Estamos nas últimas horas dos últimos dias?

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Por Renato César


O Brasil tem passado nos últimos anos por um momento histórico que lhe é peculiar: o crescimento desenfreado da violência, a libertinagem sexual, a banalização dos valores morais e o estouro de escândalos de corrupção envolvendo autoridades do alto escalão político e empresários. Esses e outros fenômenos têm levado muitos a especular em torno da volta iminente de Cristo, tomando em geral como base suas palavras em Mateus 24. Não quero parecer incrédulo ante esses acontecimentos nem muito menos diante das palavras do Mestre. Mas tenho de, outra vez, ser um estraga prazer. Uma coisa não tem relação com a outra, ao menos não no sentido que tem sido sugerido. Para provar minha teoria, citarei dois exemplos simples. 

Na Grécia antiga, assim como em Roma, para não citar povos vizinhos ao Israel do AT, eram comuns os bacanais. Também as relações homossexuais não estão sendo desvendadas nos nossos dias. Na Grécia a prática era comum e até incentivada. A violência e injustiças sociais sempre prevaleceram em toda a história humana, alcançando patamares inimagináveis em muitos países comunistas ou mesmo na afamada II GM. O segundo exemplo talvez seja ainda mais frustrante para os videntes atuais. Alguns países europeus, como Bélgica, Suíça e Noruega experimentam índices sociais muito positivos, e uma qualidade de vida que muitos já se sentiriam felizes de ter no Paraíso. Esses e outros países estão longe, muito longe desse caos social que o Brasil e outros países enfrentam.

Creio serem suficientes esses dois exemplos para provar minha teoria. Não se pode saber, nem mesmo fazer qualquer ideia de quando Cristo voltará. É o tipo de profecia que somente compreenderemos quando acontecer. Aos que se sentem às portas do arrebatamento, tenho a dizer que não estão errados, desde que não saiam por aí fazendo e dizendo asneiras como se houvesse um relógio da volta de Cristo no centro de sua cidade em contagem regressiva. O que você tem de fazer, faça-o porque é certo, edificante e para glória de Deus, não por um temor descabido e alienado.

Ao mesmo tempo, digo àqueles cristãos que vivem como se Cristo jamais houvesse prometido voltar ou como se não fossem mortais, que a parábola – profética - das dez virgens não está na Bíblia à toa. Os extremos, em geral, são perigosos e prejudiciais, e se é para viver em um deles, que seja o extremo lunático, pois, neste caso especificamente, é melhor pecar pelo excesso do que pela falta de temor e expetativa da volta do Rei dos reis. Entretanto, sem dúvida alguma o melhor é ser sóbrio e equilibrado, sem jamais esquecer de que Cristo, de fato, pode voltar agora, bem como ter a consciência de que, considerando a média histórica, provavelmente estaremos entre os mortos quando isso ocorrer.

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Fonte: Bereianos
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Erros de interpretação da Bíblia - batismo com fogo

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Neste vídeo, o Pastor Marcos Granconato mostra o erro de interpretação em Mateus 3:11 que muitos cometem ao atribuir o "batismo com fogo" a uma nova experiência sobrenatural do Espírito. Assista e tire suas conclusões:


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Fonte: Roberto de Carvalho Forte, via Youtube
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A Igreja é uma vagabunda? Resposta ao Ariovaldo Jr.

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Por Thiago Oliveira


O Ariovaldo Júnior é o tipo de pessoa que adora polemizar. Recentemente ele publicou a seguinte frase em seu Facebook: “Falam sobre casamento perfeito, mas não falam que casamento perfeito não existe. A noiva de Cristo é uma vagabunda. E dá certo” (veja aqui). Pois bem, depois que disse tal bobagem, muitos se manifestaram favoráveis e muitos outros, contra. A discussão foi infindável. E como o Ariovaldo é um típico narcisista, ao invés de botar panos quentes na polêmica, ele alimenta o fogo e solta mais uma: “Sou odiado por dizer a verdade, na luta por desmistificar conceitos tão simples que os Doutores da Lei fazem questão de manter bem longe do homem comum” (veja aqui).

Alguns homens, tais como o Ariovaldo, tentaram “desmistificar conceitos tão simples” e acabaram presos num emaranhado de pensamentos que desbocou em heresia. Ele que já tem como ponto negativo a autoria da Bíblia Freestyle, continua usando a rede social com o objetivo de “causar”. Ariovaldo, vai com calma aí homem! Tratando da comparação da Igreja como uma prostituta (foi nesse sentido que ele usou o termo vagabunda), uma análise de alguns textos bíblicos refutará essa ideia equivocada do Sr. Polêmico.

Vamos começar por Efésios 5:25-27 que diz:

“Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.”

Os termos santificar (hagiazō / ἁγιάζω) e santo (hagnos / αγιος) trazem em seu bojo a pureza física, inocência moral e consagração religiosa. Isso se assemelha a uma prostituta? Muito pelo contrário, né? A Igreja é santa porque Cristo a santificou, e fez isso por meio de sua morte vicária. Ele desceu do céu e pagou o dote para casar com a Igreja. O Senhor concomitantemente a declara justa e a purifica. Aí temos um ato e um processo que não são apenas escatológicos, isto é, futuros. A purificação é evidenciada pela “lavagem da água, pela palavra”. O apóstolo se refere ao ritual do batismo. Mas o batismo santifica? Por si só, não. Aqui o batismo está associado a palavra ministrada pelo Espírito Santo no coração dos que creem. Os que receberam de bom grado a palavra de Deus foram batizados. É assim que ocorre a purificação.

Um outro texto é 1 Coríntios 6:20 fala o seguinte:

“Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus.”

O assunto em pauta aqui é fornicação. Como Cristo comprou a sua Igreja, os vossos membros são os membros do próprio Cristo. Este é o argumento que Paulo utiliza para mostrar que não é lícito um cristão envolver-se com uma prostituta. Fazer isso seria o mesmo que levar Jesus para deitar-se com uma meretriz (o que é absurdo!). Sendo a Igreja o corpo de Cristo, chamá-la de vagabunda, como fez o Ariovaldo Júnior, é insultar o Senhor da Igreja. Conseguem compreender a gravidade da situação? É meus irmãos, “o tolo não tem prazer no entendimento, mas sim em expor os seus pensamentos” (Pv 18:2). Postar coisas na rede social no intento de angariar notoriedade é algo que pode ser muito prejudicial, ainda mais quando o texto sagrado é escarnecido. Discernimento é preciso, e hoje em dia, é coisa rara.

Todavia, precisamos ser honestos. A Igreja que conhecemos tem problemas? Sim, óbvio que tem e não devemos tapar o sol com a peneira. Composta por indivíduos que ainda pecam eventualmente, há respingos da pecaminosidade individual na vida da congregação. Só que daí a taxá-la de vagabunda/prostituta é algo totalmente diferente. A prostituta é alguém que deliberadamente vive em pecado. A sujeira moral é a sua rotina. Uma pessoa que se prostitui está num estado de trevas, em rebelião com Deus. Assim estão os crentes? A resposta é um sonoro “não!” Pecamos e não podemos ser farisaicos ao ponto de negarmos isso, no entanto, o pecado na caminhada cristã é um acidente de percurso eventual (não rotineiro) que gera, após sermos confrontados pela palavra, arrependimento e abandono. Eis a diferença abismal. O Cristianismo é mudança de vida, mudança de status quo, se antes nos prostituíamos, após o resgate de Cristo a nosso favor, não podemos mais sermos taxados dessa maneira. Estamos limpos para a glória de Deus. 

