Atos 19.11-12 apoia o ato profético?

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Por Leonardo Dâmaso

O ato profético é uma espécie de ritual ou prática que faz parte do sistema doutrinário e litúrgico de muitas igrejas/seitas, especificamente as neopentecostais e pentecostais, onde as quais adotaram tal sistema como uma influência mesclada do judaísmo do AT e suas implicações simbólicas [ainda que inconsciente ou por ignorância por parte dos pastores e cristãos] das religiões afro trazidas pelos africanos para o Brasil, pelo espiritismo, pelas artes mágicas e pelo o ocultismo em geral. Todavia, o meu objetivo neste artigo não é analisar as várias passagens no AT e nem os elementos utilizados como uma espécie de “ato profético ou fé no trabalho que é feito” nas religiões pagãs que descrevi. Limitei-me apenas no texto de Atos 19.11-12 por falta de espaço e porque este é o principal texto utilizado pelos adeptos como base para o ato profético. Desse modo, vejamos este texto [dentre tantos no AT] utilizado como respaldo para tal prática pelos adeptos e defensores do ato profético, a saber – Atos 19.11-12.  
                                                             
    Atos 19.11-12 – "E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários, a ponto de levarem aos enfermos lenços e aventais do seu uso pessoal, diante dos quais as enfermidades fugiam das suas vítimas, e os espíritos malignos se retiravam." ARA

No texto a lume, Lucas relata ou não que os lenços e aventais de Paulo quando eram colocados sobre os doentes eles eram curados? Claro que sim! Entretanto, precisamos entender primeiro todo o contexto desta passagem e de outros livros ou cartas do AT e NT que abordam este assunto, ainda que implicitamente para chegarmos à conclusão correta.

Não obstante, o lugar no qual ocorreu este fato, ou seja – das pessoas pegarem os lenços e aventais de Paulo para colocar sobre os doentes foi na cidade de Éfeso, onde Paulo empreendeu sua terceira viagem missionária (At 19), permanecendo lá cerca de três anos (AT 19.31). Se analisarmos meticulosamente todo contexto da cidade de Éfeso e o contexto em geral das Escrituras, conforme salientei acima, iremos perceber que Éfeso era uma cidade mística e supersticiosa, onde imperava a idolatria e o culto a Diana dos Efésios (At 19.24-28; 18-19).

Havia um templo nesta cidade onde esta falsa divindade era cultuada. Contudo, doravante ao misticismo que predominava em Éfeso, muitos ali, ainda não cristãos e até alguns que já haviam se convertido ao evangelho de Cristo Jesus através da pregação de (Priscila e Àquila, possíveis fundadores da igreja de Éfeso), não tinham quase conhecimento algum da Escritura. Estes novos convertidos eram pessoas leigas e incautas em relação às Escrituras, os quais tomavam os lenços e aventais de Paulo e colocavam sobre os enfermos, onde, mesmo assim [por ignorância], Deus curou várias pessoas conforme é descrito em (At 19.11-12). Paulo amarrava os lenços ao redor da cabeça e costumava usar os aventais na cintura quando fabricava tendas. 

Por outro lado, embora Deus tenha curado inúmeras pessoas através dos lenços e aventais de Paulo, conforme é mencionado no capítulo 19 de Atos, em todo o Novo Testamento não encontramos nenhuma permissão ou ordem de nenhum apóstolo ou até do próprio Senhor Jesus nos evangelhos “ensinando ou orientando a prática de atos proféticos”. Podemos procurar que sequer vamos encontrar uma passagem sobre isto! Deus, em Atos 19 fazia maravilhas pelas mãos de Paulo, porém, ELE PERMITIU PELA SUA MISERICÓRDIA QUE AS PESSOAS FOSSEM CURADAS PELOS LENÇOS E AVENTAIS DO APÓSTOLO assim como a sombra de Pedro curava (At 5.15).

Desse modo, os lenços e aventais de Paulo foram um canal do poder de Deus manifestado em sua vida bem como na vida de Pedro [que através de sua sombra pessoas foram curadas] e dos demais apóstolos. Porém, é deveras importante compreendermos o significado de outros objetos além dos pedaços das roupas de Paulo com poderes miraculosos utilizados por Deus no AT e NT para evitarmos interpretações equivocadas e heréticas. Dentre estes objetos temos o cajado de Moisés (Êx 8.5, 16), o manto de Elias (2Rs 2.8, 14) e as vestes de Jesus que tinha o poder de curar quem as tocasse, onde não somente a mulher do fluxo de sangue fora curada quando as tocou pela fé, mas também outras pessoas doentes foram curadas ao tocar nelas (veja Mt 14.36; Mc 6.56; Lc 6.19). Augustus Nicodemus escreve que 

O propósito das narrativas acerca do poder que havia neles [nos objetos descritos acima]  foi mostrar o extraordinário poder de Deus na vida dos seus possuidores, comprovando que a sua mensagem vinha realmente da parte de Deus. O ponto é que esse poder era tão grande que até as coisas com as quais Moisés e Elias  tinham contato diário se tornavam canais através dos quais ele era transmitido. [...] Devemos entender, entretanto, qual o objetivo dessas narrativas. Em todas elas, o conceito é o mesmo. Jesus e os apóstolos eram tão cheios do poder de Deus que as coisas com as quais tinham contato íntimo se tornavam como que em extensões deles, para curar e abençoar as pessoas. O objetivo é idêntico: enfatizar a enormidade do poder de Deus na vida deles e, assim, atestar que a mensagem pregada por eles, bem como pelos profetas do Antigo Testamento, vinha de Deus. A prova eram os poderes miraculosos tão extraordinários que até mesmo vestes, bordões, ossos, saliva, sombra e lenços desses homens transmitiam o poder curador de Deus que neles havia. É dessa maneira que devemos entender o relato de Atos 19 sobre o poder curador dos lenços e aventais de Paulo.

Em contrapartida, é importante entendermos que Paulo não distribuiu e sequer orou "consagrando" os seus lenços e aventais para que estes fossem entregues ao povo em uma forma mística como vemos hoje nas igrejas neopentecostais, que consagram os mais variados tipos de objetos como um tipo de amuleto ou talismã que possui poderes sobrenaturais, os quais são apenas um símbolo para a prática da fé ou são ativados pela fé do adepto, dizem alguns. Justo González corrobora que

A referência aos lenços e aventais de Paulo forneceram uma oportunidade para que alguns supostos evangelistas fizessem dinheiro com a venda deles e de outros itens que tinha abençoado. Contudo, observe que aqui, o texto não sugere que Paulo distribuiu ou proclamou o poder de seus lenços e aventais, mas, antes, que as pessoas os pegavam sem o conhecimento do apóstolo. Não é, como alguns declaram hoje, que Paulo abençoou lenços para que pudessem ser realizados milagres por intermédio destes.2

Portanto, Deus não leva em conta os equívocos cometidos por muitos cristãos sinceros e nascidos de novo no início da conversão em pregações e no serviço prestado a Ele por falta de maturidade e conhecimento das Escrituras. Contudo, em toda a passagem de Atos 19 Deus “não diz que devemos fazer isto hoje ou que ele aprovava tal atitude dos Efésios”. Os sinais e prodígios operados pelos apóstolos e por outros cristãos que não eram apóstolos, como Estevão, por exemplo, eram necessários nesta época “singular” em que o Cristianismo estava sendo expandido às nações para:

1 Apontar para a pessoa de Cristo como o filho de Deus, Deus e a sua obra redentora (Mc 2.1-12; At 2.1-38; 3.1-26). 2 Atestar que a mensagem que o apóstolo anunciava e o próprio apóstolo vinha da parte de Deus (At 2.14-41; 5.12-16; 10.34-48). 3 Fortalecer a fé dos cristãos (Jo 20.30-31; At 14.1-3).

