Tempo perdido: cuidado para não estragar sua vida

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Imagine um banco que credita na sua conta R$86.400 à meia-noite, logo na virada de um dia para outro. Você tem todo esse dinheiro para gastar, mas no fim do dia a conta é zerada. O saldo não passa para o dia seguinte. O que você faria? Deixaria o dinheiro no banco, ou iria à boca do caixa e retiraria até o último centavo assim que o banco abrisse? Acontece que esse banco existe, todos os habitantes do planeta têm essa conta, mas o crédito é feito a cada dia em segundos. Você tem diariamente exatamente 86.400 segundos para usar a cada 24 horas e o saldo não é transferido para o dia seguinte. Ricos, pobres, americanos, brasileiros, europeus, árabes, eslavos, asiáticos – todas as pessoas de todas as nacionalidades e de todas as classes sociais têm exatamente a mesma quantidade de tempo, dia após dia para as atividades da vida. E não é uma conta especial – a conta não admite ir além do saldo. O único investimento válido é aquele que é produtivo para a sua vida, de alguma forma. Você tem que aplicar esses segundos em algo que valha alguma coisa, que faça diferença em sua vida. E você também, nessa conta, não pode tomar emprestado de outra pessoa.


Tempo, o grande equalizador. Assim é o tempo: o único ativo que é igual para todos na face da terra. Algumas pessoas têm mais beleza do que outras; outros têm talento acima da média; alguns têm mais oportunidade ou condição social melhor do que outros – mas o tempo nos nivela a todos. Ninguém tem mais tempo por dia do que a pessoa ao seu lado. Por isso ele deve ser utilizado com sabedoria e é exatamente ele que pode significar a nossa ascensão, ou o nosso declínio nas nossas jornadas, quer seja na vida estudantil, quer seja em nossas carreiras, ou até em nossos relacionamentos. É dentro do tempo que recebemos que definimos também os nossos destinos últimos, na vida – a nossa eternidade. Uma das expressões mais comuns é: “não tenho tempo”, mas a realidade é que todos nós temos tempo, o mesmo tempo. Por que uns conseguem utilizá-lo adequadamente e outros não?

O tempo não pode ser desperdiçado, não deve ser perdido. E isso é uma realidade na vida de todos. Você mesmo, com certeza, já utilizou outra expressão: “Perdi o meu tempo” – quando avaliou alguma experiência na qual julgou que o investimento do seu tempo, de sua vida, não contribuiu em nada, não valeu a pena. Percebe como essa situação revela uma equação incontestável? Tempo = Vida. 

Benjamin Franklin escreveu: “Tempo perdido, nunca é achado”. Ou seja, o sentimento é sempre de frustração, de nostalgia, de perda, mesmo. Por mais que você se esforce para recuperar “horas perdidas”, não conseguirá, pois terá de aplicar mais horas para realizar o que deixou de fazer, enquanto “perdia o seu tempo” com algo que “não valeu a pena”. Perda, nessa questão do tempo, é perda irreparável, para a vida toda, o  tempo não é reciclável e simplesmente some de sua vida.

Normalmente não damos muito valor ao tempo, ou aos seus marcadores: segundos, minutos, horas, dias, meses, anos. Vamos levando a vida sem pensar nessa questão, até como se fôssemos viver para sempre. Mas cada intervalo de tempo tem um valor inestimável. Reflita:

Para aferir o valor de um ano – pergunte a um colega seu que foi reprovado – ou pode ser até que essa sensação faça parte de sua vida. Tudo que aconteceu durante todo um ano que passou, terá que ser repetido, para que a vida estudantil continue, mas o tempo aplicado não será recuperado.
 Para aferir o valor de um mês – pergunte a uma mãe de um bebê que nasceu prematuramente. Quanta diferença nos cuidados e apreensões faria mais um mês de gestação, tanto para a mãe como para a criança.
 Para aferir o valor de uma semana – fale com o editor de uma revista semanal. Note como ele valoriza cada fração de tempo daquela semana, pois o ciclo se fecha e se repete com uma enormidade de trabalho a ser realizado dentro de tão pouco tempo.
 Para aferir o valor de um dia – fale com uma diarista que depende do salário daquele dia para colocar comida na boca dos filhos. Se ela perde aquele dia, não recebe o seu pagamento.
 Para aferir o valor de uma hora – pense como ela passa rápido quando você está com a sua namorada, ou como ela demora a chegar, quando você a está esperando em um encontro marcado.
 Para aferir o valor de um minuto – pergunte a alguém que perdeu um voo porque chegou “apenas” um minuto após a porta de embarque ter fechado.
 Para aferir o valor de um segundo – pergunte a algum atleta que deixou de ganhar o primeiro lugar por que o oponente chegou “apenas” um segundo na frente dele, ou até com uma fração decimal, centesimal, ou milésima de um segundo. 

A preciosidade do tempo.
A realidade é que o tempo é tão precioso que uma vida que dura quatro minutos pode ter um impacto fenomenal em inúmeras pessoas. Isso aconteceu com o bebê Isaac Joseph Schmall, que nasceu em 10 de novembro de 2008. Seus pais sabiam que a gravidez era problemática. O bebê Isaac tinha uma doença rara chamada Trissomia 18, ou Síndrome de Edwards. Isso quer dizer que em cada célula do seu corpo ele tinha uma cópia extra do 18º cromossomo. Três cromossomos, em vez dos dois existentes em uma concepção e desenvolvimento normal. Bebês com essa deficiência geralmente não sobrevivem o período de gestação, alguns falecem após o parto.


Isaac morreu 4 minutos após o nascimento. Seus pais o tiveram em seus braços nesse curto período de tempo. John Schmall, o pai, descreveu o impacto da notícia, as agruras do acompanhamento da gravidez, e, principalmente, a emoção de tê-lo nos braços por aquele pequeno espaço de tempo em um texto que tem rodado a Internet: “Quatro minutos que mudaram a minha vida para sempre”! John descreveu como esses quatro minutos mudaram a sua perspectiva de vida dali em diante. Mais recentemente, em 2013, sua esposa indicou o efeito causado nela por aqueles minutos e por aquela pequena vida, com um longo texto, publicado no blog do esposo. Nele ela escreveu:

Isaac viveu por quatro minutos, mas o impacto que ele causou nesse espaço de tempo é palpável.  Deus me deu 35 anos de vida. Isso faz com que eu queira extrair o máximo desses anos. Desperto todos os dias agora e agradeço a Deus por me dar mais um dia de vida, no qual posso desfrutar de minha família, do meu trabalho, da minha igreja, de minha cidade e, principalmente, do meu relacionamento com Ele.

O relato dos pais de Isaac tem tocado vidas ao longo dos anos e canalizado recursos e esforços para a Fundação Trissomia 18, que estuda a enfermidade. O valor que eles conseguiram enxergar nesses 4 minutos de vida é um testemunho à preciosidade do tempo.


Tempo perdido, oportunidades perdidas. Ao longo da vida encontramos muitas oportunidades e portas que se abrem. Elas podem ser ganhas com tempo aplicado adequadamente, ou perdidas, com tempo desperdiçado em coisas inúteis. Essa é uma realidade especialmente na vida de estudantes universitários. Quantas oportunidades existem! Muito a aprender nos cursos da carreira escolhida; amigos novos, vários com interesses comuns aos seus; eventos culturais; feiras e eventos, de recrutamento, estágios; “empresas júnior” e incubadoras, nas quais eles já podem começar os primeiros passos na profissão; locais de descanso e de estudo, alguns bem aprazíveis, no meio da metrópole de concreto. Mas na realidade, as oportunidades existem também para desperdiçarmos tempo, e elas parecem brotar do solo a todo instante.

Se tivéssemos sempre os pés bem firmados em princípios e valores eternos e conseguíssemos compreender bem que o que fazemos no presente afeta o nosso futuro, saberíamos que podemos também criar oportunidades, com nossa atitude (não é só esperar que elas surjam à nossa frente). Mas, especialmente, que nunca deveríamos perder tempo. Cada minuto conta, cada hora é valiosa, mas parece que somos especialistas em desperdiçá-las. E nesse processo podemos ser tão intensos que corremos o risco de estragar a vida inteira. Veja a seguir algumas situações em forma de depoimentos que refletem situações nas quais perdemos tempo – Você se vê em alguma dessas situações?

