Conselhos aos iniciados na fé reformada

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Existem três tipos de reformados:

1) Aquele que conhece bem. Geralmente, ele pega um livro e lê do início ao fim, desenvolve uma vida de oração e piedade, exercita a evangelização e sempre tem algo relevante a dizer. Além do mais, ele sempre estuda e nunca está satisfeito com o que já aprendeu e conhece. Ele é participativo na igreja e faz dela a sua família.

2) Aquele que conhece pouco. Geralmente, ele não é dado à leitura, mas é uma pessoa piedosa e, humildemente, sempre se dispõe a aprender, conhecer e ouvir. Ele geralmente fala só quando tem certeza e quando não tem, prefere mais ouvir do que falar. Ele também ama estar com os irmãos e se sente revigorado com a sua companhia.

3) Aquele que sabe "mais ou menos". Esse é o pior. Geralmente, ele não consegue ler um livro inteiro porque tem preguiça, adora citações avulsas de internet, mas se você perguntar a referência daquela citação vai deixá-lo embaraçado porque nem faz ideia da fonte. São duros em suas falas e contundentes em assuntos que não dominam, mas jamais admitem. Adora assuntos polêmicos e quando discute não faz nada além de repetir de modo desarticulado e desastrado o que outros já disseram muito melhor do que ele.

Se você se identifica com esse último, meu irmão, faça o seguinte:

1) Saia agora da internet e vai orar.

2) Concentre-se no seu trabalho. Não deixe de fazer o seu trabalho e desenvolver os seus estudos da faculdade para assumir uma responsabilidade que Deus nunca te deu. Ser reformado não é ficar discutindo com arminiano e pentecostal, perdendo tempo bancando o apologeta, mas, neste caso, é ser um bom profissional naquilo que Deus te chamou para fazer e, eventualmente, talvez, em alguma ocasião você precise defender a sua fé. Mas para isso você terá que estar realmente preparado e, mais importante, ter desenvolvido vida de amor e piedade com o próximo.

3) Em seu tempo livre - repito: "em seu tempo livre" - estude a Bíblia e leia bons livros reformados, do início ao fim, inclusive quando eles começarem a ficar chatos.

4) Não tente vencer um oponente com argumentos, tente ganhá-lo com paciência, moderação e amor. Ele não é obrigado a concordar com você.

5) Admita as suas limitações e ignorância.

6) Quando você pensar em algo que ninguém pensou ainda, saiba que algum herege já pensou antes.

7) Invista tempo com pessoas o tanto quanto você pensa em investir com livros. Crentes são livros vivos e vibrantes, onde Deus tem escrito histórias extraordinárias, pela pena do Espírito, para mostrar como o evangelho de Cristo se confirma e se entrelaça na experiência das pessoas. Leia essas pessoas e você crescerá bastante!

Sobre o primeiro grupo, os reformados de verdade, há algumas subdivisões: os piedosos, os estrelinhas e os que pensam que são estrelinhas...

1) Os piedosos são aqueles que amam a igreja, a Cristo e a missão. Não são apenas os que contém o "ofício" ministerial, mas todo crente aplicado e interessado pelas pessoas, em ensinar, transmitir e contribuir. Não ignoram a ninguém e cultivam um interesse pessoal pelos mais humildes. Geralmente são parceiros, pessoas de oração e ação. São pessoas imprescindíveis.


2) Os estrelinhas não se importam com pessoas, mas só com aquelas que lhe dão ibope. Dão sorriso amarelo para todos que lhe estão abaixo na cadeia alimentar e conquistaram o status "acima da crítica" (ao menos na cabeça deles e dos fãs, tipo Thalles Roberto reformado - "acima da média").


3) Os que pensam que são estrelinhas são os fãs inveterados, ficam alucinados com a atenção que recebem dos estrelinhas e menosprezam os "inferiores sem ibope".


Se você se enquadra nesse último:

1) Vai orar irmão e deixa de ser bobo.


2) Seja um discípulo de Jesus.

3) Seja um discipulador dos mais fracos na fé. Use o seu conhecimento para o bem dos seus irmãozinhos.

4) Pare de mendigar migalhas de atenção dos estrelinhas.

5) Não viva para agradar homens, sob o risco de deixar de ser servo de Cristo.

6) Busque entender qual é a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para a sua vida. Nada é mais libertador!

7) Dê atenção aos irmãos que se aproximam de você, geralmente eles o fazem porque lhe têm estima e desejam aprender algo contigo. Não os decepcione.

Um abraço!

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Autor: Mauro Filgueiras Filho
Fonte: Perfil do autor no Facebook

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A gnose no contexto eclesiástico brasileiro

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Estou certo de que muito já se comentou e analisou acerca da relação quase simbiótica entre o movimento pentecostal e sua cria teratológica denominada “neopentecostalismo”. Com efeito, há textos excelentes que versam magistralmente sobre essa temática, por exemplo, “O gnosticismo e os pentecostais”, de Michael Horton, e “O pentecostalismo e seus danos à Igreja”, do Pr. Marcos Granconato, de modo que quase se torna desnecessária nossa presente tarefa de radiografar a presença viral do gnosticismo no contexto eclesiástico brasileiro.

A busca cada vez mais ávida por experiências extáticas, transes, teofanias, arcanos e mistérios tornou-se efetivamente a chave hermenêutica para se compreender a caoticidade de alguns segmentos carismáticos – e, de fato, seríamos intelectualmente desonestos caso não afirmássemos que não poucas linhas dentro do pentecostalismo têm realizado um importante trabalho evangelístico, acompanhado de uma capacitação ministerial mais profunda e de uma liturgia mais ordenada. Todavia, o que ainda infelizmente impera é a exacerbação mística, a catarse emocional e a tentativa de ressignificar a “liberdade do Espírito” (Gl 5:1), transformando-a em desordem carnal. Conforme já disse John McArthur, em seu livro Caos carismático, é possível, por vezes, atribuir a certos grupos pentecostais a alcunha de “neo-montanistas” – gnósticos que dualizam os cristãos em duas categorias, espirituais (pneumáticos) e carnais (sárquicos), conforme era costume entre os coríntios, e que reivindicam uma suposta superioridade espiritual mediante um conhecimento (gnosis) exclusivo (na maioria das vezes o domínio da “língua dos anjos”).

No entanto, a gnose não é simplesmente uma heresia deslocada, facilmente erradicável e diagnosticável. Pelo contrário, já nos dizia Charles Hodge que a história da igreja é a constante luta entre a gnose e o que podemos chamar anacronicamente de “calvinismo”, ou dito de outro modo, o eterno embate entre a autonomia e autosoteria humana e heteronomia e heterosoteria provenientes de Deus. Desse modo, a gnose sempre ressurgiu ao longo da igreja, sempre reerguendo-se após ter sido mortalmente ferida; basta, pois, contemplar panoramicamente a história para se deparar com os já citados montanistas, os cátaros ou albigenses, a Cabala no século XII em Provença, e, mais hodiernamente, as modernas ideologias, especialmente o marxismo. Ora, a afirmação de que modernas ideologias e cosmovisões seculares que deliberadamente buscaram esvair os princípios religiosos são, na verdade, movimentos gnósticos chocam, num primeiro momento, a sensibilidade e a racionalidade do homem atual. Entretanto, como já vários cientistas políticos analisaram, as ideologias, em especial os movimentos revolucionários, nada mais são do que heresias gnósticas com um fundo religioso mascarado.

