A cruz e o pecado – uma resposta a André Valadão

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Recentemente o pastor e cantor gospel André Valadão postou uma foto nas redes sociais afirmando o seguinte: “a cruz não é a revelação do nosso pecado, é a revelação do nosso valor”. Confesso que ao ver tal imagem circulando na rede me assustei, tamanho o absurdo da afirmação. 

Qualquer cristão que tenha estudado um pouco a sua Bíblia sabe que a cruz de Cristo é justamente a exposição máxima do nosso pecado. A Bíblia sistemática e categoricamente afirma que a humanidade foi inteiramente afetada pelo pecado, que “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23), que “não há um justo, nem um sequer” (Rm 3.10), que somos como um vale de ossos secos, mortos espiritualmente (Ez 37.1-14), que somos como a pior das esposas, que após ter sido resgatada da morte pelo marido, cuidada e criada como uma princesa, vai e se entrega a todos os outros homens, sendo pior do que as meretrizes porque a elas “se dá a paga, mas tu dás presente a todos os teus amantes; e o fazes para que venham a ti de todas as partes adulterar contigo” (Ez 16.33). A Bíblia não “pega leve” quando fala do nosso pecado e nem deveria. Nas palavras de Paul Washer, “o pecado é uma ofensa infinita contra um Deus infinitamente santo” e na Queda houve uma completa separação entre o homem e Deus. 

Então, como assim, “a cruz revela o nosso valor”? Isaías diz que “todas as nações são perante ele [no caso, Deus] como cousa que não é nada; ele as considera menos do que nada, como um vácuo” (Is 40.17). E o profeta continua, agora exaltando a majestade de Deus: “com quem comparareis a Deus? Ou que cousa semelhante confrontareis com ele?” (Is. 40.18). Um pouco acima, Isaías diz: “Eis que as nações são consideradas por ele como um pingo que cai dum balde e como um grão de pó na balança; as ilhas são como pó fino que se levanta. Nem todo o Líbano basta para queimar, nem os seus animais, para um holocausto” (Is 40.15-16). De novo eu pergunto, qual é mesmo o nosso valor?

Ainda, grandes homens na Bíblia reconheceram continuamente a sua insignificância. Paulo disse “desventurado homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Rm 7.24). Ao reconhecer sua completa ausência de valor, ele humildemente dá graças a Cristo pela cruz: “Graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. De maneira que eu, de mim mesmo, com a mente, sou escravo da lei de Deus, mas, segundo a carne, da lei do pecado” (Rm 7.25). 

Em outra ocasião, Paulo, para muitos o maior pregador da história da igreja, afirma ser o principal dos pecadores: “...que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” (1 Tm 1.15). Ele ainda se considerava o menor dos apóstolos: “Porque sou o menor dos apóstolos, que mesmo não sou digno de ser chamado de apóstolo, pois persegui a igreja de Deus” (1 Co 15.9). E, por fim, o apóstolo ainda disse: “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim, e eu, para o mundo” (Gl 6.14). Diante de tudo o que Paulo afirma, cabe novamente a pergunta, qual é mesmo o nosso valor?

Davi, o maior rei de Israel, talvez na maior crise de sua vida, humildemente disse: “...pois eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim... eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu a minha mãe... não me repulses da tua presença, nem me retires o teu Santo Espírito. Restitui-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com Espírito voluntário” (Sl 51. 3, 5, 11-12). 

Daniel, um dos servos mais fiéis relatados na Bíblia, por diversas vezes reconheceu a sua insignificância e exaltou a majestade de Deus. Vejamos duas ocasiões em especial.

Quando ele interpretou o sonho de Nabucodonosor, disse: “mas há um Deus no céu, o qual revela mistérios... E a mim me foi revelado este mistério, não porque haja em mim mais sabedoria do que em todos os viventes...” (Dn 2. 28, 30). A reação do rei diante da declaração de Daniel foi a seguinte: “certamente, o vosso Deus é o Deus dos deuses, e o Senhor dos reis, e o revelador de mistérios, pois pudeste revelar este mistério” (Dn 2.47).

Na época do rei Dario, Daniel foi salvo por Deus da cova dos leões e ao explicar o ocorrido ao rei, ele disse o seguinte: “o meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca aos leões, para que não me fizessem dano...” (Dn 6.22). E qual foi a reação do rei? Esta: “Faço um decreto pelo qual, em todo o domínio do meu reino, os homens tremam e temam perante o Deus de Daniel, porque ele é o Deus vivo e que permanece para sempre...” (Dn 6.26). 

Vemos, portanto, que por duas vezes Daniel foi usado grandemente por Deus, mas se manteve humilde, atribuiu toda a glória ao Pai e por conta disso, dois reis ímpios glorificaram ao Senhor. Diante de mais esses exemplos, eu insisto na pergunta: qual é mesmo o nosso valor?

Ora, a missão de Cristo foi justamente assumir o nosso papel na aliança com Deus e se sacrificar por nós, os que cremos nele, como o cordeiro santo e sem mácula justamente porque não há valor algum em nós - toda honra e toda glória sejam dadas a Deus!

A cruz é, portanto, o sinal máximo do quanto a humanidade é pecaminosa. O cordeiro santo, o primogênito de Deus, o Verbo encarnado precisou se oferecer como sacrifício para expiar os pecados do mundo. Na cruz ele recebeu a punição pelos nossos pecados, tendo que provar do cálice da ira de Deus. E por que Deus fez isso? Por que Ele nos salvou em Cristo? Ele o fez para o louvor de sua glória, para que o Seu nome seja glorificado, para demonstrar a sua graça; não por conta do “nosso valor”. 

Não há embasamento bíblico para esse “evangelho autoajuda”, que exalta o homem como se ele tivesse alguma importância. O louvor ao homem é feito pelo Humanismo e não pelo Cristianismo. A fé cristã trata do louvor e da glória exclusivos de Deus. 

Soli Deo Gloria

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Sobre o autor: Pedro Franco, 23 anos, é estudante de farmácia pela UFRJ e diácono na Igreja Presbiteriana Adonai (RJ).
Divulgação: Bereianos
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Cremos na Teologia do Pacto

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A Teologia Pacto é desconhecida por muitos dos atuais presbiterianos. Aplica-se a advertência de Hugh Martin de que “acontece, assim tememos, que a teologia federal está no presente sofrendo uma grande medida de negligência a ponto de ninguém considerá-la entre nós num futuro imediato da Igreja”.[1] De fato, esta antiga declaração também se aplica aos presbiterianos brasileiros. Percebemos uma negligência no ensino desta doutrina que é essencial para a nossa identidade reformada. A nossa hermenêutica, a organização sistemática, bem como a nossa prática eclesiástica e a nossa ética dependem do nosso entendimento da teologia do pacto.

