Carta aberta aos organizadores da Marcha para Jesus em São Paulo 2012

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Caros organizadores:

Nós, do Movimento pela Ética Evangélica Brasileira, viemos por meio deste instrumento esclarecer quem somos, nosso objetivo e o porque nos faremos presentes na Marcha Para Jesus. Entendemos que este esclarecimento se faz necessário para evitar conflitos desnecessários, decorrentes da incompreensão de nossos motivos e anseios.

O Movimento pela Ética Evangélica Brasileira é um movimento de expressão nacional, que surgiu como a manifestação de uns poucos em resposta a escândalos protagonizados por lideranças evangélicas. Este pequeno grupo não tinha a intenção de iniciar um movimento, nem a expectativa de que tantos, em diversos Estados, viessem a aderir à nossa causa e promover manifestações em outras localidades. Por se tratar de um movimento ainda jovem, ainda estamos por definir muito a respeito de nossa organização, porém, reconhecemos na pessoa do Pr. Paulo Siqueira, idealizador e promotor deste movimento, nosso representante. Ele propôs, organizou e esteve à frente deste movimento em São Paulo desde a primeira manifestação deste grupo e tem prestado apoio para as demais expressões deste movimento em todo o território nacional.

O objetivo deste movimento é ser uma voz da Igreja, pela Igreja e para a Igreja, denunciando a corrupção ética, a incoerência entre discurso e prática, assim como destacando a beleza da Igreja que tem agido mesmo não recebendo o devido destaque, destaque este que, infelizmente, tem sido dado somente aos escândalos que nos dividem e nos alienam.

Somos um grupo interdenominacional e, por assim ser, não defendemos uma linha doutrinária específica. Mesmo assim, reconhecemos que a doutrina que nos é comum transcende nossas diferenças e encontramos nela o parâmetro para avaliar o discurso e a ação da Igreja no Brasil. Concordamos com os credos antigos, temos a Bíblia como nossa regra de fé e prática e buscamos depender da orientação e da proteção do Espirito Santo de Deus para que a Verdade nos seja cada vez mais clara e para que nossas mentes não deturpem a Verdade conformando-a aos nossos desejos, anseios e percepções pessoais.

Não concordamos com algumas doutrinas onde o ensino se centraliza na satisfação dos desejos e vontades dos fiéis, ao invés da vontade de Deus; onde nosso Deus é trasvestido como sendo um deus mesquinho que negocia curas, milagres e prosperidade em troca da devoção e sacrifícios dos fiéis, sacrifícios estes que muitas vezes se caracterizam pela exploração financeira dos fiéis; que possibilitam que líderes eclesiásticos se utilizam de sua influência para manipular politicamente os fiéis em favor de interesses particulares; onde se descontextualizam passagens e versículos bíblicos, de modo que justifiquem qualquer doutrina de interesse privado; que favorecem a construção de grandes templos, catedrais, estratégias imperialistas e manutenção da maquina eclesiástica mas que muito pouco fazem por aqueles que precisam, esquecendo-se daqueles que a Bíblia chama de “órfãos, viúvas e estrangeiros. Por isso defendemos por meio de nosso protesto que os fiéis busquem aprender a ler a Palavra de Deus destituídos de lentes doutrinárias, que estes busquem ferramentas que os possibilitem avaliar o ensino que tem recebido e que, uma vez que encontrem desvios entre a Palavra de Deus e o ensino que tem recebido, procurem seus mestres/pastores e os exortem em amor a um caminho mais excelente. Cremos que uma Igreja que saiba manejar bem as Escrituras e que nelas busca direção dificilmente se dobrará a qualquer vento de doutrina que contrarie a Verdade Bíblica. Cremos que o conhecimento verdadeiro do Evangelho é essencial para o amadurecimento da Igreja.

Reconhecemos que a Igreja é a noiva de Cristo apesar de, no momento, estar dividida e contaminada pelo pecado. Não temos expectativas de que nossas ações venham a ser a solução para essa divisão e para essa contaminação – cremos que a ação redentiva para a Igreja se encontra em Jesus, e somente em seu Governo esta será totalmente purificada e restaurada. Dessa forma, nossa voz tem como propósito:

1) destacar para a sociedade que existem aqueles que não concordam com a corrupção ética evidente em muitas de nossas lideranças e em muitos cristãos de forma geral;
2) animar e fortalecer a Igreja de Jesus, que se sente acuada, constrangida e sozinha, lembrando-a que Jesus já havia dito que dias como os nossos chegariam e que nosso chamado a sermos luz se faz ainda mais necessário em nossos dias;
3) denunciar o pecado em nosso meio, não como forma de atacar lideres e Ministérios específicos, mas desvinculado a denúncia, tornando-a uma declaração universal não dirigida – reconhecemos que essa tarefa é particularmente difícil, porém temos pedido orientação e discernimento para que possamos fazê-la;
4) persuadir lideranças e cristãos de forma geral a refletirem sobre suas ações, suas intenções, sua doutrina, suas posturas e comportamento;
5) incentivar, acolher e apoiar lideranças que, reconhecendo o seu pecado e o impacto desse sobre a Igreja, queiram mudar;
6) incentivar ações que entendemos como próprias aos filhos de Deus;
7) promover a unidade na Igreja.

No dia 14 de julho nós, do Movimento pela Ética Evangélica Brasileira, pretendemos estar na Marcha para Jesus, como tem ocorrido nos últimos anos. Entendemos que esse espaço de foro público nos pertence também, afinal, como evangélicos, também temos o direito de nos fazer presentes em um evento público que tem como finalidade dar voz e expressão aos evangélicos de São Paulo. Estaremos, como nos anos anteriores, nos manifestando por meio de camisetas com frases bíblicas e faixas com dizeres bíblicos que visam a despertar a Igreja brasileira para a Verdade bíblica e o impacto que esta deve ter em nossa sociedade.


Pretendemos estar na Marcha para Jesus com nossas faixas e camisetas, de forma totalmente pacífica, expressando, neste espaço público que nos fora reservado, aquilo que acreditamos ser um chamado à santidade e à unidade: uma palavra de Deus para a Igreja através da Igreja, convidando todos a um novo compromisso para com Deus, para uns com os outros e para com a sociedade.

Gostaríamos de solicitar que os Organizadores da Marcha Para Jesus alertem sua equipe e, se possível, os participantes quanto a nossas intenções pacíficas, evitando assim conflitos desnecessários como na última edição da Marcha para Jesus em São Paulo, quando fomos alvo de insultos, agressões e coerções. Sabemos que não precisamos lembrá-los disso, mas gostaríamos de solicitar que que busquem alertar seus integrantes – em especial à equipe de segurança – que não é lícito o roubo de nossas faixas, afinal o roubo de qualquer bem é crime, e é pecado – não convém que o povo de Deus seja associado a tais práticas – além disso, o roubo de faixas ou qualquer tipo de agressão vai contra o objetivo da Marcha, expresso no site http://www.marchaparajesus.com.br/2012/marcha.php, onde se diz: “Um ato pacífico, consciente e excitante do mover de Deus em nossos dias”.