Em suma, os profetas, na história de Israel no Antigo Testamento, e os apóstolos, na história de Israel e de lugares fora de Israel que foram evangelizados por Paulo foram pessoas usadas por Deus de forma única e extraordinária para um propósito específico que se cumpriu neles historicamente. Nenhum cristão hoje é usado por Deus da mesma forma que estes homens do passado foram. Pedaços de roupas ou qualquer outro objeto de nosso uso pessoal não vai transmitir cura para as pessoas. Deus não vai, tampouco, assim como os profetas e os apóstolos que escreveram cartas, livros e evangelhos, usar alguém hoje para escrever novas revelações porque o cânon das Escrituras está fechado com todas as revelações necessárias para a igreja. Deus usa hoje, os cristãos, pregadores e pastores de outra forma que difere da maneira que usou os profetas e apóstolos. Deus não muda em sua natureza, porém, ele muda a sua maneira de agir providencialmente na história.

John Stott atesta que

A atitude mais sábia perante os milagres dos lenços não é a dos céticos, que os declaram espúrios; nem a dos imitadores, que tentam copiá-los, como aqueles televangelistas que oferecem aos doentes lenços abençoados por eles, mas sim a dos estudiosos da Bíblia que lembram que Paulo via seus milagres como credenciais apostólicas e que Jesus mesmo foi condescendente com a fé tímida da mulher, curando-a quando ela tocou a orla de sua roupa.3   

Diante de tudo o que vimos, entendemos pelas Escrituras que os lenços e aventais de Paulo foram usados por Deus para o propósito de cura somente em Éfeso no período em que o apóstolo esteve lá por três anos evangelizando. Por outro lado, "nas igrejas de libertação, os objetos são ungidos, abençoados, fluidificados e consagrados por meio da oração e da imposição de mãos dos pastores e obreiros, depois do que passam supostamente ter poderes especiais. No entanto, em nenhum dos casos mencionados nas Escrituras, os objetos empregados nos milagres passaram, antes, por uma cerimônia de consagração. A Bíblia desconhece totalmente a "unção" das coisas com o fim de serem empregadas em atos miraculosos, para atrair a benção de Deus, ou ainda, para expelir demônios e doenças. É verdade que no Antigo Testamento alguns objetos, utensílios e mobília do tabernáculo e, depois, do templo foram ungidos com sangue e óleo. Porém, o propósito não era investir essas coisas de poderes especiais, e sim separá-las do seu uso comum para o uso sagrado nos rituais de sacrifício".4       

Finalmente, os Efésios eram pessoas místicas, supersticiosas, idólatras e pessoas sem um entendimento claro ou com pouco conhecimento das Escrituras, nesse caso, os novos convertidos. Sendo assim, não devemos imitar ou adotar o ato profético hoje como uma norma ou sistema doutrinário para igreja. Não há apoio em toda a Escritura para isto!  


NOTAS:

1 Augustus Nicodemus Lopes. O que você precisa saber sobre Batalha Espiritual, pág 148-149. 
2 Justo González. Atos, pág 265.
3 John Stott. A Mensagem de Atos, pág 344. 
4 Augustus Nicodemus Lopes. O que você precisa saber sobre Batalha Espiritual, pág 150-151. 

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Fonte: Bereianos 
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A maneira de descobrir o verdadeiro sentido da Sagrada Escritura

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Por Thomas Boston


O sentido da Escritura é apenas um, e não muitos. Pode haver várias partes em que um sentido é subordinado a outros, como algumas profecias com respeito à libertação da Babilônia, o espiritual por Cristo, e a eternidade no céu, e algumas passagens têm uma coisa que é típico de uma outra: ainda estes são apenas um sentido completo, que só podem ser de dois tipos: uma é simples, e um outro composto. 

Algumas escrituras têm apenas um sentido simples, contendo uma declaração de apenas uma coisa, e que seja adequada ou figurativa. Um bom senso é o que surge a partir das palavras tomadas corretamente, e o figurativo das palavras tomadas em sentido figurado. Algumas têm um sentido próprio simples, como: "Deus é Espírito", "Deus criou os céus e a terra;", que devem ser entendidas de acordo com a adequação das palavras. Algumas têm um sentido figurado simples, como: "Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Toda vara em mim que não dá fruto, ele tira”. Estas têm apenas um sentido simples, mas é figurativo, e não deve ser entendido de acordo com o significado literal das palavras, como se Cristo fosse uma árvore. Assim, você vê que o sentido é simples. O composto ou sentido misto em que é encontrada uma coisa é declarado como um tipo do outro, e por isso, é constituído por duas partes, uma respeitando o tipo, o protótipo do outro, o que não são dois sentidos, mas de duas partes que formam um sentido todo pretendido pelo Espírito Santo: por exemplo, Moisés levantou a serpente no deserto, e aqueles que foram picados pelas serpentes venenosas podem olhar para ela e serem curados. O sentido pleno do que é, "Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim também importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo aquele que crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Aqui está um sentido literal e místico, que compõem um sentido pleno entre eles. Essas escrituras que têm esse sentido composto, às vezes são cumpridas corretamente (ou, literalmente, já que é feita em oposição ao sentido figurado) no tipo e tanto no antítipo, como Oseias 11:1 "Eu chamei meu filho do Egito", que era literalmente verdade tanto de Israel quanto de Cristo. Às vezes figurativamente no tipo, e corretamente no antítipo, como Salmos 69:21 "Eles me deram a beber vinagre". Às vezes corretamente no tipo, e figurativamente no antítipo, como Salmos 02:09 "Tu os despedaçaras com uma vara de ferro”, compare com 2 Sam. 12:31. Às vezes, em sentido figurado em ambos, como Sl 41:9 "Até o meu próprio amigo íntimo, levantou contra mim o calcanhar", o que se entende de Aitofel e Judas. Agora, o sentido da Escritura deve ser apenas um, e não é múltiplo, ou seja, bem diferente e de modo algum subordinado a outro, por causa da unidade da verdade, e por causa da clareza da Escritura.

