Sobre a mídia de massa e a guerra cultural

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Por Edson Camargo

Ainda que sejam muito comuns os casos em que jovens educados num contexto cristão cheguem às universidades e abandonem sua fé por conta do despreparo ao lidar com os postulados modernos e pós-modernos – o que evidencia a importância do ensino apologético e o desdém das famílias e de muitas igrejas pelo assunto – não acredito que o mantra do “cada um crê no que acha melhor e o importante é ser feliz” possua, de fato, entre outras baboseiras, tantos adeptos quanto a mídia de massa pode levar a crer. Não são poucos, obviamente, aqueles que intoxicaram suas almas na Academia, com o besteirol de pseudo-intelectuais midiáticos ou livros de auto-ajuda, e deve-se levar em conta também esse pelotão de gente vazia e superficial que sempre há, nos quais os telós, gugus e funkeiros da vida encontram seu público e renda. Enfim, o que desejo salientar é que os princípios e interpretações da realidade apresentados pelos intelectuais, classe artística e “especialistas” da mídia não são, de fato, os mesmos da maior parte da população, embora a influência seja, ao que me parece, crescente, ao menos em alguns aspectos.

Tendo em mente que integram um bom contingente as pessoas atentas à malignidade do relativismo moral e a hipocrisia de um pluralismo que, em nome da tolerância, reduz de forma burlesca toda e qualquer convicção, por mais sólida e fundamentada que seja, a meras crendices subjetivas, pode se perceber em muitos momentos, como numa conversa entre colegas de trabalho, o quão acuados podem se apresentar os cristãos quando algo que confronta diretamente sua fé é apresentado de forma taxativa. Fica claro que, por conta do falatório relativista, muito mais barulhento e presente na cultura de massa, não são poucos os cristãos que entraram na Espiral do Silêncio, como a descreve Elisabeth Noelle-Neumann em sua teoria sobre as relações entre os conteúdos apresentados na grande mídia e a opinião pública. Para a teórica, as versões e opiniões apresentadas pela mídia de massa tendem a prevalecer, e os discordantes tendem a se calar.

Enfim, é possível estar repleto de razão e ao lado da verdade, e, por uma série de motivos, sentir-se incapacitado ou desconfortável em expô-la, refutando os sofismas, até mesmo para aqueles entes queridos que visivelmente vivem uma vida confusa e alienada, por terem se deixado levar pelas falácias marteladas dia e noite pelos sacerdotes filisteus das classes tidas com bem pensantes.

É fácil falar que “a mídia manipula o povão”, mas não é nada fácil dizer como, em que termos, em quais temas e com quais intenções. Isso requer estudo sério. Também é difícil para o cidadão comum perceber o quanto e em relação a quais temas deixou-se levar e hoje tem as opiniões e comportamentos bem típicos de quem ficou exposto a fluxos de informação preparados a distância por pessoas desconhecidas, com intenções talvez jamais imaginadas, com métodos dos quais jamais perguntamos algo a respeito. Pelos antivalores presentes na teledramaturgia, programas de entretenimento e boca dos tais “formadores de opinião”, creio  que não se pode ter as melhores expectativas.

Contudo, a igreja avança, mesmo sendo o cristianismo a religião mais perseguida do mundo, e aí está outro fato omitido pela grande mídia que bem evidencia o caráter de seus barões. Além da perseguição física e brutal em países islâmicos e comunistas, como a China e a Coréia do Norte, há a notória perseguição cultural, que rapidamente vai se transformando em perseguição jurídica com a complacência falsamente esclarecida, é claro, dos “progressistas cristãos” e dos liberais teológicos, grupinhos sempre próximos, que vivem às piscadelas.

O fato é que a guerra cultural, a disputa entre as cosmovisões no debate público, é uma das dimensões mais visíveis da batalha espiritual. Para o cristão sério, em busca de crescimento e do cumprimento dos propósitos de Deus para sua vida, dentre os quais está o ser “sal da terra e luz do mundo”, torna-se cada vez mais importante buscar entender de forma mais profunda a mídia de massa, que se apresenta como espelho da realidade mas é, ela mesma, força impulsionadora de muitos fenômenos planejados e o canal da extensão e das conseqüências de outros. O bom soldado conhece o campo no qual luta. Deve conhecer os inimigos, suas armas e suas potenciais vítimas.

Por isso acredito que este tema deva ser muito mais debatido. Até porque a mídia de massa tem imposto com maestria os temas que a sociedade tem discutido, omitindo pautas e fatos fundamentais para uma adequada compreensão da época em que vivemos. E aos cristãos cabe não se deixarem manipular, e se antecipar aos ataques do inimigo. Para a glória do nosso Senhor Jesus.

- Sobre o autor: Jornalista e músico, é editor-executivo do site de opinião e análise de conteúdo midiático "Mídia Sem Máscara". Estudioso da filosofia, com ênfase nas áreas de teoria do conhecimento, história das idéias e filosofia política, é um amante dos grandes temas da teologia e um entusiasta da educação clássica.
Fonte: [ Gospel+ ]
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20 versículos que provam que a teologia da prosperidade está CERTA!

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Por André Sanchez

Todos sabem que existem vários versículos que provam veementemente que a teologia da prosperidade está correta. Fiz uma pequena coletânea entre os milhares versos que existem e trouxe a vocês os 20 mais importantes.


1- “Deus quer te abençoar, mas se você não ofertar, Ele não terá poder de fazer isso por você” (II Heresias 3. 16)

2 – “Você pode desonrar seu pai e sua mãe e até deixá-los passar necessidades, mas nunca seu apóstolo” (I Apostolicensses 1.1)

3 – “A oferta é a alavanca que move a mão de Deus a seu favor” (1 Cretinices 4. 3)

4 – “A fé sem ofertas é morta” ( 1 Dólar 1. 8)

5 – “E Jesus entrou em Jerusalém montando seu jumentinho de dez mil talentos” (Juao 15. 23)

6 – “Disse o apóstolo, cheio do espírito, a todos que o ouviam: Minha conta corrente é 1.000/07” (II Conta Corrente 1. 71)

7 – “Assim que a oferta entrar na conta corrente deus dirá ao anjo Money: Destranque as janelas do céu e prenda o devorador na casinha” ( II Malaquias 3.15)

8 – “É com a semente que sai da sua carteira que a obra de deus é realizada na terra” ( I Heresias 2. 8)

9 – “Participe das campanhas de vitória financeira e Deus tirará dos ricos e dará a você” (1 Robin Hood 2. 3)

10 – “E alguns paulistanos foram mais nobres que os de Boraceia, pois semearam nesse ministério em dólar.” ( 1 Tio Patinhas 1. 7)

11 – “deus quer te dar a melhor roupa, o melhor carro, a melhor casa… só não te deu ainda porque você não tem determinado isso a ele com fé” (Absurdicensses 1. 25)

12 – “Assim ordenou também o senhor que os que pregam o evangelho que fiquem ricos com o evangelho” ( I Falácia 1. 1)

13 – “Primiciar é mover a mão de Deus a seu favor e a favor dos donos da igreja” ( I Primicias 1. 1)

14 -“Confia no senhor, dê sua oferta, faça sacrifícios financeiros e os seus desígnios serão estabelecidos” (Absurdicensses 8. 32)

15 – “E Gesuis encontrou no templo os que vendiam bois, ovelhas e pombas e também os cambistas assentados; parabenizou-os pelas boas vendas que faziam, porém, expulsou os que ali oravam e quebrantavam seus corações, mas não ofertavam e nem compravam nada, bem como todo pobre que ali estava, e disse-lhes: A casa me meu pai é casa de negócio e não um covil de doentes e pobres!” (Indireticensses 2. 8)

16 – “É mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que entrar alguém que não oferta, que não primicia, que não faz sacrifícios financeiros, nas igrejas da teologia da prosperidade” ( Sofismas 3. 12)

17 – “Porque o amor do dinheiro é a raiz de todas as bênçãos” ( 1 Mamon 1. 1)

18 – “Sacrifícios agradáveis a deus são os dízimos e as ofertas; coração que determina e exige, não os desprezarás, ó deus” (Salmos de Mamon 119. 3)

19 – “O maior mandamento é: Amarás a Mamon, teu deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. O segundo, semelhante a este, é: Honre e oferte aos seus líderes como a ti mesmo” ( 2 Leis de Mamon 2. 15)

20 – “Pelas suas ofertas o conhecereis. Pode, acaso, de um coração cheio de fé e do espírito, sair uma oferta pequena? (Apolion 15. 12)

E agora, sob o ponto de vista desse versículos, concorda que a teologia da prosperidade está certa?

