Qual o motivo da sua fé?

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Por Leonardo Dâmaso

Introdução

O capítulo 6 do evangelho de João começa com o evento da multiplicação dos pães e peixes. Uma multidão de mais ou menos 20 mil pessoas, contando com homens, mulheres, idosos e crianças foram alimentadas miraculosamente a partir de 5 pães e 2 peixes em um monte nas proximidades do mar da galiléia, em Betsaida.

Mais tarde, Cristo se retirou sozinho para o monte enquanto seus discípulos desceram para o lago e foram de barco em direção a Carfanaum, até o outro lado do mar da Galiléia. Contudo, eles foram surpreendidos por uma terrível tempestade. Naquela mesma noite Jesus se juntou aos discípulos andando sobre as águas. O barco chegou a Genasaré (Mc 6.53), onde dali retornaram para Carfanaum.

No dia seguinte, a multidão que seguiu Jesus até Betsaida, que havia sido alimentada no dia anterior foi procurar por ele, porém não o acharam. Então, eles ficaram aguardando ali, depois de Jesus se retirar (6.15) na esperança de que retornasse (6.22). Jesus, entretanto, não retornou, e seus discípulos foram para o outro lado do lago.

Quando a multidão percebeu que Jesus não voltaria, eles tomaram alguns barcos em Tiberíades (6.23) e foram para Cafarnaum à sua procura (6.24). Sendo assim, o encontraram na sinagoga da cidade (6.59).

A interação de Jesus com a multidão é percebida em pelo menos seis seções, onde cada uma delas é introduzida por uma pergunta ou uma reação dos ouvintes. Passo a passo ela se define com a questão do pão da vida.

Argumentação

A multidão estava curiosa para saber como Jesus fugira deles, e, desse modo, a primeira pergunta foi: “Mestre, quando chegaste aqui?” (6.25). Ao dizer “aqui”, eles se referiam a Cafarnaum, onde encontraram Jesus.

Vejamos, agora, a relevância do texto que lemos relacionado ao motivo da fé da multidão que seguia a Cristo.

A palavra motivo é uma razão escondida ou um desejo propulsor que inicia, sustenta e justifica uma atitude. Toda atitude humana é produto de um motivo. Nos alimentamos pelo motivo de saciar a fome; trabalhamos pelo motivo de sobrevivência, para sustentar a nós e nossa família; estudamos e lemos para adquirir conhecimento.

E por que o motivo é tão importante na questão da fé?

Porque ele nasce de nossas crenças e convicções. Uma fé e um entendimento equivocado de Deus e das Escrituras geram um motivo equivocado, atitudes equivocadas e uma vida cristã que não condiz com os ensinamentos de Jesus.

Vamos ao motivo da fé da multidão:

1. Motivações individuais (6.26)

Jesus responde a multidão de pessoas questionando e criticando o motivo de o haverem procurado. A razão principal deles não era por estarem impressionados com o milagre da alimentação dos 5 mil, mas porque gostaram de ser alimentados. A maior preocupação deles era o desejo superficial de alimento, uma vez que a maioria das pessoas que seguiam a Jesus eram pobres.

Aquelas pessoas não entenderam os sinais que apontavam para Jesus como o Messias espiritual, o filho de Deus. Eles não perceberam que o sinal é:
Uma obra de poder operada no reino físico, ilustra um princípio que opera no reino espiritual; o que acontece no reino da criação apota para a esfera da redenção.

Será que temos buscado a presença de Deus, indo na igreja e orando apenas com o interesse e a esperança de que Deus pode satisfazer as nossas motivações individuais? Estamos mais focados nas coisas superficiais e materiais como dinheiro, carro, casa, comida, roupa ou nas coisas espirituais? (Cl 3-1-2).

Qual o motivo da nossa fé? A maioria dos crentes hoje buscam a Deus por aquilo que Ele pode proporcionar a eles. Cristo pode curar suas doenças, prosperar financeiramente, dar o melhor emprego, o melhor salário, dar uma esposa ou esposo dentre outras coisas.

2. Prioridade incorreta (6.27)

Define-se prioridade como:

      a) A coisa principal.
      b) Fazer primeiro o mais importante.
      c) Determinar o que é essencial.
      d) Enfocar aquilo que vem em primeiro lugar.
      e) Colocar em ordem de importância.
      f) Estabelecer mais valor sobre algo.
      g) A primeira coisa dentre muitas.

Prioridade correta, qualidade de vida, ações e comportamento correto; Prioridade incorreta, qualidade de vida, ações e comportamento incorreto.

Jesus, aqui, mostra para o povo que eles deveriam ter motivos mais nobres do que noções materialistas, dizendo: “Trabalhai não pela comida que perece, como a que ele lhes dera em Betsaida, mas pela que subsiste para a vida eterna” (6.27a). “Uma comida muito mais importante é aquela que o filho do homem vos dará” (6.27b).

