Argumentos para provar a perseverança dos santos



Por Thomas Watson


Provamos por meio “da verdade de Deus”. Deus tanto declarou quanto prometeu.

a. A verdade de Deus

i. Em sua Palavra Deus declarou: “o que permanece nele (no regenerado) é a divina semente” (lJo 3.9), “a unção que dele recebestes permanece em vós” (1Jo 2.27).

ii. Em sua Palavra Deus prometeu. A verdade de Deus, a pérola mais ao oriente de sua coroa, é penhorada na promessa. “Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão” (Jo 10.28), “Farei com eles aliança eterna, segundo a qual não deixarei de lhes fazer o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim” (Jr 32.40). Deus ama tanto seu povo que não o abandonará, eles o temerão tanto que não o abandonarão. Se um crente não perseverar, Deus quebrará sua promessa. “Desposar-te-ei comigo para sempre; desposar-te-ei comigo em justiça, e em juízo, e em benignidade, e em misericórdias” (Os 2.19). Deus não desposa seu povo e depois se divorcia dele, ele odeia o repúdio (Ml 2.16). O amor de Deus aperta o laço de união conjugal tão fortemente que nem a morte nem o inferno podem rompê-lo.

b. O poder de Deus

O segundo argumento é o poder de Deus. O texto diz: “Sois guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para a salvação” (1 Pe 1.5). Cada pessoa da Trindade tem uma participação em fazer o crente perseverar. Deus, o Pai, estabelece (2Co 1.21), Deus, o Filho, confirma (1 Co 1.8), Deus, o Espírito Santo, sela (Ef 1.13). Assim, esse é o poder de Deus que nos guarda. Não somos guardados pelo nosso próprio poder.

Os pelagianos defendiam que uma pessoa, pelo próprio poder, venceria a tentação e perseveraria. Agostinho se opõe a eles, dizendo: “O homem ora a Deus para perseverar, o que seria absurdo se tivesse poder para perseverar por si próprio. E, se todo o poder fosse depositado no ser de um homem, então, por que um não perseveraria tão bem quanto outro? Por que Judas não perseverou como Pedro?” Logo, não é por nenhum poder que somos guardados, a não ser o poder de Deus. O Senhor guardou Israel para que não perecesse no deserto, até que os conduzisse a Canaã. O mesmo cuidado ele tomará - se não de uma maneira miraculosa, então de uma maneira espiritual ou invisível - para preservar seu povo num estado de graça, até os levar à Canaã celestial. Os pagãos representavam o titã Atlas¹ sustentando os céus para que não caísse. Podemos comparar o poder de Deus a esse Atlas, pois o poder de Deus sustenta os santos para que não caiam. Há uma discussão em tomo da possibilidade de um santo cair da graça como aconteceu com Adão. Mas defendo que a graça, pelo poder de Deus, não pode perecer.

c. O amor eletivo de Deus

O terceiro argumento é tomado do amor eletivo de Deus. Aqueles que Deus elegeu desde toda a eternidade para a glória não podem cair. Todo crente verdadeiro é eleito para a glória, portanto não pode cair da graça. O que pode frustrar a eleição ou fazer o decreto de Deus nulo? Esse argumento é firme como o Monte Sião, que não se abala. Alguns dos papistas defendem que aqueles que têm eleição absoluta não podem cair. “O firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem” (2Tm 2.19). O fundamento de Deus não é nada mais do que o decreto de Deus na eleição, e isso permanece firme. Deus não o alterará e outros não podem fazê-lo.

d. A união do crente com Cristo

O quarto argumento é tomado da união dos crentes com Cristo. Eles estão conectados a Cristo como os membros à cabeça pelos nervos e ligamentos da fé, de maneira que não podem ser separados (Ef 5.23). O que uma vez foi dito do corpo natural de Cristo é também verdade quanto a seu corpo místico: “Nenhum dos seus ossos será quebrado” (Jo 19.36). Assim como não é possível separar o fermento e a massa quando estão misturados e unidos, também é impossível para Cristo e os crentes serem separados, uma vez que foram unidos. Cristo e seus membros formam um corpo. Mas, é possível qualquer parte de Cristo perecer? Como pode Cristo perder qualquer membro de seu corpo místico e ainda continuar perfeito? Em resumo, se um crente for separado de Cristo, então, pela mesma regra, por que outros não? Por que não todos? Então, Cristo seria uma cabeça sem corpo.

e. O valor do resgate do eleito

O quinto argumento é tomado da natureza da compra. Um homem não dará dinheiro por uma compra que será perdida. Cristo morreu para que pudesse comprar seu povo para sempre: “Tendo obtido eterna redenção” (Hb 9.12). Você acha que Cristo teria derramado seu sangue para que pudéssemos crer nele por um período e então cair? Você acha que Cristo perderia sua compra?

f. A vitória do crente sobre o mundo

O sexto argumento é a vitória do crente sobre o mundo. O argumento fica assim: aquele que vence o mundo persevera na graça, um crente vence o mundo, portanto persevera na graça. “Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1 Jo 5.4). Uma pessoa pode perder uma única batalha no campo, contudo vencer no final. Um filho de Deus pode perder uma única batalha contra a tentação, como aconteceu com Pedro, mas ao final ser vitorioso. Para um santo ser coroado vencedor e para o mundo ser conquistado por ele, deve perseverar.

