O Luteranismo Confessional e o Monergismo

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Silas Daniel publicou na CPAD News sua quarta resposta, agora tratando de Martinho Lutero. Para relembrar o que já foi dito em meu último texto, neste texto o autor também tenta impor ao reformador alemão categorias interpretativas estranhas aos seus escritos, tais como “cinco pontos do calvinismo” ou do “arminianismo”, quando os eixos interpretativos devem ser monergismo e sinergismo, ou agostinianismo e pelagianismo (e suas gradações, semiagostinianismo e “semipelagianismo”).


Um irmão luterano, o reverendo Daniel Branco, preparou uma competente, respeitosa e muito bem escrita refutação em dez pontos ao quarto texto de Silas Daniel, que pode ser lida na página da Congregação Luterana da Reforma.

Neste artigo, já que a tradição luterana é confessional, serão feitas citações diretas de fontes primárias, os documentos reunidos no Livro de Concórdia, para mostrar que esta tradição é monergística, ainda que distinta e crítica da fé reformada. Tal esforço é importante e compensador. Silas Daniel cita uma impressionante lista de fontes secundárias – todas em inglês (até onde percebi), mesmo quando já traduzidas para o português, o que dificulta ao leitor sem domínio daquele idioma o acesso às mesmas para checar as fontes citadas. Um exemplo problemático é o uso que ele faz de H. Bavinck. Em seu texto “Em defesa do arminianismo” (publicado na revista Obreiro Aprovado Ano 36, nº 68), ele, se apoiando no teólogo holandês, afirmou que Lutero “abrandou a sua posição afirmada em De servo arbítrio” (cujo título nas Obras Selecionadas é Da vontade cativa). Na verdade, Bavinck afirma que “embora em suas polêmicas com os anabatistas [Lutero] tenha enfatizado cada vez mais a revelação de Deus na Palavra e nos sacramentos, ele nunca reverteu sua posição sobre predestinação” (Teologia Sistemática, v. 2, p. 364). Em seu novo texto, Silas, surpreendentemente, escreve que “quanto à afirmação de Bavinck de que os ‘verdadeiros luteranos’ [ibid, p. 364] rejeitaram o sinergismo de Melanchthon, trata-se de uma tremenda distorção da história”. A impressão que dá é que o autor mencionou Bavinck apenas quando a citação aparentemente favoreceu o seu argumento. 

Lembrando do princípio de que para tratar de temas teológicos controversos deve-se começar com o que afirmam as confissões de fé que resumem as posições das tradições estudadas, passemos às citações dos escritos confessionais luteranos contidos no Livro de Concórdia.

1. A tradição luterana é monergista. Isto pode ser conferido na Fórmula de Concórdia XI.1-14, no capítulo que trata “da eterna presciência e eleição de Deus”, que afirma que “sobre este artigo não ocorreu dissensão pública entre os teólogos da Confissão de Augsburgo”. E continua: “A presciência de Deus nenhuma outra coisa é senão isso que Deus sabe todas as coisas antes de elas acontecerem... (...) Se estende igualmente sobre os bons e os maus, não sendo, porém, causa do mal nem do pecado... (...) Também não é a causa da perdição dos homens, pela qual eles mesmos são culpados. A presciência de Deus apenas regula o mal e lhe fixa limite quanto à duração, fazendo com que tudo, não obstante seja mau em si mesmo, sirva à salvação de seus eleitos”. Por fim: “A predestinação ou eterna eleição de Deus, entretanto, diz respeito apenas aos piedosos, agradáveis filhos de Deus, sendo uma causa da salvação deles, a qual ele também provê, e ordena o que a ela pertence. Sobre ela, nossa salvação se funda de maneira tão firme que ‘as portas do inferno não prevalecerão contra ela’. (...) Com essa breve explicação da eterna eleição de Deus, dá-se a Deus sua honra inteira e plenamente, que ele, somente por sua pura misericórdia, sem qualquer mérito nosso, nos salva ‘segundo o propósito’ da sua vontade. Além disso, também não se dá a ninguém causa para pusilanimidade ou vida rude, desenfreada” (2-4, 14). Por meio de negativas, é rejeitada a ideia de uma dupla predestinação simétrica (predestinatio gemina). Na Declaração Sólida XI, “da eterna presciência e eleição de Deus”, tal posição é detalhadamente reafirmada. Um trecho basta:

“Essa é a extensão em que o mistério da predestinação nos é revelado na palavra de Deus. E se a isso nos restringimos e ativermos, deveras, é doutrina útil, salutar e confortadora, pois que mui poderosamente confirma o artigo de que somos justificados e salvos sem qualquer obra e mérito nosso, exclusivamente pela graça, tão-só por causa de Cristo. Antes do tempo do mundo, antes de existirmos, ‘antes da fundação do mundo’, quando, naturalmente, nada de bom poderíamos ter feito, fomos eleitos, por graça, em Cristo, para a salvação, ‘segundo o propósito de Deus’, Rm 9; 2 Tm 1. Isso também derruba todas as opiniones e doutrinas errôneas sobre os poderes de nossa vontade natural, porque, em seu conselho, Deus resolveu e decretou, antes do tempo do mundo, que, pelo poder de seu Santo Espírito, mediante a palavra, ele mesmo quer criar e operar em nós tudo o que pertence à nossa conversão”.

Portanto, aqueles familiarizados com a tradição confessional luterana sabem que esta, ainda que tendo agudas diferenças em relação à tradição reformada, é monergística (para uma exposição do pensamento de Lutero sobre a predestinação, cf. Paul Althaus, A teologia de Martinho Lutero, p. 291-303).

2. Por defender uma interpretação anacrônica da controvérsia soteriológica, o autor insiste que os Artigos de Esmacalde III.40-45 ensinariam a “crença de Lutero na possibilidade de um cristão genuíno cair da graça”, quando o luteranismo oferece outra possibilidade de compreensão da segurança da salvação. Os artigos ensinam:

“E esse arrependimento perdura nos cristãos até a morte, pois que briga com o pecado que remanesce na carne ao longo da vida toda, como S. Paulo testifica em Rm 7 que guerreia contra a lei de seus membros, etc. E isso não o faz mediante forças próprias, senão pelo dom do Espírito Santo, dom que se segue o perdão dos pecados. Esse dom purifica e varre diariamente os pecados remanescentes e opera no sentido de tornar o homem bem puro e santo. 
Disso nada sabem nem papa, nem teólogos, nem juristas, nem homem algum. É doutrina do céu, revelada pelo evangelho. E ela tem de suportar o ser chamado de heresia entre os santos ímpios.
Por outro lado, é possível que venham alguns espíritos sectários – e talvez já estejam presentes alguns, tais como os que no tempo da insurreição [a Guerra dos Camponeses, de 1525] me surgiram a mim mesmo diante dos olhos – e sustentem a seguinte opinião: Todos aqueles que alguma vez hajam recebido o Espírito ou o perdão dos pecados, ou que se hajam alguma vez tornado crentes, esses, caso pequem depois disso, mesmo assim permanecerão na fé, e tal pecado não lhes fará mal. E, de acordo com isso, berram: ‘Faze o que quiseres; se crês, nada importa; a fé extingue todo pecado’, etc. Dizem, além disso, que nunca teve de modo verdadeiro o Espírito e a fé aquele que peca depois da fé e do Espírito. Tais criaturas insanas têm-me aparecido muitas pela frente, e temo que esse demônio ainda esteja alojado em algumas.
Por isso é necessário saber e ensinar: pessoas santas ainda têm e sentem o pecado original e, diariamente, se arrependem e lutam contra ele. Se, à parte disso, lhes acontece caírem em pecado manifesto, como por exemplo, Davi, em adultério, em assassínio e em blasfêmia, então a fé e o Espírito estiveram ausentes. Pois o Espírito Santo não permite que o pecado governe e prevaleça, de modo que seja consumado, porém reprime e resiste, de forma que não pode fazer o que quer. Se, porém, fizer o que é de sua vontade, então o Espírito Santo e a fé não estão presentes. Porquanto São João diz: ‘Pois quem é nascido de Deus não peca e não pode pecar’. Contudo, também é verdade, conforme escreve o mesmo São João: ‘Se dissermos que não temos pecado nenhum, mentimos, e a verdade de Deus não está em nós’”.