O verbo “dar” está vinculado ao verbo “trabalhar”. Cristo dará essa comida aos que trabalhem por ela. A autoridade de Jesus para proporcionar esse alimento é baseada no fato de que Deus, o Pai, o confirmou com o seu selo (6.27c). Jesus está autorizado a prover a comida que nos dá a vida eterna.

O Senhor prometeu que nos abençoaria e nos daria o que precisássemos para viver (Mt 6-31-33). Entretanto, as bênçãos não devem ser o motivo de nós o seguirmos. É isso o que Ele quis dizer nessas palavras no versículo 27. Todavia, e se Jesus não te der o que você mais necessita hoje? Você vai virar as costas para Ele e procurar outras coisas?

Quem sabe você, em seu modo de pensar, pode dizer que está precisando ficar rico, pois assim você pagaria todas as suas dívidas, sairia do aluguel, iria morar num lugar melhor; ou seja, sua vida mudaria totalmente. Mas Jesus não prometeu que vai dar riquezas para os crentes, antes, Ele prometeu nos dar a vida eterna que sobrepuja todo o dinheiro do mundo.

Em outra palavras, quando o Senhor disse para trabalharmos pela comida que subsiste para a vida eterna, Ele estava dizendo: “Treine, se exercite para melhorar ou desenvolver melhor a sua espiritualidade, a sua vida cristã, a sua comunhão com Deus. Se esforce para isso; se empenhe com diligencia para as coisas espirituais. Este é o significado de trabalhar”.

A multidão percebeu a importância da palavra “trabalhar”, e isso levou a mais uma pergunta.

Que obras são aceitáveis ao Senhor?

3. Visão equivocada (6.28-29)

Jesus queria que a multidão trabalhasse pelas coisas que são corretas. Eles precisavam de uma lista dessas coisas, daí a pergunta: “Que faremos para realizar as obras de Deus?” (6.28). Ou seja, que obras alguém pode fazer para merecer o favor de Deus?

No entanto, eles pensavam que Jesus estava exigindo deles um conjunto de regras e atitudes para receber a vida eterna, as quais eles achavam que não conseguiriam realizar, enquanto Jesus havia mencionado apenas uma “obra”. “A obra de Deus é esta: que creiais naquele que por Ele foi enviado” (6.29). Essa vida é caracterizada pelo continuo exercício da fé em Jesus.

A salvação é de graça, e vem pela fé, e até mesmo essa fé é obra ou dom de Deus, embora exercitada por um ser humano responsável (Ef. 2-8). A única obra que Deus deseja é a fé ou confiança em Cristo. A “obra” requerida por Deus é crer em Jesus.

A resposta de Jesus surpreendeu a multidão. Tratava-se de um novo ensinamento que os levou a perguntar sobre a autoridade que ele tinha para fazer tal declaração.

Que sinal fazes?

Esta foi uma pergunta estranha e desnecessária para quem tinha acabado de ver o milagre da multiplicação dos pães (6.10-14).

4. Incredulidade e antropocentrismo (6.30-33)

a) Incredulidade é descrença; é não acreditar em alguma coisa como verdade. A multidão não acreditou na mensagem de Jesus.

b) Antropocentrismo é um sistema filosófico que considera o homem como o centro de tudo. A multidão supervalorizou Moisés mais do que o próprio Deus.

A multidão queria que Jesus provasse a veracidade de suas declarações. Talvez o raciocínio deles fosse este: Moisés nos deu uma lista de regras para obedecermos, a fim de agradar a Deus. Agora você (referência a Jesus) diz que não há regras a cumprir, mas basta apenas acreditar naquele que Deus enviou. Não podemos simplesmente acreditar em você e esquecer Moisés, a não ser que faça um milagre maior que o de Moisés, aí, quem sabe, podemos até acreditar. Ele fez cair o maná do céu (Sl 78-24), e você, o que pode fazer?

A lógica da multidão parece ser que a alimentação milagrosa operada por Jesus fora um milagre pequeno comparado ao que Moisés fizera. Para crer em Jesus, eles precisavam vê-lo alimentar a nação de Israel inteira na mesma proporção que Deus fizera quando enviou o maná e alimentou toda ela durante a peregrinação pelo deserto ao longo de 40 anos (Ex 16-11, 36).

Hoje acontece o mesmo na igreja. Muitos crentes tem uma admiração exacerbada por cantores gospel, por pastores, por conferencistas. É uma espécie de idolatria moderna, onde em vez da imagem de escultura, adoram o ser humano. Isso é pecado! Isso é tietagem! 

Jesus imediatamente corrigiu o pensamento da multidão (6.32), dizendo que não foi Moisés quem providenciou o pão, mas, sim, Deus Pai, o mesmo Pai que agora dá o verdadeiro pão do céu. Existe uma diferença entre o maná que Deus concedeu aos israelitas no deserto e o pão que oferecia agora.