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Nota:
1 - Atlas: Também chamados de Atlante - foi um dos titãs gregos, condenados por Zeus a suster o céu para sempre. Atlas foi o primeiro rei da mítica Atlântica.

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Fonte: WATSON, Thomas. A fé cristã, estudos no Breve Catecismo de Westminster. São Paulo: Cultua Cristã, 2009. p. 323-325


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Sobre o Propósito de Deus

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Por Thomas Watson


1. O Propósito de Deus é a Causa da Salvação

A terceira e última coisa no texto, a qual eu hei de mencionar apenas brevemente, é a base e a origem do nosso chamado eficaz, nestas palavras: “segundo o seu propósito” (Efésios 1.11). Anselmo a traduz como “segundo a sua boa vontade”. Pedro Mártir a lê como “segundo o seu decreto”. O propósito, ou decreto de Deus, é a nascente das nossas bênçãos espirituais. É a causa motora da nossa vocação, justificação, glorificação. É o elo mais alto na cadeia de ouro da salvação. Qual é a razão pela qual um homem é chamado, e outro não? É por causa do eterno propósito de Deus. O decreto de Deus dá a última palavra na salvação do homem.

Devemos então atribuir toda a obra da graça à satisfação da vontade de Deus. Deus não nos escolheu porque nós éramos dignos, mas, ao nos escolher, Ele nos tornou dignos. Homens orgulhosos estão prontos a pensar muito de si mesmos, do fato de serem participantes da natureza divina. Apesar de muitos clamarem contra o sacrilégio na igreja, eles se tornam, entretanto, culpados de um sacrilégio ainda maior, ao roubarem Deus de Sua glória, à medida que põem a coroa da salvação sobre suas próprias cabeças. Mas nós devemos resumir tudo ao propósito de Deus. Os sinais da salvação estão nos santos, mas a causa da salvação está em Deus.

Se é o propósito de Deus que salva, então não é o livre-arbítrio. Ao contrário, os pelagianos são vigorosos defensores do livre-arbítrio. Eles nos dizem que o homem tem um poder inato de efetuar a sua própria conversão; mas este texto confunde-os. O nosso chamado é “segundo o propósito de Deus”. A Escritura extirpa o livre-arbítrio pela raiz. “Não depende de quem quer” (Romanos 9.16). Tudo depende do propósito de Deus. Quando o prisioneiro está encarcerado, não há possibilidade de salvação, a menos que o rei tenha o propósito de salvá-lo. O propósito de Deus é Sua prerrogativa real.

Se é o propósito de Deus que salva, então não é o mérito. Belarmino sustenta que as boas obras expiam o pecado e tornam um homem merecedor da glória; mas o texto diz que nós somos chamados segundo o propósito de Deus, e há ainda uma passagem paralela na Escritura: “Que nos salvou e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça” (2Timóteo 1.9, ARC). Não existe tal coisa como mérito. Nossas melhores obras têm em si tanto imperfeições como infecções, e, por isso mesmo, não são outra coisa senão pecados maquiados. Portanto, se nós somos chamados e justificados, é o propósito de Deus que faz tudo acontecer.

Objeção. Mas os papistas usam a Escritura para defender o mérito: “Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda” (2Timóteo 4.8). Esta é a força do seu argumento: se Deus recompensa as nossas obras em justiça, então elas têm mérito na salvação.

Réplica. A isso respondo: Deus recompensa como justo Juiz, não segundo a dignidade das nossas obras, mas segundo a dignidade de Cristo. Deus nos recompensa como justo Juiz, não porque nós o merecemos, mas porque Ele o prometeu. Deus possui dois tribunais, um tribunal de misericórdia e um tribunal de justiça: o Senhor condena no tribunal de justiça aquelas obras que Ele coroa no tribunal da misericórdia. Portanto, o braço que sustenta a nossa salvação é o propósito de Deus.

