Por que todos esses rótulos?

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Por Voddie Baucham

Um debate recente na Convenção Batista do Sul dos EUA sobre calvinismo e arminianismo levantou muita controvérsia. Questões sobre quem assinou o documento, quem escreveu o documento, e quem se opôs ao documento inundaram a blogosfera e a “twitosfera”.  Entretanto, em tudo isso, há um refrão familiar que simplesmente não cede. “Por que todos esses rótulos?”,  alguns perguntam. “Eu não sigo homens; eu sigo Cristo!”, outros exclamam. Há ainda outros, porém, que culpam os rótulos (não os distintivos doutrinários que eles representam) por toda a questão.

Mas aqueles que lamentam os rótulos são culpados de petição de princípio.¹ Eles não provaram que os rótulos são 1) imprecisos, 2) inapropriados, ou 3) causam divisões. Pelo contrário, há uma comoção por afirmativas cruas, que assumem uma superioridade moral, teológica e bíblica sem qualquer traço de evidência. E o que é pior: a posição deles que é, na verdade, insustentável.   Evitar rótulos como calvinista e arminiano sob a desculpa de “recusar-se a seguir um homem” é, na melhor das hipóteses, ingênuo e, na pior, completamente desonesto.

Como os rótulos surgem

Você é um economista keynesiano ou austríaco?  Politicamente falando, você é jeffersoniano ou madisoniano? Você temeria ser rotulado como freudiano, junguiano ou pavloviano? E o que dizer da física aristotélica contra a newtoniana?  Certamente, não há pessoas nas esferas da economia, política, psicoterapia e física saindo por aí recriminando uns aos outros por usar rótulos associados a homens.  Ademais, alguém dessas áreas que sugerisse algo assim seria ridicularizado, uma vez que as pessoas nesses campos entendem como esses rótulos surgem.

O Primeiro

Algumas vezes, um “rótulo” é simplesmente o reconhecimento do trabalho de um pioneiro. O Salto Fosbury, por exemplo, recebeu o nome devido a Dick Fosbury, que revolucionou o salto em altura quando venceu o Campeonato de 1968 da NCAA² com seu agora onipresente método. Quando eu saltava no Ensino Médio, eu fui de 1,80 m em meu primeiro salto a 2,02 na semana seguinte (e passei da equipe de calouros para a da faculdade).

Quando as pessoas me perguntaram o que aconteceu, posso lhe assegurar que não parei e superficialmente disse: “Eu comecei a usar uma nova técnica, mas eu não gosto de ser rotulado e, com certeza, não quer ser conhecido como seguidor de algum homem, então vamos apenas dizer que eu melhorei muito”. Isso teria sido o cúmulo da ignorância e da arrogância! Agora, imagine um médico usando um protocolo para tratar do Mal de Parkinson (batizado em homenagem ao Dr. James Parkinson), ou um piloto fazendo a manobra Pugachev Cobra (batizada em homenagem ao piloto de testes Viktor Pugachev) fazendo a mesma coisa.

O Mais Famoso/Célebre

Algumas vezes, não é o primeiro, mas a pessoa mais famosa ou célebre cujo nome torna-se associado com um método ou ideologia. Karl Marx, por exemplo, não foi o único a defender as ideias comunistas/socialistas em seu tempo, mas terminou sendo o mais conhecido. O mesmo pode ser dito de homens como Sabélio. A heresia de Sabélio era uma forma de Monarquianismo. Assim, embora ela não tenha se originado com ele, seu nome está muito mais relacionado à heresia modalista nas mentes dos teólogos de toda a história.

O Principal

No caso do calvinismo, entretanto, o “rótulo” que conhecemos melhor não está associado ao primeiro, ou mesmo o proponente mais famoso, mas ao mais fundamental. A batalha de Calvino com Armínio (ou, mais precisamente, a batalha de Armínio com o legado de Calvino) refletiu a batalha de Lutero com Erasmo e de Agostinho com Pelágio. Entretanto, foram os Cânones do Sínodo de Dort, e a clara denúncia do sistema arminiano (muitos acusam Calvino de “aparecer com cinco pontos aleatórios”, quando, na verdade 1) foi o Sinódo de Dort, e 2) os cinco pontos eram refutações diretas dos cinco pontos de Armínio) que, entre outros fatores históricos, levou à identificação final das “Doutrinas da Graça” com João Calvino.