Tal declaração deve ser lida em contexto, isto é, as controvérsias com os vários grupos anabatistas, chamados coletivamente pelos reformadores alemães de “entusiastas” (Schwärmer ou Schwärmertum, sinônimo de “fanáticos”). Numa nota de rodapé do Livro de Concórdia, comentando a frase “então o Espírito Santo e a fé não estão presentes”, cita-se Gottfried Noth, que afirmou que “M. Chemnitz repetidas vezes apela para esse passo dos Artigos de Esmacalde, interpretando-o, porém, mal, como se Lutero quisesse dizer que pecados grosseiros liquidam a fé”.

Para entender o que a tradição luterana confessional defende sobre a fé e a certeza da salvação, pode-se ir a John Theodore Mueller, Dogmática cristã, que escreve: “Se os papistas e protestantes romanizantes negam que o crente possa estar certo de sua salvação, é porque ensinam que a salvação, ao menos em parte, depende das boas obras do crente. (...) Todo aquele que crê em Cristo com sinceridade está seguro de seu estado de graça e salvação; pois o Espírito Santo, que nele gerou fé pelo Evangelho, por essa mesma fé lhe dá certeza de que é filho de Deus e herdeiro da vida eterna” (p. 320, 322). Mas, para Mueller, há que se fazer uma distinção entre a primeira conversão, e a conversão continuada, que “jamais está completa enquanto [a pessoa que crê em Cristo] vive no mundo”. Esta conversão continuada não é um processo de santificação interna, mas um viver na confiança na salvação obtida objetivamente na Palavra e nos sacramentos. Portanto, “o fato de aqueles que crêem em Cristo poderem cair da graça ou perder a fé constitui doutrina clara da Bíblia”, ainda que seja “preciso manter que podem se converter de novo (...) os que caíram na fé” (p. 341). Esse autor, em sua obra, critica o entendimento reformado da perseverança, pois esta nega “a gratia universalis”. Mas rejeita a compreensão sinergista da perseverança, pois esta nega “o sola gratia”, ensinando que “o pecador tem de entrar com a sua quota a bem de se tornar cristão, assim como também tem de cumprir com a sua parte para poder perseverar na fé”. De acordo com Mueller, “o monergismo divino é, também, responsável pela conservação para a salvação” (p. 413-417).

Para a tradição luterana, a santificação (que é interna) não pode ser a base da certeza da salvação, mas a segurança da salvação é dada externamente, na Palavra e nos sacramentos. Como Lutero afirmou no Catecismo Maior: “Assim, a fé se apega à água, crendo que é o batismo, em que há pura salvação e vida. (...) Não pela água, mas (...) porque está unida à palavra e ordem de Deus... (...) Se creio isso, em que outra coisa creio senão em Deus, como aquele que deu e implantou sua palavra no batismo... (...) De forma nenhuma se há de considerar o sacramento como se fosse coisa prejudicial, da qual cumprisse fugir, mas como medicina inteiramente salutar [ou salvadora] e consoladora, que te ajuda e te dá a vida tanto na alma quanto no corpo”.

3. Sobre Lutero, deve ser óbvio, a esta altura, que é muito mais fácil afirmar que supostamente houve mudança ou abrandamento no pensamento do reformador do que interagir com a vigorosa exegese que ele ofereceu ao texto bíblico, não só em Da vontade cativa, mas também em suas preleções à Epístola do Bem-aventurado Apóstolo Paulo aos Romanos e no Comentário à Epístola aos Gálatas. Curiosamente, uma editora nacional publicou no Brasil a obra editada por E. Gordon Rupp e Philip S. Watson, Luther and Erasmus: Free Will and Salvation, sem o texto do reformador alemão (o título nacional é Erasmo: livre-arbítrio e salvação). Assim sendo, me parece apropriado encerrar com uma citação do Prefácio à Epístola de S. Paulo aos Romanos, escrita em 1522, e revisada e adaptada em 1546, ano da morte do reformador:

“Nos capítulos 9, 10 e 11, (...) [Paulo] ensina a eterna predeterminação de Deus. Desse conceito provém originalmente a distinção entre quem há de crer e quem não há, quem se pode livrar de pecados ou não. Com ele está de todo fora do nosso alcance e exclusivamente nas mãos de Deus, que nos tornemos retos. E isso é de suma necessidade. Pois somos tão fracos e inseguros que, se dependesse de nós, naturalmente nem uma pessoa sequer se salvaria e o diabo com certeza a todas sobrepujaria. Mas, como para Deus é certo que não falhará aquilo que ele predetermina, tampouco alguém o pode impedir, ainda temos esperança contra o pecado.
Entretanto, há que se pôr um limite aos espíritos injuriosos e arrogantes que, primeiro, dirigem seu raciocínio para este ponto, começam por pesquisar o abismo da predeterminação divina e se preocupam em vão com a pergunta, se estão predeterminados. Esses então têm que se humilhar a si mesmos de forma a desesperar ou a pôr tudo em jogo. Tu, porém, segue esta carta em sua sequência, ocupa-te primeiro com Cristo e o Evangelho. Nele, reconhecerás teu pecado e a graça do Evangelho. Em seguida, combate o pecado, como o ensinaram aqui os caps. 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8. Depois, tendo chegado ao 8º capítulo, sob cruz e sofrimento, isso te ensinará a entender tão bem a predeterminação nos cap. 9, 10 e 11. E como ela é consoladora! Pois, sem sofrimento, cruz e aflições de morte não se pode tratar da predeterminação, sem juízo e indignação oculta contra Deus. Por isso, o [velho] Adão precisa estar morto antes de suportar essa coisa e tomar o vinho forte. Toma cuidado, portanto, que não bebas vinho enquanto ainda és lactente. Todo ensinamento tem sua medida, tempo e idade” (OS 8, 139).

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Autor: Franklin Ferreira
Divulgação: Bereianos

Leia também: 
Uma avaliação do artigo "Em defesa do arminianismo"
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Casamento, divórcio e novo casamento - 3/3

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2) CRISTÃOS CASADOS COM NÃO CRISTÃOS (7.12-24)


Na primeira parte desse capítulo (vs.2-7), vimos que Paulo argumenta sobre os direitos conjugais em relação ao casamento (Gn 2.24). Em seguida, ele se dirige aos solteiros, divorciados e às viúvas da igreja (vs.8-9); depois orienta os casais (vs.10-11). Agora, as últimas pessoas a receber o conselho do apóstolo são os crentes casados com incrédulos. Paulo escreve: Aos mais digo eu (vs.12a).

Nesse trecho, Paulo não discorre sobre o casamento misto, ou seja, o casamento entre um cristão e um incrédulo. O ensino do apóstolo sobre isso é claro: o casamento deve ser no Senhor (7.39). Por ter um modo de vida diametralmente contrário ao do não cristão, e para que inúmeros problemas conjugais sejam evitados, Paulo orienta que o cristão deve se casar com cristão (2Co 6.14-15).

A igreja de Corinto era uma igreja nova. Algumas pessoas se converteram ao evangelho depois de casadas. De repente, apenas a mulher se converteu e o marido permaneceu incrédulo, ou apenas o marido se converteu e a mulher permaneceu incrédula. Essa é a problemática que Paulo trata aqui.[22] Diante disso, os coríntios fomentam mais uma pergunta: Devemos permanecer casados com cônjuges incrédulos? Paulo responde que sim! Ele atesta que devem permanecer casados (7.12-13). Por que ele diz isso? Conforme dissemos anteriormente, Jesus não abordou todos os detalhes acerca do casamento, divórcio e novo casamento.

Jesus se dirigiu especificamente ao povo Judeu, nessas questões (veja Mateus 5.31-32; 19.1-12; Marcos 10.1-12; Lucas 16.18). Era normal o judeu se casar com judeu, e não com pessoas de outras nações. Naquela época, o evangelho estava restrito a Israel, e, por isso, Jesus não vivenciou a realidade dos relacionamentos mistos, isto é, o casamento entre cristãos e não cristãos, o qual se tornou comum após o Evangelho se espalhar entre o mundo gentílico.