Fonte: [ Esboçando ideias ]
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A Marcha que nunca foi para Jesus!

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Por Ruy Marinho 

Todo ano em São Paulo acontece a famosa e badalada Marcha para Jesus. Este evento espalhou-se pelo Brasil de forma gradativa e hoje faz parte do calendário de várias cidades.

No Brasil, o evento começou a ser realizado em terras Pauliceias no ano de 1993, organizado pela Igreja Renascer em Cristo através de seus líderes, o “Apóstolo” Estevão Hernandes e “Bispa” Sônia Hernandes, ambos conhecidos internacionalmente após sérios problemas com a justiça brasileira e americana, em razão de suas respectivas infrações contravencionais. Além disso, são conhecidos por serem expoentes do neopentecostalismo, bem como por pregar as perniciosas doutrinas da restauração apostólica triunfalista e teologia da prosperidade.

Há muitos anos, este evento vem sendo questionado por muita gente, em decorrência de ser organizado por uma única denominação com pessoas duvidosas à frente, bem como pelas práticas e resultados negativos de tais manifestações públicas.

Antes de qualquer análise, é importante salientar a origem de tais eventos. O modelo original da Marcha para Jesus que a Igreja Renascer copiou é tão questionável quanto a existente em nosso país.

O conceito “Marcha para Jesus” começou na Inglaterra em meados de 1987, através de uma ação ecumênica entre protestantes e católicos de Londres. A organização foi iniciativa dos líderes carismáticos Britânicos Gerald Coates, Roger Forster, Lynn Green e Graham Kendrick. Segundo eles, a passeata pública foi feita para demonstrar a “unidade entre a Igreja” e expressar a fé cristã para a sociedade, bem como promover atos proféticos de batalha espiritual contra espíritos territoriais malignos, dominantes da Europa secularizada.

O que muitos não sabem é que esses líderes britânicos são adeptos de práticas neopentecostais controvérsias e de conceitos antibíblicos. Para se ter uma idéia, um dos idealizadores da Marcha é Gerald Coates, famoso carismático liberal Britânico, que tem como referência nada menos que Rodney Howard-Browne, Benny Hinn e Kenneth Copeland.

Coates nega abertamente a inerrância e suficiência das Escrituras, defende a benção de Toronto e o derramamento de Pensacola como “mover” do Espírito Santo, utiliza como fontes de ensino a espiritualidade Celta, além de emitir falsas profecias e apoiar falsos profetas como Paul Cain.[1] Lynn Green é um carismático ecumênico que defende a unificação doutrinária das religiões monoteístas, principalmente entre católicos e protestantes.[2] Roger Forster é um carismático controverso, árduo defensor da batalha espiritual e da luta contra espíritos territoriais malignos, através de atos proféticos e outras práticas místicas.[3] Por fim, Graham Lendrick é um ministro de louvor carismático, autor de músicas com letras teologicamente questionáveis, também defende o ecumenismo, a benção de Toronto e é adepto da confissão positiva.

Com essas informações, podemos ter uma ideia do que conceitua-se a original Marcha para Jesus. Entretanto, no Brasil o problema é muito mais grave.

Como todo ano, o evento reúne diversas denominações evangélicas, reunidas em uma grande procissão pelas ruas da capital paulistana. Mas qual o objetivo desta Marcha para Jesus no Brasil?

Segundo o “presidente” da Marcha para Jesus, “Apóstolo” Estevam Hernandes, “a Marcha Para Jesus não foi criada para exaltar nenhum homem, é a expressão do mover do Espírito Santo e um ato proférico!"(sic).[4] Frase contraditória, pois se Estevam é o presidente da Marcha para Jesus, automaticamente o mesmo será exaltado de alguma forma! Ora, presidente é aquele que exerce uma liderança máxima, que ordena, que delega, que dá a palavra final e que sanciona. Nem mesmo os líderes de outras denominações presentes na marcha possuem autoridade sobre o evento, quem dá as cartas é o líder da Renascer. Além do mais, todos sabem que os discípulos da Igreja dos Hernandes "lutam e morrem" por eles, tendo em vista o famoso jargão popularizado na época da prisão dos líderes da Renascer: "Espada pelo Apóstolo e pela Bispa!"

A justificativa para o “fundamento espiritual” do evento é pior ainda, vejamos:

A Marcha tem como fundamento bíblico as passagens de Êxodo 14, Josue 6 e João 13:35 [...]Todos os anos, a Marcha para Jesus têm revelado - em âmbito mundial - o poder e a misericórdia de Deus aos homens. Milhares de pessoas são curadas, libertas e restauradas.”[5]

Francamente, citar passagens do Antigo Testamento não justifica a realização da Marcha para Jesus. As “marchas” do povo Hebreu não tinham como alvo evangelizar ou curar, mas eram marchas de guerra, para conquistar povos ou exterminar inimigos, conforme a vontade de Deus naquela época. No Êxodo, o que ocorreu foi um livramento específico de Deus para com o povo Hebreu e não uma procissão evangelística. É totalmente antibíblico alegorizar tais passagens Veterotestamentárias como se o povo Israelita estivesse marchando para fora do Egito e para Canaã, de caras pintadas, com bandeiras e faixas, os levitas fazendo shows gospel com seus respectivos instrumentos, com o objetivo de “ganhar” para o Deus de Israel os egípcios e os cananeus!

Imaginem então, tomar de forma literal o texto de Josué 6 para os dias de hoje! Já que é para literalizar o texto, então os “marchadores” devem também tocar trombetas, marchar em volta da cidade sete vezes (não somente uma dentro da cidade), ficar silenciosos (sem trios elétricos, sem gritos e sem triunfalismos) nas seis primeiras voltas e só gritar na sétima.

O interessante é que não vemos em nenhum lugar no Novo Testamento a ordem evangelística de marchar para Jesus, ou no Antigo Testamento para Deus, muito menos nas literaturas dos pais da Igreja, reformadores, missionários e evangelistas por toda a história. Não há, absolutamente, nenhum fundamento espiritual cristão para se praticar marchas evangelísticas. 

Além do “presidente” da Marcha para Jesus em destaque, também são destacados os trios elétricos que puxam a “micareta gospel”, ao som de músicas triunfalisticamente antropocêntricas, preparadas cuidadosamente para massagear o ego dos participantes em detrimento do evangelho que confronta o caráter. Uma “musicalidade” com direito ao melhor do gospel atual: funk, axé, pagode e até reggaeton! Aí eu pergunto: A conversão vem através do ato de levantar a mão e ir até a frente do trio em resposta a um apelo feito neste ambiente? É no mínimo questionável esse tipo de evangelismo, pois a palavra quase não é proclamada devido ao foco na euforia festiva, salvo raras exceções quando é falada ou cantada, mas de maneira superficial e distorcida, onde não há entendimento profundo das Escrituras. Na verdade, eu não consigo imaginar como alguém pode se converter em tal evento.

Por falar em trio elétrico, muitos vêem os mesmos como uma grande oportunidade de promover seus interesses particulares. Afinal, trata-se de um evento com participação popular de mais de três milhões de pessoas em média. A ocasião é perfeita para os manipuladores de massa de manobra, principalmente políticos, os quais com certeza vão aproveitar a véspera de ano eleitoral para articular alianças com o “povo gospel”.

O que falar do misticismo, dos atos proféticos, do triunfalismo apostólico exclusivista e das profetadas que nunca se cumprem, dentre outros absurdos que testemunhamos todos os anos nesses eventos? Em 2008, eu postei no meu blog alguns atos antibíblicos praticados na respectiva marcha. Pessoas anotavam pedidos e dificuldades num papel, colocava o mesmo dentro dos calçados com o intuito de "marchar" em cima para quebrar as maldições escritas no papel, profetizando a conquista de seus recpectivos pedidos (veja aqui). Ou seja, um ambiente neopentecostal, antropocêntrico em sua essência, onde é potencializada as mais variadas práticas místicas e antibíblicas que se pode inventar.

Posto isto, infelizmente concluo que a Marcha para Jesus no Brasil tornou-se num evento com quatro objetivos principais:

1 - Competir com a “marcha do orgulho gay” em termos numéricos;
2 - Servir como trampolim para promoção de cantores, líderes e políticos “gospel”;
3 - promover o comércio milionário de produtos/serviços gospel;
4 - Ser um transtorno para a ordem da cidade, por conta da perturbação do sossego público e do bloqueio ao trânsito, afastando as pessoas do evangelho, bem como envergonhando os cristãos que não compactuam com o evento.

