O Calvinismo Torna Deus o Autor do Mal/Pecado?

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A Confissão de Fé de Westminster nega explicitamente que Deus é "o autor ou aprova o pecado", contudo, ela também afirma explicitamente que Deus predestina todos os eventos, incluindo atos humanos pecaminosos. Segundo a doutrina da providência calvinista, tudo o que existe ou acontece está decretado por Deus. Nada acontece ou existe à parte da ordem de Deus de que isso aconteça ou exista.

Dado essa compreensão acerca da soberania de Deus, os críticos objetam dizendo que o calvinismo torna Deus o autor do mal. A questão não é se Deus é todo-bondoso e todo-poderoso, como pode haver mal no mundo. Mas como pode Deus causar pelo seu decreto tudo o que acontece e não ser culpado pelas ações malignas de suas criaturas? A ação de Deus, dessa maneira, estaria sendo contaminada pelo pecado. Porém, isso é uma conclusão teologicamente inaceitável, e, portanto, o calvinismo é falso.

Uma resposta proeminente a este tipo de objeção que os calvinistas têm oferecido é o que eu irei chamar de Modelo de Autoria. A estratégia basilar é entender o que se quer dizer por “causa”. Quando Deus decreta algo, ele causa a ocorrência deste algo. Entretanto, o modo de causar de Deus é único e diferente do modo de causar de suas criaturas.

À luz da distinção Criador-criatura em que há dois níveis de realidade completamente diferentes, o do Criador e da criatura, devemos reconhecer que a causalidade divina é de uma ordem totalmente diferente da causalidade das criaturas.

A causalidade de Deus não é como se fosse um tipo de efeito dominó. Em que Deus cria o organiza um sistema complexo de dominós e inicia seu plano providencial com um peteleco. Conforme demonstrado na imagem a seguir. Esse modelo dominó da providência falha em refletir a realidade de que a causalidade divina opera em um nível fundamentalmente diferente da causalidade intramundana.


Um modelo muito mais adequado seria o que poderíamos chamar de Modelo de Autoria da Providência. Nesta maneira de pensar, os atos de criação e providência de Deus são análogos à criação humana de um romance. No nível fundamental, o autor determina tudo o que ocorre em seu romance. Ele cria o mundo, circunstâncias e personagens com determinadas personalidades e papéis no enredo geral. Alguns dos personagens podem cometer ações moralmente condenáveis, até perversas - ações que o próprio autor desaprova, mas que são necessárias para o objetivo da história e seu resultado. O Modelo de Autoria pode ser representado na imagem a seguir.


O modelo de autoria ensina que Deus é o autor de toda a história, incluindo das ações malignas de suas criaturas. Porém, ele é autor em um sentido moralmente inofensivo. Pois o autor desaprova e não prática atos malignos. A verdadeira questão é se o calvinismo implica que Deus é "o autor do pecado" em qualquer sentido moralmente condenável.


A partir das nossas distinções, podemos dizer que as criaturas, no sentido intramundano, causam o mal, mas Deus nunca, no sentido intramundano, causa o mal. Deus, no entanto, no sentido autoral, causa as criaturas que, no sentido intramundano, são causadoras do mal.

Mesmo que seja errado no sentido intramundano causar o mal ou causar outras pessoas causarem o mal, tal princípio não se aplica à causalidade divina. A causalidade divina é sui generis. Ela opera em um nível diferente da causalidade intramundana. Ela é única em vários aspectos. A causalidade divina cria coisas do nada, sustenta e destrói as coisas da existência. Além de serem atemporais e não-espaciais. Propriedades que a causalidade intramundana não exibe. Até que algum argumento seja dado contra isso, o calvinista está justificado a acreditar que a culpabilidade moral é mais um ponto de diferença entre causalidade intramundana e divina. Em que Deus, mesmo causando tudo o que acontece, a sua causalidade é de tal tipo que não o torna culpado num sentido moralmente condenável pelas ações malignas de suas criaturas.

Confira neste vídeo uma explicação mais abrangente:


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Autor:Gabriel Reis
Divulgação: Bereianos
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Deus não é o autor do pecado

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Esta ideia pode nos ocorrer como consequência de que tal cooperação [Deus e homem] se daria na seguinte forma: há apenas uma causa para todos os movimentos e atividades. Sendo assim, Deus seria o único agente ativo, ao passo que o homem e todas as demais criaturas seriam inteiramente passivas, sendo colocados em movimento como as cordas de um instrumento musical, que são inteiramente passivas e cujo movimento é causado somente pelo músico.