Eric Voegelin dedicou grande parte de sua obra à análise dos elementos ordenadores da História e da sociedade, chegando, por fim, à conclusão de que a “ordem da história (nome inclusive de sua magnífica pentalogia) é a história da ordem”, isto é, a tentativa do homem de alcançar a harmonia entre quatro princípios: Deus, cosmos, homem e civilização. Nesse sentido, Voegelin afirma que a escatologia proposta pelos movimentos revolucionários nada mais é do que uma “imanentização do eschaton”, ou seja, uma tentativa de “terrestralizar” a consumação final cristã, uma busca por criar, aqui e agora, os novos céus e nova terra. Portanto, os movimentos revolucionários são apenas a versão atual da antiga torre de Babel, como já disse Dietrich von Hildebrand em sua obra The New Tower of Babel: modern man’s flight from God [A Nova Torre de Babel: o homem moderno fugindo de Deus]:

O emblema da presente crise é justamente a tentativa por parte do homem de se libertar de sua condição de criatura, de negar sua situação metafísica e de se desembaraçar de todos os laços que o ligam a algo que é maior do que ele. Ora, o homem moderno busca construir uma nova Torre de Babel [Tradução nossa]  

As ideologias revolucionárias negam, portanto, toda forma de transcendência, mutilando, assim, a natureza espiritual do homem. Entretanto, como já disse Herman Dooyweerd – seguindo o pensamento de Calvino, o homem é um ser congenitamente religioso; a Queda não eliminou o sensus divinitatis (o senso da divindade) e a semen religionis (a semente da religião), antes, a obscureceu, corrompendo-a a ponto de transformá-la num impulso idolátrico. Desse modo, as modernas ideologias não são antirreligiosas (embora a maioria seja anticristã), mas, sim, religiões distorcidas, idólatras e que, acima de tudo, depravam a Revelação.


Destarte, todas as ideologias invariavelmente usurpam símbolos transcendentais e escatológicos cristãos para, em seguida, imanentizá-los. Ora, a escatologia marxista, sob o governo de um proletariado abstrato, na qual todas as desigualdades econômicas e sociais desaparecerão – ao mesmo tempo em que todas as potencialidades humanas aflorarão plenamente (nos dizeres de Marx e Engels, um indivíduo pode caçar pela manhã, pescar pela tarde e fazer crítica literária à noite, sem no entanto ser pescador, caçador ou crítico); tal escatologia configura-se como uma versão imanentizada da nova terra. Ou podemos citar ainda a ideia sustentada por alguns vegetarianos radicais, segundo a qual a raça humana eventualmente deixará de consumir carne, adotando uma dieta essencialmente herbívora; tal concepção nada mais é do que uma secularização, um esvaziamento simbólico da descrição feita por Isaías a respeito do novo estado inaugurado pelo Messias: “O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará” (Is 11:6).

Portanto, não há neutralidade neste ponto: é impossível ao homem escapar de sua condição inerentemente religiosa; as ideologias se sustentam sobre um fundo inegavelmente religioso; e tal constatação parte inclusive de ateus confessos, como John Gray – em seu livro Missa Negra: Religião Apocalíptica e o Fim das Utopias. Assim, a gnose é um elemento muito mais sutil do que primeiramente pode se pensar, até porque não se trata de um ponto isolado na mentalidade secular, mas, sim, uma cosmovisão integral, um modo de contemplar e interpretar a realidade. Nas palavras de David Koyzis, em seu livro Visões e ilusões políticas: uma análise & crítica cristã das ideologias contemporâneas: “[...] as diversas ideologias se baseiam numa visão gnóstica da realidade, atribuindo a origem do mal a algum elemento da criação de Deus e buscando a redenção num outro aspecto da criação” (p. 82).

Em suma, a gnose é uma espécie de inversão da ordem da criação, é a rejeição absoluta da estrutura da realidade tal como criada por Deus. Semelhantemente ao grito de Mefistófeles, no Fausto de Goethe, o gnóstico cria para si mesmo uma espécie de realidade postiça, com uma estrutura engendrada segundo suas próprias preferências, e não segundo as leis eternas de Deus:


       O Gênio sou que sempre nega!
       E com razão; tudo o que vem a ser
       É digno só de perecer;
       Seria, pois, melhor, nada vir a ser mais.
       Por isso, tudo a que chamais
       De destruição, pecado, o mal,
       Meu elemento é integral (GOETHE, Fausto, 2010, p.139, Editora 34).


Porém, alguém pode presentemente indagar-se acerca da relação entre ideologia, pentecostalismo e gnose, bem como a razão desse périplo acima nas várias teorias religiosas e políticas. Ora, nesse momento adentramos num domínio já vislumbrado por alguns, comentado por poucos e raramente criticado, a saber, a presença de  ideologias marxistas dentro de igrejas históricas e formalmente reformadas. Todos são prestos em criticar a gnose descarada nos cultos e práticas pentecostais, mas muito ciosos em apontar os famosos “cristãos esquerdistas” e pastores marxistas dentro das Presbiterianas, Batistas e igrejas reformadas independentes.

Com efeito, ao passo que Roma tem sido assolada pela chamada Teologia da Libertação, nós, protestantes, dado que Deus é hábil para desenvolver cruzes para seus seguidores (A.W. Tozer), somos açoitados pela Teologia da Missão Integral. No entanto, esta corrente é deveras popular somente nos meios teológicos acadêmicos, de forma que, na sua vida prática, nossa eclesiologia se vê afligida por outro flagelo, dissimulado sobre uma máscara de neocalvinismo de Kuyper, a saber, a execrável “liturgia aberta” (assim denominada pelos seus “teóricos”) organicamente unida ao não menos nefando “louvor contemporâneo” (epíteto para canções de teor massivamente sentimentalista emolduradas por melodias homogêneas e simplórias).

Em outras palavras, já é habitual participarmos de cultos presbiterianos e batistas que são regidos não mais por um princípio regulador, mas pela supremacia do sentimentalismo barato; mas não apenas isso – argumentando estarem pondo em prática os princípios de redenção da cultura e graça comum propostos por Kuyper, Bavinck e mais recentemente Richard Mouw, alguns pastores inserem em seus cultos e comunidades versões “samba” ou “reggae” de hinos tradicionais, afirmando que, mediante a redenção realizada por Cristo, até mesmo esses ritmos populares se tornam pertinentes ao culto. Ora, não é nossa intenção presentemente discutir sobre a neutralidade ou não dos ritmos musicais (Michael Horton já tratou disso no seu artigo “Is style neutral?” [O estilo musical é neutro?]), mas sim, analisar se esse era efetivamente o pensamento dos neocalvinistas.

