A Páscoa não é coisa de cristão (postagem atualizada e ampliada)

.

Por Fábio Correia, o Filósofo Calvinista

Vivemos num mundo onde tudo pode ser relativizado quando o assunto é dinheiro. Até mesmo as coisas que deveriam ser mais contraditórias acabam convergindo. O sagrado e o profano, por exemplo. Por definição, um deveria ser antítese do outro; um deveria negar e repudiar o outro. Mas, em prol do lucro, caminham de mãos dadas. Um bom exemplo disso é a famosa festa do Morro da Conceição, no Recife.

Cada vez mais, curiosamente, grandes comerciantes têm investido consideráveis somas de dinheiro na religiosidade do povo; mesmo sendo, muitas vezes, ateus ou alheios à fé. A descoberta desse promissor “mercado” acabou despertando a atenção também daqueles que vivem da e na religião, como se dissessem: “se os de fora ganham com a religiosidade do povo porque nós, que vivemos de dentro, não podemos também ganhar”? Assim, muitos (não todos), acabaram aderindo ao grande comércio da fé que vemos hoje.

A páscoa sempre teve um caráter eminentemente religioso, mas os números a seguir confirmam nossa argumentação acima. Segundo a Associação Brasileira da indústria de chocolates e derivados, em 2010, foram produzidos e consumidos 530 mil tolenadas de chocolates. A expectativa de crescimento para a páscoa de 2011 é de 10%, com um faturamento estimado em R$ 1,9 bilhão. O significado religioso da Páscoa quase desaparece por trás dessas incríveis cifras que negam qualquer existência de crise.

Não podemos negar, entretanto, que muitos grupos religiosos cristãos (católicos e evangélicos) tentam resgatar o significado espiritual da páscoa, o que é igualmente problemático: o que os cristãos têm a ver com a Páscoa, no que diz respeito à sua comemoração? Absolutamente nada.

A páscoa é uma festa “estritamente” judaica. É mais que uma festa: é um sacramento (ordenança) do judaísmo, instituído em Êxodo 12:1-28/43, para comemorar a libertação da escravidão do Egito (Dt 16:1-3) e o livramento da décima praga: morte dos primogênitos Egípcios (Ex 12:27).

E para os Cristãos, quais são os Sacramentos?

Para os cristãos Católicos Romanos existem 7 sacramentos: Batismo, Confirmação, Eucaristia, Penitência, Unção dos Enfermos, Ordem e Matrimônio.

Os cristãos Protestantes, por sua vez, consideram que só existe base bíblica para a observância de 2 sacramentos: Batismo e Santa Ceia (Eucaristia).

Percebam quem não existe, nos moldes como era observada no VT, pelos Judeus, e com os mesmos elementos, na lista dos Sacramentos Cristãos, nem da Igreja Católica Romana e muito menos da Igreja Protestante, a Páscoa como um Sacramento a ser observado.

Um conhecido Teólogo da IPB - Rev.Moisés Bizerril, num importante artigo intitulado "Sacramentos e Clericalismo: Sacramentos Bíblicos à Luz das Escrituras" faz a seguinte afirmação:

"A páscoa era somente para Israel e alguns peregrinos estrangeiros que deveriam ser circuncidados para participarem daquele sacramento [...]. Certamente a páscoa não foi continuada e sim a ceia, como celebração característica da nova aliança", publicado em: http://www.monergismo.com/textos/sacramentos/sacramentos_moises_bezerril.htm.

A "Páscoa Judáica" (permita-me a redundância) era e é (para os judeus) um ritual cheio de detalhes, significados e símbolos. Cada elemento que compõe a “ceia páscal” tinha e tem (para os judeus) seu significado: as ervas amargas, por exemplo, servem para lembrar os dolorosos anos de escravidão; os pães asmos (sem fermento), lembram a fuga repentina, além do cordeiro assado.

Judeu comemorando a Páscoa é coerente; é até obrigatório, pelo caráter sacramental envolvido, mas Cristãos insistindo em comemorar o “sacramento judaico” é no mínimo engraçado.

Claro que muitas transliterações têm sido sugeridas, com o objetivo de “cristianizar” a festa judaica, mas isso não justifica a comemoração. Não existe na Bíblia nenhuma recomendação para que os cristãos comemorem esse sacramento do VT. Será que essa insistência dos religiosos cristãos não é motivada simplesmente por fins comerciais? Uma resposta inconsciente aos apelos consumistas? Assim como a Páscoa, existem outros sacramentos judaicos. A circuncisão é um deles (Gn 17:9-14; Lv 12:3). Para ser coerente, todo cristão que quiser comemorar o sacramento judaico da páscoa também deveria cumprir o sacramento igualmente judaico da circuncisão.

Até mesmo a forma de observância da Páscoa - pelos cristãos - está completamente equivocada. Já viram algum cristão, que diz comemorar a Páscoa, comendo ervas amargas, pão sem fermento e cordeiro assado? Isso seria um requisito mínimo para uma comemoração coerente da Páscoa. Ao invés disso, chocolates. Percebe como tudo está relacionado com a questão do consumismo e absolutamente nada com o verdadeiro sentido sacramental instituído por Deus?

Esse erro (cristãos comemorando a páscoa) tem ocorrido porque a maioria deles desconhece que esses dois sacramentos judaicos do VT (páscoa e circuncisão) foram substituídos, no NT, pelo próprio Cristo, por outros dois novos (porém correlatos aos do VT) sacramentos:

A páscoa (que comemorava a libertação e a nova vida) foi substituída pela Santa Ceia ou Eucaristia (Lc 22:14-27; I Cor 11:23-28), que comemora a ressurreição de Cristo (o cordeiro Pascal da páscoa do VT era uma prefiguração do que aconteceria com Cristo), e a circuncisão (que era o rito externo de entrada no povo de Deus, no VT) pelo Batismo (Mt 28:19, Col 2:11), que igualmente é um rito de entrada na igreja visível do NT.

Paradoxalmente, muitos cristãos não fazem a menor questão de observar esses dois novos sacramentos instituídos pelo próprio Cristo, para sua igreja observar: Batismo e Santa Ceia ou Eucaristia.

Se você é Cristão, nunca deseje Boa Páscoa a outro Cristão, ele não tem nada a ver com essa comemoração!

_________________________

***
Nota do editor: esta postagem é uma ampliação da postagem do mesmo autor publicada aqui no Blog dos Eleitos no dia 02 de abril de 2010.
.

O Kardecismo reprovado no seu próprio teste de veracidade

.
"Devemos seguir o argumento até onde ele nos levar"

Na sessão II da introdução do livro O Evangelho Segundo o Espiritismo (editora FEB, p. 28, 2008), Allan Kardec, recebendo comunicações mediúnicas de aproximadamente mil centros espíritas sérios espalhados pelos mais diversos pontos do globo*, propõe o seguinte teste de veracidade com relação aos ensinos espíritas:

"O primeiro controle é, incontestavelmente, o da razão, ao qual é preciso submeter, sem exceção, tudo o que venha dos Espíritos. Toda teoria em notória contradição com o bom senso, com uma lógica rigorosa e com os dados positivos que se possui, deve ser rejeitada, por mais respeitável que seja o nome que traz como assinatura."

