O argumento fracassado de Leandro Quadros contra o DOMINGO – Final

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Por Luciano Sena


Os últimos argumentos apresentados por Leandro Quadros, na sua primeira postagem contra o Domingo, são:

“Nem o Pai nem o filho reclamaram o domingo como “SEU” em qualquer sentido. Se seguirmos a lógica dos oponentes (em guardar o domingo por que Jesus ressuscitou no primeiro dia), poderíamos santificar a sexta-feira – o dia da crucificação. Ele não tem menos importância para nós cristãos! Por que não chamar o dia da “ascensão” de “dia do Senhor?” Qual critério bíblico é utilizado para dizer que o momento da ressurreição é mais importante que o dia em que Cristo morreu e subiu aos céus?” (AQUI)

Em primeiro lugar, a argumentação só teria alguma validade SE o texto de Apocalipse 1.10 não fosse aplicado ao primeiro dia da semana. João Ricardo Ferreira diz: “O significado do termo “Kyriakê Hêmera” literalmente é: que diz respeito ao Senhor, fala do Senhor, senhorial, dominical... A Tradução de Apocalipse 1.10 seria: Eu fui arrebatado no dia Senhorial. O sinônimo usado é “dominical”. 

Segundo, a prática litúrgica neotestamentária não enfatizou o dia da morte, nem da ascensão, e sim o dia da ressurreição (apesar de a Ceia do Senhor lembrar a morte e a volta de Cristo).

Leandro Quadros continua sua investida contra o dia do Senhor: “Toda a vez que o Novo Testamento se refere ao primeiro dia da semana, usa a expressão “primeiro [dia] após o sábado” (Mt 28:1; Mc 16:2; Lc 24:1; Jo 20:1,19; At 20:7; 1Co. 16:2). Ou, “segundo [dia] após o sábado”, etc. Isto dá mais valor ao sétimo dia como ponto central da semana, para os escritores evangélicos.”

Isto dá mais valor?! Como?

Ao contrário, está enfatizando que o sábado ficou para trás! Que o ponto da confissão de fé salvífico, da Igreja Eleita, foi realizado NO primeiro dia da semana:

“Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.”  Romanos 10.9

Deus preservou por meio da Igreja do Novo Testamento, um testemunho semanal da Ressurreição do Senhor Jesus Cristo: O Domingo!

Conclusão:

Como eu disse em postagens anteriores, os argumentos de Leandro Quadros são apenas celeumas religiosas. Mais nada. O trabalho dele é vomitar o que bebeu de sua 'fonte de verdade', Ellen White! Que segundo ela, a marca da besta será o domingo. Por isso, ele precisa ser um feroz opositor do dia do Senhor, dia oficial da celebração cristã.

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Os cristãos e o álcool - R. C. Sproul

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Por R.C. Sproul


"Lembro-me de certo jantar em que eu estava com um grupo num restaurante. A garçonete veio nos servir e perguntou: "O que desejam para beber? Alguém gostaria de um drinque?". Um dos nossos anfitriões a cortou dizendo: "Não, somos cristãos". O presunçoso farisaísmo de nosso anfitrião não somente embaraçou a garçonete, que estava simplesmente fazendo seu trabalho, mas passou uma mensagem errada sobre o cristianismo. Cristianismo não é sobre comida nem bebida.

Beber álcool é um assunto controverso na comunidade cristã. Muitos argumentam que Jesus nunca bebeu vinho e que quando os fariseus o chamaram de beberrão estavam distorcendo a verdade. Eles também argumentam que o vinho que Jesus criou nas bodas de Caná era sem fermento. Esse tipo de argumento, contudo, reflete uma péssima e tortuosa abordagem do texto bíblico; isso acontece quando as pessoas abordam o texto bíblico com um viés cultural. Muitos estão convencidos de que a abstinência total é o único caminho espiritual, mas não aprendemos tal coisa das Escrituras - nem do Antigo Testamento ou da celebração da Páscoa. Se fizéssemos um estudo da palavra vinho na Bíblia, veríamos as coisas como são. Deus santificou a bebida e alertou contra o excesso, porque embebedar-se é pecado. Deus não faria advertências contra a embriaguez para pessoas que bebiam suco de uva.

Essa visão é ofensiva para muitos. Os que estão convencidos de que não podem beber vinho, não devem jamais permitir que vinho toque seus lábios, já que para eles isso é pecado. Para outros não é. Nosso irmão não deve nos julgar, e não devemos julgar nosso irmão."

Fonte: R. C. Sproul. Estudos bíblicos expositivos em Romanos.  Ed. Cultura Cristã, p. 431.

NOTAS deste blogger (UMPCGYN):

1. Eu, particularmente, não gosto do sabor alcoólico nos alimentos e mesmo não pertencendo a turma dos crentes que bebem, gostei (e muito!) do comentário do Sproul em cima de Rm 14.1-13.

2. Confesso que em raríssimas exceções, em determinadas circunstâncias e perto de pessoas selecionadas, um pouquinho de vinho tinto suave gelado cai bem. E nada mais!

3. O tema dessa mensagem MERECE um bom estudo nos textos de Rm 14.1 - 15.13 e 1Co 8 - 10. Ser um crente forte ou fraco na fé, conforme os textos referidos, depende e muito disso! Portanto, não despreze a doutrina e cresça na graça e no conhecimento de Jesus (2Pe 3.18). Amém.

Danilo Neves de Almeida
Fonte: UMPCGYN
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A apologética nos Símbolos de Westminster é pressuposicionalista?

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Por Luciano Sena

Acho que toda defesa da fé cristã é útil, e para alguns contextos algumas são mais eficazes do que outras. 

A apologética evidencialista, apresenta 'provas materiais', ou observáveis, em favor do cristianismo. Porém, 'a atualização de dados pode ser difícil para uma manutenção argumentativa'. 