Na verdade, basta uma análise superficial para notar que a aceitação indiscriminada de toda sorte de ritmos sob o pretexto de cumprimento do mandato cultural soa mais como Gramsci do que Kuyper. O receio de postular um parâmetro objetivo do belo e consequentemente uma hierarquia estética tem levado não somente os acadêmicos incrédulos a aceitarem como arte todo tipo de experimentalismo e obras disformes, mas também aos pastores e líderes cristãos a admitirem em suas congregações o relativismo estético marxista, que, como tudo o mais, repudia quaisquer padrões objetivos e imutáveis que possam determinar ou avaliar nosso comportamento ou feitos. E nesse sentido, portanto, são gnósticos ou, no mínimo, intelectualmente desonestos.

Kuyper, em seu livro Wisdom and Wonder: common grace in Science & Art, repudia qualquer forma de relativismo estético; e a redenção da cultura e da arte diz respeito, antes de tudo, à alta cultura (termo cada vez mais raro). Com isso não se pretende dizer que se descarta de antemão qualquer participação ou produção popular, afinal, era notório o cuidado e o empenho de Kuyper em trazer as camadas populares (kleine luyden, a "gente pequena") a uma maior participação política e social. Na verdade, como o próprio teólogo afirmou, para Deus devemos dedicar os melhores frutos de nosso trabalho, incluindo, pois, as mais sublimes produções estéticas. Ora, comparar Hillsong United ou "corinhos de fogo" com os Salmos metrificados de Goudimel ou as composições de Isaac Watts é, no mínimo, sinal de uma completa obnubilação do senso estético – isto para não dizer que se trata de uma depravação do gosto. A liturgia de igrejas que se dizem reformadas deve necessariamente seguir a linha histórica, pois qualquer tentativa de rompê-la, refazendo-a inteiramente, constitui-se antes como ato revolucionário (e, portanto, gnóstico) do que inovador. Nas palavras do teólogo holandês:

Na igreja de Cristo, Ele é o Rei, e é necessário que tudo O sirva. Um organista tocando seu instrumento apenas para si mesmo não compreende, por conta disso, seu chamado; e o cantor que não compõe suas letras segundo a linha histórica da tradição cultual não se santifica, mas peca, caso o som de sua voz sirva apenas para estimulá-lo, e caso, ao conduzir o canto, não se entregue completamente à adoração de seu Senhor e Rei.
Nada é mais irrisório do que coristas cantando como se fossem pássaros, e não pessoas; ou músicos que não sentem absolutamente nada daquilo que estão cantando, os quais estão simplesmente perdidos nas notas musicais. Mas, contanto que essa espécie de performance artística seja evitada, a arte da música e da canção permanecem indispensáveis para nossa adoração. Em Genebra, Calvino convergiu todo empenho para que o canto congregacional soasse cerimonioso, natural, animado e belo.
Todos que são suficientemente humildes hão de admitir com franqueza que ninguém, ao se assentar no santuário, possui o fervor apropriado para a adoração. Nesse momento, a arte da música e do canto devem ser os meios para içar a alma do adorador para fora do ordinário e do mecânico em direção à paixão e atividade. Canto e melodia devem falar ao coração humano na plenitude do culto de uma forma que o estimule à adoração. Tal objetivo não será atingindo caso falte ao canto o ardor santo, e à música, uma vivacidade mais imponente [Tradução nossa]

Naturalmente, alguns argumentarão que há necessidade de adaptarmos a liturgia à cultura ou que é imperativo atualizá-la, a fim de não nos transformamos em adoradores anacrônicos. Se Deus assim o permitir, trataremos futuramente dessas e outras argumentações.


Que Deus nos livre, pois, da gnose em suas mais diversas formas.

Soli Deo Gloria

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Autor: Fabrício Tavares
Fonte: Bereianos
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Características de uma igreja que agrada a Deus

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Ao anjo da igreja em Filadélfia escreve: Estas coisas diz o santo, o verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre, e ninguém fechará, e que fecha, e ninguém abrirá: Conheço as tuas obras -- eis que tenho posto diante de ti uma porta aberta, a qual ninguém pode fechar -- que tens pouca força, entretanto, guardaste a minha palavra e não negaste o meu nome. Eis farei que alguns dos que são da sinagoga de Satanás, desses que a si mesmos se declaram judeus e não são, mas mentem, eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei. Porque guardaste a palavra da minha perseverança, também eu te guardarei da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para experimentar os que habitam sobre a terra. Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus, e daí jamais sairá; gravarei também sobre ele o nome do meu Deus, o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém que desce do céu, vinda da parte do meu Deus, e o meu novo nome. Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (Apocalipse 3.7-13)

A cidade - Filadélfia foi fundada pelo rei de Pérgamo, Átalos, cerca de 140 a.C. Este foi conhecido por sua lealdade ao seu irmão, dando assim origem ao nome da cidade (Filadélfia significa “amor fraternal”). A região produzia uvas, e o povo especialmente honrava a Dionísio, o deus grego do vinho. Localizava-se num vale no caminho entre Pérgamo e Laodicéia. Filadélfia foi destruída por um terremoto em 17 d.C. e reconstruída pelo imperador Tibério. Entre outros nomes que recebeu, devido ao governo romano, Durante o reinado de Vespasiano, foi também chamada de Flávia (nome de sua mulher). Hoje, Filadélfia corresponde à cidade turca de Alasehir, situada a 130km ao leste de Esmirna.

A igreja - Somente em Apocalipse (1.11; 3.7) faz referência a Filadélfia. Das sete igrejas do Apocalipse, as quais Jesus diz a João para enviar cartas (cf Ap 2 -3), esta igreja e a igreja de Esmirna não receberam nenhuma crítica de Cristo. Em toda carta Jesus não expressa nenhuma palavra de reprovação, mas de encorajamento.

Jesus se apresenta a essa igreja como “Santo e verdadeiro” (v.7). Ele tem os mesmos atributos do Pai. Assim Cristo declara sua divindade como Deus. É aquele que tem a “chave de Davi” (v.7b) - Jesus não é só fiel a sua Palavra, ele também tem o poder de abrir e fechar a cidade de “Jerusalém”: “Porei sobre o seu ombro a chave da casa de Davi; ele abrirá, e ninguém fechará, fechará, e ninguém abrirá.” (Is 22.22). Qual Jerusalém? “Vi também a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, ataviada como noiva adornada para o seu esposo.” (Ap 21.2). Só Jesus abre as portas do Reino de Deus!

A igreja de Filadélfia se tornou um exemplo de igreja fiel e agradável a Deus. Vejamos algumas características que nos ensinam a agradar a Deus:

A IGREJA QUE AGRADA A DEUS É UMA IGREJA QUE OBEDECE AO SENHOR JESUS (V. 8)  

Por ser obediente, a igreja recebe bênçãos (v.8) -  “conheço as tuas obras” - Jesus está totalmente familiarizado com as obras dos crentes de Filadélfia e não precisa de uma lista delas (cf Ap 2.2; 19; 3.15) – Jesus sabe tudo o que acontece na Sua igreja. “Tenho posto diante de ti uma porta aberta” e ninguém poderia fechar essa porta (cf v.8) - Jesus tem a chave da cidade de Davi, assim aquele que é fiel ao Senhor tem uma porta aberta. Eles deveriam obedecer sem medo, pois Jesus mesmo é quem tinha plantado aquela igreja para levar a Sua salvação aos gentios (cf At 14.27). Aquele campo era uma porta aberta que ninguém poderia fechar! Deus é soberano na obra da salvação.