O livro de Apocalipse ressalta a diferença entre a Grande Prostituta e a Noiva do Cordeiro (capítulos 17 e 19). São figuras antagônicas e não podemos confundi-las. A primeira será derrotada por Cristo (Ap 17:14), desolada e nua queimará no fogo (Ap 17.16). Já a segunda, é bem-aventurada por participar das bodas do Cordeiro. Ela já está pronta, vestida e adornada para o seu Senhor (Ap 19: 7-9). Agora como se desfaz esse nó Ariovaldo? Apocalipse apresenta a “vagabunda”, só que esta não é a Igreja. Cabe agora a “difícil decisão”: Ficar com a afirmação bíblica ou com a afirmação feicibuquiana do Sr. Freestyle? Uma está alicerçada na rocha e a outra na areia. A importância do fundamento é a de que se ele estiver numa base sólida, o edifício está seguro, caso contrário, tudo desabará sobre nossas cabeças.

Mas guardo para o final a história de Oséias e Gômer. Muitos vão querer respaldar a frase do Ariovaldo Júnior com o enredo deste livro, ou até mesmo, com a fala de outros profetas que compararam Israel a uma prostituta (Is 1:21 e Jr 3:3). Então vamos lá:

1 - Embora Israel seja a congregação de Deus no contexto veterotestamentário, não podemos aplicar estas palavras a Igreja neotestamentária. A primeira congregação não havia sido comprada por Cristo, por isso mesmo o rejeitou. Ela teve o reino tirado de suas mãos e dado a outra nação (celestial e composta de todas as etnias) que mostra os frutos do Espírito (Mt 21:43).

2 - Deus abandonou propositadamente a Nação de Israel, Jesus disse que a casa dos israelitas ficaria deserta (Mt 23:38). E Deus destruiu o templo e o sacerdócio, deixando visível que o Israel do Antigo Testamento não era o povo exclusivo de Deus, parte dele foi inserido na Igreja Universal, composta por gente de várias partes do mundo (Ap 5.9). As ovelhas remanescentes do Israel étnico formam agora um único aprisco com as outras ovelhas, ambas tendo o mesmo pastor, a saber: Cristo Jesus (Jo 10:16).

3 - Mesmo no Antigo Testamento, sabemos que “nem todos os descendentes de Israel são Israel” (Rm 9:6). Nunca que a totalidade (pessoa por pessoa) representou o verdadeiro povo de Deus. Apenas uma parcela dos israelitas estava salva. Apenas os da linhagem da promessa e que possuíam a fé messiânica de Abraão (Rm 9:8). Aos gálatas, Paulo dirá: “se vós sois de Cristo, sois descendência de Abraão.” (Gl 3.29).

Diante do que foi exposto, endosso que comparar a Igreja com uma prostituta, e querer citar o contexto do Antigo Testamento para tentar comprovar esta profanação contra o Corpo de Cristo é não entender, à luz das Escrituras, quem somos no Reino de Deus. Ao Ariovaldo Júnior e seus seguidores digo que ainda dá tempo de voltar atrás e assumir o erro. E que lembremos todos de que quando falamos de ortodoxia, não é algo que compete a mim e a você, é algo que compete a Deus, pois Ele é o autor do texto sagrado. 

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Fonte: Electus
Divulgação: Bereianos
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A fé neopentecostal

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Por Leonardo Dâmaso


Os “curandeiros” neopentecostais triunfalistas atribuem a fé como o fator determinante para que as bênçãos, curas e milagres aconteçam na vida do crente. Por outro lado, se o mesmo não conseguiu obter aquilo que foi pedido em oração a Deus ou “profetizado”, o motivo foi que a fé do crente não foi forte o suficiente, a qual o impossibilitou de receber o que já é seu por direito, afirmam os “curandeiros” neopentecostais triunfalistas. Segundo esse entendimento, a incredulidade impossibilita a liberação das bênçãos. Embora o pregador neopentecostal receba todos os créditos como o canal de Deus quando as bênçãos, curas e milagres acontecem, todavia, ele não é culpado por sua falha quando um crente não as recebe. Culpar o próprio crente do seu fracasso é a justificativa perfeita para os curandeiros neopentecostais triunfalistas, porém, isso não tem base alguma na Escritura.         

Indubitavelmente, a fé não é o fator determinante para que as bênçãos, curas e milagres aconteçam, e nem a incredulidade é a barreira que os impede de acontecerem. Se nos atentarmos para as Escrituras, iremos perceber que Jesus, em todo o seu ministério, por muitas vezes curou e operou milagres sem exigir fé da pessoa doente ou necessitada de um milagre.                                                             
Em Mateus 13.57-58, é descrito que os familiares, os vizinhos e as pessoas próximas e conhecidas de Jesus se escandalizavam nele. Eles não o reconheciam como o Messias, o Cristo, filho de Deus (Jo 7.5). Por essa razão, ele não fez muitos milagres na sua cidade natal, Nazaré, apenas algumas poucas curas (veja o paralelo dessa passagem em Mc 6.1-6). Contudo, é importante observar que a incredulidade não impediu Jesus de realizar milagres naquela ocasião, mas que pela sua soberania, como Deus que é ele simplesmente não quis realizar os milagres, independente se houve a incredulidade. O propósito maior do ministério de Jesus não consistia na operação de curas e milagres. A ênfase estava no ensino das verdades concernentes a redenção, ao reino de Deus, ao estado do homem caído, entre outros assuntos (veja Mc 6.5; Mt 4.23; 5,6,7; 9.35; Mc 2.13; 9.31; 10.1; Lc 4.15; 5.15; 6.6; 13.22; 20.21; 24.27; Jo 5.38,46-47; 6.44; 7.14,19,28; 8.20,28-45,51-59; 13.34-25, etc...). O propósito das curas e dos milagres era a confirmação da mensagem de Jesus, que ele era o enviado de Deus Pai e o Messias que haveria de vir resgatar o seu povo da escravidão do pecado e da morte eterna (At 2.22).       

Podemos ver alguns outros exemplos de curas operadas por Jesus onde ele não exigiu a fé das pessoas doentes, como em Mateus 19.1-2; 21.14. Temos o evento do homem da mão ressequida relatado também em Mateus 12.9-15. A restituição da orelha do servo do sumo sacerdote que foi cortada por Pedro com uma espada (Lc 22.51). A cura de um homem paralítico (Jo 5.1-3,5-9). Um cego que não sabia quem era Jesus e nem pediu para ser curado (Jo 9.1-12,35-35-38). Em outras ocasiões, Jesus também ressuscitou pessoas mortas, como a filha de Jairo e Lázaro (Mc 5.21-24,35-43; Jo 11.1-46). Sendo assim, eu pegunto: Morto tem fé para ser curado? Acredito que não! E, finalmente, outros eventos de curas realizados por Jesus, registrados em Lucas 7.21; Mateus 14.14; 15.29-31 e Marcus 1.34. 

