10 princípios para maridos e pais cristãos

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A maioria dos homens cristãos em círculos conservadores abraçam a verdade bíblica de que eles devem liderar suas famílias em Cristo. Embora a maioria abrace essa realidade e esteja convencida da sua necessidade, é igualmente verdade que a maioria de nós não tem certeza de como fazer isso. Poucos de nós cresceram em lares cristãos com pais cristãos fortes e piedosos para nos modelar. Como um marido e pai cristão lidera bem a sua família em Cristo? Eu sugiro que os princípios abaixo são um ponto de partida:

Busque a santidade: essa é a chave para liderar as nossas famílias em Cristo. Um marido e pai cristão não pode liderar onde ele não pisou. Assim como Paulo admoestou Timóteo a respeito do pastorado, “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina” (1 Timóteo 4.16), o mesmo se aplica ao “pastor” da casa. Se falta santidade em nossas vidas, então ela também faltará nos membros da nossa família. O maior impulso para o crescimento deles é o nosso próprio crescimento em Cristo.

Reconheça o que você pode e não pode controlar: aquele que pensa que pode controlar o coração dos outros é um tolo. Nós não temos tal capacidade e graças a Deus por isso. Podemos encorajar, exortar e ensinar nossas esposas e filhos na fé, mas não podemos controlar o seu envolvimento e crescimento na fé. Mas é nossa responsabilidade manter nossos próprios corações. Não negligencie o que você tem por responsabilidade enquanto persegue as coisas pelas quais você não é responsável. Maridos e pais servem melhor suas famílias quando estão tentando controlar a sua própria raiva, egoísmo, orgulho e língua. Que saibamos o que somos habilitados a fazer e aquilo que somente o Senhor pode fazer.

Proveja em todos os meios: a maioria dos maridos e pais cristãos reconhece a necessidade de sustentar as suas famílias materialmente. “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente” (1 Timóteo 5.8). Mesmo que isso seja verdade no reino físico, também o é no reino espiritual. Por favor, traga para casa o bacon! Mas não pare por aí. Pratique um culto familiar consistente e regular; lidere a sua família na leitura das Escrituras, orando e cantando. Alegremente, leve a sua família à igreja a cada semana, envolva a sua família no ministério da Igreja, busque a hospitalidade convidando outras pessoas para sua casa, ore com e por sua esposa e filhos. Não pense que seu trabalho está feito apenas ao garantir um teto sobre suas cabeças, roupas nos seus corpos e comida em seus estômagos. Eles são corpo e alma, eles precisam da sua provisão no reino espiritual.

Pratique a humildade: liderar em Cristo é diferente do que o mundo entende por liderança. O mundo promove um tipo de liderança que exige ser servido. A visão cristã de liderança exige o servir. Caro marido e pai cristão, você é o servo chefe de sua casa. Parabéns! Em Cristo, “quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva” (Mateus 20.26). Lideramos ao servir e muitas vezes esse serviço é sacrificial (Efésios 5.25).

Persista em alegria e ação de graças: defina o tom da sua casa. Um marido e pai cristão estabelece a cultura de sua casa mais do que ninguém. O adolescente temperamental, a criança exigente ou mesmo a esposa mal-humorada não são os fatores determinantes. Você é. Prossiga na alegria do Senhor e persista em ação de graças a Deus por todas as Suas boas dádivas (Tiago 1.17). Este é um grande ponto de partida para moldar a sua casa.

Seja efusivo no amor: Nenhuma esposa ou filho já disse: “Eu fui amado além da conta!”. Não seja o marido ou pai que é reservado em expressar seu amor. Faça a sua esposa se sentir preciosa. Nutra e a acalente (Efésios 5.29). Honre a sua vida com elogios, flores, presentes e carinho constante. Abrace-a por trás enquanto ela está lavando os pratos, encontre um tempo regular para ela escapar das demandas da casa, incentive-a a buscar amizades femininas piedosas, agradeça o cuidado que ela dá a você e seus filhos, planeje e execute encontros. Que ela nunca duvide que você a estima mais do que todos os outros. Permita que seus filhos vejam esse carinho. Os pequenos olhos de seus filhos devem te ver abraçar sua esposa constantemente. Quanto aos seus filhos, tenha por eles um amor implacável e infalível. Não importa as falhas, fraquezas, ou lutas que eles possam ter, o seu amor vai ser uma constante em suas vidas. Ele é fixo e nada pode roubá-lo. Você não vai ser um pai perfeito, mas banhar os seus filhos em amor é um passo para ser um grande pai.

Viva pela graça: Pedro diz:vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil…” (1 Pedro 3.7). Paulo diz: “E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor” (Efésios 6.4). Modele e pratique a graça em sua casa. Seja sensível ao pecado e ainda mais sensível para estender aos outros a mesma graça que você recebeu. Sua esposa e filhos devem te ver como alguém acessível, amável, gentil e gracioso. Ao ouvirem a palavra graça, ela não deve ser um conceito estranho às suas mentes. Eles devem conhecer e receber isso de você consistentemente.

Proteja e seja forte: Sua esposa e filhos precisam da sua força. Não só eles precisam da sua força, como também precisam saber que você está disposto a usar essa força para o bem deles. Você serve como seu defensor. Você deve defender a sua família com boa vontade e de bom grado, mesmo que isso lhe custe social, profissional, emocional ou mesmo fisicamente.

Glorie-se na fraqueza: mesmo quando você procura ser forte, deve reconhecer a glória em sua própria fraqueza. Sua esposa e filhos devem conhecê-lo como um homem que alegremente depende do Senhor. Quando eles refletirem sobre sua força, devem sempre entendê-la como vinda da parte do Senhor. E você deve se alegrar por eles conhecerem a fonte da sua força. Um marido cristão e pai fiel não vai mergulhar na sua fraqueza, mas glorificará nela. Ele irá continuamente olhar para Cristo e modelar essa virtude cristã suprema em sua família. Ele será um homem de oração, sabendo que grande parte de seu pastoreio ocorre de joelhos. Ele vai liderar o caminho ao pedir perdão em casa, tanto a sua esposa e filhos. Ele será rápido em conceder o perdão quando ofendido, vai refrear-se em ter expectativas muito altas sobre sua esposa e filhos, reconhecendo suas próprias falhas e fraquezas e estenderá a eles a mesma graça de que ele mesmo precisa.

Viva contemplando a Glória de Deus: esteja você no trabalho, descansando ou brincando, procure glorificar o Senhor. Paulo disse: “Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus.” (1 Coríntios 10.31). Modele a sua família para viver com propósito. Estamos sempre vivendo à sombra da glória de Deus. Mostre a eles que cada momento é importante, cada pessoa é significativa, cada tarefa é importante. Ria ao brincar com seus filhos, sue ao trabalhar e cante alto ao adorar. Faça todas as coisas contemplando a Glória de Deus e as faça com todo o seu coração e alma, especialmente ao liderar a sua família.

Maridos e pais cristãos, a vocês foi dada a tarefa gloriosa e maravilhosa de liderar suas casas em Cristo. Liderar requer pensamento e intencionalidade. Como você está liderando a sua família no Senhor? Que princípios, práticas e atividades você está empregando para o bem deles e para a glória de nossa Cabeça, Cristo Jesus?

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Autor: Kevin DeYoung

Fonte: The Gospel Coalition
Tradução: Kimberly Anastacio
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“Estadolatria”: Sobre a Idolatria da Esquerda ao Estado I

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“Quando a política pretende ser redentora, promete demais. Quando pretende fazer a obra de Deus, não se torna divina, mas demoníaca”.[1]

Marcus Vinícius Matos, membro da Coordenação Nacional da Rede FALE e bolsista CAPES fazendo doutorado em Direito na Inglaterra, publicou dois textos no blog esquerdista Dignidade, da Revista Ultimato,[2] em que se propõe a responder a supostos “cinco principais argumentos” que ele imaginou estarem em alguns dos ensaios sobre política, totalitarismo e violência que publiquei na revista eletrônica Teologia Brasileira.[3] Meus escritos têm um e somente um tema: assumir que o Estado ou partido possa ser redentivo é idolatria.


O autor dos textos (a quem conheci em 1995) afirma que meus textos derivam de supostas conversas que tive com ele, dizendo que delas “parece ter se originado boa parte dos argumentos que ele levanta nos seus textos atuais”. Houve uma troca de e-mails em 2006, se não me engano, por causa dos atentados do PCC em São Paulo. Recordo-me também de ter recebido um e-mail dele no qual defendia o ministro dos esportes, ligado ao PCdoB, em 2011 (e que se demitiu em meio a uma série de acusações de corrupção), e lembro-me de ter trocado alguns e-mails com ele na sequência. De qualquer forma, tal suposição do autor é presunçosa e arrogante e não corresponde à verdade. Na Teologia Sistemática que escrevi com Alan Myatt, publicada em 2007, há seções sobre fé e política no cap. 21, e os ensaios que escrevi na Teologia Brasileira são derivados das ideias presentes nesta obra.

