Cristo morreu por você?

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Provavelmente já foi dito para você, em um momento ou outro, que Deus o ama, e que Cristo morreu por você. Você pode, então, até mesmo ter decidido que as coisas não podem ser assim tão más. Na verdade, a Bíblia fala sobre punição para todos aqueles que não creem em Cristo, mas, se Deus ama a todos e se Cristo morreu por todos, então não há realmente nenhuma necessidade de se preocupar, não é?

Você sabia que não é necessariamente verdade que Cristo morreu por você? A Bíblia ensina claramente que Cristo não morreu por todos, mas apenas por aqueles que foram dados a Ele por seu Pai celestial (Ex: Jo 10v11; Ef 5v25).

Quando Cristo morreu na cruz, cerca de dois mil anos atrás, Ele morreu para pagar pelos pecados daqueles a quem Seu Pai Lhe dera. Ele tomou o seu lugar e morreu porque Ele estava sofrendo o castigo pelos pecados deles.

Isso significa que, se Cristo morreu por você, todos os seus pecados são apagados e não há mais razão para que Deus fique irado ou puna você. Seria maravilhoso saber disso, não seria?

Mas se Cristo não morreu para você, então não há esperança para você. Então, você está condenado a sofrer o castigo por seu próprio pecado. A história de como Jesus sofreu e morreu irá mostrar-lhe o que isso significa. Ele foi deixado na escuridão e foi abandonado por Deus. Logo, você será punido por Deus para sempre se Jesus Cristo não morreu por você.

Talvez você não perceba quão terrível é isso. A Bíblia diz que a punição para o pecado é tanto eterna escuridão quanto um fogo que nunca se apaga. É ser odiado por Deus para sempre e ser jogado para fora de Sua presença (Cf. Mt 13v49-50; 25v30, 46).

A única maneira de ser livrado de tal punição é pela morte de Jesus na cruz. Só se Jesus sofreu seu castigo você será salvo dele.

Mas como você sabe que Cristo morreu ou não por você? Como alguém pode saber?

Há três coisas que serão verdade, se Cristo morreu por você.

Primeiro, você vai entender que você é um pecador e vai se arrepender diante de Deus por todas as iniquidades que cometeu contra Ele e contra os outros. A Bíblia chama isso de arrependimento.

Em segundo lugar, você vai querer Jesus como seu Salvador e, pela graça de Deus, você confiará n'Ele. Você vai acreditar que Ele é o Filho de Deus, que Ele morreu pelos pecados, e - o mais maravilhoso de tudo - que ele morreu por você também!

E em terceiro lugar, você vai procurar viver uma nova vida de obediência ao Deus Trino - uma vida que mostra uma verdadeira gratidão a Ele por essa salvação tão maravilhosa.

A Bíblia, portanto, ordena que você e qualquer outra pessoa se arrependa de seus pecados e creia em Jesus Cristo, e insiste que você obedeça a Deus, e não aos seus desejos, em todas as coisas.

Gostaríamos que você pensasse sobre estas palavras da Bíblia:

"Pois Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para condenar o mundo, mas para que este fosse salvo por meio d'Ele. Quem n'Ele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus" - Jo 3v17-18.

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Para compreender melhor esta e outras doutrinas, confira a seção de eBooks. Sugiro os eBooks A Morte da Morte na Morte de Cristo de John Owen e também Por Quem Cristo Morreu? de Angus Stewart.

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Por Covenant Protestant Reformed Church | Em Setembro de 2013 | Artigos.
Traduzido por Thiago McHertt | Original aqui.
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Ellen G. White falou a verdade? O testemunho dos Pais da Igreja

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Por Rev. Ewerton B. Tokashiki


Evidências históricas anteriores à Constantino 

Sem recorrermos ao Novo Testamento como prova histórica,[1] é possível evidenciar documentalmente que os cristãos observaram o primeiro dia da semana desde os seus primórdios? Devemos recordar que o argumento de Ellen G. White é que o abandono do sétimo dia para a guarda do domingo somente ocorreu em 321 d.C. quando Constantino promulgou a “Lei Dominical”. Leiamos o que registraram os pais da Igreja, nos séculos que antecederam à Constantino, e a nossa conclusão poderá descansar sobre o firme alicerce da verdade. 

Didaquê 

O mais antigo manual de preparação de batismo e discipulado da Igreja Cristã (80-90 d.C.) conhecido por Didaquê instrui como deveria ser a vida comunitária. A orientação era de que “reúnam-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer, depois de ter confessado os pecados, para que o sacríficio de vocês seja puro.”[2] A expressão dia do Senhor, em grego kuriakê heméra e, em latim Dies Domini tornou-se o termo para indicar o primeiro dia da semana, a que chamamos de Domingo, o dia em que o Senhor ressuscitou! 

Inácio de Antioquia 

Inácio de Antioquia em sua Carta aos Magnésios (110 d.C.) declara que 

aqueles que viviam na antiga ordem de coisas chegaram à nova esperança, e não observam mais o sábado, mas o dia do Senhor, em que a nossa vida se levantou por meio dele e da sua morte. Alguns negam isso, mas é por meio desse mistério que recebemos a fé e no qual perseveramos para ser discípulos de Jesus Cristo, nosso único Mestre.[3]

A sistematização doutrinária exposta por Inácio aponta para a transição da antiga para a nova aliança. Esclarece que a ressurreição de Cristo é a causa da descontinuidade e acomodação para a nova ordem, e, isto inevitavelmente envolve a mudança do dia de descanso do sétimo para o primeiro dia da semana, inaugurando uma nova era. 

Plínio “o jovem” 

Conhecido por ser justo em seus julgamentos, Plínio “o jovem”, segundo o seu relato, procurava através de tortura e questionamentos descobrir o grau de culpabilidade do réu. Num período em que o imperador romano Trajano exigia a prisão, tortura, e dependendo do caso a pena de morte dos cristãos, e, neste contexto Plínio escreve uma carta questionando do motivo de prender e executá-los, se neles nenhum motivo de culpa era encontrado. Em 113 d.C., o relator descreve que os cristãos, sob tortura, confessaram que “unânimes em reconhecer que sua culpa se reduzia apenas a isso: em determinados dias, costumavam comer antes da alvorada e rezar responsivamente hinos a Cristo como a um deus...”.[4] 

O testemunho do governador pagão expressou admiração com o costume cristão. Não havia nada de absurdo, nem ofensivo naquela religião. A menção de determinados dias confirma que as suas reuniões seguiam uma norma semanal, e que antes do amanhecer se reuniam. 

A carta a Diogneto 

O desconhecido escritor da Carta a Diogneto afirma que “não creio que tenhas necessidade de que eu te informe sobre o escrúpulo deles a respeito de certos alimentos, a sua superstição sobre os sábados...”.[5] Em 120 d.C., o contraste entre cristãos e judeus estava estabelecido, de modo que a guarda do sétimo dia era visto pelos cristãos como sendo uma superstição judaica, e não como algo normativo para a Igreja. 