Novamente, se o propósito de Deus é a nascente da felicidade, então nós não somos salvos pela presciência da fé. É absurdo pensar que alguma coisa em nós pudesse ter a menor influência em nossa eleição. Alguns dizem que Deus previu que tais pessoas iriam crer e, assim, Ele as escolheu; assim eles fazem com que toda a salvação dependa de algo em nós. Acontece que Deus não nos escolhe por causa da fé, mas para a fé. “Assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos” (Efésios 1.4), não porque nós seríamos santos, mas para que pudéssemos ser santos. Nós somos eleitos para a santidade, não por causa dela. O que Deus poderia antever em nós, senão imundície e rebelião?! Se algum homem há de ser salvo, é segundo o propósito de Deus.

Pergunta. Como podemos saber que Deus tem o propósito de nos salvar?

Resposta. Por meio do chamado eficaz. “Procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição” (2Pedro 1.10). Nós nos certificamos da nossa eleição ao nos certificarmos do nosso chamado. “Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação” (2Tessalonicenses 2.13). Através da correnteza, nós chegamos até a fonte. Se nós encontramos a corrente da santificação fluindo em nossa alma, nós podemos assim chegar à nascente da eleição. Mesmo quando um homem não pode olhar para o firmamento, ainda assim ele pode saber que a lua está lá ao vê-la brilhar sobre as águas. Assim também, embora eu não possa olhar para o segredo do propósito de Deus, ainda assim eu posso saber que sou eleito, ao contemplar o brilho da graça santificadora na minha alma. Se um homem encontra a palavra de Deus transcrita e copiada em seu coração, ele pode de modo inegável concluir a sua eleição.

2. O Propósito de Deus é a Base da Segurança

Eis aqui um elixir poderoso, de indizível conforto para aqueles que são chamados de Deus. A sua salvação descansa sobre o propósito de Deus. “Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: O Senhor conhece os que lhe pertencem. E mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do Senhor” (2Timóteo 2.19). As nossas graças são imperfeitas, nossos confortos vêm e vão, mas o fundamento de Deus permanece firme. Aqueles que são edificados sobre esta pedra do propósito eterno de Deus não precisam ter medo de se desviarem; pois nem o poder do homem nem a violência da tentação jamais poderão derrubá-los.

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Tradução: voltemosaoevangelho.com

Obs: Este artigo foi extraído do livro "A Divine Cordial", publicado originalmente em 1663 pelo puritano Thomas Watson. O blog Voltemos ao Evangelho disponibilizou a tradução na íntegra de todo o livro, veja aqui.
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Fingidores de santidade

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Por Thomas Watson


Aqui se encontra uma afiada repreensão para alguém tal como os cristãos "reluzentes da escória", que somente exibem uma santidade, assim como Mical, que pôs "uma imagem na cama", e assim enganou os mensageiros de Saul (1 Sam. 19:16). Estes a quem o nosso Salvador chamou de "sepulcros caiados (Mt 23:27): sua beleza é toda pintura! Em tempos antigos, a terça parte dos habitantes desta ilha era chamada de "Picts", que significa "pintado". É para se recear que eles ainda retenham seu velho nome. Quantos estão apenas tingidos de vermelho por uma profissão [de fé], que parece lustrar de modo deslumbrante os olhos dos que os contemplam, mas dentro dos quais há só apodrecimento! Os hipócritas são como o cisne, que tem penas brancas, mas cor de pele negra; ou como o lírio, que tem uma cor perfeita, mas um mau perfume. "Tu tens nome de quem vive, e estás morto" (Ap 3:1). A estes o apóstolo Judas compara a "nuvens sem água" (Judas 12). Eles alegam ser cheios do Espírito, mas são nuvens vazias: sua bondade nada mais é do que uma fraude religiosa.

Pergunta: Por que as pessoas, entretanto, contentam-se a si mesmas com uma exibição de santidade? 

Resposta: Isso ajuda para manter-lhes a fama: "honre-me agora diante das pessoas" (1 Sam. 15:30). Os homens ambicionam crédito e desejo de ganhar reputação no mundo, portanto eles se revestirão com o garbo e o modo de religião, para que outros possam lhes intitular de santos. Mas ai! o que há de tão bom para que outros o elogiem, e sua consciência o condenar? Que boa vontade fará um homem quando ele estiver no inferno, enquanto os outros pensam que ele foi para o céu? Oh, cuidado com isso! A falsa piedade é a iniquidade em dobro. 

