Não desperdice o seu câncer

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16 de Fevereiro de 2006

Estou escrevendo estas palavras na véspera da cirurgia do câncer na minha próstata. Creio no poder de Deus para curar — por meio de um milagre e da medicina. Sei que é certo e bom orar pelos dois tipos de cura. O câncer não é desperdiçado ao ser curado por Deus. Ele recebe a glória — e isto porque o câncer existe. Então, não orar pela cura pode desperdiçar seu câncer. Mas a cura não é o plano de Deus para todos. E existem muitas outras formas de desperdiçar seu câncer. Estou orando por mim e por você, para que não desperdicemos esta dor.

1. Você desperdiçará seu câncer caso não creia que isto foi planejado por Deus.

Não diga que Deus apenas usa nosso câncer, mas que não o planeja. O que Deus permite, ele o faz por uma razão. E está razão é sua vontade. Se Deus prevê desenvolvimentos moleculares tornando-se cancerígenos , ele pode deter isto ou não. Se não, ele tem um propósito. Por ser infinitamente sábio, é correto chamar este propósito de plano. Satanás é real e causa muitos prazeres e dores. Mas ele não é a causa última . Assim, quando ele atacou Jó com úlceras (Jó 2:7), Jó atribuiu-as a Deus (2:10), e o escritor inspirado concorda: “e o consolaram de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado” (Jó 42:11). Se você não crê que seu câncer lhe foi planejado por Deus, você o desperdiçará.

2. Você desperdiçará seu câncer caso creia que ele é uma maldição , e não uma bênção.

Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus” ( Romanos 8:1). “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós” (Gálatas 3:13). “Contra Jacó, pois, não há encantamento, nem adivinhação contra Israel” ( Números 23:23). “Porquanto o Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor dará graça e glória; não negará bem algum aos que andam na retidão.” (Salmos 84:11)

3. Você desperdiçará seu câncer caso procure conforto em suas chances em vez de procurá-lo em Deus.

O plano de Deus em relação ao seu câncer não é treiná-lo no cálculo de chances racionalista e humano. O mundo consegue conforto em estatísticas. Os cristãos não. Alguns contam seus carros (porcentagens de sobrevivência) e outros contam seus cavalos (efeitos colaterais do tratamento), mas nós confiamos no nome do Senhor, nosso Deus (Salmos 20:7). O plano de Deus é claro em 2Coríntios 1:9: “portanto já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte , para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos”. O objetivo de Deus relativo ao seu câncer (entre várias outras coisas boas) é derrotar a autoconfiança em nosso coração para podermos descansar completamente nele.

4. Você desperdiçará seu câncer caso se recuse a pensar na morte.

Todos nós morreremos caso Jesus não retorne em nossos dias. Não pensar sobre como seria deixar esta vida e encontrar Deus é tolice. Eclesiastes 7:2 diz: “Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete ; porque naquela se vê o fim de todos os homens , e os vivos o aplicam ao seu coração”. Como você pode aplicar esta verdade a seu coração se não pensa nela? Salmos 90:12 diz: “Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos corações sábios”. Contar seus dias significa pensar sobre quão poucos eles são e que terminarão. Como você conseguirá um coração sábio se você se recusa a pensar nisto? Que desperdício , caso não pensemos sobre a morte.

5. Você desperdiçará seu câncer caso pense que “vencê-lo” significa sobreviver e não aproximar-se de Cristo.

Os planos de Deus e os planos de Satanás para seu câncer não são os mesmos. Satanás deseja destruir seu amor por Cristo. Deus planeja aprofundá-lo. O câncer não vencerá se você morrer, apenas se falhar em aproximar-se de Cristo. O plano de Deus é privá-lo do alimento do mundo e satisfazê-lo com a suficiência de Cristo. Isto tem o objetivo de ajudá-lo a dizer e a sentir: “tenho também como perda todas as coisas pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor”. E saber, portanto, que “o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Filipenses 3:8; 1:21).

6. Você desperdiçará seu câncer caso gaste muito tempo lendo sobre o câncer e não o suficiente a respeito de Deus.

Não é errado ler sobre o câncer. Ignorância não é virtude. Mas, o desejo de saber mais e mais, e a falta de zelo pelo conhecimento contínuo de Deus é sintomático no incrédulo. O objetivo do câncer é acordar-nos para a realidade de Deus, colocar sensações e força no mandamento “Conheçamos, e prossigamos em conhecer ao Senhor” (Oséias 6:3), acordar-nos para a verdade de Daniel 11:32: “O povo que conhece ao seu Deus se tornará forte, e fará proezas”, tornar-nos carvalhos indestrutíveis e firmes: “antes tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite. Pois será como a árvore plantada junto às correntes de águas, a qual dá o seu fruto na estação própria, e cuja folha não cai; e tudo quanto fizer prosperará.” ( Salmos 1:2,3). Que desperdício lermos dia e noite sobre o câncer e nada a respeito de Deus.

7. Você desperdiçará seu câncer caso se isole em vez de aprofundar seus relacionamentos manifestando afeição.

Quando Epafrodito trouxe os presentes enviados pela igreja de Filipos para Paulo, ele ficou doente e quase morreu. Paulo diz aos filipenses: “porquanto ele tinha saudades de vós todos, e estava angustiado por terdes ouvido que estivera doente” (Filipenes 2:26). Que reação maravilhosa! Não diz que estavam angustiados porque Epafrodito estava doente, mas que ele estava angustiado porque os filipenses ouviram que ele estava doente. Este é o tipo de coração que Deus pretende criar com o câncer: o coração profundamente afetivo e preocupado com as pessoas. Não desperdice seu câncer voltando-se para si mesmo.

8. Você desperdiçará seu câncer caso se entristeça como quem não tem esperança.

Paulo usa esta expressão para designar pessoas cujos entes queridos haviam morrido: “Não queremos, porém , irmãos , que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais como os outros que não têm esperança” (1Tessalonicenses 4:13). Existe tristeza na morte. Mesmo para o crente que morre, há uma perda temporária — a perda do corpo, de entes queridos e do ministério terreno. Mas a tristeza é diferente — é permeada pela esperança: “desejamos antes estar ausentes deste corpo, para estarmos presentes com o Senhor” (2Coríntios 5:8). Não desperdice seu câncer ficando triste como quem não tem esta esperança.

9. Você desperdiçará seu câncer caso trate o pecado tão normalmente quanto antes.

Seus pecados freqüentes permanecem tão atrativos quanto antes de você ter câncer? Se a resposta for afirmativa, então você está desperdiçando seu câncer. O câncer foi planejado para destruir o apetite pelo pecado. Orgulho, ganância, luxúria, ódio, falta de perdão, impaciência, preguiça, procrastinação — todos estes são adversários que o câncer deve atacar. Não pense apenas em lutar contra o câncer. Pense também em usá-lo. Todas estas coisas são piores que o câncer. Não desperdice o poder do câncer para esmagar estes adversários. Deixe a presença da eternidade tornar os pecados temporais tão fúteis como eles realmente são. “Pois, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, e perder-se, ou prejudicar-se a si mesmo?” (Lucas 9:25).

