Defendendo a Expiação Definida (Limitada)

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Por Joel Beeke


Objeções respondidas[1]

As grandes objeções à expiação limitada são baseadas em considerações textuais e práticas. As objeções textuais incluem o seguinte:

1. Textos em que a palavra mundo é usada para descrever os objetos da morte da morte de Cristo, como em João 3:16 e 1 João 2:2: “E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo”.

2. Textos em que a palavra todos é usada para descrever os objetos da morte de Cristo, como em 2 Coríntios 5:15, “E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”, Romanos 8:32, “Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes, o entregou por todos nós, como nos não dará também com ele todas as coisas?”, e 1 Timóteo 2:4-6, que fala de Cristo dando a si mesmo como um “resgate por todos”.

3. Textos que parecem indicar que alguns por quem Cristo morreu podem perecer. Um texto, é Romanos 14:15: “Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu” Outra, 2 Pedro 2:1, em que o apóstolo fala de falsos mestres que negam o Senhor “que os resgatou”.

Quando estes textos são tratados com cuidado e honestidade, considerando seu contexto e a intenção do autor e comparando a Escritura pela Escritura, problemas aparentes são quase sempre prontamente resolvidos.[2] Por exemplo, a palavra grega para o mundo (kosmos) pode ter vários significados nas Escrituras. Às vezes, ela se refere aos eleitos do mundo, significando ambos os judeus e gentios; às vezes, refere-se ao público que cercava Cristo, especialmente os judeus; por vezes, se refere a todos os tipos de pessoas, tais como reis e súditos; às vezes, se refere à humanidade sob o justo juízo de Deus ou ao reino das forças do mal, tanto angelicais como humana, relacionados com a terra; às vezes, ele se refere à criação, ou a própria terra, ou, no sentido clássico, a um universo ordenado, e às vezes ela, simplesmente, se refere a um grande número de pessoas.[3]

Quanto a textos específicos, João 3:16 não reflete sobre a extensão da expiação; em vez disso, a chave para João 3:16 está no propósito do versículo 17: a fim de que “o mundo através dele pudesse ser salvo.Mundo não está se referindo a todos, mas ao mundo sob julgamento e condenação. B. B. Warfield diz que kosmos não é usado em João 3 para sugerir que o mundo é tão grande que é preciso uma grande dose de amor para envolvê-lo, mas que o mundo é tão ruim que é preciso um tipo grande de amor para amá-lo em tudo, e muito mais para amar como Deus amou-o quando ele deu o seu Filho pelos pecadores.

Em 1 João 2:1-2, o apóstolo está dizendo que a defesa de Cristo diante de Deus é tão completa que é suficiente para os pecados do mundo. Ele também está dizendo que o sacrifício que Cristo fez não foi só para os judeus ou para um pequeno grupo de crentes do primeiro século, mas para as pessoas de toda tribo, língua e nação através de todos os tempos. John Murray fala sobre o universalismo étnico do evangelho mostrando que aqueles por quem Cristo morreu estão espalhados entre todas as nações. Abraham Kuyper mostra que a palavra grega traduzida "para" (peri, não hiper) significa “apropriado para” ou “com relação a”. Assim, o significado do grego pode ser que Jesus é a propiciação suficiente que nós e o mundo inteiro necessitamos - ou, da mesma forma que Jesus é a nossa propiciação, assim o mundo inteiro necessita desta mesma propiciação.[4]

Quanto aos textos que usam a palavra todos, 2 Coríntios 5:14-15 usa todos no contexto da unidade da morte e ressurreição. Cristo ressuscita para aqueles em união com ele, por isso, sua morte deve ser pensada naqueles mesmos termos.[5] Mesmo a frase “entregou por todos nós”, em Romanos 8:32 está no contexto da pré-ordenação de Deus do seu povo (vv. 28-30) e da intercessão de Cristo para com os eleitos (vv. 33-39). As palavras “Resgate por todos” em 1 Timóteo 2:4-6 estão claramente definidas no contexto de orações que estão sendo oferecidas para todos os tipos de pessoas (vv. 1-2). Desde que a palavra todos nem sempre signifique todos os indivíduos pela linguagem grega ou inglesa, não há razão para concluir que todos nos versículos 4 e 6 se refere a cada pessoa.

E sobre os textos que parecem falar de crentes que caem da fé? O contexto de Romanos 14:15 mostra que o apóstolo não está falando de um irmão por quem Cristo morreu apostatando-se da fé por completo, mas de alguém que se sentiu esmagado por um companheiro cristão que se tornou tal como uma pedra de tropeço na sua vida de fé e que iria começar a percorrer o caminho que leva à destruição. E 2 Pedro 2:1, provavelmente, se refere a falsos mestres que tinham sido membros nominais da igreja, mas que em suas ações, estavam negando o Salvador que uma vez professaram, mas que nunca conheceram de verdade. Eles podem ter tido uma fé histórica, ainda que temporária e milagrosa, mas nunca possuíram a verdadeira fé salvadora[6], por eles rejeitarem o Salvador e “tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados” (1 Pedro 2:8). Certamente, Cristo não resgatou os que foram ordenados para serem desobedientes!

A maioria das principais objeções práticas para a expiação limitada pode ser resumida em duas perguntas:

Como pode a expiação ser gloriosa se for limitada a alguns? Esta questão, realmente, tem dois aspectos. O primeiro é a falsa ideia de que Cristo morreu por um pequeno remanescente de pessoas. Ambos, os Cânones de Dort e a Segunda Confissão Helvética, rejeitam essa conclusão com base em passagens bíblicas que dizem que o céu vai abrigar uma grande multidão de pessoas redimidas que nenhum homem pode contar, de toda espécie, tribo, língua e nação (Ap 7 :9-17).[7]

O segundo aspecto é a falsa ideia de limitação na expiação. Como Charles H. Spurgeon mostrou, é o arminiano e não o calvinista que limita a redenção de Cristo:

Os Arminianos dizem: Cristo morreu por todos os homens. Pergunte a eles o que eles querem dizer com isso. Cristo morreu para assegurar a salvação de todos os homens? Eles dizem: Não, certamente não. Fazemos a seguinte pergunta: Cristo morreu, de modo a assegurar a salvação de qualquer homem em particular? Eles respondem: “Não”. Eles são obrigados a admitir isso se eles são consistentes. Eles dizem: “Não, Cristo morreu para que qualquer homem pudesse ser salvo se” - e então, seguem-se determinadas condições de salvação. Dizemos, então, que nós iremos voltar ao Velho Testamento – Cristo morreu para que uma incerteza garantisse a salvação de alguém? Você deve dizer “não”. Então, você é obrigado a dizer que para você, mesmo depois que um homem foi perdoado, ele ainda pode cair da graça e perecer. Agora, quem é que limita a morte de Cristo? Por que, você. . . Você é bem-vindo à sua própria expiação; você pode mantê-la. Nós nunca vamos renunciar a nossa pela segurança que há neste argumento.[8]

O calvinista ensina que a salvação é certa para cada homem, mulher, adolescente, menino ou menina que vem ao Senhor Jesus Cristo. Ninguém deve ser lançado fora (João 6:37). O calvinista diz: “Em sua expiação, Jesus construiu uma ponte entre as profundezas da minha depravação para Deus e o céu, e, através do envio de seu Espírito, vai trazer cada pecador, para quem a ponte foi colocada, ao caminho da glória”. Esta declaração é a essência do evangelho. Deus não vai falhar em reunir cada um de seus eleitos. Não haverá lugares vazios no céu.