1. Apenas exibir santidade é um pecado terrível contra Deus

O homem que finge santidade - cujo coração, entretanto, diz que ele tem apenas esse nome - carrega Cristo na sua Bíblia, mas não em seu coração. Um projeto político lhes incita aos caminhos de Deus: ele faz da religião um lacaio para seus interesses carnais. Que é isso a não ser abusar de Deus diante de Sua face, e servir ao diabo com o uniforme de Cristo? A hipocrisia faz a fúria se elevar até a face de Deus; portanto ele chama tais pessoas de "a geração da ira" (Isa. 10:6). Deus lhes enviará ao inferno para que paguem por sua hipocrisia. 

2. Apenas exibir santidade é uma auto-ilusão

Ajax, em seu frenesi, trocou ovelha por homens, mas é um engano pior trocar graça por graça. É trapacear a você mesmo, "enganando as tuas próprias almas" (Tg. 1:22). Aquele que falsifica o ouro em troca do verdadeiro, é mais injusto consigo mesmo. O hipócrita engana a outros enquanto ele vive, mas engana a si mesmo quando morre. 

3. Apenas ter título de, e exibir santidade, é odioso para Deus e para o homem 

O hipócrita nasceu num planeta triste: ele é odiado por todos. Os homens maus o odeiam porque que se exibe, e Deus o odeia porque ele somente se exibe. O mau o odeia porque ele tem algo como uma máscara de santidade, e Deus o odeia porque que ele tem não mais que isso. "Por pouco não me persuades a tornar-me um cristão" (Atos 26:28). O mau odeia o hipócrita porque ele é quase um cristão, e Deus o odeia porque ele é apenas quase um. 

4. Ser apenas como cometas e fazer uma demonstração de piedade é algo vão

Os hipócritas perdem tudo o que têm feito. Suas lágrimas dissimuladas caem ao lado da garrafa de Deus; suas orações e jejuns comprovam seu fracasso. "Quando jejuastes e pranteastes (...) acaso, foi para mim que jejuastes, com efeito, para mim?" (Zac. 7:5). Assim como Deus não recompensará um empregado preguiçoso, de modo algum ele recompensará alguém traiçoeiro. Toda a recompensa dos hipócritas está nesta vida: "Eles já têm sua recompensa" (Mat. 6:5). Uma pobre recompensa - fôlego vazio dos homens. O hipócrita pode fazer seu recibo e escrever, "Recebido e integralmente pago". César Augusto teve grandiosos triunfos a ele concedidos, mas o Senado não permitiu que ele fosse o cônsul, ou assistisse às suas reuniões. Os hipócritas podem ter o louvor de homens, mas embora esse triunfo seja a eles concedido, eles nunca terão o privilégio de se assentar às reuniões do senado do céu. Que aceitação ele pode obter de Deus, cujo coração lhe diz que ele não é melhor do que um trambiqueiro em divindade? 

5. Apenas ter pretensão de santidade não dará nenhum consolo na hora da morte 

O ouro pintado vai enriquecer um homem? O vinho pintado vai refrescar que está com sede? A pintura de santidade vai levantar você de alguma maneira? Como poderiam as virgens insensatas melhorarem suas "preciosas lâmpadas", quando elas não tinham óleo? Que é a lâmpada de uma profissão [de fé] sem o óleo da graça? Aquele que tem apenas uma santidade pintada terá uma felicidade pintada. 

6. Você, que não tem nada além de um pretexto plausível e de uma máscara de piedade, expõe a si mesmo ao desprezo de Satanás 

Você será trazido para a frente no último dia, como Sansão foi, para fazer a diversão do diabo (Juizes 16:25). Ele dirá: "O que aconteceu com teus votos, tuas lágrimas, tuas confissões? Tem toda tua religião algo a ver com isto? Você, que muitas vezes se opôs ao diabo, agora vem para morar comigo? Você não poderia portar alguma arma para se matar, mas o que foi feito com o metal do evangelho? Você poderia não ter sorvido veneno num lugar qualquer, a não ser fora dos mandamentos? Você não poderia ter achado algum caminho para o inferno, a não ser por parecer justo?" Que vexame será o diabo repreender um homem de tal maneira! É triste ser clamado assim nesta vida. Cleópatra, Rainha do Egito, quando viu que estava reservada pelo inimigo para ser um triunfo, colocou áspides em seus seios e morreu, para que pudesse evitar a infâmia. Que será, então, o triunfo do diabo sobre o homem, no último dia? 

Deixe-nos, portanto, prestar atenção a essa espécie de pompa ou de jogo de devoção. Aquilo que pode nos fazer tremer ao máximo nossos corações é quando defrontamos altos cedros na igreja carcomida pela hipocrisia. Balaão - um profeta, Jeú - um rei, Judas - um apóstolo: todos levantaram para esse dia o registro de hipócritas. 

