Para onde vão as almas?

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Por Rev. Leandro Lima


Para onde vão as almas das pessoas que morreram? Ao longo da História várias possibilidades têm sido levantadas.

Classicamente, o cristianismo  tem defendido que, após a morte, enquanto o corpo vai para a sepultura, o espírito vai para o chamado "Estado Intermediário". Esse local diz respeito a onde estão, por um lado, os que foram salvos em Cristo, no caso do céu, e por outro, os que foram condenados por seus pecados, no caso o inferno. Surgiram outras interpretações. Testemunhas de Jeová e Adventistas defendem o chamado "sono da alma", ou seja, que todas as almas, quer de ímpios quer de crentes ficam dormindo até o dia da ressurreição.

Os Católicos sustentam que as almas ficam num local de "purgação", podendo entrar no céu, depois que tiverem feito satisfação por seus pecados. E os Espíritas dizem que é possível até mesmo se comunicar com as almas dos mortos.

O "sono" da alma é defendido por muitos por causa de expressões usadas no Novo Testamento, como por exemplo, o fato de Jesus ter dito que Lázaro dormia, significando que estava morto (Jo 11.11,14; Ver Mt 9.24; At 7.60; 1Co 15.51; 1Ts 4.13-14). Apela-se também para aqueles textos do Antigo Testamento que descrevem a morte como um estado de inatividade (Ver Sl 6.5; 115.17; 146.4; Dn 12.2). Porém, esses textos descrevem o morto apenas do ponto de vista humano. Além do mais, o que está sendo enfatizado nestes textos é o destino do corpo das pessoas e não da alma.

Há suficiente ensino na Escritura, especialmente por causa do Novo Testamento, para que entendamos para onde a alma vai depois da morte. Jesus contou uma parábola (as parábolas são compostas de elementos reais) em que há explicações suficientes sobre o lugar das almas depois da morte (Lc 16.19-31). Lázaro foi para o seio de Abraão e o rico para o inferno. Eles permaneceram num estado consciente, um está no lugar de punição e o outro no lugar de recompensa, e não há possibilidade de saírem de onde estão. Essa parábola elimina tanto a questão do sono da alma quanto do purgatório. Depois da morte as almas dos salvos vão para o paraíso, enquanto que as almas dos perdidos vão para o inferno. Só existem esses dois lugares e quem foi para um deles não pode mais sair. O Espiritismo também leva um golpe decisivo, pois os mortos não são autorizados a voltarem. E finalmente, Jesus deixa bem claro que o anúncio da salvação somente é possível através da Bíblia (Lc 16.31).

Há muitos outros textos que demonstram o estado consciente dos crentes após a morte. Jesus disse ao ladrão que se converteu na cruz: "Hoje estarás comigo no paraíso" (Lc 23.43). Embora os Testemunhas de Jeová tenham até mesmo mudado a tradução desta frase (para: em verdade te digo hoje, estarás comigo no Paraíso), todo o sentido da frase de Jesus depende do "hoje", pois o ladrão pediu que Jesus lembrasse dele no futuro, e Jesus disse que não seria preciso esperar. Outro texto claro, nesse sentido, é o da cena da transfiguração, em que Moisés e Elias foram vistos conversando com Jesus (Mt 17.1-8). Eles não estavam dormindo. Paulo também dizia que o cristão, após a morte estaria imediatamente na presença do Senhor (Fp 1.21-23). Ele disse que ao deixar o corpo, o crente passa a habitar com o Senhor (2Co 5.6-8). E ele sabia do que estava falando, pois esteve pessoalmente no paraíso (2Co 12.4). Há mais dois textos da Escritura que demonstram claramente que as almas dos salvos estão no céu e num estado de consciência diante de Deus. Em Apocalipse 6.9-11, e Apocalipse 7.14-15, João viu as almas dos crentes mortos no céu. Elas estão lá conscientes, descansando e esperando o último dia. Não faz sentido pensar que estivessem dormindo na sepultura.

As almas dos que já morreram estão no céu ou no inferno, e estão lá conscientes. Um dado interessante quanto a isso, é que elas estão nesses dois lugares temporariamente. O estado em que estão as almas depois da morte, seja o céu ou o inferno, é chamado de intermediário porque não corresponde ao local definitivo onde, tanto os salvos quanto os condenados, habitarão eternamente. As almas dos salvos no céu e as almas dos condenados no inferno aguardam pelo último dia, o dia da ressurreição. Naquele dia, de acordo com a Bíblia, todos ressuscitarão (Dn 12.2; Ver 1Co 15.52; 1Ts 4.16). Após a ressurreição os perdidos que estavam no inferno irão para o lago de fogo (Ap 20.15), e os salvos que estavam no céu para o novo céu e a nova terra (Ap 21.1). O motivo é simples: Deus não criou o ser humano para viver sem corpo. Atualmente, tanto no céu como no inferno, as almas estão despidas de seus corpos, o futuro lhes assegura que um dia se reunirão a seus corpos.

Para o crente, a doutrina bíblica do Estado Intermediário é uma grande benção. Ela nos assegura que o crente não precisará ficar dormindo, esperando pelo consolo. Ele não precisará esperar o dia em que o Senhor voltar no seu reino para desfrutar das recompensas, pois já estará naquele mesmo dia no paraíso com o Senhor. Para o perdido, por outro lado, a doutrina do Estado Intermediário é a certeza de que seus pecados não passarão impunes. É a certeza de que a justiça pode parecer demorada, mas não falhará. As pessoas que não querem compromisso com Deus imaginam que o túmulo seja o fim de tudo, mas terão uma surpresa terrível quando perceberem que estavam enganadas. A doutrina do Estado Intermediário demonstra que a salvação é possível apenas nessa vida. Isso demonstra a importância central do evangelho, a necessidade de conhecê-lo plenamente e proclamá-lo urgentemente.

- Sobre o autor: Rev. Leandro Antônio de Lima é pastor da Igreja Presbiteriana de Santo Amaro/SP, e membro do conselho editorial do Jornal Brasil Presbiteriano.

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Fonte: Jornal Brasil Presbiteriano, edição Maio/2013, pág. 3
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2 comentários

Mauro Júnior mod

Gostei muito da explicação, bem embasada, mas como explicar os textos de Eclesiaste 9 e o Salmo 115:17? Que nos leva a acreditar que, de fato, os mortos (ímpios e salvos)não têm consciência alguma e dormem.

Um grande abraço e parabéns pelo site.

Deus abençoe a todos!

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Mauro, o próprio texto de Ec. 9 mostra a ideia proposta no artigo, leia do versos 4 até 10, demonstrando sobre o fato dos mortos não viverem da mesma maneira que os mortos. Enquanto, os vivos podem comer, beber, gozar do matrimônio, os mortos, entretanto, não fazem nenhuma dessas coisas.
Salmos 115:17 é respondido baseado nos versos 16 até 18, mostrando o louvor que os vivos dão a Deus.
Isso nos leva a ideia de Ap. 6:9-11 e 7:14,15 em que os santos louvam e clamam a Deus.
Amém, espero ter ajudado :)
Paz !

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