Minha resposta a isto é: “De modo nenhum!” Pois ainda que as criaturas atuem como meios em relação umas às outras, quando Deus as utiliza na execução de Sua obra e propósitos, não obstante elas são a causa primária de seus movimentos e atividades. Isso não quer dizer que, com relação a Deus, fossem independentes dEle, mas, sim, com relação a outras causas subordinadas, bem como às consequências de suas atividades. Não há inconsistência no fato de que duas causas de uma ordem diferente possuem o mesmo resultado, especialmente visto que o resultado é o mesmo, procedendo de ambas as fontes de um modo diferente.

A designação de Deus como a única causa de todos os movimentos, fatos e atividades, e a proposição de que o homem é consequentemente passivo e inativo é o resultado da cegueira e ignorância concernente ao poder e sabedoria de Deus. É um erro refutado tanto pelas Escrituras quanto pela natureza.

Primeiro, uma vez que Deus impôs uma lei sobre o homem, a qual apresenta tanto promessas quanto ameaças, o homem não é, portanto, passivo, mas é, em si mesmo, a causa movente de seus atos. Deus não pode impor uma lei sobre Si mesmo, nem fazer promessas a Si mesmo, nem ameaçar a Sua própria pessoa. Visto que a lei com suas promessas e ameaças foi dada ao homem para o propósito de reger sua conduta, o homem, por conseguinte, deve ser o elemento ativo para, então, receber as promessas ou ameaças.

Em segundo lugar, se o homem fosse meramente passivo em todos os seus movimentos, ele não poderia ser sujeito à punição, pois esta é a execução da justiça, em resposta à transgressão da lei. Se o homem não tivesse infringido nada, mas fosse simplesmente um objeto passivo da atividade de Deus, ele não teria cometido mal algum, e, portanto, com base na justiça, não poderia ser punido ou condenado.

Em terceiro lugar, se o homem fosse unicamente passivo e Deus fosse o único agente ativo em seus movimentos e atos, todos eles – tanto naturais quanto os pecaminosos (longe de nós esta afirmação de que Deus cometeria iniquidade) – teriam sido cometidos por Deus e seriam, pois, atribuídos a Ele. Então seria Deus, e não o homem, quem estaria andando, falando, escrevendo ou lendo. Destarte, o homem não oraria nem teria fé, mas Deus estaria orando para Si mesmo, e crendo em Si mesmo por meio de Jesus Cristo. O homem não seria culpado de forjar ídolos; o homem não usaria o nome de Deus em vão; não transgrediria o Sábado; o homem não desobedeceria aos seus pais; não seria culpado de ódio, ira, porfia com relação ao seu próximo, etc. Não odiaria a Deus, dado que seria apenas passivo e, assim, inativo. Tudo isto seria atribuído a Deus – o que seria a blasfêmia, em seu último grau.  

Em quarto lugar, as Escrituras claramente afirmam que o homem anda, vê, escuta, fala, crê e ora. Semelhantemente afirma que o ser humano peca e está sujeito, com justiça, à condenação. Não é necessário citar todos os textos que mencionam isso. Paulo observa: “porque somos cooperadores de Deus” (1 Co 3:9). Tal verdade é corroborada também quando ele afirma: “desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2:12-13). Deus é a causa eficiente desta atividade, mas o homem é a causa subjetiva dessa mesma obra (a salvação), produzindo essas atividades a partir do interior de si mesmo. Essas atividades devem, portanto, ser atribuídas ao homem de acordo com este princípio: O nome é atribuído à causa formal. Em Filipenses 2:12-13, o homem é exortado a ser ativo com relação à sua salvação, sendo convencido e incentivado com respeito ao seu dever. Entretanto, ele é simultaneamente instruído acerca de sua pecaminosidade e incapacidade espiritual, para que não venha a entreter nenhuma noção de bondade de sua vontade, nem ser encorajado a ser ativo na salvação pautando-se em sua própria força. Por outro lado, não deve ser desencorajado quando percebe sua fraqueza, pelo contrário, deve ser exortado pelo fato de que Deus o auxilia, sendo Ele o iniciador de sua (do homem) ação, trabalhando poderosamente nele para que tome posse desse poder e aja em virtude dele.

Objeção #1: Tal cooperação faz de Deus o autor do pecado?