De maneira equilibrada, justa, devemos ainda dizer que tal teste não é o melhor, segundo Kardec, pois pessoas podem possuir conhecimento insuficiente e serem tendenciosas em seus juízos. Porém o teste "é incontestavelmente" o primeiro se baseado em uma sólida lógica. Assim, o bom senso deverá prevalecer, ou seja, uma doutrina em contradição não pode ser digna de confiança. Crer nela é crer levianamente. Analisemos, então, a seguinte declaração espírita no capítulo I, p. 61:

"... o materialismo foi vencido... É toda uma revolução moral que neste momento se opera e trabalha os espíritos. Após uma elaboração que durou mais de dezoito séculos, chega ela à sua plena realização e vai marcar uma Nova Era para a Humanidade. As consequências dessa revolução são fáceis de prever; deve produzir inevitáveis modificações nas relações sociais, às quais ninguém terá força para se opor, porque estão nos desígnios de Deus e resultam da lei do progresso, que é uma lei de Deus."

O Kardecismo reivindica uma revolução moral fundamentada na lei do progresso. Do século XVIII ao XXI, houveram vários progressos (industrial, trabalhista, científico, tecnológico, etc.), porém nenhum que produzisse divinas modificações nas relações sociais. Não há muito o que comemorarmos no campo da moral quando lemos sobre os campos de concentração nazistas de Hitler; quando sabemos que o materialismo filosófico é dominante nas Academias (Nietzsche, Marx, Darwin, Freud, Sartre, Heidegger...); que os índices de assassinato e suicídio são preocupantes especialmente entre os jovens; quando olhamos para o aumento e facilitação do divórcio matrimonial ou vemos tanto guerras latentes quanto eminentes pelo globo... O clima de otimismo moral deveria ser triunfante ao passo que os espíritos trabalham para isso. Todavia, não é!

Pode-se levantar uma objeção por parte dos espíritas dizendo que a "Terra pertence à categoria dos mundos de expiação e de provas, razão por que aí o homem está exposto a tantas misérias" (p. 79). Esse ensino explicaria o problema da revolução moral se ele condicionasse a Terra a ser um mundo somente de expiação, de provas. No entanto, o próprio Kardec excluiu essa idéia:

"Todavia, não deduzais das minhas palavras que a Terra esteja destinada para sempre a ser uma penitenciária. Não, certamente! Dos progressos realizados podeis facilmente deduzir os progressos futuros e, dos melhoramentos sociais conquistados, novos e mais fecundos melhoramentos. Essa é a tarefa imensa que será realizada pela nova doutrina que os Espíritos nos revelam." (p. 131)

Em uma seção de comentários de um vídeo do YouTube eu discutia com um espírita sobre essa questão da revolução moral. Ele contra-argumentava dizendo que as aflições da vida são de duas espécies: de causa presente ou de passada (daí os judeus terem sofrido tanto no holocausto, pois certamente no passado eles fizeram algo que trouxeram as consequências do antissemitismo!). No entanto, eu disse a ele que isso é a explicação das aflições e não a corroboração sobre a máxima de Kardec conforme citei. O materialismo na minha opinião não foi vencido e o relativismo ou anarquia moral é crasso em qualquer nível da sociedade, inclusive na Igreja.

Não ajuda muito também os espíritas esperarem o tempo passar e terem fé que lá na frente a coisa muda. Isso na verdade é um salto de fé e não seguir as implicações de um dos pilares da Doutrina. Kardec reivindicou uma revolução moral em PLENA REALIZAÇÃO que produziria modificações que NINGUÉM TERIA FORÇA PARA SE OPOR (o que está em caixa alta são citações diretas). A claridade do texto não lança dúvida no que estou dizendo. A questão é a veracidade do cumprimento dessas palavras; e não como e quando elas irão se cumprir ou porque não estão se cumprindo.

Se ciclos de encarnação-desencarnação elevassem os espíritos a estados superiores, purificando-os ainda mais, porque não percebemos as consequências dessa doutrina central do Kardecismo nas manchetes dos jornais e nas newsletters da web? Vivemos uma grande crise moral e não uma revolução pela lei divina do progresso. Involuímos.

No livro A República, Platão atribuí a Sócrates a seguinte frase: "Devemos seguir o argumento até onde ele nos levar". Se a lógica dos dados é positiva, devemos evocar o resultado da aplicação do teste: "toda teoria em notória contradição com o bom senso... deve ser rejeitada". O argumento aqui proposto no mínimo nos leva para o descrédito da revolução moral de Kardec bem como a uma revisão de seus pressupostos filosóficos.

Portanto, o Espiritismo não pode ser aprovado como verdadeiro mediante suas asseverações de moral. O bom senso, nesse caso, não nos convida a uma fé espírita. A coletividade ou conjunto dos fatos mais a lógica contrariam a Doutrina em sua base.

*Não há citações dos nomes dos médiuns nem como se realizou essa tão grande coleta de informações pelo mundo, se é que foi realizada. É interessante notar que tais centros são classificados como "sérios". Sérios com base em quê? Fica a pergunta.

Soli Deo [Jesus] Gloria.

Autor: Danilo Neves de Almeida
Fonte: [ UMPCGYN ]
.

O mito da submissão mútua

.
De Wayne Grudem. Traduzido por Kamylla Araújo. Original aqui.

Como os que buscam a igualdade entre homens e mulheres revogam a força de Efésios 5:22, “Esposas, sejam submissas aos seus maridos, assim como ao Senhor”? Simples: Eles olham apenas para o verso 21, que diz, “Estejam sujeitos um ao outro no temor de Cristo.” Então eles dizem, “É claro que as esposas devem ser submissas aos seus maridos, mas os maridos também devem submeter-se às esposas.”

O resultado disso é o que eles chamam de “submissão mútua”, “e em seu ponto de vista isto quer dizer que não há liderança ou autoridade única do marido no casamento. Eles redefinem “submissão” como "consideração, cuidado, uma atitude de amor um para com o outro, colocando o interesse da outra pessoa acima do seu próprio.”

Certamente ninguém faz objeção às idéias de consideração mútua, ou cuidado, ou amor! Elas são claramente ensinadas no Novo Testamento. Mas estas idéias são, de fato, o que o verso, Efésios 5:21, quer dizer?

Eu acredito que não. Na verdade, eu creio que a idéia de “submissão mútua” como uma interpretação de “estejam sujeitos um ao outro” em Efésios 5:21 é uma idéia terrivelmente errada. Ela só pode ser defendida se deixarmos de apreciar o significado preciso das palavras gregas para “estar sujeito” e “um ao outro”. Uma vez que esses termos sejam compreendidos corretamente, eu creio que a ideia de “mútua submissão” no casamento será vista como um mito sem qualquer tipo de fundamentação nas Escrituras.