O meu desejo é que o povo acorde de toda essa utopia prisional, que Cristo não seja utilizado como cabo eleitoral de algum político e que o cristianismo deixe de ser um trampolim para o sucesso de alguém. Marchemos pela ética evangélica brasileira!


Soli Deo Gloria! 

Notas:
1 – Para saber mais sobre quem são os fundadores da Marcha pra Jesus em Londres, veja estes links: http://op.50megs.com/ditc/coates.htm,
http://www.christian-witness.org/archives/van1997/gcoates_1.html
http://www.christian-witness.org/archives/cetf1998/brotherandrewdoor.html
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2 – Ibid.
3 – Ibid.
4 - http://www.marchaparajesus.com.br/2012/marcha.php
5 – Ibid.
 

Fonte: [ Bereianos ]
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A Utilidade das Escrituras

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Por Wayne Mack

A palavra salvação é utilizada em vários sentidos na Bíblia. Com freqüência, salvação é empregada no sentido restrito de ser salvo da penalidade de nosso pecado e de nossa alienação para com Deus (Cl 1.21-23). Todavia, existe um sentido mais amplo em que as Escrituras utilizam este vocábulo. A palavra salvação, derivada do vocábulo grego soteria, inclui a idéia de tornar inteiro, completo ou sadio. Na salvação, Deus não somente nos livra da penalidade de nosso pecado (ou seja, de nossa alienação para com Ele) — o inferno. Deus também quer nos salvar da corrupção de nosso pecado, ou seja, Ele quer nos transformar tanto em nosso interior quanto em nosso exterior. Deus quer mudar nossa condição interna, bem como nossa posição legal diante dEle mesmo — nossa condição e nossa posição, nosso estado e nossa postura.

Nas palavras do apóstolo Paulo, encontradas em outra passagem bíblica, na salvação Deus nos conforma à imagem de Cristo (Rm 8.29; 2 Co 3.18). O propósito de Deus na salvação é tornar-nos perfeitos em Cristo (Cl 1.28). Deus tenciona agir dessa maneira em nós, a fim de que “cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo” (Ef 4.15). Afirmando de outra maneira, podemos dizer que “tão grande salvação” (Hb 2.3) inclui a santificação (ser tornado santo em nosso coração e em nossa conduta) e a justificação (ser declarado justo em nossa posição diante do Deus santo, por meio da justiça de Cristo). Do ponto de vista de Deus, a salvação inclui ser feito semelhante a Cristo e ser declarado legalmente justo em Cristo.

Esta é a maneira como o vocábulo salvação foi utilizado em 1 Timóteo 4.16, onde Paulo fala a respeito de assegurar a salvação de Timóteo e dos membros da igreja de Éfeso. Com certeza, Paulo não estava, nesta passagem bíblica, questionando se Timóteo ou outros crentes estavam em um relacionamento correto com Deus, se eles já haviam sido justificados, se os seus pecados haviam sido perdoados. Paulo estava falando sobre salvação no sentido de crescer mais e mais na semelhança de Cris- to; esta semelhança é o objetivo de Deus em nos justificar.

Na salvação, Deus não está apenas interessado em nos salvar da condenação do inferno; tampouco Ele está somente preocupado em nos levar ao céu. Além destes propósitos da salvação, Deus também quer nos mudar em nosso íntimo, de modo que nossos pensamentos, afeições, desejos, sentimentos, atitudes, aspirações e todos os aspectos de nosso ser tornem-se semelhantes a Cristo. Deus tenciona que nossa vida, tal como a de nosso Senhor Jesus Cristo, seja cheia com o fruto do Espírito — amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio (Gl 5.22,23). Isto é salvação em seu sentido mais completo. E esta é a razão por que ser tornado sábio para a salvação é um aspecto tão importante, proveitoso e crítico em resolver tanto os problemas da vida presente quanto os problemas referentes à eternidade.

Que instrumentos Deus utiliza neste processo interno de transformação, neste sentido mais amplo da salvação? O mesmo instrumento que Ele utiliza para nos tornar sábios para a salvação no sentido de mudar nosso relacionamento para com Ele. Deus utiliza as Escrituras para nos mudar em nosso íntimo e nos transformar à imagem de Cristo. “Todos nós... contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem” (2 Co 3.18). “Santifica-os [torna-os santos e justos em seu coração e em sua conduta] na verdade; a tua palavra é a verdade” (Jo 17.17). “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra” (Ef 5.25,26).

Muitos anos atrás, Thomas Chisholm expressou, nas seguintes palavras, aquilo que deve ser o clamor do coração de todo crente: “Oh! Que eu seja semelhante a Ti, bendito Redentor! Este é o meu anelo e a minha oração constante! Ó Jesus, eu renunciarei, com alegria, todos os tesouros desta vida, a fim de vestir-me de tua perfeita semelhança. Oh! Que eu seja semelhante a Ti, cheio de compaixão, amor, perdão, ternura e bondade, ajudando o desamparado, confortando os desanimados, procurando encontrar os pecadores errantes! Oh! Que eu seja semelhante a Ti! Enquanto eu estou clamando, derrama o teu Espírito; enche-me com teu amor, faze de mim um templo adequado para a tua habitação. Prepara-me para a vida e para a habitação celestial. Oh! Que eu seja semelhante a Ti, bendito Redentor, puro como Tu és! Vem em tua amabilidade, em tua plenitude, estampa a tua própria imagem no mais íntimo de meu coração”.

O constante clamor do coração de todo crente deveria ser: “Senhor Jesus, eu quero ser semelhante a Ti. Por favor, age em mim, transformando-me, mudando meu ser e fazendo-me semelhante a Ti”. Eu afirmo que essas palavras deveriam constituir nosso anelo e nossa oração permanentes. E esta é a boa notícia: à medida que nos tornarmos mais semelhantes a Cristo e que tal semelhança se torne mais real em nosso viver, desfrutaremos do maior bem que uma pessoa pode experimentar. A coisa mais benéfica e proveitosa que pode acontecer é alguém tornar-se crescentemente mais semelhante a Cristo, à maneira bíblica; e isso é descrito pelo poema de Thomas Chisholm. Imagine com o que a nossa vida pareceria, o que aconteceria em nossos relacionamentos com as outras pessoas e em nossas famílias; com o que seriam semelhantes nossas igrejas e qual seria o nosso impacto no mundo, se fôssemos mais semelhantes a Cristo.

Pense sobre o impacto que nós, os crentes, causaríamos em favor da causa de Cristo, se, à semelhança dEle, fôssemos cheios de compaixão, amor, ternura e bondade; se, à semelhança dEle, fôssemos mais dedicados em ajudar os desamparados, confortar os desanimados e procurar os errantes. Que maravilha! Isso é algo pelo que temos de nos sentir estimulados e anelar muito! A boa notícia é que tornar-se semelhante a Cristo não é uma idéia impraticável. Para todos nós que temos experimentado a salvação no sentido de justificação dos pecados, experimentar a salvação no sentido de crescer mais e mais na semelhança de Cristo é algo que pode constituir nossa experiência contínua aqui e agora. Nós podemos mudar! Podemos ser diferentes! Podemos resolver nossos problemas relacionados ao pecado! Podemos nos tornar mais semelhantes a Jesus! Como? Por meio do estudo regular, diligente, fiel, sério e fervoroso da Palavra de Deus; é a única maneira pela qual essa semelhança pode acontecer. E ser mais semelhante a Cristo pode acontecer porque as Escrituras, inspiradas por Deus, são úteis para nos tornar sábios para a salvação nos dois sentidos discutidos neste artigo.

Fonte: [ Editora Fiel
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O perigo da Teologia sem a Ortopraxia

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Por Samuel Torralbo

Toda reflexão bíblica ou teológica sempre precisou ser transportada do campo da reflexão para a prática funcional da vida cristã. O maior desafio da teologia cristã nunca esteve atrelado aos enfrentamentos apologéticos com relação às doutrinas heterodoxas, mas em aplicar na vida prática do discípulo de Cristo os ensinamentos bíblicos. De modo que, enquanto a ortodoxia – “orthos” (reto) e “dóxa” (opinião) é a crença correta, a ortopraxia -“órthos” (reto) e “praxe” (pratica) é a prática correta da crença.

Enquanto que, a ortodoxia mantém a consciência universal da obra de Deus na historia e na encarnação de Cristo, a heterodoxia (opinião diferente) é caracterizada pelas associações com as opiniões e doutrinas que discordem de uma opinião oficial ou ortodoxa.