Uma apologética racionalista também apela constantemente para pressupostos filosóficos, razão e confronto intelectual. Mas a razão está ofuscados pelo pecado, impossibilitando um uso adequado dela por parte de pessoas não regeneradas (Veja minha opinião sobre a razão AQUI). 

A apologética pressuposicionalista trabalha mais com antecedentes instalados na alma, o fator religioso que todo homem tem. Mas essa também tem sua dificuldade em um mundo onde a crença no mundo espiritual tem diminuído.

A maioria dos irmãos Reformados tem apontado a apologética pressuposionalista como a apologética genuinamente reformada. Acredito nisso, mas não acho que ela (A Teologia Reformada) é exclusivamente pressuposicionalista.

O que me parece é que os Símbolos de Westminster não fixa uma maneira única de fazer apologética. Por exemplo, a existência de Deus e a validade da Escritura. Alguns trechos dos Símbolos de Westminster podem lançar luz sobre esse assunto:

“CAPÍTULO I
DA ESCRITURA SAGRADA I. Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência de tal modo manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, contudo não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade necessário para a salvação [...]”

Entendo que a CFW aqui indica a criação como 'prova' para os incrédulos. Isso é uma conclusão de Romanos 1. E a pergunta do Catecismo Maior relacionado a essa parte inclui essa conclusão dizendo: 

“2. De onde se infere que há um Deus? A própria luz da natureza no espírito do homem e as obras de Deus claramente manifestam que existe um Deus; porém só a sua Palavra e o seu Espírito o revelam de um modo suficiente e eficazmente aos homens para a sua salvação. Rom. 1:19-20; 1 Cor. 2:9-10: II Tim. 3,15-17.”

Entendo que várias abordagens são aqui usadas. A própria luz no espírito do homem é uma maneira pressuposicionalista de abordar a existência de Deus, mas mostrar na criação é ser evidencialista! Apesar de existir os que diriam que isso também é ser pressuposicionalista!- o que Gordon Clark nega!

Para o testemunho da Escritura temos também ambas as abordagens: 

“4. Como se demonstra que as Escrituras são a Palavra de Deus? Demonstra-se que as Escrituras são a Palavra de Deus - pela majestade e pureza do seu conteúdo, pela harmonia de todas as suas partes, e pelo propósito do seu conjunto, que é dar toda a glória a Deus; pela sua luz e pelo poder que possuem para convencer e converter os pecadores e para edificar e confortar os crentes para a salvação. O Espírito de Deus, porém, dando testemunho, pelas Escrituras e juntamente com elas no coração do homem, é o único capaz de completamente persuadi-lo de que elas são realmente a Palavra de Deus.”

Percebo que aqui que duas ou três abordagens apologéticas, ou mais, são genuinamente Reformadas e aceitáveis para a defesa da fé e evangelização.

Para que não fique fora de contexto o que estou dizendo, vamos ver algumas palavras semelhantes no CMW, e ver como foram usados: 

“11. Donde se infere que o Filho e o Espírito Santo são Deus, iguais ao Pai? As Escrituras revelam que o Filho e o Espírito Santo são Deus igualmente com o Pai, atribuindo-lhes os mesmos nomes, atributos, obras e culto que só a Deus pertencem. Jer. 23:6; Isa. 6:3, 5, 8; João 12:41; At. 28:25; 1 João 5:20; Sal. 45:6; At. 5:3-4; João 1:1; Isa. 9:6; João 2:24-25; 1 Cor. 2:10-11; Col. 1:16; Gen. 1:2; Mat. 28:19; 11 Cor. 13:14.”

Para provar a Trindade o CMW apela para testemunhos bíblicos ao usar os termos ‘de onde se infere’ – ou – ‘De onde se conclui’. A doutrina da trindade pode ser provada por evidências bíblicas, mas será que não é preciso o Testemunho do Espírito para isso!? Claro que sim!!!

Usemos todos os recursos apologéticos disponíveis na evangelização, na esperança de que Deus use-NOS para a glorificação de Seu Nome, ao salvar pecadores (I Co 9.22).

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Livre-Arbítrio e Responsabilidade Moral.

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Por John Frame


Há duas teorias sobre o livre-arbítrio que são geralmente discutidas em relação à responsabilidade ética. A primeira é usualmente chamada “libertarianismo”, é típica da teologia arminiana. Muitos filósofos têm argumentado a favor dela, de Epícuro nos antigos tempos à C. A. Campbell, H. D. Lewis, Alvin Plantinga e muitos outros recentemente. Realmente, parece haver algo como um consenso entre os filósofos cristãos hoje de que uma pessoa não pode fazer justiça à responsabilidade moral sem pressupor uma visão libertariana da liberdade.

A visão libertariana declara que algumas decisões e ações humanas, particularmente decisões morais e religiosas, são estritamente não-causadas. Nas formas mais sofisticadas de libertarianismo, estas decisões não são nem mesmo causadas por nossos desejos ou caráter. Eles são muito insistentes sobre isto: um ato verdadeiramente livre não é um ato que realiza nosso desejo mais forte; pelo contrário, tipicamente, ele vai contra nosso desejo mais forte. O libertariano está ciente, certamente, de que nossos desejos são largamente uma função da nossa hereditariedade, meio-ambiente, decisões passadas e assim por diante. Se decisões livres são baseadas em desejos, ele pensa, elas não podem ser plenamente livres. Elas não são neste caso totalmente não-causadas.

O libertariano argumenta que tal visão é essencial para a responsabilidade moral. Porque ninguém é responsável por um ato, a menos que ele “pudesse ter agido de outra forma”. Se eu fosse amarrado a uma máquina-robótica que, usando meus braços, roubasse um banco, eu não seria culpado de roubar o banco. Eu “não poderia ter agido de outra forma”. Tal é o argumento libertariano.