Seus textos são escritos de sua privilegiada posição na Inglaterra com desdém e condescendência para com os “descrentes”, os “ignorantes”, os “desinformados” e os “não esclarecidos”, que ousam, a partir de suas experiências inconvenientes no Brasil, criticar ou obstruir o ideal esquerdista.

1. Apelando à “falácia do espantalho”

O autor, em sua primeira postagem publicada, entendeu tão mal o que escrevi que é como se não tivesse lido meus ensaios. Com base em pressupostos característicos da esquerda, ele se propõe a “refutar” o meu suposto “neoliberalismo”, que ele considera o principal culpado por todos os grandes males da humanidade. Só que o tal de “neoliberalismo” é algo que não defendo e que não é sequer mencionado em meus textos, simplesmente porque não o considero um conceito válido e relevante para minha argumentação (voltaremos a esta questão no final).[4] Mas ao associar meu posicionamento a uma detestada palavra de ordem do discurso de esquerda que para mim nada significa, o autor demonstra estar pouco disposto a me compreender e muito disposto a me enquadrar dogmaticamente nas categorias que lhe são naturais, e que se baseiam em pressupostos de que não compartilho.

Um exemplo basta para delinear o uso da falácia do espantalho por parte do autor. Na primeira postagem ele escreve, com linguagem típica: “Há uma diferença significativa entre totalitarismo e autoritarismo que passa batida pelo texto do autor”. Como ele realmente parece não ter lido meus textos, é necessário notar que tal diferença é estabelecida no início do ensaio Totalitarismo, o culto do Estado e a liberdade do evangelho, não só no texto, mas também numa longa nota de rodapé, referenciada com bibliografia. Fica a impressão de que Marcus Vinícius age assim apostando que seus leitores não consultarão os ensaios aos quais suas postagens supõem responder. Pelo jeito, vale tudo para defender o bezerro de ouro moderno, o culto ao Estado, seja por meio da incompreensão ou da distorção do que defendi em meus escritos.

Desenvolvendo o que foi já dito em Totalitarismo, o culto do Estado e a liberdade do evangelho, pode-se asseverar que o totalitarismo é uma versão extremada do autoritarismo. As diferenças entre ambas as posições podem ser estabelecidas por meio de comparação das características de ditadores totalitários e autoritários:[5]


Em linhas gerais, no autoritarismo, que não é guiado por ideais utópicos, há uma certa distinção entre o Estado e a sociedade, com tolerância a alguma pluralidade na organização social; o totalitarismo, por outro lado, invade a vida privada e a asfixia, na tentativa ideologicamente orientada de mudar o mundo e a natureza humana.

Marcus Vinícius, seguindo um hábito comum entre esquerdistas brasileiros, retrata o espectro político apenas em categorias binárias, demonstrando desconhecer os vários ângulos da tabela de Nolan. Por isso, talvez, comete um erro elementar: não oferece definição alguma dos polos em debate.[6] Assim, o que sobra na primeira postagem são caricaturas, chavões e clichês do que ele convencionou retratar como “direita”. O leitor procurará em vão por referências ou citações de conservadores como Russell Kirk, Thomas Sowell ou Roger Scruton.[7] Por não definir os vocábulos, o autor também faz uma confusão imensa com os termos “liberal” e “conservador” para sugerir, sem provas, que faço uma síntese entre o cristianismo e o liberalismo econômico.

Também reclama que “o autor [no caso, eu] insiste em ignorar a existência” do anarquismo, enquanto eu deixei claro, logo no começo do ensaio Totalitarismo, o culto do Estado e a liberdade do evangelho, que precisei deixar de lado o libertarianismo e o autoritarismo por uma questão óbvia de delimitação. O autor parece não ter ideia do que é o libertarianismo ou seu derivado, o anarcocapitalismo, que compõem um dos extremos da tabela de Nolan, e que são favoráveis ao livre mercado e a uma intervenção mínima do governo na economia, mas também (de modo semelhante ao anarquismo) ao Estado laico, à união homossexual, à legalização do aborto e à descriminalização das drogas.[8] De todo modo, o anarquismo é utópico, na medida que somente uma revolução mundial violenta poderia produzir o que esta posição aspira – em suma, o anarquismo é uma ilusão política impossível de ser concretizada.

Por tudo isso, uma ou outra percepção que até soam interessantes em sua primeira postagem, e que eu eventualmente endossaria, acabam se revelando descartáveis, tanto pelas inconsistências conceituais e históricas quanto pela estrutura interpretativa esquerdista, que ele adota dogmaticamente.

2. Um exemplo de cegueira ideológica

Na primeira postagem Marcus Vinícius afirma que Guantánamo “é um campo de concentração pós-moderno”. Preciso dizer que, sob o impacto dessa frase, tive dificuldade de prosseguir com a leitura dos textos. 

De um total de 779 prisioneiros que passaram por Guantánamo desde 2002, 122 terroristas da Al-Qaeda permanecem presos ali. Portanto, com tal afirmação, o autor trivializa a inocência e o sofrimento de 6 milhões de judeus mortos em campos de concentração nazistas na II Guerra Mundial; os presos e mortos nos Gulag da extinta União Soviética (14 milhões de prisioneiros entre 1929-53; as estimativas variam de 1.5 a 10 milhões de mortos nesse mesmo período); nos campos da China (50 milhões de presos, dos quais 15 a 20 milhões foram assassinados em milhares de campos abertos em meados de 1950 e ainda hoje existentes); e nos campos da morte do Camboja (de 1 a 2 milhões de pessoas mortas entre 1975-79). Hoje, na Coreia do Norte comunista, há seis campos de concentração com cerca de 200 mil presos sem o devido processo legal sendo “reeducados” de acordo com os valores socialistas – e pelo menos 70 mil destes prisioneiros são cristãos. Nesses campos, os filhos dos dissidentes nascem e permanecem presos, sem escolarização, aprendendo que os guardas que vigiam o campo são mais confiáveis que seus próprios pais. [9]

Sob qualquer critério, quantitativo ou qualitativo, um campo de concentração é muito diferente de uma prisão para terroristas. O esforço de fazer com que se pareçam semelhantes resulta em uma distorção grave, e quem promove essa confusão dá mostras de que valoriza sua ideologia acima não só da fé, mas também da própria realidade.

3. Uso seletivo das fontes

Em sua segunda postagem, Marcus Vinícius demonstra não ter entendido nada do que escrevi sobre Karl Barth no ensaio Totalitarismo, o culto do Estado e a liberdade do evangelho. Na verdade, ele, mais uma vez, parece contar que seu leitor não examine o ensaio que ele visa replicar. 

No que parece ser o clímax de sua postagem, ele cita a “Carta a um Pastor da República Democrática Alemã” (Brief an einen Pfarrer in der DDR), de Barth, como se esta não só contradissesse o que escrevi sobre o teólogo suíço naquele texto, mas também contradissesse as palavras do próprio Barth que transcrevi. Mas burla o seu leitor ao não mencionar a data de publicação da carta (1958), ao não estabelecer o contexto histórico e político e, muito menos, o lugar da carta no pensamento político do teólogo suíço. Isso é impostura intelectual – levando-se em conta, claro, que ele tenha alguma leitura mais profunda de e sobre Karl Barth.[10]

4. Esquerdismo e nazismo – de novo!

Muitos esquerdistas surtam quando se demonstra que socialismo e nazismo são “gêmeos totalitários”, argumento que, como escreve João Pereira Coutinho, “longe de polêmico, é cada vez mais consensual”.[11]

Marcus Vinícius descarta tal associação, primeiro confundindo nazismo e fascismo (confusão típica, já que ele mesmo parece não saber a diferença entre autoritarismo e totalitarismo), e depois afirmando frivolamente que esse argumento é reproduzido “em vários espaços na internet, [e] tem sido amplamente divulgado pela direita (neo)conservadora e neoliberal brasileira”. Contudo, a verdade é que citei em meus ensaios uma grande quantidade de fontes para substanciar minhas afirmações, sendo todas elas publicações impressas, quase todas europeias e várias de centro-esquerda. O autor diz também que “o grave equívoco dessa posição é que ela não resiste e [sic] uma mínima visita a fontes primárias”. Essa afirmação é tão pueril quanto a primeira, e isso é agravado pelo fato de que não há, em seu próprio artigo, nenhuma tentativa de citar fontes primárias para substanciar sua acusação. Aliás, ele demonstra possuir pouca familiaridade com essas fontes: parece, por exemplo, não conhecer o programa político oficial do partido nacional-socialista.