Com efeito, em 1 Coríntios 7, Paulo não contradiz o ensino de Cristo sobre o divórcio, mas expande o assunto. Ele trata de alguns detalhes que Jesus não abordou nos evangelhos, tal como o casamento misto e outras razões para o divórcio que não fosse apenas o adultério. É provável que alguns crentes da igreja de corinto estivessem imaginando que, por serem casados com incrédulos, estavam de certa forma se contaminando. Porém, a verdade é exatamente o oposto disso (vs.14). 

É um ato de desobediência um cristão casar-se com um incrédulo. Mas se a pessoa se torna cristã depois de ter se casado, ela não pode usar esse acontecimento como base para separação. Pelo contrário, ela precisa exercer a influência que tem como cristã para mudar e transformar o seu lar e ainda levar o seu cônjuge à conversão. Paulo está dizendo que a conversão não altera as nossas obrigações sociais.[23]

a) O poder do casamento (vs.14)

Paulo escreve que, no casamento misto, o cônjuge incrédulo é santificado na convivência com o marido ou com a esposa crente. Por causa disso, os filhos desse casal não seriam impuros, mas santos. Evidentemente, a santificação do cônjuge incrédulo não se refere à salvação, pois, se fosse o contrário, ele não seria denominado de incrédulo. A santificação que Paulo tem mente aqui é matrimonial e familiar, não pessoal ou espiritual. O casamento não é um meio de conversão. O marido ou a esposa que é crente santifica o casamento, traz benefícios para a sua família. Sendo assim, o cônjuge incrédulo fica exposto à influência do Evangelho.

O apóstolo não está dizendo que a esposa ou o marido descrente torna-se moralmente santo por meio do cônjuge crente. O homem não é capaz de santificar o seu próximo. O apóstolo quer dizer que, através do cônjuge crente, o marido ou a esposa descrente é, de algum modo, influenciado pela santidade do cônjuge crente.

A conduta do cônjuge descrente “é afetada pela conduta do cônjuge cristão. O cônjuge não cristão concorda em viver com a pessoa cristã em quem habita o Espírito de Deus, cumpre as obrigações que advém da instituição do casamento (Gn 2.24) e conserva intacto seu casamento em obediência aos preceitos de Jesus (Mt 19.6). Os dois vivem num ambiente santificado, porque o lar é consagrado pela leitura, aplicação da Palavra de Deus e pela oração”.[24] Calvino escreve que a piedade de um faz o casamento mais santo do que a impiedade do outro para torná-lo impuro.[25] Ou seja, a santidade de um cônjuge exerce uma influência santificadora maior do que a possível corrupção que advém do outro. O inverso também se aplica: a pessoa não santificada é, de certa maneira, influenciada pelos preceitos do mundo que se opõe aos preceitos de Deus.

Adiante, Paulo também declara como santos os filhos que nasceram antes ou depois da conversão de um dos cônjuges. A santificação dos filhos aqui também é familiar, e não “espiritual e moral”. Ele deixa latente que os filhos são santificados com base na fé do pai ou da mãe que é cristão. Eles não são considerados impuros pela ausência de fé do cônjuge incrédulo. A fé prevalece sobre a supressão da fé na família.

Porém, mesmo santificados pelo cônjuge crente, o marido ou a esposa descrente e os filhos, ainda assim, necessitam ser convertidos ao Evangelho para serem, de fato, crentes. Baseando-se no contexto histórico de 1 Coríntios, vemos que Paulo está enfrentando um grupo de ascetas gnósticos que consideravam o sexo como algo pecaminoso, até mesmo dentro do casamento. É bem provável que ele esteja defendendo a “santidade” da relação sexual e a santidade dos filhos em casamentos mistos.   

Quando a fé cristã entra em um lar descrente, ela deve ser uma ponte de novas bênçãos, e não de novas desavenças. O fato de um cônjuge incrédulo viver com um cônjuge crente possibilita a esse cônjuge incrédulo conhecer o evangelho e ser abençoado por ele. O cônjuge incrédulo é trazido para mais perto de Deus ao conviver com um cristão na mesma casa.[26]  

b) A dissolução do casamento (vs.15-16)

Paulo enuncia que, se o cônjuge descrente quiser se divorciar, o cônjuge crente deve permitir. O apóstolo afirma que, nessa condição, ambos os cônjuges não estão obrigados a insistir no casamento. Por conseguinte, Paulo esclarece sua instrução com uma pergunta: Pois, como sabes, ó mulher, se salvarás teu marido? Ou, como sabes, ó marido, se salvarás tua mulher? (Almeida Século 21)

Se o cônjuge incrédulo discorda da fé do cônjuge crente, e se recusa a conviver numa atmosfera cristã, optando pelo divórcio, o cônjuge crente fica livre para dissolver o casamento. Anteriormente, Paulo orientou a mulher cristã a não se divorciar do seu marido (vs.10-13). Porém, se a esposa ou o marido incrédulo, obstinado, quer romper o casamento, a melhor decisão é concordar com a separação para conservar a paz na família, uma vez que o bem estar dos filhos está em jogo nestas situações. 

MacArthur observa que alguns poderiam estar relutantes quanto a deixar o cônjuge não salvo partir, o qual queria ir embora e estava criando discórdia no lar – achando que poderiam evangelizar o cônjuge, insistindo no propósito de vê-lo convertido. Paulo diz não haver essa certeza e diz ser melhor separar-se e ficar em paz, caso o companheiro não salvo queira acabar com o casamento desse modo.[27]  
                     
Além do adultério, Paulo destaca a segunda condição exceptiva para o divórcio – a saber – o abandono inexorável. Antes de adentrarmos nesse assunto, acredito ser importante analisarmos mais detidamente Mateus 5.31-32, 19.3-9; Marcus 10.2-12 e Lucas 16.18, a fim de compreendermos melhor a primeira condição exceptiva para o divórcio.

Em ambas as passagens, Jesus ressalta que o novo casamento é proibido, e que o divórcio só é permitido em caso de relações sexuais ilícitas [adultério e vários tipos de pecados sexuais], conforme relata Mateus 5.31-32. Segundo a narrativa de Mateus 19.7-9, os fariseus interpretavam Deuteronômio 24.1-4 erroneamente. Lá, Moisés não promove nem desencoraja o divórcio explicitamente. Não era um mandamento de divórcio, mas uma limitação ao segundo casamento na eventualidade de um divórcio. Embora considerasse a legitimidade do divórcio quando um homem encontrasse coisa indecente (Dt 24.1) em sua esposa [pecado sexual, de acordo com a interpretação de Jesus no versículo 9 de Mateus 19], Moisés não deu um mandamento sobre o divórcio.[28] 
          
John Frame enfatiza que Deuteronômio 24.1-4 é um precedente legal (jurisprudência) [veja o capítulo 13], que descreve uma determinada situação (vs.1-3) e, então, estabelece um mandamento que tem ligação com essa situação (vs.4). Os versículo 1-3 são uma cláusula “se”, estabelecendo a hipótese, e o versículo 4 é a cláusula “então”, indicando a consequência.[29]  

MacArtur, por sua vez, realça que Deuteronômio 24.1-4 não ordena, não louva, não desculpa e nem mesmo sugere o divórcio. Pelo contrário, reconhece que o divórcio ocorre e é permitido apenas em bases muito restritas. O caso apresentado aqui se destinava a comunicar o fato de que o divórcio produz contaminação se não fosse pelo motivo de adultério. O que constitui essa contaminação? Somente uma coisa é possível: a mulher foi contaminada ao casar-se novamente porque não havia motivo para o divórcio. Portanto, quando se casou de novo, tornou-se adúltera e tão contaminada que seu primeiro marido não pode recebê-la de volta. O divórcio ilegítimo faz com que o adultério prolifere.[30]  

Na época de Jesus, havia uma veemente discussão teológica entre os rabis Shammai e Hillel e seus discípulos acerca dos motivos corretos para o divórcio. Havia divergência de opinião entre ambos. Os Sahamaítas eram rígidos na interpretação da lei, e permitiam o divórcio somente em caso de adultério. Os epígonos de Hillel assumiam uma posição mais liberal e pragmática, e permitiam o divórcio por motivos triviais. Portanto, em sua discussão teológica com os fariseus sobre o divórcio, Jesus enfatiza que o mesmo somente é permitido em caso de infidelidade conjugal. Quem se divorcia por motivos banais incorre em pecado (Mt 19.9).