Resposta: De modo nenhum! É preciso distinguir entre a atividade em si, tal como o entender, o desejar, o ver, escutar, falar, trabalhar, e o contexto no qual essa atividade necessariamente se dá: isto é, a lei de Deus. A atividade em si mesma é natural e não é boa nem má; contudo, quando vista dentro do contexto da lei, de acordo com o qual deve ser julgada, na medida em que o sujeito, o tempo e a modo estão relacionados, essa atividade se torna boa ou má. Quando discutimos a cooperação de Deus, compreendo que ela se refere às dimensões naturais dessas atividades ou movimentos em si mesmos. Todavia, não é verdade no que se refere ao mau uso dessa atividade, à falta de conformidade com a lei, nem ao mal porventura realizado nela. Um indivíduo pode ser a acusa de atividade em outra pessoa, mas não do mal que a acompanha. O governo é a causa do carrasco açoitar o prisioneiro, mas não é a causa do modo cruel com o qual o algoz aplica o castigo. Um músico é a causa da corda do instrumento produzir o som, mas não a dissonância, que procede da corda. Um condutor pode conduzir seu cavalo e assim avançar. Eis o nosso caso em questão. A atividade em si procede de Deus, mas o homem a corrompe devido à sua corrupção interna. Consequentemente, não é Deus – mas o homem – a causa do pecado.

Objeção #2: Essa cooperação inicial e definitiva de Deus não elimina a vontade humana?

Resposta: De modo nenhum! A liberdade da vontade não é uma liberdade da neutralidade; isto é, da indiferença quanto a realizar ou não algo, mas, sim, de consequência necessária, vindo à tona a partir da própria escolha, inclinação ou prazer do indivíduo em fazer ou não determinada coisa. A cooperação de Deus permite o homem ser ativo em harmonia com sua natureza, isto é, mediante o exercício de sua vontade. Há, pois, harmonia entre a cooperação de Deus e a vontade humana. Deus ativa a vontade, e o homem, então, a exerce.   

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Autor: Wilhemus à Brakel
Fonte: The Christian’s Reasonable Service
Tradução: Fabrício Tavares
Divulgação: Bereianos
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Deus é o autor do mal? O que dizem as nossas Confissões?

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Por Rev. Adriano Gama


Quando falamos do Mal não é sobre as catástrofes, doenças, guerras, desastres, crises, a morte física, etc. O Mal que consta na pergunta é o Mal Moral, ou seja, de onde veio os pecados tanto de Satanás como dos homens.

O tema sobre a questão da autoria do Mal foi levantado dentro de nossas congregações devido ao anúncio da suspensão de um dos nossos oficiais do exercício do seu ofício. Este oficial, dentre outras coisas, professou que cria que Deus é o Autor do Mal. A suspensão deixou a igreja triste e suscitou na mente de alguns irmãos indagações sobre a origem do Mal.

Esta palavra que coloco no Boletim não deve ser tomada como um estudo profundo sobre a origem do Mal e defesa da Fé Cristã. Mas, são orientações aos membros da Igreja, a fim de acalmar seus corações e estimulá-los a buscarem consolo e paz naquilo que eles professam à luz da Escritura.

De onde veio o Mal é uma pergunta que tem intrigado a mente de muitos cristãos há séculos. E as igrejas de Cristo na História tem tratado essa questão de modo cuidadoso e humilde.

E a Igreja de Cristo com cuidado e humildade buscou na Escritura responder as perguntas: Deus é soberano e sustenta e comanda tudo segundo Sua vontade? Então, como fica a questão das Quedas do diabo e do homem? Foi Deus o Autor destas quedas? De onde veio o orgulho, mentira e ódio de Satanás? De onde veio a ganância e insubmissão de Adão? Estas criaturas não foram criadas boas?

As igrejas de Cristo souberam responder essas indagações. E um exemplo muito lindo desse cuidado e da humildade bíblicos são as nossas Confissões de Fé. Essas Confissões não são a Palavra de Deus, mas ecoam a fiel doutrina da Escritura, incluindo o que a Palavra de Deus diz sobre a Origem do Mal.

Onde em nossas Confissões podemos aprender sobre a origem do Mal? Nos seguintes lugares (É de suma importância que você veja as bases bíblicas nas notas de suas Confissões):

         • Confissão de Fé Belga – Artigos: 1, 2, 7, 12, 13, 14, 15, 16, 17.
         • Catecismo de Heidelberg – Dias do Senhor 3 e 4.
         • Cânones de Dort  Cap I, Arts. 5-7; 15; Cap II, Art. 6; Caps. III/IV, 1,             2, 9, 16.

Estude estas passagens. Mas, é importante destacarmos a Confissão de Fé Belga no seu Artigo 13 sobre a Providência de Deus:

“Cremos que o bom Deus, depois de haver criado todas as coisas, não as abandonou nem as entregou ao destino ou acaso, mas segundo a Sua santa vontade Ele as rege e governa de tal modo que no mundo nada acontece sem a Sua determinação. Deus, contudo, não é autor nem é culpável dos pecados que se cometem, pois Seu poder e bondade são tão grandes e incompreensíveis que Ele ordena e faz Sua obra de modo mais excelente e justíssimo, ainda que os demônios e os ímpios ajam com injustiça. E quanto àquilo que ele faz que ultrapassa o entendimento humano, não queremos investigar curiosamente além de nossa capacidade de entender. Mas adoramos com toda humildade e reverência os justos juízos de Deus, que nos estão ocultos. Contentamo-nos em ser discípulos de Cristo, que devem aprender apenas o que Ele nos ensina em Sua Palavra, sem transgredir esses limites. …”.