A carta de Bárnabé 

Um importante documento histórico apresenta alguns traços do Cristianismo do século II. A “carta de Barnabé” não tem autoria certa, mas pelo seu conteúdo a crítica literária especializada em patrística é de consenso datá-la entre 134-135 d.C.. O autor interpreta o significado do sábado. Ele declara que 

vede como ele diz: não são os sábados atuais que me agradam, mas aquele que eu fiz e no qual, depois de ter levado todas as coisas ao repouso, farei o início do oitavo dia, isto é, o começo de outro mundo. Eis por que celebramos como festa alegre o oitavo dia, no qual Jesus ressuscitou dos mortos e, depois de se manifestar, subiu aos céus.[6]

O seu conteúdo é abertamente contrário aos sistemas judaizantes. Nesta interpretação acerca do sábado, o autor contrasta entre o entendimento do Judaísmo e o Cristianismo. 

Justino de Roma 

O apologista cristão expressou que “no dia que se chama do sol, celebra-se uma reunião de todos os que moram nas cidades ou nos campos, e aí se lêem, enquanto o tempo o permite, as memórias dos apóstolos ou os escritos dos profetas.” Noutro lugar ele continua


celebramos essa reunião geral no dia do sol, porque foi o primeiro dia em que Deus transformando as trevas e a matéria, fez o mundo, e também o dia em que Jesus Cristo, nosso Salvador, ressuscitou dos mortos. Com efeito, sabe-se que o crucificaram um dia antes do dia de Saturno e no dia seguinte ao de Saturno, que é o dia do Sol, ele apareceu a seus apóstolos e discípulos, e nos ensinou essas mesmas doutrinas que estamos expondo para vosso exame.[7]

A preocupação de Justino não era de firmar novas doutrinas, mas apenas de expor aos seus inquisitores o que era crença e prática tradional dentro do Cristianismo. A sua I Apologia é datada em 155 d.C. apontando para a proximidade da era apostólica, um período de pureza na fé cristã. 

Irineu de Lião 

Enquanto Justino defendia os cristãos diante dos governadores pagãos, Irineu se dedicava a atacar as heresias que brotavam dentro do Cristianismo. Irineu como apologista analisava os desvios doutrinários que haviam se infiltrado dentre os cristãos. Especificamente para o nosso propósito selecionamos os heréticos que se nomeavam ebionitas,[8] que segundo Irineu eles “praticam a circuncisão e continuam a observar a Lei e os costumes judaicos da vida e até adoram Jerusalém como se fosse a casa de Deus.”[9] Além de negar a salvação somente pela graça e a sua suficiência em Cristo, os ebionitas ensinavam uma redenção por meio da obediência da lei. Dentre os “costumes judaicos da vida” incluíam a prática de guardar o sétimo dia. Eles não entenderam a cessação dos aspectos civis da lei, nem o seu cumprimento cerimonial em Cristo, de modo que, persistiam em exigi-los como complemento da salvação, e nisto consistia a sua heresia. O livro Contra as Heresias é datado entre 180 a 190 d.C.. 

Tertuliano 

No início do século III os cristãos demonstravam desprezo pelos costumes judaizantes. Em seu livro Da Idolatria, escrito entre os anos 200 e 210 d.C., Tertuliano declara que “não temos praticado os Shabbats ou, outras festividades judaicas, do mesmo modo que evitamos as práticas pagãs.”[10] A sua afirmação esclarece que, tanto a idolatria quanto práticas judaicas, eram evitadas no mesmo pé de igualdade. Não há dúvidas de que o descanso cristão no fim do século II era marcadamente o domingo, da mesma forma que o exclusivismo cristão testemunhava contra pagãos e judeus! 

Conclusão 

As evidências exigem um veredicto! A declaração da senhora Ellen G. White é insustentável por causa da ausência de fontes e de provas. A verdade está contra ela, pois todo testemunho histórico aponta para a celebração do primeiro dia da semana como sendo o santo dia de descanso, de comunhão e de celebração dos cristãos primitivos que antecederam a “Lei Dominical” de Constantino. 

Todos os editos e leis foram promulgados para que os seus súditos incentivados por benefícios civis adotassem a religião cristã. O império romano estava se adaptando ao Cristianismo e não o contrário. Assim, o primeiro dia da semana tornou-se descanso civil, por ser tradicionalmente desde o final do primeiro século um dia reservado para o culto cristão. 

Evidências históricas apontam para o favorecimento do imperador romano para o Cristianismo. O que vimos foi que a Igreja no período da Patrística não somente evitava a guarda do sétimo dia, mas desprezava-a como sendo superstição, idolatria e heresia judaizante! Não há no puro Cristianismo nenhum grupo, em nenhum lugar e período que celebrasse o sábado como o dia cristão. 


Notas: 
[1] Deixo esclarecido que aceito a plena inerrância e historicidade do Novo Testamento. Apenas não recorrerei a textos do NT para evitar uma discussão exegética, mantendo-me apenas na análise histórica extrabíblica. Aqueles que têm alguma dúvida quanto à historicidade do NT sugiro a leitura de Eta Linnermann, Crítica Histórica da Bíblia (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2009). Embora tenha pronto a argumentação bíblica, aqui será exposto apenas as evidências históricas. 
[2] Didaquê in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 1995), vol. 1, pág. 357. 
[3] Inácio de Antioquia – Epístola aos Magnésios – Padres Apostólicos in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 1995), vol. 1, pág. 94. 
[4] Henry Bettenson, ed., Documentos da Igreja Cristã (São Paulo, ASTE, 4ªed., 2001), págs. 29-30. 
[5] Carta a Diogneto – Pais Apologistas in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 1995), vol. 2, pág. 21. 
[6] Carta de Barnabé – Pais Apologistas in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 1995), vol. 1, pág. 311. 
[7] Justino de Roma, I Apologia in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 2ªed., 1995), vol. 3, págs. 83-84. 
[8] Sabe-se que “eram judeus que aceitavam Jesus como o Messias ao mesmo tempo em que continuavam a afirmar que Paulo era um apóstota da lei, negavam o nascimento virginal, praticavam a circuncisão, observavam o Sábado, a Páscoa e outras festividades judaicas”. Robert G. Clouse, et. al., Dois reinos (São Paulo, Editora Cultura Cristã, 2003), pág. 33. 
[9] Irineu de Lião, Contra as Heresias in: Patrística (São Paulo, Editora Paulus, 2ª ed., 1995), vol. 4, pág. 108. 
[10] Tertulian, On Idolatry in: Ante-Nicene Fathers, vol. 3, pág. 70 citado em G.H. Waterman, Sabbath in: The Zondervan Pictorial Encyclopedia of the Bible (Grand Rapids, Zondervan Publishing, 1977), vol. 5, pág. 187. Este pai da Igreja é conhecido por causa da sua ortodoxia trinitária. O termo “Trindade” foi cunhado por ele, e Philip Schaff concede-lhe o título de fundador do Cristianismo Latino. 

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Artigos sobre a família – Uma cosmovisão Cristã 3/4

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Por The Coalition on Revival, Inc.


O Aborto e o infanticídio, a eutanásia e a discriminação no tratamento médico

35. Afirmamos que toda a vida humana é santa e tem um valor intrínseco dado por Deus – além de ser medida pela habilidade humana – porque traz a imagem de Deus, sem consideração de raça, idade, gênero, status pré-natal, ou impedimento físico ou mental (Mateus 6:25;10:31; Gênesis 2:7;9:5,6, Salmo 139:14, Jeremias 1:5).