Não obstante, o segundo motivo exceptivo para o divórcio é o abandono inexorável. Essa expressão é abrangente, e não se limita apenas na partida de um dos cônjuges. O abandono inexorável envolve “omissão, negligência, desamparo e desdém” que um dos cônjuges demonstra para com o outro. 

Hipoteticamente falando, o homem que não cumpre o seu papel de marido como um dos provedores do lar por ociosidade ou malandrice, que não zela pelo bem-estar físico e emocional da sua esposa e dos seus filhos, sendo omisso no amor para com eles, é considerado um “desertor inflexível”.   

Imagine uma mulher cristã que seja casada com um descrente que a agrida fisicamente de forma constante, e não demonstra arrependimento algum por esse crime? Pelo contrário, esse homem é inflexível e ainda ameaça matar ou agredir ainda mais sua esposa se ela o denunciar à polícia. Imagine, ainda, uma mulher cristã que seja casada com um descrente que seja viciado em drogas? Além de vender os objetos do lar para sustentar o vício, esse homem, sob o efeito alucinógeno de entorpecentes, também agride fisicamente sua esposa. 

Imagine, mais uma vez, que um dos cônjuges, quer seja descrente, crente ou falso crente [visto que um crente verdadeiro é passível de ruir em pecados hediondos por um tempo], se revele bissexual ou pervertido sexualmente? É possível um homem ou mulher, na fase do namoro, ocultar determinados pecados, desvios de comportamento e perversões sexuais que são revelados somente mais tarde, no casamento, onde ambos os cônjuges se conhecerão plenamente. Finalmente, imagine que um dos cônjuges vá embora, de repente, e nunca mais volte, desaparecendo? O que o cônjuge abandonado deve fazer? Primeiro, expor sua situação à igreja e solicitar orientação pastoral; segundo, formalizar o divórcio diante do estado. Uma vez que foi o incrédulo quem optou pelo divórcio, o crente apenas confirma a situação, requerendo que o Estado ateste o status quo.

Tendo em mente as situações supracitadas, o que o cônjuge prejudicado deve fazer, sabendo que o casamento tornou-se praticamente insustentável? Indubitavelmente, Deus "deseja" a reconciliação, e não o divórcio, até mesmo em caso de adultério. John Frame expressa que o fato de o divórcio ser permitido por imoralidade sexual não significa que isso seja ordenado, necessário ou até mesmo desejável. Até mesmo nessa situação, Deus odeia o divórcio e ama a reconciliação. No entanto, sendo esse o caso, não é pecado se divorciar.[30]      
  
Porém, existem circunstâncias em que o divórcio é a melhor solução para obter-se a paz e até necessário para resguardar a vida do marido ou da esposa de condições intoleráveis. Conforme sintetizei, negligência em zelar pelo bem estar da esposa e dos filhos, ociosidade, malandrice, agressão física e perversão sexual, são tipos de abandono ou deserção do casamento. Sendo assim, um novo casamento é permitido para ambos os cônjuges [o culpado e o inocente], pois o divórcio cancela as obrigações do casamento original (1Co 7.15).

John H. Gerstner salienta que a cláusula exceptiva do adultério ensinada por Cristo não negou, por implicação, o ensino de Paulo sobre o abandono, e Paulo, positivamente, ensinou o que Cristo não negou. Não há discordância entre o ensino de Jesus e o ensino de Paulo.[31] 
        
A limitação de Jesus acerca do adultério como a razão para o divórcio não é incongruente com a adição de Paulo sobre o abandono inexorável como outra razão para o divórcio. Nos Evangelhos, Jesus menciona a base ativa para o divórcio, e Paulo esboça a base passiva. Cristo ensina que o cônjuge traído pode legar a carta de divórcio. Quem toma a iniciativa do divórcio é a parte inocente.

Paulo, por sua vez, amplia o assunto, sublinhando que a iniciativa do divórcio advém não do cônjuge abandonado, mas daquele que o abandonou. O cônjuge abandonado apenas reconhece o fato. Jesus esboça que é a parte inocente é quem toma a iniciativa do divórcio de forma voluntária. Paulo, entretanto, fala que a parte inocente é quase que “coagida” a se divorciar por conta do abandono da parte culpada.
               
A Confissão de Fé de Westminster, no capítulo 24, parágrafo 5 e 6, corrobora o adultério e o abandono inexorável como os únicos motivos para o divórcio e um novo casamento. Senão vejamos:

No caso de adultério depois do casamento, à parte inocente é lícito propor divórcio (Mt 5.31,32), e, depois de obter o divórcio, casar com outrem, como se a parte infiel fosse morta (Mt 19.9; Rm 7.2,3). Posto que a corrupção do homem seja tal que o incline a procurar argumentos a fim de indevidamente separar aqueles que Deus uniu em matrimônio, contudo nada, senão o adultério, é a causa suficiente para dissolver os laços do matrimônio, a não ser que haja deserção tão obstinada que não possa ser remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil (Mt 19.6-8; 1Co 7.15). 
  
Se os votos conjugais não são mais consistentes por conta da infidelidade sexual e do abandono inflexível, o qual é caracterizado por abusos físicos e verbais, e pela lacuna em munir o sustento do lar, “a igreja pode declarar o casamento original nulo e sem efeito, deixando os parceiros livres para se casarem novamente. Como diz a CFW, a “deserção” deve ser tal que não possa ser solucionada nem pela igreja nem pelo magistrado civil. A igreja deve reconhecer o divórcio nesses casos apenas quando todas as soluções disponíveis já falharam”.[32]

CONCLUSÃO

Peter Wagner [33] elenca cinco aplicações práticas do texto em voga:

1) Leve o dom do celibato a sério. Celibato é dom.

2) Se você anseia pelo casamento é porque não tem dom de celibato (7.8).

3) Se você não tem o dom do celibato, case-se. O casamento é uma bênção e digno de honra entre todos. E o próprio criador quem disse: Não é bom que o homem esteja só (Gn 2.18). Paulo diz que é melhor casar do que viver abrasado (7.9).

4) Se você está para se casar, certifique-se que o seu futuro marido ou esposa seja uma pessoa convertida (7.39). Se você está casado com uma pessoa incrédula, faça todos os esforços necessários para manter o seu casamento (7.16).

5) Se você quer que o seu casamento seja feliz, nunca deixe de dar a seu cônjuge toda a satisfação sexual que ele precisa e tem direito (7.3-5).
   
Em contrapartida, sugiro que os casais cristãos que se divorciaram por motivos triviais que não são justificados pelas Escrituras e se casaram novamente, confessem o pecado de terem se divorciado injustamente e de terem desobedecido às Escrituras contraindo um novo matrimônio. Arrependidos, esses casais devem seguir suas vidas em seu novo casamento na presença de Deus. 

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NOTAS:
22. Hernandes Dias Lopes. 1 Coríntios, pág 135.
23. Ibid.
24. Simon Kistemaker. 1 Coríntios, pág 318.
25. Calvino. 1 Coríntios, pág 217.
26. Hernandes Dias Lopes. 1 Coríntios, pág 136.
27. Bíblia de Estudo MacArthur. Notas de Rodapé, pág 1537.
28. Ibid, pág 1241.
29. John Frame. A doutrina da vida cristã, pág 734.
30. Ibid, pág 738.
31. John Gerstner. The early writings, pág 96.
32. John Frame. A doutrina da vida cristã, pág 743.
33. Peter Wagner. Se não tiver amor, pág 60.

