Meu Pai Me Ensinou a Como Morrer

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Será que nos atreveríamos a pensar na morte como uma vocação? O autor de Eclesiastes fez esta declaração:


Tudo tem o seu tempo determinado, e há o tempo para todo propósito debaixo do céu: há tempo de nascer e tempo de morrer.” (Ec. 3.1, 2a) 

Da mesma forma, o escritor de Hebreus diz:

E, assim como aos homens está ordenado morrerem uma só vez, vindo, depois, o juízo.” (Hb 9.27)

A Escritura fala da morte em termos de um “propósito debaixo do céu” e de “ordenamento”. A morte é um ordenamento divino. É parte do propósito de Deus em nossas vidas. Deus chama pessoas para morrer. Ele é soberano sobre tudo da vida, incluindo a experiência final de vida. 

Estou ciente de que há professores nos dizendo que Deus não tem nada a ver com a morte. A morte é vista estritamente como um dispositivo demoníaco do Diabo. Toda dor, doença, sofrimento e tragédia são atribuídos ao Maligno. Deus é absolvido de qualquer responsabilidade. Essa visão é formulada para se certificar de que Deus seja absolvido da culpa por qualquer coisa que dê errado neste mundo. “Deus sempre deseja curar”, nos é dito. Se essa cura não acontece, então a culpa recai sobre Satanás - ou a nós mesmos. A morte, eles dizem, não é o plano de Deus. Ela representa a vitória de Satanás sobre o Reino de Deus.

Tais visões podem trazer alívio temporário para o aflito. Mas elas não são verdadeiras. Elas não têm nada a ver com o cristianismo bíblico. Em um esforço para absolver Deus de qualquer culpa, eles fazem isso à custa da soberania de Deus.

Sim, existe um Diabo. Ele é o nosso arqui-inimigo. Ele fará qualquer coisa ao seu alcance para trazer miséria para as nossas vidas. Mas Satanás não é soberano. Satanás não guarda as chaves da morte. 

Quando Jesus apareceu em uma visão a João na ilha de Patmos, ele se identificou com estas palavras:

Não temas; eu sou o primeiro e o último e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos e tenho as chaves da morte e do inferno.” (Ap. 1.17, 18)

Jesus segura as chaves da morte. Satanás não pode apanhar essas chaves de suas mãos. O pulso de Cristo é firme. Ele segura as chaves, porque são propriedades dele. Toda a autoridade no céu e na terra foi dada a ele. Essa autoridade inclui toda a autoridade sobre a vida e toda a autoridade sobre a morte. O anjo da morte está à disposição e chamado dele. 

Acima de todo sofrimento e da morte está o Senhor crucificado e ressurreto. Ele derrotou o último inimigo da vida. Ele venceu o poder da morte. Ele nos chama para morrer, mas esse chamado é um chamado à obediência para a transição final da vida. Por causa de Cristo, a morte não é o final. É uma passagem de um mundo para o outro. 

Eu nunca esquecerei as últimas palavras que o meu pai disse para mim. Estávamos sentados juntos no sofá da sala. O seu corpo havia sido arruinado por três derrames. Um lado do seu rosto estava distorcido pela paralisia. Seu olho e lábio do lado esquerdo pendiam de maneira incontrolável. Ele falou comigo com uma pronúncia pesada. Suas palavras eram difíceis de entender, mas o seu significado estava muito claro. Ele proferiu estas palavras: “Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé”.

Essas foram as últimas palavras que ele me falou. Horas mais tarde, ele sofreu a sua última hemorragia cerebral. Encontrei-o caído no chão, um fio de sangue escorrendo no canto da sua boca. Ele estava em coma. Misericordiosamente, ele morreu um dia e meio depois, sem recuperar a consciência. 

Enquanto as suas últimas palavras para mim foram heroicas, minhas últimas palavras para ele foram covardes. Eu protestei suas palavras premonitórias. Eu disse de forma rude: “Não diga isso, pai”. 

Há várias coisas que eu disse em minha vida que desejo desesperadamente que não tivesse dito. Nenhuma das minhas palavras é mais vergonhosa para mim do que essa. Mas as palavras não podem ser trazidas de volta, assim como uma flecha acelerando após a corda do arco ter vibrado em lançamento pleno. 

Minhas palavras foram repreensão a ele. Eu me recusei a lhe permitir a dignidade de um último testemunho para mim. Ele sabia que estava morrendo. Eu me recusei a aceitar o que ele já havia aceitado graciosamente. 

Eu tinha 17 anos. Não sabia nada sobre a morte. Não foi um ano muito bom. Eu vi meu pai morrer um pouco de cada vez durante um período de três anos. Eu nunca o vi reclamar. Nunca o ouvi protestar. Ele sentava na mesma cadeira dia após dia, semana após semana, ano após ano. Ele lia a Bíblia com uma lupa enorme. Eu estava cego para as ansiedades que deve tê-lo atormentado. Ele não podia trabalhar. Não havia renda nenhuma. Nenhum seguro por invalidez. Ele sentava lá, esperando morrer, observando as suas economias da vida esvaírem-se juntamente com a sua própria vida. 

Eu estava zangado com Deus. Meu pai não estava zangado com ninguém. Ele viveu os seus últimos dias fiel à sua vocação. Ele combateu o bom combate. Um bom combate é um combate travado sem hostilidade, sem amargura, sem autopiedade. Eu nunca havia estado em um combate assim. 

Quando meu pai morreu, eu não era cristão. A fé era algo além da minha experiência e além da minha compreensão. Quando ele disse, “guardei a fé”, não me dei conta do peso de suas palavras. Eu me fechei para elas. Eu não tinha ideia de que ele estava citando a última mensagem do apóstolo Paulo para o seu discípulo amado, Timóteo. O seu testemunho eloquente foi desperdiçado comigo naquele momento. Mas não agora. Agora eu compreendo. Agora eu quero perseverar como ele perseverou. Quero completar a carreira e terminar o percurso como ele fez antes de mim. Não tenho nenhum desejo de sofrer como ele sofreu. Mas quero guardar a fé como ele guardou. 

Se meu pai ensinou alguma coisa, foi a como morrer. Meu pai completou a carreira porque Deus o chamou a completa-la. Ele terminou o percurso porque Deus estava com ele ao passar por cada obstáculo. Ele guardou a fé porque a fé o guardou. 

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Autor: R. C. Sproul
Fonte: GUTHRIE, Nancy. Antes de Partir: Encarando a Morte Com Confiança Corajosa em Deus. São José dos Campos, SP: Fiel, 2013, pp. 75-79
Divulgação: Bereianos
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As Marcas da Verdadeira Igreja

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Textos: Mt 18.15-17; Rm 11.13-24; 1 Co 1.10-31; Ef 1.22,23; 1 Pe 2.9,10.