10. Você desperdiçará seu câncer caso falhe em utilizá-lo como meio de testemunhar a verdade e a glória de Cristo.

Os cristãos nunca se encontram em determinado lugar por acidente. Existem razões para as quais somos levados onde estamos. Considere o que Jesus diz sobre circunstâncias inesperadas e dolorosas: “Mas antes de todas essas coisas vos hão de prender e perseguir, entregando-vos às sinagogas e aos cárceres, e conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Isso vos acontecerá para que deis testemunho” (Lucas 21:12-13). Assim também é com o câncer. Essa será uma oportunidade para testemunhar. Cristo é infinitamente digno. Aqui está uma oportunidade de ouro para mostrar que Jesus vale mais que a vida. Não a desperdice.

Lembre-se de que você não foi deixado sozinho; terá a ajuda necessária: “Meu Deus suprirá todas as vossas necessidades segundo as suas riquezas na glória em Cristo Jesus” (Filipenses 4:19).

Pastor John

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Autor: John Piper
Fonte: DesiringGod
Tradução: Josaías Júnior
Revisão: Rogério Portella
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Por que devemos ser zelosos no exame de candidatos a membros?

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É esperado que a Igreja Visível cresça numericamente. Ela aumentará tanto pelas famílias da aliança e seus descendentes, como por conversões de pessoas que não têm convivência com a igreja local. Este desenvolvimento é resultado do testemunho da grande comissão de Jesus Cristo (Mt 28:18-20). A questão é: como devemos receber os novos membros da igreja? Devemos ser tão criteriosos quanto possível, ou, aceitar uma ampla afirmação de concordância como suficiente para a pública profissão de fé?

ONDE SURGE O PROBLEMA?

As pessoas com potencial de causar problemas, em geral, é resultado de má formação na recepção como membro. A prudência sempre é necessária, entretanto, nem sempre é assim. Não podemos negar que há alguns fatores que motivam o Conselho[1] no recebimento relapso de membros. A primeira causa é a pressa de integrá-los. Há situações em que novos convertidos, ou pessoas procedentes de outra comunidade evangélica desejam ser recebidas com poucos meses de frequência na igreja local. Este é um perigo, porque elas ainda não conhecem a identidade e estrutura da igreja, nem verdadeiramente podem responder as questões no exame público[2] que as vinculará à sua identidade confessional.

Segundo, a falta de um critério claro de recepção de membros. Infelizmente, há Conselhos que não tem um padrão muito definido no preparo e recebimento de novos membros. Essa falha criará um disparate na qualificação, bem como propiciará uma pluralidade doutrinária, e consequentemente resultará em infidelidade confessional. Por isso, a liderança deve planejar o treinamento dos novos membros para evitar possível confusão doutrinário entre os membros.

Terceiro, a falta de compromisso com a identidade confessional. A nossa igreja possuí uma identidade solidamente confessional.[3] Temos documentos que resumidamente expressam a nossa cosmovisão reformada. Entretanto, é possível que no exame a confessionalidade seja deixada de lado. Infelizmente isso pode acontecer nos seguintes casos. Primeiro, por subestimar que o novo membro seja capaz de assimilar o conteúdo da fé reformada. Segundo, por negligenciar a importância do calvinismo para toda a vida cristã. E por último, por desprezar a teologia reformada como parte de sua formação. Essas são perigosas falhas que um Conselho não pode cometer!

A descuidada admissão de membros aumenta a impureza da igreja local. A má formação bem como a recepção de membros heterodoxos fomenta danosos desvios doutrinários e éticos. A recepção de membros não convertidos, ou com falhas teológicas, ou desvios morais de conduta, é a porta para a corrupção de uma denominação inteira. Uma vez aceito como membro, ele tentará fazer com que as suas crenças e falhas morais sejam aceitas. É ele quem deve se modelar à identidade da Igreja de Cristo, e não o contrário.

A pureza doutrinária propicia a formação de pessoas piedosas. Os novos membros devem aprender a viver fielmente para Cristo. A vida cristã abrange uma inteligível obediência do evangelho coerentemente aplicado a todas as esferas da vida.

ALGUMAS PROPOSTAS PARA O EXERCÍCIO DE ZELO COM A PUREZA DA IGREJA

O Conselho da igreja deve adotar um programa para o recebimento de novos membros que envolva. Este treinamento e avaliação pode ser: 1) discipulado; 2) catecúmenos; 3) leituras extraclasse; 4) exame verbal pelo Conselho do candidato. É especificamente neste último ponto que este artigo se concentra. O exame verbal é parte do processo e ele precisa ser respondido satisfatoriamente. As questões devem ser calmamente respondidas com entendimento, sinceridade e verdade.

QUESTÕES DE CONVERSÃO

1. Você poderia explicar resumidamente o que é o evangelho?
2. Quando foi que você começou a entender o evangelho de Cristo Jesus?
3. Há algum momento específico que você fez um pacto/compromisso de seguir a Cristo como o seu Senhor?
4. Você tem certeza da sua salvação?
5. Quais são as evidências que você identifica de que é convertido a Cristo?

QUESTÕES DA VIDA CRISTÃ

1. Você sabe da necessidade de uma ininterrupta prática da oração?
2. Você sabe a oração do Senhor: o Pai nosso?
3. Você se compromete para preservar a verdade e a paz no meio do povo de Deus?
4. Você está convicto da necessidade de mortificar os seus pecados diariamente?
5. Você tem discernimento de como o sexo, dinheiro e poder podem se tornar ídolos em sua vida?
6. Deus usa o sofrimento em sua vida para manifestar o Seu divino amor?
7. Você se rebelaria contra Deus, diante da dor, enfermidades e até mesmo a morte de entes queridos?
8. Você sabe de cor os Dez Mandamentos? Consegue explica-los resumidamente?
9. A salvação é pelo seu esforço de obedecer perfeitamente a Lei de Deus?
10. Você acredita que os Dez Mandamentos são algo somente do Antigo Testamento, ou, nós cristãos devemos obedecê-los como nosso padrão ético?
11. Numa situação de contenda com algum irmão em Cristo, você se compromete em seguir os passos de Mt 18:15-20?
12. Você se compromete em denunciar ou, servir de testemunha, numa situação de disciplina eclesiástica?
13. Você se compromete em orar e apoiar a liderança da igreja local, enquanto ela permanecer fiel ao ensino da Escritura Sagrada?
14. Você entende a necessidade de respeitar a autoridade da liderança da igreja?
15. Você está comprometido em viver tudo para a glória de Deus?
16. Você anseia viver diante de Deus em tudo o que pensa, fala e faz?
17. Se você um dia se mudar para outra cidade procurará congregar noutra igreja reformada que seja comprometida com a centralidade da Escritura e submissa ao senhorio de Jesus Cristo?
18. Residindo numa localidade que não exista nenhuma igreja reformada, você se compromete de iniciar um grupo de reunião em sua residência? 