Seu argumento, no fim das contas, contorna a questão ao afirmar que o nazismo não pode ter sido um socialismo autêntico porque perseguiu outros socialistas; mas essa perseguição é algo que nunca neguei, porque é irrelevante: nunca houve um momento na história do socialismo em que suas diversas facções não se perseguissem mutuamente, de modo que esse argumento nada prova.

Pelo jeito, o autor também ignora que, pelas razões apontadas em meus textos, o uso político de símbolos nazistas e comunistas é proibido em países da Europa Central que sofreram nas mãos dos dois sistemas (Polônia, Lituânia, Geórgia, Hungria e Moldávia). É sintomático que, embora a esquerda se gabe de ter o monopólio das virtudes, não há nenhum comentário ou penitência por parte do autor em suas postagens sobre o assassinato de 100 milhões de pessoas por parte da esquerda durante o século 20, conforme documentado e referenciado em dois de meus textos.

5. Sobre o “neoliberalismo”

Uma das evidências de que Marcus Vinícius distorce e ignora minhas críticas à “ideia pagã do Estado total” [12] é exemplificada quando ele trata do texto bíblico de Mateus 22.16-22 no fim de sua segunda postagem. Comentando a passagem bíblica, ele afirma que “Jesus manda entregar o dinheiro (...) [aos] poderes deste mundo”, pois “mais importante do que a lealdade ideológica a César, que assumia uma forma divina, na época, é a materialidade da ideologia, a realidade a qual ela corresponde – no nosso caso, a idolatria (do)de mercado”. O autor não lida com a passagem em seu contexto canônico, mas tenta interpretá-la impondo à Escritura sua pré-compreensão esquerdista dogmática, lendo os versículos bíblicos como uma crítica anacrônica a uma abstração chamada “mercado”, e que não faria sentido nenhum para o leitor original. 

Nesta passagem, os líderes religiosos perguntam a Cristo sobre o “imposto do recenseamento”, pago ao império por todos os homens dos 14 aos 65 anos (mulheres pagavam o imposto dos 12 aos 65), que equivalia a um dia de trabalho ao ano, e era um reconhecimento do domínio do imperador romano.[13] A resposta simples de Jesus à armadilha dos fariseus e herodianos ensina não apenas a separação entre as esferas do culto a Deus e do serviço ao Estado, cada qual com seu campo de ação, mas especialmente que a lealdade última é dada exclusivamente a Deus como Senhor (At 4.19; 5.29), enquanto nossa relação com o Estado é provisória e temporária (Rm 13.1-7; 1Pe 2.13-17), nunca subserviente ou idólatra. Portanto, como bem lembrou Bento XVI, que nos acautelemos a todo o custo da “teologização da política”, que se tornará meramente a “ideologização da fé”.[14]

Marcus Vinícius procurará em vão em meus ensaios ou livros alguma declaração ou afirmação em defesa do tal do “neoliberalismo”, falácia que só existe no ideário socialista. O que aprendemos na Escritura é que o uso desenfreado dos meios para se obter dinheiro ou riquezas é condenado por Deus (por exemplo, em 1Tm 6.9-10). Quando o dinheiro deixa de ser apenas um meio e se torna um fim em si mesmo, passa a ser uma divindade e ocupa o lugar do único Deus (Mt 6.24). Portanto, temos na Escritura uma condenação que, no contexto de hoje, se dirige também ao capitalismo de Estado praticado pela esquerda, com sua adoração ao dinheiro e ao poder estatal. O amor idólatra ao dinheiro não é uma tentação só para “capitalistas” – e deve-se lembrar que capitalismo não é um sistema político, mas uma forma de vida econômica; há tipos de ganância que são socialistas por excelência. Essa idolatria se revela não só nos escândalos em série dos desvios bilionários dos cofres públicos e no aparelhamento de todas as esferas do estado brasileiro, mas também na imensa e brutal carga tributária colocada sobre os ombros de uma parcela significativa da sociedade, espoliada continuamente para o sustento de uma estrutura corrupta e ineficiente – a “sociedade incivil” que se tornou o governo esquerdista do PT.

O capitalismo de Estado, tão ao gosto da mentalidade esquerdista, suprime a liberdade econômica no Brasil. Só a título de comparação vale mencionar: Canadá é o 6º, Chile 7º, Estados Unidos 12º e a Inglaterra é o 13º país com mais liberdade econômica. Atualmente, o Brasil é o 118º país no ranking de liberdade econômica (éramos o 114º antes das eleições de 2014, quando o PT foi reeleito para o governo federal). Para ficar em poucos exemplos, Chile, México, Colômbia, Paraguai e até Botswana têm mais liberdade econômica que o Brasil.[15]

Ao mesmo tempo, a inflação no país ultrapassa 8%, os juros chegam a 12,75% ao ano, há uma recessão em curso, a renda diminuiu e, por causa da crise econômica resultante do dirigismo estatal, cerca de 1,5 milhão de trabalhadores já estão desempregados.[16] Além disso, 2/3 do ajuste fiscal consiste em aumento de impostos sobre a já tão combalida população, que arca com os custos pesados de um Estado corrupto e ineficiente – a carga tributária brasileira, uma das mais elevadas do mundo, chega a 36% do Produto Interno Bruto (PIB). 

Só a adesão cega à religião esquerdista não vê a conexão entre a liberdade econômica e o desenvolvimento de uma nação; em outras palavras, quanto menos liberdade econômica, menos riqueza para todos. Ou, colocando de outra forma: num país com menos liberdade econômica, mais riqueza será concentrada egoisticamente nas mãos de poucos poderosos. Tal sistema é maligno! A conclusão óbvia, me parece, é que “o emprego (...) de categorias marxistas para o propósito vulgar de suprimir a liberdade (...) depõe com o tempo contra os encantos da própria teoria”.[17]

Conclusão (parcial)

Marcus Vinícius Matos estuda na Inglaterra – o 13º país em liberdade econômica.[18] Já o partido de esquerda que ele defende tão aguerridamente tornou o Brasil o 118º país em liberdade econômica. Como ele não mora aqui, parece não ter ideia do mal que doze anos de governo socialista fez à democracia no Brasil. O programa partidário do PT e de seus aliados de esquerda e extrema-esquerda está baseado na luta de classes, na tutela estatal, na intervenção da economia, no desrespeito ao direito de propriedade, no desprezo pela democracia representativa, tendo sempre como objetivo final a criação de uma “sociedade” socialista no Brasil.

Note-se que o PT jamais deixou de prestar solidariedade aos governos de esquerda da Venezuela e de Cuba. Por mais que esses governos pisoteiem os direitos humanos que o PT e seus defensores dizem representar, nenhuma crítica governamental nem partidária é a eles endereçada. Portanto, a incapacidade do autor de compreender a dimensão da catástrofe da esquerda no Brasil e América Latina é, em grande medida, ideológica. Ele está cego para as contradições do que vê como “reforma” social, pois seu raciocínio está subordinado aos princípios dogmáticos do socialismo.

Não conheço qual a posição pessoal atual de Marcus Vinícius sobre revelação, Escritura, Deus, Cristo, expiação, ressurreição, santificação ou outros ensinos centrais da fé cristã. Portanto, não posso afirmar até que ponto o esquerdismo modificou sua fé pessoal. Mas que não haja ilusões: a aderência estrita aos dogmas da esquerda (ou de qualquer outro ângulo do espectro político) termina por impor mudanças à fé – seja por meio da reinterpretação das doutrinas cristãs, seja pela apostasia. Na seção de comentários de uma das suas postagens, ele é perguntado diretamente sobre “sua posição política no contexto brasileiro” e sobre sua posição pessoal quanto “ao aborto e ao casamento entre homossexuais”, mas se evade em responder às perguntas, pois quer evitar “reduções simplistas”. Por que tal acanhamento?