Visto que o mundo se acha semeado de milhares de instituições distintas chamadas igrejas e visto ser possível que instituições, assim como indivíduos, se tornem apóstatas, é importante sermos capazes de discernir as marcas essenciais de uma verdadeira e legítima igreja visível. Nenhuma igreja está isenta de erros ou pecados. A igreja só será perfeita no céu. Há, porém, uma importante diferença entre corrupção - que afeta todas as instituições - e apostasia. Portanto, para proteger o bem-estar e crescimento do povo de Deus, é importante definir as marcas da verdadeira igreja.

Historicamente, as marcas da verdadeira igreja têm sido definidas assim:

  1. a genuína pregação da Palavra de Deus, 
  2. o uso dos sacramentos de acordo com sua instituição e 
  3. a prática da disciplina eclesiástica.

(1) A pregação da Palavra de Deus.
Embora as igrejas difiram em detalhes teológicos e em níveis de pureza doutrinária, a verdadeira igreja afirma tudo aquilo que é essencial à vida cristã. Semelhantemente, uma igreja é falsa ou apóstata quando nega oficialmente um princípio essencial da fé cristã, tal como a divindade de Cristo, a Trindade, a justificação pela fé, a expiação ou outras doutrinas essenciais à salvação. A Reforma, por exemplo, não moveu uma guerra sobre trivialidades, mas sobre uma doutrina fundamental da 
salvação. 

(2) A administração dos sacramentos. Negar ou difamar os sacramentos instituídos por Cristo é falsificar a igreja. A profanação da Ceia do Senhor ou o oferecimento deliberado dos sacramentos a pessoas notoriamente não-crentes desqualificaria a igreja de ser reconhecida como igreja verdadeira.

(3) A disciplina eclesiástica. Embora o exercício da disciplina na igreja às vezes erre na direção ou da complacência ou da severidade, ele pode tornar-se tão pervertida a ponto de não mais ser reconhecida como legítima. Por exemplo, se uma igreja - pública e impenitentemente - endossa, pratica ou se recusa a disciplinar pecados grosseiros e hediondos, ela deixa de exibir esta marca de verdadeira igreja.

Embora os cristãos devem ser solenemente advertidos a não nutrirem um espírito cismático ou fomentarem divisões e conflitos, devem ser também advertidos quanto à obrigação de se separarem da falsa comunhão e da apostasia. Toda igreja verdadeira exibe as genuínas marcas de uma igreja, em grau maior ou menor.

A reforma da igreja é uma tarefa interminável. Buscamos mais ser fiéis à vocação bíblica para pregar, ministrar os sacramentos e a disciplina eclesiástica.

Sumário
  1. A verdadeira igreja tem marcas visíveis que a distinguem de uma igreja falsa ou apóstata. 
  2. A pregação do evangelho é necessária para que uma igreja seja legítima. 
  3. A administração correta dos sacramentos, sem profanação, é uma marca da igreja.
  4. Disciplina contra heresias e pecados grosseiros é uma tarefa necessária da Igreja. 
  5. A igreja é sempre carente de reforma de acordo com a Palavra de Deus.

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Autor: R. C. Sproul 
Fonte: 3º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã.

Nota do editor: Para uma leitura complementar, leia também: 

Jovem, você está preparado para a faculdade?

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Nunca discuta com um homem com microfone. Em várias ocasiões, eu fui convidado a participar de entrevistas para programas de rádio ou televisão por apresentadores controversos. Em grande parte, tenho diminuído a participação nestas entrevistas por causa do formato em que estão estruturadas. Embora eles prometam a oportunidade para um debate aberto, tal debate raramente acontece.

Há certos apresentadores que são cruéis no tratamento dos seus convidados e saem impunes por causa do poder do microfone. Quem controla o microfone controla o jogo. Se o apresentador faz uma declaração em particular, o convidado precisa contar com a misericórdia da pessoa com o microfone a fim de oferecer-lhe uma refutação. A qualquer momento no curso de tais discussões, os comentários do convidado podem ser silenciados.

Eu frequentemente utilizo esta ilustração ao falar com estudantes que se deparam com professores hostis na faculdade ou no seminário. Em seus esforços para defender as verdadeiras afirmações do cristianismo, os estudantes muitas vezes valentemente se dirigem para onde os anjos temem pisar, e são atacados violentamente pelo professor. Tento comunicar-lhes que, por mais valentes que suas tentativas possam ser, eles são na maioria dos casos, exercícios vãos, pois o professor controla a discussão.

A sala de aula não é um lugar onde o debate aberto é geralmente estimulado. Ao contrário, nos campus de universidades e até mesmo em seminários, foi declarada temporada de caça a estudantes cristãos. Por alguma razão, parece que os professores em tais ambientes têm prazer em tentar minar a fé de seus alunos. Esta é uma das razões pelas quais o Novo Testamento nos adverte que não muitos devem tornar-se professores, pois com o ensino vem um maior juízo.

Ao mesmo tempo, o próprio Senhor nos advertiu a respeito daqueles que trazem danos a um dos seus pequeninos. Na maioria dos casos, é fácil para um homem ou uma mulher com doutorado e anos de experiência no ensino superior humilhar um aluno, não importa o quão forte é a fé do aluno ou quão articulado o estudante possa ser. É uma incompatibilidade, e é uma incompatibilidade da qual os professores inescrupulosos avidamente apoderam-se. Estes professores explicam sua tática dizendo que eles estão simplesmente tentando abrir as mentes fechadas dos alunos ou levando-os para a libertação da escravidão às ideias ultrapassadas. As desculpas são tão infinitas quanto eles são irracionais.

Na primeira semana do meu primeiro ano frequentando o seminário, um professor foi duramente crítico com um aluno por ter ele vindo para o seminário com muitas ideias preconcebidas. A ideia que o estudante de seminário trouxe com ele e que o professor descreveu como uma injustificada pré-concepção era a sua crença na divindade de Cristo. Fiquei chocado quando vi um aluno ser humilhado por ter a audácia de entrar para o seminário com a ideia já formada em sua mente de que Cristo é o Filho de Deus encarnado. A questão real, no entanto, foi esta: por que o professor, que havia supostamente se comprometido com as declarações de credo do seminário, negara a divindade de Cristo, naquela situação? Mas este tipo de coisa acontece muito mais regularmente do que muitas pessoas imaginam.

Quando eu estava na faculdade de uma universidade cristã há muitos anos atrás, havia um fluxo constante de estudantes que vinham até mim com perguntas sobre a relação entre as verdades afirmadas no Novo Testamento a respeito de Cristo e as semelhantes afirmações mitológicas encontradas no famoso trabalho “Metamorphosis” do poeta Ovídio. Tornou-se claro que incluir um estudo de Ovídio e traçar paralelos entre os ensinamentos do Novo Testamento sobre Jesus e os mitos apresentados em “Metamorphosis”, era o deleite do professor de Inglês em sua classe de humanidades.