Reafirmamos que nosso movimento é totalmente pacífico, condizente com o que é esperado de cristãos. Reconhecemos que temos total direito de nos manifestar através de faixas e camisetas, pois no atual Estado de direito é garantida a livre expressão. Nossas faixas e camisetas não se referem a nenhum líder ou denominação em especial, pois buscamos apontar os ensinos enganosos atribuídos ao nome de Jesus Cristo. Reafirmamos nosso amor e compromisso para com a Igreja de Cristo, e nossa manifestação não passa de uma das formas que encontramos de exercer nosso amor e compromisso para com Cristo e para com a Igreja.

Nossa oração é que tudo ocorrerá na mais perfeita ordem, conforme o que se espera de verdadeiros cristãos.

Estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos,

MOVIMENTO PELA ÉTICA EVANGÉLICA BRASILEIRA
VOLTEMOS AO EVANGELHO PURO E SIMPLES,
O $HOW TEM QUE PARAR!
A DEUS, TODA A HONRA E TODA A GLÓRIA PARA SEMPRE.

Fonte: [ Exemplo Bereiano ]
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Ditos difíceis de Jesus (II) - Quando os Discípulos Receberam o Espírito?

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Por Augustus Nicodemus Lopes

Quando os Discípulos Receberam o Espírito Santo?  

Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio. E, havendo dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; se lhos retiverdes, são retidos (João 20.21-23)

No domingo em que ressuscitou, o Senhor Jesus apareceu à tarde aos discípulos, que estavam trancados com medo dos judeus (João 20.19-20). Todos estavam presentes na casa, menos Tomé. Após saudá-los e mostrar-lhes as mãos e o lado, o Senhor assoprou e disse-lhes: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20.22). Este dito é considerado difícil porque sugere que os discípulos receberam o Espírito Santo antes de Pentecostes e antes de Jesus ter sido glorificado, criando os seguintes problemas:

1. Como Jesus pôde conceder o Espírito antes de ser glorificado, quando Ele mesmo havia dito que o Espírito só poderia vir após a Sua glorificação?
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Confira estas passagens:

Isto ele disse com respeito ao Espírito que haviam de receber os que nele cressem; pois o Espírito até aquele momento não fora dado, porque Jesus não havia sido ainda glorificado (Jo 7.39); 

Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei (Jo 16.7).
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2. Os discípulos receberam o Espírito duas vezes, uma antes da exaltação de Cristo e outra após a mesma, no dia de Pentecostes?
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De acordo com o livro de Atos, os discípulos receberam o Espírito após Jesus ter subido aos céus, ter sido exaltado à direita do Pai, e derramado o Espírito no dia de Pentecostes (veja Atos 2.1-4 e 2.33). A frase de Jesus “recebei o Espírito” (Jo 20.22) parece sugerir que houve um outro momento, antes de Pentecostes, em que Jesus deu o Espírito aos discípulos.
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Vejamos as principais tentativas de explicação para este dito difícil de Jesus.
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1. O apóstolo João escreveu uma versão estilizada do dia de Pentecostes
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Esta primeira explicação defende que o apóstolo João descreveu o dia de Pentecostes de forma estilizada e simbólica, como sendo Jesus assoprando o Espírito sobre os discípulos. O fato nunca realmente teria acontecido. É apenas uma descrição simbólica do que aconteceu em Pentecostes. Após narrar a ressurreição do Senhor, João menciona a Grande Comissão (“Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”) e simbolicamente descreve o dia de Pentecostes como sendo o assopro de Jesus sobre os discípulos.
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Colocando de uma maneira ainda mais clara: de acordo com esta interpretação, os eventos narrados por João em 20.19-23 nunca aconteceram realmente. Esta passagem seria uma descrição figurada do dia de Pentecostes, que João elaborou de acordo com seu estilo altamente simbólico. Portanto, houve apenas um Pentecostes e apenas um momento em que os discípulos receberam o Espírito. O que temos no Evangelho de João é a versão estilizada deste evento. João 20.22 corresponde a Atos 2.1-4.
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Há vários problemas com esta interpretação. (1) Ela não corresponde exatamente aos eventos acontecidos em Pentecostes, pois após terem recebido o Espírito, os discípulos não saíram para evangelizar e nem mesmo foram capazes de convencer Tomé (veja João 20.24-25); (2) Tomé não estava presente e isto quer dizer que ele não recebeu o Espírito; (3) A maior dificuldade é que esta interpretação lança dúvidas sobre a historicidade dos eventos narrados por João em seu Evangelho. Se a narrativa que estamos analisando é simbólica, segue-se que as demais narrativas em João também podem ser simbólicas. E quem vai nos dizer quais são e quais não são? Porém, percebe-se claramente que João relata eventos em seu Evangelho como sendo históricos, e não como sendo eventos que simbolizam outros eventos. Esta interpretação, portanto, deve ser rejeitada.
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2. Os discípulos receberam o Espírito duas vezes
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Essa segunda interpretação percebe a diferença que há entre o evento narrado em João 20.22 e o relato do dia de Pentecostes em Atos 2.1-4, e por considerar ambos como históricos, conclui que se trata de dois fatos distintos. Ou seja, no dia em que ressuscitou e apareceu aos apóstolos, Jesus lhes deu o Espírito pela primeira vez. Após ter sido exaltado, deu-lhes o Espírito pela segunda vez, no dia de Pentecostes. No primeiro caso, foi para fortalecimento e preparação para a vinda completa e plena do Espírito no dia de Pentecostes. Alguns, como Martyn Lloyd-Jones, sugerem que na primeira vez Jesus deu o Espírito para formar a Igreja, e que na segunda, em Pentecostes, deu o Espírito como poder para testemunhar.
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Muita embora esta interpretação seja melhor do que a primeira por considerar a historicidade e realidade do relato de João, ela ainda deixa a desejar em alguns aspectos, o mais importante sendo o fato de que acarreta três recebimentos distintos do Espírito Santo por parte dos discípulos. Entendemos que o Espírito Santo agia nos crentes antes de Pentecostes exatamente da mesma forma como agia nos crentes que viveram após Pentecostes, isto é, regenerando-os e habitando neles. De que outra forma eles poderiam crer e ser santificados? Os discípulos eram crentes antes de Jesus morrer e ressuscitar. O próprio Senhor reconheceu que Pedro havia crido nEle, por revelação de Deus (Mt 16.17), que os discípulos já estavam limpos (Jo 15.3). Portanto, os discípulos eram crentes e tinham o Espírito. Se a interpretação de João 20.22 que estamos analisando é correta, significa que eles receberam o Espírito três vezes: ao serem convertidos durante o ministério terreno de Jesus, no dia da ressurreição de Cristo na sala trancada, e finalmente no dia de Pentecostes.
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Essa multiplicidade de recebimentos do Espírito – coisa que nos parece bastante estranha ao Novo Testamento – tornam esta interpretação inaceitável.
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3. Jesus fez apenas uma promessa
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De acordo com esta interpretação, o Senhor Jesus apenas reforçou a promessa da vinda do Espírito, a qual se deu no dia de Pentecostes. Apesar dEle ter dito “recebei o Espírito”, os apóstolos só receberam de fato no dia de Pentecostes. A expressão no imperativo (“recebei”) foi para indicar a certeza de que eles haveriam de receber o Espírito: era tão certo que já poderiam considerar com algo acontecido. Em outras palavras, João 20.22 é a versão de João, não de Pentecostes, mas daquelas ocasiões em que o Senhor ressurreto prometeu aos discípulos que haveriam de receber o Espírito, veja Atos 1.4-5 e 8.
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Jesus soprou e nada parece ter acontecido, pela razão simples de que era uma promessa, a qual cumpriu-se em Pentecostes. Essa é a interpretação que preferimos.
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Por que não operamos milagres maiores que os operados por Jesus?

