Conselhos para Novos Pastores

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Por Tom Ascol

“Acabei de assumir o ministério em uma nova igreja, como faço para pregar verdades mais profundas do Evangelho de forma que o povo compreenda e aceite?

Se você é um novo pastor, certamente gostaria de receber alguns conselhos de colegas mais experientes, não? No vídeo abaixo, Tom Ascol (pastor há mais de 18 anos) oferece algumas dicas preciosas com relação a pergunta acima.


Resumindo, para você não esquecer:

1) Compromisso com a Palavra – mostre primeiro a importância da Palavra de Deus;

2) Quando sua congregação começar a amar a Escritura, passe a trazer verdades mais profundas do Evangelho.
Fonte: [ Blog Fiel
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A centralidade de Cristo em nossos pensamentos

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Por Heber Campos

Texto base: Marcos 12:28-30

Se compararmos o texto de Marcos com o texto original (Dt 6:5) perceberemos que Cristo adiciona o amar com “todo entendimento”. O ponto é deixar claro que temos que amar a Deus com todo nosso ser, inclusive nosso pensar. Mas pense sobre isso. Será que estamos acostumados a amar alguém com nossa mente? Falamos: “eu te amo de todo coração” ou “eu te amo de toda minha alma”, mas quem fala “eu te amo com todo meu cérebro”? Então, como amar a Deus com toda nossa mente, tendo nosso pensamento centrado em Cristo, principalmente fora da igreja?

Amar a Deus com todo o teu entendimento

Precisamos aprender a ter prazer tanto ao ler a Bíblia, quanto ao ler o livro da natureza, as coisas que Deus criou. E esse pensar faz com que nosso amor desperte. Quando você ama alguém você busca conhecê-la. Da mesma forma, quem ama a Deus irá buscar conhecê-lo; e quanto mais o conhecermos, mais glorioso Ele será aos nossos olhos.

Amar a Deus com todo o teu entendimento

Somos chamados para amar a Deus com o entendimento que já temos dele. Precisamos crescer em entendimento, mas isso não significa que para amar a Deus você precisa antes ser um PhD.

Amar a Deus com todo o teu entendimento

E este é o desafio: todo nosso pensamento, quer extensivamente (todo tipo de pensamento), como intensivamente (com todo empenho).

A primeira coisa que precisamos aprender disso é não dividir a mente, como se houvesse uma mentalidade para a igreja e outra para fora da igreja. A divisão não é se algo é de igreja (“gospel”) ou não, mas se Deus é honrado ou não – e isso pode acontecer tanto dentro como fora da igreja.

Em segundo lugar, será que pensamos como o mundo? Alguns exemplos:

  • O que é preciso para casar? Estabilidade financeira? Terminar a faculdade, mestrado, doutorado? Construir a casa própria? Não é assim que o mundo pensa? Será que temos, como o mundo, confiado no dinheiro ou temos confiado em Deus?
  • Tratamos fé e trabalho são coisas separadas? Será que um cristão pode trabalhar em qualquer coisa? Seu trabalho fere princípios morais da Escritura?
  • Somos seguidores ou criados de cultura? Será que estamos copiando as coisas do mundo e adicionado o termo “gospel” depois?

Se você pensa como o mundo, você será mundano mesmo que esteja dentro da igreja. Mas seja encorajado pelo exemplo de Daniel, que fez apesar de ter feito “a faculdade da Babilônia” (e você não precisa fugir da sua faculdade) não se contaminou com as coisas do mundo e manteve sua santidade e cosmovisão.


A centralidade de Cristo em nossas atitudes

Texto Base: Daniel 3

Eu comecei com o pensar e agora falarei de nossas atitudes, isso porque para a atitude ser correta, a mente tem que ser antes transformada.

Quero novamente deixar claro que mundanismo não é um local onde você possa estar, mas um vírus que pode contaminar tudo o que você faz, quer você esteja na igreja ou não. Deixe-me dar alguns exemplos de atitudes mundanas que nos infectam:

  • Quantos de nós, mesmo sendo cristãos, trabalhamos pensando no final de semana, dando graças a Deus que é sexta-feira? Isso porque pensamos que o trabalho é um fardo e que o bom é se divertir e gastar dinheiro. Essa é a forma que o mundo pensa. Um cristão entende que durante a semana, no trabalho, ele está em seu campo missionário e que no final de semana ele se recarrega e prepara para trabalhar de segunda a sexta.
  • Será que buscamos relacionamentos somente baseado em afinidade? Ou você busca amigos com o intuito de mostrar graça, como Jesus que andava com prostitutas, publicanos?

Saiba que o mundo impõe e pressiona um estilo de vida sobre todos, assim como Nabucodonosor impôs a adoração ao seu ídolo. E, infelizmente¸ muitos cristãos sedem a essa pressão. Por exemplo, você considera ter algumas dessas atitudes?

  • Imagina você escolher ter um namoro onde você escolhe ter pouco contato físico, porque você sabe que muito contato físico pode levá-lo ao pecado. Nós queremos namorar como o mundo namora, mas não queremos lidar com as consequências.
  • Imagina você optar por um emprego que paga menos, porque você pode passar mais tempo com sua família e sua igreja.
  • Imagina você jovem optar por não voltar tarde no sábado, porque depois é domingo e tem escola dominical. O mundo diz que sábado é o dia de passear e nós acabamos pensando e agindo dessa forma.
  • Imagina você deixar de assistir o jogo do seu time no domingo para praticar atos de misericórdia. O dia do Senhor para Jesus era o dia que Ele agia de forma redentiva.

Que tipo de pensamento e atitude tem dominado você?

Saiba também que o mundo não irá aceitar se você decidir seguir a Cristo. O mundo primeiro impõe seu estilo de vida e, se tentamos resistir, ele irá tentar nos persuadir e se, mesmo assim, permanecermos fiel, o mundo nos perseguirá. Não foi isso que Nabucodonosor fez a Sadraque, Mesaque e Abede-Nego?

É por isso que Paulo diz que “todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos” (2 Tm 3:12). Se você viver piedosamente em Cristo ou as pessoas que vivem do seu lado irão se converter ou odiá-lo. Os três amigos não sabiam o fim da história, mas mesmo assim, ao custo da vida deles, não se dobraram ao mundo. Eles estavam dispostos a perder a vida por amor ao Deus deles.

Porém, no final da história, Deus honrou a fé dos três amigos. Perceba que Deus não tirou seus servos da tribulação, mas os livrou em meio da tribulação. Deus não livrou do fogo, mas no fogo (Isaías 43:1,2). Deus mostrou que estava com aqueles que creem nele. Quão importante é sabermos que Cristo está conosco. Não é fácil evangelizar neste mundo tão pagão, mas Cristo promete estar conosco (Mt 28:19,20). Não é fácil repreender um irmão em pecado, mas Cristo promete estar conosco (Mt 18:15-20). Receba isso do Senhor: Ele promete ser o centro de nossa vida se enfrentarmos a fornalha.

E, por fim, perceba que dois benefícios surgem quando somos provados e aprovados:

  • nossa fé cresce
  • testemunhamos ao mundo – assim como Nabucodonosor reconheceu o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego.

Que Deus nos dê coragem para confiar neste Deus mesmo no meio das provações e ter uma atitude livre

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Os três processos da Reforma Protestante

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Por Alex Belmonte
A antiga verdade que Calvino, Agostinho e o apóstolo Paulo pregaram é a verdade que eu também devo pregar hoje; do contrário deixaria de ser fiel à minha consciência e ao meu Deus. Charles H. Spurgeon

A Reforma protestante foi o marco de uma nova fase da História da Humanidade. Com ela o Cristianismo retomou sua verdadeira identidade, contribuindo assim para a restauração do homem caído e para uma grande visão bíblica de valorização humana.

Mas a Reforma não aconteceu da noite para o dia. Foram séculos de pequenas manifestações e reações por parte daqueles que enxergavam uma igreja em decadência, que precisava urgentemente rever seus valores. Muitos foram ridicularizados, calados á força e mortos á fogueira da inquisição, isto é, a “igreja” estava tão decadente que dia a dia levava o Evangelho a empedernir a ponto de matar até mesmo seus próprios filhos.