Eu sempre sinto que esta posição é carente de força moral. Em primeiro lugar, ela nega o governo da soberania de Deus sobre os corações e decisões dos seres humanos, um governo que eu encontro abundantemente atestado na Escritura (veja minhas palestras sobre a Doutrina de Deus). Realmente, ao dizer que as ações humanas podem ser “não-causadas”, ela atribui, no final das contas, ao homem a causalidade; mas no Cristianismo, somente Deus é a primeira causa.

Em segundo lugar, o libertarianismo me parece ser não-inteligível em seus próprios termos, por ele faz nossas escolhas morais seremacidentais. R. E. Hobart, em seu famoso artigo da década de 1930, escreveu que, sobre o efeito de uma base libertariana, uma escolha moral é como colocar meu pé para fora da minha cama sem meu desejo de fazê-lo, e me levar para onde não quero ir. A tentativa de separar decisões de desejos é psicologicamente perversa.

Além disso, o libertarianismo, ao invés de garantir a responsabilidade moral, realmente a destrói. Como podemos ser responsáveis por decisões, se aquelas decisões são “acidentes psicológicos”, desconectados de qualquer um de nossos desejos? Realmente, tal situação seria, precisamente, negar toda responsabilidade. Certamente é difícil imaginar sendo responsável por algo que realmente não queríamos fazer.

E o libertarianismo confundiria toda a avaliação ética e legal. Para provar que alguém foi responsável por uma decisão ou ato, teríamos que provar que a decisão ou ato foi não-causada! E como poderíamos provar uma negação como esta? De fato, como atualmente praticamos ética e lei, a causação como tal nunca é um fator em julgamento, e deveras não pode ser. Certos tipos de causação (como a máquina-robótica que descrevi acima) removem a responsabilidade; mas a causação em si mesma não.

Um conceito alternativo de liberdade, consistente com a teologia reformada e sustentado por vários filósofos (os estóicos, Spinoza, Locke, Hume, Hobart, Richard Double et al) é freqüentemente chamada de “compatibilismo”, porque sobre esta base, o livre-arbítrio e o determinismo (a visão de que tosos os eventos na criação são causados) são compatíveis. O compatibilismo mantém simplesmente que ao fazer decisões morais nós somos livres para fazer o que desejamos fazer, para seguir os nossos desejos. Como tal, o compatibilismo é o oposto preciso do libertarianismo, que sustenta que a liberdade requer independência do próprio desejo.

A teologia reformada reconhece que todas as pessoas têm liberdade no sentido compatibilista. Adão, antes da Queda, agiu de acordo com os seus desejos, que então eram santos. Depois da queda, os pecadores ainda agem de acordo com os seus próprios desejos, mas aqueles desejos são pecaminosos. Os redimidos são capacitados pela graça de Deus, progressivamente, a desejar coisas que são excelentes; e eles são livres para agir de acordo com aqueles desejos. Os santos glorificados no céu terão somente desejos puros, e eles agirão de acordo com aqueles desejos.

Eu creio que a liberdade compatibilistas é o principal tipo de liberdade necessária para a responsabilidade moral. Há outros tipos de liberdade, contudo, que são também importantes teológica e eticamente. Por exemplo, eu creio que os seres humanos têm uma certa liberdade para transcender sua hereditariedade e meio-ambiente, de forma que, embora estes fatores possam constituir desafios, testes e até mesmo tentações morais, não podemos usá-los como escusas para pecar. Não podemos reivindicar que somos “determinados” pela hereditariedade e meio-ambiente, de forma que neguemos nossa responsabilidade diante de Deus.

Outro tipo importante de liberdade é a liberdade do próprio pecado. Este é o significado usual de “liberdade” na Escritura, como em João 8:32,36. Neste sentido, o homem caído está em escravidão, não sendo capaz de evitar o pecado. Somente a graça de Cristo pode libertá-lo. Neste sentido, decisões pecaminosas não são decisões livres, embora elas sejam livres no sentido “compatibilista”. Esta escravidão compromete a responsabilidade moral do pecado? Segundo as Escrituras, certamente não.

Se temos dificuldade aqui, pode ser porque falhamos em entender a natureza da escravidão do pecador. Ela é uma escravidão moral e espiritual, não uma escravidão metafísica, física ou psicológica. Se, como em minha ilustração da máquina-robótica, alguém é fisicamente forçado a fazer algo que ele não deseje fazer, então, certamente, sua escravidão remove sua responsabilidade pelo ato. Confrontada com o seu “feito”, a pessoa teria uma escusa válida: “Eu não pude evitar; eu fui fisicamente forçado a fazê-lo”. Mas imagine alguém vindo diante de um juiz humano e dizendo, para se escusar de um crime, “Eu não pude evitar, meritíssimo; eu fui forçado a fazê-lo por minha natureza. Desde o nascimento tenho sido um garoto extremamente perverso!”. Certamente há algo irônico sobre apelar à depravação para escusar atos depravados! Se o nosso acusado é realmente um “garoto extremamente perverso”, então, longe de ser uma escusa, isso é mais uma razão para prendê-lo! Meu ponto, então, é que, embora a escravidão física (e outros tipos de escravidão) possa fornecer escusas válidas para ações contrariamente más, a escravidão moral não é uma escusa. Eu não posso imaginar alguém disputando essa proposição, uma vez que ele a entenda.

Assim, há vários conceitos diferentes de liberdade: libertariano, compatibilista, transcendência moral do meio-ambiente, liberdade do pecado. Realmente, há muitos outros também. Nós falamos de “liberdade” onde quer que haja uma habilidade para sobrepujar algum obstáculo potencial. A liberdade econômica é a habilidade de comprar e investir, a despeito das dificuldades de alcançá-la. Liberdade física de vários tipos existe quando o corpo não é restringido, por exemplo, por cordas ou barras de prisão. Liberdade legal é a habilidade de fazer algo sem ser culpado de um crime, e assim por diante. É uma boa idéia nos lembrar de quão ambíguo o termo “liberdade” é. Quando alguém cria um caso sobre liberdade, nós podemos legitimamente pedir que esta pessoa defina que conceito de liberdade ela tem em mente.