Em contrapartida, vemos casos em que Jesus exigiu a fé das pessoas doentes para serem curadas. Podemos observar o registro da mulher que sofria há doze anos com uma hemorragia (Lc 8.43-48); o cego de Jericó, que também pode ter sido convertido (Mc 10.46-52); os dez leprosos curados, onde somente um voltou para glorificar a Deus (Lc 17.11-19); e a mulher siro fenícia (Mt 15.21-28).
  
Da modo semelhante, o mesmo ocorreu no ministério dos apóstolos: muitas pessoas doentes foram curadas sem que fosse exigida a fé delas. Em Atos 3.1-8, vemos relatado que Pedro curou um homem coxo que ficava mendigando na porta do templo sem exigir a fé dele. Mais tarde, ele ressuscitou uma mulher morta chamada Tabita (At 9.36-43). Paulo também ressuscitou um jovem chamado Êutico (At 20.7-12). 

Dessarte, então não é necessário ter fé para receber as bênçãos? Não é necessário termos fé que Deus existe e que é abençoador daqueles que o buscam (Hb 11.6)? Não obstante, precisamos entender que, primeiramente, Deus é soberano. Ele decide, pela sua livre vontade, fazer o que quiser (Sl 115.3). Partindo desse pressuposto, entendemos que Deus é quem decide se vai ou não abençoar, curar ou realizar qualquer milagre. O agir de Deus não depende da fé do crente para acontecer, mas exclusivamente de sua vontade soberana. Não somos abençoados pelas nossas "boas obras" diante de Deus em primeiro lugar. Existem crentes neopentecostais que, por ignorância, pensam que se fizerem jejuns específicos por uma bênção, se fizerem um propósito de oração no monte, na madrugada, ou alguma campanha na “igreja”, receberão a bênção que tanto almejam. Nada disso! Somos abençoados pela graça de Deus, a qual exclui os nossos méritos pessoais.

Contudo, é bem verdade que Deus utiliza o “meio de graça denominado oração” para nos abençoar, se assim for da sua vontade, é claro (veja Tg 4.13-15). Deus abençoa operando curas, realizando milagres e provendo em nossa vida pela fé e também independente dela. Deus não está limitado pela fé ou pela incredulidade das pessoas para cumprir os seus propósitos soberanos na terra. Ele é soberano e tem todo o poder. Deus não depende do homem para nada! Se Deus não quiser abençoar um crente, ele não vai abençoar, mesmo se o tal for piedoso e orar por muitas vezes, e até por anos! Todavia, é importante elencar que Deus determinou que a fé fosse o meio que Ele utilizaria para se agradar em manifestar o seu poder abençoando, curando e realizando milagres na vida dos seus filhos, mas não que Deus dependa da fé ou da incredulidade para agir no mundo e na vida das pessoas em geral, quer sejam elas crentes ou não crentes. Até o não crente é abençoado por Deus através da sua providência geral ou graça comum, que é uma manifestação da sua misericórdia e bondade para com todos (Mt 5.45; 6.26; Sl 36.6c; 145.15-17). Deus é soberano e abençoa quem quer, como quer e quando quer! Portanto, a fé que o neopentecostalismo triunfalista ensina é peremptoriamente equivocada, visto que não é ratificada pelas Escrituras!  

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Fonte: Bereianos
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A glória da segunda casa: Uma interpretação cristológica

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Por Rev. Alan Rennê Alexandrino Lima


“A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o SENHOR dos Exércitos; e, neste lugar, darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos” (Ageu 2.9).

É com frequência que igrejas locais mudam de endereço, a fim de proporcionar melhorias aos seus membros, bem como em busca de maiores espaços, a fim de acomodar um maior número de pessoas. É frequente, também, que para promover esta busca e conferir uma grande importância a um espaço cúltico maior, muitos acabam usando a passagem de Ageu 2.9. A lógica é a seguinte: O primeiro “templo” comportava apenas 150 pessoas. Já este segundo possui a capacidade para 500 pessoas. Com isso, de acordo com eles, cumpre-se a Palavra do Senhor em Ageu, pois a glória da “segunda casa” é maior que a da primeira.

Meu propósito neste breve comentário é analisar a passagem citada em seu contexto, a fim de obter uma conclusão a respeito da maneira como a mesma é aplicada por aqueles que entendem que ela diz respeito a locais de culto cada vez maiores.

O Livro de Ageu

Ageu é conhecido como um dos profetas da restauração, o que significa que sua atuação profética se deu quando os judeus já haviam retornado à Terra Prometida. O livro tem início com a contextualização histórica: “No segundo ano do rei Dario” (1.1), ou seja, por volta de 520 a.C. Juntamente com Zacarias, Ageu profetizou durante o reinício da reconstrução do Templo, exatamente no ano 520 a.C. De acordo com O. Palmer Robertson, Ageu foi “a primeira voz profética a falar desde o tempo da restauração da nação”.[1]

O primeiro tema a receber destaque na profecia de Ageu é o da reconstrução da “Casa do SENHOR”:

Assim fala o SENHOR dos Exércitos: Este povo diz: Não veio ainda o tempo, o tempo em que a Casa do SENHOR deve ser edificada. Veio, pois, a palavra do SENHOR, por intermédio do profeta Ageu, dizendo: Acaso, é tempo de habitardes vós em casas apaineladas, enquanto esta casa permanece em ruínas? Ora, pois, assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai o vosso passado. Tendes semeado muito e recolhido pouco; comei, mas não chega para fartar-vos; bebeis, mas não dá para saciar-vos; vesti-vos, mas ninguém se aquece; e o que recebe salário, recebe-o para pô-lo num saquitel furado.
Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Considerai o vosso passado. Subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa; dela me agradarei e serei glorificado, diz o SENHOR. Esperastes o muito, e eis que veio a ser pouco, e esse pouco, quando o trouxestes para casa, eu com um assopro o dissipei. Por quê? – diz o SENHOR dos Exércitos; por causa da minha casa, que permanece em ruínas, ao passo que cada um de vós corre por causa da sua própria casa (Ageu 1.2-10).

O povo de Israel estava sendo negligente em reconstruir o Templo, o lugar da habitação de Deus no meio do seu povo. A ordem de Deus era no sentido de que o povo abandonasse seu egoísmo e passasse a se preocupar com a casa do Senhor. A ideia passada pelo povo com a sua atitude era a de que Deus era irrelevante. Eles não sentiam falta do Templo, do lugar onde o Senhor era adorado, onde o sacrifício tipológico era realizado e o perdão anunciado.