Eu tive a oportunidade de encontrar-me com este professor em uma atmosfera amigável durante o café na união dos estudantes, e eu comecei a fazer-lhe perguntas sobre seu conhecimento a respeito da cosmovisão bíblica em comparação com a cosmovisão de Ovídio. Apontei um notável número de diferenças entre a visão de mundo de Ovídio e a do Novo Testamento, as quais o professor reconheceu existirem, e eu disse: “Simplesmente não é uma boa forma de ensino apontar semelhanças entre posições diferentes, sem, ao mesmo tempo reconhecer as significativas diferenças entre eles. Em sua crítica ao cristianismo, você não mencionou essas diferenças, o que não é uma boa abordagem do assunto”. Ele ficou arrependido e comprometeu-se a não mais fazer isso. Mas, novamente, este foi apenas um incidente em meio, literalmente, a dezenas de milhares que acontecem todos os anos nos campus, não apenas nas universidades seculares, mas em faculdades ligadas à Igreja e até mesmo em seminários teológicos, como eu já mencionei.

Um dos problemas que temos aqui é o critério que usamos ao escolher faculdades ou universidades para frequentarmos, em primeiro lugar. Assim, muitas vezes os pais ficam impressionados com a beleza do campus de uma instituição em particular ou por sua própria lembrança do compromisso da instituição de uma geração atrás, negligenciando a realidade de que a abordagem do cristianismo muda em várias instituições na medida em que o corpo docente muda. O barômetro mais importante para a escolha de qualquer tipo de instituição de ensino superior não é a beleza do seu campus, mas seu corpo docente.

Se você visa enviar seus filhos a uma instituição que tem uma história cristã ou um relacionamento cristão, não assuma que o corpo docente atual está totalmente convencido das afirmações verdadeiras do cristianismo. Você pode até mesmo estar jogando seus filhos no fogo de uma provação que eles não estão esperando e não estão realmente preparados para suportar. Não sou a favor das pessoas serem educadas em um ambiente protegido onde não há interação com a mentalidade secular e com visões de mundo pagãs, mas precisamos estar plenamente preparados para entender quando e onde essas visões de mundo entram em colisão com o cristianismo e como evitar colisões que podem ser desastrosas.

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Autor: R. C. Sproul
Fonte: Ligonier Ministries
Tradução: Arielle Pedrosa
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Pregando a Cristo

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Por R. C. Sproul


A igreja do século XXI enfrenta muitas crises. Uma das mais sérias é a crise de pregação. Filosofias de pregação amplamente diversas competem por aceitação no clero contemporâneo. Alguns veem o sermão como um discurso informal; outros, como um estímulo para saúde psicológica; outros, como um comentário sobre política contemporânea. Mas alguns ainda veem a exposição da Escritura Sagrada como um ingrediente necessário ao ofício de pregar.

À luz desses pontos de vista, sempre é proveitoso ir ao Novo Testamento para procurar ou determinar o método e a mensagem da pregação apostólica apresentados no relato bíblico.

Em primeira instância, temos de distinguir entre dois tipos de pregação. A primeira tem sido chamada kerygma; a segunda, didache. Esta distinção se refere à diferença entre proclamação (kerygma) e ensino ou instrução (didache).

Parece que a estratégia da igreja apostólica era ganhar convertidos por meio da proclamação do evangelho. Uma vez que as pessoas respondiam ao evangelho, eram batizadas e recebidas na igreja visível. Elas se colocavam sob uma exposição regular e sistemática do ensino do apóstolos, por meio de pregação regular (homilias) e em grupos específicos de instrução catequética.

Na evangelização inicial da comunidade gentílica, os apóstolos não entraram em grandes detalhes sobre a história redentora no Antigo Testamento. Tal conhecimento era pressuposto entre os ouvintes judeus, mas não era argumentado entre os gentios. No entanto, mesmo para os ouvintes judeus, a ênfase central da pregação evangelística estava no anúncio de que o Messias já viera e inaugurara o reino de Deus.

Se tomássemos tempo para examinar os sermões dos apóstolos registrados no livro de Atos dos Apóstolos, veríamos neles uma estrutura comum e familiar. Nesta análise, podemos discernir a kerygma apostólica, a proclamação básica do evangelho. Nesta kerygma, o foco da pregação era a pessoa e a obra de Jesus. O próprio evangelho era chamado o evangelho de Jesus Cristo. O evangelho é sobre Jesus. Envolve a proclamação e a declaração do que Cristo realizou em sua vida, em sua morte e em sua ressurreição. Depois de serem pregados os detalhes da morte, da ressurreição e da ascensão de Jesus para a direita do Pai, os apóstolos chamavam as pessoas a se convertem a Cristo – a se arrependerem de seus pecados e receberem a Cristo, pela fé.

Quando procuramos inferir destes exemplos como a igreja apostólica realizou a evangelização, temos de perguntar: o que é apropriado para transferirmos os princípios da pregação apostólica para a igreja contemporânea? Algumas igrejas acreditam que é imprescindível o pastor pregar o evangelho ou comunicar a kerygma em todo sermão que ele pregar. Essa opinião vê a ênfase da pregação no domingo de manhã como uma ênfase de evangelização, de proclamação do evangelho. Hoje, muitos pregadores dizem que estão pregando o evangelho com regularidade, quando em alguns casos nunca pregaram o evangelho, de modo algum. O que eles chamam de evangelho não é a mensagem a respeito da pessoa e da obra de Cristo e de como sua obra consumada e seus benefícios podem ser apropriados pela pessoa, por meio da fé. Em vez disso, o evangelho de Cristo é substituído por promessas terapêuticas de uma vida de propósitos ou de ter realização pessoal por vir a Cristo. Em mensagens como essas, o foco está em nós, e não em Jesus.

Por outro lado, examinando o padrão de adoração da igreja primitiva, vemos que a assembleia semanal dos santos envolvia reunirem-se para adoração, comunhão, oração, celebração da Ceia do Senhor e dedicação ao ensino dos apóstolos. Se estivéssemos lá, veríamos que a pregação apostólica abrangia toda a história redentora e os principais assuntos da revelação divina, não se restringindo apenas à kerygma evangelística.

Portanto, a kerygma é a proclamação essencial da vida, morte, ressurreição, ascensão e governo de Jesus Cristo, bem como uma chamada à conversão e ao arrependimento. É esta kerygma que o Novo Testamento indica ser o poder de Deus para a salvação (Rm 1.16). Não pode haver nenhum substituto aceitável para ela. Quando a igreja perde sua kerygma, ela perde sua identidade.