Para a conclusão do propósito divino de restauração da Igreja de Cristo, a Reforma passou por três grandes processos em sua execução: A Reforma Teológica, a Reforma Litúrgica, e a Reforma Missionária, ou missiológica. 

1º Processo: A Reforma Teológica: A reforma teológica significou o resgate da pureza do Evangelho e foi a base do retorno ás Escrituras. Foi o momento do rompimento definitivo com o paganismo religioso que a Igreja Romana havia abraçado e o estabelecimento dos valores e princípios da Bíblia, centrados em Cristo, sua Graça, na Fé verdadeira e na Glória somente a Deus. Estes cinco valores fundamentais conhecidos em Latim como Sola Scriptura, Solo Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria se tornaram o fundamento da Teologia Reformada. A Igreja Romana havia cometido um desvio teológico tão flácido e vexatório que nem mesmo o povo tinha acesso á leitura da Bíblia, excluindo assim uma prática nobre da igreja de Cristo (Atos 17.11). Os Bispos se auto intitularam papas. A instituição da intercessão aos mortos e a substituição do culto cristão pelas rezas e missas davam ar de que a verdadeira teologia havia sido destruída. No ano 416 d.C teve início ao batismo de crianças recém nascidas e pouco tempo depois, em 431, é estabelecido o culto a Maria, mãe de Jesus. Mas os desvios teológicos vão além com a oficialização do purgatório e com o culto às imagens. Por fim, a venda de indulgência, ou seja, pagar pela salvação foi o maior golpe da Igreja Romana contra a pureza do Evangelho.

Coube aos teólogos Martinho Lutero e John Calvino esse resgate bíblico. Lutero em 31 de outubro de 1517, afixou na porta da Igreja de Wittenberg, na Alemanha, suas 95 teses e Calvino com a sistematização teológica lançou a grande obra “Instituição da Religião Cristã” em 1536. Esses acontecimentos de comportamento guapo dos líderes cristãos deram início á reforma teológica na cristandade. 

2º Processo: A Reforma Litúrgica: O vocábulo “Liturgia“, em grego, formado pelas raízes leit- (de “laós”, povo) e -urgía (trabalho, ofício) significa serviço ou trabalho público. Por extensão de sentido, passou a significar também, no mundo grego, o ofício religioso, na medida em que a religião no mundo antigo tinha um caráter eminentemente público. A liturgia é considerada por várias denominações cristãs o momento da adoração e celebração ao Deus vivo. É o culto ao Senhor, pelo povo do Senhor. Mas o Romanismo havia deturpado o culto também, e com as cansadas missas, cheias de artifícios religiosos, transformou o momento de devoção á Deus num período de tristeza e escravidão religiosa, sem vida e sem a graça de Deus. As missas como eram conhecidas, pareciam mais uma prisão obrigatória de um ritual que não oferecia ao cristão a oportunidade de uma nova experiência com Deus e seu Espírito, e nem mesmo transmitia a alegria da Salvação uma vez conquistada por Cristo. Faltava a Bíblia, a pregação poderosa pela unção, o compartilhamento da fé entre membros do corpo. Faltava a essência da verdadeira adoração, do tempo-momento, da edificação espiritual.

Os reformadores foram unânimes na Reforma litúrgica e começaram com a música, com o louvor ao Deus Trino. Lutero, exemplo de musicista compôs hinos que marcaram gerações. Louvores que ecoaram em toda a Europa.

Mas a liturgia envolvia também o momento do ensino da palavra. Nesse âmago o reformador suíço Úlrico Zwínglio revelou sua ousadia na exposição e ampla visão bíblica. Zwínglio morreu, mas o movimento iniciado por ele não morreu. As igrejas que surgiram como resultado do movimento iniciado por Zwínglio são chamadas de igrejas reformadas em alguns países.

A restauração do Culto ao Senhor foi o resultado do espírito jocoso de nossos reformadores. 

3º Processo: A Reforma Missiológica: O que foi então a Reforma missiológica? O que isso teve haver com o processo da Reforma Protestante?

Acontece que a Igreja Romana havia perdido de vez a verdadeira visão missionária de pregação do Evangelho em todo o mundo. Suas preocupações políticas e econômicas cegavam a verdadeira responsabilidade para com os perdidos. A obra de expansão do Evangelho não era mais exequível, pois dera lugar á busca de conquistas territoriais e guerras religiosas.

O período da Reforma missiológica começa com John Knox (1515-1587) passando por ilustres homens como Moody, Hudson Taylor, Bunyan, George Whitefield e muitos outros. Mas ninguém se destacou tanto na restauração da visão missionária do que Guilherme Carey conhecido como o “pai das missões modernas”.

O sapateiro que tinha em sua oficina um grande mapa-mundi, olhou para o mundo com o coração, e levou o Evangelho ás vidas mais distantes, enfrentando os mais diversos desafios.

Além de atingir a Reforma missiológica, a atitude para com a Igreja abrangia ao mesmo tempo algo muito expressivo que havia também se deteriorado: A pregação relevante e seu poder transformador. 

Enfim, a Reforma missionária definia os caminhos verdadeiros da Igreja de Cristo. Onde quer que esteja a Igreja do Senhor, estaria ali também um povo livre, de uma teologia pura e restaurada, da liturgia que exalta unicamente a Deus e não ao homem, e de uma chama missionária que jamais se apagou. 

Fonte: [ NAPEC
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Ao pastor Silas Malafaia: de uma ilustre desconhecida

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Por Mikaella Campos

Realmente, eu não sou ninguém. Sou apenas uma jovem mulher de 28 anos, casada, que trabalha, cuida da casa e do marido e ainda dedica parte do tempo à leitura da Palavra de Deus e à adoração àquele que tudo fez. Nunca assumi uma igreja. Nunca tive os holofotes sobre mim. Realmente, eu não sou ninguém. O que me faz sentir algo é a presença inimaginável do Espírito Santo. Esse habita em mim, move-me, ensina-me a pensar e a identificar por meio das Escrituras algo que está longe de ser a pregação do evangelho. É essa presença em mim que me faz ser alguém. Alguém com autoridade para refutar falsas doutrinas. É o Espírito Santo que tem transformado o meu caráter e me feito pensar quanto que tenho que melhorar para chegar aos pés da sabedoria e da santidade de Jesus Cristo.

Se a minha vida como cristã é ser imitadora de Jesus (Efésios 5.1, Hebreu 6.12, I Coríntios 11.1), ao contrário do que o senhor diz, eu, a ilustre desconhecida, tenho autoridade dada por Jesus para usar o lado questionador, crítico, impetuoso, revolucionário de Cristo. Não sei se o senhor já leu a Bíblia, mas no Novo Testamento, podem-se encontrar momentos em que Jesus enfrentava os líderes religiosos da época. Esse pessoal era recheado de hipocrisia, mentiras. Diziam-se santos, mas não passavam de tartufos, que se cobriam com capas religiosas viciadas de corrupção.

Os fariseus de hoje são os nossos líderes religiosos, que podemos chamar de povo pseudo-evangélico. Grupo, no qual, o senhor participa e não faz questão de mostrar humildade. São pastores dominados pela arrogância assim como os hipócritas do passado. Como serva de Cristo tenho o direito de não ser simpática a falsas doutrinas e a comportamentos infantis e egocêntricos na pregação da mensagem de Deus. Jesus raramente era cordial com as falsas autoridades religiosas. Eu também tenho o direito de não ser.

Primeiro questionamento

Para começar a questionar a sua carta, digo que a internet hoje tem desempenhado um importante papel na pregação de um evangelho longe das teorias humanas que sempre rondaram às igrejas. Ao contrário dos pensamentos ditatoriais de alguns pastores como o senhor, a internet é um lugar onde as pessoas têm encontrado espaço para questionar esse evangelho raso, de fundo de quintal, que tem sido anunciado por aí. Durante muito tempo, pastores como o senhor faziam de tudo para deixar o povo cego e ignorante à verdadeira mensagem do evangelho. Mas graças ao bom Jesus Cristo, pela internet, têm se levantado pessoas capazes de confrontar mentirosos e de apontar os erros teológicos, doutrinários que estão levando muitas almas para o inferno.