O modo como entendemos toda a história da salvação estrutura-se no pacto de Deus conosco. Segue abaixo um resumo da Teologia do Pacto:[2]

1. A teologia do pacto estrutura a totalidade da revelação bíblica. De Gênesis a Apocalipse há uma unidade pactual. Por isso, cremos que há uma unidade contínua em toda a Escritura e que a Igreja é a soma dos eleitos do Antigo e Novo Testamento, tendo apenas uma aliança, reino e um modo de salvação.

2. A teologia reformada clássica ensina três pactos: o pacto de redenção, o pacto da graça e pacto das obras. Eles são desdobramentos da mesma obra de Deus no decreto, criação, providência, redenção e consumação.

3. O pacto da redenção é o eterno decreto da Trindade em que tudo foi decidido antes da criação do mundo. Louis Berkhof observa que “Essa aliança eterna [da redenção] é o fundamento firme da aliança da graça. Se não houvesse conselho eterno de paz entre o Pai e o Filho, não poderia ter havido acordo entre Deus e o pecador. A aliança da redenção torna possível a aliança da graça”.[3] 

4. O pacto das obras é a perfeita lei de Deus imposta ao homem para uma obediente resposta aos mandatos espiritual, cultural e social. Esta lei que originalmente foi declarada antes da Queda e escrita no coração do homem, ela é posteriormente registrada em tábuas de pedra.

5. Na história da salvação o pacto da redenção significa obras para Cristo e graça para nós. O Filho deveria obedecer satisfatoriamente todas exigências da lei de Deus.

6. Cristo cumpriu as obrigações legais do pacto da redenção em sua obediência ativa e passiva como o representante dos eleitos. Ele pode conceder redenção ao seu povo escolhido.

7. O pacto da graça é a administração progressiva da lei/evangelho na história da redenção do Antigo e Novo Testamento. Deus redime revelando graça aos eleitos, que pela fé, recebem do Mediador as promessas do pacto da graça. Assim, toda a comunidade do pacto será, em Cristo, redimida para a sua glória. O pacto é um vínculo de amor do Pai, merecido pelo Filho e concedido pelo Espírito Santo aos seus eleitos.

8. Jesus Cristo é o mediador do pacto. Nele recebemos aceitação e perdão do Pai, a nossa condenação é satisfeita, e a sua justiça é imputada em nosso favor nos adotando como filhos de Deus. A salvação é um vínculo pactual entre os eleitos, pela mediação de Cristo, com o Pai. 

9. Deus tem apenas um povo. Israel e a Igreja formam uma única comunidade pactual, universal e local, no decorrer da antiga e nova aliança confessando o senhorio de Jesus Cristo.

10. Todos os cristãos são ordenados a unirem-se, a fim de formar parte de uma verdadeira comunidade pactual governada pela Escritura Sagrada. Deus instituiu oficiais extraordinários e ordinários para o governo de sua Igreja. Os oficiais extraordinários como os reis, profetas e sacerdotes no Antigo Testamento, bem como os apóstolos e profetas do Novo Testamento foram transitórios. No novo pacto os oficiais permanentes são os presbíteros e diáconos.

11. Na antiga aliança os sinais sacramentais eram a circuncisão e páscoa que na nova aliança foram substituídos pelo batismo e ceia do Senhor. Os sinais de uma verdadeira comunidade pactual que confessa a Cristo são a fiel pregação do Evangelho (o pacto da graça), a correta administração dos sinais e selos pactuais (os sacramentos: batismo e a ceia do Senhor) e a zelosa aplicação da disciplina. O batismo infantil somente é compreendido estruturalmente a partir da doutrina do pacto.

12. A revelação é progressiva no decorrer de toda a história da salvação alcançando a sua plenitude ao completar o fundamento apostólico. Ao completar o registro da revelação com o fechamento do cânon, os antigos modos cessaram, e não há mais comunicação de novas revelações, o retorno das antigas modalidades, nem o ressurgimento dos agentes revelacionais. Somente a Escritura Sagrada é a Palavra de Deus na plena transição da nova aliança.

13. Uma vida cristã integral não pode ser vivida saudavelmente fora de uma verdadeira comunidade pactual que confesse o senhorio de Cristo.

A teologia do pacto é tão essencial à teologia reformada que modificar a teologia do pacto é distorcer a substância da teologia reformada.

J.I. Packer resume bem a relação pactual de Deus conosco, ao escrever que

a estrutura da aliança compreende a inteira administração da graça soberana de Deus. O ministério celestial de Cristo continua a ser o de Mediador de uma nova aliança (Hb 12:24). A Salvação é a salvação da aliança; a justificação, a adoção, a regeneração e a santificação são as misericórdias da aliança; a eleição foi a escolha que Deus fez dos futuros membros da comunidade de sua aliança, a Igreja; o batismo e a Ceia do Senhor, correspondendo à circuncisão e à Páscoa, são ordenanças da aliança; a lei de Deus é a lei da aliança, e sua observância é a expressão mais verdadeira de gratidão pela aliança da graça e de lealdade ao nosso Deus da aliança. Pactuar com Deus em resposta à sua aliança conosco deve constituir um exercício devocional regular para todos os crentes, seja na privacidade ou na Mesa do Senhor. Uma compreensão da aliança da graça guia-nos do começo ao fim e ajuda-nos a apreciar as maravilhas do amor salvífico de Deus.[3]

Todo o nosso relacionamento com Deus somente é possível porque Cristo perfeitamente cumpriu satisfatoriamente todo o pacto. Este pacto que foi estabelecido entre o Pai e o Filho, na eternidade e, realizado na história. Consumada a sua obra o Senhor Jesus nos recebe como seus pelo pacto da graça, e por ter cumprido o pacto das obras Ele nos torna misericordiosamente aceitáveis diante do Pai, concedendo-nos todos os benefícios de seus méritos.


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NOTAS:
[1] Citado em John L. Giardeau, The Federal Theology: its import and its regulative influence (Greenville, Reformed Academic Press, 1994), p. 5.
[2] Alguns teólogos e tradutores preferem o termo “pacto” enquanto outros usam “aliança”, mas isto em nada afeta o seu significado bíblico. Os termos Teologia Federal, Teologia do Pacto ou da Aliança são sinônimos.
[3] Louis Berkhof, Manual de doutrina cristã (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2012), p. 115.
[] J.I. Packer, Teologia Concisa (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2004), pp. 82-83.

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Autor: Rev. Ewerton B. Tokashiki
Fonte: Estudantes de Teologia
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O que esperar de um político cristão?

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Lugar De cristão é na política? E por que não seria? Uma das coisas que herdamos da reforma é que toda vocação, inclusive a política, glorifica a Deus. João Calvino dedica parte de sua obra máxima, as Institutas, para falar sobre política e enaltece o trabalho dos magistrados, isto é, os que integram o poder do Estado. O próprio apóstolo Paulo diz que os governantes são servos de Deus e que sua autoridade é derivada do próprio SENHOR (Rm 13.1-7). Ademais, os cristãos foram chamados para exercer o que na teologia chamamos de “mandato cultural”. Exercer este mandato é se integrar ao mundo criado por Deus e administrá-lo com excelência, observando as leis divinas para o louvor do Criador. O poder político está intensamente ligado ao mandato cultural dos homens. No entanto, precisamos ressaltar que a postura política de um cristão deve ser íntegra e se ele almeja participar do poder político, deve manter-se fiel a ética contida na Bíblia Sagrada e por ela se guiar.