E nós mesmos deveríamos tentar, com todo esforço, sermos claros. Quando você prega evangelisticamente  notando a apropriada ênfase calvinista e bíblica sobre a incapacidade do homem, como você apresentará isso? Simplesmente dizer que o pecador “não pode” receber a Cristo é enganador. Em muitos sentidos ele pode, e deveria: ele é fisicamente e mentalmente capaz; ele não é forçado a permanecer um pecador contrariamente aos seus desejos; nem é “incapaz” num sentido de que temos algum conhecimento de que a graça divina será para sempre negada. A incapacidade do pecado é moral e espiritual; deveras, como temos visto, é uma incapacidade da qual ele mesmo é responsável.

Simplesmente dizer “você não pode receber a Cristo” é, na melhor das hipóteses, motivar uma resposta passiva, uma na qual simplesmente a pessoa espera Deus fazer algo. Mas esta não é a resposta requerida pela pregação do Novo Testamento, ou pela verdadeira pregação reformada. A resposta requerida é “arrependa-se, creia e seja batizado”. O pecador deve agir, e não esperar que Deus faça ele agir. Certamente se ele agir, então sabemos que Deus agiu também!

Outra área de confusão: eu não sei quantas vezes eu perguntei aos candidatos para licenciatura e para ordenação, se somos livres do decreto de Deus, e eles replicaram, “Não, porque somos caídos”. Isto é confundir libertarianismo (liberdade do decreto de Deus, habilidade para agir sem causa) com liberdade do pecado. No primeiro caso, a queda é inteiramente irrelevante. Nem antes, nem depois da queda Adão foi livre no sentido libertariano. Mas liberdade do pecado é algo diferente. Adão a tinha antes da queda, mas a perdeu como um resultado da queda.

Tradução livre: Felipe Sabino de Araújo Neto, Cuiabá-MT, 17 de Abril de 2005.
Fonte: Monergismo
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Expiação definitiva: por quem Cristo morreu?

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Confira abaixo a palestra de Steven Lawson, ministrada na 28ª edição da Conferência Fiel em 2012, sobre a expiação definitiva (limitada):


Fonte: Editora Fiel, canal Vimeo.
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Você tem chamado pastoral?

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Por André R. Fonseca


Outro dia minha mãe me perguntou: "Como vai o curso pra pastor, filho?"

Rindo, respondi: "Mãe, quando Jesus perguntou a Pedro se ele o amava, ele disse para apascentar suas ovelhas. No meu caso, Cristo falou: André, tenha pena das minhas ovelhas!"

Mas a pergunta é bem comum. Sempre que alguém fica sabendo que estou no seminário, logo pergunta sobre a ordenação pastoral - como se o único motivo de ir para o seminário fosse o chamado pastoral. Até os professores do seminário, às vezes, parecem surpresos quando o aluno diz que está cursando por outro propósito. Outro dia um amigo bem chegado, que me conhece muito bem, vem com um livro de presente dizendo que olhou pro livro e pensou em mim. Título: Ministério pastoral, profissão ou vocação. Fala sério...

Gente, pera lá, brincadeira tem hora! Ter o André como pastor será um pesadelo! Vejo que posso contribuir como professor, teólogo, qualquer atividade mais acadêmica. Mas pastorado, não... há excelência  demais no ministério pastoral, e não me enquadro! Vamos para o texto bíblico no qual me apoio para dizer que não sou vocacionado.

Filipenses 2:20-22 "Pois Timóteo é o único que se preocupa com vocês como eu me preocupo e é o único que, de fato, se interessa pelo bem-estar de vocês. Pois todos os outros se preocupam com os seus próprios interesses e não com os de Jesus Cristo. E vocês sabem muito bem como Timóteo provou o seu valor. Ele e eu, como se fôssemos filho e pai, temos trabalhado juntos no serviço do evangelho."

É claro que o texto não trata especificamente do ministério ou vocação pastoral. Não é um texto como o de Tito 1:5-16 onde Paulo traça o perfil do líder da igreja com suas qualidade e outros pontos a serem considerados para determinar se há vocação ao pastorado. Não é, nem de longe, um texto normativo; mas retrata perfeitamente aquilo que entendo como o contexto para o vocacionado. Permita-me dividir o texto de Filipenses em três partes: 1) Interesse pelas ovelhas, 2) dedicação ao ministério e 3) propósito na ordenação.

Sabemos que Paulo escreve duas cartas conhecidas como "pastorais" a Timóteo. São duas das três cartas pastorais, e provavelmente Timóteo recebeu a última ou uma das últimas cartas que Paulo escreveu antes de morrer.Que Paulo instruiu seu "filho" Timóteo para seguir o seu legado no cuidado "pastoral" da Igreja é inquestionável, até porque Timóteo ficou no cuidado das igrejas na Ásia.

Paulo aconselha Timóteo a não abandonar sua vocação em 1 Timóteo 4:15. E onde está o sinal dessa vocação em Timóteo? Acredito que a resposta está em Filipenses! Paulo, à semelhança de Pedro, tem amor pelas ovelhas; e Paulo acaba testemunhando que Timóteo era o único em sua companhia que manifestava o mesmo cuidado pela ovelhas - "Pois Timóteo é o único que se preocupa com vocês como eu me preocupo e é o único que, de fato, se interessa pelo bem-estar de vocês..."

Ainda no contexto de aconselhamentos pastorais de Paulo a Timóteo no capítulo 4 de primeira Timóteo, percebemos a dedicação do vocacionado ao ministério: "para progredir na vida cristã, faça sempre exercícios espirituais... pratique essas coisas e se dedique a elas a fim de que o seu progresso seja visto de todos..." 1 Timóteo 4:7 e 16.