Onde há uma pergunta sobre o verdadeiro sentido da Escritura, ele deve ser encontrado através da pesquisa de outros textos que falem mais claramente, a própria Escritura sendo a regra infalível de interpretação da Escritura. Agora que isso é assim, aparece a partir dos seguintes argumentos.

1 - O Espírito Santo dá isso como uma regra, 2 Pedro 1:20, 21. Depois que o apóstolo tinha chamado os cristãos para tomarem cuidado com a escritura, ele dá-lhes esta regra para entendê-la, "Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de interpretação particular de nossa própria exposição. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo”. Da forma que veio, assim deve ser exposto, mas ele não veio por vontade de homem algum, por isso não devemos descansar sobre os homens para o sentido da mesma, mas os homens santos falando como eles foram movidos pelo Espírito Santo, e assim nunca erraram, portanto devemos olhar para o que é dito pelo mesmo Espírito em outros lugares.

2 - Há vários exemplos aprovados disso, comparando uma passagem com outra, para descobrir o significado do Espírito Santo, conforme Atos 15:15. E com isto concordam as palavras do profeta. Os Bereianos são elogiados por isso, Atos 17:11. Sim, o próprio Cristo faz uso desta para mostrar o verdadeiro sentido da Escritura contra o diabo, Mateus 4:6 "Lança-te daqui abaixo", disse o espírito mau, pois está escrito: “Que aos seus anjos dará ordem a teu respeito”, ver vs 7. "Também está escrito", diz Cristo: "Não tentarás o Senhor teu Deus." E, assim, nosso Senhor mostra o verdadeiro sentido da Escritura, que deve ser entendido apenas no que diz respeito a aqueles que não se lançam em tentar a Deus.[1] 

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Nota:
[1] A regra infalível de interpretação da Escritura é a própria Escritura, e, portanto, quando há uma questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer escritura que não são vários, mas somente um, que deve ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente. 2 Pedro. 1:20, 21, Atos 15:16 (Confissão de Fé de Westminster, capítulo 1.9).

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Tradução: César Augustos Vargas Américo
Divulgação: Bereianos
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Educação dos Filhos - Entendendo a Responsabilidade

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Por Rev. Elienai B. Batista


Sou pastor de uma igreja que, pela graça de Deus, passou por um processo de reforma, um processo de retorno às Escrituras no que diz respeito à doutrina, ao culto e à prática. Neste processo, uma das doutrinas que nos trouxe um grande impacto foi a doutrina da aliança.

Nós a estudamos por cerca de dois anos, até que nossos filhos vieram a receber o selo da aliança, o santo batismo. Com o aprendizado da doutrina da aliança, logo percebemos que não estávamos educando nossos filhos a partir do pressuposto de que eles pertencem a Deus. Isso nos levou a nos preocuparmos cada vez mais com a educação dos nossos filhos e, por isso, começamos a estudar sobre a educação cristã.

Como pastor e pai, sei que há o grande perigo de abraçarmos a doutrina bíblica da aliança sem, contudo, vermos as implicações da aliança no que concerne à educação de nossos filhos. Creio que a compreensão da doutrina da aliança deve nos levar a uma reforma na educação dos nossos filhos. Por isso, escrevo esta série de artigos na esperança de que o Senhor promova tal reforma, principalmente entre aqueles que confessam a doutrina da aliança. Nos primeiros artigos procuraremos entender nossa responsabilidade como pais, e depois, veremos não só o perigo que nossos filhos estão correndo sendo submetidos a uma educação humanista como também aquilo que podemos fazer a esse respeito.

Inicialmente, precisamos atentar para algo muito importante, precisamos de uma resposta para a seguinte pergunta: de quem é a responsabilidade pela educação dos filhos da aliança? A resposta parece óbvia. E é mesmo. Creio que todos concordarão que os responsáveis são os pais. Mas, mesmo concordando com isso, na prática, muitos pais correm o risco de dividir a educação de seus filhos em duas ou três partes, responsabilizando-se apenas parcialmente.

Quando isso ocorre, os pais tendem a dizer: “Nós não estamos habilitados para ensinar, por exemplo, ciências a nossos filhos, portanto, essa é uma responsabilidade do professor. Nossa responsabilidade é de educar em relação a outros assuntos”. Assim, se pode chegar à seguinte divisão na educação dos filhos e, consequentemente, da vida:

Educação moral. Os pais dizem: “É nossa responsabilidade”. Ainda que, já aqui, haja muita intromissão da escola — intromissão que, por vezes, é tolerada.

Educação intelectual. Os pais dizem: “É responsabilidade da escola”. Neste caso, os pais se limitam a cobrar dos filhos boas notas e algum compromisso com os estudos.

Educação religiosa (bíblica). Os pais dizem: “É responsabilidade da igreja”. Aqui muitos pais se omitem de ensinar a Palavra de Deus a seus filhos de uma maneira consistente, transferindo a responsabilidade para os oficiais da igreja e para as professoras de Escola Dominical.

Tal concepção educacional tem como origem e consequência uma divisão da vida em vários compartimentos. É como se não houvesse unidade entre essas áreas e como se houvesse uma separação entre espiritual e material (gnosticismo). Tal visão não está de acordo com a Palavra de Deus, que nos ensina que tudo pertence ao Senhor (Sl 24) e que até as mínimas coisas devem ser feitas para a glória de Deus (1 Co 10.31).

Essa tricotomia educacional (separação entre campos moral, intelectual e espiritual), pode fazer com que os pais entreguem seus filhos à escola, entendendo que é responsabilidade dela educar seus filhos intelectualmente. Se a escola é pública, o Estado é visto como o responsável pela educação dos filhos. E em nosso país, onde o Estado costuma ganhar um status de deus que deve nos dar tudo e em quem devemos confiar e esperar, tudo isso se agrava. Então se o Estado ocupa nossos filhos tirando-os de casa, se ele provê material escolar, merenda, roupas e, em alguns casos, até dá um dinheiro por filhos matriculados, muitos pais se darão por satisfeitos (q.v. Sl 146). Por outro lado, se é particular, a escola também é vista como responsável pela educação dos filhos. Neste caso, os pais podem dizer: “Nós estamos pagando, então a responsabilidade é da escola”. Com isso, os pais podem imaginar que estão cumprindo com sua obrigação, oferecendo a seus filhos uma “educação de qualidade”. Em ambos os casos, o grande perigo é diminuir a responsabilidade dos pais quanto à educação dos filhos e transferi-la a terceiros. Porque é mais fácil colocar a culpa em terceiros se algo der errado.

Mas o que cada pai cristão precisa lembrar, e especialmente nós que professamos a fé denominada de reformada, e que cremos que Deus estabeleceu uma aliança com seu povo, aliança da qual nossos filhos também participam, é que a responsabilidade de educar nossos filhos é nossa. Cada pai é responsável por educar seus filhos em todos os sentidos, seja no âmbito moral, espiritual ou intelectual.