QUESTÕES FAMILIARES

1. Você entende que o namoro e casamento devem ser no Senhor, isto é, somente com outra pessoa que vive no pacto com Deus? Você entende que namorar ou casar com uma pessoa não convertida é uma decisão pecaminosa?
2. Você entende a necessidade de evitar a lascívia, a fornicação e qualquer imoralidade sexual durante o período antecedente ao casamento?
3. Você entende que o divórcio é algo odioso a Deus e indesejável para um cristão?
4. Você entende o seu dever de discipular os seus filhos no puro e completo evangelho de Cristo, ajudando-os a formar uma cosmovisão cristã para todas as esferas da vida?
5. Você entende o seu dever de disciplinar os seus filhos conforme o ensino das Escrituras? 
6. Você sabe do seu dever de proteger os seus filhos de predadores sexuais?
7. Você sabe do seu dever de advertir os seus filhos de más companhias?
8. Você sabe do seu dever de instruir os seus filhos a discernirem quanto ao que veem na TV, acessam na internet, redes sociais e mídia em geral?

QUESTÕES DE TESTEMUNHO PÚBLICO

1. O que a sua família pensa da sua decisão de tornar-se membro desta igreja?
2. Os seus amigos e conhecidos sabem que você é um cristão?
3. Você se compromete, se necessário, abrir as portas de sua casa para a implantação de uma nova congregação?
4. Você ora para que Deus te dê discernimento de que pessoas Ele quer que você evangelize?
5. Você está comprometido com a grande comissão de Cristo: fazer discípulos?
6. Você está decidido a viver o evangelho em suas conversações, pensamentos e atitudes?
7. Você está disposto a auxiliar os pobres e necessitados, com discernimento, quando for possível e realmente necessário?
8. Você sabe que deve usar com moderação e sem desperdício os bens e o sustento que Deus te dá, de modo a não se tornar inadimplente?
9. Você entende que a sua roupa não pode associá-lo ao desequilíbrio, falta de modéstia, ou a sensualidade, de modo a provocar desejos lascivos, ou escandalizando o próximo?

QUESTÕES DE CULTO

1. Você está comprometido de fazer de toda a sua vida um culto a Deus?
2. Você está convencido de que diariamente deve separar um tempo para orar e meditar na Palavra de Deus?
3. Você está ciente da necessidade de realizar o culto doméstico com regularidade?
4. Você concorda com o princípio regulador do culto? Resumidamente explique.
5. Você crê ser necessário guardar diligentemente o Dia do Senhor?
6. Você se compromete em não deixar de congregar nas reuniões e nos cultos públicos?
7. Você aceita a Pastoral de Liturgia da IPB?
8. Você entende que o culto solene não deve ter danças, coreografias e teatro? Por que?
9. Você entende que é desprezível o uso de imagens, quer pinturas ou esculturas, no culto ao Senhor?
10. Você rejeita o culto ecumênico?

QUESTÕES DOUTRINÁRIAS

1. Você já leu toda a Bíblia?
2. Você se compromete em continuamente estudar a Escritura Sagrada?
3. Para o exame no Conselho você leu atentamente os Padrões de Westminster [Confissão de Fé e Catecismos de Westminster]?
4. Você recebe e subscreve integralmente os Padrões de Westminster como fiel sistematização do ensino das Escrituras?
5. Você crê que os dons revelacionais [línguas, profecias, curas e apostolado] cessaram, por terem cumprido a sua função na história da redenção, e que não são para hoje, porque somente a Escritura Sagrada é a Palavra de Deus?
6. Você se compromete de continuamente ler literatura da fé reformada para o seu amadurecimento cristão?
7. Você se compromete abandonar toda crença e prática que contrarie o claro ensino da Escritura Sagrada?
8. Quantos livros doutrinários você leu desde a sua conversão?

QUESTÕES DO GOVERNO DA IGREJA

1. Você aprendeu e entendeu como se organiza a nossa igreja?
2. Você entendeu que o nosso sistema de governo eclesiástico é conforme o ensino do Novo Testamento?
3. Você se compromete a submeter ao governo dos presbíteros e diáconos enquanto estes forem fiéis ao ensino da Sagrada Escritura?
4. Você se compromete em servir nos cargos e funções que o Conselho poderá designá-lo dentro da estrutura da nossa igreja?
5. Você se compromete de contribuir com seus dízimos e ofertas conforme o ensino da Escritura Sagrada para o sustento da igreja?
6. Caso seja necessário você se submeterá à disciplina e acompanhamento pastoral?
7. Você se compromete com os projetos de crescimento de nossa igreja?

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NOTAS:
[1] Este artigo pressupõe um sistema de governo onde há a pluralidade de presbíteros. Entretanto, os problemas diagnosticados aqui são comumente encontrados na maioria das igrejas evangélicas brasileiras.
[2] Refiro às questões para a profissão de fé feitas pelo ministro durante o culto solene.
[3] A Igreja Presbiteriana do Brasil adota os Padrões de Westminster como documentos que representam a sua identidade doutrinária e fiel sistematização do ensino da Escritura Sagrada.

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Autor: Rev. Ewerton B. Tokashiki 
Fonte: Estudantes de Teologia
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Seriam as afirmações de nova revelação compatíveis com o Cânon do NT?

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“Deus falou comigo.

Existem poucas declarações que podem encerrar um debate tão rapidamente como essa. Se os cristãos discordam sobre uma doutrina, uma prática ou uma ideia, em seguida, a grande carta na manga costuma ser “Deus falou comigo acerca disso. Fim da discussão.

Mas, a história da igreja (para não mencionar as próprias Escrituras) demonstra que tais reivindicações de revelações privadas e diretas são altamente problemáticas. Claro, isso não significa que Deus não fala com as pessoas. A Escritura está cheia de exemplos disso. Mas essas pessoas geralmente eram indivíduos com uma vocação fora do comum (por exemplo, profeta ou apóstolo), ou então estavam presentes em um período único na história da redenção (por exemplo, a igreja primitiva em Atos).

Depois do fim do primeiro século, com os apóstolos já mortos, a igreja rejeitou amplamente a ideia de que qualquer pessoa poderia dar um passo a frente e afirmar ter uma revelação direta de Deus. Essa realidade é provavelmente melhor exemplificada no debate da igreja cristã primitiva sobre o Montanismo.

O Montanismo foi um movimento do século II cujo líder, Montano, afirmava receber revelações diretas de Deus. Além disso, duas de suas “profetisas”, Priscila e Maximila, também alegavam recebê-las. As revelações eram muitas vezes acompanhadas de um comportamento estranho. Quando Montano as tinha, “[Ele] se tornava obcecado, e de repente caia em convulsões e frenesi. Ele começava a ficar extático e a falar estranhamente (Hist. Ecl. 5.16.7).

