O Homossexual Não é o Novo Negro

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Por Voddie Baucham 

É difícil negar que o casamento homossexual seja uma conclusão inevitável nos Estados Unidos. É uma possibilidade assustadora não apenas para aqueles que entendem que o casamento é um testemunho do relacionamento entre Cristo e sua noiva, a igreja, mas também para todos os que valorizam a família e sua contribuição para o bem estar da sociedade e o desenvolvimento humano. E assim como é difícil assistir uma estratégia de publicidade coordenada, bem financiada, bem conectada enfraquecer milhares de anos de história humana, também é especialmente perturbador testemunhar o uso da luta pelos direitos civis como o veículo da estratégia.

A ideia de que o “casamento” homossexual é o próximo passo na corrida pelos direitos civis está por toda a parte. Um dos mais claros exemplos da fusão do “casamento” homossexual e dos direitos civis é o artigo de Michael Gross no The Advocate, no qual ele cunha a agora popular frase “O homossexual é o novo negro”.[1] Contudo, Gross não está sozinho nesta fusão das duas questões. Num banquete em 2005, Julian Bond, ex-diretor do NAACP, disse: “A disposição sexual equivale à raça. Eu nasci dessa forma. Eu não tenho escolha. Eu não mudaria isso se eu pudesse. É impossível mudar a sexualidade.”[2]

Este tipo de pensamento também não é exclusivo da esquerda política. Quando questionado pela revista GQ se ele pensava que a homossexualidade era uma escolha, Michael Steele, ex-presidente do Comitê Nacional Republicano, respondeu:

“Ah, não. Acho que nunca apoiei essa visão, de que você pode ligar e desligar a homossexualidade como se fosse uma torneira. Sabe, penso que há muita coisa acontecendo dentro da constituição de um ser humano que você não pode simplesmente chegar e dizer: ‘Amanhã de manhã vou parar de ser gay.’ É como dizer: ‘Amanhã de manhã vou parar de ser negro.’”[3]

Até mesmo a Suprema Corte da Califórnia aderiu a esta linha de raciocínio. Em uma decisão de Fevereiro de 2008, eles consideraram:

“Ademais, em contraste aos tempos primitivos, nosso estado agora reconhece que a capacidade de um indivíduo de estabelecer um relacionamento amoroso comprometido e duradouro com outra pessoa e responsavelmente cuidar e criar filhos, não depende da orientação sexual do indivíduo, e, mais amplamente, que a orientação sexual de um indivíduo — como a raça e o sexo de uma pessoa — não constitui uma base legítima sobre a qual se deva negar-lhe ou omitir-lhe direitos legais.”[4] (ênfase adicionada)

A Suprema Corte da Califórnia, assim como Gross, quer nos fazer acreditar que a luta homossexual por uma redefinição do casamento os coloca na mesma categoria de meus ancestrais. No entanto, eles preferem que você não analise mais de perto, para que você não veja quão frágil a comparação na verdade é.
Minoria Identificável

O primeiro problema com a ideia de igualar a “orientação sexual” e a raça é o fato de que a homossexualidade é indetectável à parte da autoidentificação. Determinar se uma pessoa é negra, nativo-americana, ou do sexo feminino normalmente envolve nada mais que verificação visual. Todavia, caso a dúvida permaneça, testes sanguíneos, genética, ou uma rápida viagem pela árvore genealógica bastaria. Com a homossexualidade não é assim. Não há evidência que possa confirmar ou negar a alegação de uma pessoa com relação à orientação sexual.[5]

Além disso, a própria comunidade homossexual tornou esta identificação ainda mais complicada num esforço para distanciar a si mesma daqueles cujo comportamento homossexual lhes parece indesejável. O caso Jerry Sandusky é um excelente exemplo. Sandusky é acusado de molestar muitos meninos durante sua permanência na universidade Penn State como treinador de futebol americano. Contudo, tente colocar o rótulo de “homossexual” em suas atividades e a resposta será rápida e clara. “Pedófilos não são homossexuais!” é o refrão consistente vindo da comunidade homossexual, da mídia, do ambiente acadêmico, e da comunidade médica/psicológica.[6]

Portanto, parece que apenas a atração pelo mesmo sexo não é o suficiente para identificar uma pessoa como homossexual. E quanto às meninas que “experimentam”[7] somente durante a faculdade, ou relacionamentos entre o mesmo sexo na prisão? E quanto aos homens que são extremamente efeminados, mas preferem mulheres, ou aqueles que já foram homossexuais praticantes deixaram tal estilo de vida (por exemplo, 1 Coríntios 6:9-11)? Resumindo, é impossível identificar quem é e quem não é homossexual. Como resultado, como podemos saber a quem os direitos civis em questão devem ser atribuídos? Um homem que não é homossexual (assumindo que pudéssemos determinar tal coisa), mas tenta entrar em uma união do mesmo sexo deveria ser tratado da mesma forma que um homem que não é negro, mas tenta afirmar que é para ganhar direito a vagas de cotas para negros na universidade?

Mas este não é o único problema com o ângulo dos direitos civis.

Definição Inalterável

Um problema adicional com o argumento “o homossexual é o novo negro” é a completa separação entre “casamento” homossexual e leis antimiscigenação. Primeiramente, há uma separação categórica. Miscigenação significa literalmente “a procriação entre pessoas consideradas como sendo de diferentes tipos raciais”. Ironicamente, o fato de que homossexuais não podem “procriar” evidencia o problema inerente na lógica deles. Como pode a proibição de pessoas que de fato têm a habilidade de procriar ser a mesma coisa que o reconhecimento do fato de que duas pessoas categoricamente são desprovidas de tal habilidade?[8]

Em segundo lugar, há uma separação por definição. A própria definição de casamento elimina a possibilidade de incluir casais do mesmo sexo. A palavra casamento possui uma longa e bem registrada história; ela significa “a união entre um homem e uma mulher”. Mesmo em culturas que praticam a poligamia, a definição envolve um homem e muitas mulheres. Consequentemente, enquanto as leis antimiscigenação negavam às pessoas um direito legítimo, o mesmo não pode ser dito a respeito da negação do casamento de casais do mesmo sexo; ninguém pode ser negado do direito de algo que não existe.

Deve se observar que o direito de se casar é um dos direitos mais frequentemente negados que temos. Pessoas que já estão casadas, crianças de 12 anos, e parentes muito próximos são apenas algumas das poucas categorias de pessoas que rotineiramente e/ou categoricamente são privadas do direito de se casarem. Portanto, a acusação de que é errado negar a qualquer pessoa um “direito fundamental” soa falsa. Sempre houve e, por necessidade, sempre haverá discriminação nas leis de casamento.

Terceiro, há uma separação histórica. Desde os tempos de Moisés, a história registrada é repleta de casamentos inter-raciais. Em nossa própria história, o casamento de John Rolfe e Pocahontas no século XVII,[9] junto com o fato de que as leis antimiscigenação eram normalmente limitadas apenas à união de determinadas “raças” de pessoas (por exemplo, negros e brancos), sustenta uma evidência histórica da inconsistência legal e lógica de tais leis. Assim, diferentemente dos defensores “casamento” homossexual, estas lutas pelo direito de se casar nos direitos civis tinham a história como aliada.