Negamos que o valor da vida humana deva ser medido por sua “qualidade”; que o aborto sob demanda, o infanticídio, a eutanásia ou a discriminação no tratamento médico contra os deficientes, ou muito jovem, ou o muito velho seja justa em algum momento; e que alguma raça ou gênero tenha um valor intrínseco maior que  algum outro.

36. Afirmamos que todo ser humano começa a vida a partir do momento da concepção; que o zigoto, o embrião e o feto devem, portanto, receber plena proteção da lei (Salmo 139:14, 15; Jeremias 1:5; Êxodo 21:22-25); que matar o zigoto, o embrião ou o feto, por meio do aborto ou alguma outra forma de violência é assassinato; que a remoção do zigoto, o embrião ou o feto do ventre está justificada unicamente quando deixar a criança no ventre da mãe pode matar a mãe e a criança; que a Igreja deve fomentar a investigação para melhorar as oportunidades de sobrevivência para um bebê que tenha sido removido desta maneira; e que nenhuma criança deve ser privada de alimentação ou de cuidado médico necessário depois do nascimento por razão alguma (Deuteronômio 5:17).

37. Afirmamos que os homens e as mulheres já velhos têm valor aos olhos de Deus e têm o mesmo direito à vida dado por Deus como as outras pessoas, e que a “eutanásia” -  tirar a vida de uma pessoa seja através da ação positiva ou do descuido – é, portanto, assassinato.

Negamos que a vida deva ser valorizada pela sua utilidade na sociedade; que as pessoas velhas, ainda aqueles severamente incapacitadas, sejam pessoas sem valor; e que os idosos devam ser usados para experimentos médicos sem seu consentimento.

A família e a Igreja

38. Afirmamos que os filhos  dos crentes devem receber sua instrução espiritual básica dos seus próprios pais, com a ajuda dos membros de mais idade da família e da Igreja; que os filhos dos não crentes devem ser providos da oportunidade de receber instrução espiritual por parte da Igreja com aprovação paterna; que os adultos recebam sua preparação para os papeis na igreja por meio da  administração de sucesso de sua própria família; e que os adultos solteiros podem beneficiar-se ao serem recebidos nos grupos familiares da Igreja como uma forma de ministrar e ser ministrados (Deuteronômio 6:7;11:19; 1 Timoteo 3:4; Tito 1:6; 2:3-5; Salmo 68:6).

Negamos que as igrejas devam substituir aos pais Cristãos ou à casa no treinamento; que os programas da igreja devam interferir na vida familiar fundamentada Biblicamente; e que as igrejas devam estimular o cuidado infantil institucionalizado para crianças com pais capazes.

39. Afirmamos que as igrejas devem buscar estabelecer anciãos que sejam escrituralmente qualificados como modelos razoáveis de Cristo nas relações familiares, que sejam capazes de treinar a outros na liderança familiar, que convidem regularmente a sua casa  aos membros de seu rebanho, e que sejam responsáveis de treinar aquelas famílias sob seu cuidado nas qualidades que lhes capacitem para  tornarem-se líderes da igreja (1Timoteo 3:1-5; Tito 1:6-9; Efesios 5:25-33; 6:4).

Negamos que somente o treinamento institucional seja suficiente qualificação para dirigir a Igreja de Cristo; que o treinamento para a liderança deva excluir a família do homem; que as famílias sejam um impedimento para o ministério; e que as igrejas devam demandar ou esperar que os homens casados passem tempo excessivo longe de suas casas (1 Timóteo 3:4; Tito 1:6; 2:3-5).

A família e o Estado

40. Afirmamos que Deus da à família responsabilidades civis, incluindo dar a luz aos filhos, alimentá-los, treiná-los e prover suas necessidades, o mesmo que prover as necessidades físicas, proteger a vida e cuidar dos membros incapacitados da família, e ajudar aos necessitados da comunidade através da hospitalidade e atos de misericórdia; e que toda família cristã deve esforçar-se  para cumprir estas responsabilidades, e se necessitar de ajuda, deve buscá-la primeiramente nos ramos familiares e depois na Igreja (Gênesis 1:27, 28; Deuteronômio 5:19; 6:7; 11:19; 2 Coríntios 9:7; 1 Timóteo 5:4, 8, 16; 3:2; Provérbios 31:20).

Negamos que o estado tenha algum direito de minar ou eliminar a justa autoridade dos pais em uma família ou que deva reivindicar o  papel de educador, provedor, ou protetor das crianças ou outros membros da família, exceto em casos judicialmente comprovados de abuso, descuido, abandono ou petição da família.

41. Afirmamos que Deus dá ao magistrado o poder de castigar as más ações e de fomentar a boa conduta; que os crimes que ocorrem na família devem ser castigados justamente; e que o estado deve promover um ambiente social, econômico e físico que propicie a vida familiar (Romanos 13;4,4). Negamos que o Estado tenha o direito de estabelecer padrões extrabíblicos com  respeito a quem pode se casar, quem pode ter filhos, como as crianças devem ser disciplinadas e educadas, e como os esposos e as esposas ou outros membros da família podem se relacionar um com os outros; que Deus conceda aos governos civis o direito de restringir sua liberdade econômica através de uma política de impostos que fomente a ruína (incluindo o roubo às viúvas e órfãos por meio dos impostos à herança), leis opressivas com respeito ao uso da terra, ou o favoritismo para as grandes corporações; ou que o Estado deva legalizar ou financiar o aborto, o infanticídio ou a eutanásia.

42.  Afirmamos que o abuso sexual e a privação deliberada por parte dos pais de refúgio, vestimenta, alimentação, sono, ou de cuidado médico essencial para as crianças, colocando em risco, deste modo, suas vidas e sua saúde física, devem ser tratados como uma agressão ilegal ou como intenção de assassinato e os ofensores devem ser castigados, portanto, pelo governo civil e ser disciplinados pela Igreja. Negamos que o Estado  tenha algum direito de impor padrões não realistas sobre as famílias; que as assim chamadas, ofensas de “abandono emocional”, “abuso emocional”, “abandono educativo”, etc., que formam o grosso dos relatórios confirmados de “abuso e abandono infantil”, sejam, de fato, crimes contra as crianças; que o Estado tenha algum direito de administrar penas criminais ou usurpar a custódia em casos de negligência, exceto quando a vida ou a saúde física da criança estão, obviamente, em perigo; e que o Estado deva, alguma vez, administrar penas criminais ou usurpar a custódia em casos onde a única acusação diz respeito à saúde mental, visto que, o Estado não pode mandar quais crenças ou atitudes particulares são saudáveis ou aceitáveis.

Negamos, ainda, que a negligência involuntária, causada pela pobreza ou outras circunstâncias incontroláveis devam ser tratadas em alguma ocasião como crime, e que também as famílias pecaminosas sejam mais ajudadas com as ameaças de retirar os seus filhos, ao contrário da oração, instrução piedosa e ajuda amorosa.

43. Afirmamos que o estupro é um pecado e um crime, não importando quem seja a vítima, mas especialmente quando é cometida contra uma criança, e que os estupradores devem ser julgados como criminosos (Deuteronômio 22:23-27; Levítico 18).