Portanto, os pais não devem ver a educação de seus filhos partimentada, mas, como um todo pelo qual são responsáveis. É verdade que eles podem pedir ajuda, mas a responsabilidade, perante Deus, continua sendo dos pais. Em Efésios 6.4, lemos sobre esta responsabilidade. A primeira coisa que podemos notar é que o apóstolo Paulo utiliza uma palavra que geralmente é usada para referir-se a “pais” no sentido masculino, o que faz recair um peso maior de responsabilidade sobre o cabeça da família, no que concerne à educação dos filhos. No entanto, precisamos notar que a responsabilidade dos pais (masculino), não exclui a responsabilidade das mães, que devem ser auxiliadoras também nisso. É, portanto, responsabilidade dos pais (pai e mãe) criarem seus filhos. O verbo “criar” tem o significado de “nutrir”, “cuidar”, e a ideia é de ajudar a florescer, ou seja, de ajudar os filhos a alcançarem maturidade em todas as áreas da vida. Podemos pensar nos filhos como pequenas plantas, as quais regamos, aplicamos nutrientes, protegemos, limpamos, em suma, cultivamos com todo cuidado esperando que um dia possam dar frutos. Isso mostra que a participação dos pais na educação de seus filhos é ativa. Se desejam que seus filhos produzam frutos para a glória de Deus, eles devem nitri-los para esse fim.

O texto também nos mostra como devemos fazer isso. Primeiro somos instruídos sobre o que não fazer, isto é, os pais não devem provocar seus filhos à ira. A razão disso nos é fornecida no texto paralelo em Cl 3.21: “... para que não fiquem desanimados”. Portanto, ao criarem seus filhos, os pais devem ter todo cuidado para não encher os corações deles de amargura e desânimo, fazendo com que obedeçam apenas por medo. Pelo contrário, devem dirigir o coração de seus filhos à obediência exigida (Ef 6.1-3), utilizando a “disciplina e admoestação do Senhor”. A palavra “disciplina” (paideia), que também pode ser traduzida por “treinamento”, “instrução”, se refere a tudo aquilo que concorre para o desenvolvimento mental, moral e espiritual da criança, é a educação por meio de regras e normas e que pode envolver recompensas ou castigos. A “disciplina” tem como alvo a vontade da criança. Já a palavra “admoestação” (nouthesia), pode ser traduzida por “advertência”, “instrução”. É a educação por meio de instrução verbal visando a correção do pensamento, da mente. A “admoestação” tem como alvo o intelecto da criança.

Por fim, o texto nos ensina que essa “disciplina e admoestação” devem ser “no Senhor”, isto é, a educação deve se desenvolver sob a autoridade que o Senhor dá e de acordo com a Sua Palavra. Isso nos chama a atenção para o fato de que o Senhorio de Cristo deve ser reconhecido também na educação dos filhos, mesmo aí, não podemos nos submeter a outro senhor.

Portanto, à luz de Efésios 6.4, devemos reconhecer que os pais são responsáveis por “nutrir” seus filhos, para um desenvolvimento pleno, como o próprio Senhor Jesus se desenvolveu como homem (Lc 2.52). Os pais são responsáveis por educar seus filhos e não devem se desfazer desta responsabilidade.

E talvez você pergunte: Se a responsabilidade da educação em todos os âmbitos é dos pais, então qual o papel da escola? A escola e seus professores são meios que os pais podem utilizar para cumprir sua responsabilidade de educar seus filhos. Neste caso, o professor tem autoridade delegada pelos pais para ensinar seus filhos, e ainda que o professor seja também responsável, a responsabilidade final recai sobre os pais. Então se um professor está ensinando a seus filhos que não há nenhum problema em uma união homossexual, que a questão de sexo masculino ou feminino é uma questão de opção, que Deus não existe, que o mundo veio de uma grande explosão, que não existe verdade absoluta, que o aborto deveria ser legalizado, que não existe pecado ou que o homem é inerentemente bom, você, pai, é responsável por isso diante de Deus.

Então, como vocês podem perceber, este é um assunto muito sério. Os pais devem sentir o peso de sua responsabilidade na educação de seus filhos. E já que a responsabilidade é dos pais, então a educação dos filhos é algo para o qual os pais devem dar muita atenção. Eles não podem simplesmente entregar seus filhos à escola, seja cristã ou não, como se não fosse sua responsabilidade a educação como um todo.

Esta é a primeira coisa que os pais que desejam dar a seus filhos uma educação que glorifique a Deus devem ter em mente: a responsabilidade pela educação dos filhos é em todos os sentidos uma responsabilidade deles.

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Fonte: Reforma Hoje
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Deus não faz acepção de pessoas

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Por Jorge Fernandes Isah


A Bíblia nos diz que Deus não faz acepção de pessoas. Acontece que muitos distorcem esse ensino, afirmando que, por isso, Deus ama a todos, e Cristo morreu por todos. A lógica é a seguinte: se Deus não faz acepção de pessoas, não escolheu uns e rejeitou outros; e Cristo não pode ter morrido na cruz apenas para salvar uma parte da humanidade, mas o seu caráter expiatório favoreceu a todos os homens indistintamente. Caberia ao homem apossar-se dessa salvação ou não.

A questão é como uma bola de neve: quanto mais se parte de um pressuposto falacioso, e se tenta justificá-lo, mais a mentira ganha corpo, e acaba por se distanciar sobremaneira da verdade. Por fim, não mais como uma pequena bola mas uma avalanche, se volta contra o tolo, a soterrá-lo em meio a uma profusão de equívocos. Resta-nos uma pergunta: então, qual é a verdade?

Os versos que muitos se utilizam para argumentar que Deus ama a todos indistintamente, e por isso não faz acepção de pessoas são: "Porque, para Deus, não há acepção de pessoas" [Rm 2.11]; e, ainda: "Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas" [At 10.34]. Ora, isoladamente, os versos parecem corroborar o pensamento vigente entre os religiosos atuais, ao ponto em que não seria difícil chegar-se à conclusão universalista, a qual assevera que todos serão salvos, até mesmo o diabo e seus anjos, e o inferno é uma simples metáfora das contradições existentes na criação [1]. Esse seria o grand-finale de todo um pensamento confuso, ilusório e não-bíblico, se fosse verdade. Mas, felizmente, não é.

Assim, o que esses versos querem dizer?

No primeiro, Paulo nos mostra a imparcialidade de Deus. Explicando que ninguém pode se considerar inescusável diante dele, e apelar para a inocência por não conhecê-lo e a sua lei; visto a ignorância não ser argumento de defesa para o pecador, "porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados" [Rm 2.12].