Sem qualquer necessidade de mencionar isso, esse tipo de atividade causou grande preocupação nos líderes ortodoxos do segundo século. Parte dela estava na forma em que essas atividades proféticas estavam ocorrendo. Eles a condenaram, alegando que era “contrário ao costume que pertence à tradição e sucessão da igreja desde o princípio” (Hist. Ecl. 5.16.7).

Mas, a outra preocupação (e talvez a maior delas) era que essa nova revelação era inconsistente com as crenças da Igreja sobre os apóstolos. Os líderes do segundo século compreendiam que os apóstolos foram um canal exclusivo usado por Deus; de tal forma que eles não aceitariam qualquer revelação que não se podia demonstrar ser apostólica.

Como exemplo desse compromisso, a igreja primitiva rejeitou o Pastor de Hermas (um livro que supostamente continha revelações do céu) com base no fato de que ele havia sido escrito “muito recentemente, em nossos tempos” (Cânone Muratori). Em outras palavras, ele foi rejeitado por não ser um livro da era apostólica.

Esta questão chegou a um ponto onde os Montanistas começaram a escrever novas profecias, formando sua própria coleção de livros sagrados. Os líderes ortodoxos viram tal atividade como ilegítima porque, em sua compreensão, Deus já havia falado através de seus apóstolos, e as palavras dos apóstolos já haviam sido registradas nos escritos do Novo Testamento.

Alguns exemplos de como os líderes ortodoxos rejeitaram esses livros contendo “nova revelação”:

  1. Gaio de Roma, em seu diálogo contra o Montanista Proclo, repreendeu “a imprudência e audácia de seus adversários ao compor novas Escrituras” (Hist. Ecl. 6.20.3).
  2. Apolônio se opôs às novas “revelações” com base no fato de que os profetas montanistas estavam colocando suas “palavras vazias” no mesmo nível das palavras de Cristo e dos apóstolos (Hist. Eccl 5.18.5.).
  3. Hipólito reclamou que os montanistas “alegavam ter aprendido mais através desses escritos [os escritos montanistas] do que através da lei, dos profetas, e dos Evangelhos” (Haer. 8,12).
  4. A crítica anônima ao Montanismo registrada por Eusébio revela sua hesitação em escrever uma resposta a eles por medo de ser mal compreendido e visto como se estivesse cometendo o mesmo erro que eles ao “parecer, para alguns, estar acrescentando aos escritos ou injunções da palavra da nova aliança e do Evangelho” (Hist. Ecl. 5.16.3).

Quando você olha para essas respostas, alguns pontos importantes se tornam bastante claros. Em primeiro lugar, e isso é crítico, é óbvio que esses autores já tinham recebido e já conheciam uma série de escritos do Novo Testamento como Escrituras dotadas de autoridade. Assim, eles já tinham um cânone do NT (ainda que alguns livros permanecessem sob discussão). De fato, é a existência desses livros que formam a base para as suas principais queixas contra os Montanistas.


Em segundo lugar, e igualmente importante, a resposta desses escritores mostra que eles não aceitaram essas “novas revelações” na época. Para eles, o tipo de revelação que poderia ser considerada como “palavra de Deus” cessou no período apostólico.

Tratando da igreja moderna, há grandes lições a serem aprendidas aqui. Por um lado, devemos ser igualmente cautelosos sobre alegações extravagantes de pessoas recebendo nova revelação do céu. E, ainda mais do que isso, o debate montanista é um grande lembrete para irmos sempre de volta às Escrituras como orientação e padrão definitivo para a verdade. É na palavra de Deus escrita que a igreja deve permanecer firme.

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Autor: Michael J. Kruger
Fonte: Canon Fodder
Tradução: Erving Ximendes
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Cristo cumpriu os Dez Mandamentos

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Adão quebrou os dez mandamentos no Éden. Mas Cristo guardou os dez mandamentos no “deserto”, sob circunstâncias muito mais intensas do que aquelas às quais Adão foi submetido.

Guardou o primeiro mandamento. Ele trouxe glória a Deus o Pai enquanto esteve na terra (Jo 17.4). Temeu, creu, e confiou em seu Pai (Hb 2.13; 5.7; Lc 4.1-12). Cristo zelou pela glória de seu Pai (Jo 2.17) e foi constantemente grato ao seu Pai (Jo 11.41). Ele prestou completa obediência ao Pai em todas as coisas (Jo 10.17; 15.10).

Guardou o segundo mandamento. Ninguém jamais cultuou como Cristo (Lc 4.16). Ele leu, pregou, orou e cantou a Palavra de Deus com um coração puro (Sl 24.3-4). Ele condenou o falso culto (Jo 4.22; Mt 15.9). Além disso, aquele que era a imagem visível de Deus não precisou fazer imagens ilícitas de Deus.

Guardou o terceiro mandamento. Como portador da imagem de Deus (Cl 1.15), ele revelou o Pai de modo perfeito (Jo 14.9). Falou somente aquilo que havia recebido do Pai (Jo 12.49). Em outras palavras, ele jamais tomou o nome de Deus em vão, mas falou apenas a verdade sobre o Pai e trouxe glória ao Pai por viver em conformidade com quem ele é (o Filho de Deus).

Guardou o quarto mandamento.Entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga…” (Lc 4.16). Ele fez obras de piedade, misericórdia e necessidade no dia de descanso (e.g.: Mc 2.23-28). Além disso, o Senhor do Sábado assegurou nosso sabá eterno por meio de sua morte na cruz, permanecendo no sepulcro no sábado, e ressurgindo no domingo.

Guardou o quinto mandamento. Ele sempre fez aquilo que agradava a seu Pai celestial (Jo 8.29). Sobre a cruz, mesmo enquanto estava morrendo, preocupou-se em cuidar de sua mãe (Jo 19.27). Ele também guardou as leis terrenas (Mc 12.17; Mt 17.24-27).

Guardou o sexto mandamento. Jesus preservou a vida. Ele fez isso física e espiritualmente. Ele salvou pecadores de seus pecados (Jo 5.40). E também curou muitas pessoas (Mt 4.23). Foi manso, gentil, amável e pacífico enquanto esteve na terra (e.g.: Mt 11.29). Sua vida foi de misericórdia e compaixão (e.g.: Lc 18.35-43).

Guardou o sétimo mandamento. Cristo, o marido, entregou sua vida por sua noiva (Ef 5.22-33). Embora eu não tenha dúvidas de que ele achava algumas mulheres atrativas, ele jamais cruzou os limites adequados com respeito à interação entre homens e mulheres, e seus pensamentos sempre foram puros com respeito a pessoas do sexo oposto (cf. 1Tm 5.2).