Quarto, há uma separação legal. Uma coisa que parece escapar à maioria das pessoas nesse debate é o fato de que aos homossexuais nunca foi negado o direito de se casar. Eles simplesmente não tiveram o direito de redefinir o casamento. Mas não confie em mim com relação a isso; veja só o que a Suprema Corte do Estado de Iowa disse em sua decisão a favor do “casamento” homossexual: “É fato que o estatuto do casamento não proíbe expressamente que indivíduos gays e lésbicas se casem; ele, contudo, exige que, caso venham a se casar, que seja com alguém do sexo oposto.”

Aí está: não apenas preto no branco, mas em uma decisão legal. Os homossexuais não foram privados de nenhum direito. Como, então, aqueles que apoiam o casamento homossexual continuam a reivindicar que esta é uma questão de direitos civis? A chave está no próximo parágrafo:

“[O] direito de um indivíduo gay ou lésbica sob o estatuto do casamento de ingressar em um casamento civil apenas com uma pessoa do sexo oposto, na verdade não é direito nenhum. Sob tal lei, indivíduos gays ou lésbicas não podem simultaneamente satisfazer sua necessidade profunda de um relacionamento pessoal comprometido, conforme influenciados por sua orientação sexual, e ganhar o status civil e os benefícios concomitantes concedidos pelo estatuto.”

Sinto a necessidade de lembrar o leitor que esta é uma decisão legal, uma vez que frases como “indivíduos gays ou lésbicas não podem simultaneamente satisfazer sua necessidade profunda de um relacionamento pessoal comprometido” tendem a soar inadequadas em documentos desta natureza. Além disso, essa é uma lógica estúpida. Por exemplo, seguindo esta linha de raciocínio, alguém poderia argumentar: “Eu tenho o direito de me alistar no exército, mas sou um pacifista. Portanto, eu na verdade não tenho o direito (uma vez que isto seria repulsivo para mim). Então, precisamos estabelecer uma seção pacifista nas forças armadas para que eu possa satisfazer tanto o meu desejo de me alistar, quanto o meu desejo de não lutar.”

No entanto, este raciocínio é extremamente importante para que possam dar o próximo salto na lógica: “[Um] indivíduo gay ou lésbica só pode ganhar os mesmos direitos de um indivíduo heterossexual sob o estatuto ao negar a própria característica que define indivíduos gays e lésbicas como uma classe — sua orientação sexual”.

Precedente Insustentável

Talvez o aspecto mais condenável do argumento dos direitos civis é a insustentabilidade lógica. Se a orientação/identidade sexual é a base para (1) a classificação como um grupo minoritário, e (2) as bases legais para a redefinição do casamento, então o que pode impedir que um “bissexual” lute pela habilidade de casar com um homem e uma mulher simultaneamente uma vez que sua “orientação” é, por definição, direcionada a ambos os sexos?[10] E quanto ao membro da NAMBLA (North American Man/Boy Love Association – Associação Norte-Americana pelo Amor Homem/Menino) cuja orientação é direcionada a jovens meninos?[11] Onde paramos, e em quais bases?

Os defensores dos homossexuais se recusam a responder esta questão. De fato, eles escolhem evitá-la (e são raramente pressionados neste ponto). Contudo, as implicações legais futuras das decisões judiciais sobre o casamento homossexual são inevitáveis. Não há outra situação em que isso seja mais claro do que no caso Lawrence vs. Texas, uma decisão que derrubou as leis antissodomia. Na decisão majoritária, o Juiz Kennedy citou sua opinião de 1992 no caso Planejamento Familiar vs. Casey:

“Tais questões, que envolvem as escolhas mais íntimas e pessoais que um indivíduo pode fazer em toda a sua vida, escolhas estas centrais à dignidade e autonomia pessoais, são fundamentais à liberdade protegida pela Décima Quarta Emenda. No coração da liberdade está o direito de um indivíduo definir seu próprio conceito de existência, de significado, do universo, e do mistério da vida humana. Crenças a respeito destas questões não poderiam definir os atributos de autonomia pessoal, ou eles seriam formados por imposição do Estado.”[12]

Eu não tenho treinamento legal, e reconheço os limites de minha habilidade de avaliar plenamente as implicações de tal decisão. Todavia, observo quando o Juiz Scalia responde a esta asserção declarando:

“Eu nunca ouvi falar de uma lei que tentasse restringir o ‘direito que um indivíduo tem de definir’ certos conceitos; e se a passagem questiona o poder do governo de regular ações baseando-se no ‘conceito de existência’ autodefinido de um indivíduo, esta será a passagem que devorou o domínio da lei.”[13] (ênfase adicionada)

Confrontação Inescapável

É muito importante para nós que nos opomos à ideia do “casamento” homossexual fazê-lo não apenas porque desejamos preservar nossa versão do Sonho Americano, mas porque encaramos o casamento como uma imagem viva e ativa do relacionamento entre Cristo e sua igreja (Efésios 5:22ff), e porque sabemos que Deus projetou a família de uma maneira particular. Enquanto o projeto da família promove o desenvolvimento humano (Gênesis 1:27-28), o testemunho direciona as pessoas à sua esperança nesta vida e na próxima. Como resultado, o silêncio nesta questão não é opcional.

Infelizmente (e bastante ironicamente), muitos cristãos têm sido intimidados a permanecer em silêncio pela mera ameaça de censura da ala homossexual. “Oponha-se a nós e você não é melhor do que George Wallace, Hitler e aqueles homofóbicos que mataram Matthew Shepard!” é seu não tão sutil refrão. Consequentemente, nós gastamos tanto tempo tentando provar que não somos assassinos cheios de ódio que falhamos em reconhecer que o Imperador está nu — como no conto, muitas pessoas acreditam em algo que claramente não é verdade. Não há razão legal, lógica, moral, bíblica ou histórica para apoiar o “casamento” homossexual. De fato, há uma miríade de razões para não apoiá-lo. Eu forneci apenas algumas.