Negamos que o incesto seja meramente um “tabu” social; que os assim chamados estupros “não violentos” ou estupro “em encontros” (cometidos durante um estupro) não sejam crimes; que os pais devam ser condenados como abusadores sexuais na ausência de evidências convincentes; que o governo civil deva consentir em uma “caça às bruxas” contra o abuso sexual, solicitando relatórios anônimos ou acusando pessoas sem evidência convincente; que o governo deva plantar a desconfiança dos pais nas mentes das crianças inocentes (Deuteronômio 18:15); que os pais que demonstrem seu carinho para com seus filhos devam ser tratados como criminosos; que os abraços, beijos e outras formas de afeto por parte dos pais que não envolvam estimulação sexual sejam abuso sexual; e que os estupradores devam receber aconselhamento, palavra de honra, ou sentenças de prisão em vez da punição dita pela Bíblia.

44. Afirmamos que a pena para os crimes genuínos contra as crianças caem somente sobre o autor, não sobre outros membros da família ou à vítima. Negamos que as crianças devam ser retiradas da custódia do cônjuge que não é o ofensor.

45.  Afirmamos que as palmadas Bíblicas podem causar contusões temporais e superficiais ou machucados que não constituem abuso infantil, mas que a brutalidade comprovada contra uma criança que resulte na desfiguração permanente ou em feridas sérias deve ser castigada pela lei (Êxodo 21:23, 24; Provérbios 13:24; 22:15; 23:13, 14). Negamos que o direito e a responsabilidade de administrar disciplina dê alguma vez aos pais o direito de ferir seriamente a seus filhos.

Continua...

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O genuíno sentido do domingo

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Por João Calvino


Contudo, não foi sem alguma razão que os antigos escolheram o dia do domingo para pô-lo no lugar do sábado. Ora, como na ressurreição do Senhor está o fim e cumprimento daquele verdadeiro descanso que o antigo sábado prefigurava, os cristãos são advertidos pelo próprio dia que pôs termo às sombras a não se apegarem ao cerimonial envolto em sombras. Nem a tal ponto, contudo, me prendo ao número sete que obrigue a Igreja à sua servidão, pois nem haverei de condenar as igrejas que tenham outros dias solenes para suas reuniões, desde que se guardem da superstição. Isto ocorrerá, se se mantiver a observância da disciplina e da ordem bem regulada.

A síntese do mandamento é: como aos judeus a verdade era comunicada sob prefiguração, assim ela, em primeiro lugar, nos é outorgada sem sombras, para que por toda a vida observemos um perpétuo sabatismo de nossos labores, a fim de que o Senhor em nós opere por seu Espírito; em segundo lugar, para que cada um, individualmente, sempre que disponha de lazer, se exercite diligentemente na piedosa reflexão das obras de Deus. Então, ainda, para que todos a um tempo observemos a legítima ordem da Igreja, constituída para ouvir-se a Palavra, para a administração dos sacramentos, para as orações públicas. Em terceiro lugar, para que não oprimamos desumanamente os que nos estão sujeitos.

E assim se desvanecem-se as mentiras dos falsos profetas, os quais, em séculos transatos, imbuíram o povo de uma opinião judaica, asseverando que nada mais foi cancelado senão o que era cerimonial neste mandamento, com isto entendem em seu linguajar a fixação do dia sétimo, mas remanescer o que é moral, isto é, a observância de um dia na semana. Com efeito, isto outra coisa não é senão mudar o dia por despeito aos judeus e reter em mente a mesma santidade do dia, uma vez que ainda nos permanece nos dias sentido de mistério igual ao que tinha lugar entre os judeus. E de fato vemos que proveito têm fruído com tal doutrina, pois quantos deles se apegam às estipulações superam três vezes aos judeus em sua crassa e carnal superstição de sabatismo, de sorte que as reprimendas que lemos em Isaías [1.13-15; 58.13] nada menos lhes convêm hoje que àqueles a quem o Profeta increpava em seu tempo.

Contudo, importa manter-se, principalmente, o ensino geral: para que a religião não pereça ou enlanguesça entre nós, devem ser realizadas diligentemente as reuniões sagradas e deve dar-se atenção aos meios externos que servem para fomentar o culto divino.

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Fonte: João Calvino, Institutas da Religião Cristã, 2.8. 155-156


Respondendo ao Ariovaldo Ramos

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Por Frank Brito


“Não farás injustiça no juízo; não farás acepção da pessoa do pobre, nem honrarás o poderoso; mas com justiça julgarás o teu próximo”. (Levítico 19.15)

Em julho de 2004 um grupo de brasileiros foi fazer uma visita ao falecido presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Dentre eles, estava o famoso pastor Ariovaldo Ramos. O propósito da viagem era entregar ao presidente Hugo Chávez um manifesto de apoio ao seu governo e a sua permanência no cargo. O pastor Ariovaldo Ramos justificou sua viagem da seguinte maneira: “Onde tiver um cara andando nos caminhos de Jesus, mesmo que não confesse Jesus como eu confesso o que eu puder fazer para ajudá-lo, eu vou fazer”. A declaração do pastor Ariovaldo Ramos remete as palavras do Apóstolo João: “aquele que diz estar nele, também deve andar como Ele andou”. (I João 2.6) Segundo Ariovaldo Ramos, então, mesmo que o presidente Hugo Chávez não confessasse Jesus como ele confessa, ainda assim ele deveria ser reconhecido como alguém que andava nos caminhos de Jesus.

Em 2004 o pastor Ariovaldo Ramos explicou seu ponto de vista em uma entrevista ao site Teologia Brasileira. Partindo da premissa colocada por Ariovaldo Ramos de que o falecido presidente Hugo Chávez andava nos caminhos de Jesus Cristo, o entrevistador lhe perguntou:

“Como é que você encara, por exemplo, um cristão muito comprometido com a sua igreja na Venezuela, mas que seja frontalmente oposição ao Hugo Chávez? Outro exemplo, no Brasil: um cristão comprometido que é radicalmente contra o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra) e vota em candidatos da elite com graves suspeitas de corrupção. Ou é contra as cotas para estudantes negros nas Universidades. Nessas questões pontuais, como é que você explica?”

O pastor Ariovaldo Ramos respondeu:

“Acho que se explica justamente por esse evangelho que não considera o outro, um evangelho muito pessoal, muito particular, Deus e eu, eu e Deus, e o outro não é chamado. Isso em primeiro lugar. Em segundo lugar, é claro que o camarada tem direito de pensar diferente de mim, ele pode ser contra a reforma agrária, ser contra as cotas e isso é um direito dele. Agora, como cristão, até onde eu entendo o Cristianismo, essa pessoa vai ter dificuldades para se explicar. Eu não tiro dele o direito de pensar diferente, mas se nós nos sentarmos pra conversar de cristão pra cristão, considerando o que Jesus Cristo ensinou, viveu, fez, eu acho que ele vai ter dificuldade de se explicar. É muito difícil um cristão explicar porque que é contra redistribuição das terras quando Isaías 5.8 diz: “Ai dos que ajuntam casa sobre casa e terra sobre terra até serem os únicos moradores do lugar”.