O teólogo Wayne Grudem, ao escrever sobre o papel do cristão na política, afirma o seguinte:

(...) os cristãos devem procurar influenciar o governo civil conforme os padrões morais de Deus e conforme os propósitos de Deus para o governo revelados na Bíblia (e devidamente compreendidos). Enquanto os cristãos exercem essa influência, porém, devem continuar a proteger a liberdade religiosa de todos os cidadãos. Além disso, a "influência expressiva" não é sinônimo de influência irada, beligerante, intolerante, julgadora, desatinada e cheia de ódio, mas sim uma influência cativante, gentil, solícita, amável, persuasiva, própria para cada circunstância e que sempre protege o direito do outro discordar. Ao mesmo tempo, é firme no que se refere à veracidade e à excelência moral dos ensinamentos da palavra de Deus.[1]

Outra coisa de suma importância é ter preparo. Uma carreira na política demanda vocação e conhecimento dos mecanismos do poder. Ademais, a política não é imparcial. Ela está encharcada de ideologia, sendo que tais ideologias são, em grande parte, antagônicas a fé cristã. O Pr. Franklin Ferreira é bastante feliz em sua colocação, ao dizer que:

Os políticos cristãos devem saber utilizar as várias disciplinas acadêmicas para desenvolver uma cosmovisão cristã que permita, de um lado, identificar as premissas das posições filosóficas e religiosas que mais influenciam a sociedade e, de outro, oferecer respostas respeitáveis satisfatórias, com base na fé cristã.[2]

Infelizmente, muitos políticos que se denominam evangélicos, têm dado um mau testemunho, parecendo ignorar o preceito bíblico de que deveriam ser luzeiros deste mundo. Muitos, não todos, também fazem das igrejas um curral eleitoral e cumprem seus mandatos beneficiando apenas os seus eleitores “crentes”. Eles promovem eventos como “marchas para Jesus” e “dia da consciência evangélica”. Fazem shows com os mais famosos artistas do segmento Gospel e elaboram projetos que não saem da órbita evangelical. Isso está errado e a Bíblia demonstra com exemplos.


José quando esteve no Egito era autoridade destacada. Acima dele apenas faraó. Ao interpretar o sonho do soberano egípcio e prever que haveria sete anos de fartura seguidos de sete anos de seca, teve a ideia de estocar alimentos para que quando viesse o período das “vacas magras”, o povo egípcio tivesse como se alimentar. Além do mais, povos vizinhos também puderam comprar alimentos e assim ir sobrevivendo num período de imensa dificuldade. José, um hebreu, na posição política que exercia tratou de realizar um bem comum. Toda a população - e não um segmento dela - foi beneficiada com aquele empreendimento. De igual modo, Daniel foi um administrador político do império persa. Ele se destacou sobre os demais ao ponto do rei querer elevar a sua posição e coloca-lo como administrador de todo o reino e não apenas de uma província. A Bíblia nos diz que o político Daniel era “fiel; não era desonesto nem negligente” (Dn 6:4).

Outra passagem bíblica que não fala diretamente sobre governo, mas pode nos repassar um bom princípio, é Jeremias 29:7. O versículo diz o seguinte:

Busquem a prosperidade da cidade para a qual eu os deportei e orem ao Senhor em favor dela, porque a prosperidade de vocês depende da prosperidade dela”. 

O contexto corresponde ao período do cativeiro da Babilônia. O povo de Israel, deportado, teria de permanecer na cidade que não era a cidade santa de Jerusalém, mas a cidade de seus inimigos, e contribuir para a sua prosperidade. Foi uma ordem divina! Sabemos que para que um povo prospere, um cenário político favorável dá aquele empurrão para que as engrenagens da economia se movam a todo o vapor. Assim sendo, os judeus deveriam se envolver em toda e qualquer atividade que levasse a Babilônia ao caminho do progresso e da paz. Será que isso não envolve – em maior ou menor grau – um engajamento na esfera política?


O que pretendo demonstrar citando tais exemplos escriturísticos é que aquele que ingressa na política deve exercer o seu papel sem segmentar o público alvo. Os benefícios derivados da atuação de um político cristão devem refletir em toda a sociedade. E dentro de nosso ambiente plural, um político cristão também governa para ateus e pessoas de outros credos. Ele tem que ser representante destes grupos também e atender as demandas mais urgentes da sociedade. Se um político é alguém que deveria, ao menos em tese, servir a população, um cristão teria de ter uma atenção redobrada quanto a esta questão do servir, pois, este é o estilo de vida que o próprio Senhor Jesus adotou. O próprio disse que veio ao mundo para servir e não para ser servido (Mt 20:28).

Além da Bíblia, podemos extrair da história bons exemplos de cristãos que foram excelentes políticos. Lord Shaftesbury (1801-1885) foi membro do parlamento inglês por mais de quarenta anos. Um homem dedicado às causas humanitárias. Ele criou lei em prol do bem estar daqueles que eram os mais explorados pela revolução industrial, sobretudo crianças e mulheres. Seus projetos de lei eram pensados para amparar os párias da sociedade. Embora conhecido como “o evangélico dos evangélicos”, teve uma atuação não segmentada e legislou para todo o povo, sem acepções. Que os políticos brasileiros que compõem a bancada evangélica (ou conservadora) sigam tais modelos de gestão e façam com que os seus mandatos sejam relevantes para a nossa sociedade como um todo. Finalizo com mais uma citação do Pr. Franklin Ferreira:

Aqueles que servem a Deus na esfera pública, mesmo contaminada e distorcida pelo pecado, podem ver sua atuação política como um meio de glorificar ao Senhor, mas não precisam mencionar o nome santo nos palácios e centros de decisão política para justificar seu serviço público. [3]

Que o SENHOR abençoe o Brasil!


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Notas:
[1] Política Segundo a Bíblia. Edições Vida Nova, p.77.
[2] Contra a Idolatria do Estado. Edições Vida Nova, p. 45.
[3] Ibdem, p. 83. 

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Sobre o autor: Thiago Oliveira é graduado em História e especialista em Ciência Política, ambos pela Fundação de Ensino Superior de Olinda (Funeso). É casado e atualmente pastoreia a Igreja Evangélica Livre em Itapuama/PE.
Fonte: Electus
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Cosmovisão Sob Perspectiva - Criacional, Redentora e Escatológica

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O passo mais importante para os cristãos é tornar-se informado sobre a cosmovisão cristã, uma visão abrangente e sistemática da vida e do mundo como um todo. Nenhum crente hoje pode ser realmente eficaz na arena das ideias até que tenha sido treinado a pensar em termos de cosmovisão.” (Ronald Nash) 

Não raro, a aplicação do estudo teológico as mais variadas esferas da vida humana se limitam a comunidade cristã local e a seu calendário de programações semestrais ou anuais; com conferências, congressos, simpósios etc. Não sou contra essas programações, pelo contrário, participo tanto ouvindo, como falando em eventos assim e acho benéfico, mas, o problema é que esse tipo de reflexão não pode se limitar a períodos programados.