Os arminianos dizem que a expiação só faz a salvação ser possível. Ao fazer isso, eles limitam muito a eficácia do sangue do Filho de Deus que foi derramado. Um arminiano coloca desta forma: “A expiação seria tão eficaz e gloriosa a Deus se o pecador, alguma vez, se apropriar dela”. Na visão arminiana, a expiação criou a possibilidade de salvação, mas os homens devem completar a ponte, exercendo seu próprio livre-arbítrio.[9]

Como você pode pregar o evangelho a todos os homens sem distinção, se Cristo não morreu para salvar a todos? Em outras palavras, se você não pode chegar a um pecador e dizer: “Cristo morreu por você”, como você pode pedir para ele acreditar no Senhor Jesus Cristo? O Calvinismo enfraquece o zelo evangelístico? Deixe-me oferecer três respostas. Primeiro, o conteúdo do evangelho não é dizer às pessoas que Cristo morreu por esta ou por aquela pessoa específica. Não há um exemplo na pregação do livro de Atos, privada ou pública, onde o evangelho apostólico diz que Cristo morreu para um indivíduo específico. O evangelho diz que Deus enviou seu Filho, que viveu, morreu e ressuscitou. Essa é a salvação adequada para o mais vil dos pecadores, pois a promessa é: “Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo”.

Segundo, a visão calvinista da expiação garante o sucesso da evangelização. O eleito será salvo, infalivelmente, através da pregação do evangelho, pois Deus determinou que assim seria através da aliança eterna da redenção estabelecida entre as pessoas da Trindade. Em sua soberania, graça e amor, o Pai escolheu certas pessoas (Rm 9:11-13; Ef 1:4) a quem ele deu o seu Filho (João 6:37, 39; 17:6, 24) que, por sua vez, comprometeu-se a realizar a redenção, obedecendo, perfeitamente, os preceitos da lei moral de Deus representando-os (obediência ativa) e pagando a penalidade devida por eles pela desobediência à lei (obediência passiva). Assim, Deus pode ser justo e justificador dos que creem em Jesus (Romanos 3:26). Sob a aliança trinitária, o Espírito é enviado ao mundo pelo Pai e pelo Filho (João 15:26; 16:5-15) para aplicar a obra salvadora de Cristo aos eleitos.

Precisamos lembrar que a vontade pactual e decretiva de Deus é eficaz e que os propósitos de Deus são realizados. A expiação de Cristo é a obra que ele comprometeu-se desde a eternidade. A expiação definida flui para o propósito eletivo de Deus e uni-se, totalmente, com outras doutrinas da Cristologia que se baseiam na eternidade, tais como: as doutrinas de Cristo como o segundo Adão, o seu trabalho sacerdotal e o seu papel no pacto.

O conhecimento de que os eleitos serão reunidos pelo segundo Adão (João 17:12; Rm 5:12-19) faz os calvinistas ousados no evangelismo. Eles, também, são pacientes, sabendo que Deus vai salvar os pecadores no seu tempo e através do trabalho sacerdotal de Cristo (Isaías 55:10-11). Eles são zelosos, sabendo que a glória de Deus virá (1 Coríntios 1:27-31) e piedosos, sabendo que apenas ele pode e irá realizar a salvação como um Senhor sempre fiel e mantenedor do pacto (Ef 2: 1-10).[10] Quase todos os grandes e zelosos evangelistas desde a Reforma do século XVI ao início do século XIX, antes de Charles Finney (1792-1875), se comprometeram com a expiação definida enraizados nesta teologia da aliança centrada em Deus. Será que alguém ousaria dizer que George Whitefield faltou em zelo evangelístico na sua pregação do evangelho? Alguém diria o mesmo de Charles Spurgeon, William Carey, David Brainerd, Jonathan Edwards ou Asael Nettleton? Cada um desses grandes evangelistas criam em uma concepção definitiva da obra expiatória de Cristo e corajosamente anunciavam Cristo como o Salvador oferecido gratuitamente a todos aqueles que se arrependiam e criam.[11]

Terceiro, enquanto não podemos compreender plenamente, com nossas mentes finitas, como conciliar uma expiação limitada e definitiva pelo sangue todo-suficiente de Cristo e um convite universal para crer, assim como é o padrão das Escrituras e a maneira de Deus (João 6:37-40). Além disso, uma vez que a expiação não é limitada em si mesmo, ainda que seja no seu objetivo, e uma vez que a promessa é que todos que, pela fé verdadeira, venham a Cristo para a salvação certamente serão salvos (Rm 10:13), a expiação limitada não é incompatível com a chamada universal à fé.

Esta é também a posição dos Cânones de Dort. Afirmando que o sangue de Cristo é derramado efetivamente apenas para aqueles “que foram desde a eternidade escolhidos para a salvação e dados a Ele pelo Pai” (Capítulo II, Art 8), os Cânones aconselham:

A promessa do Evangelho é que todo aquele que crer no Cristo crucificado não pereça, mas tenha vida eterna. Esta promessa deve ser anunciada e proclamada sem discriminação a todos os povos e a todos os homens, aos quais Deus em seu bom propósito envia o Evangelho, com a ordem de se arrepender e crer. (Cap. II, Art 5).

Roger Nicole diz que o nosso grande problema em entender expiação definida é que pensamos que condições similares são necessárias para uma oferta sincera de qualquer espécie, isto é, Cristo teria que ter morrido por cada pessoa que fosse oferecida a salvação Nele. Nicole diz que esta premissa é falsa, mesmo em assuntos seculares:

Por exemplo, os anunciantes que oferecem produtos nas páginas de um jornal não esperam que se exijam deles um estoque nas mesmas condições dos números de circulação do jornal. Realmente, o único requisito para um convite sincero é este - que, se as condições forem cumpridas, aquilo que é oferecido será realmente concedido.[12]

Jesus diz: “Aquele que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37). Ao contrário das lojas com estoque limitado, o estoque de Jesus nunca se esgota.

William Symington argumenta da mesma forma:

Afirmamos que o sacrifício do Senhor Jesus possuía um valor intrínseco suficiente para a salvação de todo o mundo. Neste sentido, foi suficiente para o resgate de cada ser humano... O valor da expiação de Cristo que nós asseguramos é, no sentido mais estrito do termo, infinito, absoluto, todo-suficiente... Este todo-suficiente é o que estabelece as bases para a universalidade irrestrita do chamado do evangelho... [13]

Symington conclui:

Deixem os pecadores, em toda parte, conhecerem que se eles perecem, não é porque não há mérito suficiente em Cristo para atender a todas as exigências da lei e da justiça contra eles. Deixe-os voltar e aceitar o chamado urgente, sincero e singular para a vida e a salvação, por mera gratuidade da parte de Deus: “Quem quiser, tome a água da vida”.[14]

Se, pela graça, você toma esta água da vida, você será salvo. Nenhum daqueles que creram no Senhor Jesus Cristo jamais pereceram. A mensagem do evangelho é: “A ponte está concluída. Cristo irá permitir-lhe colocar o seu peso sobre ele, e ele vai levá-lo em toda a extensão. Ele recebe todos os que vêm. Confie nele”.

Sem a fé, a expiação de Cristo não nos é agradável. Nós somente experimentamos os benefícios da realização de Cristo quando nós, com as nossas mãos vazias, aceitamos Cristo. A boa notícia é que a expiação foi alcançada antes que nós exercêssemos a fé (Romanos 5.5-11). A reconciliação está lá para ser recebida; e pela graça, nós recebemos, quando Cristo, pelo Espírito Santo, nos atrai para si.