Notas:
[1] - Michael Joseph Gross, “Gay is the New Black” (O Homossexual é o Novo Negro), The Advocate, 16 de novembro de 2008, disponível online em http://www.advocate.com/news/2008/11/16/gay-new-black (em inglês).
[2] - Ertha Melzer, “NAACP chair says ‘gay rights are civil rights” (Diretor da NAACP diz que ‘os direitos homossexuais são direitos civis), Washington Blade, 8 de abril de 2005. Deve-se observar também que a NAACP recentemente aprovou o casamento do mesmo sexo (http://graftedthemovie.blogspot.com/p/watch-grafted.html – em inglês), o que é significante uma vez que a organização existe para a “Promoção das Pessoas ‘de Cor’”.
[3] - Entrevista e Michael Steele em “The Reconstrutionist” (O Reconstrucionista), por Lisa aulo, GQ (Março de 2009), disponível em http://www.gq.com/blogs/the-q/2009/03/-the-reconstructionist-michael-steele.html (em inglês).
[4] - http://www.courtinfo.ca.gov/opinions/archive/S147999.PDF (em inglês).
[5] - Mesmo se estudos cerebrais, estudos de gêmeos, etc., fornecessem ligações conclusivas (o que não fazem), ainda seríamos deixados com o fato de que enquanto o fato de ser negro ou do sexo masculino são atributos que alguém não pode negar, o comportamento homossexual não é. [6] - Assim, mesmo se houvesse uma conexão genética, ela seria insuficiente para impelir a orientação sexual à mesma categoria que a raça ou o sexo. http://equalitymatters.org/factcheck/201111170008 (em inglês).
[7] - O termo LUGS (Lesbian Until Graduation – Lésbica Até a Formatura) se refere a jovens mulheres que participam de relacionamentos lésbicos apenas durante o período de estudos em sua vida acadêmica.
[8] - É importante observar que esta é uma distinção categórica, e não uma determinação baseada na fertilidade. De outra forma, o mesmo poderia ser dito de homens e mulheres que estão além da idade de conceber ou aqueles que possuem defeitos que não permitem a concepção.
[9] - http://www.history.com/this-day-in-history/pocahontas-marries-john-rolfe (em inglês). Apesar de ser comum o pensamento de que Pocahontas casou-se com John Smith, na realidade foi com o fazendeiro de tabaco John Rolfe que ela se casou em 5 de abril de 1614, em Jamestown, Virgínia.
[10] - Veja o Papel Branco de Elizabeth Emen de fevereiro de 2006=3 na Chicago Law School: LEI DA MONOGAMIA: MONOGAMIA COMPULSIVA E EXISTÊNCIA POLIAMOROSA, disponível em http://www.law.uchicago.edu/files/files/58-monogamy.pdf (em inglês).
[11] - North American Man/Boy Love Association (Associação Norte-Americana pelo Amor Homem/Menino). O lema deles é “Eight is Too Late” (Oito é Tarde Demais). http://www.nambla.org (em inglês).
[12] - Opinião Majoritária do Juiz Kennedy, “John Geddes Lawrence e Tyrol Garner, Peticionários versus Texas”, em 539 U. S. (2003), Ed. Suprema Corte dos Estados Unidos (2003).
[13] - Opinião Discordante de Antonin Scalia, “John Geddes Lawrence e Tyrol Garner, Peticionários versus Texas”, em 539 U. S. (2003), Ed. Suprema Corte dos Estados Unidos (2003).

Por Voddie Baucham © 2012 The Gospel Coalition, Inc. All rights reserved.
Website: thegospelcoalition.org
Tradução/Fonte: Voltemos ao Evangelho
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Escravo - a verdade escondida

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Em “Escravo”, John MacArthur traz à luz um elemento essencial da identidade do cristão, que ficou oculto a partir da tradução de muitas versões modernas da Bíblia.



Neste livro, MacArthur resgata a correta tradução da palavra grega doulos, que é de grande importância para o bom entendimento do que é ser um cristão genuíno. Presente 124 vezes no texto original do NT, a palavra escravo (doulos), por motivos incertos, foi substituída por servo. Segundo MacArthur, essa tradução incorreta acobertou o verdadeiro significado do termo escravo e trouxe grande perda para o ensino correto do evangelho, o qual ordena que os crentes se submetam a Cristo completamente, não apenas como servos contratados, mas como quem pertence inteiramente a Ele. A partir desta correta compreensão, MacArthur convida o leitor a redescobrir uma antiga e rica perspectiva do significado de ser escravo de Cristo.

Para mais informações sobre o livro, clique aqui!
Fonte: Blog Fiel
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Carta aberta a todos os candidatos a vereador

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Por Renato Vargens
 
Prezado candidato a vereador,
 
Através desta carta aberta manifesto minha posição quanto aqueles que desejam conversar comigo pleiteando uma vaga na câmera municipal:

1- Eu sou absolutamente contra o voto de cajado, portanto, não adianta virem a mim desejosos com que eu indique os seus nomes aos membros da minha igreja, considero os que se comportam desta maneira como indivíduos manipuladores e sem caráter. 

2- Eu não acredito no messianismo evangélico, portanto, me poupe de frases do tipo, "Deus me chamou, me ungiu ou até mesmo eu sou o escolhido do Senhor para o cargo. Aqueles que me conhecem sabem que não advogo a ideia que comumente tem tomado conta de parte dos evangélicos nos dias de hoje. Não creio na manipulação religiosa em nome de Deus, não creio num messianismo onde a utopia de um mundo perfeito se constrói a partir do momento em que crentes são eleitos, não creio na venda casada de votos, nem tampouco no toma-lá-dá-cá onde eleitores são trocados por benesses de políticos.

3- Eu não vendo ou troco o voto do meu rebanho por cargos públicos, terrenos, benesses ou benfeitorias. Portanto, não me façam propostas indecorosas

4- Não me peçam para que eu lhes apresente publicamente em nosso culto. Creio que o culto de uma igreja é para glorificar a Cristo e não para arrecadar votos para quem quer que seja.

5- Não me peçam para distribuir "santinhos"aos membros da minha igreja, mesmo porque sou absolutamente contra a esse tipo de propaganda na Casa do Senhor.

6- Não venham me oferecer cimento, asfalto, ou qualquer outro tipo de benefício público. Os que fizerem isso sofrerão o meu repúdio e indignação.

Aproveito o ensejo para afirmar que o meu compromisso primordial é com o evangelho da Salvação Eterna e que em virtude disso,  não abrirei mão da minha consciência cristã, bem como das verdades absolutas das Escrituras.

Naquele que Vive e reina!