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Por Ruy Marinho

Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai.” João 14:12

Certo dia, um amigo muito angustiado me procurou, preocupado com o seu ministério, dizendo que não conseguia adquirir a promessa de Jesus descrita nesta passagem. Em outras palavras, não chegava a um nível de espiritualidade elevada, a ponto de operar milagres maiores dos que o Mestre operou em seu ministério terreno.

A primeira coisa que questionei: se realmente as “obras maiores” que Jesus prometeu que iríamos fazer, for os sinais miraculosos que Ele operou durante seu ministério terreno, então estamos com um problema muito grave: A realidade da Igreja hoje estaria muito distante do ideal! Os sinais extraordinários operados por Jesus deveriam acontecer em quantidades maiores, com milagres mais espetaculares e extraordinários dos que o Mestre operou. Imaginem, por exemplo, qual milagre seria maior do que ressuscitar um morto? Ou então reconstruir uma orelha decepada?

Confesso que até hoje não vi ninguém operar milagres e sinais extraordinários como: andar sobre as águas, curar cegos e paraplégicos, reconstituir mutilados, ressuscitar mortos, transformar água em vinho, ler pensamentos, multiplicar pães e peixes etc.

Na verdade, o grande problema é que muitos pregadores “milagreiros” utilizam Jo 14:12 de forma isolada e fora de contexto, interpretando o texto de maneira literal, para tentar justificar seus truques de ilusionismo e de misticismos exóticos. Este errôneo “padrão de ensino” vem sendo propagado há muito tempo nas igrejas neopentecostais brasileiras, tendo em vista os inúmeros casos de pessoas que se frustraram ministerialmente por não conseguir alcançar esta suposta “promessa sobrenatural” de Jesus, bem como por serem vítimas dos milagreiros fraudulentos.

Analisando o versículo de maneira exegética, o termo grego utilizado para “maiores” é meizõn, literalmente significa “coisas maiores”. Já o vocábulo “obras” a palavra grega é ergon, que significa trabalho, ato, ação. [1] O termo ergon é direcionado, em sentido amplo, a “trabalho”. Na versão Bíblica inglesa King James (KJV), o vocábulo ergon é empregado a “works”, que significa trabalho. [2] Seguindo o contexto direto da passagem, as “obras maiores” significam a longitude do trabalho através da expansão do evangelho. Em outras palavras: o foco é trabalhos maiores e não milagres maiores!

Cristo não está afirmando que faríamos milagres extraordinários maiores do que Ele fez, mas sim que a obra da Igreja, no poder do Espírito Santo, será “maior” do que a obra de Jesus, em sentido numérico e territorial. As obras maiores estão diretamente conectadas à ida de Cristo ao Pai (“porque eu vou para junto do Pai”), onde após isso o Espírito Santo seria enviado (Jo 14:16) e os discípulos revestidos de autoridade para anunciar o evangelho (At 1:8). Quando o Espírito foi derramado sobre os discípulos, todos eles pregaram a Palavra de Deus. Com isso, converteram-se ao evangelho uma enorme multidão de pessoas, quantidade bem mais numérica do que todas as pregações de Jesus juntas (At 1:15, 2:41, 4:4, 5:14, 6:7, 9:35, 12:24, 16:15). As “obras maiores” que os discípulos realizaram foram, sem dúvida, às milhares de conversões de vidas, através da propagação do evangelho pelo poder do Espírito Santo.

Os apóstolos não operavam milagres como meio de pregar o evangelho, mas em casos específicos como sinais inquestionáveis do poder de Deus (At 19:11). O Evangelho em si tem como objetivo de salvar vidas e não de operar milagres físicos, pois estes são meros coadjuvantes da mensagem evangelística (1Co 15:1-4, 1Tm 1:15). Em seus sermões, Jesus nunca priorizou curas, milagres e sinais. Os mesmos eram acompanhantes de suas pregações, nos quais testificavam que Ele era o Messias Ungido de Deus.

Sendo assim, não devemos de forma alguma lamentar por não realizar milagres iguais ou maiores dos que Cristo operou. Na verdade, o nosso lamento deve estar na superficialidade bíblica em que algumas igrejas estão inseridas, pois o que é pregado e ensinado por muitos vem prejudicando a essência da mensagem bíblica, enfatizando experiências místicas extra-bíblicas em detrimento da verdadeira mensagem evangelística que é a salvação e transformação de vidas.

O maior milagre que pode acontecer na vida de alguém é a salvação em Cristo Jesus. Portanto, vamos anunciar o evangelho!

Soli Deo Gloria!

Notas:
1 – GINGRICH, F. W.; DANKER, F. W. Léxico do N.T. grego/português. Vida Nova, 2003. pág. 85.
2 – KING JAMES Amplifield Parallel Bible, 2005 Thomas Nelson Publishing Staff

Fonte: [ Bereianos ]
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4 Razões para lembrar-se do Criador na juventude

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Por Dr. David Murray

O nosso inimigo diz: "A juventude é para o prazer; a meia idade, para os negócios; e a velhice, para a religião". A Bíblia diz: "A juventude, a meia idade e a velhice são para o seu Criador".

No entanto, visto que é especialmente na juventude que somos mais inclinados (determinados?) a esquecer-nos de nosso Criador, é nestes anos que temos de labutar, especialmente, para lembrar-nos de nosso Criador (Ec 12.1). Lembre que ele fez você, supre as suas necessidades, cuida de você, o assiste e o controla. Lembre também que ele pode salvá-lo. Há muito a ser lembrado, mas isso se torna mais fácil quando você começa a memorizar quando é jovem!

1. Anos de vigor

Entretanto, essa não é a única razão por que Deus nos ordena lembrar-nos do Criador nos anos de juventude. Ele nos manda isso porque a juventude são os anos de nosso maior vigor.

Por que devemos esperar até que estejamos morrendo, até que estejamos esgotados, até que nosso vigor esteja quase acabado para servirmos ao Criador? O Deus que nos criou merece nossos anos mais saudáveis e mais ativos: nosso corpo está forte e robusto, nossa mente é perspicaz e clara, nossos sensos são receptivos, aguçados e responsivos, nosso entusiasmo é brilhante e firme, nossa vontade é determinada e pertinaz. Lembre-se do Criador em seus anos vigorosos.

2. Anos de sensibilidade

Por que mais de nós se tornam cristãos durante a nossa juventude do que em nossa meia idade ou em nossa velhice? Porque os anos da juventude são anos de sensibilidade. Sem abandonarmos a nossa crença na "Depravação Total", podemos dizer que é "mais fácil" arrepender-se e crer quando você é mais jovem. Nunca é fácil, mas é mais fácil. E é mais fácil porque, à medida que ficamos mais velhos, nosso coração fica mais endurecido, nossa consciência, mais cauterizada, nossos pecados, mais enraizados, e nosso estado de morte, mais grave.

Usemos nossa sensibilidade e receptividade juvenil para lembrar-nos de nosso Criador antes que cheguem os dias maus da indiferença insensível.