E o seu argumento quanto aos críticos não passa de uma mensagem infantilizada e sem qualquer fundamento bíblico. Ser contrário a uma mensagem recheada de inverdades não significa ter inveja. Na verdade, mostra como o povo cristão tem adquirido um conhecimento divino para lutar contra falsas doutrinas. E quando o senhor chama os críticos de invejosos, pessoas frustradas, recalcadas, a sensação que tenho é que o senhor não conseguiu ainda provar biblicamente que está certo, que tem respaldo de Deus para ser uma “voz profética”.

Quanto ao ódio que o senhor diz que os críticos têm podemos ver esse sentimento estampado, na verdade, na sua face, nas suas palavras. Porque, se houvesse amor nas suas mensagens, os cristãos que estão indo contra o senhor, pastor Malafaia, não se sentiriam tratados com hostilidade.

O mesmo texto que citou de Mateus 7.1 (“não julgueis, para que não sejais julgados”, e Lucas 6:38b “porque com a mesma medida que medirdes, também vos medirão de novo”), deixo para o senhor. Pois, o senhor, pastor, disse em alto e bom tom que os críticos da sua mensagem são caluniadores, difamadores e a voz do diabo. Ou será que Deus, além da voz profética, concedeu ao senhor o direito de julgar as pessoas que só querem ver uma pregação pura, sem sujeira, sem corrupção ser anunciada no nosso país?

Segundo questionamento

Não estou aqui para escrever um artigo sobre sua vida como pastor. Afinal, como o senhor mesmo disse, foram 30 anos de chamado. No entanto, não posso deixar escapar uma questão um pouco atrevida que o senhor colocou na sua carta. O senhor diz não receber salários da igreja, mas que as pessoas estão falando mal do senhor porque Deus tem te abençoado e honrado a tua fidelidade. Quando li isso, lembrei-me do apóstolo Paulo que recebia as doações de outros cristãos e compartilhava tudo com os pobres. O carro blindado que ganhou, o que o senhor fez com ele? Vendeu para repartir para os pobres e para que o dinheiro fosse usado na expansão do evangelho? E o seu avião particular? O senhor também ganhou? E quando o senhor fala que as igrejas deixam seus pastores na miséria, será que esse questionamento não serve para o senhor? Já que é tão abençoado, por que não compartilhar essa graça?

Sinceramente, eu não estou com raiva do senhor porque eu ando de Ford Ka 2007 enquanto o senhor anda de carro blindado. O que me deixa indignada é a forma que o senhor se reporta às pessoas, chamando-as de invejosas porque não têm os mesmos ganhos que o senhor. A maior parte da população desse país, até entre os cristãos (não sei se o senhor sabia disso), precisa trabalhar para ter um salário que lhes ofereça pelo menos a chance de se alimentar com dignidade. Para conseguir comprar uma roda de bicicleta, como o senhor fala, essas famílias precisam viver anos de economia até conseguir o dinheiro o suficiente para conquistar o sonho. Será que essas famílias são menos abençoadas por Deus por que nunca ganharam um relógio nem do Paraguai, enquanto o senhor anda para cima e para baixo com relógio de ouro que ganhou de algum amigo?

E já que a sua vida e seu ministério são testemunhos do que Deus tem feito, por que o senhor teme a investigação da Receita Federal e do Ministério Público? Se tudo está correto, se não houve nenhuma enganação, por que ter medo de abrir as contas e mostrar de onde vem o seu sustento? E por que não agir com clareza em vez de fugir das investigações?

Eu te desafio

Eu, senhor pastor, lanço-te um desafio: a mostrar com clareza sua vida e ainda a dividir todo o seu patrimônio acumulado com os pobres. Desafio também, senhor pastor Malafaia, para ir pregar a teologia da prosperidade no sertão, onde há fome. Na África, onde as crianças morrem desnutridas, onde as mães dão seus seios secos para tentar afagar a fome dos seus bebês. Desafio, o senhor pastor, a ir às favelas entregar tudo o que senhor arrecadou com as bênçãos de Deus para aquelas famílias que estão com dificuldade para se alimentar.

Minha oração

Toda vez que faço uma crítica a uma falsa doutrina, seja por meio de blogs, Facebook, Twitter, ou mesmo nos grupos da igreja a qual pertenço, não fico feliz por isso. Na verdade, sou dominada por uma grande tristeza, pois sei que muitas almas estão sedentas de Deus, mas estão sendo guiadas por líderes cegos. E ao contrário do que o senhor diz, eu oro não para que pastores hipócritas como o senhor caiam. Eu oro a Deus para que o senhor e os outros líderes se convertam de verdade. Peço a Deus para tirar a arrogância do coração dos senhores e que o desejo de ser humilde e pacificador possa dominar o coração dos atuais apóstolos do poder.
 

Rio+20: besteirol totalitário e anticristão

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Rio+20: besteirol totalitário e anticristãoPor Edson Camargo

Herança do Senhor são os filhos; o fruto do ventre, seu galardão.” Salmo 127:3

“O homem não é mais importante que qualquer outra espécie… Pode ser que nossa extinção conserte as coisas”.
David Foreman, porta-voz da Ong ‘Earth First!’

Uma das grandes palhaçadas desta Rio+20, além da insistência na tese furada do “aquecimento global” por conta do melancia-mor Gorbachev e sua trupe, foi a conclamação, da parte dos integrantes de 105 academias de ciência (ligadas à IAP), para que chefes de estado presentes ao evento elaborem um plano mundial para a diminuição da população do planeta. Para lá de duvidosa no que diz respeito às suas intenções e fundamentação científica, e sabendo que o Clube de Roma já fazia previsões escabrosas na década de 70 e nada se cumpriu, a proposta lembra-me os mandamentos secularistas das Pedras da Geórgia, monumento de autoria misteriosa (um tal R. C. Christian, pseudônimo) que nem por isso deixa de ter seus postulados defendidos por celebridades e no qual há notórias correlações com seitas pagãs e orientais. De acordo com o próprio monumento, foi erigido com o patrocínio de “um pequeno grupo de americanos que segue ‘a idade da Razão’”.

Na lição de casa que o monumento deixa para toda a humanidade, consta reduzir a população para um índice abaixo de 500 milhões de pessoas, “controlar a reprodução sabiamente”, e “não ser um câncer sobre a terra” deixando espaço para a natureza.

Vale destacar que nada disso é novo e intelectuais de esquerda no mundo inteiro já manifestaram anteriormente apoio a tais ideias.

Se você perguntar se não era pensando nas gerações futuras que se realizam encontros dessa espécie, tudo aponta para uma resposta: a solução encontrada é salvar o planeta acabando com as gerações futuras. É a cultura da morte, mais uma vez aí. Pessoas que não foram infectadas pelo vírus mental do ecofascimo podem até rir, mas é sempre bom ter em mente: entre progressismo globalista e lógica nunca há afinidade. Que o digam os milhares de cientistas que refutam a tese do aquecimento global, como os 17 mil (atualizando:  hoje são 31.487, leia nota ao fim do artigo) que assinaram a Petição do Oregon e os brasileiros Luiz Carlos Molion e Ricardo Augusto Felício.

Pois bem. Entre as propostas dos belezuras do IAP está exatamente o controle do tamanho das famílias, o que nos remete direta e necessariamente aos abortos forçados na China comunista. Agora as feministas, as que se dizem vadias e outros progressistas poderão celebrar: podem evocar, sinistramente, finalidades sócio-ambientais para se matar nascituros. A conversinha destes cientistas é exatamente a mesma das “vadias”: “saúde reprodutiva”, “programas de planejamento familiar”, etc..

Outra manifestação de “amor” pelo planeta e pelos seres humanos (o potencial “câncer” das Pedras da Geórgia) evidencia-se na proposta de fazer com que os velhos trabalhem até a morte. Sim, defendem o fim das aposentadorias, pois haverá cada vez menos jovens disponíveis no mercado. Sacumé, a vida continua. Elite globalista ecossocialmente responsável que se preza quer serviços públicos e privados (se existirem…) funcionando no máximo da capacidade e eficiência… A conversa mole é esta: “melhorar a qualidade de vida dos idosos e criar novas oportunidades para que ele continue a contribuir para a sociedade.” Sei.