Ao perguntar: "Por quê? Somos nós mais excelentes?"; Paulo respondeu: "De maneira alguma", evidenciando que não há distinção entre os homens, e para Deus todos são iguais, pois tanto judeus como gentios estão debaixo do pecado [Rm 3.9]. "Todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" [Rm 3.23]; "não há um justo sequer, não há quem entenda ou busque a Deus. Todos se extraviaram, e se fizeram inúteis. "Não há quem faça o bem, não há nem um só" [Rm 3.10-12]. Portanto nenhum de nós merece piedade diante dele; ninguém é melhor aos seus olhos; pelo contrário, todos somos iguais, ímpios, maus, rebeldes, insolentes, escória, indignos até mesmo de existir; e somente não somos consumidos por causa da sua misericórdia, que não tem fim [Lm 3.22].

Nessa multidão de ignorantes, pecadores e desobedientes, Deus, por sua única vontade, exclusivamente pelo seu querer, elegeu alguns para a salvação e o restante para a perdição. O fato é que ninguém merece ser salvo, mas por sua graça, escolheu aqueles que amou por intermédio de seu Filho, Jesus Cristo; "justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus" [Rm 3.24]. Ou seja, Deus escolheu aqueles que amou eternamente, e amou aqueles que escolheu eternamente. Se a eleição fosse pela presciência, ao se antever aqueles que teriam fé, e escolhê-los pela fé que teriam, Deus faria, nesse caso, acepção de pessoas. Ele buscaria uma justificativa na própria pessoa, um mérito nela, e a fé seria esse valor de referência que traria significado a quem a detém, e o fundamento para Deus salvá-la. A eleição não seria pela graça, mas por mérito pessoal, vista ser alcançada pela fé, como fruto do esforço humano e, assim, Deus preferiria-o em detrimento dos que não a têm. Acontece que isso seria justificação por obras, mas nenhuma justiça própria pode dar a salvação, "mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo" [Tt 3.5].

Sendo assim, é complicado e perigoso acreditar que o homem possui a fé antes de se regenerar, pois demandaria uma obra pessoal, numa ação proveniente de uma energia inerente ao homem, alheia à vontade de Deus. Seria o mesmo que alguém ter um fósforo. Ele acenderia o pavio, cujo fogo o percorreria, consumindo-o, a fim de se deflagrar a regeneração. Ele incitaria o Espírito Santo a operar até mesmo contra a sua vontade, de tal forma que, ao menos nesse aspecto, ele se sobreporia a Deus em poder; o qual não poderia fazer nada sem que o pavio fosse acesso, sem que se desse o start para que, somente então, pudesse agir e iniciar a obra de transformação. Deus se tornaria em um agente passivo [com tudo à mão menos o fósforo], enquanto eu e você seriamos quem na verdade ativaria todo o processo. Nós teríamos a chama suficiente, sem a qual Deus seria um mero espectador; com toda a sua graça amontoada pelos cantos, pronto para entrar em ação, mas impotente para fazê-lo por si mesmo. Deus teria quase tudo, mas não teria o principal: o controle sobre toda a cronologia do evento. Sem o fósforo, e alguém para acendê-lo, o arsenal de graça e misericórdia seriam inúteis e lançados no lixo. Se um homem apenas não se decidisse a usar a sua fé, de nada adiantaria Deus ter preparado toda a sua obra. É como uma festa onde o anfitrião encomendaria o melhor para se comer e beber, e ninguém fosse convidado, ninguém aparecesse de surpresa. A festa não teria sentido, nem os preparativos. O anfitrião veria o salão vazio, a comida intocada, o silêncio, e o despropósito de todos os arranjos comemorativos.

Isso colocaria a nossa vontade em preeminência, numa escala superior à divina. E, Deus, talvez impassível, talvez ansioso [dependendo da cosmovisão] não poderia fazer absolutamente nada, a não ser esperar que a sorte trouxesse alguém à festa; ou que acendessem o pavio.

Poderia ainda usar a seguinte ilustração: guardadas as devidas proporções, seria o mesmo que um comerciante ter um grande estoque de um determinado produto, abrisse a loja, e aguardasse os clientes aflorar, se acotovelar, em busca da mercadoria. Caso eles não viessem, o que faria? Provavelmente, uma liquidação. Para esvaziar o depósito. E não é interessante que o Evangelho não seja um produto de fácil aceitação? E que todos o busquem ansiosamente? Ao ponto em que, para aceitá-lo, o corrompem, distorcendo-o de tal forma que se descaracterize e perca o seu caráter exclusivista e seletivo? Tornando-se palatável, digerível, e assim, facilmente acessível a todos? Possível sem a necessidade de arrependimento e perdão? Contudo, esse não é o Evangelho, mas o anti-evangelho, que simplesmente acomoda as pessoas aos seus próprios pecados, tornando-as ainda mais cegas e tolas do que já são. O Evangelho separa, divide, leva a perseguições, e até mesmo à morte, como nos diz o Senhor: "Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem e quando vos separarem, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem. Folgai nesse dia, exultai; porque eis que é grande o vosso galardão no céu, pois assim faziam os seus pais aos profetas" [Lc 6.22-23]. O que nos leva à seguinte pergunta: a aceitação do Cristianismo e o seu crescimento numérico reflete-se nessa profecia, que garante o ódio do mundo a Cristo e a conseqüente perseguição, ódio e rejeição tanto à sua palavra quanto aos seus discípulos? Se não, o que estamos a fazer? Por que não somos perseguidos? Por não causarmos divisão no mundo? Por que somos aceitos como se fôssemos iguais a eles? Em algum aspecto, o que se tem é um falso cristianismo, que quer e procura ser aceito e não rejeitado, que está pronto a aliar-se ao mundo, e não sofrer as consequências naturais por amor a Cristo, e em seu nome. Alguém pode imaginar uma coalisão ou aliança entre luz e trevas?[2]

Pois bem, Paulo está dizendo que ninguém pode se auto-justificar diante de Deus, logo, Deus não vê nenhuma qualidade no homem para escolhê-lo; e a escolha recai no próprio Deus, que a faz segundo os seus critérios, segundo a sua vontade, sem a ingerência ou mérito algum de quem quer que seja. Como está escrito: "Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece" [Rm 9.15-16]. A eleição é algo que vem do Senhor, não do homem [Jn 2.9]. É garantida por sua santidade, perfeição, sabedoria e justiça. Não será determinada por obras humanas, pois todas as nossas justiças são "como trapos de imundícia" diante de Deus, porque todos somos como imundos em nossas iniquidades [Is 64.6-7]. Em suma, todos somos condenáveis diante de Deus. Por isso, em sua justiça, ele não faz acepção de pessoas.