3. Anos de aprendizado

Aprendemos mais em nossa juventude do que em qualquer outro período da vida. Isso é verdadeiro em todos os assuntos, mas é especialmente verdadeiro na instrução religiosa. Todos os cristãos conhecidos meus que se converteram a Cristo nos anos tardios de sua vida expressam profunda tristeza a repeito de quão pouco eles sabem e quão pouco podem aprender em sua idade. Encorajo-os a valorizarem e usarem todo tempo que o Senhor lhes dá, mas eles sentem, muitas vezes, que têm de estudar duas vezes mais para aprenderem apenas a metade.

4. Anos de perigo

Os anos de juventude são anos cheios de campo minado: hormônios, pressão dos colegas, álcool, drogas, pornografia, imoralidade, testosterona, etc. Poucos atravessam esses anos sem explodir aqui e ali. Perigos são abundantes em todos os lados – e no lado de dentro. Quantas "primeiras" tentações se tornaram "últimas" tentações! Quanto precisamos de nosso Criador para guardar-nos e conduzir-nos através desse campo de batalha.

Lembre-se de lembrar

Gostaria de oferecer-lhe algumas dicas que o ajudarão a lembrar seu Criador durante estes melhores anos (e "piores" anos):

  • Convença-se de que você tem um Criador. Mantenha-se bem alicerçado num entendimento literal de Gênesis 1-2 e rejeite todas as influências evolucionárias.
  • Procure conhecer o seu Criador: estude sua Palavra, usando sermões, comentários e bons livros. Mas também estude sua Palavra usando microscópios, telescópios e outros instrumentos que ele dá.
  • Reúna-se com seus amigos do Criador: estabeleça amizades com outras criaturas que amam lembrar e respeitar o seu Criador.
  • Siga a ordem do seu Criador: ele estabeleceu e deu um padrão de seis dias de trabalho seguidos por um dia de descanso, para contemplação de suas obras.
  • Peça a salvação que seu Criador proveu: ainda que a sua rejeição de seu Criador tenha despedaçado sua vida, ele está disposto a recriar você à imagem dele.

E, enquanto falamos do assunto de salvação, não quero que os leitores mais velhos sintam-se desencorajados. Comparados com as eras da eternidade, vocês ainda estão em sua "juventude". Não é tarde demais para lembrarem-se dele, antes que os dias maus se aproximem cada vez mais.

- Sobre o autor: Dr. David Murray é professor de Antigo Testamento e de Teologia Prática. Murray é nascido em Glasgow, na Escócia, onde foi ordenado ministro evangélico. Obteve seu doutorado em ministério pelo Reformation International Theological Seminary. Atualmente é um dos catedráticos do PRTS, nos EUA. Murray é casado com Shona, com quem tem quatro filhos.

Tradução: Wellington Ferreira
Fonte: [ Editora Fiel ]
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"Não julgais" se tornou clichê para censurar a verdade

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Por Wesley Moreira 

O liberalismo teológico continua a se movimentar no meio cristão, buscando sempre relativizar as escrituras e mesclar a doutrina bíblica com filosofias humanas. Os discursos politicamente corretos de líderes e cristãos em evidência estão saturados de liberalismo.

O caso mais rescente foi a declaração da famosa cantora evangelica Carrie Underwood (foto) que expressou seu apoio ao casamento gay em entrevista ao jornal britânico The Independent, ao dizer que os crentes devem ser menos críticos sobre a questão.

Desde que venceu o American Idol em 2005, Underwood teve uma seqüência de sucessos, incluindo sua música "Jesus Take the Wheel", que ganhou um Grammy. A base do argumento da popstar evangélica para apoiar o casamento gay foi, "Não cabe a mim julgar a ninguém". Carrie também confessou frequentar uma igreja gay com seu marido.

Confusão é a palavra que melhor define a situação de parte da igreja no mundo, que como Carrie, é refém do clichê "não podemos julgar". Me admira o fato de que esse ensino de Jesus tenha perdido seu sentido original para ser usado como propaganda anticristã homosexual.

Ao seguir o clichê "não julgueis" qualquer comunidade cristã será tentada a recuar de questões morais e doutrinarias, até chegar ao ponto onde não poderão distinguir o certo do errado. Primeiramente no comportamento e crença dos outros, e, finalmente, em suas próprias vidas. Goebbles foi sem duvida um gênio do mau.

"A propaganda deve afetar a ação e crenças do inimigo, de maneira a confundi-los e paraliza-los." Joseph Goebbles

Os ativistas anticristãos homosexuais estão usando o próprio discurso da igreja como propaganda para seu estilo de vida. Ao recitar 'não julgueis' eles estão alegando, usurpando a autoridade da Bíblia, que não podemos rotular qualquer comportamento ou crença como certo ou errado. Esta atitude surgiu a partir de uma compreensão defeituosa, filosófica, carnal e demoníaca da palavra 'julgar' feita pelo liberalismo teologico.

A leitura mais básica do Novo Testamento revelará que a palavra 'krino' no grego (geralmente traduzido como 'juiz') é usada de diversas maneiras. Assim lemos na palavra que o 'Pai a ninguém julga' (João 5:22), mas (evidentemente em outro sentido), Ele realmente 'julga' (João 08:50). Cristo não veio para 'julgar' (João 8:15), mas na verdade ele 'julgou' (João 5:30; 8:16,26). Não há aqui contradições, é nossa ignorancia que nos afasta da verdade.

Paulo diz aos da igreja de Corintios para que não 'julguem' nada, e logo depois critica-os por 'não julgar' o caso (1 Coríntios 4:5. 6:1-3). Krino (julgar) pode significar simplesmente, tomar uma decisão, ou analizar consequências (Atos 20:16; 26:8; 27:11, 1 Coríntios 2:2; 7:37., 2 Coríntios 2:1. ;. Tit 3:12). Por isso, somos encorajados a 'julgar' as situações de acordo com a Palavra de Deus e seus princípios, assim 'julgar' pode significar 'formar uma opinião' com base na interpretação correta da palavra (Jo. 7:24,. 1 Coríntios 10:15; 11:13, 2 Coríntios 5:14).

Aqui está a beleza da contextualização bíblica. Os Judeus não faziam sua leitura da Bíblia como a um exercício intelectual, mas como uma adoração devocional. Para os judeus, como Jesus, Paulo e os outros apóstolos, qualquer atividade de raciocínio, mental ou filosofica que não fosse baseada na palavra de Deus era considerada carnalidade, e sua conclusão como "julgamento carnal". O julgamento condenado por Jesus nas escrituras é toda a conclusão ou veredicto, a respeito de qualquer assunto ou pessoa, que não tenha como base a palavra de Deus.

Portanto, julgar ou formar opinião sobre qualquer outra base, senão a Bíblia, é 'julgar segundo a carne', e isso é errado (Lucas 12:57, João 8:15). Julgar com justiça é ser dirigido pela palavra. Figuradamente seria exatamente isso que, teoricamente, os Juizes deveriam fazer a respeito da constituição, não julgar segundo lhes parecer bem, mas segundo diz a lei. Julgar corretamente faz parte da nossa base de aceitação com o Senhor Jesus.

Replicou-lhe Jesus: Julgaste bem. Lucas 7:43

Com esse entendimento de 'julgar', é inevitável que temos de aplicar nosso 'julgamento' a outras pessoas, especialmente dentro da igreja. A decisão de batizar Lydia para a comunhão do corpo envolveu o "julgar" de sua "fidelidade".