É verdade que há as sementes desse pecado nos melhores, mas assim como foi com a lepra sob a lei, todo aquele que tiver inchações ou manchas na pele da carne supostamente não está limpo, e será posto para fora do campo (Lev. 13:6); assim, todo aquele que tem em si a inchação da hipocrisia não serão julgados hipócritas, pois estas podem ser as manchas dos filhos de Deus (Deut. 32:5). O que distingue, entretanto, um hipócrita é quando a hipocrisia é predominante e é como fluido espalhado no corpo. 

Pergunta: Quando um homem está sob o domínio e sob a força da hipocrisia? 

Resposta: Há dois sinais de sua predominância: 

Um olho estrábico, quando se serve de Deus para fins sinistros. 

Um olho são, quando há algum pecado precioso para alguém, ao qual ele não pode ceder.

Esses dois são sinais tão evidentes de um hipócrita quanto eu possa conceber. 

Eia, deixe-nos tomar a vela e a lanterna de Davi, procurar por este fermento, e torná-lo evidente diante do Senhor. 

Cristão, se você está morno para a hipocrisia, ache agora esse pecado tão potente, que você não pode dominar, e vá para Cristo. Clame para que ele exerça seu trabalho soberano na tua alma, que ele vai subjugar este pecado, e o colocará debaixo de seu jugo. Clame a Cristo para exercitar sua cirurgia espiritual sobre você. Queira que ele lancete o teu coração e corte a carne podre, que ele aplicará o remédio de seu sangue para curar você da tua hipocrisia. Faça aquela oração de Davi muitas vezes: "Seja o meu coração irrepreensível nos teus decretos" (Sal. 119:80). "Senhor, deixe-me ser qualquer coisa exceto um hipócrita." Dois corações excluirão um céu.

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Traduzido por Cleber Olympio, conforme original publicado em http://www.graceonlinelibrary.org/christian-living/full.asp?ID=713

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Quais são as falsificações da santificação?

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Por: Thomas Watson

Há coisas que parecem santificação, mas não são.

a. A primeira imitação da santificação é a virtude moral

Ser justo, temperante, de bom comportamento, não ter a fama manchada com um escândalo vergonhoso é bom, mas não é o suficiente, não é santificação. Um campo florido é diferente de um jardim. Pagãos se apegaram à moralidade, como Catão, Sócrates e Aristides.A boa educação é somente uma natureza refinada, não há nada de Cristo nela, o coração pode ser impuro e abominável. Debaixo dessas folhas de boa educação, o verme da descrença pode estar escondido. Uma pessoa virtuosa tem uma antipatia secreta contra a graça, odeia o vício e também a graça tanto quanto o vício. A serpente tem uma bela cor, mas pica. Uma pessoa enfeitada e alimentada com uma virtude moral pode ter um afeto secreto contra a santidade. Os estóicos, que eram os principais pagãos moralistas, foram os inimigos implacáveis de Paulo (At 17.18).

b. A segunda imitação da santificação é a devoção supersticiosa

Isso é abundante no papado. As adorações, as imagens, os altares, as vestimentas e a água benta, coisas que eu entendo como frenesi religioso, e que estão longe da santificação. Nada disso acrescenta nenhum bem intrínseco ao homem, não faz o homem melhor. Se as purificações e as lavagens da lei, que eram orientações do próprio Deus, não fizeram daqueles que as praticaram mais santos, e os sacerdotes que vestiram vestimentas santas e tiveram óleo derramado sobre si só eram santos com a unção do Espírito, então, certamente, as inovações supersticiosas na religião, que Deus nunca orientou, não podem contribuir para qualquer santidade dos homens. Uma santidade supersticiosa não custa muito, não há nada do coração nela. Se santidade fosse dizer orações com uso de um rosário, curvar-se diante de uma imagem, benzer-se com água benta, e tudo aquilo que é requerido daqueles que crêem nessas coisas para salvação, então o inferno estaria vazio, ninguém entraria lá.