A “Segunda Casa” Comparada com a Primeira

A partir do versículo 12 vê-se que o povo atendeu à ordem do Senhor por intermédio do profeta Ageu: “Então, Zorobabel, filho de Salatiel, e Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e todo o resto do povo atenderam à voz do SENHOR, seu Deus, e às palavras do profeta Ageu, as quais o SENHOR, seu Deus, o tinha mandado dizer; e o povo temeu diante do SENHOR”. A profecia inicial de Ageu se deu no primeiro dia do sexto mês (1.1), ao passo que a reconstrução do templo teve início no “vigésimo quarto dia do sexto mês” (1.15).

Cerca de um mês após o início da reconstrução (2.1), os anciãos que ainda tinham em sua lembrança o esplendor do templo construído por Salomão, ao verem as construções do segundo templo lamentavam a sua inferioridade estética em relação ao primeiro. Por isso, o Senhor Deus perguntou por intermédio do profeta Ageu: “Quem dentre vós, que tenha sobrevivido, contemplou esta casa na sua primeira glória? E como a vedes agora? Não é ela como nada aos vossos olhos?” (2.3). “Comparado com o anterior, o templo que eles estão construindo terá pouco da primitiva grandeza e beleza. Parecer-lhes-á como nada”.[2] A comparação é feita entre a “glória” do primeiro templo e a aparente ausência de “glória” do segundo.

É importante recordar que o termo hebraico kabôd, traduzido como “glória” é usado em outros profetas com uma conotação diferente desta. Ezequiel, por exemplo, fala da kabôd para se referir à presença do Senhor no templo: “Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o resplendor em redor. Esta era a aparência da glória do SENHOR; vendo isto, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava” (1.28). No capítulo 10, Ezequiel vê a kabôd do Senhor abandonando o templo, simbolizando que Deus não mais habitaria ali, não mais estaria presente de um modo especial e pactual: “Então, se levantou a glória do SENHOR de sobre o querubim, indo para a entrada da casa; a casa encheu-se da nuvem, e o átrio, da resplandecência da glória do SENHOR [...] Então, saiu a glória do SENHOR da entrada da casa e parou sobre os querubins” (vv. 4,18). Entretanto, Ageu “não aponta inicialmente para essa glória da presença de Yahweh. Antes, ele refere-se à beleza do templo de Salomão”.[3]

Já no versículo 7, o termo kabôd possui a mesma conotação da profecia de Ezequiel. A referência é à presença do Senhor no seu templo. Enquanto os anciãos se lembravam da beleza e esplendor do templo de Salomão, Deus promete que o segundo templo, menor em tamanho e riquezas, possuirá uma glória plena, pois, diz o Senhor “encherei de glória esta casa”. O Senhor estava ensinando ao seu povo que, “a glória do templo não dependeria de sua forma exterior. Ao contrário, a glória é vista na própria presença de Yahweh”.[4] A mensagem para aqueles que se encontravam chorosos e àqueles que concentram sua atenção na estrutura física do edifício cúltico, é que a beleza e o tamanho não influenciam ou diminuem a glória do local, mas sim a presença de Deus com o seu povo.

A Glória da Segunda Casa e Jesus Cristo

Deus prometeu que a sua presença encheria aquela casa de glória: “Ainda uma vez, dentro em pouco, farei abalar o céu, a terra, o mar e a terra seca; farei abalar todas as nações, e as coisas preciosas de todas as nações virão, e encherei de glória esta casa, diz o SENHOR dos Exércitos” (2.6-7). A grande questão é se a manifestação plena da glória de Deus estaria limitada àquele segundo templo que estava sendo construído na ocasião, ou se ela aponta apara algo além daquela edificação. A linguagem do profeta lembra o que aconteceu quando Davi se tornou rei de Israel. Várias nações reconheceram o seu reinado e enviaram presentes, coisas preciosas (2Samuel 5.11). O mesmo aconteceu com Salomão, filho de Davi (1Reis 5.8-10; 10.1-10). Não obstante, a referência é que as nações virão agora para contemplar a glória da casa do Senhor. Deus está falando de Cristo, que tanto era filho de Davi (Mateus 1.1) como a habitação permanente de Deus entre o seu povo (João 1.14). O. Palmer Robertson faz um comentário perspicaz a este respeito:

Este segundo abalo põe em destaque um único descendente de Davi, que possuirá poderes para agir com autoridade divina sobre todas as nações. Assim como o templo de Deus e o trono de Davi se fundiram no Monte Sião com a vinda da Arca para Jerusalém, assim também o profeta antecipa uma futura unificação gloriosa do culto divino e do domínio através de um monarca Davídico restaurado.[5]

A interpretação de Calvino também leva em conta o elemento messiânico da profecia:

Mas nós podemos entender o que ele diz de Cristo, virá o desejo de todas as nações, e eu encherei esta casa com glória. De fato, sabemos que Cristo era a expectativa de todo o mundo, de acordo com o que foi dito por Isaías. E pode ser dito apropriadamente que, quando o desejo de todas as nações vier, isto é, quando Cristo se manifestar, em quem os desejos de todos convergem, então, a glória do segundo templo será esplendorosa.[6]

Por esta razão é que o Senhor declara, no versículo 9: “A glória desta última casa será maior do que a da primeira”. A glória do segundo templo não possui nenhuma relação com o seu espaço físico ou com seus objetos de valor. A glória do segundo templo está direta e inextricavelmente relacionada com a vinda de Jesus Cristo. Por se tratar de um templo mais próximo da vinda do Messias do que o que fora construído por Salomão, o segundo seria mais glorioso. Diz o puritano Matthew Poole que, “o que Deus chama de glória deve ser bem melhor do que prata e ouro. Maior que a da primeira, verdadeiramente mais gloriosa, em muitos graus. O mínimo de Cristo tem glória maior que toda a magnificência de Salomão. Não existiram mais que duas casas erigidas por designação divina, e, na segunda, adentrou pessoalmente o Messias”.[7] Calvino afirma ainda que, não devemos imaginar, como alguns intérpretes “brutos”, que a glória futura do segundo templo dizia respeito às reformas empreendidas por Herodes, visando restaurar a suntuosidade do templo. Antes, de acordo com ele, “o que é dito aqui a respeito da glória futura do templo é aplicado à excelência daquelas bênçãos espirituais que apareceram quando Cristo foi revelado, e ainda continuam visíveis para nós através da fé”.[8]

A conexão entre a glória do segundo templo e Jesus fica mais evidente com a continuação do versículo 9: “e, neste lugar, darei a paz, diz o SENHOR dos Exércitos”. No Antigo Testamento a promessa de paz sempre estava ligada à vinda do Messias: “O SENHOR dá força ao seu povo, o SENHOR abençoa com paz ao seu povo” (Salmo 29.11). O conceito veterotestamentário de paz carrega “a noção positiva de bênçãos, especialmente a de um correto relacionamento com Deus”.[9] Isso fica evidente na bênção araônica, em Números 6.24-26: “O SENHOR te abençoe e te guarde; o SENHOR faça resplandecer o rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti; o SENHOR sobre ti levante o rosto e te dê a paz”.