Ao pedir que cristãos leigos, ou mesmo seminaristas, apliquem o estudo teológico de forma contextual a sociedade, arte, música, família, relacionamentos, atividade profissional e atividades intelectuais ou acadêmicas, deve-se saber que esbarraremos em grandes muralhas que precisam ser transpostas. A aplicação da teologia na vida prática muitas vezes é um grande dilema para muitos cristãos. Como ser um profissional para glória de Deus ou como ser um pai ou mãe par glória de Deus? Ou mesmo, como ser um pintor ou escultor ou poeta para glória de Deus? Por vivermos num contexto secularizado e, como dizia Francis Schaeffer, pós-cristão, temos dificuldades enormes para equiparar nossa vida de forma integral com o ensino do cristianismo. Ao falarmos da visão teológica é necessário que esclareçamos alguns pontos importantes. Todo homem possui a semen religionis (semente da religião), todo homem ou mulher tem afeições religiosas, sejam essas direcionadas corretamente ao Deus da Bíblia ou a um deus criado pela imaginação humana.

Ao tratarmos de culto e cultura estaremos em campos paralelos, à prática cultural é identificável pela prática religiosa de indivíduos, grupos sociais, cidades, países ou num contexto mundial. A visão teológica está presente em todos os contextos culturais, o missiólogo e antropólogo. Ronaldo Lidório nos diz que

Observar a cultura como ela é (a partir de uma observação êmica) e estudá-la à luz de um processo bíblico (observação teológica) é um exercício válido para todos os que lidam com a exposição e a vivência do evangelho com outras culturas, a fim de entender bem como aquele valor bíblico está de fato sendo compreendido e aplicado pelo grupo receptor.[i]

A observação pelo espetro sócio-cultural, como diz Lidório em seu livro Comunicação e Cultura, não pode ser apenas pelos primas ético e êmico, a partir de meus valores culturais e a partir somente dos valores culturais do outro, daquele que será receptor da mensagem do evangelho, mas sim, por uma observação êmico-teológica num contexto missiológico. A cultura também é beneficiada pela graça comum de Deus em muitos aspectos, no nosso caso, no Ocidente temos uma forte influência da moral cristã. O pensamento social e político em muitas esferas nacionais são fruto da cristandade. No entanto, há uma dificuldade de empregabilidade dos ensinos cristãos a uma prática ética, esta prática não tem compromisso com a Escritura Sagrada. Quando um contabilista é tentado a realizar manobras ou transações que chocam com o ensino cristão? O que fazer? É evidente que a resposta a essa pergunta é a mesma para toda a ética ensinada pelo cristianismo que são fruto da lei de Deus, não furtarás


A Bíblia é a lente pela qual devemos ler o mundo. O cristianismo é a única forma correta de ler a sociedade em todas as suas camadas – familiar, política, educacional, artística, relacional. Nosso grande desafio, de fato, é uma visão teológica teo-referente. No desenvolvimento do pensamento cristão a cristandade foi tentada a mudar sua referência teológica de Deus para uma referência antropocêntrica, houve uma convergência para o homem, centralizando a criatura. 

Precisamos ter uma visão teo-referente, Deus como referencial não só para a vida em comunidade de fé, mas, nosso papel na sociedade, na academia, na vizinhança e na família. Essa visão será fruto inicialmente de uma correta apreensão da criação descrita nas Escrituras Sagradas.

A doutrina da criação é de grande importância para uma cosmovisão teo-referente, se não houver uma correta abordagem da origem do mundo e do homem não se obterá uma completa e correta concepção do propósito para o qual o homem fora criado, para o qual o mundo fora criado. A criação ex nihilo é nosso ponto de partida para uma cosmovisão cristã bíblico-teológica tendo Deus como o ponto central de sua gênese ao seu sentido último. Franklin Ferreira nos diz que

Esse Deus criou por seu poder todas as coisas do nada, e, originalmente, toda a criação era boa. Essa noção da criação do nada é importantíssima para a fé cristã. A expressão latina é ex nihilo. Deus não precisou de nada preexistente para criar. O Deus Eterno cria tudo do nada, sem precisar de nenhuma ajuda. Portanto, não havia nenhuma matéria prévia ao lado de Deus na criação. Deus cria a matéria. Aliás, Deus cria o próprio tempo. Deus cria a história. Tudo foi criado por Ele. Deus criou toda a criação muito boa. Gênesis 1.1-31 afirma esta verdade seis vezes. Deus cria e diz: “É bom” (Gn 1.10,12,18,21,25,31). Deus cria, e é bom. E no final do relato bíblico, Deus cria e diz: “Muito bom”. E Deus cria todas as coisas para que estas anunciem sua glória, amor e bondade.[ii]

Deus não precisava criar, afinal, Deus não precisa de nada, se precisasse não era Deus. Ele decidiu criar em um ato de soberania e sabedoria divina e o propósito dessa criação é sua glória. Deus criou do nada, seu eterno poder criou de forma boa, sua criação segue seu propósito, seu decreto estabelece a história da humanidade, sua providência guia o mundo a encarnação do seu eterno propósito, trazendo a cabo o que foi estabelecido por seu decreto eterno.


O estudo dos decretos leva naturalmente à consideração da sua execução, e esta começa com a obra da criação. É a primeira, não somente em ordem cronológica, mas, também como prioridade lógica. É o começo e a base de toda revelação divina e, consequentemente, é também o fundamento de toda vida ética e religiosa. A doutrina da criação não é exposta na Escritura como uma solução filosófica do problema do mundo, mas, sim, em seu significado ético e religioso, como uma revelação da relação do homem com seu Deus. Ela salienta o fato de Deus ser a origem de todas as coisas, e de que todas as coisas Lhe pertencem e Lhe estão sujeitas. O conhecimento desta doutrina só se obtém da Escritura e se aceita pela fé (Hb 11.3).[iii]

Fica entendido que por nossa perspectiva teológica é incoerente interpretar a criação e seu propósito sem o decreto de Deus. Como nos disse Berkhof: o estudo dos decretos nos levam à consideração lógica da sua execução. Sem essa compreensão a partir do decreto de Deus na criação toda ordem do mundo é adulterada, somente através do que diz a Bíblia sobre o mundo e a finalidade de sua existência podemos ter um verdadeiro entendimento da criação e sua ordem missional.[iv] Como dito anteriormente essa adoração do universo e toda a criação de Deus lhe é prestada como finalidade, o telos. Deus, sendo Deus não precisa de nada nem de ninguém, como Hodge afirma:

[...] À luz da auto-suficiência absoluta de Deus, deduz-se que a criação não foi designada para suprir ou satisfazer qualquer necessidade de sua parte. Ele não é mais perfeito ou mais feliz por haver criado o mundo. Além disso, deduz-se da natureza de um ser infinito que a razão (ou seja, tanto o motivo quanto o fim) da criação deve estar nele mesmo. Como todas as coisas são dele e por meio dele, assim também são para ele.[v]

O fato da criação não alterar em nada o caráter de Deus é um tema claro na teologia sistemática, Deus não se tornou criador, mas é o eterno criador. Deus é imutável e antes do tempo existir Deus era Deus, auto-suficiente, o
Eu Sou o que Sou. Essa independência de Deus e sua suficiência nele mesmo o eleva a um Ser necessário para explicar o sentido da criação. Nos diz Bavinck que

[...] Deus é o Eterno: nele não há passado nem futuro, nem transformação e nem mudança. Tudo o que ele é, é eterno: seu pensamento, sua vontade, seu decreto. Eterna nele é a ideia do mundo, que ele pensa e expressa no Filho; eterna nele também é a decisão de criar o mundo; eterna nele é a vontade de que o mundo seja criado no tempo; eterno nele também é o ato de  criar  como um ato de Deus, uma ação tanto interna quanto imanente. Deus não se tornou Criador, de modo que, primeiro , por um longo tempo, ele não criou e depois criou. Em vez disso ele é o Criador Eterno, e, como Criador, ele era o Eterno, e como o Eterno, ele criou.[vi]

A observação por meio sociocultural não é suficiente para uma conceituação antropológica.


O estudo teológico não tem por obrigação somente a instrução dos cristãos no âmbito devocional e eclesiástico. Toda construção teológica desembocará em resultados práticos na vida de um receptor, daquele que for recipiente do discurso dogmático. A teologia não serve como um depósito de debates infindáveis e sem utilidade (embora tenha sido assim em muitos casos), a teologia deve atender e responder questões ligadas a Deus, a sua igreja, ao homem como ser criado e onde ele está inserido na sociedade. A teologia versa ou dialoga com todas as áreas do conhecimento, sobrepujando-as. Ela é, por assim dizer, superior a todos os campos de conhecimento, por ter como objeto de estudo a revelação escrita de Deus. Com isso não estou invalidando a importância dos variados campos do saber, pelo contrário, Deus tem dois “livros” que o revelam, a revelação geral e a especial/histórico-redentiva. As duas, com distinta importância, mas, a última como superior a primeira, conforme nos mostra o Salmo 19.

A teologia reformada tem sido um baluarte desde a reforma protestante. Lutero, Calvino e os demais reformadores foram pensadores sociais também, sua teologia era missional, encarnacional, aplicada a realidade de sua época de forma que o Evangelho responde questões referentes ao homem e seu habitat. Toda construção da antropologia social irá versar sobre questões contingentes e não contingentes em relação à vivência humana ou a seus aspectos observacionais e psicológicos. Conquanto muitas vezes ou a maioria delas, essas observações são tomadas como axiomáticas de forma que tais observações acabam ser tornando “canônicas” na determinação de quem é o homem, o que ele faz aqui, qual é sua função no âmbito social e qual é o propósito de sua vida. Toda essa construção tem um viés ideológico e espiritual, tudo que promove exame da persona irá atrelar-se ou pelo menos tentar ligar-se a realidade, o problema é que a realidade acerca do que é o homem e seu propósito escatológico somente pode ser determinado por uma conceituação fora do homem. A forma de saber quem é o homem e porque ele está aqui é algo espiritual, nem o epicurismo, nem o marxismo, nem o freudismo, nem o psicologismo, nem o sexismo, nem o feminismo, nem sócio-construtivismo tem condições de determinar o que é o homem, a antropologia através de suas investigações observacionais pode até eximir algum raio de luz em relação ao que é o homem, mas, não pode de forma observacional apenas, dizer o que é o homem. O ser humano não pode ser apenas observado eticamente [vii], nem êmicamente [viii], mas, de forma que seja observado por um prisma maior e eficaz, em que a ética e a observação êmica serão julgados por um exame êmico-teológico.

Um arcabouço doutrinário/teológico frouxo nunca poderá produzir um pensamento social e político coerente com o Ser de Deus revelado nas Escrituras. Uma teologia que mina a soberania de Deus e a vileza e o estado caído do homem e sua total inabilidade para alcançar a Deus, produzirá um sistema de pensamento contrário ao cristianismo bíblico. Toda teologia que defende a autonomia da razão humana será um pressuposto para sistemas políticos totalitários, opressores, ímpios, e promotora de atitudes contrárias a uma ética que sobrepuje a construção ideológica.

Sem uma correta abordagem teológica viabilizada pela dogmática cristã, não podemos construir ou descobrir qual é o modelo correto de sociedade, política, abordagens artísticas, métodos educacionais, crescimento dos campos do saber. A teologia irá nos mostrar, através de suas abordagens do dogma cristão, como Deus deseja que sua criação funcione. É entendível que não há na Bíblia uma fórmula sagrada para a composição de sinfonias, ou uma determinação musical sagrada para a utilização de determinados compassos, ou para uma sacramentalização de determinados instrumentos musicais. Como não há uma fórmula bíblica para técnicas de artes plásticas, ou uma aprovação teológica ao impressionismo ou expressionismo quanto escolas de arte, não há uma ordenança bíblica para se tomar o cubismo ou dadaísmo como escolas de arte cristãs ou mesmo o surrealismo como algo fundamental para a cristandade. O que teremos nas Escrituras é o estabelecimento de uma cosmovisão criacional e redentora. A partir da criação e dos mandatos estabelecidos em Gênesis 1.26-30, temos todo um fundamento para a visão cristã de mundo que será desenvolvido e aplicado em todas as Escrituras.

Podemos concluir  que a cosmovisão cristã é fundamentalmente criacional e redentora. O motivo básico cristão de criação –  queda – redenção é muito importante para uma correta leitura teológica que estabelecerá a ponte para percepções cristãs de mundo. Essa percepção cristã do mundo se exalta sobre toda e qualquer cosmovisão concorrente. Como nos diz Ronald Nash:

Óculos corretos são capazes de por o mundo em foco mais claro - e a cosmovisão correta pode funcionar de um modo muito parecido. Quando alguém olha o mundo pela perspectiva da cosmovisão errada, o mundo não faz muito sentido. Ou o que a pessoa pensa fazer sentido estará, na verdade, errado em aspectos importantes. Aplicar o esquema conceitual correto, isto é, ver o mundo através da cosmovisão correta, pode ter repercussões importantes para o resto da compreensão da pessoa de acontecimentos e ideias.[ix]