1. O significado de “Ser submisso”

A primeira razão pela qual penso que “uns aos outros” é a melhor interpretação de Efésios 5:21 é o significado para a palavra grega hypotasso (estar sujeito a, submeter-se a). Embora alguns afirmem que a palavra pode significar “ser cuidadoso e considerar o outro; um ato de amor” (para com o outro), não há nenhuma evidência séria que mostre que no século primeiro os gregos entendiam dessa forma, pois o termo sempre implica em um relacionamento de submissão a uma autoridade.

Veja como esta palavra é utilizada em outros lugares no Novo Testamento:

* Jesus está sujeito à autoridade de seus pais (Lucas 2:51)
* Os demônios estão sujeitos aos discípulos (Lucas 10:17: é claro que o significado “ato de amor, consideração” não se encaixa aqui!)
* Os cidadãos devem estar sujeitos à autoridade dos governantes (Rm 13:1,5; Tt 3:1, IPe2:13)
* O universo está sujeito a Cristo (ICo. 15:27; Ef. 1:22)
* Poderes espirituais invisíveis estão sujeitos a Cristo (IPe. 3:22)
* Cristo está sujeito a Deus o Pai (ICo. 15:28)
* Os membros da igreja devem estar submissos aos líderes (ICo. 16:15-16; 1Pe 5:5)
* As esposas devem ser submissas aos seus maridos (Cl. 3:18, Tt. 2:5, IPe. 3:5; compare com Efésios 5:22,24)
* A igreja está sujeita a Cristo (Efésios 5:24)
* Servos devem estar submissos aos seus mestres (Tt. 2:9, IPe. 2:18)
* Os cristãos estão submissos a Deus (Hb. 12:9, Tg. 4:7).

A questão é a seguinte: Nenhum desses relacionamentos jamais foi revertido. Nunca foi dito aos maridos serem submissos (hypotasso) às suas esposas, nem o governo aos cidadãos, os mestres aos servos, ou os discípulos aos demônios. É claro que nunca foi dito aos pais que sejam submissos aos filhos! Na verdade, o termo hypotasso é utilizado fora do Novo Testamento para descrever a submissão e obediência dos soldados no exército ao escalão superior (veja, por exemplo, Josefo, Guerra de 2.566, 578, 5.309; compare o advérbio de Clemente 37:2) O léxico Liddell – Scott – Jones define hypotasso [passivo] significando “ser obediente” (pg. 1897).

É claro, a forma exata que a submissão toma, como ela funciona na prática, sofrerá uma variação enorme em relação a como ela é aplicada aos soldados, às crianças, aos servos, à igreja e às esposas. Em um casamento cristão saudável, haverá fortes elementos de mútua consulta e busca de sabedoria, e a maioria das decisões virá de um consenso entre marido e esposa.

Ser submissa envolve muitas vezes, não só obedecer a comandos ou a ordens diretas (embora às vezes inclua isto), pois um marido prefere fazer uma solicitação à esposa e buscar auxílio, discutindo com ela sobre o curso de uma ação a ser tomada (compare com Filemom 8-9). Este é, provavelmente, o motivo pelo qual Paulo usou o sentido mais amplo de “estar submisso a” quando fala às esposas, em lugar da palavra específica “obedecer” (hypakouo), que é utilizada para crianças (6:1) e para servos (6:5).

Não obstante, a atitude de submissão da esposa à autoridade de seu marido será refletida nas inúmeras palavras e ações a cada dia que refletem deferência à sua liderança e reconhecimento à sua responsabilidade pós- discussão, sempre que possível, para tomar decisões que afetam toda a família.

A despeito de todas essas diferentes formas de submissão, uma coisa permanece constante em cada uso da palavra: nunca é “mútuo” no que diz respeito ao poder; é sempre unidirecional referindo-se à submissão a uma autoridade.

Então a minha pergunta é: Porque deveríamos dar a hypotasso um significado em Efésios 5:21 que em nenhuma outra parte é mostrado como tal? Mas se hypotasso sempre significa “estar submisso a uma autoridade”, então, certamente há um mal-entendido de Efésios 5:21 em dizer que implica em “mútua submissão.”

2. O restante do Contexto

O mito da “submissão mútua” também falha na adequação ao contexto. Em Efésios 5:22-24, às mulheres não é dito que sejam submissas a todos, ou a todos os maridos, ou a outras esposas, ou a seus vizinhos e filhos. O idioma grego especifica claramente a restrição, “Esposas, sejam submissas a seus maridos (idiois andrasin).” Portanto, o que Paulo tinha em mente não era uma vaga ideia de “mútua submissão” onde todos são “considerados e respeitados” uns pelos outros, mas um tipo específico de submissão a uma autoridade: a mulher é submissa à autoridade do “seu próprio marido”.

Similarmente, não é dito a pais e filhos que sejam submissos mutuamente uns aos outros, mas os filhos devem estar sujeitos (“obedecer”) seus pais (Efésios 6:1-3), os servos devem estar sujeitos aos seus mestres (Efésios 6:5-8). Em cada caso, a pessoa que exerce a autoridade não deve estar submissa àquele sobre quem a autoridade é exercida, mas Paulo sabiamente dá orientações para regular o uso da autoridade pelos maridos (que devem amar as suas esposas Efésios 5:25-33), pelos pais (que não devem provocar em seus filhos a ira, Efésios 6:4), pelos mestres (que devem deixar de ameaçar seus servos lembrando que eles, de igual modo servem a Cristo, Efésios 6:9). Em nenhum dos casos há “mútua submissão”; em cada caso existe submissão à autoridade e uso regulado desta autoridade.

Esta clara evidência no contexto é o motivo pelo qual as pessoas não enxergaram a “submissão mútua” em Efésios 5:21 até que as pressões feministas em nossa cultura levaram as pessoas a procurar uma maneira de evitar a força de Efésios 5:22, “Esposas, sejam submissas aos seus maridos, assim como ao Senhor.” Por séculos ninguém pensou em “mútua submissão” em Efésios 5:21, pois reconhecia-se que o verso ensina que devemos todos estar sujeitos aos homens que Deus colocou em autoridade sobre nós, como maridos, pais ou empregados. Desta maneira, Efésios 5:21 era perfeitamente entendido como estar sujeito um ao outro (isto é, uns para os outros) no temor de Cristo

3. A ausência de qualquer comando dos maridos para as mulheres

Há mais um fato que aqueles que buscam a igualdade entre homens e mulheres não conseguem explicar bem quando da proposição da “mútua submissão” como compreensão deste verso. Eles não conseguem explicar o fato que, enquanto várias vezes às mulheres é dito que sejam submissas aos seus maridos (Efésios 5:22-24; Colossenses 3:18; Tito 2:5, IPedro 3:1-6)a situação nunca é revertida; nunca é falado aos maridos que sejam submissos às suas esposas. Porque isso então, se Paulo queria nos ensinar sobre a “submissão mútua”?