Charles Godfrey, membro da British Royal Society e um dos manda-chuvas da IAP afirmou: “Por muito tempo, população e consumo foram excluídos do debate devido à sua natureza sensível, da política e ética. Estas são questões que afetam tanto os países desenvolvidos como os que estão a se desenvolver, e devemos assumir esta responsabilidade.” Para mim, o que Godfrey afirma tem um sentido claro: “até um tempo atrás, as pessoas se preocupavam mais com besteiras como a sacralidade da vida, e outras frescuras religiosas e filosóficas. Agora o mundo está mais próximo do colapso e quem nasce e quem morre é assunto para nós, os especialistas verdes. Dá licença”.  Como se vê,  Charles Godfrey é mais um daqueles que afirma candidamente e seguro de si: “o mundo será melhor se eu der as cartas”.

Estou esperando alguma objeção, algum protesto, algum “vamos com calma!”, para essas sandices de alguém que de alguma forma, está envolvido com as atividades da Rio +20. Pode ser um ongueiro, um religioso, um maconheiro vegan que seja. Até agora não me chegou nada.

É nisso que dá essa mistureba entre tecnocracia, socialismo, secularismo anticristão, cientificismo e neopaganismo panteísta que faz a cabeça desse gente que atua na ONU, nas ONG´s, e nas fundações multimilionárias financiadoras dessa piada demoníaca que é a implantação de um governo mundial. É nisso que dá deixar gente como Leonardo Boff, Fritjof Capra, Marina Silva, e entusiastas de autores como Malthus, Madame Blavatski, Aleister Crowley e Alice Bailey conversando por muito tempo e ganhando dim-dim das Fundações Ford, Rockefeller, Carneggie, do George Soros, etc..

Ao menos fica claro, além do viés totalitário do ambientalismo – já denunciado há anos por autores como Pascoal Bernardin – o anticristianismo descarado dos ecofascistas. A maioria deles é ocidental: foi criado num ambiente em que princípios cristãos tiveram uma influência decisiva na formação da sociedade, na cultura e no estamento jurídico. Eles sabem contra quem estão se voltando. Muitos sabem que abrem mais precedentes para que a perseguição cultural à fé cristã recrudesça.

Afinal, no ecumenismo da ONU, não há lugar para quem crê que “filhos são herança do Senhor”; que Deus fez a Terra para o homem, para que este a domine; que Deus, sendo o Autor da vida, é o único que pode tirá-la, e que como Criador e Senhor da história humana, fez um planeta forte o suficiente para agüentar até o fim dos tempos. E que também dá diretrizes ao homem em relação ao cuidado com o meio ambiente, mas que jamais trocaria a vida de um bebê pelo universo inteiro.

Nota:
17 mil cientistas eram em 2007. Atualmente, a Petição do Oregon tem o apoio de 31.487 cientistas, dentre os quais 9.029 PhD’s.  
Links: http://www.oism.org/s32p31.htm e http://www.petitionproject.org/index.php.

Sobre o autor: Jornalista e músico, é editor-executivo do site de opinião e análise de conteúdo midiático "Mídia Sem Máscara". Estudioso da filosofia, com ênfase nas áreas de teoria do conhecimento, história das idéias e filosofia política, é um amante dos grandes temas da teologia e um entusiasta da educação clássica. 
 
Fonte: [ Gospel+ ]
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João Calvino como Professor de Evangelismo

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Por Dr. J.R. Beeke

Não poucos estudiosos ficam surpresos com o título deste artigo. Alguns poderão dizer que o catolicismo romano manteve a tocha evangelística do Cristianismo via as poderosas forças do Papado, dos monastérios, e da monarquia, enquanto Calvino e os outros Refor-madores tentaram extingui-la.[1] Outros irão afirmar que João Calvino (1509-1564), o pai da doutrina e teologia Reformada e Presbiteriana, foi preponderantemente responsável pelo ressurgimento da tocha do evangelismo bíblico durante a Reforma.[2]

Alguns ainda irão creditar a Calvino ser o pai teológico do movimento missionário Reformado.[3] Visões da atitude de Calvino sobre o evangelismo e missões tem ido desde ao moderado, ao rico suporte do lado positivo,[4] até quase um silêncio indiferente e ativa oposição do lado negativo.[5]

Aqueles que vêm o evangelismo de Calvino negativamente são:
- Pessoas que falham em estudar os escritos de Calvino antes de tirarem suas conclusões.
- Pessoas que falham em entender a visão do evangelismo de Calvino em seu próprio contexto histórico.
- Teólogos que trazem preconcebidas noções sobre Calvino no escopo de sua teologia.
- Críticos, entre os quais estão aqueles que afirmam que a doutrina da eleição exposta por Calvino nega o Evangelismo.

Para chegar corretamente à visão de Calvino sobre evangelismo, temos que entender o que ele mesmo tem a dizer sobre esta matéria. Nós devemos olhar pelo completo escopo da visão de Calvino, tanto no seu ensinamento como na sua prática. Neste artigo, nós iremos imaginar as referências ao evangelismo nas Institutas da Religião Cristã, nos seus comentários, sermões e cartas. Então, talvez, em futuros artigos, nós possamos olhar o trabalho evangelístico de Calvino (1) em seu rebanho, (2) em seu período na cidade de Genebra, (3) na grande Europa, e (4) em oportunidades de missões além mar. Como iremos ver, Calvino foi mais evangelista do que é geralmente reconhecido. Através de sua instrução e prática, ele reacendeu a tocha do evangelismo bíblico e reformado, centrado em Deus.

Como era o ensinamento evangelístico de Calvino? Em que sentido ele exortava os crentes a procurarem a conversão de todas as pessoas, inclusive aqueles que estavam dentro da Igreja, como também daqueles que estavam fora dela, no mundo?

Assim como os outros Reformadores, Calvino ensinava evangelismo, de forma geral, por meio da proclamação do evangelho e pela reforma da igreja de acordo os requisitos bíblicos. Mais especificamente, Calvino ensinou o evangelismo enfocando a universalidade do Reino de Cristo e a responsabilidade dos cristãos em cooperarem na extensão deste Reino.

A universalidade do Reino de Cristo foi um tema freqüentemente repetido no ensinamento de Calvino.[6] Nestes ensinamentos ele dizia que todas as Três Pessoas da Trindade estão envolvidas na propagação do Reino. O Pai não irá mostrar “apenas em um canto, o que a verdadeira religião é, mas Ele enviará Sua voz aos limites extremos da terra”.[7] Jesus veio “para estender Sua graça sobre todo o mundo”.[8] E o Espírito Santo descendo para “alcançar todos os confins e extremidades do mundo”.[9] Em suma, uma incontável multidão “a qual será levantada por toda a terra”, irá ser nascida de Cristo.[10] E o triunfo do reino de Cristo irá se tornar manifesto em qualquer lugar entre as nações.[11]

Como irá o Deus Trino estender o seu reino através do mundo? A resposta de Calvino envolve tanto a soberania de Deus como nossa responsabilidade. Ele diz que a obra do evangelismo é obra de Deus e não nossa, mas que Ele usará os Seus servos como Seus instrumentos. Citando a parábola do semeador, Calvino explica que Cristo semeia a sua palavra de vida em todo o lugar (Mt 13:24-30), fazendo crescer Sua Igreja não por meios humanos, mas pelo poder celestial.[12] O evangelho “não cai das nuvens como chuva”, no entanto ele é “trazido pelas mãos de homens que vão onde Deus os mandou”.[13] Jesus nos ensina que Deus “usa o nosso trabalho e nos impulsiona para ser Seus instrumentos no cultivo do Seu solo”.[14] O poder reside em Deus, mas Ele revela a Sua salvação através da pregação do evangelho.[15] O evangelismo de Deus causa o nosso evangelismo.[16] Nós somos os seus cooperadores, e Ele nos permite participar da “honra de constituir Seu Filho governador do mundo inteiro”.[17]