Renato Vargens
 
Fonte: Blog do autor

Platão, o profeta, estava certo

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Por Magno Paganelli
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Em A República (Livro VII), Platão reproduz uma metáfora contida num diálogo entre Sócrates e seus interlocutores Glauco e Adimanto, irmãos mais novos de Platão. A metáfora é conhecida como a metáfora da caverna, mito da caverna ou alegoria da caverna e conta a situação de homens que nasceram e cresceram dentro de uma caverna, nada sabendo sobre o mundo externo. Esses homens ficam de costas para a entrada, presos, imóveis, e olham fixamente a parede do fundo da caverna, Nela são projetadas sombras de outros homens que, além do muro, mantêm acesa uma fogueira. Pelas paredes da caverna também ecoam os sons que vêm de fora, e esses sons são associados às sombras. Os prisioneiros julgam que essas sombras sejam a realidade.
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Um dos prisioneiros consegue se libertar e avança na direção do muro. Ele o escala e consegue sair da caverna, descobrindo não apenas que as sombras eram feitas por homens como eles, e em seguida o mundo e a natureza, o sol, e as aves, enfim, tudo o mais. Mas um dilema se instala: se voltar e anunciar sua descoberta pode ser desacreditado, tido como herege, preso, espancado e morto. Vamos parar aqui.
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O mito da caverna tem sido interpretado como uma metáfora para a situação daqueles que há séculos vivem e confiam na religião, a caverna. Todo conhecimento religioso é obtido a partir do empirismo, daquilo que percebemos com os sentidos e intuição, sem o saber científico. Muitos que estão privados do saber científico às vezes pensam que tudo sabem, que o conhecimento que possuem é suficiente para que entendam e expliquem tudo.
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No mito da caverna os homens que lá viviam achavam que a realidade da caverna era a única realidade existente. É preciso romper com esse mundo fechado, ter coragem para fugir na direção da luz para descobrir o mundo real. No caso, entendia-se que a luz que projetava sombras distorcidas na parede era a visão que eles tinham da realidade, distorcida do mundo real. E isso não ocorre somente com os prisioneiros de Platão, mas também com os que negam o saber científico, com os que nada sabem e pensam que tudo sabem.
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Mas… espere um pouco. Não é a mesma ciência que nos dá certezas e convicções? Saber apurado e sólido, livre das ilusões e mitos? É a ciência que nos faz ver o mundo como ele é à partir da… observação insistente, repetida, catalogada e interpretada à luz…à luz de quê? À luz daquele saber preso a Leis e Padrões e Métodos, nada fora daquilo que ela mesma usa para validar o próprio saber científico.
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Assim, Platão esteve certo o tempo todo e pseudo cientistas tomaram de assalto o mito da caverna para atacar quem vive pela fé. Pois é a fé – e não a ciência – que leva o homem para fora do seu mundo, para encontrar-se com estados e realidades fora desse ambiente onde vive. O homem não sai da caverna porque tem certezas – sai da caverna porque crê haver algo além das luzes projetadas, sai porque crê haver muito mais do que aquilo que esteve observando todo o tempo. Não são os crentes, os religiosos, que acreditam e esperam viver um dia num mundo melhor, e até mesmo num céu lá fora desse mundo?
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Penso que Platão estava realmente certo. A filosofia da época não queria muita intimidade com a religião. A ciência de hoje, a legítima ciência, nada tem com a religião; são campos de atuação distintos e não conflitantes. Dão respostas à perguntas que reclamam cada qual o seu domínio. Mas há pseudo cientistas entre a ciência e a religião, muitos infiltrados até mesmo nos domínios desta, e que tentam miná-la porque pensam que aqueles que conhecem uma luz mais intensa, mais forte que a luz do sol ao meio dia, trouxeram e mantêm ideias fictícias, ilusórias demais para um mundo seguro, científico e tecnológico como o mundo da pós-modernidade do século 21.
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Platão, porém, além de filósofo, pelo jeito também foi profeta. Viva a fé!
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Fonte: NAPEC
 

Teologia: da teoria à prática

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Por Milton Jr.

Eu já me preparava para sair do gabinete pastoral e ir para casa quando Murilo[1] chegou. Ele era um jovem de uns 26 anos que vivia pelos fóruns de discussão da vida (na web), debatendo teologia reformada. Segundo o que me informou, ele havia ouvido falar que eu era um pastor de linha reformada e, como estava desanimado com a comunidade que frequentava, resolveu ir conversar comigo.

Teologia na cabeça

Após tentar me impressionar com todo o seu conhecimento teológico, ele perguntou se haveria problema em me fazer algumas perguntas. Após eu dizer que não havia problema algum, ele passou então a avaliar a minha teologia (parecia até exame de presbitério).

Depois de algum tempo, parece que ele ficou satisfeito com minhas respostas e aí passou para uma segunda fase. Agora ele pediu para ver minha biblioteca. Mais uma vez disse que ficasse à vontade.

Ele se levantou e começou a “averiguação”. Quando via um livro de algum autor brasileiro fazia questão de comentar: “Esse cara é muito bom!” Como tive o privilégio de estudar em uma excelente instituição, que contava com alguns desses autores no seu corpo docente, eu respondia: “Foi meu professor no seminário.”

Depois disso, aquele jovem, que parecia ainda mais precavido que os bereanos (pois estes analisavam o que ouviam pelo crivo das Escrituras (At 17.11), e ele já estava analisando o que possivelmente iria ouvir para ver se valeria a pena) e que, em princípio, se mostrava alguém que manejava bem a palavra da verdade (2Tm 2.15), afirmou: “Pastor, eu vou frequentar sua congregação.” Finalmente eu estava “aprovado”.

Teologia sem prática

Depois de ouvir o Murilo por bastante tempo, responder às suas perguntas, ser avaliado e ouvir a notícia de que ele iria frequentar a congregação, falei a ele que agora eu é que gostaria de fazer algumas perguntas. Ele assentiu ao pedido.

Passei então a questioná-lo sobre a razão de gostar tanto da teologia reformada. Perguntei se era simplesmente por causa da sua beleza, lógica, por causa das discussões acadêmicas, etc., ou se era porque ele entendia ser ela uma interpretação fiel das Escrituras e, sendo assim, algo que o faria conhecer mais intimamente a Deus enquanto, pelo Espírito do Senhor, o habilitava a se afastar cada vez mais do pecado. Afirmei ainda que, se a segunda opção fosse a razão de amar a teologia reformada, ele seria muito bem-vindo à congregação.

Alguns instantes de silêncio.

Depois disso, Murilo confessou que gostava muito das discussões teológicas, mas que estava preso ao pecado da pornografia. Nesse momento, passei então a aconselhá-lo.

Teologia na prática

Comecei a falar ao Murilo sobre a gravidade do pecado e da ofensa àquele que deu sua vida no Calvário a fim de vivermos em novidade de vida. Ele respondia que era muito difícil se livrar da pornografia.

Mesmo sabendo que tratar o comportamento em si não resolveria nada enquanto ele não chegasse à raiz do problema[2], instruí-o então a “cortar o fio da internet”, pois era onde ele mais via pornografia. Meu objetivo era demonstrar a teologia na prática para alguém que só a tinha no campo das ideias.

A resposta não poderia ser outra. Murilo afirmou que necessitava da internet para ver e-mails do trabalho e que não podia ficar sem acesso, então, pedi que ele mudasse o computador do seu quarto para a sala de casa e que todas as vezes que fosse acessar a rede pedisse que sua mãe se assentasse a seu lado.

Dito isso, perguntei-lhe: “Você teria coragem de acessar pornografia com sua mãe ao lado?” De olhos arregalados Murilo respondeu rapidamente: “Tá doido, pastor!?” Cheguei então ao ponto que eu queria demonstrar a ele.

Aquele jovem, que conhecia muito bem a sua mãe, sabia que ela não aceitaria um comportamento como aquele e, por temê-la, se absteria de ver algo que ele havia afirmado ser muito difícil ficar sem.

Porém, mesmo sabendo o que a teologia diz sobre Deus, seu caráter e sua Santidade, na prática ele demonstrava que não cria, de fato, em tudo aquilo. Ele não conhecia ao Senhor da mesma maneira que conhecia a sua mãe, ainda que tivesse muitas informações a respeito dele.

Eu me propus a continuar conversando com ele e tentar ajudá-lo em sua luta contra o pecado, por meio do estudo das Escrituras, mas nunca mais o vi. Por fim ele se mostrou mais parecido com aqueles falsos mestres mencionados na carta de Paulo a Tito que “no tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras” (Tt 1.16).

Para alguém que ama o pecado, o conhecimento teológico só servirá para trazer maior condenação. Jesus, em uma parábola, afirmou: “Aquele servo, porém, que conheceu a vontade do seu senhor e não se aprontou, nem fez segundo a sua vontade, será punido com muitos açoites. Aquele, porém, que não soube a vontade do seu senhor e fez coisas dignas de reprovação levará poucos açoites. Mas àquele a quem muito foi dado, muito lhe será exigido; e àquele a quem muito se confia, muito mais lhe pedirão” (Lc 12.47-48).