• Vivo conectado o tempo todo, surfando na Internet, em mídias sociais. Na realidade, não consigo parar dois minutos sem pegar meu smartphone, e quando percebo, já passei 20 minutos trocando mensagens bobas.
 Tenho umas amizades que não são lá muito boas e como elas sugam meu tempo! Não consigo dizer não e indicar que tenho coisas realmente importantes para fazer, e passo horas só batendo papo, que não tem nada a ver com o que eu deveria estar envolvido.
 Não consigo dormir cedo. Acho que estou até “ganhando tempo”, não dormindo, mas na realidade fico inventando coisas para ver ou fazer e estou mesmo é roubando tempo do descanso. No dia seguinte, perco tempo com a sonolência constante e fico meio “desligado” por um bom tempo, quando deveria estar com o corpo descansado e a mente aguçada, para absorver conhecimento – afinal, estou na escola!
 Sei que tenho deveres, tarefas, trabalhos de escola, mas fico empurrando tudo para frente (adiando), achando que “vou conseguir dar um jeito” e terminar tudo a tempo. Perco tempo com coisas sem foco nos meus trabalhos e fico agoniado, pois sei que o professor não vai adiar o prazo.
 Não consigo me organizar ou sistematizar minha rotina e dar prioridade às coisas que tenho de fazer. Porque sou desorganizado, levo mais tempo achando as coisas, os lugares, as pessoas, perco compromissos. No fim do dia acho que não fiz nada de útil. Vivo fazendo só o que é urgente, mas no final,  tudo vira urgente!
 Adoro festas, companhia barulhenta, os barzinhos da redondeza. Às vezes mato a primeira aula – afinal todos chegam atrasados, não é? Ou saio antes do final, mas vou, junto com a “turma” para o bar. Bebo demais. Lá em casa nem sabem que estou usando algumas drogas. No dia seguinte estou um lixo – nem consegui dormir, “vidrado”. Nem sei o que fiz, ou que deixei que fizessem comigo enquanto eu estava chapado. Estou moído e nem sei quem me bateu. Não consigo me concentrar em nada. Até quando estou na classe estou perdendo o que está sendo dito. O que vou fazer na prova final?
 Sou vidrado em videogames. Só penso nisso; todo o meu tempo livre, acho uma maneira de jogar. Não vou bem na classe, não encontro tempo para estudar.

Cada uma dessas situações significa perda de tempo, e assim você vai desperdiçando a vida, mesmo se se enquadra minimamente em alguma delas. Você pode ir até se enganando, achando que está aproveitando o tempo, aproveitando a vida, em coisas que não constroem, mas antes que você se aperceba, pode esbarrar na expressão inevitável e imutável: Game Over”! A brincadeira um dia termina e a conta do pedágio pode ser alta demais e impagável.


Algumas filosofias, como o existencialismo, ensinam que o que importa é o aqui e o agora. Mas será? Esse pensamento sempre esteve presente na história da humanidade, e muitos, realmente, acham que a postura de vida deve ser: “comamos e bebamos, porque amanhã morreremos!”. Quem pensa assim realmente compreende que a vida é curta. No entanto, acha que “aproveitar a vida” não é sorvê-la cuidadosamente, com as prioridades bem aguçadas, prosseguindo avante com um propósito bem definido, mas é exatamente o contrário. “Viver intensamente” para algumas pessoas significa desperdiçar a vida com as coisas que, aparentemente, satisfazem as sensações e trazem prazer – sem quaisquer referências éticas, mas que nos levam a gastá-la com o aqui e agora. É a atitude que nos levará, no futuro, a lamentar o “tempo perdido”, as oportunidades jogadas fora, o desperdício da própria vida.

Quando falamos de “não perder tempo”, não queremos dizer que todo lazer é perda de tempo. Deus nos fez criaturas que precisam do descanso e do lazer. Não devemos ser escravos do relógio, mas ele é o grande aliado para que tracemos a proporção correta entre os diversos aspectos de nossa vida. Precisamos de tempo para o cuidado pessoal, para a família, para os relacionamentos, para os estudos, para adoração; enfim, tudo na proporção e prioridade corretas. Devemos, também, ter a consciência de que, nas diferentes fases da vida, alguns aspectos devem receber a prioridade. Por exemplo, estudantes têm que priorizar os estudos, pois ele é fundamental para as fases seguintes da vida. A questão é que não podemos transformar a diversão na prioridade de nossas vidas e muito menos nos deixarmos levar pela dissolução social e moral.

O conselho de um grande acadêmico, sobre o tempo. O grande filósofo, erudito e pregador Jonathan Edwards – fundador da Universidade de Yale –, escreveu sobre o tempo,[1] em dezembro de 1734. Seus pensamentos seguem, a seguir, resumidos. Ele coloca quatro razões por que o tempo é precioso:

1. Porque é neste tempo que ajustamos nossa vida para a eternidade, com o Criador.
2. Porque ele é curto. É uma comodidade escassa. Quando comparado não somente à eternidade, mas à própria história da humanidade, nossa vida é apenas uma pequena marca nela. (o que é a vossa vida?)
3. Porque é impossível termos certeza de sua continuidade. Podemos perder a nossa vida repentinamente, por mais jovens que sejamos.
4. Porque depois que ele passa não pode ser recuperado. Muitas coisas que temos, se perdidas, podem ser recuperadas, mas não o tempo perdido.

Por isso ele conclama aos seus leitores que reflitam sobre tempo que passou. Em como ele foi desperdiçado e que coisas poderiam ter sido realizadas. O que você fez com todos os anos e dias que você recebeu de Deus? Ele termina indicando que, em geral, não prestamos muita atenção à preciosidade do tempo. Não damos muito valor a isso. Edwards continua dizendo que essa valorização só vem tardiamente e pergunta: quanto poderíamos aproveitar se tivéssemos essa percepção aguçada o tempo todo? Ele indica várias formas de como perdemos tempo e desperdiçamos a vida:


1. Muitos desperdiçam o tempo fazendo nada, acometidos de uma preguiça renitente.
2. Outros desperdiçam o seu tempo em bebedeiras, em bares, abusando de seus corpos em atividades que lamentarão consideravelmente anos após, se sobreviverem aos próprios desmandos a que se submetem, angariando para si pobreza, em todos os sentidos...
3. Alguns desperdiçam o tempo fazendo o que é mau, o que é reprovável, o que prejudica o próximo. Passam o tempo sugados pela dissolução moral, maquinando corrupção, fraude; afundando-se na ilusão de que poderão levar vantagem em tudo.
4. Por último, um grande número desperdiça o tempo e a vida tentando “ganhar o mundo”, progredir na carreira, avançar na vida, angariar mais e mais bens e coisas materiais, mas esquecidos das questões eternas e da nossa própria eternidade. Negligenciando as coisas de Deus, a nossa vida espiritual, a nossa necessidade de Salvação do pecado que nos rodeia e que está em nós, e que só é encontrada em Cristo Jesus.

Finalmente, Edwards nos relembra que todos nós teremos de prestar contas a Deus pelo tempo que recebemos dele. O que fizemos com ele? E, assim, conclama a que nos esforcemos para fazer cada segundo, minuto ou hora de nossas vidas, contar positivamente. Em vez de nos desencorajarmos pelo tempo perdido, ou ficarmos deprimidos por nossos desperdícios, aprendamos com os erros do passado, para darmos o rumo certo aos nossos passos futuros.


As palavras de Edwards não parecem ter sido escritas há 280 anos, não é mesmo? Na época dele não havia computador, nem baladas, nem raves, nem mídia social. O álcool já fazia os seus estragos, mas era a maior droga disponível (hoje temos drogas muito mais destrutivas do cérebro e da saúde em geral). No entanto, ele sabia bem o que era “perder tempo” e desperdiçar a vida. A natureza humana continua a mesma. Os alertas continuam válidos. Vamos parar de perder tempo e vamos cuidar bem da nossa vida, conscientes de nossos deveres para com Deus e para com os nossos semelhantes?

Resgatando o tempo. As pessoas falam muito sobre “falta de tempo”, “perder tempo”, “gastar tempo”, “passar o tempo”; mas você já ouviu falar de se resgatar o tempo? A primeira coisa a fazer é identificar quem ou o que está sequestrando o seu tempo e já colocamos uma boa relação de possibilidades. Você pode começar fazendo a sua própria relação – aquelas coisas que estão roubando o tempo de sua vida.

