem causado o desperdício e desconforto na causa do Reino. Infelizmente o que se dedica ao labor teológico é visto como orgulhoso, prepotente, sabedor da verdade e que de forma arrogante só sabe criticar ao invés daquele que mesmo sem saber muita coisa, consegue amar sem fazer acepções. Nunca deveria existir essa oposição da teologia e o amor, da teologia e a humildade, da teologia e a piedade. Na verdade, o verdadeiro propósito do conhecimento redundará em adoração através de uma vida piedosa, como testemunho. Esse é o fundamento da teologia, a glória de Deus e uma vida piedosa. 

Como um cristão pensa que se opor a teologia o faz mestre na piedade? A definição da teologia não deveria ser aquilo, que o cristão leigo ou não, deveria admitir buscar todos os dias? Conhecimento de Deus não deveria ser desejado? É importante perceber o fato de que hoje muitos dos que rejeitam essa vida acadêmica, são os mesmo que criticam quem assim o faz, negando por sua própria conduta seu discurso repetitivo e obsessivo por mais amor e menos intelecto. Devemos considerar do mesmo modo quem usa o academicismo como chicote e Bíblia como pedrada. De fato, muitos usam do "tulipar" ou "teologizar" para bater e pisar no corpo no qual Cristo é o cabeça, não sabendo realmente como usar esse labor para a glória de Deus. 

Há passagens bíblicas que mostram claramente a importância da teologia para todo o cristão e o quanto ela está a serviço do povo de Deus. Mais ainda: que existe benefício para todo o povo de Deus em todos os campos do labor teológico. 

• Conforme a ordem dada ao sacerdócio real e a nação santa sobre o anúncio das grandezas de Deus (1Pe 2.9), esse é um ponto que se requer preparo no falar. Não deve ser negligenciado, pois as grandezas de Deus não podem ser anunciadas de qualquer forma. E, a parte da teologia que esmera-se nesse assunto, é a homilética, visto que, não somente prepara bem o pregador para o púlpito, mas, todo cristão para uma boa transmissão dessa verdade bíblica. 

 A grande comissão nos ordena a fazer discípulos e a forma como devemos fazer é ensinando (Mt 28.19-20), a ordem deve ser obedecida. Devemos ensinar tudo aquilo que Cristo ordenou e isso requer conhecimento sobre Deus, seus mandamentos, sua lei. Como podemos fazer discípulos sem teologia? A teologia nos ajuda a romper com os métodos modernos, para crescer no conhecimento da teologia bíblica e exegética. 

 Pedro, no capítulo 3, verso 15, da sua primeira carta, nos diz que devemos estar preparados para responder à todo aquele que nos inquirir a respeito da esperança que há em nós, a razão da nossa fé. Ou seja, é necessário que tenhamos conhecimento bíblico. Chamamos isso na teologia de apologética, isto é, um discurso de defesa da fé cristã bem embasado nas Escrituras. 

 Há passagens na Bíblia de difícil interpretação, até o apóstolo Pedro concordou com isso (2Pe 3.16), inclusive, nesse mesmo verso, ele fala de homens que distorcem a Escritura para a sua própria destruição. Pedro traz-nos um alerta para que não sejamos enganados, de forma que não suceda perdermos nossa firmeza. A hermenêutica é o campo da teologia que se encarrega de examinar o sentido preciso de uma passagem bíblica. Como disse Pedro, todo cristão deve crescer na graça e no conhecimento de Cristo Jesus. 

Poderia continuar propondo pontos que, de forma clara, são necessários a todo cristão, de fato, todos nós precisamos da teologia. Aprimorar nosso conhecimento a respeito de Deus através da Sua Palavra. Devemos ser inclinados ao labor teológico, ortodoxia e ortopraxia não são opostas, na verdade, são inseparáveis. Sejamos construtores de uma teologia saudável, que seja uma ponte para nossos irmãos da igreja local. Todo cristão deve desejar conhecer a respeito da revelação especial, eis um exemplo claro do conselho de Paulo a Tito:

"Você, porém, fale o que está de acordo com a sã doutrina. Em tudo seja você mesmo um exemplo para eles, fazendo boas obras. Em seu ensino, mostre integridade e seriedade; use linguagem sadia, contra a qual nada se possa dizer, para que aqueles que se opõem a você fiquem envergonhados por não poderem falar mal de nós." (Tito 2.1, 7-8.)

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Autora: Morgana Mendonça
Divulgação: Bereianos
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Comentário de João Capítulo 6

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Nota do tradutor:

Provavelmente você já ouviu alguém dizer que Romanos 9 é a kryptonita do Arminianismo. Se esse é o caso, então João 6 é certamente o golpe de misericórdia. Neste fascinante comentário elaborado pelo Dr. James White, temos a refutação de duas ideias errôneas — porém bastante distintas — que se propagaram no Cristianismo: a transubstanciação e a depravação parcial do homem. Assim como o autor, eu espero que este comentário seja útil para os crentes do Brasil e que ele ajude a Igreja brasileira a buscar um material teológico são. 

Erving Ximendes, agosto de 2016.


Desfazendo Alguns Discursos Progressistas (Parte 4)

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Uma resposta ao artigo: Dez Coisas Que Você Jamais Poderia Votar a Favor Enquanto Segue a Jesus, partes 3, 4, 6 e 7.

Como explicitado na introdução, ficou sob minha responsabilidade responder os itens três (3), quatro (4), seis (6) e sete (7).[1] Não obstante, antes de fazer uma análise acurada dos pontos destacados, permita-nos, caro leitor, apresentar-lhe, grosso modo, um conceito reformado presente em Abraham Kuyper[2] e desenvolvido por Dooyeweerd[3] sobre a soberania das esferas[4]. A visão reformada da sociedade não se centraliza no indivíduo ou em qualquer instituição, mas na soberania de Deus sobre todas as esferas da criação. Em síntese, cada esfera instituída por Deus (a família, a escola, o Estado) possui sua própria autoridade. No entanto, isso não significa que tais esferas sejam independentes. Ora, se todas as esferas são criadas por Deus, cada uma deve responder somente a Ele. Assim, todas as esferas estão submetidas à soberania de Deus.