O conhecimento das Escrituras é uma grande bênção que o Senhor nos concede, mas que deve vir acompanhado de uma vida prática a fim de que o homem seja bem-aventurado, ao invés de enganar a si mesmo (Tg 1.22-25).

Que o Senhor nos conceda a bênção de ser como Esdras, que dispôs o coração não só para buscar a Lei do Senhor, mas também para cumpri-la e ensinar seus estatutos e juízos (Ed 7.10).

[1] Murilo é um nome fictício, para preservar a identidade da pessoa a quem se refere o caso.
[2] Postagens sobre esse assunto: “Mudança de comportamento: e a Bíblia com isso?” e “Quem manipula quem? O problema da abordagem comportamental

- Sobre o autor: Milton Coutinho Jesus Junior é capixaba, nascido na linda Guarapari - ES, calvinista e flamenguista, mas principalmente, servo do Senhor Jesus Cristo. Graduado em Teologia pelo Seminário Teológico Presbiteriano "Rev. José Manoel da Conceição" e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil desde dezembro de 2002, atualmente servindo na IPB em Praia do Canto - Vitória - ES. É casado com Poliana e pai da Fernanda.

Fonte: Mente Cativa
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O amor limitado de Deus - Parte 2

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Pessoal, cometi um erro tremendo ao pular a parte 2 desta excelente série do irmão Fabio Correia. 

Segue a parte 2:

 
Por Fabio Correia (Filósofo Calvinista)
Expiação limitada 
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O terceiro e, talvez, o mais polêmico dos pontos do calvinismo - a Expiação Limitada -, foi formulado para combater a ideia de Expiação (redenção) Universal pura e na sua versão formulada pelos seguidores de Armínius. Para eles, a morte de Cristo foi extensiva a todos os homens, sem exceção.
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Uma pergunta, porém, não quer calar: teria Cristo morrido, de fato, também por aqueles que passarão toda a eternidade no inferno?  
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Se a resposta a essa questão é afirmativa, então, devo concluir que o sacrifício de Cristo não foi tão perfeito e eficaz quanto o Deus trino pretendia? Devo concluir que Deus, ainda que tenha boa vontade em salvar todos os indivíduos, não tem poder suficiente para levar a termo a sua própria vontade?
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Em favor de quem Cristo morreu? Morreu por todos? Quais foram aqueles em favor dos quais derramou Ele o seu sangue?   
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A questão do propósito limitado da morte de Cristo (Expiação Limitada) tem sido alvo de inúmeras e intensas controvérsias. Certamente o nosso Senhor Jesus Cristo tinha alguma determinação absoluta em vista, quando subiu à cruz. Certamente tinha Ele um propósito bem definido, e, assim sendo, necessariamente, tinha que ser cumprido.
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Se este propósito de Cristo incluísse a totalidade da humanidade, por certo, toda a humanidade teria que ser salva. E, isto, como sabemos, não ocorrerá!
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Cristo não morreu para possibilitar a salvação de toda a humanidade, mas para assegurar a salvação de todo aquele que o Pai lhe deu (Jo 10:29). Cristo não morreu simplesmente para possibilitar o perdão dos pecados, mas para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo (Hb 9:26-28).
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Propósito Limitado da expiação 
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O propósito limitado da expiação é uma conclusão lógica da escolha eterna. Se Deus escolheu alguns desde o princípio e se a vontade de Cristo era a vontade do Pai (Hb 10:7; Jo 6:38), nada mais óbvio do que chegarmos à conclusão de que Cristo subiu naquela cruz apenas para salvar os que foram eleitos antes da fundação do mundo. Vejamos: Jo 6:37,39; 17:1,2,6,9 e 24.
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Analisando a questão da expiação no V.T., em Levíticos 1:4-5 e outros textos, podemos ver que a culpa da pessoa era como que transferida para o animal. Aquele que oferecia o animal em sacrifício era considerado perdoado do seu pecado, da sua culpa. Uma vez por ano o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos para oferecer sacrifício, com sangue, por si e pelo povo (Lv 16:17-24, 23:28; Hb 9:7) e o povo era expiado, considerado perdoado. Diz-se que o animal expiou o pecado do povo, levando-o sobre si (Lv 16:21). De fato a expiação do V.T. era uma tipologia da morte de Cristo (GI 1:4; Hb 7:27; Rm 3:24-25).
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Diante desses fatos bíblicos perguntamos: Em favor de quem foi oferecido este resgate? Ou quem foi expiado com a morte de Cristo?
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Se respondemos que tudo isto foi em prol da raça humana inteira, então foi cancelada a divida de todo ser humano. Se Cristo levou sobre si o pecado de toda a raça humana, então ninguém mais perecerá; ninguém sofrerá a condenação final. Deus não pode exigir o pagamento de uma divida por duas vezes. Uma vez do fiador, que derramou seu sangue, e depois outra vez da mão do devedor. Ou teria o sacrifício expiatório de Cristo sido insuficiente?
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O fato é que Cristo não saldou a dívida de todos (1 Pd 3:19; Jo 8:21; Mt 25: 41). Dizer que Cristo morreu por todos é dizer que foi substituto e fiador de toda raça humana. “Dizer que Cristo morreu por todos é dizer que Ele levou sobre si a maldição de muitos que agora levam sua própria maldição, é dizer que sofreu a punição de muitos que agora sofrem a sua própria punição no inferno”.
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Por outro lado, dizer que foi ferido pelas transgressões do povo de Deus, que deu sua vida em resgate de muitos e que morreu pelas suas ovelhas é dizer o que dizem as escrituras. Vejamos alguns textos: Ef 1:4,5;Jo 10:16; 13:1; 17:19; 10:11; 11:49-52; At 20:28; Mt 20:28 Is 53:8.
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Quando Cristo deu a sua vida na cruz do Calvário, deu-a por suas ovelhas, os eleitos! Não são todos os homens que estão incluídos na expressão “minhas ovelhas”. Portanto, Cristo não deu sua vida por todos os homens. Aos que estavam ao seu redor, ele disse: “Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas” (Jo 10:26). 
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Os reprovados, os não-eleitos, os descrentes não estão incluídos no número daqueles por quem Cristo deu a sua vida. Ele morreu só pelas suas ovelhas” (SPENCER, 1992. p.39).
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Veja os outros artigos desta série:
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De machorras militantes e mal-amadas no mercado

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De machorras militantes e mal-amadas no mercado
Por Edson Camargo

O feminismo está vivo e ativo como nunca antes. Não só devido a era Lula, em que as menicuccis, lionças, “vadias” e outras lésbicas comunistas interagem em postos do governo federal, marchas, articulações inter-ONG’s para lobbies políticos (o que chamam de “debate com ‘sociedade civil organizada’”) e para captar recursos de fundações globalistas para suas instituições. Além desse feminismo militante que apóia tudo o que não presta, como o aborto, a dissolução da família vide “casamento” gay e o controle da mídia, e que falando por décadas em igualdade fez as mulheres tornarem-se funcionárias da construção civil, por exemplo, há um outro, difuso, sutil, e que adentra até mesmo a cabeça das mais piedosas das mulheres cristãs.