A expressão resgatar o tempo foi utilizada por uma pessoa que estava inocentemente presa, apenas pelas coisas que proclamava, e que sabia muito bem o valor do tempo e o quanto custava perdê-lo. Refiro-me ao apóstolo Paulo. Em uma das cartas que escreveu enquanto estava na prisão, ele disse: “[...] vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo, porquanto os dias são maus”. (Efésios 5.15-16).

A palavra “remir” significa exatamente “resgatar”; o sentido é o de “comprar de volta o que antes nos pertencia”. É a mesma ideia de alguém, uma pessoa, que é sequestrada: a família fica desesperada. A pessoa preciosa e querida foi roubada e agora estão pedindo dinheiro por ela! Assim é com o tempo! Ele é nosso, mas estamos rodeados de salteadores que o roubam de nós. Sequestro implica em refém. Vimos que tempo é vida. Se alguém ou algo sequestra o seu tempo, tem você como refém. Preste atenção à sua vida. Veja quais são os “ladrões” do seu tempo; o preço do resgate é a sua conscientização da importância do tempo, a coragem para tomar decisões importantes, a adoção de uma perspectiva de vida fundamentada na verdade, a percepção de que a vida não pode ser desperdiçada. Paulo considerava essa questão de entesourarmos o nosso tempo algo tão importante, que repetiu a mesma expressão em outra carta que escreveu da prisão aos Colossenses.

Veja que o texto de Paulo começa com um apelo a andar prudentemente. Prudência é uma condição fundamental para não desperdiçarmos a nossa vida. Perder tempo é, portanto, uma grande imprudência. A palavra também pode ser traduzida como diligentemente ou precisamente. Essas duas últimas palavras têm tudo a ver com tempo, não é mesmo? Diligentemente = fazer as coisas com concentração e de forma rápida; precisamente = fazer com precisão cronométrica, ou na medida certa. O apelo é para andarmos como sábios e não como tolos (“néscios”). Quantas pessoas não estão nesse momento perdendo tempo, desperdiçando a vida, achando que estão “abafando”, que estão aproveitando a juventude? Mas estão apenas demonstrando irresponsabilidade, falta de inteligência e que são, na realidade, bobos.

A ideia é a de que o tempo naturalmente vai se esvaindo. Você tem que tomar as rédeas de sua vida; se a ela for vivida ao sabor das circunstâncias, o desperdício será o curso natural. O texto termina expressando uma realidade: “os dias são maus”. A maldade, a violência; a fragmentação dos costumes, da ordem, da responsabilidade para com o nosso próprio corpo e para com a vida dos outros estão em toda parte.

Você tem consciência disso? Cuidado para não estragar sua vida! Os dias são realmente maus! O sábio Salomão já alertava 1000 anos antes de Cristo, para que nos lembrássemos do nosso Criador nos dias da nossa mocidade (Eclesiastes 12.1). O alerta continua válido. Jesus Cristo é aquele que traz a mensagem do Criador. Por intermédio dele é que nos achegamos a Deus. Alicerçado nele, utilize bem o seu tempo, caminhe com segurança e com a certeza de que ele pode abençoar os seus passos e orientá-lo a uma vida proveitosa e plena, para você e para aqueles com quem você conviver.

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Nota:
[1] http://www.apuritansmind.com/puritan-favorites/jonathan-edwards/sermons/the-preciousness-of-time-and-the-importance-of-redeeming-it/ , acessado em 29.12.2015.

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Autor: Pb. Solano Portela
Fonte: Texto completo do livreto lançado em 01.02.2016, pela Chancelaria do Mackenzie, como parte de uma série, de vários autores, para jovens universitários, como parte do cerimonial para recepção de novos alunos.
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Instruções úteis para a leitura e pesquisa das Escrituras

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1. Siga um plano regular de leitura que você esteja familiarizado com o todo, faça essa leitura uma parte de suas devoções particulares. Não que você deva limitar-se apenas a um plano de conjunto, de modo a nunca ler por escolha, mas normalmente isso tende mais para edificação. Algumas partes da Bíblia são mais difíceis, algumas podem parecer muito enfadonhas para um leitor comum, mas se você olhar para elas como a Palavra de Deus, não para serem desprezadas, e lê-la com fé e reverência, sem dúvida, você encontrará vantagem.

2. Defina uma marca especial [versículo chave], no entanto, quando achar conveniente, naquelas passagens que você leu, o que você achar mais adequado ao seu caso, condição ou tentações, ou, como seu coração se mover mais em algumas passagens do que outras. E será rentável, muitas vezes, rever tais passagens.

3. Compare uma Escritura mais obscura com outra que é mais simples, 2 Pedro 1:20. Este é um excelente meio para descobrir o sentido das Escrituras, e é de bom uso se servir das notas marginais nas Bíblias. Mantenha Cristo no seu olho, pois as Escrituras do Antigo Testamento apontam para Ele (em suas genealogias, tipos e sacrifícios), bem como as do Novo Testamento.

4. Leia com atenção santa, decorrente da apreciação da majestade de Deus e a reverência devida a Ele. Isso deve ser feito com atenção, em primeiro lugar, as palavras, em segundo lugar, com o sentido e, em terceiro lugar, com a autoridade divina da Escritura, e a obrigação se estabelece na consciência para a obediência, 1 Ts. 2:13, "Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes."

5. Deixe o seu principal objetivo na leitura das Escrituras ser prático, e não o conhecimento descoberto, Tiago 1:22: "Tornai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a voz mesmos." Leia o que você pode aprender e fazer, e que, sem qualquer limitação ou distinção, mas que tudo o que você vê que Deus requer, você pode estudar para a prática.

6. Implorar de Deus e olhar para Ele por seu Espírito. Pois é o Espírito que a inspirou, que deve ser entendido para salvação, 1 Coríntios 2:11: "Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus". E, portanto, antes de ler, é muito razoável que você peça uma bênção daquilo que você está prestes a ler.

7. Cuidado com uma mente carnal e mundana: pois pecados carnais cegam a mente das coisas de Deus, e o coração mundano não pode favorecê-los. Em um eclipse da lua, a terra fica entre o sol e a lua, e assim a luz do sol permanece sob a mesma. Assim, o mundo, no coração, vindo entre você e a luz da Palavra, mantém a luz divina afastada de você.

8. Trabalhe para ser disciplinado em direção à piedade, e observe suas circunstâncias espirituais. Pois uma atitude disciplinada ajuda poderosamente para compreendermos as Escrituras. Tal cristão vai encontrar suas circunstâncias na Palavra, e a Palavra vai dar luz a suas circunstâncias e as suas circunstâncias luz na Palavra.

9. O que quer que você aprenda com a Palavra, tenha o trabalho de colocar em prática. Pois aquilo que pedir, lhe será dado. Não admira que as pessoas tenham pouco conhecimento sobre a Bíblia, que não fazem nenhum esforço para praticar o que sabem. Mas, enquanto o córrego flui em uma vida santa, a fonte será mais livre.

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Autor: Thomas Boston (1676 - 1732)
Fonte: Puritan Sermons
Tradução: César Augustos Vargas Américo
Divulgação: Bereianos
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6 motivos pelos quais o cristão não deveria curtir o Carnaval

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1. É espiritualmente danoso. Carnaval é festa da carnalidade. A sensualidade é exaltada nas ruas e a imoralidade sexual é praticada nos salões. O cristão é aquele que crucificou a carnalidade com suas paixões e desejos (Gl 5.24), foge dos pecados sexuais (2Tm 2.22) e, revestido por Cristo, não alimenta mais a sua carne (Rm 13.13,14). Nesse sentido, não há nada mais prejudicial à santificação do que o Carnaval.

2. É culturalmente pobre. A cultura musical no Brasil não anda bem há muito tempo, porém, no Carnaval piora. As marchinhas de duplo sentido, de conotação sexual, são prova disso. Os carnavalescos até tentam colocar um pouco de história do Brasil nas letras das músicas, para dar uma impressão de alta cultura, mas o resultado é patético: trechos da nossa história acompanhados por batuques e mulheres nuas.