Usar rótulos demonstra honestidade, humildade e honra

Eu não penso duas vezes quanto a usar rótulos. Na verdade, eu ficaria embaraçado de não fazer. Quem sou eu para erguer-se sobre os ombros de gigantes e não dar crédito quando crédito é devido? Não faria isso mais que fingir que inventei o salto de Fosbury sozinho. Quando usamos rótulos, estamos sendo honestos sobre as posições que defendemos, estamos humildemente reconhecendo o fato de que estamos em débito com aqueles que colocaram o fundamento e dando honra àqueles a quem Deus usou para avançar nossa reflexão e seu Reino.

Usar rótulos desenvolve promove o entendimento

Dessa forma, usar rótulos também promove o entendimento. Por exemplo, posso economizar uma grande quantidade de tempo em uma discussão teológica ao referir-me aos rótulos. Se eu defendo a visão de Agostinho contra a de Pelágio, posso simplesmente dizer isso. Além disso, se minha opinião muda, posso dizer que defendo a visão de Agostinho com essa e aquela exceções. Longe de ser “louvor de homens”, esse é um meio de descobrir e reconhecer um terreno comum.

A ironia de evitar rótulos

Ironicamente, aqueles que escolhem não usar rótulos não alcançam seu objetivo. Por exemplo, conversei com um cavalheiro que dizia: “Eu não sou nem calvinista nem arminiano. Eu não sigo nenhum homem!”. Após a discussão, descobri que sua única discordância com os “Cinco Pontos” estava na área da Expiação Limitada/Redenção Particular. Após essa descoberta, não pude evitar uma risada. É claro, meu amigo perguntou por que eu estava rindo; neste ponto, eu disse: “Você é um amyraldiano”. Depois de titubear, ele reconheceu o fato de que, quer gostasse ou não, havia um “rótulo” estabelecido para a posição que ele defendia… e então, a outra ficha caiu.  “Aliás, sua posição recebe o nome de Moisés Amyraut… um homem”.

Eu entendo o que as pessoas querem dizer quando falam que não seguem sistemas, mas a Escritura; não devemos seguir homens, mas Deus. E concordo de todo o coração. Entretanto, não concordo que usar usar rótulos para 1) esclarecer o que queremos dizer, 2) reconhecer os ombros sobre os quais estamos, e 3) promover o entendimento é a mesma coisa que “seguir” sistemas ou “seguir” homens. Seja defendendo uma visão jeffersoniana de republicanismo, uma visão aristotélica da lógica, uma visão calvinista da soteriologia ou uma visão do Salto Fosbury para o salto em altura; não estou de forma alguma ignorando ou negando o fato de que não sigo ninguém senão Cristo. Estou simplesmente explicando como os homens que vieram antes de mim me ajudaram a entender e categorizar o mundo que Ele criou, governa e, no fim, redimirá.

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¹ A petição de princípio é uma falácia não formal em que se tenta provar uma conclusão com base em premissas que já a pressupõem como verdadeira. (definição do prof. André Coelho )
² National Collegiate Athletic Association (Associação Atlética Universitária Nacional) é a entidade máxima do esporte universitário dos EUA.

Traduzido por Josaías Jr | iPródigo.com | Original aqui.
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A mulher de Provérbios 31: uma mulher de carreira?

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Por Voddie Baucham Jr.