A ordem de que um homem deveria ser submisso à sua mulher teria sido surpreendente em uma antiga sociedade machista. Portanto, se os escritores do Novo Testamento pensavam que no casamento cristão, os maridos deveriam estar submissos às suas esposas, eles teriam que dizê-lo muito claramente, caso contrário, os cristãos mais jovens nunca teriam sabido que era isso que deveriam fazer! Mas em nenhum lugar encontramos tal ordem. É surpreendente que feministas evangélicas possam afirmar que o Novo Testamento ensina isto quando, em nenhum momento isto é ensinado.

4. O significado de “Um ao outro”

Então qual a razão que as pessoas podem dar argumentando em favor da “mútua submissão” na interpretação de Efésios 5:21? Seu argumento é baseado na expressão “um ao outro” (o pronome grego allelous). Vários intérpretes afirmam que o pronome quer dizer “todos a todos” (isto é, que deve ser exaustivamente recíproco, o que significa que se refere a algo que cada pessoa faz uma a outra). Para apoiar este ponto de vista citam-se numerosos versos onde allelous tem esse sentido: “devemos todos amar uns aos outros” (João 13:34) e “sejam servos uns dos outros” (Gálatas (5:13).

Mas aqui está um erro crucial: intérpretes admitem que por allelous significar “todos a todos” em alguns versos, deve significar em todos os versos. Quando eles admitem isso, eles simplesmente não fizeram seu dever de casa - eles não checaram as possibilidades que a palavra pode ser utilizada em distintos contextos, quando não significa “todos a todos”, mas “uns aos outros.”

Por exemplo, em Apocalipse 6:4, “e que os homens se matassem uns aos outros” significa que alguns matariam outros (e não “que todas as pessoas matariam umas às outras”, ou “então que toda a pessoa que foi morta mataria mutuamente aquela que a matou”, o que não teria o menor sentido!). Em Gálatas 6:2, Levai as cargas uns dos outros, não significa que cada um deve trocar a sua carga com o outro, mas “aqueles que são mais capacitados devem ajudar a carregar o fardo daqueles que são menos capacitados.” Em 1 Coríntios 11:33, “Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros.” Significa “aqueles que ficaram prontos mais cedo devem esperar por aqueles que estão atrasados.”

Há muitos outros exemplos onde a palavra não pode simplesmente dizer que "todo mundo faz alguma coisa para todo mundo", porque o sentido do contexto simplesmente não permitirá este significado (veja Mateus 24:10; Lucas 2:15; 12:1; 24:32; etc.). Nestes versos allelous significa, uns aos outros. (A versão King James frequentemente traduz estas passagens, “um ao outro” ou “um para o outro”, como em I Coríntios 11:33, Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros.” Seguindo este padrão, a KJV traduziu Efésios 5:21, “submetendo-se um ao outro.”)

5. Conclusão

O que então “um ao outro” significa em Efésios 5:21? Significa “uns aos outros” e não “todos a todos”. O significado de hypotasso, que sempre indica submissão unidirecional a uma autoridade, previne o senso de “todos a todos” neste verso. E o seguinte contexto (esposas a maridos, filhos aos pais, servos aos mestres) mostra que este entendimento é verdadeiro. Portanto, não é a “submissão mútua”, mas a submissão às autoridades competentes que é ordenada por Paulo em Efésios 5:21. A ideia de “mútua submissão” nesta passagem é só um mito crido largamente pelo mundo.

Isso é importante? Basta perguntar-se quão importante a idéia de submissão à autoridade é no Novo Testamento. Se hypotassō pode ser esvaziada de qualquer idéia de submissão à autoridade, a capacidade do Novo Testamento para falar com a nossa vida vai ser entravada de forma significativa. Este equívoco igualitário de Efésios 5:21 carrega com ele um preço muito grande.

Fonte: [ Reforma e Carisma ]
Via: [ Cinco Solas ]

Do poder evangélico, sal, pimenta, cebola e coentro

.
Por Derval Dasilio

O Brasil é um país tropical: "abençoado por Deus, e bonito por natureza. Mas que beleza!" (Jorge Ben Jor). Como receita certa em Minas, entre a baunilha e o sal, fogão de lenha, e o uso da pedra-sabão, peneira, água boa de moringa, como tudo que há de diferente entre nós, comemos feijoada, vatapá, caruru, muqueca, pato ao tucupi, churrasco, tambaqui... e literalmente "dançamos" o ano inteiro. No resto do ano tem forró, rock, funk, gospel; somos católicos, protestantes, evangélicos, graças a "deus".

Continuamos dançando. Um paraíso! Mas só para os que acreditam. No entanto, não despregamos o olho das divindades que comandam esse modo cultural de agir.

Aquelas que vagam em outros domínios espirituais e dirigem os sistemas de pensar, elegendo ou proclamando santos e puros...

Alugamos nossas mentes para a religiosidade que vê os males do mundo como castigo divino; que vê com naturalidade a legitimação e consolidação do poder dos fortes, aceitação das desigualdades, a fraqueza dos empobrecidos. Não entendemos a religião como expressão de sofrimento real em favor de causas justas; que a religião pode ser protesto contra as dores impostas por sistemas de pensar, opressões ancestrais, desde a colonização. A religião poderia ser o suspiro das criaturas oprimidas, inclusive nas manifestações populares. Mas, ao contrário, teremos a Caminhada com Jesus, criada e comandada pelo bispo algemado eletronicamente nos EUA por crime fazendário. Doce prisão, Boca Raton, Flórida, um refúgio de ricaços. Elegemos notórios corruptos para o Congresso. E o “bloco evangélico” cresceu.

Futebol, samba, carnaval e comida, fazem parte da vida do povo: “Pegue um punhado de feijão fradinho, acrescente cebola, pimenta e coentro”, temos os ingredientes para o acarajé. Inspiração africana que torna a vida mais saborosa. Caymi sabia das coisas: “todo mundo gosta de acarajé/mas o trabalho que dá...”. Políticos e pastores evangélicos milionários o aplaudiriam? Conquistar esse povo não dá muito trabalho. Associar evangélicos recentes com o mercado da fé aberto à conversão religiosa é a maior moleza. Candomblé, pagode, samba e suas irradiações, comparecem. Especialmente quando se disputa o poder nas urnas. Os mesmos que dormiram no ponto, firmados numa abstrata “reta doutrina” fundamentalista, aplaudem as mega-igrejas. O mundo evangélico mudou com as rupturas protestantes desde a década de 70.

Entre evangélicos convertidos na Bahia, o universo plurireligioso absorve culturas às quais se associam personagens e situações bíblicas. Filhas de Iansã – deusa do vento, esposa de Xangô, dono do fogo e do trovão – aderem aos simbolismos do Pentecostes, cultural e religiosamente, novidade que incha a igreja evangélica das últimas décadas.

Deus passa a ser concebido em intimidades com orixás e simpatias para se obter dinheiro, quebrar tensões matrimoniais e resolver paixões impossíveis. No protestantismo conservador, ou progressista, ninguém pode influenciar o favor divino.