O maná servia a um propósito temporário, material, assim como as bênçãos de Deus são temporais. O que Jesus estava oferecendo agora era o pão verdadeiro, o que é eterno em oposição ao que é apenas uma sombra ou um tipo. O pão oferecido no deserto antecipou o sustento perfeito que Deus iria prover em mandar o seu filho encarnado em que há vida eterna.

O novo pão é uma pessoa. Porque o pão de Deus é o que desce do céu e dá vida ao mundo (6.33). Isso descreve Jesus, quando Ele disse que era “enviado pelo Pai”, e que Deus quer que os seus se alimentem desse pão que é eterno.

Infelizmente vemos hoje no seio da igreja uma desvalorização, um desinteresse muito grande das pessoas pela palavra de Deus, pelo conhecimento da mesma. Muitos crentes não gostam de vir em cultos onde é ensinado a palavra de Deus expositivamente; muitos não tem o interesse pela teologia, não gostam de ler livros e muito menos a própria Escritura.

5. O foco de fé

O pedido da multidão em (6.34) baseava-se numa compreensão parcial do que Jesus havia dito. Eles entenderam que o pão de que Ele falava era superior ao maná que os israelitas haviam comido, num sentido físico, exatamente como Nicodemos entendeu acerca do novo nascimento (3.4). Eles não perceberam que o pão da vida não era para alimentar o estômago, e, sim, a alma do homem.

Estamos buscando Jesus ou sinais, as maravilhas, a bênção, os milagres, a prosperidade? A nossa confiança está em Cristo, o pão da vida, ou está na satisfação do pão da benção? É perigoso confiar em milagres porque são efêmeros, isto é, um dia acaba – são de pouca duração.

Percebendo que a multidão tinha dificuldades para entender, Jesus decidiu falar mais claramente: “Eu sou o pão da vida” (6.35a). Relembrando as palavras de Êxodo 3-14, constituí-se, assim, uma afirmação implícita da divindade. Ele é o pão, a sua palavra é o pão que alimenta o espírito do homem e verdadeiramente concede vida espiritual. 

Quando cristo diz em (6.35b) – O que vem a mim jamais terá fome, ele pressupõe que a união espiritual dos crentes, da qual nos fala os versículos 53 -58, é um vínculo espiritual de fé. Na parte final do versículo 35 – “E o que crê em mim jamais terá sede”, Jesus apresenta as metáforas que são desenvolvidas nos versículos 53-58.

Aquele que vai a Jesus, ou seja, que acredita nEle, jamais terá fome e sede. O advérbio jamais ressalta que Cristo oferece a oportunidade infalível de uma vida espiritual satisfatória. O assunto até aqui foi o pão, mas agora é mencionado a sede, pelo fato de que no deserto os israelitas receberam maná e também água para beber (Ex.17-1,7). Tudo o que Pai miraculosamente proveu para os israelitas no deserto é providenciado agora na pessoa de Cristo.

6. Compromisso com Deus (6.53-58)

Jesus, por meio dessa declaração, chama a multidão para ter compromisso com Deus, a se voltar em arrependimento e fé para Ele. Contudo, eles não aceitaram as palavras de vida eterna. Em vez de peixe e pão, Cristo ofereceu carne e sangue, mas eles não entenderam e não desejavam isso. Jesus retirou os presentes e apresentou o presenteador, eles queriam as bênçãos e não o abençoador (Rm 12-11).

O versículo 60 diz que muitos outros discípulos que Jesus tinha o abandonaram. E por que as pessoas consideraram as palavras de Jesus como um discurso duro?

a) Porque perceberam que Ele as estava chamando para segui-lo sem garantias de dar-lhes peixe ou pão ou qualquer outra coisa. Eles as convocou para se regozijarem apenas por estarem na sua presença.
b) Esses discípulos não permaneceram discípulos por muito tempo. Por quê? Eles acharam que as palavras de Jesus foram ofensivas e intoleráveis.

O que foi, então, que ofendeu a sensibilidade deles? Há quatro pontos nas palavras de Jesus com as quais eles se ofenderam. Senão vejamos:

1. Eles estavam mais interessados em comida (6.26).
2. Eles estavam mais interessados no messianismo político e nos milagres manipuladores do que nas realidades espirituais para as quais o milagre da alimentação apontava, Jesus como o pão da vida (6.14-15).
3. Eles não estavam preparados para abandonar sua própria autoridade em questões religiosas, no caso dos fariseus e doutores da lei, e não eram verdadeiros discípulos (6.32-58).
4. Eles se ofenderam particularmente com as declarações que Jesus apresentou, afirmando ser maior do que Moisés, enviado por Deus e autorizado a dar vida.