Redimidos pelo Sangue Precioso

O Arminianismo e o Calvinismo estão baseados em diferentes premissas. Os calvinistas acreditam em uma expiação definida, no qual afirma que Jesus Cristo realmente resgatou todos que ele pretendeu resgatar através da sua morte vicária. Como Tom Ascol diz:

Assim como o sumo sacerdote, sob a antiga aliança, usava os nomes das doze tribos de Israel em seu peitoral ao executar o seu serviço sacrificial, o nosso grande Sumo Sacerdote, sob a nova aliança, tinha os nomes do Seu povo inscrito no seu coração, sendo assim Ele ofereceu a Si mesmo como um sacrifício para seus pecados.[15]

Ninguém que pertence a Cristo será perdido.

Nicole disse, várias vezes, que quando calvinistas declaram que acreditam numa expiação limitada, arminianos podem proclamar uma expiação ilimitada, mas quando calvinistas proclamam uma expiação definida, nenhum arminiano quer reivindicar uma expiação indefinida.[16] Apesar de expiação definida ou redenção particular serem expressões melhores que expiação limitada, não nos esqueçamos de que cada calvinista e arminiano, na verdade, acredita em uma expiação limitada. Como Ascol ressaltou: “a visão arminiana, alegando que a expiação é ilimitada em sua extensão, é forçada a concluir que ela é limitada em sua eficácia. Ele não conseguiu realizar o seu propósito universal”.[17] Spurgeon, também, descreve esta falha:

Muitos religiosos... acreditam em uma expiação para todos, mas então, sua expiação é somente isso. Eles acreditam que Judas foi perdoado assim como Pedro, pois eles acreditam que os condenados no inferno eram tanto um objeto de satisfação de Jesus Cristo como o salvo no céu; e apesar de não dizerem em palavras adequadas, mas é o que significa por uma inferência justa, que, no caso de multidões, Cristo morreu em vão, pois Ele morreu por todos, eles dizem; e ainda assim foi ineficaz na Sua morte por eles, porque apesar do fato de que Ele tenha morrido por eles, eles estão condenados para sempre.[18]

Falando como Spurgeon, nós, os calvinistas, podemos dizer aos nossos amigos arminianos: “Você é bem-vindo à sua expiação; você pode mantê-la. Nós nunca vamos renunciar a nossa pelo amor a ela”, pelo fato de que nós precisamos de um Salvador que realmente salva (Mateus 1:21) com uma redenção que realmente redime pelo “...precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo, foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado, nestes últimos tempos, por amor de vós; e por ele credes em Deus, que o ressuscitou dos mortos e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus. (1 Pedro 1:19-21).

Sustentando a vergonha e o rude escárnio,No meu lugar condenado Ele estava; Selei o meu perdão com Seu sangue: Aleluia! Que Salvador! - Philip Bliss Paulo

A expiação de Cristo não falhou parcialmente, mas foi totalmente bem-sucedida. Jesus nunca falha!

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Notas:
[1] See also the author's article 'Definite Atonement' on the Banner of Truth website.
[2] John Gill, Body of Divinity (Grand Rapids: Sovereign Grace Publishers, 1971), 467–475; John Owen, The Works of John Owen, 10:316-421; John Murray, Redemption Accomplished and Applied, (Edinburgh: Banner of Truth, 2009 edition), 51–53; A. W. Pink, The Satisfaction of Christ, 253–66.
[3] Vine’s Expository Dictionary of New Testament Words (Nashville: Thomas Nelson, 1985), 233–234; and Duane Edward Spencer, TULIP: The Five Points of Calvinism in the Light of Scripture (Grand Rapids: Baker, 1979), 36–37.
[4] Abraham Kuyper, Particular Grace: A Defense of God’s Sovereignty in Salvation (Grandville, Mich.: Reformed Free Publishing, 2001), 23–33.
[5] Herman Ridderbos, Paul: An Outline of His Theology (Grand Rapids: Eerdmans, 1975).
[6] For helpful exegetical considerations, see Letham, The Work of Christ, 240–45.
[7] See the Conclusion of the Canons and the Second Helvetic Confession, chap. 10, 'We must hope well of all, and not rashly judge any man to be a reprobate' (Schaff, Creeds of Christendom, 3:848).
[8] Charles H. Spurgeon, 'Particular Redemption,' in The New Park Street Pulpit (1858; reprint, Grand Rapids, MI: Baker Books, 1994), 4:135; quoted in J. I. Packer's Introduction to John Owen, The Death of Death in the Death of Christ (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1959), note page 14.
[9] Cf. Pink, Atonement, 244.
[10] See Letham, The Work of Christ, 234–37.
[11] Shedd, Dogmatic Theology, 2:482–89; J. I. Packer, Evangelism and the Sovereignty of God (Downers Grove, Ill.: InterVarsity, 1961).
[12] Roger Nicole, Evangelical Theological Society Bulletin (Fall 1967): 207.
[13] William Symington, The Atonement and Intercession of Christ (Grand Rapids: Reformation Heritage Books, 2006), 185–86.
[14] Ibid.
[15] Thomas K. Ascol, 'For God So Loved the World,' Tabletalk, 29, no. 9 (September 2005):16.
[16] Roger Nicole, 'The "Five Points" and God’s Sovereignty,' in Our Sovereign God, ed. James Boice (Birmingham, Ala.: Solid Ground Christian Books, 2008), 32–33.
[17] Thomas K. Ascol, 'For God So Loved the World,' 17.
[18] Charles Spurgeon, New Park Street Pulpit (Pasadena, Tex.: Pilgrim Publications, 1975), 4:70.

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Fonte: Banner of Truth
Tradução: Eric N. de Souza
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Adoração no lar

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Neste vídeo, Joel Beeke fala sobre a importância da adoração no lar em família. Um ensinamento importantíssimo para todos os pais e filhos. Confira:



Transcrição: 

Irmãos, não sei como vocês estão com relação à adoração em família, nem com relação à adoração pessoal. Todos nós, sem dúvida, falhamos nas nossas orações pessoais assim como na oração em família; falhamos na leitura privada, bem como na leitura em família. 

Minha oração nesta noite é que, de alguma forma, pela graça de Deus, aqueles de vocês que estão seriamente empenhados em praticar diariamente a adoração em família, ouçam algo hoje que fortaleça essa prática e faça-a crescer.

E aqueles que não estão empenhados ou talvez não saibam como fazer isso, e que nunca se empenharam nisso, aprendam a como se empenhar. E que não ache isso assustador, mas ache, como Dr. Piper disse, encorajador de se começar. E garanto a você: isso mudará a sua vida e a vida de sua família.

Eu cresci em um lar reformado alemão. Meu pai sempre orava antes das refeições e, em círculos de tradição reformada alemã, você ora depois das refeições também. Então, eram duas orações e a leitura da Bíblia. Mas meu pai falava conosco, interagia conosco, empenhando-se na adoração em família prolongada, uma vez na semana, nas noites de domingo. Então, fomos meio que ensinados que, quando casássemos e tivéssemos filhos, oraríamos antes e após as refeições, leríamos as Escrituras. Então líamos 3 capítulos por dia com nossa família: manhã, meio-dia e jantar. Mas não nos envolvíamos em muitas conversas.

Quando meu filho tinha 3 anos, fui convidado a falar sobre adoração em família. Estudei as tradições escocesa e alemã. Eu fiquei impressionado, completamente impressionado! Eu disse a minha esposa: "Vou falar sobre isso, mas eu mesmo não faço?" Eu me sentei, meu filho tinha 3 anos, e disse: "Calvin, por favor, perdoe o papai. Não tenho conversado com você da maneira como deveria" (Ele não fazia ideia do que eu estava falando). E disse para a minha mulher: "Por favor, perdoe-me. Não tenho liderado a adoração em família da maneira como deveria, da maneira como meu pai fazia, aos domingos de noite". 