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NOTAS:
[1] Joseph Ratzinger, Fé, verdade, tolerância (São Paulo: Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Raimundo Lúlio, 2015), p. 110.
[2] As postagens são: “A idolatria do(de) Mercado: contra a teologia política neoliberal” e “A idolatria do(de) Mercado: o homem todo para o dinheiro (todo)”. São dois textos longos que, além dos vários problemas aqui destacados, são mal estruturados, o que torna a leitura enfadonha.
[4] Na verdade, pode-se considerar que toda a primeira postagem de Marcus Vinícius é baseada na “falácia do espantalho”. Sobre isso, cf., por exemplo, Paulo Roberto de Almeida, “Falácias acadêmicas, 1: o mito do neoliberalismo”, Revista Espaço Acadêmico No 87 (Agosto 2008), em: http://www.espacoacademico.com.br/087/87pra.htm.
[5] A tabela e as ideias aqui expostas encontram-se em P. C. Sondrol, “Totalitarian and Authoritarian Dictators: A Comparison of Fidel Castro and Alfredo Stroessner”, in: Journal of Latin American Studies vol. 23, n. 3 (October 1991), p. 599.
[6] Marcus Vinícius repete em seus textos erros para os quais André Venâncio chama a atenção em seu ensaio “Armadilhas do vocabulário político”, publicado em Teologia Brasileira: http://www.teologiabrasileira.com.br/teologiadet.asp?codigo=397.
[7] Para uma introdução ao conservadorismo, cf. João Pereira Coutinho, As ideias conservadoras (São Paulo: Três Estrelas, 2014). Nesta obra o filósofo português procura resgatar os valores “liberais” clássicos: individualismo, constitucionalismo, antiautoritarismo e tolerância. 
[8] Talvez os mais articulados defensores do libertarianismo sejam Murray Rothbard e Hans-Hermann Hoppe. Para o desconforto que liberais sentem em ser rotulados com a direita e seu desprezo pela esquerda, cf. Roger Scar, “Liberalismo: de esquerda ou de direita?”, em: http://www.institutoliberal.org.br/blog/liberalismo-de-esquerda-ou-de-direita/. Para convergências e divergências entre liberais e conservadores, calcada em boas definições, cf. Rodrigo Constantino, “O conservadorismo pela lente de um liberal”, em: http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/filosofia-politica/o-conservadorismo-pela-lente-de-um-liberal/.
[9] Para mais dados sobre as perseguições comunistas na atualidade, cf. Paul Marshall, Lela Gilbert & Nina Shea, Perseguidos: o ataque global aos cristãos (São Paulo: Mundo Cristão, 2014), p. 35-73
[10] Em Totalitarismo, o culto do Estado e a liberdade do evangelho é mencionado que Karl Barth, num primeiro momento, tratou o comunismo e nazismo como iguais; num segundo momento, atenuou esta posição. Mas, mesmo assim, assumiu em privado uma posição de alerta sobre o socialismo. Em meu texto há, inclusive, farta citação de fontes primárias (derivadas das cartas de Barth) e secundárias (a reação de pastores atrás da Cortina de Ferro que lamentaram profundamente a posição ambígua de Barth), sumariamente ignoradas pelo blogueiro. Para um resumo do pensamento do teólogo suíço, cf. Franklin Ferreira, “Karl Barth: Uma introdução à sua carreira e aos principais temas de sua teologia”, em Fides Reformata v. 8, n.1 (2003), p. 29-62; para o papel de Barth na resistência ao nazismo no pré-guerra, cf. “A Igreja Confessional Alemã e a ‘Disputa pela Igreja’ (1933-1937)”, em Fides Reformata, v. 15 (2010), p. 9-36. Neste último ensaio, trato en passant de sua ambiguidade para com o comunismo no pós-guerra. Quanto à relação de Barth com o regime da Alemanha Oriental, cf. também Brief an Staastminister Zaisser, Berlin-Lichtenberg, vom 2 März 1953 betreffend Verhaftung von Pfarren in der DDR, onde ele pediu a libertação de pastores evangélicos presos pelo regime comunista.
[11] cf. “Ensaio analisa parentesco entre fascismo e comunismo”, em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq3110200916.htm.
[12] Herman Dooyeweerd, Estado e soberania: ensaios sobre cristianismo e política (São Paulo: Vida Nova, 2014), p. 50.
[13] O culto imperial já era disseminado pelas províncias do mundo romano na época do Novo Testamento. Os imperadores da dinastia Júlio-Claudiana, ainda que não exigissem honras divinas completas, foram deificados apenas após sua morte – mas nem todos o foram. Otávio era chamado de divi Iuli filius (filho do divino Júlio César) e foi deificado após sua morte; já seu herdeiro, Tibério, não o foi e tampouco o seu sucessor, Calígula. Claudio o foi, mas não Nero (este é o pano de fundo de Rm 1.18-32). O primeiro imperador que exigiu ser chamado de dominus et deus (“senhor e deus”) em vida foi Domiciano, da dinastia Flaviana (Ap 13.1-10 deve ser lido com isso em mente). Quando morreu, não só não foi deificado como foi o primeiro imperador a receber uma damnatio memoriae (literalmente “danação da memória”, que implicava o confisco de propriedades, o nome apagado de moedas e monumentos e as estátuas reutilizadas).
[14] Joseph Ratzinger, “A teologização da política viraria ideologização da fé”, em: 30 Dias, http://www.30giorni.it/articoli_id_968_l6.htm. Este discurso do então cardeal foi proferido no congresso “A participação e o comportamento dos católicos na vida política”, promovido pela Pontifícia Universidade da Santa Cruz, Roma, em 9 de abril de 2003.
[15] O leitor pode consultar mais informações sobre liberdade econômica, inclusive notando a conexão desta com o estado de direito, governo limitado e livre mercado, em: http://www.heritage.org/index/ranking. Em 2003 o Brasil se encontrava em 72º lugar em liberdade econômica: http://cedice.org.ve/wp-content/uploads/2012/12/Index-of-Economic-Freedom-2003.pdf.
[16] Cf. “Desemprego no Brasil sobe para o maior nível nos últimos três anos”, edição do Jornal Nacional de 28/04/2015, em: http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/04/desemprego-no-brasil-sobre-para-o-maior-nivel-nos-ultimos-tres-anos.html.
[17] Tony Judt, Reflexões sobre um século esquecido (Rio de Janeiro: Objetiva, 2010), p. 157.
[18] Para a crise das políticas de bem-estar social na Inglaterra, tão ao gosto das esquerdas, cf. Theodore Dalrymple, A vida na sarjeta (São Paulo: É Realizações, 2015). Cf. também a entrevista que o autor concedeu à Veja, em: http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/a-pior-pobreza-e-a-da-alma. Ele diz: “Mesmo em países miseráveis da África, onde trabalhei, nunca vi tamanha pobreza espiritual ou psicológica como a que observei na Inglaterra. E isso, eu acho, só pode ser explicado pela privação do sentido da vida. São pessoas capturadas por esse ciclo de dependência [do assistencialismo estatal], em que nada parece tornar a vida melhor ou pior. Não há esperança, nem medo. (...) Na Inglaterra, em 2006, antes da crise econômica, nós tínhamos 2,9 milhões de pessoas vivendo graças ao auxílio-doença. Elas não eram consideradas desempregadas, mas doentes. Acontece que a grande maioria não tinha enfermidade nenhuma – ou teríamos mais doentes do que na 1ª Guerra Mundial. Essa corrupção moral tem um efeito profundo sobre a sociedade, tanto sobre as pessoas que pedem o benefício, como os médicos que dão os atestados e até sobre o governo, que pôde melhorar seu indicador de desemprego. (...) Acho que, se bem controlada, não há razão para não ter uma rede de proteção social. O problema é que na Europa, particularmente na Grã-Bretanha, o sistema saiu de controle”.

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Autor: Franklin Ferreira
Divulgação: Bereianos
Imagem: The Adoration of the Golden Calf (1633-4), por Nicolas Poussin. Arte: Bereianos.
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Homens casados: seu hábito da pornografia é um hábito de adultério

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Eu conheço um cara que trai sua esposa. Ele a trai todos os dias. Ele trai múltiplas vezes por dia. Ele é um marido, um pai e um adúltero serial.

Eu não deveria saber deste fato sobre ele, mas ele me contou em uma conversa há alguns dias. Estávamos falando sobre o índice de divórcio; ambos demos nossas teorias a respeito de porque as estatísticas são tão altas. Eu mencionei em meu diagnóstico de alguns estudos que mostram que a pornografia é a causa em mais de 50 por cento dos divórcios por ano.

Ele riu. "As pessoas não se divorciam por causa de pornografia". Ele passou a explicar que a pornografia não é um "grande problema" para a maioria das pessoas. Não é "como se estivesse traindo ou algo assim". Ele me disse que vê várias vezes por dia. Sua esposa, insistiu ele, ficaria irritada se soubesse a total extensão de seu hábito, mas só porque as mulheres reagem de forma exagerada sobre "esse tipo de coisa."

Que tipo de coisa? Que seus maridos passam os dias obsessivamente mergulhados nas regiões mais obscuras da internet em busca de imagens sexuais explícitas de estupro, abuso, perversão, exploração e outras formas de depravação imunda até então desconhecida para a humanidade?