O Artigo 13, com base na Palavra de Deus, fala da Doutrina da Providência. Nele a Igreja confessa a Bondade e Soberania de Deus que sustenta e domina todas as coisas da sua criação “segundo a Sua santa vontade, Sua determinação”. E note que, ao mesmo tempo, na mesma doutrina, temos o cuidado de não fazer Deus o “autor e nem culpável dos pecados que se cometem pelos demônios e dos ímpios”. Na Confissão a Igreja justifica esta afirmação com base na grandiosidade do poder e da bondade de Deus revelada na Escritura, que mostra que Deus ordena e faz a “Sua obra de modo mais excelente e justíssimo, ainda que os demônios e os ímpios ajam com injustiça”.

Outro detalhe é que a nossa Confissão também manifesta a humildade cristã de se submeter a revelação da Escritura, quando nossas mentes limitadas não conseguem entender como se combina as ações soberanas, bondosas, excelentes, santas e justas de Deus e a responsabilidade dos demônios e pecadores quanto a Queda e seus pecados.

Saiba que muitos cristãos são mortos na Fé, pois são levados pelo diabo e por homens soberbos a usarem a lógica humana como um submarino que conseguirá levar o homem até às profundezas dos mistérios de Deus. A lógica tem o seu lugar como instrumento para aprofundar nosso conhecimento sobre Deus e suas obras. Porém, a lógica como um submarino pode falhar e tem um limite de profundidade para nos manter seguros no estudo dos mistérios de Deus. Esse limite é a Revelação da Escritura.

Se quisermos ultrapassar com a lógica os limites da Escritura, então, seremos esmagados e arrastados para a mais profunda morte. Por isso, o cristão se limita à Revelação da Escritura. Por esse motivo, humildemente, professamos que Deus “não é o autor nem é o culpável dos pecados que se cometem”. E, além disto, adoramos com toda humildade e reverência os justos juízos de Deus, que nos estão ocultos.”

Esta atitude humilde da Igreja aos limites da Revelação já é manifestada na sua crença que a Escritura é a Palavra de Deus e que ela foi preservada durante séculos, na Santíssima Trindade, na Encarnação do Verbo, no nascimento virginal de Cristo. Isto não pode ser diferente quanto a doutrina da Providência de Deus, que nos leva a ver que Deus é Soberano e ao mesmo tempo não é o autor nem o culpável dos pecados dos demônios e ímpios.

Portanto, com estas palavras chamo você a enfrentar esse momento de tristeza e desafio da Fé Cristã que estamos passando. Firme-se nas nossas Confissões que são Bíblicas. E ore para que você como membro da Igreja se contente em ser um discípulo (aluno) de Cristo, que deve aprender apenas o que Ele nos ensina em Sua Palavra, sem transgredir esses limites.

Sendo assim, continue firme e consolado com a Escritura quando se deparar com a profundidade da doutrina da providência e a questão do Mal, por isso continue confessando que: “Deus … não é autor nem é culpável dos pecados que se cometem, pois Seu poder e bondade são tão grandes e incompreensíveis que Ele ordena e faz Sua obra de modo mais excelente e justíssimo, ainda que os demônios e os ímpios ajam com injustiça.” Que o Senhor abençoe e guarde você em Cristo Jesus pelo poder do Seu Espírito e da Palavra.

Meditação:

Viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom Gn 1.31.

Pois Tu não és Deus que se agrade com a iniquidade, e contigo não subsiste o mal” Sl 5.4

Ó profundidade da riqueza, tanto de sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminnhos!” Rm 11.33

Só uma exceção se deve fazer, a saber: que a causa do pecado, as raízes do qual sempre reside no próprio pecador; não têm sua origem em Deus, pois resulta sempre verdadeiro que “A tua ruína, ó Israel, vem de ti, e só de mim o teu socorro” Os 13.9

Leia também: João Calvino - Comentário da Carta Aos Romanos, pág. 71 – Editora Paracletos.