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Autor: Leonardo Dâmaso
Fonte: Bereianos
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Pequeno Excerto da Obra A Doutrina Protestante das Escrituras, de Cornelius Van Til

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PEQUENO EXCERTO DA OBRA THE PROTESTANT DOCTRINE OF SCRIPTURE [A DOUTRINA PROTESTANTE DAS ESCRITURAS], DE CORNELIUS VAN TIL


1. A NECESSIDADE DA REVELAÇÃO NATURAL

A fim de apresentar a inter-relação existente entre a revelação de Deus nas Escrituras e Sua revelação na natureza, devemos primeiramente tratar da necessidade da Revelação Natural. É costume apresentar a necessidade da Revelação Sobrenatural devido ao fato de não existir, em toda a extensão da natureza, nenhum tipo de revelação a respeito da graça. Contudo, é igualmente verdadeiro que a revelação da graça operar-se-ia num vácuo caso não se operasse na natureza, revelando, assim, a Deus. É impossível reconhecer o sobrenatural por aquilo que é, a menos que o natural também o seja: ambos devem ser reconhecidos mediante a luz da revelação sobrenatural de Deus. Tudo aquilo que o homem faz em relação à natureza, ele o faz como uma forma de manutenção ou de transgressão do pacto de graça que Deus estabeleceu com o homem. Dessa forma, tanto o cientista no seu laboratório quanto o filósofo em seu estudo estão lidando com seus materiais, quer como mantenedores do pacto ou como seus transgressores. Todos os atos do homem, todos seus questionamentos, todas suas afirmações – de fato, todas as suas negações em qualquer domínio de seus interesses, são pactualmente condicionadas.

2. A AUTORIDADE DA REVELAÇÃO NATURAL

Naturalmente, se, de fato, todos os atos humanos realizados tanto no que concerne à natureza quanto às Escrituras são pactualmente condicionados, isso se dá porque Cristo se comunica com o homem de forma ubíqua, e Se comunica sempre com absoluta autoridade. O cientista pode ou não reconhecer este fato. Se ele não é um cristão, ele há de argumentar que o fato de Cristo possuir autoridade, uma absoluta autoridade no que diz respeito ao seu procedimento científico, é algo que destrói totalmente a própria ideia de ciência. Ele há de argumentar que a ideia de ciência pressupõe liberdade por parte do cientista para conceber quaisquer hipóteses que julgue se encaixar aos fatos. Qualquer autoridade absoluta – como aquela mencionada anteriormente – também exclui (no raciocínio do cientista) a ideia de que as palavras de Cristo podem e devem ser testadas pelos fatos e pela ordem dos fatos, isto é, pelas leis naturais já conhecidas pelos homens, a partir de seus experimentos e experiências prévias. “Suponha”, o cientista talvez diga, “que eu tenha de trabalhar sob a absoluta restrição da ideia de uma Providência redentora e soberana de Deus, tal como ensinado pela Bíblia – isto seria contra a ideia de um universo absolutamente aberto. Assim, minha hipótese teria que ser de uma natureza tal que esteja em total concordância e mesmo subordinada à ideia dessa Providência soberana. Isso excluiria quaisquer novidades e descobertas na ciência. Tudo já estaria de antemão fixado. Por outro lado, a ideia de uma Providência redentora que abarcasse todas as coisas exigira, de minha parte, a aceitação, de bom grado, da possibilidade de Deus, arbitrariamente, Se manifestar na ‘unidade’ da natureza que a ciência descobriu mediante árduos esforços, e, dessa forma, destruísse essa ‘unidade’ com inserções miraculosas. Teríamos, então, que aceitar que todos os fatos com os quais lidamos são, essencialmente, criações arbitrárias de Deus. Portanto, teríamos que interpretar a ideia de ‘lei’ científica como sendo subserviente àquela lei do relato bíblico acerca do pecado e redenção, a qual é controlada pelo fiat do Deus soberano. Isso não pode ser assim, e, portanto, não aceitaremos tal coisa!

Dito de outro modo, a metodologia científica que não é definitivamente baseada sobre a história redentiva da Bíblia é baseada, na verdade, sobre a suposição de que, de um lado, o universo deve ser totalmente aberto e, de outro, que ele deve ser totalmente fechado. Aludindo a essa ideia, Morris Cohen diz que a ciência necessita tanto da ideia do universo aberto quanto da ideia do universo fechado, mas delas necessita não como elementos constituintes, antes, como conceitos que se limitam reciprocamente.

Caso o homem não possua a autoridade de Cristo no campo da ciência, ele passa a considerar a si mesmo como a autoridade definitiva, como a retaguarda de seu esforço. A controvérsia entre aquele que guarda o pacto e aquele que o quebra nunca se dá, exclusivamente, a respeito de um fato particular ou a respeito de certo número de fatos. É sempre, e ao mesmo tempo, sobre a natureza dos fatos. Além disso, atrás do argumento a respeito da natureza dos fatos, há ainda o argumento sobre a natureza do homem. Por mais restrito que o debate entre o crente e o cético possa ser a qualquer momento, em última análise há sempre duas cosmovisões em desacordo entre si. De um lado, é um homem que vê a si mesmo como incapaz de encontrar uma interpretação inteligível da experiência sem referência a Deus como seu Criador e a Cristo como seu Redentor. De outro lado, é o homem que está certo de que ele não pode encontrar qualquer interpretação desse tipo. Ele supõe que reside junto a ele o poder de fazer um juízo universal negativo acerca da natureza de toda a realidade.

Consequentemente, o cientista que é um cristão possui o dever de mostrar ao seu amigo e colega que não é cristão que, a menos que este último esteja disposto a se posicionar a partir da narrativa cristã com respeito ao mundo que tem sido redimido por meio de Cristo, não há nada para ele, a não ser o fracasso. O labor científico é totalmente ininteligível a não ser que seja francamente baseado sobre a ordem disposta no universo de fatos criados por Cristo, o Redentor.

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Autor: Cornelius Van Til
Fonte: WTSBooks
Tradução: Fabrício Tavares
Divulgação: Bereianos
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Jesus era a favor do casamento gay?

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Atualmente, um dos assuntos mais discutidos, sem dúvida, é o casamento gay. Tanto na esfera política quanto na religiosa o tema é bastante debatido e estudiosos, conservadores e progressistas, discutem de forma acalorada sobre esta questão. Já demostrei no texto "A ordem natural fundamenta a incoerência do casamento gay" algumas consequências negativas que a aprovação do casamento gay na esfera civil poderia trazer para a sociedade. Meu objetivo agora focaliza-se na questão teológica propriamente dita. Isto devido ao fato de existir pessoas que se auto-denominam cristãs, que buscam legitimar biblicamente o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Este texto será uma breve resposta a esses que se dizem cristãos, não com o objetivo de humilhá-los, mas de demostrar suas incoerências.

Alguns defensores do casamento gay, que se auto-denominam "cristãos", argumentam: "Não existe nenhum verso bíblico que demostre Cristo sendo contrário ao casamento gay. Somente Moisés, os profetas e os Apóstolos eram contrários a isto".

Resposta: À Princípio é bom que se saiba que esta tentativa de dissociar os ensinos de Moisés, Cristo, os profetas e os apóstolos, não significa outra coisa senão descredibilizar a crença histórica do Cristianismo ortodoxo de que a Escritura é a inerrante palavra de Deus. Entretanto, estes pseudo-cristãos, tentando achar contradição entre os ensinos de Cristo e dos demais personagens bíblicos, acabam eles mesmos caindo em sua própria armadilha, pois, se a Bíblia é contraditória, e não é inerrante, o que garante a eles (defensores do casamento gay) que Cristo seja contrário ao casamento gay ou não? Ora, se o livro em que eles buscam fundamentar a ideia de que "Cristo não era contra o casamento gay" é recheado de erros, como estes defensores do casamento gay podem garantir que Cristo era a favor do casamento gay"? Como eles podem ter certeza disto? Como eles podem fundamentar uma convicção baseando-se em algo que, para eles próprios, não é inerrante mas que contém erros e incoerências? O que garante que a visão deles não esteja errada também?

O segundo ponto é que, mesmo Cristo não falando diretamente sobre casamento gay, ele foi claro em definir o que era, em sua concepção, o casamento legítimo quando disse:

"Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea. Por isso deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á a sua mulher, E serão os dois uma só carne; e assim já não serão dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem." (Marcos 10:6-9)

Primeiramente fica claro que, para Cristo, o casamento está fundamentado na ordem natural da criação que é universal. E a ordem natural da criação estabelece a realidade da existência de apenas dois sexos; o que passar disto é anti-natural. De forma que Cristo, quando falou isto, se baseava  na ordem da criação estabelecida por Deus, por meio d'Ele mesmo (Cl 1:16), e os apóstolos também fundamentavam sua posição tanto neste princípio natural estabelecido pelo criador, quanto pela confirmação do próprio Cristo à este princípio natural.