Segundo o pastor Ariovaldo Ramos, se um homem é cristão e considera seriamente o que Jesus Cristo ensinou, viveu e fez, mas, ao mesmo tempo, se este homem se opõe ao modelo de governo do falecido presidente Hugo Chávez e à posições políticas específicas como a reforma agrária, cotas raciais e redistribuição de renda, tal pessoa é culpada de professar um “evangelho que não considera o outro” e, portanto, teria sérios problemas para se explicar. O pastor Ariovaldo Ramos reconhece que o Cristianismo tem implicações políticas, de forma que se alguém considera seriamente o que Jesus Cristo ensinou, viveu e fez, ele terá que defender modelos políticos específicos que refletem o que ele acredita ter sido ensinado por Jesus. O fato de Hugo Chaves ter defendido um modelo político assim é o que leva Ariovaldo Ramos a argumentar que Hugo Chávez andava nos caminhos de Jesus.

Qualquer um que já tenha lido os grandes profetas da Bíblia sabe da obrigação dada por Deus de socorrermos os desamparados e desfavorecidos e da ira sobre aqueles que oprimem os desamparados e desfavorecidos:

A nenhuma viúva nem órfão afligireis. Se de algum modo os afligirdes, e eles clamarem a mim, eu certamente ouvirei o seu clamor; e a minha ira se acenderá…” (Êxodo 22.22-24)

Quando no meio de ti houver algum pobre, dentre teus irmãos, em qualquer das tuas cidades na terra que o Senhor teu Deus te dá, não endurecerás o teu coração, nem fecharás a mão a teu irmão pobre; antes lhe abrirás a tua mão, e certamente lhe emprestarás o que lhe falta, quanto baste para a sua necessidade”. (Deuteronômio 15.7-8)

Até quando proferirão, e falarão coisas duras, e se gloriarão todos os que praticam a iniqüidade? Reduzem a pedaços o teu povo, ó SENHOR, e afligem a tua herança. Matam a viúva e o estrangeiro, e ao órfão tiram a vida. Contudo dizem: O SENHOR não o verá; nem para isso atenderá o Deus de Jacó. Atendei, ó brutais dentre o povo; e vós, loucos, quando sereis sábios?” (Salmo 94.4-8)

Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que prescrevem opressão. Para desviarem os pobres do seu direito, e para arrebatarem o direito dos aflitos do meu povo; para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos!” (Isaías 10.1-2)

Assim falou o Senhor dos exércitos: Executai juízo verdadeiro, mostrai bondade e compaixão cada um para com o seu irmão; e não oprimais a viúva, nem o órfão, nem o estrangeiro, nem o pobre; e nenhum de vós intente no seu coração o mal contra o seu irmão”. (Zacarias 7.9-10)

Foi esse tipo de preocupação que levou ao estabelecimento dos diáconos na Igreja:

Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos, houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram desprezadas no ministério cotidiano… Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio”. (Atos 6.1,3)

Como ensinou o Apóstolo Tiago:

A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”. (Tiago 1.27)

O problema de Ariovaldo Ramos não é a consciência de que aqueles que são economicamente desamparados devem ser socorridos. O problema de Ariovaldo Ramos é presumir – sem qualquer razão ou justificativa bíblica ou racional – que o fato do cuidado dos desamparados ser uma ordem de Deus enfatizada por toda a Bíblia signifique que seja responsabilidade do governo civil fazer com que tal ordem deva ou que sequer possa ser cumprida. O simples fato de algo ser um mandamento de Deus não signifique que seja responsabilidade do governo civil garantir que a ordem seja cumprida.

As Escrituras ensinam que não devemos mentir. Isso não significa que seja responsabilidade do governo garantir que as pessoas não mintam. As Escrituras ensinam que devemos celebrar a Ceia do Senhor. Isso não significa que seja responsabilidade do governo civil garantir que as pessoas não faltem a Ceia do Senhor. As Escrituras dizem que devemos amar a Deus sobre todas as coisas. Isso não significa que seja responsabilidade do governo civil fazer com que as pessoas amem a Deus. A Bíblia diz que não devemos cobiçar os bens de nosso próximo. Isso não significa que seja responsabilidade do governo civil garantir que as pessoas não cobicem. Certamente o pastor Ariovaldo Ramos conhece todos estes mandamentos da mesma forma que ele conhece o mandamento que ordena socorrer aqueles que são economicamente desamparados. Apesar disso, a existência do mandamento de celebrar a Ceia do Senhor não faz com que o pastor Ariovaldo Ramos defenda a responsabilidade do governo civil de garantir que as pessoas não faltem a Ceia do Senhor. É possível que o motivo pelo qual o pastor Ariovaldo Ramos não defenda a responsabilidade do governo civil de garantir que as pessoas não faltem a Ceia do Senhor é porque ele sabe que, apesar de Deus ordenar a celebração da Ceia do Senhor, ele não ordenou que o governo civil garantisse que as pessoas participem. Se alguém mostrasse ao pastor Ariovaldo Ramos que a celebração da Ceia do Senhor é uma ordem bíblica e com base nisso defendesse a responsabilidade do governo civil de forçar todo mundo a participar, certamente o pastor Ariovaldo Ramos argumentaria que o fato de algo ser ordem de Deus não signifique que seja responsabilidade do governo civil fazer com que a ordem seja cumprida. Mas quando o assunto é o mandamento de Deus de ter cuidado pelos desamparados, o pastor Ariovaldo Ramos faz de conta que existe a responsabilidade bíblica de que isso se cumpra por meio da imposição do governo civil, ainda que não exista qualquer ordem, mandamento ou evidência bíblica a respeito disso. Certamente, as Escrituras deixam claro que os desamparados devem ser alvo de cuidados. Mas a Bíblia não ordena que isso seja feito pelo governo civil, mas por uma decisão individual e pessoal livre. Há motivos muito importantes pra isso:

Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós, nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes. Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto ouvimos que alguns dentre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs”. (II Tessalonicenses 3.7-11)

Aqui Paulo faz menção de pessoas que eram financeiramente dependentes de outros. Elas dependiam de outras pra comer. Mas essa dependência só existia porque eles andavam “desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs”. (v.11) Eles eram financeiramente dependente de outras por imoralidade. É sobre estes que Salomão falou:

Vai ter com a formiga, ó preguiçoso, considera os seus caminhos, e sê sábio; a qual, não tendo chefe, nem superintendente, nem governador, no verão faz a provisão do seu mantimento, e ajunta o seu alimento no tempo da ceifa. o preguiçoso, até quando ficarás deitado? quando te levantarás do teu sono? um pouco para dormir, um pouco para toscanejar, um pouco para cruzar as mãos em repouso; assim te sobrevirá a tua pobreza como um ladrão, e a tua necessidade como um homem armado”. (Provérbios 6.6-11)

Este era o caso de alguns membros da igreja dos Tessalonicenses. Paulo ensina que não havia qualquer responsabilidade de ninguém sustentá-los ou socorrê-los por parte de ninguém. A ordem de Paulo era que “não coma também”. Isto é, devem permanecer no estado de ruína financeira a ponto de passar fome sem que ninguém tenha a obrigação de sustentá-los. Isto é o mesmo que ele ensinou a Timóteo:

Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas… Ora, a que é verdadeiramente viúva e desamparada espera em Deus, e persevera de noite e de dia em rogos e orações; Mas a que vive em deleites, vivendo está morta”. (I Timóteo 5.3,6)