Se haveis julgado que eu sou fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali. E nos constrangeu a isso. (Atos 16:15)

Se não podemos julgar, em qualquer sentido, seria impossível fazer qualquer decisão na igreja e na vida. Não poderiamos escolher o melhor candidato ao emprego, escolher com quem andamos, decidir com que devamos nos casar, e não poderiamos decidir realmente coisa alguma, pois julgar é tomar decisão.

Tiago foi confrontado com o problema de decidir se a consciência de alguns irmãos judeus deveriam ser impostas sobre os gentios convertidos. Ele argumentou a partir dos princípios bíblicos e deu a sua "sentença" (krino grego), seu julgamento foi que eles não precisavam ser circuncidados (Atos 15:19).

Os anciãos da igreja de Jerusalém "ordenaram" (krino), ou seja eles 'julgaram', que deviam haver algumas regras para as igrejas dos gentios (Atos 16:14; 21:25). É evidente de tudo isto que não há nada de errado com o fato de "julgar" os nossos irmãos no sentido de formar uma opinião sobre seu comportamento ou doutrina, baseado nas escrituras.

A igreja de Corinto caiu no mesmo erro 'politicamente correto' de deixar de julgar o próximo segundo a palavra. Se justificavam em não lidar com o caso do incesto irmão com a desculpa de que 'Não podemos julgar nosso irmão'. Paulo respondeu dizendo: 'Se vocês fossem espiritualmente maduros, perceberiam que é uma vergonha para vocês viverem sem julgar as coisas morais". No mesmo contexto, Paulo repreende os irmãos por não retirarem a comunhão do irmão incestuoso, e lhes diz que seu 'julgamento' é "que o irmão deve ser expulso" (1 Coríntios 5:3).

Paulo disse que disputas dentro da igreja deveriam ser julgados pelos irmãos em vez de resolvidas no judiciário do mundo, justamente por causa da excelência do julgamento à luz da palavra da verdade. (1 Coríntios. 6:1-3).

"Não julgueis, para que não sejais julgados" Mateus 7:1

O texto acima implica em qualquer julgamento fora dos princípios das escrituras. Um exemplo disso está em João 5:45. Entenda pelo contexto que os judeus comumente se referiam aos cinco primeiros livros da bíblia por 'Moises', o nome do autor. Por isso Jesus disse, não vos 'acuso', Moisés, se referindo ao Pentateuco, é quem vos acusa. Jesus não precisava acusar quem já era acusado pela palavra.

Minha conclusão, segundo está nas escrituras, é que não devemos tecer julgamentos a partir de nossa analise intelectual ou impressões aparentes. Mas devemos sim, aceitar, repetir, proclamar, declarar todo julgamento que Deus já fez na escrituras.
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Deus já julgou o homosexualismo e o condenou como pecado a ser punido no Último Dia. Está escrito, e é verdade! Qualquer conclusão, filosofica, intelectual e politicamente correta que discorde das escrituras é carnal, animal e diabólica.

Wesley Moreira
 
Fonte: [ WESMO ]

O caráter cristão




Por João Rodrigo Weronka
Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo. [Efésios 4.12-13]

Introdução

Vivemos numa época em que os valores estão sendo descartados dia-a-dia. A sociedade tem andado num ritmo acelerado de inversão de valores a ponto de não nos espantarmos mais com a infinidade de absurdos que nos são comunicados.

O mundo tenta impor, através de uma diversos meios, que Deus, a família, a igreja, o bom caráter e a moral não são relevantes ou necessários. Nesta sociedade relativista, o valor absoluto das coisas se perdeu, e cada qual cria seu próprio mundo, sua própria cosmovisão. Desta forma, os valores que o cristianismo apregoa são considerados por muitos como falidos e ultrapassados.

Valores estranhos que outrora não faziam parte da realidade da igreja passam a ser tolerados. A igreja que antes era caracterizada por andar na contramão dos valores materialistas tem se deixado levar por modismos e novidades que passam a moldar seu “novo” jeito de ser. Neste ritmo, já não podemos brilhar como luz do mundo e nem temperar como sal da terra. Neste ritmo, a moral e o bom caráter não têm um valor tão intenso como deveria ter. Não importa se a igreja faz a diferença no meio em que está inserida, em sua comunidade, mas o que importa é ser numérica, mesmo que não tenha qualidade.

O objetivo com este estudo é definir e apresentar uma proposta para trazer para a aplicação pessoal a essência do caráter cristão, entendendo como ele é formado, quais são seus valores, suas virtudes. Veremos como isso faz toda diferença.

Definição

Segundo o Dicionário Aurélio, caráter é definido por: “qualidade inerente a uma pessoa, animal ou coisa; o que os distingue de outra pessoa, animal ou coisa; o conjunto dos traços particulares, o modo de ser de um indivíduo, ou de um grupo; índole, natureza, temperamento”.

O significado literal do termo grego charaktēr é “estampa”, “impressão”, “gravação”, “sinal”, “marca” ou “reprodução exata”.

Caráter é algo que vai sendo formado e impresso com o tempo em nosso interior, uma verdadeira marca. O caráter de cada qual não é formado do dia para noite. É um processo gradual que está relacionado a um amplo conjunto de fatores que influenciam na formação de cada um.

Meios como TV, internet, família, religião, infância, desprazeres, decepções, alegrias, enfim, uma gama variada de fatores influencia na formação do caráter de cada indivíduo. Desde o berço.


O caráter cristão – formação, influências e virtudes

Assim como o caráter de cada indivíduo é formado desde o berço, nosso caráter cristão também passa a ser moldado desde o primeiro passo de nossa caminhada com Cristo (Jo 1.12; 3.3). Os valores do Reino de Deus passam a ser impressos em nós, para que verdadeiramente possamos ser seguidores de Jesus Cristo genuinamente.

Deus usa de muitos meios e formas para que o caráter de seus filhos seja formado, mas sem dúvida alguma, o principal fator de influência é o agir da Palavra dEle na vida de cada um, bem como o consolo e direção que o Espírito Santo dá aos Seus (Ef 1.13). Afinal, o que pode ser considerado como um caráter cristão? Podemos relacionar alguns pontos, que evidentemente, não serão os únicos:

1) Não se trata apenas de bons valores morais | Apesar do cristianismo carregar implicitamente um forte viés moral – pois a Bíblia nos dá parâmetros morais – o caráter cristão não está repousando apenas sobre o fato de ser “bom”. A boa moral está contida, mas de modo algum é o todo. Cada um de nós pode dar exemplos de pessoas que confessam ser cristãs, mas que não são bons exemplos de conduta digna, bem como pessoas não-cristãs que são cidadãos de bem.

2) O cristão genuinamente bíblico admite suas falhas | Cada um de nós, sem exceção, é um pecador (Rm 3.23). Todos temos o pecado dentro de nós, e isso produz limitações e consequentemente falhas. A virtude do cristão de caráter é ser transparente, é ter dignidade suficiente para admitir que é limitado e que depende completamente da misericórdia e graça do Senhor.

3) O caráter moldado cria controle | Quando nosso caráter entra em fase de maturidade, conseguiremos controlar situações que de algum modo podem manchar a marca de Jesus em nós, afetando nosso testemunho cristão. Neste ponto de plenitude, não haverá espaço para amargura, ira, discórdia, egoísmo, arrogância, discussões, facções. Apesar de – eventualmente – tais coisas ocorrerem, precisam ser enfrentadas e enfraquecidas. Nosso ser por completo, mente, atitude, palavras, precisa ser um meio de culto e adoração permanente (Mc 12.30; Gl 5.22).