Todo domingo de noite meu pai lia "O Peregrino" para nós, durante 40 minutos. Nós cantávamos e o interrompíamos na leitura, algumas vezes, fazendo perguntas. Ele colocava o livro de lado e nos ensinava como o Espírito Santo conduz pecadores, com lágrimas escorrendo dos seus olhos. Era maravilhoso.

Quando meus pais fizeram 50 anos de aniversário de casamento, dois anos antes de meu pai morrer, todos os filhos combinaram que agradeceriam minha mãe por uma coisa e meu pai por outra, e gravaríamos isso para que eles pudessem guardar. Mas ninguém poderia falar com o outro sobre o que diria. Foi absolutamente maravilhoso, porque todos agradeceram minha mãe pela sua vida de oração. Ela era uma guerreira da oração. E todos os 5 agradeceram meu pai pelos domingos de noite, quando adorávamos em família e líamos "O Peregrino". 

E meu irmão mais velho disse: "Pai, quero te agradecer porque nunca precisei questionar em minha mente se Deus é real. Porque a lembrança mais antiga que tenho é a de quando eu tinha 3 anos, estava sentado em seu colo, olhando para o seu rosto, vendo você chorar enquanto falava conosco sobre Deus, lendo 'O Peregrino'".

Você não deseja que seus filhos tenham isso como lembrança mais antiga?

A adoração em família não tem preço.

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Tradução e legendas: Saulo e Lísia
Fonte: Orthodoxia

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Sinais e Selos de União

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Por  Joel Beeke


Assim como ele chamou o mundo á existência pelo poder de sua Palavra (Sl. 33:6-9; Hb. 11:3), assim também Deus traz sua igreja à existência pelo poder do chamado do evangelho (2Ts. 2:13-14; 1Pe. 2:9-10). Tal chamado nos invoca à união com Cristo pela fé, como um povo sob o Deus trino (Ef. 4:4-6). A igreja é definida por nosso chamado á comunhão com Cristo e uns com os outros, como Paulo lembra aos coríntios: “À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos. [...] Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados à comunhão de seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (1Co. 1:2a, 9; e ao longo do capítulo).

A comunhão com Deus em Cristo está no âmago do cristianismo empírico. A plenitude da alegria da igreja é ter comunhão uns com os outros e com o Pai e o Filho (1 João 1:3-4). Por causa de nossa união com Cristo como membros de seu corpo, a igreja (Ef. 1:22-23), o Espírito de Cristo que habita em Cristo como cabeça, habita em todos os seus membros (Rm. 8:9).

O Espírito que habita é a essência de nossa comunhão com o Pai e com o Filho (2Co. 13:14; Ef. 2:18). João Calvino disse: “O Espírito Santo é o elo pelo qual Cristo eficazmente nos une a si mesmo” (Institutas 3.1.1). Como marido e mulher são “uma só carne,” nós somos “um só espírito” com o Senhor Jesus (1Co. 6:16-17). Imagine o quão próximo você seria de um amigo se sua própria alma pudesse habitar nele. Tal é a intimidade de Cristo com cada um de seus membros através da habitação do Espírito Santo. Esse mesmo Espírito nos batiza em um único corpo de Cristo, nos unindo em fé, adoração e serviço (1 Co. 12:12-13; Confissão Belga, Artigo 27).

Portanto, não deveria ser surpresa que os sacramentos da igreja confirmam e manifestam nossa união com Cristo e uns com os outros. Gálatas 3:26-28 diz:

"Pois todos vós sois filhos de Deus mediante a fé em Cristo Jesus; porque todos quantos fostes batizados em Cristo de Cristo vos revestistes. Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus."

Gálatas 3:26 diz claramente que somos salvos pela fé, não por qualquer uma de nossas obras, quer sejam obras morais como guardar os Dez mandamentos, ou obras cerimoniais como a circuncisão, o batismo ou a Ceia do Senhor (veja também 2:16; 5:2). Ainda assim, o versículo 27 diz que aqueles que foram batizados, se revestiram de Cristo e, portanto, são “um em Cristo.” Como isso deve ser entendido? Eles devem olhar para seu batismo não como uma causa, mas como um sinal de sua união com Cristo pela fé e, nele, uns com os outros. Em seu Catecismo de 1545, Calvino estabelece esta definição:

O que é um sacramento? Uma atestação da graça de Deus que, por sinal visível, representa coisas espirituais para cunhar as promessas de Deus mais firmemente em nossos corações, e tornar-nos mais certos delas. (Q. 310)

Se o próprio sacramento do batismo nos uniu a Cristo e nos salvou, seria inconcebível para Paulo escrever que “Porque não me enviou Cristo para batizar, mas para pregar o evangelho” (1Co. 1:17). Por que pregar o evangelho se os resultados desejados poderiam ser obtidos simplesmente ao batizar todas as pessoas? O evangelho, não o batismo, é “o poder de Deus para a salvação” (Rm. 1:16). Calvino disse:

Não devemos ser tomar o sinal terreno de maneira a buscar nossa salvação nele, nem devemos imaginar que ele tem um poder peculiar incluso nele. Pelo contrário, devemos empregar o sinal como uma ajuda, para nos levar diretamente ao Senhor Jesus, para que encontremos nele nossa salvação e [...] felicidade. (Catecismo Q. 318)

Assim, Paulo nos adverte em 1 Coríntios 10:1-5 que nós podemos receber os sacramentos mas ainda sermos incrédulos, não-convertidos e, derradeiramente, rejeitados por Deus:

Ora, irmãos, não quero que ignoreis que nossos pais estiveram todos sob a nuvem, e todos passaram pelo mar, tendo sido todos batizados, assim na nuvem como no mar, com respeito a Moisés. Todos eles comeram de um só manjar espiritual e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo. Entretanto, Deus não se agradou da maioria deles, razão por que ficaram prostrados no deserto.

Note como ele faz alusão aos sacramentos da nova aliança falando do batismo, de comida e de bebida. Sacramentos não salvam e nem podem salvar.

Isso significa que o batismo e a Ceia do Senhor são apenas cerimônias de recordação? De maneira nenhuma. Os apóstolos frequentemente exortaram os crentes a olhar para trás para seu batismo como um sinal de sua união com aquele que morreu e ressuscitou (Rm. 6:3-4; Gl. 3:27; Ef. 5:25-26; Cl. 2:12; 1Pe. 3:21-22). O pão que partimos e o cálice que abençoamos são a comunhão do corpo e do sangue de Cristo (1Co. 10:16). Utilizados em fé, são meios de aproximar-se de Cristo, acessar os benefícios de sua obra expiatória aplicando-a a nós mesmos e encontrando graça para viver para Deus (Rm. 6:1-14).

Os sacramentos são meios pelos quais Cristo, através da obra de seu Espírito, oferece as si mesmo a nós para ser recebido por fé. É por isso que Paulo falou de receber comida e bebida “espirituais” de Cristo (1Co. 10:3-4), de ser batizado pelo Espírito e beber do Espírito (12:13), assim como ser cheio do Espírito (Ef. 5:18).