Recentemente, tenho ouvido várias referências a Provérbios 31 para apoiar “mulheres em busca de uma carreira” na política ou em qualquer outra área. Deixe-me dizer que eu nunca argumentei que uma mulher não pode ou não deve trabalhar (apesar de ser precisamente disso que evangélicos na blogosfera e na mídia têm me acusado). De fato, eu já escrevi sobre o assunto (veja: Família Guiada Pela Fé e o meu post anterior) e fui claro. Ironicamente, milha filha Jasmine trabalha para mim! Ela é minha assistente para pesquisas e cuida da nossa loja online. Como, então, podem me acusar de argumentar que uma mulher não pode trabalhar?

Enquanto eu nunca argumentaria que uma mulher não pode trabalhar, eu tenho defendido que de uma mulher é requerido que ela seja uma “dona de casa” (Tito 2:5; cf. 1 Timóteo 5:14), e que, como tal, ela deve priorizar o seu lar e qualquer “trabalho” que ela faz não deve interferir no seu chamado primário de esposa e mãe. Assim, a mulher do fazendeiro que ajuda na colheita, a mulher do padeiro que trabalha ao seu lado, ou a mulher do contador que trabalha como sua recepcionista nos negócios da família, estão todas em uma categoria diferente da tão chamada “mulher de carreira” (o termo não é meu) que gasta sua vida como uma “ajudadora idônea” (Gênesis 2:18) para outro homem (ou para uma corporação), em vez de para o seu marido. Alistar Begg colocou isso bem:

Senhoras, a maternidade é um trabalho de tempo integral. Não brinque consigo mesma, achando que você pode ser uma recepcionista e uma mãe; que você pode ser uma datilógrafa e uma mãe; que você pode ser uma vice-presidente e uma mãe. Uma das duas coisas vencerá. Agora, olhe para a sua Bíblia e pergunte o que você deve fazer. (Alistair Begg, “Biblical Principles for Parenting.” Truth for lige podcast).

Deixe-me dizer que eu não sou tão “estúpido” a ponto de ignorar completamente o fato de que existem muitas mulheres (como minha mãe) que são abandonadas por homens pecadores, egoístas, imaturos e/ou irresponsáveis (tanto o pai de seus filhos ou o próprio pai delas), e que, assim, não têm qualquer escolha a não ser trabalhar e sustentar seus filhos. Tampouco eu culpo mulheres cujos maridos ficaram inválidos, por um motivo ou outro, por serem aquelas que sustentam a família. Estou falando da nossa aceitação cultural obstinada de uma visão que vê a mulher como um mero meio de produção. Estou falando da ideia exposta na cosmovisão Marxista, que vê a saída das mulheres de seus lares como um duplo feito: 1) Dobrar a produtividade do coletivo, e 2) colocar as crianças debaixo da autoridade do estado (via creches e escolas públicas), que, para o Marxista, é deus encarnado.

A ofensiva dos evangélicos conservadores tem sido na forma de referências à mulher de Provérbios 31. Essa mulher, de acordo com muitos, é o protótipo da moderna “garota de carreira”. Tomo a liberdade de discordar. Na verdade, eu argumentaria que não existe nenhuma evidência clara em Provérbios 31 de uma carreira de qualquer tipo. Além disso, eu me pergunto se essas pessoas que usam os versículos 16 e 18 para argumentar a favor da conveniência de uma mulher ter uma “carreira” usariam o restante dos versículos com a mesma seriedade.