No segundo caso, Pedro, após ser advertido por Deus em sonho para não preferir os judeus em detrimento dos gentios, na proclamação do Evangelho, reconheceu que ele devia ser apresentado a todas as criaturas, sem exceção. O que ele disse em "Deus não faz acepção de pessoas" foi confessar que as "boas novas" têm de ser levadas também aos gentios, e que não são exclusividade dos judeus, ao ponto dele crer que tanto esses como aqueles seriam salvos pela graça do Senhor [At 15.7-11]. A morte de Cristo na cruz devia ser anunciada entre todos os povos e nações, para que, assim, os eleitos fossem alcançados pela verdade, sem a qual todos estariam irremediavemente condenados e proscritos ao fogo do inferno. Então, o que temos aqui é a proclamação do Evangelho para eleitos e réprobos, judeus e gentios, deixando claro que, nesse aspecto, o da pregação, Deus não faz também acepção de pessoas, e todas estão no mesmo nível de igualdade.

Neste ponto, não é preciso muita explicação, pois o contexto a que Pedro se refere está suficientemente delineado.

Portanto, restam ainda duas questões a esclarecer:

1) Cristo morreu por todos na cruz?

2) No caso da salvação, Deus faria acepção de pessoas?

Esses serão capítulos à parte, que escreverei em breve, se assim Deus quiser.

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Nota:
[1] Alguns universalistas chegam ao extremo de afirmar que o diabo, demônios e o inferno são meras figuras de linguagem, usadas para revelar o mal como algo metafísico, abstrato, sem forma definida, onde não há sujeitos, mas parte da essência humana e que será derrotado no homem pelo próprio homem, pelo bem que subjaz em si mesmo. Em linhas gerais, para eles, Cristo veio nos dar exemplos morais, não veio salvar um grupo de eleitos, porque todos são filhos de Deus; o qual, por ser amor, não condenará ninguém.
[2] Esta questão está um pouco desfocada do objetivo do texto, mas considerei apropriado incluí-la sem desenvolvê-la suficientemente, o que poderá ocorrer em outro momento, num texto isolado sobre o assunto.
[3] Interessante que o projeto para escrever esta série estava engavetado há algum tempo, e até achava que não a escreveria mais. Contudo, ao ler o texto do Mizael Reis, "Suponhamos que Deus não fosse soberano", obtive o estímulo necessário para realizá-lo.

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Uma receita enganosa

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Por Renato César


Já perdi as contas de quantas vezes me deparei com a mesma cena: o teclado (ou outro instrumento qualquer) ao fundo tocando uma melodia em ritmo lento, às vezes quase fúnebre; um vocalista emocionado fazendo uma oração comovente; pastor, presbíteros e diáconos com mãos erguidas na direção dos membros (ingrediente opcional). Pronto, está feita a receita para um culto avivado.

Infelizmente, tem sido assim na maior parte das minhas experiências em igrejas evangélicas. Nem as denominações históricas escapam a essa fórmula. A oração acompanhada por uma música de fundo melosa difundiu-se rapidamente com a popularização midiática das bandas e cantores gospel com suas ministrações durante shows, e praticamente se tornou uma marca dos cultos evangélicos.

Longe de significar um mover do Espírito, tornou-se um clichê previsível e enfadonho que alguns repetem insistentemente a fim de espiritualizar o que já é espiritual e forçar um avivamento através de um pragmatismo velado, mas notório ao repetir sempre os mesmos ingredientes: música melosa e oração de confissão emotiva.

Essa fórmula funciona muito bem para causar emoção nos ouvintes, e assim deixá-los mais vulneráveis à mensagem que se deseja passar no sermão, bem como aos pedidos de ofertas e de contribuição para as atividades eclesiásticas. Seria como preparar o terreno para lançar a semente. Alguns até podem fazê-lo inconscientemente e com a melhor das intenções, mas tal prática é não somente antiética como antibíblica.

A falta de ética passa a existir no momento em que se procura persuadir alguém não apenas mediante argumentos racionais, mas apelando para a emoção, que não raramente nos leva a tomar decisões equivocadas e até mesmo irracionais. Igualmente, essa prática cultual é herética pois não vemos qualquer base bíblica que a fundamente.

Além disso, esse hábito que tantos ministérios de louvor desenvolveram conduz a um caminho de enganação, pois traz consigo a impressão de que a igreja passa realmente por um momento espiritual de contrição, arrependimento e comprometimento com a Palavra, marcas registradas de um autêntico avivamento. Basta aquele instante de nervos a flor da pele terminar para que se constate, por exemplo, a irreverência de muitos no momento da pregação. E a coisa piora quando se busca identificar quanto dos dízimos e ofertas vão para missões ou trabalhos sociais, ou quando se conhece o cotidiano fora da igreja de irmãos supostamente avivados que se derramam em lágrimas na hora dos louvores.

Parece mesmo que Calvino já previa essa tendência da igreja ao limitar ao máximo o uso de instrumentos musicais no acompanhamento dos cânticos durante os cultos. Lamentavelmente, até mesmo em algumas igrejas históricas a coisa tem corrido frouxa, e transparecer tranquilidade ou seriedade quando as extravagâncias começam pode vir a ser interpretado como frieza espiritual e incredulidade na ação do Espírito.

Felizmente, nós, os que somos frios e descontextualizados do movimento gospel, temos ainda, e já nos basta, a Bíblia a nosso favor, que nos fala de um culto racional (Rm 12.1) e que o importante é adorar o Pai em “espírito e em verdade” (Jo 4.23), sem a necessidade de emocionalismo gratuito.

Se precisamos de ajuda para nos entristecermos ao confessarmos nossos pecados e invocarmos a Deus, necessitamos rogar a ele que primeiro transforme nossos corações endurecidos em vez de contar com o auxílio de recursos sonoros. A emoção, ao contrário do que temos visto, deve ser decorrente de uma profunda reflexão sobre nossa pequenez diante do Altíssimo e fruto de um firme comprometimento com a verdade do evangelho.

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Sobre o autor: Renato César é cristão reformado, formado em administração de empresas e teologia, membro da IPB - Fortaleza/CE. Contatos: renatocesarmg@hotmail.com

Divulgação: Bereianos

Comentário sobre Romanos 9 - A Eleição é de Indivíduos ou de Nações?

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Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes


A chave para entendermos Romanos 9 é a intenção de Paulo, o que ele quer mostrar? A resposta está nos versículos iniciais, 1-5. Ele está triste porque Israel rejeitou Jesus Cristo. Este fato poderia levantar a questão de que a promessa de Deus havia falhado (verso 6). Paulo evita este problema explicando que a promessa foi feita aos descendentes espirituais de Abraão e não aos seus descendentes físicos. Nem todos de Israel são filhos de Deus (verso 6-7). E estes indivíduos, os descendentes espirituais, a quem as promessas foram feitas, e que serão salvos, foram chamados soberanamente por Deus de entre a nação de Israel. Paulo prova isto mostrando a escolha soberana de Isaque e de Jacó. Eles foram escolhidos enquanto indivíduos, embora, certamente, esta escolha venha a ter algum reflexo em seus descendentes (versos 8-13). O ponto de Paulo é que somente os escolhidos de entre a nação de Israel é que creram (e crerão) em Cristo. São indivíduos escolhidos de entre uma nação, para a salvação. Desta forma, Paulo mostra que as promessas de Deus a Israel não falharam, pois dentre a nação Deus sempre escolheu soberanamente, e não por obras, aqueles israelitas individuais que viriam a crer em Jesus Cristo, como o próprio Paulo.