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Fonte: Bandeira da Graça
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Um pedinte cego se torna um apologista




por John Frame


Uma meditação em João 9:1-41

Digamos que você é cego de nascença. Seus pais, ou outras pessoas, tomaram conta de você até os doze anos, mais ou menos, e então você vira um pedinte. Agora você tem por volta de 35 a 40 anos, e a mendicância é a única vida que você conhece. Você conhece um pouco sobre religião, especialmente porque às vezes algumas pessoas se reúnem ao seu redor e discutem a sua situação de problema teológico: “Quem pecou, esse homem ou seus pais, para que ele nascesse cego?”. Isso é um aspecto do que os teólogos chamam de “O Problema do Mal”. Então os teólogos ficam por perto, discutindo sobre você da mesma forma que as pessoas discutem sobre economia ou sobre o clima.

Certa vez, algo diferente acontece. É Sábado, e dessa vez, um dos homens da discussão não dá as respostas de sempre. “Nem ele nem seus pais pecaram”, ele diz, “mas isto aconteceu para que a obra de Deus se manifestasse na vida dele”. Então Deus é o culpado? Foi Deus quem fez isso comigo, você pergunta?

Mas o homem não apenas conversa. Ele cospe no chão, faz lama com sua própria saliva, e a coloca sobre seus olhos. Para que ele está fazendo isso? É algum tipo de brincadeira cruel, para fazer os teólogos rirem do homem que Deus cegou? Então o homem fala “Vá lavar-se no tanque de Siloé”. Bem, provavelmente isso não vai te machucar. E de qualquer forma, você precisa lavar essa lama do seu rosto. Então você vai e se lava. E algo incrível acontece: agora você enxerga!

Você se levanta e caminha, e você sabe exatamente para onde está indo! Você possui um olhar de confiança agora, e de alegria, tanto que as pessoas não sabem ao certo se era você mesmo a pessoa que mendigou por todos aqueles anos. E de repente, os teólogos querem conversar com você: não apenas sobre você, mas com você.

“Então, como foram abertos os seus olhos?”

“Bem”, você diz, “um homem misturou terra com saliva, colocou-a nos meus olhos e me disse que fosse lavar-me. Fui, lavei-me, e agora vejo”

“Onde está esse homem?”

“Eu não sei”. Você responde, sendo o mais honesto possível.

Mas eles perguntam novamente, “o que você diz desse homem?”. Hmm… Qual é a resposta certa? Um profeta? Os Judeus afirmam que ele não pode ser um profeta. Ele é um pecador. Ele não respeita o Sábado. Você diz “se ele é um pecador ou não, eu não sei. Mas uma coisa eu sei. Eu era cego, mas agora posso ver”.

Você mal conhece Jesus, mas de repente, você é um apologista. Apologética é dar a razão da nossa fé. Pedro diz “santifiquem Cristo como Senhor em seu coração. Estejam sempre preparados para responder a qualquer pessoa que lhes pedir a razão da esperança que há em vocês. Contudo, façam isso com mansidão e respeito” (1 Pedro 3.15-16). Você nunca sabe quando alguém vai te perguntar por que você crê, por que você vai à igreja, o que há de bom em Jesus Cristo.

Nós ensinamos apologética no seminário, e enquanto ciência, ela pode ser um pouco complicada. Nós refletimos sobre muitos argumentos a favor e contra o Deus da Bíblia, e sobre muitas formas de defender nossa fé. Muitos acadêmicos se sentem tão confiantes a respeito de seu método apologético que entram em tantas batalhas com outros apologistas quanto com não-cristãos.

Mas o ponto importante da apologética é simples, e todo cristão é chamado para ela. Toda vez que alguém te pedir para dar a razão da sua fé, você deve estar pronto para dá-la. Isso não é difícil. O homem nascido cego não sabia de muita coisa, mas ele sabia que somente Deus poderia fazer os cegos enxergarem. Ele inclusive entendia melhor o Problema do Mal do que os Fariseus: Deus o fez cego para glorificar-Se em Jesus. O cego de nascença não convenceu os Fariseus, mas esse convencimento cabe ao Senhor. Nossa função é de falar honestamente para as pessoas o que Deus fez em nossas vidas e porque nós cremos nele. Ao fazê-lo, nós desafiamos as afirmações que as pessoas usam para afastar Deus de suas vidas e de seus pensamentos. E, se Deus permitir e quiser, nosso testemunho os levará a Jesus.

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Fonte: Frame & Poythress
Tradução: Filipe Schulz
Via: Reforma 21
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O Problema do Mal - Academia em Debate

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Você já ouviu falar do “Problema do Mal”? A expressão se refere à mais difícil pergunta da história da teologia cristã: Se Deus é onipotente e bom, por que ele permite a existência do mal e do sofrimento? Essa pergunta é sempre feita e refeita após alguma calamidade e não foi diferente com Santa Maria. Que Deus esteja com cada um dos enlutados.