Provérbios 31:10ss

10 Mulher virtuosa, quem a achará? O seu valor muito excede o de finas jóias. 11 O coração do seu marido confia nela, e não haverá falta de ganho.12 Ela lhe faz bem e não mal, todos os dias da sua vida.13 Busca lã e linho e de bom grado trabalha com as mãos.14 É como o navio mercante: de longe traz o seu pão. 15 É ainda noite, e já se levanta, e dá mantimento à sua casa e a tarefa às suas servas.16 Examina uma propriedade e adquire-a; planta uma vinha com as rendas do seu trabalho. 17 Cinge os lombos de força e fortalece os braços.18 Ela percebe que o seu ganho é bom; a sua lâmpada não se apaga de noite. 19 Estende as mãos ao fuso, mãos que pegam na roca. 20 Abre a mão ao aflito; e ainda a estende ao necessitado. 21 No tocante à sua casa, não teme a neve, pois todos andam vestidos de lã escarlate. 22 Faz para si cobertas, veste-se de linho fino e de púrpura. 23 Seu marido é estimado entre os juízes, quando se assenta com os anciãos da terra. 24 Ela faz roupas de linho fino, e vende-as, e dá cintas aos mercadores. 25  A força e a dignidade são os seus vestidos, e, quanto ao dia de amanhã, não tem preocupações. 26 Fala com sabedoria, e a instrução da bondade está na sua língua. 27 Atende ao bom andamento da sua casa e não come o pão da preguiça. 28 Levantam-se seus filhos e lhe chamam ditosa; seu marido a louva, dizendo: 29 Muitas mulheres procedem virtuosamente, mas tu a todas sobrepujas. 30 Enganosa é a graça, e vã, a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa será louvada.

A mulher de Provérbios 31 certamente era empreendedora. Ela também trazia renda para o lar e o fazia mais produtivo. No entanto, não há nada nesta passagem que sequer sugira uma carreira. Ela não batia ponto. Ela não tinha uma babá. Na verdade, o contexto cultural faz como que essa leitura seja implausível. O Israel do Antigo Testamento não era uma cultura na qual uma “garota de carreira” se desenvolvia. Mas e quanto às outras verdades nesta passagem que eram a norma para as mulheres do Israel do Antigo Testamento? Por que usamos essa passagem para incitar as mulheres a terem sua carreira fora de casa, mas não estimulamos as mulheres a:

Levantar de madrugada para cozinhar para a sua família (15)
Cultivar a própria comida (16)
Fazer as próprias cobertas (22)
Fazer seu marido conhecido entre os anciãos da terra (23)
Fazer suas próprias roupas (e as de sua família) (24)
Fazer e vender peças de roupa (24)
Cuidar da sua casa (27)

Essas coisas estão claras no texto. Usar o argumento da “garota de carreira” é forçar o texto. Especialmente quando nós reconhecemos o princípio hermenêutico irrefutável de que a Escritura interpreta a Escritura. Assim, não podemos usar Provérbios 31 para negar Tito 2. O que quer que a mulher de Provérbios 31 nos ensine, ela não pode ensinar algo que contrarie o mandamento direto para as mulheres serem “donas de (ou cuidadosas da)  casa”.  (Tito 2:5, cf. 1 Timóteo 5:14).
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Sobre o autor: Voddie Baucham Jr. é pastor, professor e conferencista. Graduou-se no Southwestern Seminary e no Southeastern Baptist Theological Seminary; estudou também na Universidade de Oxford. Ele e sua esposa, Bridget, são casados desde 1989 e têm oito filhos.

Traduzido por Saulo Rodrigo do Amaral, em novembro de 2012
Fonte: Monergismo
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O Homossexual Não é o Novo Negro

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Por Voddie Baucham 

É difícil negar que o casamento homossexual seja uma conclusão inevitável nos Estados Unidos. É uma possibilidade assustadora não apenas para aqueles que entendem que o casamento é um testemunho do relacionamento entre Cristo e sua noiva, a igreja, mas também para todos os que valorizam a família e sua contribuição para o bem estar da sociedade e o desenvolvimento humano. E assim como é difícil assistir uma estratégia de publicidade coordenada, bem financiada, bem conectada enfraquecer milhares de anos de história humana, também é especialmente perturbador testemunhar o uso da luta pelos direitos civis como o veículo da estratégia.