A metáfora estendida do pão é ela mesma ofensiva para eles, especialmente quando ataca tabus evidentes e se torna uma questão de comer carne e beber sangue, que eles entenderam como canibalismo, que era algo repugnante para os lideres religiosos, uma vez que a lei proibia tal prática (Lv 17.10-11).

Contudo, Jesus usou o termo “sangue” de forma alegórica, no sentido de vida para os seus discípulos e de todo aquele que crê.

Nos versículos 63-69, Jesus ensina duas lições importantes:

a) Na hora da benção tem multidão, na hora do compromisso só os 11 ou poucos discípulos.
b) Existiam três tipos de classes de pessoas na multidão e que estão inseridas na igreja hoje:
      i. Falsos crentes (descrentes)
      ii. Crentes superficiais
      iii. Verdadeiros crentes
Conclusão

Diante de tudo que foi apresentado, não devemos orar e buscar pelas bênçãos de Deus em nossa vida?

Não tenha dúvidas. O reino de Deus tem provisão para cada uma de nossas necessidades, entretanto, é justamente por essa razão que não devemos colocar nossa confiança nos meios que suprirão tal carência, mas, sim, no Deus que as fornece. Nosso dever é crer, obedecer e servir ao Rei dos reis. A parte dEle é cuidar de nós (Mt 6.34).

Jesus advertiu isso em Mateus 6-31-33. A presença de Deus em nossa vida sobrepuja qualquer benção material que Ele possa nos dar. O maior milagre que Jesus nos deu foi sermos escolhidos por Ele, perdoados, justificados e salvos da ira de Deus e do inferno pela tão grande salvação em cristo Jesus, o nosso Senhor.   

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Fonte: Bereianos
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A Glorificação da Palavra pela sua Natureza

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Uma das principais convicções da fé reformada é a compreensão da importância da suficiência das Escrituras. "A doutrina da Suficiência das Escrituras é tão importante que, por ela, ou a Igreja fica de pé, ou cai."¹ 

Qual a importância das Escrituras Sagradas para a sua vida?

Confira a palestra "A Glorificação da Palavra pela sua Natureza", ministrada pelo Rev. Josafá Vasconcelos, na 21ª edição da Conferência Fiel para Pastores e Líderes, em 2005:


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Fonte: Ministério Fiel

Nota:
1 - Citado pelo Rev. Josafá, neste vídeo, fazendo alusão a afirmação de Lutero sobre Sola Fide.
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Por que Deus não faz mais milagres de grandes proporções?

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Por Gabriel Brasileiro

“Se toda salvação é dependente da aceitação de Jesus então por que Deus age de maneira tão escondida hoje? Por que não realizar milagres 2000 anos depois? Abrir alguns mares ou fazer chover enxofre e fogo em algumas cidades, ou alguma carruagem de fogo no céu. Se nós precisamos a 2000 anos de evidências sobrenaturais para acreditar em coisas sobrenaturais, por que Deus está escondido hoje e nega essas provas sobrenaturais?”

Essa foi uma interessante e difícil pergunta feita ao Dr. William L. Craig, em seu debate contra o químico Peter Atkins, a alguns anos atrás. Todos nós em algum momento de nossas vidas fazemos para nós mesmos essa pergunta. A busca por uma resposta satisfatória na Sagrada Escritura pode nos deixar com mais dúvidas do que tínhamos anteriormente. Pois, a resposta que a Bíblia nos dá, não é geralmente a que queríamos.

Abaixo há uma explicação teológica e algumas argumentações filosóficas que tentam responder essa incômoda interrogação.

Explicação teológica:

 “Pois, quem conhece os pensamentos do homem, a não ser o espírito do homem que nele está? Da mesma forma, ninguém conhece os pensamentos de Deus, a não ser o Espírito de Deus.” (1Co 2:11)

A Sagradas Escritura deixa claro que da mesma forma que não conhecemos os pensamentos uns dos outros, nós não podemos saber os pensamento de Deus. Apenas, o próprio Deus conhece Seus próprios pensamentos. Se não podemos saber os sEus pensamentos, logo, nós nunca poderemos saber ao certo o motivo dEle não fazer milagres como antigamente.

"As coisas encobertas pertencem ao Senhor, o nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e aos nossos filhos para sempre, para que sigamos todas as palavras desta lei.” (Dt 29:29)

O motivo de Deus ter se revelado a Moisés, o motivo de Deus ter escolhido Maria de Cristo ou motivo para Deus para Deus se revelara a Saulo [Paulo], não pertencem a nós. Pois, Deus não revelou isso aos homens. Esses motivos pertencem somente ao Altíssimo.

Da mesma, o razão de Deus não operar um grande milagre na atualidade é algo que Ele não nos conta em Sua revelação especial (Bíblia). Portanto, esse motivo não pertence a nós. Pertence somente ao próprio Deus. Logo, temos outra justificativa para crer que nunca saberemos ao certo o porquê dEle não fazer um milagre na atualidade.