Neste vídeo, Augustus Nicodemus conversa com Davi Charles Gomes sobre essa questão. Gomes dá uma resposta abrangente e não simplista. O vídeo é um tanto longo (~30 min), mas cada minuto vale a pena.


Por Augustus Nicodemus Lopes e Davi Charles Gomes. © Instituto Presbiteriano Mackenzie – Academia em Debate. Website: http://www.mackenzie.br/aed.htm

Via: Voltemos ao Evangelho
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O Problema do Mal

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Fonte: Vlog do Yago

Recomendo os videos do Yago, principalmente aos jovens (não que eu seja velho, rs)! Veja o vlog dele clicando aqui!

RM!
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Três possíveis explicações da razão pela qual Deus permitiu o pecado

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Por Samuel Falcão
 
De acordo com tudo quanto foi dito acima, vemos que o mal moral, tanto em sua origem como em seu prosseguimento, foi incluído nos decretos de Deus como permitido, mas permi­tido com algum sábio objetivo.

Que Deus decretou permitir o pecado, desde toda a eterni­dade, vê-se no fato que, também desde toda a eternidade, Ele decretou salvar pessoas mediante a morte de Cristo, como se declara na seguinte passagem das Escrituras: “Não foi medi­ante coisas, corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resga­tados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeito e sem mácula, o sangue de Cristo, conhecido, com efeito, antes da fundação do mundo, porém manifestado no fim dos tempos, por amor de vós” (1Ped.1:18-20; veja-se também o v. 2 e Rom.8:29; 2Tim.1:9; Tito1:2; Apoc.13:8).

Há outra pergunta a fazer em conexão com este magno as­sunto, a saber: Por que permitiu Deus que o mal entrasse no mundo? Se Ele odeia o mal e tem todo o poder, de modo que podia tê-lo impedido, por que o permitiu com suas conseqüên­cias indescritivelmente dolorosas? Esta é a pergunta que mais nos deixa perplexos. Jamais seremos capazes de responder a ela nesta vida.
“A permissão e a presença do pecado no universo, onde Deus infinitamente santo, exerce domínio, oca­sionam um entrechoque de idéias, as quais, por tudo quanto envolvem, nenhum espírito humano pode har­monizar completamente. Tendo-se em vista as duas realidades inconciliáveis, Deus e o pecado, é certo que a solução da dificuldade não será descoberta nem na suposição de que Deus era incapaz de impedir o apa­recimento do pecado no universo, nem de que Ele não pode fazê-lo cessar a qualquer momento. Na pro­cura dessa solução, é certo que o dilema não será ven­cido ou atenuado, supondo-se que o pecado não é excessivamente mau à vista de Deus — pois Ele tem-lhe aversão absoluta. O fato permanece sem modificação, que Deus, ativa e infinitamente santo e absolutamente livre em seus empreendimentos, sendo capaz de criar ou não criar, e de excluir o mal daquilo por Ele criado, permitiu não obstante que o mal aparecesse e ope­rasse na esfera dos anjos e do homem. Esta perplexi­dade sobe de ponto, atingindo um grau imensurável, se considera o fato de que Deus sabia, quando per­mitiu a manifestação do pecado, que este lhe custa­ria o maior sacrifício que lhe seria possível fazer — a morte de seu Filho. As Escrituras atestam, com bas­tante ênfase que (a) Deus é todo-poderoso e, por con­seguinte, não recebe imposição do pecado contra sua vontade permissiva; (b) que Deus é perfeitamente santo e odeia o pecado incondicionalmente; e (c) que o pecado está presente no universo, ocasionando toda sorte de malefícios aos seres criados e que esse dano, em vista da incapacidade de alguns de entrarem na graça da redenção, pesará sobre eles por toda a eternidade”. [1]

Embora as perguntas acerca deste problema sejam de fato desconcertantes, algumas respostas têm sido sugeridas. Vou referir algumas.

1. “Sendo o propósito final de Deus trazer os homens à sua semelhança, estes, para alcançar esse fim, devem chegar a saber em certo grau o que Deus sabe. De­vem reconhecer o caráter maligno do pecado. Este, intuitivamente, Deus conhece; mas tal conhecimento pode ser adquirido, pelas criaturas, apenas por meio de observação e experiência. Obviamente, se o pro­pósito divino tem de ser realizado, ao mal deve-se permitir que se manifeste. O que a demonstração do pecado e sua experiência podem significar para os anjos não está revelado”.[2]