Honra” aqui se refere ao apoio financeiro. No contexto, Paulo está falando da ajuda financeira que viria do ministério de diaconia da Igreja (I Timóteo 5.9,16). A viúva não tem mais o marido pra sustentá-la financeiramente. Portanto, ela precisa ser sustentada por outras pessoas. Mas Paulo lista alguns critérios pra que as viúvas fossem aptas pra receber a ajuda financeira da Igreja. É a essência do que ele havia ensinado aos Tessalonicenses. O que Paulo ensina é que ser desamparado, pobre ou qualquer outra forma de necessitado não garante que o indivíduo deva ser alvo de ajuda social. O fato de alguém ser pobre ou desamparado não significa que ela tenha caráter ou um comportamento justo e correto, da mesma forma que ser rico não significa. O que Paulo ensina é que se o estado de pobreza e desamparo existe por causa do pecado pessoal e uma exista uma indisposição de se arrepender do estilo de vida pecaminoso, neste caso não há qualquer obrigação por parte de ninguém de socorrê-lo financeiramente. O que Paulo ensina é que a necessidade de santidade é mais importante do que o sucesso financeiro. Como escreveu Salomão: “Melhor é o pobre que anda na sua integridade do que o de caminhos perversos ainda que seja rico”. (Provérbios 28.6) É melhor ter um comportamento justo do que ser rico. Mas não ser rico não significa que tenha um comportamento justo.

Ele disse também:

Mas, se alguma viúva tiver filhos, ou netos, aprendam primeiro a exercer piedade para com a sua própria família, e a recompensar seus pais; porque isto é bom e agradável diante de Deus… Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel”. (I Timóteo 5.3,4-5)

O Apóstolo ensina que a responsabilidade de cuidar das viúvas é, antes de qualquer outro, responsabilidade de sua própria família. Outras pessoas, incluindo a Igreja, só têm a responsabilidade diante de Deus de fazer isso quando a família não faz: “Se alguma mulher crente tem viúvas, socorra-as, e não se sobrecarregue a Igreja, para que esta possa socorrer as que são verdadeiramente viúvas”. (I Timóteo 5.16) A família não deve imputar sobre outras pessoas a responsabilidade que pertence a eles. Se a família não fizer por irresponsabilidade e negligência com os seus, comete um pecado terrível e Paulo declara que “é pior do que o infiel”. Caso houver irresponsabilidade e negligência por parte da família ou caso a família também esteja passando por tribulações financeiras, ai outras pessoas – especialmente o ministério a Igreja – deve tomar para si a responsabilidade de todo coração.

O que aprendemos então é que a necessidade de socorro e apoio aos desamparados se encontra dentro de uma hierarquia de responsabilidades. Em primeiro lugar, o que existe é a responsabilidade de cada indivíduo sustentar a si mesmo pelo seu próprio trabalho. Quando o indivíduo, por inúmeras circunstâncias possíveis, mas sem culpa e obstinação própria não é capaz de sustentar a si mesmo pelo seu próprio trabalho, existe a responsabilidade de sua própria família de socorrê-lo e honrá-lo. Somente quando há irresponsabilidade e negligência por parte da família ou caso a família também esteja passando por tribulações financeiras, é que a responsabilidade deve ser tomada por outras pessoas, especialmente a Igreja. E apesar de a Bíblia ensinar a necessidade de socorro e apoio aos desamparados como sendo uma obrigação de outros indivíduos, da família e da Igreja, ela nunca fala sobre tal responsabilidade do governo civil.

Pra entender isso melhor, precisamos entender qual é a natureza do governo civil. A natureza inerente do governo civil é a coação e a imposição de valores específicos. Quando alguém compra um bem ou contrata um serviço, ele normalmente tem a escolha livre entre a compra do bem ou não, entre a contratação do serviço ou não. Se alguém quer ter acesso à internet, por exemplo, ele deve contratar o serviço de um provedor de internet. Ele poderá escolher um entre vários provedores disponíveis ou no fim das contas ficar sem contratar provedor nenhum. O provedor de internet não tem a autoridade pra coagir qualquer pessoa a contratar seu serviço. Mas a partir do momento em que o serviço é contratado, existe a obrigação do cliente de pagar pelo serviço. O pagamento não é por coação ou imposição porque o cliente livremente decidiu contratar aquele serviço e com isso garantiu que pagaria pelo serviço prestado. Mas esse não é o caso do governo civil. O governo civil é um serviço prestado onde nós somos coagidos a aceitar o serviço. No caso do governo civil, não há a livre escolha entre aceitar ou não o serviço. Se alguém se recusa a obedecer às leis do governo brasileiro, por exemplo, há duas conseqüências principais:

- Confiscando seus bens e/ou dinheiro (multa)
- Privando-o do direito de ir e vir (penitenciária)

Se um provedor de internet enviasse homens para confiscar o computador, tomar dinheiro a força ou mantiver em cárcere privado aqueles que não querem aderir ao seu serviço, tal provedor será legitimamente culpado de roubo e sequestro. Se o provedor fizesse isso, o governo brasileiro enviaria outros homens (polícia) pra prender os participantes do roubo e do sequestro. O que precisamos entender é: Em determinadas circunstâncias, o governo civil tem o direito de fazer o que em outras circunstâncias seria classificado como sequestro, escravatura ou roubo. Em circunstâncias normais, se uma pessoa entra na casa de outra pessoa, amarra suas mãos e leva ela pra dentro de um quarto onde ela fica trancada, isso se chama sequestro. Mas dependendo da circunstância, do objetivo de quem faz e de quem faz isso não é sequestro, mas é prisão. Se quem faz é um provedor de internet com o objetivo de forçar as pessoas a aderir ao seu serviço, é sequestro. Se quem faz são representantes do governo (polícia) com o objetivo de punir por um crime cometido, é prisão e não sequestro.

Da mesma forma o ato de multar, em si mesmo, é o mesmo que o ato de roubar. Tanto no roubo quanto na multa o indivíduo é coagido por terceiros a entregar seu dinheiro contrário a sua vontade. Mas em determinadas circunstâncias, o governo civil tem o direito de fazer o que em outras circunstâncias seria classificado como sequestro, escravatura ou roubo. Não há roubo, mas é multa quando o dinheiro está sendo tomado pra punir por um crime cometido. Mas se for um cidadão comum com o objetivo de tomar posse do que não é dele, é roubo. Mas tanto na multa quanto no roubo, o indivíduo é coagido por terceiros a entregar seu dinheiro contrário a sua vontade. O que muda são as circunstâncias e o propósito.