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Fonte: Ministério Fiel
Tradução: Francisco Wellington Ferreira
Via: IPB
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A visão bíblica da consciência humana



Por R. C. Sproul


É vitalmente importante que os cristãos considerem a questão da consciência. Na visão clássica, a consciência foi considerada algo que Deus implantou dentro de nossa mente. Algumas pessoas chegaram a descrever a consciência como a voz de Deus dentro de nós. A ideia era que Deus nos criou de tal maneira, que havia um elo entre as sensibilidades da mente e a consciência, com sua responsabilidade intrínseca para com as leis eternas de Deus. Por exemplo, considere a lei da natureza que o apóstolo Paulo afirma estar escrita em nosso coração. Havia uma sensibilidade de consciência, muito antes de Moisés descer do monte Sinai com as tábuas de pedra.

O famoso filósofo Immanuel Kant era cético, no que diz respeito à capacidade humana de racionar, a partir deste mundo, sobre o mundo transcendente de Deus. Apesar disso, ele ofereceu o que chamou de argumento moral para a existência de Deus, um argumento que se baseou no que ele chamou de senso universal de dever implantado no coração de todo ser humano. Kant acreditava que toda pessoa carregava em si um senso genuíno do que deveria fazer em determinada situação. Ele chamou isso de imperativo categórico. Kant acreditava que há duas coisas que enchem a alma com admiração e reverência sempre novas e crescentes: os céus fascinantes, no espaço, e a lei moral, no íntimo do ser humano. É importante notar isto, porque até no âmbito da filosofia secular tem havido, historicamente, um reconhecimento da consciência.

Histórica e classicamente, a consciência foi vista como nossa ligação com a ética transcendente que reside em Deus. Todavia, com a revolução moral de nossa cultura, surgiu uma abordagem diferente da consciência, e esta abordagem se chama visão relativista. Estamos realmente na era do relativismo, na qual valores e princípios são considerados meras expressões de desejos e interesses de um grupo específico de pessoas, em determinado momento da história. Ouvimos, repetidas vezes, que não há absolutos no mundo de hoje.

No entanto, se não há nenhum absoluto, princípios transcendentes, como explicamos este mecanismo que chamamos de consciência? Dentro de uma estrutura relativista, vemos a consciência ser definida em termos evolucionários: as personalidades interiores subjetivas das pessoas estão reagindo a tabus evolucionários vantajosos, que lhes foram impostos por sua sociedade ou por seu ambiente. Havendo chegado a um tempo, em nosso desenvolvimento, em que esses tabus não servem mais para promover nossa evolução, podem ser descartados sem qualquer consideração às consequências.

Anos atrás, quando eu trabalhava como professor, aconselhei uma universitária que fora tomada por um profundo senso de culpa, porque se entregara a atividades sexuais com seu noivo. Eu lhe disse que o meio de vencer sua culpa era reconhecer a fonte da culpa. Ela argumentou que não fizera nada de errado; seus sentimentos de culpa foram resultado de haver sido vítima de viver numa sociedade regida por uma ética puritana. Explicou que fora condicionada por certos tabus sexuais que a fizeram sentir-se culpada, quando não devia, e que seu envolvimento sexual fora uma expressão madura e responsável de sua própria chegada à maioridade.

Apesar disso, ela me procurou chorando e exclamando que ainda se sentia culpada. Disse-lhe que é possível uma pessoa sentir-se culpada, porque tem uma consciência intranquila e perturbada quanto a algo que não é realmente uma transgressão da lei de Deus; mas que, naquele caso, ela quebrara a lei de Deus e devia se alegrar por se sentir culpada, visto que a dor, embora nos seja desagradável, é importante para a nossa saúde. No âmbito físico, o sentimento de dor indica que há algo errado no corpo. No aspecto espiritual, a dor de culpa pode indicar-nos que algo está errado em nossa alma. Há um remédio para isso, aquele que a igreja tem oferecido sempre, ou seja, o perdão. Culpa real exige perdão real.

O problema desta mulher ilustra o conflito entre o entendimento tradicional de pecado e consciência e o novo conceito de consciência. Este novo conceito vê a consciência meramente como um processo evolucionário condicionador da sociedade, que é um resultado de tabus impostos. Como o cristão lida com tudo isto? Há uma visão bíblica quanto à consciência?

O termo hebraico traduzido por “consciência” ocorre no Antigo Testamento, mas esparsamente. Entretanto, no Novo Testamento, parece haver um reconhecimento mais pleno da importância da função da consciência na vida cristã. A palavra grega que expressa consciência aparece 31 vezes, e parece ter uma dimensão dupla, como argumentavam os eruditos medievais. Envolvia a ideia de acusar e a ideia de justificar. Quando pecamos, a consciência fica perturbada. Ela nos acusa. A consciência é o instrumento que o Espírito Santo usa para nos convencer, trazer-nos ao arrependimento e recebermos a cura do perdão que flui do evangelho.

No entanto, há também um sentido em que esta voz moral, em nossa mente e coração, igualmente nos diz o que é certo. Lembre-se de que o cristão é sempre um alvo de críticas que podem ou não ser válidas. Até dentro da comunidade cristã, há grandes diferenças de opinião a respeito de comportamentos que são agradáveis a Deus, e que não o são. Um homem aprova dançar; outro o desaprova. Como sabemos quem está certo?

Vemos, no Novo Testamento, que a consciência não é a autoridade ética final para a conduta humana, porque a consciência é capaz de mudar. Enquanto os princípios de Deus não mudam, nossa consciência hesita e se transforma. Estas mudanças podem ser positivas ou negativas. Por exemplo, os profetas do Antigo Testamento anunciaram o juízo de Deus sobre o povo de Israel, que se acostumara com o pecado. Uma das grandes acusações que veio sobre Israel, nos dias do rei Acabe, foi que haviam se tornado tão insensíveis e acostumados com o mal, que o povo tolerava a impiedade do rei Acabe. A consciência dos israelitas estava calejada e cauterizada. Pense sobre esta realidade em sua vida, sobre as ideias que você tinha quando criança. Considere as pontadas de consciência que devem ter penetrado em sua vida, quando você experimentou, pela primeira vez, certas coisas que sabia serem erradas. Você ficou perturbado e abalado. Talvez, até ficou doente. Mas, o poder do pecado pode corroer a consciência até ao ponto de ela se tornar uma voz débil nos profundos recessos de sua alma. Por meio disto, nossa consciência se torna endurecida e cauterizada, condenando o que é certo e justificando o que é errado.

É interessante que podemos sempre achar alguém que oferecerá uma defesa convincente e bem formulada da legitimidade ética de algumas das atividades que Deus julga ofensivas a ele. Como humanos, nossa capacidade de defender a nós mesmos de culpabilidade moral é bem desenvolvida e acentuada. Somos uma cultura em problemas, quando começamos a chamar o mal de bem, e o bem de mal. Para fazer isso, temos de distorcer a consciência e, em essência, tornar o homem a autoridade final da vida. Tudo que alguém precisa fazer é ajustar sua consciência para se encaixar na ética do homem. Assim, podemos viver com paz na mente, pensando que estamos vivendo num estado de retidão.