2. Uma segunda explicação é que a existência de agen­tes livres no universo seria uma possibilidade virtual de revolta contra Deus, em qualquer tempo. Noutras palavras, a existên­cia de vontades livres, capazes de se opor à vontade de Deus, seria, por toda a eternidade, um principio potencial de pecado, e tal princípio de pecado tinha de ser trazido “a juízo completo e final”. Deus desejou tornar impossível, no fim, não somente a realidade do pecado, mas até sua possibilidade. Como não é possível condenar uma abstração, Deus permitiu que o pecado ou o mal se concretizasse, de modo a poder ser condenado na cruz, onde seu caráter foi plenamente revelado nos sofrimentos do Filho de Deus. Por essa forma todas as criaturas de Deus aprenderiam que coisa insana, penosa indescritivelmente in­grata e desastrosa é desobedecer a Deus, e depois da experiên­cia dolorosa do pecado todas elas se conformariam natural e alegremente com a sua perfeita vontade e trilhariam seus caminhos sapientíssimos. Foi esta a experiência do Filho Pródigo.

3. Uma terceira explicação é que Deus permitiu o peca­do a fim de ter oportunidade de dar a conhecer sua justiça e sua graça, que jamais poderiam ser reveladas se no mundo não houvesse pecadores, para serem condenados, ou serem salvos. Paulo sugere isso nas seguintes passagens: “Que diremos, pois, se Deus querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu po­der, suportou com muita longanimidade os vasos de ira, prepa­rados para a perdição, a fim de que também desse a conhecer as riquezas da sua glória em vasos de misericórdia, que para glória preparou de antemão?” (Rom.9:22,23). “Assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo... para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado... a fim de sermos para louvor da sua glória” (Ef.1:4-6, 9-12).

É interessante, porém, notar que a Bíblia jamais procura responder nossas perguntas sobre o problema do mal e do so­frimento.

No caso clássico de Jó, a única resposta que Deus lhe deu foi que, se ele não podia entender os fatos mais simples da na­tureza, como podia compreender os mistérios divinos? Todavia, deve ter sido um gozo e glória indizíveis para ele saber que seus sofrimentos contribuíram para a glória de Deus e confusão de Satanás. E note-se também que no fim tudo para Jó veio a ser melhor do que no princípio. E o mesmo acontecerá a todos quantos pertencem a Deus.

No caso do cego de nascença, temos o que podemos cha­mar “o problema do mal num caso concreto”. Cristo, no en­tanto, não procurou responder a pergunta acerca desse proble­ma, porém fez melhor, isto é, primeiro declarou que os sofri­mentos daquele homem foram permitidos para a glória de Deus, e depois o curou. E assim aprendemos que Cristo não veio para responder nossas perguntas quanto ao problema do mal, mas, muito melhor do que isso, veio para destruir o mal. Co­mo Ele disse naquela ocasião: “É necessário que façamos as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar. Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo” (Jo.9:4,5). E havendo dito isso, deu luz ao cego.

Cristo veio para destruir o mal, “para destruir as obras do diabo” (1Jo.3:8). Foi Ele que se tornou semente da mulher para esmagar a cabeça da serpente. E Ele fez isso mediante sua vida, morte e ressurreição (Heb.2:14). Agora Ele está à direita do Pai, aguardando o tempo fixado por Deus, em seus decretos, quando todos os seus inimigos serão postos por es­trado de seus pés (Heb.1:13). No livro do Apocalipse, onde se nos descrevem as últimas coisas, vemos o Cristo vitorioso destruindo todo o mal e toda oposição a Deus, e lançando a an­tiga serpente, que é o diabo e Satanás, no lago de fogo e enxo­fre. Será isso o fim da grande luta anunciada em Gen.3:15, fim glorioso com a vitória completa da luz sobre as trevas, da verdade sobre a mentira, da vida sobre a morte, do bem sobre o mal, de Deus sobre Satanás.

É verdade que não podemos explicar o problema intrincado do mal, mas isso não é o que mais importa: o mais importante é sabermos que o mal será destruído e no final tudo redundará na glória de Deus e no gozo e felicidade de todos quantos lhe pertencem.
 
Notas:
[1] L. S. Chafer, B. S., XCVI: 149, 150
[2] L. S. Chafer, B. S., XCVI: p.152

Fonte: Escolhidos em Cristo – O Que de Fato a Bíblia Ensina Sobre a Predestinação, Samuel Falcão, Ed. Cultura Cristã, 1997.
Extraído do site: [ Eleitos de Deus ]
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Teísmo Aberto e o problema do mal

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Por Leonardo Gonçalves

“Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas” Isaías 45.7

Quando falamos de teísmo aberto no Brasil, é importante mencionar que nem todo mundo que defende, ou que simplesmente crê nas suas doutrinas, se declara teísta aberto. Na verdade, a maioria das pessoas nem sabem o que isso significa. Muitas delas apenas estão buscando respostas para perguntas, tais como “por que há tanta dor e sofrimento no mundo?”, ou “por que coisas ruins acontecem à pessoas boas?” (esta última pergunta é o título do famoso livro do rabino Harold Krushner, um teísta aberto declarado e grande propagador destas doutrinas).