Com essa afirmação de Nash podemos dizer que, em grande medida, cosmovisões não cristãs tem sua dose de niilismo. Não há propósito último. Numa cosmovisão cristã que se desenvolve a partir de uma abordagem criacional, temos claramente uma ordem básica de entendimento em
arche, ethos e escathon. Existe um criador de todas as coisas e esse criador estabeleceu leis para o funcionamento de todas as coisas e para suas criaturas. Essas leis, sejam elas as leis naturais que estarão ligadas a uma abordagem da teologia natural ou leis preceituais ligadas a revelação especial de Deus, uma teologia redentiva, uma revelação que leva a humanidade a salvação. Essa revelação está em Jesus Cristo encarnado, verbo de Deus e nas Sagradas Escrituras. Com isso estabelecido, é evidente que todo esse plano criacional tem um fim, um escathon. Aqui está a importância da progressividade e organicidade da revelação de Deus aos homens; a Bíblia. A teologia da revelação é crescente e progressivamente dirigida ao clímax da história da redenção de toda criação, essa redenção final contempla tanto os homens como o mundo criado, a restauração de todas as coisas cumpre o escathon de Deus. Sem uma cosmovisão criacional e redentora não chegaremos a uma compreensão escatológica do plano divino.

O passo mais importante para os cristãos é tornar-se informado sobre a cosmovisão cristã, uma visão abrangente e sistemática da vida e do mundo como um todo. Nenhum crente hoje pode ser realmente eficaz na arena das ideias até que tenha sido treinado a pensar em termos de cosmovisão.[x]

Ronald Nash mais uma vez nos esclarece a importância da cosmovisão para o mundo visto por óculos redentivos. Sem essa compreensão, cristãos não terão condições de cumprirem devidamente sua missão, que não é apenas evangelizar, mas, glorificar a Deus entre todas as nações. Por isso nos diz o Salmo 98:

Cantem ao Senhor um novo cântico, pois ele fez coisas maravilhosas; a sua mão direita e o seu braço santo lhe deram a vitória! O Senhor anunciou a sua vitória e revelou a sua justiça às nações. Ele se lembrou do seu amor leal e da sua fidelidade para com a casa de Israel; todos os confins da terra viram a vitória do nosso Deus. Aclamem o Senhor todos os habitantes da terra! Louvem-no com cânticos de alegria e ao som de música! Ofereçam música ao Senhor com a harpa, com a harpa e ao som de canções, com cornetas e ao som da trombeta; exultem diante do Senhor, o Rei! Ressoe o mar e tudo o que nele existe, o mundo e os seus habitantes! Batam palmas os rios, e juntos, cantem de alegria os montes; cantem diante do Senhor, porque ele vem, vem julgar a terra; julgará o mundo com justiça e os povos, com retidão. Salmos 98 (NVI)

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Notas:
[i] Ronaldo Lidório - Comunicação e Cultura, Ed. Vida Nova, 2014, p.59.
[ii] Franklin Ferreira –  O Credo dos Apóstolos – As doutrinas centrais da fé cristã, p.110,111. Ed. FIEL.
[iii] Louis Berkhof - Teologia Sistemática, p.119. Ed. Cultura Cristã.
[iv]  Ao tratar de ordem missional na criação ressalto que tudo que foi criado por Deus rende glória ao Criador, a criação adora ao Criador e lhe obedece às ordens que são manifestadas como obra da providência, sejam de forma ordinária ou de forma extraordinária, logo concluo que a criação também atende a um chamado missional no que se refere a proclamar a glória de Deus (Salmos 19).
[v] Charles Hodge - Teologia Sistemática, p. 422, ed. Hagnos.
[vi] Herman Bavinck - Dogmática Reformada, vol 2, p. 438 – Ed. Cultura Cristã.
[vii] Me refiro ao julgamento cultural baseado em valores culturais peculiares de um povo, ao utilizar o termo ética aqui não há ligação com o julgamento da ético-teológico, mas, a um sistema de costumes e valores de um povo sendo ou não antagônicos ao cristianismo.
[viii] Ao me referir e usar o termo êmico, bem trabalhado pelo antropólogo e missiólogo, Ronaldo Lidório, verso sobre a observação do homem pela lente dele mesmo, observando a cultura por pela ótica do nativo, isolando tal análise de um exame teológico.
[ix] Ronald Nash - Cosmovisões em conflito, Editora Monergismo, p.27.
[x] Ibdem, p.22.

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Sobre o autor: Thomas Magnum é bacharel em teologia pelo Centro de Estudos Teológicos Brasileiro; Bacharel em Comunicação Social pela Faculdade Joaquim Nabuco; Mestrando em Estudos Teológicos pelo Mints International Seminary, Miami. É professor de Teologia Sistemática no Seminário Congregacional do Nordeste (Campus Recife e Maceió) e no Seminário Presbiteriano Fundamentalista do Brasil, campus Recife. É presbítero na Igreja Evangélica Congregacional de Casa Amarela na cidade do Recife em Pernambuco.
Fonte: Electus
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A dificuldade de orar (e uma solução)

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Oração não é fácil. Eu vejo que isso é verdade para mim, mas outros que têm meu respeito também dão testemunho da dificuldade de orar. Alguns indivíduos fazem parecer fácil; se eles passam horas por dia na tenda do encontro, provavelmente eles levam também o computador para lá.

Considere os seguintes testemunhos, que são de cheios de pensamentos que, muito curiosamente, não são normalmente ouvidos quando as pessoas dão seus testemunhos públicos:

Tudo que fazemos na vida cristã é mais fácil que orar” (Martyn Lloyd-Jones).
Não há nada em que somos tão ruins em todos os nossos dias do que a oração” (Alexander Whyte).
Houve momentos em minha vida em que preferia morrer a orar” (Thomas Shepard).

Imagine Thomas Shepard dizendo essas palavras após ser levado para a frente da igreja para “falar sobre as coisas maravilhosas que Deus tem feito em sua vida”. Seja qual for o caso, eu considero um tanto confortantes essas palavras daquelas homens citados. De fato, leia isso de John Bunyan:

“Eu posso falar por experiência própria, e a partir dela, contar-lhe sobre a dificuldade de orar a Deus como devia; isso é o suficiente para te fazer pobre, cego, carnal, para cultivar estranhos pensamentos sobre mim. Pois, quanto ao meu coração, quando eu saio para orar, eu descubro tanta relutância em ir a Deus, e quando estou com ele, tanta relutância em continuar ali, que muitas vezes, em minhas orações, eu sou forçado primeiro implorar a Deus que ele tome o meu coração, e o coloque diante de Cristo, e quando estiver ali, que ele continue ali. Com efeito, muitas vezes eu não sei o que orar ­­(eu sou tão cego), nem como orar (eu sou tão ignorante); somente (bendita Graça) o Espírito ajudando nossas enfermidades [Rm 8.26].”

Aqui está um – ahem – puritano que obviamente batalha, como muito de nós, com a oração. Às vezes, os cristãos caem em um “círculo vicioso de oração” e acham difícil acabar com esse círculo. Não é que eles desistiram de orar, mas eles parecem desistir de gastar tempo a sós com o Senhor naquilo que os puritanos chamaram de “oração privada e fervorosa” (ver Hebreus 5.7).