Com tal caráter formado em nós, passaremos a frutificar em atitudes que atestam que somos de Deus e temos Sua Palavra em nossas vidas. Passamosa frutificar em virtudes, como: 

  • Pureza | vida separada – santificação – para o Senhor. Uma vida distinta num mundo corrupto (Fp 4.8).
  • Imparcialidade | trataremos a todos – seja quem for – de modo único, sem acepção de pessoas. Seremos justos com as pessoas, independente de afinidade, sejam amigos, parentes, irmãos, parceiros de caminhada (1Ts 5.15).
  • Sem fingimento | é prezar pela verdade. Não existe espaço para máscaras e ânimo duplo (1Pe 2.1; Tg 4.8).
  • Humildade | ninguém é auto-suficiente. Vaidade e soberba não devem encontrar espaço no coração do cristão; tais coisas devem ser banidas de nosso meio! Somos um corpo e dependemos uns dos outros (Mt 5.3).
  • Mansidão | serenidade. Ser manso, não permitindo que disputas e discórdias tomem conta. Gentil, sensível e paciente com todos (Mt 5.5).
  • Misericórdia | compaixão pela dor, “pela miséria do coração” alheio. Entender que nosso próximo pode passar por lutas, dores, infelicidades extremas. Experimentar e participar do sofrimento alheio (Mt 5.7)
  • Coração puro | ser livre de impurezas no altar – no coração. Relacionamento constante com Deus e com a Sua presença, nos limpando genuinamente daquilo que nos separa dEle (Mt 5.8).


O modelo supremo de caráter – fonte de inspiração

Nosso modelo supremo de formação de caráter é nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! Ele deve ser nosso alvo, razão, adoração, modelo, tudo! Afirmar que somos cristãos é carregar nos ombros a responsabilidade de sermos seguidores e praticantes dos ensinos do Mestre.

Ter um modelo é fundamental na formação do caráter, e para formação do caráter cristão, o modelo do Senhor nos leva a amá-Lo, admirá-Lo, imitá-Lo, segui-Lo. Ele nos faz, dia-a-dia ver que podemos aplicar, viver e frutificar em tudo que vimos acima.

Que possamos afirmar, assim como Paulo que somos imitadores de Jesus (1Co 11.1). Para tal, devemos:

- Conhecer o Filho de Deus | Buscar estar em pura intimidade com o mestre e o auxílio do Consolador (Ef 4.13; Jo 15.5; 26-27; 1Jo 1.1-3). O testemunho da Palavra e do Espírito Santo nos levam a conhecer e ter intimidade com Ele.

- Submeter-se ao senhorio de Jesus | Rm 10.8-9 – estar submetido completamente ao governo e autoridade de Cristo sobre nós. Não basta reconhecer e ter Jesus como Salvador, mas sim estar submisso a Seu senhorio.

- Obediência irrestrita | A época em que vivemos tem ressaltado cada vez mais que o ser humano vive em rebeldia contra Deus e Sua Palavra. Jesus nos mostrou que a obediência ao Pai deve ser praticada (Fp 2.8).

- Negar a si mesmo | Matar nossa carne e viver para ele; o negar a si mesmo é um verdadeiro atestado de compromisso com o Reino. Jesus serviu e não foi servido. Adoramos ao Senhor de modo especial quando estamos negando ao nosso ego e mortificando nossa vontade, deixando que Ele viva em nós (Gl 2.20).

Que possamos caminhar moldando nosso caráter de glória em glória (2Co 3.18) e que isso seja como aroma suave subindo à presença de Deus. Um verdadeiro meio de adoração!

Fonte: [ NAPEC ]
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O Brasil da fé e da devastação cultural

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O Brasil da fé e da devastação cultural
Por Edson Camargo 

O cristianismo que se torna relevante culturalmente é aquele que é vivido de fato. Na vida individual dos milhões de cristãos de um país, na vida das famílias cristãs, nas comunidades, nas igrejas, até chegar ao grande debate político e cultural, à Academia, até, por fim, tornar-se uma força transformadora onde os rumos de uma nação são decididos. Assim surgiu o mundo ocidental, ainda que com seus muitos conflitos e problemas, e assim surgiu e velha e gloriosa Europa cristã, onde as artes, a música, a grande literatura, e a ciência moderna floresceram. A Europa de Shakespeare e Bach, Dante e Dürer, Leibniz e Kepler. O segredo: a profunda influência da cosmovisão cristã na cultura.

E por que falar disso? Ora, estamos no Brasil, e acabou de sair o Censo 2010 do IBGE, com informações sobre o segundo maior país cristão do mundo. Sim, e um dos mais violentos, constando no ‘Top 20’. O pior nos exames internacionais de educação. Um país alinhado em sua política externa com o Eixo do Mal: Irã, Venezuela, Cuba, etc. Um país com péssima colocação em liberdade econômica, em qualidade de modelo institucional, e despontando nos índices de corrupção. Com um mínimo de vergonha na cara, cabe aos cristãos brasileiros perguntarem a si mesmos: que cristianismo de araque é esse o nosso?

Penso que vale um autoexame com algumas questões. Qual é o real conteúdo da nossa fé? Qual a real força dessa fé? E, por último, mas não menos importante: quão central é na vida dos brasileiros que se dizem cristãos esta fé? A centralidade desta fé diz respeito ao quanto as convicções a ela ligadas são decisivas para dar suporte a outras e para modelar a cosmovisão pessoal, sobretudo nas grandes questões existenciais: a natureza da verdade, o caráter de Deus, a estrutura da realidade imanente e transcendente, o reconhecimento de aspectos fundamentais da condição humana, e então, daí, para os grandes temais sociais e contemporâneos. Com isso em mente, podemos perguntar: “sou cristão, mas até que ponto?”

Refletir sobre o conteúdo real de sua fé pode levar a pessoa a perceber que, ainda que siga uma denominação cristã, ainda que se sinta alinhado com certas correntes teológicas e filosóficas, no fundo, crê de forma meramente parecida e ainda viva de forma totalmente dissonante com o que profere publicamente. Realmente creio como os grandes sábios, mártires, teólogos e heróis da fé criam? Até que ponto vivo conforme creio? Ou apenas creio conforme vivo? Crer conforme vive talvez seja a descrição mais perfeita do idiota, do filisteu, do homem-massa, do novo bárbaro, e dos portadores do “eu vazio” ( ver a obra de Phillip Cushman), essa epidemia dos nossos tempos e, infelizmente, de nossas igrejas.

A força da fé não é menos importante, e parece que é o principal alvo de ataque dos secularistas, sejam eles defensores das modernas ideologias de massa, sejam os pseudo-cristãos adeptos do liberalismo teológico em suas mais diversas vertentes. Até que ponto você crê que milagres são possíveis? O quão à vontade e convicto você se sente para declarar publicamente que você acredita, sim, piamente, que Adão e Eva de fato existiram (como Jesus afirmou), que Ele, Jesus, nasceu de uma virgem e que, de fato, ressuscitou ao terceiro dia e subiu aos céus? Como bem observa J. P. Moreland, de quem faço uso da obra O Triângulo do Reino para tratar destes três aspectos da fé: “Quanto mais você está certo de uma crença, mais ela passa a ser parte de sua alma, e mais você conta com ela como base para sua ação”. Daí se vê também a importância do trabalho e da instrução apologética, que tem sido negligenciado nas igrejas (e daí o imenso número de jovens cristãos que largam a fé assim que adentram as Universidades), e corrompido na internet.