O sofrimento é uma coisa dura de digerir. Lidar com o sofrimento (o nosso e o alheio) é mesmo desconfortante. Falar de um Deus bom em tempos de catástrofes, terremotos, furacões e epidemias, é uma tarefa difícil. Porém, a teologia, a fim de ser bíblica, não pode estar baseada no que a gente pensa ou sente, mas naquilo que Deus diz. Como escrevi na época em que aconteceu aquele desabamento horrível em Teresópolis, “se a sua teologia muda de acordo com o que acontece no mundo, então ela não está baseada em Deus, mas no mundo”.

Assim, o que está em jogo aqui são as nossas convicções. Ora, quando somos confrontados com o mal, a dor, uma perda prematura, um grande sofrimento, traição, etc, nossa fé é posta à prova. E é isso que acontece todas as vezes que um grande mal acomete o nosso mundo: Somos tentados a questionar Deus, e até mesmo a duvidar dele. Outros, em meio a esse aparente paradoxo (a existência de um Deus bom que permite o mal, sendo capaz de usá-lo para obter um fim bom, redimindo a dor no Final), acabam criando outra espiritualidade e também outra divindade, cheia de amor, porém oca em poder. Dizem que Deus não tem nada a ver com terremotos ou tsunamis, e que na verdade ele foi pego de surpresa por tudo isso. É mais ou menos assim que surge o “teísmo aberto”.

Agora, pense um instante comigo: Tá bem que não podemos ser insensíveis e frios ao tratar o sofrimento das pessoas, mas “que direito tenho eu ou qualquer outra criatura de dizer que Deus não pode ter um propósito ao permitir o mal no mundo, e até mesmo usá-lo, com intuito de promover um bem maior?”. Por acaso não é a própria bíblia que declara que a “nossa leve e momentânea tribulação produz um peso excelente de glória?” (2Co 4.17), e que “todas as coisas (sim, TODAS as coisas!) cooperam para bem dos que amam a Deus, e que são chamados por seu decreto”? (Rm 8.28)

Sim, o mal existe no mundo, mas não está fora de controle. Deus, o Soberano do universo, é quem permite que o mal atue no mundo, e através da dor e do sofrimento, nos ensina preciosas lições. Se o escritor aos Hebreus diz que até mesmo Jesus “aprendeu por meio do sofrimento” (Hb 5.8), quanto mais nós, criaturas tão pequenas, acaso não podemos também aprender com a dor?

O sofrimento existe e opera em conformidade aos propósitos de Deus. Por experiência, podemos dizer que ele tem efeitos punitivos e pedagógicos. Punitivos, quando Deus se vale dele para disciplinar a nossa rebeldia. Pedagógicos, quando Deus o utiliza para ensinar lições. (Hb 12.6)

Amados, por pior que seja o sofrimento, sempre podemos aprender dele. Eu também fiquei chocado com o tsunami do Japão, me sensibilizei com as famílias de Teresópolis e chorei pelos pais dos meninos de Realengo. E em meio a tudo isso, aprendi: Aprendi que a vida é delicada, curta mesmo. Ali, em meio aquela catástrofe, pude perceber o quanto nós somos frágeis, vulneráveis. Aprendi a não presumir nada do dia de amanha, pois ele pode não chegar. E por último, aprendi que devo aproveitar ao máximo os meus dias e viver intensamente para a glória de Deus, para que no dia que a morte bater na minha porta – assim como bateu em centenas de portas no Japão, em Teresópolis, em Angra dos Reis e Realengo – eu possa dizer como Paulo: “combati o bom combate, completei a carreira e guardei a fé”.

E se você não consegue digerir a idéia de que até o mal está incluído na soberania de Deus e pode ser usado por ele para produzir um bem maior, raciocine comigo:

“Se a morte de Cristo (o maior crime da história da humanidade, a maior crueldade já idealizada pelos homens: assassinar o Filho de Deus) foi permitida por Deus, planejada por ele e redundou na maior bênçao da história do mundo… Sim, se a maior tragédia e vileza humana, a morte do Filho de Deus, foi revertida no maior beneficio já concedido à criatura pecadora… Então porque as nossas pequenas mazelas cotidianas não podem estar também incluídas no seu senhorio e ser usadas por ele a fim de produzir um bem maior?”

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