3. É patrioticamente desastroso. Infelizmente, mundo afora, o Brasil é conhecido como o país do futebol e do Carnaval. As cenas de mulheres nuas dançando em carros alegóricos percorrem o mundo reforçando a imagem de sexo fácil e prostituição em nosso país. Não são poucas as ocorrências de mulheres que são tratadas como prostitutas quando, no exterior, se identificam como brasileiras. A culpa desta confusão vem, em grande medida, do Carnaval.

4. É politicamente indecente. Desde a antiguidade os governos distraem o povo com pão e circo. Neste sentido, o governo brasileiro conta com a ajuda do futebol e do Carnaval. Neste ano, a situação é ainda pior por causa da crise que se instalou em nossa nação. Inflação retornando, desemprego crescente, empresas fechando as portas e o povo fazendo festa. Como dizia a música: Vida de gado, povo marcado, povo feliz...

5. É economicamente injusto. Os milhões de reais aplicados pelo governo nesta festa poderiam ser utilizados em moradia, hospitais e escolas. As ambulâncias e os policiais que são deslocados para os desfiles poderiam estar à disposição da população. Em um país que ainda atende doentes em macas nos corredores de hospitais, definitivamente, Carnaval deveria ser a última opção para o governo investir o dinheiro do contribuinte.

6. É socialmente nefasto. O Carnaval não traz bem algum para a sociedade. Pelo contrário, a quantidade de jovens se drogando e se alcoolizando é gigantesca. Doenças como gripe, herpes, conjuntivite, hepatite e AIDS se multiplicam neste período e a promiscuidade gera milhares de gravidezes indesejadas e abortos. O número de acidentes automobilísticos aumenta. No ano passado foram registrados 2.785 acidentes, com 1.786 feridos e 120 mortes nos 4 dias da “festa”.

Por tudo isso, é inconcebível que um cristão, comprometido com Jesus Cristo, possa ter alguma admiração pelo Carnaval. Se porventura você sentir-se tentado por esta festa, lembre-se que “Deus não nos chamou para a imundícia, mas para a santificação” (1Ts 4.7) e que todo aquele que ama as coisas deste mundo torna-se inimigo de Deus (Tg 4.4).

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Autor: Rev. Ageu Magalhães
Fonte: Página do autor no Facebook
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O amigo de Jó veio me visitar

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Quando estive internado por causa das recentes cirurgias pelas quais passei, recebi diversas visitas. Amigos, parentes, irmãos na fé, pastores — gente de perto e de longe — todos querendo me ver e deixar comigo alguma palavra de encorajamento e apoio. Como foi bom receber essas visitas! Às vezes eu estava me sentindo mal e não conseguia expressar todo o meu apreço por aquelas pessoas tão queridas. Elas, no entanto, entendiam a minha situação, mostravam-se indulgentes comigo, oravam por mim, teciam algumas frases de ânimo e fé e, então, iam embora, às vezes tentando conter o choro.

Eu louvo a Deus por todas aquelas pessoas e pelo modo como ministraram a graça de Deus em minha vida. Houve, porém, um visitante que se destacou por outro motivo. Imitando até certo ponto os amigos de Jó, ele foi me visitar com o objetivo muito claro de passar “lições de moral”; foi me ver com o alvo especial de fazer acusações veladas e sutis, dando a entender que Deus tinha me colocado naquela situação como uma espécie de castigo, para que eu revisse coisas erradas que havia em minha vida.

“É...” — ele dizia (e esse “é” era um “é” prolongado. Tipo “ééééé...”: um artifício pobre usado para conferir solenidade à fala) — “Tudo isso é bom pra gente avaliar a nossa vida e rever nossos valores... Às vezes Deus nos coloca numa cama de hospital pra gente refletir e ver o que temos que mudar...”. E, assim, esse meu amigo prosseguia em seus jargões de santarrão, repetindo-os a cada dez minutos e se aproveitando do meu estado de debilidade para sugerir o que bem entendesse, já que eu, fraco e cheio de dores, não tinha forças nem ânimo para replicar qualquer coisa. Ademais, as acusações eram veladas, indiretas e sutis, não dando margem para que eu me defendesse. É certo que, se eu estivesse bem, perguntaria: “Você tem algo mais específico em mente — algum pecado ou desvio que vê em minha vida e que acredita que eu deva corrigir?”. Contudo, minha debilidade só permitia que eu ficasse em silêncio. Eu não queria criar uma situação muito pesada. Tudo já era ruim demais.

Depois que tudo passou, pensei um pouco sobre o meu visitante especial e concluí que o problema principal do amigo de Jó talvez não sejam suas frases batidas, nem seu empenho em acusar direta ou indiretamente. Creio que um dos problemas maiores de um “amigo” assim é o prazer que ele demonstra no momento em que diz aquelas coisas. Segundo parece, ele vê na nossa doença uma prova imbatível de que a bronca que tem contra nós é justa, pois, segundo entende, o próprio Deus está nos punindo. Então, diante dessa prova cabal, ele se deleita, se sente “por cima” (afinal de contas, ele não está sendo punido. Logo, é alguém melhor!), repete seus jargões com um leve sorriso nos lábios e um brilho malicioso nos olhos, tenta falar com gravidade, fazendo o doente se sentir rebaixado à condição de um réu que ouve as correções de um sábio e grande juiz.

Todo esse modo de agir e sentir do amigo de Jó pode ter sua causa resumida em mais ou menos dez palavras: falta de conhecimento da verdade e falta de amor para com aquele que padece. A falta de conhecimento do amigo de Jó é no campo da teologia do sofrimento. Ele comete o erro de acreditar que a dor sempre decorre da punição de Deus! Ora, a Bíblia mostra que, de fato, Deus pune os seus filhos com doenças e até com a morte (1Co 11.27-32). Isso, porém, ele só faz às vezes. O amigo de Jó, contudo, acredita que a doença sempre tem como causa alguma iniquidade que cometemos, quando a própria história de Jó mostra que isso não é verdade.

Com efeito, Jó passou pelas maiores desgraças que um ser humano poderia enfrentar e, no entanto, não havia na terra homem mais justo do que ele (Jó 1.1,8). Ficar doente, portanto, pode sim ser resultado da disciplina de Deus, mas nem sempre é assim e, por isso, temos de ter cuidado para não julgar precipitadamente os outros como fazem os modernos amigos de Jó, sob pena de cairmos no desagrado de Deus (Jó 42.7-9).

Conforme eu disse acima, além da falta de conhecimento, o amigo de Jó também demonstra falta de amor por aquele que sofre. Note bem: quando alguém está doente, a Bíblia ensina que devemos nos aproximar dessa pessoa com compaixão, suprindo suas necessidades (At 20.35), orando por sua melhora (Tg 5.15) e promovendo de alguma forma o seu bem-estar (Tg 5.14). Decididamente, a enfermidade de um irmão não fornece o contexto para dançarmos vitoriosos sobre o quase cadáver dele; não nos autoriza a, satisfeitos e orgulhosos, saborear palavras do tipo “tá vendo?”. Tampouco nos concede o direito de aumentar o seu sofrimento lançando culpas (imaginárias ou não) em seu rosto.

Na verdade, se tivermos motivo para acreditar que o sofrimento do nosso irmão decorre de pecado e disciplina, o correto é esperar que tudo passe e, então, quando a dor se tornar somente uma lembrança, dizer a ele: “Irmão, eu testemunhei seu sofrimento e chorei ao vê-lo padecer tanto. Eu orei muito por sua melhora e agora que tudo passou eu me regozijo e suplico ao Senhor que confirme sua restauração. No entanto, como seu irmão na fé, com temor, tremor e humildade eu gostaria de lhe dizer que acredito que tudo que o irmão enfrentou talvez tenha como causa a mão de um Deus amoroso que disciplina seus filhos. Eu o conheço faz algum tempo e sei que o irmão nutre tal e tal pecado em sua vida. Eu não sou seu juiz, nem me julgo acima de você, mas, como irmão na fé, movido pelo amor e sob a autoridade da Palavra, eu gostaria de incentivar você a avaliar se tudo que ocorreu não foi uma forma que Deus usou para chamar a sua atenção para esse problema. Na verdade, não sei se foi essa a causa da sua dor, porém, como seu irmão, eu me senti no dever de dizer isso a você”.

