Como posso adorar a Deus em espírito e em verdade?

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Por André R. Fonseca


Todo escritor precisa organizar um enredo para escrever. Esse enredo pode ser apenas mental, ou pode ser escrito. O importante é manter os temas e subtemas, os questionamentos e as respostas em uma ordem lógica que leve o leitor a entender exatamente o que se deseja mostrar através da produção escrita. 

Quando João escreveu seu evangelho, ele certamente tinha um enredo. Seu enredo organizava os eventos que envolviam Jesus de forma que o leitor pudesse chegar à conclusão que Ele era o Cristo. João mesmo deixou esse propósito bem claro: “Jesus, na verdade, operou na presença de seus discípulos ainda muitos outros sinais que não estão escritos neste livro; estes, porém, estão escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.”[1]

Os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas são conhecidos como os evangelhos sinópticos. Esses evangelhos recebem esse nome pela grande quantidade de histórias em comum, relatadas na mesma sequência e, algumas vezes, utilizando exatamente a mesma estrutura de palavras para contar a mesma história. 

Lucas não foi testemunha ocular de nenhuma das histórias que escreveu em seu evangelho. Seu objetivo era relatar a Teófilo tudo quanto ouviu a respeito de Jesus, e seu trabalho assemelha-se a de um historiador. “Visto que muitos têm empreendido fazer uma narração coordenada dos fatos que entre nós se realizaram, segundo no-los transmitiram os que desde o princípio foram testemunhas oculares e ministros da palavra, também a mim, depois de haver investido tudo cuidadosamente desde o começo, pareceu-me bem, ó excelentíssimo Teófilo, escrever-te uma narração em ordem. Para que conheças plenamente a verdade das coisas em que foste instruído.”[2]

Lucas deixa bem claro que seu objetivo era fazer um relato em ordem cronológica dos eventos, assim como muitos já haviam feito. Não acredito que João tivesse a mesma intenção ao escrever seu evangelho, e a narrativa única de seu evangelho pode ser mais uma evidência de que João não construiu seu enredo com base na ordem cronológica dos eventos, mas numa ordem teológica de argumentos. 

Uma vez que o objetivo de João era levar as pessoas a crerem em Cristo através dos relatos de sinais que identificavam Jesus como o Filho de Deus, é bem provável que seu enredo ordenasse propositadamente tais eventos. É por esse motivo que o evangelho de João é tão diferente, não só na ordem cronológica, como também na própria seleção das histórias e como elas são interligadas. 

Tendo dito isso, abordarei como a ordenação dos eventos no evangelho de João pode trazer luz à compreensão do versículo favorito da maioria dos ministros de música: “Deus procura adoradores que o adorem em espírito e em verdade”.[3]

João trabalha alguns temas recorrentes em seu evangelho e nas epístolas. Há fortes advertências contra os ensinos heréticos do gnosticismo e docetismo, origem dos maiores ataques contra a doutrina das igrejas em sua época. Ele relata com detalhes todos os diálogos e milagres de Cristo que mostram a sua divindade além de sua natureza humana. E ele também dá muita ênfase às mudanças que uma pessoa sofre depois da conversão. Leia sua primeira epístola e observe que esses assuntos são recorrentes; resumidamente nas epístolas, mas extensamente trabalhados em seu evangelho. 

Quanto às mudanças sofridas pelas pessoas que se convertem, João sequencia duas conversas de Jesus de mesmo tema. A primeira é a conversa de Jesus com Nicodemos; a segunda, sua conversa com a mulher samaritana. 

Inquestionavelmente a conversa de Jesus com Nicodemos tem ênfase na nova natureza que os filhos de Deus recebem pós-conversão, assunto que ele vem introduzindo desde a abertura de seu evangelho: “Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus”.[4] Ele passa também pelos símbolos de novo nascimento no batismo e na transformação de água em vinho até, finalmente, narrar a conversa de Jesus com Nicodemos no capítulo 3. 

A parte chave da conversa com Nicodemos que nos interessa é: “Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.”[5]

Acredito que a última sentença, destacada acima em negrito, pode explicar como é possível alguém adorar a Deus em espírito. 

Se João realmente estava elaborando o seu enredo privilegiando os elementos que conduzem a um pensamento ou entendimento teológico a respeito de Cristo e da nova natureza do convertido, a sequência das histórias de Nicodemos e da história da mulher samaritana é proposital. Precisamos considerar cada uma delas como parte de um todo, do entendimento que se pode ter dessas duas histórias em conjunto. 

Quando a mulher samaritana questiona Jesus sobre qual seria o local correto para adorar a Deus, ele responde: “Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos; porque a salvação vem dos judeus. Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem”.[6]

Em outras palavras, o que Jesus poderia estar dizendo era que não importa o lugar onde se deve adorar, o que realmente interessa é nascer de novo, pois só quem nasce de novo não é mais carne, mas espírito; somente quem nasceu de novo nasceu do espírito e poderá adorar o Pai em espírito em qualquer lugar. 

Perceba a similaridade entre essas duas declarações de Jesus: 1) “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito”; 2) “Deus é Espírito, e é necessário que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.” 

Portanto, adoramos a Deus em espírito após recebermos a nova natureza espiritual na conversão e adoramos em verdade quando adoramos com sinceridade e de todo o coração. 

Eu vejo a ligação entre as declarações de Jesus nas histórias de Nicodemos e da mulher samaritana como um paralelismo muito profundo e intencional da parte de João. Há uma teologia muito complexa entre essas histórias, e o que está exposto neste texto é apenas um vislumbre.

Espero que você também possa ver a importância da sua conversão, do nascer de novo, de sua nova natureza espiritual, e como ela faz toda a diferença na sua adoração a Deus!

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Notas:
[1] João 20:30-31 
[2] Lucas 1:1-4 
[3] João 4:24 
[4] João 1:12. 
[5] João 3:6. 
[6] João 4:22-23. 