A consagração de Timóteo ao ministério pastoral é consequência de seu serviço. Não basta ter amor pelas ovelhas e dedicação ao estudo da Palavra, oração ou quaisquer exercícios espirituais. É preciso ter um propósito para a consagração ao pastorado, e o que determina esse propósito é o serviço - "pratique essas coisas e se dedique a elas a fim de que o seu progresso seja visto de todos... E vocês sabem muito bem como Timóteo provou o seu valor. Ele e eu, como se fôssemos filho e pai, temos trabalhado juntos no serviço do evangelho." 1 Timóteo 4:15 e Filipenses 2:22

Meu serviço é que justifica minha ordenação ao ministério pastoral. Acho que já estava até na hora de repensarem essa prática de consagrarem seminaristas ao ministério pastoral só porque concluíram seus seminários. Para que uma "igreja com propósito" cheia de pastores sem propósito?

Mas também não basta ter um serviço que justifique minha ordenação, é preciso ter dedicação aos elementos ou qualidades que compõem o ministério. E por fim, é preciso ter amor pelas ovelhas; caso contrário, corremos o risco de alimentar um mercenário... que Deus me livre de ser um deles!

Não quero dizer com isso que não tenho interesse pelo bem-estar das ovelhas, ou que meu interesse por elas seja vil. Mas se não é o interesse puro, profundo, correto e completo dentro deste ministério, a coisa pode facilmente sair dos trilhos. Tudo o que é forçado não acaba bem! Então, antes de qualquer coisa, eu preciso ter isso confirmado e trabalhado por Deus no meu coração. Enquanto permanecer a incerteza quanto ao que sinto pelas ovelhas de Cristo, minha resposta permanecerá: não tenho vocação pastoral!

Tenho grande dedicação ao estudo teológico, mas a dedicação pastoral não se resume a isso. Acredito também que não só de pastores vive a igreja, ela também precisa de professores dedicados. Portanto, vejo que facilmente posso ser um mestre; pastor, não.

E ainda que esses dois pontos possam ser questionados e trabalhados por Deus para apontar numa direção ao ministérios pastoral, ainda sou seminarista. Em breve, serei um bacharel em teologia, só isso! Enquanto não houver um serviço (ministerial) que justifique uma ordenação, me deixa quieto...

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Autor: André R. Fonseca
www.andreRfonseca.com
Twitter: @andreRfonseca

Quando não especificado, todos os textos bíblicos são citações da NTLH - Nova Tradução na Linguagem de Hoje da SBB.
Fonte da imagem: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Shepherd_on_the_way_to_Hampta_Pass.jpg

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A roupa nova do imperador e a igreja brasileira.

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Por Antônio Pereira Jr.


“Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra: os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam de mãos dadas com eles; e é o que deseja o meu povo. Porém, que fareis quando estas coisas chegarem ao seu fim?” Jeremias 5.30-31. Leia ainda Jeremias 23.9-33; 28.1-4; Ezequiel 13 e 14.

Você já ouviu falar de Hans Christian Andersen (1805 – 1875), autor de inúmeros contos infanto-juvenis? Não? Ele escreveu “A Roupa Nova do Imperador”, você lembra dessa história? Não? Tudo bem, eu sei que faz tempo que você deixou de ler histórias infantis. Vou tentar refrescar a sua memória. A história é mais ou menos esta:

Há muitos anos havia um Imperador que era apaixonado por roupas novas e gastava todo o dinheiro que possuía com elas. Tinha um traje para cada hora do dia. Certo dia chegou a sua província dois vigaristas. Fingiram-se de tecelões e disseram que possuíam um tecido especial. Esse tecido possuía a qualidade de ser invisível a todos que não seriam capazes de exercer as suas funções. Como também, distinguia os tolos dos inteligentes. Logo, o imperador entregou-lhes muitas sedas e ouro para a confecção do traje. Os vigaristas guardavam todo o material e sempre pediam mais ao monarca. No entanto, nem um só fio era colocado no tear, embora eles fingissem continuar trabalhando apressadamente. O Imperador mandou súditos para examinarem a roupa, e ele, embora não vendo nada, temiam relatar o que estava acontecendo, para não serem tachados de tolos e incapazes de exercerem as suas funções.

Sempre diziam: “Que traje maravilhoso, é de uma beleza fenomenal”. Quando ficou pronta o imperador foi participar de um cortejo onde queria exibir sua mais nova roupa – já que em toda a província a fama do suposto tecido havia se espalhado. De repente, alguém grita: “O imperador está sem roupa!” Houve o maior frisson no império. Só ai o monarca percebeu o quão tolo havia sido.

Mas o que isso tem a ver com a igreja brasileira? Há muito que aprender com esse conto. Muitas das inovações no seio da eclesiologia brasileira não passam de histórias fantasiosas. Seria até cômica se não fossem trágicas. Há muitas heresias e “espiritualismo” travestido de roupa nova. Vigaristas da fé estão espalhados aos borbotões. Pessoas, até mesmo sinceras, dizem estar vendo algo que não existe. Prega-se uma “espiritualidade sensitiva”, onde o sentir é mais importante que o saber. Isso é espantoso, é horrendo.

Jó disse: “bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido." – 42.2. Bem sei (hb yada‘), ou seja, conhecer por experiência, perceber, ver, descobrir e discernir. Infelizmente, os cristãos, hoje, não querem saber, querem sentir. Muitos, a semelhança dos súditos, continuam dizendo: “Que traje maravilhoso, é de uma beleza fenomenal”. O povo quer espetáculo? Vamos dá espetáculo! Como nos diria Jeremias: “… profetizam falsamente”. Prometem o que não podem cumprir.