Além disso, as passagens proféticas do Antigo Testamento olham adiante para um período de paz que seria inaugurado pela vinda do Messias: “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9.6); “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta. Destruirei os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém, e o arco de guerra será destruído. Ele anunciará paz às nações; o seu domínio se estenderá de mar a mar e desde o Eufrates até às proximidades da terra” (Zacarias 9.9-10). O profeta Ezequiel anunciou que através do Messias, Deus faria uma eterna aliança de paz com o seu povo: “Farei com eles aliança de paz; será aliança perpétua. Estabelecê-los-ei, e os multiplicarei, e porei o meu santuário no meio deles, para sempre” (37.26). Interessantemente, a ideia de um santuário, um templo ligado ao estabelecimento da paz também aparece na passagem de Ezequiel.

Isto posto, quando os discípulos estavam reunidos com Jesus no cenáculo, ouviram o seu Mestre dizer: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo” (João 14.27). Com toda certeza eles rememoraram as promessas escriturísticas a respeito do estabelecimento da paz pelo Messias, aquele que era o tabernáculo de Deus entre os homens.

É importante observar ainda que, Apocalipse 21.22 faz uma afirmação extraordinária a respeito da Nova Jerusalém: “Nela, não vi santuário, porque o seu santuário é o Senhor, o Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro”. G. K. Beale e Sean M. McDonough afirmam que, “João provavelmente entendeu estas profecias do Antigo Testamento como sendo cumpridas no futuro por Deus e Cristo substituindo o primeiro templo físico e a arca por sua gloriosa habitação, o que tornará a glória do primeiro templo diminuta”.[10]

Conclusão

A glória do segundo templo não dizia respeito ao seu tamanho nem ao esplendor do material usado na sua construção – até porque, em comparação com o primeiro templo, o segundo foi capaz de despertar o choro dos anciãos que viram o que fora construído por Salomão. A glória da segunda casa estava ligada à vinda do Messias, de Jesus Cristo, o verdadeiro templo de Deus, o Emanuel, o Deus conosco.

Usar a passagem de Ageu 2.9 para recomendar um enorme espaço cúltico, com capacidade para abrigar milhares de pessoas é cometer duplo erro. Em primeiro lugar, comete-se o erro de torcer o sentido da passagem de acordo com o contexto do livro do profeta Ageu. A segunda casa cuja glória seria maior era pequena e destituída de ornamentos em comparação com a primeira. Mas muitos usam a passagem para falar de uma segunda casa maior que a que usavam até então. Em segundo lugar, comete-se o erro de desconsiderar Jesus Cristo, de se apegar às sombras do Antigo Testamento em detrimento daquele que dá sentido a todo ajuntamento solene e que enche de glória todo e qualquer lugar onde o povo de Deus está reunido para adorá-lo em espírito e em verdade.

Soli Deo Gloria!

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Notas:
[1] O. Palmer Robertson. The Christ of the Prophets. Phillipsburg, NJ: P&R Publishing, 2004. p. 368.
[2] Gerard van Groningen. Revelação Messiânica no Antigo Testamento. São Paulo: Cultura Cristã, 2003. p. 813.
[3] Ibid.
[4] Ibid. pp. 817-818.
[5] O. Palmer Robertson. The Christ of the Prophets. p. 383.
[6] John Calvin. The Minor Prophets: Habakkuk, Zephaniah & Haggai. Vol. 4. Edinburgh: The Banner of Truth Trust, 1986. p. 360.
[7] Matthew Poole. A Commentary On The Holy Bible: Psalms-Malachiah. Vol. 2. Peabody, MA: Hendrickson Publishers, 2010. p. 987.
[8] John Calvin. The Minor Prophets: Habakkuk, Zephaniah & Haggai. Vol. 4. p. 361.
[9] Andreas J. Köstenberger. “John”. In: G. K. Beale e D. A. Carson (Eds.). Commentary On The New Testament Use of The Old Testament. Grand Rapids, MI: Baker Academic e Apollos, 2007. p. 490.
[10] G. K. Beale e Sean M. McDonough. “Revelation. In: Ibid. p. 1153.

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Fonte: Cristão Reformado
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O Cristão pode ouvir música do mundo?

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Neste vídeo o Pr. Dorisvan é entrevistado pelo Missionário Paulo Ricardo e tenta responder uma das questões mais intrigantes no meio evangélico: é lícito ao cristão ouvir "música do mundo"?

Usando argumentos do Reformador João Calvino, o Pastor diz que mesmo os descrentes podem, pela graça comum de Deus, fazer poesias e cantar músicas que expressam a verdade. E visto que toda verdade procede de Deus, não devemos rejeitá-los, porquanto o mesmo procede de Deus.

Assista e tire suas conclusões.



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Fonte: Papo Reformado
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Deus está irado e com toda razão

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Por Rev. Paulo Fontes


Eu tenho afirmado que Deus está irado com a humanidade. Mas, por que Deus está irado? Paulo diz que uma das razões pelas quais Deus está irado com a humanidade é porque os homens “detêm a verdade pela injustiça” (Romanos 1.18). O verbo “deter” deve ser entendido nesta passagem com o sentido de sufocar, reprimir, suprimir. Então, Paulo está dizendo que Deus está irado porque os homens, deliberadamente tentam sufocar e suprimir a verdade que Deus lhes transmitiu na criação, a respeito de si mesmo. Quando Deus criou todas as coisas Ele o fez de tal modo que a criação foi também revelação. 

Ao criar o homem à sua imagem e semelhança, Deus imprimiu revelação de si mesmo no ser humano. Calvino chamou isto de “senso da divindade”. Deste modo o homem já nasce com o conhecimento daquele que o fez. Trata-se de um conhecimento de Deus que é inato e inerente à constituição da alma humana. Isto significa que todas as pessoas, de todas as épocas e lugares têm uma intuição íntima de que Deus existe, e de que Ele é o seu Criador. 

Uma das evidências deste senso da divindade que Deus imprimiu no ser humano é o que Calvino chamou de “semente da religião”. Calvino ensinou que o homem é por natureza um ser religioso porque Deus plantou em seu coração a semente da religião. Em qualquer sociedade humana, de qualquer lugar, época ou cultura, haverá sempre um elemento religioso. E é exatamente esta a consciência inata da existência de Deus que tem levado todas as culturas em todas as épocas, a desenvolverem suas religiões. 

Mas Paulo ensina que além desta consciência íntima de que Deus existe, a humanidade encontrará também, no restante da criação, evidências claras de que Deus existe, e de que Ele é sábio, poderoso, rico, generoso, bondoso e amoroso. Paulo diz que “os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Romanos 1.20). 

É disto que o salmista está falando quando diz que “os céus proclamam a glória de Deus” (Salmo 19.1) ou “A terra, SENHOR, está cheia da tua bondade” (Salmo 119.64). Ou ainda “toda a terra está cheia da sua glória” (Isaias 6.3) Cada folha de árvore, cada inseto, cada pássaro, cada estrela do céu, ou qualquer outro elemento da criação está dizendo: “Deus existe e me criou”. A beleza de um floco de neve, o majestoso poder de uma tempestade, a habilidade de uma abelha, o paladar prazeroso de uma fruta, enfim, a diversidade, a beleza e a riqueza que contemplamos e das quais desfrutamos neste universo criado por Deus são proclamações a respeito da sabedoria, da riqueza, da bondade e da generosidade do Criador. 