Mas o novo evangélico inculturado na religiosidade pluralista nem está aí... Importa o diálogo profundo entre as divindades populares e o deus cristão ocidental (Roberto DaMatta). Simbolismos, amuletos, danças, descarregos, oferendas sacrificiais: dinheiro, residências, automóveis, jóias, caem muito bem aos evangélicos de hoje. Uma dessas igrejas milionárias acaba de ser condenada a indenizar uma fiel, acrescida de uma sentença de pensão vitalícia, por abuso religioso (A Tribuna, 25.02.11). Uma merreca. Tiram de letra...

Göethe, no Fausto, mostra o ser humano que vende sua alma a Mephisto. Os evangelhos apresentam Jesus fazendo o contrário, salvando o ser inteiro, inclusive a alma. Somos governados por gigantes interiores, uma fome interior insaciável; desejos reprimidos; medo de viver; ódio homófobo ao diferente; agressividade cega diante de obstáculos reais ou fictícios; paixão desenfreada, expressões degradantes de fé supersticiosa. Avaliemos o tesouro íntimo que deve ser resgatado. Mas esse depósito pode ser um vulcão inativo pronto a irromper no mundo do crente tomado pelos poderes da morte. Não aprendemos as lições.

Das tentações infligidas ao próprio Jesus (Mt 4,9: “terás tudo se ajoelhares diante de mim, e me adorares”), poder e riqueza não são mais manifestações que convidam à adoração do diabo. Não são poucos os crentes contemporâneos que admiram pregadores que apóiam corrupção política, roubo, expropriação de direitos fundamentais, violência, crime contra o erário, acúmulo ilegal de riquezas, enquanto desprezam o resto da comunidade eticamente fiel ao evangelho de Jesus. Por que se interessariam pelas questões discutidas aqui, num tempo em que a fé e a ganância se confundem?

Derval Dasilio, é pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil.
Fonte: [ Ultimato
]
.

Verdade ou Unidade: qual é mais importante?

.
Por Wilson Porte Jr.

Verdade ou Unidade. Se você tivesse de optar entre a Verdade e a unidade no seio da Igreja de Deus, por qual você optaria? Você ama mais a Verdade ou a Unidade? É óbvio que ambas são importantes e que, quando vivenciadas na mesma igreja local, que isso é o ideal. Todavia, em um tempo quando a Igreja de Deus se encontra dividida por muitas ‘vozes’, ‘visões’, e ‘novas revelações’, torna-se necessário que nos questionemos: manter-nos unidos, mesmo sabendo que há mentira sendo pregada entre o nosso povo, ou manter-nos na Verdade, mesmo que essa custe o rompimento entre nós e pessoas que amamos?

Inacreditavelmente, a maioria tem optado pela unidade. A Verdade tem deixado de ocupar o lugar mais importante na Igreja de Deus. Não há mais uma luta pela Verdade, mas um discurso pagão em favor da unidade e do politicamente correto. Por quê? Porque deixamos de pregar o que é e quem é A Verdade!

Não podemos nos esquecer de que Jesus Cristo é a Verdade (Jo 14.6). Não há outra! Ele é, e tudo o mais, para ser verdadeiro também, deve estar nEle ou proceder dEle. Nesta batalha pela Verdade, nós só temos dois lados: ou você está com ela ou não. Ainda que uma espada tenha que ser colocada entre você e pessoas que você sinceramente ama, que você nunca deixe a Verdade!

Se você questionasse os membros de sua igreja quanto ao que é mais importante, o que eles responderiam: A Verdade ou a Unidade na igreja?

John MacArthur, em seu livro A Guerra pela verdade, descreve como esta está, agora mesmo, sob ataque. “Muita coisa está em jogo”, como diz Albert Mohler, sobre o livro de MacArthur. A mentira e a tolerância têm vindo de forma veloz sobre o povo de Deus, e este tem dado as boas-vindas para aquelas. O povo de Deus está em perigo! Muitos escolhidos têm sido enganados. E o que faremos? Deixaremos de falar a Verdade em amor? Deixaremos de pregá-la? Deixaremos de mencionar o nome daqueles que têm-na pervertido? Não! Devemos fazer como o Apóstolo Paulo em 2Tm 4.10,14; 1Tm 1.19-20; 2Tm 2.16-18 e Gl 2.9-11, dando nome aos responsáveis pelo veneno que tem, falsamente, alimentado muitos que amam sinceramente a Verdade.

MacArthur, em um debate no programa Larry King Live, da rede americana CNN, diz que vivemos atualmente uma guerra, e não uma briguinha, mas uma grande guerra “pela integridade, pela autoridade, pela veracidade, pela inerrância e pela inspiração da Bíblia”, diz MacArthur (veja o vídeo aqui).

A grande falácia de nosso tempo é que ‘não há verdade’, ‘tudo é relativo’ (como se essa afirmação já não fosse um absoluto) – cada um tem a sua própria verdade, e ninguém deve ficar julgando o outro. De fato, Jesus Cristo nos exortou a não julgarmos as motivações do coração de ninguém, pois somente Deus as conhece perfeitamente. Mas, em nenhum momento a Bíblia nos exorta a não julgarmos as palavras e atos públicos desse alguém, principalmente se essa pessoa estiver falando em nome de Deus.

Não se trata de odiar ninguém, pois “se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso” (1Jo 4.20). Trata-se de amarmos a Verdade, sincera e profundamente. Trata-se de amarmos a Deus sobre todas as coisas (ideologias, achismos, tradicionalismos, usos e costumes, líderes, etc.).

Que Deus tenha misericórdia de Sua igreja em nossa nação. Que Deus nos envie um genuíno avivamento espiritual, a fim de que possamos amar mais a Verdade, orar mais à Verdade, ler e pregar mais a Verdade: à Jesus Cristo, a própria Verdade que nos salva de toda mentira, veneno e engodo dos falsos mestres.

Fonte: [ Blog Fiel ]
.

Uma entrevista com Martyn-Lloyd Jones

.
Muitos já leram ou ouviram falar do Doutor David Martyn lloyd-Jones, ou simplesmente, Doutor. Todo pastor que preza a pregação pura da Palavra de Deus, deve ou deveria ter e ler os livros do doutor. Ele foi o pastor na Capela (não a Abadia) de Westminster até a sua aposentadoria. Ele era e continua sendo considerado o maior pregador do nosso tempo. Um verdadeiro expositor das Escrituras. O doutor Foi convocado à presença do seu Salvador em 1981, mas o seu legado permanece inalterado e conquista a cada dia, novos admiradores dos seus livros.

Em um raro vídeo, o doutor é entrevistado em um programa de televisão, e o que fica marcado nesta entrevista, é a sua simplicidade e humildade ao responder a pergunta feita a respeito dele ser um grande pregador da Palavra de Deus.
Este é um documento que vale a pena assistir e guardar.



Fonte: [ Soberana Graça ]

Um raríssimo registro deste excelente pregador. Aqui no Blog Bereianos você poderá ler vários artigos do mesmo. Para visualiza-los, clique aqui!
..

Você é um ministro Hupereta?