É. Esse tipo de coisa. Não há razão por que qualquer mulher fique muito chateada com isso, aparentemente.

Pornografia = Adultério

Ouçam homens, eu sei que esta é uma conversa desconfortável. Mas está na hora de ser homem e cair na real sobre a pornografia. Suas prioridades: se você é casado e assiste pornografia, você está enganando e ponto final.

De uma perspectiva cristã, isso não gera dúvida alguma. Cristo colocou-o de forma muito clara: "se você olhar para outra mulher para cobiçá-la, já em seu coração cometeu adultério." (Mt 5:28)

Quando assistimos pornografia estamos escolhendo sucumbir a esse desejo; estamos nos entregando a ele, fertilizando-o, dando-lhe espaço em nossas mentes. Estamos mergulhando nele e o absorvendo como uma esponja. Estamos diminuindo a nós mesmos, traindo nossas esposas e participando da exploração violenta de mulheres (e meninas).

Nossas mentes e corpos pertencem ao Senhor e as nossas esposas; por isso a pornografia se torna uma invasão em domínios que não pertencem à ela. Se buscamos a pornografia, somos adúlteros. E o somos da pior forma.

Não precisamos sequer nos referir às Escrituras para descobrir a equação simples que a pornografia é igual a adultério.

Por que não seria?

Porque você não está fisicamente em contato com outra mulher?

E daí? Isso é apenas uma questão de semântica e circunstância. A ausência de contato físico não automaticamente o livrará da culpa - se fosse assim, sexo virtual com outras mulheres seria um jogo inocente, eu suponho.

Como você se sentiria se olhasse o celular de sua esposa e descobrisse mensagens de texto picantes, sexualmente explícitas enviadas a um homem em seu escritório? Estaria tudo bem, contanto que ela pudesse provar que nunca teve qualquer contato físico com ele? Ou isso é totalmente diferente, porque ela conhece aquele homem, ao passo que a pornografia é anônima e impessoal? Vemo-nos construindo muitas linhas arbitrárias de distinção quando estamos determinados a racionalizar o comportamento que instintivamente sabemos ser imoral e errado.

Mas, tudo bem, e se ela não conhecesse o sujeito? E se ela estava apenas envolvida em "fantasias" com homens que ela nunca conheceu? Imagine que, em suas viagens virtuais, você tropeça em um site pornô com fotos e vídeos de uma jovem particularmente atraente: sua esposa. Como seria isso para você? Sua esposa vendendo sexo digital por toda a internet – O que você pensaria disso? Pode causar um pouco de briga no casamento você não acha?

Veneno irreversível

Se você não gostaria de ver sua esposa sendo uma fornecedora de pornografia, você pode entender por que ela não quer que você seja um consumidor de pornografia. Se você não gostaria que ela convidasse e incentivasse outros homens a violentá-la em suas mentes, você deve entender por que ela não iria querer que você aceitasse o convite para violar outras mulheres na sua mente.

Não quero me concentrar apenas em homens casados. A pornografia é um veneno para todos, casados ou não.

E eu não estou aqui para acusá-lo, se você tropeçou. Vivemos em uma sociedade que oprime as fraquezas de um homem, esfregando sensualidade em seu rosto a uma hiper velocidade todos os dias, o dia todo, o tempo todo. Isso não é uma desculpa; apenas uma tentativa de colocar as coisas em contexto.

Eu não vou insistir com alguém que luta contra um vício da pornografia mais do que eu insistiria com quem luta contra um vício de crack. Mas pelo menos o viciado em crack provavelmente não vai encontrar muitas pessoas (além do seu traficante) que vão dizer-lhe que é realmente saudável fumar crack. Se ele se aventurar para fora do barraco abandonado onde ele inala seu narcótico, ele provavelmente não vai encontrar nenhuma pessoa respeitável que diga, "Ei, o crack não é um grande problema - é totalmente natural fumar crack, homem!" Nessa forma, o fumante de crack tem uma vantagem sobre o viciado em pornografia. O viciado em pornografia, pelo contrário, tem que lutar tanto contra a própria compulsão e a miríade de sugestões subjetivas que tentarão convencê-lo de que tudo não passa de um pouco de diversão inocente.

Isso é uma mentira, é claro. Não é inocente. Não é divertido.

Decisão definitiva em prol da sanidade e da família

Eu poderia citar para você um monte de pesquisas psiquiátricas provando os efeitos negativos da pornografia no cérebro. Mas você pode fazer a pesquisa por si mesmo.

Eu poderia falar-lhe sobre a escravidão sexual, tráfico de seres humanos, abuso de drogas e abuso sexual infantil, e eu poderia explicar como a indústria pornô não existiria sem estes ingredientes necessários. Mas essas são conclusões que você pode encontrar em si mesmo, se alguma vez você ainda dispuser de um momento para pensar sobre isso.

Eu poderia lembrar que essas mulheres que você encontra em sites pornográficos podem não ser mulheres ainda – talvez sejam adolescentes, meninas - e não há nenhuma maneira de você saber com certeza. Eu poderia, então, salientar que qualquer cliente pornô ávido tem provavelmente, em algum momento, sido um cliente de pornografia infantil, quer ele saiba ou não. Mas esta é, de fato, uma realidade óbvia e inevitável.

Eu poderia dizer-lhe que muitas crianças têm contato com a pornografia antes dos 12 anos. E eu poderia dizer que nós ainda nem começamos a colher os frutos atrozes que virão de toda uma geração criada sob o efeito das perversões hediondas da pornografia na internet. Mas é provavelmente tarde demais para esses avisos.

Então o que resta? Talvez nada, realmente. Pornografia é um mal, vazio, funesto, sujo - isso é algo que todos sabemos. É por isso que, a menos que você seja psicótico ou totalmente desprezível, você não gostaria que sua filha entrasse para o ramo da pornografia. É por isso que a maioria das pessoas esconde seus hábitos pornográficos. É por isso que ainda não é considerado aceitável procurar sites "adultos" no computador do seu trabalho ou em uma mesa de cafeterias (embora as pessoas ainda o façam, em ambos os cenários). É por isso que você só encontra lojas de pornografia e clubes de strip tease nas partes mais degradadas e perigosas da cidade.

Não importa o quão hedonista e mente aberta nos tornamos, ainda reconhecemos a pornografia como algo que deve ser guardado nos embolorados cantos escuros de nossas vidas. Esta é a Lei Natural, e não podemos fugir dela. Nós temos uma compreensão inata do certo e errado, quer queiramos ou não.

Homens casados: Penso que deveríamos gastar nosso tempo livre com a família, ou a leitura de livros interessantes para que possamos aperfeiçoar nossas mentes, ou construir coisas, ou fazer exercícios, ou fazer qualquer outra coisa que nos torne melhores homens. Pornografia não fará de você um homem melhor. Ela o faz menor. Ela faz de você um mentiroso. Ela pode matar esse instinto dentro de você que o chama a proteger e honrar as mulheres. Ela vai transformá-lo em algo que você nunca quis ser. Em um pervertido rastejante e vergonhoso.

Ela vai transformá-lo em um adúltero.

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Autor: Matt Walsh
Fonte: The Matt Walsh Blog
Tradução: Stael Pedrosa Metzger
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Dois caminhos e dois destinos

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Texto base: Salmo 1.1-6


INTRODUÇÃO

O salmo 1, de autor desconhecido, é uma introdução de todo o livro. Este salmo, juntamente com o salmo 2, não é especificamente uma oração como os demais salmos, mas uma afirmação peremptória. A primeira oração no livro dos salmos começa a partir do salmo 3. Não obstante o Salmo 1 é um salmo de sabedoria, e, portanto, é mais do que uma introdução, ele contém ensinamentos preciosos para nós. Neste salmo, vemos às pessoas inseridas em dois modos de vida e o destino final de ambas.  

O esboço analítico do salmo 1 pode ser dividido em três seções. Na primeira e na segunda seção, o salmista descreve um profícuo contraste entre duas classes de pessoas em suas respectivas categorias morais e espirituais – o justo e o ímpio (1.1-5). E, na terceira seção, o salmista conclui a sua declaração, mostrando o destino final dos justos e dos ímpios (1.6).
EXPLANAÇÃO

1. O RETRATO DO JUSTO (1.1-3)

a) A sua condição (vs.1a)

O termo bem aventurado אשך (esher), no hebraico, é o nome de um dos filhos de Jacó – “Aser” (Gn 30.12-13). A estrutura dessa palavra, no masculino, é um plural [“alegrias”], e significa que o homem aqui descrito é “feliz, abençoado”. Na cosmovisão grega, a ideia de bem-aventurança μακάριος (makarios) era geralmente ligada a algum tipo de benção terrena, tal como saúde, prosperidade financeira, estabilidade, casamento, filhos etc., podendo, também, ainda que não exclusivamente, referir-se as coisas espirituais, como o conhecimento e a paz interior.  