Evidentemente, não há uma regra estabelecida sobre que frequência e duração devem ter nossas orações. Ainda assim, nós oramos sem cessar (1 Tessalonicenses 5.17); devemos orar em todo tempo (Efésios 6.18) e oramos subitamente por causa de necessidades e ocasiões (Neemias 2.4).

A Bíblia também nos dá exemplos daqueles que pareciam ter horários escolhidos ou específicos em que se dedicavam à oração (Mateus 6.6). Considere Daniel, que orava três vezes ao dia, “como também antes costumava fazer” (Daniel 6.10). “Subiu Pedro ao terraço para orar, quase à hora sexta” (Atos 10.9). E nosso Senhor Jesus que “retirava-se para os desertos, e ali orava” (Lucas 5.16).

Considerando que a oração é difícil, como Cristo nos motiva a orar? Em Mateus 6.6, ele promete a seus discípulos que seu Pai os recompensará pelo que eles fazem (i.e., orar) em segredo. Perceba o quanto a palavra “recompensa” aparece somente neste capítulo.

Nós precisamos questionar-nos se adequadamente cremos nas palavras de Mateus 6.6. Você realmente crê – o que deveríamos fazer – que Deus nos recompensará? Se nós crêssemos, certamente gastaríamos muito mais tempo na oração em secreto do que fazemos. Não temos porque não pedimos. Não pedimos porque nos falta fé (Mateus 21.22).

Fé é a mão que suplica a Deus: “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11.6).

Cristo, o homem de fé por excelência, certamente entendeu esse conceito em sua vida de oração. De fato, ele orou por sua recompensa: “E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (João 17.5).

Eu não sei precisamente como o Senhor nos recompensará pelo que fazemos em segredo. Algumas vezes, as respostas à oração são óbvias ou imediatas. Às vezes, ele nos recompensa ao não nos dar o que (erroneamente) pedimos. E há orações que sequer podem ser respondidas em vida (veja a oração de Estêvão em Atos 7.59-60, que pode ter resultado na conversão de Saulo de Tarso; ou perceba como a oração de Moisés para ver a glória de Deus em Êxodo 33.18 foi respondida na Transfiguração).

Mas eu sei disto:

As recompensas do Pai vêm da graça: “É chamado recompensa, mas é pela graça, não por dívida; que mérito pode haver em mendigar?” (Matthew Henry).

E ele tem prometido recompensar seus filhos quando eles oram em secreto, e somente essa motivação deveria ser o suficiente para nos levar aos nossos “quartos de oração” onde pedimos para receber.

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Autor: Rev. Mark Jones
Fonte: Reformation21
Tradução: Josaías Jr
Via: Reforma21
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Satisfeitos com a promessa do Espírito

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UMA PERSPECTIVA CESSACIONISTA
DOS DONS REVELACIONAIS
INTRODUÇÃO

“Há muito tempo Deus falou muitas vezes e de várias maneiras aos nossos antepassados por meio dos profetas, mas nestes últimos dias falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e por meio de quem fez o universo.” (Hb 1:1-2, NVI – grifos meus).

O propósito deste artigo é apresentar um esclarecimento do que a Fé Reformada, e sob esta herança a Igreja Presbiteriana do Brasil, crê da cessação do dom de línguas. Desnecessária confusão tem se difundido em nossa igreja aceitando que membros, e até mesmo pastores, aleguem exercer o dom de línguas, sem exigir a correta aplicação da Carta Pastoral. Em 2005, o Supremo Concílio da IPB compôs uma Comissão Permanente de Doutrina que produziu uma Carta Pastoral sob o título de “O Espírito Santo Hoje – dons de línguas e profecia” reafirmaram seu compromisso confessional. Na “apresentação” é declarado que eles oferecem

respostas às indagações mais urgentes dos seus pastores e membros em várias áreas da fé e da prática, respostas estas que provenham de uma exegese biblicamente correta e de uma hermenêutica que reflita a teologia dos nossos símbolos de fé e de nossa tradição reformada.[1] 

Com esta declaração inicial a Comissão Permanente de Doutrina declara uma tríplice fonte de autoridade. Obviamente a ordem segue o grau de importância:

1 - Exegese biblicamente correta;
2 - A teologia dos nossos símbolos de fé;
3 - A nossa tradição reformada.

A argumentação deste artigo interagirá sob estes três pilares: a exegese bíblica, a teologia dos nossos símbolos de fé e, a nossa tradição reformada.

O “evangeliquês” brasileiro precisa conhecer Niceia

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No século IV havia muitas divergências a respeito das doutrinas de Deus e de Cristo. Visando resolver as questões, a igreja celebrou seu primeiro concílio universal, a fim de diminuir os conflitos doutrinários. Esse concílio ficou conhecido como Concílio de Niceia, foi convocado e presidido por Constantino. Na ocasião foi estabelecida a doutrina da Trindade, expressa no Credo de Niceia (oficialmente chamado de Credo Niceno-Constantinopolitano). 

Assim como no século IV, tenho percebido em nossos dias a dificuldade que cristãos têm de explicar e fundamentar essa doutrina. Ao visitar algumas igrejas, observo membros que, na tentativa de explicar a Trindade, ensinam heresias. Já presenciei um professor, em um estudo para jovens, negar a doutrina da Trindade, afirmando que o Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito é apenas o espírito de Deus. Também tenho sido muito questionado por jovens e adolescentes quanto a essa temática, a maioria busca saber como fundamentar essa doutrina na Bíblia ou como entendê-la.

Esse quadro me preocupa, pois estou convencido de que a doutrina da Trindade é a principal da Bíblia, ela é fundamental. Será que o “evangeliquês” brasileiro precisa voltar a Niceia? Nesse cenário escrevo este texto, visando ajudar os cristãos brasileiros a entenderem e explicarem a Trindade quando questionados.

Antes de definir Trindade e explanar como a doutrina se fundamenta nas Escrituras, gostaria de dizer o que ela não é. Trindade não é a noção de que Pai, Filho e Espírito Santo são apenas manifestações distintas da mesma pessoa, Deus o Pai (Sabelianismo). Trindade não é a noção de que que Deus se apresentou de três modos distintos (Modalismo). Trindade não é a noção de que na essência de Deus há três pessoas que coexistem em um relacionamento hierárquico (Subordinacionismo).

Quando se fala de Trindade, precisa-se reconhecer que estamos diante de um paradoxo. Isso significa que a doutrina da Trindade parece conter verdades contraditórias, mas é um ensino bíblico. Por exemplo, a Soberania de Deus e a Responsabilidade Humana ou a Humanidade e Divindade de Cristo, não se sabe como elas se relacionam mas crer-se que ambas são ensinos bíblicos, o mesmo pensamento se aplica à Trindade. Portanto, antes de qualquer definição, é necessário entender e reconhecer que o paradoxo da Trindade é uma verdade que está acima da nossa capacidade de entendimento. Digo isso porque a maioria das heresias relacionadas a doutrina da Trindade, que tenho ouvido nesses anos na membresia das igrejas, é consequência da tentativa de explicar a Trindade de forma que faça sentido racional e lógico. 