Calvino escreveu: “Se falta o Espírito, os sacramentos não podem efetuar nada.” (Institutas 4.14.9). E mais:

O Espírito verdadeiramente é o único que pode tocar e mover nossos corações, iluminar nossas mentes e encorajar nossas consciências; para que tudo isso seja julgado como sua própria obra, que louvor seja atribuído a ele somente. Não obstante, o próprio Senhor faz uso dos Sacramentos como instrumentos inferiores como lhe convém, sem que eles de maneira nenhuma depreciem o poder de seu Espírito. (Catecismo Q. 312)

Quando a igreja se reúne em nome de Cristo e celebra a Santa Ceia em memória dele, temos real comunhão ou comunhão espiritual com Cristo. Note a repetição da palavra “comunhão” (do grego koinōnia: “comunhão, participar ou partilhar em comum”) de várias formas em 1 Coríntios 10:16-20:

Porventura, o cálice da bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão. Considerai o Israel segundo a carne; não é certo que aqueles que se alimentam dos sacrifícios são participantes [koinōnoi] do altar?  Que digo, pois? Que o sacrificado ao ídolo é alguma coisa? Ou que o próprio ídolo tem algum valor? Antes, digo que as coisas que eles sacrificam, é a demônios que as sacrificam e não a Deus; e eu não quero que vos torneis associados [koinōnous] aos demônios.

O que Paulo quis dizer ao falar que participar do pão e do cálice é a “comunhão” do corpo e do sangue de Cristo? Em parte, ele quis dizer que somos através disso unidos como “um corpo” (v. 17). Temos comunhão uns com os outros. Mas há mais. Calvino disse: “Mas de onde, lhes pergunto, vem essa koinōnia (comunhão) entre nós, senão pelo fato de que somos unidos a Cristo?” (comentário em 1Co. 10:16).

Paulo usa a mesma linguagem de koinōnia com respeito aos adoradores do Antigo Testamento. Comendo os sacrifícios, eles tinham comunhão no altar. Eles compartilharam uma refeição com Deus na base do sacrifício de sangue e através de um sacerdócio ordenado. A igreja compartilha uma refeição pactual com o Senhor, banqueteando em sua presença mediante graça comprada por sangue.

Paulo também usou a mesma linguagem para adoradores pagãos: eles têm comunhão com demônios. Eles adoram na presença de espíritos imundos. Paulo está dizendo que os adoradores de fato se conectam com os seres caídos que adoram. Se tomamos parte com demônios, esta é uma forma de adultério espiritual que provoca o ciúme de Deus (v. 22). Obviamente tal “comunhão” é uma realidade espiritual de grande significado. Paulo define essa adoração pagã em direto contraste com a Ceia do Senhor, obviamente querendo que as vejamos como paralelas (v. 21).

Assim, vemos o que Paulo quer dizer com “a comunhão do sangue de Cristo.” Nós renunciamos os poderes de Satanás e temos comunhão espiritual com o próprio Cristo, crucificado por nós, e agora ressurreto e exaltado como nosso Cabeça e Sumo Sacerdote espiritual. Nós banqueteamos nos benefícios de sua morte expiatória e no poder de sua vida infinita. Calvino disse que a Ceia é “um banquete espiritual, em que Cristo afirma a si mesmo como sendo o pão que dá vida, no qual nossas almas se alimentam de verdadeira e bendita imortalidade [João 6:51]” (Institutas 4.17.1).

Valorizemos os sacramentos como “preciosas ordenanças de Deus” para serem usados através da fé em Cristo. Se os usarmos como “hipócritas, nos quais o mero símbolo desperta orgulho,” nossa confiança é colocada no lugar errado, e os símbolos físicos são vazios. Mas se os recebermos como aqueles que são unidos a Cristo através de verdadeira fé, vemos “as promessas que eles exibem da graça do Espírito Santo” (comentário de Calvino em Gl. 3:27), e, através da fé, Cristo habitará cada vez mais em nossos corações (Ef. 3:16-17).

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Por Joel Beeke. Extraído do site www.ligonier.org. © 2013 Ligonier Ministries. Original: Signs and Seals of UnionEste artigo faz parte da edição de Fevereiro de 2013 da revista Tabletalk sobre “União com Cristo”.
Tradução: Alan Cristie. Ministério Fiel © Todos os direitos reservados. Original: Sinais e Selos de União (Joel Beeke)

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As Quatro Regras de Oração de João Calvino

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por Joel Beeke

Para Calvino, a oração não podia ser realizada sem disciplina. Ele escreveu: “Se não fixarmos certas horas do dia para a oração, ela escapará facilmente de nossa memória”. Ele prescreveu várias regras para orientar os crentes a oferecerem oração fervorosa e eficaz.

1. A primeira é um senso sincero de reverência.

 Na oração, precisamos estar “dispostos de coração e mente, como convém àqueles que entram em conversa com Deus”. Nossas orações devem brotar do “fundo de nosso coração”. Calvino recomendava uma mente e um coração disciplinados, afirmando: “As únicas pessoas que se preparam devida e apropriadamente para orar são aquelas que são movidas de tal maneira pela majestade que, livres dos cuidados e afeições terrenos, se aproximam da oração”.

2. A segunda regra é um senso sincero de necessidade e arrependimento.

Temos de “orar com um senso sincero de carência e arrependimento”, mantendo “a disposição de um pedinte”. Calvino não estava dizendo que os crentes devem orar em favor de cada capricho que surge em seu coração, e sim que devem orar penitentemente, de acordo com a vontade de Deus, tendo em foco sua glória e anelando resposta, “com afeição sincera, e, ao mesmo tempo, desejando obtê-la de Deus”.

3. A terceira regra é um senso sincero de humildade e confiança em Deus.

A verdadeira oração exige que “abandonemos toda confiança em nós mesmos e supliquemos humildemente o perdão”, confiando somente na misericórdia de Deus para recebermos bênçãos espirituais e temporais, lembrando sempre que a menor gota de fé é mais poderosa do que a incredulidade. Qualquer outra maneira de nos aproximarmos de Deus promoverá o orgulho, que será letal. “Se reivindicarmos algo para nós mesmos, por mínimo que seja”, estaremos em perigo de destruir a nós mesmos na presença de Deus.

4. A regra final é ter um senso sincero de esperança confiante.

A confiança de que nossas orações serão respondidas não surge de nós mesmos, mas do Espírito Santo agindo em nós. Na vida dos crentes, a fé e a esperança vencem o temor, para que sejamos capazes de pedir “com fé, em nada duvidando” (Tg 1.6). Isso significa que a verdadeira oração é confiante na resposta, por causa de Cristo e do pacto, “pois o sangue de nosso Senhor Jesus Cristo sela o pacto que Deus estabeleceu conosco”. Assim, os crentes se aproximam de Deus com ousadia e entusiasmo porque essa “confiança é necessária à verdadeira invocação… que se torna a chave que nos abre a porta do reino dos céus”.

Opressivas? Inatingíveis?

Essas regras talvez pareçam opressivas — até inatingíveis — em face de um Deus santo e onisciente. Calvino reconheceu que nossas orações estão repletas de fraqueza e imperfeição. Ele escreveu: “Ninguém jamais cumpriu esse dever com a retidão que lhe era devida”. Mas Deus tolera “até o nosso gaguejo e perdoa a nossa ignorância”, permitindo que ganhemos familiaridade com Ele, em oração, embora esta seja pronunciada de “forma balbuciante”. Em resumo, nunca nos sentiremos como pedintes dignos. Nossa inconsistente vida de oração é frequentemente atacada por dúvidas, mas essas lutas mostram nossa necessidade contínua da oração como uma “elevação do espírito” e nos impele sempre a Jesus Cristo, que “transformará o trono da glória terrível em trono da graça”. Calvino concluiu que “Cristo é o único caminho e o único acesso pelo qual temos permissão de ir a Deus”.

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Este trecho é uma adaptação da contribuição de Joel Beeke no livro João Calvino: Amor à Devoção, Doutrina e Glória de Deus. Adquira aqui!