Calvino ensinou que o método ordinário de “tornar coletiva a igreja” é por meio da voz exterior dos homens; “porque Deus mesmo pode trazer por sua secreta influência, no entanto ele ainda emprega a agência do homem e desperta em nós uma ansiedade sobre a salvação um do outro”.[18] Calvino vai mais longe, chegando a dizer: “Nada retarda mais o progresso do Reino de Cristo do que a insuficiência dos ministros”.[19] Embora a palavra final não seja por nenhum esforço humano. É o Senhor, diz Calvino, que faz “a voz do evangelho ressoar não apenas em um lugar, porém longe e amplamente através do mundo inteiro”.[20] O evangelho não é pregado ao acaso às nações, mas pelo decreto de Deus.[21]

De acordo com Calvino, esta ligação entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana no evangelismo oferece as seguintes lições:

1. Como evangelistas reformados, nós devemos orar diariamente pela extensão do reino de Cristo. Como Calvino disse: “Nós devemos diariamente desejar que Deus reúna as igrejas para Ele mesmo, de todos os lugares da terra”.[22] Desde que Deus se apraz em usar nossas orações para completar os Seus propósitos, devemos orar pela conversão dos pagãos.[23] Calvino escreve: “Isto deve ser um objetivo em nossos desejos diários, de que Deus reúna as igrejas para Ele mesmo de todas as nações do mundo; que possa ampliar o seu número, enriquecê-las com dons e estabelecer uma ordem legítima entre elas”.[24] Através da oração diária para que venha o reino de Deus, nós “professamos que somos servos e filhos de Deus profundamente comprometidos com Sua reputação”.[25]

2. Nós não devemos ficar desencorajados pela falta de sucesso visível no esforço evangelístico mas devemos persistir orando. “Nosso Senhor exercita a fé dos Seus filhos; é por isso que Ele não faz tão facilmente com Sua mão as coisas que Ele prometeu. Isso é uma coisa especialmente aplicada ao reino de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Calvino escreve: “Se Deus passa todo um dia ou um ano [sem nos dar frutos], isto não é para nós desistirmos, ao contrário devemos orar e não duvidar que Ele ouve a nossa voz”.[26] Devemos nos manter em oração, crendo que “Cristo irá manifestadamente exercitar o poder que lhe foi dado para a nossa salvação e para a salvação do mundo inteiro”.[27]

3. Nós devemos trabalhar diligentemente pelo aumento do reino de Cristo sabendo que nosso trabalho não será em vão. Nossa salvação obriga-nos a trabalhar pela salvação dos outros. Calvino diz: “Nós fomos chamados por Deus nesta condição, para que cada um possa posteriormente levar outros à verdade, para restaurar os desgarrado ao caminho certo, para estender a mão de ajuda aos caídos, e dar o que temos ganhado àqueles que não têm”.[28] No entanto, não é suficiente para cada homem estar ocupado com outras maneiras de servir a Deus. “Nosso zelo deve ser ampliado para trazer outros homens”. Devemos fazer tudo, dentro de nossa capacidade, para trazer todos os homens da terra para Deus”.[29]

Existem muitas razões porque temos que evangelizar. Calvino oferece as seguintes:

- Deus nos manda fazer isso. “Devemos nos lembrar que o evangelho é pregado não apenas pela ordenança de Cristo, mas pela Sua argüição e direcionamento”.[30]
- Deus nos direciona pelo exemplo. Como nosso gracioso Deus fez conosco, nós devemos estar com nossos “braços estendidos, como Ele fez, aos que estão fora” de nós.[31]
- Nós queremos glorificar a Deus. Verdadeiros cristãos desejam estender a verdade de Deus por todo lugar e assim “Deus estará sendo glorificado”.[32]
- Nós queremos agradar a Deus. Como Calvino escreveu: “É um sacrifício de agradecimento a Deus contribuir para a propagação do Evangelho”.[33] Para cinco estudantes que foram sentenciados a morte por pregarem na França, Calvino escreveu: “Vendo que [Deus] emprega as suas vidas em tão sublime causa como o de serem testemunhas do evangelho, não duvidem que isto é precioso para Ele”.[34]
- Nós temos um dever para com Deus. “É muito justo que devamos labutar para o aprofundamento do progresso do evangelho”, disse Calvino.[35] “É nosso dever proclamar a bondade de Deus a cada nação”.[36]
- Nós temos um dever para com os pecadores. Nossa compaixão para com os pecadores deve ser intensificada por nosso conhecimento de que “Deus não pode ser sinceramente invocado por qualquer outra pessoa senão por aquelas a quem, por meio da pregação do evangelho, foram dados conhecer Sua bondade e ternos sentimentos”.[37] Conseqüentemente, cada encontro, com outros seres humanos deve nos motivar a traze-los ao conhecimento de Deus”.[38]
- Nós estamos gratos a Deus. Aqueles que estão em débito com a misericórdia de Deus estão constrangidos a se tornar, como o salmista, um verdadeiro “publicitário” da graça de Deus a todos os homens.[39] Se a salvação é possível para mim, um grande pecador, então é possível para os outros também. Se eu não evangelizo, sou uma contradição. Como diz Calvino: “Nada pode ser mais inconsistente no que concerne à natureza da fé que aquela indiferença que leva um homem a desprezar seus irmãos e manter a luz do seu conhecimento... apenas em seu próprio coração”.[40] Nós devemos, em gratidão, trazer o evangelho para outros, não parecendo assim, indiferentes ou ingratos a Deus pela nossa própria salvação.[41]

Calvino nunca defendeu que a tarefa missionária estava completa com os Apóstolos. Ao invés disso, ele ensinou que cada Cristão deve testificar pela Palavra o ato da graça de Deus a qualquer um que ele encontrar.[42] A afirmação de Calvino do sacerdócio universal de todos os crentes envolve a participação da igreja, no mistério profético, sacerdotal e real. Ele comissiona os crentes a confessarem o nome de Cristo a outros (tarefa profética), para orar pela salvação deles (tarefa sacerdotal), e para discipliná-los (tarefa real). Isto é a base para a poderosa atividade evangelística por parte da igreja viva “até os confins da terra”.[43]

- Dr. J.R. Beeke é pastor da Congregação Reformada de linhagem Holandesa Heritage Netherlands em Grand Rapids, Michigam (USA). Presidente e Professor de Teologia Sistemática e Homilética no Puritan Reformed Theological Seminary e um prolífico autor.

Edição: Manoel Canuto
Edição gráfica: Heraldo Almeida
Fonte: [ Os Puritanos ]


Notas:

1 William Richey Hogg, “The Rise of Protestant Missionary Concern, 1517-1914”, in Theology of Christian Mission, ed. G. Anderson (New York: McGrawHill, 1961, pp. 96-97
2 David B. Calhoun, “John Calvin: Missionary Hero or Missionary Failure?”, Presbuterion 5, 1 (Spr 1979): 16-33 — to which I am greatly indebted in this article; W. Stanford Reid, “Calvin’s Geneva: A Missionary Centre”, Reformed Theological Review 42,3 (1983): 65-74.
3 Samuel M. Zwemer, “Calvinism and the Missionary Enterprise”, Theology Today 7, 2 (July 1950): 206-216; J. Douglas MacMillan, “ Calvin, Geneva, and Christian Mission”, Reformed Theological Journal 5 (Nov 1989): 5-17.
4 Johannes van den Berg, “Calvin’s Missionary Message”, The Evangelival Quartely 22 (1950): 174-87; Walter Holsten, “Reformation und Mission”, Archiv für Reformationsgeschichte 44,1 (1953): 1-32; Charles E. Edwards, “Calvin and Missions”, The Evangelical Quartely 39 (1967): 47-51; Charles Chaney, “The Missionary Dynamic in the Theology of John Calvin”, Reformed Review 17,3 (Mar 1964): 24-38.
5 Gustav Warneck, Outline of a History of Protestant Mission (London: Oliphant Anderson & Ferrier, 1906), pp. 19-20.
6 John Calvin, Commentaries of Calvin (Grand Rapids: Eerdmans, 1950ff.), on Psalm 2:8, 110:2, Matt. 6:10, 12:31,John 13:31. (Hereafter the format, Comentary on Psalm 2:8, will be used).
7 Commentary on Micah 4:3.
8 John Calvin, Sermons of M. John Calvin on the Epistles of S. Paule to Timothy and Titus, trans. L. T. (Edinburgh: Banner of Truth Trust reprint, 1983), sermon on 1 Timothy 2:5-6, pp. 161-72.
9 Commentary on Acts 2:1-4.
10 Commentary on Psalm 110:3.
11 T.F. Torrance, Kingdom and Church (London: Oliver and Boyd, 1956), p. 161.
12 Commentary on Matthew 24:30.
13 Commentary Romans 10:15.
14 Commentary Matthew 13:24-30.
15 John calvin, Institutes of the Christian Religion, ed. John T. McNeill and trans. Ford Lewis Battles (Philadelphia: Westminster Press, 1960), Book 4, chapter 1, section 5. )Hereafter the format, Institutes 4.1.5, will be used).
16 Commentary on Romans 10:14-17.
17 Commentary on Psalm 2:8.
18 Commentary on Isaiah 2:3.
19 Jules Bonnet, ed., Letters of Calvin, trans. David Constable and Marcus Robert Gilchrist, 4 vols. (New York, reprint), 4:263.
20 Commentary on Isaiah 49:2.
21 Commentary on Isaiah 45:22.
22 Institutes 3:20.42.
23 Sermons of Máster John Calvin upon the Fifthe Book of Moses called Deuteronomie, trans. Arthur Golding (Edinburgh: Banner of Truth Trust reprint, 1987), sermon on Deuteronomy 33:18-19. (Hereafter Sermon on Deuteronomy 33:18-19).
24 Institutes 3:20.42.
25 Institutes 3:20.43.
26 Sermon on Deuteronomiy 33:7-8.
27 Commetary on Micah 7:10-14.
28 Commetary on Hebrews 10:24.
29 Sermon on Deuteronomiy 33:18-19.
30 Commentary Matthew 13:24-30.
31 John Calvin, Sermons on the Epistle to the Ephesians, trans. Arthur Golding (Edinburgh: Banner of Truth Trust, 1973), sermon on Ephesians 4:15-16.
32 Bonnet, Letters of Calvin, 4:169.
33 Bonnet, Letters of Calvin, 2:453.
34 Bonnet, Letters of Calvin, 2:407.
35 Bonnet, Letters of Calvin, 2:453.
36 Commentary on Isaiah 12:5.
37 Institutes 3:20.11.
38 Sermon on Deuteronomiy 33:18-19
39 Commentary on Psalm 51:16.
40 Commentary on Isaiah 2:3.   
41 Sermon on Deuteronomiy 24:10-13.
42 Institutes 4.20.4.
43 Sermon on Deuteronomiy 18:9-15
 
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Deus me livre!

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Por Josemar Bessa

"Deus me livre", diz o grande apóstolo, "que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio da qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo”. Gálatas 6:14"

Cada cristão verdadeiro tem experimentado o poder da cruz em crucificar o mundo. A grande característica do homem regenerado é que ele não é mais o que já foi um dia. “... se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que tudo se fez novo!” 2 Coríntios 5:17.

A mudança dos pensamentos, desejos que mudam do tempo para a eternidade é a evidência substancial de que houve uma nova criação de Deus pela qual o cristianismo vive nos corações dos homens, e sem a qual ninguém de fato está no Reino de Deus.

O mundo que encanto o homem natural é visto como não digno de um olhar porque a cruz apresenta a luz verdadeira as coisas do tempo e do sentido.

Mesmo os encantamentos que são lícitos em si mesmos, tem um defeito inerente, são temporais. O remédio que a cruz traz ao pecado, é um remédio para uma raça que está em extinção, mostrando  claramente que cada objeto dos sentidos são limitados pelo tempo, e que nenhuma qualidade nem excelência pode torná-los permanentes.

É a flor que vai desvanecendo, a beleza infantil murchando a cada dia... Se a grandeza pudessem torná-los permanentes, os impérios não teriam desmoronado. Se o aprendizado, intelecto, sagacidade, fantasia... pudessem ter perpetuidade, porque logo os nomes são esquecidos, as volumosas obras perdidas em alguma prateleira... tudo aquilo que tinha enchido o mundo com sua fama.

Os prazeres do pecado são para uma temporada apenas, a "moda deste mundo passa". Eles são sombras escuras que caem sobre o mundo quando visto a partir da cruz.

Sob a perspectiva da cruz se pode ver tudo em um conflito perpétuo pelo o domínio da mente. O que “diverte” tende a dominar o coração. Luz e trevas, bem e mal, amargo e doce, são tão irreconciliáveis quanto Cristo e o mundo.

Não estarão satisfeitos sem controlar todo o homem e, portanto, estão perpetuamente em guerra. Paulo diz “eu estou crucificado para o mundo, e o mundo para mim” – porque o homem ou é um cristão de todo o coração, ou um homem do mundo de todo coração.

As realidades eternas tomadas ao pé da cruz, são vistas com entusiasmo e alegria. Nunca houve um erro mais do que notório que as opiniões fortes e firmes sobre as realidades do mundo eterno e da vida espiritual com sendo  sem alegria. Seria prova de que o homem assim não são o que aparentam ser, ou então uma indicação segura de que há algo de errado na mente que as contempla, onde elas secam as fontes de alegria. Cristãos infelizes existem, mas cristianismo infeliz jamais existiu. Não há espaço para a melancolia e depressão onde as realidades eternas formam as fontes de prazer.

Essa nova realidade possui uma riqueza, uma variedade, uma beleza extrema capazes de produzir no homem regenerado, como diz Pedro, “alegria indizível e cheia de glória!”

Não é fácil para o homem regenerado deixá-las de lado. Essa alegria indizível têm um lugar em todos os seus hábitos de pensamento, pois eles são o ar, a sua luz, o elemento em que ele respira, o próprio sangue da vida que aquece seu peito. Oh, essa alegria indizível são visões encantadas!

Por isso é impossível que essa alegria indizível não exerça uma forte influência prática. Não há nenhuma parte do caráter do cristão que não seja afetado por ela. A cruz agora é o espelho que reflete a eternidade

A cruz agora é que o ponto de visão. É aqui que o crente sente que em alguns anos, no máximo, talvez um dia breve, nada mais o separará desse mundo vasto que é invisível e eterno. Essa teia frágil e perecível da vida humana é partida facilmente e ele mergulhará na eterna segurança dos braços do Amado. Mas um passo, um fôlego, uma pulsação do coração e o finito será trocado pelo infinito.

Nós precisamos, e só a cruz pode dar,  do poder do pensamento bem definido e indestrutível, que o que estamos vivendo agora é apenas o germe de uma existência imortal além-túmulo, que nosso ser presente é apenas o rudimento do que seremos daqui por diante. A partir da cruz, a vida e este mundo, que antes parecia um deserto, agora torna-se o pórtico e vestíbulo do "edifício de Deus", que " é casa feita por mãos eterna nos céus."

A força apropriada e energia dessas várias considerações combinadas age sobre as mentes dos homens regenerados fixando-as além da região do tempo e do sentido – a qual a cruz da grande e definitivo testemunho.

A nutrição do impulso e habitual primeira parte do caráter cristão, portanto, será encontrado na contemplação das realidades invisíveis que estão além do horizonte das coisas terrenas. Isto é tanto o ponto de partida quanto a meta, a princípio, o meio e o fim.

É o "prêmio da soberana vocação," a marca para a qual o mais amadurecido na experiência de vida em Cristo pode olhar para trás, e que tanto os idosos quanto os jovens, como se ainda não tivessem atingido, podem igualmente olhar para frente. O olho da mente deve ver o que o olho do sentido não pode ver, o ouvido da alma deve ouvir vozes que nunca caem no exterior audição. E toda essa esperança produz dentro do homem regenerado uma conformidade a Deus e ao céu.