.
Que os homens nos considerem como ministros de Cristo... 1Co 4:1

Por: Clovis Gonçalves

Parece que todos desejam ser reconhecidos como ministros. Até
ministro de louvor inventaram, para que o que canta não seja apenas músico, cantor ou adorador, mas "ministro", e por conta disso, digno de reconhecimento. Numa leitura rápida do texto em epígrafe parece que estão seguindo o exemplo de Paulo em suas reinvidicações, pois ao que tudo indica ele está exigindo que "os homens nos considerem como ministros de Cristo". Será?
Primeiro, devemos considerar o termo usado por Paulo para "ministro". A palavra grega usada é hupereta. A palavrinha esquisita significa, literalmente, "remador inferior" ou "remador subordinado". É um termo de origem militar que servia para distinguir, numa embarcação de guerra, o soldado dos que ficavam no andar de baixo, remando sob o comando de um líder, ao som de um tambor. A ideia, pois, não é de alguém à frente ou acima de outros, mas ao contrário, de pessoas que fazem um trabalho invisível, num nível inferior aos demais tripulantes. Sendo Corinto uma cidade portuária, o termo era bem conhecido dos leitores originais de Paulo.
Tendo compreendido o significado do termo, podemos considerar o motivo pelo qual Paulo o escolheu (ele tinha outras opções, como doulos, diakonos, therapon, etc.). Em suas próprias palavras, ele explica: "apliquei estas coisas, por semelhança, a mim e a Apolo, por amor de vós; para que em nós aprendais a não ir além do que está escrito, não vos ensoberbecendo a favor de um contra outro" (1Co 4:6). Prossegue o apóstolo em sua repreensão dizendo "quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido" (1Co 4:7).
Os crentes de Corinto pareciam muito senhores de si mesmos, julgando-se melhores que os outros. "Já estais fartos! já estais ricos! sem nós reinais!" (1Co 4:8) foram as palavras duras de Paulo para os membros daquela igreja. Para mostrar o absurdo do orgulho deles é que o apóstolo escolhe um termo que indica uma posição servil e não de destaque. A indireta paulina fica explícita quando ele diz "Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós vis" (1Co 4:10). Ao invés de gritar palavras de ordem diante das pessoas, o ministério de Paulo consistia de trabalho servil: "E nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos" (1Co 4:12).
Charlton Heston como hupereta no filme Ben Hur

A esta altura, fica claro que a idéia que Paulo fazia de ministério vai muito longe da idéia moderna. Ao pretender ser reconhecido como ministro de Cristo, Paulo esperava que os homens o vissem não sob o brilho de palco, mas no andar inferior e mal iluminado de um navio. Ao invés de estar "fazendo ministração durante o louvor", ele se via como um remador subordinado ao ritmo monótono de comando "remem, remem, remem". Em vez de comandar o exército de Deus, ele se colocava num nível abaixo até mesmo do recruta menos qualificado. E queria ser reconhecido pelos demais tripulantes como pertencendo a essa classe inferior.
Será que Paulo estava apenas fazendo um discurso com o fim de chocar seus leitores, mas que na realidade ele considerava que sua condição de ministro de Cristo o posicionava acima de outros irmãos? Não é o caso, uma vez que ele declara "porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos homens" (1Co 4:9) e "até ao presente temos chegado a ser como o lixo deste mundo, e como a escória de todo" (1Co 4:13). Se um apóstolo é visto assim, que dizer de um ministro moderno?
Será que os que buscam ser reconhecidos como ministros disso ou daquilo, estão dispostos a descer ao andar de baixo? Estariam dispostos a ser reconhecidos, não como a elite do culto ou da igreja, mas como aqueles aos quais o Senhor escolheu para humilhá-los para o bem da igreja? Somente os que assumem a posição de servos e não de senhores da igreja, que trocam o estrelismo pelo serviço anônimo e desinteressado é que são, de fato, ministros de Cristo.
Soli Deo Gloria

Fonte: [ Cinco Solas ]
.

O Esforço do Legalismo e o Amor

.
Quem ama se alegra na alegria da pessoa amada.

Por John Piper

Em 2Coríntios 1.23-2.4, Paulo escreve sobre uma visita que não fez e uma carta penosa que teve de enviar. Ele explica os sentimentos mais profundos do seu coração com tudo isso:

Eu, porém, por minha vida, tomo a Deus por testemunha de que, para vos poupar, não tornei ainda a Corinto; não que tenhamos domínio sobre a vossa fé, mas porque somos cooperadores de vossa alegria; porquanto, pela fé, já estais firmados. Isto deliberei por mim mesmo: não voltarei a encontrar-me convosco em tristeza. Porque, se eu vos entristeço, quem me alegrará, senão aquele que está entristecido por mim mesmo? E isto escrevi para que, quando for, não tenha tristeza da parte daqueles que deveriam alegrar-me, confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa. Porque, no meio de muitos sofrimentos e angústias de coração, vos escrevi, com muitas lágrimas, não para que ficásseis entristecidos, mas para que conhecêsseis o amor que vos consagro em grande medida.

Observe como o fato de Paulo buscar a alegria deles e a sua própria tem relação com o amor. No v. 2 ele dá a razão por que não fez outra visita dolorosa a Corinto: "Porque, se eu vos entristeço, quem me alegrará, senão aquele que está entristecido por mim mesmo?" Em outras palavras, a motivação de Paulo aqui é preservar a sua própria alegria. Ele está dizendo: "Se eu destruir a alegria de vocês, a minha também se destruirá. Por quê? Porque a alegria deles é exatamente o que lhe dá alegria!

Em 2Coríntios 1.24 fica claro que a alegria que está em vista é a alegria da fé. É a alegria de conhecer e descansar na graça de Deus — a mesma alegria que levou os macedônios a serem generosos (2Co 8.1-3). Quando essa alegria existe em abundância em seus convertidos, Paulo sente grande alegria pessoalmente. E ele lhes diz sem constrangimento que a razão por que não quer roubar-lhes a alegria é que isso o privaria da alegria dele. É assim que fala um cristão que busca o prazer.

No v. 3 Paulo diz a razão por que lhes enviou uma carta penosa: "Isto escrevi para que, quando for, não tenha tristeza da parte daqueles que deveriam alegrar-me, confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa". Aqui sua motivação é a mesma, exceto num ponto. Ele diz que não queria ser entristecido. Ele quer alegria, não sofrimento. Ele é um cristão que busca o prazer! Mas aqui ele vai um passo além do v. 2. Ele diz que a razão por que quer alegria e não sofrimento é que tem confiança de que a alegria dele também é a deles: "Confiando em todos vós de que a minha alegria é também a vossa".

Portanto, o v. 3 é o inverso do v. 2. No v. 2 ele afirma que a alegria deles é também a sua; isto é, quando eles estão alegres ele se sente feliz com a alegria deles. E no v. 3 ele afirma que a sua alegria é a alegria deles; isto é, quando ele está feliz eles se sentem felizes com a alegria dele. Depois, o v. 4 torna a relação com o amor explícita. Ele diz que a razão por que lhes escreveu foi "para que conhecêsseis o amor que vos consagro em grande medida". Então, o que é amor? O amor existe em abundância entre nós quando a sua alegria é minha e a minha alegria é sua. Não estou amando apenas porque busco sua alegria, mas porque a busco como minha.