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Fonte: Teologia et cetera
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Você não precisa de religião para saber o que é certo e errado!

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Por Felipe Cruz


Muitas vezes quando evangelizamos, ouvimos a famosa frase: “Eu não preciso de religião para saber do que é certo e do que é errado”. O cético, ateu ou irreligioso nem imagina que a nossa resposta vai ser: "Exatamente!". Qualquer pessoa que crê na Bíblia pode verificar facilmente que Paulo, no capítulo 2 do livro de Romanos, vai falar que até mesmo os descrentes possuem uma lei moral escrita nos seus corações. Ele capacitou todos a conhecerem o que é certo e o que é errado. Ser um filantropo é correto; torturar bebês por diversão é errado. Preservar o meio ambiente é correto; estuprar uma mulher é sempre errado. A pergunta certa, então, seria: “De onde vem essa coisa chamada ‘moral objetiva’? Qual a base, o alicerce para essa moral? Qual a melhor explicação para a origem e a existência dela?”. 

Deus é a única explicação para os padrões morais objetivos. Para que existam enunciados morais universais conhecidos por todos os homens em todas as culturas, em todas as épocas, a única explicação plausível é a de que um Legislador universal tem imposto tais valores, do contrário, o estupro só seria errado se o próprio estuprador achasse que era errado. Ou então ele poderia apenas repetir a outra velha frase que a gente sempre ouve: “É errado para você, mas não é errado para mim”. O cristão, portanto, não é moral por medo ou por fraqueza. Apenas reconhecemos, em sóbrio diagnóstico, que o homem não é a medida de todas as coisas.

Assista o vídeo:



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Fonte: Dois dedos de Teologia - Racionalizando #2
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Palavras: a vida e a morte na ponta da língua

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Por Leonardo Dâmaso

Texto base: Provérbios 18.21

Introdução

A palavra provérbio significa “ser como”. Basicamente, um provérbio é uma sentença em poucas palavras que expressa grandes verdades. Os provérbios são declarações (ou ilustrações) morais simples que ressaltam e ensinam a realidade da vida.

Todavia, o livro de Provérbios retrata em forma de comparações a vida cotidiana com suas verdades mais profundas. Os provérbios são diretrizes práticas, ou seja, princípios básicos de Deus para que o homem os observe. Em outras palavras, são “ditos práticos” criados para levar os homens a refletir sobre o temor de Deus e viver a vida estabelecida pelo padrão da sabedoria divina.

Não obstante, duas características comuns no livro de Provérbios é o emprego da linguagem figurada e o uso extensivo de paralelismos. Os assuntos incutidos em provérbios não costumam seguir uma ordem sequencial em seções como é usualmente no Novo Testamento. Por vezes, um mesmo assunto não é trado apenas em um capítulo ou trecho, mas em outros capítulos em diversos trechos. Por isso, 5 cuidados devem ser tomados ao interpretar o livro de Provérbios:

1) Traçar o paralelismo, ou seja, encontrar o assunto tratado em outros capítulos do livro. 2) Identificar as figuras de linguagem e parafrasear o pensamento ali contido sem as figuras para que haja o entendimento correto. 3) Resumir a lição transmitida pelo provérbio em poucas palavras. 4) Descrever a orientação ensinada. 5) Encontrar outros exemplos do provérbio em voga em outras partes da Escritura.

De forma breve, senão vejamos algumas informações necessárias sobre o livro de provérbios que devem ser ressaltadas.   
       
1. O autor do livro de Provérbios

O título de provérbios na bíblia hebraica e na septuaginta [versão grega do Antigo Testamento] é “Provérbios de Salomão”. Esta expressão não afirma absolutamente a autoria, mas define especificamente o título do livro.

Todavia, Salomão foi um dos reis de Israel. Ele sucedeu o seu pai Davi no trono, após sua morte. Salomão governou Israel de 971 a 931 a.C.. É mencionado na Escritura que ele recebeu grande sabedoria de Deus (veja 1Rs 4.29-34), sendo o homem mais sábio que já existiu em toda a história.

Uma vez que Salomão é indubitavelmente o autor da seção didática que abrange os capítulos 1–22.16, por outro lado, é bem provável que ele seja apenas o compilador “das orientações dos sábios”, que abarca os capítulos 22.17–24.34, que pertencem a uma data incerta anterior ao reinado de Salomão.

A compilação dos capítulos 25–29 foi escrita por Salomão (25.1), porém copiada e incluída mais tarde pelos homens de Ezequias, o rei de Judá (715-686 a.C.). Os provérbios de Salomão foram escritos antes dele se afastar de Deus (1Rs 11.1-11), e reunidos em sua forma final na época do rei Ezequias ou pouco depois, os quais foram preservados pelo ensinamento oral. 

2. A data em que o livro de Provérbios foi escrito

A maior parte do livro de provérbios reporta ao século 10 a.C., no período da monarquia em Israel. A paz e a prosperidade que caracterizaram o período eram bem adequadas para o desenvolvimento da sabedoria reflexiva e para a produção de obras literárias. De acordo com vários estudiosos, os ditados dos sábios, em 22.17–24.22, têm semelhanças com as 30 seções da Sabedoria de Amenemope, obra sapiencial egípcia mais ou menos da mesma época de Salomão.

De igual forma, a personificação da sabedoria, tão realçada nos capítulos 1–9, pode ser comparada com a personificação de ideias abstratas contidas na literatura da Mesopotânia e do Egito no segundo milênio a.C.. Tais obras eram bastante conhecidas pelo povo de Israel. Assim, várias seções de provérbios foram compiladas e editadas entre 715 e 686 a.C.  
          
3. O público do livro de Provérbios

Conforme é dito no prólogo 1.1-5, o livro de provérbios não foi escrito e designado somente aos simples, aos jovens da corte do rei e aos sábios. Antes, o livro de Provérbios foi endereçado a todos os crentes de todas as épocas.  