A consciência pode ser sensibilizada de maneira distorcida. Lembre-se: a visão evolucionária e relativista, quanto à consciência, está fundamentada sobre o princípio de que ela é uma reação subjetiva a tabus impostos pela sociedade. Embora eu não creia que essa opinião seja convincente, tenho de reconhecer que há um elemento de verdade nessa opinião. Reconhecemos que pessoas podem ter consciência altamente sensibilizada, não porque estão sendo instruídas pela Palavra de Deus, mas porque têm sido informadas por regras e normas feitas por homens. Em algumas comunidades cristãs, o teste da fé de alguém é se ele dança ou não dança. Se uma pessoa cresce neste ambiente e decide dançar, o que acontece? Geralmente, a pessoa é dominada por culpa, por haver dançado. Como você responderia a isso? Diria à pessoa que dançar não é pecado, que sua consciência foi mal instruída? Essa pode ser uma abordagem normal, mas tal resposta pode ser problemática por esta razão: a consciência pode justificar, quando deveria estar acusando, e pode acusar, quando deveria estar justificando.

Devemos lembrar que agir contra a consciência é pecado. Martinho Lutero, na Dieta de Worms, esteve em agonia moral, porque se levantou sozinho contra os líderes da igreja e de estados, os quais exigiam que ele se retratasse de seus escritos. Mas Lutero estava convicto de que seus escritos se conformavam à Palavra de Deus; por isso, naquele momento de crise, ele disse: “Não posso retratar-me. Minha consciência está cativa à Palavra de Deus, e agir contra a consciência não é correto, nem seguro”. Esse não foi um princípio que Lutero inventou para a ocasião na Dieta de Worms. É um princípio do Novo Testamento: “Tudo o que não provém de fé é pecado” (Rm 14.23).

Se alguém é criado em um ambiente que o persuadiu de que ler filosofia é pecado, mas, apesar disso, lê filosofia, ele está pecando. Por quê? É porque ler filosofia é pecado? Não, é porque ele está fazendo algo que acredita ser pecado. Se fazemos algo que pensamos ser pecado, ainda que sejamos mal instruídos, somos culpados de pecado. Agimos contra a nossa consciência. Esse é um princípio muito importante. Lutero estava certo em dizer: “Agir contra a consciência não é correto, nem seguro”.

Por outro lado, temos de lembrar que agir de acordo com a consciência pode, às vezes, ser pecado. Se a consciência é mal instruída, procuramos razões para esta má instrução. É mal instruída, porque a pessoa tem sido negligente em estudar a Escritura? Deus se agradou em nos revelar seus princípios, para que a consciência seja bem instruída. Posso achar que não há problema algum em realizar uma atividade específica que Deus proíbe totalmente, e não poderei dizer-lhe no último dia: “Eu não sabia que lhe desagradaria com esta forma de comportamento. Minha consciência não me acusava, e agi de acordo com minha consciência”. Nesse caso, você agiu de acordo com uma consciência que ignorava a Palavra de Deus que lhe estava disponível, a qual você foi chamado a estudar e a ser diligente em entender.

Devemos retornar ao primeiro princípio. Para o cristão, a consciência não é a autoridade final em sua vida. Somos chamados a ter a mente de Cristo, conhecer o bem e possuir mente e coração treinados na verdade de Deus, para que, nos momentos de pressão, sejamos capazes de permanecer firmes com integridade.

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Fonte: Trecho do livro Como Posso Desenvolver uma Consciência Cristã?, futuro lançamento da Editora Fiel.
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Antinomianismo - sem lei!

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Por R. C. Sproul


Há um antigo verso que serve para ilustrar bem o tema antinomiano. O verso diz: "Livre da lei, que maravilhosa condição, posso pecar quanto quiser e ainda alcançar a remissão".

Antinomianismo significa literalmente "antilei". Ele nega ou diminui a importância da lei de Deus na vida do crente. É o oposto da heresia gêmea, o legalismo.

Os antinomianos cultivam aversão pela lei de várias maneiras. Alguns acreditam que não têm obrigação de obedecer às leis morais de Deus porque Jesus os libertou da lei. Insistem em que a graça não só liberta da maldição da lei de Deus, mas também nos liberta da obrigação de obedecê-la. A graça, pois, se torna uma licença para a desobediência.

O mais surpreendente é que as pessoas defendem este ponto de vista a despeito do ensino vigoroso de Paulo contra ele. Paulo, mais do que qualquer outro escritor do Novo Testamento, enfatizou as diferenças entre a lei e a graça. Ele se gloriava na Nova Aliança. Mesmo assim, foi muito explícito em sua condenação do antinomianismo. Em Romanos 3.31 ele escreve: "Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.".

Martinho Lutero, ao defender a doutrina da justificação pela fé somente, foi acusado de antinomianismo. Ele, no entanto, afirmava com Thiago que "a fé sem obras é morta". Lutero discutiu com seu discípulo João Agrícola sobre esta questão. Agrícola negava que a Lei tivesse qualquer propósito na vida do crente. Negava até mesmo que a lei servisse para preparar o pecador para a graça. Lutero respondeu a Agrícola com sua obra Contra o Antinomianismo em 1539. Posteriormente, Agrícola se retratou de suas idéias antinomianas, mas a questão permaneceu.

Teólogos luteranos posteriores afirmaram a visão de Lutero da lei. Na Fórmula de Concórdia (1577), a última das declarações da fé luteranas, eles relacionaram três utilidades da lei: (1) revelar o pecador; (2) estabelecer um nível geral de decência na sociedade como um todo e (3) proporcionar uma regra da vida àqueles que foram regenerados pela fé em Cristo.

O erro primário do antinomianismo é confundir justificação com santificação. Somos justificados pela fé somente, independentemente das obras. Entretanto, todos os crentes crescem na fé ao observarem os mandamentos de Deus - não para granjearem o favor de Deus, mas movidos por uma amorosa gratidão pela graça que já lhes foi concedida através da obra de Cristo.

É um erro grave supor que o Antigo testamento era a aliança da lei e que o Novo Testamento é aliança da graça. O Antigo Testamento é um testemunho monumental da maravilhosa graça de Deus em favor de seu povo. Semelhantemente, o Novo Testamento está literalmente cheio de mandamentos. Não somos salvos pela lei, mas demonstramos nosso amor a Cristo obedecendo a seus mandamentos. "Se me amais, guardai os meus mandamentos." Jo 14.15.