Os prazeres fúteis terra não podem suportar a luz forte e constante de pensamentos e afetos, assim, concentrados na cruz. A mente que tem uma tendência para o céu, em vez de se deixar levar pelas ilusões que o olho do sentido joga sobre a pompa do mundo, torna-se disciplinado para o esforço de trazer este mundo em subserviência a um outro e melhor

É impossível para o caráter cristão a tomar um tom elevado de firmeza e consistência, a menos que seja "ajustado pelas reivindicações da eternidade."

Sem esse ajuste, não há cristão que não será trazido e conduzido sob a tirania de seus inimigos espirituais. Motivações inferiores podem impedi-lo de pecado ocasional,  dos pecados abertos e escandaloso, mas elas não vão impedi-lo de pecados que são menos odioso aos olhos do mundo, e os pecados que são secretos, muito menos eles vão induzi-lo a "abster-se de toda a aparência do mal ".

Suas esperanças são mais triunfante, e sua piedade mais exemplar, porque ele "anda com Deus." Ele tem uma profunda simpatia e afetos com tudo o que é manso, humilde e amável, tudo o que é puro e verdadeiro, tudo o que é honesto, e de boa fama. Há um tom de sentimento moral, um elenco de personagem, um cuidado e uma franqueza, uma beleza e uma imponência, que encontram seu alimento apenas na contemplação do que é sobrenatural.

Foi isso que fizeram os primeiros cristãos, homens de verdade, homens de oração, homens de Deus, os homens “de quem o mundo não era digno!” 

Diga então com Paulo: "Deus me livre, que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio da qual o mundo foi crucificado para mim, e eu para o mundo”. Gálatas 6:14


Fonte: [ Josemar Bessa ]
Via: [ Ministério Batista Bereia
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Fundamentalista é Isso?

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"Agnósticos Fundamentalistas:
Dá para ter até mesmo estes?"
Por Augustus Nicodemus Lopes
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O termo "fundamentalista" está entre os rótulos mais mal compreendidos e mal empregados nos meios evangélicos. É o rótulo preferido por alguns para se referir, sempre com viés pejorativo, a quem adere com firmeza a determinadas doutrinas que são consideradas como antigas e ultrapassadas.
Nada mais natural do que procurar esclarecer o significado do termo. Acho que a primeira coisa a ser feita é lembrar que o termo "fundamentalista" tem sido usado para diferentes grupos através da história e no presente.
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1) O fundamentalista cristão histórico não existe mais. Ele existiu no início do século XX, durante o conflito contra o liberalismo teológico que invadiu e tomou várias denominações e seminários nos Estados Unidos. J. G. Machen, John Murray, B. B. Warfield, R. A. Torrey, Campbell Morgan, e mais tarde Cornelius Van Til e Francis Schaeffer, são exemplos de fundamentalistas históricos.
2) O fundamentalista cristão americano ainda existe, mas perdeu muito de sua força. Embora tenha surgido ao mesmo tempo em que o fundamentalismo cristão histórico, separou-se dele quando adotou uma escatologia dispensacionalista, aliou-se à agenda republicana dos Estados Unidos, exerceu uma militância belicosa contra tudo que considerasse inimigo da fé cristã. Defendia e praticava o separatismo institucional de tudo e todos que estivessem ligados direta ou indiretamente a esses inimigos. Pouco tempo atrás faleceu o que pode ter sido o último grande representante desse gênero de fundamentalista, o famigerado Carl McIntire. Alguns consideram que Pat Robertson é seu sucessor, embora haja muitas diferenças entre eles.

3) O fundamentalista denominacional é aquele membro de denominações cristãs que se consideram oficialmente fundamentalistas e que até trazem o rótulo na designação oficial. Após um período de grande florescimento no Brasil, especialmente no Nordeste e em São Paulo, as igrejas fundamentalistas, presbiteriana e batista, sofreram uma grande diminuição em suas fileiras. Grande parte das igrejas fundamentalistas presbiterianas regressou à Igreja Presbiteriana do Brasil, de onde estas igrejas saíram na década de 50. Em alguns casos, o fundamentalismo denominacional do Brasil foi marcado por laços financeiros e ideológicos com McIntire. Hoje, até onde eu sei, não há mais esse laço. No Brasil, o fundamentalismo denominacional que sobrou desenvolveu em alguns de seus grupos (mas não em todos) uma síndrome de conspiração mundial para o surgimento do Reino do Anticristo através do ocultismo, da tecnologia, da mídia, dos eventos mundiais, das superpotências. Acrescente-se ainda o desenvolvimento de uma mentalidade de censura e apego a itens periféricos como se fossem o cerne do evangelho e critério de ortodoxia (por exemplo, só é bíblico e conservador quem usa versões da Bíblia baseadas no Texto Majoritário, quem não assiste desenhos da Disney e não assiste “Harry Potter”).

4) O fundamentalista cristão xiita é sinônimo de intransigência, inflexibilidade, ser-dono-da-verdade e patrulhamento teológico. Essa conotação do termo ganhou popularidade após o avanço e crescimento do fundamentalismo islâmico. Esse tipo tem mais a ver com atitude do que com teologia. Nesse caso, é melhor inverter a ordem e chamá-lo de xiita fundamentalista. Na verdade, xiitas podem ser encontrados em qualquer dos campos protestantes. A propalada tolerância dos liberais e neo-ortodoxos é mito. Há xiitas liberais, neo-ortodoxos, e obviamente, xiitas fundamentalistas. Teoricamente, alguém poderia ser um fundamentalista e ainda não ser um xiita.

5) Por fim, o fundamentalista cristão teológico, outro sentido em que o termo é muito usado e que significa simplesmente ortodoxo ou conservador em sua doutrina. O fundamentalista teológico se considera seguidor teológico dos fundamentalistas históricos e simpatiza com a luta deles. Sem pretender ser exaustivo, acredito que podem ser considerados fundamentalistas teológicos atualmente os que aderem aos seguintes conceitos ou a parte deles:
  •  a inerrância da Bíblia
  • a divindade de Cristo
  • o seu nascimento virginal
  • a realidade e historicidade dos milagres narrados na Bíblia
  • a morte de Cristo como propiciatória, isto é, por nossos pecados
  • sua ressurreição física de entre os mortos
  • seu retorno público e visível a este mundo e a ressurreição dos mortos

Outros pontos associados com o fundamentalismo histórico são o conceito de verdades teológicas absolutas, o conceito de que Deus se revelou de forma proposicional e a aceitação dos credos e confissões da Igreja Cristã.

Numa esfera mais periférica se poderia mencionar que a maioria dos fundamentalistas históricos prefere o método gramático-histórico de interpretação bíblica e tem uma posição conservadora em assuntos como aborto, eutanásia e ordenação feminina. Muitos ainda preferem a pregação expositiva. 
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E todos rejeitam o liberalismo teológico.

Em linhas gerais, o fundamentalista teológico acredita que a verdade revelada por Deus na Bíblia não evolui, não cresce e nem muda. Permanece a mesma através do tempo. A nossa compreensão dessa verdade pode mudar com o tempo; contudo, essa evolução nunca chega ao ponto radical em que verdades antigas sejam totalmente descartadas e substituídas por novas verdades que inclusive contradigam as primeiras. O fundamentalista teológico reconhece que erros, exageros e absurdos tendem a ser incorporados através dos séculos na teologia cristã e que o alvo da Igreja é sempre reformar-se à luz dos fundamentos da fé cristã bíblica, expurgando esses erros e assimilando o que for bom. Admite também que existe uma continuidade teológica válida entre o sistema doutrinário exposto na Bíblia e a fé que abraça hoje.

Acho que é aqui que está a grande diferença entre o fundamentalista teológico e o liberal. Esse último acredita na evolução da verdade a ponto de sentir-se comissionado a reinventar a Igreja e o próprio Cristianismo.

Muitos me chamam de fundamentalista. Bom, não posso ser fundamentalista histórico, pois nasci muito depois da luta de Machen. Contudo, sou fã dele, que era um perito em Novo Testamento. Não sou um fundamentalista americano, pois sou brasileiro da Paraíba, nunca recebi um tostão de McIntire e sou amilenista. Aliás, nem conheci McIntire pessoalmente. Fui fundamentalista presbiteriano denominacional por decisão dos meus pais quando eu tinha doze anos. Saí da denominação fundamentalista após conversão e entrada no ministério pastoral. Também não me acho xiita. Há controvérsia sobre isso, eu sei.