A ideia de que o “casamento” homossexual é o próximo passo na corrida pelos direitos civis está por toda a parte. Um dos mais claros exemplos da fusão do “casamento” homossexual e dos direitos civis é o artigo de Michael Gross no The Advocate, no qual ele cunha a agora popular frase “O homossexual é o novo negro”.[1] Contudo, Gross não está sozinho nesta fusão das duas questões. Num banquete em 2005, Julian Bond, ex-diretor do NAACP, disse: “A disposição sexual equivale à raça. Eu nasci dessa forma. Eu não tenho escolha. Eu não mudaria isso se eu pudesse. É impossível mudar a sexualidade.”[2]

Este tipo de pensamento também não é exclusivo da esquerda política. Quando questionado pela revista GQ se ele pensava que a homossexualidade era uma escolha, Michael Steele, ex-presidente do Comitê Nacional Republicano, respondeu:

“Ah, não. Acho que nunca apoiei essa visão, de que você pode ligar e desligar a homossexualidade como se fosse uma torneira. Sabe, penso que há muita coisa acontecendo dentro da constituição de um ser humano que você não pode simplesmente chegar e dizer: ‘Amanhã de manhã vou parar de ser gay.’ É como dizer: ‘Amanhã de manhã vou parar de ser negro.’”[3]

Até mesmo a Suprema Corte da Califórnia aderiu a esta linha de raciocínio. Em uma decisão de Fevereiro de 2008, eles consideraram:

“Ademais, em contraste aos tempos primitivos, nosso estado agora reconhece que a capacidade de um indivíduo de estabelecer um relacionamento amoroso comprometido e duradouro com outra pessoa e responsavelmente cuidar e criar filhos, não depende da orientação sexual do indivíduo, e, mais amplamente, que a orientação sexual de um indivíduo — como a raça e o sexo de uma pessoa — não constitui uma base legítima sobre a qual se deva negar-lhe ou omitir-lhe direitos legais.”[4] (ênfase adicionada)

A Suprema Corte da Califórnia, assim como Gross, quer nos fazer acreditar que a luta homossexual por uma redefinição do casamento os coloca na mesma categoria de meus ancestrais. No entanto, eles preferem que você não analise mais de perto, para que você não veja quão frágil a comparação na verdade é.
Minoria Identificável

O primeiro problema com a ideia de igualar a “orientação sexual” e a raça é o fato de que a homossexualidade é indetectável à parte da autoidentificação. Determinar se uma pessoa é negra, nativo-americana, ou do sexo feminino normalmente envolve nada mais que verificação visual. Todavia, caso a dúvida permaneça, testes sanguíneos, genética, ou uma rápida viagem pela árvore genealógica bastaria. Com a homossexualidade não é assim. Não há evidência que possa confirmar ou negar a alegação de uma pessoa com relação à orientação sexual.[5]

Além disso, a própria comunidade homossexual tornou esta identificação ainda mais complicada num esforço para distanciar a si mesma daqueles cujo comportamento homossexual lhes parece indesejável. O caso Jerry Sandusky é um excelente exemplo. Sandusky é acusado de molestar muitos meninos durante sua permanência na universidade Penn State como treinador de futebol americano. Contudo, tente colocar o rótulo de “homossexual” em suas atividades e a resposta será rápida e clara. “Pedófilos não são homossexuais!” é o refrão consistente vindo da comunidade homossexual, da mídia, do ambiente acadêmico, e da comunidade médica/psicológica.[6]

Portanto, parece que apenas a atração pelo mesmo sexo não é o suficiente para identificar uma pessoa como homossexual. E quanto às meninas que “experimentam”[7] somente durante a faculdade, ou relacionamentos entre o mesmo sexo na prisão? E quanto aos homens que são extremamente efeminados, mas preferem mulheres, ou aqueles que já foram homossexuais praticantes deixaram tal estilo de vida (por exemplo, 1 Coríntios 6:9-11)? Resumindo, é impossível identificar quem é e quem não é homossexual. Como resultado, como podemos saber a quem os direitos civis em questão devem ser atribuídos? Um homem que não é homossexual (assumindo que pudéssemos determinar tal coisa), mas tenta entrar em uma união do mesmo sexo deveria ser tratado da mesma forma que um homem que não é negro, mas tenta afirmar que é para ganhar direito a vagas de cotas para negros na universidade?