No Antigo Testamento, especialmente nos salmos, podemos observar que a bem aventurança ou a verdadeira felicidade está intrinsecamente relacionada à confiança em Deus (Sl 40.4; 84.12); a estar debaixo da proteção de Deus (Sl 2.12; 34.8); em ser disciplinado e educado por Deus (Sl 94.12); a seguir a lei do Senhor (Sl 119.1-2); ter Deus por auxílio, esperança e senhor (Sl 146.5); ser escolhido de Deus para a salvação em Cristo Jesus (Sl 65.4); ter os pecados perdoados (Sl 32.1) e, por fim, temer a Deus e andar em seus caminhos (Sl 128.1).  

APLICAÇÃO PRÁTICA

A condição do homem justo é de plena felicidade! Todavia, esta felicidade não reside ou, tampouco, é proporcionada pelo dinheiro, pelos bens materiais, pelo status social, por amigos, pelo namoro, pelo casamento, entre outras coisas. Equivocam-se àqueles que pensam que a felicidade está nas bênçãos, e não no Deus das bênçãos! Antes, quão feliz e abençoado é o homem que está em Cristo (2Cor 5.17), que foi comprado e resgatado da escravidão do pecado, da lei e salvo da morte eterna (1Tm 2.6). A posição de felicidade que o homem bem aventurado e justo se encontra é espiritual! Quem não está em Cristo, não pode experimentar esta felicidade interna produzida pelo Espírito Santo.

b) O caráter do justo (vs.1)

O salmista descreve o justo em sua posição de feliz no aspecto passivo/negativo, isto é, “o que ele não faz”, enfatizando, assim, três classes de pecadores: ímpios, pecadores e escarnecedores; três manifestações de pecado: andar, deter e assentar; e três caminhos de pecado: conselho, caminho e roda.

Essa sinopse de pecados está disponível para o justo, entretanto, não é praticado por ele, ou seja, o justo não anda no conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores e não se assenta na roda dos escarnecedores. Portanto, vejamos, então, as três atitudes “passivo-negativas” do justo – o que ele não faz.  
    
i. Não anda no conselho dos ímpios (vs.1b)

Os ímpios são pessoas deliberada e persistentemente perversas.[1] O justo, por outro lado, é conhecido por aquilo que ele evita; nas coisas que ele não faz; no que ele nega. Todavia, o progresso no pecado começa pelo andar no conselho equivocado, o qual, influenciando a pessoa, culmina na prática moral deste conselho, ainda que não explicitamente. Não andar no conselho dos ímpios, então, implica que a conduta do justo não é adaptada pelos padrões éticos do mundo. A mentalidade do ímpio, por sua vez, é contrária aos padrões de ética estabelecidos por Deus nas Escrituras. O cristão, portanto, não geri a sua vida pautando-se no conselho dos ímpios; antes, ele é passivo, evita agir de forma negativa a estes padrões.

Jó. 21-16 – ... longe de mim o conselho dos perversos.

O Antigo Testamento fornece alguns exemplos de pessoas que ruíram por seguirem os conselhos dos ímpios. Amnon, um dos filhos de Davi, seguiu o mau conselho de seu amigo Jonadabe e estrupou a sua meia irmã, Tamar (2Sm 13.1- 20). Este pecado, todavia, levou à desintegração da família de Davi, onde Absalão, indignado com o ato sórdido de seu irmão para com a sua irmã, decidiu matá-lo por vingança (para mais detalhes, veja 2Sm 13.23-36). Roboão, sucessor de Salomão, recusou dar ouvidos ao conselho dos anciãos sábios e optou por seguir a recomendação de seus jovens amigos. Como resultado, a nação de Israel se dividiu em dois reinos que nunca mais se reuniram (1Rs 12-1- 20).

 APLICAÇÃO PRÁTICA

O pecado começa com andar, que indica seguir os conselhos pecaminosos na prática, mas não ainda inelutavelmente, onde o homem, de tal modo envolvido, já não possui mais forças para libertar-se da prática do pecado e sair da condição decadente de fraqueza espiritual em que se encontra. Quando andamos no conselho dos ímpios, pecamos contra o Senhor e desprezamos seu conselho descrito nas Escrituras. Antes de tomarmos qualquer decisão, seja ela qual for, devemos aconselhar-nos primeiramente observando o conselho de Deus na sua Palavra (Pv 19.21), e, em seguida, com pessoas experientes, sábias e de confiança.

Provérbios 15-22 – Os planos fracassam por falta de conselho, mas são bem sucedidos quando há muitos conselheiros. (NVI)

ii. Não se detém no caminho dos pecadores (vs.1c)

Conforme vimos, o justo não anda no conselho dos ímpios. Agora, vemos que ele também é passivo nas coisas manifestas, preferindo não se deter. O justo se não vive da maneira que os pecadores vivem, isto é, numa vida baseada no pecado deliberado. “Os pecadores, contudo, são aqueles que erram os alvos determinados por Deus, mas não se importam com isso”.[2]  

APLICAÇÃO PRÁTICA

Não se deter no caminho dos pecadores é não fazer associação, aliança com eles. Em contrapartida, isso também não significa que o cristão terá de insular-se dos ímpios e não se relacionar com eles de forma alguma. O salmista não tinha isso em mente. Antes, não é bom que o cristão tenha amizade profunda, se relacione amorosamente nem, tampouco, se case com quem não professe a fé no Deus das Escrituras. Todavia, podemos e devemos nos relacionar com os ímpios, porém em um nível restrito. Devemos evitar um relacionamento profundo com eles, com exceção do marido, esposa e filhos. Nosso maior objetivo para com os ímpios é evangeliza-los, a fim de que, se for da vontade de Deus, alguns deles venham a ser alcançados e salvos por Cristo Jesus. 
  
iii. Não se assenta na roda dos escarnecedores (vs.1d)

Se o justo não anda no conselho dos ímpios, e não se detém no caminho dos pecadores, ele, dessa vez, é passivo e não busca se assentar na roda dos escarnecedores. O assentar é o último e o mais torpe estágio de uma vida arraigada no pecado. No hebraico, a palavra escarnecedores לךץ (lûs), traz a ideia de uma pessoa que “faz caretas, que zomba das coisas divinas; um imitador sarcástico que ridiculariza pessoas, coisas e, especialmente Deus, demonstrando, assim, um profundo desprezo por esses”. Warren Wiersbe diz que os escarnecedores são aqueles que fazem pouco das leis de Deus e ridicularizam aquilo que é sagrado.[3] O homem neste estado é peremptoriamente obstinado pelo hábito de uma vida pecaminosa.
      
Hermisten Maia sintetiza que esse homem familiarizou-se com os conselhos dos ímpios; daí, ele passa, então, a se deter com uma curiosidade mais intensa no caminho dos pecadores e, por fim, se assenta na roda dos escarnecedores. Aqui há um agravamento de sua situação pecaminosa; ele passa a zombar das coisas santas.[4] Derek Kidner afirma que as três frases mostram três aspectos, e, realmente, três graus de separação de Deus, ao retratarem a conformidade a este mundo em três níveis diferentes: a aceitação dos seus conselhos, a participação dos seus costumes e a adoção da sua atitude mais fatal.[5]
     
APLICAÇÃO PRÁTICA

John Stott ressalta com propriedade que o justo não modela sua conduta pelo conselho de pessoas más. E mais, os justos não se demoram na companhia de ímpios persistentes; muito menos ficam “permanentemente” [ainda que estejam sujeitos temporariamente – minha ênfase] entre os cínicos que zombam de Deus abertamente.[6] Calvino, por sua vez, complementa, observando que, mesmo que uma pessoa, em especial, o cristão, não tenha todo o aviltamento provido dos maus exemplos, no entanto é possível que se assemelhe aos escarnecedores perversos, ao imitar espontaneamente seus hábitos corruptos.[7] 

c) As virtudes do justo (vs.2)

Depois de esboçar o aspecto passivo/negativo do justo, destacando aquilo que ele não faz, o salmista, agora, mostra o justo em sua posição de felicidade no aspecto “ativo/positivo” (vs.2-3), ou seja, aquilo que ele faz. Sendo assim, vejamos, então, as três atitudes “ativo/positivas” do justo – a saber, o que o justo faz.  

i. Tem prazer na lei do Senhor (vs.2a)

Em vez de andar no conselho dos ímpios, se deter no caminho dos pecadores, e se assentar na roda dos escarnecedores, o homem feliz é caracterizado pelo prazer que tem na lei de Deus. O substantivo prazer ץפע (hephes), no hebraico, acentua “um desejo por algo valioso”. Basicamente traz a ideia de “inclinar-se para algo com interesse nesse algo”. A expressão lei do Senhor refere-se não apenas à lei de Moisés [o pentateuco], mas a Escritura num todo.