Em resumo, seguem algumas razões pelas quais o argumento central de Romanos 9 é eleição para a salvação e vida eterna, e que na elaboração da argumentação, Paulo menciona Jacó e Esaú como indivíduos e não como nações, embora os descendentes deles viriam a sofrer os reflexos desta escolha individual.

(1) Toda a seção (Romanos 9-11) é sobre a segurança eterna de pessoas. Eleição de nações não faria qualquer sentido contextual. Paulo disse aos cristãos de Roma que nada poderia separá-los do amor de Deus (Rm 8:31-39). A objeção que provocou a resposta de Paulo em romanos 9-11 foi esta: “Como podemos ter certeza de que as promessas de Deus são seguras, visto que Israel, a quem também promessas foram feitas, não creu no Messias?” A resposta de Paulo é que apenas os indivíduos eleitos dentro de Israel é que estão seguros.

(2) A eleição de Jacó sobre Esaú (Romanos 9:10-13) pode ter implicações nacionais, mas começa com dois indivíduos. Não podemos esquecer este fato.

(3) Jacó foi eleito e Esaú rejeitado antes que tivessem feito algo de bom ou ruim. O texto está falando de indivíduos que podem fazer o bem e o mal. Não fala de nações que sairiam deles e que fariam bem ou mal. O bem e o mal referido é de pessoas, indivíduos, chamados Jacó e Esaú.

(4) Rom. 9:15 enfatiza a soberania de Deus na escolha de indivíduos. "Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia." O pronome “quem” é um singular masculino. Se Paulo estivesse falando de nações, poderia ter usado um pronome plural.

(5) Rom 9:16 está claramente lidando com pessoas: “Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre”. “Quem quer” θέλοντος e “quem corre” τρέχοντος são dois singulares masculinos. É difícil ver implicações nacionais em tudo aqui. É sobre o desejo e esforço individual. 

(6) Rom 9:18 fala do endurecimento de Faraó, um indivíduo. Não está tratando do endurecimento do Egito, mas da pessoa de seu rei, Faraó. Após falar do endurecimento, Paulo resume o que ele está tentando dizer usando pronomes singulares masculinos: “Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz”. Se Paulo estava falando de eleição e endurecimento de nações, ao terminar o exemplo pessoal e individual de Faraó ele deveria ter dito que ele endurece e tem misericórdia das nações que quer.

(7) A objeção em Rom. 9:14, “Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus?” - faz pouco sentido se Paulo estivesse falando sobre a eleição corporativa ou nacional. A acusação de injustiça poderia facilmente ser respondida se Paulo estivesse dizendo que a eleição de Deus é apenas em relação às nações e não tem a intenção salvadora.

(8) Da mesma forma, a objeção em Rom. 9:19 fica totalmente sem sentido se Paulo não estiver falando de eleição individual. “Algum de vocês vai me dizer: “Se é assim, como é que Deus pode encontrar culpa nas pessoas? Quem pode ir contra a vontade de Deus?” (NTLH). A questão que o opositor de Paulo está levantando é que Deus parece injusto com indivíduos, ao endurecer alguns e ter misericórdias de outro como lhe apraz, e não com nações.

(9) Em Rom 9:14-29 temos uma “diatribe”, um recurso de retórica em que o escritor responde os questionamentos de um opositor imaginário. Os questionamentos estão em Rm 9:14 e Rom 9:19. É um artifício muito bom, mas somente se o autor está entendendo corretamente o opositor. Todos os dois questionamentos do opositor (9:14 e 9:19) tem a ver com a injustiça de escolher uns e deixar outros. Paulo poderia ter corrigido este equívoco e dito, “não estou falando de pessoas, mas de nações”. Contudo, ele aceita como legítima a objeção e responde em termos da eleição de indivíduos. 

(10) Em Rom 9:24 Paulo diz que Deus chamou os “vasos de misericórdia”, que Ele preparou para glória “de antemão” (são os eleitos mencionados no capítulo todo) “não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios”. É difícil ver eleição nacional aqui, pois Deus chamou estas pessoas "dentre" todas as nações, ἐξ Ἰουδαίων (de entre os judeus) e também ἐξ ἐθνῶν (de entre os gentios). Os vasos de misericórdia, que são a descendência espiritual de Abraão, em quem se cumprem as promessas, são chamados por Deus de entre na nação de Israel e de entre as nações gentílicas.

(11) Em Romanos 11:1-10, quando Paulo volta a falar da eleição de israelitas individuais de entre Israel étnico, fica claro que os eleitos são pessoas de entre a nação de Israel, os sete mil que não dobraram o joelho a Baal (Rm 11.4), aos quais Paulo se refere como a eleição da graça” (Rm 11.5). Isso nos diz duas coisas: 1) eles são sete mil indivíduos que Deus tem mantido crentes dentro da nação de Israel, e não uma nova nação. 2) Esses indivíduos são mantidos por Deus na fé no Deus verdadeiro, não se curvando diante de Baal (ou seja, eles permaneceram fiéis a Deus). Ou seja, a eleição mencionada por Paulo é de indivíduos para a salvação.

Para você não pensar que estes argumentos são meus, consulte estes comentaristas que seguem esta mesma linha de raciocínio:

Jamieson, Robert, A. R. Fausset, and David Brown. Commentary Critical and Explanatory on the Whole Bible. Oak Harbor, WA: Logos Research Systems, Inc., 1997.

Lange, John Peter, Philip Schaff, F. R. Fay, J. F. Hurst, and M. B. Riddle. A Commentary on the Holy Scriptures: Romans. Bellingham, WA: Logos Bible Software, 2008.

Boa, Kenneth, and William Kruidenier. Romans. Vol. 6. Holman New Testament Commentary. Nashville, TN: Broadman & Holman Publishers, 2000.

Henry, Matthew. Matthew Henry’s Commentary on the Whole Bible: Complete and Unabridged in One Volume. Peabody: Hendrickson, 1994.

Carson, D. A., R. T. France, J. A. Motyer, and G. J. Wenham, eds. New Bible Commentary: 21st Century Edition. 4th ed. Leicester, England; Downers Grove, IL: Inter-Varsity Press, 1994.

Spence-Jones, H. D. M., ed. The Pulpit Commentary: Romans. The Pulpit Commentary. London; New York: Funk & Wagnalls Company, 1909.

Wuest, Kenneth S. Wuest’s Word Studies from the Greek New Testament: For the English Reader. Grand Rapids: Eerdmans, 1997.