“Portanto, sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês.” (Mateus 5:48)

Jesus Cristo fala que nosso Pai é perfeito. Então, pela fé cremos que a vontade soberana de Deus é perfeita. Da mesma forma que a vontade de Deus em se revelar ao mundo na pessoa de Cristo foi perfeita, a vontade de Ele não realizar um milagre de grandes proporções atualmente, também é perfeita.

Visto a explicação acima é possível formular um argumento indutivo, partindo da Sagrada Escritura:

P1. Deus é perfeito.
P2. Portanto, os motivos de Deus são perfeitos.
P3. Deus tem um motivo para não realizar um milagre de grandes proporções atualmente.
3.1. Embora não saibamos esse motivo.
C1. Logo, o motivo pelo qual Deus não opera um milagre de grandes proporções atualmente é perfeito.

As premissas seguem-se logicamente, então a conclusão é logicamente coerente. Conclui-se que embora não saibamos as razões de Deus não realizar o fato em questão, pela fé cremos que suas razões são perfeitas.

Primeira argumentação filosófica:

Embora, desconheçamos os reais motivos de Deus, nós podemos deduzir possíveis motivos.

Deus por definição é o maior Ser concebível, que por sua vez seria conhecedor de todas as verdades [onisciente]. O Deus Bíblico se encaixa perfeitamente na definição filosófica de Deus. E biblicamente podemos saber que ele seria onisciente, como podemos ver em Salmo 147:5 [Grande é o nosso Soberano e tremendo é o seu poder; é impossível medir o seu entendimento]. Sendo ele conhecedor de todas as verdades e possíveis verdades, Ele saberia como a humanidade moderna reagiria presenciando um grande milagre. Mas, nós não sabemos. Provavelmente nem cressem que isso fosse um milagre, e sim um acontecimento natural desconhecido pela ciência. Então, um grande milagre atualmente, poderia acarretar em algo totalmente contrário as nossas expectativas.

Segunda argumentação filosófica:

Um milagre dessa forma poderia levar pessoas de outras religiões a crerem que foi obra de outros deuses, então a quantidade de heresias poderia aumentar, e isso obviamente seria um problema. Deus poderia operar esse milagre apenas na presença de cristãos. Porém, esses não teriam como provar que esse milagre aconteceu. E mesmo que filmassem ou tirassem fotos, não teriam como provar que essas provas são realmente verdadeiras e não uma fraude muito bem feita. E possivelmente muitas pessoas não acreditariam nisso [incluindo os próprios cristãos].

Seria possível um grupo de cristãos estarem presenciando um grandioso milagre nesse exato momento, mas não terem como o provar. E se por ventura tiverem, muito provavelmente serão acusados de fraude e serão chamados de mentirosos.

Terceira argumentação filosófica:

Ao longo da Sagrada Escritura vemos casos onde Deus realiza milagres para mostrar que era o verdadeiro Deus e que realmente existia. Provavelmente, Deus não faça grandiosos milagres atualmente, pois, o intelecto humano já atingiu a capacidade de saber que Deus existe sem a necessidade de uma intervenção sobrenatural do mesmo. E é bastante coerente pensar que uma argumentação em favor da existência de Deus hoje em dia seria mais eficaz do que um possível grandioso milagre. Pois, como foi dito anteriormente, as consequências podem ser contrárias a nossa expectativa.

Blaise Pascal dizia que Deus já tem dado provas suficientes àqueles que estão com o coração aberto para recebê-lo. Logo, aqueles que buscam a Deus o encontram sem a necessidade de presenciar algum evento sobrenatural feito por Deus.

Quarta argumentação filosófica:

Muitas vezes esquecemos a “simplicidade” que pode ser um grandioso milagre. O falecido astrônomo britânico Fred Hoyle calculou a probabilidade de simples proteínas de uma ameba surgirem por acaso. As chances foram de um contra 10^40000. Essas pequenas probabilidades encontradas levaram Hoyle a afirmar que a probabilidade da vida surgir espontaneamente é a mesma de uma furação passar por uma sucata e formar Boeing 747. A vida é algo matematicamente impossível de existir, porém de alguma forma estamos aqui. Se nos olharmos no espelho veremos um dos maiores milagres já feitos por Deus; nós. Por isso, não podemos esquecer que coisas habituais como o nascer do Sol e o nascimento de um ser, embora pareçam simples, são eventos enormemente “miraculosos”.

Embora nós não saibamos o real o motivo de Deus não fazer grandes realizações miraculosas atualmente, nós sabemos que podemos confiar em sua decisão. Pois, pela fé cremos que a vontade de Deus é perfeita e soberana. Isso é uma das coisas que Cristo nos ensina ao orar o Pai Nosso: confiar na vontade do Pai."Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu." (Mateus 6:10 )

Porém, por sermos imagem e semelhança de Deus, temos a capacidade de usar perfeitamente a lógica. Sendo essa um reflexo da mente de Deus. A partir disso podemos deduzir motivos, pelos quais Deus não faz mais milagres de grandes proporções, como podemos ver acima. Lembrem-se que essa nossa capacidade é um grande presente do Altíssimo, para que possamos entender seus atributos.