Wayne Grudem define a doutrina da Trindade do seguinte modo: "Deus existe eternamente como três pessoas - Pai, Filho e Espirito Santo - e cada pessoa é plenamente Deus, e existe um só Deus" [1]. Gosto dessa definição pois ela traz três verdades que são necessárias para entender e explanar a Trindade: (1) Deus é três pessoas; (2) As três pessoas são plenamente Deus; (3) Só há um Deus. Também creio que essa definição é adequada para um texto objetivo, como é o caso.

É popular dizer que a doutrina da Trindade encontra-se somente no Novo Testamento. Porém, no Antigo Testamento encontra-se várias passagens que demonstram que Deus existe em mais de uma pessoa (Gn 1.26; 3.22; 11.7; Is 6.8), o que começa a lançar luz na primeira verdade da definição apresentada acima. Muitos teólogos também usam Isaías 61.10 para afirmar que essa doutrina está presente no Antigo Testamento mesmo que não explicitamente.

No Novo Testamento a doutrina aparece de forma explícita e claramente pode-se perceber que Deus é três pessoas distintas. João 1.1-2 diz que "Ele estava no princípio com Deus", se Ele, o Verbo (que é revelado como Cristo nos versos 9-18), "estava com" significa que é uma pessoa distinta. Outros textos fazem distinção entre o Filho e o Pai: Jo 17.24; Hb 7.25; 1Jo 2.1. Além disso, em João 16.7 percebe-se a diferença pessoal entre Jesus e o Consolador (que é o Espirito Santo). Encontra-se também alguns versos em que as três pessoas aparecem juntas: Mt 28.19;1Co 12.4-6; 2Co 13.14; 1 Pe 1.2; Ef 4.4-6; Jd 20-21.

Cada uma das três pessoas são plenamente Deus. É evidente que o Deus Pai é plenamente Deus em todo o antigo Testamento, onde Deus é reconhecido como Senhor soberano e em alguns textos do Novo Testamento (At 4.24; Mt 26.39; Mt 6.9-10). Em João 1.1-4 é notório que Jesus é plenamente Deus, além de outros textos como: Jo 20.28-29; Hb 1.1-3; Tt 2.13; 2 Pe 1.1; Rm 9.5. Em Isaías 9.6 a profecia apresenta o Messias como "Deus Forte". O Espirito Santo também é plenamente Deus, basta observar textos como: At 5.3-4; 1Co 3.16. Entendendo que Deus Pai e Deus Filho são plenamente Deus, então as "expressões trinitárias" que aparecem nos textos que foram apresentados no parágrafo acima (Mt 28.19; 1Co 12.4-6; 2Co 13.14; 1 Pe 1.2; Ef 4.4-6; Jd 20-21), também podem ser usados como base para afirmar que o Espirito Santo é plenamente Deus. Vale observar que, afirmar que as três pessoas são plenamente Deus, implica em crer que tais são iguais em poder e que andam em comunhão perfeita e indissociável (pois Deus é perfeito e imutável: Jó 11.7; Sl 102.25-27).

Deus é três pessoas, as três pessoas são plenamente Deus porém há só um Deus. É claro nas Escrituras que existe somente um Deus: Dt 6.4-5; 1 Rs 8.60; Is 44.6-8; 45.5-6,21-22; Rm 3.30; Tg 2.19. Conclui-se que Deus é três pessoas distintas: Pai, Filho e Espirito Santo. O Pai é plenamente Deus, o Filho e plenamente Deus e o Espirito Santo é plenamente Deus. O Pai não é o Filho, o Filho não é o Espirito, o Espirito não é o Pai (pessoas distintas). Porém, não são três deuses, mas é apenas um Deus. Eis o paradoxo, eis o mistério da Trindade.

Em Efésios 1.3-14, Paulo mostra como o Deus trino trabalha no plano de redenção. Do verso 3 ao verso 6, Paulo apresenta a obra do Pai, que é aquele que planeja. Do verso 7 ao verso 12, ele apresenta a obra do Filho, que é aquele que executa o plano, redimindo e remindo os que haviam sido eleitos pelo Pai. No verso 13 e 14, o Apostolo apresenta a obra do Espirito Santo, que é aquele que tem aplicado esse plano na vida dos eleitos do Pai. Repare que no fim de cada bloco encontra-se a expressão "para louvor da sua glória". Todos os atos de Deus na história são para louvor da sua própria glória. Nós somos beneficiados e Deus recebe a glória. Cito o início de uma oração Puritana:

          TRÊS EM UM, UM EM TRÊS, DEUS DA MINHA SALVAÇÃO,
          Pai celestial, Filho bendito, Espírito eternal,
          Eu te adoro como único Ser, única Essência,
          Único Deus em três Pessoas distintas,
          Por trazeres pecadores ao teu conhecimento e ao teu Reino.
          Ó Pai, tu me amaste e enviaste Jesus para me redimir;
          Ó Jesus, tu me amaste e assumistes minha natureza;
          Derramastes teu sangue para lavar meus pecados,
          Consumaste justiça para cobrir a minha iniquidade;
          Ó Santo Espírito, tu me amaste e entraste em meu coração,
          Lá implantaste a vida eterna,
          Revelaste-me as glórias de Jesus... [2]

Entendendo que você compreendeu a doutrina da Trindade, creio que a melhor forma de você explicá-la para alguém é, primeiramente, mostrando que é um paradoxo. Depois apresentando as três verdades sobre a Trindade (Deus é três pessoas - As três pessoas são plenamente Deus - Só há um Deus) fundamentando-as nas Escrituras. Caso você esteja explicando para um não cristão, ao final, apresente o plano de redenção a ele, crendo que Deus soberanamente fará Sua vontade.

Diante de uma verdade tão gloriosa, como a doutrina da Trindade, termino citando Agostinho de Hipona, faço das palavras dele as minhas: "Senhor, único Deus, Deus Trindade, tudo que disse de ti nesses livros de ti vem. Reconheçam-no os teus, e se algo há meu, perdoa-me e perdoem-me os seus. AMÉM." [3]

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Referências Bibliográficas:
[1] GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999. p. 165 
[2] FERREIRA, Franklin; MYATT, Alan. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 2007. p. VIII.
[3] AGOSTINHO. A Trindade. São Paulo: Paulus, 1994. p. 557.

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Sobre o autor: Lucas Ramos Pereira é seminarista da Primeira Igreja Batista em Palmeiras, Belo Horizonte/MG.
Imagem: Council of Nicaea 325, de Fresco in Capella Sistina, Vatican - 1590, via Wikipédia. Arte: Bereianos
Divulgação: Bereianos
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