Essa igreja era obediente porque guardava a Palavra de Cristo (v.8b) – “guardaste a minha palavra” - Um reflexo do que disse o salmista: “Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti.” (Sl 119.11). A Bíblia linguagem viva traduz: “tem procurado obedecer”. Mesmo sendo fraca numericamente (cf v.8c), ela era forte. A visão hoje de uma igreja forte é aquela que está abarrotada de gente. Aquela que você tem que chegar mais cedo para não ficar sem lugar de sentar-se. É aquela que tem o melhor cantor gospel. É aquela onde o pastor tira do espectador maior número de oferta. É aquela que destaca somente as bênçãos de Deus. Não quero dizer que uma igreja deva ser pequena e conformada. Não! Ela deve crescer, mas jamais sobre outro fundamento. Deve crescer obedecendo a Deus! Procurando andar nos caminhos do Senhor.

Em Filadélfia havia uma igreja pequena, mas fiel ao Senhor. Poderiam até pensar: “nós não somos nada”! Mas Jesus a conhecia e a amava muito. Quer ser uma igreja que agrada a Deus? Obedeça a Sua Palavra.

Outra característica :

A IGREJA QUE AGRADA A DEUS É UMA IGREJA QUE HONRA O NOME DE CRISTO (V.8B-9)
     
Não negaste o meu nome (v.8b) – A igreja estava em meio a falsos religiosos, que o Senhor chama de “sinagoga de satanás”. Estes eram judeus que haviam rejeitado a mensagem referente à vida do Messias (cf Ap 2.9). Eram mentirosos enganadores. Embora confessassem adorar a Deus, sua oposição aos cristãos mostrava que, na verdade, estavam servindo a satanás. Porém, em meio à perseguição, os crentes de Filadélfia não negaram a Jesus. Naquela cidade o nome de Cristo era glorificado.

A recompensa por honrarem a Cristo (v.9b) – Os falsos judeus reconheceriam que Jesus amava aqueles que eram desprezados: “eis que os farei vir e prostrar-se aos teus pés e conhecer que eu te amei.” Em vez de os judeus serem honrados (cf Is 49.23), Jesus prediz que honrará os seus fiéis seguidores e comprovará que Ele realmente os ama. Isso significa que as promessas de Deus a Israel agora foram transferidas para os seguidores de Jesus. O Senhor Jesus demonstra Seu amor aos crentes de Filadélfia, dizendo que mesmo os judeus opositores confessarão que Ele os ama. Aquela igreja era a menina de Seus olhos (cf Sl 17.7cf Is 43.4). Assim era alvo do cuidado do Senhor.

O amor de Cristo por nós existe antes mesmo de nós nascemos. Esse amor é sem dúvida algo que não se pode expressar completamente com palavras.

A igreja não pode negar o Senhor Jesus com suas palavras ou atitudes. Deve engrandecer o Seu nome, e honrá-lO a cada instante. Com palavras e atitudes deve mostrar que Cristo é o Seu Senhor. 

Quero considerar uma última característica:

A IGREJA QUE AGRADA A DEUS É UMA IGREJA QUE PERSEVERA NA FÉ (V.10-11)

Guardaste a palavra da minha perseverança (v.10a) – Ou “Obedece com perseverança” (B. ling. Viva) – Eles perseveravam inabaláveis, seguiam o exemplo da igreja de Atos: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.” (At. 2.42). Embora houvesse ali na cidade “os falsos judeus”, isso não abalava a fé que estava firme no Senhor Jesus. Estes irmãos receberiam de Deus a recompensa:

Eu te guardarei da hora da provação (v.10b) – São as tribulações que a humanidade sofreu, sofre e sofrerá por causa do pecado (cf Ap. 7.1-4). Na visão de João lemos: “Vi outro anjo que subia do nascente do sol, tendo o selo do Deus vivo, e clamou em grande voz aos quatro anjos, aqueles aos quais fora dado fazer dano à terra e ao mar, dizendo: Não danifiqueis nem a terra, nem o mar, nem as árvores, até selarmos na fronte os servos do nosso Deus.” (Ap 7.2-3). Na oração de Jesus vemos essa verdade: “Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.” (João 17.15). Jesus promete guardar o fiel nas tribulações e para sempre. Assim vemos o quanto vale ser fiel à Cristo e Sua Palavra.

O Senhor diz a igreja: “Venho sem demora. Conserva o que tens, para que ninguém tome a tua coroa.” (v.11) – Essa igreja deveria ficar fiel até o fim. Hoje nos encontramos em meio a tantas “teologias” que na verdade, afastam o homem de Deus. Ensinos equivocados sobre Deus e Sua salvação tem feito muitos não perseverarem na fé. A igreja em Filadélfia permanecia firme na sã doutrina (cf 2Tm 4.3; Tt 2.1). Essa doutrina é a fé que uma vez por todas foi entregue a nós (cf Jd 3). É todo o ensino de Cristo, sem maquiagem. 

Conclusão: A igreja que agrada a Deus obedece a Ele, honra o nome de Cristo, pois sabe que esse nome está acima de que qualquer outro nome (cf At.4.12), e persevera na fé cristã. Qual será a nossa recompensa se tivermos essas características:

No presente:

1 - Ver o inimigo ser derrotado e pessoas convertendo a Deus (v.9);

2 - Ser guardado da tribulação do mundo (v.10).

No futuro:

1 - Ao vencedor, fá-lo-ei coluna no santuário do meu Deus (v.12) – Filadélfia tinha sido atingida por terremotos. Essa expressão tornava a promessa de segurança e estabilidade mais apropriada. Mas a expressão “santuário” ou “templo” deve ser interpretada figurativamente. Deus tenciona honrar seu povo em sua presença secreta (cf Richard H. Wilkinson). Não haverá outro templo em Jerusalém como acredita alguns, esse verso nos mostra que haverá uma indivisível união entre nós e Deus. É a característica da Nova Jerusalém: “Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro.” (Ap.21.22). Os santos serão honrados no templo celestial, que na verdade é a presença de Deus.

Daí jamais sairá (v.12) – Devido aos terremotos frequentes, os cidadãos de Filadélfia preferiam viver do lado de fora dos muros da cidade, em campo aberto. Tais pessoas viviam toda sua vida com medo de catástrofes naturais; em contraste, os filhos de Deus habitarão eternamente em segurança em Sua presença (cf Ap 21.3).

2- Gravarei também sobre ele o nome do meu Deus (v.12b) – Isso significa que a igreja com essas características pertence e pertencerá a Deus e Cristo para sempre. Esses nomes lhes servem de passaporte de ingresso à presença de Deus e como sinal da cidadania da Jerusalém que desce do céu (cf Ap. 21.1-2). O Senhor promete que habitaremos eternamente no seu santuário, se permanecermos fieis em seus caminhos.