Na categoria de fundamentalistas teológicos encontramos presbiterianos, batistas, congregacionais, pentecostais, episcopais, e provavelmente muitos outros. É claro que nem todos subscrevem todos os pontos acima e ainda outros gostariam de qualificar melhor sua subscrição. Contudo, no geral, acho que posso dizer que os fundamentalistas teológicos não fariam feio numa pesquisa de opinião sobre o que crêem os evangélicos brasileiros. Por esse motivo, e por achar que o assim chamado fundamentalismo teológico é simplesmente outro nome para a fé cristã histórica, não fico envergonhado quando me rotulam dessa forma, embora prefira o termo calvinista ou reformado.
Fonte: [ O Tempora! O Mores! ]
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O IBGE e o fracasso da teologia da prosperidade

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Por Renato Vargens
 
O IBGE publicou publicou uma informação que desconstrói totalmente o pressuposto neopentecostal de prosperidade. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística as  famílias chefiadas por uma pessoa que segue a religião espírita têm maior rendimento médio mensal (R$ 3.796) do que as mantidas por um evangélico pentecostal (R$ 1.271), segundo Pesquisa de Orçamentos Familiares. (veja aqui)

O analista socioeconômico do IBGE, José Mauro de Freitas Júnior, diz que a escolaridade entre as religiões influenciou nos resultados. "Os maiores rendimentos são dos espíritas muito provavelmente, porque eles têm um grau de escolaridade maior do que os evangélicos pentecostais, que ficaram com a menor renda. Também temos que levar em consideração que as famílias espíritas têm menor concentração de integrantes, 2%, enquanto que as evangélicas de origem pentecostal representam cerca de 11%", afirmou Freitas. Em relação às despesas, a pesquisa apontou que as famílias com maiores gastos total também foram aquelas chefiadas por espírita (R$ 3.617), enquanto as com menores gastos foram as evangélicas pentecostais (R$ 1.301). A maior proporção de famílias (74%) são da religião católica apostólica romana, e seu rendimento médio é de R$ 1.790. Os evangélicos, em geral, atingiram um rendimento médio familiar de R$ 1.500 e representou 17% do grupo familiar entrevistado. 

O estudo também se referiu ao item de gastos com pensões, mesadas e doações para as respectivas religiões. As famílias de origem evangélica pentecostal atingiram 21,4 % de despesas com doações (R$ 23), as pertencentes a evangélica de missão atingiram 21,9% (R$ 58) e as outras evangélicas 34% (R$ 59). Outro destaque da pesquisa foi com o item impostos, cuja referência espírita investiu 44,2% (R$ 236), cerca de três vezes a média do Brasil (R$ 79), brasileiros de outras religiões gastaram 42,9% e os que se declaram sem-religião e não-determinada 42,7%. 

A pesquisa em questão serviu para confirmar que a prosperidade não é conquistada mediante a obediência de rituais mágicos e catársicos onde as bênçãos de Deus são trocadas ou vendidas por generosas contribuições financeiras.

Caro leitor, é possível que ao ler esta afirmação você esteja dizendo com seus botões: Ué, por que então os pastores da teologia da prosperidade são tão prósperos? "Elementar meu caro Watson", a prosperidade destes apóstolos se devem exclusivamente a venda de milagres, bençãos e indulgências.

Prezado amigo, do ponto de vista bíblico a prospridade não se dá mediante o toma-lá-dá-cá.  Na verdade, as Escrituras nos ensinam que a prosperidade é fruto do trabalho. O reformador francês João Calvino acreditava que o homem possuía a responsabilidade de cumprir a sua vocação através do trabalho. Na visão de Calvino, não existe lugar para ociosidade em nossas agendas. E ao afirmar isto, o reformador francês, não estava a nos dizer de que homem deva ser um ativista, ou até mesmo um tipo de worhaholic. Na verdade, Calvino acreditava que a prosperidade era possível desde que fosse consequência direta do trabalho.

Acredito profundamente que se quisermos que nossas familias experimente prosperidade torna-se ncessário que invistamos em pelo menos dois aspectos:

1- Aumento de escolaridade.

Uma das principais marcas de um povo desenvolvido é educação. Infelizmente por fatores diversos, milhões de pessoas em nosso país vivem a margem da sociedade simplesmente pelo fato de terem abandoram a escola.  Tenho plena convicção que ao voltar a sala de aula o crente será abençoado por Deus dando-lhe assim  novas ferramentas que o ajudarão a experimentar a tão sonhada prosperidade.

2- Melhor qualificação profissional.

Prosperidade se dá mediante o trabalho. Invista na sua profissão. Faça cursos, participe de simpósios, leia muito e aprenda com quem sabe. Nesta perspectiva, seja o melhor sapateiro, eletricista, pedreiro, médico, dentista, advogado, professor e experimente das bênçãos do Senhor.

Caro leitor, tenho plena convicção que se desejarmos construir um país decente e sério, necessitamos romper com alguns paradigmas que nos cercam. Nações bem sucedidas são aquelas que se empenham na construção de valores e conceitos como honestidade, equidade, ética e retidão.

Infelizmente no país do gospel e do decreto espiritual apóstolico, o trabalho nem sempre é visto com bons olhos, até porque nesta  perspectiva  neo pentecostal, o trabalho foi feito para gente miserável e desqualificada que precisa sobreviver.

Isto posto, afirmo que o tempo de mudarmos nossos conceitos e valores é esse, além é claro de semear  no coração do crente em Jesus , a idéia de que o trabalho é reflexo de uma grande bênção divina, a qual deve ser valorizado e dignificado.

Soli Deo Gloria,

Renato Vargens 
Fonte: [ Blog do autor ]
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A pobreza deve ser motivo de vergonha para o cristão?

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Por Bispo J. C. Ryle

Observemos a circunstância em que Jesus nasceu. Não nasceu sob o teto da casa de sua mãe, e sim num lugar estranho e numa manjedoura. Quando Ele nasceu, não foi colocado em um berço cuidadosamente preparado. Maria O deitou na manjedoura, porque “não havia lugar para eles na hospedaria”. Aqui vemos a graça e a condescendência de Jesus. Se tivesse vindo salvar este mundo em majestade real, rodeado pelos anjos do seu Pai, isso já teria sido um ato incrível de misericórdia. Se tivesse decidido morar num palácio, com poder e autoridade, já teríamos razão suficiente para ficarmos maravilhados. Mas, fazer-se pobre como os mais pobres seres humanos, e simples como os mais simples, isso é amor que transcende a nossa compreensão. Que nunca esqueçamos de que, por meio da sua humilhação, Jesus adquiriu para nós um título de glória. Por meio da sua vida de sofrimento, bem como da sua morte, Ele conquistou para nós uma redenção eterna. Durante toda a sua vida, foi pobre por amor a nós, desde o momento do seu nascimento até à morte. E por sua pobreza somos feitos ricos (2 Co 8.9)

Estejamos alerta, não desprezando os pobres por causa da sua pobreza. Sua condição santificada pelo filho de Deus, que a honrou, ao assumi-la voluntariamente. Deus não faz acepções de pessoas. Ele olha para o coração e não para o bolso. Que nunca nos envergonhemos da nossa pobreza, se Deus a considera a coisa certa para nós. Ser ímpio e ganancioso é mau; mas não há mau nenhum em ser pobre. Uma casa simples, comida simples e cama dura não são agradáveis à carne e ao sangue. Mas são a porção que o Senhor Jesus voluntariamente aceitou desde o dia da sua entrada nesse mundo. A riqueza leva muito mais almas ao inferno do que a pobreza. Quando o amor ao dinheiro começar a manifestar-se em nós, pensemos na manjedoura de Belém e nAquele que nela foi posto. Tal pensamento poderá livrar-nos de muitos males!

- RYLE, John Charles. In: Meditações no Evangelho de Lucas Traduzido por Editora Fiel. São José dos Campos, São Paulo: Editora Fiel, 2011. Comentário de Lucas 2, versículo s de 1 a 7, pp. 31.
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