Guardou o oitavo mandamento. Cristo doou livremente (Jo 2.1-11). Ele se opôs ao roubo (Jo 2.13-17). João 2 retrata, entre outras coisas, Cristo guardando o oitavo mandamento. Aquele que era rico se tornou pobre para que nós, em nossa pobreza, pudéssemos nos tornar ricos (2Co 8.9).

Guardou o nono mandamento. Ele sempre falou a verdade (Jo 8.45-47) porque falou somente as palavras que o Pai lhe havia dado (Jo 12.49). Ele defendeu a verdade porque ele é a Verdade (Jo 1.14, 17; 14.6). Ele não maquiou a verdade (Mt 23), não a falou fora de tempo ou a sonegou (Mt 26.64).

Guardou o décimo mandamento. Aquele que é dono do céu e da terra é aquele que também disse: “As raposas têm covis, e as aves do céu, ninhos, mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lc 9.58). Aquele que poderia facilmente saciar sua própria necessidade e desejo contentou-se com aquilo que vinha da mão do Pai (Lc 4.1-12). Ele não cobiçou aquilo que não era propriamente seu, mas com paciente resistência recebeu sua herança por meio da cruz.

Nos círculos reformados devemos, em nossa pregação, fazer um melhor trabalho em explicar como Cristo guardou perfeitamente a lei. Uma coisa é dizer e sempre repetir: “Jesus guardou a lei perfeitamente por nós [como um pacto de obras] para que pudéssemos ser salvos”; mas outra coisa é explicar precisamente como ele guardou a lei e o que estava envolvido nessa guarda da lei. Ouvir sobre a obediência ativa de Cristo e sobre a imputação gratuita de Deus a nós, por meio da fé, dessa obediência ativa, não deve nunca ser algo que se resuma a frases de efeito.

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Autor: Rev. Mark Jones
Fonte: Reformation 21
Tradução: Márcio Santana Sobrinho
Via: Monergismo
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O Evangelho Segundo o Apóstolo Paulo


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Neste vídeo o Rev. Dorisvan Cunha relata como o apóstolo Paulo esboçou sistematicamente em Romanos acerca do que é o verdadeiro Evangelho do Senhor Jesus Cristo. Paulo mostra como o injusto será justo perante os olhos de Deus. Assista:




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Autor: Por Rev. Dorisvan Cunha
Fonte: Guerra Pela Verdade
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Deus escolheu alguns porque previu a fé neles?


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A teologia arminiana afirma que Deus escolheu os que seriam salvos com base em sua presciência. Segundo essa concepção, Deus olhou para o futuro e viu os homens que creriam, elegendo-os então. Isso levanta a seguinte pergunta: Quem fixou o futuro para o qual Deus olhou? Se foi ele mesmo (e ao crente não resta outra opção), por que teve que consultá-lo? E mais: Se foi o próprio Deus quem estabeleceu o futuro no qual poderia ver de antemão quem creria, isso não equivale a dizer que ele próprio estabeleceu quem creria? Ora, é exatamente isso o que os calvinistas afirmam. Então, por que não concordar com eles de uma vez? Dentro ainda dessa discussão, deve-se considerar que a Bíblia diz que a fé é dom de Deus (Ef 2.8 [o "isto" mencionado nesse versículo se refere ao processo todo que abrange a fé]; Fl 1.29; Hb 12.2). Se é, pois, o Senhor quem concede a fé, por que ele teria que “descobrir” quem creria e, então, escolhê-los?

A posição arminiana, contudo, nesse aspecto, não enfrenta dificuldades apenas por causa da falta de lógica em seus argumentos. A ideia de que Deus elege com base no que antevê também encontra problemas teológicos insolúveis. Por exemplo: se Deus escolhe o homem baseando-se em algum bem visto nele previamente, então a graça de Deus desaparece para dar lugar a uma forma disfarçada de retribuição. Com efeito, se a visão arminiana estivesse correta, a eleição divina deixaria de ser gratuita e incondicional, tornando-se a recompensa dada por Deus àqueles em quem anteviu algo que o agradou, a saber, a fé resultante do uso adequado da graça preveniente. No arminianismo, portanto, a gratuidade da eleição é demolida e, em seu lugar, é edificada uma escolha divina meritória. No fim das contas, o homem é salvo porque Deus o considera digno disso, ao descobrir previamente que ele, de si mesmo e por si mesmo, fará bom uso da graça capacitadora dada a todos.

Ora, o Novo Testamento não dá margem alguma para essa hipótese. De fato, Paulo ensina que a graça de Deus não procura homens dignos, mas sim cria homens dignos (Cl 1.12). A triste realidade é que se Deus procurasse homens dignos para então escolhê-los, ninguém seria salvo. Aliás, a beleza, infinitude e magnificência da graça de Deus é percebida precisamente no fato dele ter escolhido homens que mereciam somente a sua ira (Ef 2.3), pessoas em quem o Senhor não viu virtude alguma, mas sim pecado, maldade, rebelião e ódio contra ele (Rm 5.6-10).

Contrariando o ensino arminiano, o Novo Testamento também realça que a eleição não é a recompensa da fé, mas sim a sua causa (2Ts 2.13), de modo que o indivíduo não é eleito porque vai crer, mas sim vai crer porque é eleito. Realmente, o texto sagrado sempre coloca a eleição como a razão da fé e não o contrário. A escolha de Deus não depende, assim, da fé prevista. É a fé que depende da escolha prévia. É por isso que em Atos 13.48, Lucas afirma que entre os gentios que ouviam a pregação de Paulo em Antioquia da Pisídia, “creram todos os que haviam sido designados para a vida eterna”. Na dinâmica da frase de Lucas, a eleição é a causa, não o efeito da fé.

Como então lidar com Romanos 8.29 e 1 Pedro 1.2? Uma análise simples mostrará que esses textos, na verdade, não amparam em nada a concepção arminiana. Considere-se, a princípio, a frase, “aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou” encontrada em Romanos 8.29. Será que essa frase corrobora mesmo a tese de que Deus primeiro anteviu quais pessoas creriam e então as predestinou para a salvação? De modo nenhum! Para descobrir o verdadeiro significado da expressão “conheceu de antemão” basta observar a sua única outra ocorrência nos escritos de Paulo.

Essa expressão é, na verdade, a tradução do verbo grego proginósko e é usada outra vez pelo apóstolo somente em Romanos 11.2, onde escreve sobre Israel: “Deus não rejeitou o seu povo, o qual de antemão conheceu”. Ora, é evidente que aqui, conhecer de antemão não significa prever a fé, uma vez que Israel nunca creu na mensagem de Deus (At 7.51-53). Resta, pois, somente um sentido possível para a fórmula sob análise, a saber: Deus conheceu de antemão a quem mostraria seu favor. Esse é, portanto o modo como Romanos 8.29 deve ser entendido. Não se trata de Deus saber previamente quem creria, mas sim de Deus saber previamente a quem favoreceria. Esse entendimento, aliás, se harmoniza plenamente com outras passagens do Novo Testamento onde ser conhecido por Deus significa ser alvo do seu favor (1Co 8.3; Gl 4.9; 2Tm 2.19). Aliás, Em 1Pedro 1.20, existe a evidência de que o verbo proginósko também pode significar “fazer algo a fim de assegurar que um evento realmente ocorra”. Esse sentido também corrobora a tese defendida aqui (Veja-se ARICHEA, D. C.; NIDA, E. A. A handbook on the first letter from Peter. UBS handbook series. Helps for translators (42). New York: United Bible Societies, 1994.).