Fonte: Blog Fiel
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O cristão e a política: o dever de se envolver

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O engajamento cívico não é opcional. O paradoxo do calvinismo político é que, embora tenhamos que admitir que muitas tentativas de aplicá-lo historicamente duraram pouco tempo, não há razão para abandonarmos nossa responsabilidade de nos envolvermos. 

Embora não possamos trocar oportunidades de envolvimento como cidadãos em nossa geração pelas de outras gerações, parece razoável concluir que a maioria dos calvinistas de gerações anteriores teriam achado inconcebível não votar e não acompanhar as notícias políticas do momento. 

Estes acontecimentos são obras da providência de Deus; obedecer e corresponder às Suas obras é um elemento básico do viver cristão. O motivo para o envolvimento político é a obediência a Deus e o desejo de serví-lo em cada área de nossa vida.

Como diz Miquéias 6:8: "O que o Senhor pede de ti: que pratiques a justiça, e ames a misericórdia, e andes humildemente com seu Deus".

À parte de qualquer bem que nosso envolvimento possa produzir, há mais uma razão fundamental para o envolvimento cívico: isso nos dá a oportunidade de glorificar a Deus na esfera pública. Somos chamados a glorificar a Deus em tudo que fazemos e em todos os aspectos de Sua criação.

Joel R. Beeke
In: Vivendo para a glória de Deus
Fonte: Cinco Solas
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Lições Fundamentais dos Puritanos

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Por – Joel Beeke

Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério. (2Tm 4:1-5)

O que você pode aprender dos Puritanos para seu ministério e sua vida pessoal? Quero delinear rapidamente sete lições fundamentais para nossas próprias vidas e mais sete para os ministros da Palavra.

Mas antes, quem foram os Puritanos? Na história da Igreja, quando temos um avivamento em uma geração, há sempre o perigo de a próxima geração ignorar as verdades pregadas, não dando o devido valor. Os Puritanos foram uma reação a esta geração que veio depois da geração dos reformadores, sendo um movimento que se deu no fim do século XVI até o começo do século XVIII.

Os Puritanos construíram em cima da teologia dos reformadores, buscando aplicá-la a todos os aspectos da vida e, assim, purificar a família e a igreja. Eles enfatizaram (1) a necessidade da restauração da pregação, (2) a necessidade de piedade pessoal e bíblia que acompanha a pregação e (3) a necessidade de restauração da pureza do culto público.

Por causa da profundidade dos livros escritos, nos últimos 50 anos têm surgido um novo interesse pelos livros e pela a teologia dos Puritanos.

  • Sete Lições Fundamentais dos Puritanos para nossa Vida Pessoal

Leitura Bíblia

Eles chamavam a Bíblia de o Livro Vivo, a Biblioteca do Espírito Santo. Eles acreditavam que Deus os transformava através da Bíblia. Eles ensinavam seus filhos a ler a fim de lerem a Bíblia e o alfabeto através de exemplos bíblicos. Eles guiavam tudo em suas vidas pelas Escrituras.

Você tem vivido a sua vida moldada pela Bíblia ou você decide o que você irá crer e obedecer das Escrituras? Você deixa de lado aquilo que você discorda na Palavra ou a coloca como regra para a vida?

Oração

Os Puritanos oravam em suas devocionais diárias, mas também buscavam orar sem cessar, tornando as ações corriqueiras da vida em oração. Por exemplo: quando se vestiam, oravam sobre serem cobertos pela justiça de Cristo.

Os puritanos entendiam que a oração era algo trinitariana. Expressaram isso através de uma corrente: a verdadeira oração nasce na eternidade no coração do Pai, recebe seu mérito através da morte de Cristo, é orada pelo cristão através do Espírito, que a leva até Cristo, o qual a retorna para o Pai.

Os puritanos não se contentavam com orações rasas. Que isso nos incentive a orar.

Meditação

Um sermão meditado é melhor que mil sermões engolidos sem meditação.

Provações

Os puritanos falaram muito sobre provações. A atitude que eles tinham era bem diferente das que temos atualmente. Eles não desejavam um feliz ano novo, no sentido de alguém não ter problemas, mas um ano novo abençoado, desejando que eles pudessem passar por toda e qualquer prova que Deus trouxesse de forma submissa.

Jonh Bunyan disse: “O povo de Deus é como sinos; quanto mais forte lhes baterem, melhor será o som”.

Repreender o Orgulho

Os puritanos tinham um ódio especial pelo orgulho, pois sabiam que Deus odiava de forma especial o orgulho. O orgulho é um ataque contra Deus que eleva nosso coração acima de Deus e busca se entronizar. Jonathan Edwards dizia que o orgulho é como uma cebola – quando pensamos que tiramos uma camada, encontramos outra.

John Bunyan disse a uma mulher que elogiou seu sermão: “você é a segunda pessoa que disse isso; o primeiro foi o diabo”.

Depender do Espírito Santo

Os Puritanos nos ensinam a como depender do Espírito Santo. Thomas Watson afirmou que o pregador pode bater na porta, mas é o Espírito que a abre, mostrando que o ministro sempre deve se lembrar que é o Espírito que converte pecadores através da pregação da Palavra. Eles diziam que em toda pregação havia dois ministros: o pregador é o ministro externo e o Espírito Santo o interno.

Como viver em dois mundos

Os puritanos diziam que nós temos dois olhos: um deve estar na eternidade e um no tempo.

  • Sete Lições Fundamentais dos Puritanos para nossa Vida Ministerial

Pregação

Os puritanos nos ensinam a acreditar na pregação. Eles acreditavam que Deus usava cada sermão.

Doutrina com Prática

Eles acreditavam na união da doutrina com a prática. Nos sermões eles buscavam alcançar as mentes com clareza (expondo as Escrituras de forma simples e metódica – Eles acreditavam que o cristianismo sem mente criaria um cristianismo sem coluna), a consciência com firmeza (muitos hoje pregam sem a intenção) e o coração com paixão (eles mostravam Cristo como desejável e atraiam o pecador a Cristo). Pela mente, através da consciência eles chegavam ao coração e levavam o pecado a Jesus Cristo, pela benção do espirito Santo.

Piedade Prática

Os puritanos enchiam suas pregações de aplicações para vários tipos de públicos: crente, não crente, desviados, novos crentes, etc. Eles faziam um aconselhamento espiritual do púlpito.

Pregar experiencialmente

Os puritanos nos ensinam a pregar de forma que as doutrinas fossem experimentadas na alma.

Era como se estivessem iluminando cada verso da Bíblia procurando Jesus para exaltá-lo. “Pregue um Cristo, por Cristo, para o louvor de Cristo”, assim termina um livro de homilética dos puritanos.

Equilíbrio Bíblico

Manter o equilíbrio entre o evangelho objetivo e a experiência subjetiva, a soberania de Deus e a responsabilidade do homem.

Catequese

Os puritanos nos ensinam a importância de catequisar a igreja e as crianças. Comumente eles iam às casas dos crentes para ensinar como se faz um culto doméstico e ensinar os pais a educarem os filhos.

O que aprendemos dos Puritanos acima de tudo é essa espiritualidade abrangente. Eles não foram perfeitos, mas, hoje, nos apontam para uma vida piedosa, tendo nossos olhos na eternidade. Temos muitos para aprender com eles e muito para segui-los no que eles seguiram a Cristo, aplicando seus ensinos à nossa geração, para a glória de Deus e pelo bem de cada alma, através de Cristo.