Em tempos como o nosso, onde o avanço da relativização teológica é bastante comum, é vital para a igreja manter os fundamentos bíblicos da fé cristã. É também importante destacar que, na historia do cristianismo a doutrina ortodoxa contou com os apologistas, que defenderam a fé cristã enfrentando as heresias que surgiam do lado externo (extra muro), enquanto que, os polemistas defendiam a doutrina bíblica do lado de dentro (intra muro), no próprio contexto eclesiológico.

Sendo assim, a vida cristã de certo modo não subsiste apenas do entendimento sistemático da doutrina bíblica, mas principalmente na aplicação dos ensinamentos nas contingencias reais e práticas da vida cristã em comunidade e sociedade.

A verdade que se crê e estuda, também deve ser vivida e praticada. Sendo assim, em síntese, a vida cristã não se resume em códigos de uma cartilha religiosa, gerando alienação ou deformação, mas antes, a teologia e a fé cristã possibilitam que o cristão seja inserido no caminho da vida, influenciando o mundo através da graça de Deus em Cristo Jesus.

Porém, a referência de toda experiência e doutrinação da fé cristã se baseia nos escritos da bíblia. Sendo que, em todo momento existiu a necessidade da contextualização da mensagem bíblica no tempo e na história. Nunca foi um desafio para a Bíblia ser contemporânea, uma vez que, sua natureza é dinâmica e renovável no processo histórico da humanidade.

O desafio sempre esteve presente na maneira com que os homens iriam manuseá-la, aplicando suas verdades. Uma reflexão importantíssima é de como a igreja contemporânea pode ter uma mensagem bíblica contextualizada para a sociedade pós-moderna? O que cada cristão pode fazer para que, o mundo compreenda a mensagem de Deus em Cristo Jesus? Qual o real significado e importância da bíblia para a geração contemporânea? Como identificar e praticar a doutrina bíblica em um tempo de extremo relativismo?

A bíblia sempre foi alvo de atentados, fogueiras, e descrédito ao longo da história, no entanto nenhuma bigorna resistiu o confronto com a palavra de Deus.

Passado o tempo da perseguição literal e concreta na idade média, que pretendia extirpar definitivamente as escrituras sagradas do alcance das pessoas, novas frentes de perseguição objetivam roubar o conteúdo bíblico. È claro que não existem mais as fogueiras, cruzadas e guerras santas em nosso tempo. A oposição às escrituras sagradas atualmente acontece por vias mais subjetivas e sutis, muitas vezes partindo de movimentos, e teológicas desenvolvidas internamente por alguns “cristãos”.

Entre algumas oposições contemporâneas as escrituras sagradas, destacassem algumas:

Teismo aberto – A teologia relacional ou teologia da abertura de Deus como também é conhecida o teísmo aberto não é uma teologia nova. Segundo o escritor e pastor Augustus Nicodemos – Ela tem raízes em conceitos antigos de filósofos gregos, no socinianismo (que negava exatamente que Deus conhecia o futuro, pois atos livres não podem ser preditos) e especialmente em ideologias modernas, como a teologia do processo. O que ela tem de novo é que virou um movimento teológico composto de escritores e teólogos que se uniram em torno dos pontos comuns e estão dispostos a persuadir a igreja cristã a abandonar seu conceito tradicional de Deus e a convencê-la que esta “nova” visão de Deus é evangélica e bíblica.

No Brasil, o teísmo abeto é defendido por algumas lideranças bastante conhecidas no meio evangélico. Os principais pontos teológicos defendidos pelo teísmo aberto podem ser resumidos desta forma: (1) Deus não conhece plenamente o futuro, mas somente aquilo que pode ser sabido. (2) O livre arbítrio do homem depende estritamente da limitação do conhecimento de Deus no tempo. (3) O principal atributo divino é o amor, e isto, relativiza todos os demais atributos divinos. (4) Deus não é soberano, de modo que, pode ser surpreendido como no caso do terremoto no Haiti em 2010. (5)
O futuro é determinado pela combinação de atitudes entre Deus e o homem.

Entre as diversas oposições contra a teologia ortodoxa reformada, o teísmo aberto certamente é uma das principais, porque procura explicar o inexplicável, colocando Deus nos limites da razão humana. Seus adeptos preferem acreditar em um Deus que aprende e adquire conhecimento com o tempo, negando a soberania e a presciência divina.

É verdade que a teologia tradicional adotada pelo cristianismo histórico não responde a todos os questionamentos sobre os planos de Deus, simplesmente porque estamos falando de Deus. Um “Deus” que caiba dentro dos questionamentos humanos torna-se um ídolo. O Deus revelado pelas escrituras sagradas, e fundamentado pela teologia histórica do cristianismo é soberano, pleno, onipotente, conhecedor do futuro e que se manifestou plenamente pela graça em Cristo Jesus.
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Fonte: [ Púlpito Cristão ]
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Cretenses na igreja brasileira

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Por João Dias Ferreira Netto

Esse homem ai ao lado é Epimênides. Ele seria chamado por muitos falsos profetas de um "blogueiro recalcado" dos dias de Creta no século VI a.C. Um poeta e elevado, graças a sua denúncia sobre Creta, à condição de profeta pelo apóstolo Paulo em Tito 1:12, delatou que os cretenses em geral eram "sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos". Esse erro terrível dos moradores da ilha os levavam a ser como muitos de nós hoje em dia: enganadores e aproveitadores, que até mesmo usavam da fé do povo para tirar vantagem. Muitos falsos profetas atacavam nesse lugar, transtornando casas inteiras "ensinando o que não convém, por torpe ganância" (v.11) . Eram homens que tomavam coisas como impuras, ensinando um fundamentalismo tolo que trazia por trás ganância, rapinagem e uma vida desregrada e levada ao pecado (vv. 15 e 16).

Hoje em dia diversos "mestres" falsos se levantam, querendo apagar de nós todos a sã doutrina bíblica e nos levar a uma religiosidade fingida e guiada para nossos ganhos financeiros pessoais e nosso EU, nosso umbigo como deus, para sustentarmos nossos ventres preguiçosos. Haja campanha disso, desafio daquilo, tudo menos renúncia e cristocentrismo. Tudo para "nossos sonhos se realizarem", para "determinarmos" nossa vontade em detrimento da de Jesus. E isso tudo sem esforço algum. Afinal ser pobre "é uma doença, é ser um derrotado, Jesus não quer isso pra você, você é filho do Dono do Ouro e da Prata!" (trabalhar que é bom ninguém quer, só querem pilhar os céus).

E pra piorar estamos vivendo uma época em que não podemos mais repreender essas coisas, sob pena de sermos chamados de invejosos, caluniadores e desocupados. Paulo, Orígenes, Tertuliano, Agostinho e Lutero, seus fanfarrões!!!! Podiam se calar e continuar pregando o Evangelho de qualquer jeito ao invés de perderem seus tempos dando uma de apologistas!!!

O fato é que independente dos que se calam, nossa missão é FALAR E MUITO. Falar o que procede da sã doutrina (Tito 2.1), repreender os que pregam mentiras com TODA AUTORIDADE pra isso (Tito 1.13 e 2.15) e caso insistam, evitar esses tolos (Tito 3.9-11) mostrando a todos o quanto ele está caído e pervertido e assim podendo calar a voz deles para aqueles que ainda querem ouvir apenas a voz do Bom Pastor (Tito 1.11). E nós mesmos temos que buscar, como sacerdotes e defensores da fé, sermos irrepreensíveis (Tito 1.5-9), para que estejamos prontos para todo e qualquer combate em nome de Cristo e que ELE realmente seja louvado em tudo.

Deus nos abençoe e nos instrua a cada dia, nos dando coragem e discernimento para abrir nossos lábios para a Verdade ser proclamada!

Fonte: [ Web Evangelista ]
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Orgulho Espiritual

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Por Jonathan Edwards

A primeira e a pior causa do erro que prevalece em nossos dias é o orgulho espiritual. Ele é a porta principal através da qual o diabo influi no coração daqueles que são zelosos pelo avanço do reino de Cristo. O orgulho espiritual é a maior porta de acesso da fumaça que sobe do abismo para obscurecer a mente e perverter a capacidade de julgar, bem como é o principal instrumento com o qual Satanás assalta os crentes, a fim de obstruir a obra de Deus. Até que essa enfermidade seja curada, os remédios para curar todas as outras enfermidades são aplicados em vão.