A gente nunca consegue prever como as pessoas vão reagir a palavras como essas. Deus, no entanto, conhece os corações e sabe o que nos move nessas horas: se é o orgulho malicioso e julgador do amigo de Jó ou se é o amor fraterno, sincero e preocupado do discípulo de Jesus. Além disso, no fundo no fundo, aquele que é admoestado também perceberá se estamos sendo bondosos ou não e, sob a influência do Espírito Santo, será levado ao arrependimento.

O que deve ser evitado, porém, a todo custo, é tomar o caminho do amigo de Jó. Afinal de contas, amigos de Jó cedo ou tarde também adoecem. Cedo ou tarde também são visitados no hospital. Seria muito chato sermos um deles e, no dia do sofrimento, alguém (outro amigo de Jó) nos fazer tomar nosso próprio remédio.

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Autor: Pr. Marcos Granconato
Fonte: Igreja Batista Redenção
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O real sentido de 2 Pedro 1:20-21

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Antes de Pedro iniciar sua longa dissertação acerca dos falsos profetas, ele estabelece as bases da natureza divina da Palavra de Deus:

Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo. (2 Pedro 1:20,21, Almeida Corrigida e Fiel)

Muitos erroneamente interpretam essa tradução literal como se o foco estivesse sobre a interpretação de um indivíduo ao invés de estar sobre a origem e natureza das profecias em si. […] Pedro não está falando sobre como as pessoas interpretam as palavras de profecia mas sobre a certeza das próprias Escrituras. A NVI apresenta isso de maneira mais clara:

Antes de mais nada, saibam que nenhuma profecia da Escritura provém de interpretação pessoal, pois jamais a profecia teve origem na vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, impelidos pelo Espírito Santo. (2 Pedro 1:20,21, NVI)

Nessa tradução, a relação entre “interpretação” e o resto do verso é percebida mais rapidamente. […] Pedro continua a falar acerca de como as Escrituras vieram a existir (não como elas são interpretadas), logo o sentido de “interpretação pessoal” é decifrado nas palavras que se seguem: “As Escrituras não são as opiniões dos profetas mas as palavras do próprio Deus”. A ênfase de Pedro está em negar a origem humana da palavra profética, pois ele continua a dizer “pois jamais a profecia teve origem na vontade humana. Os homens não acordaram em uma manhã e pensaram: “Acho que hoje vou escrever um pouco de Escrituras”. A constantemente repetida frase: “A palavra do Senhor veio até mim, dizendo” argumenta a favor dessa verdade, pois com essas palavras o profeta está reconhecendo que as palavras do Senhor não vieram de dentro (do homem) mas de fora. Em sua origem primária, a Escritura não é da Terra mas do Céu.

Em contraste ao conceito de Escrituras humanamente originadas, Pedro afirma que os homens falaram por Deus como se, literalmente, tivessem sido “carregados” pelo Espírito Santo. Isso contradiz o que foi dito? Não. Os homens, de fato, falaram. As Escrituras estão em linguagem humana. As Escrituras tiveram autores humanos e eles não eram apenas máquinas de ditado. Eles falavam em suas próprias línguas, a partir de seus contextos, inseridos em suas culturas,  mas o que eles falaram, eles falaram por Deus e apenas na medida em que eles eram “carregados” (ou movidos) pelo Espírito Santo. Aqui está o misterioso (e ainda assim maravilhoso) contato entre o humano e o divino na origem das Escrituras: Enquanto os homens estão falando, eles estão fazendo isso sob o poder e direção do Espírito, para que o resultado desse milagre seja, como Paulo colocou, “respirada por Deus”. Não são os homens em si que são “inspirados” mas as Escrituras, o resultado dessa iniciativa divina de revelação.

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Autor: James R. White
Fonte: Scripture Alone: Exploring the Bible's Accuracy, Authority and Authenticity
Tradução: Erving Ximendes
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Uma Avaliação Crítica de “Sob os Céus da Escócia”, de Renato Cunha - Parte 1

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SERIA A CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER
UM DOCUMENTO CONTINUÍSTA?

Introdução

No ano de 2006 o autor Brian D. McLaren publicou uma das suas obras mais conhecidas, intitulada The Secret Message of Jesus. A tese de McLaren neste livro é a de que ao longo de quase dois mil anos de história os cristãos ou compreenderam de maneira equivocada a mensagem de Jesus Cristo, ou então flagrante e intencionalmente a distorceram. Ao longo de milênios a cristandade estaria vivendo no engano por não ter atentado para a verdadeira mensagem propalada pelo Filho de Deus. Talvez o trecho mais inquietante da obra apareça quando McLaren sugere, ao fazer uma citação do filósofo Sören Kierkegaard, que a erudição cristã deliberadamente distorceu a mensagem do evangelho:

A Bíblia é muito simples de se entender. Mas nós, cristãos, somos um bando de caloteiros intrigantes. Fingimos ser capazes de compreendê-la porque sabemos muito bem que, no instante que a compreendermos, estaremos obrigados a agir de acordo com ela [...] Eis, portanto, o verdadeiro propósito da erudição cristã. A erudição cristã é a invenção mais prodigiosa para se defender da Bíblia, a fim de garantir que podemos continuar sendo bons cristãos sem que a Bíblia se aproxime demais de nós.[1]

O exegeta da reforma e seu zelo pelas Escrituras Sagradas

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João Calvino ainda é um personagem na história do cristianismo muito mal interpretado. Por muito, João Calvino tem caído no tão famigerado método interpretativo que classifico como “Histórico Auditivo”, é aquele que a pessoa interpreta um personagem a partir do que se fala dele, mas nunca do que o próprio personagem deixou registrado. Calvino, além de seus comentários Bíblicos, nos deixou outras obras que são de suma importância para quem quiser lhe compreender – Assim são suas cartas, seus sermões e As Institutas ou Tratado da Religião Cristã, esta última figurando como sua obra magna. Além disso, Calvino confeccionou um vasto material litúrgico, por exemplo, um manual de culto que publicou entre o final de 1539 e início de 1540, completo em língua francesa e contendo diversos salmos e versos acompanhados de suas respectivas melodias para o canto congregacional.

Posteriormente, em meados de 1536 – 1537, Calvino elabora uma espécie de Catecismo que posteriormente receberia o nome de “Instrução e Confissão de Fé, Segundo o Uso da Igreja de Genebra”. Segundo muitos estudiosos do pensamento calvinista, essa obra possuía um caráter mais didático em relação a outros catecismos, pois a mesma não era composta de perguntas e respostas, mas sim de um modo que Calvino julgou acessível aos fiéis. Ainda em 1539, João Calvino elabora aquele que seria conhecido como o Saltério de Genebra, onde traduzira alguns salmos (19 inicialmente). Esta obra fora iniciada por Calvino, mas concluída por Thèodore de Bèze e outros expoentes da cultura musical francesa desse período. O Saltério de Genebra “tornou-se um dos livros mais importantes da reforma” LEITH (1997, apud MAIA, 2000, p. 59). Esta obra teve “um verdadeiro ‘dom de línguas’, já que foi traduzido para o alemão, holandês, italiano, espanhol, boêmio, polonês, latim, hebraico, malaio, tamis, inglês etc., e usado por católicos, luteranos e outras denominações” LEITH (1997, apud MAIA, 2000, p. 60)

Com estas obras, Calvino não só nos mostra sua preocupação com a correta liturgia cristã, mas também seu zelo e cuidado no manuseio para com as Escrituras Sagradas. Assim o faz por conta da pesada herança litúrgica medieval cuja qual estava recebendo. Este corpus litúrgico produzido por João Calvino circulou nas igrejas de Genebra e de Estrasburgo guiando suas respectivas liturgias. Calvino era um homem que tinha receio que as atenções humanas no decorrer da liturgia do culto cristão fossem desviadas do que realmente é mais importante, a saber: as Escrituras Sagradas. A salmodia exclusiva é outro bom exemplo do cuidado e zelo bíblico-litúrgico deste reformador; entendia que o livro de salmos era uma espécie de anatomia de todas as partes da alma, uma espécie de compêndio teológico mais que salutar à igreja. Nada mais justo que cantá-los de forma congregacional. Calvino era um apreciador da harpa (instrumento musical), mas optava pela liturgia da antiga sinagoga judaica. Ou seja, sem o acompanhamento instrumental. Possuía o receio de que quaisquer outras cousas, que não fosse a essência das Sagradas Escrituras, atraísse mais atenção de quem estava cultuando. Assim, imaginemos que se um salmo era cantado com muito floreio musical, ênfase harmônica ou vocal etc., e a beleza de sua harmonia melódica chamasse mais atenção que sua letra em específico, isso seria um pecado grave para com as Escrituras Sagradas no entendimento deste reformador. Calvino nos fala sobre isso:

“Nem contudo, aqui condenamos a voz ou o canto, se não que antes, muito os recomendamos, desde que acompanhem o afeto da alma. Ora, assim exercitam a mente na cogitação de Deus e a retêm atenta, a qual, como é escorregadia e versátil, facilmente se afrouxa e a variadas direções se distrai, a menos que seja de variados adminículos sustentada. Ademais, como em cada parte de nosso corpo, uma a uma, deve luzir, de certo modo, a glória de Deus, convém especialmente seja a língua, que foi criada peculiarmente para declarar e proclamar o louvor de Deus, adjudicada e devotada a este ministério, quer cantando quer falando [...]” (CALVINO, As Institutas da Religião Cristã, III.20.31.)