“O maior de todos os milagres precisou somente de duas coisas: um amor sobrenatural e uma cruz.” (Gabriel Brasileiro)

Artigo enviado por e-mail
Divulgação: Bereianos
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Se eu tiver fé, poderei fazer mais milagres do que Jesus? Ditos difíceis de Jesus - IV

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Por Augustus Nicodemus Lopes

Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai (João 14.12).

Jesus fez esta promessa aos seus discípulos na noite em que foi traído, antes de ir com eles para o Getsêmani, durante o jantar em que instituiu a Ceia. O Senhor falou que iria para o Pai preparar lugar para os discípulos (Jo 14.1-4), e em seguida explicou como eles chegariam lá (14.5-6). Respondendo ao pedido de Filipe para que lhes mostrasse o Pai, Jesus explica que Ele está de tal forma unido ao Pai, que vê-lo é ver o Pai (14.7-9). E como prova de que Ele está no Pai e o Pai está nEle, Jesus aponta para as obras que realizou (14.10-11). E em seguida, faz esta promessa, “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (14.12).

Este dito de Jesus é difícil porque parece prometer que seus discípulos seriam capazes de realizar os milagres que Ele realizou, e até mesmo maiores, se somente cressem nEle – e pelo que lemos no livro de Atos e na história da Igreja, esta promessa não parece ter-se cumprido. Compreender o real sentido desta passagem tem se tornado ainda mais crucial pois ela tem sido usada, após o surgimento do movimento pentecostal e seus desdobramentos, para defender modernas manifestações miraculosas, iguais e maiores dos que as efetuadas pelo próprio Jesus Cristo.

Há duas principais tentativas de interpretar este dito de Jesus:

1. As “obras” são os milagres físicos realizados por Jesus

A interpretação popular e mais comum, aceita pela maioria dos evangélicos no Brasil (esta maioria, por sua vez, é composta na maior parte por pentecostais e neopentecostais), é que Jesus realmente prometeu que seus discípulos seriam capazes de realizar os mesmos milagres que Ele realizou, e mesmo maiores. É importante notar que muitos membros de igrejas históricas, como presbiterianos, batistas, congregacionais e episcopais, entre outros, também foram influenciados por este ponto de vista. Nesta interpretação, a palavra “obras” é entendida exclusivamente como se referindo aos milagres físicos que Jesus realizou, como curas, exorcismos e ressurreição de mortos. Os adeptos desta interpretação entendem que existem hoje pastores, obreiros e crentes com capacidade para realizar os mesmos milagres de Jesus – e até maiores. Defendem que curas, visões, revelações e de outras atividades miraculosas estão acontecendo no seio de determinadas igrejas nos dias de hoje, exatamente como aconteceram nos dias de Jesus e dos apóstolos. E desta perspectiva, se uma igreja evangélica não realiza estes sinais e prodígios, significa que ela é fria, morta, sem fé viva em Jesus.

Apesar desta interpretação parecer piedosa e cheia de fé (e é por isto que muitos a aceitam), tem algumas dificuldades óbvias. Primeira, apesar dos milagres que realizaram, nem os apóstolos, que foram os cristãos mais próximos desta promessa, parecem ter suplantado aqueles de Jesus, em número e em natureza. Jesus andou sobre as águas, transformou água em vinho, acalmou tempestades e suas curas, segundo os Evangelhos, atingiram multidões. Não nos parece que os apóstolos, conforme temos no livro de Atos, suplantaram o Mestre neste ponto. Segundo, a História da Igreja não registra, após o período apostólico, a existência de homens que tivessem os mesmos dons miraculosos dos apóstolos e que tenham realizado milagres ao menos parecidos com os de Jesus. Na verdade, os grandes homens de Deus na História da Igreja nunca realizaram feitos miraculosos desta monta, como Agostinho, Lutero, Wycliffe, Calvino, Bunyan, Spurgeon, Moody, Lloyd-Jones, e muitos outros. Os pregadores pentecostais que afirmam ser capazes de realizar milagres semelhantes, e ainda maiores, não têm um ministério de cura e milagres consistente e ao menos semelhantes aos de Jesus. O famoso John Wimber, um dos maiores defensores das curas modernas, morreu de câncer na garganta. Antes de morrer, confessou que nunca conseguiu curar uma criança com problemas mentais, e nem conhecia ninguém que o tivesse feito.  Os cultos de cura de determinadas igrejas neopentecostais alegam milagres que são de difícil comprovação. Terceiro, esta interpretação deixa sem explicação o resto da frase de Jesus: “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai” (14.12). E por último, esta interpretação implica que os cristãos que não fizeram os mesmos milagres que Jesus fez não tiveram fé suficiente, e assim, coloca na categoria de crentes “frios” os grandes vultos da História da Igreja e milhões de cristãos que nunca ressuscitaram um morto ou curaram uma doença.