4. O propósito do livro de Provérbios

A razão do livro de provérbios é ensinar a prudência aos simples, transmitir conhecimento e bom senso aos jovens inexperientes e aperfeiçoar o conhecimento dos sábios. Tudo isso através de inúmeras orientações positivas e negativas que devem ser praticadas no dia a dia (veja, como exemplo, 1.8,10; 2.1; 3.1,5; 4.1; 5.1).  

5. O tema do livro de Provérbios

Vários temas importantes são destacados em provérbios. Estes temas são apresentados aleatoriamente e tratados em diferentes tópicos. Assim, vemos no livro de provérbios assuntos que envolvem:

    a) O nosso relacionamento com Deus, o qual é caracterizado pela nossa confiança (22.19); pela nossa humildade (3.34); pelo temor a Deus (1.7); pelo nosso pecado pessoal (28.13); pelas provações que passamos (17.3), etc.

     b) O nosso relacionamento individual, o qual é marcado pelo nosso caráter (20.11); por nossas palavras (18.21); pelo nosso autocontrole (6.9-11); pelo nosso orgulho (27.1); pela nossa ira (29.11); pela nossa preguiça (13.4), etc.

      c) O nosso relacionamento com os outros, o qual é demonstrado pelas nossas amizades (17.17); pelos nossos inimigos (16.7); pela nossa honestidade (23.23); como pai que somos (20.7; 31.2-9); como mãe que as mulheres são (31.10-31); como filho que somos (3.1-3); na educação de nossos filhos (4.1-4); na disciplina deles (22.16), etc.

6. O reflexo do livro de provérbios no Novo Testamento 

Há evidências de que o Senhor Jesus, Pedro e Paulo fizeram alusões e extraíram citações de provérbios para seus ensinos práticos.

     a) A influência do livro de provérbios nos ensinos de Jesus

As palavras de Jesus censurando os fariseus e escribas que desejavam por vaidade os primeiros lugares nos banquetes e nas sinagogas, em Mateus 23.6-7 e Lucas 20.46-47 estão intimamente relacionadas com Provérbios 25-6-7.      
      
A parábola do rico insensato, descrita em Lucas 12.15-20, está retratada em Provérbios 27.1. A parábola dos dois construtores, em Mateus 7.24-27, têm como base Provérbios 14.11. É importante salientar que toda a sabedoria contida no livro de Provérbios está personificada e escondida no Senhor Jesus (1Co 1.30; Cl 2.3); ou seja, Jesus é a própria sabedoria divina! 

     b) A influência do livro de provérbios nas cartas de Pedro

Ao que parece, Pedro foi o escritor do Novo Testamento que mais fez alusões ao livro de provérbios em suas cartas. Podemos notar isso comparando 1 Pedro 2.17 com Provérbios 24.21; 1 Pedro 3.13 com Provérbios 16.17; 1 Pedro 4.8 com Provérbios 10.12; 2 Pedro 2.22 com Provérbios 26.11.

     c) A influência do livro de Provérbios nas cartas de Paulo

Paulo também fez uso de Provérbios, citando o capítulo 25.21-22 em sua carta aos Romanos 12.20, e provérbios 8 em 1 Coríntios 1.24. 


Explanação

1. As palavras são um dom inefável de Deus

As palavras, além de ser um meio de comunicação, é, sobretudo, um dom de Deus. A linguagem não é um produto da cultura que as pessoas adquirem da mesma forma que distinguem as demais coisas no mundo, como entender a política, o método de se administrar uma empresa, como é feita a pintura de um carro, dentre outras coisas.

Antes, as palavras ou a capacidade da fala é uma parte distinta da constituição biológica do cérebro criada por Deus para os homens e mulheres fazerem uso de modo apropriado. Portanto, as figuras aplicadas às palavras no livro de provérbios demonstram o valor desse dom divino que não apenas deixamos de utilizá-lo como é devido, como também desperdiçamos e abusamos dele constantemente.

2. O poder das palavras

Aquilo que dizemos às pessoas ao nosso redor pode causar efeitos positivos e negativos. O conteúdo de nossas palavras pode fazer bem ou mau àqueles que nos ouvem. Acerca disso, Provérbios 18.21 ressalta: “A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto.”

Segundo os adeptos da confissão positiva triunfalista ou do ato de profetizar e determinar bênçãos, isto é, os pentecostais e neopentecostais, este texto faz alusão ao poder que existe na palavra, na declaração verbal. Se alguém profere palavras negativas para si mesmo e para os outros, ambos irão obter efeitos negativos na vida.

Da mesma forma, se alguém profere palavras positivas para si mesmo e para os outros, ambos irão obter efeitos positivos na vida. Contudo, esta não é a interpretação adequada. Este segundo provérbio do bloco maior (18.12-21) que, além de fazer par com o primeiro (18.20), o complementa. Os dois provérbios acentuam a cautela no falar e os efeitos saudáveis e prejudiciais de cada palavra proferida. O discurso benéfico produz resultados que favorecem quem fala; o discurso nocivo produz resultados que prejudicam quem fala.    
       
Nessa mesma linha de pensamento, Antônio Pereira da Costa Junior escreve:

Este versículo explica que devemos ter o cuidado de que nossas palavras não venham a nos trazer situações embaraçosas. Temos que saber como dizer as coisas, pois certamente colheremos situações que são causadas por nós mesmos. No entanto, este versículo não dá margem para dizer que são as palavras em si que nos dá o controle das circunstâncias da nossa vida. São situações específicas e não o destino do ser humano que é traçado pela verbalização dos nossos desejos interiores. 