Para Calvino havia um “elemento central no culto” e este não podia ser outro que não fosse a Palavra de Deus. Esta ideia fora propagada até na organização e na construção das igrejas reformadas na Europa: “As igrejas Reformadas simbolizaram isso nos edifícios que ergueram durante a Reforma, ao colocar o púlpito à frente e no centro do templo” REID (1976, apud MAIA, 2000, p 57). Um bom material para se saber com mais detalhes e informações acerca do culto histórico dos reformados, a expansão do Saltério Genebrino nas mais diversas línguas que fora traduzido, e até a possibilidade de fazer downloads dos salmos cantados, encontra-se no site Westminster hoje (em espanhol) cujo link está disponível aqui. O site reproduziu uma série de sete Artigos do Pastor John Sawtelle sobre o tema.

Conhecido como o “exegeta da reforma”, assim pela riqueza hermenêutica vista em seus comentários, como também por sua forma peculiar de expor as Escrituras Sagradas, Calvino possuía um zelo admirável pela Bíblia. Havia em seu entendimento uma regra sacra: “Que esta seja nossa regra sacra: não procurar saber nada mais se não o que as Escrituras nos ensinam. Onde o Senhor fecha seus próprios lábios, que nós igualmente impeçamos nossa mente de avançar sequer um passo a mais" (CALVINO, Exposição de Romanos (9.14), p. 330). Assim como o salmista no Salmo 139:6, João Calvino entendia que o homem possui um limite intelectual no que tange à interpretação das Escrituras Sagradas e do Deus ali revelado. Ou seja, o limite é justamente até onde Deus quis se revelar. Após isso, a mente humana, além de não ter como, não deve querer avançar. João Calvino conseguia transitar entre a erudição e a espiritualidade sem se manter polarizado em um dos dois de forma extremada. Conseguia entregar às suas ovelhas um alimento sólido, consubstanciado e extraído dos mais finos recursos exegéticos, mas com o compromisso de que todos pudessem compreendê-lo. Afinal, esta deve ser a função principal de todo e qualquer teólogo – traduzir a teologia para a linguagem popular sem que esta sofra mutilações. Não era em vão que lhe recaía outro epíteto, a saber: “Príncipe dos Expositores”. De certa forma, Calvino: “Fugia [...] e de certos refinamentos exegéticos que quando muito só servem para revelar erudição, mas não contribuem para esclarecer o texto e edificar o povo de Deus” CALVINO (1959, apud MAIA, 2000, p. 39). 

É muito importante que se destaque a real preocupação dos reformadores como um todo no que concerne à ênfase do “Sola Scriptura”, bem como a disponibilização das Escrituras Sagradas para a população em geral. Por isso a forte atividade de tradução da Bíblia para os respectivos e diversos idiomas dos países em que a reforma se deu com maior ênfase. Logo, essa era uma preocupação de todos os reformadores, uma vez que a Bíblia fora oculta por muitos anos dos olhares do povo em geral. 

A teologia de João Calvino pode, de fato, ser reconhecida como sistemática, mas também bíblica ao mesmo tempo. Tendo em vista que o trabalho do “Exegeta da Reforma” se concentrou mais em comentar o Livro Sagrado, sua teologia é bíblica. Porém, Calvino também é conhecido como um grande sistematizador das Escrituras Sagradas. Não adentraremos aqui nas nuances da complexidade da expressão “Teologia Bíblica”, uma vez que tudo que se extraí da Bíblia é bíblico, logo a Teologia Sistemática também é bíblica, pois fora extraída da Bíblia. Acreditamos que a expressão de Geerhardus vos, em seu livro “Teologia Bíblica; Antigo e Novo Testamento”, direcionada às Escrituras Sagradas como sendo “A História da Revelação Especial” seja mais adequada. Mas, discussões à parte, queremos destacar que, como poucos, Calvino consegue unir em sua teologia pontos aparentemente opostos e marcados pela tensão – Teologia Bíblica e Teologia Sistemática é um deles. 

A Teologia Exegética era, de fato, uma marca na vida de Calvino, mas que de forma única conseguia unir isso à sua teologia prática. Ele não era um teólogo puramente teórico e sem a parte prática da coisa em si. Ele conseguia converter teoria em prática e prática em teoria. E, como já falamos, conseguia transitar entre o erudito e o espiritual, e o produto disso era visto na sua teologia prática. Um bom exemplo sobre este caráter minimizador de tensões visto na teologia de Calvino é sua posição acerca da Ceia do Senhor junto aos oficiais de sua Igreja em Genebra. É sabido que na alta idade média havia o costume de se celebrar a Ceia do Senhor apenas em caráter anual – uma única vez –, mas João Calvino combate essa ideia com ênfase no costume primitivo da igreja cristã que corriqueiramente desfrutavam de momentos de comunhão “junto à mesa” (Atos 2: 44-47). O epicentro da tensão na Igreja de Genebra recai entre Calvino, que entende que a Ceia do Senhor deve ser semanalmente realizada, e os oficiais da igreja que entendem que a Ceia do Senhor deveria ser ministrada apenas quatro vezes por ano e em datas específicas. Esta tensão, se fosse em dias atuais, com toda convicção, teríamos o assunto resolvido pelo víeis da tirania ou do terrorismo proféticos que são realizados por alguns líderes que fazem de suas igrejas verdadeiros quartéis militares. Porém, a tensão entre João Calvino e seus oficiais na Igreja de Genebra foi resolvida por meio da condução do Espírito Santo, que concedeu a Calvino uma estratégia salutar para resolução da problemática. O “Exegeta da Reforma” fez acordos entre as mais diversas igrejas vizinhas em relação à data da Ceia do Senhor, conseguiu variar estas datas entre cada igreja da cidade e proporcionar que houvesse culto de Ceia semanalmente – não na sua igreja em específico –, mas entre as igrejas da cidade. Com isso, avisava aos membros de sua própria igreja que eles deveriam visitar as outras igrejas nos cultos de Ceia especificamente, e assim estimular a comunhão entre os irmãos e as igrejas vizinhas junto à mesa de Cristo. Com isso, João Calvino conseguiu estabelecer seu ideal de que a Ceia do Senhor fosse ministrada semanalmente, sem desavenças ou perseguições. Seu trabalho sempre foi em prol do crescimento harmônico do corpo de Cristo.

Percebemos em tudo isso que João Calvino era, de fato, um servo de Deus no sentido mais estrito da palavra. Um homem que possuía um zelo imenso pelas Escrituras Sagradas. Um homem a ser estudado e entendido, um exemplo de erudição e espiritualidade isento de polarizações e extremismos nessas áreas. Um reformador que transitava entre os mais refinados recursos exegéticos, mas que tudo isso desembocava numa teologia prática piedosa e que sempre apontava para um alvo cristocêntrico. Dizem que reformar dar mais trabalho que construir. Com certeza, reformar a igreja foi um trabalho árduo, mas também exitoso e que custou tempo, dedicação e a vida de muitos homens comprometidos com Deus. As bases foram refeitas e postas – Sola Scriptura, Sola Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Sola Deo Glória – devemos permanecer sempre sobre o alicerce desta tradição. 