O orgulho é muito mais difícil de ser discernido do que qualquer outra corrupção, porque, por natureza, o orgulho equivale a uma pessoa alimentar pensamentos elevados a respeito de si mesma. Existe alguma surpresa no fato de que uma pessoa que possui pensamentos muito elevados a respeito de si mesma seja inconsciente do orgulho? Ela acha que sua opinião a respeito de si mesma tem fundamentos corretos e, por conseguinte, supõe que essa opinião não é muito elevada. Como resultado, não existe outro assunto em que o coração humano se mostra mais enganoso e impenetrável. A própria natureza do orgulho consiste em desenvolver autoconfiança e rejeitar qualquer suspeita de que, em si mesmo, o coração é mau.

O orgulho assume muitas formas e moldes, envolvendo todo o coração, como as cascas da cebola — quando você remove uma casca da cebola, existe outra por baixo. Portanto, precisamos ter a mais intensa vigilância possível sobre nosso coração, no que se refere a este assunto, e, com profundo ardor, clamar por ajuda ao grande Perscrutador dos corações. Aquele que confia em seu próprio coração é um tolo.

Visto que o orgulho espiritual, por sua própria natureza, é secreto, ele não pode ser bem discernido pela intuição imediata. O orgulho espiritual é melhor identificado por seus frutos e efeitos, alguns dos quais mencionarei em paralelo aos frutos contrários da humildade cristã.

A pessoa espiritualmente orgulhosa se considera cheia de entendimento e sente que não precisa de qualquer instrução; por isso, ela se mostra pronta a rejeitar o ensino que outros lhe oferecem. Por outro lado, o crente humilde é semelhante a uma criança que facilmente recebe instrução; é cauteloso em sua avaliação de si mesmo e sensível a respeito de como está sujeito a tropeçar. Se lhe for sugerido que ele realmente está sujeito a tropeçar, com muita prontidão o crente humilde estará disposto a inquirir sobre o assunto.

Pessoas orgulhosas tendem a falar sobre os pecados dos outros, ou seja, sobre a miserável ilusão dos hipócritas, sobre a indiferença de alguns crentes que sentem amargura ou sobre a oposição que muitos crentes demonstram para com a santidade. A verdadeira humildade cristã fica em silêncio no que se refere aos pecados dos outros ou fala sobre eles com tristeza e piedade.

A pessoa espiritualmente orgulhosa encontra nos outros crentes o erro de falta de progresso na vida cristã, enquanto o crente humilde vê muitos erros em seu próprio coração e se preocupa, a fim de que ele mesmo não se veja inclinado a ocupar-se demais com o coração dos outros. Ele lamenta muito por si mesmo e por sua frieza espiritual, esperando prontamente que muitas outras pessoas tenham mais amor e gratidão a Deus, mais do que ele mesmo.

A pessoa espiritualmente orgulhosa fala sobre quase tudo que percebe nos outros, fazendo-o com grosseria e com uma linguagem bastante severa. Em geral, a crítica de tais pessoas se dirige não apenas contra a impiedade dos incrédulos, mas também contra os verdadeiros filhos de Deus e contra aqueles que são seus superiores. Os crentes humildes, por sua vez, mesmo quando fazem extraordinárias descobertas da glória de Deus, sentem-se esmagados por sua própria vileza e pecaminosidade. As exortações deles para os outros crentes são ministradas de maneira amável e humilde; e tratam os outros com tanta humildade e gentileza quanto o Senhor Jesus, que é infinitamente superior a eles, os trata.

O orgulho espiritual com freqüência dispõe a pessoa a agir de maneira diferente em sua aparência exterior e a assumir uma linguagem, semblante e comportamento diferentes. No entanto, o crente humilde, embora se mostre firme em seus deveres e prossiga sozinho no caminho do céu, mesmo que todo o mundo o abandone, ele não se deleita em ser diferente apenas por amor à diferença. O crente humilde não estabelece como objetivo primordial o ser visto e observado como alguém diferente; pelo contrário, ele está disposto a tornar-se tudo para todos os homens, sujeitar-se aos outros, conformar-se a eles e agradá-los em tudo, exceto no pecado.

As pessoas orgulhosas levam em conta as oposições e injúrias, estando dispostas a falar sobre elas em tom de amargura e murmuração. A humildade cristã, por outro lado, dispõe a pessoa a ser mais semelhante ao seu bendito Senhor, que, ao ser maltratado, não abriu a sua boca, mas entregou-se silenciosamente Àquele que julga retamente. Para o crente humilde, quanto mais clamoroso e irado o mundo se mostra com ele, tanto mais quieto e tranqüilo ele permanecerá.

Outro padrão das pessoas espiritualmente orgulhosas é comportarem-se de maneira que levem os outros a fazerem delas seu alvo. É natural para uma pessoa que está sob a influência do orgulho aceitar toda a reverência que lhe tributam. Se os outros mostram disposição para submeterem-se a ela e sujeitarem-se em deferência a ela, a pessoa espiritualmente orgulhosa está aberta para esta sujeição, aceitando-a espontaneamente. Na verdade, aqueles que são espiritualmente orgulhosos esperam esse tipo de tratamento, formando uma opinião pervertida sobre aqueles que não lhe oferecem aquilo que eles sentem que merecem. 

Fonte: [ Trovian ]
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Meu amigo, o herege

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 Por Walter M. Calister

O ditado “amigos, amigos, negócios à parte” não tem nada, mas nada a ver com fé e prática cristã. O ditado geralmente explica como pessoas podem deixar de lado sua amizade e serem duras ou práticas, tratando uns aos outros como se nem amigos fossem. Desconto? Crédito? Brinde? Pode esquecer. Ser amigo nesta hora fica em segundo plano. O negócio é o negócio. Amizade se aplica a outras coisas.  Mas… e na teologia? A minha resposta pode parecer dura, mas tenho que dizer um não categórico.

Pois falar “amigos, amigos, doutrinas à parte” não é algo aceitável biblicamente. Podemos deixar as diferenças na porta e simplesmente afirmar amizade? Até certo ponto, creio que sim. Aliás, creio que seja absolutamente fundamental para a Igreja de Jesus Cristo superar as nossas diferenças periféricas (doutrinas de segunda e até terceira ordem) para nos concentrarmos naquilo que nos une.

Num território comum a nós todos, ou seja, sob o Senhorio de Jesus Cristo e com tudo que isso quer dizer, amizade tem que superar até diferenças bem incômodas. Formas de batismo (credobatismo ou pedobatismo; submerso ou aspergido), liturgia (moderno ou tradicional ou até salmodíaco), indumentária, escatologia… sim, até os arminianos e calvinistas precisam se entender e conviver em paz. Amizade que atravessa essas linhas, frequentemente traçadas com rixas profundas, é possível, necessária e cristã.

Mas vamos inverter a frase. Aqui vem o “X” da questão, hoje. “Amigos, amigos, heresia à parte”. Isso funciona? Não. E recorro a muitas evidências e muitos imperativos bíblicos para sustentar minha resposta, que pode parecer antipática para alguns.

Primeiro, entendamos a essência de uma heresia. Ela é uma postura que esvazia o poder da cruz e, consequentemente, desvirtua a fé para algo que não salva, não dá vida e não nos mantém em relacionamento com o Deus vivo. Sério, não? Não tenha dúvida: seriíssimo. E grave.

Se tirarmos a imutabilidade de Deus da equação, descontruímos o Evangelho. Se não afirmamos a exclusividade de Cristo como o único caminho para a salvação, esvaziamos a sua mensagem e o próprio propósito das Escrituras. Se eliminarmos a possibilidade da ressurreição física – no tempo e no espaço, fazemos da esperança cristã uma ficção. Se distorcermos a encarnação de Jesus Cristo, compreendendo-a como menos divino ou menos humano, arrancamos a alma da proclamação do Evangelho.