A natureza inerente do governo civil é a coação e a imposição de valores específicos. Os valores que serão impostos a força são determinados pelas leis que o governo passa e pela punição contra a transgressão contra tais leis. Se um governo tem uma lei contra a violência sexual e pune os estupradores, ele está declarando o estupro é moralmente errado e que este é um valor que precisa ser imposto a força. Se um governo tem uma lei contra sequestro e pune os sequestradores, ele está defendendo um valor específico – o direito de ir e vir – e está coagindo, forçando e perseguindo todos a seguir este valor. Que está é a natureza inerente do governo civil é ensinado pelas Escrituras Sagradas:

Os magistrados não são motivo de temor para os que fazem o bem, mas para os que fazem o mal. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela; porquanto ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador em ira contra aquele que pratica o mal”. (Romanos 13.3-4)

Sujeitai-vos a toda autoridade humana por amor do Senhor, quer ao rei, como soberano, quer aos governadores, como por ele enviados para castigo dos malfeitores, e para louvor dos que fazem o bem”. (I Pedro 2.13-14)

Segundo os Apóstolos Paulo e Pedro, o papel do governo civil é castigar os malfeitores. A “espada” é instrumento coação contra aqueles que se colocam de forma contrária ao bem e a favor do mal. Pedro chega a dar uma lista de coisas que poderiam ser corretamente punidas pelo governo civil: “Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios”. (I Pedro 4.15) O governo civil deve proteger, por meio da força, o direito a vida e a propriedade privada. Por isso deve castigar os homicidas e ladrões.

Então, em relação ao que foi dito até aqui, as principais questões que precisamos considerar são:

- Em quais circunstâncias tomar propriedade ou dinheiro a força não é roubo, mas está dentro dos direitos e obrigações daqueles que fazem? Em quais circunstâncias restringir o direito de ir e vir não é sequestro, mas está dentro dos direitos e obrigações daqueles que fazem?
- Quem é que possui o direito de aplicar tais sanções?

Em relação à segunda questão, a resposta em nosso caso é: o governo brasileiro. Em relação a primeira questão, a pergunta é respondida de diferentes maneiras por diferentes pessoas e governos. No caso do governo brasileiro, ele responde que ele tem o direito de tomar a força 41% do que de nosso dinheiro por meio de impostos e usá-lo pra coisas como:

- Patrocinar o turismo gay no Rio de Janeiro, apresentando a cidade como um paraíso sexual para os homossexuais.
- Estabelecer a si mesmo como o determinador da verdade em relação à educação infanto-juvenil por meio dos mandamentos do MEC.
- Dar o dinheiro a outras pessoas por meio de programas sociais e de redistribuição de renda e propriedade.

O terceiro ponto é aquilo que o pastor Ariovaldo Ramos parece reconhecer como sendo a essência do Evangelho. Para o pastor Ariovaldo Ramos, defender o direito do governo civil de tomar o dinheiro e a propriedade de determinadas pessoas pra dar pra outras pessoas – como é o caso do presidente – significa andar nos passos de Jesus, ainda que não se confesse Jesus Cristo como ele confessa. Seu argumento é lembrar que a Bíblia manda socorrer os pobres e desamparados. Mas a Bíblia não manda socorrer qualquer pobre. A Bíblia diz que ser desamparado, pobre ou de qualquer outra forma necessitado não garante que o indivíduo deva ser alvo de ajuda social. O que faltou ao pastor Ariovaldo Ramos, além de distinguir entre o tipo de pobre que a Bíblia manda ajudar, é explicar por qual motivo ele presume que este mandamento bíblico deve ser cumprido por meio da coação do governo civil. Se o pastor Ariovaldo Ramos acredita que todo mandamento bíblico precisa ser imposto por meio da coação do governo civil, então ele precisa explicar se ele acredita que os mandamentos bíblicos de amar a Deus sobre todas as coisas e de celebrar a Santa Ceia também devem ser cumpridos por meio da coação do governo civil. Caso o pastor Ariovaldo Ramos acredita que estes mandamentos bíblicos de fato existem, mas não devem ser impostos pelo governo civil, então ele precisa explicar porque ele arbitrariamente coloca a ajuda ao próximo imposto pelo governo civil como sendo o fato determinante pra alguém ser reconhecido como um seguidor de Jesus Cristo. Isso não pode ser demonstrado por Ariovaldo Ramos porque o que as Escrituras ensinam é exatamente o contrário:

Não farás injustiça no juízo; não farás acepção da pessoa do pobre, nem honrarás o poderoso; mas com justiça julgarás o teu próximo”. (Levítico 19.15)

Não seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda darás testemunho, acompanhando a maioria, para perverteres a justiça; nem mesmo ao pobre favorecerás na sua demanda”. (Êxodo 23.2-3)

Aqui Deus explicitamente ordena que a riqueza e a pobreza não sejam o fundamento de qualquer decisão em diante das autoridades civis, mas que os direitos de cada um existem de maneira independente da quantidade de dinheiro e bens que cada um possui. Ser rico ou ser pobre não é, em si mesmo, pecado diante de Deus. Portanto, ninguém pode ser punido ou louvado pelos magistrados civis, que são ministros de Deus, pela quantidade de dinheiro que tem ou deixar de ter. O pobre, portanto, não tem o direito de exigir diante dos magistrados maiores direitos com base em sua pobreza. Apesar de Ariovaldo Ramos acreditar que justiça consiste no governo civil favorecer os pobres pelo simples fato de serem pobres, Deus declara que isso é injustiça. A definição de justiça de Ariovaldo Ramos não vem das Escrituras Sagradas ou de Jesus Cristo, mas de Robbin Hood, Karl Marx e Hugo Chávez. Nas Escrituras, se alguém está em uma situação de ruína financeira, a saída dele não é convencer o governo civil a coagir e tomar o dinheiro de outros que não estejam em situação de ruína financeira. Nas Escrituras, se alguém está em uma situação de ruína financeira e desamparada, ele deve ser socorrido voluntariamente por aqueles que podem ajudá-lo. E ai daqueles que negligenciam esse dever. Sobre estes pairam a indignação de Deus:

E, se o irmão ou a irmã estiverem nus, e tiverem falta de mantimento quotidiano, E algum de vós lhes disser: Ide em paz, aquentai-vos, e fartai-vos; e não lhes derdes as coisas necessárias para o corpo, que proveito virá daí? Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma”. (Tiago 2.15-17)

Mas além de negar a explícita exigência de Deus de não fazer da riqueza ou a pobreza como critério para ser favorecido pelas autoridades civis, Ariovaldo Ramos também acredita que o governo civil deve ser racista:

É difícil entender um cristão que não queira a indenização aos que foram escravizados e que foram abandonados e marginalizados na História quando as Escrituras nos ensinam que devemos privilegiar os despossuídos, os que estavam nus, com fome, sede, os enfermos, os encarcerados, que devemos socorrer os aviltados, que devemos levantar os joelhos cansados, que devemos ser a voz dos oprimidos”.