É assim também que o texto de Pedro deve ser interpretado na parte que diz: “escolhidos de acordo com o pré-conhecimento de Deus Pai”. Note-se que nesse versículo, Pedro usa a preposição grega katá, traduzida como “de acordo com”, indicando que a escolha de Deus foi feita conforme ele sabia previamente que iria fazer. É, portanto, como se Pedro dissesse: “Vocês foram escolhidos conforme Deus Pai havia previsto que vocês seriam”. Ora, isso indica que Deus não escolheu os crentes porque anteviu a fé neles, mas sim porque sabia previamente a quem mostraria favor.

Na verdade, se Pedro quisesse indicar que Deus escolheu porque anteviu a fé, como ensinam os arminianos, ele certamente usaria a preposição diá, extremamente comum na língua grega e cujo significado, quando usada com o modo acusativo (como é o caso em 1Pe 1.2) é “por causa de”. A tradução, então, ficaria assim: “Vocês foram escolhidos por causa do pré-conhecimento de Deus Pai”. Isso sim indicaria que Deus previu a fé e, por causa disso, teria escolhido alguns. Porém, não é esse o caso aqui, de modo que a Bíblia permanece silente no tocante a qualquer suposta eleição divina alicerçada numa fé prevista.

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Autor: Pr. Marcos Granconato
Fonte: Perfil do autor no Facebook

Idolatria Política - Um Perigo Iminente


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Desde as eleições presidenciais de 2014, observamos que o debate político ficou muito mais acirrado. Por conta das redes sociais, muitos se aventuram em falar sobre política e expressam suas preferências partidárias e/ou ideológicas. Os cristãos evangélicos - uma fatia importante da sociedade - não ficam atrás. Se em décadas passadas evangélico e política eram duas coisas que não se misturavam de jeito nenhum, hoje, existe até uma bancada de políticos que representa a massa evangélica no Congresso Nacional. Pois é, os tempos estão mudados. 

Obviamente que o envolvimento político não é algo ruim em si. A política tudo permeia e é por isso que devemos estar atentos a ela. Os cristãos não são alienígenas. Os cristãos são cidadãos que pagam seus impostos e estão inseridos no convívio social, sendo concomitantemente produtores e consumidores no sentido econômico e também cultural. Mas há um detalhe: Estamos no mundo, porém, não pertencemos a ele. A Escritura nos diz que a nossa verdadeira cidadania é no Reino dos Céus, e quem a conquistou para nós foi Jesus Cristo, nosso Senhor e Salvador. Por conta disto, devemos ter um comportamento diferenciado daqueles que são do mundo. É justamente por não observarmos direito esse ponto que estamos pecando em nosso envolvimento político.

A política mundana tomou para si ideologias que fazem de algum elemento da criação aquilo que salvará a humanidade. Vejamos os exemplos: Para o liberalismo, a salvação se dá pela liberdade. O socialismo vai eleger o Estado como seu “messias” e o nacionalismo coloca o povo como salvador de si mesmo. O messianismo político é pecado pelo simples fato de tentar salvar a humanidade deixando de lado o único e suficiente salvador, que é Cristo. Quando um dos elementos supracitados toma o lugar que pertence a Cristo, a política se tornou idólatra. Idolatria é uma abominação e muitos evangélicos não se dão conta que em alguns casos eles idolatram determinado político, partido ou ideologia. Se a esperança do cristão for depositada em qualquer outra coisa que não seja Cristo e a consumação de sua obra na segunda vinda, então ele - infelizmente - já foi envenenado pelo materialismo, que é ambidestro. Acreditando que algum elemento da criação seja capaz de tornar este mundo um lugar ideal, sem mazelas e sem injustiças, ele tira a prerrogativa de Jesus, pois, somente ele enxugará de nossos olhos toda a lágrima. Logo, essa esperança vã deve ser chamada pelo nome que lhe é devido: Idolatria.

Em tempo de crise, muitos pendem para um lado e para outro na esperança de ver o Brasil sair do atoleiro de corrupção e má gestão em que se encontra. Não é ilícito desejar por mudança. Não é errado querer mudar. Mas acontece que os crentes estão mais preocupados em eleger “salvadores da pátria” do que dobrar os seus joelhos e interceder ao SENHOR dos senhores para que a nossa nação seja curada. Parece também que esqueceram que são o sal da terra e a luz do mundo, pois, vivem em guetos eclesiásticos, nutrem uma subcultura e não promovem os valores do Reino. O Evangelho é para ser vivido, aplicado em qualquer área da vida, a política também está inclusa nisso. As ideologias de esquerda e direita são – ambas – mundanas. O que é espiritual é o Evangelho. Devemos discernir e confrontar todo e qualquer pensamento ideológico através das lentes da Escritura. A nossa cosmovisão, isto é, nossa maneira de ver o mundo, não deve abandonar a confessionalidade. Precisamos olhar para a política sabendo que Cristo é Senhor e que ele tem domínio sobre César, e não o oposto.

Tome muito cuidado, antes de sair por aí dizendo que político ou partido X te representa. Procure assegurar-se de que está usando os óculos certos, os que trazem consigo as lentes da Escritura. Se envolva no debate político, escolha um partido. Só não se esqueça de dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. Confundir as bolas pode te deixar em maus lençóis com o Soberano. 

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Autor: Thiago Oliveira
Fonte: Perfil do autor no Facebook
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A Doutrina Reformada acerca da Revelação

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Ainda que a luz da natureza e as obras da criação e da providência manifestam de tal modo a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, que os homens ficam inescusáveis, todavia não são suficientes para dar aquele conhecimento de Deus e da sua vontade, necessário à salvação; por isso foi o Senhor servido, em diversos tempos e diferentes modos revelar-se e declarar à sua Igreja aquela sua vontade; e depois, para melhor preservação e propagação da verdade, para o mais seguro estabelecimento e conforto da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, foi igualmente servido fazê-la escrever toda. Isto torna a Escritura Sagrada indispensável, tendo cessado aqueles antigos modos de Deus revelar a sua vontade ao seu povo (Confissão de Fé de Westminster, 1:1).

O primeiro capítulo da Confissão de Fé de Westminster começa tratando da bibliologia, a doutrina das Escrituras. Isto é apropriado. Não porque a doutrina das Escrituras seja mais importante do que outras doutrinas, como a pessoa e obra de Deus (a teologia propriamente dita) e de Cristo (a cristologia). Mas porque a doutrina das Escrituras é a base, a fonte de todas as demais doutrinas.