Mas este não é o único problema com o ângulo dos direitos civis.

Definição Inalterável

Um problema adicional com o argumento “o homossexual é o novo negro” é a completa separação entre “casamento” homossexual e leis antimiscigenação. Primeiramente, há uma separação categórica. Miscigenação significa literalmente “a procriação entre pessoas consideradas como sendo de diferentes tipos raciais”. Ironicamente, o fato de que homossexuais não podem “procriar” evidencia o problema inerente na lógica deles. Como pode a proibição de pessoas que de fato têm a habilidade de procriar ser a mesma coisa que o reconhecimento do fato de que duas pessoas categoricamente são desprovidas de tal habilidade?[8]

Em segundo lugar, há uma separação por definição. A própria definição de casamento elimina a possibilidade de incluir casais do mesmo sexo. A palavra casamento possui uma longa e bem registrada história; ela significa “a união entre um homem e uma mulher”. Mesmo em culturas que praticam a poligamia, a definição envolve um homem e muitas mulheres. Consequentemente, enquanto as leis antimiscigenação negavam às pessoas um direito legítimo, o mesmo não pode ser dito a respeito da negação do casamento de casais do mesmo sexo; ninguém pode ser negado do direito de algo que não existe.

Deve se observar que o direito de se casar é um dos direitos mais frequentemente negados que temos. Pessoas que já estão casadas, crianças de 12 anos, e parentes muito próximos são apenas algumas das poucas categorias de pessoas que rotineiramente e/ou categoricamente são privadas do direito de se casarem. Portanto, a acusação de que é errado negar a qualquer pessoa um “direito fundamental” soa falsa. Sempre houve e, por necessidade, sempre haverá discriminação nas leis de casamento.

Terceiro, há uma separação histórica. Desde os tempos de Moisés, a história registrada é repleta de casamentos inter-raciais. Em nossa própria história, o casamento de John Rolfe e Pocahontas no século XVII,[9] junto com o fato de que as leis antimiscigenação eram normalmente limitadas apenas à união de determinadas “raças” de pessoas (por exemplo, negros e brancos), sustenta uma evidência histórica da inconsistência legal e lógica de tais leis. Assim, diferentemente dos defensores “casamento” homossexual, estas lutas pelo direito de se casar nos direitos civis tinham a história como aliada.

Quarto, há uma separação legal. Uma coisa que parece escapar à maioria das pessoas nesse debate é o fato de que aos homossexuais nunca foi negado o direito de se casar. Eles simplesmente não tiveram o direito de redefinir o casamento. Mas não confie em mim com relação a isso; veja só o que a Suprema Corte do Estado de Iowa disse em sua decisão a favor do “casamento” homossexual: “É fato que o estatuto do casamento não proíbe expressamente que indivíduos gays e lésbicas se casem; ele, contudo, exige que, caso venham a se casar, que seja com alguém do sexo oposto.”

Aí está: não apenas preto no branco, mas em uma decisão legal. Os homossexuais não foram privados de nenhum direito. Como, então, aqueles que apoiam o casamento homossexual continuam a reivindicar que esta é uma questão de direitos civis? A chave está no próximo parágrafo:

“[O] direito de um indivíduo gay ou lésbica sob o estatuto do casamento de ingressar em um casamento civil apenas com uma pessoa do sexo oposto, na verdade não é direito nenhum. Sob tal lei, indivíduos gays ou lésbicas não podem simultaneamente satisfazer sua necessidade profunda de um relacionamento pessoal comprometido, conforme influenciados por sua orientação sexual, e ganhar o status civil e os benefícios concomitantes concedidos pelo estatuto.”