c. A terceira imitação da santificação é a hipocrisia

Hipocrisia é fingir uma santidade que se não tem. Assim como um cometa pode brilhar e se parecer com uma estrela ou como um lustre pode brilhar em seu lugar a tal ponto de ofuscar os olhos dos que o contemplam. "Tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder" (2Tm 3.5). São lâmpadas sem óleo, sepulcros caiados como os templos egípcios que eram bonitos do lado de fora, mas dentro havia todo tipo de podridão. O apóstolo fala da santidade verdadeira em Efésios 4.24, implicando que há uma santidade que é espúria e fingida. "Tens nome de que vives e estás morto" (Ap 3.1), são como quadros e estátuas destituídas de um princípio vital: "Nuvens sem água" (Jd 12). Fingem estar cheios do Espírito, mas são nuvens vazias. Isso mostra a santificação como uma auto-alucinação. Quem pega o cobre no lugar do ouro engana a si mesmo. Os santos mais falsos enganam os outros enquanto vivem, mas enganam a si mesmos quando morrem. Fingir a santidade quando não há nenhuma é uma coisa vã. Que vantagens levaram as virgens néscias que tinham lâmpadas fulgurantes quando precisaram de azeite? Qual é a utilidade de uma lâmpada sem o azeite da graça salvadora? Que consolo uma demonstração de santidade trará no final? Será que algo pintado com a cor de ouro pode enriquecer? A pintura de água pode refrescar aquele que está com sede? Ou a santidade imaginária será um sofrimento na hora da morte? Não se deve acomodar com uma pretensa santificação. Muitos navios que tinham o nome de Esperança, Triunfo e Vigilante foram lançados contra as rochas, assim, muitos que tiveram o nome de santos foram lançados no inferno.

d. A quarta imitação da santificação é a graça suprimida

Isso acontece quando os homens se abstêm do vício, embora não o odeiem. O lema de um pecador pode ser assim: "Eu estaria disposto, mas não tenho coragem". O cão só pensa no osso, mas tem medo do bastão, assim os homens têm a mente para a luxúria, mas suas consciências se posicionam como aquele anjo com uma espada flamejante e, assim, ela os amedronta: eles têm a mente para a vingança, mas o medo do inferno é como um freio de cavalo que os adverte. Não há mudança de coração, o pecado é freado, mas não exterminado. Um leão pode estar enjaulado, mas ainda é um leão.

e. A quinta falsificação da santificação é a graça comum

É uma obra tênue e passageira do Espírito, mas que não ajuda na conversão. Há um pouco de luz em um julgamento, mas não o é para a humilhação pessoal. Alguns têm peso na consciência, mas não acordam.

Parece santificação, mas não é. Os homens têm as convicções formadas neles, mas abrem mão dessa convicção, como o animal que, ao ser flechado, livra-se da flecha. Depois da convicção, os homens vão à casa da alegria, pegam a harpa para expulsar o espírito de tristeza e tudo morre e não se chega a nada.

Fonte: [ Josemar Bessa ]
Via: [ Armando Marcos ]

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O último sermão

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Nascido em 1620, Thomas Watson estudou em Cambridge (Inglaterra). Em 1646, iniciou um pastorado de dezesseis anos em Londres. Entre suas principais obras, estão o seu famoso Body of Pratical Divinity (Compêndio de Teologia Prática), publicado postumamente em 1692.

A 24 de agosto de 1662, dois mil ministros puritanos do evangelho foram excluídos de seus púlpitos, tendo recebido a ordem de não mais pregarem em público. O Ato de Uniformidade, baixado pelo parlamento inglês, conhecido pelos evangélicos como a Grande Ejeção, pairava por sobre a Inglaterra como uma nuvem espessa. Muitos líderes eclesiásticos da Igreja Anglicana, a religião oficial, estavam forçando os puritanos a cessarem suas prédicas ou a se moldarem à adoração litúrgica decretada por lei. Muitos ministros preferiam o silêncio à transigência.

Com olhos marejados de lágrimas, milhares de crentes humildes ouviram seu último sermão no domingo imediatamente anterior à data em que o Ato se tornaria lei. E, naquele último domingo de liberdade, os ministros puritanos provavelmente pregaram os seus melhores sermões.

O sermão que passamos a transcrever, de modo um tanto abreviado, foi pregado por Thomas Watson a seu pequeno rebanho:
Antes que eu me vá, devo oferecer alguns conselhos e orientações para vossas almas. Eis as vinte instruções que tenho a dar a cada um de vós, para as qua is desejo a mais especial atenção:
1) Antes de tudo, observa tuas horas constantes de oração a Deus, diariamente. O homem piedoso é homem “separado” (Sl 4.3), não apenas porque Deus o separou por eleição, mas também porque ele mesmo se separa por devoção. Inicia o dia com Deus, visita-O pela manhã, antes de fazeres qualquer outra coisa.
Lê as Escrituras, pois elas são, ao mesmo tempo, um espelho que mostra as tuas manchas e um lavatório onde podes branquear essas máculas. Adentra ao céu diariamente, em oração.

2) Coleciona bons livros em casa. Os livros de qualidade são como fontes que contêm a água da vida, com a qual poderás refrigerar-te. Quando descobrires um arrepio de frio em tua alma, lê esses livros, onde poderás ficar familiarizado com aquelas verdades que aquecem e afetam o coração.