Uma outra questão é que este princípio, ou ordem natural, faz com que a prática homossexual continue sendo um pecado aos olhos de Deus. Por quê? Porque esta ordem natural (dois sexos/macho e fêmea) estabelecida por Deus, É UNIVERSAL, e não apenas local e restrita aos tempos bíblicos. A prática homossexual é uma quebra daquilo que fora estabelecido naturalmente por Deus: "Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea" (Mc 10:6). Claro, não estamos querendo classificar a homossexualidade como o maior dos pecados; apenas colocamos esta prática como UM dos pecados resultantes da queda. A queda de Adão afetou o homem em todos os aspectos possíveis. Afetou seu intelecto, vontade, comunhão espiritual com Deus, sua condição física etc (Rm 3).

Muitos defensores da homossexualidade argumentam que o fato de terem tendências homossexuais, isto por si deveria servir como fundamento para a legitimação da prática homossexual. Ora, se for assim, então por que também não legitimarmos as tendências de certos indivíduos referente ao adultério? Sabemos que existem muitas pessoas com tendências à infidelidade, à prostituição, e tantas outras práticas. O que define a legitimidade de uma prática não é a tendência particular de certas pessoas, mas sim se tal tendência é natural e assim legitimada por Deus. Se a tendência fosse fundamento para legitimar uma prática, a sociedade se auto-destruiria, visto que muitas tendências contrariam a ordem natural das coisas que por Deus foram estabelecidas. Desta forma, a tentativa de certas pessoas em buscar sustentar suas tendências homossexuais baseando-se na Escritura, não se sustenta.

Assim sendo, podemos concluir que Deus estabeleceu uma ordem natural, leis e princípios pelos quais a humanidade deve basear-se. E que Cristo em momento algum anulou o que Deus estabeleceu, muito pelo contrário, Ele confirmou e defendeu. E que não há contradição nenhuma entre o que Cristo, Moisés, os profetas e Apóstolos ensinaram. De forma que a palavra de Deus permanece viva e infalível para todo o sempre.

Sola Scriptura!

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Autor: Álvaro Rodrigues
Fonte: A Suficiência das Escrituras
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Quem deve pregar na igreja?

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Dia desses estava vendo uma postagem de um colega e ex-companheiro de sala de aula do seminário. No referido post, ele tratava sobre a questão de quem deveria assumir o púlpito da igreja para a pregação. Ele defendia a posição esboçada nos símbolos de fé de Westminster, e o foco dele era quanto a impossibilidade das mulheres pregarem. Infelizmente meu querido colega foi acusado de fundamentalista e até judaizante, e o pior de tudo é que não foi por pessoas leigas ou de outras denominações, mas sim, por pastores presbiterianos. Os argumentos usados contra o post foram todos baseados na experiência pessoal e não na Escritura Sagrada. Confesso que isso me deixou muito triste e indignado, me encorajando então a escrever este breve post.


A minha intenção aqui será analisar o texto da primeira carta de Paulo a Timóteo no capítulo 2 verso 12 e o que o Catecismo Maior de Westminster diz em sua pergunta 158. Comecemos pelo Catecismo que nos fala o seguinte:

Por quem a Palavra de Deus deve ser pregada?
Resposta: A Palavra de Deus deve ser pregada somente por aqueles que têm dons suficientes, e são devidamente aprovados e chamados para o ministério. (WESTMINSTER, 2007).

O entendimento natural do texto do Catecismo é de que só podem pregar a Palavra de Deus aqueles que foram devidamente chamados ao ministério e que estes devem ser preparados para tal. Uma distinção que deve ser feita aqui é que a pregação que o Catecismo se refere é aquela que é feita na igreja local de forma oficial. Aqueles que não são ordenados ou licenciados podem em ocasiões especificas e supervisionados pelo ministro e o conselho da igreja pregar na congregação.

Entendemos também que todo crente é chamado para pregar o evangelho de forma geral atendendo a ordem do nosso Senhor na grande comissão, quanto a este assunto o Rev. Paulo Anglada em seu livro “Introdução a Pregação Reformada” nos diz que:

Isto não significa que os crentes de modo geral não possam evangelizar e testemunhar da esperança que neles há, individual e informalmente. É dever de todo crente estar preparado para explicar as razões de sua fé (1 Pe 3:15). Também não significa que não possam instruir-se, aconselhar-se, exortar-se, encorajar-se e confortar-se mutuamente. (ANGLADA, p. 87).

Ainda tratando deste assunto o grande teólogo Charles Spurgeon em seu opúsculo “O Chamado Para o Ministério” afirma que:

Todo cristão capaz de disseminar o evangelho tem direito de fazê-lo. Ainda mais, não só tem direito, mas é seu dever fazê-lo enquanto viver. (Ap. 22:17). A propagação do evangelho foi entregue, não a uns poucos, mas a todos os discípulos do Senhor Jesus Cristo. (SPURGEON, p. 01).

Devemos entender que existe uma clara distinção entre pregar a Palavra de Deus oficialmente na congregação e a nossa obrigação de pregar o Evangelho a toda criatura.

A pregação oficial da igreja deve ser feita somente por homens que foram chamados e capacitados para essa sublime tarefa. Gostaria de colocar aqui o comentário do teólogo Geerhardus Vos ao Catecismo Maior de Westminster que nos ajuda no entendimento da pergunta do Catecismo, ele afirma o seguinte:

Claro está que a pregação da Palavra é uma obra de importância muito grande. São necessárias as qualificações apropriadas para que seja feita da maneira adequada. Há qualificações espirituais, intelectuais e educacionais sobre as quais se deve insistir para que a igreja tenha um ministério adequado... um homem incapaz de pensar corretamente, incapaz de detectar a falácia de um argumento perverso, é passível de ser ele mesmo desviado por um falso ensinamento e, por sua vez, capaz de desviar outros. Um homem a quem falta educação geral e teológica normalmente não será capaz de fazer justiça a grande obra de pregação da Palavra de Deus e correrá o perigo de pregar uma mensagem desequilibrada ou parcial. Quando Deus chama um homem para a obra do ministério, também o aparelha com as habilidades e qualificações necessárias para que possa realizar a obra adequadamente. (VOS, p. 508-509).

Devemos deixar claro também que existem casos em que Deus pode chamar homens que não tenham um nível escolar alto ou até mesmo nenhum tipo de educação formal. A própria Escritura nos mostra que alguns discípulos de Cristo não tiveram instrução formal mas foram chamados ao ministério. Tratando deste assunto, Geerhardus Vos nos auxilia mais uma vez no seu comentário do Catecismo quando diz:

Eles, no entanto, gozaram da inestimável vantagem de passarem três anos na companhia de Jesus sob a sua instrução pessoal. Deus as vezes chama para o oficio ministerial um homem com pouca ou nenhuma educação formal e nesses casos excepcionais, onde está evidente a chamada divina, a igreja não deve hesitar em ordenar o candidato. (VOS, p. 508).

Apesar de Deus chamar alguns que não são dotados de educação formal, o próprio Vos nos diz que “não se deve permitir que a exceção torne-se regra”.

Mas fica ainda a questão das mulheres, afinal elas podem ou não pregar na igreja? Creio que tanto as Escrituras como o Catecismo Maior de Westminster deixam claro que as mulheres não devem pregar na congregação, nem mesmo em ocasiões especificas. O grande princípio por trás destas afirmações é a idéia do chamado. O ensino das Escrituras demonstram que o chamado para o ministério é exclusivamente masculino. Gostaria de citar mais uma vez o Rev. Paulo Anglada que afirma:

O requisito fundamental para o pregador, na concepção reformada, é a comissão. A pregação pública do evangelho é tarefa primordial dos ministros da Palavra, isto é, de homens chamados por Deus, reconhecidos como tais pela igreja, e ordenados por imposição de mãos de um presbitério para o oficio. (ANGLADA, p. 86).

Charles Spurgeon mais uma vez nos ajuda quando diz:

Todavia, o nosso serviço não assume necessariamente a forma particular de pregação. Seguramente, em alguns casos é preciso que não, como por exemplo no caso das mulheres, cujo o ensino público é expressamente proibido: 1 Tm. 2:12; 1 Co. 14:34. (SPURGEON, p.01).