Frequentemente ouvimos a afirmação: "O cristianismo não é um monte de normas sobre o que fazer e o que não fazer. Não é uma lista de regras". Há alguma verdade nesta dedução, visto que o cristianismo é muito mais do que uma mera lista de regras. Em sua essência, o cristianismo é um relacionamento pessoal com o próprio Cristo. Não obstante, o cristianismo também não é destituído de regras. O Novo Testamento claramente inclui alguns "faça e não faça". O cristianismo não é uma religião que sanciona a ideia de que todos têm o direito de fazer o que acharem melhor aos próprios olhos. Ao contrário, ele nunca dá a alguém o "direito" de fazer o que é errado,

Sumário:

1. Antinomianismo é heresia que diz que os cristãos não têm qualquer obrigação de obedecer às leis de Deus.
2. A lei revela o pecado, é o fundamento para a decência na sociedade e é um guia para a vida cristã.
3. O antinomianismo confunde justificação e santificação.
4. Lei e graça enchem tanto o Antigo quanto o Novo Testamento.
5. Embora obedecer à lei de Deus não seja a causa meritória da nossa justificação, espera-se que uma pessoa justificada busque ardentemente obedecer aos mandamentos de Deus.

Textos para meditação - Jo 14.15; Rm 3.27-31; Rm 6.1,2; 1 Jo 2.3-6; 1 Jo 5.1-3

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Fonte: O Calvinismo
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Casamento, uma instituição essencialmente cristã




Por R. C. Sproul


Alguns anos atrás, compareci a um casamento interessante. Fui especialmente surpreendido pela criatividade da cerimônia. A noiva e o noivo tinham desenvolvido ideias com o pastor para inserir elementos novos e empolgantes no culto, e eu gostei daqueles elementos. Contudo, no meio da cerimônia, eles incluíram porções da cerimônia de casamento clássica e tradicional. Quando comecei a ouvir as palavras da cerimônia tradicional, minha atenção foi despertada e fiquei comovido. Lembro-me de ter pensado: “Não há como melhorar isso, pois as palavras são tão belas e significativas”. Uma grande quantidade de reflexão e cuidado foi colocada nessas velhas e familiares palavras.

Hoje, é claro, muitos jovens estão não apenas dizendo “não” para a tradicional cerimônia de casamento, como também estão rejeitando o próprio conceito do casamento. Mais e mais jovens estão vindo de lares rachados e, como resultado, têm medo e desconfiança quanto ao valor do casamento. Então vemos casais vivendo juntos ao invés de se casarem, por medo de ser grande demais o custo de tal comprometimento. Eles temem que isso os torne vulneráveis demais. Isso significa que uma das mais estáveis e, costumávamos pensar, mais permanentes tradições de nossa cultura está sendo desafiada.

Uma das coisas que eu mais gosto na cerimônia tradicional de casamento é que ela inclui uma explicação para o motivo da existência de algo como o casamento. Nos é dito, naquela cerimônia, que o casamento é ordenado e instituído por Deus — isso significa dizer que o casamento não simplesmente brotou arbitrariamente de convenções sociais ou tabus humanos. O casamento não foi inventado por homens, mas por Deus.

Nós vemos isso nos primeiros capítulos do Antigo Testamento, onde encontramos o relato da criação. Encontramos que Deus vai criando em etapas, começando com a luz (Gn 1.3) e finalizando o processo com a criação do homem (v. 27). Em cada etapa, ele profere uma bênção, uma “boa palavra”. Deus repetidamente olha para o que ele criou e diz: “Isso é bom” (vv. 4, 10, 12, 18, 21, 25, 31).

Mas então, Deus nota algo que provoca não uma bênção, mas o que chamamos de maldição, isto é, uma “palavra má”. O que é essa coisa que Deus viu na sua criação que ele julgou como “não é bom”? Nós a encontramos em Gênesis 2.18, quando Deus declara: “Não é bom que o homem esteja só”. Isso o leva a criar Eva e a trazê-la até Adão. Deus instituiu o casamento, e ele o fez, em primeira instância, como uma resposta à solidão humana. Por essa razão, Deus inspirou Moisés a escrever: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (v.24).

Mas embora eu goste de apreciar as palavras da cerimônia tradicional de casamento, eu creio que a forma da cerimônia é ainda mais importante. Isso porque a cerimônia tradicional envolve fazer um pacto. Toda a ideia de pacto está profundamente enraizada no cristianismo bíblico. A Bíblia ensina que nossa própria redenção é baseada em um pacto. Muito poderia ser dito a respeito do caráter dos pactos bíblicos, mas uma faceta vital é que nenhum deles é uma questão privada. Todo pacto é tomado diante de testemunhas. É por isso que trazemos convidados aos nossos casamentos, para que eles testemunhem os nossos votos — e nos considerem responsáveis por cumpri-los. Uma coisa é um homem sussurrar expressões de amor para uma mulher quando ninguém ouve; mas é muito diferente quando ele fica de pé em uma igreja, diante de pais, amigos, autoridades eclesiásticas ou civis, e diante do próprio Deus e, lá, faz promessas de amá-la e protegê-la. Votos de casamento são promessas sagradas feitas na presença de testemunhas que se lembrarão delas.

Eu creio que o casamento é a mais preciosa de todas as instituições humanas. É também a mais perigosa. Em nossos casamentos, derramamos as nossas mais profundas expectativas. Colocamos as nossas emoções. Lá podemos alcançar a mais profunda felicidade, mas também podemos experimentar a maior decepção, a maior frustração, a maior dor. Com tudo isso em jogo, precisamos de algo mais solene do que uma promessa casual.

Mesmo em cerimônias formais de casamento, com o envolvimento de estruturas de autoridade, cerca de cinquenta por cento dos casamentos fracassam. Infelizmente, entre homens e mulheres que permanecem juntos como marido e mulher, muitos não se casariam com o mesmo cônjuge novamente, mas permanecem juntos por várias razões. Algo foi perdido quanto ao caráter sagrado e santo do pacto do casamento. A fim de fortalecer a instituição do casamento, devemos considerar fortalecer a cerimônia de casamento com uma clara e bíblica lembrança: o casamento é instituído por Deus e forjado à sua vista.

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Fonte: Ligonier Ministries
Tradução: Alan Cristie
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A Regeneração Precede a Fé

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por R.C. Sproul


Um dos momentos mais dramáticos em minha vida, na formação de minha teologia, ocorreu em uma sala de aula de um seminário. Um de meus professores foi ao quadro negro e escreveu estas palavras em letras garrafais:

A regeneração precede a fé

Aquelas palavras foram um choque para o meu sistema. Eu tinha entrado no seminário crendo que a obra principal do homem para efetivar o novo nascimento era a fé. Eu pensava que nós tínhamos que primeiro crer em Cristo, para então nascermos de novo. Eu uso as palavras "para então" aqui por uma razão. Eu estava pensando em termos de passos que deviam ocorrer em uma certa seqüência. Eu colocava a fé no princípio. A ordem parecia algo mais ou menos assim:

"Fé - novo nascimento - justificação."