Esses são apenas poucos exemplos de heresias que já assolaram a Igreja ao longo da nossa História e que, calamitosamente, estão voltando à cena atual por meio de pessoas simpáticas, carismáticas e, em muitos casos, “amigas”. Então, o que diz a Bíblia sobre os nossos “amigos”? Preparado para entrar de cabeça nas Escrituras? Então que diga não mais eu, mas o Senhor:

Admiro-me de que vocês estejam abandonando tão rapidamente aquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguirem outro evangelho que, na realidade, não é o evangelho. O que ocorre é que algumas pessoas os estão perturbando, querendo perverter o evangelho de Cristo. Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! (Gl 1.6-9) 

O que receio, e quero evitar, é que assim como a serpente enganou Eva com astúcia, a mente de vocês seja corrompida e se desvie da sua sincera e pura devoção a Cristo. Pois, se alguém lhes vem pregando um Jesus que não é aquele que pregamos, ou se vocês acolhem um espírito diferente do que acolheram ou um evangelho diferente do que aceitaram, vocês o suportam facilmente. (2 Co 11.3,4) 

Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja corretamente a palavra da verdade. Evite as conversas inúteis e profanas, pois os que se dão a isso prosseguem cada vez mais para a impiedade. O ensino deles alastra como câncer; entre eles estão Himeneu e Fileto. Estes se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição já aconteceu, e assim a alguns pervertem a fé. Entretanto, o firme fundamento de Deus permanece inabalável e selado com esta inscrição: “O Senhor conhece quem lhe pertence” e “afaste-se da iniqüidade todo aquele que confessa o nome do Senhor”. (2 Tm 2.15-19) 

Cuidado com os cães, cuidado com esses que praticam o mal, cuidado com a falsa circuncisão! Irmãos, sigam unidos o meu exemplo e observem os que vivem de acordo com o padrão que lhes apresentamos… Pois, como já lhes disse repetidas vezes, e agora repito com lágrimas, há muitos que vivem como inimigos da cruz de Cristo. Quanto a estes, o seu destino é a perdição, o seu deus é o estômago e têm orgulho do que é vergonhoso; eles só pensam nas coisas terrenas. (Fp 3.2,17-19) 

Filhinhos, esta é a última hora; e, assim como vocês ouviram que o anticristo está vindo, já agora muitos anticristos têm surgido. Por isso sabemos que esta é a última hora. Eles saíram do nosso meio, mas na realidade não eram dos nossos, pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; o fato de terem saído mostra que nenhum deles era dos nossos. Mas vocês têm uma unção que procede do Santo, e todos vocês têm conhecimento. Não lhes escrevo porque não conhecem a verdade, mas porque vocês a conhecem e porque nenhuma mentira procede da verdade. Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho. Todo o que nega o Filho também não tem o Pai; quem confessa publicamente o Filho tem também o Pai. (1 Jo 2.18-23) 

Se alguém ensina falsas doutrinas e não concorda com a sã doutrina de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino que é segundo a piedade, é orgulhoso e nada entende. Esse tal mostra um interesse doentio por controvérsias e contendas acerca de palavras, que resultam em inveja, brigas, difamações, suspeitas malignas e atritos constantes entre pessoas que têm a mente corrompida e que são privados da verdade, os quais pensam que a piedade é fonte de lucro. De fato, a piedade com contentamento é grande fonte de lucro, pois nada trouxemos para este mundo e dele nada podemos levar; por isso, tendo o que comer e com que vestir-nos, estejamos com isso satisfeitos. Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos. Você, porém, homem de Deus, fuja de tudo isso e busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão. Combata o bom combate da fé. Tome posse da vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão na presença de muitas testemunhas. Diante de Deus, que a tudo dá vida, e de Cristo Jesus, que diante de Pôncio Pilatos fez a boa confissão, eu lhe recomendo: Guarde este mandamento imaculado, irrepreensível, até a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, a qual Deus fará se cumprir no seu devido tempo. Ele é o bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores, o único que é imortal e habita em luz inacessível, a quem ninguém viu nem pode ver. A ele sejam honra e poder para sempre. Amém. (1 Tm 6.3-17) 

De fato, todos os que desejam viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos. Contudo, os perversos e impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados. Quanto a você, porém, permaneça nas coisas que aprendeu e das quais tem convicção, pois você sabe de quem o aprendeu. Porque desde criança você conhece as sagradas letras, que são capazes de torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça… (2 Tm 3.12-16)

Podemos tirar aprendizados bem práticos das passagens acima:

1. Piedade e sã doutrina andam de modo inseparável. Não há como ser de Deus e não defender a sua verdade revelada nas Escrituras.

2. Deturpar o Evangelho é uma forma de iniquidade, e é abominável, anátema, condenável à perdição eterna.

3. Quem faz isso (especialmente os que se intitulam líderes na Igreja) constituem-se contra Cristo e, consequentemente, são “anticristos”. Fugir da iniquidade é o mesmo que fugir da heresia. Fugir da heresia compreende desmascarar hereges, uma vez que sejam identificados.

A conclusão é que é impossível amar a Deus e ser “amigo” de quem distorce a importância, o significado e a missão do seu Filho, Jesus Cristo. Não devemos jamais esquecer o amor pelo ser humano que erra, isso é evidente, mas jamais podemos aceitar seus ensinos errados por causa disso.

Historicamente, alguns dos hereges da Igreja foram reputados como pessoas simpáticas e, aparentemente, boníssimas: Ário, Pelágio e até Rudolf Bultmann (um dos pais do liberalismo moderno). Um dos meus antigos professores de seminário estudou com Bultmann na Alemanha e me disse que nunca conheceu uma pessoa mais agradável e gentil. Só que essa gentileza era a fachada de um inimigo da fé.

Não, não posso ser amigo de quem depõe contra tudo que tenho por sagrado. É duro dizer isso, mas “heresia é heresia, amizades à parte”.

Na paz,

+W 

Fonte: [ Site do autor ]
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O que a Bíblia diz sobre o ateísmo

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“Diz o tolo em seu coração: Deus não existe” (Salmo 14.1).

Esta é uma das principais declarações que a Bíblia faz sobre o ateísmo. Podemos destacar dois pontos:


1. O ateísmo é uma tolice

Negar a existência de Deus é tolice porque a existência de Deus é óbvia. A Bíblia em nenhum momento procura defender a existência de Deus porque ela é a mais elementar de todas as verdades. A Bíblia já começa afirmando categoricamente: “No princípio Deus criou os céus e a terra” (Gênesis 1.1).


A Bíblia afirma que Deus não pode ser conhecido completamente por nós, mas pode ser conhecido suficientemente: “Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas” (Romanos 1.20).

Deus é claramente visto na criação. Desse modo, o ateísmo é considerado tolice porque ele é irracional, é ir contra o evidente, o razoável. Na verdade o ateísmo é a maior tolice possível de se existir. O ateu simplemente fecha os olhos para as evidências e tapa os ouvidos para a razão. Mas por qual motivo ele faz isso? Isso nos leva ao próximo ponto:


2. A tolice do ateísmo surge a partir do coração pecaminoso do homem

Nenhuma pessoa torna-se ateísta por causa de argumentos, mas sim por causa do pecado em seu coração. Não existe um único argumento conclusivo que prove a não-existência de Deus. Em Romanos 1.19 a Bíblia afirma que os ateus não negam Deus pela lógica, mas pela injustiça: “os homens suprimem a verdade pela injustiça”.

A Bíblia afirma que o ateu nega a existência de Deus porque ele decidiu viver para o pecado. Ou seja, convém ao ateu que Deus não exista. Como afirmou Agostinho: “Ninguém nega Deus a não ser que lhe interesse que Deus não exista”.

Só entre os homens pecadores encontram-se os ateus. A Bíblia afirma que até os animais não duvidam da existência de Deus: “Pergunte, porém, aos animais, e eles o ensinarão, ou às aves do céu, e elas lhe contarão; fale com a terra, e ela o instruirá, deixe que os peixes do mar o informem. Quem de todos eles ignora que a mão do SENHOR fez isso?” (Jó 12.7-9). Mais que isso, a Bíblia afirma que nem mesmo os demônios duvidam da existência de Deus: “Você crê que existe um Deus? Muito bem! Até mesmo os demônios creem - e tremem!” (Tiago 2.19).


Conclusão

A Bíblia desqualifica o ateísmo como crença válida revelando sua irracionalidade, inconsistência e incoerência. Dessa maneira, a Bíblia não perde tempo com o ateísmo, ela se preocupa com a idolatria. O primeiro dos Dez Mandamentos é contra a idolatria não contra o ateísmo. O grande perigo da civilização não é que ela não creia em Deus, mas que ela se entregue à fantasias e imaginações ímpias. Os homens nunca deixarão de crer em algo, eles sempre estão em busca de Deus, de sentido, de propósito, de vida eterna. Assim, os homens sempre estão fazendo deuses para si. Mesmo os ateus adoram deuses, seja o sexo, o vício, o dinheiro, o status, ou até mesmo um filósofo. A grande pergunta não é: “Deus existe?”, mas sim: “Que tipo de Deus existe?”. Por isso Jesus também não se preocupou tanto com o ateísmo, mas com a idolatria. A preocupação dele não era apenas que as pessoas acreditassem em Deus, mas sim no Deus verdadeiro. Ele orou assim: “Está é a vida eterna: que te conheçam, o único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17.3).