Digamos que eu fale a um dos meus filhos: "Seja bonzinho com seu irmão, ajude-o a arrumar o quarto, tente fazê-lo sentir-se contente, não infeliz". Como seria se ele ajudasse a limpar o quarto, mas resmungasse o tempo todo e transpirasse descontentamento? Haveria virtude em seu esforço? Não muito. O que está errado é que a felicidade do seu irmão não é a sua. Ao ajudar seu irmão, ele não está buscando sua própria alegria na felicidade do seu irmão. Ele não está agindo como um cristão que vive para o prazer. Seu esforço não é o esforço do amor. É o esforço do legalismo — ele age por mera obrigação, para não ser castigado.

Fonte: [ O Cristão Hedonista ]
Via: [ Ministério Batista Beréia ]

.

Nem tudo que dá certo é certo

.
Autor: Renato Vargens

Volta e meia eu sou abordado por algumas pessoas que afirmam que o fato das coisas estarem "dando certo" em determinadas igrejas aponta para a aprovação de Deus em seus Ministérios. Geralmente elas dizem, veja só quantas pessoas estão frequentando os cultos, são milhares de incrédulos que diariamente se dirigem as reuniões "evangelísticas!" Que maravilha! Que se dane os métodos, o que importa é que a igreja está cheia.

Caro leitor, por favor pare e pense? O fato das coisas aparentemente darem certas não significa dizer que estejam certas. Medir a eficácia de uma igreja pelo número de pessoas que a frequenta é no mínimo perigoso, mesmo porque, a aglomeração do ponto de vista bíblico não aponta necessariamente para a aprovação de Deus. Na verdade, as vezes tenho a impressão que um dos nossos principais problemas é ter gente demais! Lamentavelmente os cultos evangélicos estão cada mais cheios de pessoas desejosas em receber as bênçãos de Deus e cada vez mais vazios de pessoas dispostas a se tornarem discipulos de Cristo.

Em 19 de junho de 1969, em sermão pregado no Madison Square Garden, em Nova York, o famoso pastor norte-americano Billy Grahan declarou: “O que precisamos nos Estados unidos é nos desfazermos de muita gente que temos na igreja. Creio que poderíamos fazer muito melhor trabalho se fôssemos discípulos dedicados e disciplinados como havia na igreja primitiva. É preciso ter disciplina para levantar uma hora mais cedo para estudar a bíblia. É preciso ter disciplina para desligar a televisão à noite uma hora mais cedo para gastá-la em oração. Julgo ser uma boa coisa o fato de os cristãos se tornarem minoria. Foi assim que a Igreja primitiva virou o mundo de cabeça para baixo. Creio que temos sido numerosos demais. Temos nos estorvado uns aos outros e não temos tido disciplina e dedicação. O que precisamos é de uma minoria dedicada para transformar este país e o mundo.”

Ao fazer esta declaração Billy Grahan o faz num contexto onde a maioria da população norte-americana considerava-se protestante. Isto porque, nos cultos dominicais os templos estavam cheios e repletos de pessoas, as quais religiosamente “prestavam seu culto a Deus.” Hoje no Brasil, a maioria não é evangélica, no entanto, percebe-se a olhos vistos que o número daqueles que se consideram evangélicos é a cada dia mais elevado. Entretanto, sou obrigado a confessar que boa parte destes que freqüentam os nossos cultos não tiveram uma genuína experiência de conversão. Na verdade, tais pessoas, movidas por um misticismo exacerbado, além de uma fé fundamentada no hedonismo, procuram em Deus as bênçãos que tanto necessitam.

Em alguns lugares deste imenso país ser crente virou moda. Isto porque, artistas, modelos e jogadores de futebol, além de socialites e emergentes, descobriram na fé cristã um tipo de amuleto pelo qual podem ser protegidos da inveja e do mal.

Infelizmente, disciplina, oração e santidade não fazem parte da práxis de vida de muitos, aliás, para estes, Deus não passa de um galardoador, ou interventor, o qual mediante as orações determinantes submete-se a vontade de seus filhos atendendo todos os seus “decretos” instantaneamente.

Isto posto, pergunto: Será que no Brasil não estamos com “crentes demais”? Será que os escândalos que tem tomado por assalto os nossos jornais, continuariam a acontecer se tivéssemos em nossos templos menos pessoas e mais gente compromissada com o reino? Acredito que o “evangelho” que temos pregado tem contribuído para a inchação de nossas congregações, levando-nos a impressão de que este evangelho fashion é que faz a diferença no mundo em que vivemos.

Caro leitor, a igreja brasileira necessita voltar a Palavra, redescobrir o quarto de oração, viver de forma santa, não negociando JAMAIS os valores do reino.

Pense nisso!

Fonte: [ Blog do autor ]
.

Calvinista, graças a Deus!

.
Por Leonardo Gonçalves

Calvinismo é o nome que popularmente se dá à formulação teológica que se preocupa por enfatizar a glória de Deus e sua soberania sobre os assuntos humanos em toda a sistemática doutrinária. Recebe este nome por causa do reformador francês João Calvino, o primeiro grande sistematizador da teologia cristã protestante. O que muitos ignoram, no entanto, é que Calvino não foi o “inventor” do calvinismo. A doutrina que envolve a soberania de Deus sobre os assuntos humanos, a predestinação do homem para a salvação e, conseqüentemente, para a condenação, a total pecaminosidade do homem não-regenerado que o impede de dar qualquer passo em direção a Deus, a negação do livre-arbítrio como fator soteriológico, tudo isso já era pregado por Lutero e os outros reformadores. Esta doutrina também era ensinada pelos pais primitivos, e muito especialmente nos escritos de Agostinho, bispo de Hipona, depois canonizado pela igreja católica. Enfim, a doutrina calvinista sempre existiu, embora com outros nomes, porque ela é bíblica e encontra suas bases mais sólidas nas sublimes afirmações de Jesus e do apóstolo Paulo.

Tal é a superioridade e o bibliocentrismo da teologia calvinista, que o grande pregador Charles Spurgeon chegou a afirmar que “calvinismo é apenas outro nome para evangelho”. De fato, nenhuma teologia posterior a ela conseguiu superá-la no que diz respeito à fidelidade doutrinária. Não é por casualidade que ela era crida e ensinada por grandes mentes do protestantismo, tais como Jonathan Edwards, Charles Haddon Spurgeon, e por célebres missionários como William Carey e Hudson Taylor. Ao longo dos anos a doutrina calvinista foi questionada, primeiro por James Armínio e seus discípulos, e ainda hoje é atacada por muitos, entre os quais se encontram principalmente os arminianos, os teólogos relacionais e liberais, mas jamais houve um momento da história eclesiástica esta doutrina deixou de ser crida e pregada.