Senão vejamos dois conceitos de vital importância acerca do poder que as palavras possuem no livro de Provérbios.    

       
a) As palavras têm o poder de expressar o mal

     i. As más palavras divulgam a mentira

A mentira é a transgressão do nono mandamento descrito em Êxodo 20.16. Provérbios 12.22 declara: “Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor. Mas o que agem fielmente são o seu prazer.” De modo mais claro – “O Senhor Deus detesta os mentirosos, porém ama os que dizem a verdade.” (NTLH)

Portanto, Salomão, aqui, censura à mentira. Quando não se pode mais confiar nas palavras por causa da mentira, a sociedade começa a se desintegrar. Os contratos são inúteis, as promessas são vazias, o sistema judiciário se torna uma farsa e todos os relacionamentos pessoais são suspeitos (Ef 4.25). 

     ii. As más palavras são promotoras de fofocas

Em Levítico 19.16, Deus ordena ao seu povo para que não ande com mexeriqueiros, isto é, pessoas que propagam fofocas. O termo mexeriqueiro (popularmente fofoqueiro) é uma tradução da palavra hebraica que significa andar por toda parte, provavelmente derivada de uma palavra que traz a ideia de um “comerciante” ou “mascate”.

O mexeriqueiro refere-se a alguém que divulga escândalos, que profere palavras com a deliberada intenção de ferir ou magoar, e não apenas como quem fala sem pensar. Assim, não é bom que tenhamos laços de amizade com pessoas ardilosas (Pv 20.19).  

Todavia, o “fofoqueiro” é uma pessoa maliciosa que anda por toda parte propagando intrigas. Provérbios 11.13 diz: “O mexeriqueiro descobre o segredo, mas o fiel de espírito o encobre.”

O “fofoqueiro” é alguém que fala demais! Por isso, ele acaba descobrindo segredos alheios. Pessoas ingênuas costumam confiar demais nas pessoas. Não é bom confiar em uma pessoa sem que ela tenha demonstrado que seja alguém de confiança. A pessoa de bom senso (ou discreta) evita revelar seus segredos e planos para qualquer um. Desse modo, devemos ter cuidado com os “fofoqueiros”, pois são pessoas que podem fazer grandes estragos com suas intrigas.  

     iii As más palavras despertam a ira

Provérbios 29.22 – “O iracundo levanta contendas, e o furioso multiplica as transgressões.” Ou seja, “o homem irado provoca brigas, e o de gênio violento comete muitos pecados.” (NBV)

Ao invés de tentar resolver de maneira pacífica uma situação prestes a gerar uma briga, a pessoa colérica, isto é, irada, coloca lenha na fogueira para que aconteça a briga, quer seja de natureza verbal ou corporal (Pv 26.21; 29.22; 15.1). Muita gente tem o coração eivado pela raiva, mas exteriormente finge estar em paz com as pessoas ao redor encobrindo sua raiva com palavras hipócritas (Pv 26.23).

Se interiormente estamos com raiva de alguém, todas as nossas manifestações e declarações copiosas de amizade e amor não passam de um “verniz fino sobre barro comum”. Em outras palavras, estamos encobrindo o que há de pútrido dentro de nós com o veludo mais fino (tecido de seda, algodão ou lã macio).   
   
     iiii. As más palavras destroem vidas

Se as palavras são usadas de modo negativo, a consequência será negativa. As palavras, não usadas adequadamente para a glória de Deus, podem arruinar vidas ao nosso redor (veja Tg 3.5-12).

Tiago apresenta algumas analogias para descrever a natureza da língua. Primeiro, ele utiliza a analogia do fogo para enfatizar o poder destrutivo da língua (vs.5-8); segundo, ele compara a língua como um veneno de uma cobra peçonhenta que pode “matar” quem for atacado por ela (vs.8). No trecho composto pelos versículos 9-12, Tiago mostra a incongruência no uso da língua através de três ilustrações da natureza (um rio de água doce, árvores e o mar).

A pessoa que utiliza as palavras de forma indevida amaldiçoando ou praguejando o seu próximo peca contra Deus infringindo os preceitos das Escrituras. Embora seja um órgão pequeno, a língua tem o poder de controlar toda a vida da pessoa e influenciar todas as esferas da vida (Pv 11.9a).

b) As palavras têm o poder de expressar o bem

      i. As boas palavras promovem a paz

Provérbios 15.1a salienta que “a resposta branda desvia o furor. Em outras palavras, a resposta delicada acalma o furor, mas a resposta dura aumenta a raiva.” (NTLH)

O versículo 1 dá prosseguimento ao que foi dito anteriormente no capítulo 14.35. Salomão instrui o servo a afastar a ira do rei através de uma resposta flexível e adverte o rei a não empregar palavras pungentes, ou seja, palavras permeadas de agressividade contra a incompetência do servo negligente, para que a ira que provoca infortúnios seja evitada. A resposta suave não distorce a verdade (vs.2); antes, embeleza a verdade ainda mais. A resposta dura, por sua vez, tende a divulgar a estupidez ao invés do conhecimento (vs.2). 

      ii. As boas palavras propagam a sabedoria de Deus

Provérbios 15.7 – “A língua dos sábios derrama o conhecimento, mas o coração dos insensatos não procede assim.”

Provérbios 16.21 – “O sábio de coração é chamado prudente, e a doçura no falar aumenta o saber.”

Apesar de haver muitas coisas boas e proveitosas para aprender na vida, a mais importante de todas é a sabedoria de Deus encontrada em sua Palavra (Pv 8.6-8). O principio da sabedoria é: “Adquire a sabedoria; sim, com tudo o que possuis, adquire o entendimento” (Pv 4.7).

Depois de adquirirmos sabedoria, devemos compartilha-la com outros, pois - “Nos lábios do prudente, se acha sabedoria” (Pv 10.13). Quer sejam pais ensinando seus filhos (Dt 6.1-13), mulheres mais velhas ensinando as mais jovens (Tt 2.3-5), ou os mestres da igreja ensinando os cristãos e a próxima geração que irá substituí-los (2Tm 2.2), a instrução correta é primordial (Pv 10.31a; 15.7a; 16.21).