Eu não tinha pensado sobre esse assunto com muito cuidado. Nem tinha atentado cuidadosamente às palavras de Jesus a Nicodemus. Eu presumia que mesmo sendo um pecador, uma pessoa nascida da carne e vivendo na carne, eu ainda tinha uma pequena ilha de justiça, um pequeno depósito de poder espiritual remanescente em minha alma para me capacitar a responder ao Evangelho sozinho. Possivelmente eu tinha sido confundido pelo ensino da Igreja Católica Romana. Roma, e muitos outros ramos do Cristianismo, tem ensinado que a regeneração é graciosa; ela não pode acontecer aparte da ajuda de Deus.

Nenhum homem tem o poder para ressuscitar a si mesmo da morte espiritual. A divina assistência é necessária. Esta graça, de acordo com Roma, vem na forma do que é chamado graça preveniente. "Preveniente" significa que ela vem antes de outra coisa. Roma adiciona a esta graça preveniente o requerimento de que devemos "cooperar com ela e assentir diante dela", antes que ela possa atuar em nossos corações.

Esta concepção de cooperação é na melhor das hipóteses uma meia verdade. Sim, a fé que exercemos é nossa fé. Deus não crê por nós. Quando eu respondo a Cristo, é a minha resposta, minha fé, minha confiança que está sendo exercida. O assunto, contudo, se aprofunda. A questão ainda permanece: "Eu coopero com a graça de Deus antes de eu nascer de novo, ou a cooperação ocorre depois?" Outro modo de fazer esta pergunta é questionar se a regeneração é monergista ou sinergista. Ela é operativa ou cooperativa? É eficaz ou dependente? Algumas destas palavras são termos teológicos que requerer maior explanação.

Monergismo e Sinergismo

Uma obra monergística é uma obra produzida por uma única pessoa. O prefixo mono significa um. A palavra erg refere-se a uma unidade de trabalho. Palavras como energia são construídas com base nessa raiz. Uma obra sinergística é uma que envolve cooperação entre duas ou mais pessoas ou coisas. O prefixo sun significa "juntamente com".

Eu faço esta distinção por uma razão. O debate entre Roma e Lutero foi travado sobre este simples ponto. A questão era esta: A regeneração é uma obra monergística de Deus ou uma obra sinergística que requer cooperação entre homem e Deus? Quando meu professor escreveu "A regeneração precede a fé" no quadro negro, ele estava claramente tomando o lado da resposta monergística. Depois de uma pessoa ser regenerada, esta pessoa coopera pelo exercício de sua fé e confiança. Mas o primeiro passo é a obra de Deus e de Deus tão-somente.

A razão pela qual não cooperamos com a graça regeneradora antes dela agir sobre nós e em nós é que nós não podemos. Não podemos porque estamos mortos espiritualmente. Não podemos assistir o Espírito Santo na vivificação de nossas almas para a vida espiritual, da mesma forma que Lázaro não podia ajudar Jesus a ressuscitá-lo dos mortos.

Quando comecei a lutar com o argumento do Professor, fiquei surpreso ao descobrir que o estranho som de seu ensino não era novidade. Agostinho, Martinho Lutero, João Calvino, Jonathan Edwards, George Whitefield - até o grande teólogo medieval Tomás de Aquino ensinaram esta doutrina. Tomás de Aquino é o Doctor Angelicus da Igreja Católica Romana. Por séculos seu ensino teológico era aceito como dogma oficial pela maioria dos Católicos. Então, ele era a última pessoa que eu esperava sustentar tal visão da regeneração. Todavia Aquino insistiu que a graça regeneradora é uma graça operante, e não uma graça cooperativa. Aquino falou da graça preveniente, mas ele falou de uma graça que vem antes da fé, que é a regeneração.

Estes gigantes da história Cristã derivaram a visão deles das Sagradas Escrituras. A frase chave na Carta de Paulo aos Efésios é esta: "estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" (Efésios 2:5). Aqui Paulo localiza o tempo em que a regeneração ocorre. Ela ocorreu "quando estávamos ainda mortos". Com um único raio de revelação apostólica foram esmagadas, total e completamente, todas as tentativas e entregar a iniciativa na regeneração aos homens. Novamente, homens mortos não cooperam com a graça. A menos que a regeneração ocorra primeiro, não há possibilidade de fé.

Isso não diz nada de diferente do que Jesus disse a Nicodemus. A menos que um homem nasça de novo primeiro, ele não pode ver ou entrar no reino de Deus. Se nós cremos que a fé precede a regeneração, então nós colocamos nossos pensamentos, e, portanto, nós mesmos, em direta oposição não só aos gigantes da história Cristã, mas também ao ensino de Paulo e do nosso próprio Senhor Jesus Cristo.

(do livro, O Mistério do Espírito Santo, Tyndale House, 1990)

Meu Comentário:

Outras passagens na Bíblia que claramente ensinam que a regeneração precede a fé:

1 João 5:1 - "Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo, é o nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou, ama também ao que dele é nascido.", João 1:13, Rom 9:16

João 6:63,65 "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos tenho dito são espírito e são vida. E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido".

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Fonte: Monergism
Traduzido por: Felipe Sabino de Araújo Neto
Cuiabá-MT, 18 de Março de 2003.
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Manuseando sabiamente os sábios dizeres da Bíblia

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Por R. C. Sproul


Toda cultura parece ter a sua própria e única coletânea de sabedoria - breves insights de seus sábios. Muitas vezes, essas porções de sabedoria são preservadas na forma de provérbios. Nós temos provérbios na cultura americana. Refiro-me a ditados como “um homem prevenido vale por dois” ou “dinheiro poupado é dinheiro ganho”.

A Bíblia, obviamente, tem um livro inteiro desses pequenos dizeres – o livro de Provérbios. No entanto, essa compilação de sábios dizeres é diferente de todas as outras coletâneas, visto que tais palavras refletem não apenas a sabedoria humana, mas a sabedoria divina, pois esses provérbios são inspirados por Deus. Ainda assim, é preciso ter muito cuidado na forma como abordamos e implementamos esses sábios dizeres. Simplesmente o fato de serem inspirados não significa que os provérbios bíblicos são como leis, que impõem uma obrigação universal. Mas algumas pessoas os tratam como se fossem mandamentos divinos. Se nós os considerarmos dessa forma, incorreremos em todos os tipos de problemas. Os Provérbios, mesmo sendo divinamente inspirados, não se aplicam necessariamente a todas as situações da vida. Antes, refletem percepções que são, em geral, verdadeiras.

Para ilustrar esse ponto, deixe-me lembrá-lo de dois provérbios da nossa própria cultura. Primeiro, dizemos frequentemente: “Pense bem antes de agir!”. Essa é uma percepção valiosa. Mas nós temos outro provérbio que parece contradizê-lo: “Quem não arrisca, não petisca”. Se tentarmos aplicar esses dois provérbios ao mesmo tempo e da mesma forma, em todas as situações, ficaríamos completamente confusos. Em muitas situações, a sabedoria sugere que examinemos cuidadosamente onde devemos pisar, de forma que não nos movamos cegamente. Ao mesmo tempo, não podemos ficar tão paralisados, analisando os prós e contras do nosso próximo passo, que hesitemos demasiadamente antes de tomar uma decisão, ao ponto de perdermos as oportunidades quando elas se apresentarem a nós.