A verdade é que é altamente problemático tratar dessas questões num país que vive uma derrocada cultural sem precedentes, pois este caos adentrou as igrejas, muitas vezes adornado de bela roupagem pseudoteológica, ou mesmo travestido de piedade, devoção e consagração. O fato é que não temos mais a antiga visão cristã do que é o conhecimento. Ou, se a temos, não a ensinamos, nem a vivemos. É preciso recuperá-la para logo compreender que o crescimento Sem esse crescimento integral, o segundo maior país cristão do mundo continuará sendo uma vergonha para o cristianismo a cada índice internacional que for divulgado.espiritual e o crescimento intelectual andam juntos, um fortalecendo o outro. Avivando, e gerando talentos. Trazendo renovo para a cultura e restauração às almas.

Sem esse crescimento integral, o segundo maior país cristão do mundo continuará sendo uma vergonha para o cristianismo a cada índice internacional que for divulgado. 

(Imagem: ‘Adão e Eva’, ou ‘A Queda do Homem’, gravura de Albrecht Dürer, 1504).

Fonte: [ Gospel+ ]
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Do fundamentalismo ao liberalismo sem nunca ter passado pela reforma - ou, para onde caminha a igreja brasileira?


Do fundamentalismo ao liberalismo sem nunca ter passado pela reforma - ou, para onde caminha a igreja brasileira?

Por Franklin Ferreira

Espanta-me nos debates teológicos recentes a falta de referência à Escritura. Alguns escritores propõem revisões radicais e na maioria das vezes uma ruptura com a tradição cristã na doutrina de Deus e da salvação sem a menor preocupação em remeter seus leitores (ou, pelo menos, suas tribos ou guetos) para a Escritura – que pelo menos em anos recentes era tomada como a incondicional Palavra de Deus por aqueles que se identificavam como cristãos. Mesmo em debates básicos, como sobre aspectos da ética cristã, são pautados não mais pela Escritura, mas pela mera opinião pessoal ou, no melhor espírito de manada, por seguir cegamente a opinião do líder. Vai-se assumindo que a Escritura pode até ser um livro importante, uma coletânea de bons conselhos, ou mesmo que contenha uma mensagem vagamente piedosa em meio a histórias de guerras, traições e matanças, mas que, finalmente, por meio de nossa razão ou intuição podemos alcançar e descobrir a Deus acima e além da Escritura.
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Isto não é novo. É o mesmo esforço religioso e idolátrico presente na construção da torre de Babel. E o relato bíblico é claro: Deus despreza a ação religiosa, bagunçando-a e repelindo-a, posto ela ser somente isto, esforço e idolatria. Mas, para os cristãos, quando as Escrituras falam, é Deus mesmo quem fala, e fala a nós. Deus dixit! Dominus dixit! E nas Escrituras aprendemos que, do começo ao fim, é o Senhor Deus todo poderoso quem busca os seus, por pura misericórdia, em Cristo Jesus.

Outrora, os fundamentalistas usavam a Escritura como texto-prova (dicta probantia). Podiam praticar uma hermenêutica literalista ou ingênua, no entanto havia uma genuína preocupação em citar o texto bíblico, de remeter seus ensinos para a Escritura. Hoje, nem isto. De um lado, a invasão dos métodos críticos na interpretação da Escritura supostamente tornou sem razão afirmar algo a partir das Escrituras, já que esta, para muitos dos que seguem tais metodologias, não é mais inspirada, mas mero produto humano. Do outro lado, as supostas novas revelações ligadas aos bispos e apóstolos neo-pentecostais tornaram a Escritura um mero acessório em suas comunidades. Por isto, no âmbito eclesiástico, basta unir alguns chavões piedosos à linguagem religiosa, e qualquer ideia passará facilmente por “cristã”. E os fiéis a seguem, sem nem mesmo se preocuparem em examinar “as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (Atos 17.11). A nobreza foi perdida. Por isso, o que se tem é o ressurgimento do velho gnosticismo, mais uma vez tentando se parecer com o cristianismo. Mas gnosticismo não é cristianismo.

Na medida em que importantes segmentos da igreja brasileira loucamente tentam colocar de lado o “bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores; o único que possui imortalidade, que habita em luz inacessível” (1Tm 6.15-16), uma nova casta sacerdotal vai surgindo, com seus apóstolos e bispos endinheirados, e com certos eruditos que constantemente precisam apelar à falácia do argumento magister dixit, enquanto se agarraram às teorias críticas do século XIX como se fossem a última moda teológica, todos igualmente caricatos e bufões. E vive-se o absurdo onde abandonar a Escritura, desprezar a igreja, transformar Jesus num curandeiro ou mestre inofensivo é ser de vanguarda, mas qualquer crítica feita a esta nova classe sacerdotal, grandemente responsável por esta doença, equivale à blasfêmia, atraindo a ira e a revolta de seus cegos seguidores, que se juntam em correntes de ódio.

E nisto novas ideias tentam tomar o lugar da reta doutrina, do puro evangelho – pode ser o pelagianismo, a mensagem da prosperidade, o teísmo aberto ou o marxismo cultural, que tomou de assalto todas as esferas da sociedade, que anseia por inaugurar um suposto milênio na terra, a utopia totalitária do “outro mundo possível”. Tristemente, alguns cometem a alucinada infâmia de tentar misturar a absoluta Palavra de Deus em Jesus Cristo com uma ideologia corrupta e corruptora, o sistema de ideias mais assassino da história. Em sua loucura, todos estes pervertem a mensagem cristã, seguindo não mais o Evangelho, mas correndo atrás de outro tipo de anúncio (ἕτερον εὐαγγέλιον), mera perversão ou caricatura, não mais a boa nova da salvação de Deus em Cristo, que justifica, redime, reconcilia e adota ímpios pela fé somente, regenerando-os por meio da obra do Espírito Santo. A mensagem para estes que abandonaram a pura Palavra de Deus é: “Mas ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos pregue um evangelho diferente do que já vos pregamos, seja maldito. Conforme disse antes, digo outra vez agora: Se alguém vos pregar um evangelho diferente daquele que já recebestes, seja maldito” (Gl 1.8-9).