3) Tem cuidado com as más companhias. Evita qualquer familiaridade desnecessária com os pecadores. Ninguém pode apanhar a saúde de outrem; mas pode-se apanhar doenças. E a doença do pecado é altamente trans­missível.

Visto não podermos melhorar os outros, ao menos tenhamos o cuidado de que eles não nos façam piores. Está escrito acerca do povo de Israel que “se mesclaram com as nações e lhes aprenderam as obras” (Sl 106.35).

As más companhias são as redes de arrastão do diabo, com as quais arrasta milhões de pessoas para o inferno. Quantas famílias e quantas almas têm sido arruinadas pelas más companhias!

4) Cuidado com o que ouves. Existem certas pessoas que, com seus modos sutis, aprendem a arte de misturar o erro com a verdade e de oferecer veneno em uma taça de ouro. Nosso Salvador, Jesus Cristo, acon selhou-nos: “Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresen tam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores” (Mt 7.15).

Sê como aqueles bereanos que examinavam as Escrituras, para verificar se, de fato, as coisas eram como lhes foram anunciadas (At 17.11). Aos crentes é mister um ouvido discernidor e uma língua crítica, que possam distinguir entre a verdade e o erro e ver a diferença entre o banquete oferecido por Deus e o guisado colocado à sua frente pelo diabo.

5) Segue a sinceridade. Sê o que pareces ser. Não sejas como os remadores, que olham para um lado e remam para outro. Não olhes para o céu, com tua profissão de fé, para, então, remar em direção ao inferno, com tuas práticas. Não finjas ter o amor de Deus, ao mesmo tempo que amas o pecado. A piedade fingida é uma dupla iniqüidade.

Que teu coração seja reto perante Deus. Quanto mais simples é o diamante, tanto mais precioso ele é; e quanto mais puro é o coração, maior é o valor que Deus dá à sua jóia. O salmista disse sobre Deus: “Eis que te comprazes na verdade no íntimo” (Sl 51.6).

6) Nunca te esqueças da prática do auto-exame. Estabelece um tribunal em tua própria alma. Tem receio tanto de uma santidade mascarada quan to de ires para um céu pintado. Julgas-te bom porque outros assim pensam de ti?

Permite que a Palavra seja um ímã com o qual provarás o teu coração. Deixa que a Palavra seja um espelho, diante do qual poderás julgar a aparência de tua alma. Por falta de autocrítica, muitos vivem conhecidos pelos outros, mas morrem desconhecidos por si mesmos. “De noite indago o meu íntimo”, disse o salmista (Sl 77.6).

7) Mantém vigilância quanto à tua vida espiritual. O coração é um instrumento sutil, que gosta de sorver a vaidade; e, se não usarmos de cautela, atrai-nos, como uma isca, para o pecado. O crente precisa estar constantemente alerta.

Nosso coração se assemelha a uma “pessoa suspeita”. Fica de olho nele, observa o teu coração continuamente, pois é um traidor em teu próprio peito. Todos os dias deves montar guarda e vigiar. Se dormires, aí está a oportunidade para as tentações diabólicas.

8) O povo de Deus deve reunir-se com freqüência. As pombas de Cristo devem andar unidas. Assim, um crente ajudará a aquecer ao outro. Um conselho pode efetuar tanto bem quanto uma pregação. “Então, os que temiam ao Senhor falavam uns aos outros” (Ml 3.16).

Quando um crente profere a palavra certa no tempo oportuno, derrama sobre o outro o óleo santo que faz brilhar com maior fulgor a lâmpada do mais fraco. Os biólogos já notaram que há certa simpatia entre as plantas. Algumas produzem melhor quando crescem perto de outras plantas. Semelhantemente, esta é a verdade no terreno espiritual. Os santos são como

árvores de santidade. Medram melhor na piedade quando crescem juntos.

9) Que o teu coração seja elevado acima do mundo. “Pensai nas coisas lá do alto” (Cl 3.2). Podemos ver o reflexo da lua na superfície da água, mas ela mesma está acima, no firmamento. Assim também, ainda que o crente ande aqui em baixo, o seu coração deve estar fixado nas glórias do alto.

Aqueles cujos corações se elevam acima das coisas deste mundo não ficam aprisionados com os vexames e desassossegos que outros experimentam, mas, antes, vivem plenos de alegria e de contentamento.

10) Consola-te com as promessas de Deus. As promessas são grandes suportes para a fé, que vive nas promessas do mesmo modo que o peixe vive na água. As promessas de Deus são quais balsas flutuantes que nos impedem de afundar, quando entramos nas águas da aflição. As promessas são doces cachos de uvas produzidos por Cristo, a videira verdadeira.