Esclareço que não estou dizendo que Deus não faz milagres hoje. Creio que Ele faz, sim. Creio que Ele é poderoso para agir de forma sobrenatural neste mundo e que Ele faz isto constantemente. O que estou questionando é a interpretação desta passagem que afirma que se tivermos fé faremos milagres maiores do que aqueles realizados por Jesus.

2. As “obras” se referem ao avanço do Reino de Deus no mundo

A outra interpretação entende que Jesus se referia obra de salvação de pecadores, na qual, obviamente, milagres poderiam ocorrer. Os principais argumentos em favor desta interpretação são estes:

a. A expressão “quem crê em mim” é usada consistentemente no Evangelho de João para se referir ao crente em geral, em contraste com o mundo que não crê. Examine as passagens abaixo:

  • Jo 6:35  Declarou-lhes, pois, Jesus: Eu sou o pão da vida; o que vem a mim jamais terá fome; e o que crê em mim jamais terá sede.
  • Jo 6:47  Em verdade, em verdade vos digo: quem crê em mim tem a vida eterna.
  • Jo 11:25-26  Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?
  • Jo 12:46  Eu vim como luz para o mundo, a fim de que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.

Fica claro pelas passagens acima que aqueles que crêem em Jesus são os crentes em geral, e que a fé em questão é a fé salvadora. Por analogia, a expressão “quem crê em mim” em João 14.12 também se refere a todo crente, e não àqueles que teriam uma fé tão forte que seriam capazes de exercer o mesmo poder de Jesus em realizar milagres – e até suplantá-lo!

b. O termo “obras” referindo-se às atividades de Jesus, é usado no Evangelho de João para se referir a tudo aquilo que Ele fez, conforme determinado pelo Pai, para mostrar Sua divindade, para salvar pecadores e para glorificar ao Pai. Veja estas passagens: Jo 4:34; 5:20,36;  6:28,29; 7:3; 9:3,4; 10:25,32,33,37,38; 14:10,11; 14:12; 15:24; 17:4. O termo “obras” não se refere exclusivamente aos milagres de Jesus, muito embora em algumas ocorrências os inclua. No contexto da passagem que estamos examinando, Jesus usa o termo “obras” para se referir às palavras que Ele tem falado: “Não crês que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo por mim mesmo; mas o Pai, que permanece em mim, faz as suas obras” (Jo 14.10). É evidente, portanto, que não se pode entender o termo “obras” em Jo 14.12 como se referindo exclusivamente aos milagres físicos realizados por Jesus. O termo é muito mais abrangente e se refere à sua toda atividade terrena realizada com o fim de salvar pecadores: palavras, atitudes e, sem dúvida, milagres.

c. A frase “porque eu vou para junto do Pai” fornece a chave para entender este dito difícil. Enquanto Jesus estava neste mundo, sua ação salvadora era limitada pela sua presença física. Seu retorno à presença do Pai significava a expansão ilimitada do Reino pelo mundo através do trabalho dos discípulos, começando em Jerusalém e até os confins da terra. Como vimos, as “obras” que Ele realizou não se limitavam apenas aos milagres físicos, mas incluíam a influência dos mesmos nas pessoas e a pregação do Reino efetuada por Jesus. Estas obras, porém, estavam limitadas pela Sua presença física em apenas um único lugar ao mesmo tempo. As “obras maiores” a ser realizadas pelos que crêem devem ser entendidas deste ponto de vista: os discípulos, através da pregação da Palavra no mundo todo, suplantaram em muito a área de atuação e influência do Senhor Jesus, quando encarnado.

Adotar a interpretação acima não significa dizer que milagres não acontecem mais hoje. Estou convencido de que eles acontecem e que estão implícitos neste dito do Senhor Jesus. Entretanto, eles ocorrem como parte da obra de expansão do Reino, que é a obra maior realizada pela Igreja.

O dito de Jesus, portanto, não está prometendo que qualquer crente que tenha fé suficiente será capaz de realizar os mesmos milagres que Jesus realizou e ainda maiores – a Escritura, a História e a realidade cotidiana estão aí para contestar esta interpretação – e sim que a Igreja seria capaz de avançar o Reino de Deus de uma forma que em muito suplantaria o que Jesus fez em seu ministério terreno. Os milagres certamente estariam e estão presentes, não como algo que sempre deve acontecer, dependendo da fé de alguns, e não por mãos de pretensos apóstolos e obreiros super-poderosos, mas como resposta do Cristo exaltado e glorificado às orações de seu povo.

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Por que não operamos milagres maiores que os operados por Jesus?