Warren Wiersbe acentua com propriedade que varias pessoas que se dizem cristas são “espiritualmente analfabetas” quando se trata dos fundamentos da vida crista. Precisamos encarecidamente de homens que obedeçam a 2 Timóteo 2.2 e de mulheres que obedeçam a Tito 2.3-5; do contrario, teremos uma igreja ignorante.

      iii. As boas palavras colaboram para a restauração daqueles que pecaram

Provérbios 25.12 afirma: “Como pendentes e joias de ouro puro, assim é o sábio repreensor para o ouvido atento.” Não é uma tarefa fácil exortar negativamente alguém que está equivocado. Devemos admoestar tal pessoa com mansidão e amor (Cl 6.1), e não com aspereza.

Adular os que estão sendo negligentes com suas responsabilidades na igreja e os que estão desobedecendo a Palavra de Deus vivendo na prática deliberada do pecado corrobora ainda mais o pecado e ainda nos torna cúmplices dos transgressores.

Provérbios 28.23 assevera: “O que repreende ao homem achará, depois, mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua.” Conforme traduziu a NVB: “Quem repreende o próximo acabará ganhando um amigo, mas quem faz elogios mentirosos será desprezado.” 

Em Mateus 18.15-20, Jesus explica o procedimento para ajudar a restaurar um irmão ou irmã que pecou. Em primeiro lugar, devemos ter uma conversa confidencial com o transgressor, confiando que Deus pode mudar o coração da pessoa. Se isso falhar, devemos tentar novamente, dessa vez, acompanhados de testemunhas.

Caso isso também falhe, aquilo que era confidencial deve se tornar público, e a igreja deve ser informada acerca da situação. Se o transgressor se recusar a dar ouvidos a igreja, deve ser excluído como se não fosse cristão. É evidente que, ao longo desse processo, devemos estar sempre em oração fervorosa, buscando o auxilio de Deus para nós e também para aqueles que estão tentando ajudar alguém na restauração. 

Provérbios 10.17 ratifica: “O caminho para a vida é de quem guarda o ensino, mas o que abandona a repreensão anda errado.” 

      iiii. As boas palavras ditas no momento oportuno podem solucionar inúmeros problemas

Quando proferimos palavras de consolo e ânimo no momento apropriado para quem está sofrendo, tais palavras produzem força e motivação para o fraco, abatido e desanimado.

Provérbios 12.25 – “A ansiedade no coração do homem o abate, mas a boa palavra o alegra.” 

Provérbios 25.11 – “Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.”  

Contudo, se dissermos aquilo que não deveria ser dito, por não ser o momento para tais palavras, serão apenas meras palavras de quem fala demais e não têm discernimento de quando deve falar!

Provérbios 15.23 – “O homem se alegra em dar resposta adequada, e a palavra, a seu tempo, quão boa é!”


Conclusão

Visto sobre o poder que as palavras possuem e que elas podem expressar bondade e maldade, e causar edificação e perturbação, como saber utilizar as palavras? Como fazemos o bom uso das palavras? Senão vejamos:

1) Pense antes de falar 

Analise primeiro o conteúdo de suas palavras antes de proferi-las. Não é bom falar tudo o que vem à mente. Fazendo isso, poderemos cometer muitos erros e causar muitos infortúnios a nós mesmos e ao nosso próximo.

Provérbios 15.28 – “O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos perversos transborda maldade.” 

2) Evite o excesso de palavras

O tagarela afasta as pessoas ao seu redor. Geralmente as pessoas não gostam de relacionar-se socialmente com pessoas que falam muito. Não é bom falarmos muito. Devemos ser moderados no falar. Quanto menos falamos, menos risco de pecar com as palavras. Há tempo de estar calado e tempo de falar (Ec 3.7), e os sábios percebem quando devem ficar quietos (Pv 17.28).

Provérbios 10.19 – “No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente.”

Provérbios 13.3 – “O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína.”

Salmo 141.3 – “Põe guarda, Senhor, a minha boca; vigia a porta dos meus lábios.”  

3) Evite as palavras impetuosas

As palavras precipitadas não apenas fazem mal a outros como também podem prejudicar aqueles que as proferem.

Provérbios 12.18 – “Alguém há cuja tagarelice é como pontas de espada, mas a língua dos sábios é medicina.”

Provérbios 29.20 – “Tens visto um homem precipitado nas suas palavras? Maior esperança ha para o insensato do que para ele.”

4) Fale com honestidade

Devemos falar palavras que promovem o que realmente somos por dentro. Jesus, censurando a hipocrisia dos líderes religiosos de seu tempo no falar coisas más, disse em Mateus 12.34 que “a boca fala do que o coração está cheio.” Assim como os líderes religiosos da época de Jesus, podemos falar algo de nós mesmos, o que somos e fazemos externamente, mas que interiormente não somos nada do que falamos.  

Através da sabedoria das Escrituras, saberemos utilizar as palavras certas e saberemos o momento propício para falarmos para a glória de Deus e para a promoção da bondade e da edificação do nosso próximo nos relacionamentos interpessoais.

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Fonte: Bereianos
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O Calvinismo enfraquece a obra missionária? Um levantamento histórico

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Por Thomas Magnum


Ao ensinar sobre as doutrinas da graça, comumente sou questionado com algumas perguntas que são motivo de confusão na mente daqueles que não tem um devido conhecimento do que chamamos de Calvinismo. Ao usar aqui o termo Calvinismo preciso esclarecer de imediato que, por ser aderente dessa linha teológica - que para mim é a que melhor se coaduna com as Escrituras Sagradas - não sou por isso obrigado a concordar com a totalidade da teologia de Calvino ou Calvinista, embora o reformador genebrino seja para mim um dos maiores nomes da história da teologia e o maior nome da reforma protestante, sendo o seu legado para posteridade de valor inestimável. No entanto, a teologia de Calvino não é a Escritura Sagrada, por isso me denomino calvinista no que se coaduna com as Escrituras. Bem, feitos esses esclarecimentos, prossigamos.