Que sejamos a cada dia uma igreja fiel. Que possamos honrar o Senhor Jesus e agradá-lO para sempre! Lembre-se: você é a igreja de Cristo. Por isso: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.” (v.13)

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Autor: Rev. Ronaldo P. Mendes
Fonte: Solus Christus
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Por quem Cristo morreu?

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Neste vídeo, o Rev. Dorisvan Cunha expõe um dos pontos mais controvertidos da Teologia Reformada; a extensão da expiação de Cristo. A pergunta é: por quem Cristo morreu? Ele morreu por toda a humanidade ou Ele morreu apenas pelos pecados do Seu povo?


Assista:



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Fonte: Guerra Pela Verdade
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O Marxismo Cultural e o “Banditismo Revolucionário”

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Não é de hoje que a articulação quase orgânica entre a esquerda e o banditismo acontece. Desde a fundação da Escola de Frankfurt (na década de 20), a flor mais viçosa do marxismo cultural, a ternura reina entre marxistas e bandidos. Herbert Marcuse, o sociólogo e filósofo alemão “queridinho” dos intelectuais neo marxistas, da mídia moderninha e das minorias, foi o grande propagador da ideia estapafúrdia do banditismo potencialmente "revolucionário".

Marcuse encetou na construção de sua ideia da crítica ao modelo soviético chamado, após a revolução de 1917, de marxismo-leninismo. Crítica tão ao gosto dos pensadores da Escola de Frankfurt e de um italiano que se tornaria o “queridinho” da esquerda moderna – Antonio Gramsci. Segundo Marcuse, o proletariado já não cumpria mais seu papel vanguardista e revolucionário em razão de ter sido corrompido pelas benesses do capitalismo. Dessa maneira, uma nova vanguarda revolucionária deveria se levantar entre os "oprimidos", no caso marginais e foras da lei desprezados tanto pelo "capitalismo opressor" quanto pelo status quo marxista-leninista, um estrato social que o marxismo denomina lumpemproletariado (uma versão ainda mais degradada do proletariado).

No entanto, o marxismo cultural ou neomarxismo precisava e precisa de uma superestrutura ideológica que o fundamente, papel cumprido pelas doutrinas do comunista italiano Antonio Gramsci. Na cabeça do antigo dirigente do outrora poderoso PCI (PARTIDO COMUNISTA ITALIANO), a necessidade de criar o que ele chamou de bloco hegemônico deveria ser a grande investida marxista para vencer o capitalismo, onde, segundo Gramsci, a luta verdadeiramente se travava, isto é, na disputa pela hegemonia cultural e/ou ideológica entre "exploradores" e "explorados" no interior da sociedade capitalista. Assim, o queridinho dos marxistas acadêmicos invertia a lógica marxista da infraestrutura determinando a superestruta, lógica cara ao marxismo-leninismo. Para ele, o palco da luta era a superestrutura, isto é, a cultura, o pensamento, as ideias e os costumes da sociedade. Sua ideia de "intelectuais orgânicos" nasce daí. Esses seriam pensadores não só desprendidos das fileiras operárias, mas essencialmente pensadores organicamente ligados a ela.

Hoje, a estratégia marxista aplicada no Brasil submete-se a essa lógica. Por isso, é importante para eles dividir a sociedade em camadas de minorias "oprimidas' pelo capitalismo, vitimizando-as e tratando-as como alvo da violência opressora da "burguesia". Em última instância, estimular movimentos litigiosos e abertamente anticapitalistas de negros, mulheres, homossexuais, indígenas e outros do mesmo tipo faz parte da estratégia da construção do bloco hegemônico e da disputa pelo poder.

Mas, voltando aos bandidos, a defesa dos seus "direitos" em detrimento da sociedade produtiva e ordeira faz também parte dessa estratégia revolucionária.

Considerá-los vítimas ofendidas pela "insaciável e desumana" máquina de lucros privados capitalista é transformá-los em potenciais soldados da revolução. A ternura ardente e a candura franciscana nutridas por figuras como Maria do Rosário, Luciana Genro, Marcelo Freixo e Jean Wyllys por assassinos, estupradores e latrocidas, principalmente se forem menores de idade, obedece aos ditames pungentes desse amor "revolucionário" pelas "minorias oprimidas pelo capitalismo sanguinário, imperialista, concentrador e cruel".

Contudo, o que deixa a coisa ainda pior é a constatação de que cristãos foram comprados por essa doutrina marcadamente antibíblica! Incorporaram à apostasia reinante em nosso meio premissas marxistas acentuadamente que afrontam a verdade da Palavra de Deus! Duas cosmovisões absolutamente antagônicas, inimigas mortais, são falsamente ajuntadas e apregoadas como um novo evangelho, chamado por eles de "Evangelho Social", mas na verdade, é um amontoado de "bobagens" teológicas e o que denomino de "Teologia da luta de classes". No entanto, trataremos disso em outra ocasião!

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Autor: Davi Peixoto
Divulgação: Bereianos
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Resposta ao Silas Daniel - Ainda Sobre Luteranismo e Monergismo

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Silas Daniel publicou mais um texto em resposta às minhas postagens. Neste, não há nada de novo; o autor tenta clarificar algumas questões, especialmente sobre a relação de Lutero com o sinergismo de Melanchthon e alguns vocábulos empregados. Comento apenas as questões principais – já que o reverendo luterano Daniel Branco já respondeu ao texto com profundidade, numa nova postagem publicada na página da Congregação Luterana da Reforma.

Silas insiste no fato de Lutero, aparentemente, condescender com o sinergismo de Melanchthon (sem levar em conta que o sinergismo deste só se tornou explícito dois anos após a morte do primeiro), como se isso provasse que houve algum tipo de atenuação no monergismo do reformador alemão. Mas o autor não responde efetivamente às questões levantadas nos dois textos escritos por Daniel Blanco, nem as do meu último texto sobre Lutero, insistindo, a partir de uma opinião bem peculiar, baseada em inferências, que Lutero suavizou sua posição em Da vontade cativa. O leitor deve notar que estas afirmações da parte de Silas são feitas sem citação a nenhuma fonte primária que corrobore tal posição (e ele não cita nem uma vez obras de referência sobre a teologia da Reforma, como as obras de Henri Strohl, Timothy George ou Paul Althaus). De qualquer forma, um exemplo de fonte primária talvez baste para mostrar a fragilidade de sua posição: de forma completamente oposta ao que o autor opina, Lutero escreveu a Wolfgang Capito, em 9 de julho de 1537, que nenhum de seus livros mereceria ser preservado, com a exceção de seu Catecismo Menor e do De servo arbítrio (LW 50, p. 172-173).