Fonte: [ NAPEC ]
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Os conflitos pós-modernos e o púlpito saudável

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Os conflitos pós-modernos e o púlpito saudável

Por Joel Theodoro da Fonseca Jr.

Estamos bem no meio daquilo que se convencionou chamar de pós-modernidade. Os tempos que envolvem esse período são cheios de conflitos pela própria natureza do que o homem absorveu para si e para sua estrutura de vida. Schaeffer é um dos autores que se preocupou com essa temática e nos dá importantes contribuições a esse respeito, falando-nos do homem que se fragmentou nos processos de quebra de seus paradigmas, que se sentiu livre por um lado, mas que se viu de tal forma sem parâmetros que passou a sentir-se um órfão de sua própria existência. A ideia do sobrenatural perde suas cores habituais e, em tal processo, a necessidade antes coberta pelo processo metafísico foi tornado quase nulo nas respostas inexistentes em sua real essência. No entanto, não mais querendo apropriar-se das reflexões e das respostas sobrenaturais, o homem fragmentado não consegue mais evidenciar a relação entre o ser interior do homem e a divindade que o fazia perceber a diferença entre o que ele era, o que ele sentia e o que ele sabia.
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Francis Schaeffer nos mostra que, sob sua perspectiva, o problema precisa ser encarado de frente, uma vez que “a filosofia e a religião lidam com as mesmas questões básicas”1. Por essa razão, ele vê a importância de se estabelecer um passadiço completo entre a ordem humana secularizada que não prevê o ambiente metafísico, com especial oposição ao cristianismo, e a ordem espiritual humana, que prevê o ambiente metafísico no qual, biblicamente falando, estabelecemos como único possível o ambiente cristão. Por causa da falência da capacidade de articular sua reflexão metafísica, o homem faliu também em conhecer-se a si próprio, a conhecer e respeitar o processo de alteridade e com respeito à moral e à ética que lhe são subjacentes. Por haver negado a relação com um Deus infinito e pessoal como o Deus da Bíblia, o homem (pós)moderno tenta encontrar em sua vagueza a resposta do absoluto. A inviabilidade do processo torna-o refém de sua alma vazia e sem paradigmas de fé dotada de racionalidade, como deve ser a fé cristã. O problema é que o homem não consegue negar o elemento metafísico e sustentar a possibilidade de ordem universal ao mesmo tempo, pois esta sem aquele seria meramente o caos absolutamente desordenado. Diz Schaeffer: 
Se alguém sustenta que tudo é sem sentido, que não existe explicação para nada e que não há relação de causa e efeito, se realmente sustentasse tal posicionamento com certo grau de consistência, seria muito difícil de refutar. Mas, de fato, ninguém pode sustentar, com coerência, que tudo seja caótico e irracional, que não haja respostas fundamentais. Pode-se até afirmar teoricamente que tudo seja caótico, mas não se pode sustentar esta afirmação na prática.2
Entende-se daí que o mesmo ser humano que luta contra a relação com Deus vive, paradoxalmente, em conformidade com as regras metafísicas contra as quais luta. Dessa forma a estrutura interior faz-se cada vez mais corroída. A desesperança avoluma-se em seu interior e a expectativa de respostas torna-se ainda mais distante. O caos que crê ser verdadeiro e uniforme é, em verdade, a estrutura de si mesmo e não a estrutura real à qual pode estar atrelado na relação com Deus.
Com base nos vazios de sua ausência pressuposicional, o homem lança sua esperança na não-lógica do absurdo e do vazio, esperando ver alhures o que gostaria de ver, talvez na esperança de espelhar ao longe aquilo que é reflexo apenas de seu interior fragmentado. Isso o encaminha de forma objetiva ao irracional. Esse posicionamento é sustentado intelectualmente durante um tempo de reflexão, mas depois é desfeito, uma vez que não há como sustentar na prática os afetos irracionais em relação ao mundo exterior. O mundo externo, no qual há ordem e lógica, não se encaixa mais com o mundo interno, desordenado e ilógico. E isso gera inconformidades absolutas. A maior contradição em que se encontra o homem de hoje é que as formas em que crê ter se formado partem do nada e do impessoal. Isso o descaracteriza, mas o deixa empolgado a descobrir como isso seria possível. Na ausência de respostas, vê-se a inconformidade do ser. Assim, partindo-se do problema do nada “tudo o que existe originou-se de absolutamente nada. Agora, para sustentar esta visão, é preciso que seja absolutamente nada. É preciso que seja o que eu chamo de nada de nada.” 3 Mas, ao partirmos do problema do impessoal, “tudo, inclusive o homem, precisa ser explicado em termos de impessoalidade, acrescida de tempo, acrescida de probabilidade.”4