Dentre muitas questões levantadas para um correto entendimento do Calvinismo uma delas é: Se o Calvinismo está correto em seus cinco pontos, então, para que evangelizar? Por que a igreja deve se esforçar na obra missionária se Deus tem seus eleitos, se a expiação é particular, se a graça é eficaz? Ora, se o Calvinismo está certo não precisamos evangelizar!? Errado! Neste artigo procuraremos trazer alguns dados históricos sobre o trabalho da igreja reformada e seu empenho em evangelizar as tribos, povos e nações. Procurarei traçar uma linha histórica desde a reforma até o presente ponto histórico e os esforços da igreja para levar as boas novas de salvação a todos os homens.

De forma alguma o objetivo deste texto é atacar os irmãos arminianos, mas, esclarecer que a reforma também foi um movimento histórico voltado para missões no que se refere a seus desdobramentos, embora inicialmente tenha sido um movimento voltado para a eclesiologia e não para a missiologia. Esclarecer esses fatos é importante para uma mais larga compreensão das contribuições do Calvinismo nos vários movimentos missionais ocorridos na história da igreja. Ao fim deste texto listarei alguns livros que ajudarão numa pesquisa complementar para aqueles que desejarem se aprofundar no assunto. É importante dizer também que houve movimentos importantes relacionados as missões cristãs que partiram da influencia de Moody e Wesley.

A Reforma e Missões

A historiadora de missões Ruth Turker nos diz acerca de Calvino:

"Calvino por si mesmo, entrementes, fora pelo menos exteriormente o espírito mais missionário de todos os reformadores. Ele não só enviou dezenas de evangelistas de volta à sua terra natal, a França, mas também comissionou quatro missionários, juntamente com um bom número de huguenotes franceses, para estabelecer uma colônia e evangelizar os índios no Brasil." [1]

Calvino acreditava que os missionários tinham que ser preparados para ler a Bíblia nas línguas originais e ser cuidadosamente preparados para o campo e profundamente habilitados em teologia. Michael Horton, falando da preocupação de Calvino com a preparação de obreiros para o campo, diz: "O campo missionário não merecia menos do que qualidade de ministros esperados em sua terra de origem".

Em seu comentário de 1 Timóteo 2.3-5 Calvino fala:

"Assim podemos ver o significado que São Paulo pretende quando diz: Deus deu a conhecer a todo mundo, e seu evangelho pregado a todas as criaturas. Portanto, devemos procurar, tanto quanto possível, convencer aqueles que são estranhos à fé, e parecem estar totalmente privados da bondade de Deus, a aceitar a salvação. Jesus Cristo não é apenas um Salvador de poucos, mas ele se oferece a todos."

Calvino ainda diz em um outro sermão sobre 1 Timóteo 2.3-5 : "Temos de trabalhar, tanto quanto possível para levar a salvação aqueles parecem estar distantes."

Michael Horton ainda nos diz em seu livro A favor do Calvinismo, p. 208:

"Calvino não era indiferente em seu zelo missionário. O Catecismo de Heidelberg (1564), por si mesmo era uma ferramenta evangelística, foi traduzido para o holandês, saxão, húngaro, inglês, grego, francês, polonês, lituano e italiano. No período de vinte e cinco anos de sua publicação inicial."

Vale ainda frisarmos aqui que o catecismo na era pós-reforma foi traduzido em malaio, javanês, português, espanhol, cingalês, tâmil, chinês e japonês. Algum tempo depois em navajo, zuni, tiv e hausa. Essa preocupação demonstra a intensificação da atividade missionária do calvinismo na era da reforma e pós-reforma. Essa preocupação está fundamentada no ensino de Jesus e dos apóstolos sobre a evangelização das nações e, como lemos correntemente no livro do Apocalipse, que adorarão ao Cordeiro gente de toda tribo, povo, raça e nação. O fato de o Calvinismo pregar a eleição dos santos e a expiação limitada não empobrece o ímpeto missionário provindo do ensino teológico de expoentes do pensamento reformado. A exemplo disso podemos citar o avivamento de Princeton com as preleções de Charles Hodge, que futuramente foi responsável por impelir jovens a vários lugares do mundo como veremos mais adiante.  

Portanto, ao nos depararmos com a questão que ronda a mente daqueles que não conhecem bem o calvinismo, nem sua história, vemos que as doutrinas da graça não invalidam a obra missionária, antes, a intensifica. Se Deus elegeu homens e mulheres de todas as tribos, povos e nações, e o soberano Deus decretou que essas pessoas seriam salvas ao ouvirem a pregação, esse é o maior incentivo para a igreja de Cristo, existem eleitos nesses povos e o Senhor quer que cheguemos lá com a mensagem do evangelho para que eles sejam salvos. O empenho missionário das igrejas reformadas é a demonstração do zelo do povo de Deus pela ordem que lhes foi dada, Ide, e não somente em um tempo histórico, mas, indo, indo por todas as nações e fazendo discípulos.

O Movimento Missionário Moderno

Ao chegarmos aos tempos modernos temos grandes nomes a citar nessa visão panorâmica que estamos estabelecendo aqui. Aconselho o leitor a ampliar a leitura sobre esses dados históricos.

A Sociedade Missionária de Londres, que foi organizada em 1795, era um celeiro do movimento missionário e confessionalmente Calvinista. Na primeira reunião do grupo, George Burder discursou:

“... espírito apostólico revivido nos gloriosos reformadores seguindo a ‘longa e terrível noite’ da superstição e do declínio medieval. Lutero, Calvino, outras grandes luzes da Reforma recuperaram o evangelho em seus dias. ‘Mas, oh! Onde está o zelo primitivo? Onde estão os heróis da igreja – homens que voluntariamente entregaram e se dissiparam por Cristo, onde? Que a ambição não trilhe em uma linha já preparada por eles, mas que preguem a Cristo, onde, ainda ele não foi invocado.”