Vou ficando com a impressão de que é muito mais fácil por parte dos arminianos afirmar, sem provas, que supostamente houve mudança ou abrandamento no pensamento do reformador alemão do que interagir com a vigorosa interpretação monergista que ele ofereceu ao texto bíblico, não só em Da vontade cativa, mas em suas preleções à Epístola do Bem-aventurado Apóstolo Paulo aos Romanos e no Comentário à Epístola aos Gálatas. A propósito, o leitor pode conferir em minha última postagem, O luteranismo confessional e o monergismo (publicada no Bereianos), a citação inequívoca de Lutero sobre a predestinação soberana e graciosa, em seu prefácio à epístola aos Romanos, e publicada segundo a versão revisada no último ano de sua vida.

Como Silas Daniel parece não entender o princípio de igreja confessional, ele insiste em citar alguns escritores (me parece incorrendo no argumento ad verecundiam) para afirmar que a tradição luterana se afastou do monergismo do reformador – e, mais uma vez, é preciso destacar, tal conclusão se dá a partir da citação de fontes secundárias. Ele não cita nenhuma vez qualquer um dos documentos confessionais luteranos reunidos no Livro de Concórdia (o que fiz em O luteranismo confessional e o monergismo) para apoiar sua opinião sobre a tradição luterana.

Para tornar clara a questão: em igrejas confessionais, como as igrejas da tradição reformada, é perguntado aos candidatos ao ministério pastoral: “Recebeis e adotais sinceramente a Confissão de Fé e os Catecismos desta Igreja, como fiel exposição do sistema de doutrina ensinado nas Santas Escrituras?” Espera-se, como resposta, que estes afirmem solenemente “sua crença nas Escrituras Sagradas como a Palavra de Deus, bem como a sua lealdade à Confissão de Fé” e aos Catecismos como fiéis resumos do ensino bíblico – e que estes se mantenham firmes neste santo compromisso. Assim sendo, para as tradições confessionais, o que determina o que estas creem são seus documentos confessionais, não a posição de seus teólogos, mesmo dos mais representativos.

Por interpretar a história da controvérsia sobre a soteriologia em termos anacrônicos, reduzindo as alternativas em “calvinismo” e “arminianismo” (problema já tratado em detalhes em Sobre arminianismo, calvinismo e o uso da história do pensamento cristão, também publicado no Bereianos, e de passagem em O luteranismo confessional e o monergismo), o autor não consegue entender que a tradição luterana é uma terceira interpretação da soteriologia, mas não menos confessionalmente monergista que a tradição reformada.

Sobre o uso da expressão “mecânica da salvação”, minha crítica ao uso da mesma se dá por tal ideia sugerir a noção de graça ex opere operato, reduzindo a salvação a um sistema, ou ao recebimento mecânico da salvação (como na tradição pelagiana, com sua linguagem do tipo “aceitar a Jesus”, “tomar uma decisão por Cristo”, etc.). O fato da expressão “mecanismo da salvação” (e não “mecânica”) ter sido citada por Lloyd-Jones (uma única vez na palestra O que é um evangélico, em contraponto a “método de salvação”) é indiferente. Silas é livre para usar a expressão que lhe convier. A mim me parece que falar da livre graça de Deus é mais apropriado e bíblico (diga-se de passagem, esta última expressão é encontrada, de forma recorrente, em vários dos sermões de John Wesley).

Sobre o uso dos termos “semipelagianismo” e “semiagostinianismo”, deve-se afirmar que não atribuímos significado arbitrário a estes vocábulos, usando-os segundo nossas preferências. Eles devem ser referidos a partir dos dicionários teológicos e livros-textos consagrados, assim como de seu uso na história da teologia. Neste caso, referenciei tanto a diferença entre semipelagianismo e semiagostinianismo (que julgo importante, já que as duas interpretações pressupõem inícios diferentes para a salvação: a primeira, a partir da vontade, que será assistida por Deus; a segunda, atribuindo-a a Deus, que coopera com a vontade), como o fato de Agostinho e Próspero serem considerados autores “medievais”. Neste caso, o autor insiste na datação tradicional para se evadir de que houve de fato uma tradição monergista na Idade Média, e ela começou cedo. Para relembrar, Silas Daniel havia afirmado em seu texto publicado em O Obreiro Aprovado de que não teria havido ninguém que ensinou a doutrina da predestinação entre Agostinho e a Reforma, afirmação que ele corrigiu posteriormente. Ele, inclusive, afirmou naquela revista que os sínodos de Quiercy e Valença ensinaram “a predestinação pela presciência divina”, um óbvio equívoco de interpretação que fica evidente para aqueles que consultarem as fontes originais, na edição bilíngue de Denzinger-Hünerman (Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral), e citadas em meu ensaio Sobre arminianismo, calvinismo e o uso da história do pensamento cristão (onde o leitor encontrará também a citação dos artigos principais das decisões do Sínodo de Orange sobre a soteriologia).

Por fim, as várias citações de Próspero a favor daquilo que é chamado de “universalismo hipotético”, com que o autor encerra seu último texto, não provam nada. As citações não demonstram que tal posição é incompatível ou é uma ruptura com o monergismo que ele herdou de Agostinho, e do qual foi firme defensor; Próspero também foi a influência determinante no Sínodo de Orange (por meio da obra Sententiae ex Augustino delibatae), que condenou o pelagianismo e “algumas doutrinas semi-pelagianas típicas, como aquela da initium fidei humana”, e que adotou “uma forma atenuada de agostinianismo” (Justo Gonzalez, Uma história do pensamento cristão, v. 2, p. 60-61).

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Autor: Franklin Ferreira
Divulgação: Bereianos

Leia também: 
Uma avaliação do artigo "Em defesa do arminianismo"
Resposta a Zwinglio Rodrigues: Sobre exegese, arminianismo e o Sínodo de Dort
Resposta ao Pr. Silas Daniel - Sobre arminianismo, calvinismo e o uso da história do pensamento cristão
O Luteranismo Confessional e o Monergismo
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Uma breve resposta de James Anderson a William Lane Craig sobre Molinismo

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Poucos meses atrás eu escrevi uma postagem intitulada “O Deus Falível do Molinismo” motivado pelo bate-papo entre William Lane Craig e Paul Helm. Algumas pessoas alertaram-me para o fato de que o Dr. Craig resumidamente respondeu meu argumento em um recente podcast. Isto é o que ele disse:

Eu penso que ele pisou em falso em seu argumento aqui. Certamente é verdadeiro que em qualquer circunstância particular de liberdade-permitida, um agente é livre para fazer outra coisa que Deus sabe que ele fará. Mas, naquele mundo em que o agente faz algo diferente, o plano de Deus não seria o mesmo. O que o colega parece não lembrar é que naquele mundo Deus teria diferentes planos. Deus saberia naquele mundo que S faria alguma coisa diferente em C e, então, naquele mundo ele teria planos para que isto aconteça. Então, o que ele está tentando fazer é manter os planos de Deus firmes e fixados de um mundo a outro, mas em seguida variar o valor dos contrafactuais, e você não pode fazer isso. Se você alternar para um mundo no qual S não faz A em C, então você não pode dizer: “bem, neste mundo os planos de Deus são que S faria A em C”. Não, não, naquele mundo Deus teria planos diferentes.
Então, quando você alternar o valor-verdade dos contrafactuais, você também tem de alternar os planos providenciais, porque os planos providenciais são baseados em contrafactuais que são verdadeiros naqueles mundos. Então, dado que os planos de Deus são baseados no que ele conhece que os agentes livres fariam, os planos mudarão de mundo para mundo junto com as decisões dos agentes. Assim, não existe qualquer problema aqui. Os planos de Deus nunca falham, e ele não é falível.