Com o princípio reformado resumido na expressão latina Sola Scriptura, os reformadores rejeitaram a autoridade das tradições eclesiásticas e das supostas novas revelações do Espírito. E restabele­ceram as Escrituras como única regra de fé e prática, como única fonte autoritativa em matéria de doutrina e prática eclesiástica.

DIVISÃO DO ASSUNTO

As seguintes doutrinas são tratadas neste capítulo da Confissão de Fé:

        • Doutrina da Revelação (parágrafo I)
         O Cânon e a Inspiração das Escrituras (parágrafos II e III)
         Autoridade das Escrituras (parágrafos IV e V)
         Suficiência das Escrituras (parágrafo VI)
         Clareza das Escrituras (parágrafo VII)
         Preservação e Tradução das Escrituras (parágrafo VIII)
         Interpretação das Escrituras (parágrafo IX)
         O Juiz Supremo das Controvérsias Religiosas (parágrafo X)


REVELAÇÃO NATURAL

A Confissão de Fé de Westminster começa professando a doutrina da revelação natural: Deus se revela por meio das obras que foram criadas e da própria consciência do homem, na qual está impregnado um padrão moral, ainda que imperfeito por causa da queda.

Biblicamente falando, o universo físico é uma pregação. O cosmos proclama os atributos de Deus. O macrocosmos (as estrelas, os planetas, os satélites, com sua imensidão, grandeza e leis), o cosmos (a terra, os mares, as montanhas, os vegetais, os animais, o homem), e o microcosmos (os micro-organismos, a constituição dos elementos, etc.) revelam muita coisa a respeito da pessoa e da obra de Deus. O Autor de tal obra tem de ser infinitamente sábio e poderoso.

O próprio ser humano, como criatura de Deus, independente­mente do aprendizado, já nasce com uma consciência, uma versão da lei de Deus impregnada no seu ser que o habilita a discernir entre o bem e o mal e com um instinto que o induz à adoração da divindade. Este é o ensino bíblico do Antigo e do Novo Testamento:

Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. Um dia discursa a outro dia e uma noite revela conhecimento a outra noite. Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras até aos confins do mundo” (Sl 19:1-4).

Porquanto o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas” (Rm 1:19-20).

Quando, pois, os gentios que não têm lei procedem por natureza de conformidade com a lei, não tendo lei, servem eles de lei para si mesmos. Estes mostram a norma da lei gravada nos seus corações, testemunhando-lhes também a consciência, e os seus pensamentos mutuamente acusando-se ou defendendo-se” (Rm 2:14-15).

Ao estudar a criação, o homem deveria procurar ver Deus nela, pois é obra dele, e revela os seus atributos. As ciências podem até ser consideradas departamentos da teologia, especializações que estudam a criação e a providência. O estudo da química, da física, da matemática, da biologia, da geografia, da política, da antropologia, da história, etc., deve ter por fim último a glória de Deus. Não é sem razão que muitos dos primeiros cientistas dignos do nome eram cristãos sinceros, como Isaac Newton e Faraday.

Ao se estudar a criação, em qualquer esfera, deveria se descobrir nela as mãos de Deus e as mãos do diabo. Por um lado, observa-se nela impressionante e substancial lógica, ordem, harmonia, sabedoria e poder. Por outro lado, pode-se também perceber na natureza os traços da corrupção, desordem, conflito e degeneração decorrentes da queda. Mas a educação do nosso século, especialmente no nosso país, embora, em geral, reivindique ser cristã, tornou-se na verdade materialista. Onde, nas escolas e universidades, essas disciplinas são estudadas com essa perspectiva e com esse propósito?!

A CULPA HUMANA

Se o homem não houvesse caído, a revelação natural seria suficiente para que ele compreendesse as verdades com relação a Deus, à criação, ao próprio homem, etc.; de modo a submeter-se a Deus e a adorá-lo, rendendo-lhe a graça, o louvor e a honra que lhe são devidas.

Mesmo caído, a revelação natural ainda é suficiente para torná-lo indesculpável, pois o homem natural deturpa a revelação natural. Ele não dá ouvidos à pregação da natureza que o convida a glorificar a Deus. Ele não se submete à proclamação do cosmo, nem reconhece a origem divina das leis que regem o universo. O homem natural também não se submete às leis da sua própria consciência, transgredindo-as constante e deliberadamente. Recusando-se rebeldemente a reconhecer a soberania do Criador e a adorá-lo, o homem natural prefere adorar a criatura.

Tais homens são por isso indesculpáveis; porquanto tendo conhecimento de Deus não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes se tornaram nulos em seus próprios raciocínios, obscurecendo-se-lhes o coração insensato. Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos, e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis... pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura, em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém” (Rm 1:21-23, 25).

Este diagnóstico é igualmente verdadeiro, quer aplicado à filosofia dos sofistas, epicureus e gnósticos da Grécia Antiga, quer aplicado ao humanismo renascentista, quer aplicado à ciência materia­lista moderna. Onde, insisto, nas escolas e universidades de nosso país, estuda-se a criação pela perspectiva das Escrituras e com o propósito de glorificar a Deus?

O homem natural confunde o Criador com a criação (e crê no panteísmo), isola o Criador da criação (e prega o deísmo), rejeita o Criador (e professa o materialismo), ou dá-se por satisfeito com a criação (dando origem ao naturalismo). Na sua louca cegueira, o homem natural rebelde vai além: ele prefere atribuir os traços de corrupção, desordem e conflito percebidos na criação ao Criador, e explicar a substancial lógica, ordem, harmonia, sabedoria e poder nela percebidos às forças cegas da natureza, à evolução natural, à seleção natural, ou mesmo a mutações genéticas.

Por isso o homem é indesculpável. Por isso é justamente culpado: por se recusar a andar conforme o grau da revelação que recebe, seja da natureza, seja da consciência, e se entregar rebelde e arrogan­temente a todo tipo de impiedade. “Ora, conhecendo eles a sentença de Deus, de que são passíveis de morte os que tais coisas praticam, não somente as fazem, mas também aprovam os que assim procedem” (Rm 1:32).

INSUFICIÊNCIA DA REVELAÇÃO NATURAL

A revelação natural é, portanto, suficiente para condenar, mas não para salvar. Devido ao estado decaído do homem, a revelação natural não é nem clara nem suficiente para que as verdades necessá­rias à sua salvação sejam compreendidas.

A religião natural ensina que a revelação da natureza é suficiente para a salvação do homem. Para os que assim pensam, a mente humana desassistida pode compreender tudo o que é necessário à salvação. Mas tal ensino contradiz frontalmente a revelação bíblica. De acordo com as Escrituras, “o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las porque elas se discernem espiritualmente” (1 Co 2:14). Segundo as Escrituras, “aprouve a Deus salvar aos que crêem, pela loucura da pregação” (1 Co 1:21). É por isso que o apóstolo Paulo exclama: “Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Como, porém, invocarão aquele em que não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm 10:13-14). Qual a conclusão? “Logo, a fé vem pela pregação (pelo ouvir) e a pregação (o ouvir), pela palavra de Cristo” (Rm 10:17).