Vale citar aqui também David Brainerd (1718-1747), ministro calvinista, notável por sua missão entre os índios no Oeste de Massachusetts, e Jhonatas Edwards (1749) que foi missionário entre os índios também. Edwards é conhecido pelo memorável sermão – Pecadores nas mãos de um Deus irado – teólogo, escritor, ainda um filosofo influente no pensamento americano.

Não podemos deixar de citar também William Carey, conhecido como o pai das missões modernas, tradutor da Bíblia, pregador do evangelho de Cristo na índia. Os esforços de Carey são um exemplo para a igreja. A morte de duas esposas e de um filho não foram impedimentos para Carey atender o chamado para levar o evangelho a Índia. Sapateiro, com pouco estudo, aprendeu sânscrito, hebraico e grego, Carey foi um dos grandes, se não o maior tradutor das Escrituras Sagradas. Carey foi muito influenciado pelos escritos de Jhonatas Edwards, também de confissão calvinista.  

Os calvinistas também olharam para a África, Robert Moffat (1795-1862) e David Livingstone (1813-1873) foram nomes chaves na evangelização da África. A escocesa Mary Stessor, missionária pioneira na África Ocidental em 1876 com apenas 27 de idade. Ela era vice-cônsul do império Britânico e abriu mão para ser missionária tomando a missão como superior, morreu aos sessenta e seis anos de idade na sua cabana de barro.

Jonathan Goforth, conhecido como o mais notável evangelista da China, foi um presbiteriano canadense. Chegando em tempos recentes, temos a chegada de Robert Reid Kalley ao Brasil em 1855. Kalley chegou ao Brasil e um tempo depois fundou a primeira congregação de nativos brasileiros, a Igreja Evangélica Fluminense. Depois de assistir uma palestra do Dr. Charles Hodge em Princeton, o jovem Ashbel Green Simonton também veio para o Brasil e, após sua chegada oito anos depois (1867), fundou o primeiro presbitério no Rio de Janeiro e o primeiro seminário presbiteriano. Claro que poderíamos citar muitos outros nomes e trazer mais provas históricas do empenho dos calvinistas para a evangelização do mundo, mas, concluiremos citando alguns nomes contemporâneos que tem se empenhado em esforços a evangelização de povos não alcançados, temos o conhecido pastor John Piper, que segundo Russel Shedd é um dos maiores evangelistas do nosso tempo, temos também Paul David Washer, que tem percorrido o mundo pregando o evangelho de Cristo. Não poderíamos deixar de citar dois nomes importantes, o Dr. Russel Shedd, fundador das edições Vida Nova, que tem se dedicado por décadas a evangelização do Brasil e preparação de líderes da nação brasileira. O último nome que gostaria de mencionar é do missionário Ronaldo Lidório, que também tem empreendido grandes esforços na evangelização de povos não alcançados, fundador do Instituto Antropos.

Dentro desse escopo que discorremos temos reformados das mais variadas denominações como Presbiterianos, Anglicanos, Congregacionais, Reformados, Episcopais, Batistas e muitas outras denominações que professam os princípios e ensinos da Reforma do século XVI. Portanto, é um erro afirmar que o Calvinismo não promove o zelo missionário nas igrejas. Historicamente vimos que é o oposto, Calvino enviou missionários ao Brasil e a evangelização posterior do Brasil também se deu pelo trabalho Calvinista. Os Estados Unidos são frutos de uma peregrinação e colonização cristã, e aí é valioso um estudo da vida e obra dos Puritanos. O zelo por missões está em nossas raízes e deve arder em nosso coração, como foi com nossos irmãos no passado. Que esse breve texto venha servir como uma simples introdução ao estudo missiológico. 

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda judeia e Samaria, e até os confins da terra.” NVI Atos 1.8

“Esperemos grandes coisas de Deus, façamos grandes coisas para Deus.” - William Carey

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Nota:
[1] – Missões até os confins da Terra – Ruth Tucker, ed. Vida Nova

Livros indicados:

• Missões até os confins da Terra – Ruth Tucker, ed. Vida Nova.
• A Favor do Calvinismo – Michael Horton, ed. Reflexão.
• A Igreja Missional na Bíblia – Michael Goheen, ed. Vida Nova.
• A Missão de Deus - Christopher J. H. Wright, ed. Vida Nova.
• A Missão do Povo de Deus - Christopher J. H. Wright, ed. Vida Nova.
• Evangelização – Fundamentos Bíblicos – Russel Shedd, ed. Vida Nova.
• Igreja Centrada – Timothy Keller, ed. Vida Nova.
• História e Teologia da Evangelização – Fabio Henrique Caetano, ed. Arte Editorial.
• História da Evangelização no Brasil, dos Jesuítas aos neopentecostais – Elben César, ed. Ultimato.

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Fonte: Electus
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Negando o Senhor que os Resgatou - II Pedro 2:1

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Por John A. Kohler, III


Há muitos versos na Bíblia que, à primeira vista, parecem ensinar a doutrina de uma expiação geral, universal e ilimitada, e 2 Pedro 2:1 é um destes versos. Aqui estão vários comentários que foram feitos sobre este verso por escritos arminianos e amyraldianistas:

“A Escritura é clara: Cristo resgatou e santificou os apóstatas e falsos profetas, incluindo os calvinistas que blasfemam a Deus e impugnam o sangue de Cristo” (Laurence Vance, The Other Side of Calvinism, p. 258).
“O apóstolo Pedro afirmou que estes falsos profetas negam o ‘Senhor que os resgatou, e trazem sobre si mesmos repentina destruição'. Se o Senhor os resgatou, então Ele morreu por eles” (J. R. Alexander, The Tulip Doctrine, p. 61). 
“2 Pedro 2:1 indica que Cristo morreu pelos falsos mestres que estão ‘negando o Mestre que os resgatou'. O contexto indica que estes heréticos são condenados à destruição, todavia, é dito deles que ‘o Mestre os resgatou'. Isto milita contra a visão da expiação limitada” (Paul Enns, The Moody Handbook of Theology, p. 327). 
“Pedro está falando aqui sobre apóstatas, e se você conhece algo sobre apóstatas, você sabe que eles estão à caminho do inferno. Eles negam o Senhor....Eles foram resgatados com o sangue precioso do Senhor Jesus Cristo. Todavia, eles são hereges, trazendo heresias condenáveis, e indo para o inferno, mas resgatados com o sangue precioso do Senhor Jesus Cristo. Como uma pessoa pode, portanto, crer numa expiação limitada?” (Adrian Rogers, Why I Am Not A Five-Point Calvinist, uma discurso pregado em 10 de Novembro de 1997). 
“2 Pedro 2:1 parece apontar mais claramente que o povo por quem Cristo morreu pode perecer...2 Pedro 2:1...afirma que alguns por quem Cristo morreu perecem” (Millard Erickson, Christian Theology, pp. 831, 834).
“Embora estes falsos mestres não-salvos ‘neguem'-LO, é declarado claramente que o ‘Senhor' ‘OS RESGATOU'....O tempo e lugar óbvio onde esta ‘redenção' ou ‘resgate' aconteceu, foi quando o Senhor Jesus Cristo morreu na Cruz do Calvário...Jesus Cristo, o Senhor deles, ‘os resgatou' no sentido de que Ele morreu no lugar deles, por seus pecados, e levou os seus pecados em Seu corpo impecável, na Cruz. Isto é verdadeiramente uma ‘REDENÇÃO ILIMITADA' e mostra de uma vez por todas a mentira de todo falso ensino, seja de João Calvino e/ou de seus seguidores (passados ou presentes), que fala de uma ‘REDENÇÃO LIMITADA', no qual (eles dizem) Cristo morreu SOMENTE pelos ‘eleitos' ou ‘crentes' em Cristo” (D. A. Waite, Calvin's Error of Limited Atonement, p. 10). 
“2 Pedro 2:1 fala dos falsos mestres que negam o Senhor ‘que os resgatou'. Ele ‘pegou o preço' mesmo por aqueles falsos mestres que estavam definitivamente perdidos e destinados ao inferno (vv. 20-23).” (Charles Smith, Did Christ Die Only For The Elect?, p. 7).
“Expiação limitada é uma blasfêmia antiga. Em 2 Pedro 2:1 somos informados que Cristo derramou Seu sangue pelos falsos mestres e falsos profetas não-salvos. Ensinar, portanto, que Cristo derramou Seu sangue somente pelos eleitos, é fazer de Deus um mentiroso e é insultar o Espírito Santo, que escreveu a Palavra de Deus. 2 Pedro 2:1 diz que o sangue de Cristo resgatou os falsos mestres e os falsos profetas não-salvos –– dificilmente eleitos. ‘Expiação limitada', portanto, é o que Charles Wesley a chamou: ‘Oh, horrível decreto, digno do lugar de onde veio. Perdoe a blasfêmia infernal que lançam sobre o Cordeiro'” (Peter Ruckman, Hyper-Calvinism, p. 15).

1. O Significado e Uso da Palavra “Senhor”

a) A palavra grega que é traduzida como Senhor em 2 Pedro 2:1 é despotes, que significa “déspota, governador absoluto ou mestre soberano”.

b) Esta palavra é usada para se referir a Deus o Pai em Lucas 2:29; Atos 4:24; e Apocalipse 6:10.

c) Esta palavra é usada para se referir tanto a Deus o Pai como a Deus o Filho em Judas 4.

d) Não pode ser claramente provado que esta palavra se refira ao Senhor Jesus Cristo em 2 Pedro 2:1, e seu uso em outros lugares sugere fortemente que ela se refira a Deus o Pai.

2. O Significado e Uso da Palavra “Resgatou”

a) A palavra grega que é traduzida como resgatou em 2 Pedro 2:1 é agorazo, que significa “frequentar o mercado, fazer negócio, comprar ou vender”. (Veja Mt 14:15).

b) Quando esta palavra se refere à obra de Cristo de redenção, um preço da compra é usualmente mencionado juntamente com ela (At 20:28; 1Cor 6:20; 7:23; Ef 1:7; 1Pe 1:18-19; Ap 1:5; 5:9).

c) Em 2 Pedro 2:1, nenhum preço da compra é mencionado, e não pode ser claramente provado que esta palavra se refere à obra redentora de Cristo sobre a cruz.

3. O Contexto de 2 Pedro 2:1

a) Pedro era o apóstolo aos judeus (Gl 2:8).

b) 2 Pedro é crido ter sido endereçada aos cristãos judeus que estavam dispersos por toda a Ásia Menor (1 Pe 1:1; Jo 7:35; Tg 1:1).

c) Os falsos mestres que ele menciona em 2 Pedro 2:1 são cridos ser os falsos mestres judeus (At 26:17,23).

d) Há uma íntima similaridade entre 2 Pedro 2:1 e Êxodo 15:16; Deuteronômio 32:6.

e) Há também paralelos íntimos entre Deuteronômio 31:27-29; 32:5 e 2 Pedro 2:12,13.

f) Estes falsos mestres negam o Deus de Israel do mesmo modo como os seus antepassados judeus negaram-NO (At 7:51-53; Mt 23:29-36) e são comparados com os falsos profetas judeus do Antigo Testamento.

g) Estes falsos mestres negam o Deus de Israel ao negar o Senhor Jesus Cristo (1Jo 2:23), mas a ênfase em 2 Pedro 2:1 é sobre a negação do Deus dos judeus, que resgatou Israel do cativeiro no Egito.

John Gill corrobora que se fosse permitido que aqueles que Cristo resgatou com o Seu sangue O negassem, a ponto de trazerem sobre si mesmos eterna destruição, a aquisição de Cristo seria em vão, e o preço pago seria pago por nada; o que não pode ser verdade.

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Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto
Fonte: Monergismo
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