As mulheres não podem assumir a pregação em nossas igrejas não é por falta de capacidade intelectual ou alguma deficiência que as possam impedir, mas por um princípio bíblico, a mulher não foi chamada para o ministério. João Calvino em seu “Comentário das cartas Pastorais”, especificamente o texto da primeira carta a Timóteo no capítulo 2 verso 12, nos diz como se segue:

Paulo não está falando das mulheres em seu dever de instruir sua família; está apenas excluindo-as do oficio do sacro magistério, o qual Deus confiou exclusivamente aos homens... se alguém desafiar esta disposição, citando o caso de Débora (Jz. 4.4) e outras mulheres sobre quem lemos que Deus, em determinado tempo, as designou para governar o povo, a resposta óbvia é que os atos extraordinários de Deus não anulam as regras ordinárias, as quais Ele quer que nos sujeitemos... a razão por que as mulheres são impedidas consiste em que tal coisa não é compatível com o seu status, que é serem elas submissas aos homens, quando a função de ensinar subentende autoridade e status superior. (CALVINO, p. 70-71).

Ainda quanto a este tema o grande comentarista bíblico William Hendriksen comentando o mesmo texto de 1º Timóteo supracitado afirma o seguinte:

Embora estas palavras possam soar como pouco amistosas, na verdade são precisamente o oposto. Aliás, expressam o sentimento de terna simpatia e de compreensão básica. Significam que a mulher não deve entrar na esfera de atividade para a qual a força de sua própria criação não é apta. Que a ave não tente viver debaixo d’água. Que o peixe não tente viver em terra seca. Que a mulher não queira exercer autoridade sobre o homem, instruindo-o nos cultos públicos. Por amor a ela e para o bem-estar espiritual da igreja, proíbe-se esta pecaminosa intromissão na autoridade divina. (HENDRIKSEN, p. 139-140).

Apesar de alguns tentarem distorcer ou ignorar o texto bíblico e dos símbolos de fé de Westminster, percebemos que estes são claros em afirmar que só quem pode assumir o púlpito das nossas igrejas são homens devidamente chamados para o ministério. Em determinados casos homens que ainda não estejam ordenados podem pregar publicamente a Palavra de Deus tutelados pelo ministro e pelo conselho da igreja. Deixo claro que não há aqui nenhum entendimento de que as mulheres não são capazes para tal, ou que elas não têm importância na igreja, mas sim, que elas não foram chamadas para o ministério da Palavra. As mulheres sempre tiveram um papel importante na igreja do Senhor e ainda o tem. Mas a pregação oficial do evangelho foi reservada aos homens que foram chamados para tal.

Tenho visto que muitos ministros em busca de tentar contextualizar as suas congregações acabam caindo no velho erro do pragmatismo e acabam por mundanizar a igreja local. Nós não devemos ser guiados pelos paradigmas da sociedade, nem por nossas experiências pessoais, antes pela única regra de fé e prática da verdadeira igreja cristã, as Escrituras Sagradas.

Soli Deo Glória!!

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Autor: Rev. Anderson Borges
Fonte: Teologia que Reforma
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Falso profeta sim; ai de quem achar ruim!

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Neste vídeo aqui, o Edir Macedo, que dispensa apresentações, diz com todas as letras que Deus tem a obrigação de abençoar aquele que oferta em "sua obra". Ele se orgulha deste ensino, diz que ninguém verá isso ser dito em outra igreja evangélica. Ele ainda fala que não é para a pessoa orar pelo favor divino, pois isto é falta de fé. O negócio é ofertar e colocar Deus contra a parede dizendo: "ta aqui a oferta agora me dá a resposta". Macedo chega a caçoar dos que oram pedindo pela "misericórdia de Deus". Realmente a sua teologia pode ser resumida na máxima "ou dá ou desce".


Se você assiste a esse vídeo e não sente nojo, então você precisa reavaliar o seu Cristianismo. Pois, o que este homem faz é pregar as teses de Satanás e não a Fé que nos foi transmitida por Cristo e seus apóstolos. A barganha descrita por Edir Macedo é a mesma que Satanás usou com Jesus. Leia Lucas 4.1-13 e veja que os métodos satânicos ao tentar Jesus são os mesmos que usam os falsos profetas dos nossos tempos, dos quais o Macedo é um dos maiores. A nossa vontade terrena clama por ser alimentada e é isso que Satanás propõe logo de cara pedindo para Jesus transformar as pedras em pães. Continuando a sua investida maléfica, Satanás mostra os reinos do mundo e oferece caso Jesus o adore. O Messias diante de todo o esplendor sabia muito bem que, como disse o teólogo Abraham Kuyper, não há um centímetro quadrado do Universo que o Senhor não declare seu. Essa barganha é típica do Inimigo e não pertence a Deus. Por isso que a pregação “toma lá da cá” é herética e obscura. Deus age por graça e misericórdia, quem faz trocas é o Demônio. 

Jesus não cai nas ciladas do inimigo. Nas duas respostas que Cristo deu usou as Escrituras (Deuteronômio 8:3 e 6:13). Satanás ousa guerrear com a “mesma arma” e usa o Salmo 91. Em que consiste o elemento da terceira tentação? Exacerbação da fé. O ato de Jesus se lançar do Templo para que os anjos viessem ao seu favor ao invés de glorificar a Deus O coagiria. O Diabo com isso queria simplesmente que o Filho desafiasse o Pai. Não é exatamente o que o Macedo propôs no vídeo? E quantos e quantos não estão por aí agora colocando “Deus contra a parede” querendo que Ele realize um conveniente milagre? As igrejas neopentecostais, dentre elas a Universal, estão cheias disso. Gente que sobe no púlpito e decreta, declara, determina e diz que se Deus é Deus mesmo ele tem que fazer e ponto. Afinal, quem é servo e quem é senhor? Jesus sabia de sua condição servil e não inverteu a ordem. Seu papel seria obedecer e não ordenar e novamente citando Deuteronômio (6:16) ele faz o diabo partir em retirada. 

Macedo é um falso profeta sim, e ai de quem achar ruim! Não falo isso por mero achismo. O nosso Senhor nos instruiu dizendo que devemos nos precaver e discernir quem são os picaretas da fé pelos seus frutos (Mateus 7:15 e 16). É a Escritura, e não eu, quem afirma que quem prega outro Evangelho, diferente do apostólico, é maldito (Gálatas 1:8). Este lobo e inimigo da Igreja zomba da oração de Jesus, pois foi Cristo quem nos ensinou a orar rogando pela graça de Deus-Pai e quem orava dizendo "seja feita a tua vontade". Será que isso não significa nada para você? 

Saiba que, sobre os impostores do Evangelho, a Bíblia nos dá as seguintes recomendações:


       a) Devemos nota-los e evita-los (Romanos 16:17)
       b) Devemos repreendê-los (Tito 1:9-13)
       c) Devemos nos apartar deles (2Tessalonicenses 3:6)
       d) Não devemos ter comunhão com eles (2João 9-11)
       e) Devemos rejeitá-los (Tito 3:10)


Então não venha com aquele papinho de que só Deus pode julgar. Isso é ser conivente com as heresias que ofendem ao SENHOR. Também não diga que é antiético citar o nome dos heréticos. Balela! Observando os apóstolos veremos: João fala mal (com razão) de Diótrefes (3 João 1:9). Paulo dizendo a Timóteo que entregou a Satanás os blasfemadores Himiteu e Alexandre (1 Timóteo 1:20). Possivelmente, o mesmo Alexandre é citado na segunda carta enviada a Timóteo. Paulo diz que ele foi causador de diversos males e roga para que Deus o julgue segundo as suas obras (2 Timóteo 4:14). Na mesma carta, cita Figelo e Hermógenes como líderes dissidentes da Ásia (2 Timóteo 1:15).

O cerne do Evangelho é a Graça. Nada merecíamos e nem merecemos. Tudo de bom que temos vem do caráter benevolente do SENHOR. Macedo reduz Deus a um capacho do homem. Uma gritante afronta ao Soberano. Muitos ainda o defendem por conta da identidade evangélica e o título de Bispo. Isso não quer dizer absolutamente nada. Vejam o que Paulo diz aos Filipenses:

Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas.” (Filipenses 3:18 e 19)

O apóstolo Paulo é taxativo: o fim desses que se dizem cristãos quando na verdade são inimigos da cruz é a perdição eterna. E o escritor aos Hebreus corrobora dizendo que “Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:31). Por isso tome cuidado ao tentar defender lobos como o Edir Macedo. Você pode estar tomando o partido de quem é inimigo da cruz e padecer por isso. Seja bíblico. Seja coerente. Fuja dos falsos profetas!