Nem vou falar aqui do caso grotesco da moça evangélica curitibana, casada, que estava decidida a participar da última ‘Marcha das Vadias’ na capital paranaense. Falo de algo que muitas vezes se denomina “realização profissional da mulher”, “estabilidade pré-matrimônio”, “cuidado com a carreira”, entre outros apelidos. Não, não sou contra a mulher “trabalhar fora”. Não, não sou contra casar sem ter onde cair morto. A questão é que o extremo trágico em que se chegou jamais seria alcançado sem uma força ideológica como o feminismo atuando há algumas décadas. E aí vamos a alguns fatos e exemplos. Não são poucas as moças que conhecemos que passaram dos 30, estão beirando os 35, que namoraram alguns caras e… já estão desistindo de ter uma família. Casa, carro, bom emprego, salário acima da média e… frustração. Um caso emblemático é o da atriz Charlize Theron, que adotou meses atrás uma criança. Criança negra, ao melhor estilo da esquerda politicamente correta hollywoodiana. Sem marido, sua família é ela e o filho. Era isso que ela planejava aos 18 ou aos 20 anos de idade? Difícil acreditar. Mas certamente propostas de pretendentes não faltaram, estamos falando de Charlize Theron. E a verdade nua e crua é: recusar a um namoro (ainda mais visando o casamento) ou um noivado que se aproxima é dizer ao pretendente que ele não está a altura do que você se imagina merecedor, certo? Sempre. Podemos dourar a pílula o quanto quisermos. Charlize Theron e toda um geração de beldades encalhadas sempre se consideraram merecedoras de muito mais do que “aquilo que está aí”. No fim, transaram com vários, e os que agora “estão aí” são os que as outras, hoje casadas, não quiseram. E sejamos francos: nas igrejas a coisa pode variar em grau, mas não em substância. Há fenômeno semelhante e facilmente perceptível.

À luz da cosmovisão cristã, tem-se um parecer. Muito preparo e esforço para o sucesso profissional e para a conquista ou mera manutenção do status tem sido uma grande armadilha para as mulheres. Castidade jogada no lixo, interesses conflitantes com a própria constituição existencial e mesmo física, despreparo crasso para relacionamentos duradouros e para a vida familiar. Dependendo da mulher “alfa”, não ouse perguntar se ela sabe cozinhar. Ela até pode ser “alfa” para a revista Elle ou Cosmopolitan, mas homem nenhum quer dentro de casa uma mulher que vai contestar tudo o que ele diz, e que acha um absurdo o homem ser “o cabeça da família, como Cristo é o cabeça da Igreja”, como disse o apóstolo Paulo. Mostre a ela a “mulher virtuosa” do livro de Provérbios, que essa rainha da metrópole irá torcer o nariz. Ela pode até achar ridículo todo o falatório de feministas insanas como Kristeva, Irigaray, Dworkin, Friedan e outras, mas no fim das contas criou para si mesma uma imagem da mulher ideal tão disparatado como o apregoado por estas jezabéis do feminismo “clássico”.

Não me surpreende a fúria anticristã do feminismo e seus resultados culturais. E o mais interessante é que, mais uma vez, evidencia-se que o modelo tradicional de família, o judaico-cristão, é o que realiza de fato ao ser humano e gera os melhores resultados em escala individual e coletiva. Ainda que nem sempre seja essa coisa linda mostrada em propaganda de margarina, e a própria Bíblia dá boas lições quanto a isso e os cuidados que devem ser tomados. Mulheres não brincam de boneca à toa quando crianças. Mulher realizada não é mulher “bem sucedida”. Mulher realizada é a mulher casada, amada e mãe.

Também não há surpresa quando se traz à tona as raízes neopagãs do feminismo. Qualquer rápida pesquisa na internet sobre a vida e a obra da bruxa wicca Margot Adler e suas parceiras desnuda por completo o suposto “laicismo” das políticas defendidas pelas feministas. Adler referia-se ao monoteísmo como algo totalitário, e comentava que muitas mulheres que frequentavam seus rituais em grupo já tinham sido fortalecidas “pelo movimento feminista, ou por grupos de conscientização, ou por experiências importantes como divórcio, separação ou uma experiência homossexual”.

Na terça-feira passada (28) morreu Shulamith Firestone, célebre feminista que aos 25 anos escreveu o livro ‘A Dialética do Sexo’. Firestone afirmou que a gravidez e a maternidade eram pura “opressão à mulher”, que a gravidez deveria ser feito só por métodos artificiais, e que um dos objetivos da revolução feminista era, mais que superar a hegemonia masculina, eliminar toda e qualquer distinção entre os dois sexos. Morreu enlouquecida, após longo tratamento psiquiátrico, devido à esquizofrenia.

Diante do estrago que o feminismo, que é mais um elemento nocivo que integra a “cultura da morte”, pacote macabro de políticas da esquerda pós-Gramsci e pós-Frankfurt, parece que o triste fim de Shulamith Firestone é a colheita daquilo que há muito tempo as feministas tem semeado na cultura ocidental.

Fonte: Gospel+
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Expressão corporal no culto: tradição ou conformação?



Por Rev. Ronaldo P. Mendes
 

“Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração. E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em ação, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.”( Colossenses 3.16-17)

O problema que enfrentamos em qualquer leitura bíblica é o fato de olharmos para o texto com nossas próprias convicções, bagagem cultural e costumes ao em vez de deixar que ele próprio fale a nós. É o caso da questão da dança ou de outra expressão corporal, mas é necessário observarmos o que a Bíblia diz para a igreja e para cada um de nós sobre esse assunto.

I – Porque algumas inovações acabam entrando nas igrejas?
          
A) Por causa do abandono da Palavra de Deus de um modo geral.
                
Várias vezes Israel, o povo escolhido, abandonou as determinações dadas por Deus. E esse abandono levou Israel ao sofrimento. Tanto reis como sacerdotes e o povo em geral caíram em idolatria por abandonarem os preceitos de Deus.

 B) Por causa do abandono da Palavra de Deus por parte da Liderança.
                      
Ler 1 Reis 15.1-3; 25,26; 16.25,26; 2 Reis 21.22. Estes textos nos mostram que a liderança tem sua grande parcela de culpa quando coisas que não pertencem genuinamente à igreja passam a fazer parte de sua prática. Por motivos pessoais, medo de perder poder, ignorância espiritual, incapacidade de administrar segundo o princípio estabelecido, e outros motivos fazem com que muitos líderes permitem práticas alheias aos ensinos bíblicos.

C) Por causa do abandono da Palavra de Deus por parte do povo.
                     
Muitos dos reis de Israel faziam coisas erradas e o povo ficava satisfeito com tais atitudes e assim, afundavam-se junto com seus reis na idolatria deles. E então o castigo vinha (Dt. 32.21; Jr. 8.19; 18.15; Os 4.12).

II – fator cultura-época. Princípio bíblico e a dança.

A) A pergunta comum - “Mas não se dançava no Antigo Testamento?” E para tal pergunta só existe uma resposta “sim”, ter dança no AT não é o problema, o problema é que a pessoa que faz essa pergunta, normalmente está em posição contrária ao que vem sendo praticado em sua igreja local, e busca justificativa para mudar a prática, para introduzir danças no culto, ou mesmo em outras reuniões. Mesmo se aplicassem a forma de dança do AT, em nossos dias, seria algo sem lógica. Pensa-se que isso deixa a igreja mais “animada” e “atraente” para os irmãos e mais normal para os que ainda não foram alcançados pelo evangelho.