Tristemente, o veredito de Bonhoeffer sobre o cristianismo nos Estados Unidos do fim da década de 1930 descreve com exatidão os evangélicos no Brasil: 

“Deus não concedeu ao cristianismo americano nenhuma reforma. Ele lhe concedeu vigorosos pregadores reavivalistas, pastores e teólogos, mas nenhuma reforma da igreja de Jesus Cristo por meio da Palavra de Deus. Qualquer coisa das igrejas da Reforma que chegou à América ou está em exclusão consciente e afastada da vida geral da igreja ou foi vítima do protestantismo sem reforma… A teologia americana e a igreja americana como um todo nunca foram capazes de compreender o significado da ‘censura’ pela Palavra de Deus e tudo o que isso significa. Do primeiro ao último, eles não entendem que a ‘censura’ de Deus toca até mesmo a religião, o cristianismo da igreja e a santificação dos cristãos, bem como que Deus fundou sua igreja para além da religião e para além da moralidade. Um sintoma disso é a adesão geral à teologia natural. Na teologia americana, o cristianismo ainda é essencialmente religião e moralidade. Por causa disso, a pessoa e a obra de Cristo, na teologia, vão permanecer em segundo plano e, por longo tempo, ficar incompreendidas, porque não são reconhecidas como o único fundamento do julgamento e do perdão radical. A principal tarefa na atualidade é o diálogo entre o protestantismo sem reforma e as igrejas da reforma.” [Dietrich Bonhoeffer, “Protestantism without the Reformation”, em Edwin H. Robertson (org.), No Rusty Swords: Letters, Lectures and Notes, 1928-1936 (Londres: Collins, 1965), p. 92-118.]
 A crítica deste mártir sobre o cristianismo nos Estados Unidos está essencialmente correta, e se aplica integralmente a nós, hoje, no Brasil. Em resumo, para grande parte dos evangélicos brasileiros, o cristianismo é essencialmente sobre o que se faz para Deus. E é justamente neste ponto que rompemos totalmente com a fé bíblica redescoberta na Reforma, pois esta enfatiza e ensina somente o que Deus faz por nós por meio do Cristo crucificado, dando prioridade à graça livre e soberana, agindo em meio ao nosso pecado, vício e escravidão existencial, redimindo-nos e tornando-nos novas criaturas. A mensagem do evangelho não é um recurso para melhorar nossa autoestima ou para nos ajudar a ascender socialmente, ou fazer a igreja crescer em cinco passos ou qualquer outra coisa deste gênero; é sobre ouvir e crer na mensagem revelada na Escritura sobre a graça de Deus em Cristo crucificado; é sobre nossa morte e ressurreição, nossa morte e ressurreição diária, enquanto aguardamos novos céus e nova terra.


- Sobre o autor: Bacharel em Teologia pela Escola Superior de Teologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie e Mestre em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. É diretor e professor de teologia sistemática e história da igreja no Seminário Martin Bucer, em São José dos Campos, São Paulo, e consultor acadêmico de Edições Vida Nova. Autor dos livros Teologia Cristã e Teologia Sistemática (este em coautoria com Alan Myatt), publicados por Edições Vida Nova, e Gigantes da Fé e Agostinho de A a Z.
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Fonte: [ Teologia Brasileira ]
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Teologia do Culto Público

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Por Augustus Nicodemus Lopes
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Pouca gente percebe que os primeiros dos Dez Mandamentos têm implicações profundas para o culto público que Deus requer de nós. Nesta aula, dada na Igreja Presbiteriana de Santo Amaro, procuro mostrar os princípios para o culto que podem ser derivados destes mandamentos.

A quem adorar, como adorar, o princípio regulador do culto e as motivações do coração.


Fonte: [ O Tempora! O Mores! ]

“Kit gay” disfarçado entra nas escolas

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Adaptado por
Julio Severo

Pedagogo denuncia distribuição de livros que estimulam o homossexualismo em instituições públicas e privadas. Frente Parlamentar Evangélica estuda ações e pedirá explicações a ministro.
Uma espécie de “kit gay” é a mais nova ameaça à família brasileira. O pedagogo e diretor de escola em São Paulo (SP), Felipe Nery, denunciou nesta terça em Brasília, durante reunião da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso Nacional, a distribuição em escolas do país de livros didáticos e paradidáticos que defendem a homossexualidade, bissexualidade e transsexualidade. Os livros são recomendados pelo MEC e trazem figuras e imagens de homossexuais que confrontam o conceito tradicional e natural da família, da forma criada por Deus.

Essa exposição da homossexualidade como um comportamento positivo diante de crianças e adolescentes, que são uma audiência cativa e com mente em formação, pode alterar a mentalidade dos alunos pelo resto da vida, forçando neles a visão de ideólogos que ocupam posição de autoridade no governo e nos meios editoriais.
Para quem não lembra, “kit gay” foi o apelido que ganhou o material “didático” que seria distribuído pelo governo nas escolas com forte conteúdo homossexual em que crianças e adolescentes seriam mostrados “assumindo” sua homossexualidade perante colegas e professores. Após pressão da bancada evangélica e católica na época do lançamento, a presidente Dilma determinou a suspensão da distribuição do material.
Nery, que é membro do Instituto de Ensino Superior de São Paulo, mostrou três exemplos do novo “kit gay”. Os livros “Porta Aberta” da autora Mirna Lima editado pela FTD, voltado para alunos de seis anos; “Aprendendo a Viver, Sexualidade”, das autoras Patricia Mata e Lydia R, editados pela Ciranda Cultural para alunos de 10 e 11 anos e o livro “Menino brinca de boneca?”, de Marcos Ribeiro e editado pela Moderna voltado para qualquer idade.
No primeiro livro, há um jogo da memória com figuras de casais homossexuais com “filhos”. No segundo, são expostas imagens de duplas homossexuais e são exibidas figuras que mostram como colocar um preservativo no pênis. Já o livro “Menino brinca de boneca?” tem o prefácio da senadora Marta Suplicy (PT-SP), militante da causa do aborto e do supremacismo gay.
“Nos livros podemos ver que são apresentadas figuras, dentre as quais há uma família dita normal mas onde também colocam dois homens e uma criança, duas mulheres e uma criança, criança sem o pai, os avós cuidando, filhos adotivos, etc. Isso não deveria nem constar nos livros para crianças de seis anos de idade que estão trabalhando a história desta forma. O “kit gay, de uma outra maneira, entrou nas escolas brasileiras”, alertou o pedagogo.
Para Felipe Nery,  esses materiais estão em qualquer escola. “O problema é que nós, pais, muitas vezes não vemos isso aqui. O diretor de colégio não vê isso aqui, ele confia no professor. Para o diretor é muito difícil ver todos os livros porque são pilhas e pilhas no final do ano para analisar. O professor é que vai ver o material. Muitas vezes o colégio ganha os livros que vão para a biblioteca e quem vai ver será o aluno. São centenas de editoras que trazem o mesmo tipo de material que é a ideologia implementada pelos ativistas homossexuais”, disse.
Deputados da Frente Parlamentar Evangélica (FPE) decidiram criar uma comissão para analisar o material apresentado pelo diretor e oferecer ações para removê-los das escolas e impedir a sua distribuição. Para o deputado Filipe Pereira (PSC/RJ), a FPE deve confrontar o ministro da Educação, Aloízio Mercadante, para que ele explique a distribuição desta material. “Como ação política, antes mesmo de qualquer outra de natureza jurídica, defendo ir ao ministro e cobrar dele as explicações devidas”, afirmou.
Os parlamentares também estudam entrar com uma representação contra o MEC e as editoras no Ministério Público Federal a fim de que o “kit gay” disfarçado seja retirado das escolas públicas e particulares.
No ano passado, a FPE adotou várias ações contra o kit gay. A população também reagiu. A pressão foi enorme.
Contudo, apesar dos recuos estratégicos, o governo está sempre avançando no kit gay, de uma forma ou de outra, abertamente ou não.
Usam, pelos impostos, nosso próprio dinheiro para poluir e emporcalhar a mente das crianças nas escolas.
Enquanto Xuxa, a turma do ECA e conselhos tutelares trabalham febrilmente para confiscar dos pais o direitode disciplinar os filhos, os ativistas socialistas que estão no governo, editoras e mídia estão determinados a enfiar goela abaixo das crianças sua doutrinação, sua lavagem cerebral, a favor do supremacismo gay, custe o que custa.
O custo, é claro, é os nossos filhos.