Deste modo o homem já nasce com o conhecimento daquele que o criou. Todas as pessoas, de todas as épocas e lugares têm uma intuição íntima de que Deus existe, e de que Ele é o seu Criador. Além disso, fomos colocados num mundo no qual é impossível ignorar a Deus. Esbarramos Nele o tempo todo. O problema da humanidade não é não saber que Deus existe. O problema é que os homens desprezam o Deus que sabem que existe. O problema não é intelectual. O problema é moral. A humanidade odeia Deus e faz de tudo para banir Deus de sua vida. Deus está irado e com toda razão.

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Fonte: Igreja Presbiteriana Ebenézer
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Pentecostalismo, Neopentecostalismo e o Trabalho do Espírito Santo

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Por Pb. Solano Portela

Introdução

O pentecostalismo se fundamenta em alguns pontos essenciais básicos, tais como: (1) a identificação do mover do Espírito Santo de Deus; (2) a aceitação de uma categoria de crentes especialmente agraciada pela graça divina; e (3) a precedência da experiência sobre a revelação objetiva das Escrituras, para a formulação de doutrinas.

Nossa compreensão desses pontos, segundo um exame da Palavra de Deus, determina onde nos posicionamos no confuso quadro eclesiástico contemporâneo: se com a interpretação dada pelos símbolos da fé reformada (Confissão de Fé de Westminster e seus catecismos) ou com o evangelicalismo contemporâneo, cuja maior característica comum parece ser a aceitação da doutrina pentecostal cruzando linhas denominacionais.

O propósito deste artigo não é realizar, individualmente, um estudo sobre línguas, cura ou profecias, mas tratar os conceitos básicos do pentecostalismo e os seus reflexos na igreja local. A compreensão doutrinária dessas questões, pode determinar a ênfase da nossa mensagem; os nossos objetivos de vida como cristãos e até a prática litúrgica das igrejas.

1 - Um pouco de história

Do segundo século até o século dezenove, não existe evidência histórica de que os cristãos fiéis, de teologia ortodoxa falassem línguas estranhas, praticassem a “cura divina” em reuniões ou se guiassem por novas profecias. Todas essas coisas, entretanto, caracterizam o pentecostalismo e o chamado “movimento carismático” contemporâneo, incluindo o neopentecostalismo.

Essa busca pelo inusitado e pelo sobrenatural, fora das prescrições das Escrituras, na história da igreja, sempre foi característica de grupos considerados como heréticos, desde os seguidores de Montanus (montanistas), no segundo século até aqueles liderados por Edward Irving, no século 19 da era cristã.

A história do pentecostalismo moderno é normalmente classificada como tendo ocorrido em três ondas distintas:

a. A primeira onda – Pentecostalismo Clássico. Teve início em 1901, quando a sra. Agnes Ozman, nos Estados Unidos, disse ter recebido o batismo do Espírito Santo e falado línguas. A prática foi incorporada ao movimento Holiness. Um outro evento mais conhecido deu-se em 1906, quando se relatou o falar em línguas em uma igreja na rua Azusa (Azusa Street Mission), estado da Califórnia. Desses dois eventos procede a maioria das igrejas pentecostais históricas, como a Assembleia de Deus e a Igreja do Evangelho Quadrangular.
b. A segunda onda – Pentecostalismo recente ou Renovação Carismática. Semelhantemente ao movimento pentecostal anterior, enfatizou os “dons extraordinários”, com grande ênfase ao “dom de línguas”. A grande diferença é que as linhas denominacionais foram quebradas e a visão doutrinária pentecostal atingiu várias igrejas. O ano de 1960 marca o início desta onda, em uma igreja Episcopal da Califórnia, na qual se observou o falar em línguas. A própria imprensa secular deu destaque ao acontecimento. O movimento, nos Estados Unidos, se espalhou pelas universidades, entre organizações para-eclesiásticas, tais como a ABU. Além de atingir denominações tradicionais, como luteranos, presbiterianos e metodistas, penetrou nos católico-romanos, partindo da universidade de Notre Dame, formando o movimento dos “católicos carismáticos”, que perdura até hoje. A maior característica desse período foi a determinação dos persuadidos pelos ensinamentos pentecostais, a permanecerem nas denominações de origem, “renovando-as”.
c. A terceira onda – O movimento de sinais e maravilhas – o Neopentecostalismo. A designação “terceira onda” foi cunhada por Peter Wagner, em 1983, um dos proponentes do movimento de crescimento de igrejas. Ele escreveu que as duas primeiras ondas continuavam, mas agora o Espírito estaria vindo em uma “terceira onda” com sinais e maravilhas. Temos aqui, também, o surgimento do movimento Vineyard, que conseguiu adeptos e transformou-se em uma denominação, propagando o que ficou conhecido como “evangelismo do poder” (power evangelism) – o evangelho é propagado e demonstrado por sinais e maravilhas sobrenaturais. O dom de línguas, neste estágio, recebeu uma ênfase menor do que o de “profecias”, curas e realização de efeitos especiais e sobrenaturais – muitas vezes sem razão ou conexão aparente – tais como: quedas, risos, urros, dentes de ouro, etc.

No Brasil, essas “ondas” foram quase simultâneas. A Congregação Cristã foi a primeira igreja pentecostal estabelecida, em 1910, seguida da Assembleia de Deus, em 1911. Na década de 1960 tivemos o surgimento do movimento carismático e de renovação, em várias denominações, e, atualmente, vivemos a “terceira onda”, com o neopentecostalismo.

O pentecostalismo e seus derivados contemporâneos se coloca como uma posição doutrinária saudável que sabe identificar o “mover do Espírito Santo de Deus”. Será que essa identificação é bíblica? Será que a fé reformada está deixando de reconhecer o trabalho do Espírito Santo nos dias de hoje?

2 - Existe diferença entre Pentecostalismo e Neopentecostalismo?

O neopentecostalismo tem em comum com o pentecostalismo, a ênfase na experiência, e muitas das doutrinas relacionadas com os dons extraordinários (operação de milagres, falar em línguas, novas revelações). O neopentecostalismo, entretanto, é caracterizado por cruzar os limites das denominações pentecostais, formando novas denominações com peculiaridades mais intensas e penetrando nas demais denominações.

O grande ponto de dissociação, entretanto, entre o pentecostalismo e o neopentecostalismo se dá na compreensão da doutrina das Escrituras. A ênfase na experiência, do pentecostalismo, nunca chegou a soterrar totalmente a importância da Palavra e pontos de tensão foram resolvidos, em muitas ocasiões, com a primazia da própria Palavra. Nesse sentido, por exemplo, a insistência inicial na total ausência de estudo bíblico formal (seminários, institutos bíblicos), uma vez que a pregação viria “por revelação”, deu lugar à visão mais bíblica e mais sóbria, da necessidade do estudo e na aplicação ao aprendizado; as próprias “cruzadas de milagres”, populares na década de sessenta, no Brasil, foram suplantadas por estruturas denominacionais mais comprometidas com a evangelização aos segmentos mais esquecidos da sociedade, ao discipulado e à formação de um caráter cristão nos congregados. De “denominação de vanguarda” os pentecostais foram se revelando conservadores em inúmeras doutrinas e, em não raras ocasiões, exercitam a disciplina eclesiástica de forma coerente e bíblica.