B) A dança no Antigo Testamento.
         
A dança no AT tinha objetivos específicos, tanto do ponto de vista cultural quanto religioso. Vemos, por exemplo, danças que nada tinham a ver com a vida religiosa de Israel.
        
1 – Danças apenas de cunho cultural, normalmente demonstrando alegria (Jz.21.21,23; Salmo 30.11;Jr. 31.4,13; Ec 3.4 Lc.15.25)

Por esses textos, pode-se perceber que a dança era algo presente na vida de Israel, como também na vida dos demais povos orientais. A Bíblia não nos mostra como era a coreografia, mas dá-nos entender que eram movimentos circulares em torno da própria pessoa, ou saltos para expressar grande alegria. Esta prática era comum entre o povo oriental, e na verdade era como uma segunda língua social. É preciso destacar que quanto a essas danças não há nenhum mandamento ordenando-as. Eram apenas manifestação cultural, dissociadas do culto.

2 – Danças apenas de cunho cultural, mas com alguma associação religiosa (Jr 31.4; 2Sm 6.14)

Estas danças também não foram realizadas em nenhuma cerimônia religiosa, contudo costumavam ser fruto de uma benção espiritual ou material que de modo muito claro representava uma realidade espiritual. O exemplo mais claro e mal utilizado é o caso de Davi (2Sm 6.14). Davi expressou a sua alegria com uma dança cultural diante da arca, que por sua vez era uma representação da presença de Deus no meio do povo. Mas isso foi um fato isolado e não uma prática ordenada por Deus.

3 – Danças de cunho religioso (Ex 15.20)

Esse tipo de dança tem pouca ocorrência, principalmente porque Deus não deixou nenhuma ordem específica sobre isso. No NT, Cristo veio para cumprir a lei e não anular. Ele trouxe clareza sobre a lei do Antigo Testamento e não encontramos nenhuma ordenança Dele a respeito da dança.

Muitas pessoas pegam o exemplo de Miriã para justificar as danças e coreografias nos cultos. Mas esse também é um fato isolado como no caso de Davi. Era simplesmente uma expressão de alegria com danças culturais. Pois, o destaque maior é dado no cântico de Moisés com forte ênfase na letra e não na música. Os textos de Miriã e de Davi, não servem de base para se colocar danças nos cultos.        

III – o que fazer diante dos modernismos?
            
Chamamos de “modernismo” a dança e a coreografia, porque entraram nas igrejas há poucos anos, e não faz parte da história da igreja e nem da tradição reformada que seguimos. Mas o que fazer então?
            
A) Ensinar
       
Não se deve fazer ou deixar de fazer alguma coisa sem explicação. Mesmo Deus quando faz suas ordenanças explica as consequências da obediência e da desobediência (Dt. 4.40). Então, a primeira coisa a se fazer é ensinar a igreja que ela precisa ouvir a Deus para aprender como adorá-lo. Um ensino correto da Bíblia orienta a igreja contra as falsas práticas religiosas.
 
B) Não permitir que valores ou interesses humanos superem o princípio bíblico.
 
 Muito do que se tem visto de inovação, não tem melhorado em nada o culto, pelo contrário, tem contribuído para que a igreja perca suas características. A Bíblia tem de ser uma realidade, e não somente discurso, precisa ser a única regra de fé e prática, para que assim adoremos a Deus de modo correto.
           
C) vigilância
           
É preciso constante vigilância para que não sejamos pegos de surpresa. Esta vigilância deve partir dos líderes e dos membros da igreja. Temos que atentar para a recomendação de Paulo: “até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro.”( Efésios 4.13,14).

Conclusão: Não temos nenhum  motivo histórico ou teológico para admitirmos danças ou coreografias nos cultos. Devemos tomar cuidado não somente com esse problema, mas com outros pensamentos contrários a Palavra de Deus que podem fazer com que a igreja perca sua característica.

- Sobre o autor: Rev. Ronaldo P. Mendes é bacharel em teologia pelo seminário Presbiteriano Conservador de Riacho Grande -SBC - SP. Atualmente pastoreia a 6ª Igreja Presbiteriana Conservadora de Goiânia-GO. Casado com Janecléia Oliveira, professam a fé no único e verdadeiro Deus, Jesus Cristo o Senhor.

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Conselhos dos mestres para os novos apologistas

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Por Davi Lago

Três conselhos inspirados em textos de John Frame, Alister McGrath, Gregory Koukl e Craig Hazen: 

1# Cuide bem do seu testemunho

No mundo pós-moderno o mensageiro jamais está separado da sua mensagem. O apologista cristão, portanto, deve viver o evangelho. As pessoas facilmente detectam um discurso vazio e não ouvirão um apologista que proceda em discordância com a fé cristã. A vida do cristão precisa ser o maior argumento em favor de Jesus. O cristão deve ser um argumento vivo. Uma vida cheia do Espírito Santo é a maior prova que o evangelho tem poder para transformar vidas. Jesus Cristo não ensinou meras teorias, mas um caminho da salvação que leva a uma nova maneira de viver. John Frame afirmou sobre o mandato apologético em 1Pedro 3.15-16: “É interessante que Pedro não insiste que os apologetas sejam inteligentes e conhecedores (embora tais qualidades sejam certamente úteis), mas, sim, que vivam de maneira consistentemente piedosos”[1]. 

2# Evite o clima de confrontação acirrada

Em Colossenses 4.6 está escrito: “O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um”. Isso nos ensina que o cristão deve ser sábio na evangelização de um incrédulo. Falar de maneira agradável e temperada com sal significa que não podemos conversar em clima de confrontação impiedosa. O cristão deve viver arraigado e alicerçado em amor. O objetivo do apologista não é humilhar o não-cristão e fazer com que ele se sinta um tolo. Não condiz com a postura cristã dizer para um ateu frases como: “Não entendo como alguém pode ser tão ingênuo de crer no ateísmo nos dias de hoje”. Essa atitude de agressividade impiedosa somente cria mais barreiras por parte do não-cristão. O falar do cristão deve ser temperado com sal. Uma das características do sal é dar sede. Isso aponta para a atitude correta: O apologista deve mostrar ao seu interlocutor como o cristianismo é uma opção atraente. O mais sábio, de acordo com Colossenses 4.6, é dialogar de tal maneira que o não-crente sinta-se atraído pela fé cristã. O espírito contencioso vem do orgulho, conforme diz Provérbios 13.10. John Frame afirmou: “Defender a fé cristã com espírito beligerante é o mesmo que defender o cristianismo somado à beligerância – um híbrido autodestrutivo”[2]. Gregory P. Koukl afirmou: “Não é suficiente para os seguidores de Cristo ter apenas mente bem informada. Eles também necessitam de um método eficiente, combinando conhecimento com sabedoria e diplomacia. Necessitam das ferramentas de um embaixador, e não as armas de um guerreiro; de habilidades táticas, e não de força bruta”[3]. Meu avô já dizia: “Se quiser apanhar mel, não chute a colmeia”. 