Ainda me lembro do primeiro debate que tive com um calvinista. Naquela época eu tinha recém saído de um seminário pentecostal, onde havia sido bem instruído no arminianismo. Lá tinham me ensinado (sutilmente) que o calvinismo é uma grave heresia e uma desculpa para viver uma vida sem santidade ou temor. Lembro daqueles acalorados debates, dos quais eu sempre saia cheio de dúvidas (Dúvidas que pouco a pouco foram se convertendo em certezas opostas àquelas que eu tinha sustentado naqueles primeiros anos). Jamais me esquecerei do dia em que este amigo e debatedor me emprestou um exemplar em espanhol da “Carta de João Calvino ao Rei da França: Instituição da Igreja Cristã” . Que experiência maravilhosa ler aquele livro! Somente um livro despertou em mim mais prazer e curiosidade que aquele; a Bíblia Sagrada, no qual aquele volume estava respaldado.

Após isso voltei ao Brasil. Na viagem, eu lutava contra aquela “nova crença” que estava querendo brotar no meu coração. Ao chegar, me matriculei no curso de mestrado em teologia (livre). Para obter o título, escrevi uma tese de 200 páginas sobre aquilo que os filósofos chamam de “o problema do mal”. Em resumo, a tese se baseava no livre-arbítrio do homem, e era uma negação disfarçada do calvinismo, a grave heresia da qual me apaixonei na minha primeira estadia no país dos Incas. O problema é que quanto mais eu buscava pelo livre arbítrio, mas eu encontrava o designo de Deus. Terminei a dissertação, me graduei, mas o coração estava apertado, pois era a primeira vez que eu defendia uma crença incompatível com as minhas convicções.

Foi então que me falaram de um livro fantástico: “Eleitos, mas Livres”, do renomado apologista cristão Norman Geisler. Aparentemente, era tudo o que eu precisava naquele momento: Um argumento que conciliasse a liberdade humana absoluta e a eleição de Deus, cujo proponente era um dos maiores apologetas da atualidade. Mas a leitura deste livro foi um placebo, e seu efeito durou apenas alguns meses. Nessa época eu ensinava teologia sistemática no seminário da minha igreja, e pela primeira vez ensinei o calvinismo e o arminianismo ao mesmo tempo, incluindo no final da exposição aquilo que eu chamava de “cosmovisao conciliadora”. Que fiasco! Mais fácil me teria sido conciliar água e óleo.

Durante a leitura de “Eleitos, mas livres”, tive grande curiosidade de conhecer mais sobre o R.C. Sproul e o tal livro “Eleitos de Deus”, a quem Norman Geisler aparentemente refutava. Na verdade, a leitura daquele livro se impunha como uma questão de justiça: Eu precisava dar uma oportunidade também ao R.C. e o seu livro antes de tirar minhas conclusões. Até então, tudo o que eu tinha deste autor era um pequeno livro chamado “Filosofia para Iniciantes”, que ocupava um lugar secundário na minha parca biblioteca. Pois bem; bastou iniciar a leitura para o meu pesadelo recomeçar, porém agora o efeito que esta crença teria sobre mim seria decisivo. Acabei a leitura perplexo do “biblismo” do autor, o qual diferente de Norman Geisler, não apelava todo tempo para silogismos da razão humana, mas sempre recorria ao texto bíblico para elucidar suas questões. Ao terminar a leitura, eu estava “quase calvinista”.

Neste ponto, decidi trilhar meu próprio caminho. Separei um tempo para estudar sistematicamente a carta de Paulo aos Romanos, o maior tratado soteriológico já escrito. Decidi esvaziar ao máximo dos meus pressupostos, a fim de encarar o texto bíblico e as implicações a que ele me levasse. Em oração, passeei pelos primeiros capítulos e fiquei assombrado diante da total incapacidade humana. A frase “não há quem busque a Deus” ficou ecoando no meu coração durante muitos dias. Ali eu me vi morto em pecado, incapaz de buscar ao meu Senhor por mim mesmo, ou pelo meu livre arbítrio. Que terrível destruição causou o pecado! Os capítulos seguintes me conscientizaram da oferta gratuita de Deus, a salvação, a qual – agora eu entendia – era um bem eterno e irrevogável. Segui em meu estudo por alguns dias, e encontrei finalmente a visão da soberania de Deus, tanto sobre o destino das nações, quanto sobre os indivíduos. Um oleiro que tem absoluto poder sobre os vasos, inclusive para fazer uns para honra e exercer sobre eles misericórdia justa (estribada na justiça de Cristo); como para fazer outros para desonra e ira, e demonstrar sobre eles sua justiça penalizadora (estribada na sua santidade). Finalmente, entendi que “não depende de quem corre, mas de Deus que tem misericórdia”.

Após esta leitura fiz uma busca por toda bíblia, a qual sempre me dirigia a esta mesma verdade: A de que o homem nada pode fazer pela sua salvação, de que Deus os chama como um ato soberano e glorioso e de que o “livre-arbítrio” está dominado por uma perversa natureza que é incapaz de exercer impulso soteriológico positivo. Permanece, no entanto, alguns questionamentos de outrora. Na verdade, depois de algum tempo me dei conta de que algumas questões realmente não possuem explicação lógica. Entendi que o paradoxo é essencial ao cristianismo, uma vez que o cristianismo é um ato de fé. Mas não busco justificar a Deus por punir o pecado com um inferno eterno, tal como muitos pretensos apologistas fazem. Apenas repito ao meu coração que as ações de Deus são justas (como de fato, são) e toco o meu barco. Reconheço que o calvinismo, à principio, é uma doutrina amarga, principalmente para aqueles que foram instruídos no “melhor” do arminianismo e do pentecostalismo. No entanto, não me convém modificar uma doutrina bíblica apenas pelo sabor que ela proporciona ao meu paladar. Nem os meus gostos, nem meus preconceitos ou mesmo a minha justiça humana pode definir uma doutrina bíblica. “À lei e ao testemunho!”. Sola Scriptura!

Reconheço que meu calvinismo carece de mais robustez. No entanto, o conhecimento que hoje tenho dele não traz mais nenhum sabor amargo. Graças ao “calvinismo” (leia-se: sistematização do evangelho de Jesus), pude finalmente descansar na graça de Deus. Não fiquei mais pecador por isso. Não evangelizo menos depois que entendi que a salvação está ligada a uma eleição feita na eternidade. Não oro menos depois que descobri que “estou salvo para sempre”. Antes, a segurança da salvação me faz imensamente grato, e é esta gratidão e amor que me oferecem combustível para uma vida de temor e piedade. Desde que atribuí toda a glória a Deus por minha salvação, não confiando mais na “obra do meu arbítrio”, passei a ser mais humilde, pois entendi que tudo, absolutamente tudo de bom, é um presente de Deus.

Entendo que Deus tem interesse que seus filhos conheçam a verdade sobre a sua salvação, e que por isso ele mesmo me guiou neste processo. E cada vez que alguém questiona: “Você é calvinista?”, respondo com alegria: “Sou calvinista, GRAÇAS A DEUS”. Sim, graças a Deus!

Soli Deo Gloria.

***
Piura, Verão de 2011

Fonte: [ Blog do Pastor ]
.