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Texto ReferênciaCredo House Ministries
Fonte: Rev. Augustus Nicodemus, via Facebook, em resposta a um comentário sobre o vídeo "A eleição em Romanos 9 é de indivíduos ou de nações?"
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Exegetas com Síndrome de Etimologia Compulsiva

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Por André Ribeiro Fonseca


Alguns exegetas sofrem do que chamo de Síndrome de Etimologia Compulsiva. O principal sintoma é acreditar que a etimologia é onipotente para explicar o significado de todas as palavras encontradas na Bíblia em grego ou hebraico. Depois que novas ferramentas eletrônicas viabilizaram a consulta da etimologia das palavras a partir do texto grego ou hebraico até mesmo nos celulares, o número de casos da Síndrome de Etimologia Compulsiva aumentou. Vejamos dois sintomas típicos da Síndrome de Etimologia Compulsiva – aquela mania de explicar tudo a partir da pesquisa etimológica.

Todos nós criamos peixes em aquários e nadamos em piscinas; mas, para o exegeta que sofre da Síndrome de Etimologia Compulsiva, o correto seria criar os peixes nas piscinas e nadar nos aquários. A etimologia da palavra piscina vem do latim piscinæ, ou seja, viveiro de peixes; e a etimologia da palavra aquário vem de aquarius para designar algo que é relativo à água. A prática da natação é relativa à água, é um esporte aquático. Aquário e aquático são palavras da mesma origem etimológica. Bem, isso tudo é muito lógico somente na cabeça do exegeta com Síndrome de Etimologia Compulsiva. Concorda?

Certa vez um testemunha de Jeová tentava me convencer que cronologia é a composição das palavras gregas cronos (tempo) e logos (palavra). Seu erro foi querer desdobrar a palavra logos em lego, que significa falar ou contar. Sua conclusão foi que cronologia significa o contar (cômputo) do tempo, querendo justificar sua busca por calcular quando seria o início do milênio do reinado de Cristo. Lego pode ser contar na acepção de relatar ou falar, mas sempre dentro do campo semântico da palavra falar, nunca de calcular! Existe o contar com significado de falar – eu conto uma história, e existe contar de calcular – eu conto as moedas do bolso. Quando ele insistiu que sua etimologia estava correta, repliquei: OK... vou contar uma história: 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11... resumindo, 98, 99, 100. Entendeu?

Um dos grandes legados da reforma protestante foi a luta pelo direito de livre exame das Escrituras Sagradas. Não podemos transformar esse direito ao livre exame em uma livre interpretação inconsequente e descompromissada com a busca pela verdade – não apenas através de nossas experiências com Deus, mas também pelo exercício de nosso intelecto em todo o seu potencial alimentado e ajustado pelo Espírito Santo.

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Autor: André R. Fonseca
www.andreRfonseca.com
Twitter: @andreRfonseca

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Deus e nossas emoções

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Por Jonathan Edwards


As Escrituras, em toda parte, colocam a verdadeira religião principalmente em nossas emoções - no medo, esperança, amor, ódio, desejo, alegria, tristeza, gratidão, compaixão e zelo. Consideremo-las por um momento.

Medo - As Escrituras fazem do temor a Deus a parte mais importante da verdadeira religião. Uma designação muitas vezes dada aos crentes pelas Escrituras é "tementes a Deus", ou aqueles "que temem ao Senhor." É por isso que a verdadeira piedade é comumente chamada "o temor a Deus".

Esperança - Esperança em Deus e em Suas promessas é, de acordo com as Escrituras, uma parte importante da verdadeira religião. O apóstolo Paulo menciona esperança como uma das três grandes coisas que formam a verdadeira religião (I Cor. 13:13). Esperança é o capacete do soldado cristão. "E tomando como capacete, a esperança da salvação" (I Tess. 5:8). É âncora da alma: "da esperança proposta; a qual temos por âncora da alma, segurae firme" (Heb. 6:19). Às vezes o temor a Deus e a esperança são unidos como indicadores do caráter do verdadeiro crente: "Eis que os olhos do Senhor estão sobre os que o temem, sobre os que esperam na sua misericórdia" (Sal. 33:18).

Amor - As Escrituras colocam a verdadeira religião exatamente na emoção do amor: amor por Deus, por Jesus Cristo, pelo povo de Deus, e pela humanidade. Os versículos que nos ensinam isto são inúmeros, e vou tratar do assunto no próximo capítulo. Deveríamos observar, entretanto, que as Escrituras falam da emoção contrária, o ódio - o ódio pelo pecado - como uma parte importante da verdadeira religião. "O temor do Senhor consiste em aborrecer o mal" (Prov. 8:13). Conseqüentemente, as Escrituras chamam os crentes a provarem sua sinceridade do seguinte modo: "Vós, que amais ao Senhor, detestai o mal!" (Sal. 97:10).

Desejo - As Escrituras mencionam muitas vezes o desejo santo, expresso em anseio, fome e sede de Deus e de santidade, como uma parte importante da verdadeira religião. "No teu nome e na tua memória está o desejo da nossa alma" (Is. 26:8). "A minha alma tem sede de ti; meu corpo te almeja, numa terra árida, exausta, sem água" (Sal. 63:1). "Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos" (Mat. 5:6).

Alegria - As Escrituras falam da alegria como uma grande parte da verdadeira religião. "Alegrai-vos no Senhor, ó justos" (Sal. 97:12). "Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, alegrai-vos" (Fil. 4:4). "Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria," etc. (Gal. 5:22).

Pesar - Pesar espiritual, contrição e coração quebrantado são uma grande parte da verdadeira religião, de acordo com as Escrituras. "Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados" (Mat. 5:4). "Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito não o desprezarás, ó Deus" (Sal. 51:17). "Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos". (Is. 57:15).

Gratidão - Outra emoção espiritual sempre mencionada nas Escrituras é gratidão, especialmente como expressa no louvor a Deus. Aparece tantas vezes, principalmente nos Salmos, que não preciso mencionar textos particulares.

Misericórdia - As Escrituras freqüentemente falam da compaixão ou misericórdia como essencial na verdadeira religião. Jesus ensinou que a misericórdia é uma das exigências mais importantes da lei de Deus: "Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia" (Mat. 5:7). "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque dais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, e tendes negligenciado os preceitos mais importantes da lei, a justiça, a misericórdia e a fé" (Mat. 23:23). Paulo enfatiza esta virtude tanto quanto Jesus o fez: "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia" (Col. 3:12).

Zelo - As Escrituras dizem que o zelo espiritual é uma parte essencial da verdadeira religião. Cristo tinha a realização dessa qualidade em mente quando morreu por nós: "O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade, e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras" (Tito 2:14).

Mencionei somente alguns textos, de um número enorme, que colocam a verdadeira religião exatamente em nossas emoções. Se alguém quiser contestar isto, deve jogar fora a Bíblia e encontrar outro padrão pelo qual julgue a natureza da verdadeira religião.

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