3# Apele para a imaginação

É consenso entre os apologistas contemporâneos que o apelo à imaginação é fundamental. A argumentação apologética tem seu poder ampliado com o uso de ilustrações. Os argumentos são precisos; as imagens, sugestivas. Nosso Senhor Jesus Cristo utilizou frequentemente parábolas para ilustrar as verdades do reino de Deus. Alister McGrath afirmou: “A apologética eficiente não impõe a fé cristã às pessoas: ela as atrai para essa verdade de uma tal maneira que as pessoas a apreciam e se apropriam dela. Uma das mais tristes características de alguns textos apologéticos modernos é que eles fazem seu apelo puramente à razão, negligenciando a imaginação humana, talvez um dos mais poderosos aliados à disposição do apologista”[4]. Em seu texto Capturing the imagination before engaging the mind [Capturando a imaginação antes de alcançar a mente], o apologista Craig J. Hazen afirma que músicas e filmes podem colaborar na tarefa apologética[5]. O apologista pode citar exemplos extraídos da cultura para ilustrar e afirmar as verdades do evangelho.

[1] FRAME, John. Apologetics to the glory of God. Phillipsburg, New Jersey: PR Publishing, 1994, p.27
[2] FRAME, John. Apologetics to the glory of God. Phillipsburg, New Jersey: PR Publishing, 1994, p.30.
[3] KOUKL, Gregory P. Táticas: a apologética na vida cotidiana in: BECKWITH, Francis; CRAIG, William Lane; MORELAND, J.P. Ensaios apologéticos. São Paulo: Hagnos, 2006, p.65.
[4] GRATH, Alister. Apologética cristã no século XXI: ciência e arte com integridade. São Paulo: Vida, 2008, p.333.
[5]MCDOWELL, Sean (Gen. Ed.). Apologetics for a new generation. Eugene, Oregon: Harvest House Publishers, 2009, p.106.

Fonte: NAPEC

O amor limitado de Deus - parte 4 (final)

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Por Fabio Correia (Filósofo Calvinista) 

A consequência lógica da antropologia Agostiniana só pode ser uma: o amor limitado de Deus. Evidentemente que esse termo precisa ainda ser esclarecido. Quando dizemos “amor limitado” de Deus, não estamos querendo reduzir algo que, por si só, é infinito. Mas queremos dizer que a destinação eterna desse “amor salvífico” tem caráter específico e não contempla toda a raça humana, antes, pelo contrário, contempla apenas, só e somente só, o número exato daqueles que foram eleitos “antes da fundação do mundo” para a salvação. Nenhum a mais, nenhum a menos. Para esses, e somente para esses, repetimos, o “amor salvífico” de Deus não teve limites, chegando ao ponto extremo de entregar seu unigênito Filho para morrer no lugar deles. “O amor salvífico de Deus é limitado na medida em que atinge, por pura vontade Soberana do próprio Deus, somente os eleitos, tirando-os da condição de perdição que um dia se meteram, em Adão, por vontade livre, e não tirando o restante da raça humana desse estado de justa condenação eterna, mas apenas deixando-os onde, naturalmente, sua natureza decaída tem prazer em estar: distante de Deus. Por outro lado, o amor salvífico de Deus é ilimitado porque não mede esforços para salvar os predestinados”.

Para Agostinho, sendo o homem incapaz de qualquer bem por si só, estando com sua natureza corrompida e totalmente depravado, resta-lhe tão somente esperar o favor não merecido da graça divina. A partir desse ponto, e como consequência lógica e racional de sua antropologia, ele desenvolve seu conceito de predestinação. Essa doutrina, embora tenha suas bases firmadas em escritos paulinos, é a alternativa racional encontrada por Agostinho para resolver o problema da natureza decaída do homem. 

Ora, se o homem, segundo Agostinho, não possui mais as condições para, por suas próprias forças, fazer qualquer bem que concorra para a reabilitação de sua própria natureza e considerando ainda que a revelação escriturística o fazia entender que nem todos, por mais que tentassem, alcançariam tal reabilitação, Agostinho avança, para a única conclusão cabível como desfecho de sua antropologia, para a única alternativa de reabilitação da alma decaída, isto é, a predestinação. Agostinho chega à conclusão que, na eternidade, Deus teria escolhido alguns homens para agraciá-los com essa graça salvífica, não por merecimento, pois, por merecimento todos deveriam, justamente, perecer eternamente na condição decaída, como ele mesmo afirma: 
Esses testemunhos demonstram a concessão da graça de Deus não em atenção aos nossos merecimentos. Às vezes verifica-se a concessão não somente faltando merecimentos, mas existindo desmerecimentos prévios (AGOSTINHO. A graça. p.37). 
No segundo volume de sua obra “A graça” Agostinho desenvolve de forma clara e inequívoca, não somente as bases de sua soterologia, mas, sobretudo, o desfecho lógico de sua antropologia, diz ele:
Procuremos entender a vocação própria dos eleitos, os quais não são eleitos porque creram, mas são eleitos para que cheguem a crer. O próprio Senhor revela a existência desta classe de vocação ao dizer: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi (Jo 15: 16). Pois, se fossem eleitos porque creram, tê-lo-iam escolhido antes ao crer nele e assim merecerem ser eleitos. Evita, porém, esta interpretação aquele que diz: Não fostes vós que me escolhestes. Não há dúvida que eles também o escolheram, quando nele acreditaram. Daí o ter ele dito: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, não porque não o escolheram para ser escolhidos, mas para que o escolhessem, ele os escolheu. Isso porque a misericórdia se lhes antecipou (Sl 53:11) segundo a graça, não segundo uma dívida. Portanto, retirou-os do mundo quando ele vivia no mundo, mas já eram eleitos em si mesmos antes da criação do mundo. Esta é a imutável verdade da predestinação da graça. Pois, o que quis dizer o Apóstolo: Nele ele nos escolheu antes da fundação do mundo?(Ef 1:4). Com efeito, se de fato está escrito que Deus soube de antemão os que haveriam de crer, e não que os haveria de fazer que cressem, o Filho fala contra esta presciência ao dizer: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi. Isto daria a entender que Deus sabia de antemão que eles o escolheriam para merecerem ser escolhidos por ele. Consequentemente, foram escolhidos antes da criação do mundo mediante a predestinação na qual Deus sabia de antemão todas as suas futuras obras, mas são retirados do mundo com a vocação com que Deus cumpriu o que predestinou. Pois, o que predestinou, também os chamou com a vocação segundo seu desígnio. Chamou os que predestinou e não a outros; predestinou os que chamou, justificou e glorificou (Rm 8:30) e não a outros com a consecução daquele fim que não tem fim. Portanto, Deus escolheu os crentes, mas para que o sejam e não porque já o eram. Diz o apóstolo Tiago: Não escolheu Deus os pobres em bens deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam? (Tg 2:5). Portanto, ao escolher, fá-los ricos na fé, assim como herdeiros do Reino. Pois, com razão, se diz que Deus escolheu nos que crêem aquilo pelo qual os escolheu para neles realizá-lo. Pergunto: quem ouvir o Senhor, que diz: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi, terá atrevimento de dizer que os homens têm fé para ser escolhidos, quando a verdade é que são escolhidos para crer? A não ser que se ponham contra a sentença da Verdade e digam que escolheram antes a Cristo aqueles aos quais ele disse: Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi (AGOSTINHO. A graça. p.194,195).

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