APLICAÇÃO PRÁTICA

É preciso que cultivemos o hábito de ler a Palavra e descobrir dentro de um processo de aprendizado, o prazer em cumpri-la. O prazer na Palavra faz com que direcionemos nossos pensamentos e corações para ela. Ao invés de alimentarmos mágoas, ressentimentos e desejos de vingança, buscamos na Palavra, que é o nosso prazer, o suprimento para as nossas necessidades e a orientação em nossas decisões. Quando descobrimos o prazer na Palavra de Deus, passamos mais tempo lendo e refletindo sobre os seus ensinamentos.[8] 

Salmo 119.24 – Teus testemunhos são meu prazer e meus conselheiros. (Almeida Século 21)  
      
Salmo 112.1 – Bem aventurado o homem que teme ao Senhor e tem grande satisfação em seus mandamentos. (Almeida Século 21) 
       
Salmo 40.8 – ... agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei

ii. Medita na lei do Senhor de dia e de noite... (vs.2b)

Do prazer pelas Escrituras e pela sua observância na vida prática, nasce o desejo de meditar nela diligentemente, de dia e de noite. No hebraico, o termo medita הנה (haghah), significa “refletir; contemplar algo; pensar detidamente; proferir palavras com voz baixa e suave”. Este verbo representa algo tranquilo diferente do sentido de meditação enquanto exercício mental. No pensamento hebraico, meditar nas Escrituras é repeti-las calmamente em som suave e baixo, abandonando interiormente as distrações exteriores. Dessa tradição vem um tipo especial de oração judaica chamada reza, ou seja, recitação de textos, oração intensa ou estar absorto em comunhão com Deus, curvando-se ou balançando-se para frente e para trás. Essa forma dinâmica de meditação remonta evidentemente ao tempo de Davi.[9] 
  
APLICAÇÃO PRÁTICA

O verbo meditar, em sua origem latina, significa, entre outras coisas, “preparar para a ação”. A meditação nas Escrituras, portanto, não é um fim em si mesmo; antes, o seu propósito é conduzir-nos a viver na prática aquilo que meditamos. J.I. Packer corrobora que a meditação é o ato de trazer à mente as várias coisas conhecidas sobre os procedimentos, as peculiaridades, os propósitos e as promessas de Deus; pensar, deter-se nelas e aplicá-las à própria vida.[10] O meditar na Palavra e nos feitos de Deus, salienta Hermisten Maia, é uma prática abençoadora pelo fato de ocupar nossas mentes e corações com o que realmente importa; estimula a nossa gratidão e perseverança em meio às angustias.[11]

É lamentável como grande parte dos cristãos de hoje não têm o prazer de meditar na lei do Senhor de dia e de noite. Que venhamos a estar continuamente meditando nas Escrituras, pois é desse ato que procede o crescimento na santificação (Jo 17.17). Charles Hodge assevera que não podemos fazer progresso na santidade a menos que empreguemos mais tempo lendo e ouvindo a Palavra de Deus, e meditando sobre ela; pois é ela que é a verdade pela qual somos santificados.[12] Sendo assim, o homem bem aventurado e justo é aquele que ama meditar e obedecer a lei do Senhor.   
Josué 1.8 – ... antes, medite nele [no livro da lei] de dia e de noite, para que tenha cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem sucedido.       

c) A posição do justo (vs.3)

Além de ter sublinhado o estado de bem aventurança e o caráter do homem justo (vs.1-2), o salmista, dessa vez, lista três aspectos de sua posição na graça de Deus. Então, quais são as virtudes do justo?   

i. Estável na vida cristã (vs.3a)

Fazendo uso de uma metáfora, o salmista diz que o justo é como árvore plantada à beira de águas correntes. (NVI) Por causa do solo essencialmente árido em Israel no Antigo Testamento, uma árvore frondosa servia como um símbolo apropriado de benção. A palavra plantada indica que o justo não tem raízes acidentalmente e nem tem iniciativa própria de plantar-se. Árvores não são plantadas sozinhas e nem pecadores se transportam sozinhos pela vontade própria para o reino de Deus. O pecador é morto espiritualmente e incapaz de se voltar para Deus em arrependimento e fé (Ef 2.1-3; Rm 3.10-11).     

Contudo, o justo foi enraizado junto a correntes de águas (ARA), que simboliza a graça maravilhosa de Deus que o vivificou e salvou da morte eterna. “Não somos capazes de nos nutrir nem de nos sustentar por nossa própria conta; precisamos estar arraigados em Cristo e nos alimentar de seu poder espiritual”.[13] Logo, o propósito de Deus em plantar o homem no solo fértil de sua graça divina por meio de Cristo Jesus é viver uma vida que o glorifica, o que veremos mais detidamente a seguir, como outra virtude do justo. 
   
ii. Produz frutos (vs.3b)

O propósito de Deus plantar o homem no solo fértil da sua graça é a produção de frutos de justiça que glorifiquem o seu nome (Jo 15.16). O homem não é salvo pelas obras, mas para as boas obras; em outras palavras, não pelos bons frutos, mas para os bons frutos (Ef 2.10). Note que a árvore não dá o seu fruto logo após ser plantada, mas, sim, na estação própria, no tempo certo, no tempo de Deus.

APLICAÇÃO PRÁTICA

Os frutos aqui são variados, e podem se referir a uma vida piedosa, o serviço diligente na obra do Senhor, contribuir financeiramente, evangelizar, presença frequente nos cultos, entre outras coisas. Desse modo, percebemos, aqui, um incentivo à perseverança na fidelidade a Deus, pois a obediência aos seus preceitos produz frutos, porém não imediatos, mas no tempo certo; e em alegria iremos colhê-los. Nem sempre vamos colher todos os frutos nesta vida como resultado da nossa dedicação a Deus. Mas, na eternidade, quando estivermos na terra restaurada, iremos colher todos os frutos, como resultado do nosso serviço e obediência ao Senhor prestados nessa terra.           

William McDonald escreve:  

O homem que está separado do pecado e separado para as Escrituras tem todas as qualidades de uma árvore forte, saudável e frutífera plantada junto a ribeiros de águas – ele tem suprimento de alimento e refrigério que nunca falha. Isso faz com que seus frutos aparecem na estação apropriada. Ele mostra a graça do Espírito, e suas palavras e ações são sempre oportunas. Suas folhas também não murcharão – sua vida espiritual não está sujeita a mudanças cíclicas, mas é caracterizada pela renovação contínua interior.[14] 

As intempéries que sobrevêm na vida do homem bem aventurado não tem o poder de fazer murchar “suas folhas verdes”, tirando a sua alegria de servir a Deus em fidelidade e permanecer firme em seus caminhos. O homem bem aventurado, sobretudo, é uma árvore plantada; suas raízes estão arraigadas no solo da graça divina, onde ele tem todos os nutrientes para permanecer firme e crescer com vigor espiritual. As árvores plantadas pelo Senhor podem até se secar durante um tempo, que implica um período de fraqueza espiritual e pecado que o cristão está passível a cair. No entanto, a árvore plantada no solo da graça não pode morrer, ou, em outras palavras, não pode apostatar-se da fé, rejeitando o Senhor Jesus. A árvore que morre nunca foi plantada por Deus! 

Jeremias 17.7-8 – Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja esperança é o Senhor. Porque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e no ano de sequidão não se perturba nem deixa de dar fruto.

João 6.39 – E a vontade daquele que me enviou é esta: que eu não perca nenhum de todos os que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia. (Almeida Século 21)

João 10.28 – Dou-lhes [as minhas ovelhas] a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrancará da minha mão. (Almeida Século 21)

Hermisten Maia afirma que, assim como as árvores se alimentam e se solidificam por meio de suas raízes, o fiel se nutre espiritualmente, fortalecendo a sua fé em Deus por meio da meditação sincera e constante na Sua Palavra.[15]

iii. É bem sucedido por Deus (vs.3c)

A vida bem sucedida que o salmista e as Escrituras enfatizam não é financeira, necessariamente [embora seja possível, se Deus quiser], mas está associada, especificamente, à vida espiritual e a observância da lei do Senhor (vs.2). A verdadeira prosperidade é uma abundância da graça divina em nossa vida, que nos é proporcionada como o resultado de uma vida frutífera para a glória de Deus. A nossa prosperidade, sobretudo, é Cristo ardendo em nós; é o Espírito de Deus que transforma a nossa vida. 
   