Sinto a necessidade de lembrar o leitor que esta é uma decisão legal, uma vez que frases como “indivíduos gays ou lésbicas não podem simultaneamente satisfazer sua necessidade profunda de um relacionamento pessoal comprometido” tendem a soar inadequadas em documentos desta natureza. Além disso, essa é uma lógica estúpida. Por exemplo, seguindo esta linha de raciocínio, alguém poderia argumentar: “Eu tenho o direito de me alistar no exército, mas sou um pacifista. Portanto, eu na verdade não tenho o direito (uma vez que isto seria repulsivo para mim). Então, precisamos estabelecer uma seção pacifista nas forças armadas para que eu possa satisfazer tanto o meu desejo de me alistar, quanto o meu desejo de não lutar.”

No entanto, este raciocínio é extremamente importante para que possam dar o próximo salto na lógica: “[Um] indivíduo gay ou lésbica só pode ganhar os mesmos direitos de um indivíduo heterossexual sob o estatuto ao negar a própria característica que define indivíduos gays e lésbicas como uma classe — sua orientação sexual”.

Precedente Insustentável

Talvez o aspecto mais condenável do argumento dos direitos civis é a insustentabilidade lógica. Se a orientação/identidade sexual é a base para (1) a classificação como um grupo minoritário, e (2) as bases legais para a redefinição do casamento, então o que pode impedir que um “bissexual” lute pela habilidade de casar com um homem e uma mulher simultaneamente uma vez que sua “orientação” é, por definição, direcionada a ambos os sexos?[10] E quanto ao membro da NAMBLA (North American Man/Boy Love Association – Associação Norte-Americana pelo Amor Homem/Menino) cuja orientação é direcionada a jovens meninos?[11] Onde paramos, e em quais bases?

Os defensores dos homossexuais se recusam a responder esta questão. De fato, eles escolhem evitá-la (e são raramente pressionados neste ponto). Contudo, as implicações legais futuras das decisões judiciais sobre o casamento homossexual são inevitáveis. Não há outra situação em que isso seja mais claro do que no caso Lawrence vs. Texas, uma decisão que derrubou as leis antissodomia. Na decisão majoritária, o Juiz Kennedy citou sua opinião de 1992 no caso Planejamento Familiar vs. Casey:

“Tais questões, que envolvem as escolhas mais íntimas e pessoais que um indivíduo pode fazer em toda a sua vida, escolhas estas centrais à dignidade e autonomia pessoais, são fundamentais à liberdade protegida pela Décima Quarta Emenda. No coração da liberdade está o direito de um indivíduo definir seu próprio conceito de existência, de significado, do universo, e do mistério da vida humana. Crenças a respeito destas questões não poderiam definir os atributos de autonomia pessoal, ou eles seriam formados por imposição do Estado.”[12]

Eu não tenho treinamento legal, e reconheço os limites de minha habilidade de avaliar plenamente as implicações de tal decisão. Todavia, observo quando o Juiz Scalia responde a esta asserção declarando:

“Eu nunca ouvi falar de uma lei que tentasse restringir o ‘direito que um indivíduo tem de definir’ certos conceitos; e se a passagem questiona o poder do governo de regular ações baseando-se no ‘conceito de existência’ autodefinido de um indivíduo, esta será a passagem que devorou o domínio da lei.”[13] (ênfase adicionada)

Confrontação Inescapável

É muito importante para nós que nos opomos à ideia do “casamento” homossexual fazê-lo não apenas porque desejamos preservar nossa versão do Sonho Americano, mas porque encaramos o casamento como uma imagem viva e ativa do relacionamento entre Cristo e sua igreja (Efésios 5:22ff), e porque sabemos que Deus projetou a família de uma maneira particular. Enquanto o projeto da família promove o desenvolvimento humano (Gênesis 1:27-28), o testemunho direciona as pessoas à sua esperança nesta vida e na próxima. Como resultado, o silêncio nesta questão não é opcional.

Infelizmente (e bastante ironicamente), muitos cristãos têm sido intimidados a permanecer em silêncio pela mera ameaça de censura da ala homossexual. “Oponha-se a nós e você não é melhor do que George Wallace, Hitler e aqueles homofóbicos que mataram Matthew Shepard!” é seu não tão sutil refrão. Consequentemente, nós gastamos tanto tempo tentando provar que não somos assassinos cheios de ódio que falhamos em reconhecer que o Imperador está nu — como no conto, muitas pessoas acreditam em algo que claramente não é verdade. Não há razão legal, lógica, moral, bíblica ou histórica para apoiar o “casamento” homossexual. De fato, há uma miríade de razões para não apoiá-lo. Eu forneci apenas algumas.