Primeiro, deixe-me dizer que estou honrado em o Dr. Craig considerar meu comentário digno de nota. Mas tenho umas poucas coisas a dizer em resposta.

Craig está correto ao dizer que cometi um equívoco no argumento original, como eu reconheci em réplica ao comentário do Greg Welty. Eu disse no início [do artigo] que não é relevante se o decreto de Deus (ou “plano providencial”, para usar a terminologia de Craig) está incluído em C, isto é, as circunstâncias nas quais Deus coloca o agente livre S, sabendo que S fará A em C. Mas isso é um equívoco, porque os Molinistas dirão que C não inclui o decreto de Deus, de tal modo que nesses mundos possíveis em que S não faz A em C, enquanto C é o mesmo, o decreto de Deus é diferente. (Como Craig coloca a questão, o plano providencial de Deus não é “firme e fixado” através dos mundos nos quais S escolhe C, embora C seja fixado). Os contrafactuais são diferentes naqueles mundos alternativos e, portanto, o decreto de Deus também será diferente naqueles mundos, desde que ele é baseado naqueles contrafactuais.

Bastante justo, mas como argumentei nos comentários da postagem original, eu penso que a observação deixada pelo molinista não supera as dificuldades. Em primeiro lugar, me parece uma alegação especial excluir o decreto de Deus – que é uma decisão ativa com consequências causais, não um simples conhecimento passivo – das circunstâncias em que S faz sua escolha livre. O Molinista tem que dizer, de fato, “Não se preocupe, é possível para S não fazer A em C desde que não incluamos o decreto de Deus em C, pois, então, seria possível para S fazer outra coisa contrária ao que Deus decretou”. Em outras palavras, o molinista tem que restringir C às circunstâncias intramundanas. 

Mas, por que deveria ser permitido ao molinista fazer esse movimento? Afinal, as circunstâncias são casualmente vinculadas ao Decreto de Deus (necessariamente assim no sistema molinista). As circunstâncias se obtêm apenas porque Deus decidiu que elas deveriam ser obtidas e as causou serem obtidas. Se você pode traçar a linha limite de C de modo a excluir o decreto de Deus e suas ações para implementar esse decreto (ou seja, sua manipulação de circunstâncias intramundanas), por que não traçar limite ainda mais restritiva, de modo a excluir, digamos, todas as circunstâncias de mais de cinco anos antes da escolha de S, ou todas as circunstâncias de mais de cinquenta milhas da região de S? Existe algum princípio racional para traçar a linha limite de C onde o molinista quer traça-la, além de salvar o sistema? Por que pensar que está quente e ensolarado em Charlotte hoje é um elemento relevante de minhas circunstâncias, mas Deus fazer [um dia] quente e ensolarado em Charlotte (parcialmente, a fim de direcionar as escolhas dos habitantes da cidade)  não é um elemento relevante?

Acerca do ponto relacionado, eu penso que o molinista preserva a infalibilidade divina apenas por seu compromisso com o livre-arbítrio libertariano (LAL). Um entendimento central por trás do LAL é que as escolhas de S são livres apenas se elas não forem determinadas pelos fatores (especialmente as ações de outros agentes) além do controle de S. Como eu demonstrei em minha postagem original e nos comentários subsequentes, existe um sentido claro no qual, do ponto de vista Molinista, Deus determina as escolhas de S. Isso não é um determinismo causal, mas ainda é determinismo no sentido que o decreto de Deus é que S fará A (que é fixado antes de quaisquer das escolhas de S) assegurando que S fará A. Dado que Deus tem decretado que S fará A, S não pode fazer outra coisa senão A.

Então, o molinista tem de dizer que “dado apenas que S está em C (que exclui o decreto de Deus), S pode fazer outra coisa além de A, mas dado que Deus tem arranjado C precisamente a fim de que S faça A, S não pode fazer outra coisa senão A”. Agora, por que não deveríamos considerar uma noção desvirtuada do LAL? Por que alguém que está comprometido com a ideia de LAL se contentaria com a visão de que suas escolhas são apenas livres com respeito à circunstâncias intramundanas, e não livre com respeito à circunstâncias extramundanas (isto é, o decreto de Deus e a ação ativa das circunstâncias intramundanas?). Se você pode viver com tal forma diluída de LAL, por que insistir nisso tudo?

Eu penso que isso é uma das razões porque muitos arminianos (esqueça os teístas abertos) não querem entrar na linha molinista. Eles sentem que o Molinismo ainda é uma forma de determinismo que não está completamente comprometido com o LAL. Em resumo, ainda dá a Deus controle de mais (embora eu pense, da perspectiva calvinista, que o Molinismo não dê a Deus controle suficiente).

Assim, continuo com as observações que fiz no final de minha postagem original, que eu reproduzo aqui:

Como se percebe, essa tensão no centro do Molinismo surge porque ele ambiciona ser deterministicamente indeterminista. “Indeterminismo” por causa de seu compromisso com o livre-arbítrio libertário. “Determinista” porque o decreto de Deus, de alguma forma (não sabemos como) determina de antemão que suas criaturas farão certas escolhas. Isso pode não ser um determinismo causal, mas, apesar de tudo, é determinismo (como muitos arminianos não-molinistas, tais como Roger Olson, podem ver claramente). Se preordenar que S escolhe A não significa predeterminar que S escolha A, então o que significa?

Para mais discussão, verifique os diálogos nos comentários da
postagem original.

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Autor: James Anderson
Fonte: Analogical Thoughts
Tradução: Rev. Gaspar de Souza
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O culto é mais importante que seu pequeno grupo

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Como a maioria de vocês, eu amo pequenos grupos. Eu amo a “troca” que há na discussão. Eu amo a interação com outros. Eu amo as perguntas levantadas e as respostas descobertas. Mas, apesar do quanto eu e você amamos os pequenos grupos, o culto corporativo é mais importante.

Alguém recentemente comentou comigo que pastores são os únicos que realmente desfrutam das manhãs [e noites] de domingo como o ponto alto da semana. Eu espero que não! Essa pessoa insistia que outros cristãos estão mais ansiosos por seus pequenos grupos que pelo culto público. Ela disse que é mais empolgante para o congregante estar em um pequeno grupo onde ele pode fazer perguntas, orar por outros, discutir suas próprias opiniões e conhecer uns aos outros mais intensamente. Eu entendo esse sentimento e aprecio o desejo de conectar-se com os outros, mas, com toda humildade, eu diria a essa pessoa bem intencionada: “Você não entende o privilégio único que é o culto corporativo. Nós estamos comungando com os santos perante o santo trono de um Deus majestoso”.