2. O RETRATO DO ÍMPIO (1.4-6)

a) O estado do ímpio (vs.4a)

Existe aqui um contraste rigidamente definido. O salmista pinta a superficialidade dos ímpios com um duplo negativo – não e assim, tanto em sua conduta como no seu estado de aparente “felicidade”. O dinheiro e a vida bem sucedida que muitos ímpios desfrutam não são e não podem trazer a verdadeira felicidade. Ao contrário dos justos, os ímpios não são descritos como árvores, uma vez que estão mortos em seus pecados e não possuem raízes.

b) O caráter do ímpio (vs.4b)

Se a vida do perverso não pode sequer ser comparada a uma árvore plantada aos ribeiros de águas, tampouco pode ser comparada a uma árvore seca. Antes, o ímpio é comparado pelo salmista como a palha que o vento dispersa.
     
A palha é uma imagem comum no AT. Extraída das épocas de colheita de trigo, essa figura também foi usada por João Batista em sua mensagem, onde conclamava o povo de Israel ao arrependimento (Mt 3.7-12). O trigo era debulhado numa superfície dura e plana, sobre um monte, e exposto ao vento. O trigo era erguido por pás e jogado para cima. Os grãos preciosos, então, caíam e eram recolhidos, enquanto que as palhas leves eram espalhadas pelo vento. 
     
A palha é composta de cascas de grãos vazias, não tem peso substancial para estabilizar-se e é facilmente levada pelos ventos da adversidade. Pelo modo de peneiração do oriente contra o vento, a palha era totalmente espalhada. Assim é o ímpio – que vive superficialmente e não tem raízes na graça de Deus, pois é morto espiritualmente. Os ímpios não estão plantados junto a corrente de águas, isto é, na palavra de Deus e, portanto, não são salvos. Não possuem valor algum, são facilmente levados pelo vento porque são leves, estéreis e vazios da presença de Deus em amor.[16]

c) A condenação dupla dos ímpios (vs.5)

i. O destino final dos perversos (vs.5a)

A conjunção por isso introduz a indubitável conclusão de que os perversos, no último dia, serão reprovados por Jesus Cristo no julgamento. Henry Law escreve:

O julgamento está próximo. O juiz está às portas. O grande trono branco em breve será estabelecido. Os mortos serão julgados pelas coisas escritas nos livros, de acordo com suas obras. Eles não podem fugir desse tribunal terrível. Nenhuma máscara pode ocultar a culpa deles. Seus pecados estão todos registrados. Nenhum sangue apagou as manchas. Eles não buscaram o mérito do salvador. Não tiveram interesse na cruz salvadora. Eles não podem permanecer.[17]  

Mateus 25.46 – E irão estes para o castigo eterno... 

ii. A separação dos pecadores da congregação dos justos (vs.5b)

A expressão congregação dos justos se refere a um grupo de pessoas e nações sobre os quais Deus preside como governante (veja, como exemplo, o Sl 7.7-8). Essa expressão também tem conotação escatológica, e denota que os ímpios não farão parte da comunidade dos justos na eternidade, na terra restaurada.  

Matthew Henry chama a atenção para o fato de que o joio pode estar no meio do trigo por um tempo [na igreja – minha ênfase], porém, vem aquele que tem em sua mão a foice afiada e que limpará o seu solo completamente. Os que por seus próprios pecados e atitudes néscias são como o joio, encontrar-se-ão diante do redemoinho e do fogo da ira divina.[18] Warren Wiersbe completa, dizendo que, quando o dia do julgamento chegar, o senhor, o justo juiz, separará o trigo do joio, as ovelhas dos bodes e os grãos da palha, e nenhum incrédulo poderá reunir-se com os justos.[19]

3. DUAS VIDAS E DOIS DESTINOS DIFERENTES (1.6)

A base que determinará o julgamento de Deus sobre essas duas classes de pessoas é o conhecimento que ele possui de ambos. “O conhecimento refere-se a todo o curso de vida, incluindo o que a motiva, o que ela produz e onde termina”.[20] Este conhecimento de Deus é denominado de onisciência, que é o conhecimento que ele tem de todas as possibilidades (veja, como exemplo, Mt 11.20-21) e eventos concretos preordenados pela sua soberania que ocorrem no tempo. Vejamos, então, o conhecimento que Deus tem do justo e do ímpio.   
   
a) O caminho do justo (vs.6a)

O verbo conhecer, aqui, assinala que Deus não apenas conhece a vida do justo; antes, o conhecimento que Deus possui do justo significa que, desde a eternidade, antes da criação, ele o conheceu, o predestinou, o chamou, o justificou e o glorificou para a sua glória (Rm 8.29-30). Portanto, o justo nunca há de perecer, uma vez que é guardado por Deus para a consumação da salvação, a qual se dará no último dia (1Pe 1.5).   

b) O caminho dos ímpios (vs.6b)

O mesmo conhecimento que Deus possui da vida do justo se aplica ao conhecimento que ele também possui da vida do ímpio. Entretanto, o conhecimento que Deus tem do ímpio é uma antítese do conhecimento que ele tem do justo no que se refere à salvação eterna. O ímpio, de coração obdurado, que permanece na incredulidade até o fim de sua vida, demonstra que não foi escolhido por Deus. Eles são “entregues” por Deus aos seus desejos pecaminosos como resultado do decreto de Deus, onde os quais não serão, mas “já estão” condenados à justa punição eterna no lago de fogo. 

João 3.18 – Quem nele não crê não é julgado; o que não crê já está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.  

CONCLUSÃO

Os dois modos de vida apresentados no salmo 1 determina o destino final dos que o seguem. O justo, que é ó homem bem aventurado, obedece aos preceitos de Deus e tem prazer em esmerar-se nas Escrituras para o crescimento espiritual. O ímpio, por sua vez, não é assim; pelo contrário, ele não obedece aos mandamentos de Deus, não tem prazer, não deseja e ignora as Escrituras. O salmo 1 termina com uma solene advertência acerca da importância de vivermos uma vida cristã diligente e frutífera para a glória Deus com vista no julgamento final. Assim, por amor a Deus ficará provado quem é justo e verdadeiro cristão, e quem é ímpio e falso cristão. Jesus disse que aquele que o amar verdadeiramente obedecerá aos seus mandamentos (Jo 14.15). O cumprimento dos preceitos de Deus é uma das maiores evidências do verdadeiro cristão.

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NOTAS:
1 Warren Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo. Antigo Testamento, vol 3, pág 88.
2 Ibid.
3 Ibid.
4 Hermisten Maia Pereira da Costa. Citação extraída do seu artigo disponível em: http://www.mackenzie.br/fileadmin/Graduacao/EST/DIRETOR/Salmo_1_-_O_Homem_Bem-Aventurado.pdf
5 Derek Kidner. Salmos 1-72. Introdução e Comentário, pág 63.
6 Calvino. Comentário de Salmos – Vol 1, pág 45. 
7 John Stott. Salmos Favoritos, selecionados e comentados – Abba Press, 1997, pág 8.  
8 Hermisten Maia Pereira da Costa. Citação extraída do seu artigo disponível em: http://www.mackenzie.br/fileadmin/Graduacao/EST/DIRETOR/Salmo_1_-_O_Homem_Bem-Aventurado.pdf
9 Dicionário Hebraico do Antigo Testamento James Strong, pág 1601.
10 J.I. Packer. O Conhecimento de Deus, pág 17.  
11 Hermisten Maia Pereira da Costa. Citação extraída do seu artigo disponível em: http://www.mackenzie.br/fileadmin/Graduacao/EST/DIRETOR/Salmo_1_-_O_Homem_Bem-Aventurado.pdf
12 Charles Hodge. O Caminho da Vida, New York: Sociedade Americana de Tratados, pág. 294.
13 Warren Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo. Antigo Testamento, vol 3, pág 88.
14 William McDonald. Believers Commentary
15 Hermisten Maia Pereira da Costa. Citação extraída do seu artigo disponível em: http://www.mackenzie.br/fileadmin/Graduacao/EST/DIRETOR/Salmo_1_-_O_Homem_Bem-Aventurado.pdf 
16 John Stott. A Bíblia toda, o ano todo, pág 94.
17 Henry Law. Psalms.
18 Matthew Henry. Comentário Bíblico transcrito e adaptado, pág 398.
19 Warren Wiersbe. Comentário Bíblico Expositivo. Antigo Testamento, vol 3, pág 89.
20 Thomas L. Constable. Nots on Psalms.  

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Autor: Leonardo Dâmaso
Fonte: Bereianos
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