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Bibliografia:
CALVINO, João. As Institutas ou Tratado da Religião Cristã. São Paulo, CEP, 1985
 CALVINO, João. Comentário de Romanos, Editora Fiel, Edição Virtual Autorizada (Biblioteca de Calvino)
 MAIA; LEMBO; QUADROS; GOUVEIA. O Pensamento de João Calvino. São Paulo, Mackenzie, 2000
 MCGRATH, Alister. A vida de João Calvino. São Paulo, Cultura Cristã, 2004

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Autor: Thiago Azevedo
Divulgação: Bereianos
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10 perguntas para os simpatizantes da ICAR

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Na semana passada eu recebi o seguinte e-mail e senti que seria melhor compartilhar a resposta aqui no blog.

Caro Sr. White, Para alguém que esteja considerando se converter ao catolicismo romano, quais seriam as perguntas que o senhor faria a fim de discernir se esse alguém examinou ou não a situação o suficiente? Digamos, uma lista Top 10 de perguntas. Obrigado.

Quando eu postei isso em nosso canal de bate-papo, um grande número de pessoas comentou que essa era, de fato, uma ótima pergunta, e nós começamos a elaborar algumas possíveis respostas. Aqui está minha lista Top 10:

10) Você ouviu os dois lados? Isto é, você fez algo mais do que simplesmente ler “Todos os caminhos levam a Roma” e ouvir algumas histórias emotivas de conversão? Você realmente separou um tempo para buscar respostas sérias às reivindicações de Roma, respostas essas que vem sendo oferecidas por escritores desde a época da Reforma, como Goode, Whitaker, Salmon, e alguns escritores modernos? Em especial, quero excluir desta lista qualquer coisa que tenha sido escrita por Jack Chick e Dave Hunt.

9) Você já leu alguma análise histórica objetiva da Igreja Primitiva? Refiro-me a uma que explicaria a grande diversidade de pontos de vista encontrados nos escritos dos primeiros séculos, e que explicaria, com precisão, as controvérsias, lutas, sucessos e fracassos desses primeiros crentes?

8) Você já olhou atentamente para as afirmações Roma sob uma luz histórica? Sendo mais específico, você já examinou as reivindicações de Roma sobre o “consentimento unânime” dos Padres e todas as evidências que se opõem não só à suposta aceitação universal do papado, mas especialmente ao conceito de infalibilidade papal? Como você explica, de forma consistente, a história da igreja primitiva, à luz das afirmações modernas feitas por Roma? Como você explica coisas como a Pornocracia e o Cativeiro Babilônico da Igreja sem assumir a veracidade do mesmo sistema que você está abraçando?

7) Você aplicou os mesmos padrões que os apologistas católicos romanos usam para atacar o Sola Scriptura para, igualmente, testar as alegações de suprema autoridade de Roma? Como você explica o fato de que as respostas que Roma dá para suas próprias objeções são circulares? Por exemplo, se Roma afirma que precisa da Igreja para estabelecer um cânone infalível, como é que isso pode responder à pergunta, uma vez que agora você tem que perguntar como Roma chega a esse conhecimento infalível. Ou, se argumentam que o Sola Scriptura produz anarquia, por que é que o magistério de Roma não produz unanimidade e harmonia? Se alegam que existem 33.000 denominações devido ao Sola Scriptura, e sabendo que esse número escandaloso foi repetidamente refutado (veja o livro Upon This Rock Slippery do Eric Svendsen para uma análise mais detalhada), você já se perguntou por que eles são tão desonestos e desleixados em suas pesquisas?

6) Você já leu o Sílabo dos Erros e a Indulgentiarum doctrina (doutrina das indulgências)? Alguém pode seriamente ler a descrição de Graça encontrada no último documento e fingir por um segundo sequer que essa é a mesma doutrina da Graça ensinada por Paulo aos romanos?

5) Você já considerou as ramificações de Roma acerca das doutrinas sobre o pecado, o perdão, os castigos eternos e temporais, o purgatório, a tesouraria do mérito, transubstanciação, o sacerdócio sacramental, e indulgências? Você realmente se deu ao trabalho de fazer uma análise séria de passagens pertinentes como Efésios 2, Romanos 3-5, Gálatas 1-2, Hebreus 7-10 e todo o capítulo 6 de João, à luz do ensinamento romano?

4) Você já se perguntou o que significa abraçar um sistema que ensina que você pode se aproximar do sacrifício de Cristo milhares de vezes em sua vida e que ainda assim pode morrer impuro e como um inimigo de Deus? E você já se perguntou porque embora os ensinamentos históricos de Roma sobre estas questões sejam facilmente identificáveis, a grande maioria dos católicos romanos hoje, incluindo padres, bispos e eruditos, não acreditam mais nessas coisas? O que isso significa?

3) Você já parou para pensar o que significa chamar um ser humano de Santo Padre (que é um nome divino, usado por Jesus unicamente acerca de Seu Pai) e Vigário de Cristo (que, por sua vez, é o Espírito Santo)? Você realmente pode encontrar algo nas Escrituras que o levariam a acreditar que a vontade de Cristo era que um bispo em Roma (ou seja, numa cidade centenas de milhas de distância de Jerusalém) não só fosse o cabeça de Sua igreja, mas que fosse tratado como um rei na terra, com pessoas se prostrando a ele, como o Pontífice Romano é tratado?

2) Você já parou para pensar o quão antibíblico e quão a-histórico é todo o conjunto de doutrinas e dogmas relacionados a Maria? Você realmente acredita que os Apóstolos ensinavam que Maria havia sido concebida imaculadamente, e que ela permaneceu perpetuamente virgem (de tal maneira que ela viajou sobre a Palestina com um grupo de jovens que não eram seus filhos, mas sim primos de Jesus, ou meio-irmãos, filhos de um casamento anterior de José)? Você acredita que dogmas definidos quase 2.000 anos depois do nascimento de Cristo realmente representam os ensinamentos dos apóstolos? Você está ciente de que doutrinas como a Virgindade Perpétua e a Assunção Corpórea têm sua origem no gnosticismo, não no cristianismo, e que elas não têm nenhum fundamento na doutrina ou prática apostólica? Como você explica o fato de que você deve acreditar nessas coisas de fide, isto é, pela fé, quando gerações de cristãos viveram e morreram sem nunca sequer ter ouvido falar de tais coisas ?

E a pergunta número um que eu gostaria de fazer a tal pessoa é:

1) Se você afirma que em certo dia tenha abraçado o evangelho da Graça, no qual confessava que a sua única posição diante de um Deus três vezes santo era a túnica inconsútil da justiça imputada de Cristo, de modo que você não tinha mérito algum, apenas a perfeita justiça dEle e com isso obteve paz diante de Deus, sobre quais possíveis razões você poderia vir a abraçar um sistema que, em seu coração nega-lhe essa paz que se encontra em um Salvador perfeito que realiza a vontade do Pai e um Espírito que não pode falhar? Você realmente acredita que o ciclo infinito de perdão sacramental (o qual agora você irá se submeter) pode lhe fornecer a paz que a perfeita justiça de Cristo não pode?

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Autor: James R. White
Fonte: Alpha and Omega Ministries
Tradução: Erving Ximendes
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Dez maneiras como a apologética auxilia no aconselhamento bíblico

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O que se segue é uma lista do modo como a apologética em geral e pressuposicional em particular tem ajudado a me tornar um conselheiro bíblico melhor (não que eu já tenha alcançado, mas adiante...)

1) A apologética em geral tem me feito pensar mais claro e logicamente. Isso tem me ajudado a me tornar mais claro e preciso em como eu aconselho a outros. 

2) A apologética em geral tem me feito ouvir aos outros mais cuidadosamente e fazer perguntas que esclareçam o que eles querem dizer, e por que eles pensam o que pensam e fazem o que fazem. 

3) A apologética em geral me levou a vê-la com uma ferramenta adicional ao meu aconselhamento: às vezes, o aconselhando faz algumas declarações preocupantes durante a abordagem, eu escrevo diversas das mais importantes e, então, assinalo-lhe a pensá-las através daquelas que podem ser problemáticas e não bíblicas. Então, quando nos encontramos, vejo que ele pode surgir com suas próprias conclusões, louvando a Deus porque ele pôde por si mesmo identificá-las, ao mesmo tempo em que ele aponta outras coisas que poderiam ter se perdido ou que precisam de mais elaboração. Esse exercício é logicamente rigoroso e eu creio que a aplicação da apologética seja útil para treinar essa aplicação.