Deus se revela na criação, sim. Esta revelação é suficiente para tornar a raça humana indesculpável. Mas, por causa da queda, não é suficiente para a salvação de ninguém.

REVELAÇÃO ESPECIAL

Não sendo a revelação natural suficiente para salvar o homem em função da queda, aprouve a Deus revelar-se diretamente à igreja.

Assim, Deus preparou um povo, Israel, na Antiga Aliança, e a igreja, na Nova Aliança, para revelar-lhe diretamente o conhecimento necessário à salvação. De modo direto e sobrenatural, por meio do seu Espírito, através de revelação direta, teofanias, anjos, sonhos, visões, pela inspiração de pessoas escolhidas e pelo seu próprio Filho, Deus comunicou progressivamente à igreja, no curso dos séculos, as verda­des necessárias à salvação, as quais, de outro modo, seriam inaces­sí­veis ao homem.

Foi assim que Deus revelou-se a Noé, a Abraão, a Moisés, aos profetas, a Davi, a Salomão, aos seus apóstolos e, especialmente, em Cristo. É neste sentido que o autor da Epístola aos Hebreus afirma que, “Havendo Deus, outrora, falado muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias nos falou pelo Filho a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hb 1:1-2). Cristo é a revelação final de Deus.

É este também o sentido das palavras do apóstolo Paulo endereçada aos gálatas: “Faço-vos, porém, saber, irmãos, que o evangelho por mim anunciado não é segundo o homem; porque eu não o recebi, nem o aprendi de homem algum, mas mediante revelação de Jesus Cristo” (Gl 1:11-12).

À igreja de Deus, portanto, foram confiados os oráculos de Deus, uma revelação especial, inspirada, clara, precisa, autoritativa, suficiente para ensinar ao homem o que ele deve conhecer e crer e o que dele é requerido, com vistas à sua própria salvação e à glória de Deus.

REVELAÇÃO ESCRITA

Tendo em vista a insuficiência da revelação natural e a absoluta necessidade da revelação especial, aprouve a Deus ordenar que esta revelação fosse toda escrita, a fim de que pudesse ser preservada e permanecesse disponível, para a consecução dos seus propósitos eternos. Deus conhece perfeitamente a natureza humana corrompida. Ele conhece também a malícia de Satanás, bem como a perversão do mundo. Ele sabe que revelar a sua vontade à igreja não seria suficiente, pois seria fatalmente corrompida e deturpada. Basta observar as tradições religiosas, mesmo as ditas cristãs; como tendem inexoravel­mente para o erro!

Por isso Deus fez com que todas as verdades necessárias à salvação, santificação, culto, serviço e vida do homem, fossem escritas e preservadas, para que pudessem ser conhecidas, cridas e obedecidas. Com este propósito, o próprio Deus, por meio do seu Espírito, inspirou os autores bíblicos, a fim de que pudessem escrever a revelação especial, sem erro algum.

Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3:16).

Temos assim tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela da alva nasça em vossos corações; sabendo, primeira­mente, isto, que nenhuma profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana, entretanto homens santos falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo” (2 Pe 1:19-21).

De acordo com este parágrafo da Confissão, portanto, a revelação escrita é expressão da graça de Deus com vistas à preser­vação da integridade da verdadeira religião e à salvação, edificação e conforto do seu povo.

NECESSIDADE DAS ESCRITURAS

Sendo a Palavra escrita o meio escolhido por Deus para revelar a sua vontade ao homem, ela não pode ser dispensada, igualada, acrescentada nem suplantada. Nem o Espírito agiria em detrimento ou à parte dela, mas com e por ela. É neste sentido que as Escrituras são necessárias e indispensáveis para a comunicação das verdades necessárias à salvação. A Igreja Católica têm a tradição oral. Os reformadores radicais tinham a palavra interior. Outras denominações modernas têm novas revelações do “Espírito.” A fé reformada se fundamenta inteiramente nas Escrituras.

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Nota:

[1] Ler Salmo 19:1-4; Romanos 1:19-22; 1 Coríntios 1:21; e Romanos 10:13-14,17.

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Autor: Rev. Paulo R. B. Anglada
Fonte: Paulo R. B. Anglada, Sola Scriptura: A Doutrina Reformada das Escrituras (São Paulo: Editora Os Puritanos, 1998), 25-31.
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Uma ponderação para os Reformados - Entendendo a Livre Agência

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Quando pensadores reformados indicam que não possuímos livre arbítrio, não significa que estão dizendo que somos robôs, agindo mecanicamente em um teatro da vida. Esse é o grande mistério: como Deus consegue nos dar nossas faculdades decisórias, mas, ainda assim, cumprir o seu plano de forma imutável. 

A Confissão de Fé Westminster nos esclarece isso no Cap 3, seção 1 (“Dos eternos decretos de Deus”), onde lemos que Deus “ordenou livre e inalteravelmente tudo quanto acontece”, porém “nem violentada é a vontade da criatura, nem é tirada a liberdade ou contingência das causas secundárias”.
Como reformados, precisamos cuidar, portanto, ao contestarmos o livre arbítrio, de não suprimirmos esse aspecto – de que decidimos organicamente as questões da nossa vida, mas Deus, soberanamente, cumpre seus propósitos. Se olharmos sob este prisma, reduzimos os atos de Deus a um modus operandi que não é o dele, nem é o ensinado na Bíblia.

Talvez uma distinção que pode auxiliar a nossa compreensão e dar maior precisão ao tratamento desse conceito, é a utilização do termo livre agência. O livre arbítrio foi perdido. Esteve presente em Adão e Eva, mas não se encontra na humanidade caída. Mas a Livre Agência é a capacidade recebida de Deus de planejarmos os nossos passos (Ti 4.13), de decidirmos o nosso caminhar. 

Quando entendemos bem esse aspecto, nunca vamos achar que nossas decisões são autônomas, ou “desligadas” do plano de Deus (Ti 4.14-15). É ele que opera em nós “tanto o querer como o realizar” (Fl 2.13) e o faz milagrosamente, imperceptivelmente, sem “violentar a vontade da criatura”. 

Longe de ser uma contradição, esse entendimento reformado, retrata Deus em toda sua majestade, ao lado de criaturas preciosas, livres agentes, que perderam a possibilidade de escolha do bem (livre arbítrio), mas continuam formadas à imagem e semelhança da divindade, necessitadas da redenção realizada em Cristo Jesus que é aplicada nas vidas dos que constituem e constituirão o Povo de Deus, pelo poder do Espírito Santo.

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Autor: Pb. Solano Portela
Fonte: Perfil do autor no Facebook
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