O neopentecostalismo, entretanto, abraçou vários ensinamentos próprios – esses nem sempre com respaldo ou analogia bíblica. No neopentecostalismo, é básica a adesão ao espetacular e extraordinário, como sendo características inerentes ao próprio exercício da fé cristã, mas existem outras peculiaridades doutrinárias, tais como:

a. O culto à prosperidade e a busca ávida dessa, como norma de vida.
b. A operação de maravilhas que não têm valor intrínseco ou lógico em si (como o riso desenfreado, o cair pela passagem de um paletó, ou o aparecimento de dentes de ouro).
c. A necessidade de identificação das entidades demoníacas que controlam a vida e os afazeres de uma determinada localidade ou setor geográfico, como condição básica para se ganhar a batalha espiritual que resultará no crescimento da igreja.
d. A utilização de formas linguísticas e chavões que implicitamente possuiriam valor espiritual inerente, devendo ser utilizados de maneira declaratória, nos cultos e concentrações públicas, como parte desta batalha espiritual (“eu o amarro!”, “declaro esta cidade liberta!”, etc.), muitas vezes acompanhadas de orações pré-fabricadas, apresentadas como poderosas em si.
e. A identificação de doenças e problemas psicológicos como formas veladas de possessão demoníaca. Nessa visão, todo crente é conclamado a ver como fenômeno sobrenatural problemas que a Igreja sempre tratou como consequências naturais do pecado.

3- Como reconhecer o trabalho e o mover do Espírito Santo?

O trabalho do Espírito Santo segue diretrizes bíblicas claras e coerentes com as tarefas da Trindade e isso nos dá uma maneira de reconhecer o Espírito de Deus. O ponto chave, que encontramos na Palavra de Deus é que o trabalho do Espírito Santo é revelar o Filho.

Nesse sentido, temos várias declarações explícitas de Jesus Cristo. Em Jo 14.26 Jesus diz: “o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar tudo o que vos tenho dito”. A atividade aqui descrita do Espírito Santo é, portanto, ensinar e fazer lembrar as coisas que Jesus Cristo disse, isto é: testemunhar da pessoa e obra de Cristo.

Em Jo 16.14 lemos: “Ele me glorificará porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar”. A glorificação é à pessoa de Cristo. A anunciação que o Espírito Santo faz é da obra e da mensagem de Cristo. Disso faz parte, também, o trabalho regenerador do Espírito Santo na conversão dos descrentes.

O Espírito Santo não trabalha, portanto, independentemente da obra de Cristo, como pregam todos aqueles que enfatizam o culto ao Espírito Santo e acabam por desviar os olhos dos fiéis da pessoa de Cristo. O Espírito Santo não vem como “uma segunda bênção”, nem vem realizar fenômenos sem sentido ou fora do contexto revelador de Cristo, tais como curas espetaculares, risos santos, quedas, urros, dentes de ouro ou quaisquer outras maravilhas glorificadoras dos homens que as realizam. Ele vem selar o trabalho de Cristo na vida do crente, abrindo-lhe o coração à conversão, batizando-o com a abençoada regeneração, fazendo morada no coração de todos os salvos, promovendo a comunhão cristã, edificando o Corpo de Cristo, iluminando o entendimento e operando o crescimento em santificação.

Semelhantemente às heresias do montanismo, do segundo século, muitas distorções contemporâneas são fruto de ideias de pessoas, querendo “melhorar” o que Deus estabeleceu em sua perfeição e em Sua Palavra. Assim fazendo, elas superenfatizam a terceira pessoa da Trindade, praticamente tornando a pessoa e o trabalho de Cristo secundários às ações do Espírito Santo.

Logicamente, queremos ter muito cuidado, pois nenhum crente deseja atribuir o poder do Espírito Santo em Jesus Cristo a demônios (Mc 3.22-30). Como reconhecer o trabalho do Espírito Santo de Deus? Três critérios nos auxiliarão:

(1) O fim principal do trabalho do Espírito é a glória de Deus. Cristo, cheio e liderado pelo próprio Espírito, assim especificou – Jo 4.34; 5.19; 5.30; 5.43; 6.38; 17.4. No que diz respeito aos demônios, estes procuram a auto-adoração e própria glorificação (Jo 4.24).
(2) A suprema autoridade do Espírito é a Palavra de Deus: Dt 29.29. Demonstrar mais estima e procura por “revelações ocultas” do que pela revelação bíblica, é um insulto ao Deus todo-poderoso, que nos criou em amor para que o adorássemos e o servíssemos.
(3) A mensagem principal do Espírito é o Evangelho de Deus (At 1.2 e 8).

4 - Existe uma hierarquia dos salvos?

O movimento pentecostal trouxe à cena evangélica o inusitado e o extraordinário como sendo não apenas parte da realidade existencial, histórica e religiosa da Igreja, mas como objeto de anelo e desejo na vida individual de cada crente. Os ensinamentos do pentecostalismo deixaram a expectativa de que sem estas experiências algo estaria a faltar na vida do cristão. Era necessário se atingir um patamar superior, obter-se uma segunda bênção, elevar-se acima do nível do crente comum. Gerou-se assim uma hierarquia de crentes: os batizados vs. os não-batizados pelo Espírito Santo, ou, utilizando uma outra terminologia: os recebedores vs. os “ainda-carentes-de-uma-segunda-bênção”.

A questão da cura divina, trazida pelo pentecostalismo, segue ao longo de linhas paralelas. Ela coloca os crentes em uma escala hierárquica, qualificando o seu cristianismo, fazendo uma divisão entre os que atingiram já um patamar de fé que é suficiente a torná-los recebedores de curas milagrosas vs. aqueles cuja fé é insuficiente ao recebimento destas bênçãos, que estariam reservadas aos mais aquinhoados espiritualmente.

O pentecostalismo, prega essa hierarquia dos salvos estranha à Palavra de Deus, tanto na questão do batismo pelo Espírito Santo, como na cura divina, como no “falar em línguas” – áreas às quais os fiéis são direcionados a procurarem como marca de uma espiritualidade genuína. Aqueles que não experimentaram tais experiências são levados a avaliar suas vidas como “fria” ou distanciada do “fogo” saudável do Espírito de Deus.

O movimento carismático e de renovação foi propagado como sendo uma reação sadia à ortodoxia morta das igrejas tradicionais. Inegavelmente, muito fervor real foi despertado no meio de denominações que estavam consideravelmente afastadas da Palavra de Deus e de suas confissões e credos originais. Muitas haviam abraçado ideias heréticas e humanistas do racionalismo teológico. Mesmo considerando a existência de uma guinada positiva em denominações liberais, pela promoção do estudo das esquecidas Escrituras, a procura pelas experiências, estendida a denominações fiéis à Palavra de Deus, teve efeito devastador. Divisões, polarizações, discussões infrutíferas, desprezo aos padrões confessionais, têm sido resultados comumente observados em igrejas atingidas pelo abraçar de doutrinas pentecostais.