O Culto Público é Único

É no Dia do Senhor, na casa do Senhor, com o povo do Senhor, encontrando-se com o Senhor que o cristão deveria encontrar seu maior deleite. Deveria ser o ponto alto da semana de todo cristão. É diferente de qualquer outra reunião; não importa quão agradáveis os pequenos grupos ou qualquer outra reunião possa ser. Em 1 Coríntios 11.18, nós lemos instruções para “quando vos ajuntais na igreja”, indicando que havia uma reunião única “como igreja” que não era o mesmo que alguns poucos cristãos se juntando e conversando sobre Jesus. Hebreus 10.25 nos ordena que não deixemos de congregar-nos (literalmente, “não negligencie a reunião de vocês mesmos”). A palavra para “congregar-se” ou “assembleia”, episynagogen, refere-se ao encontro formal do povo de Deus para adoração, não apenas amigos ouvindo sermões baixados na internet na mesma sala ou envolvidos em um estudo bíblico indutivo. O povo de Deus reúne-se semanalmente para adorar. Nossas vidas são vividas do Dia do Senhor ao Dia do Senhor, enquanto a cada semana nós ansiamos por “ir à casa do Senhor” para encontrar-se com nosso Deus e com Seu povo.

A ideia de que o culto corporativo não é tão empolgante quanto os pequenos grupos normalmente gira em torno de quatro reclamações: o culto é “pastorcêntrico”, passivo, chato e impessoal.

Muito “pastorcêntrico”

Argumenta-se que “como congregante, nós meramente sentamos no banco e escutamos um monólogo por 30 minutos. O pregador seria o único com uma palavra importante pra comunicar? Não parece correto que um homem fale e todo mundo escute”. Eu poderia sugerir que essas opiniões servem mais como reflexo de nossa própria vaidade, auto-importância e mentalidade ocidental individualista do que qualquer outra coisa? Há uma razão para o sermão nunca ter sido trocado por um tempo de perguntas e respostas. Nós nos juntamos para ouvir proclamação, não discussão. O pastor é ordenado para ministrar a verdade da Palavra de Deus e administrar Seus sacramentos. Portanto, quando ele sobe ao púlpito, ele deve falar e aplicar as Palavras de Cristo a Seu povo. O culto não é “pastorcêntrico”. É Cristocêntrico. Nós precisamos ouvir uma Palavra externa a nós. Ele é o Criador, nós somos a criação. Ele é o Rei, nós somos Seus súditos. Ele é o cabeça, nós somos o corpo. Ele fala e nós escutamos. Como Jó, é bom e apropriado que coloquemos nossas mãos em nossas bocas e apenas escutemos o que as Escrituras nos dizem sobre quem Deus é e o que Ele requer de nós (Jó 40.4). Seres humanos caídos precisam da rotina semanal de ouvir, o que exige uma pausa no perguntar, filosofar e especular que tão frequentemente cultivamos. Maria foi elogiada pelo Senhor porque ela escolheu a melhor parte. Ela sabia que quando o Senhor fala, nós devemos ouvir, absorver e deleitar-se em ouvir Sua voz (Lucas 10.38-42). Há tempo e lugar para discutir e fazer perguntas sobre a Palavra de Deus. O pequeno grupo serve a um propósito real, mas francamente, importa mais o que Deus tem a dizer que o que nós temos a dizer.

Muito passivo

A segunda reclamação contra o culto corporativo geralmente diz respeito à objeção de que é algo muito passivo, enquanto pequenos grupos oferecem mais oportunidade para envolvimento. Este é um infeliz equívoco do que acontece no culto. O culto é tudo, menos passivo. A congregação não apenas participa quando canta, mas deve envolver-se tão ativamente quanto nas orações feitas, nas confissões lidas e na pregação da palavra de Deus.

Na verdade, cada elemento do culto deveria envolver nossas pessoas. Nós devemos ouvir não apenas com nossos ouvidos, mas com nossos próprios corações. Nós devemos ter mentes renovadas (Romanos 12.2), nossas almas traspassadas (Hebreus 4.12) e aplicar isso a nossas vidas para podermos caminhar em verdade (1 João 1.6). Isso ocorre ao ouvirmos com atenção, expectativa, cheios de fé e completamente envolvidos. O culto corporativo não é passivo! Se nós estamos participando corretamente, não deveríamos apenas sair restaurados em Cristo, mas esgotados.

Muito chato

O que há de chato em encontrar-se com o Deus vivo do universo? Pergunte a Isaías se é chato encontrar-se com um Deus santo (Isaías 6). Pergunte a João se é chato comungar com um Deus glorioso (Apocalipse 1). Pergunte aos santos, anjos e seres viventes no céu se é chato estar na presença do Deus da salvação (Apocalipse 5.6-14). Assim como eles estão desfrutando da presença do Senhor e isso os enche de deleite, assim deve ser conosco.Tão real quanto as pessoas em nosso pequeno grupo é a presença de Deus conosco no culto público. Deus está se encontrando conosco através da Sua Palavra e do Seu Espírito. Não há nada de chato nisso!

Muito impessoal

A quarta reclamação é que é muito impessoal. Certamente, nós deveríamos desfrutar da comunhão com outros que os pequenos grupos oferecem. Pequenos grupos servem a um propósito real. Como eu disse, sou grato por eles. Igrejas sofrem quando não há um espaço para discipulado, estudo bíblico, e um lugar para fazer perguntas. Ainda assim, nossa comunhão no culto corporativo não é menos real. Quando nós cantamos, não estamos apenas cantando para o Senhor mas uns aos outros (Colossenses 3.16). Quando a oração é oferecida por um pastor ou um presbítero, não somos espectadores mudos. Pelo contrário, nós unimos nossas vozes como é demonstrado pelo “Amém” corporativo no final. Quando os sacramentos são recebidos, eles não somente significam e selam nossa comunhão com o Senhor, mas com os outros (1 Coríntios 11.17-12.31).Nós somos um corpo, unidos em um Senhor, um Espírito e um batismo (Efésios 4.3-6). E nada declara isso com mais força que nossa participação na Mesa do Senhor juntos em adoração. Não importa quão maravilhosos os bolos, abraços e discussões em grupo sejam, eles não superam a intimidade de que desfrutamos e somos lembrados quando participamos do sangue e corpo do Senhor uns com os outros.

Eu amo pequenos grupos. Não me entenda mal. Eles servem a um propósito real em muitas igrejas, mas sua importância não pode e nem deve suplantar nosso ajuntamento no culto público. Nós somos a igreja. Cultuar é o que fazemos. Nós nos reunimos para encontrar-se com Deus, ouvir Sua Palavra, participar dos Seus sacramentos, oferecer-Lhe orações e louvor, dar nossas ofertas, confessar nossos pecados, ouvir novamente sobre a certeza da graça perdoadora, habitar com Ele. E nós fazemos isso juntos toda semana. Isso se torna o próprio padrão das nossas vidas. E embora seja rotina, é o aspecto mais importante e glorioso de nossas vidas.

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Autor: Jason Helopoulos
Fonte: The Gospel Coalition
Tradução: Josaías Jr.
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