Precisamos usar de honestidade ministerial. As tentações para transformar o nosso culto em “roupas novas” são muitas. Afinal, “… é o que deseja o meu povo”; diz o Senhor. Precisamos parar de ver espiritualidade onde, na realidade, só há carnalidade e culto narcisista. Deus é o único que merece toda a nossa honra, glória, louvor e adoração.

Quando Ele mandar, falemos, mas, se não mandar, é melhor ficar calado, pois seria muito perigoso desobedecer ao Senhor. Lembrem-se, somos embaixadores e como tal não podemos falar o que não nos foi ordenado – 2Co 5.20. Prefiro ser sincero com Deus e com as pessoas ao invés de “ver” o que os “sábios” e “inteligentes” querem. Não proclamemos o que Deus não mandou. “Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece”. – Jo 9.41. Finalmente, o Senhor nos alerta: “… que fareis quando estas coisas chegarem ao seu fim?” Sola Gratia!

Fonte: NAPEC
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Arminianos, ouçam Armínio!


Por Clóvis Gonçalves



A posição evangélica dominante nos dias de hoje identifica-se com o teólogo holandês Jacó Armínio, pelo que nos debates teológicos é designada como arminianismo. O que muitos não sabem é que Armínio era bem mais "calvinista" que os arminianos atuais imaginam ou gostariam de saber. Se eles soubessem o que ele escreveu a respeito de alguns assuntos importantes no debate sobre a salvação, poderiam não se tornar calvinistas, mas pelo menos seriam arminianos melhores.

Descobririam, por exemplo:

a) Que ele recomendava a leitura da obra de Calvino

"Depois da leitura das Escrituras..., e mais do que qualquer outra coisa,... eu recomendo a leitura dos Comentários de Calvino ... Pois afirmo que na interpretação das Escrituras Calvino é incomparável, e que seus Comentários são mais valiosos do que qualquer coisa que nos tenha sido legada nos escritos dos pais — tanto assim que atribuo a ele um certo espírito de profecia no qual ele se encontra em uma posição distinta acima de outros, acima da maioria, na verdade, acima de todos." (Carta escrita a Sebastian Egbertsz, publicada em P. van Limborch e C. Hartsoeker, Praestantium ac Eruditorum Virorum Epistolae Ecclesiasticae et Theologicae (Amsterdam, 1704), nº 101).

b) Que ele cria na doutrina da providência

"Nesta definição de Providência Divina, eu de forma alguma a privo de qualquer partícula daquelas propriedades que concordam ou pertencem a ela; mas eu declaro que ela preserva, regula, governa e dirige todas as coisas e que nada no mundo acontece acidentalmente ou por acaso. Além disto, eu coloco em sujeição à Providência Divina tanto o livre-arbítrio quanto até mesmo as ações de uma criatura racional, de modo que nada pode ser feito sem a vontade de Deus, nem mesmo as que são feitas em oposição a ela , somente devemos observar uma distinção entre as boas e as más ações, ao dizer, que "Deus tanto deseja e executa boas ações," quanto que "Ele apenas livremente permite as que são más." Além disto ainda, eu muito prontamente admito, que até mesmo todas as ações, sejam quais forem, relativas ao mal, que possam possivelmente ser imaginadas ou criadas, podem ser atribuídas ao Emprego da Divina Providência, tendo apenas um cuidado, "não concluir deste reconhecimento que Deus seja a causa do pecado." (Works, vol 1: The providence of God)

c) Que ele cria nos decretos divinos

"Os decretos de Deus são os atos extrínsecos de Deus, ainda que sejam internos, e, por essa razão, feitos pelo livre-arbítrio de Deus, sem qualquer necessidade absoluta . Todavia um decreto parece exigir a suposição de outro, a bem de uma certa conveniência de igualdade; como o decreto relativo à criação de uma criatura racional, e o decreto relativo à salvação ou condenação [dessa criatura] sob a condição de obediência ou desobediência. A ação da criatura também, quando considerada por Deus desde a eternidade, pode algumas vezes ser a ocasião, e algumas vezes a causa motriz externa de criar algum decreto; e isto de tal forma que sem tal ação [da criatura] o decreto não seria nem poderia ser feito. (...) Embora todos os decretos de Deus foram feitos desde a eternidade, todavia uma certa ordem de prioridade e posterioridade deve ser formulada, de acordo com sua natureza, e a relação mútua entre elas." (Works, vol 2: On decree of God)

d) Que ele cria na predestinação

"O primeiro na ordem dos decretos divinos não é o da predestinação, pela qual Deus preordenou para fins sobrenaturais, e pela qual ele resolveu salvar e condenar, declarar sua misericórdia e sua justiça punitiva, e ilustrar a glória de sua graça salvadora , e de sua sabedoria e poder que concordam com aquela mais livre graça.(...) Os eleitos não são chamados "vasos de misericórdia" na relação de meios para o fim, mas porque a misericórdia é a única causa motriz, pela qual é feito o próprio decreto da predestinação para salvação." (Works, vol 2: On predestination to salvation)

e) Que ele cria na imperdibilidade da salvação

"Embora eu aqui, aberta e sinceramente, afirmo que eu nunca ensinei que um verdadeiro crente pode, total ou finalmente, abandonar a fé, e perecer; todavia não nego que haja passagens da Escritura que me parecem apresentar este aspecto; e as respostas a elas que tive a oportunidade de ver não se mostraram, em minha opinião, convincentes em todos os pontos. Por outro lado, certas passagens são fornecidas para a doutrina contrária [da perseverança incondicional] que merecem especial consideração." (Works, vol 1: The perseverance of the saints).

De minha parte, ficaria muito feliz se os atuais arminianos firmassem posição com Jacó Armínio. Pois já estaríamos no lucro.