A divisão das pessoas, encontrada na Palavra de Deus, com relação ao posicionamento perante o Criador, nos mostra que todos estão subdivididos em salvos ou perdidos; crentes ou incrédulos; os que receberam a fé como dom de Deus ou aqueles sem fé que se encontram no caminho da perdição. Os movimentos, dentro da Igreja, que acrescentam uma terceira categoria de pessoas, no que diz respeito ao status espiritual delas perante Deus: os sobrenaturalmente agraciados com um fenômeno fora do comum, que difere e está além do ato soberano de Deus da salvação, não encontra base bíblica e representa uma carga injusta lançada sobre os fiéis.

O apóstolo Paulo nos ensina, em 1 Co 12.13, que “em um só espírito todos nós fomos batizados”. Note que ele se refere: (1) genericamente, a todos os crentes – sem distinguir uma casta específica (todos nós); (2) no passado – todos nós, que cremos, fomos batizados; (3) esse batismo do espírito Santo caracteriza todos que formam “o corpo” – ou seja, a igreja de Cristo – ele não vem como uma “segunda bênção”. Isso está em harmonia com Ef 4.5 – que nos ensina que há “um só batismo” e Rm 8.9 – que diz: “se alguém não tem o Espírito de Cristo, este tal não é dele”. Todos os eleitos de Deus, como salvos, são chamados das trevas para a maravilhosa luz – essa é a divisão encontrada na Palavra de Deus. Não existe uma hierarquia dos salvos e, muito menos, salvos não batizados pelo Espírito Santo de Deus.

5 - O interesse pelos fenômenos sobrenaturais e a precedência dada à experiência

Existe um grande interesse na igreja contemporânea nas manifestações sobrenaturais. Na maioria das vezes esse interesse pelos fenômenos sobrenaturais não procede do sério estudo da palavra de Deus, mas de sentimentos carnais presentes na fraca visão do homem natural. Quando Jesus foi pressionado para que realizasse algum sinal sobrenatural fora do contexto e do propósito soberano de sua missão, apenas para atender o desejo pelo extraordinário, presente na multidão (Mt 12.39), Ele dá o seguinte direcionamento aos solicitantes:

a. primeiro, indica que devem examinar as suas vidas (chama os interlocutores de “geração má e adúltera”)
b. depois, manda que eles se dirijam às Escrituras, à história previamente revelada e escriturada, (devem considerar “o sinal do profeta Jonas”) para obtenção do conhecimento teológico e prático que diziam procurar.

O segmento pentecostal e neopentecostal, ao enfatizar um interesse primário pelas manifestações sobrenaturais, tira o foco da doutrina da providência divina no governo soberano de todas as atividades. Vemos a tendência, na realidade, de abraçar o misticismo característico das massas. A Igreja recebe, então, uma visão destorcida das prioridades de vida, que coloca as questões físicas do homem como alvo de maior preocupação, do que os problemas metafísicos existentes entre o homem pecador e o Deus Santo que o criou. além do físico, do visível, do palpável, do perceptível. Estamos utilizando o termo metafísico como descritivo do campo das questões eminentemente espirituais (como a salvação, o andar em justiça e santidade), em contrapartida às questões físicas (doenças, enfermidades) que, mesmo sendo importantes, estão hierarquicamente abaixo das anteriores (Mt 10.28).

Onde impera o ávido desejo pelo inusitado e pelo extraordinário, as Escrituras vão ficando para trás. Na Confissão de Fé de Westminster (Cap. 1) temos uma das formulações mais completas, detalhadas e fiel, sobre as doutrinas das Sagradas Escrituras. Ainda assim, encontramos pastores, oficiais e membros de igrejas que abraçam esta Confissão, ansiosos pela manifestação de fenômenos sobrenaturais, desejosos de diretrizes fornecidas por novas revelações, como se algo estivesse faltando à própria Palavra de Deus para a expressão plena de suas religiosidades.

Não devemos desejar um cristianismo racional no qual o sobrenatural é ignorado, nem gerar um ceticismo às atividades das hostes das trevas. Mas devemos procurar manter o sobrenatural dentro da perspectiva que a própria Palavra nos ensina. A maior ação sobrenatural de Deus é o milagre da salvação: seu Espírito regenerador, criando uma nova vida dentro de nós. O governo soberano de Deus, pelo qual ele cumpre os seus propósitos na história, é o grande alicerce de magnifica espiritualidade e sobrenaturalidade da nossa religião – por que desprezar esse conhecimento e essa convicção (Is 8.16-20)? Por que a busca pelo inusitado, pelas intervenções solicitadas ao nosso serviço e por nossas necessidades?

Na parábola do mendigo Lázaro, (Lc 16.19-31) o rico, após tomar pleno conhecimento das realidades espirituais, entre elas a do fogo eterno, da condenação e das tormentas, pede uma maravilha ao reino dos céus, representado na pessoa de Abraão. Ele quer um fenômeno extraordinário – gostaria que o mendigo Lázaro, agora com Abraão, fosse ressuscitado e pessoalmente voltasse à terra dando testemunho daquelas realidades espirituais aos seus cinco irmãos.

Na sua perspectiva, um depoimento advindo de uma manifestação tão espetacular certamente faria com que seus parentes acreditassem na mensagem da verdade. Abraão responde que eles têm as Escrituras (Moisés e os profetas) e se, com os corações endurecidos, não respondem ao claro e objetivo ensinamento delas, não será o grande fenômeno da ressurreição que gerará a credibilidade necessária à salvação.

Essas palavras eram também proféticas. Deus operou um fenômeno impossível às suas criaturas, ressuscitando Jesus Cristo ao terceiro dia, mas as pessoas submersas em seus pecados continuam a rejeitar a mensagem das Escrituras, mesmo após a ressurreição.

Por que a nossa geração deve retratar a própria atitude, condenada pela parábola – que os fenômenos extra-naturais é que conduzirão as pessoas à Cristo – quando ele próprio nos aponta para as Escrituras (Jo 5.39)? Por que desprezarmos o grande fenômeno, bíblico e historicamente comprovado, da ressurreição de Cristo, procurando manifestações duvidosas contemporâneas?

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Livros sugeridos:

• Fé Cristã e Misticismo, Matos, Portela, Lopes, Campos.
• Religião de Poder, Michael Horton.

Leituras bíblicas sugeridas:

• Lc 16.19-31 – O Rico e Lázaro. Os estudos das Escrituras está acima dos milagres.
• Jo 14.16-26 – O Filho envia o Espírito da Verdade. Jo 16.7-14 – O Espírito Santo não fala de si mesmo, mas revela o Filho.
• 1 Co 12.12-27 – Já fomos batizados em um só corpo.
• Ef 4.1-6 – Participamos de um só batismo.
• Is 8.16-20 – O grande sinal e maravilha: o Povo de Deus resgatado.
• Jo 5.36-47 – A grande importância do testemunho das Escrituras, acima da experiência.

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Fonte: Revista O Pensador Cristão - Edição de Ano IV – Nº 16 – Dez/03.
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