Naturalmente, não nos incomoda encontrar provérbios aparentemente contraditórios em nossa própria sabedoria cultural. Mas quando os descobrimos na Bíblia, nos encontramos lutando com perguntas sobre a confiabilidade das Escrituras. Deixe-me citar um exemplo bem conhecido. O livro de Provérbios diz: “Não responda ao insensato com igual insensatez” (26:4a). No versículo seguinte, lemos: “Responda ao insensato como a sua insensatez merece” (26:5a). Como podemos seguir essas instruções opostas? Como ambas podem ser declarações de sabedoria?

Novamente, conforme o exemplo dado acima, a resposta depende da situação. Há certas circunstâncias nas quais não é sábio responder ao tolo segundo a sua tolice, mas há outras circunstâncias nas quais é sábio responder ao tolo segundo a sua tolice. Provérbios 26:4 diz: “Não respondas ao insensato segundo a sua estultícia, para que não te faças semelhante a ele” (grifo nosso). Se alguém está falando tolices, geralmente não é sábio tentar falar com ele. Tal discussão não levará a lugar nenhum, e aquele que tenta continuar a discussão com o insensato está em perigo de cair na mesma tolice. Em outras palavras, há circunstâncias em que é melhor ficarmos calados.

Em outras ocasiões, todavia, pode ser útil responder ao tolo segundo a sua tolice. Provérbios 26:5 diz: “Responda ao insensato como a sua insensatez merece, do contrário ele pensará que é mesmo um sábio” (grifo nosso). Apesar de ser mais conhecida como uma forma de arte utilizada pelos antigos filósofos gregos, os hebreus já entendiam e usavam, por vezes no ensino bíblico, uma das formas mais eficazes de argumentação. Refiro-me a reductio ad absurdum, que reduz o argumento da outra pessoa ao absurdo. Por meio dessa técnica é possível mostrar a uma pessoa a conclusão necessária e lógica que flui de seu argumento e, então, demonstrar que as suas premissas levam, em última análise, a uma conclusão absurda. Portanto, quando uma pessoa possui uma premissa tola e dá um argumento tolo, isso, às vezes, pode ser usado de forma muito eficaz para responder ao tolo segundo a sua tolice. Você entra em seu território e diz: “Certo, eu vou assumir o seu argumento, levá-lo à conclusão lógica e te mostrarei a tolice que há nele”.

Assim, o livro de Provérbios tem o objetivo de nos dar orientações práticas para experiências diárias. É um tesouro negligenciado do Antigo Testamento, com riquezas incalculáveis em suas páginas, que está à nossa disposição, com o intuito de guiar as nossas vidas. Ele detém conselho real e concreto, que vem da mente do próprio Deus. Se quisermos sabedoria, esta é a fonte da qual devemos beber. Aquele que é tolo negligenciará esta fonte. Aquele que está com fome da sabedoria de Deus beberá sempre dela. Precisamos ouvir a sabedoria de Deus para darmos fim às muitas distrações e confusões da vida moderna. Porém, como deve acontecer em toda a Palavra de Deus, precisamos ser zelosos para aprender a lidar com o livro de Provérbios corretamente.

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Fonte: Editora Fiel
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Você foi salvo de quê?

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Por R. C. Sproul

Certa vez, fui confrontando por um jovem na Filadélfia que me perguntou: “Você está salvo?” Minha resposta para ele foi: “Salvo de quê?”. Ele foi pego de surpresa com a minha pergunta. Obviamente, ele não tinha pensado muito sobre o significado da questão que estava perguntando. Certamente eu não estava salvo de ser interrompido na rua e abordado com a pergunta “Você está salvo?”.

A questão de ser salvo é a questão suprema da Bíblia. O assunto das Sagradas Escrituras é o tema da salvação. Jesus, em sua concepção no ventre de Maria, é anunciado como o Salvador. Salvador e salvação caminham juntos. O papel do Salvador é salvar.

Perguntamos novamente: Salvo de quê? O significado bíblico de salvação é amplo e variado. Na forma mais simples, o verbo salvar significa “resgatar de uma situação perigosa ou ameaçadora”. Quando Israel escapa da derrota nas mãos de seus inimigos no campo de batalha, ele se diz salvo. Quando as pessoas se recuperam de uma doença com risco de vida, elas experimentam salvação. Quando a colheita é resgatada de praga ou seca, o resultado é a salvação.

Usamos a palavra salvação de uma maneira similar. Diz-se que um boxeador foi  ”salvo pelo gongo” se o round termina antes do árbitro iniciar a contagem. Salvação significa ser resgatado de alguma calamidade. No entanto, a Bíblia usa o termo salvação em um sentido específico para se referir à nossa redenção definitiva do pecado e à reconciliação com Deus. Neste sentido, a salvação é da calamidade final – o juízo de Deus. A salvação final é realizada por Cristo, “que nos livra da ira vindoura” (1Ts 1.10).

A Bíblia anuncia claramente que haverá um dia de julgamento, em que todos os seres humanos serão responsabilizados diante do tribunal de Deus. Para muitos, esse “dia do Senhor” será um dia de trevas, sem luz. Esse será o dia em que Deus vai derramar sua ira contra os ímpios e impenitentes. Será o holocausto final, a hora mais escura, a pior calamidade da história humana. Ser liberto da ira de Deus, que muito certamente virá sobre o mundo, é a salvação definitiva. Esta é a operação de resgate que Cristo executa para o seu povo, como seu salvador.

A Bíblia usa o termo salvação não só em muitos sentidos, mas em muitos tempos. O verbo salvar aparece em praticamente todos os possíveis tempos da língua grega. Há o sentido de que fomos salvos (desde a fundação do mundo); estávamos sendo salvos (pela obra de Deus na história); somos salvos (por estar em um estado justificado); estamos sendo salvos (por estarmos sendo santificados ou tornado santos) e seremos salvos (por experimentar a consumação da nossa redenção no céu). A Bíblia fala da salvação em termos de passado, presente e futuro.

Às vezes, nós igualamos a nossa salvação presente com a nossa justificação. Em outros momentos, vemos a justificação como um passo específico na ordem total ou plano de salvação.

Por fim, é importante notar outro aspecto central do conceito bíblico de salvação. A salvação é do Senhor. Salvação não é uma iniciativa humana. Os seres humanos não podem se salvar. A salvação é uma obra divina, que é realizada e aplicada por Deus.  Somos salvos pelo Senhor e do Senhor. É ele quem nos salva da sua própria ira.

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Traduzido por Annelise Schulz | iPródigo.com | Original aqui
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