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Por Ruy Marinho

“Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço e outras maiores fará, porque eu vou para junto do Pai.” João 14:12

Certo dia, um amigo muito angustiado me procurou, preocupado com o seu ministério, dizendo que não conseguia adquirir a promessa de Jesus descrita nesta passagem. Em outras palavras, não chegava a um nível de espiritualidade elevada, a ponto de operar milagres maiores dos que o Mestre operou em seu ministério terreno.

A primeira coisa que questionei: se realmente as “obras maiores” que Jesus prometeu que iríamos fazer, for os sinais miraculosos que Ele operou durante seu ministério terreno, então estamos com um problema muito grave: A realidade da Igreja hoje estaria muito distante do ideal! Os sinais extraordinários operados por Jesus deveriam acontecer em quantidades maiores, com milagres mais espetaculares e extraordinários dos que o Mestre operou. Imaginem, por exemplo, qual milagre seria maior do que ressuscitar um morto? Ou então reconstruir uma orelha decepada?

Confesso que até hoje não vi ninguém operar milagres e sinais extraordinários como: andar sobre as águas, curar cegos e paraplégicos, reconstituir mutilados, ressuscitar mortos, transformar água em vinho, ler pensamentos, multiplicar pães e peixes etc.

Na verdade, o grande problema é que muitos pregadores “milagreiros” utilizam Jo 14:12 de forma isolada e fora de contexto, interpretando o texto de maneira literal, para tentar justificar seus truques de ilusionismo e de misticismos exóticos. Este errôneo “padrão de ensino” vem sendo propagado há muito tempo nas igrejas neopentecostais brasileiras, tendo em vista os inúmeros casos de pessoas que se frustraram ministerialmente por não conseguir alcançar esta suposta “promessa sobrenatural” de Jesus, bem como por serem vítimas dos milagreiros fraudulentos.

Analisando o versículo de maneira exegética, o termo grego utilizado para “maiores” é meizõn, literalmente significa “coisas maiores”. Já o vocábulo “obras” a palavra grega é ergon, que significa trabalho, ato, ação. [1] O termo ergon é direcionado, em sentido amplo, a “trabalho”. Na versão Bíblica inglesa King James (KJV), o vocábulo ergon é empregado a “works”, que significa trabalho. [2] Seguindo o contexto direto da passagem, as “obras maiores” significam a longitude do trabalho através da expansão do evangelho. Em outras palavras: o foco é trabalhos maiores e não milagres maiores!

Cristo não está afirmando que faríamos milagres extraordinários maiores do que Ele fez, mas sim que a obra da Igreja, no poder do Espírito Santo, será “maior” do que a obra de Jesus, em sentido numérico e territorial. As obras maiores estão diretamente conectadas à ida de Cristo ao Pai (“porque eu vou para junto do Pai”), onde após isso o Espírito Santo seria enviado (Jo 14:16) e os discípulos revestidos de autoridade para anunciar o evangelho (At 1:8). Quando o Espírito foi derramado sobre os discípulos, todos eles pregaram a Palavra de Deus. Com isso, converteram-se ao evangelho uma enorme multidão de pessoas, quantidade bem mais numérica do que todas as pregações de Jesus juntas (At 1:15, 2:41, 4:4, 5:14, 6:7, 9:35, 12:24, 16:15). As “obras maiores” que os discípulos realizaram foram, sem dúvida, às milhares de conversões de vidas, através da propagação do evangelho pelo poder do Espírito Santo.

Os apóstolos não operavam milagres como meio de pregar o evangelho, mas em casos específicos como sinais inquestionáveis do poder de Deus (At 19:11). O Evangelho em si tem como objetivo de salvar vidas e não de operar milagres físicos, pois estes são meros coadjuvantes da mensagem evangelística (1Co 15:1-4, 1Tm 1:15). Em seus sermões, Jesus nunca priorizou curas, milagres e sinais. Os mesmos eram acompanhantes de suas pregações, nos quais testificavam que Ele era o Messias Ungido de Deus.

Sendo assim, não devemos de forma alguma lamentar por não realizar milagres iguais ou maiores dos que Cristo operou. Na verdade, o nosso lamento deve estar na superficialidade bíblica em que algumas igrejas estão inseridas, pois o que é pregado e ensinado por muitos vem prejudicando a essência da mensagem bíblica, enfatizando experiências místicas extra-bíblicas em detrimento da verdadeira mensagem evangelística que é a salvação e transformação de vidas.

O maior milagre que pode acontecer na vida de alguém é a salvação em Cristo Jesus. Portanto, vamos anunciar o evangelho!

Soli Deo Gloria!

Notas:
1 – GINGRICH, F. W.; DANKER, F. W. Léxico do N.T. grego/português. Vida Nova, 2003. pág. 85.
2 – KING JAMES Amplifield Parallel Bible, 2005 Thomas Nelson Publishing Staff

Fonte: [ Bereianos ]
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