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Autor: Thiago Oliveira
Fonte: Electus
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Sugestões para Apologetas

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Defender a fé cristã é parte do Cristianismo desde o seu nascimento. Homens e mulheres do presente e do passado dedicaram suas vidas para apresentar a fé cristã de modo compreensível e acessível especialmente para aqueles que são críticos da mesma. Foi Priscila e Áquila que defenderam e apresentaram a fé cristã a Apolo (At.18-19); foi Paulo quem defendeu a fé em Atenas entre filósofos (At.17); foi Pedro que defendeu e apresentou a fé cristã entre os judeus (At.2). Diferentes métodos e abordagens foram usadas nas escrituras, mas o objetivo era sempre o mesmo: Defender a Jesus Cristo como o centro da fé cristã.


Historicamente o ministério apologético foi entregue a homens e mulheres preparados para defender a fé. Eram cristãos que conheciam a Cristo e a mensagem cristã e que poderiam abordar as críticas ao cristianismo e defendê-lo de modo adequado. Era uma forma acadêmica de expressão, apresentação e defesa do evangelho. O resultado disso é que o cristianismo histórico tem centenas de livros, argumentos e propostas apologéticas que continuam valiosos para os nossos dias.

Infelizmente, entretanto, com o recente advento da blogsfera, o ministério apologético foi usurpado por cristãos que não tem condições de assumir tal ministério. São homens e mulheres absolutamente despreparados para essa tarefa. São cristãos imaturos, neófitos e normalmente mal preparados para tal tarefa. Em algumas ocasiões, o teor e o conteúdo dos artigos publicados são ruins e equivocados. É assustador a quantidade de artigos mal escritos, mal fundamentados e equivocados são produzidos na internet dos nossos dias. Esse tipo de apologética é desnecessária, porque envergonha o evangelho. Aquele ministério que no passado deu ao cristianismo orgulho, nos nossos dias tem demonstrado nossa vergonhosa situação de despreparo.

Tal despreparo não é apenas acadêmico, é também religioso e pessoal. Apologetas dos nossos dias se esquecem que em primeiro lugar eles devem santificar a Cristo como Senhor em seus corações (1Pedro 3:15). A defesa da fé que não nasce do relacionamento pessoal com nosso Senhor não pode ser ser bem sucedida. Além disso, o modo como alguns fazem apologética viola a moral cristã. Foi Paulo que nos ensinou: “Sejam sábios no procedimento para com os de fora; aproveitem ao máximo todas as oportunidades. O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um.” (Colossenses 4:5,6). O ministério apologético tem que ser fundamentado na sabedoria cristã e na sensatez do uso das nossas palavras. O ministério apologético que viola esses princípios envergonha a igreja e o evangelho.

Por isso, nós precisamos que homens e mulheres maduros em sua fé se aventurem na defesa pública da fé cristã. Precisamos de homens e mulheres que estejam dispostos a conhecer mais do Senhor, de Sua palavra e deste mundo, para que aprendam a como apresentar as verdades do evangelho do modo claro e convincente. No artigo Cheque Sempre suas Fontes, eu terminei o artigo com algumas sugestões de natureza mais prática no que se refere a pesquisa, que acredito podem ser repetidas aqui:

(1) Cheque sempre suas Fontes: Na pesquisa teológica é fundamental que o apologeta conheça suas fontes. É impressionante o quanto da apologética online é feita a partir de um recorte de frases de teólogos ‘famosos’. Em algumas ocasiões é possível perceber que o autor nunca leu os livros que cita. Esse tipo de pesquisa é vergonhosa! Nós temos que modelar a excelência na metodologia de pesquisa por que nosso objetivo é mais do que apenas apresentar um bom argumento, mas é apresentar evidências que auxiliem cristãos duvidosos a firmarem sua fé, ou a críticos a repensarem sua oposição ao cristianismo. Honestidade acadêmica é fundamental, bem como a excelência.

(2) Conheça as evidências primárias da sua pesquisa: Um dos equívocos recorrentes entre apologetas é o uso exclusivo de literatura apologética como base para suas pesquisas. Observe que no livro Não Tenho Fé Suficiente para ser Ateu, Geisler basicamente cita seus próprios livros no capítulo 9 e outros livros igualmente apologéticos. O problema desse tipo de prática é que o apologeta é um especialista em defesa da fé e não um especialista em todas as áreas do conhecimento necessárias para se fazer a defesa da fé. Ao fazer isso, ele passa longe da evidência primária de sua pesquisa e apresenta apenas a evidência digerida por outros apologetas. Foi esse tipo de método de pesquisa que levou Geisler a publicar repetidas vezes dados equivocados sobre a quantidade de variantes textuais conhecidas no NT.

Um excelente modelo para a apologética é dada por Lee Strobel no livro Em Defesa de Cristo, no qual entrevista especialistas de diferentes áreas do conhecimento para apresentar a defesa da doutrina de Cristo. Por isso, é importante que o apologeta tenha conhecimento das evidências primárias de sua pesquisa, mesmo que seja pela instrumentação de teólogos e pesquisadores nas áreas do conhecimento nas quais são especialistas. É fundamental que o apologeta saiba onde buscar tais referências para sua pesquisa.

(3) Conheça bem os argumentos em oposição: Outro problema recorrente é que muitos apologetas não profissionais, não conhecem exatamente o que pensam aqueles que discordam de nós. Não há como fazer uma boa defesa da fé sem saber onde estão os ataques a nossa fé. É por isso que a tarefa da defesa da fé não pode ser entregue a cristão imaturos e despreparados. É necessário que o apologeta seja um cristão consciente, capaz de pesquisar em nível acadêmico com excelência e habilitado a compreender os argumentos da oposição. A intenção do apologeta não é publicar muitos artigos, mas publicar bons artigos. No submundo da internet o que menos se precisa são artigos mal escritos e mal pesquisados. É hora dos apologetas cristãos implementarem um padrão exemplar na pesquisa acadêmica para que possam ser considerados como dignos no tratamento da evidência, mesmo por aqueles que discordam do cristianismo. Que não seja nossa inabilidade de pesquisa a razão da rejeição de Cristo, mas a exclusiva volição daqueles que a Cristo se opõem.

(4) O Apologeta deve ser propagador do melhor da academia cristã: Infelizmente, nem tudo que se publica em defesa da fé é digno dessa tarefa. Existem na academia cristã excelentes livros de referência para a pesquisa teológica e o apologeta deve ser capaz de tornar público o melhor desse material. Para fazer isso, o apologeta deve desenvolver o hábito de se expor ao conhecimento teológico para aprender a diferenciar um livro ruim de um livro bom. É fundamental que a igreja brasileira tenha acesso a materiais bem escritos, bem pesquisados e que tenham contato com a produção cristã de nível acadêmico. Como defensores da fé, nós precisamos tornar público e acessível aquilo que a academia tem produzido de melhor.

(5) Reconheça e corrija seus erros: Ninguém é infalível! Nem mesmo Norman Geisler. Apesar da qualidade dos materiais apologéticos que escreveu, Geisler reconheceu vários dos erros que cometeu no livro e prontamente os corrigiu. Na defesa da fé cristã, esse tipo de humildade é fundamental. É necessário que os homens e mulheres de Deus que estão defendendo a fé cristã tenham esse tipo de atitude. Mais do conhecer as evidências, mais do que excelência e honestidade na pesquisa, humildade para lidar com as diferentes opiniões e disposição para reconhecimento e correção dos equívocos.

A tarefa da apologética é necessária no Brasil, e por isso, aqueles que se dedicam a ela devem realizar tal tarefa com excelência acadêmica. Nós precisamos que homens e mulheres que levem o cristianismo a sério se dediquem a pesquisa em nível acadêmico para defender aquilo que consideramos fundamental: A nossa fé em Cristo.

Soli Deo Gloria!

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Autor: Marcelo Berti
Fonte: Teologando
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