Para haver resposta possível e lógica ao ser humano que se encontra nessas ausências internas, a única forma é encararmos a realidade metafísica judaico-cristã que estabelece um Ser superior, Deus, que é tudo – opõe-se ao nada – e que se manifesta como um Deus pessoal – em oposição à impessoalidade. A relação com esse Deus resolve os dilemas da fragmentação do ser e estabelece uma relação na qual se sustenta o equilíbrio entre o Ser que cria e o ser criado. Pelo nada, há possível exclusão e caos. Pelo impessoal há possível panteísmo e multiteísmo. Com um Deus total e pessoal as respostas serão naturais a partir da lógica dos próprios anseios humanos. Acresça-se a isso o fator tempo. O impessoal e caótico gera descompassos cronológicos absolutos, enquanto a pessoalidade e a ordem estabelecidas geram parâmetros e orientações. A ausência do processo de relação com Deus é a causa da atual situação do ser humano.
Um dos interessantes detalhes levantados por Schaeffer em sua reflexão é o fato de que, se por um lado o homem não encontra mais respostas – e que a maior causa disso é a ausência do relacional metafísico –, por outro lado, cabe a nós, cristãos, levar de volta a resposta ao mundo definhado e fragmentado, uma vez que os cristãos jamais deixaram de ter as respostas, embora possam tê-las embaçadas em suas mentes e em suas práticas diárias. Diz-nos:  
São os cristãos que têm a resposta neste ponto – uma resposta impressionante! Então, por que nós, enquanto cristãos, continuamos falando grandes verdades de uma forma que ninguém entende? Por que continuamos falando para nós mesmos que o ser humano está perdido e, ao mesmo tempo, que o amamos?5
 A infinitude de Deus é a maior relação de necessidade que temos ao olhar para nossa própria finitude. Precisamos de um Deus como o Deus cristão a fim de não termos como referencial algo finito e limitado como nós mesmos. Na busca pelo sagrado e pelo transcendente, aí falham todas as religiões e práticas idólatras, uma vez que o ídolo sempre passa pela expressão do humano, semi-humano ou super-humano. Mas a tangência de referenciação é sempre a matriz humana. A nossa verdadeira necessidade metafísica reside no fato de carecermos de uma relação com um Deus que seja pessoal, mas infinito e supremo, a fim de nos deixar as bases e os parâmetros a serem seguidos.
Com base numa necessidade metafísica exposta, precisamos entender que isso nos leva a outra necessidade, a moral.
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A necessidade moral é naturalmente decorrente da necessidade metafísica. O homem não consegue resolver a si próprio nem a seus dilemas, que são muitos e mui pesados. Sua finitude o lança em direção de suas limitações e, ao querer se arvorar o ser tutor de si mesmo, ele se percebe um ser que não se relaciona com o Deus pessoal e infinito e que, por isso, ele é incapaz de estabelecer padrões de moral aceitáveis universalmente. Ele não consegue ser um ponto de referência para si mesmo, o que o deixa cada vez mais rebaixado em relação aos seus próprios padrões, que são sempre particulares.
Exatamente por ter se tornado um ser relacional apenas na impessoalidade,  
Se partirmos da origem impessoal, a moral não existe como moral propriamente dita; e a solução para a moral, certamente, acaba encontrando-se na asserção de que não há moral (...). A partir da origem impessoal de tudo, no final das contas, será indiferente no campo da moral. (...) Deixados neste ponto, poderemos falar do que seja antissocial, ou daquilo que a sociedade não aprecia, ou mesmo do que não aprecio, mas jamais poderemos nos referir a algo que seja definitivamente certo ou errado.6
 O comum é termos no mundo contemporâneo a paráfrase absoluta de que não há mais absolutos. O mais enfático é se dizer que tudo é relativo e que os certos (vários) e os errados (vários) de uma mesma “verdade” podem tornar absoluto a total ausência de conceito de absoluto. Uma vez que não temos relacionamento algum em relação à metafísica com o pessoal e o infinito, a nossa relação de conceito moral torna-se, também, finita e impessoal. Por essa razão, o óbvio é não ter mais parâmetros, quaisquer que sejam eles. Isso por si só é contundente, uma vez que, querendo ou não, o ser humano sempre teve em si a ideia de certo e errado como oposições naturais de seu discurso interno. Essa noção inata é o que lhe permitiu sobreviver, principalmente em relação ao seu Eu interior. O senso moral, portanto, existe. Mas tem sido apagado em nós, como raça, pelo discurso academicista que faz o homem migrar para longe de outra de suas relações primitivas, aquela que precisa ter com Deus. Apagando a necessidade metafísica, pelo menos em nível de discurso, o homem viu-se, também, apagado em seus princípios de conceituação moral.
Sem Deus e sem moral, sentimo-nos alijados de tudo que nos cerca, uma vez que todas as demais criações de Deus continuam a promulgar a sua relação com o Criador, dando, inclusive, testemunho de Seus atos criadores. Vemos isso claramente no início do Salmo 19 .7 Estamos sós e percebemos isso com clareza. Isso nos lança sobre o vazio da existência interior, enquanto tentamos desesperadamente nos agarrar a conceitos ou materiais ou metafísicos depositados em expressões de fé que apresentam deuses e filosofias baseadas na essência humana. As noções de certo e errado nos levam de maneira muito objetiva a outra discussão, a que trata da maldade humana. Conforme entendemos como cristãos, o que é confirmado por Schaeffer, o problema da maldade humana não reside num Deus cruel, como os opositores do cristianismo teimam em asseveras, mas num homem criado bom e que se tornou cruel por sua própria escolha. Deus, assim, permanece o mesmo Deus, não cruel, enquanto nós nos lançamos cada vez mais na maldade pessoal, oriunda da maldade intrínseca à raça.
Entretanto, se houve uma origem pessoal do homem, se homem foi criado por um Deus pessoal, há uma segunda possibilidade. Isto é, que o homem, como é agora, não é o que foi um dia; o homem está em descontinuidade com o que ele já foi um dia, em oposição a estar em continuidade com o que ele sempre foi. Ou, para expressá-lo de outra forma, o homem é hoje anormal – ele mudou.8
Ora a nossa falha moral está fixada não em Deus, mas em nós mesmos. Se isso é verdade – e realmente o é – então o que temos é a possibilidade de um caminho inverso, a partir do qual, com a reaproximação do Deus criador, termos em nós a restauração de nossa moral, com a consequente restauração de nossa vida não cruel. Isso por si só tornaria mais fácil a vida de todos. Nesse ponto discordamos do pensamento não cristão, que diz que o homem vive sua normalidade, embora perdido e fragmentado. E Schaeffer, na contramão da pós-modernidade, diz que, chegando à resposta cristã, naturalmente, o homem poderá galgar pelo menos quatro patamares em sua relação coletiva, consequência, como ele mesmo chama: 
1. Podemos explicar o fato de que o homem seja cruel hoje, sem Deus ser um Deus mau.
2. Há uma esperança de uma solução para este problema moral que não é intrínseco à “hombridade” do    homem. (...).
3. Podemos ter uma razão adequada para lutar contra o mal, inclusive o mal e a injustiça social. O homem moderno não tem um fundamento real para lutar contra o mal, porque para ele o homem está em condições normais (...).
4. Podemos ter verdadeira moral e absolutos morais, pois Deus é absolutamente bom. Há uma exclusão total do mal em Deus. O caráter de Deus é a moral absoluta do universo. (Ibidem, 69, 70, 71).
 A necessidade moral, portanto, precisa ser bem entendida e absorvida, em busca das respostas adequadas, a fim de que vivamos melhor em meio à criação do Deus percebido e redescoberto na relação metafísica. Mas podemos perceber, com a ajuda do autor, que tudo isso talvez tenha uma origem comum e, por isso, tenha resposta comum. A falta de conhecimento leva-nos a mais uma necessidade, a do conhecimento. Surge a necessidade epistemológica.

No livro do profeta Oseias há uma interessante exortação de Deus ao Seu povo, na qual Ele diz, no capítulo 4, verso 6: 
O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porque tu, sacerdote, rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. 
Deixando-nos livres para pensar sem as conjecturas de leituras circunstanciais e histórico-temporais, a falta de conhecimento é a razão apontada para a destruição da nação inteira. Como raça, assim temos nos postado, destruídos em nossos padrões porque nos falta o conhecimento elementar daquilo que foi abordado nos dois itens anteriores. Por não conseguirmos mais a absorção e a maturação do conhecimento em nós, não divisamos mais a necessidade de conhecer e, por conseguinte, a da metafísica e a da moral. O problema, conforme apontado por Schaeffer, deve-se, de início, ao fato de termos abandonado os paradigmas universais e termos nos movido em direção apenas aos particulares. Com isso, a nossa capacidade de enxergar ao longe torna-se nula e passamos a ver apenas a nós mesmos, esquecendo-nos, por exemplo, da alteridade, mesmo quando pregamos defendê-la.
Portanto, o cerne de nossa deficiência de conhecimento, ou deficiência epistemológica, está em que não temos mais acesso ao conhecimento universal (nós o abandonamos), enquanto nos satisfazemos com o conhecimento particular (que é relativo e sem padrões). Por causa desses desvios, todas as derivações de nossa existência, mesmo as materiais, estão abaladas em seu profundo. Vejamos: 
No campo da moral, necessitamos de universais (absolutos), se quisermos determinar o que é certo e o que é errado. Sem universais, o conceito moderno é, em última instância, sociológico: basta ter acesso às estatísticas da opinião pública de certo e de errado, e a maioria determina as questões morais. (...) Agora, enquanto podemos ver isso mais facilmente no campo da moral, da realidade é muito mais importante no campo do conhecimento. Como podemos encontrar universais que sejam amplos o suficiente para dar conta dos particulares, de modo que possamos saber que sabemos?9
Ora, a falha deriva muitas vezes de duas instâncias possíveis, ou seja, quando não temos conhecimento do que nos cerca porque nossos particulares não encontram absolutos universais em que se basear, ou quando sabemos algo em nossos particulares, mas a sua conexão com os universais está em desarmonia com o mesmo.
Esse mesmo homem complexo se senta diante dos púlpitos de nossas igrejas. E o que ele tem ouvido que seja capaz de alterar o curso de sua vida e dar novo sentido à sua existência? Conforme vimos anteriormente, mais que nunca e talvez mais que em qualquer outra época da história humana, a nossa pregação precisa ser aquela que foi confiada à Igreja desde que ela foi comissionada para propagar a mensagem do Reino de Deus.
Mas qual tem sido a resposta dos púlpitos neste nosso tempo? Jamais podemos nos esquecer de que a nossa mensagem é decorrente daquilo que somos enquanto seres sociais e, mesmo com a expressão de fé mais ortodoxa e bíblica possível, seremos também influenciados fortemente por tudo que ouvimos e aprendemos ao longo da vida.

Notas:
1 SCHAEFFER, F. A. (2002). O Deus que se revela. (G. Gregersen, Trad.) São Paulo: Cultura Cristã.
2 Ibidem, 43.
3 Ibidem, 46.
4 Ibidem, 47.
5 Ibidem, 50.
6 Ibidem, 60, 61.
7 Salmos 19:1-6: (1) Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos. (2) Um dia discursa a outro dia, e uma noite revela conhecimento a outra noite. (3) Não há linguagem, nem há palavras, e deles não se ouve nenhum som; (4) no entanto, por toda a terra se faz ouvir a sua voz, e as suas palavras, até aos confins do mundo. Aí, pôs uma tenda para o sol, (5) o qual, como noivo que sai dos seus aposentos, se regozija como herói, a percorrer o seu caminho. (6) Principia numa extremidade dos céus, e até à outra vai o seu percurso; e nada refoge ao seu calor.
8Ibidem, 68.
9Ibidem, 76, 77.

- Sobre o autor: É graduado em Teologia, Letras e Filosofia, e Mestre em Ciência da Literatura (Semiologia). Atualmente cursa Doutorado em Ministério pelo Reformed Theological Seminary em parceria com o Centro de Pós-Graduação Andrew Jumper. Concluiu o curso de Liderança Avançada do Haggai Institute, em Cingapura. É pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil em Ramos, Rio de Janeiro, e é casado com Roberta Leonardo da Fonseca, com quem tem dois filhos, Gabriel e Rafaela. 

Fonte: [ Teologia Brasileira ]
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