Fonte: Cinco Solas

Nota do blog Bereianos: Esse artigo foi originalmente publicado no blog Cinco Solas pelo irmão Clóvis Gonçalves, em 4/08/2008. Embora seja antigo e de conhecimento de muitos, vale a pena o "review".
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Predestinação antes de Agostinho.

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I - Antes de Agostinho - II. S. Agostinho.

S. Agostinho definia a predestinação como "presciência divina e preparação dos benefícios de Deus com que certissimamente se salvam quantos se salvam" (De dono persev. 13,35). Os vários dons sobrenaturais (vocação à fé, graça, justificação, etc.) são atos da benevolência divina, que quer salvar-nos. No contexto polêmico dos Padres [Pais], os problemas surgem quando se procura pôr em relação a predestinação com outros dados: existência do mal no mundo, liberdade do homem, retribuição no além, condenação depois da morte. Pode-se sempre, neste caso, prescindir de algum de seus elementos, negando o fato da intervenção de Deus na história (pelagianismo) ou, doutro ponto de vista, a liberdade humana (maniqueísmo), e deixando a pergunta sobre a unidade do plano salvífico (dualismo gnóstico). Nós aqui intencionamos destacar os nomes mais importantes dos primeiros séculos da história da doutrina da predestinação.


I - Antes de S. Agostinho - Apesar da escassa incidência do tema nos escritores cristãos mais antigos, já Clemente insinua os seguintes princípios gerais: a salvação depende de uma iniciativa de Deus (Ep. Ad Cor. 29,1); a salvação não pode ser alcançada sem o concurso das boas obras (ibidem, 33,1); estas obras salutares são, elas mesmas, um dom de Deus (ibidem 32,3-4; 33,1; 33,8). Por sua vez, contra o gnosticismo e o maniqueísmo, os apologetas e seus adeptos afirmam a unidade do plano salvífico, a vontade salvífica universal de Deus e a necessária cooperação do homem sob a influência da graça. Taciano (Orat. Ad Graecos 13) e, com maior evidência, Justino (Apol. I, 12; ibid. 42) e Ireneu (Adv. Haer. IV, 29,2) disto são claro testemunho, embora por predestinação entendam mais uma presciência de Deus do que uma decisão de Deus. Clemente Alexandrino fala dos "justos que Deus predestinou, tendo-os conhecido como tais desde o princípio do mundo" (Strom. VII, 17). Orígenes, que trata deste tema bem amplamente, determina de certo modo o ritmo posterior da teologia oriental. Trata do problema da predestinação de modo particular em seu "Comentário a Romanos" 8 (cf. Comm. In Rom. VII, 7-8 ). Distingue entre uma presciência divina geral e uma presciência de amor. Neste caso, a presciência, conhecimento que aprova e não de simples previsão, é uma complacência que atinge somente os bons (Comm. In Rom. VII, 7). Presciência e predestinação, portanto, têm a mesma amplidão e o mesmo objeto (ibid. VII, 8 ). A predestinação se verifica "post praevisa merita" e não como resultado da presciência, que de nenhum modo anula a liberdade e a responsabilidade do homem (ibid. VIVI, 16; De orat. 6). A salvação depende de uma causa e da outra, mas em primeiro lugar e antes de tudo da iniciativa de Deus, que chama todos à salvação. Gregório Nazianzeno (Oratio XXXVII, 13), João Crisóstomo (In Ep. Ad Romanos hom. XVI, 5) - também Cirilo de Alexandria (?) (In Ep. Ad Romanos 8,30) - são mais precisos do que Orígenes quando falam da vontade salvífica universal de Deus e da predestinação: Deus dá sempre sua graça aos predestinados e àqueles que chamou desde o princípio. O concurso humano é necessário para a salvação, embora tudo - até o querer - se deva atribuir a Deus. (Greg. Naz., Orat. XXXVII, 13). J. Crisóstomo, porém, tendo presente os efeitos, ex consequenti, distingue uma dupla vontade de Deus: uma de benevolência e outra de castigo (In Ep. Ad Ephes. Hom. I, 2). E "Embora Deus opere em nós o querer e o agir" (In Ep. Ad Philipp. hom. 8,1), o homem, para salvar-se, tem necessidade das boas obras (In Mat. Hom. 19,2). Nos respectivos comentários dos escritores latinos às passagens da Escritura onde se fala deste mistério, encontram-se muitos textos sobre a predestinação. Com clareza a afirmam Hilário de Poitiers (In os. LXIV, 5) e ainda mais detalhadamente Ambrósio (De fide V, 6, 83).