É verdade que os cristãos devem buscar a indenização daqueles que foram injustamente escravizados e maltratados. O sequestro, o maltrato e o trabalho forçado certamente são crimes terríveis. Jesus Cristo ensinou que “digno é o trabalhador de seu salário”. (Lucas 10.7) O Apóstolo Tiago falou da ira e punição de Deus contra aqueles que não respeitam este princípio: “Eis que o salário que fraudulentamente retivestes aos trabalhadores que ceifaram os vossos campos clama, e os clamores dos ceifeiros têm chegado aos ouvidos do Senhor dos exércitos”. (Tiago 5.4) Além disso, a Escritura estabelece que o rapto deve ser punido com pena de morte: “E quem raptar um homem, e o vender, ou for achado na sua mão, certamente será morto” (Êxodo 21:16). O problema é que o tráfico de escravos africanos não existe há bastante tempo no Brasil então não há ninguém vivo pra ser executado. Mas o pastor Ariovaldo Ramos acredita que descendentes de escravagistas do passado devem ser reconhecidos como culpados por atos que eles não cometeram pessoalmente. O pastor Ariovaldo Ramos acredita que cada branco que exista em nossos dias deve ser obrigado a pagar por crimes que ele nunca cometeu e que negros que nunca foram escravos devem ser indenizados por crimes que nunca sofreram. Se este fosse o caso, se os descendentes de escravagistas do passado devem ser reconhecidos como culpados por atos que eles não cometeram pessoalmente e com os quais não concordam, então o que devemos fazer é executá-los, pois essa é a exigência de Deus para quem é culpado de rapto. Se todos os brancos que agora existem são culpados dos mesmos crimes que os traficantes de escravos cometeram, então todos os brancos devem ser executados. Mas, diferente do que pensa o pastor Ariovaldo Ramos, as Escrituras ensinam que os filhos não podem ser reconhecidos como judicialmente culpados de atos que nunca cometeram:

Sendo, pois o homem justo, e procedendo com retidão e justiça, não comendo sobre os montes, nem levantando os seus olhes para os ídolos da casa de Israel, nem contaminando a mulher do seu próximo, nem se chegando à mulher na sua separação; não oprimindo a ninguém, tornando, porém, ao devedor e seu penhor, e não roubando, repartindo e seu pão com o faminto, e cobrindo ao nu com vestido; não emprestando com usura, e não recebendo mais de que emprestou, desviando a sua mão da injustiça, e fazendo verdadeira justiça entre homem e homem; andando nos meus estatutos, e guardando as minhas ordenanças, para proceder segundo a verdade; esse é justo, certamente viverá, diz o Senhor Deus, E se ele gerar um filho que se torne salteador, que derrame sangue, que faça a seu irmão qualquer dessas coisas; e que não cumpra com nenhum desses deveres, porém coma sobre os montes, e contamine a mulher de seu próximo, oprima ao pobre e necessitado, pratique roubos, não devolva o penhor, levante os seus olhos para os ídolos, cometa abominação, empreste com usura, e receba mais do que emprestou; porventura viverá ele? Não viverá! Todas estas abominações, ele as praticou; certamente morrerá; o seu sangue será sobre ele. Eis que também, se este por sua vez gerar um filho que veja todos os pecados que seu pai fez, tema, e não cometa coisas semelhantes, não coma sobre os montes, nem levante os olhos para os ídolos da casa de Israel, e não contamine a mulher de seu próximo, nem oprima a ninguém, e não empreste sob penhores, nem roube, porém reparta o seu pão com o faminto, e cubra ao nu com vestido; que aparte da iniquidade a sua mão, que não receba usura nem mais do que emprestou, que observe as minhas ordenanças e ande nos meus estatutos; esse não morrerá por causa da iniquidade de seu pai; certamente viverá. Quanto ao seu pai, porque praticou extorsão, e roubou os bens do irmão, e fez o que não era bom no meio de seu povo, eis que ele morrerá na sua iniquidade”. (Ezequiel 18.5-18)

Aqui o profeta Ezequiel cita a Lei:

Os pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada um morrerá pelo seu pecado”. (Dt 24:16)

Segundo o profeta Ezequiel (conforme estabelecido pela Lei de Deus), um homem não pode ser judicialmente culpado pelos crimes cometidos pelos seus antepassados, mas somente pelos crimes que ele próprio cometeu. Se um homem comete um crime, seus filhos não podem ser punidos pelos seus crimes. Segundo o profeta Ezequiel, ele não pode ser pessoalmente culpado pelos pecados de seu antepassado mesmo que o antepassado “oprima ao pobre e necessitado, pratique roubos, não devolva o penhor, levante os seus olhos para os ídolos, cometa abominação, empreste com usura, e receba mais do que emprestou”. Portanto, o pastor Ariovaldo Ramos não pode exigir que cada branco que exista em nossos dias seja obrigado a pagar por crimes que ele nunca cometeu e que negros que nunca foram escravos devem ser indenizados por crimes que nunca sofreram. Além disso, é falso testemunho dizer que todos os brancos do passado tiveram envolvimento com o rapto de negros da África e, portanto, é falso testemunho dizer que todos os brancos hoje são descendentes de escravagistas. Os africanos também se raptavam e escravizavam na África e, muitos deles eram responsáveis por vender negros aos brancos. Nem por isso temos o direito de culpar todo africano moderno pelos crimes de seus pais quando a maioria nem sequer defende esse tipo de coisa. Um princípio básico de justiça, segundo a Lei de Deus, é que para que alguém seja condenado é preciso que ele seja individualmente investigado e declarado como culpado por um tribunal legalmente constituído. Não há condenação arbitraria com base em raças, pois Deus não é racista.

O que o pastor Ariovaldo Ramos ajuda a fazer é perpetuar conceitos racistas e exigir que tal racismo seja imposto pelo governo civil. Assim como as Escrituras não autorizam que o governo civil favoreça alguém com base na riqueza ou na pobreza, assim também as Escrituras não autorizam que o governo civil favoreça alguns com base em diferenças étnico-raciais: “Haverá uma mesma lei para o natural e para o estrangeiro que peregrinar entre vós”. (Êxodo 12.49) “Uma mesma lei tereis, tanto para o estrangeiro como para o natural; pois eu sou o Senhor vosso Deus”. (Levítico 24.22) A Bíblia ensina que a lei deve ser a mesma pra todos, sem distinção com base na origem étnica e geográfica conforme o pastor Ariovaldo Ramos quer. A Bíblia não autoriza leis racistas, pois ela é anti-racista do princípio ao fim. Negros não devem ser mais favorecidos do que brancos e nem brancos devem ser mais favorecidos do que negros porque, segundo a determinação de Deus, a origem étnica ou região geográfica na qual o indivíduo nasceu não determina que ele tenha mais direitos do que pessoas que não nasceram na mesma região geográfica ou que não tenham os mesmos ancestrais.

As Escrituras não ensinam que andar nos passos de Jesus Cristo seja defender o direito do governo civil de tomar o dinheiro e a propriedade de determinadas pessoas pra dar pra outras pessoas e culpar brancos por escravos que nunca tiveram e indenizar negros que nunca foram escravos. As Escrituras ensinam que seguir passos de Jesus Cristo significa depositar a fé nele (I João 2.23) e guardar os mandamentos de Deus (I João 2.3,4). Caso o pastor Ariovaldo Ramos queira defender a obrigação diante de Deus do governo civil, é com as Escrituras que ele terá que defender. Se Ariovaldo Ramos quer proclamar a justiça de Deus para o governo civil entre as nações ele deve proclamar as Escrituras:

“Ouvi a palavra do SENHOR, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à Lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra… E te restituirei os teus juízes, como foram dantes; e os teus conselheiros, como antigamente; e então te chamarão cidade de justiça, cidade fiel”. (Isa 1.10,26)

Eis aqui o meu Servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça as nações… Não faltará, nem será quebrantado, até que ponha na terra a justiça; e as ilhas aguardarão a sua Lei”. (Isaías 42.1-4)

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Culto da Vitória? Culto de Libertação e Cura Divina?

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Mais um vídeo de Jackson Jacques, sobre os famosos cultos temáticos da "vitória", "libertação" e "cura divina". Assista:


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Fonte: Vlog do autor
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