11) Não sejas ocioso, mas trabalha para ganhar o teu sustento. Estou certo de que o mesmo Deus que disse: “Lembra-te do dia de sábado, para o santificar”, também disse: “Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra”. Deus jamais apoiou qualquer ociosidade.

Paulo observou: “Estamos informados de que, entre vós, há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando; antes, se intrometem na vida alheia. A elas, porém, determinamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando tranqüilamente, comam o seu próprio pão” (2 Ts 3.11-12).

12) Ajunta a primeira tábua da Lei à segunda, isto é, piedade para com Deus e eqüidade para com o próximo. O apóstolo Paulo reúne essas duas idéias, em um só versículo: “Vivamos, no presente século... justa e piedosamente” (Tt 2.12). A justiça se refere à moralidade; a piedade diz respeito à santidade.

Alguns simulam ter fé, mas não têm obras; outros têm obras, mas não têm fé. Alguns se consideram zelosos de Deus, mas não são justos em seus tratos; outros são justos no que fazem, mas não têm a menor fagulha de zelo para com Deus.

13) Em teu andar perante os outros, une a inocência à prudência. “Sede, portanto, prudentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10.16). Devemos incluir a inocência em nossa sabedoria, pois doutro modo tal sabedoria não passará de astúcia; e precisamos incluir sabedoria em nossa inocência, pois do contrário nossa inocência será apenas fraqueza.

Convém que sejamos tão inofensivos como as pombas, para que não causemos danos aos outros, e que tenhamos a prudência das serpentes, a fim de que os outros não abusem de nós nem nos manipulem.

14) Tenha mais medo do pecado que dos sofrimentos. Sob o sofrimento, a alma pode manter-se tranqüila. Porém, quando um homem peca voluntariamente, perde toda a sua paz. Aquele que comete um pecado para evitar o sofrimento, assemelha-se ao indivíduo que permite sua cabeça ser ferida, para evitar danos ao seu escudo e capacete.

15) Foge da idolatria. “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos” (1 Jo 5.21). A idolatria consiste numa imagem de ciúme que provoca a Deus. Guarda-te dos ídolos e tem cuidado com as superstições.

16) Não desprezes a piedade por estar sendo ela perseguida. Homens ímpios, quando instigados por Satanás, vituperam, maliciosamente, o caminho de Deus.

A santidade é uma qualidade bela e gloriosa. Chegará o tempo quando os iníquos desejarão ver algo dessa santidade que agora desprezam, mas estarão tão removidos dela como agora estão longe de desejá-la.

17) Não dá valor ao pecado por estar atualmente na moda. Não julga o pecado como coisa apreciável, só porque a maioria segue tal caminho. Pensamos bem sobre uma praga, só porque ela se torna tão generalizada e atinge a tantos? “E não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das trevas; antes, porém, reprovai-as” (Ef 5.11).

18) No que diz respeito à vida cristã, serve a Deus com todas as tuas forças. Deveríamos fazer por nosso Deus tudo quanto está no nosso alcance. Deveríamos servi-Lo com toda a nossa energia, posto que a sepultura está tão perto, e ali ninguém ora nem se arrepende. Nosso tempo é curto demais, pelo que também o nosso zelo de Deus deveria ser intenso. “Sede fervorosos de espírito, servindo ao Senhor” (Rm 12.11).

19) Faze aos outros todo o bem que puderes, enquanto tiveres vida. Labuta por ser útil às almas de teus semelhantes e por suprir as necessidades alheias. Jesus Cristo foi uma bênção pública no mundo. Ele saiu a fazer o bem.

Muitos vivem de modo tão infrutífero, que, na verdade, suas vidas dificilmente são dignas de uma oração, como também seu falecimento quase não merece uma lágrima.

20) Medita todos os dias sobre a eternidade. Pois talvez seja questão de poucos dias ou de poucas horas — haveremos de embarcar através do ocea no da eternidade. A eternidade é uma condição de desgraça eterna ou de felicidade eterna. A cada dia, passa algum tempo a refletir a respeito da eternidade.

Os pensamentos profundos sobre a eterna condição da alma deveriam servir de meio capaz de promover a santidade.

Em conclusão, não devemos superestimar os confortos deste mundo. As conveniências do mundo são muito agradáveis, mas também são passageiras e logo se dissipam. A idéia da eternidade deve ser o bastante para impedir-nos de ficar tristes em face das cruzes e sofrimentos neste mundo. A aflição pode ser prolongada, mas não eterna. Nossos sofrimentos neste mundo não podem ser comparados com nosso eterno peso de glória.

Considerai o que vos tenho dito, e o Senhor vos dará entendimento acerca de tudo.

Fonte: [ Site da Editora Fiel ]
Via: [ UMPCGYN ]

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