II - S. Agostinho. Como para os outros problemas, também para este Agostinho constitui um cume da patrística, e sua importância é decisiva para a história desta. Das obras em que estudou o tema da predestinação poder-se-iam citar as seguintes: Expositio quorundam propositionum ex Epist. Ad Romanos; De diversis quaestionibus ad Simplicianum, II; Contra Iulianum; Contra duas epistolas Pelagionorum; Enchiridion; De gratia et libero arbitrio; De correptione et gratia; De praedestinatione sanctorum; De dono perseverantiae; Contra Iulianum opus imperfectum; Epistolae: 194; 214; 215; 217; 225; 226. Muitas e, às vezes, contraditórias são as interpretações que foram dadas a sua doutrina. Para entender a teologia agostiniana da predestinação é preciso levar em consideração não só a vontade salvífica universal de Deus, mas o caráter gratuito da vida sobrenatural para o homem. Tendo em vista estes dois postulados, Agostinho olha continuamente para o mistério da predestinação e predileção de Deus que, ante praevisa merita, elege muitos e lhes dá sua graça para que alcancem a salvação. E, do momento em que todos os homens formam uma só massa damnationis em conseqüência do pecado original, será preciso explicar também por que desta comunidade de pecadores Deus escolhe alguns, predestinando-os para a salvação e não outros. Segundo S. Agostinho, a presciência e a preparação dos meios eficazes para a salvação são os dois elementos necessários da predestinação, fruto da benevolência divina (De dono persev. 14,35). Da parte de Deus, a predestinação é livre e infalível. Isto, porém, não exclui ou anula a liberdade do homem, antes a facilita e lhe dá poder. As dificuldades, no caso, postas à doutrina de Agostinho, provenientes no início do semipelagianismo de origem gálica, confundem, pelo menos em parte, a presciência e a predestinação; na realidade, do momento em que não se identificam, uma pode existir sem a outra (De praedest. Sanct. 10,19). Predestinação significa preparação dos bens; presciência, o prévio conhecimento do bem e do mal. Com esta afirmação, não se alude de modo algum à predestinação ao inferno, embora certamente existam presciência e permissão de uma sanção conseqüente aos próprios deméritos. "Deus conhece antes todas as causas das coisas, e certamente não pode ignorar entre estas também as nossas vontades, que prevê seriam as causas de nossas ações" (De civ. Dei V, 9). Contrariamente a qualquer forma de pelagianismo, a presciência de Deus não anula absolutamente a responsabilidade da vontade do homem que, de sua parte, coopera ou não para a realização do plano salvífico. Fulgêncio de Ruspe e Cesário de Arles prosseguem na linha do pensamento agostiniano, que de um modo ou de outro, inspirará depois, ao longo dos séculos, a teologia do Ocidente.

Fonte: Dicionário Patrístico e de Antiguidades Cristãs, Ed. Vozes e Ed. Paulinas, 2002, pág. 1182 
Divulgação: Teologia & Apologética | Bereianos
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Quando o Livro da Vida foi escrito?

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Por Clóvis Gonçalves


O Apocalipse fala daqueles "cujos nomes não foram escritos no Livro da Vida desde a fundação do mundo" (Ap 17:8). Há duas possibilidades aqui, interpretar a expressão como significando que os nomes de todos os salvos estavam registrados no Livro da Vida desde a fundação do mundo ou que o nome de cada pessoa é escrito quando o evangelista ora pelo decidido, pedindo a Deus que escreva o seu nome no livro da vida.

Esta última posição é a defendida pelo Pr. Ciro Sanches Zibordi, numa interessante série sobre o Livro da Vida, escrita sob uma ótica anti-calvinista (já que dizer sob uma ótica arminiana pode soar como zombaria).

Observemos um detalhe, antes da análise em si. A passagem em questão não fala dos que tiveram seus nomes escritos no Livro da Vida e sim dos que não tiveram os seus nomes registrados nesse memorial. A relevância disso terá que ficar para uma análise posterior.

A expressão "desde a fundação do mundo" no grego é "apo kataboles kosmou", composta por uma preposição, seguida de um substantivo e de seu complemento. É uma expressão relativamente comum no Novo Testamento, sendo que exatamente como em Ap 17:8 ocorre mais seis vezes (Mt 13:35; 25:34; Lc 11:50; Hb 4:3; 9:26; Ap 13:8). Uma leitura atenta dessas passagens demonstra que a idéia não é de algo que vem sendo realizado de forma continuada a partir da fundação do mundo, mas de algo considerado consumado desde esse momento, com possível excessão de Lucas 11:50.

Assim, quando o profeta disse "publicarei coisas ocultas desde a criação do mundo" (Mt 13:35) não estava se referido a segredos gradativamente ocultados, mas de algo completamente oculto desde o princípio. Quando Jesus disse que o reino dos benditos do Pai estava "preparado desde a fundação do mundo" (Mt 25:34) não pretendia que os discípulos entendessem que o reino era preparado para cada um deles quando se convertiam, mas que tudo já estava preparado quando esse mundo foi trazido à existência. O mesmo pode ser dito das obras "concluídas desde a fundação do mundo" (Hb 4:3), obras estas necessárias ao descanso dos santos. Deus não toma providências para o destino dos salvos no momento em que creem, mas desde a fundação do mundo tudo está pronto. Isto inclui a morte de Cristo como provisão para a salvação, que embora se diga que "foi morto desde a fundação do mundo" (Ap 13:8) não significa que Ele sofreu "muitas vezes desde a fundação do mundo" mas uma única "vez por todas" (Hb 9:26). Vimos que a ideia expressa pela frase "desde a fundação do mundo" enfatiza algo realizado de forma completa quando os fundamentos do mundo foram lançados e não algo que vem sendo feito desde então.

O pastor Ciro faz a sua tese depender da preposição "apo" e não da expressão completa. Porém, a classe de palavra que tem tempo e modo é o verbo, e é para ele que devemos nos voltar se quisermos saber quando e de que forma algo ocorre. Devemos perguntar ao texto "o que [não] ocorreu antes da fundação do mundo?" e a resposta é "nomes [não] foram escritos".

O verbo "gegraptai" está no tempo Perfeito e no modo Indicativo. O modo Indicativo, nos informa o Léxico Grego de Strong "é uma simples afirmação de fato. Se uma ação realmente ocorre ou ocorreu ou ocorrerá, será expressa no modo indicativo". Já o "Perfeito grego corresponde ao Perfeito na língua portuguesa, e descreve uma ação que é vista como tendo sido completada no passado, uma vez por todas, não necessitando ser repetida". Portanto, a passagem não se refere a algo que vem sendo feito a cada oração de pregador por um convertido, mas de algo que foi completado de forma cabal no passado. Se João quisesse enfatizar uma ação iniciada no passado e realizada ao longo do tempo teria usado o verbo no Aoristo, que aliás é o tempo (aspecto) mais comum no grego.

Concluímos que a expressão desde a fundação do mundo não significa "começando lá e continuando até o último convertido". Mas se refere a algo que estava concluindo quando Deus lançou os fundamentos da terra, antes de criar o primeiro homem.

Fonte: Cinco Solas
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