Fonte: Voltemos ao Evangelho


Assista o video da pregação aqui!
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João Calvino como Professor de Evangelismo

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Por Dr. J.R. Beeke

Não poucos estudiosos ficam surpresos com o título deste artigo. Alguns poderão dizer que o catolicismo romano manteve a tocha evangelística do Cristianismo via as poderosas forças do Papado, dos monastérios, e da monarquia, enquanto Calvino e os outros Refor-madores tentaram extingui-la.[1] Outros irão afirmar que João Calvino (1509-1564), o pai da doutrina e teologia Reformada e Presbiteriana, foi preponderantemente responsável pelo ressurgimento da tocha do evangelismo bíblico durante a Reforma.[2]

Alguns ainda irão creditar a Calvino ser o pai teológico do movimento missionário Reformado.[3] Visões da atitude de Calvino sobre o evangelismo e missões tem ido desde ao moderado, ao rico suporte do lado positivo,[4] até quase um silêncio indiferente e ativa oposição do lado negativo.[5]

Aqueles que vêm o evangelismo de Calvino negativamente são:
- Pessoas que falham em estudar os escritos de Calvino antes de tirarem suas conclusões.
- Pessoas que falham em entender a visão do evangelismo de Calvino em seu próprio contexto histórico.
- Teólogos que trazem preconcebidas noções sobre Calvino no escopo de sua teologia.
- Críticos, entre os quais estão aqueles que afirmam que a doutrina da eleição exposta por Calvino nega o Evangelismo.

Para chegar corretamente à visão de Calvino sobre evangelismo, temos que entender o que ele mesmo tem a dizer sobre esta matéria. Nós devemos olhar pelo completo escopo da visão de Calvino, tanto no seu ensinamento como na sua prática. Neste artigo, nós iremos imaginar as referências ao evangelismo nas Institutas da Religião Cristã, nos seus comentários, sermões e cartas. Então, talvez, em futuros artigos, nós possamos olhar o trabalho evangelístico de Calvino (1) em seu rebanho, (2) em seu período na cidade de Genebra, (3) na grande Europa, e (4) em oportunidades de missões além mar. Como iremos ver, Calvino foi mais evangelista do que é geralmente reconhecido. Através de sua instrução e prática, ele reacendeu a tocha do evangelismo bíblico e reformado, centrado em Deus.

Como era o ensinamento evangelístico de Calvino? Em que sentido ele exortava os crentes a procurarem a conversão de todas as pessoas, inclusive aqueles que estavam dentro da Igreja, como também daqueles que estavam fora dela, no mundo?

Assim como os outros Reformadores, Calvino ensinava evangelismo, de forma geral, por meio da proclamação do evangelho e pela reforma da igreja de acordo os requisitos bíblicos. Mais especificamente, Calvino ensinou o evangelismo enfocando a universalidade do Reino de Cristo e a responsabilidade dos cristãos em cooperarem na extensão deste Reino.

A universalidade do Reino de Cristo foi um tema freqüentemente repetido no ensinamento de Calvino.[6] Nestes ensinamentos ele dizia que todas as Três Pessoas da Trindade estão envolvidas na propagação do Reino. O Pai não irá mostrar “apenas em um canto, o que a verdadeira religião é, mas Ele enviará Sua voz aos limites extremos da terra”.[7] Jesus veio “para estender Sua graça sobre todo o mundo”.[8] E o Espírito Santo descendo para “alcançar todos os confins e extremidades do mundo”.[9] Em suma, uma incontável multidão “a qual será levantada por toda a terra”, irá ser nascida de Cristo.[10] E o triunfo do reino de Cristo irá se tornar manifesto em qualquer lugar entre as nações.[11]

Como irá o Deus Trino estender o seu reino através do mundo? A resposta de Calvino envolve tanto a soberania de Deus como nossa responsabilidade. Ele diz que a obra do evangelismo é obra de Deus e não nossa, mas que Ele usará os Seus servos como Seus instrumentos. Citando a parábola do semeador, Calvino explica que Cristo semeia a sua palavra de vida em todo o lugar (Mt 13:24-30), fazendo crescer Sua Igreja não por meios humanos, mas pelo poder celestial.[12] O evangelho “não cai das nuvens como chuva”, no entanto ele é “trazido pelas mãos de homens que vão onde Deus os mandou”.[13] Jesus nos ensina que Deus “usa o nosso trabalho e nos impulsiona para ser Seus instrumentos no cultivo do Seu solo”.[14] O poder reside em Deus, mas Ele revela a Sua salvação através da pregação do evangelho.[15] O evangelismo de Deus causa o nosso evangelismo.[16] Nós somos os seus cooperadores, e Ele nos permite participar da “honra de constituir Seu Filho governador do mundo inteiro”.[17]

Calvino ensinou que o método ordinário de “tornar coletiva a igreja” é por meio da voz exterior dos homens; “porque Deus mesmo pode trazer por sua secreta influência, no entanto ele ainda emprega a agência do homem e desperta em nós uma ansiedade sobre a salvação um do outro”.[18] Calvino vai mais longe, chegando a dizer: “Nada retarda mais o progresso do Reino de Cristo do que a insuficiência dos ministros”.[19] Embora a palavra final não seja por nenhum esforço humano. É o Senhor, diz Calvino, que faz “a voz do evangelho ressoar não apenas em um lugar, porém longe e amplamente através do mundo inteiro”.[20] O evangelho não é pregado ao acaso às nações, mas pelo decreto de Deus.[21]

De acordo com Calvino, esta ligação entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana no evangelismo oferece as seguintes lições:

1. Como evangelistas reformados, nós devemos orar diariamente pela extensão do reino de Cristo. Como Calvino disse: “Nós devemos diariamente desejar que Deus reúna as igrejas para Ele mesmo, de todos os lugares da terra”.[22] Desde que Deus se apraz em usar nossas orações para completar os Seus propósitos, devemos orar pela conversão dos pagãos.[23] Calvino escreve: “Isto deve ser um objetivo em nossos desejos diários, de que Deus reúna as igrejas para Ele mesmo de todas as nações do mundo; que possa ampliar o seu número, enriquecê-las com dons e estabelecer uma ordem legítima entre elas”.[24] Através da oração diária para que venha o reino de Deus, nós “professamos que somos servos e filhos de Deus profundamente comprometidos com Sua reputação”.[25]

2. Nós não devemos ficar desencorajados pela falta de sucesso visível no esforço evangelístico mas devemos persistir orando. “Nosso Senhor exercita a fé dos Seus filhos; é por isso que Ele não faz tão facilmente com Sua mão as coisas que Ele prometeu. Isso é uma coisa especialmente aplicada ao reino de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Calvino escreve: “Se Deus passa todo um dia ou um ano [sem nos dar frutos], isto não é para nós desistirmos, ao contrário devemos orar e não duvidar que Ele ouve a nossa voz”.[26] Devemos nos manter em oração, crendo que “Cristo irá manifestadamente exercitar o poder que lhe foi dado para a nossa salvação e para a salvação do mundo inteiro”.[27]

3. Nós devemos trabalhar diligentemente pelo aumento do reino de Cristo sabendo que nosso trabalho não será em vão. Nossa salvação obriga-nos a trabalhar pela salvação dos outros. Calvino diz: “Nós fomos chamados por Deus nesta condição, para que cada um possa posteriormente levar outros à verdade, para restaurar os desgarrado ao caminho certo, para estender a mão de ajuda aos caídos, e dar o que temos ganhado àqueles que não têm”.[28] No entanto, não é suficiente para cada homem estar ocupado com outras maneiras de servir a Deus. “Nosso zelo deve ser ampliado para trazer outros homens”. Devemos fazer tudo, dentro de nossa capacidade, para trazer todos os homens da terra para Deus”.[29]

Existem muitas razões porque temos que evangelizar. Calvino oferece as seguintes:

- Deus nos manda fazer isso. “Devemos nos lembrar que o evangelho é pregado não apenas pela ordenança de Cristo, mas pela Sua argüição e direcionamento”.[30]
- Deus nos direciona pelo exemplo. Como nosso gracioso Deus fez conosco, nós devemos estar com nossos “braços estendidos, como Ele fez, aos que estão fora” de nós.[31]
- Nós queremos glorificar a Deus. Verdadeiros cristãos desejam estender a verdade de Deus por todo lugar e assim “Deus estará sendo glorificado”.[32]
- Nós queremos agradar a Deus. Como Calvino escreveu: “É um sacrifício de agradecimento a Deus contribuir para a propagação do Evangelho”.[33] Para cinco estudantes que foram sentenciados a morte por pregarem na França, Calvino escreveu: “Vendo que [Deus] emprega as suas vidas em tão sublime causa como o de serem testemunhas do evangelho, não duvidem que isto é precioso para Ele”.[34]
- Nós temos um dever para com Deus. “É muito justo que devamos labutar para o aprofundamento do progresso do evangelho”, disse Calvino.[35] “É nosso dever proclamar a bondade de Deus a cada nação”.[36]
- Nós temos um dever para com os pecadores. Nossa compaixão para com os pecadores deve ser intensificada por nosso conhecimento de que “Deus não pode ser sinceramente invocado por qualquer outra pessoa senão por aquelas a quem, por meio da pregação do evangelho, foram dados conhecer Sua bondade e ternos sentimentos”.[37] Conseqüentemente, cada encontro, com outros seres humanos deve nos motivar a traze-los ao conhecimento de Deus”.[38]
- Nós estamos gratos a Deus. Aqueles que estão em débito com a misericórdia de Deus estão constrangidos a se tornar, como o salmista, um verdadeiro “publicitário” da graça de Deus a todos os homens.[39] Se a salvação é possível para mim, um grande pecador, então é possível para os outros também. Se eu não evangelizo, sou uma contradição. Como diz Calvino: “Nada pode ser mais inconsistente no que concerne à natureza da fé que aquela indiferença que leva um homem a desprezar seus irmãos e manter a luz do seu conhecimento... apenas em seu próprio coração”.[40] Nós devemos, em gratidão, trazer o evangelho para outros, não parecendo assim, indiferentes ou ingratos a Deus pela nossa própria salvação.[41]

Calvino nunca defendeu que a tarefa missionária estava completa com os Apóstolos. Ao invés disso, ele ensinou que cada Cristão deve testificar pela Palavra o ato da graça de Deus a qualquer um que ele encontrar.[42] A afirmação de Calvino do sacerdócio universal de todos os crentes envolve a participação da igreja, no mistério profético, sacerdotal e real. Ele comissiona os crentes a confessarem o nome de Cristo a outros (tarefa profética), para orar pela salvação deles (tarefa sacerdotal), e para discipliná-los (tarefa real). Isto é a base para a poderosa atividade evangelística por parte da igreja viva “até os confins da terra”.[43]

- Dr. J.R. Beeke é pastor da Congregação Reformada de linhagem Holandesa Heritage Netherlands em Grand Rapids, Michigam (USA). Presidente e Professor de Teologia Sistemática e Homilética no Puritan Reformed Theological Seminary e um prolífico autor.

Edição: Manoel Canuto
Edição gráfica: Heraldo Almeida
Fonte: [ Os Puritanos ]


Notas:

1 William Richey Hogg, “The Rise of Protestant Missionary Concern, 1517-1914”, in Theology of Christian Mission, ed. G. Anderson (New York: McGrawHill, 1961, pp. 96-97
2 David B. Calhoun, “John Calvin: Missionary Hero or Missionary Failure?”, Presbuterion 5, 1 (Spr 1979): 16-33 — to which I am greatly indebted in this article; W. Stanford Reid, “Calvin’s Geneva: A Missionary Centre”, Reformed Theological Review 42,3 (1983): 65-74.
3 Samuel M. Zwemer, “Calvinism and the Missionary Enterprise”, Theology Today 7, 2 (July 1950): 206-216; J. Douglas MacMillan, “ Calvin, Geneva, and Christian Mission”, Reformed Theological Journal 5 (Nov 1989): 5-17.
4 Johannes van den Berg, “Calvin’s Missionary Message”, The Evangelival Quartely 22 (1950): 174-87; Walter Holsten, “Reformation und Mission”, Archiv für Reformationsgeschichte 44,1 (1953): 1-32; Charles E. Edwards, “Calvin and Missions”, The Evangelical Quartely 39 (1967): 47-51; Charles Chaney, “The Missionary Dynamic in the Theology of John Calvin”, Reformed Review 17,3 (Mar 1964): 24-38.
5 Gustav Warneck, Outline of a History of Protestant Mission (London: Oliphant Anderson & Ferrier, 1906), pp. 19-20.
6 John Calvin, Commentaries of Calvin (Grand Rapids: Eerdmans, 1950ff.), on Psalm 2:8, 110:2, Matt. 6:10, 12:31,John 13:31. (Hereafter the format, Comentary on Psalm 2:8, will be used).
7 Commentary on Micah 4:3.
8 John Calvin, Sermons of M. John Calvin on the Epistles of S. Paule to Timothy and Titus, trans. L. T. (Edinburgh: Banner of Truth Trust reprint, 1983), sermon on 1 Timothy 2:5-6, pp. 161-72.
9 Commentary on Acts 2:1-4.
10 Commentary on Psalm 110:3.
11 T.F. Torrance, Kingdom and Church (London: Oliver and Boyd, 1956), p. 161.
12 Commentary on Matthew 24:30.
13 Commentary Romans 10:15.
14 Commentary Matthew 13:24-30.
15 John calvin, Institutes of the Christian Religion, ed. John T. McNeill and trans. Ford Lewis Battles (Philadelphia: Westminster Press, 1960), Book 4, chapter 1, section 5. )Hereafter the format, Institutes 4.1.5, will be used).
16 Commentary on Romans 10:14-17.
17 Commentary on Psalm 2:8.
18 Commentary on Isaiah 2:3.
19 Jules Bonnet, ed., Letters of Calvin, trans. David Constable and Marcus Robert Gilchrist, 4 vols. (New York, reprint), 4:263.
20 Commentary on Isaiah 49:2.
21 Commentary on Isaiah 45:22.
22 Institutes 3:20.42.
23 Sermons of Máster John Calvin upon the Fifthe Book of Moses called Deuteronomie, trans. Arthur Golding (Edinburgh: Banner of Truth Trust reprint, 1987), sermon on Deuteronomy 33:18-19. (Hereafter Sermon on Deuteronomy 33:18-19).
24 Institutes 3:20.42.
25 Institutes 3:20.43.
26 Sermon on Deuteronomiy 33:7-8.
27 Commetary on Micah 7:10-14.
28 Commetary on Hebrews 10:24.
29 Sermon on Deuteronomiy 33:18-19.
30 Commentary Matthew 13:24-30.
31 John Calvin, Sermons on the Epistle to the Ephesians, trans. Arthur Golding (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1973), sermon on Ephesians 4:15-16.
32 Bonnet, Letters of Calvin, 4:169.
33 Bonnet, Letters of Calvin, 2:453.
34 Bonnet, Letters of Calvin, 2:407.
35 Bonnet, Letters of Calvin, 2:453.
36 Commentary on Isaiah 12:5.
37 Institutes 3:20.11.
38 Sermon on Deuteronomiy 33:18-19
39 Commentary on Psalm 51:16.
40 Commentary on Isaiah 2:3.   
41 Sermon on Deuteronomiy 24:10-13.
42 Institutes 4.20.4.
43 Sermon on Deuteronomiy 18:9-15
 
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