Notas:
[1] - Michael Joseph Gross, “Gay is the New Black” (O Homossexual é o Novo Negro), The Advocate, 16 de novembro de 2008, disponível online em http://www.advocate.com/news/2008/11/16/gay-new-black (em inglês).
[2] - Ertha Melzer, “NAACP chair says ‘gay rights are civil rights” (Diretor da NAACP diz que ‘os direitos homossexuais são direitos civis), Washington Blade, 8 de abril de 2005. Deve-se observar também que a NAACP recentemente aprovou o casamento do mesmo sexo (http://graftedthemovie.blogspot.com/p/watch-grafted.html – em inglês), o que é significante uma vez que a organização existe para a “Promoção das Pessoas ‘de Cor’”.
[3] - Entrevista e Michael Steele em “The Reconstrutionist” (O Reconstrucionista), por Lisa aulo, GQ (Março de 2009), disponível em http://www.gq.com/blogs/the-q/2009/03/-the-reconstructionist-michael-steele.html (em inglês).
[4] - http://www.courtinfo.ca.gov/opinions/archive/S147999.PDF (em inglês).
[5] - Mesmo se estudos cerebrais, estudos de gêmeos, etc., fornecessem ligações conclusivas (o que não fazem), ainda seríamos deixados com o fato de que enquanto o fato de ser negro ou do sexo masculino são atributos que alguém não pode negar, o comportamento homossexual não é. [6] - Assim, mesmo se houvesse uma conexão genética, ela seria insuficiente para impelir a orientação sexual à mesma categoria que a raça ou o sexo. http://equalitymatters.org/factcheck/201111170008 (em inglês).
[7] - O termo LUGS (Lesbian Until Graduation – Lésbica Até a Formatura) se refere a jovens mulheres que participam de relacionamentos lésbicos apenas durante o período de estudos em sua vida acadêmica.
[8] - É importante observar que esta é uma distinção categórica, e não uma determinação baseada na fertilidade. De outra forma, o mesmo poderia ser dito de homens e mulheres que estão além da idade de conceber ou aqueles que possuem defeitos que não permitem a concepção.
[9] - http://www.history.com/this-day-in-history/pocahontas-marries-john-rolfe (em inglês). Apesar de ser comum o pensamento de que Pocahontas casou-se com John Smith, na realidade foi com o fazendeiro de tabaco John Rolfe que ela se casou em 5 de abril de 1614, em Jamestown, Virgínia.
[10] - Veja o Papel Branco de Elizabeth Emen de fevereiro de 2006=3 na Chicago Law School: LEI DA MONOGAMIA: MONOGAMIA COMPULSIVA E EXISTÊNCIA POLIAMOROSA, disponível em http://www.law.uchicago.edu/files/files/58-monogamy.pdf (em inglês).
[11] - North American Man/Boy Love Association (Associação Norte-Americana pelo Amor Homem/Menino). O lema deles é “Eight is Too Late” (Oito é Tarde Demais). http://www.nambla.org (em inglês).
[12] - Opinião Majoritária do Juiz Kennedy, “John Geddes Lawrence e Tyrol Garner, Peticionários versus Texas”, em 539 U. S. (2003), Ed. Suprema Corte dos Estados Unidos (2003).
[13] - Opinião Discordante de Antonin Scalia, “John Geddes Lawrence e Tyrol Garner, Peticionários versus Texas”, em 539 U. S. (2003), Ed. Suprema Corte dos Estados Unidos (2003).

Por Voddie Baucham © 2012 The Gospel Coalition, Inc. All rights reserved.
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Tradução/Fonte: Voltemos ao Evangelho
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