4) Em particular, a apologética pressuposicional tem me tornado mais consciente que as pessoas frequentemente fazem coisas por causa de suas cosmovisões. Então, no aconselhamento eu estou agora mais consciente em identificar as pressuposições não bíblicas que as pessoas adotam e que podem estar conduzindo seus problemas. 

5) Em particular, a apologética pressuposicional tem me tornado mais consciente sobre assuntos de autoridade das Escrituras e a ênfase vantiliana sobre a Escritura reforça a importância de usar habilmente a Escritura aplicando-a à minha vida e à vida de outros no cuidado de nossos problemas. Ela me faz determinado a estudar a Escritura e ver suas implicações na abordagem de questões práticas

6) Do ponto 5, a apologética pressuposicional em particular também tem sido útil em me fazer perceber que, muitas vezes, pecados e comportamentos destrutivos são irracionais, de acordo com o pensamento cristão pareceriam “racionais” se suas consequências seguissem de suas cosmovisões. Por isso, é importante ver que a questão da idolatria (a raiz do problema) seja abordada (seja ela a busca pelo prazer a qualquer custo, orgulho etc), uma vez que ela dirige todas as coisas.

7) A apologética pressuposicional em particular relembra-me do efeito noético do pecado e que apelar ao que é racional ou razoável não é o suficiente se a vontade de alguém já está decidida. Isso me leva a ver a importância da oração, do uso da Lei de Deus para apelar à consciência e aplicar-lhe o Evangelho de modo a afetar as afeições do indivíduo.

8) A apologética pressuposicional em particular com sua ênfase sobre o efeito do pecado sobre todas as nossas faculdades também tem grandemente me humilhado e me guardado contra a auto-justiça quando aconselho a outros. Eu me percebo como um pecador que necessita da Graça: que, como conselheiro, eu posso cometer enganos e, então, eu preciso de muitas perguntas para que eu saiba o que realmente está acontecendo, em vez de assumir que já sei; ela também me faz perceber o meu próprio pecado e preciso me aplicar o mesmo remédio que estou oferecendo; me faz perceber que, se eu estiver errado na forma como aconselho, também devo confessá-lo ao meu aconselhando.

9) A apologética pressuposicional me faz perceber que na raiz de todos os nossos problemas nós precisamos de Jesus Cristo como nosso Senhor e Salvador.

10) A apologética pressuposicional me faz perceber que no centro de muitos problemas, tais como pecados sexuais, drogas etc. está a questão da adoração. A verdade de Deus faz-me querer adorar a Deus mais e mais por sua grandeza. A apologética pressuposicional e o perspectivalismo¹ de John Frame fazem-me adorar a Deus por ver a beleza da verdade de Deus como um todo coerente, complementando e tendo implicações para outras esferas da vida. O inter-relacionamento da apologética e aconselhamento bíblico é belo. Nós precisamos ter uma apologética doxológica. 

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Nota:    
[1] Veja http://frame-poythress.org/a-primer-on-perspectivalism/

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Autor: Jim Lee
Fonte: The Domain for Truth
Tradução: Rev. Gaspar Souza
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Atenção pais! Crianças de 6 a 10 anos estudarão Ideologia de Gênero em livros do MEC

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Crianças de escolas públicas e privadas que estudarem com os livros didáticos/2016 do MEC para a primeira fase do Ensino Fundamental serão informadas sobre arranjos familiares de gays e lésbicas, com adoção de filhos. Elas tomarão conhecimento também de bigamia, poligamia, bissexualismo e transsexualismo. Aprenderão a observar melhor os próprios corpos e os corpos dos outros através de exercícios em sala de aula, orientados pelo livro didático. Os livros também lhes dirão das doenças sexualmente transmissíveis e dos mais diferentes métodos anticonceptivos. A ministração desses conteúdos se inicia já no 1º ano, com alunos de 6 anos de idade e, numa gradação de complexidade, estende-se ao 5º ano, quando os alunos têm 10 anos. 

Para a produção deste artigo, foram verificados livros de apenas onze editoras, das dezenove que tiveram suas obras recomendadas pelo Programa Nacional do Livro Didático/2016, do Ministério da Educação. Constatou-se que as onze editoras observadas trazem em alguns de seus livros o tema da Orientação Sexual e Familiar, de acordo com a Ideologia de Gênero. 

A estratégia pedagógica para o ensino desse conteúdo durante essa fase de estudos obedece ao princípio da repetição exaustiva do conteúdo. Durante o mesmo ano letivo o aluno ouvirá, lerá e fará exercícios seguidas vezes sobre o referido tema com professores e disciplinas diferentes: Geografia, Ciências, História, Ciências Humanas e da Natureza, etc. O discurso único na diversidade de disciplinas e professores confere maior credibilidade ao conteúdo. Além das aulas expositivas, os próprios livros encaminharão os alunos para atividades complementares sob a orientação dos professores como: leitura de livros, filmes, músicas, debates e produção de cartazes. 

Trata-se da aplicação do princípio segundo o qual uma história, mesmo que fantasiosa, quando repetida várias vezes, adquire valor de verdade. Neste caso, o esforço do MEC é para atender os objetivos de desconstrução da heteronormatividade e do conceito de família tradicional previstos no Plano Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH3), assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 21 de dezembro de 2009.  

O artigo 226 da Constituição é ignorado completamente pelo material didático produzido pelo próprio Governo, para referir-se à formação de família. Enquanto a Constituição elege como base da sociedade a família que é formada pelo casamento entre "um homem e uma mulher", os livros ensinam às crianças que não há um modelo padrão de família e que o casamento é a união de "duas pessoas", independente do sexo. 

Mas o MEC também desconsidera a vontade majoritária do povo expressa por meio de seus representantes nos três níveis parlamentares, quando das votações dos Planos Nacional, Estaduais e Municipais de Educação. Nessas ocasiões, a inserção da Ideologia de Gênero nos planos de educação foi severamente combatida e rejeitada pela maioria dos parlamentares. Como se não bastasse, esse tema para o ensino da moral sexual das crianças na escola é amplamente reprovado pela maioria esmagadora da população, como demonstram pesquisas universais de opinião.

Levando-se em consideração que os conteúdos em referência sejam puramente ideológicos, visto que eles carecem de experimentação e consenso científico, qual a justificativa e o respaldo legal do Governo para jogar por terra a vontade do legislativo e da maioria do povo para adotar uma ideologia como política pública para todos? De acordo com documentos do MEC esta política de orientação sexual e familiar para as crianças constitui-se em tema transversal da educação e visa criar no futuro uma sociedade idealizada que aceite com normalidade as diferenças de gênero e de arranjos familiares. 

Ao afastar compulsoriamente a família dessa responsabilidade educadora para assumir o seu lugar, o Governo alinha-se ao pensamento fundamente da Ideologia de Gênero para quem a família não está devidamente preparada para a orientação sexual e familiar dos filhos. Isto porque não acompanha as mudanças sociais, é portadora de tabus e preconceitos arraigados em função da influência que recebe da tradição familiar e da religião.

A educação das crianças na escola, não somente pública mas também privada e confessional, era a última barreira a ser vencida pela revolução sexual e de costumes que o Governo apadrinha. Pelo visto ela foi vencida agora com a chegada desses livros, a menos que haja uma reação incisiva e qualificada da sociedade civil, declaradamente contrária à esse projeto, que busque proteger à integridade física, moral, emocional e psicológica das crianças em idade escolar.

Deixando a formalidade textual para encerrar o artigo, a palavra se abre para os pais de crianças em idade escolar, de cada cidade do país. Têm direito também a ela os parlamentares que na Câmara dos Deputados, no Senado, nas Assembleias Legislativas e Câmaras de Vereadores debateram e votaram contra a inserção da Ideologia de Gênero nos planos de educação. Ao Ministério Público cabe o direito natural desse tipo de defesa pública. Que essas vozes se levantem contra a intenção de fazer das crianças da atual geração, cobaias para um projeto ideológico.

Para acessar às imagens de alguns desses livros, clique aqui!

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Autor: Orley José da Silva, é professor em Goiânia, mestre em letras e linguística (UFG) e mestrando em estudos teológicos (SPRBC).
Divulgação: Bereianos
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